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Polícia Federal — Concurso Público 2025 (Edital nº 1 – PF – Administrativo) — Conhecimentos Básicos para os Cargos de 1 a 14 (nível superior)

Polícia Federal · Cargos 1 a 14 (nível superior) — Conhecimentos Básicos

Cebraspe2025Superior

50 questões nesta prova · página 1 de 3 · 49 com gabarito

Língua Portuguesa Coesão e Coerência — Conectivos e Pontuação

Cebraspe 2025 Superior

Polícia Federal · Cargos 1 a 14 (nível superior) — Conhecimentos Básicos · Caderno 094_PF_CB1_01

Gabarito disponível

Texto-base:
“A liberdade medieval”, disse o historiador Lord Acton, “difere da moderna nisto: a primeira depende de propriedade”. Mas a diferença é certamente uma diferença apenas em grau, não em espécie. O dinheiro pode ter menos influência num tribunal moderno do que num tribunal medieval. Mas e fora do tribunal? Fora, é verdade, estou legalmente livre para trabalhar ou não trabalhar, como eu bem escolher, porque não sou um servo. Estou legalmente livre para viver aqui em vez de lá, porque não estou preso à terra. Eu sou livre, dentro de limites razoáveis, para me divertir como eu bem quiser. Estou legalmente livre para casar-me com qualquer pessoa; nenhum lorde me obriga a casar-me com uma garota ou viúva da mansão senhorial. A lista de todas as minhas liberdades legais ocuparia páginas e mais páginas datilografadas. Ninguém, em toda a história, foi tão livre quanto eu sou agora.
Mas vejamos o que acontece se eu tento fazer uso da minha liberdade legal. Não sendo um servo, eu resolvo parar de trabalhar; como resultado, começo a passar fome na próxima segunda-feira. Não sendo ligado à terra, eu opto por viver em Grosvenor Square e Taormina; infelizmente, o aluguel da minha casa em Londres equivale ao quíntuplo da minha renda anual. Não sendo submetido às perseguições de intrometidos eclesiásticos, eu decido que seria agradável levar uma jovem ao hotel Savoy para desfrutarmos de um jantar; mas não tenho roupas adequadas, e acabo gastando mais no entretenimento da minha noite do que consigo ganhar em uma semana.
Todas as minhas liberdades legais acabam sendo, na prática, tão estreitamente dependentes de propriedade como eram as liberdades dos meus antepassados medievais. Os ricos podem comprar vastas quantidades de liberdade; os pobres precisam se virar sem ela, muito embora, por lei e teoricamente, eles tenham tanto direito à mesma quantidade de liberdade quanto têm os ricos.
Aldous Huxley. Apontamentos sobre a liberdade e as fronteiras da terra prometida. In: Música na noite e outros ensaios. Tradução: Rodrigo Breunig. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2014 (com adaptações).

Acerca das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.

Dada a relação de contraste estabelecida entre as duas primeiras orações do último período do texto, seria coerente e gramaticalmente correto inserir, entre vírgulas, a expressão não obstante logo após “pobres”.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

'Não obstante' tem valor adversativo/concessivo e cabe, entre vírgulas, após 'pobres'.

As duas primeiras orações do último período ('Os ricos podem comprar...; os pobres precisam se virar sem ela') se contrapõem. 'Não obstante', no sentido de 'no entanto', marca esse contraste. Intercalado entre vírgulas ('os pobres, não obstante, precisam...'), mantém a coerência e a correção gramatical.

Análise das alternativas

A) Correta: o conectivo adversativo e a pontuação estão adequados. B) Errada: negaria a coerência ou a correção da inserção.

Referência: Coesão: conectivos e pontuação de elementos intercalados.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Compreensão e Interpretação de Textos

Cebraspe 2025 Superior

Polícia Federal · Cargos 1 a 14 (nível superior) — Conhecimentos Básicos · Caderno 094_PF_CB1_01

Gabarito disponível

Texto-base:
“A liberdade medieval”, disse o historiador Lord Acton, “difere da moderna nisto: a primeira depende de propriedade”. Mas a diferença é certamente uma diferença apenas em grau, não em espécie. O dinheiro pode ter menos influência num tribunal moderno do que num tribunal medieval. Mas e fora do tribunal? Fora, é verdade, estou legalmente livre para trabalhar ou não trabalhar, como eu bem escolher, porque não sou um servo. Estou legalmente livre para viver aqui em vez de lá, porque não estou preso à terra. Eu sou livre, dentro de limites razoáveis, para me divertir como eu bem quiser. Estou legalmente livre para casar-me com qualquer pessoa; nenhum lorde me obriga a casar-me com uma garota ou viúva da mansão senhorial. A lista de todas as minhas liberdades legais ocuparia páginas e mais páginas datilografadas. Ninguém, em toda a história, foi tão livre quanto eu sou agora.
Mas vejamos o que acontece se eu tento fazer uso da minha liberdade legal. Não sendo um servo, eu resolvo parar de trabalhar; como resultado, começo a passar fome na próxima segunda-feira. Não sendo ligado à terra, eu opto por viver em Grosvenor Square e Taormina; infelizmente, o aluguel da minha casa em Londres equivale ao quíntuplo da minha renda anual. Não sendo submetido às perseguições de intrometidos eclesiásticos, eu decido que seria agradável levar uma jovem ao hotel Savoy para desfrutarmos de um jantar; mas não tenho roupas adequadas, e acabo gastando mais no entretenimento da minha noite do que consigo ganhar em uma semana.
Todas as minhas liberdades legais acabam sendo, na prática, tão estreitamente dependentes de propriedade como eram as liberdades dos meus antepassados medievais. Os ricos podem comprar vastas quantidades de liberdade; os pobres precisam se virar sem ela, muito embora, por lei e teoricamente, eles tenham tanto direito à mesma quantidade de liberdade quanto têm os ricos.
Aldous Huxley. Apontamentos sobre a liberdade e as fronteiras da terra prometida. In: Música na noite e outros ensaios. Tradução: Rodrigo Breunig. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2014 (com adaptações).

Acerca das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.

A ideia principal do texto, cujo autor defende que a liberdade moderna é mais ampla que a medieval, pode ser sintetizada na afirmação “Ninguém, em toda a história, foi tão livre quanto eu sou agora” (último período do primeiro parágrafo).
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A ideia central é que a liberdade legal moderna depende de propriedade como a medieval, e não que seja mais ampla.

A frase 'Ninguém foi tão livre quanto eu sou agora' refere-se apenas à liberdade legal e é contraposta no restante do texto. O autor conclui que, na prática, as liberdades dependem de propriedade, assim como as medievais. Logo, ele não defende que a liberdade moderna seja mais ampla, e a frase citada não sintetiza o texto.

Análise das alternativas

A) Errada, pois atribui ao autor uma defesa que ele refuta. B) Correta: a frase é uma concessão a ser desmentida.

Referência: Interpretação de texto: ideia central.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Orações Subordinadas Adverbiais Reduzidas

Cebraspe 2025 Superior

Polícia Federal · Cargos 1 a 14 (nível superior) — Conhecimentos Básicos · Caderno 094_PF_CB1_01

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Texto-base:
“A liberdade medieval”, disse o historiador Lord Acton, “difere da moderna nisto: a primeira depende de propriedade”. Mas a diferença é certamente uma diferença apenas em grau, não em espécie. O dinheiro pode ter menos influência num tribunal moderno do que num tribunal medieval. Mas e fora do tribunal? Fora, é verdade, estou legalmente livre para trabalhar ou não trabalhar, como eu bem escolher, porque não sou um servo. Estou legalmente livre para viver aqui em vez de lá, porque não estou preso à terra. Eu sou livre, dentro de limites razoáveis, para me divertir como eu bem quiser. Estou legalmente livre para casar-me com qualquer pessoa; nenhum lorde me obriga a casar-me com uma garota ou viúva da mansão senhorial. A lista de todas as minhas liberdades legais ocuparia páginas e mais páginas datilografadas. Ninguém, em toda a história, foi tão livre quanto eu sou agora.
Mas vejamos o que acontece se eu tento fazer uso da minha liberdade legal. Não sendo um servo, eu resolvo parar de trabalhar; como resultado, começo a passar fome na próxima segunda-feira. Não sendo ligado à terra, eu opto por viver em Grosvenor Square e Taormina; infelizmente, o aluguel da minha casa em Londres equivale ao quíntuplo da minha renda anual. Não sendo submetido às perseguições de intrometidos eclesiásticos, eu decido que seria agradável levar uma jovem ao hotel Savoy para desfrutarmos de um jantar; mas não tenho roupas adequadas, e acabo gastando mais no entretenimento da minha noite do que consigo ganhar em uma semana.
Todas as minhas liberdades legais acabam sendo, na prática, tão estreitamente dependentes de propriedade como eram as liberdades dos meus antepassados medievais. Os ricos podem comprar vastas quantidades de liberdade; os pobres precisam se virar sem ela, muito embora, por lei e teoricamente, eles tenham tanto direito à mesma quantidade de liberdade quanto têm os ricos.
Aldous Huxley. Apontamentos sobre a liberdade e as fronteiras da terra prometida. In: Música na noite e outros ensaios. Tradução: Rodrigo Breunig. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2014 (com adaptações).

Acerca das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.

No segundo parágrafo, as orações “Não sendo um servo” (segundo período), “Não sendo ligado à terra” (terceiro período) e “Não sendo submetido às perseguições de intrometidos eclesiásticos” (quarto período) expressam circunstância de concessão nos respectivos períodos em que aparecem.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

As orações reduzidas de gerúndio expressam causa, não concessão.

'Não sendo um servo, eu resolvo parar de trabalhar' equivale a 'Como não sou um servo, resolvo...' ou 'Porque não sou um servo...'. O mesmo vale para as outras duas orações. São reduzidas de gerúndio de valor causal; a concessão exigiria ideia de 'embora/apesar de'.

Análise das alternativas

A) Errada: atribui valor concessivo. B) Correta: o valor é causal.

Referência: Orações subordinadas adverbiais reduzidas de gerúndio.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Compreensão e Interpretação de Textos

Cebraspe 2025 Superior

Polícia Federal · Cargos 1 a 14 (nível superior) — Conhecimentos Básicos · Caderno 094_PF_CB1_01

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Texto-base:
“A liberdade medieval”, disse o historiador Lord Acton, “difere da moderna nisto: a primeira depende de propriedade”. Mas a diferença é certamente uma diferença apenas em grau, não em espécie. O dinheiro pode ter menos influência num tribunal moderno do que num tribunal medieval. Mas e fora do tribunal? Fora, é verdade, estou legalmente livre para trabalhar ou não trabalhar, como eu bem escolher, porque não sou um servo. Estou legalmente livre para viver aqui em vez de lá, porque não estou preso à terra. Eu sou livre, dentro de limites razoáveis, para me divertir como eu bem quiser. Estou legalmente livre para casar-me com qualquer pessoa; nenhum lorde me obriga a casar-me com uma garota ou viúva da mansão senhorial. A lista de todas as minhas liberdades legais ocuparia páginas e mais páginas datilografadas. Ninguém, em toda a história, foi tão livre quanto eu sou agora.
Mas vejamos o que acontece se eu tento fazer uso da minha liberdade legal. Não sendo um servo, eu resolvo parar de trabalhar; como resultado, começo a passar fome na próxima segunda-feira. Não sendo ligado à terra, eu opto por viver em Grosvenor Square e Taormina; infelizmente, o aluguel da minha casa em Londres equivale ao quíntuplo da minha renda anual. Não sendo submetido às perseguições de intrometidos eclesiásticos, eu decido que seria agradável levar uma jovem ao hotel Savoy para desfrutarmos de um jantar; mas não tenho roupas adequadas, e acabo gastando mais no entretenimento da minha noite do que consigo ganhar em uma semana.
Todas as minhas liberdades legais acabam sendo, na prática, tão estreitamente dependentes de propriedade como eram as liberdades dos meus antepassados medievais. Os ricos podem comprar vastas quantidades de liberdade; os pobres precisam se virar sem ela, muito embora, por lei e teoricamente, eles tenham tanto direito à mesma quantidade de liberdade quanto têm os ricos.
Aldous Huxley. Apontamentos sobre a liberdade e as fronteiras da terra prometida. In: Música na noite e outros ensaios. Tradução: Rodrigo Breunig. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2014 (com adaptações).

Acerca das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.

No segundo período do primeiro parágrafo, o emprego do vocábulo “certamente” evidencia que o autor do texto concorda com a opinião do historiador Lord Acton reproduzida no primeiro período, considerando-a indubitável.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

'Certamente' reforça a discordância do autor em relação a Acton, e não a concordância.

O período começa com 'Mas', que contrapõe a ideia de Acton. O autor afirma que a diferença entre as liberdades é 'apenas em grau, não em espécie', ou seja, relativiza a tese de Acton. 'Certamente' reforça a afirmação do próprio autor, não a opinião do historiador.

Análise das alternativas

A) Errada: atribui concordância ao autor. B) Correta: há ressalva e contraposição.

Referência: Interpretação de texto: modalizadores e conectivos adversativos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Compreensão e Interpretação de Textos — Estratégias Argumentativas

Cebraspe 2025 Superior

Polícia Federal · Cargos 1 a 14 (nível superior) — Conhecimentos Básicos · Caderno 094_PF_CB1_01

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Texto-base:
“A liberdade medieval”, disse o historiador Lord Acton, “difere da moderna nisto: a primeira depende de propriedade”. Mas a diferença é certamente uma diferença apenas em grau, não em espécie. O dinheiro pode ter menos influência num tribunal moderno do que num tribunal medieval. Mas e fora do tribunal? Fora, é verdade, estou legalmente livre para trabalhar ou não trabalhar, como eu bem escolher, porque não sou um servo. Estou legalmente livre para viver aqui em vez de lá, porque não estou preso à terra. Eu sou livre, dentro de limites razoáveis, para me divertir como eu bem quiser. Estou legalmente livre para casar-me com qualquer pessoa; nenhum lorde me obriga a casar-me com uma garota ou viúva da mansão senhorial. A lista de todas as minhas liberdades legais ocuparia páginas e mais páginas datilografadas. Ninguém, em toda a história, foi tão livre quanto eu sou agora.
Mas vejamos o que acontece se eu tento fazer uso da minha liberdade legal. Não sendo um servo, eu resolvo parar de trabalhar; como resultado, começo a passar fome na próxima segunda-feira. Não sendo ligado à terra, eu opto por viver em Grosvenor Square e Taormina; infelizmente, o aluguel da minha casa em Londres equivale ao quíntuplo da minha renda anual. Não sendo submetido às perseguições de intrometidos eclesiásticos, eu decido que seria agradável levar uma jovem ao hotel Savoy para desfrutarmos de um jantar; mas não tenho roupas adequadas, e acabo gastando mais no entretenimento da minha noite do que consigo ganhar em uma semana.
Todas as minhas liberdades legais acabam sendo, na prática, tão estreitamente dependentes de propriedade como eram as liberdades dos meus antepassados medievais. Os ricos podem comprar vastas quantidades de liberdade; os pobres precisam se virar sem ela, muito embora, por lei e teoricamente, eles tenham tanto direito à mesma quantidade de liberdade quanto têm os ricos.
Aldous Huxley. Apontamentos sobre a liberdade e as fronteiras da terra prometida. In: Música na noite e outros ensaios. Tradução: Rodrigo Breunig. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2014 (com adaptações).

Acerca das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.

Uma das estratégias argumentativas empregadas pelo autor é o estabelecimento do contraste entre a dimensão teórica e a dimensão concreta da liberdade, sendo a dimensão concreta indicada por meio de expressões como “fazer uso” (primeiro período do segundo parágrafo) e “na prática” (primeiro período do terceiro parágrafo).
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O autor contrapõe a liberdade legal (teórica) à liberdade efetiva, marcada por 'fazer uso' e 'na prática'.

No primeiro parágrafo, o autor lista as liberdades legais (teóricas). No segundo, mostra o que acontece quando tenta 'fazer uso' delas, e no terceiro conclui que 'na prática' elas dependem de propriedade. As expressões marcam a dimensão concreta em contraste com a teórica ('por lei e teoricamente').

Análise das alternativas

A) Correta: o contraste teoria × prática é a estratégia central. B) Errada: negaria esse contraste, evidente no texto.

Referência: Interpretação de texto: estratégias argumentativas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Semântica — Valor Semântico de Conectivos

Cebraspe 2025 Superior

Polícia Federal · Cargos 1 a 14 (nível superior) — Conhecimentos Básicos · Caderno 094_PF_CB1_01

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Texto-base:
“A liberdade medieval”, disse o historiador Lord Acton, “difere da moderna nisto: a primeira depende de propriedade”. Mas a diferença é certamente uma diferença apenas em grau, não em espécie. O dinheiro pode ter menos influência num tribunal moderno do que num tribunal medieval. Mas e fora do tribunal? Fora, é verdade, estou legalmente livre para trabalhar ou não trabalhar, como eu bem escolher, porque não sou um servo. Estou legalmente livre para viver aqui em vez de lá, porque não estou preso à terra. Eu sou livre, dentro de limites razoáveis, para me divertir como eu bem quiser. Estou legalmente livre para casar-me com qualquer pessoa; nenhum lorde me obriga a casar-me com uma garota ou viúva da mansão senhorial. A lista de todas as minhas liberdades legais ocuparia páginas e mais páginas datilografadas. Ninguém, em toda a história, foi tão livre quanto eu sou agora.
Mas vejamos o que acontece se eu tento fazer uso da minha liberdade legal. Não sendo um servo, eu resolvo parar de trabalhar; como resultado, começo a passar fome na próxima segunda-feira. Não sendo ligado à terra, eu opto por viver em Grosvenor Square e Taormina; infelizmente, o aluguel da minha casa em Londres equivale ao quíntuplo da minha renda anual. Não sendo submetido às perseguições de intrometidos eclesiásticos, eu decido que seria agradável levar uma jovem ao hotel Savoy para desfrutarmos de um jantar; mas não tenho roupas adequadas, e acabo gastando mais no entretenimento da minha noite do que consigo ganhar em uma semana.
Todas as minhas liberdades legais acabam sendo, na prática, tão estreitamente dependentes de propriedade como eram as liberdades dos meus antepassados medievais. Os ricos podem comprar vastas quantidades de liberdade; os pobres precisam se virar sem ela, muito embora, por lei e teoricamente, eles tenham tanto direito à mesma quantidade de liberdade quanto têm os ricos.
Aldous Huxley. Apontamentos sobre a liberdade e as fronteiras da terra prometida. In: Música na noite e outros ensaios. Tradução: Rodrigo Breunig. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2014 (com adaptações).

Acerca das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.

O vocábulo “como” apresenta o mesmo valor semântico no trecho “como eu bem escolher” (quinto período do primeiro parágrafo) e no trecho “como eram as liberdades dos meus antepassados medievais” (primeiro período do terceiro parágrafo).
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O 'como' do primeiro trecho indica modo/conformidade; o do segundo introduz comparação.

Em 'como eu bem escolher', 'como' equivale a 'conforme/da maneira que', com valor de conformidade ou modo. Em 'tão dependentes de propriedade como eram as liberdades...', 'como' integra a estrutura comparativa de igualdade (tão... como). Os valores semânticos, portanto, diferem.

Análise das alternativas

A) Errada: afirma valor idêntico. B) Correta: um é conformativo/modal e o outro, comparativo.

Referência: Valor semântico de conectivos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Reescrita de Frases — Regência e Pronominalização

Cebraspe 2025 Superior

Polícia Federal · Cargos 1 a 14 (nível superior) — Conhecimentos Básicos · Caderno 094_PF_CB1_01

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Texto-base:
“A liberdade medieval”, disse o historiador Lord Acton, “difere da moderna nisto: a primeira depende de propriedade”. Mas a diferença é certamente uma diferença apenas em grau, não em espécie. O dinheiro pode ter menos influência num tribunal moderno do que num tribunal medieval. Mas e fora do tribunal? Fora, é verdade, estou legalmente livre para trabalhar ou não trabalhar, como eu bem escolher, porque não sou um servo. Estou legalmente livre para viver aqui em vez de lá, porque não estou preso à terra. Eu sou livre, dentro de limites razoáveis, para me divertir como eu bem quiser. Estou legalmente livre para casar-me com qualquer pessoa; nenhum lorde me obriga a casar-me com uma garota ou viúva da mansão senhorial. A lista de todas as minhas liberdades legais ocuparia páginas e mais páginas datilografadas. Ninguém, em toda a história, foi tão livre quanto eu sou agora.
Mas vejamos o que acontece se eu tento fazer uso da minha liberdade legal. Não sendo um servo, eu resolvo parar de trabalhar; como resultado, começo a passar fome na próxima segunda-feira. Não sendo ligado à terra, eu opto por viver em Grosvenor Square e Taormina; infelizmente, o aluguel da minha casa em Londres equivale ao quíntuplo da minha renda anual. Não sendo submetido às perseguições de intrometidos eclesiásticos, eu decido que seria agradável levar uma jovem ao hotel Savoy para desfrutarmos de um jantar; mas não tenho roupas adequadas, e acabo gastando mais no entretenimento da minha noite do que consigo ganhar em uma semana.
Todas as minhas liberdades legais acabam sendo, na prática, tão estreitamente dependentes de propriedade como eram as liberdades dos meus antepassados medievais. Os ricos podem comprar vastas quantidades de liberdade; os pobres precisam se virar sem ela, muito embora, por lei e teoricamente, eles tenham tanto direito à mesma quantidade de liberdade quanto têm os ricos.
Aldous Huxley. Apontamentos sobre a liberdade e as fronteiras da terra prometida. In: Música na noite e outros ensaios. Tradução: Rodrigo Breunig. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2014 (com adaptações).

Acerca das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.

Sem prejuízo da correção gramatical e dos sentidos originais do texto, o vocábulo ‘difere’ (primeiro período do texto) poderia ser substituído por diferencia-se.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

'Difere' pode ser trocado por 'diferencia-se' sem prejuízo gramatical ou de sentido.

'Diferir' e 'diferenciar-se' são sinônimos, no sentido de ser diferente de, e regem a preposição 'de'. Em 'A liberdade medieval diferencia-se da moderna', a regência (diferenciar-se de) e o sentido se mantêm.

Análise das alternativas

A) Correta: a troca mantém regência, sentido e correção. B) Errada: veria alteração de sentido ou erro de regência, que não ocorre.

Referência: Reescrita de frases: regência verbal e verbos pronominais.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Pessoa do Discurso e Efeitos de Sentido

Cebraspe 2025 Superior

Polícia Federal · Cargos 1 a 14 (nível superior) — Conhecimentos Básicos · Caderno 094_PF_CB1_01

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Texto-base:
“A liberdade medieval”, disse o historiador Lord Acton, “difere da moderna nisto: a primeira depende de propriedade”. Mas a diferença é certamente uma diferença apenas em grau, não em espécie. O dinheiro pode ter menos influência num tribunal moderno do que num tribunal medieval. Mas e fora do tribunal? Fora, é verdade, estou legalmente livre para trabalhar ou não trabalhar, como eu bem escolher, porque não sou um servo. Estou legalmente livre para viver aqui em vez de lá, porque não estou preso à terra. Eu sou livre, dentro de limites razoáveis, para me divertir como eu bem quiser. Estou legalmente livre para casar-me com qualquer pessoa; nenhum lorde me obriga a casar-me com uma garota ou viúva da mansão senhorial. A lista de todas as minhas liberdades legais ocuparia páginas e mais páginas datilografadas. Ninguém, em toda a história, foi tão livre quanto eu sou agora.
Mas vejamos o que acontece se eu tento fazer uso da minha liberdade legal. Não sendo um servo, eu resolvo parar de trabalhar; como resultado, começo a passar fome na próxima segunda-feira. Não sendo ligado à terra, eu opto por viver em Grosvenor Square e Taormina; infelizmente, o aluguel da minha casa em Londres equivale ao quíntuplo da minha renda anual. Não sendo submetido às perseguições de intrometidos eclesiásticos, eu decido que seria agradável levar uma jovem ao hotel Savoy para desfrutarmos de um jantar; mas não tenho roupas adequadas, e acabo gastando mais no entretenimento da minha noite do que consigo ganhar em uma semana.
Todas as minhas liberdades legais acabam sendo, na prática, tão estreitamente dependentes de propriedade como eram as liberdades dos meus antepassados medievais. Os ricos podem comprar vastas quantidades de liberdade; os pobres precisam se virar sem ela, muito embora, por lei e teoricamente, eles tenham tanto direito à mesma quantidade de liberdade quanto têm os ricos.
Aldous Huxley. Apontamentos sobre a liberdade e as fronteiras da terra prometida. In: Música na noite e outros ensaios. Tradução: Rodrigo Breunig. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2014 (com adaptações).

Acerca das ideias e de aspectos linguísticos do texto precedente, julgue os itens a seguir.

Ao empregar a primeira pessoa do plural em “desfrutarmos” (último período do segundo parágrafo), o autor se aproxima do leitor do texto, incluindo-o, ainda que de modo indireto, na ação expressa por esse vocábulo.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A primeira pessoa do plural refere-se ao narrador e à jovem, e não inclui o leitor.

Em 'levar uma jovem ao hotel Savoy para desfrutarmos de um jantar', 'desfrutarmos' tem como sujeitos o narrador ('eu') e a jovem que ele levaria. O leitor não participa da ação, nem de modo indireto. O texto está em primeira pessoa do singular, sem apelo direto ao leitor nesse trecho.

Análise das alternativas

A) Errada: atribui ao verbo um efeito de inclusão do leitor que o contexto não permite. B) Correta: o 'nós' é o narrador mais a jovem.

Referência: Pessoa do discurso e efeitos de sentido.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Redação Oficial Manual de Redação da Presidência da República — Email

Cebraspe 2025 Superior

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Texto-base:
De: Fulano de Tal
Assunto: Alteração do horário das reuniões mensais de alinhamento

Prezados colegas,

Comunico a todos a alteração do horário de realização de nossas reuniões mensais de alinhamento: a partir deste mês, elas ocorrerão às 14 horas, e não mais às 15 horas.

Abraços,

Fulano de Tal
Coordenador
(61)XXXX-XXXX

Considerando que o texto precedente seja um email profissional enviado por um coordenador aos colaboradores hierarquicamente subordinados a ele em determinado órgão público, julgue o próximo item, com base no Manual de Redação da Presidência da República.

O campo “Assunto”, diferentemente do fecho e da assinatura, está em conformidade com o disposto no referido manual acerca do uso de email como comunicação oficial.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O campo 'Assunto' está adequado ao Manual, ao contrário do fecho e da assinatura.

O Manual de Redação da Presidência da República determina que o campo 'Assunto' do e-mail seja claro e específico, o que ocorre em 'Alteração do horário das reuniões mensais de alinhamento'. Já o fecho ('Abraços') é informal e a assinatura não segue o padrão formal esperado, como cargo e dados completos. Por isso só o 'Assunto' está conforme.

Análise das alternativas

A) Correta: o assunto é objetivo e informativo. B) Errada: afirmaria que o campo 'Assunto' também descumpre o Manual.

Referência: Manual de Redação da Presidência da República, capítulo sobre o uso de e-mail como correspondência oficial.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Coesão Textual — Referenciação

Cebraspe 2025 Superior

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Texto-base:
O afrouxamento da severidade penal no decorrer dos últimos séculos, fenômeno bem conhecido dos historiadores do direito, foi visto, durante muito tempo, de forma geral, como se fosse fenômeno quantitativo: menos sofrimento, mais suavidade, mais respeito e “humanidade”. Na verdade, tais modificações se fazem concomitantes ao deslocamento do objeto da ação punitiva. Redução de intensidade? Talvez. Mudança de objetivo, certamente.
Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o que, então, se exerce? A resposta dos teóricos é simples, quase evidente. Dir-se-ia inscrita na própria indagação. Pois não é mais o corpo, é a alma. À expiação que tripudia sobre o corpo deve suceder um castigo que atue, profundamente, sobre o coração, o intelecto, a vontade, as disposições.
Michel Foucault. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Rio de Janeiro, Petrópolis: Editora Vozes, 1999 (com adaptações).

Julgue os itens seguintes, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente.

Nas relações coesivas do último período, o termo “castigo” substitui, por sinonímia, o vocábulo “expiação”.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

'Castigo' retoma 'expiação' por sinonímia contextual, na ideia de punição.

No último período, 'À expiação que tripudia sobre o corpo deve suceder um castigo...'. O texto dá a 'expiação' e a 'castigo' o sentido de punição imposta ao condenado. Segundo o gabarito, 'castigo' é termo de campo semântico equivalente a 'expiação'.

Análise das alternativas

A) Correta, conforme o gabarito oficial: há relação de sinonímia contextual entre os termos. B) Errada: negaria essa equivalência, que o gabarito reconhece.

Referência: Coesão lexical: sinonímia.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Compreensão e Interpretação de Textos

Cebraspe 2025 Superior

Polícia Federal · Cargos 1 a 14 (nível superior) — Conhecimentos Básicos · Caderno 094_PF_CB1_01

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Texto-base:
O afrouxamento da severidade penal no decorrer dos últimos séculos, fenômeno bem conhecido dos historiadores do direito, foi visto, durante muito tempo, de forma geral, como se fosse fenômeno quantitativo: menos sofrimento, mais suavidade, mais respeito e “humanidade”. Na verdade, tais modificações se fazem concomitantes ao deslocamento do objeto da ação punitiva. Redução de intensidade? Talvez. Mudança de objetivo, certamente.
Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o que, então, se exerce? A resposta dos teóricos é simples, quase evidente. Dir-se-ia inscrita na própria indagação. Pois não é mais o corpo, é a alma. À expiação que tripudia sobre o corpo deve suceder um castigo que atue, profundamente, sobre o coração, o intelecto, a vontade, as disposições.
Michel Foucault. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Rio de Janeiro, Petrópolis: Editora Vozes, 1999 (com adaptações).

Julgue os itens seguintes, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente.

Por meio de diferentes recursos linguísticos, o autor do texto expressa dúvida em relação à redução da intensidade da severidade penal no decorrer dos últimos séculos e ao caráter humanitário atribuído ao afrouxamento dessa severidade.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O autor expressa dúvida por meio de 'como se fosse', 'Talvez' e das aspas em 'humanidade'.

A expressão 'como se fosse fenômeno quantitativo' sugere que a visão tradicional é aparente. 'Redução de intensidade? Talvez.' manifesta dúvida, em contraste com 'Mudança de objetivo, certamente'. As aspas em “humanidade” indicam distanciamento irônico quanto ao caráter humanitário atribuído ao afrouxamento.

Análise das alternativas

A) Correta: vários recursos (locução comparativa hipotética, pergunta com 'Talvez', aspas) expressam a dúvida. B) Errada: ignora esses recursos.

Referência: Interpretação de texto: modalização e recursos linguísticos de expressividade.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Compreensão e Interpretação de Textos

Cebraspe 2025 Superior

Polícia Federal · Cargos 1 a 14 (nível superior) — Conhecimentos Básicos · Caderno 094_PF_CB1_01

Gabarito disponível

Texto-base:
O afrouxamento da severidade penal no decorrer dos últimos séculos, fenômeno bem conhecido dos historiadores do direito, foi visto, durante muito tempo, de forma geral, como se fosse fenômeno quantitativo: menos sofrimento, mais suavidade, mais respeito e “humanidade”. Na verdade, tais modificações se fazem concomitantes ao deslocamento do objeto da ação punitiva. Redução de intensidade? Talvez. Mudança de objetivo, certamente.
Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o que, então, se exerce? A resposta dos teóricos é simples, quase evidente. Dir-se-ia inscrita na própria indagação. Pois não é mais o corpo, é a alma. À expiação que tripudia sobre o corpo deve suceder um castigo que atue, profundamente, sobre o coração, o intelecto, a vontade, as disposições.
Michel Foucault. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Rio de Janeiro, Petrópolis: Editora Vozes, 1999 (com adaptações).

Julgue os itens seguintes, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente.

O deslocamento mencionado pelo autor no primeiro parágrafo é explicitado no segundo parágrafo, na resposta que, segundo ele, está “inscrita na própria indagação”.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A resposta 'não é mais o corpo, é a alma' explicita o deslocamento do objeto da punição.

No primeiro parágrafo, o autor fala em 'deslocamento do objeto da ação punitiva' e em 'mudança de objetivo'. No segundo, a resposta 'inscrita na própria indagação' é: 'não é mais o corpo, é a alma'. Ela esclarece o deslocamento do corpo para a alma como alvo da punição.

Análise das alternativas

A) Correta: a resposta explicita o deslocamento. B) Errada: negaria a relação entre os dois trechos, que existe.

Referência: Interpretação de texto: relação entre parágrafos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Termos Essenciais da Oração — Sujeito

Cebraspe 2025 Superior

Polícia Federal · Cargos 1 a 14 (nível superior) — Conhecimentos Básicos · Caderno 094_PF_CB1_01

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Texto-base:
O afrouxamento da severidade penal no decorrer dos últimos séculos, fenômeno bem conhecido dos historiadores do direito, foi visto, durante muito tempo, de forma geral, como se fosse fenômeno quantitativo: menos sofrimento, mais suavidade, mais respeito e “humanidade”. Na verdade, tais modificações se fazem concomitantes ao deslocamento do objeto da ação punitiva. Redução de intensidade? Talvez. Mudança de objetivo, certamente.
Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o que, então, se exerce? A resposta dos teóricos é simples, quase evidente. Dir-se-ia inscrita na própria indagação. Pois não é mais o corpo, é a alma. À expiação que tripudia sobre o corpo deve suceder um castigo que atue, profundamente, sobre o coração, o intelecto, a vontade, as disposições.
Michel Foucault. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Rio de Janeiro, Petrópolis: Editora Vozes, 1999 (com adaptações).

Julgue os itens seguintes, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente.

No último período do texto, o termo “castigo” é o núcleo do sujeito da oração expressa pela forma verbal “deve suceder”.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

'Castigo' é o núcleo do sujeito posposto de 'deve suceder'.

No último período, 'deve suceder' tem como sujeito 'um castigo que atue, profundamente, sobre o coração...', em ordem inversa. O núcleo desse sujeito é 'castigo', e a oração relativa 'que atue...' funciona como adjunto adnominal. 'À expiação' é o complemento verbal ('suceder a algo').

Análise das alternativas

A) Correta: 'castigo' é o núcleo do sujeito. B) Errada: sustentaria que o núcleo seria outro termo, como 'expiação', que na verdade é objeto indireto.

Referência: Termos essenciais da oração: sujeito posposto e núcleo do sujeito.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Concordância Verbal

Cebraspe 2025 Superior

Polícia Federal · Cargos 1 a 14 (nível superior) — Conhecimentos Básicos · Caderno 094_PF_CB1_01

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Texto-base:
O afrouxamento da severidade penal no decorrer dos últimos séculos, fenômeno bem conhecido dos historiadores do direito, foi visto, durante muito tempo, de forma geral, como se fosse fenômeno quantitativo: menos sofrimento, mais suavidade, mais respeito e “humanidade”. Na verdade, tais modificações se fazem concomitantes ao deslocamento do objeto da ação punitiva. Redução de intensidade? Talvez. Mudança de objetivo, certamente.
Se não é mais ao corpo que se dirige a punição, em suas formas mais duras, sobre o que, então, se exerce? A resposta dos teóricos é simples, quase evidente. Dir-se-ia inscrita na própria indagação. Pois não é mais o corpo, é a alma. À expiação que tripudia sobre o corpo deve suceder um castigo que atue, profundamente, sobre o coração, o intelecto, a vontade, as disposições.
Michel Foucault. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Rio de Janeiro, Petrópolis: Editora Vozes, 1999 (com adaptações).

Julgue os itens seguintes, relativos às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente.

No primeiro período do segundo parágrafo, a flexão da forma verbal “se exerce” na terceira pessoa do singular justifica-se por sua concordância com o termo “corpo”, que é o referente do sujeito elíptico da oração em que a referida forma verbal ocorre.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O sujeito de 'se exerce' é 'a punição', e não 'o corpo'.

Na oração 'sobre o que, então, se exerce?', o sujeito elíptico é 'a punição', retomada da oração anterior ('ao corpo que se dirige a punição'). 'Corpo' é complemento (objeto indireto) de 'se dirige', não sujeito. Por isso o verbo concorda com 'a punição', no singular.

Análise das alternativas

A) Errada: atribui a concordância ao termo 'corpo', que não é o sujeito. B) Correta: o referente do sujeito elíptico é 'a punição'.

Referência: Concordância verbal e identificação do sujeito.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Raciocínio Lógico Lógica Sentencial — Condicional e Negação

Cebraspe 2025 Superior

Polícia Federal · Cargos 1 a 14 (nível superior) — Conhecimentos Básicos · Caderno 094_PF_CB1_01

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Texto-base:
P: Se o condenado não for reincidente em crime doloso, tiver bons antecedentes e tiver cumprido mais de um terço da pena, pedirá o livramento condicional.

Com base na proposição P precedente, julgue os itens que se seguem, considerando apenas os aspectos atinentes à lógica sentencial da proposição.

Identificando-se os elementos constitutivos da proposição P que são chamados de precedente e de consequente, verifica-se que a negação do precedente de P é equivalente a: “o condenado é reincidente em crime doloso, tem maus antecedentes e cumpriu menos de um terço da pena”.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A negação de uma conjunção usa disjunção (De Morgan), e não conjunção.

O antecedente de P é uma conjunção: não reincidente E bons antecedentes E mais de um terço cumprido. Sua negação, por De Morgan, é uma disjunção: é reincidente OU tem maus antecedentes OU não cumpriu mais de um terço. O item usa 'e' no lugar de 'ou'. Além disso, 'menos de um terço' não equivale a 'não mais de um terço', porque deixa de fora o caso de exatamente um terço.

Análise das alternativas

A) Errada: a negação do antecedente não é uma conjunção. B) Correta: o conectivo certo é 'ou', e a negação de 'mais de um terço' não é 'menos de um terço'.

Referência: Leis de De Morgan: ¬(A∧B∧C) ≡ ¬A ∨ ¬B ∨ ¬C.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Raciocínio Lógico Lógica Sentencial — Tabela-Verdade

Cebraspe 2025 Superior

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Texto-base:
P: Se o condenado não for reincidente em crime doloso, tiver bons antecedentes e tiver cumprido mais de um terço da pena, pedirá o livramento condicional.

Com base na proposição P precedente, julgue os itens que se seguem, considerando apenas os aspectos atinentes à lógica sentencial da proposição.

A tabela-verdade associada à proposição P possui mais de 15 linhas.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A proposição P tem 4 proposições simples, logo 2^4 = 16 linhas na tabela-verdade.

P tem quatro proposições simples distintas: ser reincidente em crime doloso, ter bons antecedentes, ter cumprido mais de um terço da pena e pedir o livramento condicional. A tabela-verdade tem 2^4 = 16 linhas, número superior a 15. O item está certo.

Análise das alternativas

A) Correta: 16 linhas > 15. B) Errada: só estaria certa se houvesse 3 ou menos proposições simples, o que daria no máximo 8 linhas.

Referência: Lógica sentencial: número de linhas da tabela-verdade = 2^n, com n igual ao número de proposições simples.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Raciocínio Lógico Lógica Sentencial — Condicional

Cebraspe 2025 Superior

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Texto-base:
P: Se o condenado não for reincidente em crime doloso, tiver bons antecedentes e tiver cumprido mais de um terço da pena, pedirá o livramento condicional.

Com base na proposição P precedente, julgue os itens que se seguem, considerando apenas os aspectos atinentes à lógica sentencial da proposição.

Se P for falsa, então o condenado não pedirá o livramento condicional.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Uma condicional só é falsa se o antecedente for verdadeiro e o consequente falso.

P tem a forma (A ∧ B ∧ C) → D. Ela só é falsa quando o antecedente é verdadeiro (não reincidente, bons antecedentes e mais de um terço da pena cumprida) e o consequente é falso. Logo, se P é falsa, o condenado não pedirá o livramento condicional.

Análise das alternativas

Certo: correto, pelo valor lógico da condicional. Errado: incorreto, pois a falsidade de P implica D falso.

Referência: Lógica sentencial: tabela-verdade da condicional.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Raciocínio Lógico Conjuntos — Princípio da Inclusão-Exclusão

Cebraspe 2025 Superior

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Texto-base:
Considere que, em sede de juízo de admissibilidade pela autoridade competente, o pedido de livramento condicional somente seja deferido caso o condenado cumpra três requisitos: não ser reincidente em crime doloso, ter bons antecedentes e ter cumprido mais de um terço da pena. Para avaliação da possibilidade de livramento condicional, um levantamento realizado entre os 300 condenados cumprindo pena em certa unidade prisional revelou que:
• 220 condenados não são reincidentes em crime doloso;
• 180 têm bons antecedentes;
• 160 cumpriram mais de um terço da pena;
• 170 não são reincidentes em crime doloso e têm bons antecedentes;
• 150 não são reincidentes em crime doloso e cumpriram mais de um terço da pena;
• 130 têm bons antecedentes e cumpriram mais de um terço da pena.

Com base nessas informações, julgue os itens seguintes.

As informações fornecidas são suficientes para se concluir que no momento do levantamento todos os condenados cumpriam pelo menos um dos três requisitos mencionados.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Pelo menos 60 condenados não cumprem nenhum dos requisitos.

Pela inclusão-exclusão, |A∪B∪C| = 220 + 180 + 160 − 170 − 150 − 130 + |A∩B∩C| = 110 + |A∩B∩C|. A interseção tripla é no máximo 130 (a menor interseção dupla, B∩C), então a união é no máximo 240. Como 240 < 300, ao menos 60 condenados não cumprem nenhum requisito. Logo, não se pode concluir que todos cumprem ao menos um.

Análise das alternativas

Certo: contraria o cálculo, pois a união é de no máximo 240 dos 300. Errado: correto.

Referência: Princípio da inclusão-exclusão para três conjuntos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Raciocínio Lógico Probabilidade e Conjuntos

Cebraspe 2025 Superior

Polícia Federal · Cargos 1 a 14 (nível superior) — Conhecimentos Básicos · Caderno 094_PF_CB1_01

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Texto-base:
Considere que, em sede de juízo de admissibilidade pela autoridade competente, o pedido de livramento condicional somente seja deferido caso o condenado cumpra três requisitos: não ser reincidente em crime doloso, ter bons antecedentes e ter cumprido mais de um terço da pena. Para avaliação da possibilidade de livramento condicional, um levantamento realizado entre os 300 condenados cumprindo pena em certa unidade prisional revelou que:
• 220 condenados não são reincidentes em crime doloso;
• 180 têm bons antecedentes;
• 160 cumpriram mais de um terço da pena;
• 170 não são reincidentes em crime doloso e têm bons antecedentes;
• 150 não são reincidentes em crime doloso e cumpriram mais de um terço da pena;
• 130 têm bons antecedentes e cumpriram mais de um terço da pena.

Com base nessas informações, julgue os itens seguintes.

Selecionando-se ao acaso um dos condenados da unidade prisional, a probabilidade de que ele seja reincidente em crime doloso ou não tenha bons antecedentes é inferior a 40%.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A probabilidade pedida é 130/300, cerca de 43,3%, e portanto superior a 40%.

Ser reincidente OU não ter bons antecedentes é o complemento de não ser reincidente E ter bons antecedentes. Como 170 condenados estão neste último grupo, 300 − 170 = 130 atendem à condição pedida. A probabilidade é 130/300 ≈ 43,3%, que é maior que 40%.

Análise das alternativas

Certo: afirma ser inferior a 40%, o que é falso. Errado: correto.

Referência: Probabilidade; leis de De Morgan e complementar.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Ética no Serviço Público Conflito de Interesses — Lei n.º 12.813/2013

Cebraspe 2025 Superior

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Gabarito disponível

Com base no disposto no Código de Ética Profissional do Serviço Público — Decreto n.º 1.171/1994 — e na Lei de Conflito de Interesses — Lei n.º 12.813/2013 —, julgue os itens a seguir.

Não se submetem ao regime da Lei n.º 12.813/2013 os ocupantes de cargo ou emprego público de natureza especial e os que estiverem em período de afastamento.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Os ocupantes de cargo de natureza especial e quem está afastado se submetem à Lei 12.813/2013.

A Lei 12.813/2013 inclui expressamente entre os sujeitos ao seu regime os ocupantes de cargo de natureza especial. Ela também alcança, em certas hipóteses, quem está em período de afastamento. A assertiva nega essa sujeição, o que a torna errada.

Análise das alternativas

Certo: incorreto, pois esses agentes se submetem à lei. Errado: correto.

Referência: Lei 12.813/2013, art. 2º.

Resolução comentada do VaiConcursos.