← Voltar para a lista de provas Marinha do Brasil — Colégio Naval · Admissão ao Colégio Naval (CPACN) 50 questões nesta prova · página 1 de 3 · 50 com gabarito Gabarito disponível As afirmativas I e II refletem o texto; a III distorce a relação entre dinheiro e felicidade. A afirmativa I está correta: a insatisfação permanente alimenta o consumo e o vazio persiste. A II está correta: 'consumir é ser' liga o poder de compra à aceitação no grupo e à afirmação social. A III é falsa: o texto afirma que o dinheiro não garante felicidade e que é preciso dissociar ser de ter. B, C e E) Erradas porque incluem a afirmativa III, que contraria a tese do texto de que mais dinheiro não traz mais felicidade. D) Errada porque exclui a afirmativa I, que é verdadeira. Referência: Interpretação de texto – Karnal, 'Compro e vivo' Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Ler Bauman' usa o autor pela obra, caracterizando metonímia. Em 'lerem Bauman', o nome do autor é usado no lugar de suas obras, relação autor/obra típica da metonímia. A) Errada: antonomásia substitui um nome por uma característica ou epíteto. B) Errada: polissíndeto é a repetição de conjunções. D) Errada: antítese opõe ideias contrárias. E) Errada: sinestesia mistura sensações de sentidos diferentes. Referência: Figuras de linguagem – metonímia Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível 'Somos nós quem constrói' admite o verbo na 3ª pessoa do singular, concordando com 'quem'. No exemplo do texto, 'existem tênis' concorda com o sujeito plural. Em A, 'Somos nós quem constrói' é aceito pela norma, pois o verbo pode concordar com 'quem' (3ª pessoa do singular) na construção 'somos nós quem'. B) Errada: 'assistem-se a posturas' é incorreto, pois 'assistir a' é transitivo indireto e exige 'assiste-se a posturas'. C) Errada: 'fazer' indicando tempo é impessoal: 'Já faz quase quinze anos'. D) Errada: 'os Estados Unidos' no plural exige 'apresentam'. E) Errada: 'mil reais é pouco' é a concordância usual, com expressão de quantia no singular/ideia de conjunto. Referência: Gramática normativa – concordância verbal Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Ao falar do próprio texto, o autor usa a função metalinguística. Em 'Escrevi esse texto para mim também', o autor fala do próprio texto que produz, ou seja, usa a linguagem para falar da linguagem/produção textual, o que caracteriza a função metalinguística. A) Errada: a fática testa o canal de comunicação. B) Errada: a poética enfatiza a forma da mensagem. C) Errada: a referencial centra-se no contexto, em informações objetivas. E) Errada: a apelativa busca persuadir o interlocutor. Referência: Funções da linguagem – Jakobson Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O autor alerta para a falta do básico para muitos e a ilusão consumista de outros. No trecho, 'tanta gente não tem o básico' indica carência de necessidades mínimas, e 'outros, que podem ter, ficam endividados porque acreditaram em miragens' mostra a ilusão do consumismo. A alternativa A resume as duas ideias sem acrescentar conselhos ou críticas não presentes. B) Errada: o autor não aconselha nem denuncia nesse sentido específico e acrescenta 'ajuda'. C) Errada: o texto não orienta o leitor a ajudar ninguém. D) Errada: não critica o leitor diretamente. E) Errada: diz que não 'ganha' o básico, quando o texto diz que 'não tem' o básico, e a alternativa omite o contraste. Referência: Interpretação de texto – Karnal, 'Compro e vivo' Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Os parênteses em '(lógico!)' isolam um comentário acessório. Os parênteses isolam uma observação intercalada que não é essencial ao sentido da frase, mas traz um comentário do autor. A alternativa D, que fala em comentário acessório, é a correta conforme o gabarito. A) Errada: não há intenção de induzir o leitor. B) Errada: não é desabafo. C) Errada: não se refere à narrativa, pois o texto é dissertativo. E) Errada: o comentário é secundário, não uma reflexão central. Referência: Gramática normativa – pontuação Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível 'Ao lerem' tem valor temporal; a equivalente é 'quando lerem'. A oração reduzida 'ao lerem livros' indica tempo simultâneo ('quando lerem'). Por isso a reescrita que mantém o mesmo valor semântico é a que usa 'quando lerem', na alternativa C. A) Errada: 'se lerem' dá valor condicional. B) Errada: 'à medida que' indica proporção. D) Errada: 'conquanto' tem valor concessivo. E) Errada: 'apesar de' tem valor concessivo e inverte o sentido. Referência: Gramática normativa – orações subordinadas adverbiais reduzidas Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Completa-se com 'cuja' (posse), 'os quais' (referente a tênis) e 'quanto' (após 'tudo'). 'Jovens cuja renda' exprime posse, e 'cuja' dispensa artigo depois dele. 'Tênis os quais custam' retoma 'tênis' como sujeito. Após o pronome indefinido 'tudo', o relativo adequado é 'quanto' (tudo quanto), equivalente a 'tudo que'. A) Errada: 'em que a renda' não exprime posse da forma pretendida e 'que' no segundo espaço, embora possível, leva a erro no conjunto. B) Errada: 'onde' não indica lugar e 'o qual' não concorda com 'tênis'. C) Errada: 'que a renda' não exprime posse e 'onde' é inadequado. D) Errada: 'cuja a' traz artigo indevido depois de 'cuja'. Referência: Gramática normativa – pronomes relativos Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Em 'riram gostoso', 'gostoso' é advérbio, invariável, e a frase está correta. Em 'riram gostoso', o termo 'gostoso' tem valor adverbial (equivale a 'gostosamente') e fica invariável, o que é aceito pela norma-padrão. Nas demais, há erros de concordância. B) Errada: o correto seria 'É necessária a solidariedade' ou 'É necessário solidariedade'; com substantivo sem artigo a concordância fica no masculino, e 'a todo tempo' também é questionável. C) Errada: 'meia' é advérbio de intensidade e deve ficar invariável: 'meio confusa'. D) Errada: 'meio-dia e meia' é a forma correta, pois 'meia' concorda com 'hora' subentendida. E) Errada: 'bastante' antes de substantivo é pronome adjetivo e deve ir ao plural: 'bastantes coisas'. Referência: Gramática normativa – concordância nominal Resolução comentada do VaiConcursos.Marinha do Brasil — CPACN 2023 — 2º Dia — Prova de Português, Estudos Sociais e Ciências — Prova Amarela
Texto para responder às questões de 01 a 11.
TEXTO 1
O que há de errado com a felicidade? Assim Bauman começa seu livro A arte da vida. Parece uma contradição em termos. Ser feliz é aspiração universal. Apesar disso, como adverte o escritor, o caminho é variado. Baseado no questionamento de Michael Rustin, Zygmunt Bauman identifica como muitos países estão mais ricos, por exemplo, e o dinheiro abundante não veio acompanhado de melhoras expressivas em pesquisas sobre felicidade.
Aqui reside um paradoxo curioso: quase todos lutam por mais dinheiro, mas ele não consegue cumprir sua promessa imediata de satisfação. Por quê? Bauman imagina que uma parte da resposta esteja na transferência da felicidade para o ato que precede a compra. Uma vez adquirido o bem desejado, todo o esforço do mercado e da propaganda é para o bem seguinte.
O prazo de validade do prazer consumista é curto porque o objetivo de tudo não é nossa plena e entusiasmada felicidade. A insatisfação permanente garante (lógico!) nossos impulsos permanentes de consumo. Nada busca nossa realização - tudo indica nossa falta, carência, desejo.
O consumo é permanente, rápido e provoca esforços que indicam um vazio continuado e forte. Para quem produz e vende, interessa o buraco impossível de preencher, mas que mantenha todos eletrizados pelo novo modelo e novo eu.
Nos filósofos ditos estoicos, a satisfação plena costuma ser inatingível; temos de controlar o ato de desejo incessante mais do que comprar as coisas indicadas pelo desejo.
Traduzindo: Não se trata de ganhar mais, porém gastar menos. Aprofundando, a felicidade - para um estoico - não pode passar perto da ideia de mostrar ao mundo "o que eu tenho" ou "quanto posso gastar".
Os pais de crianças e adolescentes, em um mundo como o nosso, sofrem ainda mais porque a capacidade dos jovens de viver o estoicismo ou de lerem Bauman é, digamos, menor do que o desejado. Coincidem, na adolescência, dois desejos complementares: a estabilidade é dada pela aceitação do grupo; esta depende dos códigos comuns de consumo. Da mesma forma, existe pouca reflexão sobre o custo da obtenção do dinheiro aos 15 anos. Um adolescente que recusa os padrões vigentes de consumo é possível, mas é tão estranho quanto uma criança que exige brócolis em detrimento do brigadeiro. Viver imune aos apelos do consumo é complexo para o adulto e quase intransponível para o jovem.
Consumir é ser. Comprar possibilita assunto, bem como afirmação social. O tênis da moda é item existencial: isso atinge o rico que pode satisfazer o desejo, o pobre que não pode e até o criminoso que insiste em poder por vias tortuosas.
Creia-me, minha cara senhora e meu estimado senhor, existem tênis que podem custar um automóvel. O preço absurdo de alguns itens é uma prova de sua distância do comum e, por consequência, de aumento do potencial de ser que o produto traga.
É preciso dissociar ser de consumir. Os adultos podem aumentar sua capacidade ao lerem livros como o de Bauman, restabelecendo, assim, um projeto de felicidade sem endividamento permanente. Consumir pode ser bom se o produto for alavanca simples para melhorar nossa visão de mundo. Jamais devemos deixar de pensar no desafio de um país em que tanta gente não tem o básico; outros, que podem ter, ficam endividados porque acreditaram em miragens.
Está na hora de colocar as coisas no seu patamar de coisas. Eu tenho a pretensão de viver assim. É uma luta. Escrevi esse texto para mim também, para minha esperança de "ser mais" do que "ter mais".
KARNAL, Leandro. Compro e vivo. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 09 out. 2022. Cultura e comportamento, C12 - Adaptado.
Zygmunt Bauman - Sociólogo, pensador, professor e escritor polonês.
Estoicismo - Doutrina filosófica (fundada por Zenão no séc. III a.C.) que prega a rigidez moral e a serenidade diante das dificuldades.
Analise as afirmativas acerca das ideias expressas no texto 1.
I- Quanto mais insatisfeito o ser, maior é sua necessidade de consumo, a qual ratifica carências e reforça um vazio que não se extingue com a compra do bem desejado.
II- Ao mencionar que "consumir é ser", o autor do texto relaciona o poder de compra à integração ao meio e afirmação social.
III- Felicidade e dinheiro estão estreitamente relacionados, pois quanto maior o poder aquisitivo, mais feliz e integrada ao grupo será a pessoa, o que explica a ideia de que ser é ter.
Assinale a opção correta.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto para responder às questões de 01 a 11.
TEXTO 1
O que há de errado com a felicidade? Assim Bauman começa seu livro A arte da vida. Parece uma contradição em termos. Ser feliz é aspiração universal. Apesar disso, como adverte o escritor, o caminho é variado. Baseado no questionamento de Michael Rustin, Zygmunt Bauman identifica como muitos países estão mais ricos, por exemplo, e o dinheiro abundante não veio acompanhado de melhoras expressivas em pesquisas sobre felicidade.
Aqui reside um paradoxo curioso: quase todos lutam por mais dinheiro, mas ele não consegue cumprir sua promessa imediata de satisfação. Por quê? Bauman imagina que uma parte da resposta esteja na transferência da felicidade para o ato que precede a compra. Uma vez adquirido o bem desejado, todo o esforço do mercado e da propaganda é para o bem seguinte.
O prazo de validade do prazer consumista é curto porque o objetivo de tudo não é nossa plena e entusiasmada felicidade. A insatisfação permanente garante (lógico!) nossos impulsos permanentes de consumo. Nada busca nossa realização - tudo indica nossa falta, carência, desejo.
O consumo é permanente, rápido e provoca esforços que indicam um vazio continuado e forte. Para quem produz e vende, interessa o buraco impossível de preencher, mas que mantenha todos eletrizados pelo novo modelo e novo eu.
Nos filósofos ditos estoicos, a satisfação plena costuma ser inatingível; temos de controlar o ato de desejo incessante mais do que comprar as coisas indicadas pelo desejo.
Traduzindo: Não se trata de ganhar mais, porém gastar menos. Aprofundando, a felicidade - para um estoico - não pode passar perto da ideia de mostrar ao mundo "o que eu tenho" ou "quanto posso gastar".
Os pais de crianças e adolescentes, em um mundo como o nosso, sofrem ainda mais porque a capacidade dos jovens de viver o estoicismo ou de lerem Bauman é, digamos, menor do que o desejado. Coincidem, na adolescência, dois desejos complementares: a estabilidade é dada pela aceitação do grupo; esta depende dos códigos comuns de consumo. Da mesma forma, existe pouca reflexão sobre o custo da obtenção do dinheiro aos 15 anos. Um adolescente que recusa os padrões vigentes de consumo é possível, mas é tão estranho quanto uma criança que exige brócolis em detrimento do brigadeiro. Viver imune aos apelos do consumo é complexo para o adulto e quase intransponível para o jovem.
Consumir é ser. Comprar possibilita assunto, bem como afirmação social. O tênis da moda é item existencial: isso atinge o rico que pode satisfazer o desejo, o pobre que não pode e até o criminoso que insiste em poder por vias tortuosas.
Creia-me, minha cara senhora e meu estimado senhor, existem tênis que podem custar um automóvel. O preço absurdo de alguns itens é uma prova de sua distância do comum e, por consequência, de aumento do potencial de ser que o produto traga.
É preciso dissociar ser de consumir. Os adultos podem aumentar sua capacidade ao lerem livros como o de Bauman, restabelecendo, assim, um projeto de felicidade sem endividamento permanente. Consumir pode ser bom se o produto for alavanca simples para melhorar nossa visão de mundo. Jamais devemos deixar de pensar no desafio de um país em que tanta gente não tem o básico; outros, que podem ter, ficam endividados porque acreditaram em miragens.
Está na hora de colocar as coisas no seu patamar de coisas. Eu tenho a pretensão de viver assim. É uma luta. Escrevi esse texto para mim também, para minha esperança de "ser mais" do que "ter mais".
KARNAL, Leandro. Compro e vivo. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 09 out. 2022. Cultura e comportamento, C12 - Adaptado.
Zygmunt Bauman - Sociólogo, pensador, professor e escritor polonês.
Estoicismo - Doutrina filosófica (fundada por Zenão no séc. III a.C.) que prega a rigidez moral e a serenidade diante das dificuldades.
Assinale a opção que apresenta a figura de linguagem empregada em "[...] a capacidade dos jovens de viver o estoicismo ou de lerem Bauman é, digamos, menor do que o desejado." (7º§).Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto para responder às questões de 01 a 11.
TEXTO 1
O que há de errado com a felicidade? Assim Bauman começa seu livro A arte da vida. Parece uma contradição em termos. Ser feliz é aspiração universal. Apesar disso, como adverte o escritor, o caminho é variado. Baseado no questionamento de Michael Rustin, Zygmunt Bauman identifica como muitos países estão mais ricos, por exemplo, e o dinheiro abundante não veio acompanhado de melhoras expressivas em pesquisas sobre felicidade.
Aqui reside um paradoxo curioso: quase todos lutam por mais dinheiro, mas ele não consegue cumprir sua promessa imediata de satisfação. Por quê? Bauman imagina que uma parte da resposta esteja na transferência da felicidade para o ato que precede a compra. Uma vez adquirido o bem desejado, todo o esforço do mercado e da propaganda é para o bem seguinte.
O prazo de validade do prazer consumista é curto porque o objetivo de tudo não é nossa plena e entusiasmada felicidade. A insatisfação permanente garante (lógico!) nossos impulsos permanentes de consumo. Nada busca nossa realização - tudo indica nossa falta, carência, desejo.
O consumo é permanente, rápido e provoca esforços que indicam um vazio continuado e forte. Para quem produz e vende, interessa o buraco impossível de preencher, mas que mantenha todos eletrizados pelo novo modelo e novo eu.
Nos filósofos ditos estoicos, a satisfação plena costuma ser inatingível; temos de controlar o ato de desejo incessante mais do que comprar as coisas indicadas pelo desejo.
Traduzindo: Não se trata de ganhar mais, porém gastar menos. Aprofundando, a felicidade - para um estoico - não pode passar perto da ideia de mostrar ao mundo "o que eu tenho" ou "quanto posso gastar".
Os pais de crianças e adolescentes, em um mundo como o nosso, sofrem ainda mais porque a capacidade dos jovens de viver o estoicismo ou de lerem Bauman é, digamos, menor do que o desejado. Coincidem, na adolescência, dois desejos complementares: a estabilidade é dada pela aceitação do grupo; esta depende dos códigos comuns de consumo. Da mesma forma, existe pouca reflexão sobre o custo da obtenção do dinheiro aos 15 anos. Um adolescente que recusa os padrões vigentes de consumo é possível, mas é tão estranho quanto uma criança que exige brócolis em detrimento do brigadeiro. Viver imune aos apelos do consumo é complexo para o adulto e quase intransponível para o jovem.
Consumir é ser. Comprar possibilita assunto, bem como afirmação social. O tênis da moda é item existencial: isso atinge o rico que pode satisfazer o desejo, o pobre que não pode e até o criminoso que insiste em poder por vias tortuosas.
Creia-me, minha cara senhora e meu estimado senhor, existem tênis que podem custar um automóvel. O preço absurdo de alguns itens é uma prova de sua distância do comum e, por consequência, de aumento do potencial de ser que o produto traga.
É preciso dissociar ser de consumir. Os adultos podem aumentar sua capacidade ao lerem livros como o de Bauman, restabelecendo, assim, um projeto de felicidade sem endividamento permanente. Consumir pode ser bom se o produto for alavanca simples para melhorar nossa visão de mundo. Jamais devemos deixar de pensar no desafio de um país em que tanta gente não tem o básico; outros, que podem ter, ficam endividados porque acreditaram em miragens.
Está na hora de colocar as coisas no seu patamar de coisas. Eu tenho a pretensão de viver assim. É uma luta. Escrevi esse texto para mim também, para minha esperança de "ser mais" do que "ter mais".
KARNAL, Leandro. Compro e vivo. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 09 out. 2022. Cultura e comportamento, C12 - Adaptado.
Zygmunt Bauman - Sociólogo, pensador, professor e escritor polonês.
Estoicismo - Doutrina filosófica (fundada por Zenão no séc. III a.C.) que prega a rigidez moral e a serenidade diante das dificuldades.
No trecho "Viver imune aos apelos do consumo é complexo [...]." (7º§), a regência do termo destacado está em consonância com a norma gramatical vigente. Em que opção isso também ocorre?
![]()
Texto para responder às questões de 01 a 11.
TEXTO 1
O que há de errado com a felicidade? Assim Bauman começa seu livro A arte da vida. Parece uma contradição em termos. Ser feliz é aspiração universal. Apesar disso, como adverte o escritor, o caminho é variado. Baseado no questionamento de Michael Rustin, Zygmunt Bauman identifica como muitos países estão mais ricos, por exemplo, e o dinheiro abundante não veio acompanhado de melhoras expressivas em pesquisas sobre felicidade.
Aqui reside um paradoxo curioso: quase todos lutam por mais dinheiro, mas ele não consegue cumprir sua promessa imediata de satisfação. Por quê? Bauman imagina que uma parte da resposta esteja na transferência da felicidade para o ato que precede a compra. Uma vez adquirido o bem desejado, todo o esforço do mercado e da propaganda é para o bem seguinte.
O prazo de validade do prazer consumista é curto porque o objetivo de tudo não é nossa plena e entusiasmada felicidade. A insatisfação permanente garante (lógico!) nossos impulsos permanentes de consumo. Nada busca nossa realização - tudo indica nossa falta, carência, desejo.
O consumo é permanente, rápido e provoca esforços que indicam um vazio continuado e forte. Para quem produz e vende, interessa o buraco impossível de preencher, mas que mantenha todos eletrizados pelo novo modelo e novo eu.
Nos filósofos ditos estoicos, a satisfação plena costuma ser inatingível; temos de controlar o ato de desejo incessante mais do que comprar as coisas indicadas pelo desejo.
Traduzindo: Não se trata de ganhar mais, porém gastar menos. Aprofundando, a felicidade - para um estoico - não pode passar perto da ideia de mostrar ao mundo "o que eu tenho" ou "quanto posso gastar".
Os pais de crianças e adolescentes, em um mundo como o nosso, sofrem ainda mais porque a capacidade dos jovens de viver o estoicismo ou de lerem Bauman é, digamos, menor do que o desejado. Coincidem, na adolescência, dois desejos complementares: a estabilidade é dada pela aceitação do grupo; esta depende dos códigos comuns de consumo. Da mesma forma, existe pouca reflexão sobre o custo da obtenção do dinheiro aos 15 anos. Um adolescente que recusa os padrões vigentes de consumo é possível, mas é tão estranho quanto uma criança que exige brócolis em detrimento do brigadeiro. Viver imune aos apelos do consumo é complexo para o adulto e quase intransponível para o jovem.
Consumir é ser. Comprar possibilita assunto, bem como afirmação social. O tênis da moda é item existencial: isso atinge o rico que pode satisfazer o desejo, o pobre que não pode e até o criminoso que insiste em poder por vias tortuosas.
Creia-me, minha cara senhora e meu estimado senhor, existem tênis que podem custar um automóvel. O preço absurdo de alguns itens é uma prova de sua distância do comum e, por consequência, de aumento do potencial de ser que o produto traga.
É preciso dissociar ser de consumir. Os adultos podem aumentar sua capacidade ao lerem livros como o de Bauman, restabelecendo, assim, um projeto de felicidade sem endividamento permanente. Consumir pode ser bom se o produto for alavanca simples para melhorar nossa visão de mundo. Jamais devemos deixar de pensar no desafio de um país em que tanta gente não tem o básico; outros, que podem ter, ficam endividados porque acreditaram em miragens.
Está na hora de colocar as coisas no seu patamar de coisas. Eu tenho a pretensão de viver assim. É uma luta. Escrevi esse texto para mim também, para minha esperança de "ser mais" do que "ter mais".
KARNAL, Leandro. Compro e vivo. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 09 out. 2022. Cultura e comportamento, C12 - Adaptado.
Zygmunt Bauman - Sociólogo, pensador, professor e escritor polonês.
Estoicismo - Doutrina filosófica (fundada por Zenão no séc. III a.C.) que prega a rigidez moral e a serenidade diante das dificuldades.
Assinale a opção que classifica corretamente o termo destacado em "[...] ideia de mostrar ao mundo 'o que eu tenho' [...]" (6º§).
![]()
Texto para responder às questões de 01 a 11.
TEXTO 1
O que há de errado com a felicidade? Assim Bauman começa seu livro A arte da vida. Parece uma contradição em termos. Ser feliz é aspiração universal. Apesar disso, como adverte o escritor, o caminho é variado. Baseado no questionamento de Michael Rustin, Zygmunt Bauman identifica como muitos países estão mais ricos, por exemplo, e o dinheiro abundante não veio acompanhado de melhoras expressivas em pesquisas sobre felicidade.
Aqui reside um paradoxo curioso: quase todos lutam por mais dinheiro, mas ele não consegue cumprir sua promessa imediata de satisfação. Por quê? Bauman imagina que uma parte da resposta esteja na transferência da felicidade para o ato que precede a compra. Uma vez adquirido o bem desejado, todo o esforço do mercado e da propaganda é para o bem seguinte.
O prazo de validade do prazer consumista é curto porque o objetivo de tudo não é nossa plena e entusiasmada felicidade. A insatisfação permanente garante (lógico!) nossos impulsos permanentes de consumo. Nada busca nossa realização - tudo indica nossa falta, carência, desejo.
O consumo é permanente, rápido e provoca esforços que indicam um vazio continuado e forte. Para quem produz e vende, interessa o buraco impossível de preencher, mas que mantenha todos eletrizados pelo novo modelo e novo eu.
Nos filósofos ditos estoicos, a satisfação plena costuma ser inatingível; temos de controlar o ato de desejo incessante mais do que comprar as coisas indicadas pelo desejo.
Traduzindo: Não se trata de ganhar mais, porém gastar menos. Aprofundando, a felicidade - para um estoico - não pode passar perto da ideia de mostrar ao mundo "o que eu tenho" ou "quanto posso gastar".
Os pais de crianças e adolescentes, em um mundo como o nosso, sofrem ainda mais porque a capacidade dos jovens de viver o estoicismo ou de lerem Bauman é, digamos, menor do que o desejado. Coincidem, na adolescência, dois desejos complementares: a estabilidade é dada pela aceitação do grupo; esta depende dos códigos comuns de consumo. Da mesma forma, existe pouca reflexão sobre o custo da obtenção do dinheiro aos 15 anos. Um adolescente que recusa os padrões vigentes de consumo é possível, mas é tão estranho quanto uma criança que exige brócolis em detrimento do brigadeiro. Viver imune aos apelos do consumo é complexo para o adulto e quase intransponível para o jovem.
Consumir é ser. Comprar possibilita assunto, bem como afirmação social. O tênis da moda é item existencial: isso atinge o rico que pode satisfazer o desejo, o pobre que não pode e até o criminoso que insiste em poder por vias tortuosas.
Creia-me, minha cara senhora e meu estimado senhor, existem tênis que podem custar um automóvel. O preço absurdo de alguns itens é uma prova de sua distância do comum e, por consequência, de aumento do potencial de ser que o produto traga.
É preciso dissociar ser de consumir. Os adultos podem aumentar sua capacidade ao lerem livros como o de Bauman, restabelecendo, assim, um projeto de felicidade sem endividamento permanente. Consumir pode ser bom se o produto for alavanca simples para melhorar nossa visão de mundo. Jamais devemos deixar de pensar no desafio de um país em que tanta gente não tem o básico; outros, que podem ter, ficam endividados porque acreditaram em miragens.
Está na hora de colocar as coisas no seu patamar de coisas. Eu tenho a pretensão de viver assim. É uma luta. Escrevi esse texto para mim também, para minha esperança de "ser mais" do que "ter mais".
KARNAL, Leandro. Compro e vivo. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 09 out. 2022. Cultura e comportamento, C12 - Adaptado.
Zygmunt Bauman - Sociólogo, pensador, professor e escritor polonês.
Estoicismo - Doutrina filosófica (fundada por Zenão no séc. III a.C.) que prega a rigidez moral e a serenidade diante das dificuldades.
Em "[...] existem tênis que podem custar um automóvel." (9º§), a concordância verbal está em conformidade com a norma-padrão. Isso também ocorre na opção:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto para responder às questões de 01 a 11.
TEXTO 1
O que há de errado com a felicidade? Assim Bauman começa seu livro A arte da vida. Parece uma contradição em termos. Ser feliz é aspiração universal. Apesar disso, como adverte o escritor, o caminho é variado. Baseado no questionamento de Michael Rustin, Zygmunt Bauman identifica como muitos países estão mais ricos, por exemplo, e o dinheiro abundante não veio acompanhado de melhoras expressivas em pesquisas sobre felicidade.
Aqui reside um paradoxo curioso: quase todos lutam por mais dinheiro, mas ele não consegue cumprir sua promessa imediata de satisfação. Por quê? Bauman imagina que uma parte da resposta esteja na transferência da felicidade para o ato que precede a compra. Uma vez adquirido o bem desejado, todo o esforço do mercado e da propaganda é para o bem seguinte.
O prazo de validade do prazer consumista é curto porque o objetivo de tudo não é nossa plena e entusiasmada felicidade. A insatisfação permanente garante (lógico!) nossos impulsos permanentes de consumo. Nada busca nossa realização - tudo indica nossa falta, carência, desejo.
O consumo é permanente, rápido e provoca esforços que indicam um vazio continuado e forte. Para quem produz e vende, interessa o buraco impossível de preencher, mas que mantenha todos eletrizados pelo novo modelo e novo eu.
Nos filósofos ditos estoicos, a satisfação plena costuma ser inatingível; temos de controlar o ato de desejo incessante mais do que comprar as coisas indicadas pelo desejo.
Traduzindo: Não se trata de ganhar mais, porém gastar menos. Aprofundando, a felicidade - para um estoico - não pode passar perto da ideia de mostrar ao mundo "o que eu tenho" ou "quanto posso gastar".
Os pais de crianças e adolescentes, em um mundo como o nosso, sofrem ainda mais porque a capacidade dos jovens de viver o estoicismo ou de lerem Bauman é, digamos, menor do que o desejado. Coincidem, na adolescência, dois desejos complementares: a estabilidade é dada pela aceitação do grupo; esta depende dos códigos comuns de consumo. Da mesma forma, existe pouca reflexão sobre o custo da obtenção do dinheiro aos 15 anos. Um adolescente que recusa os padrões vigentes de consumo é possível, mas é tão estranho quanto uma criança que exige brócolis em detrimento do brigadeiro. Viver imune aos apelos do consumo é complexo para o adulto e quase intransponível para o jovem.
Consumir é ser. Comprar possibilita assunto, bem como afirmação social. O tênis da moda é item existencial: isso atinge o rico que pode satisfazer o desejo, o pobre que não pode e até o criminoso que insiste em poder por vias tortuosas.
Creia-me, minha cara senhora e meu estimado senhor, existem tênis que podem custar um automóvel. O preço absurdo de alguns itens é uma prova de sua distância do comum e, por consequência, de aumento do potencial de ser que o produto traga.
É preciso dissociar ser de consumir. Os adultos podem aumentar sua capacidade ao lerem livros como o de Bauman, restabelecendo, assim, um projeto de felicidade sem endividamento permanente. Consumir pode ser bom se o produto for alavanca simples para melhorar nossa visão de mundo. Jamais devemos deixar de pensar no desafio de um país em que tanta gente não tem o básico; outros, que podem ter, ficam endividados porque acreditaram em miragens.
Está na hora de colocar as coisas no seu patamar de coisas. Eu tenho a pretensão de viver assim. É uma luta. Escrevi esse texto para mim também, para minha esperança de "ser mais" do que "ter mais".
KARNAL, Leandro. Compro e vivo. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 09 out. 2022. Cultura e comportamento, C12 - Adaptado.
Zygmunt Bauman - Sociólogo, pensador, professor e escritor polonês.
Estoicismo - Doutrina filosófica (fundada por Zenão no séc. III a.C.) que prega a rigidez moral e a serenidade diante das dificuldades.
Assinale a relação que se estabelece entre o termo destacado em "[...] Bauman começa seu livro A arte da vida." (1º§) e aquele ao qual ele se refere.
![]()
Texto para responder às questões de 01 a 11.
TEXTO 1
O que há de errado com a felicidade? Assim Bauman começa seu livro A arte da vida. Parece uma contradição em termos. Ser feliz é aspiração universal. Apesar disso, como adverte o escritor, o caminho é variado. Baseado no questionamento de Michael Rustin, Zygmunt Bauman identifica como muitos países estão mais ricos, por exemplo, e o dinheiro abundante não veio acompanhado de melhoras expressivas em pesquisas sobre felicidade.
Aqui reside um paradoxo curioso: quase todos lutam por mais dinheiro, mas ele não consegue cumprir sua promessa imediata de satisfação. Por quê? Bauman imagina que uma parte da resposta esteja na transferência da felicidade para o ato que precede a compra. Uma vez adquirido o bem desejado, todo o esforço do mercado e da propaganda é para o bem seguinte.
O prazo de validade do prazer consumista é curto porque o objetivo de tudo não é nossa plena e entusiasmada felicidade. A insatisfação permanente garante (lógico!) nossos impulsos permanentes de consumo. Nada busca nossa realização - tudo indica nossa falta, carência, desejo.
O consumo é permanente, rápido e provoca esforços que indicam um vazio continuado e forte. Para quem produz e vende, interessa o buraco impossível de preencher, mas que mantenha todos eletrizados pelo novo modelo e novo eu.
Nos filósofos ditos estoicos, a satisfação plena costuma ser inatingível; temos de controlar o ato de desejo incessante mais do que comprar as coisas indicadas pelo desejo.
Traduzindo: Não se trata de ganhar mais, porém gastar menos. Aprofundando, a felicidade - para um estoico - não pode passar perto da ideia de mostrar ao mundo "o que eu tenho" ou "quanto posso gastar".
Os pais de crianças e adolescentes, em um mundo como o nosso, sofrem ainda mais porque a capacidade dos jovens de viver o estoicismo ou de lerem Bauman é, digamos, menor do que o desejado. Coincidem, na adolescência, dois desejos complementares: a estabilidade é dada pela aceitação do grupo; esta depende dos códigos comuns de consumo. Da mesma forma, existe pouca reflexão sobre o custo da obtenção do dinheiro aos 15 anos. Um adolescente que recusa os padrões vigentes de consumo é possível, mas é tão estranho quanto uma criança que exige brócolis em detrimento do brigadeiro. Viver imune aos apelos do consumo é complexo para o adulto e quase intransponível para o jovem.
Consumir é ser. Comprar possibilita assunto, bem como afirmação social. O tênis da moda é item existencial: isso atinge o rico que pode satisfazer o desejo, o pobre que não pode e até o criminoso que insiste em poder por vias tortuosas.
Creia-me, minha cara senhora e meu estimado senhor, existem tênis que podem custar um automóvel. O preço absurdo de alguns itens é uma prova de sua distância do comum e, por consequência, de aumento do potencial de ser que o produto traga.
É preciso dissociar ser de consumir. Os adultos podem aumentar sua capacidade ao lerem livros como o de Bauman, restabelecendo, assim, um projeto de felicidade sem endividamento permanente. Consumir pode ser bom se o produto for alavanca simples para melhorar nossa visão de mundo. Jamais devemos deixar de pensar no desafio de um país em que tanta gente não tem o básico; outros, que podem ter, ficam endividados porque acreditaram em miragens.
Está na hora de colocar as coisas no seu patamar de coisas. Eu tenho a pretensão de viver assim. É uma luta. Escrevi esse texto para mim também, para minha esperança de "ser mais" do que "ter mais".
KARNAL, Leandro. Compro e vivo. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 09 out. 2022. Cultura e comportamento, C12 - Adaptado.
Zygmunt Bauman - Sociólogo, pensador, professor e escritor polonês.
Estoicismo - Doutrina filosófica (fundada por Zenão no séc. III a.C.) que prega a rigidez moral e a serenidade diante das dificuldades.
Assinale a opção que identifica corretamente a função da linguagem predominante em "Escrevi esse texto para mim também [...]" (11º§).Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto para responder às questões de 01 a 11.
TEXTO 1
O que há de errado com a felicidade? Assim Bauman começa seu livro A arte da vida. Parece uma contradição em termos. Ser feliz é aspiração universal. Apesar disso, como adverte o escritor, o caminho é variado. Baseado no questionamento de Michael Rustin, Zygmunt Bauman identifica como muitos países estão mais ricos, por exemplo, e o dinheiro abundante não veio acompanhado de melhoras expressivas em pesquisas sobre felicidade.
Aqui reside um paradoxo curioso: quase todos lutam por mais dinheiro, mas ele não consegue cumprir sua promessa imediata de satisfação. Por quê? Bauman imagina que uma parte da resposta esteja na transferência da felicidade para o ato que precede a compra. Uma vez adquirido o bem desejado, todo o esforço do mercado e da propaganda é para o bem seguinte.
O prazo de validade do prazer consumista é curto porque o objetivo de tudo não é nossa plena e entusiasmada felicidade. A insatisfação permanente garante (lógico!) nossos impulsos permanentes de consumo. Nada busca nossa realização - tudo indica nossa falta, carência, desejo.
O consumo é permanente, rápido e provoca esforços que indicam um vazio continuado e forte. Para quem produz e vende, interessa o buraco impossível de preencher, mas que mantenha todos eletrizados pelo novo modelo e novo eu.
Nos filósofos ditos estoicos, a satisfação plena costuma ser inatingível; temos de controlar o ato de desejo incessante mais do que comprar as coisas indicadas pelo desejo.
Traduzindo: Não se trata de ganhar mais, porém gastar menos. Aprofundando, a felicidade - para um estoico - não pode passar perto da ideia de mostrar ao mundo "o que eu tenho" ou "quanto posso gastar".
Os pais de crianças e adolescentes, em um mundo como o nosso, sofrem ainda mais porque a capacidade dos jovens de viver o estoicismo ou de lerem Bauman é, digamos, menor do que o desejado. Coincidem, na adolescência, dois desejos complementares: a estabilidade é dada pela aceitação do grupo; esta depende dos códigos comuns de consumo. Da mesma forma, existe pouca reflexão sobre o custo da obtenção do dinheiro aos 15 anos. Um adolescente que recusa os padrões vigentes de consumo é possível, mas é tão estranho quanto uma criança que exige brócolis em detrimento do brigadeiro. Viver imune aos apelos do consumo é complexo para o adulto e quase intransponível para o jovem.
Consumir é ser. Comprar possibilita assunto, bem como afirmação social. O tênis da moda é item existencial: isso atinge o rico que pode satisfazer o desejo, o pobre que não pode e até o criminoso que insiste em poder por vias tortuosas.
Creia-me, minha cara senhora e meu estimado senhor, existem tênis que podem custar um automóvel. O preço absurdo de alguns itens é uma prova de sua distância do comum e, por consequência, de aumento do potencial de ser que o produto traga.
É preciso dissociar ser de consumir. Os adultos podem aumentar sua capacidade ao lerem livros como o de Bauman, restabelecendo, assim, um projeto de felicidade sem endividamento permanente. Consumir pode ser bom se o produto for alavanca simples para melhorar nossa visão de mundo. Jamais devemos deixar de pensar no desafio de um país em que tanta gente não tem o básico; outros, que podem ter, ficam endividados porque acreditaram em miragens.
Está na hora de colocar as coisas no seu patamar de coisas. Eu tenho a pretensão de viver assim. É uma luta. Escrevi esse texto para mim também, para minha esperança de "ser mais" do que "ter mais".
KARNAL, Leandro. Compro e vivo. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 09 out. 2022. Cultura e comportamento, C12 - Adaptado.
Zygmunt Bauman - Sociólogo, pensador, professor e escritor polonês.
Estoicismo - Doutrina filosófica (fundada por Zenão no séc. III a.C.) que prega a rigidez moral e a serenidade diante das dificuldades.
No trecho "Jamais devemos deixar de pensar no desafio de um país em que tanta gente não tem o básico; outros, que podem ter, ficam endividados porque acreditaram em miragens." (10º§), é correto afirmar que o autor:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto para responder às questões de 01 a 11.
TEXTO 1
O que há de errado com a felicidade? Assim Bauman começa seu livro A arte da vida. Parece uma contradição em termos. Ser feliz é aspiração universal. Apesar disso, como adverte o escritor, o caminho é variado. Baseado no questionamento de Michael Rustin, Zygmunt Bauman identifica como muitos países estão mais ricos, por exemplo, e o dinheiro abundante não veio acompanhado de melhoras expressivas em pesquisas sobre felicidade.
Aqui reside um paradoxo curioso: quase todos lutam por mais dinheiro, mas ele não consegue cumprir sua promessa imediata de satisfação. Por quê? Bauman imagina que uma parte da resposta esteja na transferência da felicidade para o ato que precede a compra. Uma vez adquirido o bem desejado, todo o esforço do mercado e da propaganda é para o bem seguinte.
O prazo de validade do prazer consumista é curto porque o objetivo de tudo não é nossa plena e entusiasmada felicidade. A insatisfação permanente garante (lógico!) nossos impulsos permanentes de consumo. Nada busca nossa realização - tudo indica nossa falta, carência, desejo.
O consumo é permanente, rápido e provoca esforços que indicam um vazio continuado e forte. Para quem produz e vende, interessa o buraco impossível de preencher, mas que mantenha todos eletrizados pelo novo modelo e novo eu.
Nos filósofos ditos estoicos, a satisfação plena costuma ser inatingível; temos de controlar o ato de desejo incessante mais do que comprar as coisas indicadas pelo desejo.
Traduzindo: Não se trata de ganhar mais, porém gastar menos. Aprofundando, a felicidade - para um estoico - não pode passar perto da ideia de mostrar ao mundo "o que eu tenho" ou "quanto posso gastar".
Os pais de crianças e adolescentes, em um mundo como o nosso, sofrem ainda mais porque a capacidade dos jovens de viver o estoicismo ou de lerem Bauman é, digamos, menor do que o desejado. Coincidem, na adolescência, dois desejos complementares: a estabilidade é dada pela aceitação do grupo; esta depende dos códigos comuns de consumo. Da mesma forma, existe pouca reflexão sobre o custo da obtenção do dinheiro aos 15 anos. Um adolescente que recusa os padrões vigentes de consumo é possível, mas é tão estranho quanto uma criança que exige brócolis em detrimento do brigadeiro. Viver imune aos apelos do consumo é complexo para o adulto e quase intransponível para o jovem.
Consumir é ser. Comprar possibilita assunto, bem como afirmação social. O tênis da moda é item existencial: isso atinge o rico que pode satisfazer o desejo, o pobre que não pode e até o criminoso que insiste em poder por vias tortuosas.
Creia-me, minha cara senhora e meu estimado senhor, existem tênis que podem custar um automóvel. O preço absurdo de alguns itens é uma prova de sua distância do comum e, por consequência, de aumento do potencial de ser que o produto traga.
É preciso dissociar ser de consumir. Os adultos podem aumentar sua capacidade ao lerem livros como o de Bauman, restabelecendo, assim, um projeto de felicidade sem endividamento permanente. Consumir pode ser bom se o produto for alavanca simples para melhorar nossa visão de mundo. Jamais devemos deixar de pensar no desafio de um país em que tanta gente não tem o básico; outros, que podem ter, ficam endividados porque acreditaram em miragens.
Está na hora de colocar as coisas no seu patamar de coisas. Eu tenho a pretensão de viver assim. É uma luta. Escrevi esse texto para mim também, para minha esperança de "ser mais" do que "ter mais".
KARNAL, Leandro. Compro e vivo. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 09 out. 2022. Cultura e comportamento, C12 - Adaptado.
Zygmunt Bauman - Sociólogo, pensador, professor e escritor polonês.
Estoicismo - Doutrina filosófica (fundada por Zenão no séc. III a.C.) que prega a rigidez moral e a serenidade diante das dificuldades.
No período "A insatisfação permanente garante (lógico!) nossos impulsos permanentes de consumo." (3º§), o autor usou os parênteses para:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto para responder às questões de 01 a 11.
TEXTO 1
O que há de errado com a felicidade? Assim Bauman começa seu livro A arte da vida. Parece uma contradição em termos. Ser feliz é aspiração universal. Apesar disso, como adverte o escritor, o caminho é variado. Baseado no questionamento de Michael Rustin, Zygmunt Bauman identifica como muitos países estão mais ricos, por exemplo, e o dinheiro abundante não veio acompanhado de melhoras expressivas em pesquisas sobre felicidade.
Aqui reside um paradoxo curioso: quase todos lutam por mais dinheiro, mas ele não consegue cumprir sua promessa imediata de satisfação. Por quê? Bauman imagina que uma parte da resposta esteja na transferência da felicidade para o ato que precede a compra. Uma vez adquirido o bem desejado, todo o esforço do mercado e da propaganda é para o bem seguinte.
O prazo de validade do prazer consumista é curto porque o objetivo de tudo não é nossa plena e entusiasmada felicidade. A insatisfação permanente garante (lógico!) nossos impulsos permanentes de consumo. Nada busca nossa realização - tudo indica nossa falta, carência, desejo.
O consumo é permanente, rápido e provoca esforços que indicam um vazio continuado e forte. Para quem produz e vende, interessa o buraco impossível de preencher, mas que mantenha todos eletrizados pelo novo modelo e novo eu.
Nos filósofos ditos estoicos, a satisfação plena costuma ser inatingível; temos de controlar o ato de desejo incessante mais do que comprar as coisas indicadas pelo desejo.
Traduzindo: Não se trata de ganhar mais, porém gastar menos. Aprofundando, a felicidade - para um estoico - não pode passar perto da ideia de mostrar ao mundo "o que eu tenho" ou "quanto posso gastar".
Os pais de crianças e adolescentes, em um mundo como o nosso, sofrem ainda mais porque a capacidade dos jovens de viver o estoicismo ou de lerem Bauman é, digamos, menor do que o desejado. Coincidem, na adolescência, dois desejos complementares: a estabilidade é dada pela aceitação do grupo; esta depende dos códigos comuns de consumo. Da mesma forma, existe pouca reflexão sobre o custo da obtenção do dinheiro aos 15 anos. Um adolescente que recusa os padrões vigentes de consumo é possível, mas é tão estranho quanto uma criança que exige brócolis em detrimento do brigadeiro. Viver imune aos apelos do consumo é complexo para o adulto e quase intransponível para o jovem.
Consumir é ser. Comprar possibilita assunto, bem como afirmação social. O tênis da moda é item existencial: isso atinge o rico que pode satisfazer o desejo, o pobre que não pode e até o criminoso que insiste em poder por vias tortuosas.
Creia-me, minha cara senhora e meu estimado senhor, existem tênis que podem custar um automóvel. O preço absurdo de alguns itens é uma prova de sua distância do comum e, por consequência, de aumento do potencial de ser que o produto traga.
É preciso dissociar ser de consumir. Os adultos podem aumentar sua capacidade ao lerem livros como o de Bauman, restabelecendo, assim, um projeto de felicidade sem endividamento permanente. Consumir pode ser bom se o produto for alavanca simples para melhorar nossa visão de mundo. Jamais devemos deixar de pensar no desafio de um país em que tanta gente não tem o básico; outros, que podem ter, ficam endividados porque acreditaram em miragens.
Está na hora de colocar as coisas no seu patamar de coisas. Eu tenho a pretensão de viver assim. É uma luta. Escrevi esse texto para mim também, para minha esperança de "ser mais" do que "ter mais".
KARNAL, Leandro. Compro e vivo. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 09 out. 2022. Cultura e comportamento, C12 - Adaptado.
Zygmunt Bauman - Sociólogo, pensador, professor e escritor polonês.
Estoicismo - Doutrina filosófica (fundada por Zenão no séc. III a.C.) que prega a rigidez moral e a serenidade diante das dificuldades.
Em "Bauman imagina que uma parte da resposta esteja na transferência da felicidade para o ato que precede a compra." (2º§), as palavras sublinhadas têm as seguintes funções sintáticas:
![]()
Texto para responder às questões de 01 a 11.
TEXTO 1
O que há de errado com a felicidade? Assim Bauman começa seu livro A arte da vida. Parece uma contradição em termos. Ser feliz é aspiração universal. Apesar disso, como adverte o escritor, o caminho é variado. Baseado no questionamento de Michael Rustin, Zygmunt Bauman identifica como muitos países estão mais ricos, por exemplo, e o dinheiro abundante não veio acompanhado de melhoras expressivas em pesquisas sobre felicidade.
Aqui reside um paradoxo curioso: quase todos lutam por mais dinheiro, mas ele não consegue cumprir sua promessa imediata de satisfação. Por quê? Bauman imagina que uma parte da resposta esteja na transferência da felicidade para o ato que precede a compra. Uma vez adquirido o bem desejado, todo o esforço do mercado e da propaganda é para o bem seguinte.
O prazo de validade do prazer consumista é curto porque o objetivo de tudo não é nossa plena e entusiasmada felicidade. A insatisfação permanente garante (lógico!) nossos impulsos permanentes de consumo. Nada busca nossa realização - tudo indica nossa falta, carência, desejo.
O consumo é permanente, rápido e provoca esforços que indicam um vazio continuado e forte. Para quem produz e vende, interessa o buraco impossível de preencher, mas que mantenha todos eletrizados pelo novo modelo e novo eu.
Nos filósofos ditos estoicos, a satisfação plena costuma ser inatingível; temos de controlar o ato de desejo incessante mais do que comprar as coisas indicadas pelo desejo.
Traduzindo: Não se trata de ganhar mais, porém gastar menos. Aprofundando, a felicidade - para um estoico - não pode passar perto da ideia de mostrar ao mundo "o que eu tenho" ou "quanto posso gastar".
Os pais de crianças e adolescentes, em um mundo como o nosso, sofrem ainda mais porque a capacidade dos jovens de viver o estoicismo ou de lerem Bauman é, digamos, menor do que o desejado. Coincidem, na adolescência, dois desejos complementares: a estabilidade é dada pela aceitação do grupo; esta depende dos códigos comuns de consumo. Da mesma forma, existe pouca reflexão sobre o custo da obtenção do dinheiro aos 15 anos. Um adolescente que recusa os padrões vigentes de consumo é possível, mas é tão estranho quanto uma criança que exige brócolis em detrimento do brigadeiro. Viver imune aos apelos do consumo é complexo para o adulto e quase intransponível para o jovem.
Consumir é ser. Comprar possibilita assunto, bem como afirmação social. O tênis da moda é item existencial: isso atinge o rico que pode satisfazer o desejo, o pobre que não pode e até o criminoso que insiste em poder por vias tortuosas.
Creia-me, minha cara senhora e meu estimado senhor, existem tênis que podem custar um automóvel. O preço absurdo de alguns itens é uma prova de sua distância do comum e, por consequência, de aumento do potencial de ser que o produto traga.
É preciso dissociar ser de consumir. Os adultos podem aumentar sua capacidade ao lerem livros como o de Bauman, restabelecendo, assim, um projeto de felicidade sem endividamento permanente. Consumir pode ser bom se o produto for alavanca simples para melhorar nossa visão de mundo. Jamais devemos deixar de pensar no desafio de um país em que tanta gente não tem o básico; outros, que podem ter, ficam endividados porque acreditaram em miragens.
Está na hora de colocar as coisas no seu patamar de coisas. Eu tenho a pretensão de viver assim. É uma luta. Escrevi esse texto para mim também, para minha esperança de "ser mais" do que "ter mais".
KARNAL, Leandro. Compro e vivo. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 09 out. 2022. Cultura e comportamento, C12 - Adaptado.
Zygmunt Bauman - Sociólogo, pensador, professor e escritor polonês.
Estoicismo - Doutrina filosófica (fundada por Zenão no séc. III a.C.) que prega a rigidez moral e a serenidade diante das dificuldades.
O trecho "Os adultos podem aumentar sua capacidade ao lerem livros como o de Bauman, restabelecendo, assim, um projeto de felicidade sem endividamento permanente." (10º§) pode ser reescrito, mantendo-se o mesmo valor semântico, em:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto para responder às questões de 12 a 14.
TEXTO 2
![]()
FOGO SAGRADO
O "Fogo Sagrado" é a paixão, a fé, o entusiasmo com que o militar se dedica à sua carreira; é o seu intenso amor à Marinha, o seu devotamento pela grandeza da sua profissão; é a larga medida de uma verdadeira vocação e de um sadio patriotismo. É o supremo amor pelo serviço. É essa crença que anima a ponto de, naturalmente, julgar que os deveres que a lei marca são o mínimo, e que para bem servir cumpre ir além do próprio dever, fazer tudo quanto é humanamente possível, à custa, embora, de ingente labor. O "Fogo Sagrado" é essa força misteriosa que, dominando a alma do verdadeiro marinheiro, o conduz sempre à luta com inexcedível vibração e estoica resignação.
Embora o serviço à organização militar a prazo longo traga, entre outras, a vantagem de fazer com que as Praças adquiram esse sentimento, ao militar caberá sempre a prédica constante e entusiástica das virtudes e das glórias da sua profissão. Na vida comum de bordo, o militar tem, diariamente, na maneira como conduz o seu serviço, o seu quarto, as suas fainas, os seus exercícios, frequentes ocasiões para viver esse sentimento perante seus subordinados. O "Fogo Sagrado" transmite-se, mas para tanto é preciso possuí-lo em grande intensidade e demonstrá-lo mais por atitudes e ações do que por ordens e palavras. O "Fogo Sagrado" é a alma da Marinha!
Disponível em: <https://www.marinha.mil.br/cn/rosadasvirtudes>. Acesso em 24 out. 2022.
Ingente - muito grande.
Inexcedível - que não se pode ceder.
Prédica - pregação, discurso.
Faina - atividade.
Praça - Marinheiro, Cabo, Sargento, Suboficial e Guarda-Marinha (Praça Especial).
Segundo o texto 2, é correto afirmar que o "Fogo Sagrado":
Texto para responder às questões de 12 a 14.
TEXTO 2
![]()
FOGO SAGRADO
O "Fogo Sagrado" é a paixão, a fé, o entusiasmo com que o militar se dedica à sua carreira; é o seu intenso amor à Marinha, o seu devotamento pela grandeza da sua profissão; é a larga medida de uma verdadeira vocação e de um sadio patriotismo. É o supremo amor pelo serviço. É essa crença que anima a ponto de, naturalmente, julgar que os deveres que a lei marca são o mínimo, e que para bem servir cumpre ir além do próprio dever, fazer tudo quanto é humanamente possível, à custa, embora, de ingente labor. O "Fogo Sagrado" é essa força misteriosa que, dominando a alma do verdadeiro marinheiro, o conduz sempre à luta com inexcedível vibração e estoica resignação.
Embora o serviço à organização militar a prazo longo traga, entre outras, a vantagem de fazer com que as Praças adquiram esse sentimento, ao militar caberá sempre a prédica constante e entusiástica das virtudes e das glórias da sua profissão. Na vida comum de bordo, o militar tem, diariamente, na maneira como conduz o seu serviço, o seu quarto, as suas fainas, os seus exercícios, frequentes ocasiões para viver esse sentimento perante seus subordinados. O "Fogo Sagrado" transmite-se, mas para tanto é preciso possuí-lo em grande intensidade e demonstrá-lo mais por atitudes e ações do que por ordens e palavras. O "Fogo Sagrado" é a alma da Marinha!
Disponível em: <https://www.marinha.mil.br/cn/rosadasvirtudes>. Acesso em 24 out. 2022.
Ingente - muito grande.
Inexcedível - que não se pode ceder.
Prédica - pregação, discurso.
Faina - atividade.
Praça - Marinheiro, Cabo, Sargento, Suboficial e Guarda-Marinha (Praça Especial).
O acento grave, indicativo de crase, é facultativo em:
Texto para responder às questões de 12 a 14.
TEXTO 2
![]()
FOGO SAGRADO
O "Fogo Sagrado" é a paixão, a fé, o entusiasmo com que o militar se dedica à sua carreira; é o seu intenso amor à Marinha, o seu devotamento pela grandeza da sua profissão; é a larga medida de uma verdadeira vocação e de um sadio patriotismo. É o supremo amor pelo serviço. É essa crença que anima a ponto de, naturalmente, julgar que os deveres que a lei marca são o mínimo, e que para bem servir cumpre ir além do próprio dever, fazer tudo quanto é humanamente possível, à custa, embora, de ingente labor. O "Fogo Sagrado" é essa força misteriosa que, dominando a alma do verdadeiro marinheiro, o conduz sempre à luta com inexcedível vibração e estoica resignação.
Embora o serviço à organização militar a prazo longo traga, entre outras, a vantagem de fazer com que as Praças adquiram esse sentimento, ao militar caberá sempre a prédica constante e entusiástica das virtudes e das glórias da sua profissão. Na vida comum de bordo, o militar tem, diariamente, na maneira como conduz o seu serviço, o seu quarto, as suas fainas, os seus exercícios, frequentes ocasiões para viver esse sentimento perante seus subordinados. O "Fogo Sagrado" transmite-se, mas para tanto é preciso possuí-lo em grande intensidade e demonstrá-lo mais por atitudes e ações do que por ordens e palavras. O "Fogo Sagrado" é a alma da Marinha!
Disponível em: <https://www.marinha.mil.br/cn/rosadasvirtudes>. Acesso em 24 out. 2022.
Ingente - muito grande.
Inexcedível - que não se pode ceder.
Prédica - pregação, discurso.
Faina - atividade.
Praça - Marinheiro, Cabo, Sargento, Suboficial e Guarda-Marinha (Praça Especial).
Assinale a opção em que o pronome pode aparecer em posição proclítica ou enclítica, a exemplo de "O 'Fogo Sagrado' transmite-se [...] (2º§)" / O 'Fogo Sagrado' se transmite [...]".
![]()
Texto para responder às questões 15 e 16.
TEXTO 3
![]()
Dik Browne. Hagar, o Horrível.
O texto 3 permite inferir que o emissor:
Texto para responder às questões 15 e 16.
TEXTO 3
![]()
Dik Browne. Hagar, o Horrível.
Analise a fala do emissor no primeiro quadrinho do texto 3, na qual foram empregadas formas coloquiais:
"Eu acho que chegamos em um ponto de nosso relacionamento onde podemos nos sentir seguros revelando segredos!".
Assinale a opção na qual a reescritura do período acima foi realizada obedecendo à modalidade padrão.
Texto para responder à questão 17.
TEXTO 4
![]()
Assinale a opção que apresenta as funções de linguagem predominantes no texto 4.
Muitos jovens _______ renda não lhes permite comprar os tênis ______ custam muito caro acabam frustrados, tornando-se inconformados com tudo _______ a vida lhes proporciona.Resolução comentada
Análise das alternativas
![]()
Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Assinale a opção que completa corretamente as lacunas da sentença abaixo:
Analise o exemplo: Se ele satisfizer os próprios desejos com bens de consumo, terá a doce ilusão da felicidade. Assinale a opção na qual o verbo em destaque foi flexionado de acordo com a norma-padrão.
Assinale a opção em que a concordância nominal está de acordo com a norma-padrão.