Pular para o conteúdo

Provas

← Voltar para a lista de provas

Marinha do Brasil — Processo Seletivo para Ingresso no Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha (PS-T/2011) — Letras (Língua Portuguesa) — Prova Amarela

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa)

Diretoria de Ensino da Marinha2011Superior

50 questões nesta prova · página 2 de 3 · 50 com gabarito

Língua Portuguesa Análise Linguística do Texto

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: Escrever

Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva.

Não estou me referindo muito a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação.

Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.

Que pena que só sei escrever quando espontaneamente a "coisa" vem. Fico assim à mercê do tempo. E, entre um verdadeiro escrever e outro, podem-se passar anos.

Lembro-me agora com saudade da dor de escrever livros.

(LISPECTOR, Clarice. In: A descoberta do mundo, Rio de Janeiro:Rocco, 1999. p. 134.)

Em que opção o comentário sobre o termo sublinhado está correto?

Reprodução da questão 21 como impressa na prova, com enunciado e alternativas, mostrando os termos sublinhados a que o comando se refere.Os sublinhados do original indicam os termos em análise.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Polifonia e Intertextualidade

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: Escrever

Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva.

Não estou me referindo muito a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação.

Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.

Que pena que só sei escrever quando espontaneamente a "coisa" vem. Fico assim à mercê do tempo. E, entre um verdadeiro escrever e outro, podem-se passar anos.

Lembro-me agora com saudade da dor de escrever livros.

(LISPECTOR, Clarice. In: A descoberta do mundo, Rio de Janeiro:Rocco, 1999. p. 134.)

Que fragmento de Escrever, de Ferreira dos Santos (texto I), mantém um dialogismo com Escrever, de Clarice Lispector (texto II)?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A alternativa B dialoga com o tema do escrever como expressão do íntimo, presente no texto de Clarice.

Em "desabafar [...] o que lhe vai na pena da alma", Ferreira dos Santos aproxima escrever de externar sentimentos e da alma, tema central em Clarice ("salva a alma presa", "sentir até o último fim o sentimento"). Essa retomada temática caracteriza o dialogismo entre os dois textos.

Análise das alternativas

A) Errada: trata de dispensar prólogos e paisagem, sem ligação com o texto II. C) Errada: aborda a atenção do leitor com parágrafos. D) Errada: critica rimas bobinhas. E) Errada: fala sobre o título e o diagramador. Nenhuma retoma a ideia de escrever ligada à alma e ao sentimento.

Referência: Dialogismo e intertextualidade.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Argumentação

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: Escrever

Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva.

Não estou me referindo muito a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação.

Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.

Que pena que só sei escrever quando espontaneamente a "coisa" vem. Fico assim à mercê do tempo. E, entre um verdadeiro escrever e outro, podem-se passar anos.

Lembro-me agora com saudade da dor de escrever livros.

(LISPECTOR, Clarice. In: A descoberta do mundo, Rio de Janeiro:Rocco, 1999. p. 134.)

Chamamos procedimentos argumentativos a todos os recursos acionados pelo produtor do texto com vistas a levar o leitor a crer naquilo que o texto diz e a fazer aquilo que ele propõe.(FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Francisco Platão. Para entender o texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 1992. p. 173)

Considerando as observações de Fiorin e Savioli, que opção registra o recurso da persuasão?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A persuasão aparece quando o produtor orienta diretamente o leitor, como no imperativo da alternativa C.

Conforme Fiorin e Savioli, procedimentos argumentativos levam o leitor a crer e a fazer o que o texto propõe. Em "De vez em quando, abra um parágrafo para o leitor respirar" há conselho em imperativo, que busca convencer o interlocutor a agir.

Análise das alternativas

A) Errada: apenas narra um fato. B) Errada: é uma confissão de memória sem apelo ao leitor. D) Errada: relato narrativo. E) Errada: delimita o assunto, sem tentar convencer ou levar o leitor a agir.

Referência: Fiorin e Savioli, Para entender o texto; argumentação e persuasão.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Variação Linguística

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

A língua-padrão atual não é pior nem melhor que a de algumas décadas passadas; simplesmente manifesta certos usos distintos (em regências, em colocações pronominais, no emprego de certos pronomes, no uso de algumas flexões verbais...).[...].(UCHÔA, Carlos Eduardo Falcão. O ensino da gramática: caminhos e descaminhos. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007. p. 52)

É correto afirmar que, no trecho de Ensino da gramática: caminhos e descaminhos, há uma crítica aos
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O trecho critica os conservadores tradicionais, que veem a língua atual como pior que a de antes.

Ao afirmar que a língua-padrão atual não é pior nem melhor que a de décadas passadas, apenas distinta, o autor rebate quem vê mudança como decadência. Esse é o discurso dos puristas, ou conservadores tradicionais.

Análise das alternativas

B) Errada: os usuários da língua não são criticados. C) Errada: o trecho não visa os gramáticos em geral. D) Errada: não há referência a linguistas antigos. E) Errada: "imediatistas pragmáticos" não aparece no texto.

Referência: Variação linguística; purismo e norma.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Variação Linguística

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: A língua-padrão atual não é pior nem melhor que a de algumas décadas passadas; simplesmente manifesta certos usos distintos (em regências, em colocações pronominais, no emprego de certos pronomes, no uso de algumas flexões verbais...).[...].(UCHÔA, Carlos Eduardo Falcão. O ensino da gramática: caminhos e descaminhos. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007. p. 52)

Qual das opções NÃO serve de exemplo do padrão abordado por Uchôa?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A alternativa E contém erro de concordância e não é variação aceita da norma.

Uchôa fala de usos distintos na língua-padrão ao longo do tempo (regência, colocação pronominal, flexões). "Tinham havido" é erro, pois "haver" no sentido de existir é impessoal e deveria ser "tinha havido". Isso é desvio, não mudança de uso do padrão.

Análise das alternativas

A) Exemplo de colocação pronominal mais tradicional (ênclise após verbo). B) Exemplo de regência e voz passiva em uso padrão. C) Exemplo de regência de "assistir" (uso corrente contra a regência tradicional). D) Exemplo de colocação pronominal (próclise no início de frase), uso atual. Em todas há variação de uso; em E há erro.

Referência: Variação linguística e norma-padrão; verbo haver impessoal.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Conectivos e Coesão Textual

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: Trouxeste a chave?

Queremos sempre chegar ao coração das coisas. Nunca chegamos e é melhor que seja assim. No coração das coisas estão os loucos, que fitam uma realidade limpa e iluminada, sem nuances e sem consolo. Os loucos não suportam a ideia de que viver é rondar as coisas, é dançar em torno delas. Às vezes lhes roçamos a face, por outras lhes roubamos pequenos nacos. Nunca realmente as possuímos.

Uma excelente metáfora para esta prudente distância é o véu de Ísis, aquele que, dizia a deusa egípcia, nenhum mortal ousou levantar. Nunca encaramos o rosto da realidade, ficamos sempre à distância, na periferia. É estranho o mundo em que vivemos: um mundo sem centro, como um rio que não tivesse águas, mas apenas margens. Em consequência, todo esforço de conhecimento, de leitura do mundo, não passa de uma lenta e interminável ronda em torno de um enigma.

Resta-nos uma "leitura cerrada" da realidade. Uma leitura que se agarra às coisas como um leão que finca suas garras no pescoço da vítima, ou em seu lombo, sem, no entanto, lhe devorar as vísceras, sem chegar a seu coração.[...].
(CASTELO, José. O Globo, Prosa e verso, 12 jun., 2010. p.4.)

Que conector pode unir os dois últimos períodos do primeiro parágrafo, mantendo-se a coesão e a coerência?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O conector adequado é "Porém", de valor adversativo.

Os dois últimos períodos são: "Às vezes lhes roçamos a face, por outras lhes roubamos pequenos nacos. Nunca realmente as possuímos." Há contraste entre o contato parcial e a impossibilidade de possuir, o que pede uma conjunção adversativa como "Porém".

Análise das alternativas

A) Errada: "Portanto" é conclusiva e não há conclusão. B) Errada: "Consoante" é conformativa (segundo) e não liga ideias assim. C) Errada: "Porquanto" é explicativa e não há causa. D) Errada: "Enquanto" é temporal ou proporcional e não expressa o contraste necessário.

Referência: Coesão; conjunções coordenativas adversativas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Referenciação: Anáfora e Dêixis

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: Trouxeste a chave?

Queremos sempre chegar ao coração das coisas. Nunca chegamos e é melhor que seja assim. No coração das coisas estão os loucos, que fitam uma realidade limpa e iluminada, sem nuances e sem consolo. Os loucos não suportam a ideia de que viver é rondar as coisas, é dançar em torno delas. Às vezes lhes roçamos a face, por outras lhes roubamos pequenos nacos. Nunca realmente as possuímos.

Uma excelente metáfora para esta prudente distância é o véu de Ísis, aquele que, dizia a deusa egípcia, nenhum mortal ousou levantar. Nunca encaramos o rosto da realidade, ficamos sempre à distância, na periferia. É estranho o mundo em que vivemos: um mundo sem centro, como um rio que não tivesse águas, mas apenas margens. Em consequência, todo esforço de conhecimento, de leitura do mundo, não passa de uma lenta e interminável ronda em torno de um enigma.

Resta-nos uma "leitura cerrada" da realidade. Uma leitura que se agarra às coisas como um leão que finca suas garras no pescoço da vítima, ou em seu lombo, sem, no entanto, lhe devorar as vísceras, sem chegar a seu coração.[...].
(CASTELO, José. O Globo, Prosa e verso, 12 jun., 2010. p.4.)

Que afirmação está correta em relação ao elemento sublinhado?

Reprodução da questão 27 como impressa na prova, com enunciado e alternativas, mostrando os termos sublinhados a que o comando se refere.Os sublinhados do original indicam os termos em análise.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: Trouxeste a chave?

Queremos sempre chegar ao coração das coisas. Nunca chegamos e é melhor que seja assim. No coração das coisas estão os loucos, que fitam uma realidade limpa e iluminada, sem nuances e sem consolo. Os loucos não suportam a ideia de que viver é rondar as coisas, é dançar em torno delas. Às vezes lhes roçamos a face, por outras lhes roubamos pequenos nacos. Nunca realmente as possuímos.

Uma excelente metáfora para esta prudente distância é o véu de Ísis, aquele que, dizia a deusa egípcia, nenhum mortal ousou levantar. Nunca encaramos o rosto da realidade, ficamos sempre à distância, na periferia. É estranho o mundo em que vivemos: um mundo sem centro, como um rio que não tivesse águas, mas apenas margens. Em consequência, todo esforço de conhecimento, de leitura do mundo, não passa de uma lenta e interminável ronda em torno de um enigma.

Resta-nos uma "leitura cerrada" da realidade. Uma leitura que se agarra às coisas como um leão que finca suas garras no pescoço da vítima, ou em seu lombo, sem, no entanto, lhe devorar as vísceras, sem chegar a seu coração.[...].
(CASTELO, José. O Globo, Prosa e verso, 12 jun., 2010. p.4.)

A qual enigma o texto faz alusão no segundo parágrafo?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O enigma aludido é o rosto da realidade.

O parágrafo diz que nunca encaramos o rosto da realidade e que todo esforço de conhecimento é uma ronda em torno de um enigma. O enigma, portanto, é a própria realidade, simbolizada por seu rosto sob o véu de Ísis.

Análise das alternativas

A) Errada: o coração das coisas aparece no primeiro parágrafo. C) Errada: a leitura de mundo é a ronda, não o enigma. D) Errada: o esforço de conhecimento é o que gira em torno do enigma. E) Errada: o mundo é descrito como sem centro, mas o enigma é o rosto da realidade.

Referência: Interpretação de texto; referenciação.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: Trouxeste a chave?

Queremos sempre chegar ao coração das coisas. Nunca chegamos e é melhor que seja assim. No coração das coisas estão os loucos, que fitam uma realidade limpa e iluminada, sem nuances e sem consolo. Os loucos não suportam a ideia de que viver é rondar as coisas, é dançar em torno delas. Às vezes lhes roçamos a face, por outras lhes roubamos pequenos nacos. Nunca realmente as possuímos.

Uma excelente metáfora para esta prudente distância é o véu de Ísis, aquele que, dizia a deusa egípcia, nenhum mortal ousou levantar. Nunca encaramos o rosto da realidade, ficamos sempre à distância, na periferia. É estranho o mundo em que vivemos: um mundo sem centro, como um rio que não tivesse águas, mas apenas margens. Em consequência, todo esforço de conhecimento, de leitura do mundo, não passa de uma lenta e interminável ronda em torno de um enigma.

Resta-nos uma "leitura cerrada" da realidade. Uma leitura que se agarra às coisas como um leão que finca suas garras no pescoço da vítima, ou em seu lombo, sem, no entanto, lhe devorar as vísceras, sem chegar a seu coração.[...].
(CASTELO, José. O Globo, Prosa e verso, 12 jun., 2010. p.4.)

De acordo com o texto, qual chave permite acesso ao coração das coisas?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A chave para o coração das coisas seria o pleno conhecimento do mundo, que não temos.

O título pergunta "Trouxeste a chave?" e o texto mostra que só rondamos a realidade, sem chegar ao centro. Para alcançar o coração das coisas seria preciso conhecê-las plenamente, algo vedado aos mortais.

Análise das alternativas

A) Errada: solidariedade não é tema do texto. B) Errada: abandonar o real não é proposto. C) Errada: reificação (tratar como coisa) não aparece. E) Errada: a "leitura cerrada" é o que resta, não a chave, e ninguém levanta o véu de Ísis.

Referência: Interpretação de texto; inferência.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Reescrita de Frases

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: Trouxeste a chave?

Queremos sempre chegar ao coração das coisas. Nunca chegamos e é melhor que seja assim. No coração das coisas estão os loucos, que fitam uma realidade limpa e iluminada, sem nuances e sem consolo. Os loucos não suportam a ideia de que viver é rondar as coisas, é dançar em torno delas. Às vezes lhes roçamos a face, por outras lhes roubamos pequenos nacos. Nunca realmente as possuímos.

Uma excelente metáfora para esta prudente distância é o véu de Ísis, aquele que, dizia a deusa egípcia, nenhum mortal ousou levantar. Nunca encaramos o rosto da realidade, ficamos sempre à distância, na periferia. É estranho o mundo em que vivemos: um mundo sem centro, como um rio que não tivesse águas, mas apenas margens. Em consequência, todo esforço de conhecimento, de leitura do mundo, não passa de uma lenta e interminável ronda em torno de um enigma.

Resta-nos uma "leitura cerrada" da realidade. Uma leitura que se agarra às coisas como um leão que finca suas garras no pescoço da vítima, ou em seu lombo, sem, no entanto, lhe devorar as vísceras, sem chegar a seu coração.[...].
(CASTELO, José. O Globo, Prosa e verso, 12 jun., 2010. p.4.)

Em que fragmento a reescritura respeitou a coesão e a coerência textuais de acordo com a norma padrão?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Só a alternativa C reescreve o trecho mantendo coesão, coerência e norma padrão.

Em "mas sem lhe devorar as vísceras, sem chegar ao coração dela", o "mas" mantém a oposição do original e "chegar ao" respeita a regência. "Dela" retoma "as coisas" sem prejuízo de sentido.

Análise das alternativas

A) Errada: falta a preposição exigida pela regência de "viver" ("em que vivemos"). B) Errada: altera o sentido ("suas faces", "a ela") e perde a referência plural de "coisas". D) Errada: "das quais fitam" é regência incorreta; "fitar" é transitivo direto. E) Errada: "arrebóis" não faz sentido e "em seus arrebóis" quebra a coerência.

Referência: Reescrita, regência verbal e coesão referencial.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Argumentação

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: Trouxeste a chave?

Queremos sempre chegar ao coração das coisas. Nunca chegamos e é melhor que seja assim. No coração das coisas estão os loucos, que fitam uma realidade limpa e iluminada, sem nuances e sem consolo. Os loucos não suportam a ideia de que viver é rondar as coisas, é dançar em torno delas. Às vezes lhes roçamos a face, por outras lhes roubamos pequenos nacos. Nunca realmente as possuímos.

Uma excelente metáfora para esta prudente distância é o véu de Ísis, aquele que, dizia a deusa egípcia, nenhum mortal ousou levantar. Nunca encaramos o rosto da realidade, ficamos sempre à distância, na periferia. É estranho o mundo em que vivemos: um mundo sem centro, como um rio que não tivesse águas, mas apenas margens. Em consequência, todo esforço de conhecimento, de leitura do mundo, não passa de uma lenta e interminável ronda em torno de um enigma.

Resta-nos uma "leitura cerrada" da realidade. Uma leitura que se agarra às coisas como um leão que finca suas garras no pescoço da vítima, ou em seu lombo, sem, no entanto, lhe devorar as vísceras, sem chegar a seu coração.[...].
(CASTELO, José. O Globo, Prosa e verso, 12 jun., 2010. p.4.)

Que opção apresenta a tese argumentativa principal do texto?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A tese central é que, não conhecendo verdadeiramente a realidade, nunca chegamos ao coração das coisas.

O texto sustenta que só rondamos a realidade, como mostram o véu de Ísis, o rio só com margens e a ronda em torno de um enigma. Por isso nunca chegamos ao coração das coisas, e é melhor que seja assim. A alternativa A resume essa tese.

Análise das alternativas

B) Errada: a "leitura cerrada" é o que nos resta, não um meio de conhecer de fato o mundo. C) Errada: os loucos fitam o coração das coisas e não suportam rondá-las. D) Errada: "mundo sem centro" é metáfora da realidade, não do vazio dos homens. E) Errada: o texto não trata de priorizar detalhes em vez do essencial.

Referência: Interpretação de texto; tese argumentativa.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Termos da Oração

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: Trouxeste a chave?

Queremos sempre chegar ao coração das coisas. Nunca chegamos e é melhor que seja assim. No coração das coisas estão os loucos, que fitam uma realidade limpa e iluminada, sem nuances e sem consolo. Os loucos não suportam a ideia de que viver é rondar as coisas, é dançar em torno delas. Às vezes lhes roçamos a face, por outras lhes roubamos pequenos nacos. Nunca realmente as possuímos.

Uma excelente metáfora para esta prudente distância é o véu de Ísis, aquele que, dizia a deusa egípcia, nenhum mortal ousou levantar. Nunca encaramos o rosto da realidade, ficamos sempre à distância, na periferia. É estranho o mundo em que vivemos: um mundo sem centro, como um rio que não tivesse águas, mas apenas margens. Em consequência, todo esforço de conhecimento, de leitura do mundo, não passa de uma lenta e interminável ronda em torno de um enigma.

Resta-nos uma "leitura cerrada" da realidade. Uma leitura que se agarra às coisas como um leão que finca suas garras no pescoço da vítima, ou em seu lombo, sem, no entanto, lhe devorar as vísceras, sem chegar a seu coração.[...].
(CASTELO, José. O Globo, Prosa e verso, 12 jun., 2010. p.4.)

Em que opção o termo destacado possui função diferente da dos demais?

Reprodução da questão 32 como impressa na prova, com enunciado e alternativas, mostrando os termos sublinhados a que o comando se refere.Os sublinhados do original indicam os termos em análise.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Concepções de Leitura

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um texto. É, a partir de um texto, ser capaz de atribuir-lhe significação, conseguir relacioná-lo a todos os outros textos significativos para cada um, reconhecer nele o tipo de leitura que seu autor pretendia e, dono da própria vontade, entregar-se a esta leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo outra não prevista.[...].
(Lajolo, Marisa. O texto não é pretexto. In: Leitura em crise na escola: As alternativas do professor. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982. p. 59.)

Considerando a argumentação acima, em que opção ocorre a mesma tematização?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Ler é atribuir significação e relacionar o texto a outros textos, o que gera diálogo e novos horizontes.

Lajolo define a leitura como atribuir significação, relacionar o texto a outros textos significativos e até propor uma leitura não prevista. A alternativa E traz a mesma ideia: ler não se esgota no significado e abre uma relação dialógica com outros textos.

Análise das alternativas

A) Errada: trata do uso do texto como pretexto em sala, tema distinto. B) Errada: foca em desestruturar o texto literário e suas regras, não na relação com outros textos. C) Errada: prende a leitura à palavra do produtor, contrariando a liberdade do leitor. D) Errada: critica o despreparo do professor, assunto que não está no trecho.

Referência: Marisa Lajolo, O texto não é pretexto; leitura e intertextualidade.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Variação Linguística

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

A nomenclatura marítima é um capítulo à parte na atividade marinheira. Chamar antepara de parede, cabo de corda, vigia de janela, camarote de quarto, ferro de âncora ou agulha de bússola, são gafes imperdoáveis e soam muito estranhas aos ouvidos dos marinheiros.

A linguagem marinheira requer dicionário específico. Um leigo, ou até mesmo praticantes recém-saídos da escola, têm dificuldade de entender os termos empregados no dia a dia da vida de bordo. Explicar para um leigo que uma enxárcia é um conjunto de ovéns é não dizer absolutamente nada. É falar grego. E não se trata de afetação ou tentativa de resguardar a profissão para iniciados. Trata-se simplesmente de nomear, com termos próprios, uma atividade diversificada que envolve inúmeras designações sem paralelo em ocupações terráqueas, como dizem os marítimos.[...].
(LIMA, Carlos Nardin. Comte - CLC. Essa nomenclatura marítima... In: Língua portuguesa: leitura e produção de texto. Rio de Janeiro: Marinha do Brasil, Escola Naval, 2011. p. 21).

Qual afirmativa sobre variação linguística se aplica ao texto de Carlos Nardin Lima?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O jargão marinheiro agiliza a comunicação entre os membros do grupo e marca níveis de conhecimento.

A linguagem técnica da Marinha é um jargão, uma variedade de grupo profissional. Entre os iniciados ela torna a comunicação precisa e rápida, e permite hierarquizar quem domina ou não os termos (o leigo e o recém-formado têm dificuldade).

Análise das alternativas

A) Errada: estereótipos não indicam uma linguagem em desenvolvimento, e isso não se relaciona ao texto. B) Errada: o texto não fala em estigma nem em gozação. C) Errada: o jargão não é usado em todos os contextos; é restrito ao meio profissional. E) Errada: trata da variedade padrão, que não é o foco do texto, e a afirmação final é incoerente.

Referência: Sociolinguística; variação diafásica e jargão profissional.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: A nomenclatura marítima é um capítulo à parte na atividade marinheira. Chamar antepara de parede, cabo de corda, vigia de janela, camarote de quarto, ferro de âncora ou agulha de bússola, são gafes imperdoáveis e soam muito estranhas aos ouvidos dos marinheiros.

A linguagem marinheira requer dicionário específico. Um leigo, ou até mesmo praticantes recém-saídos da escola, têm dificuldade de entender os termos empregados no dia a dia da vida de bordo. Explicar para um leigo que uma enxárcia é um conjunto de ovéns é não dizer absolutamente nada. É falar grego. E não se trata de afetação ou tentativa de resguardar a profissão para iniciados. Trata-se simplesmente de nomear, com termos próprios, uma atividade diversificada que envolve inúmeras designações sem paralelo em ocupações terráqueas, como dizem os marítimos.[...].
(LIMA, Carlos Nardin. Comte - CLC. Essa nomenclatura marítima... In: Língua portuguesa: leitura e produção de texto. Rio de Janeiro: Marinha do Brasil, Escola Naval, 2011. p. 21).

Em relação ao texto Essa nomenclatura marítima, que afirmativa está correta?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O texto afirma que a linguagem marinheira nasce da especificidade da atividade marítima.

O autor diz que não se trata de afetação, mas de "nomear, com termos próprios, uma atividade diversificada" que tem designações sem paralelo em outras ocupações. Logo, a linguagem marinheira decorre da singularidade das atividades marítimas.

Análise das alternativas

A) Errada: os termos comuns não são "não identificados"; usá-los no lugar dos náuticos é que soa estranho ao marinheiro. B) Errada: o texto nega que seja afetação e não fala em discriminação. C) Errada: o texto não trata de estresse na vida de bordo. D) Errada: o texto nega a intenção de resguardar a profissão e não menciona clichê profissional.

Referência: Interpretação de texto; compreensão global e inferência.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: A nomenclatura marítima é um capítulo à parte na atividade marinheira. Chamar antepara de parede, cabo de corda, vigia de janela, camarote de quarto, ferro de âncora ou agulha de bússola, são gafes imperdoáveis e soam muito estranhas aos ouvidos dos marinheiros.

A linguagem marinheira requer dicionário específico. Um leigo, ou até mesmo praticantes recém-saídos da escola, têm dificuldade de entender os termos empregados no dia a dia da vida de bordo. Explicar para um leigo que uma enxárcia é um conjunto de ovéns é não dizer absolutamente nada. É falar grego. E não se trata de afetação ou tentativa de resguardar a profissão para iniciados. Trata-se simplesmente de nomear, com termos próprios, uma atividade diversificada que envolve inúmeras designações sem paralelo em ocupações terráqueas, como dizem os marítimos.[...].
(LIMA, Carlos Nardin. Comte - CLC. Essa nomenclatura marítima... In: Língua portuguesa: leitura e produção de texto. Rio de Janeiro: Marinha do Brasil, Escola Naval, 2011. p. 21).

Que opção NÃO encontra respaldo no texto?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

'Terráqueos' não designa 'tudo o que pertence à Terra' no texto.

O texto usa 'terráqueas' para ocupações do mundo não marítimo, em oposição às atividades de bordo. A afirmação da alternativa A generaliza demais e não tem respaldo.

Análise das alternativas

B) O texto diz que a linguagem marinheira 'requer dicionário específico'. C) Leigos e recém-saídos da escola têm dificuldade com os termos. D) O texto fala em 'atividade diversificada' com 'inúmeras designações'. E) A nomenclatura marítima é 'um capítulo à parte'.

Referência: LIMA, Carlos Nardin. Essa nomenclatura marítima... Escola Naval, 2011, p. 21.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Figuras de Linguagem

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: A arte da improvisação

Quem não admira um ator cujas improvisações fluem com espontaneidade? Ou um conferencista com ideias que borbulham ao sabor do momento e de sua inspiração? Assisti a uma conferência do Amyr Klink. No princípio, ele nem sabia bem o que iria dizer, mas, ao cabo de alguns minutos, as ideias magicamente se juntaram, compondo uma apresentação brilhante. Nossa cultura valoriza as artes da improvisação, seja no palco, seja nos repentistas do Nordeste, seja nas salas de aula. Genial é aquilo que brota da mente criativa, sem as peias do ensaio e da preparação exaustiva. Só que não é bem assim. A arte da improvisação é uma farsa. Os mais notáveis improvisadores são os que mais se preparam. Amyr Klink planeja detalhadamente as suas expedições e ensina isso a executivos. Será que a aparência de improvisação não seria parte da preparação e do charme?

Os cômicos e os repentistas improvisam sobre linhas que já praticaram. Como disse sua filha, para Fernanda Montenegro, "memorizar uma obra é um ato de loucura, uma luta bestial... é no cansaço e na repetição... que se atinge a tão cobiçada mestria". Marx levou dez anos burilando a forma literária de O Capital. Durante a guerra, De Gaulle falava pelo rádio para o povo francês. Poderia ler o discurso, quem iria saber? Mas não, era todo decorado, para parecer mais espontâneo. Há uma escola de pintura chinesa em que os quadros são pintados em poucos minutos. Mas, para isso, é preciso praticar por décadas a fio.

Na educação, é a mesma coisa. Richard Feynman, prêmio Nobel de Física, foi um dos homens mais versáteis e brilhantes do século XX. Em suas memórias, descreve o trabalho exaustivo requerido para preparar suas aulas e encontrar bons exemplos e exercícios. Para seu livro (Aula Nota 10), Doug Lemov observou metodicamente como agem os professores americanos mais eficazes do ensino básico. Concluiu que os mestres geniais preparam minuciosamente as suas aulas. Relatos de bons professores brasileiros mostram o mesmo. Esses exemplos contradizem uma seita pedagógica que prega um ensino cujas aulas são "criadas" pelos professores e vocifera contra os livros-texto, passo a passo, que escravizariam o mestre a um script pré-empacotado. O pior dos crimes são cursos que ensinam a usar os livros. Os inimigos prediletos dessa seita são os chamados "sistemas de ensino", operados pelos sinistros "apostiladores". Não obstante, pesquisas recentes indicam claramente que, nos municípios em que foram adotados tais sistemas, os alunos estão meio ano à frente dos que não os adotaram.

Pensemos bem, os comandantes de aviões Boeing fazem cursos para pilotar o Airbus (ou vice-versa) empregando os detalhadíssimos manuais da fábrica. Se pilotos experientes precisam aprender a manejar os novos equipamentos, por que os professores não teriam de aprender a usar os novos livros? Na verdade, sólida pesquisa mostra que os alunos aprendem mais quando os professores foram instruídos nas artes de utilizar os livros adotados. De duas uma, ou a improvisação é a crença em uma teoria pedagógica totalmente equivocada, ou é a desculpa esfarrapada dos malandros. Sabemos com segurança: quanto mais planejada a aula, mais os alunos aprendem. E, para bem planejar, nada como usar as melhores práticas, acumuladas ao longo dos anos. Pouquíssimos têm ou vocação ou tempo para inventar boas aulas.

Vendo a questão de outro ângulo, a partir da Revolução Industrial, todo o processo produtivo se baseia na divisão de trabalho, para que cada etapa seja feita por quem melhor dominou as suas artes. No caso da educação, alguns são melhores para buscar as maneiras mais eficazes de ensinar, seja regra de três, concordância ou circuitos elétricos. Alguém saberá fazer as melhores ilustrações ou PowerPoints. Sendo difícil preparar provas que puxem pelo intelecto, e não pela decoreba, esse é trabalho para profissionais de testes. Ao contrário do que se pensa, tudo isso pode ser feito por outrem, sem engessar o ensino. Nesse caso, o que mediocriza o ensino são as perguntas improvisadas, que acabam por requerer apenas dotes de memória. Perguntas e exercícios bem concebidos, pelo contrário, podem dar asas à imaginação.

Em suma, quanto melhores e mais detalhados os materiais disponíveis, mais o professor pode se preparar para o momento da aula, ajudando a afastar o Brasil de um ensino catastrófico. E, no fundo, a aula é o elo mais nobre e crítico do processo de ensino.
(Claudio de Moura Castro. Veja, 12/01/2011. p. 24.)

Em que opção há um recurso de estilo distinto dos demais?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A passagem C é a única sem sentido figurado.

Em A ('burilando'), B ('borbulham'), D ('dar asas') e E ('luta bestial') há linguagem figurada (metáforas). Em C, 'agem' e 'eficazes' têm sentido literal, sem figura de estilo.

Análise das alternativas

A) Metáfora: 'burilar' (lapidar) aplicado à escrita. B) Metáfora: ideias que 'borbulham'. D) Metáfora: 'dar asas à imaginação'. E) Metáfora/hipérbole: 'luta bestial' e 'ato de loucura'.

Referência: Figuras de linguagem – sentido denotativo e conotativo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Argumentação

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: A arte da improvisação

Quem não admira um ator cujas improvisações fluem com espontaneidade? Ou um conferencista com ideias que borbulham ao sabor do momento e de sua inspiração? Assisti a uma conferência do Amyr Klink. No princípio, ele nem sabia bem o que iria dizer, mas, ao cabo de alguns minutos, as ideias magicamente se juntaram, compondo uma apresentação brilhante. Nossa cultura valoriza as artes da improvisação, seja no palco, seja nos repentistas do Nordeste, seja nas salas de aula. Genial é aquilo que brota da mente criativa, sem as peias do ensaio e da preparação exaustiva. Só que não é bem assim. A arte da improvisação é uma farsa. Os mais notáveis improvisadores são os que mais se preparam. Amyr Klink planeja detalhadamente as suas expedições e ensina isso a executivos. Será que a aparência de improvisação não seria parte da preparação e do charme?

Os cômicos e os repentistas improvisam sobre linhas que já praticaram. Como disse sua filha, para Fernanda Montenegro, "memorizar uma obra é um ato de loucura, uma luta bestial... é no cansaço e na repetição... que se atinge a tão cobiçada mestria". Marx levou dez anos burilando a forma literária de O Capital. Durante a guerra, De Gaulle falava pelo rádio para o povo francês. Poderia ler o discurso, quem iria saber? Mas não, era todo decorado, para parecer mais espontâneo. Há uma escola de pintura chinesa em que os quadros são pintados em poucos minutos. Mas, para isso, é preciso praticar por décadas a fio.

Na educação, é a mesma coisa. Richard Feynman, prêmio Nobel de Física, foi um dos homens mais versáteis e brilhantes do século XX. Em suas memórias, descreve o trabalho exaustivo requerido para preparar suas aulas e encontrar bons exemplos e exercícios. Para seu livro (Aula Nota 10), Doug Lemov observou metodicamente como agem os professores americanos mais eficazes do ensino básico. Concluiu que os mestres geniais preparam minuciosamente as suas aulas. Relatos de bons professores brasileiros mostram o mesmo. Esses exemplos contradizem uma seita pedagógica que prega um ensino cujas aulas são "criadas" pelos professores e vocifera contra os livros-texto, passo a passo, que escravizariam o mestre a um script pré-empacotado. O pior dos crimes são cursos que ensinam a usar os livros. Os inimigos prediletos dessa seita são os chamados "sistemas de ensino", operados pelos sinistros "apostiladores". Não obstante, pesquisas recentes indicam claramente que, nos municípios em que foram adotados tais sistemas, os alunos estão meio ano à frente dos que não os adotaram.

Pensemos bem, os comandantes de aviões Boeing fazem cursos para pilotar o Airbus (ou vice-versa) empregando os detalhadíssimos manuais da fábrica. Se pilotos experientes precisam aprender a manejar os novos equipamentos, por que os professores não teriam de aprender a usar os novos livros? Na verdade, sólida pesquisa mostra que os alunos aprendem mais quando os professores foram instruídos nas artes de utilizar os livros adotados. De duas uma, ou a improvisação é a crença em uma teoria pedagógica totalmente equivocada, ou é a desculpa esfarrapada dos malandros. Sabemos com segurança: quanto mais planejada a aula, mais os alunos aprendem. E, para bem planejar, nada como usar as melhores práticas, acumuladas ao longo dos anos. Pouquíssimos têm ou vocação ou tempo para inventar boas aulas.

Vendo a questão de outro ângulo, a partir da Revolução Industrial, todo o processo produtivo se baseia na divisão de trabalho, para que cada etapa seja feita por quem melhor dominou as suas artes. No caso da educação, alguns são melhores para buscar as maneiras mais eficazes de ensinar, seja regra de três, concordância ou circuitos elétricos. Alguém saberá fazer as melhores ilustrações ou PowerPoints. Sendo difícil preparar provas que puxem pelo intelecto, e não pela decoreba, esse é trabalho para profissionais de testes. Ao contrário do que se pensa, tudo isso pode ser feito por outrem, sem engessar o ensino. Nesse caso, o que mediocriza o ensino são as perguntas improvisadas, que acabam por requerer apenas dotes de memória. Perguntas e exercícios bem concebidos, pelo contrário, podem dar asas à imaginação.

Em suma, quanto melhores e mais detalhados os materiais disponíveis, mais o professor pode se preparar para o momento da aula, ajudando a afastar o Brasil de um ensino catastrófico. E, no fundo, a aula é o elo mais nobre e crítico do processo de ensino.
(Claudio de Moura Castro. Veja, 12/01/2011. p. 24.)

Em que opção se encontra a tese que orienta o texto?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A tese está na afirmação de que improvisar é crença errada ou desculpa.

A frase 'De duas uma, ou a improvisação é a crença em uma teoria pedagógica totalmente equivocada, ou é a desculpa esfarrapada dos malandros' sintetiza o posicionamento do autor: ele rejeita a improvisação em favor do planejamento. As demais passagens são premissas, exemplos ou a visão contrária.

Análise das alternativas

A) Expõe a visão comum que será refutada. B) É um exemplo. C) É pergunta que sugere a ideia, sem afirmá-la. D) É um argumento por analogia.

Referência: Claudio de Moura Castro, 'A arte da improvisação'.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Argumentação

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: A arte da improvisação

Quem não admira um ator cujas improvisações fluem com espontaneidade? Ou um conferencista com ideias que borbulham ao sabor do momento e de sua inspiração? Assisti a uma conferência do Amyr Klink. No princípio, ele nem sabia bem o que iria dizer, mas, ao cabo de alguns minutos, as ideias magicamente se juntaram, compondo uma apresentação brilhante. Nossa cultura valoriza as artes da improvisação, seja no palco, seja nos repentistas do Nordeste, seja nas salas de aula. Genial é aquilo que brota da mente criativa, sem as peias do ensaio e da preparação exaustiva. Só que não é bem assim. A arte da improvisação é uma farsa. Os mais notáveis improvisadores são os que mais se preparam. Amyr Klink planeja detalhadamente as suas expedições e ensina isso a executivos. Será que a aparência de improvisação não seria parte da preparação e do charme?

Os cômicos e os repentistas improvisam sobre linhas que já praticaram. Como disse sua filha, para Fernanda Montenegro, "memorizar uma obra é um ato de loucura, uma luta bestial... é no cansaço e na repetição... que se atinge a tão cobiçada mestria". Marx levou dez anos burilando a forma literária de O Capital. Durante a guerra, De Gaulle falava pelo rádio para o povo francês. Poderia ler o discurso, quem iria saber? Mas não, era todo decorado, para parecer mais espontâneo. Há uma escola de pintura chinesa em que os quadros são pintados em poucos minutos. Mas, para isso, é preciso praticar por décadas a fio.

Na educação, é a mesma coisa. Richard Feynman, prêmio Nobel de Física, foi um dos homens mais versáteis e brilhantes do século XX. Em suas memórias, descreve o trabalho exaustivo requerido para preparar suas aulas e encontrar bons exemplos e exercícios. Para seu livro (Aula Nota 10), Doug Lemov observou metodicamente como agem os professores americanos mais eficazes do ensino básico. Concluiu que os mestres geniais preparam minuciosamente as suas aulas. Relatos de bons professores brasileiros mostram o mesmo. Esses exemplos contradizem uma seita pedagógica que prega um ensino cujas aulas são "criadas" pelos professores e vocifera contra os livros-texto, passo a passo, que escravizariam o mestre a um script pré-empacotado. O pior dos crimes são cursos que ensinam a usar os livros. Os inimigos prediletos dessa seita são os chamados "sistemas de ensino", operados pelos sinistros "apostiladores". Não obstante, pesquisas recentes indicam claramente que, nos municípios em que foram adotados tais sistemas, os alunos estão meio ano à frente dos que não os adotaram.

Pensemos bem, os comandantes de aviões Boeing fazem cursos para pilotar o Airbus (ou vice-versa) empregando os detalhadíssimos manuais da fábrica. Se pilotos experientes precisam aprender a manejar os novos equipamentos, por que os professores não teriam de aprender a usar os novos livros? Na verdade, sólida pesquisa mostra que os alunos aprendem mais quando os professores foram instruídos nas artes de utilizar os livros adotados. De duas uma, ou a improvisação é a crença em uma teoria pedagógica totalmente equivocada, ou é a desculpa esfarrapada dos malandros. Sabemos com segurança: quanto mais planejada a aula, mais os alunos aprendem. E, para bem planejar, nada como usar as melhores práticas, acumuladas ao longo dos anos. Pouquíssimos têm ou vocação ou tempo para inventar boas aulas.

Vendo a questão de outro ângulo, a partir da Revolução Industrial, todo o processo produtivo se baseia na divisão de trabalho, para que cada etapa seja feita por quem melhor dominou as suas artes. No caso da educação, alguns são melhores para buscar as maneiras mais eficazes de ensinar, seja regra de três, concordância ou circuitos elétricos. Alguém saberá fazer as melhores ilustrações ou PowerPoints. Sendo difícil preparar provas que puxem pelo intelecto, e não pela decoreba, esse é trabalho para profissionais de testes. Ao contrário do que se pensa, tudo isso pode ser feito por outrem, sem engessar o ensino. Nesse caso, o que mediocriza o ensino são as perguntas improvisadas, que acabam por requerer apenas dotes de memória. Perguntas e exercícios bem concebidos, pelo contrário, podem dar asas à imaginação.

Em suma, quanto melhores e mais detalhados os materiais disponíveis, mais o professor pode se preparar para o momento da aula, ajudando a afastar o Brasil de um ensino catastrófico. E, no fundo, a aula é o elo mais nobre e crítico do processo de ensino.
(Claudio de Moura Castro. Veja, 12/01/2011. p. 24.)

Em que opção existe uma interferência discursiva explícita do autor?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

'Pensemos bem' é um convite explícito ao leitor.

A forma verbal na 1ª pessoa do plural ('Pensemos') marca a presença do autor no discurso e convoca o leitor à reflexão. Essa é uma interferência discursiva explícita.

Análise das alternativas

A) 'Ao contrário do que se pensa' é referência impessoal. C), D) e E) São afirmações em 3ª pessoa, sem marca explícita de intervenção do autor.

Referência: Claudio de Moura Castro, 'A arte da improvisação'.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Diretoria de Ensino da Marinha 2011 Superior

Marinha do Brasil · Quadro Técnico do Corpo Auxiliar da Marinha — Letras (Língua Portuguesa) · Caderno Amarela

Gabarito disponível

Texto-base: A arte da improvisação

Quem não admira um ator cujas improvisações fluem com espontaneidade? Ou um conferencista com ideias que borbulham ao sabor do momento e de sua inspiração? Assisti a uma conferência do Amyr Klink. No princípio, ele nem sabia bem o que iria dizer, mas, ao cabo de alguns minutos, as ideias magicamente se juntaram, compondo uma apresentação brilhante. Nossa cultura valoriza as artes da improvisação, seja no palco, seja nos repentistas do Nordeste, seja nas salas de aula. Genial é aquilo que brota da mente criativa, sem as peias do ensaio e da preparação exaustiva. Só que não é bem assim. A arte da improvisação é uma farsa. Os mais notáveis improvisadores são os que mais se preparam. Amyr Klink planeja detalhadamente as suas expedições e ensina isso a executivos. Será que a aparência de improvisação não seria parte da preparação e do charme?

Os cômicos e os repentistas improvisam sobre linhas que já praticaram. Como disse sua filha, para Fernanda Montenegro, "memorizar uma obra é um ato de loucura, uma luta bestial... é no cansaço e na repetição... que se atinge a tão cobiçada mestria". Marx levou dez anos burilando a forma literária de O Capital. Durante a guerra, De Gaulle falava pelo rádio para o povo francês. Poderia ler o discurso, quem iria saber? Mas não, era todo decorado, para parecer mais espontâneo. Há uma escola de pintura chinesa em que os quadros são pintados em poucos minutos. Mas, para isso, é preciso praticar por décadas a fio.

Na educação, é a mesma coisa. Richard Feynman, prêmio Nobel de Física, foi um dos homens mais versáteis e brilhantes do século XX. Em suas memórias, descreve o trabalho exaustivo requerido para preparar suas aulas e encontrar bons exemplos e exercícios. Para seu livro (Aula Nota 10), Doug Lemov observou metodicamente como agem os professores americanos mais eficazes do ensino básico. Concluiu que os mestres geniais preparam minuciosamente as suas aulas. Relatos de bons professores brasileiros mostram o mesmo. Esses exemplos contradizem uma seita pedagógica que prega um ensino cujas aulas são "criadas" pelos professores e vocifera contra os livros-texto, passo a passo, que escravizariam o mestre a um script pré-empacotado. O pior dos crimes são cursos que ensinam a usar os livros. Os inimigos prediletos dessa seita são os chamados "sistemas de ensino", operados pelos sinistros "apostiladores". Não obstante, pesquisas recentes indicam claramente que, nos municípios em que foram adotados tais sistemas, os alunos estão meio ano à frente dos que não os adotaram.

Pensemos bem, os comandantes de aviões Boeing fazem cursos para pilotar o Airbus (ou vice-versa) empregando os detalhadíssimos manuais da fábrica. Se pilotos experientes precisam aprender a manejar os novos equipamentos, por que os professores não teriam de aprender a usar os novos livros? Na verdade, sólida pesquisa mostra que os alunos aprendem mais quando os professores foram instruídos nas artes de utilizar os livros adotados. De duas uma, ou a improvisação é a crença em uma teoria pedagógica totalmente equivocada, ou é a desculpa esfarrapada dos malandros. Sabemos com segurança: quanto mais planejada a aula, mais os alunos aprendem. E, para bem planejar, nada como usar as melhores práticas, acumuladas ao longo dos anos. Pouquíssimos têm ou vocação ou tempo para inventar boas aulas.

Vendo a questão de outro ângulo, a partir da Revolução Industrial, todo o processo produtivo se baseia na divisão de trabalho, para que cada etapa seja feita por quem melhor dominou as suas artes. No caso da educação, alguns são melhores para buscar as maneiras mais eficazes de ensinar, seja regra de três, concordância ou circuitos elétricos. Alguém saberá fazer as melhores ilustrações ou PowerPoints. Sendo difícil preparar provas que puxem pelo intelecto, e não pela decoreba, esse é trabalho para profissionais de testes. Ao contrário do que se pensa, tudo isso pode ser feito por outrem, sem engessar o ensino. Nesse caso, o que mediocriza o ensino são as perguntas improvisadas, que acabam por requerer apenas dotes de memória. Perguntas e exercícios bem concebidos, pelo contrário, podem dar asas à imaginação.

Em suma, quanto melhores e mais detalhados os materiais disponíveis, mais o professor pode se preparar para o momento da aula, ajudando a afastar o Brasil de um ensino catastrófico. E, no fundo, a aula é o elo mais nobre e crítico do processo de ensino.
(Claudio de Moura Castro. Veja, 12/01/2011. p. 24.)

Que opção encontra apoio no texto?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O autor desconstrói a ideia positiva da improvisação ao longo do texto.

Desde o primeiro parágrafo o autor afirma que 'a arte da improvisação é uma farsa' e mostra, com exemplos, que os grandes improvisadores são os que mais se preparam. Isso desconstrói a visão positiva da improvisação, chamada de falácia.

Análise das alternativas

A) Os 'apostiladores' são criticados pela seita, não pregam aulas 'criadas'. B) Os livros-texto não são vistos como cerceadores pelo autor. D) É a visão criticada, não a do autor. E) Quem leva à imaginação são as perguntas bem concebidas, e as improvisadas 'mediocrizam'.

Referência: Claudio de Moura Castro, 'A arte da improvisação'.

Resolução comentada do VaiConcursos.