← Voltar para a lista de provas Marinha do Brasil — Colégio Naval · Concurso Público de Admissão ao Colégio Naval (CPACN) 51 questões nesta prova · página 1 de 3 · 48 com gabarito Gabarito disponível Gabarito disponível Comparar escrever a pintar com palavras envolve linguagem sobre linguagem e o trabalho estético. A autora reflete sobre o próprio ato de escrever ('escrever não é pintar com palavras?'), o que é função metalinguística. Além disso, a imagem de 'pintar com palavras' trabalha a expressão de forma criativa, o que é função poética. B) A função fática busca manter o contato e a conativa influencia o interlocutor, e nenhuma predomina. C) A emotiva e a apelativa não são as predominantes. D) A fática não predomina. E) A emotiva e a referencial não explicam a reflexão sobre a própria escrita. Referência: Funções da linguagem (Jakobson). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Os temas possíveis da cronista vêm de sua própria vida. Os temas citados são experiências pessoais, como a desorganização, a dor que passa, a gripe e a saída à rua, e as reflexões sobre morte e amor. Logo, os temas estão inseridos em sua vida. A) A autora não valoriza a pintura em detrimento da escrita. B) Não há critérios lógicos de escolha, pois ela diz que os temas a impelem. D) O texto não afirma que os amantes buscam o oposto de si. E) Escrever não prescinde dos sentimentos. Referência: Clarice Lispector, 'Temas que morrem'. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Em E o 'que' é objeto direto; nos demais é sujeito. Em 'temas que jamais abordarei', o pronome relativo 'que' retoma 'temas' e é objeto direto de 'abordarei'. Nas demais opções, o 'que' é sujeito do verbo seguinte (se esgotaria, é, desencadeia, é). A) 'o que se esgotaria': 'que' é sujeito de 'se esgotaria'. B) 'que é necessária': sujeito de 'é'. C) 'que desencadeia': sujeito de 'desencadeia'. D) 'que é estranho': sujeito de 'é'. Referência: Pronome relativo e função sintática. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Em C há crase em 'bateu à porta' e 'ir à Saquarema'. 'Bater à porta' exige preposição 'a' mais artigo feminino 'a', logo crase. 'Ir à Saquarema das grandes ondas' também tem crase: o nome da cidade vem determinado por 'das grandes ondas', o que admite o artigo. As duas lacunas pedem acento grave. A) 'Refere-se a nenhuma' e 'dá a entender' não têm crase. B) 'À meia-noite' tem crase, mas 'suplicou a Santa Luzia' não tem artigo. D) 'Referência à própria' tem crase, mas 'pede a Iolanda' não tem artigo. E) 'Cara a cara' não tem crase, mas 'até a janela' admite crase facultativa, e a obrigatoriedade não ocorre nas duas. Referência: Uso do acento grave indicativo de crase. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Grupo de voluntários' admite verbo no singular ou no plural, como 'a maioria dos homens'. 'A maioria dos homens' é expressão partitiva (substantivo coletivo + especificador no plural), que admite concordância com o núcleo (singular) ou com o especificador (plural). O mesmo ocorre em 'aquele grupo de voluntários sai/saem', também coletivo com especificador plural. A) Com 'nenhum de vocês' o verbo fica no singular; o plural é desaconselhado. B) e C) Com porcentagem e fração a concordância é facultativa quando seguidas de especificador, mas o enunciado pede a mesma estrutura de coletivo partitivo; o gabarito oficial fixa a D. E) 'Já é/são 1h30min' tem concordância pela hora, e o plural é o usual, de modo que a variação não é do mesmo tipo. Referência: Concordância verbal com expressões partitivas e coletivos. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Ambas as cronistas partem do outro e da realidade vivida para obter assuntos. No texto I, os temas vêm da vida da autora, como a gripe, as pessoas na rua e a dor física, e ela procura pessoas que lhe darão a palavra-chave. No texto II, a autora escreve sobre a vida dos outros, as relações e a esperança de ser lida. Logo, para as duas, escrever pressupõe observar o outro e a realidade vivida. A) O texto I não fala de temas que devem aparecer em qualquer crônica. B) Não se afirma que sem tema inspirador não se produzem boas crônicas. C) Clarice é citada no texto II pela eternização, não pela morte como inspiração. E) Não há ideia de superioridade da literatura sobre outras artes. Referência: Clarice Lispector, 'Temas que morrem'; Martha Medeiros, 'Por que escrever?'. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Só I e IV estão corretas. I está certa: o último parágrafo enfatiza o poder da escrita (esperança, autoconhecimento, liberdade). IV está certa: o texto afirma que escrever ativa a esperança e que é pela liberdade que a autora escreve. II é falsa porque o texto diz que escrever dá exclusividade à solidão, não que diminui a dor dela. III é falsa porque a autora escreve justamente por não saber outras artes, ou seja, a escrita não depende delas. A) Inclui III, que é falsa. C) Inclui II e III, ambas falsas. D) Exclui IV, que é verdadeira. E) Considera só II, que é falsa. Referência: Martha Medeiros, 'Por que escrever?'. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Poder ser malvada e morrer e acordar ilesa mostra o caráter ficcional da literatura. A cronista afirma que na escrita pode ser malvada, matar e morrer e acordar ilesa na segunda-feira. Isso reforça que a literatura é um espaço de ficção, em que tudo é vivido sem consequências reais. A) Ocorre o oposto de compromisso com o real. B) Não se fala em imutabilidade de temas. C) A frase não trata de perigos ao artista, mas de segurança. D) Plurissignificação não é o ponto do trecho. Referência: Martha Medeiros, 'Por que escrever?'. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A autora conquistou liberdade e autoconhecimento por meio de seus textos. No último parágrafo, a autora diz que escrever revela o que permanece desconhecido nela e que se libertou do que a oprimia graças aos livros que leu e escreveu. Assim, infere-se que obteve liberdade e autoconhecimento com a escrita. A) Ela cita limitações em outras artes, mas de forma bem-humorada, e não admite falta de talento ou de vocação. B) Ela diz que teria dificuldade de decorar texto para peça, mas não que escreve para atores. C) Isso é apenas parte da lista de motivos e não é a conclusão do texto. D) Ela escreve para se relacionar melhor com a morte, mas não decidiu fazê-lo 'como Clarice'. Referência: Martha Medeiros, 'Por que escrever?'. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A repetição do 'se' condicional sugere outra forma de ensinar, pela beleza e pelo encantamento. O 'Se eu fosse ensinar...' abre hipóteses que propõem começar pela experiência da beleza (jardins, música, histórias) para que a criança peça depois a técnica. Isso sugere um outro modo de ensinar, que motiva a criança e gera amor ao saber. B) O foco não é dizer que cada educador tem seu método, mas propor um caminho específico. C) O texto não é sobre crianças do Brasil nem desaconselha educá-las. D) Não afirma que nada pode ser regra nem critica a educação tradicional como falha geral. E) Não há ironia contra quem tem muita teoria e pouca prática. Referência: Rubem Alves, 'Como ensinar'. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível A leitura permite conhecer mundos e sensações descritos nos textos. Ao dizer que pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e que depois passam a ser nossas, o autor sugere que a leitura é um passaporte para conhecer mundos e sensações surgidos no texto. O parágrafo ilustra isso com amores, batalhas e viagens ao passado e ao futuro. A) Fala de propriedade intelectual, o que o texto não aborda. C) O texto não trata de libertar leitor sofrido por inexperiência. D) Responsabilidade do autor pela interpretação não é discutida. E) Afirma que a aventura era exclusiva do autor, o que não consta no texto. Referência: Rubem Alves, 'Como ensinar'. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Filhos, como navios, não pertencem aos pais e têm direito à própria vida. A analogia entre filhos e navios indica que eles foram feitos para ir além da segurança do porto, isto é, da casa dos pais. Logo, os pais devem reconhecer que os filhos não lhes pertencem e têm o direito de viver por conta própria. A) Restringe a ideia a viajar pelo mundo, lendo literalmente a metáfora. B) Também é literal (viajar, sair do porto) e não expressa a ideia de autonomia de vida. C) Fala em 'suplantar inseguranças em detrimento do amadurecimento', o que não está no texto e inverte a relação. E) 'Abdicar do pátrio poder' é exagero jurídico e não está no texto. Referência: Içami Tiba, 'E os filhos são como navios...'. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A comparação explícita com 'como' caracteriza o símile. O autor compara os filhos aos navios por meio do conectivo comparativo 'como' ('os filhos são como navios'). Essa comparação explícita é o símile, também chamado de comparação. A) Eufemismo suaviza uma ideia desagradável, o que não ocorre. B) Na metáfora a identificação é direta, sem conectivo comparativo. C) Catacrese é metáfora já desgastada pelo uso, o que não se aplica. D) Metonímia troca um termo por outro por relação de proximidade, o que não ocorre. Referência: Figuras de linguagem: comparação (símile) x metáfora. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Frase D mantém o sentido de oposição e a pontuação padrão. O texto tem sentido adversativo (porto seguro x navios feitos para navegar). Em D, os dois-pontos introduzem a explicação, a vírgula antes de 'não obstante' (locução adversativa) está correta e não há vírgulas indevidas separando termos essenciais. A) 'entretanto' é adversativo, mas aparece entre vírgulas depois de outra vírgula, de modo que 'eles' fica isolado de forma inadequada. B) Vírgula separando sujeito do verbo e 'porquanto' é explicativo, o que altera o sentido. C) 'quando' altera o sentido e há vírgulas indevidas entre sujeito e verbo e entre verbo e complemento. E) Vírgulas indevidas separando termos essenciais e 'todavia' sem a pontuação adequada. Referência: Pontuação; conjunções adversativas e explicativas. Resolução comentada do VaiConcursos.CPACN 2024 — Colégio Naval — 2º Dia: Português, Estudos Sociais, Ciências e Redação — Prova Amarela
Texto I (questões 1 a 6)
Temas que morrem
Sinto em mim que há tantas coisas sobre o que escrever. Por que não? O que me impede? A exiguidade do tema, talvez, que faria com que este se esgotasse em uma palavra, em uma linha. Às vezes é o horror de tocar numa palavra que desencadeia milhares de outras, não desejadas, estas. No entanto, o impulso de escrever. O impulso puro - mesmo sem tema. Como se eu tivesse a tela, os pincéis e as cores - e me faltasse o grito de libertação, ou a mudez essencial que é necessária para que se digam essas coisas. Às vezes a minha mudez faz com que eu procure pessoas que, sem elas saberem, me darão a palavra-chave. Mas quem? quem me obriga a escrever? O mistério é esse: ninguém, e no entanto a força me impelindo.
Eu já quis escrever o que se esgotaria em uma linha. Por exemplo, sobre a experiência de ser desorganizada, e de repente a pequena febre de organização que me toma como a de uma antiga formiga. É como se o meu inconsciente coletivo fosse o de uma formiga.
Eu também queria escrever, e seriam duas ou três linhas, sobre quando uma dor física passa. De como o corpo agradecido, ainda arfando, vê a que ponto a alma é também o corpo.
E é como se eu fosse escrever um livro sobre a sensação que tive uma vez que passei vários dias em casa muito gripada - e quando saí fraca pela primeira vez à rua, havia sol cálido e gente na rua. E de como me veio uma exclamação entre infantil e adulta: ah, como os outros são bonitos! É que eu vinha do escuro meu para o claro que também descobria que era meu, é que eu vinha de uma solidão de pessoas para o ser humano que movia pernas e braços e tinha expressões de rosto.
[...]
E às vezes, por mais absurdo, acho lícito escrever assim: nunca se inventou nada além de morrer. E me acrescento: deve ser um gozo natural, o de morrer, pois faz parte essencial da natureza humana, animal e vegetal, e também as coisas morrem. E, como se houvesse ligação com essa descoberta, vem a outra óbvia e espantosa: nunca se inventou um modo diferente de amor de corpo que é estranho e cego. Cada um vai naturalmente em direção à reinvenção da cópia, que é absolutamente original quando realmente se ama. E de novo volta o assunto morrer. E vem a ideia de que, depois de morrer, não se vai ao paraíso, morrer é que é o paraíso.
A verdade é que simplesmente me faltou o dom para a minha verdadeira vocação: a de desenhar. Porque eu poderia, sem finalidade nenhuma, desenhar e pintar um grupo de formigas andando ou paradas - e sentir-me inteiramente realizada nesse trabalho. Ou desenharia linhas e linhas, uma cruzando a outra, e me sentiria toda concreta nessas linhas que os outros talvez chamassem de abstratas.
[...]
Também escreveria sobre rir do absurdo de minha condição. E ao mesmo tempo mostrar como ela é digna, e usar a palavra digna me faz rir de novo.
Eu falaria sobre frutas e frutos. Mas como quem pintasse com palavras. Aliás, verdadeiramente, escrever não é quase sempre pintar com palavras?
Ah, estou cheia de temas que jamais abordarei. Vivo deles, no entanto.
LISPECTOR, Clarice. In: Todas as crônicas. São Paulo: Rocco, 2018.
Coloque F (falso) ou V (verdadeiro) nas afirmativas abaixo, em relação às análises dos termos destacados. A seguir, assinale a opção correta.
( ) Haverá mudança na classificação sintática do termo destacado em "[...] havia sol cálido [...]." (4º§) se o período for reescrito da seguinte maneira: existia sol cálido.
( ) Em "[...] ah, como os outros são bonitos!" (4º§) e "O impulso puro - mesmo sem tema." (1º§), os adjetivos destacados caracterizam os sujeitos das orações a que se ligam.
( ) Os termos destacados em "Ah, estou cheia de temas que jamais abordarei." (9º§) e "A exiguidade do tema, talvez [...]." (1º§) completam a ideia dos nomes a que estão ligados.
( ) O predicado da oração "[...] saí fraca pela primeira vez à rua, [...]." (4º§) classifica-se como verbo-nominal, visto que há dois núcleos: um verbo significativo e um predicativo.
( ) Em "[...] depois de morrer, não se vai ao paraíso, [...]." (5º§) e "[...] pessoas que, [...], me darão a palavra-chave." (1º§), os termos destacados são complementos verbais.
Afirmativas com os termos destacados (sublinhados) conforme o original:
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Texto I (questões 1 a 6)
Temas que morrem
Sinto em mim que há tantas coisas sobre o que escrever. Por que não? O que me impede? A exiguidade do tema, talvez, que faria com que este se esgotasse em uma palavra, em uma linha. Às vezes é o horror de tocar numa palavra que desencadeia milhares de outras, não desejadas, estas. No entanto, o impulso de escrever. O impulso puro - mesmo sem tema. Como se eu tivesse a tela, os pincéis e as cores - e me faltasse o grito de libertação, ou a mudez essencial que é necessária para que se digam essas coisas. Às vezes a minha mudez faz com que eu procure pessoas que, sem elas saberem, me darão a palavra-chave. Mas quem? quem me obriga a escrever? O mistério é esse: ninguém, e no entanto a força me impelindo.
Eu já quis escrever o que se esgotaria em uma linha. Por exemplo, sobre a experiência de ser desorganizada, e de repente a pequena febre de organização que me toma como a de uma antiga formiga. É como se o meu inconsciente coletivo fosse o de uma formiga.
Eu também queria escrever, e seriam duas ou três linhas, sobre quando uma dor física passa. De como o corpo agradecido, ainda arfando, vê a que ponto a alma é também o corpo.
E é como se eu fosse escrever um livro sobre a sensação que tive uma vez que passei vários dias em casa muito gripada - e quando saí fraca pela primeira vez à rua, havia sol cálido e gente na rua. E de como me veio uma exclamação entre infantil e adulta: ah, como os outros são bonitos! É que eu vinha do escuro meu para o claro que também descobria que era meu, é que eu vinha de uma solidão de pessoas para o ser humano que movia pernas e braços e tinha expressões de rosto.
[...]
E às vezes, por mais absurdo, acho lícito escrever assim: nunca se inventou nada além de morrer. E me acrescento: deve ser um gozo natural, o de morrer, pois faz parte essencial da natureza humana, animal e vegetal, e também as coisas morrem. E, como se houvesse ligação com essa descoberta, vem a outra óbvia e espantosa: nunca se inventou um modo diferente de amor de corpo que é estranho e cego. Cada um vai naturalmente em direção à reinvenção da cópia, que é absolutamente original quando realmente se ama. E de novo volta o assunto morrer. E vem a ideia de que, depois de morrer, não se vai ao paraíso, morrer é que é o paraíso.
A verdade é que simplesmente me faltou o dom para a minha verdadeira vocação: a de desenhar. Porque eu poderia, sem finalidade nenhuma, desenhar e pintar um grupo de formigas andando ou paradas - e sentir-me inteiramente realizada nesse trabalho. Ou desenharia linhas e linhas, uma cruzando a outra, e me sentiria toda concreta nessas linhas que os outros talvez chamassem de abstratas.
[...]
Também escreveria sobre rir do absurdo de minha condição. E ao mesmo tempo mostrar como ela é digna, e usar a palavra digna me faz rir de novo.
Eu falaria sobre frutas e frutos. Mas como quem pintasse com palavras. Aliás, verdadeiramente, escrever não é quase sempre pintar com palavras?
Ah, estou cheia de temas que jamais abordarei. Vivo deles, no entanto.
LISPECTOR, Clarice. In: Todas as crônicas. São Paulo: Rocco, 2018.
Qual opção identifica corretamente as funções da linguagem predominantes em "Mas como quem pintasse com palavras. Aliás, verdadeiramente, escrever não é quase sempre pintar com palavras?" (8º§)?Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto I (questões 1 a 6)
Temas que morrem
Sinto em mim que há tantas coisas sobre o que escrever. Por que não? O que me impede? A exiguidade do tema, talvez, que faria com que este se esgotasse em uma palavra, em uma linha. Às vezes é o horror de tocar numa palavra que desencadeia milhares de outras, não desejadas, estas. No entanto, o impulso de escrever. O impulso puro - mesmo sem tema. Como se eu tivesse a tela, os pincéis e as cores - e me faltasse o grito de libertação, ou a mudez essencial que é necessária para que se digam essas coisas. Às vezes a minha mudez faz com que eu procure pessoas que, sem elas saberem, me darão a palavra-chave. Mas quem? quem me obriga a escrever? O mistério é esse: ninguém, e no entanto a força me impelindo.
Eu já quis escrever o que se esgotaria em uma linha. Por exemplo, sobre a experiência de ser desorganizada, e de repente a pequena febre de organização que me toma como a de uma antiga formiga. É como se o meu inconsciente coletivo fosse o de uma formiga.
Eu também queria escrever, e seriam duas ou três linhas, sobre quando uma dor física passa. De como o corpo agradecido, ainda arfando, vê a que ponto a alma é também o corpo.
E é como se eu fosse escrever um livro sobre a sensação que tive uma vez que passei vários dias em casa muito gripada - e quando saí fraca pela primeira vez à rua, havia sol cálido e gente na rua. E de como me veio uma exclamação entre infantil e adulta: ah, como os outros são bonitos! É que eu vinha do escuro meu para o claro que também descobria que era meu, é que eu vinha de uma solidão de pessoas para o ser humano que movia pernas e braços e tinha expressões de rosto.
[...]
E às vezes, por mais absurdo, acho lícito escrever assim: nunca se inventou nada além de morrer. E me acrescento: deve ser um gozo natural, o de morrer, pois faz parte essencial da natureza humana, animal e vegetal, e também as coisas morrem. E, como se houvesse ligação com essa descoberta, vem a outra óbvia e espantosa: nunca se inventou um modo diferente de amor de corpo que é estranho e cego. Cada um vai naturalmente em direção à reinvenção da cópia, que é absolutamente original quando realmente se ama. E de novo volta o assunto morrer. E vem a ideia de que, depois de morrer, não se vai ao paraíso, morrer é que é o paraíso.
A verdade é que simplesmente me faltou o dom para a minha verdadeira vocação: a de desenhar. Porque eu poderia, sem finalidade nenhuma, desenhar e pintar um grupo de formigas andando ou paradas - e sentir-me inteiramente realizada nesse trabalho. Ou desenharia linhas e linhas, uma cruzando a outra, e me sentiria toda concreta nessas linhas que os outros talvez chamassem de abstratas.
[...]
Também escreveria sobre rir do absurdo de minha condição. E ao mesmo tempo mostrar como ela é digna, e usar a palavra digna me faz rir de novo.
Eu falaria sobre frutas e frutos. Mas como quem pintasse com palavras. Aliás, verdadeiramente, escrever não é quase sempre pintar com palavras?
Ah, estou cheia de temas que jamais abordarei. Vivo deles, no entanto.
LISPECTOR, Clarice. In: Todas as crônicas. São Paulo: Rocco, 2018.
Assinale a opção que analisa corretamente as ideias expressas no texto I.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto I (questões 1 a 6)
Temas que morrem
Sinto em mim que há tantas coisas sobre o que escrever. Por que não? O que me impede? A exiguidade do tema, talvez, que faria com que este se esgotasse em uma palavra, em uma linha. Às vezes é o horror de tocar numa palavra que desencadeia milhares de outras, não desejadas, estas. No entanto, o impulso de escrever. O impulso puro - mesmo sem tema. Como se eu tivesse a tela, os pincéis e as cores - e me faltasse o grito de libertação, ou a mudez essencial que é necessária para que se digam essas coisas. Às vezes a minha mudez faz com que eu procure pessoas que, sem elas saberem, me darão a palavra-chave. Mas quem? quem me obriga a escrever? O mistério é esse: ninguém, e no entanto a força me impelindo.
Eu já quis escrever o que se esgotaria em uma linha. Por exemplo, sobre a experiência de ser desorganizada, e de repente a pequena febre de organização que me toma como a de uma antiga formiga. É como se o meu inconsciente coletivo fosse o de uma formiga.
Eu também queria escrever, e seriam duas ou três linhas, sobre quando uma dor física passa. De como o corpo agradecido, ainda arfando, vê a que ponto a alma é também o corpo.
E é como se eu fosse escrever um livro sobre a sensação que tive uma vez que passei vários dias em casa muito gripada - e quando saí fraca pela primeira vez à rua, havia sol cálido e gente na rua. E de como me veio uma exclamação entre infantil e adulta: ah, como os outros são bonitos! É que eu vinha do escuro meu para o claro que também descobria que era meu, é que eu vinha de uma solidão de pessoas para o ser humano que movia pernas e braços e tinha expressões de rosto.
[...]
E às vezes, por mais absurdo, acho lícito escrever assim: nunca se inventou nada além de morrer. E me acrescento: deve ser um gozo natural, o de morrer, pois faz parte essencial da natureza humana, animal e vegetal, e também as coisas morrem. E, como se houvesse ligação com essa descoberta, vem a outra óbvia e espantosa: nunca se inventou um modo diferente de amor de corpo que é estranho e cego. Cada um vai naturalmente em direção à reinvenção da cópia, que é absolutamente original quando realmente se ama. E de novo volta o assunto morrer. E vem a ideia de que, depois de morrer, não se vai ao paraíso, morrer é que é o paraíso.
A verdade é que simplesmente me faltou o dom para a minha verdadeira vocação: a de desenhar. Porque eu poderia, sem finalidade nenhuma, desenhar e pintar um grupo de formigas andando ou paradas - e sentir-me inteiramente realizada nesse trabalho. Ou desenharia linhas e linhas, uma cruzando a outra, e me sentiria toda concreta nessas linhas que os outros talvez chamassem de abstratas.
[...]
Também escreveria sobre rir do absurdo de minha condição. E ao mesmo tempo mostrar como ela é digna, e usar a palavra digna me faz rir de novo.
Eu falaria sobre frutas e frutos. Mas como quem pintasse com palavras. Aliás, verdadeiramente, escrever não é quase sempre pintar com palavras?
Ah, estou cheia de temas que jamais abordarei. Vivo deles, no entanto.
LISPECTOR, Clarice. In: Todas as crônicas. São Paulo: Rocco, 2018.
Assinale a opção na qual a colocação do vocábulo sublinhado pode ser proclítica ou enclítica.
Opções com os vocábulos sublinhados conforme o original:
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Texto I (questões 1 a 6)
Temas que morrem
Sinto em mim que há tantas coisas sobre o que escrever. Por que não? O que me impede? A exiguidade do tema, talvez, que faria com que este se esgotasse em uma palavra, em uma linha. Às vezes é o horror de tocar numa palavra que desencadeia milhares de outras, não desejadas, estas. No entanto, o impulso de escrever. O impulso puro - mesmo sem tema. Como se eu tivesse a tela, os pincéis e as cores - e me faltasse o grito de libertação, ou a mudez essencial que é necessária para que se digam essas coisas. Às vezes a minha mudez faz com que eu procure pessoas que, sem elas saberem, me darão a palavra-chave. Mas quem? quem me obriga a escrever? O mistério é esse: ninguém, e no entanto a força me impelindo.
Eu já quis escrever o que se esgotaria em uma linha. Por exemplo, sobre a experiência de ser desorganizada, e de repente a pequena febre de organização que me toma como a de uma antiga formiga. É como se o meu inconsciente coletivo fosse o de uma formiga.
Eu também queria escrever, e seriam duas ou três linhas, sobre quando uma dor física passa. De como o corpo agradecido, ainda arfando, vê a que ponto a alma é também o corpo.
E é como se eu fosse escrever um livro sobre a sensação que tive uma vez que passei vários dias em casa muito gripada - e quando saí fraca pela primeira vez à rua, havia sol cálido e gente na rua. E de como me veio uma exclamação entre infantil e adulta: ah, como os outros são bonitos! É que eu vinha do escuro meu para o claro que também descobria que era meu, é que eu vinha de uma solidão de pessoas para o ser humano que movia pernas e braços e tinha expressões de rosto.
[...]
E às vezes, por mais absurdo, acho lícito escrever assim: nunca se inventou nada além de morrer. E me acrescento: deve ser um gozo natural, o de morrer, pois faz parte essencial da natureza humana, animal e vegetal, e também as coisas morrem. E, como se houvesse ligação com essa descoberta, vem a outra óbvia e espantosa: nunca se inventou um modo diferente de amor de corpo que é estranho e cego. Cada um vai naturalmente em direção à reinvenção da cópia, que é absolutamente original quando realmente se ama. E de novo volta o assunto morrer. E vem a ideia de que, depois de morrer, não se vai ao paraíso, morrer é que é o paraíso.
A verdade é que simplesmente me faltou o dom para a minha verdadeira vocação: a de desenhar. Porque eu poderia, sem finalidade nenhuma, desenhar e pintar um grupo de formigas andando ou paradas - e sentir-me inteiramente realizada nesse trabalho. Ou desenharia linhas e linhas, uma cruzando a outra, e me sentiria toda concreta nessas linhas que os outros talvez chamassem de abstratas.
[...]
Também escreveria sobre rir do absurdo de minha condição. E ao mesmo tempo mostrar como ela é digna, e usar a palavra digna me faz rir de novo.
Eu falaria sobre frutas e frutos. Mas como quem pintasse com palavras. Aliás, verdadeiramente, escrever não é quase sempre pintar com palavras?
Ah, estou cheia de temas que jamais abordarei. Vivo deles, no entanto.
LISPECTOR, Clarice. In: Todas as crônicas. São Paulo: Rocco, 2018.
Em que opção a função sintática do pronome relativo é diferente das demais?Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto I (questões 1 a 6)
Temas que morrem
Sinto em mim que há tantas coisas sobre o que escrever. Por que não? O que me impede? A exiguidade do tema, talvez, que faria com que este se esgotasse em uma palavra, em uma linha. Às vezes é o horror de tocar numa palavra que desencadeia milhares de outras, não desejadas, estas. No entanto, o impulso de escrever. O impulso puro - mesmo sem tema. Como se eu tivesse a tela, os pincéis e as cores - e me faltasse o grito de libertação, ou a mudez essencial que é necessária para que se digam essas coisas. Às vezes a minha mudez faz com que eu procure pessoas que, sem elas saberem, me darão a palavra-chave. Mas quem? quem me obriga a escrever? O mistério é esse: ninguém, e no entanto a força me impelindo.
Eu já quis escrever o que se esgotaria em uma linha. Por exemplo, sobre a experiência de ser desorganizada, e de repente a pequena febre de organização que me toma como a de uma antiga formiga. É como se o meu inconsciente coletivo fosse o de uma formiga.
Eu também queria escrever, e seriam duas ou três linhas, sobre quando uma dor física passa. De como o corpo agradecido, ainda arfando, vê a que ponto a alma é também o corpo.
E é como se eu fosse escrever um livro sobre a sensação que tive uma vez que passei vários dias em casa muito gripada - e quando saí fraca pela primeira vez à rua, havia sol cálido e gente na rua. E de como me veio uma exclamação entre infantil e adulta: ah, como os outros são bonitos! É que eu vinha do escuro meu para o claro que também descobria que era meu, é que eu vinha de uma solidão de pessoas para o ser humano que movia pernas e braços e tinha expressões de rosto.
[...]
E às vezes, por mais absurdo, acho lícito escrever assim: nunca se inventou nada além de morrer. E me acrescento: deve ser um gozo natural, o de morrer, pois faz parte essencial da natureza humana, animal e vegetal, e também as coisas morrem. E, como se houvesse ligação com essa descoberta, vem a outra óbvia e espantosa: nunca se inventou um modo diferente de amor de corpo que é estranho e cego. Cada um vai naturalmente em direção à reinvenção da cópia, que é absolutamente original quando realmente se ama. E de novo volta o assunto morrer. E vem a ideia de que, depois de morrer, não se vai ao paraíso, morrer é que é o paraíso.
A verdade é que simplesmente me faltou o dom para a minha verdadeira vocação: a de desenhar. Porque eu poderia, sem finalidade nenhuma, desenhar e pintar um grupo de formigas andando ou paradas - e sentir-me inteiramente realizada nesse trabalho. Ou desenharia linhas e linhas, uma cruzando a outra, e me sentiria toda concreta nessas linhas que os outros talvez chamassem de abstratas.
[...]
Também escreveria sobre rir do absurdo de minha condição. E ao mesmo tempo mostrar como ela é digna, e usar a palavra digna me faz rir de novo.
Eu falaria sobre frutas e frutos. Mas como quem pintasse com palavras. Aliás, verdadeiramente, escrever não é quase sempre pintar com palavras?
Ah, estou cheia de temas que jamais abordarei. Vivo deles, no entanto.
LISPECTOR, Clarice. In: Todas as crônicas. São Paulo: Rocco, 2018.
No trecho "Cada um vai naturalmente em direção à reinvenção da cópia, que é absolutamente original quando realmente se ama." (5º§),o uso do acento grave é obrigatório. Assinale a opção na qual a mesma obrigatoriedade ocorre em ambas as lacunas.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto II (questões 7 a 12)
Por que escrever?
Escrevo para dar exclusividade à minha solidão. Para não parecer tão esquisita como pareceria se fosse uma solitária que não escreve. Escrevo para não desperdiçar a minha sinceridade. Sozinhos, somos mais sinceros do que quando socializamos. Escrevo para ficar quieta por mais tempo. Para não falar sobre a vida dos outros - escrever sobre eles dá menos problema. Escrevo porque não sei tocar guitarra, porque não aprendi a esculpir em madeira, porque meus glúteos são muito largos para o balé. Escrevo porque teria dificuldade de decorar o texto para uma peça, porque só sei desenhar uma casinha - e mal. Escrevo porque a literatura é uma arte discreta.
Escrevo porque não existe horário para começar, nem terminar, nem dia útil, nem dia inútil, nem ônibus para pegar, nem parada para descer, nem apito de fábrica, nem gerente, nem chefe (nem carteira assinada também, é o ônus). Escrevo porque gosto muito de ficar em casa. Nunca escrevo em quartos de hotéis, em trens, em espaços de coworking. Escrevo porque ninguém me acusa de estar me escondendo, mesmo que eu esteja. Escrevo porque dizem que a maioria dos homens não suporta mulheres que escrevem. Abençoo esta triagem. Só os corajosos me atraem.
Escrevo para me relacionar melhor com a morte. A morte não traz benefícios para quem fabrica guarda-chuvas, atende em consultórios ou limpa vidraças. Mas ela costuma ser generosa com escritores: inspira e, se você for uma Clarice Lispector, eterniza. Escrevo porque não é um trabalho de equipe. Escrevo para uma única pessoa: você, que ao me ler estará sozinho também (mesmo cercado de gente) e em silêncio. Prefiro relações a dois. Escrevo para dar voz às minhas feras, bruxas, demônios. Escrevo porque posso ser malvada, traidora, desaforada, matar e morrer - e acordar ilesa na segunda-feira. Escrevo para me consolar dos traumas de infância e para transformar as dores de amor em royalties - é uma compensação justa.
Escrevo porque escrever ativa a esperança. A esperança de ser lida, compreendida e amada. E a esperança de que meu texto sirva para fazer alguém se sentir menos estranho para si mesmo. Escrevo porque, se eu parecer louca, ninguém vai dar muita atenção. Periga até eu ganhar um prêmio. Escrevo porque enquanto estou escrevendo, estou lembrando. Escrevo porque nunca sei sobre o que irei escrever. É uma aventura constante revelar para mim mesma o que permanece desconhecido em mim. Em meu primeiro livro, ainda muito jovem, publiquei um verso que dizia: quanto mais escrava, mais escrevo. O tempo passou, me libertei de quase tudo o que me oprimia e devo isso a todos os livros que li, e aos meus. É por ela, a liberdade, que escrevo.
MEDEIROS, Martha. In: Revista Ela O Globo, 30 set. 2023.
Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/martha-medeiros/coluna/2023/09/por-que-escrever.ghtml
Coworking - termo inglês cujo significado é "trabalhando junto". Remete a um modelo em que trabalhadores de diferentes empresas compartilham espaços e recursos de escritório para realizarem atividades laborais.
Royalty - termo inglês cujo significado é "compensação ou parte do lucro paga ao detentor de um direito qualquer".
No trecho "Escrevo porque dizem que a maioria dos homens não suporta mulheres que escrevem." (2º§), existe um caso de concordância verbal que admite duas construções. Assinale a opção em que esse mesmo fenômeno gramatical acontece.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto I (questões 1 a 6)
Temas que morrem
Sinto em mim que há tantas coisas sobre o que escrever. Por que não? O que me impede? A exiguidade do tema, talvez, que faria com que este se esgotasse em uma palavra, em uma linha. Às vezes é o horror de tocar numa palavra que desencadeia milhares de outras, não desejadas, estas. No entanto, o impulso de escrever. O impulso puro - mesmo sem tema. Como se eu tivesse a tela, os pincéis e as cores - e me faltasse o grito de libertação, ou a mudez essencial que é necessária para que se digam essas coisas. Às vezes a minha mudez faz com que eu procure pessoas que, sem elas saberem, me darão a palavra-chave. Mas quem? quem me obriga a escrever? O mistério é esse: ninguém, e no entanto a força me impelindo.
Eu já quis escrever o que se esgotaria em uma linha. Por exemplo, sobre a experiência de ser desorganizada, e de repente a pequena febre de organização que me toma como a de uma antiga formiga. É como se o meu inconsciente coletivo fosse o de uma formiga.
Eu também queria escrever, e seriam duas ou três linhas, sobre quando uma dor física passa. De como o corpo agradecido, ainda arfando, vê a que ponto a alma é também o corpo.
E é como se eu fosse escrever um livro sobre a sensação que tive uma vez que passei vários dias em casa muito gripada - e quando saí fraca pela primeira vez à rua, havia sol cálido e gente na rua. E de como me veio uma exclamação entre infantil e adulta: ah, como os outros são bonitos! É que eu vinha do escuro meu para o claro que também descobria que era meu, é que eu vinha de uma solidão de pessoas para o ser humano que movia pernas e braços e tinha expressões de rosto.
[...]
E às vezes, por mais absurdo, acho lícito escrever assim: nunca se inventou nada além de morrer. E me acrescento: deve ser um gozo natural, o de morrer, pois faz parte essencial da natureza humana, animal e vegetal, e também as coisas morrem. E, como se houvesse ligação com essa descoberta, vem a outra óbvia e espantosa: nunca se inventou um modo diferente de amor de corpo que é estranho e cego. Cada um vai naturalmente em direção à reinvenção da cópia, que é absolutamente original quando realmente se ama. E de novo volta o assunto morrer. E vem a ideia de que, depois de morrer, não se vai ao paraíso, morrer é que é o paraíso.
A verdade é que simplesmente me faltou o dom para a minha verdadeira vocação: a de desenhar. Porque eu poderia, sem finalidade nenhuma, desenhar e pintar um grupo de formigas andando ou paradas - e sentir-me inteiramente realizada nesse trabalho. Ou desenharia linhas e linhas, uma cruzando a outra, e me sentiria toda concreta nessas linhas que os outros talvez chamassem de abstratas.
[...]
Também escreveria sobre rir do absurdo de minha condição. E ao mesmo tempo mostrar como ela é digna, e usar a palavra digna me faz rir de novo.
Eu falaria sobre frutas e frutos. Mas como quem pintasse com palavras. Aliás, verdadeiramente, escrever não é quase sempre pintar com palavras?
Ah, estou cheia de temas que jamais abordarei. Vivo deles, no entanto.
LISPECTOR, Clarice. In: Todas as crônicas. São Paulo: Rocco, 2018.
Texto II (questões 7 a 12)
Por que escrever?
Escrevo para dar exclusividade à minha solidão. Para não parecer tão esquisita como pareceria se fosse uma solitária que não escreve. Escrevo para não desperdiçar a minha sinceridade. Sozinhos, somos mais sinceros do que quando socializamos. Escrevo para ficar quieta por mais tempo. Para não falar sobre a vida dos outros - escrever sobre eles dá menos problema. Escrevo porque não sei tocar guitarra, porque não aprendi a esculpir em madeira, porque meus glúteos são muito largos para o balé. Escrevo porque teria dificuldade de decorar o texto para uma peça, porque só sei desenhar uma casinha - e mal. Escrevo porque a literatura é uma arte discreta.
Escrevo porque não existe horário para começar, nem terminar, nem dia útil, nem dia inútil, nem ônibus para pegar, nem parada para descer, nem apito de fábrica, nem gerente, nem chefe (nem carteira assinada também, é o ônus). Escrevo porque gosto muito de ficar em casa. Nunca escrevo em quartos de hotéis, em trens, em espaços de coworking. Escrevo porque ninguém me acusa de estar me escondendo, mesmo que eu esteja. Escrevo porque dizem que a maioria dos homens não suporta mulheres que escrevem. Abençoo esta triagem. Só os corajosos me atraem.
Escrevo para me relacionar melhor com a morte. A morte não traz benefícios para quem fabrica guarda-chuvas, atende em consultórios ou limpa vidraças. Mas ela costuma ser generosa com escritores: inspira e, se você for uma Clarice Lispector, eterniza. Escrevo porque não é um trabalho de equipe. Escrevo para uma única pessoa: você, que ao me ler estará sozinho também (mesmo cercado de gente) e em silêncio. Prefiro relações a dois. Escrevo para dar voz às minhas feras, bruxas, demônios. Escrevo porque posso ser malvada, traidora, desaforada, matar e morrer - e acordar ilesa na segunda-feira. Escrevo para me consolar dos traumas de infância e para transformar as dores de amor em royalties - é uma compensação justa.
Escrevo porque escrever ativa a esperança. A esperança de ser lida, compreendida e amada. E a esperança de que meu texto sirva para fazer alguém se sentir menos estranho para si mesmo. Escrevo porque, se eu parecer louca, ninguém vai dar muita atenção. Periga até eu ganhar um prêmio. Escrevo porque enquanto estou escrevendo, estou lembrando. Escrevo porque nunca sei sobre o que irei escrever. É uma aventura constante revelar para mim mesma o que permanece desconhecido em mim. Em meu primeiro livro, ainda muito jovem, publiquei um verso que dizia: quanto mais escrava, mais escrevo. O tempo passou, me libertei de quase tudo o que me oprimia e devo isso a todos os livros que li, e aos meus. É por ela, a liberdade, que escrevo.
MEDEIROS, Martha. In: Revista Ela O Globo, 30 set. 2023.
Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/martha-medeiros/coluna/2023/09/por-que-escrever.ghtml
Coworking - termo inglês cujo significado é "trabalhando junto". Remete a um modelo em que trabalhadores de diferentes empresas compartilham espaços e recursos de escritório para realizarem atividades laborais.
Royalty - termo inglês cujo significado é "compensação ou parte do lucro paga ao detentor de um direito qualquer".
Assinale a opção que analisa corretamente as ideias expressas nos textos I e II.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto II (questões 7 a 12)
Por que escrever?
Escrevo para dar exclusividade à minha solidão. Para não parecer tão esquisita como pareceria se fosse uma solitária que não escreve. Escrevo para não desperdiçar a minha sinceridade. Sozinhos, somos mais sinceros do que quando socializamos. Escrevo para ficar quieta por mais tempo. Para não falar sobre a vida dos outros - escrever sobre eles dá menos problema. Escrevo porque não sei tocar guitarra, porque não aprendi a esculpir em madeira, porque meus glúteos são muito largos para o balé. Escrevo porque teria dificuldade de decorar o texto para uma peça, porque só sei desenhar uma casinha - e mal. Escrevo porque a literatura é uma arte discreta.
Escrevo porque não existe horário para começar, nem terminar, nem dia útil, nem dia inútil, nem ônibus para pegar, nem parada para descer, nem apito de fábrica, nem gerente, nem chefe (nem carteira assinada também, é o ônus). Escrevo porque gosto muito de ficar em casa. Nunca escrevo em quartos de hotéis, em trens, em espaços de coworking. Escrevo porque ninguém me acusa de estar me escondendo, mesmo que eu esteja. Escrevo porque dizem que a maioria dos homens não suporta mulheres que escrevem. Abençoo esta triagem. Só os corajosos me atraem.
Escrevo para me relacionar melhor com a morte. A morte não traz benefícios para quem fabrica guarda-chuvas, atende em consultórios ou limpa vidraças. Mas ela costuma ser generosa com escritores: inspira e, se você for uma Clarice Lispector, eterniza. Escrevo porque não é um trabalho de equipe. Escrevo para uma única pessoa: você, que ao me ler estará sozinho também (mesmo cercado de gente) e em silêncio. Prefiro relações a dois. Escrevo para dar voz às minhas feras, bruxas, demônios. Escrevo porque posso ser malvada, traidora, desaforada, matar e morrer - e acordar ilesa na segunda-feira. Escrevo para me consolar dos traumas de infância e para transformar as dores de amor em royalties - é uma compensação justa.
Escrevo porque escrever ativa a esperança. A esperança de ser lida, compreendida e amada. E a esperança de que meu texto sirva para fazer alguém se sentir menos estranho para si mesmo. Escrevo porque, se eu parecer louca, ninguém vai dar muita atenção. Periga até eu ganhar um prêmio. Escrevo porque enquanto estou escrevendo, estou lembrando. Escrevo porque nunca sei sobre o que irei escrever. É uma aventura constante revelar para mim mesma o que permanece desconhecido em mim. Em meu primeiro livro, ainda muito jovem, publiquei um verso que dizia: quanto mais escrava, mais escrevo. O tempo passou, me libertei de quase tudo o que me oprimia e devo isso a todos os livros que li, e aos meus. É por ela, a liberdade, que escrevo.
MEDEIROS, Martha. In: Revista Ela O Globo, 30 set. 2023.
Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/martha-medeiros/coluna/2023/09/por-que-escrever.ghtml
Coworking - termo inglês cujo significado é "trabalhando junto". Remete a um modelo em que trabalhadores de diferentes empresas compartilham espaços e recursos de escritório para realizarem atividades laborais.
Royalty - termo inglês cujo significado é "compensação ou parte do lucro paga ao detentor de um direito qualquer".
Em que opção a análise do termo destacado está correta?
Opções com os termos destacados (sublinhados) conforme o original:
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Texto II (questões 7 a 12)
Por que escrever?
Escrevo para dar exclusividade à minha solidão. Para não parecer tão esquisita como pareceria se fosse uma solitária que não escreve. Escrevo para não desperdiçar a minha sinceridade. Sozinhos, somos mais sinceros do que quando socializamos. Escrevo para ficar quieta por mais tempo. Para não falar sobre a vida dos outros - escrever sobre eles dá menos problema. Escrevo porque não sei tocar guitarra, porque não aprendi a esculpir em madeira, porque meus glúteos são muito largos para o balé. Escrevo porque teria dificuldade de decorar o texto para uma peça, porque só sei desenhar uma casinha - e mal. Escrevo porque a literatura é uma arte discreta.
Escrevo porque não existe horário para começar, nem terminar, nem dia útil, nem dia inútil, nem ônibus para pegar, nem parada para descer, nem apito de fábrica, nem gerente, nem chefe (nem carteira assinada também, é o ônus). Escrevo porque gosto muito de ficar em casa. Nunca escrevo em quartos de hotéis, em trens, em espaços de coworking. Escrevo porque ninguém me acusa de estar me escondendo, mesmo que eu esteja. Escrevo porque dizem que a maioria dos homens não suporta mulheres que escrevem. Abençoo esta triagem. Só os corajosos me atraem.
Escrevo para me relacionar melhor com a morte. A morte não traz benefícios para quem fabrica guarda-chuvas, atende em consultórios ou limpa vidraças. Mas ela costuma ser generosa com escritores: inspira e, se você for uma Clarice Lispector, eterniza. Escrevo porque não é um trabalho de equipe. Escrevo para uma única pessoa: você, que ao me ler estará sozinho também (mesmo cercado de gente) e em silêncio. Prefiro relações a dois. Escrevo para dar voz às minhas feras, bruxas, demônios. Escrevo porque posso ser malvada, traidora, desaforada, matar e morrer - e acordar ilesa na segunda-feira. Escrevo para me consolar dos traumas de infância e para transformar as dores de amor em royalties - é uma compensação justa.
Escrevo porque escrever ativa a esperança. A esperança de ser lida, compreendida e amada. E a esperança de que meu texto sirva para fazer alguém se sentir menos estranho para si mesmo. Escrevo porque, se eu parecer louca, ninguém vai dar muita atenção. Periga até eu ganhar um prêmio. Escrevo porque enquanto estou escrevendo, estou lembrando. Escrevo porque nunca sei sobre o que irei escrever. É uma aventura constante revelar para mim mesma o que permanece desconhecido em mim. Em meu primeiro livro, ainda muito jovem, publiquei um verso que dizia: quanto mais escrava, mais escrevo. O tempo passou, me libertei de quase tudo o que me oprimia e devo isso a todos os livros que li, e aos meus. É por ela, a liberdade, que escrevo.
MEDEIROS, Martha. In: Revista Ela O Globo, 30 set. 2023.
Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/martha-medeiros/coluna/2023/09/por-que-escrever.ghtml
Coworking - termo inglês cujo significado é "trabalhando junto". Remete a um modelo em que trabalhadores de diferentes empresas compartilham espaços e recursos de escritório para realizarem atividades laborais.
Royalty - termo inglês cujo significado é "compensação ou parte do lucro paga ao detentor de um direito qualquer".
Analise as afirmativas abaixo acerca do texto II.
I- O poder da arte literária é enfatizado no último parágrafo do texto.
II- Segundo o texto, escrever diminui a dor da solidão e estimula a sinceridade.
III- Para a cronista, o ato de escrever depende de outras manifestações artísticas.
IV- O texto explicita o caráter libertário da escrita, a qual estimula a esperança.
Assinale a opção correta.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto II (questões 7 a 12)
Por que escrever?
Escrevo para dar exclusividade à minha solidão. Para não parecer tão esquisita como pareceria se fosse uma solitária que não escreve. Escrevo para não desperdiçar a minha sinceridade. Sozinhos, somos mais sinceros do que quando socializamos. Escrevo para ficar quieta por mais tempo. Para não falar sobre a vida dos outros - escrever sobre eles dá menos problema. Escrevo porque não sei tocar guitarra, porque não aprendi a esculpir em madeira, porque meus glúteos são muito largos para o balé. Escrevo porque teria dificuldade de decorar o texto para uma peça, porque só sei desenhar uma casinha - e mal. Escrevo porque a literatura é uma arte discreta.
Escrevo porque não existe horário para começar, nem terminar, nem dia útil, nem dia inútil, nem ônibus para pegar, nem parada para descer, nem apito de fábrica, nem gerente, nem chefe (nem carteira assinada também, é o ônus). Escrevo porque gosto muito de ficar em casa. Nunca escrevo em quartos de hotéis, em trens, em espaços de coworking. Escrevo porque ninguém me acusa de estar me escondendo, mesmo que eu esteja. Escrevo porque dizem que a maioria dos homens não suporta mulheres que escrevem. Abençoo esta triagem. Só os corajosos me atraem.
Escrevo para me relacionar melhor com a morte. A morte não traz benefícios para quem fabrica guarda-chuvas, atende em consultórios ou limpa vidraças. Mas ela costuma ser generosa com escritores: inspira e, se você for uma Clarice Lispector, eterniza. Escrevo porque não é um trabalho de equipe. Escrevo para uma única pessoa: você, que ao me ler estará sozinho também (mesmo cercado de gente) e em silêncio. Prefiro relações a dois. Escrevo para dar voz às minhas feras, bruxas, demônios. Escrevo porque posso ser malvada, traidora, desaforada, matar e morrer - e acordar ilesa na segunda-feira. Escrevo para me consolar dos traumas de infância e para transformar as dores de amor em royalties - é uma compensação justa.
Escrevo porque escrever ativa a esperança. A esperança de ser lida, compreendida e amada. E a esperança de que meu texto sirva para fazer alguém se sentir menos estranho para si mesmo. Escrevo porque, se eu parecer louca, ninguém vai dar muita atenção. Periga até eu ganhar um prêmio. Escrevo porque enquanto estou escrevendo, estou lembrando. Escrevo porque nunca sei sobre o que irei escrever. É uma aventura constante revelar para mim mesma o que permanece desconhecido em mim. Em meu primeiro livro, ainda muito jovem, publiquei um verso que dizia: quanto mais escrava, mais escrevo. O tempo passou, me libertei de quase tudo o que me oprimia e devo isso a todos os livros que li, e aos meus. É por ela, a liberdade, que escrevo.
MEDEIROS, Martha. In: Revista Ela O Globo, 30 set. 2023.
Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/martha-medeiros/coluna/2023/09/por-que-escrever.ghtml
Coworking - termo inglês cujo significado é "trabalhando junto". Remete a um modelo em que trabalhadores de diferentes empresas compartilham espaços e recursos de escritório para realizarem atividades laborais.
Royalty - termo inglês cujo significado é "compensação ou parte do lucro paga ao detentor de um direito qualquer".
Ao afirmar: "Escrevo porque posso ser malvada, traidora, desaforada, matar e morrer - e acordar ilesa na segunda-feira." (3º§), a cronista reitera:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto II (questões 7 a 12)
Por que escrever?
Escrevo para dar exclusividade à minha solidão. Para não parecer tão esquisita como pareceria se fosse uma solitária que não escreve. Escrevo para não desperdiçar a minha sinceridade. Sozinhos, somos mais sinceros do que quando socializamos. Escrevo para ficar quieta por mais tempo. Para não falar sobre a vida dos outros - escrever sobre eles dá menos problema. Escrevo porque não sei tocar guitarra, porque não aprendi a esculpir em madeira, porque meus glúteos são muito largos para o balé. Escrevo porque teria dificuldade de decorar o texto para uma peça, porque só sei desenhar uma casinha - e mal. Escrevo porque a literatura é uma arte discreta.
Escrevo porque não existe horário para começar, nem terminar, nem dia útil, nem dia inútil, nem ônibus para pegar, nem parada para descer, nem apito de fábrica, nem gerente, nem chefe (nem carteira assinada também, é o ônus). Escrevo porque gosto muito de ficar em casa. Nunca escrevo em quartos de hotéis, em trens, em espaços de coworking. Escrevo porque ninguém me acusa de estar me escondendo, mesmo que eu esteja. Escrevo porque dizem que a maioria dos homens não suporta mulheres que escrevem. Abençoo esta triagem. Só os corajosos me atraem.
Escrevo para me relacionar melhor com a morte. A morte não traz benefícios para quem fabrica guarda-chuvas, atende em consultórios ou limpa vidraças. Mas ela costuma ser generosa com escritores: inspira e, se você for uma Clarice Lispector, eterniza. Escrevo porque não é um trabalho de equipe. Escrevo para uma única pessoa: você, que ao me ler estará sozinho também (mesmo cercado de gente) e em silêncio. Prefiro relações a dois. Escrevo para dar voz às minhas feras, bruxas, demônios. Escrevo porque posso ser malvada, traidora, desaforada, matar e morrer - e acordar ilesa na segunda-feira. Escrevo para me consolar dos traumas de infância e para transformar as dores de amor em royalties - é uma compensação justa.
Escrevo porque escrever ativa a esperança. A esperança de ser lida, compreendida e amada. E a esperança de que meu texto sirva para fazer alguém se sentir menos estranho para si mesmo. Escrevo porque, se eu parecer louca, ninguém vai dar muita atenção. Periga até eu ganhar um prêmio. Escrevo porque enquanto estou escrevendo, estou lembrando. Escrevo porque nunca sei sobre o que irei escrever. É uma aventura constante revelar para mim mesma o que permanece desconhecido em mim. Em meu primeiro livro, ainda muito jovem, publiquei um verso que dizia: quanto mais escrava, mais escrevo. O tempo passou, me libertei de quase tudo o que me oprimia e devo isso a todos os livros que li, e aos meus. É por ela, a liberdade, que escrevo.
MEDEIROS, Martha. In: Revista Ela O Globo, 30 set. 2023.
Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/martha-medeiros/coluna/2023/09/por-que-escrever.ghtml
Coworking - termo inglês cujo significado é "trabalhando junto". Remete a um modelo em que trabalhadores de diferentes empresas compartilham espaços e recursos de escritório para realizarem atividades laborais.
Royalty - termo inglês cujo significado é "compensação ou parte do lucro paga ao detentor de um direito qualquer".
A autora ora se declara inapta ao exercício de diversas profissões, ora explicita vários motivos pelos quais escolheu a literatura. Assim, infere-se que ela:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto III (questões 13 a 17)
Como ensinar
Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.
Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.
Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí, então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em estórias.
É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda.
Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.
ALVES, Rubem.
Disponível em: https://www.revistaprosaversoearte.com/como-ensinar-uma-extraordinaria-cronica-de-rubem-alves/
Acesso em 24 nov. 2023 - adaptado.
O autor inicia os três primeiros parágrafos do texto III com uma conjunção subordinativa condicional. Qual a intenção dele com essa repetição?Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto III (questões 13 a 17)
Como ensinar
Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.
Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.
Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí, então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em estórias.
É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda.
Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.
ALVES, Rubem.
Disponível em: https://www.revistaprosaversoearte.com/como-ensinar-uma-extraordinaria-cronica-de-rubem-alves/
Acesso em 24 nov. 2023 - adaptado.
No trecho "[...] ela mesma me pediria que lhe ensinasse [...]." (2º§), a concordância do termo destacado está em conformidade com a norma-padrão da língua. Em qual opção isso também ocorre?
Trecho com o termo destacado (sublinhado) conforme o original:
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Texto III (questões 13 a 17)
Como ensinar
Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.
Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.
Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí, então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em estórias.
É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda.
Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.
ALVES, Rubem.
Disponível em: https://www.revistaprosaversoearte.com/como-ensinar-uma-extraordinaria-cronica-de-rubem-alves/
Acesso em 24 nov. 2023 - adaptado.
No trecho "Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas [...]." (4º§), infere-se que a leitura:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto III (questões 13 a 17)
Como ensinar
Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.
Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.
Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí, então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em estórias.
É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda.
Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.
ALVES, Rubem.
Disponível em: https://www.revistaprosaversoearte.com/como-ensinar-uma-extraordinaria-cronica-de-rubem-alves/
Acesso em 24 nov. 2023 - adaptado.
No trecho "Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí, então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em estórias." (3º§), os termos sublinhados têm, respectivamente, as seguintes funções sintáticas:
Trecho com os termos sublinhados conforme o original:
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Texto III (questões 13 a 17)
Como ensinar
Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.
Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.
Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí, então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em estórias.
É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda.
Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.
ALVES, Rubem.
Disponível em: https://www.revistaprosaversoearte.com/como-ensinar-uma-extraordinaria-cronica-de-rubem-alves/
Acesso em 24 nov. 2023 - adaptado.
Assinale a opção cuja redação está em conformidade com a gramática normativa quanto à regência e apresenta verbo com a mesma transitividade que a observada em "Lemos estórias de batalhas [...]." (4º§)
Enunciado e opções com os verbos sublinhados conforme o original:
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Texto IV (questões 18 a 20)
E os filhos são como navios...
A maior segurança para os navios pode estar no porto, mas eles foram construídos para singrar os mares.
Içami Tiba
Com base no texto IV, se os filhos, assim como os navios, foram feitos para singrar os mares, significa que os pais devem:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV (questões 18 a 20)
E os filhos são como navios...
A maior segurança para os navios pode estar no porto, mas eles foram construídos para singrar os mares.
Içami Tiba
Ao falar sobre os filhos, no texto IV, o autor utiliza uma figura de linguagem chamada:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV (questões 18 a 20)
E os filhos são como navios...
A maior segurança para os navios pode estar no porto, mas eles foram construídos para singrar os mares.
Içami Tiba
Assinale a opção na qual a frase mantém o sentido original do texto IV, e a pontuação está de acordo com a modalidade padrão da língua.Resolução comentada
Análise das alternativas
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