← Voltar para a lista de provas Marinha do Brasil · Aprendiz-Marinheiro (Concurso Público de Admissão às Escolas de Aprendizes-Marinheiros) 50 questões nesta prova · página 1 de 3 · 50 com gabarito Gabarito disponível Gabarito disponível Regência de "preferir": preferir A a B, sem "do que", "que" ou "à" com crase. O verbo preferir é transitivo direto e indireto: prefere-se algo (objeto direto) a outra coisa (objeto indireto, com a preposição "a"). A construção correta é "Prefiro ficar... a ter acesso...". A preposição "a" antes de verbo no infinitivo não recebe crase. A usa "muito mais" e "que", o que é inadequado com preferir. B usa "do que" e C usa "que", construções que a norma culta não aceita. D usa "antes" e "à" com crase, mas não há artigo antes de verbo. Referência: Regência verbal: verbo preferir. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível "Saint-Exupéry já era" porque foi substituído por outras leituras das misses. O texto explica a afirmação logo em seguida: "Agora as misses leem Paulo Coelho e Dan Brown. Mais recentemente, E. L. James." Ou seja, a obra de Saint-Exupéry foi substituída por outras referências contemporâneas, e essa justificativa aparece de forma explícita. A generaliza para "as crianças", o que o texto não diz. B e C são afirmações que o texto não apresenta e não são explícitas. E fala em critério editorial, algo que não aparece no texto. Referência: Interpretação de texto: informação explícita. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Metonímia: o autor pela obra (Paulo Coelho e Dan Brown). Em "as misses leem Paulo Coelho e Dan Brown", os nomes dos autores substituem suas obras, pois ninguém lê o autor, e sim os livros dele. Essa substituição do autor pela obra é a metonímia. A, B e C usam linguagem denotativa, sem substituição de um termo por outro. A comparação do item E ("como eu olharia um skinhead") é um símile, não uma metonímia. Em D há metonímia porque os autores aparecem no lugar de seus livros. Referência: Figuras de linguagem: metonímia (autor pela obra). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Função emotiva: opinião e posicionamento pessoal do locutor. A função emotiva (expressiva) centra-se no emissor, que manifesta sentimentos, opiniões e preferências subjetivas. Em "Prefiro ficar sem metade do meu salário...", o estudante expressa uma preferência pessoal e um juízo de valor sobre saúde e educação, com marcas de subjetividade (verbo "preferir" na 1ª pessoa). A, B e D apenas relatam fatos de forma objetiva, o que caracteriza a função referencial. C é uma fala de esclarecimento, também predominantemente informativa (referencial). Só E traz uma opinião pessoal do falante. Referência: Funções da linguagem (Roman Jakobson): função emotiva ou expressiva. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Vírgula que separa adjunto adverbial deslocado para o início da oração. Em “Com inveja, perguntava...”, o adjunto adverbial “Com inveja” vem antes do verbo e é separado por vírgula. Em “Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava...”, os adjuntos adverbiais de lugar também estão antepostos e separados por vírgula, a mesma regra. A) As vírgulas isolam termos explicativos (aposto/adjuntos adnominais deslocados) que caracterizam “inválidos”. C) Separam elementos de uma enumeração. D) Separa um complemento/adjunto posposto, com vírgula expressiva, sem ser adjunto anteposto. E) Marca a elipse/justaposição de orações ou termos, não adjunto antecipado. Referência: Pontuação: vírgula com adjunto adverbial deslocado. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O texto conta uma sequência de ações no tempo, com personagens: é narrativo. O texto apresenta personagens (os dois velhinhos), fatos encadeados no tempo (a morte do mais velho, a troca de lugar, a manhã seguinte), espaço e desfecho. Esses elementos caracterizam a narração. B) Não há ordens nem instruções ao leitor. C) Há descrições pontuais, mas elas servem à narrativa. D) Não há exposição de conceitos. E) Não há defesa de um ponto de vista por argumentos. Referência: Tipologia textual: narração. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Em B o sujeito “o primeiro” está explícito. Em “Deslumbrado, anunciava o primeiro”, o sujeito de “anunciava” é “o primeiro”, expresso na oração (sujeito posposto ao verbo). A) “perguntava” tem sujeito oculto (o outro velhinho). C) “Não dormiu” tem sujeito oculto (o segundo velhinho). D) “era dia” é oração sem sujeito, pois o verbo ser indica tempo. E) “Sentou-se” tem sujeito oculto. Referência: Sintaxe: sujeito expresso, oculto e inexistente. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível A resposta simples dos meninos mostra a lição simples sobre valorizar o que se tem e partilhar. A fala do menino (“nós jogamos com um pé calçado”) é uma resposta simples, que ressignifica a situação de forma positiva e carrega uma grande lição de generosidade e partilha. Isso confirma a ideia da avó e dialoga com o resto do texto, que valoriza o essencial. B é apenas uma sugestão do autor sobre as misses. C expressa uma opinião sobre impostos e serviços públicos, que não é a lição simples da avó. D e E, do Texto 2, mostram a inveja e a desconfiança do velhinho e a frustração final, e não uma lição simples. Referência: Interpretação de textos: relação entre textos e ideia central. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Traço: somar a_ii = 2i² − i para i de 1 a 5. Na diagonal, i = j, então a_ii = 2i² − i. Os valores são 1, 6, 15, 28 e 45, cuja soma é 95. A, B, C e D não coincidem com a soma 1+6+15+28+45. Por exemplo, 45 é só o último termo (a55). Referência: Matrizes: traço e lei de formação. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Paga-se 3 de 5 pacotes: desconto de 2/5 = 40%. De cada 5 pacotes, 2 saem de graça. O desconto é 2/5 = 0,4 = 40%. A (30%), C (50%), D (60%) e E (70%) não correspondem à fração 2/5. 60% seria a fração que se paga (3/5). Referência: Porcentagem. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A distância ao circuncentro é l/√3 ≈ 1,1 m. O ponto equidistante dos três vértices é o circuncentro, e R = l√3/3 = 2√3/3. Com √3 ≈ 1,7, R ≈ 3,4/3 ≈ 1,13 m, ou seja, aproximadamente 1,1 m. A, B, C e D (1,9, 1,7, 1,6 e 1,5) são maiores que o raio circunscrito de cerca de 1,15 m. 1,7 é o valor de √3, e 1,5 supera a altura de 1,7 apenas em 2/3 dela, ou seja, é incompatível. Referência: Geometria plana: triângulo equilátero, circunraio R = l√3/3. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Reescrever a fração como 1 − 2/(x+5). (x+3)/(x+5) = 1 − 2/(x+5). Como x ∈ ]−1, 2[, x+5 ∈ ]4, 7[, logo 2/(x+5) ∈ ]2/7, 1/2[. Então a fração está em ]1 − 1/2, 1 − 2/7[ = ]1/2, 5/7[. A, B, D e E apresentam intervalos que não coincidem com ]1/2, 5/7[. Em x = 0, por exemplo, a fração vale 3/5, que está em C e não em A, B nem E. Referência: Intervalos reais e desigualdades. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Volume do cilindro dividido pelo consumo diário. V = πr²h = 3 × 1,5² × 2 = 3 × 2,25 × 2 = 13,5 m³. Com consumo de 4,5 m³/dia, a água dura 13,5/4,5 = 3 dias. A, C, D e E não correspondem a 13,5 ÷ 4,5 = 3. Referência: Geometria espacial: volume do cilindro. Resolução comentada do VaiConcursos.Marinha do Brasil — CPAEAM 2024 — Português, Matemática, Ciências e Inglês — Prova Amarela
Texto 1 (questões de 01 a 10)
Os meninos de Porto Mosquito
José Eduardo Agualusa
O Benfica, clube português de que sou (vagamente) torcedor, divulgou neste Natal um breve vídeo sobre uma intervenção da Fundação Benfica numa pequena localidade do arquipélago de Cabo Verde, chamada Porto Mosquito. O futebolista Nuno Gomes foi a Porto Mosquito entregar uma dúzia de pares de chuteiras a meninos da comunidade. Numa primeira cena vemos os meninos a jogarem futebol, descalços, num campo pelado.
Numa segunda cena assistimos à alegria deles enquanto recebem as chuteiras, as calçam, e começam a jogar. Eis que chega, entretanto, um novo grupo de meninos, de pés nus sobre a poeira. Cada um dos primeiros descalça então uma das chuteiras, oferecendo-a aos segundos. Jogam todos eles com um pé calçado e outro descalço. Na cena final, Nuno Gomes pergunta a um dos meninos:
“Por que vocês jogam com um pé descalço?”
O menino olha-o, divertido:
“Não, amigo, nós jogamos com um pé calçado”.
O vídeo recordou-me um episódio antigo. Há muitos anos, durante a guerra civil em Angola, visitei uma fábrica de próteses situada numa pequena cidade, Viana, a poucos quilômetros de Luanda. Encontrei numa das salas um objeto estranho, que não faria má figura numa qualquer mostra de arte moderna. Era uma perna, ou algo com a forma de uma perna, agregando materiais diversos presos por arames e cintas de ferro, numa espécie de assemblage¹ cruel e desvairada. “Isto foi uma prótese” - elucidou-me um médico. Meses antes um camponês entrara na fábrica, pelo seu pé, mas mancando um pouco. Perdera uma perna no tempo colonial. Recebera uma prótese e regressara à aldeia remota onde vivia. Entretanto, vieram a independência e a guerra civil. Passaram-se décadas. O homem quebrara a prótese várias vezes, e, sem ninguém a quem recorrer, consertara-a ele mesmo com aquilo que tinha à mão. A prótese crescera em peso e em deformidades, até se transformar no que ali estava. “Ele vinha à procura de uma prótese nova” - contou-me o médico. - “Explicou-me que com aquela já não conseguia dançar.”
Nunca soube o nome daquele camponês, nunca o vi, mas penso sempre nele, em todas as festas de passagem de ano, enquanto cumpro a tradição de comer as doze uvas, uma por cada mês que virá, formulando doze desejos.
Embora nunca tenha compreendido muito bem qual a relação entre uvas e desejos, esforço-me por levar o desafio a sério. Supondo que os tais doze desejos me fossem realmente concedidos, o que poderia eu pedir? Num primeiro e fugaz instante a minha lista parece um inventário de compras de alguém que acabou de ganhar a loteria; logo a seguir, porém, penso naquele camponês que só queria uma prótese nova para poder voltar a dançar e a tal lista torna-se inquietantemente idêntica ao discurso de uma Miss Universo após receber a coroa: saúde para todos, justiça e a paz universal.
Talvez devêssemos prestar mais atenção à sabedoria das misses. Na obra filosófica de referência desta classe profissional (vamos chamar-lhe assim), obra que todas as misses citam quando lhes perguntam o que estão a ler, ou seja, O Pequeno Príncipe², de Antoine de Saint-Exupéry, está tudo dito: “o essencial é invisível aos olhos”. Um amigo, mais entendido em misses do que eu, assegurou-me que Saint-Exupéry já era. Agora as misses leem Paulo Coelho e Dan Brown. Mais recentemente, E. L. James. [...].
Já a minha avó, que nunca foi miss nem leu Saint-Exupéry, dizia que as melhores lições são as mais simples. Numa ocasião, após um debate em Estocolmo, com estudantes de literatura, achei-me no centro de uma outra discussão, muito mais viva e interessante, sobre as virtudes e defeitos da social-democracia nórdica. Irritado com a revolta (justíssima) de um dos estudantes, que visitara vários países de língua portuguesa e se mostrava chocado com a injustiça social em Angola e no Brasil, ironizei com os impostos altíssimos a que todo o mundo está sujeito na Suécia. Pensei, estupidamente, que, criticando os impostos, teria os estudantes do meu lado. Foi o contrário. Olharam-me, escandalizados, como eu olharia um skinhead³. Um deles explicou-me que o novo governo, de centro-direita, propusera, semanas antes, baixar os impostos, e que isso suscitara um vasto movimento de repulsa. “Prefiro ficar sem metade do meu salário”, assegurou-me um dos estudantes, "desde que isso signifique que, na Suécia, toda a gente tenha direito a bons sistemas de saúde e de educação."
Então, para 2016, vou repetir em conjunto com as misses: saúde para todos, justiça e a paz universal.
(O GLOBO. 4 de janeiro de 2016- Texto adaptado)
1. assemblage: junção; acoplamento
2. Livro infantil, clássico da Literatura Francesa, publicado em 1943. Enunciado completo: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
3. skinhead: traduzido do inglês, “cabeça raspada”, é uma subcultura originária dos jovens da classe operária no Reino Unido no final dos anos 1960 que, mais tarde, espalhou-se para o mundo.
Em “O Benfica, clube português de que sou (vagamente) torcedor [...]” (1º§), a relação da palavra destacada com o termo “Benfica” é de:
Reprodução do original com os termos destacados (sublinhados):
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Texto 1 (questões de 01 a 10)
Os meninos de Porto Mosquito
José Eduardo Agualusa
O Benfica, clube português de que sou (vagamente) torcedor, divulgou neste Natal um breve vídeo sobre uma intervenção da Fundação Benfica numa pequena localidade do arquipélago de Cabo Verde, chamada Porto Mosquito. O futebolista Nuno Gomes foi a Porto Mosquito entregar uma dúzia de pares de chuteiras a meninos da comunidade. Numa primeira cena vemos os meninos a jogarem futebol, descalços, num campo pelado.
Numa segunda cena assistimos à alegria deles enquanto recebem as chuteiras, as calçam, e começam a jogar. Eis que chega, entretanto, um novo grupo de meninos, de pés nus sobre a poeira. Cada um dos primeiros descalça então uma das chuteiras, oferecendo-a aos segundos. Jogam todos eles com um pé calçado e outro descalço. Na cena final, Nuno Gomes pergunta a um dos meninos:
“Por que vocês jogam com um pé descalço?”
O menino olha-o, divertido:
“Não, amigo, nós jogamos com um pé calçado”.
O vídeo recordou-me um episódio antigo. Há muitos anos, durante a guerra civil em Angola, visitei uma fábrica de próteses situada numa pequena cidade, Viana, a poucos quilômetros de Luanda. Encontrei numa das salas um objeto estranho, que não faria má figura numa qualquer mostra de arte moderna. Era uma perna, ou algo com a forma de uma perna, agregando materiais diversos presos por arames e cintas de ferro, numa espécie de assemblage¹ cruel e desvairada. “Isto foi uma prótese” - elucidou-me um médico. Meses antes um camponês entrara na fábrica, pelo seu pé, mas mancando um pouco. Perdera uma perna no tempo colonial. Recebera uma prótese e regressara à aldeia remota onde vivia. Entretanto, vieram a independência e a guerra civil. Passaram-se décadas. O homem quebrara a prótese várias vezes, e, sem ninguém a quem recorrer, consertara-a ele mesmo com aquilo que tinha à mão. A prótese crescera em peso e em deformidades, até se transformar no que ali estava. “Ele vinha à procura de uma prótese nova” - contou-me o médico. - “Explicou-me que com aquela já não conseguia dançar.”
Nunca soube o nome daquele camponês, nunca o vi, mas penso sempre nele, em todas as festas de passagem de ano, enquanto cumpro a tradição de comer as doze uvas, uma por cada mês que virá, formulando doze desejos.
Embora nunca tenha compreendido muito bem qual a relação entre uvas e desejos, esforço-me por levar o desafio a sério. Supondo que os tais doze desejos me fossem realmente concedidos, o que poderia eu pedir? Num primeiro e fugaz instante a minha lista parece um inventário de compras de alguém que acabou de ganhar a loteria; logo a seguir, porém, penso naquele camponês que só queria uma prótese nova para poder voltar a dançar e a tal lista torna-se inquietantemente idêntica ao discurso de uma Miss Universo após receber a coroa: saúde para todos, justiça e a paz universal.
Talvez devêssemos prestar mais atenção à sabedoria das misses. Na obra filosófica de referência desta classe profissional (vamos chamar-lhe assim), obra que todas as misses citam quando lhes perguntam o que estão a ler, ou seja, O Pequeno Príncipe², de Antoine de Saint-Exupéry, está tudo dito: “o essencial é invisível aos olhos”. Um amigo, mais entendido em misses do que eu, assegurou-me que Saint-Exupéry já era. Agora as misses leem Paulo Coelho e Dan Brown. Mais recentemente, E. L. James. [...].
Já a minha avó, que nunca foi miss nem leu Saint-Exupéry, dizia que as melhores lições são as mais simples. Numa ocasião, após um debate em Estocolmo, com estudantes de literatura, achei-me no centro de uma outra discussão, muito mais viva e interessante, sobre as virtudes e defeitos da social-democracia nórdica. Irritado com a revolta (justíssima) de um dos estudantes, que visitara vários países de língua portuguesa e se mostrava chocado com a injustiça social em Angola e no Brasil, ironizei com os impostos altíssimos a que todo o mundo está sujeito na Suécia. Pensei, estupidamente, que, criticando os impostos, teria os estudantes do meu lado. Foi o contrário. Olharam-me, escandalizados, como eu olharia um skinhead³. Um deles explicou-me que o novo governo, de centro-direita, propusera, semanas antes, baixar os impostos, e que isso suscitara um vasto movimento de repulsa. “Prefiro ficar sem metade do meu salário”, assegurou-me um dos estudantes, "desde que isso signifique que, na Suécia, toda a gente tenha direito a bons sistemas de saúde e de educação."
Então, para 2016, vou repetir em conjunto com as misses: saúde para todos, justiça e a paz universal.
(O GLOBO. 4 de janeiro de 2016- Texto adaptado)
1. assemblage: junção; acoplamento
2. Livro infantil, clássico da Literatura Francesa, publicado em 1943. Enunciado completo: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
3. skinhead: traduzido do inglês, “cabeça raspada”, é uma subcultura originária dos jovens da classe operária no Reino Unido no final dos anos 1960 que, mais tarde, espalhou-se para o mundo.
“Prefiro ficar sem metade do meu salário” (10º§). Ao acrescentar um complemento indireto na oração citada, qual construção fica de acordo com a norma culta?Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 1 (questões de 01 a 10)
Os meninos de Porto Mosquito
José Eduardo Agualusa
O Benfica, clube português de que sou (vagamente) torcedor, divulgou neste Natal um breve vídeo sobre uma intervenção da Fundação Benfica numa pequena localidade do arquipélago de Cabo Verde, chamada Porto Mosquito. O futebolista Nuno Gomes foi a Porto Mosquito entregar uma dúzia de pares de chuteiras a meninos da comunidade. Numa primeira cena vemos os meninos a jogarem futebol, descalços, num campo pelado.
Numa segunda cena assistimos à alegria deles enquanto recebem as chuteiras, as calçam, e começam a jogar. Eis que chega, entretanto, um novo grupo de meninos, de pés nus sobre a poeira. Cada um dos primeiros descalça então uma das chuteiras, oferecendo-a aos segundos. Jogam todos eles com um pé calçado e outro descalço. Na cena final, Nuno Gomes pergunta a um dos meninos:
“Por que vocês jogam com um pé descalço?”
O menino olha-o, divertido:
“Não, amigo, nós jogamos com um pé calçado”.
O vídeo recordou-me um episódio antigo. Há muitos anos, durante a guerra civil em Angola, visitei uma fábrica de próteses situada numa pequena cidade, Viana, a poucos quilômetros de Luanda. Encontrei numa das salas um objeto estranho, que não faria má figura numa qualquer mostra de arte moderna. Era uma perna, ou algo com a forma de uma perna, agregando materiais diversos presos por arames e cintas de ferro, numa espécie de assemblage¹ cruel e desvairada. “Isto foi uma prótese” - elucidou-me um médico. Meses antes um camponês entrara na fábrica, pelo seu pé, mas mancando um pouco. Perdera uma perna no tempo colonial. Recebera uma prótese e regressara à aldeia remota onde vivia. Entretanto, vieram a independência e a guerra civil. Passaram-se décadas. O homem quebrara a prótese várias vezes, e, sem ninguém a quem recorrer, consertara-a ele mesmo com aquilo que tinha à mão. A prótese crescera em peso e em deformidades, até se transformar no que ali estava. “Ele vinha à procura de uma prótese nova” - contou-me o médico. - “Explicou-me que com aquela já não conseguia dançar.”
Nunca soube o nome daquele camponês, nunca o vi, mas penso sempre nele, em todas as festas de passagem de ano, enquanto cumpro a tradição de comer as doze uvas, uma por cada mês que virá, formulando doze desejos.
Embora nunca tenha compreendido muito bem qual a relação entre uvas e desejos, esforço-me por levar o desafio a sério. Supondo que os tais doze desejos me fossem realmente concedidos, o que poderia eu pedir? Num primeiro e fugaz instante a minha lista parece um inventário de compras de alguém que acabou de ganhar a loteria; logo a seguir, porém, penso naquele camponês que só queria uma prótese nova para poder voltar a dançar e a tal lista torna-se inquietantemente idêntica ao discurso de uma Miss Universo após receber a coroa: saúde para todos, justiça e a paz universal.
Talvez devêssemos prestar mais atenção à sabedoria das misses. Na obra filosófica de referência desta classe profissional (vamos chamar-lhe assim), obra que todas as misses citam quando lhes perguntam o que estão a ler, ou seja, O Pequeno Príncipe², de Antoine de Saint-Exupéry, está tudo dito: “o essencial é invisível aos olhos”. Um amigo, mais entendido em misses do que eu, assegurou-me que Saint-Exupéry já era. Agora as misses leem Paulo Coelho e Dan Brown. Mais recentemente, E. L. James. [...].
Já a minha avó, que nunca foi miss nem leu Saint-Exupéry, dizia que as melhores lições são as mais simples. Numa ocasião, após um debate em Estocolmo, com estudantes de literatura, achei-me no centro de uma outra discussão, muito mais viva e interessante, sobre as virtudes e defeitos da social-democracia nórdica. Irritado com a revolta (justíssima) de um dos estudantes, que visitara vários países de língua portuguesa e se mostrava chocado com a injustiça social em Angola e no Brasil, ironizei com os impostos altíssimos a que todo o mundo está sujeito na Suécia. Pensei, estupidamente, que, criticando os impostos, teria os estudantes do meu lado. Foi o contrário. Olharam-me, escandalizados, como eu olharia um skinhead³. Um deles explicou-me que o novo governo, de centro-direita, propusera, semanas antes, baixar os impostos, e que isso suscitara um vasto movimento de repulsa. “Prefiro ficar sem metade do meu salário”, assegurou-me um dos estudantes, "desde que isso signifique que, na Suécia, toda a gente tenha direito a bons sistemas de saúde e de educação."
Então, para 2016, vou repetir em conjunto com as misses: saúde para todos, justiça e a paz universal.
(O GLOBO. 4 de janeiro de 2016- Texto adaptado)
1. assemblage: junção; acoplamento
2. Livro infantil, clássico da Literatura Francesa, publicado em 1943. Enunciado completo: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
3. skinhead: traduzido do inglês, “cabeça raspada”, é uma subcultura originária dos jovens da classe operária no Reino Unido no final dos anos 1960 que, mais tarde, espalhou-se para o mundo.
De acordo com o contexto apresentado pelo autor, assinale a opção que, explicitamente, justifica a seguinte afirmativa: “[...] Saint-Exupéry já era.” (9º§)Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 1 (questões de 01 a 10)
Os meninos de Porto Mosquito
José Eduardo Agualusa
O Benfica, clube português de que sou (vagamente) torcedor, divulgou neste Natal um breve vídeo sobre uma intervenção da Fundação Benfica numa pequena localidade do arquipélago de Cabo Verde, chamada Porto Mosquito. O futebolista Nuno Gomes foi a Porto Mosquito entregar uma dúzia de pares de chuteiras a meninos da comunidade. Numa primeira cena vemos os meninos a jogarem futebol, descalços, num campo pelado.
Numa segunda cena assistimos à alegria deles enquanto recebem as chuteiras, as calçam, e começam a jogar. Eis que chega, entretanto, um novo grupo de meninos, de pés nus sobre a poeira. Cada um dos primeiros descalça então uma das chuteiras, oferecendo-a aos segundos. Jogam todos eles com um pé calçado e outro descalço. Na cena final, Nuno Gomes pergunta a um dos meninos:
“Por que vocês jogam com um pé descalço?”
O menino olha-o, divertido:
“Não, amigo, nós jogamos com um pé calçado”.
O vídeo recordou-me um episódio antigo. Há muitos anos, durante a guerra civil em Angola, visitei uma fábrica de próteses situada numa pequena cidade, Viana, a poucos quilômetros de Luanda. Encontrei numa das salas um objeto estranho, que não faria má figura numa qualquer mostra de arte moderna. Era uma perna, ou algo com a forma de uma perna, agregando materiais diversos presos por arames e cintas de ferro, numa espécie de assemblage¹ cruel e desvairada. “Isto foi uma prótese” - elucidou-me um médico. Meses antes um camponês entrara na fábrica, pelo seu pé, mas mancando um pouco. Perdera uma perna no tempo colonial. Recebera uma prótese e regressara à aldeia remota onde vivia. Entretanto, vieram a independência e a guerra civil. Passaram-se décadas. O homem quebrara a prótese várias vezes, e, sem ninguém a quem recorrer, consertara-a ele mesmo com aquilo que tinha à mão. A prótese crescera em peso e em deformidades, até se transformar no que ali estava. “Ele vinha à procura de uma prótese nova” - contou-me o médico. - “Explicou-me que com aquela já não conseguia dançar.”
Nunca soube o nome daquele camponês, nunca o vi, mas penso sempre nele, em todas as festas de passagem de ano, enquanto cumpro a tradição de comer as doze uvas, uma por cada mês que virá, formulando doze desejos.
Embora nunca tenha compreendido muito bem qual a relação entre uvas e desejos, esforço-me por levar o desafio a sério. Supondo que os tais doze desejos me fossem realmente concedidos, o que poderia eu pedir? Num primeiro e fugaz instante a minha lista parece um inventário de compras de alguém que acabou de ganhar a loteria; logo a seguir, porém, penso naquele camponês que só queria uma prótese nova para poder voltar a dançar e a tal lista torna-se inquietantemente idêntica ao discurso de uma Miss Universo após receber a coroa: saúde para todos, justiça e a paz universal.
Talvez devêssemos prestar mais atenção à sabedoria das misses. Na obra filosófica de referência desta classe profissional (vamos chamar-lhe assim), obra que todas as misses citam quando lhes perguntam o que estão a ler, ou seja, O Pequeno Príncipe², de Antoine de Saint-Exupéry, está tudo dito: “o essencial é invisível aos olhos”. Um amigo, mais entendido em misses do que eu, assegurou-me que Saint-Exupéry já era. Agora as misses leem Paulo Coelho e Dan Brown. Mais recentemente, E. L. James. [...].
Já a minha avó, que nunca foi miss nem leu Saint-Exupéry, dizia que as melhores lições são as mais simples. Numa ocasião, após um debate em Estocolmo, com estudantes de literatura, achei-me no centro de uma outra discussão, muito mais viva e interessante, sobre as virtudes e defeitos da social-democracia nórdica. Irritado com a revolta (justíssima) de um dos estudantes, que visitara vários países de língua portuguesa e se mostrava chocado com a injustiça social em Angola e no Brasil, ironizei com os impostos altíssimos a que todo o mundo está sujeito na Suécia. Pensei, estupidamente, que, criticando os impostos, teria os estudantes do meu lado. Foi o contrário. Olharam-me, escandalizados, como eu olharia um skinhead³. Um deles explicou-me que o novo governo, de centro-direita, propusera, semanas antes, baixar os impostos, e que isso suscitara um vasto movimento de repulsa. “Prefiro ficar sem metade do meu salário”, assegurou-me um dos estudantes, "desde que isso signifique que, na Suécia, toda a gente tenha direito a bons sistemas de saúde e de educação."
Então, para 2016, vou repetir em conjunto com as misses: saúde para todos, justiça e a paz universal.
(O GLOBO. 4 de janeiro de 2016- Texto adaptado)
1. assemblage: junção; acoplamento
2. Livro infantil, clássico da Literatura Francesa, publicado em 1943. Enunciado completo: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
3. skinhead: traduzido do inglês, “cabeça raspada”, é uma subcultura originária dos jovens da classe operária no Reino Unido no final dos anos 1960 que, mais tarde, espalhou-se para o mundo.
Assinale a opção em que o numeral destacado foi empregado para se referir ao termo “meninos”, anteriormente citado no texto.
Reprodução do original com os termos destacados (sublinhados):
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Texto 1 (questões de 01 a 10)
Os meninos de Porto Mosquito
José Eduardo Agualusa
O Benfica, clube português de que sou (vagamente) torcedor, divulgou neste Natal um breve vídeo sobre uma intervenção da Fundação Benfica numa pequena localidade do arquipélago de Cabo Verde, chamada Porto Mosquito. O futebolista Nuno Gomes foi a Porto Mosquito entregar uma dúzia de pares de chuteiras a meninos da comunidade. Numa primeira cena vemos os meninos a jogarem futebol, descalços, num campo pelado.
Numa segunda cena assistimos à alegria deles enquanto recebem as chuteiras, as calçam, e começam a jogar. Eis que chega, entretanto, um novo grupo de meninos, de pés nus sobre a poeira. Cada um dos primeiros descalça então uma das chuteiras, oferecendo-a aos segundos. Jogam todos eles com um pé calçado e outro descalço. Na cena final, Nuno Gomes pergunta a um dos meninos:
“Por que vocês jogam com um pé descalço?”
O menino olha-o, divertido:
“Não, amigo, nós jogamos com um pé calçado”.
O vídeo recordou-me um episódio antigo. Há muitos anos, durante a guerra civil em Angola, visitei uma fábrica de próteses situada numa pequena cidade, Viana, a poucos quilômetros de Luanda. Encontrei numa das salas um objeto estranho, que não faria má figura numa qualquer mostra de arte moderna. Era uma perna, ou algo com a forma de uma perna, agregando materiais diversos presos por arames e cintas de ferro, numa espécie de assemblage¹ cruel e desvairada. “Isto foi uma prótese” - elucidou-me um médico. Meses antes um camponês entrara na fábrica, pelo seu pé, mas mancando um pouco. Perdera uma perna no tempo colonial. Recebera uma prótese e regressara à aldeia remota onde vivia. Entretanto, vieram a independência e a guerra civil. Passaram-se décadas. O homem quebrara a prótese várias vezes, e, sem ninguém a quem recorrer, consertara-a ele mesmo com aquilo que tinha à mão. A prótese crescera em peso e em deformidades, até se transformar no que ali estava. “Ele vinha à procura de uma prótese nova” - contou-me o médico. - “Explicou-me que com aquela já não conseguia dançar.”
Nunca soube o nome daquele camponês, nunca o vi, mas penso sempre nele, em todas as festas de passagem de ano, enquanto cumpro a tradição de comer as doze uvas, uma por cada mês que virá, formulando doze desejos.
Embora nunca tenha compreendido muito bem qual a relação entre uvas e desejos, esforço-me por levar o desafio a sério. Supondo que os tais doze desejos me fossem realmente concedidos, o que poderia eu pedir? Num primeiro e fugaz instante a minha lista parece um inventário de compras de alguém que acabou de ganhar a loteria; logo a seguir, porém, penso naquele camponês que só queria uma prótese nova para poder voltar a dançar e a tal lista torna-se inquietantemente idêntica ao discurso de uma Miss Universo após receber a coroa: saúde para todos, justiça e a paz universal.
Talvez devêssemos prestar mais atenção à sabedoria das misses. Na obra filosófica de referência desta classe profissional (vamos chamar-lhe assim), obra que todas as misses citam quando lhes perguntam o que estão a ler, ou seja, O Pequeno Príncipe², de Antoine de Saint-Exupéry, está tudo dito: “o essencial é invisível aos olhos”. Um amigo, mais entendido em misses do que eu, assegurou-me que Saint-Exupéry já era. Agora as misses leem Paulo Coelho e Dan Brown. Mais recentemente, E. L. James. [...].
Já a minha avó, que nunca foi miss nem leu Saint-Exupéry, dizia que as melhores lições são as mais simples. Numa ocasião, após um debate em Estocolmo, com estudantes de literatura, achei-me no centro de uma outra discussão, muito mais viva e interessante, sobre as virtudes e defeitos da social-democracia nórdica. Irritado com a revolta (justíssima) de um dos estudantes, que visitara vários países de língua portuguesa e se mostrava chocado com a injustiça social em Angola e no Brasil, ironizei com os impostos altíssimos a que todo o mundo está sujeito na Suécia. Pensei, estupidamente, que, criticando os impostos, teria os estudantes do meu lado. Foi o contrário. Olharam-me, escandalizados, como eu olharia um skinhead³. Um deles explicou-me que o novo governo, de centro-direita, propusera, semanas antes, baixar os impostos, e que isso suscitara um vasto movimento de repulsa. “Prefiro ficar sem metade do meu salário”, assegurou-me um dos estudantes, "desde que isso signifique que, na Suécia, toda a gente tenha direito a bons sistemas de saúde e de educação."
Então, para 2016, vou repetir em conjunto com as misses: saúde para todos, justiça e a paz universal.
(O GLOBO. 4 de janeiro de 2016- Texto adaptado)
1. assemblage: junção; acoplamento
2. Livro infantil, clássico da Literatura Francesa, publicado em 1943. Enunciado completo: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
3. skinhead: traduzido do inglês, “cabeça raspada”, é uma subcultura originária dos jovens da classe operária no Reino Unido no final dos anos 1960 que, mais tarde, espalhou-se para o mundo.
Assinale a opção em que os termos destacados apresentam-se no sentido figurado.
Reprodução do original com os termos destacados (sublinhados):
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Texto 1 (questões de 01 a 10)
Os meninos de Porto Mosquito
José Eduardo Agualusa
O Benfica, clube português de que sou (vagamente) torcedor, divulgou neste Natal um breve vídeo sobre uma intervenção da Fundação Benfica numa pequena localidade do arquipélago de Cabo Verde, chamada Porto Mosquito. O futebolista Nuno Gomes foi a Porto Mosquito entregar uma dúzia de pares de chuteiras a meninos da comunidade. Numa primeira cena vemos os meninos a jogarem futebol, descalços, num campo pelado.
Numa segunda cena assistimos à alegria deles enquanto recebem as chuteiras, as calçam, e começam a jogar. Eis que chega, entretanto, um novo grupo de meninos, de pés nus sobre a poeira. Cada um dos primeiros descalça então uma das chuteiras, oferecendo-a aos segundos. Jogam todos eles com um pé calçado e outro descalço. Na cena final, Nuno Gomes pergunta a um dos meninos:
“Por que vocês jogam com um pé descalço?”
O menino olha-o, divertido:
“Não, amigo, nós jogamos com um pé calçado”.
O vídeo recordou-me um episódio antigo. Há muitos anos, durante a guerra civil em Angola, visitei uma fábrica de próteses situada numa pequena cidade, Viana, a poucos quilômetros de Luanda. Encontrei numa das salas um objeto estranho, que não faria má figura numa qualquer mostra de arte moderna. Era uma perna, ou algo com a forma de uma perna, agregando materiais diversos presos por arames e cintas de ferro, numa espécie de assemblage¹ cruel e desvairada. “Isto foi uma prótese” - elucidou-me um médico. Meses antes um camponês entrara na fábrica, pelo seu pé, mas mancando um pouco. Perdera uma perna no tempo colonial. Recebera uma prótese e regressara à aldeia remota onde vivia. Entretanto, vieram a independência e a guerra civil. Passaram-se décadas. O homem quebrara a prótese várias vezes, e, sem ninguém a quem recorrer, consertara-a ele mesmo com aquilo que tinha à mão. A prótese crescera em peso e em deformidades, até se transformar no que ali estava. “Ele vinha à procura de uma prótese nova” - contou-me o médico. - “Explicou-me que com aquela já não conseguia dançar.”
Nunca soube o nome daquele camponês, nunca o vi, mas penso sempre nele, em todas as festas de passagem de ano, enquanto cumpro a tradição de comer as doze uvas, uma por cada mês que virá, formulando doze desejos.
Embora nunca tenha compreendido muito bem qual a relação entre uvas e desejos, esforço-me por levar o desafio a sério. Supondo que os tais doze desejos me fossem realmente concedidos, o que poderia eu pedir? Num primeiro e fugaz instante a minha lista parece um inventário de compras de alguém que acabou de ganhar a loteria; logo a seguir, porém, penso naquele camponês que só queria uma prótese nova para poder voltar a dançar e a tal lista torna-se inquietantemente idêntica ao discurso de uma Miss Universo após receber a coroa: saúde para todos, justiça e a paz universal.
Talvez devêssemos prestar mais atenção à sabedoria das misses. Na obra filosófica de referência desta classe profissional (vamos chamar-lhe assim), obra que todas as misses citam quando lhes perguntam o que estão a ler, ou seja, O Pequeno Príncipe², de Antoine de Saint-Exupéry, está tudo dito: “o essencial é invisível aos olhos”. Um amigo, mais entendido em misses do que eu, assegurou-me que Saint-Exupéry já era. Agora as misses leem Paulo Coelho e Dan Brown. Mais recentemente, E. L. James. [...].
Já a minha avó, que nunca foi miss nem leu Saint-Exupéry, dizia que as melhores lições são as mais simples. Numa ocasião, após um debate em Estocolmo, com estudantes de literatura, achei-me no centro de uma outra discussão, muito mais viva e interessante, sobre as virtudes e defeitos da social-democracia nórdica. Irritado com a revolta (justíssima) de um dos estudantes, que visitara vários países de língua portuguesa e se mostrava chocado com a injustiça social em Angola e no Brasil, ironizei com os impostos altíssimos a que todo o mundo está sujeito na Suécia. Pensei, estupidamente, que, criticando os impostos, teria os estudantes do meu lado. Foi o contrário. Olharam-me, escandalizados, como eu olharia um skinhead³. Um deles explicou-me que o novo governo, de centro-direita, propusera, semanas antes, baixar os impostos, e que isso suscitara um vasto movimento de repulsa. “Prefiro ficar sem metade do meu salário”, assegurou-me um dos estudantes, "desde que isso signifique que, na Suécia, toda a gente tenha direito a bons sistemas de saúde e de educação."
Então, para 2016, vou repetir em conjunto com as misses: saúde para todos, justiça e a paz universal.
(O GLOBO. 4 de janeiro de 2016- Texto adaptado)
1. assemblage: junção; acoplamento
2. Livro infantil, clássico da Literatura Francesa, publicado em 1943. Enunciado completo: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
3. skinhead: traduzido do inglês, “cabeça raspada”, é uma subcultura originária dos jovens da classe operária no Reino Unido no final dos anos 1960 que, mais tarde, espalhou-se para o mundo.
Assinale a opção em que o autor do texto fez uso da metonímia.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 1 (questões de 01 a 10)
Os meninos de Porto Mosquito
José Eduardo Agualusa
O Benfica, clube português de que sou (vagamente) torcedor, divulgou neste Natal um breve vídeo sobre uma intervenção da Fundação Benfica numa pequena localidade do arquipélago de Cabo Verde, chamada Porto Mosquito. O futebolista Nuno Gomes foi a Porto Mosquito entregar uma dúzia de pares de chuteiras a meninos da comunidade. Numa primeira cena vemos os meninos a jogarem futebol, descalços, num campo pelado.
Numa segunda cena assistimos à alegria deles enquanto recebem as chuteiras, as calçam, e começam a jogar. Eis que chega, entretanto, um novo grupo de meninos, de pés nus sobre a poeira. Cada um dos primeiros descalça então uma das chuteiras, oferecendo-a aos segundos. Jogam todos eles com um pé calçado e outro descalço. Na cena final, Nuno Gomes pergunta a um dos meninos:
“Por que vocês jogam com um pé descalço?”
O menino olha-o, divertido:
“Não, amigo, nós jogamos com um pé calçado”.
O vídeo recordou-me um episódio antigo. Há muitos anos, durante a guerra civil em Angola, visitei uma fábrica de próteses situada numa pequena cidade, Viana, a poucos quilômetros de Luanda. Encontrei numa das salas um objeto estranho, que não faria má figura numa qualquer mostra de arte moderna. Era uma perna, ou algo com a forma de uma perna, agregando materiais diversos presos por arames e cintas de ferro, numa espécie de assemblage¹ cruel e desvairada. “Isto foi uma prótese” - elucidou-me um médico. Meses antes um camponês entrara na fábrica, pelo seu pé, mas mancando um pouco. Perdera uma perna no tempo colonial. Recebera uma prótese e regressara à aldeia remota onde vivia. Entretanto, vieram a independência e a guerra civil. Passaram-se décadas. O homem quebrara a prótese várias vezes, e, sem ninguém a quem recorrer, consertara-a ele mesmo com aquilo que tinha à mão. A prótese crescera em peso e em deformidades, até se transformar no que ali estava. “Ele vinha à procura de uma prótese nova” - contou-me o médico. - “Explicou-me que com aquela já não conseguia dançar.”
Nunca soube o nome daquele camponês, nunca o vi, mas penso sempre nele, em todas as festas de passagem de ano, enquanto cumpro a tradição de comer as doze uvas, uma por cada mês que virá, formulando doze desejos.
Embora nunca tenha compreendido muito bem qual a relação entre uvas e desejos, esforço-me por levar o desafio a sério. Supondo que os tais doze desejos me fossem realmente concedidos, o que poderia eu pedir? Num primeiro e fugaz instante a minha lista parece um inventário de compras de alguém que acabou de ganhar a loteria; logo a seguir, porém, penso naquele camponês que só queria uma prótese nova para poder voltar a dançar e a tal lista torna-se inquietantemente idêntica ao discurso de uma Miss Universo após receber a coroa: saúde para todos, justiça e a paz universal.
Talvez devêssemos prestar mais atenção à sabedoria das misses. Na obra filosófica de referência desta classe profissional (vamos chamar-lhe assim), obra que todas as misses citam quando lhes perguntam o que estão a ler, ou seja, O Pequeno Príncipe², de Antoine de Saint-Exupéry, está tudo dito: “o essencial é invisível aos olhos”. Um amigo, mais entendido em misses do que eu, assegurou-me que Saint-Exupéry já era. Agora as misses leem Paulo Coelho e Dan Brown. Mais recentemente, E. L. James. [...].
Já a minha avó, que nunca foi miss nem leu Saint-Exupéry, dizia que as melhores lições são as mais simples. Numa ocasião, após um debate em Estocolmo, com estudantes de literatura, achei-me no centro de uma outra discussão, muito mais viva e interessante, sobre as virtudes e defeitos da social-democracia nórdica. Irritado com a revolta (justíssima) de um dos estudantes, que visitara vários países de língua portuguesa e se mostrava chocado com a injustiça social em Angola e no Brasil, ironizei com os impostos altíssimos a que todo o mundo está sujeito na Suécia. Pensei, estupidamente, que, criticando os impostos, teria os estudantes do meu lado. Foi o contrário. Olharam-me, escandalizados, como eu olharia um skinhead³. Um deles explicou-me que o novo governo, de centro-direita, propusera, semanas antes, baixar os impostos, e que isso suscitara um vasto movimento de repulsa. “Prefiro ficar sem metade do meu salário”, assegurou-me um dos estudantes, "desde que isso signifique que, na Suécia, toda a gente tenha direito a bons sistemas de saúde e de educação."
Então, para 2016, vou repetir em conjunto com as misses: saúde para todos, justiça e a paz universal.
(O GLOBO. 4 de janeiro de 2016- Texto adaptado)
1. assemblage: junção; acoplamento
2. Livro infantil, clássico da Literatura Francesa, publicado em 1943. Enunciado completo: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
3. skinhead: traduzido do inglês, “cabeça raspada”, é uma subcultura originária dos jovens da classe operária no Reino Unido no final dos anos 1960 que, mais tarde, espalhou-se para o mundo.
Assinale a opção que substitui o termo destacado em “O Benfica, clube português de que sou (vagamente) torcedor” (1º§), sem lhe alterar o sentido.
Reprodução do original com os termos destacados (sublinhados):
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Texto 1 (questões de 01 a 10)
Os meninos de Porto Mosquito
José Eduardo Agualusa
O Benfica, clube português de que sou (vagamente) torcedor, divulgou neste Natal um breve vídeo sobre uma intervenção da Fundação Benfica numa pequena localidade do arquipélago de Cabo Verde, chamada Porto Mosquito. O futebolista Nuno Gomes foi a Porto Mosquito entregar uma dúzia de pares de chuteiras a meninos da comunidade. Numa primeira cena vemos os meninos a jogarem futebol, descalços, num campo pelado.
Numa segunda cena assistimos à alegria deles enquanto recebem as chuteiras, as calçam, e começam a jogar. Eis que chega, entretanto, um novo grupo de meninos, de pés nus sobre a poeira. Cada um dos primeiros descalça então uma das chuteiras, oferecendo-a aos segundos. Jogam todos eles com um pé calçado e outro descalço. Na cena final, Nuno Gomes pergunta a um dos meninos:
“Por que vocês jogam com um pé descalço?”
O menino olha-o, divertido:
“Não, amigo, nós jogamos com um pé calçado”.
O vídeo recordou-me um episódio antigo. Há muitos anos, durante a guerra civil em Angola, visitei uma fábrica de próteses situada numa pequena cidade, Viana, a poucos quilômetros de Luanda. Encontrei numa das salas um objeto estranho, que não faria má figura numa qualquer mostra de arte moderna. Era uma perna, ou algo com a forma de uma perna, agregando materiais diversos presos por arames e cintas de ferro, numa espécie de assemblage¹ cruel e desvairada. “Isto foi uma prótese” - elucidou-me um médico. Meses antes um camponês entrara na fábrica, pelo seu pé, mas mancando um pouco. Perdera uma perna no tempo colonial. Recebera uma prótese e regressara à aldeia remota onde vivia. Entretanto, vieram a independência e a guerra civil. Passaram-se décadas. O homem quebrara a prótese várias vezes, e, sem ninguém a quem recorrer, consertara-a ele mesmo com aquilo que tinha à mão. A prótese crescera em peso e em deformidades, até se transformar no que ali estava. “Ele vinha à procura de uma prótese nova” - contou-me o médico. - “Explicou-me que com aquela já não conseguia dançar.”
Nunca soube o nome daquele camponês, nunca o vi, mas penso sempre nele, em todas as festas de passagem de ano, enquanto cumpro a tradição de comer as doze uvas, uma por cada mês que virá, formulando doze desejos.
Embora nunca tenha compreendido muito bem qual a relação entre uvas e desejos, esforço-me por levar o desafio a sério. Supondo que os tais doze desejos me fossem realmente concedidos, o que poderia eu pedir? Num primeiro e fugaz instante a minha lista parece um inventário de compras de alguém que acabou de ganhar a loteria; logo a seguir, porém, penso naquele camponês que só queria uma prótese nova para poder voltar a dançar e a tal lista torna-se inquietantemente idêntica ao discurso de uma Miss Universo após receber a coroa: saúde para todos, justiça e a paz universal.
Talvez devêssemos prestar mais atenção à sabedoria das misses. Na obra filosófica de referência desta classe profissional (vamos chamar-lhe assim), obra que todas as misses citam quando lhes perguntam o que estão a ler, ou seja, O Pequeno Príncipe², de Antoine de Saint-Exupéry, está tudo dito: “o essencial é invisível aos olhos”. Um amigo, mais entendido em misses do que eu, assegurou-me que Saint-Exupéry já era. Agora as misses leem Paulo Coelho e Dan Brown. Mais recentemente, E. L. James. [...].
Já a minha avó, que nunca foi miss nem leu Saint-Exupéry, dizia que as melhores lições são as mais simples. Numa ocasião, após um debate em Estocolmo, com estudantes de literatura, achei-me no centro de uma outra discussão, muito mais viva e interessante, sobre as virtudes e defeitos da social-democracia nórdica. Irritado com a revolta (justíssima) de um dos estudantes, que visitara vários países de língua portuguesa e se mostrava chocado com a injustiça social em Angola e no Brasil, ironizei com os impostos altíssimos a que todo o mundo está sujeito na Suécia. Pensei, estupidamente, que, criticando os impostos, teria os estudantes do meu lado. Foi o contrário. Olharam-me, escandalizados, como eu olharia um skinhead³. Um deles explicou-me que o novo governo, de centro-direita, propusera, semanas antes, baixar os impostos, e que isso suscitara um vasto movimento de repulsa. “Prefiro ficar sem metade do meu salário”, assegurou-me um dos estudantes, "desde que isso signifique que, na Suécia, toda a gente tenha direito a bons sistemas de saúde e de educação."
Então, para 2016, vou repetir em conjunto com as misses: saúde para todos, justiça e a paz universal.
(O GLOBO. 4 de janeiro de 2016- Texto adaptado)
1. assemblage: junção; acoplamento
2. Livro infantil, clássico da Literatura Francesa, publicado em 1943. Enunciado completo: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
3. skinhead: traduzido do inglês, “cabeça raspada”, é uma subcultura originária dos jovens da classe operária no Reino Unido no final dos anos 1960 que, mais tarde, espalhou-se para o mundo.
“Agora as misses leem Paulo Coelho” (9º§). Assim como no trecho citado, em qual opção está destacada uma palavra que perdeu o acento gráfico devido às novas regras de acentuação do Acordo Ortográfico vigente?
Reprodução do original com os termos destacados (sublinhados):
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Texto 1 (questões de 01 a 10)
Os meninos de Porto Mosquito
José Eduardo Agualusa
O Benfica, clube português de que sou (vagamente) torcedor, divulgou neste Natal um breve vídeo sobre uma intervenção da Fundação Benfica numa pequena localidade do arquipélago de Cabo Verde, chamada Porto Mosquito. O futebolista Nuno Gomes foi a Porto Mosquito entregar uma dúzia de pares de chuteiras a meninos da comunidade. Numa primeira cena vemos os meninos a jogarem futebol, descalços, num campo pelado.
Numa segunda cena assistimos à alegria deles enquanto recebem as chuteiras, as calçam, e começam a jogar. Eis que chega, entretanto, um novo grupo de meninos, de pés nus sobre a poeira. Cada um dos primeiros descalça então uma das chuteiras, oferecendo-a aos segundos. Jogam todos eles com um pé calçado e outro descalço. Na cena final, Nuno Gomes pergunta a um dos meninos:
“Por que vocês jogam com um pé descalço?”
O menino olha-o, divertido:
“Não, amigo, nós jogamos com um pé calçado”.
O vídeo recordou-me um episódio antigo. Há muitos anos, durante a guerra civil em Angola, visitei uma fábrica de próteses situada numa pequena cidade, Viana, a poucos quilômetros de Luanda. Encontrei numa das salas um objeto estranho, que não faria má figura numa qualquer mostra de arte moderna. Era uma perna, ou algo com a forma de uma perna, agregando materiais diversos presos por arames e cintas de ferro, numa espécie de assemblage¹ cruel e desvairada. “Isto foi uma prótese” - elucidou-me um médico. Meses antes um camponês entrara na fábrica, pelo seu pé, mas mancando um pouco. Perdera uma perna no tempo colonial. Recebera uma prótese e regressara à aldeia remota onde vivia. Entretanto, vieram a independência e a guerra civil. Passaram-se décadas. O homem quebrara a prótese várias vezes, e, sem ninguém a quem recorrer, consertara-a ele mesmo com aquilo que tinha à mão. A prótese crescera em peso e em deformidades, até se transformar no que ali estava. “Ele vinha à procura de uma prótese nova” - contou-me o médico. - “Explicou-me que com aquela já não conseguia dançar.”
Nunca soube o nome daquele camponês, nunca o vi, mas penso sempre nele, em todas as festas de passagem de ano, enquanto cumpro a tradição de comer as doze uvas, uma por cada mês que virá, formulando doze desejos.
Embora nunca tenha compreendido muito bem qual a relação entre uvas e desejos, esforço-me por levar o desafio a sério. Supondo que os tais doze desejos me fossem realmente concedidos, o que poderia eu pedir? Num primeiro e fugaz instante a minha lista parece um inventário de compras de alguém que acabou de ganhar a loteria; logo a seguir, porém, penso naquele camponês que só queria uma prótese nova para poder voltar a dançar e a tal lista torna-se inquietantemente idêntica ao discurso de uma Miss Universo após receber a coroa: saúde para todos, justiça e a paz universal.
Talvez devêssemos prestar mais atenção à sabedoria das misses. Na obra filosófica de referência desta classe profissional (vamos chamar-lhe assim), obra que todas as misses citam quando lhes perguntam o que estão a ler, ou seja, O Pequeno Príncipe², de Antoine de Saint-Exupéry, está tudo dito: “o essencial é invisível aos olhos”. Um amigo, mais entendido em misses do que eu, assegurou-me que Saint-Exupéry já era. Agora as misses leem Paulo Coelho e Dan Brown. Mais recentemente, E. L. James. [...].
Já a minha avó, que nunca foi miss nem leu Saint-Exupéry, dizia que as melhores lições são as mais simples. Numa ocasião, após um debate em Estocolmo, com estudantes de literatura, achei-me no centro de uma outra discussão, muito mais viva e interessante, sobre as virtudes e defeitos da social-democracia nórdica. Irritado com a revolta (justíssima) de um dos estudantes, que visitara vários países de língua portuguesa e se mostrava chocado com a injustiça social em Angola e no Brasil, ironizei com os impostos altíssimos a que todo o mundo está sujeito na Suécia. Pensei, estupidamente, que, criticando os impostos, teria os estudantes do meu lado. Foi o contrário. Olharam-me, escandalizados, como eu olharia um skinhead³. Um deles explicou-me que o novo governo, de centro-direita, propusera, semanas antes, baixar os impostos, e que isso suscitara um vasto movimento de repulsa. “Prefiro ficar sem metade do meu salário”, assegurou-me um dos estudantes, "desde que isso signifique que, na Suécia, toda a gente tenha direito a bons sistemas de saúde e de educação."
Então, para 2016, vou repetir em conjunto com as misses: saúde para todos, justiça e a paz universal.
(O GLOBO. 4 de janeiro de 2016- Texto adaptado)
1. assemblage: junção; acoplamento
2. Livro infantil, clássico da Literatura Francesa, publicado em 1943. Enunciado completo: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
3. skinhead: traduzido do inglês, “cabeça raspada”, é uma subcultura originária dos jovens da classe operária no Reino Unido no final dos anos 1960 que, mais tarde, espalhou-se para o mundo.
No trecho “Não, amigo, nós jogamos com um pé calçado” (5º§), observa-se, particularmente, a função emotiva na mensagem do menino, tendo em vista que ele emite uma opinião subjetiva, pessoal, da própria realidade em que vive. Assinale a opção cujo trecho também se destaca pela função emotiva na linguagem do locutor.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 1 (questões de 01 a 10)
Os meninos de Porto Mosquito
José Eduardo Agualusa
O Benfica, clube português de que sou (vagamente) torcedor, divulgou neste Natal um breve vídeo sobre uma intervenção da Fundação Benfica numa pequena localidade do arquipélago de Cabo Verde, chamada Porto Mosquito. O futebolista Nuno Gomes foi a Porto Mosquito entregar uma dúzia de pares de chuteiras a meninos da comunidade. Numa primeira cena vemos os meninos a jogarem futebol, descalços, num campo pelado.
Numa segunda cena assistimos à alegria deles enquanto recebem as chuteiras, as calçam, e começam a jogar. Eis que chega, entretanto, um novo grupo de meninos, de pés nus sobre a poeira. Cada um dos primeiros descalça então uma das chuteiras, oferecendo-a aos segundos. Jogam todos eles com um pé calçado e outro descalço. Na cena final, Nuno Gomes pergunta a um dos meninos:
“Por que vocês jogam com um pé descalço?”
O menino olha-o, divertido:
“Não, amigo, nós jogamos com um pé calçado”.
O vídeo recordou-me um episódio antigo. Há muitos anos, durante a guerra civil em Angola, visitei uma fábrica de próteses situada numa pequena cidade, Viana, a poucos quilômetros de Luanda. Encontrei numa das salas um objeto estranho, que não faria má figura numa qualquer mostra de arte moderna. Era uma perna, ou algo com a forma de uma perna, agregando materiais diversos presos por arames e cintas de ferro, numa espécie de assemblage¹ cruel e desvairada. “Isto foi uma prótese” - elucidou-me um médico. Meses antes um camponês entrara na fábrica, pelo seu pé, mas mancando um pouco. Perdera uma perna no tempo colonial. Recebera uma prótese e regressara à aldeia remota onde vivia. Entretanto, vieram a independência e a guerra civil. Passaram-se décadas. O homem quebrara a prótese várias vezes, e, sem ninguém a quem recorrer, consertara-a ele mesmo com aquilo que tinha à mão. A prótese crescera em peso e em deformidades, até se transformar no que ali estava. “Ele vinha à procura de uma prótese nova” - contou-me o médico. - “Explicou-me que com aquela já não conseguia dançar.”
Nunca soube o nome daquele camponês, nunca o vi, mas penso sempre nele, em todas as festas de passagem de ano, enquanto cumpro a tradição de comer as doze uvas, uma por cada mês que virá, formulando doze desejos.
Embora nunca tenha compreendido muito bem qual a relação entre uvas e desejos, esforço-me por levar o desafio a sério. Supondo que os tais doze desejos me fossem realmente concedidos, o que poderia eu pedir? Num primeiro e fugaz instante a minha lista parece um inventário de compras de alguém que acabou de ganhar a loteria; logo a seguir, porém, penso naquele camponês que só queria uma prótese nova para poder voltar a dançar e a tal lista torna-se inquietantemente idêntica ao discurso de uma Miss Universo após receber a coroa: saúde para todos, justiça e a paz universal.
Talvez devêssemos prestar mais atenção à sabedoria das misses. Na obra filosófica de referência desta classe profissional (vamos chamar-lhe assim), obra que todas as misses citam quando lhes perguntam o que estão a ler, ou seja, O Pequeno Príncipe², de Antoine de Saint-Exupéry, está tudo dito: “o essencial é invisível aos olhos”. Um amigo, mais entendido em misses do que eu, assegurou-me que Saint-Exupéry já era. Agora as misses leem Paulo Coelho e Dan Brown. Mais recentemente, E. L. James. [...].
Já a minha avó, que nunca foi miss nem leu Saint-Exupéry, dizia que as melhores lições são as mais simples. Numa ocasião, após um debate em Estocolmo, com estudantes de literatura, achei-me no centro de uma outra discussão, muito mais viva e interessante, sobre as virtudes e defeitos da social-democracia nórdica. Irritado com a revolta (justíssima) de um dos estudantes, que visitara vários países de língua portuguesa e se mostrava chocado com a injustiça social em Angola e no Brasil, ironizei com os impostos altíssimos a que todo o mundo está sujeito na Suécia. Pensei, estupidamente, que, criticando os impostos, teria os estudantes do meu lado. Foi o contrário. Olharam-me, escandalizados, como eu olharia um skinhead³. Um deles explicou-me que o novo governo, de centro-direita, propusera, semanas antes, baixar os impostos, e que isso suscitara um vasto movimento de repulsa. “Prefiro ficar sem metade do meu salário”, assegurou-me um dos estudantes, "desde que isso signifique que, na Suécia, toda a gente tenha direito a bons sistemas de saúde e de educação."
Então, para 2016, vou repetir em conjunto com as misses: saúde para todos, justiça e a paz universal.
(O GLOBO. 4 de janeiro de 2016- Texto adaptado)
1. assemblage: junção; acoplamento
2. Livro infantil, clássico da Literatura Francesa, publicado em 1943. Enunciado completo: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
3. skinhead: traduzido do inglês, “cabeça raspada”, é uma subcultura originária dos jovens da classe operária no Reino Unido no final dos anos 1960 que, mais tarde, espalhou-se para o mundo.
Leia atentamente os fragmentos abaixo.
“[...] idêntica ao discurso de uma Miss Universo [...]” (8§)
“Talvez devêssemos prestar mais atenção à sabedoria das misses”. (9§)
Reprodução do original com os termos destacados (sublinhados):
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A flexão de número dos substantivos a seguir também está de acordo com as regras gramaticais, EXCETO em:
Texto 2 (questões 11 a 14)
Dois velhinhos
Dalton Trevisan
Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo.
Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia olhar lá fora.
Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, perguntava o que acontecia. Deslumbrado, anunciava o primeiro:
- Um cachorro ergue a perninha no poste.
Mais tarde:
- Uma menina de vestido branco pulando corda.
Ou ainda:
- Agora é um enterro de luxo.
Sem nada ver, o amigo remordia-se no seu canto. O mais velho acabou morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela.
Não dormiu, antegozando a manhã. Bem desconfiava que o outro não revelava tudo.
Cochilou um instante - era dia. Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço: entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo.
TREVISAN, Dalton. Mistérios de Curitiba. 5ªed. Rio de Janeiro: Record, 1996.
Com base no Texto 02, analise a sentença abaixo.
“Com inveja, perguntava o que acontecia” (2º§).
Tendo em vista as regras de emprego das vírgulas, assinale a opção em que o emprego desse sinal de pontuação se justifica pela mesma regra aplicada no trecho anteriormente citado.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 2 (questões 11 a 14)
Dois velhinhos
Dalton Trevisan
Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo.
Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia olhar lá fora.
Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, perguntava o que acontecia. Deslumbrado, anunciava o primeiro:
- Um cachorro ergue a perninha no poste.
Mais tarde:
- Uma menina de vestido branco pulando corda.
Ou ainda:
- Agora é um enterro de luxo.
Sem nada ver, o amigo remordia-se no seu canto. O mais velho acabou morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela.
Não dormiu, antegozando a manhã. Bem desconfiava que o outro não revelava tudo.
Cochilou um instante - era dia. Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço: entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo.
TREVISAN, Dalton. Mistérios de Curitiba. 5ªed. Rio de Janeiro: Record, 1996.
Com relação à tipologia textual, é correto afirmar que o texto 2 é predominantemente:Resolução comentada
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Texto 2 (questões 11 a 14)
Dois velhinhos
Dalton Trevisan
Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo.
Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia olhar lá fora.
Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, perguntava o que acontecia. Deslumbrado, anunciava o primeiro:
- Um cachorro ergue a perninha no poste.
Mais tarde:
- Uma menina de vestido branco pulando corda.
Ou ainda:
- Agora é um enterro de luxo.
Sem nada ver, o amigo remordia-se no seu canto. O mais velho acabou morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela.
Não dormiu, antegozando a manhã. Bem desconfiava que o outro não revelava tudo.
Cochilou um instante - era dia. Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço: entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo.
TREVISAN, Dalton. Mistérios de Curitiba. 5ªed. Rio de Janeiro: Record, 1996.
Assinale a opção em que o sujeito está materialmente expresso na oração.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 2 (questões 11 a 14)
Dois velhinhos
Dalton Trevisan
Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo.
Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia olhar lá fora.
Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, perguntava o que acontecia. Deslumbrado, anunciava o primeiro:
- Um cachorro ergue a perninha no poste.
Mais tarde:
- Uma menina de vestido branco pulando corda.
Ou ainda:
- Agora é um enterro de luxo.
Sem nada ver, o amigo remordia-se no seu canto. O mais velho acabou morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela.
Não dormiu, antegozando a manhã. Bem desconfiava que o outro não revelava tudo.
Cochilou um instante - era dia. Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço: entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo.
TREVISAN, Dalton. Mistérios de Curitiba. 5ªed. Rio de Janeiro: Record, 1996.
Assinale a opção em que a mudança de posição do adjetivo em relação ao substantivo destacado resulta em alteração do sentido da expressão.
Reprodução do original com os termos destacados (sublinhados):
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Texto 1 (questões de 01 a 10)
Os meninos de Porto Mosquito
José Eduardo Agualusa
O Benfica, clube português de que sou (vagamente) torcedor, divulgou neste Natal um breve vídeo sobre uma intervenção da Fundação Benfica numa pequena localidade do arquipélago de Cabo Verde, chamada Porto Mosquito. O futebolista Nuno Gomes foi a Porto Mosquito entregar uma dúzia de pares de chuteiras a meninos da comunidade. Numa primeira cena vemos os meninos a jogarem futebol, descalços, num campo pelado.
Numa segunda cena assistimos à alegria deles enquanto recebem as chuteiras, as calçam, e começam a jogar. Eis que chega, entretanto, um novo grupo de meninos, de pés nus sobre a poeira. Cada um dos primeiros descalça então uma das chuteiras, oferecendo-a aos segundos. Jogam todos eles com um pé calçado e outro descalço. Na cena final, Nuno Gomes pergunta a um dos meninos:
“Por que vocês jogam com um pé descalço?”
O menino olha-o, divertido:
“Não, amigo, nós jogamos com um pé calçado”.
O vídeo recordou-me um episódio antigo. Há muitos anos, durante a guerra civil em Angola, visitei uma fábrica de próteses situada numa pequena cidade, Viana, a poucos quilômetros de Luanda. Encontrei numa das salas um objeto estranho, que não faria má figura numa qualquer mostra de arte moderna. Era uma perna, ou algo com a forma de uma perna, agregando materiais diversos presos por arames e cintas de ferro, numa espécie de assemblage¹ cruel e desvairada. “Isto foi uma prótese” - elucidou-me um médico. Meses antes um camponês entrara na fábrica, pelo seu pé, mas mancando um pouco. Perdera uma perna no tempo colonial. Recebera uma prótese e regressara à aldeia remota onde vivia. Entretanto, vieram a independência e a guerra civil. Passaram-se décadas. O homem quebrara a prótese várias vezes, e, sem ninguém a quem recorrer, consertara-a ele mesmo com aquilo que tinha à mão. A prótese crescera em peso e em deformidades, até se transformar no que ali estava. “Ele vinha à procura de uma prótese nova” - contou-me o médico. - “Explicou-me que com aquela já não conseguia dançar.”
Nunca soube o nome daquele camponês, nunca o vi, mas penso sempre nele, em todas as festas de passagem de ano, enquanto cumpro a tradição de comer as doze uvas, uma por cada mês que virá, formulando doze desejos.
Embora nunca tenha compreendido muito bem qual a relação entre uvas e desejos, esforço-me por levar o desafio a sério. Supondo que os tais doze desejos me fossem realmente concedidos, o que poderia eu pedir? Num primeiro e fugaz instante a minha lista parece um inventário de compras de alguém que acabou de ganhar a loteria; logo a seguir, porém, penso naquele camponês que só queria uma prótese nova para poder voltar a dançar e a tal lista torna-se inquietantemente idêntica ao discurso de uma Miss Universo após receber a coroa: saúde para todos, justiça e a paz universal.
Talvez devêssemos prestar mais atenção à sabedoria das misses. Na obra filosófica de referência desta classe profissional (vamos chamar-lhe assim), obra que todas as misses citam quando lhes perguntam o que estão a ler, ou seja, O Pequeno Príncipe², de Antoine de Saint-Exupéry, está tudo dito: “o essencial é invisível aos olhos”. Um amigo, mais entendido em misses do que eu, assegurou-me que Saint-Exupéry já era. Agora as misses leem Paulo Coelho e Dan Brown. Mais recentemente, E. L. James. [...].
Já a minha avó, que nunca foi miss nem leu Saint-Exupéry, dizia que as melhores lições são as mais simples. Numa ocasião, após um debate em Estocolmo, com estudantes de literatura, achei-me no centro de uma outra discussão, muito mais viva e interessante, sobre as virtudes e defeitos da social-democracia nórdica. Irritado com a revolta (justíssima) de um dos estudantes, que visitara vários países de língua portuguesa e se mostrava chocado com a injustiça social em Angola e no Brasil, ironizei com os impostos altíssimos a que todo o mundo está sujeito na Suécia. Pensei, estupidamente, que, criticando os impostos, teria os estudantes do meu lado. Foi o contrário. Olharam-me, escandalizados, como eu olharia um skinhead³. Um deles explicou-me que o novo governo, de centro-direita, propusera, semanas antes, baixar os impostos, e que isso suscitara um vasto movimento de repulsa. “Prefiro ficar sem metade do meu salário”, assegurou-me um dos estudantes, "desde que isso signifique que, na Suécia, toda a gente tenha direito a bons sistemas de saúde e de educação."
Então, para 2016, vou repetir em conjunto com as misses: saúde para todos, justiça e a paz universal.
(O GLOBO. 4 de janeiro de 2016- Texto adaptado)
1. assemblage: junção; acoplamento
2. Livro infantil, clássico da Literatura Francesa, publicado em 1943. Enunciado completo: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.”
3. skinhead: traduzido do inglês, “cabeça raspada”, é uma subcultura originária dos jovens da classe operária no Reino Unido no final dos anos 1960 que, mais tarde, espalhou-se para o mundo.
Texto-base:
Texto 2 (questões 11 a 14)
Dois velhinhos
Dalton Trevisan
Dois pobres inválidos, bem velhinhos, esquecidos numa cela de asilo.
Ao lado da janela, retorcendo os aleijões e esticando a cabeça, apenas um podia olhar lá fora.
Junto à porta, no fundo da cama, o outro espiava a parede úmida, o crucifixo negro, as moscas no fio de luz. Com inveja, perguntava o que acontecia. Deslumbrado, anunciava o primeiro:
- Um cachorro ergue a perninha no poste.
Mais tarde:
- Uma menina de vestido branco pulando corda.
Ou ainda:
- Agora é um enterro de luxo.
Sem nada ver, o amigo remordia-se no seu canto. O mais velho acabou morrendo, para alegria do segundo, instalado afinal debaixo da janela.
Não dormiu, antegozando a manhã. Bem desconfiava que o outro não revelava tudo.
Cochilou um instante - era dia. Sentou-se na cama, com dores espichou o pescoço: entre os muros em ruína, ali no beco, um monte de lixo.
TREVISAN, Dalton. Mistérios de Curitiba. 5ªed. Rio de Janeiro: Record, 1996.
A partir da leitura dos textos 1 e 2, e tendo em vista seus respectivos contextos, assinale a opção que confirma a seguinte ideia da avó do escritor Agualusa: “[...] as melhores lições são as mais simples.” (10º§)Resolução comentada
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Resolução comentada
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Dados: √2 ≅ 1,4 e √3 ≅ 1,7.Resolução comentada
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Texto-base:
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Define-se o traço de uma matriz quadrada A, Tr (A), como a soma dos elementos de sua diagonal principal. Considere a matriz A = (aᵢⱼ)₅ₓ₅ , tal que cada termo aᵢⱼ é dado por aᵢⱼ = 2j² − i e assinale a opção que apresenta corretamente o valor de Tr (A).
Considere que um mercado oferece a seguinte promoção: “Na compra de cinco pacotes de arroz, o cliente paga apenas 3”. Sendo assim, qual é o percentual de desconto na mercadoria oferecida pelo mercado?
Em uma atividade física no campo de uma das Escolas de Aprendizes-Marinheiros, três marinheiros se posicionaram nos vértices de um triângulo equilátero de lado 2 metros. Um quarto marinheiro se posicionou de forma equidistante dos três marinheiros iniciais. Assim, assinale a opção que apresenta essa distância, aproximadamente.
Sabe-se que x ∈ ]−1, 2[ . Assinale o intervalo que contém a fração (x+3)/(x+5).
Um prédio de umas das Escolas de Aprendizes-Marinheiros possui um único reservatório de água no formato de um cilindro de raio 1,5 metros e altura 2 metros. Sabe-se que são consumidos, diariamente, 4,5 m³ de água nesse prédio. Sabendo que houve um problema técnico no abastecimento na região da escola e considerando que o reservatório antes do problema técnico estava cheio, assinale a opção que apresenta o número de dias em que a escola ainda terá água disponível. Dado: π = 3.