← Voltar para a lista de provas Marinha do Brasil — Colégio Naval · Admissão ao Colégio Naval (CPACN) 51 questões nesta prova · página 1 de 3 · 49 com gabarito Gabarito disponível Em "Olhe" e "olha" há mistura de tratamento (você e tu). No trecho, "Olhe para dentro de você mesmo" está na terceira pessoa (você) e "olha bem para dentro de você" está na segunda (tu). Há mistura de tratamento no mesmo período e, segundo a gramática normativa, falta uniformidade. A) Ambas as locuções adverbiais expressam o mesmo valor (modo). B) "Pessoa" é sobrecomum, mas "turista" é comum de dois gêneros. D) O pronome "nos" retoma o narrador e a namorada, que são citados logo depois, ou seja, o referente é posterior e não anterior. E) Os verbos "escrevêssemos" e "admirávamos" não evidenciam apenas ideias hipotéticas. Referência: Gramática: formas verbais e tratamento pronominal. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Quando há sintonia, olhar o outro nos olhos ajuda emocionalmente. O cronista mostra que mergulhar nos olhos do outro, em sintonia mútua como no casal francês e na terapia, ajuda a resolver conflitos e traz alívio emocional. Por isso olhar o outro nos olhos é uma "experiência redentora". A) Exagera ao falar em "poder divino" de fazer chorar e sorrir. C) O texto não diz que os olhos perdoem todos os erros nem tornem as pessoas visivelmente melhores. D) "Conversão emocional" e "rarificar erros" não se sustentam no texto. E) Não se fala em consciência externa nem em remorso sincero. Referência: José Eduardo Agualusa, "Olhos nos olhos", §16. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível V-F-V-F: verdadeiros os itens 1 e 3. 1) V: o cronista fala da "grande arte de desmontar brigas conjugais" e diz que a chave é mergulhar nos olhos do outro. 2) F: o choro na terapia foi episódico, e o texto não diz que resolva conflitos. 3) V: olhar dentro de si é olhar para o outro, ideia de união pelo amor. 4) F: o texto diz que a experiência "costuma" ser redentora, e não que afaste toda a possibilidade de erro, mentira ou discussão. A, B, C e D) Marcam como verdadeiro o item 2 e/ou o item 4, ou como falso o item 1 ou o 3. Referência: José Eduardo Agualusa, "Olhos nos olhos". Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível O duplo travessão destaca e dá ênfase à oração adjetiva "que se evapora". O travessão duplo isola a oração subordinada adjetiva explicativa "que se evapora", dando-lhe ênfase e realce. É um recurso estilístico que destaca uma característica da água. A) Não é mera pausa de leitura. B) A oração explicativa se refere à água em geral, não a um só tipo. C) Não é observação crítica sobre o texto. E) A informação não é desnecessária, pois reforça a ideia de que o tempo acaba com tudo. Referência: Pontuação: uso do travessão. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível A autora mostra uma percepção própria e subjetiva da passagem do tempo. Ao dizer que "passar é modo de dizer", a autora mostra que o tempo é percebido de forma diferente conforme a situação: voa na felicidade e parece parado na espera. Isso revela uma percepção diferenciada, e não um sentimento específico. A e D) Atribuem à autora sentimentos de desgosto ou desejo que o trecho não expressa. B) O trecho não fala de sofrimento por o tempo ruim não passar rápido. C) Não se afirma que o tempo vá sempre contra os maus momentos. Referência: Danuza Leão, "O tempo", §6. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Em "e se achava infeliz", a próclise não é obrigatória, pois a conjunção coordenativa "e" não atrai o pronome. A conjunção coordenativa aditiva "e" não é fator de próclise obrigatória, então o pronome pode ficar antes ou depois do verbo. Nas outras opções há fator de atração obrigatória. A) Pronome relativo "que" atrai o pronome. B) Pronome interrogativo "quem" atrai o pronome. C) O advérbio de negação "não" atrai o pronome. E) O advérbio de negação "nunca" atrai o pronome. Referência: Colocação pronominal: próclise obrigatória. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível A sensação de passagem do tempo varia conforme o estado emocional. A autora diz que o tempo voa quando se está feliz e parece parado quando se espera algo. Isso mostra que a fluidez do tempo depende de como a pessoa se sente. B) O texto não diz que a busca de prazeres seja típica do adolescente. C) O texto não liga a fugacidade do tempo à exacerbação dos desejos. D) O texto diz que o tempo é remédio para a dor, mas lento, "vago, lento", e não fugaz. E) O texto não afirma que as coisas se tornam desnecessárias. Referência: Danuza Leão, "O tempo". Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponívelMarinha do Brasil — CPACN/2025 — 2º Dia: Português, Estudos Sociais, Ciências e Redação — Prova Amarela
Texto 1 (questões de 01 a 07)
Estão vendo aquele homenzinho com um livro aberto diante dos olhos e um headphone amarelo na cabeça? Sou eu. Na mesa ao lado, um casal discute em voz baixa. Não reparam em mim. Uma pessoa com fones de ouvido, mergulhada na leitura, é, em termos sociais, quase inexistente. Pouco se distingue de uma planta num vaso.
A mulher deve ser uns vinte anos mais jovem que o marido. São ambos magros, delgados, flexíveis, com o ar leve e radiante de quem passou as últimas semanas ao sol, numa praia tropical. Turistas, com certeza. Falam em francês, com uma dicção tão perfeita, tão esplendidamente desenhada, que eu compreendo tudo. Sim, desliguei os fones para os ouvir melhor.
— Olhe para dentro de você mesmo — diz a mulher. — Antes de tomar qualquer decisão, olha bem para dentro de você.
O marido sorri:
— Se olhar para dentro de mim, muito para dentro de mim, estarei olhando para você.
A mulher solta uma gargalhada feliz. Segura-lhe o rosto, com carinho:
— Então olhe muito para dentro de mim, meu amor.
— Estou olhando...
Ficam assim os dois, um longo momento.
— Você se viu, se encontrou? — pergunta por fim a mulher, numa voz muito doce.
O francês caiu em si (ao menos foi o que assegurou). Reconheceu todos os seus erros. Prometeu que dali em diante não tomaria nenhuma decisão antes de afundar os olhos nos olhos da mulher. Vi-os partir, minutos mais tarde, mão na mão, alegres como dois adolescentes.
Voltei a ligar o som e terminei de beber o meu chá gelado. Fiquei pensando no turista francês e na grande arte de desmontar brigas conjugais. Anotei a frase dele, não tanto com a ideia de a usar numa futura crônica, mas, sobretudo, porque me ocorreu que, um dia, me poderia ser muito útil.
Brigas conjugais ocorrem pelos motivos mais fúteis. Também pelos mais sérios, é claro. Para quem as sofre são tão devastadoras quanto uma guerra civil. São uma guerra civil.
Nutro enorme admiração pelos psicólogos que medeiam conflitos conjugais. Ao longo das décadas (agora já conto o tempo em décadas) frequentei várias sessões de terapia de casal, com resultados muito diversos. Lembro-me de uma dessas sessões. A psicóloga pediu-nos, a mim e à minha namorada de então, que escrevêssemos uma lista daquilo que admirávamos um no outro. A seguir, teríamos de ler a lista em voz alta. Fui o primeiro. Antes de chegar ao final já eu chorava, já a minha namorada chorava, chorávamos ambos, abraçados um ao outro como náufragos. Quando recuperamos a serenidade vimos que também a psicóloga caíra num pranto vasto e silencioso:
— Desculpem, desculpem, isto não devia acontecer, fiquei muito emocionada...
A chave para a resolução de inúmeros conflitos, como os turistas franceses descobriram, passa por mergulhar nos olhos do outro. Olhar o outro nos olhos costuma ser uma experiência redentora. [...]
Vamos, pois, olhar os outros nos olhos. Pode ser que o mundo melhore um pouco.
AGUALUSA, José Eduardo. Olhos nos olhos. Disponível em: oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2024/07/olhos-nos-olhos.ghtml. Acesso em: 01 set. 2024 – Adaptado.
Assinale a opção em que a análise de aspectos linguísticos do texto está correta.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 1 (questões de 01 a 07)
Estão vendo aquele homenzinho com um livro aberto diante dos olhos e um headphone amarelo na cabeça? Sou eu. Na mesa ao lado, um casal discute em voz baixa. Não reparam em mim. Uma pessoa com fones de ouvido, mergulhada na leitura, é, em termos sociais, quase inexistente. Pouco se distingue de uma planta num vaso.
A mulher deve ser uns vinte anos mais jovem que o marido. São ambos magros, delgados, flexíveis, com o ar leve e radiante de quem passou as últimas semanas ao sol, numa praia tropical. Turistas, com certeza. Falam em francês, com uma dicção tão perfeita, tão esplendidamente desenhada, que eu compreendo tudo. Sim, desliguei os fones para os ouvir melhor.
— Olhe para dentro de você mesmo — diz a mulher. — Antes de tomar qualquer decisão, olha bem para dentro de você.
O marido sorri:
— Se olhar para dentro de mim, muito para dentro de mim, estarei olhando para você.
A mulher solta uma gargalhada feliz. Segura-lhe o rosto, com carinho:
— Então olhe muito para dentro de mim, meu amor.
— Estou olhando...
Ficam assim os dois, um longo momento.
— Você se viu, se encontrou? — pergunta por fim a mulher, numa voz muito doce.
O francês caiu em si (ao menos foi o que assegurou). Reconheceu todos os seus erros. Prometeu que dali em diante não tomaria nenhuma decisão antes de afundar os olhos nos olhos da mulher. Vi-os partir, minutos mais tarde, mão na mão, alegres como dois adolescentes.
Voltei a ligar o som e terminei de beber o meu chá gelado. Fiquei pensando no turista francês e na grande arte de desmontar brigas conjugais. Anotei a frase dele, não tanto com a ideia de a usar numa futura crônica, mas, sobretudo, porque me ocorreu que, um dia, me poderia ser muito útil.
Brigas conjugais ocorrem pelos motivos mais fúteis. Também pelos mais sérios, é claro. Para quem as sofre são tão devastadoras quanto uma guerra civil. São uma guerra civil.
Nutro enorme admiração pelos psicólogos que medeiam conflitos conjugais. Ao longo das décadas (agora já conto o tempo em décadas) frequentei várias sessões de terapia de casal, com resultados muito diversos. Lembro-me de uma dessas sessões. A psicóloga pediu-nos, a mim e à minha namorada de então, que escrevêssemos uma lista daquilo que admirávamos um no outro. A seguir, teríamos de ler a lista em voz alta. Fui o primeiro. Antes de chegar ao final já eu chorava, já a minha namorada chorava, chorávamos ambos, abraçados um ao outro como náufragos. Quando recuperamos a serenidade vimos que também a psicóloga caíra num pranto vasto e silencioso:
— Desculpem, desculpem, isto não devia acontecer, fiquei muito emocionada...
A chave para a resolução de inúmeros conflitos, como os turistas franceses descobriram, passa por mergulhar nos olhos do outro. Olhar o outro nos olhos costuma ser uma experiência redentora. [...]
Vamos, pois, olhar os outros nos olhos. Pode ser que o mundo melhore um pouco.
AGUALUSA, José Eduardo. Olhos nos olhos. Disponível em: oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2024/07/olhos-nos-olhos.ghtml. Acesso em: 01 set. 2024 – Adaptado.
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Texto 1 (questões de 01 a 07)
Estão vendo aquele homenzinho com um livro aberto diante dos olhos e um headphone amarelo na cabeça? Sou eu. Na mesa ao lado, um casal discute em voz baixa. Não reparam em mim. Uma pessoa com fones de ouvido, mergulhada na leitura, é, em termos sociais, quase inexistente. Pouco se distingue de uma planta num vaso.
A mulher deve ser uns vinte anos mais jovem que o marido. São ambos magros, delgados, flexíveis, com o ar leve e radiante de quem passou as últimas semanas ao sol, numa praia tropical. Turistas, com certeza. Falam em francês, com uma dicção tão perfeita, tão esplendidamente desenhada, que eu compreendo tudo. Sim, desliguei os fones para os ouvir melhor.
— Olhe para dentro de você mesmo — diz a mulher. — Antes de tomar qualquer decisão, olha bem para dentro de você.
O marido sorri:
— Se olhar para dentro de mim, muito para dentro de mim, estarei olhando para você.
A mulher solta uma gargalhada feliz. Segura-lhe o rosto, com carinho:
— Então olhe muito para dentro de mim, meu amor.
— Estou olhando...
Ficam assim os dois, um longo momento.
— Você se viu, se encontrou? — pergunta por fim a mulher, numa voz muito doce.
O francês caiu em si (ao menos foi o que assegurou). Reconheceu todos os seus erros. Prometeu que dali em diante não tomaria nenhuma decisão antes de afundar os olhos nos olhos da mulher. Vi-os partir, minutos mais tarde, mão na mão, alegres como dois adolescentes.
Voltei a ligar o som e terminei de beber o meu chá gelado. Fiquei pensando no turista francês e na grande arte de desmontar brigas conjugais. Anotei a frase dele, não tanto com a ideia de a usar numa futura crônica, mas, sobretudo, porque me ocorreu que, um dia, me poderia ser muito útil.
Brigas conjugais ocorrem pelos motivos mais fúteis. Também pelos mais sérios, é claro. Para quem as sofre são tão devastadoras quanto uma guerra civil. São uma guerra civil.
Nutro enorme admiração pelos psicólogos que medeiam conflitos conjugais. Ao longo das décadas (agora já conto o tempo em décadas) frequentei várias sessões de terapia de casal, com resultados muito diversos. Lembro-me de uma dessas sessões. A psicóloga pediu-nos, a mim e à minha namorada de então, que escrevêssemos uma lista daquilo que admirávamos um no outro. A seguir, teríamos de ler a lista em voz alta. Fui o primeiro. Antes de chegar ao final já eu chorava, já a minha namorada chorava, chorávamos ambos, abraçados um ao outro como náufragos. Quando recuperamos a serenidade vimos que também a psicóloga caíra num pranto vasto e silencioso:
— Desculpem, desculpem, isto não devia acontecer, fiquei muito emocionada...
A chave para a resolução de inúmeros conflitos, como os turistas franceses descobriram, passa por mergulhar nos olhos do outro. Olhar o outro nos olhos costuma ser uma experiência redentora. [...]
Vamos, pois, olhar os outros nos olhos. Pode ser que o mundo melhore um pouco.
AGUALUSA, José Eduardo. Olhos nos olhos. Disponível em: oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2024/07/olhos-nos-olhos.ghtml. Acesso em: 01 set. 2024 – Adaptado.
No trecho “A chave para a resolução de inúmeros conflitos, como os turistas franceses descobriram, passa por mergulhar nos olhos do outro. Olhar o outro nos olhos costuma ser uma experiência redentora. [...]” (§16), o cronista mostra que os “olhos do outro”:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 1 (questões de 01 a 07)
Estão vendo aquele homenzinho com um livro aberto diante dos olhos e um headphone amarelo na cabeça? Sou eu. Na mesa ao lado, um casal discute em voz baixa. Não reparam em mim. Uma pessoa com fones de ouvido, mergulhada na leitura, é, em termos sociais, quase inexistente. Pouco se distingue de uma planta num vaso.
A mulher deve ser uns vinte anos mais jovem que o marido. São ambos magros, delgados, flexíveis, com o ar leve e radiante de quem passou as últimas semanas ao sol, numa praia tropical. Turistas, com certeza. Falam em francês, com uma dicção tão perfeita, tão esplendidamente desenhada, que eu compreendo tudo. Sim, desliguei os fones para os ouvir melhor.
— Olhe para dentro de você mesmo — diz a mulher. — Antes de tomar qualquer decisão, olha bem para dentro de você.
O marido sorri:
— Se olhar para dentro de mim, muito para dentro de mim, estarei olhando para você.
A mulher solta uma gargalhada feliz. Segura-lhe o rosto, com carinho:
— Então olhe muito para dentro de mim, meu amor.
— Estou olhando...
Ficam assim os dois, um longo momento.
— Você se viu, se encontrou? — pergunta por fim a mulher, numa voz muito doce.
O francês caiu em si (ao menos foi o que assegurou). Reconheceu todos os seus erros. Prometeu que dali em diante não tomaria nenhuma decisão antes de afundar os olhos nos olhos da mulher. Vi-os partir, minutos mais tarde, mão na mão, alegres como dois adolescentes.
Voltei a ligar o som e terminei de beber o meu chá gelado. Fiquei pensando no turista francês e na grande arte de desmontar brigas conjugais. Anotei a frase dele, não tanto com a ideia de a usar numa futura crônica, mas, sobretudo, porque me ocorreu que, um dia, me poderia ser muito útil.
Brigas conjugais ocorrem pelos motivos mais fúteis. Também pelos mais sérios, é claro. Para quem as sofre são tão devastadoras quanto uma guerra civil. São uma guerra civil.
Nutro enorme admiração pelos psicólogos que medeiam conflitos conjugais. Ao longo das décadas (agora já conto o tempo em décadas) frequentei várias sessões de terapia de casal, com resultados muito diversos. Lembro-me de uma dessas sessões. A psicóloga pediu-nos, a mim e à minha namorada de então, que escrevêssemos uma lista daquilo que admirávamos um no outro. A seguir, teríamos de ler a lista em voz alta. Fui o primeiro. Antes de chegar ao final já eu chorava, já a minha namorada chorava, chorávamos ambos, abraçados um ao outro como náufragos. Quando recuperamos a serenidade vimos que também a psicóloga caíra num pranto vasto e silencioso:
— Desculpem, desculpem, isto não devia acontecer, fiquei muito emocionada...
A chave para a resolução de inúmeros conflitos, como os turistas franceses descobriram, passa por mergulhar nos olhos do outro. Olhar o outro nos olhos costuma ser uma experiência redentora. [...]
Vamos, pois, olhar os outros nos olhos. Pode ser que o mundo melhore um pouco.
AGUALUSA, José Eduardo. Olhos nos olhos. Disponível em: oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2024/07/olhos-nos-olhos.ghtml. Acesso em: 01 set. 2024 – Adaptado.
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Texto 1 (questões de 01 a 07)
Estão vendo aquele homenzinho com um livro aberto diante dos olhos e um headphone amarelo na cabeça? Sou eu. Na mesa ao lado, um casal discute em voz baixa. Não reparam em mim. Uma pessoa com fones de ouvido, mergulhada na leitura, é, em termos sociais, quase inexistente. Pouco se distingue de uma planta num vaso.
A mulher deve ser uns vinte anos mais jovem que o marido. São ambos magros, delgados, flexíveis, com o ar leve e radiante de quem passou as últimas semanas ao sol, numa praia tropical. Turistas, com certeza. Falam em francês, com uma dicção tão perfeita, tão esplendidamente desenhada, que eu compreendo tudo. Sim, desliguei os fones para os ouvir melhor.
— Olhe para dentro de você mesmo — diz a mulher. — Antes de tomar qualquer decisão, olha bem para dentro de você.
O marido sorri:
— Se olhar para dentro de mim, muito para dentro de mim, estarei olhando para você.
A mulher solta uma gargalhada feliz. Segura-lhe o rosto, com carinho:
— Então olhe muito para dentro de mim, meu amor.
— Estou olhando...
Ficam assim os dois, um longo momento.
— Você se viu, se encontrou? — pergunta por fim a mulher, numa voz muito doce.
O francês caiu em si (ao menos foi o que assegurou). Reconheceu todos os seus erros. Prometeu que dali em diante não tomaria nenhuma decisão antes de afundar os olhos nos olhos da mulher. Vi-os partir, minutos mais tarde, mão na mão, alegres como dois adolescentes.
Voltei a ligar o som e terminei de beber o meu chá gelado. Fiquei pensando no turista francês e na grande arte de desmontar brigas conjugais. Anotei a frase dele, não tanto com a ideia de a usar numa futura crônica, mas, sobretudo, porque me ocorreu que, um dia, me poderia ser muito útil.
Brigas conjugais ocorrem pelos motivos mais fúteis. Também pelos mais sérios, é claro. Para quem as sofre são tão devastadoras quanto uma guerra civil. São uma guerra civil.
Nutro enorme admiração pelos psicólogos que medeiam conflitos conjugais. Ao longo das décadas (agora já conto o tempo em décadas) frequentei várias sessões de terapia de casal, com resultados muito diversos. Lembro-me de uma dessas sessões. A psicóloga pediu-nos, a mim e à minha namorada de então, que escrevêssemos uma lista daquilo que admirávamos um no outro. A seguir, teríamos de ler a lista em voz alta. Fui o primeiro. Antes de chegar ao final já eu chorava, já a minha namorada chorava, chorávamos ambos, abraçados um ao outro como náufragos. Quando recuperamos a serenidade vimos que também a psicóloga caíra num pranto vasto e silencioso:
— Desculpem, desculpem, isto não devia acontecer, fiquei muito emocionada...
A chave para a resolução de inúmeros conflitos, como os turistas franceses descobriram, passa por mergulhar nos olhos do outro. Olhar o outro nos olhos costuma ser uma experiência redentora. [...]
Vamos, pois, olhar os outros nos olhos. Pode ser que o mundo melhore um pouco.
AGUALUSA, José Eduardo. Olhos nos olhos. Disponível em: oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2024/07/olhos-nos-olhos.ghtml. Acesso em: 01 set. 2024 – Adaptado.
Coloque F (falso) ou V (verdadeiro) nas afirmativas abaixo, em relação às ideias expressas no texto, assinalando, a seguir, a opção correta.
( ) Para o cronista, a grande arte de desmontar brigas conjugais está em mergulhar nos olhos do outro.
( ) Segundo o texto, o choro pode, muitas vezes, solucionar os problemas conjugais que parecem inconciliáveis.
( ) Quando o turista afirma para a mulher amada que se olhar bem dentro dele, estará olhando para ela, reitera a ideia de reconhecer-se no outro, unir-se a ele pelo amor.
( ) O texto enfatiza a ideia de que olhar o outro nos olhos costuma ser uma experiência redentora, porque afasta toda a possibilidade de erro, mentira ou discussão.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 1 (questões de 01 a 07)
Estão vendo aquele homenzinho com um livro aberto diante dos olhos e um headphone amarelo na cabeça? Sou eu. Na mesa ao lado, um casal discute em voz baixa. Não reparam em mim. Uma pessoa com fones de ouvido, mergulhada na leitura, é, em termos sociais, quase inexistente. Pouco se distingue de uma planta num vaso.
A mulher deve ser uns vinte anos mais jovem que o marido. São ambos magros, delgados, flexíveis, com o ar leve e radiante de quem passou as últimas semanas ao sol, numa praia tropical. Turistas, com certeza. Falam em francês, com uma dicção tão perfeita, tão esplendidamente desenhada, que eu compreendo tudo. Sim, desliguei os fones para os ouvir melhor.
— Olhe para dentro de você mesmo — diz a mulher. — Antes de tomar qualquer decisão, olha bem para dentro de você.
O marido sorri:
— Se olhar para dentro de mim, muito para dentro de mim, estarei olhando para você.
A mulher solta uma gargalhada feliz. Segura-lhe o rosto, com carinho:
— Então olhe muito para dentro de mim, meu amor.
— Estou olhando...
Ficam assim os dois, um longo momento.
— Você se viu, se encontrou? — pergunta por fim a mulher, numa voz muito doce.
O francês caiu em si (ao menos foi o que assegurou). Reconheceu todos os seus erros. Prometeu que dali em diante não tomaria nenhuma decisão antes de afundar os olhos nos olhos da mulher. Vi-os partir, minutos mais tarde, mão na mão, alegres como dois adolescentes.
Voltei a ligar o som e terminei de beber o meu chá gelado. Fiquei pensando no turista francês e na grande arte de desmontar brigas conjugais. Anotei a frase dele, não tanto com a ideia de a usar numa futura crônica, mas, sobretudo, porque me ocorreu que, um dia, me poderia ser muito útil.
Brigas conjugais ocorrem pelos motivos mais fúteis. Também pelos mais sérios, é claro. Para quem as sofre são tão devastadoras quanto uma guerra civil. São uma guerra civil.
Nutro enorme admiração pelos psicólogos que medeiam conflitos conjugais. Ao longo das décadas (agora já conto o tempo em décadas) frequentei várias sessões de terapia de casal, com resultados muito diversos. Lembro-me de uma dessas sessões. A psicóloga pediu-nos, a mim e à minha namorada de então, que escrevêssemos uma lista daquilo que admirávamos um no outro. A seguir, teríamos de ler a lista em voz alta. Fui o primeiro. Antes de chegar ao final já eu chorava, já a minha namorada chorava, chorávamos ambos, abraçados um ao outro como náufragos. Quando recuperamos a serenidade vimos que também a psicóloga caíra num pranto vasto e silencioso:
— Desculpem, desculpem, isto não devia acontecer, fiquei muito emocionada...
A chave para a resolução de inúmeros conflitos, como os turistas franceses descobriram, passa por mergulhar nos olhos do outro. Olhar o outro nos olhos costuma ser uma experiência redentora. [...]
Vamos, pois, olhar os outros nos olhos. Pode ser que o mundo melhore um pouco.
AGUALUSA, José Eduardo. Olhos nos olhos. Disponível em: oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2024/07/olhos-nos-olhos.ghtml. Acesso em: 01 set. 2024 – Adaptado.
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Texto 1 (questões de 01 a 07)
Estão vendo aquele homenzinho com um livro aberto diante dos olhos e um headphone amarelo na cabeça? Sou eu. Na mesa ao lado, um casal discute em voz baixa. Não reparam em mim. Uma pessoa com fones de ouvido, mergulhada na leitura, é, em termos sociais, quase inexistente. Pouco se distingue de uma planta num vaso.
A mulher deve ser uns vinte anos mais jovem que o marido. São ambos magros, delgados, flexíveis, com o ar leve e radiante de quem passou as últimas semanas ao sol, numa praia tropical. Turistas, com certeza. Falam em francês, com uma dicção tão perfeita, tão esplendidamente desenhada, que eu compreendo tudo. Sim, desliguei os fones para os ouvir melhor.
— Olhe para dentro de você mesmo — diz a mulher. — Antes de tomar qualquer decisão, olha bem para dentro de você.
O marido sorri:
— Se olhar para dentro de mim, muito para dentro de mim, estarei olhando para você.
A mulher solta uma gargalhada feliz. Segura-lhe o rosto, com carinho:
— Então olhe muito para dentro de mim, meu amor.
— Estou olhando...
Ficam assim os dois, um longo momento.
— Você se viu, se encontrou? — pergunta por fim a mulher, numa voz muito doce.
O francês caiu em si (ao menos foi o que assegurou). Reconheceu todos os seus erros. Prometeu que dali em diante não tomaria nenhuma decisão antes de afundar os olhos nos olhos da mulher. Vi-os partir, minutos mais tarde, mão na mão, alegres como dois adolescentes.
Voltei a ligar o som e terminei de beber o meu chá gelado. Fiquei pensando no turista francês e na grande arte de desmontar brigas conjugais. Anotei a frase dele, não tanto com a ideia de a usar numa futura crônica, mas, sobretudo, porque me ocorreu que, um dia, me poderia ser muito útil.
Brigas conjugais ocorrem pelos motivos mais fúteis. Também pelos mais sérios, é claro. Para quem as sofre são tão devastadoras quanto uma guerra civil. São uma guerra civil.
Nutro enorme admiração pelos psicólogos que medeiam conflitos conjugais. Ao longo das décadas (agora já conto o tempo em décadas) frequentei várias sessões de terapia de casal, com resultados muito diversos. Lembro-me de uma dessas sessões. A psicóloga pediu-nos, a mim e à minha namorada de então, que escrevêssemos uma lista daquilo que admirávamos um no outro. A seguir, teríamos de ler a lista em voz alta. Fui o primeiro. Antes de chegar ao final já eu chorava, já a minha namorada chorava, chorávamos ambos, abraçados um ao outro como náufragos. Quando recuperamos a serenidade vimos que também a psicóloga caíra num pranto vasto e silencioso:
— Desculpem, desculpem, isto não devia acontecer, fiquei muito emocionada...
A chave para a resolução de inúmeros conflitos, como os turistas franceses descobriram, passa por mergulhar nos olhos do outro. Olhar o outro nos olhos costuma ser uma experiência redentora. [...]
Vamos, pois, olhar os outros nos olhos. Pode ser que o mundo melhore um pouco.
AGUALUSA, José Eduardo. Olhos nos olhos. Disponível em: oglobo.globo.com/cultura/jose-eduardo-agualusa/coluna/2024/07/olhos-nos-olhos.ghtml. Acesso em: 01 set. 2024 – Adaptado.
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Texto 2 (questões de 08 a 14)
A coisa mais misteriosa que existe: o tempo.
O tempo acaba com tudo: com as árvores, com as montanhas, com as pedras, com a água — que se evapora —, com os sentimentos, com os bichos, com os homens.
O tempo acaba com o vigor físico, com o paladar, com o olfato, com o interesse pelas coisas; com a vontade de viajar, de comprar uma roupa nova, de reencontrar um velho amigo, até com a vontade de viver. É cruel, o tempo.
Quem se salva do passar do tempo? Os que não pensam, talvez, ou talvez os que só pensem no momento, aquele que estão vivendo; mas mesmo assim podem pensar que já viveram momentos parecidos e muito melhores que nunca mais vão se repetir, por culpa do tempo.
Qual de nós não foi mais feliz do que agora? E se não éramos, achávamos que iríamos ser um dia, quando tivéssemos mais dinheiro, quando encontrássemos o verdadeiro amor, quando tivéssemos filhos, quando eles crescessem, quando, quando, quando. E agora, você espera exatamente o quê, e a culpa é de quem? Apenas do tempo. Dele, nada escapa: é o tempo que acaba com os grandes amores, e com os grandes entusiasmos que não resistem a ele, que passa e passa. Não são as coisas que passam: é ele.
Passar é modo de dizer: quando se está muito feliz, ele voa, e quando se está esperando muito por alguma coisa, é como se ele tivesse parado.
É como se estivesse sempre contra nós, e quando acontece de se ter uma vida razoavelmente feliz, um dia se vê que ela já passou, e com que rapidez.
Mas o tempo às vezes é amigo; quando se tem uma grande dor, não há dinheiro, viagens, distrações, trabalho ou aventuras que ajudem: só o tempo.
Não chega a ser um tratamento de choque, rápido, como se gostaria; é uma coisa vaga, lenta, que não dá nem para perceber que está acontecendo, mas um dia você acorda e se dá conta de que o sol está brilhando — coisa que passou meses sem perceber que acontecia diariamente —, se olha no espelho, tem uma súbita vontade de abrir a janela e respirar fundo. Ainda não sabe, mas está salva. E um dia, muito depois, vai saber que foi o tempo, e só ele, que a salvou.
Nunca se pensa no poder do tempo, do quanto ele comanda nossa vida; também nunca se pensa no quanto ele é precioso, mas um dia você vai lembrar que ele passou e não volta mais. Lembra quando você tinha 20, 30 anos, e se achava infeliz? Se achava, não: era mesmo.
E quando era adolescente, não era também profundamente infeliz, como é obrigação de todos os adolescentes?
Mas será que ninguém tem um tio, desses meio doidos que todo mundo tem, que pegue um desses meninos ou meninas de 13, 15 anos, sacuda pelos ombros e diga "pare de achar que tem problemas, viva sua juventude, não perca tempo sendo complicada, neurótica, reclamando que sua mãe não te entende e que seu pai não te dá a devida atenção [...], aproveite a vida".
Para ter uma maturidade com poucos arrependimentos, é preciso não perder tempo, e mesmo fazendo uma bobagem atrás da outra, é melhor do que não fazer nada. Os pais querem que os filhos estudem para ter uma profissão, e estão certos; mas quem vai dizer aos adolescentes para eles aproveitarem o tempo para serem felizes em todos os minutos da vida? Quem? [...]
LEÃO, Danuza. O tempo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1906201104.htm. Acesso em: 23 set. 2024 – Adaptado.
No trecho “O tempo acaba com tudo: com as árvores, com as montanhas, com as pedras, com a água — que se evapora —, com os sentimentos, com os bichos, com os homens.” (§2º), a autora utilizou o duplo travessão para indicar:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 2 (questões de 08 a 14)
A coisa mais misteriosa que existe: o tempo.
O tempo acaba com tudo: com as árvores, com as montanhas, com as pedras, com a água — que se evapora —, com os sentimentos, com os bichos, com os homens.
O tempo acaba com o vigor físico, com o paladar, com o olfato, com o interesse pelas coisas; com a vontade de viajar, de comprar uma roupa nova, de reencontrar um velho amigo, até com a vontade de viver. É cruel, o tempo.
Quem se salva do passar do tempo? Os que não pensam, talvez, ou talvez os que só pensem no momento, aquele que estão vivendo; mas mesmo assim podem pensar que já viveram momentos parecidos e muito melhores que nunca mais vão se repetir, por culpa do tempo.
Qual de nós não foi mais feliz do que agora? E se não éramos, achávamos que iríamos ser um dia, quando tivéssemos mais dinheiro, quando encontrássemos o verdadeiro amor, quando tivéssemos filhos, quando eles crescessem, quando, quando, quando. E agora, você espera exatamente o quê, e a culpa é de quem? Apenas do tempo. Dele, nada escapa: é o tempo que acaba com os grandes amores, e com os grandes entusiasmos que não resistem a ele, que passa e passa. Não são as coisas que passam: é ele.
Passar é modo de dizer: quando se está muito feliz, ele voa, e quando se está esperando muito por alguma coisa, é como se ele tivesse parado.
É como se estivesse sempre contra nós, e quando acontece de se ter uma vida razoavelmente feliz, um dia se vê que ela já passou, e com que rapidez.
Mas o tempo às vezes é amigo; quando se tem uma grande dor, não há dinheiro, viagens, distrações, trabalho ou aventuras que ajudem: só o tempo.
Não chega a ser um tratamento de choque, rápido, como se gostaria; é uma coisa vaga, lenta, que não dá nem para perceber que está acontecendo, mas um dia você acorda e se dá conta de que o sol está brilhando — coisa que passou meses sem perceber que acontecia diariamente —, se olha no espelho, tem uma súbita vontade de abrir a janela e respirar fundo. Ainda não sabe, mas está salva. E um dia, muito depois, vai saber que foi o tempo, e só ele, que a salvou.
Nunca se pensa no poder do tempo, do quanto ele comanda nossa vida; também nunca se pensa no quanto ele é precioso, mas um dia você vai lembrar que ele passou e não volta mais. Lembra quando você tinha 20, 30 anos, e se achava infeliz? Se achava, não: era mesmo.
E quando era adolescente, não era também profundamente infeliz, como é obrigação de todos os adolescentes?
Mas será que ninguém tem um tio, desses meio doidos que todo mundo tem, que pegue um desses meninos ou meninas de 13, 15 anos, sacuda pelos ombros e diga "pare de achar que tem problemas, viva sua juventude, não perca tempo sendo complicada, neurótica, reclamando que sua mãe não te entende e que seu pai não te dá a devida atenção [...], aproveite a vida".
Para ter uma maturidade com poucos arrependimentos, é preciso não perder tempo, e mesmo fazendo uma bobagem atrás da outra, é melhor do que não fazer nada. Os pais querem que os filhos estudem para ter uma profissão, e estão certos; mas quem vai dizer aos adolescentes para eles aproveitarem o tempo para serem felizes em todos os minutos da vida? Quem? [...]
LEÃO, Danuza. O tempo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1906201104.htm. Acesso em: 23 set. 2024 – Adaptado.
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Texto 2 (questões de 08 a 14)
A coisa mais misteriosa que existe: o tempo.
O tempo acaba com tudo: com as árvores, com as montanhas, com as pedras, com a água — que se evapora —, com os sentimentos, com os bichos, com os homens.
O tempo acaba com o vigor físico, com o paladar, com o olfato, com o interesse pelas coisas; com a vontade de viajar, de comprar uma roupa nova, de reencontrar um velho amigo, até com a vontade de viver. É cruel, o tempo.
Quem se salva do passar do tempo? Os que não pensam, talvez, ou talvez os que só pensem no momento, aquele que estão vivendo; mas mesmo assim podem pensar que já viveram momentos parecidos e muito melhores que nunca mais vão se repetir, por culpa do tempo.
Qual de nós não foi mais feliz do que agora? E se não éramos, achávamos que iríamos ser um dia, quando tivéssemos mais dinheiro, quando encontrássemos o verdadeiro amor, quando tivéssemos filhos, quando eles crescessem, quando, quando, quando. E agora, você espera exatamente o quê, e a culpa é de quem? Apenas do tempo. Dele, nada escapa: é o tempo que acaba com os grandes amores, e com os grandes entusiasmos que não resistem a ele, que passa e passa. Não são as coisas que passam: é ele.
Passar é modo de dizer: quando se está muito feliz, ele voa, e quando se está esperando muito por alguma coisa, é como se ele tivesse parado.
É como se estivesse sempre contra nós, e quando acontece de se ter uma vida razoavelmente feliz, um dia se vê que ela já passou, e com que rapidez.
Mas o tempo às vezes é amigo; quando se tem uma grande dor, não há dinheiro, viagens, distrações, trabalho ou aventuras que ajudem: só o tempo.
Não chega a ser um tratamento de choque, rápido, como se gostaria; é uma coisa vaga, lenta, que não dá nem para perceber que está acontecendo, mas um dia você acorda e se dá conta de que o sol está brilhando — coisa que passou meses sem perceber que acontecia diariamente —, se olha no espelho, tem uma súbita vontade de abrir a janela e respirar fundo. Ainda não sabe, mas está salva. E um dia, muito depois, vai saber que foi o tempo, e só ele, que a salvou.
Nunca se pensa no poder do tempo, do quanto ele comanda nossa vida; também nunca se pensa no quanto ele é precioso, mas um dia você vai lembrar que ele passou e não volta mais. Lembra quando você tinha 20, 30 anos, e se achava infeliz? Se achava, não: era mesmo.
E quando era adolescente, não era também profundamente infeliz, como é obrigação de todos os adolescentes?
Mas será que ninguém tem um tio, desses meio doidos que todo mundo tem, que pegue um desses meninos ou meninas de 13, 15 anos, sacuda pelos ombros e diga "pare de achar que tem problemas, viva sua juventude, não perca tempo sendo complicada, neurótica, reclamando que sua mãe não te entende e que seu pai não te dá a devida atenção [...], aproveite a vida".
Para ter uma maturidade com poucos arrependimentos, é preciso não perder tempo, e mesmo fazendo uma bobagem atrás da outra, é melhor do que não fazer nada. Os pais querem que os filhos estudem para ter uma profissão, e estão certos; mas quem vai dizer aos adolescentes para eles aproveitarem o tempo para serem felizes em todos os minutos da vida? Quem? [...]
LEÃO, Danuza. O tempo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1906201104.htm. Acesso em: 23 set. 2024 – Adaptado.
No trecho “Passar é modo de dizer: quando se está muito feliz, ele voa, e quando se está esperando muito por alguma coisa, é como se ele tivesse parado.” (§6º), infere-se que a autora:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 2 (questões de 08 a 14)
A coisa mais misteriosa que existe: o tempo.
O tempo acaba com tudo: com as árvores, com as montanhas, com as pedras, com a água — que se evapora —, com os sentimentos, com os bichos, com os homens.
O tempo acaba com o vigor físico, com o paladar, com o olfato, com o interesse pelas coisas; com a vontade de viajar, de comprar uma roupa nova, de reencontrar um velho amigo, até com a vontade de viver. É cruel, o tempo.
Quem se salva do passar do tempo? Os que não pensam, talvez, ou talvez os que só pensem no momento, aquele que estão vivendo; mas mesmo assim podem pensar que já viveram momentos parecidos e muito melhores que nunca mais vão se repetir, por culpa do tempo.
Qual de nós não foi mais feliz do que agora? E se não éramos, achávamos que iríamos ser um dia, quando tivéssemos mais dinheiro, quando encontrássemos o verdadeiro amor, quando tivéssemos filhos, quando eles crescessem, quando, quando, quando. E agora, você espera exatamente o quê, e a culpa é de quem? Apenas do tempo. Dele, nada escapa: é o tempo que acaba com os grandes amores, e com os grandes entusiasmos que não resistem a ele, que passa e passa. Não são as coisas que passam: é ele.
Passar é modo de dizer: quando se está muito feliz, ele voa, e quando se está esperando muito por alguma coisa, é como se ele tivesse parado.
É como se estivesse sempre contra nós, e quando acontece de se ter uma vida razoavelmente feliz, um dia se vê que ela já passou, e com que rapidez.
Mas o tempo às vezes é amigo; quando se tem uma grande dor, não há dinheiro, viagens, distrações, trabalho ou aventuras que ajudem: só o tempo.
Não chega a ser um tratamento de choque, rápido, como se gostaria; é uma coisa vaga, lenta, que não dá nem para perceber que está acontecendo, mas um dia você acorda e se dá conta de que o sol está brilhando — coisa que passou meses sem perceber que acontecia diariamente —, se olha no espelho, tem uma súbita vontade de abrir a janela e respirar fundo. Ainda não sabe, mas está salva. E um dia, muito depois, vai saber que foi o tempo, e só ele, que a salvou.
Nunca se pensa no poder do tempo, do quanto ele comanda nossa vida; também nunca se pensa no quanto ele é precioso, mas um dia você vai lembrar que ele passou e não volta mais. Lembra quando você tinha 20, 30 anos, e se achava infeliz? Se achava, não: era mesmo.
E quando era adolescente, não era também profundamente infeliz, como é obrigação de todos os adolescentes?
Mas será que ninguém tem um tio, desses meio doidos que todo mundo tem, que pegue um desses meninos ou meninas de 13, 15 anos, sacuda pelos ombros e diga "pare de achar que tem problemas, viva sua juventude, não perca tempo sendo complicada, neurótica, reclamando que sua mãe não te entende e que seu pai não te dá a devida atenção [...], aproveite a vida".
Para ter uma maturidade com poucos arrependimentos, é preciso não perder tempo, e mesmo fazendo uma bobagem atrás da outra, é melhor do que não fazer nada. Os pais querem que os filhos estudem para ter uma profissão, e estão certos; mas quem vai dizer aos adolescentes para eles aproveitarem o tempo para serem felizes em todos os minutos da vida? Quem? [...]
LEÃO, Danuza. O tempo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1906201104.htm. Acesso em: 23 set. 2024 – Adaptado.
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Texto 2 (questões de 08 a 14)
A coisa mais misteriosa que existe: o tempo.
O tempo acaba com tudo: com as árvores, com as montanhas, com as pedras, com a água — que se evapora —, com os sentimentos, com os bichos, com os homens.
O tempo acaba com o vigor físico, com o paladar, com o olfato, com o interesse pelas coisas; com a vontade de viajar, de comprar uma roupa nova, de reencontrar um velho amigo, até com a vontade de viver. É cruel, o tempo.
Quem se salva do passar do tempo? Os que não pensam, talvez, ou talvez os que só pensem no momento, aquele que estão vivendo; mas mesmo assim podem pensar que já viveram momentos parecidos e muito melhores que nunca mais vão se repetir, por culpa do tempo.
Qual de nós não foi mais feliz do que agora? E se não éramos, achávamos que iríamos ser um dia, quando tivéssemos mais dinheiro, quando encontrássemos o verdadeiro amor, quando tivéssemos filhos, quando eles crescessem, quando, quando, quando. E agora, você espera exatamente o quê, e a culpa é de quem? Apenas do tempo. Dele, nada escapa: é o tempo que acaba com os grandes amores, e com os grandes entusiasmos que não resistem a ele, que passa e passa. Não são as coisas que passam: é ele.
Passar é modo de dizer: quando se está muito feliz, ele voa, e quando se está esperando muito por alguma coisa, é como se ele tivesse parado.
É como se estivesse sempre contra nós, e quando acontece de se ter uma vida razoavelmente feliz, um dia se vê que ela já passou, e com que rapidez.
Mas o tempo às vezes é amigo; quando se tem uma grande dor, não há dinheiro, viagens, distrações, trabalho ou aventuras que ajudem: só o tempo.
Não chega a ser um tratamento de choque, rápido, como se gostaria; é uma coisa vaga, lenta, que não dá nem para perceber que está acontecendo, mas um dia você acorda e se dá conta de que o sol está brilhando — coisa que passou meses sem perceber que acontecia diariamente —, se olha no espelho, tem uma súbita vontade de abrir a janela e respirar fundo. Ainda não sabe, mas está salva. E um dia, muito depois, vai saber que foi o tempo, e só ele, que a salvou.
Nunca se pensa no poder do tempo, do quanto ele comanda nossa vida; também nunca se pensa no quanto ele é precioso, mas um dia você vai lembrar que ele passou e não volta mais. Lembra quando você tinha 20, 30 anos, e se achava infeliz? Se achava, não: era mesmo.
E quando era adolescente, não era também profundamente infeliz, como é obrigação de todos os adolescentes?
Mas será que ninguém tem um tio, desses meio doidos que todo mundo tem, que pegue um desses meninos ou meninas de 13, 15 anos, sacuda pelos ombros e diga "pare de achar que tem problemas, viva sua juventude, não perca tempo sendo complicada, neurótica, reclamando que sua mãe não te entende e que seu pai não te dá a devida atenção [...], aproveite a vida".
Para ter uma maturidade com poucos arrependimentos, é preciso não perder tempo, e mesmo fazendo uma bobagem atrás da outra, é melhor do que não fazer nada. Os pais querem que os filhos estudem para ter uma profissão, e estão certos; mas quem vai dizer aos adolescentes para eles aproveitarem o tempo para serem felizes em todos os minutos da vida? Quem? [...]
LEÃO, Danuza. O tempo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1906201104.htm. Acesso em: 23 set. 2024 – Adaptado.
Em todas as opções a próclise é obrigatória, EXCETO em:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 2 (questões de 08 a 14)
A coisa mais misteriosa que existe: o tempo.
O tempo acaba com tudo: com as árvores, com as montanhas, com as pedras, com a água — que se evapora —, com os sentimentos, com os bichos, com os homens.
O tempo acaba com o vigor físico, com o paladar, com o olfato, com o interesse pelas coisas; com a vontade de viajar, de comprar uma roupa nova, de reencontrar um velho amigo, até com a vontade de viver. É cruel, o tempo.
Quem se salva do passar do tempo? Os que não pensam, talvez, ou talvez os que só pensem no momento, aquele que estão vivendo; mas mesmo assim podem pensar que já viveram momentos parecidos e muito melhores que nunca mais vão se repetir, por culpa do tempo.
Qual de nós não foi mais feliz do que agora? E se não éramos, achávamos que iríamos ser um dia, quando tivéssemos mais dinheiro, quando encontrássemos o verdadeiro amor, quando tivéssemos filhos, quando eles crescessem, quando, quando, quando. E agora, você espera exatamente o quê, e a culpa é de quem? Apenas do tempo. Dele, nada escapa: é o tempo que acaba com os grandes amores, e com os grandes entusiasmos que não resistem a ele, que passa e passa. Não são as coisas que passam: é ele.
Passar é modo de dizer: quando se está muito feliz, ele voa, e quando se está esperando muito por alguma coisa, é como se ele tivesse parado.
É como se estivesse sempre contra nós, e quando acontece de se ter uma vida razoavelmente feliz, um dia se vê que ela já passou, e com que rapidez.
Mas o tempo às vezes é amigo; quando se tem uma grande dor, não há dinheiro, viagens, distrações, trabalho ou aventuras que ajudem: só o tempo.
Não chega a ser um tratamento de choque, rápido, como se gostaria; é uma coisa vaga, lenta, que não dá nem para perceber que está acontecendo, mas um dia você acorda e se dá conta de que o sol está brilhando — coisa que passou meses sem perceber que acontecia diariamente —, se olha no espelho, tem uma súbita vontade de abrir a janela e respirar fundo. Ainda não sabe, mas está salva. E um dia, muito depois, vai saber que foi o tempo, e só ele, que a salvou.
Nunca se pensa no poder do tempo, do quanto ele comanda nossa vida; também nunca se pensa no quanto ele é precioso, mas um dia você vai lembrar que ele passou e não volta mais. Lembra quando você tinha 20, 30 anos, e se achava infeliz? Se achava, não: era mesmo.
E quando era adolescente, não era também profundamente infeliz, como é obrigação de todos os adolescentes?
Mas será que ninguém tem um tio, desses meio doidos que todo mundo tem, que pegue um desses meninos ou meninas de 13, 15 anos, sacuda pelos ombros e diga "pare de achar que tem problemas, viva sua juventude, não perca tempo sendo complicada, neurótica, reclamando que sua mãe não te entende e que seu pai não te dá a devida atenção [...], aproveite a vida".
Para ter uma maturidade com poucos arrependimentos, é preciso não perder tempo, e mesmo fazendo uma bobagem atrás da outra, é melhor do que não fazer nada. Os pais querem que os filhos estudem para ter uma profissão, e estão certos; mas quem vai dizer aos adolescentes para eles aproveitarem o tempo para serem felizes em todos os minutos da vida? Quem? [...]
LEÃO, Danuza. O tempo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1906201104.htm. Acesso em: 23 set. 2024 – Adaptado.
Na construção “Qual de nós não foi mais feliz do que agora?” (§5º), a forma verbal só admite o singular, conforme a norma culta vigente. Assinale a opção em que isso também ocorre.
Texto 2 (questões de 08 a 14)
A coisa mais misteriosa que existe: o tempo.
O tempo acaba com tudo: com as árvores, com as montanhas, com as pedras, com a água — que se evapora —, com os sentimentos, com os bichos, com os homens.
O tempo acaba com o vigor físico, com o paladar, com o olfato, com o interesse pelas coisas; com a vontade de viajar, de comprar uma roupa nova, de reencontrar um velho amigo, até com a vontade de viver. É cruel, o tempo.
Quem se salva do passar do tempo? Os que não pensam, talvez, ou talvez os que só pensem no momento, aquele que estão vivendo; mas mesmo assim podem pensar que já viveram momentos parecidos e muito melhores que nunca mais vão se repetir, por culpa do tempo.
Qual de nós não foi mais feliz do que agora? E se não éramos, achávamos que iríamos ser um dia, quando tivéssemos mais dinheiro, quando encontrássemos o verdadeiro amor, quando tivéssemos filhos, quando eles crescessem, quando, quando, quando. E agora, você espera exatamente o quê, e a culpa é de quem? Apenas do tempo. Dele, nada escapa: é o tempo que acaba com os grandes amores, e com os grandes entusiasmos que não resistem a ele, que passa e passa. Não são as coisas que passam: é ele.
Passar é modo de dizer: quando se está muito feliz, ele voa, e quando se está esperando muito por alguma coisa, é como se ele tivesse parado.
É como se estivesse sempre contra nós, e quando acontece de se ter uma vida razoavelmente feliz, um dia se vê que ela já passou, e com que rapidez.
Mas o tempo às vezes é amigo; quando se tem uma grande dor, não há dinheiro, viagens, distrações, trabalho ou aventuras que ajudem: só o tempo.
Não chega a ser um tratamento de choque, rápido, como se gostaria; é uma coisa vaga, lenta, que não dá nem para perceber que está acontecendo, mas um dia você acorda e se dá conta de que o sol está brilhando — coisa que passou meses sem perceber que acontecia diariamente —, se olha no espelho, tem uma súbita vontade de abrir a janela e respirar fundo. Ainda não sabe, mas está salva. E um dia, muito depois, vai saber que foi o tempo, e só ele, que a salvou.
Nunca se pensa no poder do tempo, do quanto ele comanda nossa vida; também nunca se pensa no quanto ele é precioso, mas um dia você vai lembrar que ele passou e não volta mais. Lembra quando você tinha 20, 30 anos, e se achava infeliz? Se achava, não: era mesmo.
E quando era adolescente, não era também profundamente infeliz, como é obrigação de todos os adolescentes?
Mas será que ninguém tem um tio, desses meio doidos que todo mundo tem, que pegue um desses meninos ou meninas de 13, 15 anos, sacuda pelos ombros e diga "pare de achar que tem problemas, viva sua juventude, não perca tempo sendo complicada, neurótica, reclamando que sua mãe não te entende e que seu pai não te dá a devida atenção [...], aproveite a vida".
Para ter uma maturidade com poucos arrependimentos, é preciso não perder tempo, e mesmo fazendo uma bobagem atrás da outra, é melhor do que não fazer nada. Os pais querem que os filhos estudem para ter uma profissão, e estão certos; mas quem vai dizer aos adolescentes para eles aproveitarem o tempo para serem felizes em todos os minutos da vida? Quem? [...]
LEÃO, Danuza. O tempo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1906201104.htm. Acesso em: 23 set. 2024 – Adaptado.
Assinale a opção que analisa corretamente as ideias presentes no texto.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 3 (questões de 15 a 18)
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GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Disponível em: <https://www.facebook.com/tirinhasinteligentess?locale=pt_BR> - Acesso em 07 set. 2024.
Levando em conta o enunciador e o enunciado “Meu coração é um objeto celeste que incandesce quando entra na sua atmosfera.”, assinale a opção que apresenta correta e respectivamente duas figuras de linguagem presentes.
Texto 3 (questões de 15 a 18)
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GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Disponível em: <https://www.facebook.com/tirinhasinteligentess?locale=pt_BR> - Acesso em 07 set. 2024.
De acordo com o texto, “A ciência não vai matar a poesia” (6º quadrinho) porque:
Texto 3 (questões de 15 a 18)
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GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Disponível em: <https://www.facebook.com/tirinhasinteligentess?locale=pt_BR> - Acesso em 07 set. 2024.
Analise as afirmativas abaixo acerca de aspectos linguísticos do texto.
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Assinale a opção correta.
Texto 3 (questões de 15 a 18)
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GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Disponível em: <https://www.facebook.com/tirinhasinteligentess?locale=pt_BR> - Acesso em 07 set. 2024.
Assinale a opção que apresenta corretamente as funções de linguagem presentes no texto.
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Assinale a opção na qual o vocábulo em destaque é invariável em ambas as orações.
Assinale a opção na qual o termo em destaque completa, corretamente, o verbo que ele acompanha.