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Colégio Militar de Brasília — Concurso de Admissão 2014/2015 — 6º Ano do Ensino Fundamental — Prova de Língua Portuguesa

Colégio Militar de Brasília · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Colégio Militar de Brasília2014Fundamental

21 questões nesta prova · página 1 de 2 · 20 com gabarito

Língua Portuguesa Elementos da Narrativa

Colégio Militar de Brasília (CMB) 2014 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)

VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.

No texto em análise, o narrador relembra fatos de sua infância, os quais, de algum modo, impactaram-no. O trecho que deixa nítido esse distanciamento temporal do “narrador-atual” com a criança que ele fora é
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Trecho que marca o distanciamento temporal do narrador adulto.

Em "hoje, que o time e eles dois morreram, [...] ao meditar no distante passado", o narrador adulto, no presente, olha para a infância e para a morte dos pais e do time, marcando nitidamente a distância temporal.

Análise das alternativas

A, B, D e E relatam fatos no passado, sem marcar o momento presente da narração.

Referência: Elementos da narrativa; foco narrativo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Compreensão e Interpretação de Texto

Colégio Militar de Brasília (CMB) 2014 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)

VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.

Analise os trechos a seguir:

I – “Às vezes, aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco [...] e acabavam nos chamando de ‘moleques’” (l.9 a l.11).

II – “Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que éramos uns meninos inteligentes [...]” (l.14 e l.15).

A leitura comparativa dos trechos apresentados permite inferir, a respeito das Teixeiras, que
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Comparação de dois trechos sobre as Teixeiras.

Uma das Teixeiras tenta resolver o problema do barulho de forma cordial, tratando os meninos pelo nome e elogiando-os, em contraste com as outras, que gritam e ofendem.

Análise das alternativas

B generaliza para todas. C fala em fingimento, que o texto não indica. D diz que todas foram respeitosas e que os meninos agrediam, o que o texto não diz. E afirma que a terceira se divertia, o que não aparece.

Referência: Interpretação de texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Compreensão e Interpretação de Texto

Colégio Militar de Brasília (CMB) 2014 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)

VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.

Analise com atenção as seguintes assertivas:

I – No trecho “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem técnica, e portanto irrespondível” (l.24 e l.25), o narrador demonstra concordância com a opinião expressa por um dos jogadores a respeito da qualidade do campo.

II – No quinto parágrafo, verifica-se que uma das Teixeiras tenta convencer os meninos a jogarem mais para cima na rua. Nesse trecho, a personagem deixa nítido que essa mudança de local não incomodaria os demais vizinhos.

III – A expressão “o coronel de bigodes brancos” (l.27 e l.28), dentro do contexto da narrativa, permite a inferência de que o pai das Teixeiras impunha respeito aos mais novos.

A respeito das assertivas, é correto o que se afirma em
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Julgar assertivas sobre trechos da crônica.

A I está certa: o narrador chama o argumento de "sincero" e "irrespondível", concordando com o jogador. A III está certa: "coronel de bigodes brancos" sugere autoridade, e os meninos o respeitam. A II é falsa: ela fala baixo "como se temesse" que os vizinhos de cima ouvissem, sugerindo que eles se incomodariam.

Análise das alternativas

B, C e D incluem a II, que é falsa. A omite a III, que é verdadeira.

Referência: Interpretação de texto; inferência.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Elementos da Narrativa

Colégio Militar de Brasília (CMB) 2014 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)

VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.

Considere as afirmativas a seguir “verdadeiras” ou “falsas”:

I – Levando-se em conta os elementos da narrativa, o conflito se instala logo após uma das Teixeiras propor aos meninos que jogassem mais para baixo da rua.

II – O texto apresenta narrador-personagem, que observa os fatos à distância, sem deles participar.

III – O espaço em que se desenvolve o conflito da narrativa é a rua em que vivem as Teixeiras.

IV – Tendo o futebol como pano de fundo, a narrativa aborda uma relação conflituosa entre crianças e adultos de uma mesma vizinhança.

V – As Teixeiras exercem função de antagonistas na narrativa, em razão da oposição que fazem às mães dos garotos que jogam futebol na rua.

A sequência correta é:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Elementos da narrativa: conflito, narrador, espaço, tema e antagonistas.

I (F): o conflito existe desde o início, pois as Teixeiras já não apreciavam futebol. II (F): o narrador participa dos fatos, usando "nós". III (V): o conflito se passa na rua. IV (V): o tema é o conflito entre crianças e adultos vizinhos. V (F): as Teixeiras se opõem aos meninos, não às mães.

Análise das alternativas

B, C, D e E erram em pelo menos um item. Marcam I como verdadeira, II como verdadeira, IV como falsa ou V como verdadeira.

Referência: Elementos da narrativa.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Relações de Causa e Consequência

Colégio Militar de Brasília (CMB) 2014 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Texto-base:
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)

VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.

Analise com atenção as seguintes situações do enredo:

I – Uma das Teixeiras se incomodava com a intensificação do barulho do futebol de rua e passava um pito da janela.

II – Os garotos da rua fizeram um pacto com os Andradas e decidiram jogar bola mais para cima, próximo à casa das Teixeiras.

III – As Teixeiras queixam-se com uma das mães dos garotos.

A respeito das relações estabelecidas entre essas situações, é correto afirmar que
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Relação de causa e consequência entre as três situações.

O pacto fez os meninos jogarem perto da casa dos Andradas, e por isso o campo abrangia as janelas das Teixeiras (II, causa). Isso gera o incômodo e o pito (I, fato), e uma das consequências são as queixas à mãe (III).

Análise das alternativas

B, C, D e E invertem a relação: o pacto não é consequência do pito nem das queixas, e as queixas não causam o pacto.

Referência: Relações de causa e consequência.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Sentido Contextual das Palavras

Colégio Militar de Brasília (CMB) 2014 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)

VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.

O vocábulo “peleja” (l.9), tem como sinônimos as palavras “combate” e “luta”. No entanto, no texto, esse vocábulo se refere à (ao)
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Sentido contextual de "peleja".

No contexto, "o jogo parava um instante [...] e logo que ela saía da janela a peleja continuava" refere-se à partida de futebol dos meninos, tratada como disputa.

Análise das alternativas

A é o pacto, que não é disputa. C: a discussão com as Teixeiras interrompe a peleja, mas não é a peleja. D e E não correspondem ao que continua após a saída da janela.

Referência: Sentido contextual das palavras.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Compreensão e Interpretação de Texto

Colégio Militar de Brasília (CMB) 2014 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Texto-base:
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)

VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.

Não foi abordado(a) no texto o(a)
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Tema não abordado no texto.

O texto trata de desrespeito (ofensas), incompreensão dos adultos, generosidade (a desculpa sobre Dona Constança) e opiniões dos personagens. Não há nenhuma menção a preconceito racial.

Análise das alternativas

A aparece nas ofensas, como "moleques". B está na relação entre os adultos e os meninos. C está na preocupação com a Dona Constança doente. E aparece em vários pontos, como a opinião da mãe sobre as Teixeiras.

Referência: Interpretação de texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Fato e Opinião

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Texto-base:
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)

VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.

Levando-se em conta a progressão da narrativa, o trecho que não constitui uma opinião no texto é
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Identificar o trecho que não é opinião.

"As quais, eu também já disse, não apreciavam futebol" é uma constatação factual do narrador sobre as Teixeiras, retomando algo já dito. Não traz juízo de valor.

Análise das alternativas

A expressa avaliação ("mais cordial"). B é opinião sobre a qualidade do campo. C é juízo sobre o coronel ("realmente importante"). D é a opinião da mãe sobre os meninos.

Referência: Fato e opinião.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Coesão Referencial

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Texto-base:
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)

VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.

No trecho “De outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer que fulana ou sicrana [...]” (l.35 a l.37), o termo destacado se refere a(à)
Trecho original do enunciado da questão 09, com o termo “la”, de “ouvimo-la”, em negrito sublinhado.
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Língua Portuguesa Pontuação — Vírgula

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Texto-base:
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)

VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.

Considerando-se a norma culta,quanto ao emprego das vírgulas no trecho “As quais, eu também já disse, não apreciavam futebol” (l.5 e l.6), julgue as afirmativas a seguir:

I – Podem ser substituídas por travessões sem prejuízo de sentido à frase.

II – Por não serem obrigatórias, podem ser retiradas da frase sem comprometer o sentido.

III – Quebram a sequência da frase, por isso são obrigatórias.

IV – Introduzem a fala do narrador dentro da fala de outro personagem.

Está correto o que se afirma em
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Função das vírgulas em oração intercalada.

As vírgulas isolam a oração intercalada "eu também já disse", que interrompe a sequência da frase. Por isso são obrigatórias (III) e podem ser substituídas por travessões sem alterar o sentido (I).

Análise das alternativas

II é falsa: as vírgulas são obrigatórias, pois isolam um elemento intercalado. IV é falsa: não se trata de fala de personagem, e sim de comentário do narrador. Logo B, D, E e A estão incorretas.

Referência: Pontuação; emprego da vírgula.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Compreensão e Interpretação de Texto

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Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO II
JOGAMOS FUTEBOL HÁ 4.500 ANOS
Há muitas versões sobre as origens do futebol. Teria surgido na China, há 4.500
anos. Há referências a práticas esportivas parecidas no século IX, na Grécia antiga, e
depois em Roma, um século antes da era cristã. Foi praticado em Florença, durante a
Renascença. Na Inglaterra medieval, é possível que tenha se originado da prática de
05 chutar a cabeça dos inimigos para se comemorarem vitórias nas guerras, evoluindo
para disputas entre aldeias, já com uma bola, na terça-feira do carnaval.
Carlos Byngton, médico brasileiro, considera o futebol uma atividade
revolucionária naquela época, por quatro razões: por ser associado ao carnaval e à
liberação das emoções instintivas; por ser jogado com os pés; por ser um esporte
10 coletivo e por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acabava de forma
amigável (apesar das fraturas e contusões), e que por isso desviava o interesse
popular dos torneios vigentes, que sempre terminavam com a morte dos adversários.
Em vez de treinar arco e flecha ou espada, a fim de se adestrar para os exércitos, o
povo começou a preferir jogar futebol. E por isso o esporte foi proibido em 1314 pelo rei
15 da Inglaterra, Eduardo II.
[...]
O futebol moderno nasceu no dia 26 de outubro de 1863, em Londres, quando
representantes de onze clubes fundaram “The Football Association”, estabelecendo as
leis e dando forma definitiva ao jogo. [...] Retornando da Inglaterra após um período de
estudos, o jovem Charles Miller, filho de ingleses ricos radicados em São Paulo,
20 desembarcou no porto de Santos, no inverno de 1894, trazendo na bagagem duas
bolas de couro. O football era a grande sensação dos colégios ingleses e Miller tornara-
se um praticante apaixonado do novo esporte.
O primeiro campo de futebol foi construído em um terreno de propriedade dos
pais de Miller, na Várzea do Carmo, no bairro paulistano do Brás. Ali, Miller e seus
25 amigos, todos britânicos e ricos, realizaram a primeira partida de futebol em solo
brasileiro. Quer dizer, a primeira praticada por pessoas que moravam no Brasil. Consta
que o primeiro jogo na verdade foi realizado no Rio de Janeiro, em 1878, por
marinheiros ingleses do navio Crimeia, que aproveitaram o dia de folga para fazer uma
pelada exatamente em frente ao palácio da princesa Isabel, na praia da Glória.
30 Foi também Charles Miller quem introduziu o futebol entre os esportes
praticados pela aristocracia paulistana que frequentava o São Paulo Athletic Club. O
novo esporte ganhou rapidamente a simpatia e a paixão da fina flor da sociedade de
São Paulo. Os rapazes jogavam de calça, ostentando até gravata de seda no uniforme.
O povo não tinha acesso ao esporte bretão, que durante muito tempo foi um jogo
35 exclusivo dos bem de vida.
Somente em 1908 a administração municipal de São Paulo liberou os terrenos
da Várzea do Carmo para que o povo pudesse jogar futebol. Aos poucos, os pobres
que se destacavam no esporte começaram a ser convidados pelos clubes
aristocráticos para integrar suas equipes, iniciando um processo crescente de
40 popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.

(In <http://www.novaescola.org.br> Acesso em 07 ago 2014)

Acerca das ideias contidas no texto II, julgue as afirmativas:

I – O futebol, por ser violento, foi proibido algumas vezes em sua história.

II – Os aspectos emocionais estão envolvidos na prática do futebol.

III – Não apenas a bola foi utilizada na prática do futebol, ou prática semelhante, durante a sua evolução.

IV – A divulgação do futebol se deu pela iniciativa de indivíduos da elite.

Está correto o que se afirma em
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Julgar quatro afirmativas sobre as ideias do texto II.

A I é falsa: o texto cita uma proibição, em 1314, por Eduardo II, e a atribui ao desvio do treino militar, não à violência. A II é verdadeira, pela liberação das emoções instintivas. A III é verdadeira: antes da bola, chutava-se a cabeça dos inimigos. A IV é verdadeira: Charles Miller e a aristocracia divulgaram o esporte no Brasil.

Análise das alternativas

A, B, C e E incluem a I, que é falsa, ou omitem afirmativas verdadeiras. Só II, III e IV estão corretas.

Referência: Interpretação de texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Coesão Referencial

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Texto-base:
TEXTO II
JOGAMOS FUTEBOL HÁ 4.500 ANOS
Há muitas versões sobre as origens do futebol. Teria surgido na China, há 4.500
anos. Há referências a práticas esportivas parecidas no século IX, na Grécia antiga, e
depois em Roma, um século antes da era cristã. Foi praticado em Florença, durante a
Renascença. Na Inglaterra medieval, é possível que tenha se originado da prática de
05 chutar a cabeça dos inimigos para se comemorarem vitórias nas guerras, evoluindo
para disputas entre aldeias, já com uma bola, na terça-feira do carnaval.
Carlos Byngton, médico brasileiro, considera o futebol uma atividade
revolucionária naquela época, por quatro razões: por ser associado ao carnaval e à
liberação das emoções instintivas; por ser jogado com os pés; por ser um esporte
10 coletivo e por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acabava de forma
amigável (apesar das fraturas e contusões), e que por isso desviava o interesse
popular dos torneios vigentes, que sempre terminavam com a morte dos adversários.
Em vez de treinar arco e flecha ou espada, a fim de se adestrar para os exércitos, o
povo começou a preferir jogar futebol. E por isso o esporte foi proibido em 1314 pelo rei
15 da Inglaterra, Eduardo II.
[...]
O futebol moderno nasceu no dia 26 de outubro de 1863, em Londres, quando
representantes de onze clubes fundaram “The Football Association”, estabelecendo as
leis e dando forma definitiva ao jogo. [...] Retornando da Inglaterra após um período de
estudos, o jovem Charles Miller, filho de ingleses ricos radicados em São Paulo,
20 desembarcou no porto de Santos, no inverno de 1894, trazendo na bagagem duas
bolas de couro. O football era a grande sensação dos colégios ingleses e Miller tornara-
se um praticante apaixonado do novo esporte.
O primeiro campo de futebol foi construído em um terreno de propriedade dos
pais de Miller, na Várzea do Carmo, no bairro paulistano do Brás. Ali, Miller e seus
25 amigos, todos britânicos e ricos, realizaram a primeira partida de futebol em solo
brasileiro. Quer dizer, a primeira praticada por pessoas que moravam no Brasil. Consta
que o primeiro jogo na verdade foi realizado no Rio de Janeiro, em 1878, por
marinheiros ingleses do navio Crimeia, que aproveitaram o dia de folga para fazer uma
pelada exatamente em frente ao palácio da princesa Isabel, na praia da Glória.
30 Foi também Charles Miller quem introduziu o futebol entre os esportes
praticados pela aristocracia paulistana que frequentava o São Paulo Athletic Club. O
novo esporte ganhou rapidamente a simpatia e a paixão da fina flor da sociedade de
São Paulo. Os rapazes jogavam de calça, ostentando até gravata de seda no uniforme.
O povo não tinha acesso ao esporte bretão, que durante muito tempo foi um jogo
35 exclusivo dos bem de vida.
Somente em 1908 a administração municipal de São Paulo liberou os terrenos
da Várzea do Carmo para que o povo pudesse jogar futebol. Aos poucos, os pobres
que se destacavam no esporte começaram a ser convidados pelos clubes
aristocráticos para integrar suas equipes, iniciando um processo crescente de
40 popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.

(In <http://www.novaescola.org.br> Acesso em 07 ago 2014)

No trecho “...iniciando um processo crescente de popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.” (l.39 e l.40), o termo destacado se refere
Trecho original do enunciado da questão 12, com o termo “nisso” em negrito sublinhado.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Compreensão e Interpretação de Texto

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Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO II
JOGAMOS FUTEBOL HÁ 4.500 ANOS
Há muitas versões sobre as origens do futebol. Teria surgido na China, há 4.500
anos. Há referências a práticas esportivas parecidas no século IX, na Grécia antiga, e
depois em Roma, um século antes da era cristã. Foi praticado em Florença, durante a
Renascença. Na Inglaterra medieval, é possível que tenha se originado da prática de
05 chutar a cabeça dos inimigos para se comemorarem vitórias nas guerras, evoluindo
para disputas entre aldeias, já com uma bola, na terça-feira do carnaval.
Carlos Byngton, médico brasileiro, considera o futebol uma atividade
revolucionária naquela época, por quatro razões: por ser associado ao carnaval e à
liberação das emoções instintivas; por ser jogado com os pés; por ser um esporte
10 coletivo e por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acabava de forma
amigável (apesar das fraturas e contusões), e que por isso desviava o interesse
popular dos torneios vigentes, que sempre terminavam com a morte dos adversários.
Em vez de treinar arco e flecha ou espada, a fim de se adestrar para os exércitos, o
povo começou a preferir jogar futebol. E por isso o esporte foi proibido em 1314 pelo rei
15 da Inglaterra, Eduardo II.
[...]
O futebol moderno nasceu no dia 26 de outubro de 1863, em Londres, quando
representantes de onze clubes fundaram “The Football Association”, estabelecendo as
leis e dando forma definitiva ao jogo. [...] Retornando da Inglaterra após um período de
estudos, o jovem Charles Miller, filho de ingleses ricos radicados em São Paulo,
20 desembarcou no porto de Santos, no inverno de 1894, trazendo na bagagem duas
bolas de couro. O football era a grande sensação dos colégios ingleses e Miller tornara-
se um praticante apaixonado do novo esporte.
O primeiro campo de futebol foi construído em um terreno de propriedade dos
pais de Miller, na Várzea do Carmo, no bairro paulistano do Brás. Ali, Miller e seus
25 amigos, todos britânicos e ricos, realizaram a primeira partida de futebol em solo
brasileiro. Quer dizer, a primeira praticada por pessoas que moravam no Brasil. Consta
que o primeiro jogo na verdade foi realizado no Rio de Janeiro, em 1878, por
marinheiros ingleses do navio Crimeia, que aproveitaram o dia de folga para fazer uma
pelada exatamente em frente ao palácio da princesa Isabel, na praia da Glória.
30 Foi também Charles Miller quem introduziu o futebol entre os esportes
praticados pela aristocracia paulistana que frequentava o São Paulo Athletic Club. O
novo esporte ganhou rapidamente a simpatia e a paixão da fina flor da sociedade de
São Paulo. Os rapazes jogavam de calça, ostentando até gravata de seda no uniforme.
O povo não tinha acesso ao esporte bretão, que durante muito tempo foi um jogo
35 exclusivo dos bem de vida.
Somente em 1908 a administração municipal de São Paulo liberou os terrenos
da Várzea do Carmo para que o povo pudesse jogar futebol. Aos poucos, os pobres
que se destacavam no esporte começaram a ser convidados pelos clubes
aristocráticos para integrar suas equipes, iniciando um processo crescente de
40 popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.

(In <http://www.novaescola.org.br> Acesso em 07 ago 2014)

O acesso à prática do futebol pelos menos favorecidos teve como consequência
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Consequência do acesso dos pobres ao futebol.

O texto diz que os pobres que se destacavam passaram a ser convidados pelos clubes aristocráticos para integrar suas equipes, o que é a contratação de craques pelas entidades existentes. Isso é consequência da popularização do esporte.

Análise das alternativas

A: a liberação da Várzea do Carmo foi condição para o acesso, não consequência. C: refere-se aos colégios ingleses, sem relação com o acesso popular. D: a ideia de prática revolucionária diz respeito à Idade Média. E: o texto não fala de construção de estádios pelo país.

Referência: Interpretação de texto; causa e consequência.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Compreensão e Interpretação de Texto

Colégio Militar de Brasília (CMB) 2014 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO II
JOGAMOS FUTEBOL HÁ 4.500 ANOS
Há muitas versões sobre as origens do futebol. Teria surgido na China, há 4.500
anos. Há referências a práticas esportivas parecidas no século IX, na Grécia antiga, e
depois em Roma, um século antes da era cristã. Foi praticado em Florença, durante a
Renascença. Na Inglaterra medieval, é possível que tenha se originado da prática de
05 chutar a cabeça dos inimigos para se comemorarem vitórias nas guerras, evoluindo
para disputas entre aldeias, já com uma bola, na terça-feira do carnaval.
Carlos Byngton, médico brasileiro, considera o futebol uma atividade
revolucionária naquela época, por quatro razões: por ser associado ao carnaval e à
liberação das emoções instintivas; por ser jogado com os pés; por ser um esporte
10 coletivo e por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acabava de forma
amigável (apesar das fraturas e contusões), e que por isso desviava o interesse
popular dos torneios vigentes, que sempre terminavam com a morte dos adversários.
Em vez de treinar arco e flecha ou espada, a fim de se adestrar para os exércitos, o
povo começou a preferir jogar futebol. E por isso o esporte foi proibido em 1314 pelo rei
15 da Inglaterra, Eduardo II.
[...]
O futebol moderno nasceu no dia 26 de outubro de 1863, em Londres, quando
representantes de onze clubes fundaram “The Football Association”, estabelecendo as
leis e dando forma definitiva ao jogo. [...] Retornando da Inglaterra após um período de
estudos, o jovem Charles Miller, filho de ingleses ricos radicados em São Paulo,
20 desembarcou no porto de Santos, no inverno de 1894, trazendo na bagagem duas
bolas de couro. O football era a grande sensação dos colégios ingleses e Miller tornara-
se um praticante apaixonado do novo esporte.
O primeiro campo de futebol foi construído em um terreno de propriedade dos
pais de Miller, na Várzea do Carmo, no bairro paulistano do Brás. Ali, Miller e seus
25 amigos, todos britânicos e ricos, realizaram a primeira partida de futebol em solo
brasileiro. Quer dizer, a primeira praticada por pessoas que moravam no Brasil. Consta
que o primeiro jogo na verdade foi realizado no Rio de Janeiro, em 1878, por
marinheiros ingleses do navio Crimeia, que aproveitaram o dia de folga para fazer uma
pelada exatamente em frente ao palácio da princesa Isabel, na praia da Glória.
30 Foi também Charles Miller quem introduziu o futebol entre os esportes
praticados pela aristocracia paulistana que frequentava o São Paulo Athletic Club. O
novo esporte ganhou rapidamente a simpatia e a paixão da fina flor da sociedade de
São Paulo. Os rapazes jogavam de calça, ostentando até gravata de seda no uniforme.
O povo não tinha acesso ao esporte bretão, que durante muito tempo foi um jogo
35 exclusivo dos bem de vida.
Somente em 1908 a administração municipal de São Paulo liberou os terrenos
da Várzea do Carmo para que o povo pudesse jogar futebol. Aos poucos, os pobres
que se destacavam no esporte começaram a ser convidados pelos clubes
aristocráticos para integrar suas equipes, iniciando um processo crescente de
40 popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.

(In <http://www.novaescola.org.br> Acesso em 07 ago 2014)

Analise atentamente as assertivas a seguir:

I – O texto busca traçar um perfil histórico do futebol, da Antiguidade à Era Contemporânea.
II – De acordo com as informações do texto, apenas a Inglaterra está relacionada às origens da prática de futebol.
III – A difusão do futebol, no Brasil, desde seu início no país, teve caráter popular e agregador, independente de classes sociais.

Está correto o que se afirma em
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Julgar três assertivas sobre o texto histórico do futebol.

A I está correta: o texto percorre a origem na China, Grécia, Roma e Idade Média até o futebol moderno e sua popularização no Brasil. A II é falsa, pois o texto cita China, Grécia, Roma e Florença além da Inglaterra. A III é falsa, pois no Brasil o esporte foi inicialmente elitizado e só depois se popularizou.

Análise das alternativas

B, C, D e E incluem a II ou a III, que são falsas. Apenas a I é verdadeira.

Referência: Interpretação de texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Locução Adjetiva — Valor Semântico

Colégio Militar de Brasília (CMB) 2014 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO II
JOGAMOS FUTEBOL HÁ 4.500 ANOS
Há muitas versões sobre as origens do futebol. Teria surgido na China, há 4.500
anos. Há referências a práticas esportivas parecidas no século IX, na Grécia antiga, e
depois em Roma, um século antes da era cristã. Foi praticado em Florença, durante a
Renascença. Na Inglaterra medieval, é possível que tenha se originado da prática de
05 chutar a cabeça dos inimigos para se comemorarem vitórias nas guerras, evoluindo
para disputas entre aldeias, já com uma bola, na terça-feira do carnaval.
Carlos Byngton, médico brasileiro, considera o futebol uma atividade
revolucionária naquela época, por quatro razões: por ser associado ao carnaval e à
liberação das emoções instintivas; por ser jogado com os pés; por ser um esporte
10 coletivo e por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acabava de forma
amigável (apesar das fraturas e contusões), e que por isso desviava o interesse
popular dos torneios vigentes, que sempre terminavam com a morte dos adversários.
Em vez de treinar arco e flecha ou espada, a fim de se adestrar para os exércitos, o
povo começou a preferir jogar futebol. E por isso o esporte foi proibido em 1314 pelo rei
15 da Inglaterra, Eduardo II.
[...]
O futebol moderno nasceu no dia 26 de outubro de 1863, em Londres, quando
representantes de onze clubes fundaram “The Football Association”, estabelecendo as
leis e dando forma definitiva ao jogo. [...] Retornando da Inglaterra após um período de
estudos, o jovem Charles Miller, filho de ingleses ricos radicados em São Paulo,
20 desembarcou no porto de Santos, no inverno de 1894, trazendo na bagagem duas
bolas de couro. O football era a grande sensação dos colégios ingleses e Miller tornara-
se um praticante apaixonado do novo esporte.
O primeiro campo de futebol foi construído em um terreno de propriedade dos
pais de Miller, na Várzea do Carmo, no bairro paulistano do Brás. Ali, Miller e seus
25 amigos, todos britânicos e ricos, realizaram a primeira partida de futebol em solo
brasileiro. Quer dizer, a primeira praticada por pessoas que moravam no Brasil. Consta
que o primeiro jogo na verdade foi realizado no Rio de Janeiro, em 1878, por
marinheiros ingleses do navio Crimeia, que aproveitaram o dia de folga para fazer uma
pelada exatamente em frente ao palácio da princesa Isabel, na praia da Glória.
30 Foi também Charles Miller quem introduziu o futebol entre os esportes
praticados pela aristocracia paulistana que frequentava o São Paulo Athletic Club. O
novo esporte ganhou rapidamente a simpatia e a paixão da fina flor da sociedade de
São Paulo. Os rapazes jogavam de calça, ostentando até gravata de seda no uniforme.
O povo não tinha acesso ao esporte bretão, que durante muito tempo foi um jogo
35 exclusivo dos bem de vida.
Somente em 1908 a administração municipal de São Paulo liberou os terrenos
da Várzea do Carmo para que o povo pudesse jogar futebol. Aos poucos, os pobres
que se destacavam no esporte começaram a ser convidados pelos clubes
aristocráticos para integrar suas equipes, iniciando um processo crescente de
40 popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.

(In <http://www.novaescola.org.br> Acesso em 07 ago 2014)

No trecho “[...] trazendo na bagagem duas bolas de couro.” (l.20 e l.21), a expressão destacada exerce o papel de um determinante, com valor semântico de “matéria”. A única opção em que a expressão destacada apresenta o mesmo valor semântico é
Enunciado e alternativas originais da questão 15, com as expressões “de couro”, “de estudos”, “de futebol”, “da princesa Isabel”, “de folga” e “de seda” em negrito sublinhado.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Gêneros Textuais — Infográfico

Colégio Militar de Brasília (CMB) 2014 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Texto-base:
TEXTO III – INFOGRÁFICO (os textos dos boxes encontram-se digitados na próxima página)
Infográfico “Saúde em campo”: fotografia de um jogador de futebol em movimento, com boxes numerados de 1 a 8 e dois boxes com asterisco ligados a regiões do corpo (cabeça, rosto, virilha, coxa, joelho, panturrilha, tíbia e pés), além do box “Orientações dos ortopedistas do HNSG”, uma bola e o logotipo do Hospital Nossa Senhora das Graças. Os textos dos boxes estão transcritos logo abaixo.
(In <http://www.megacurioso.com.br/copa-do-mundo-2014/44776- htm> Acesso em 20 ago 2014)

Textos dos boxes¹ do infográfico:
Saúde em campo — Conheça as principais lesões causadas no futebol.
Orientações dos ortopedistas do HNSG — O alongamento e fortalecimento dos membros inferiores são fundamentais para prevenir lesões. Mantendo os tendões alongados, as chances de o atleta sofrer uma lesão são menores. O jogo deve ser realizado em gramados de boa qualidade.
Dr. Christiano Saliba Uliana, médico traumatologista e ortopedista do Hospital Nossa Senhora das Graças.
1 — Devido à alta velocidade, uma colisão com outro jogador pode ocasionar um traumatismo crânio-encefálico, podendo resultar em perda de consciência, desmaio e convulsão.
2 — No confronto entre jogadores, cotoveladas podem afundar o osso zigomático, próximo aos olhos.
3 — Conhecida como “puxada na virilha”, o movimento repetitivo nessa região (púbis) pode provocar inflamações no tendão que junta o músculo ao osso.
4 — Chutar a bola de mal jeito pode provocar lesões nos músculos da coxa, que são acionados durante este movimento.
5 — Os movimentos de rotação das pernas podem causar lesões no joelho, principalmente nos tendões, cartilagens, menisco e no ligamento cruzado anterior.
6 — Impactos tornam as panturrilhas alvos fáceis para inflamações ou estriamentos.
* — O uso de caneleira e meias longas protege de várias situações de traumas diretos.
7 — O forte impacto na região da panturrilha pode ocasionar fratura na tíbia e torções nos ligamentos que vão dos pés aos ossos da perna.
8 — Estresse devido aos movimentos repetitivos pode ocasionar fratura dos pés, pois os ossos são finos e se movimentam muito.
* — O uso de chuteiras apropriadas para cada piso diminui a incidência de lesões.
¹ Os textos dos boxes do infográfico tiveram seus desvios gramaticais corrigidos, quando da digitação, em função de se respeitar o padrão culto da língua portuguesa escrita. Essas correções, contudo, não interferem na resolução das questões relativas ao texto III.

Analise com atenção as seguintes afirmativas:

I – O texto em análise é do gênero infográfico. Para a compreensão desse texto, é irrelevante a relação entre o texto escrito e a imagem do jogador de futebol.

II – O título do texto e a sua finalidade estabelecem relação de contrariedade com uma das instituições promotoras das informações, o Hospital Nossa Senhora das Graças.

III – No infográfico, há oito informações principais (e duas secundárias) no que se refere às lesões causadas pelo futebol. A disposição espacial dessas informações no texto facilita a leitura, cobrindo o corpo humano dos membros superiores aos inferiores.

Está correto o que se afirma em
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Gêneros e Tipologias Textuais

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Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)

VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.

TEXTO II
JOGAMOS FUTEBOL HÁ 4.500 ANOS
Há muitas versões sobre as origens do futebol. Teria surgido na China, há 4.500
anos. Há referências a práticas esportivas parecidas no século IX, na Grécia antiga, e
depois em Roma, um século antes da era cristã. Foi praticado em Florença, durante a
Renascença. Na Inglaterra medieval, é possível que tenha se originado da prática de
05 chutar a cabeça dos inimigos para se comemorarem vitórias nas guerras, evoluindo
para disputas entre aldeias, já com uma bola, na terça-feira do carnaval.
Carlos Byngton, médico brasileiro, considera o futebol uma atividade
revolucionária naquela época, por quatro razões: por ser associado ao carnaval e à
liberação das emoções instintivas; por ser jogado com os pés; por ser um esporte
10 coletivo e por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acabava de forma
amigável (apesar das fraturas e contusões), e que por isso desviava o interesse
popular dos torneios vigentes, que sempre terminavam com a morte dos adversários.
Em vez de treinar arco e flecha ou espada, a fim de se adestrar para os exércitos, o
povo começou a preferir jogar futebol. E por isso o esporte foi proibido em 1314 pelo rei
15 da Inglaterra, Eduardo II.
[...]
O futebol moderno nasceu no dia 26 de outubro de 1863, em Londres, quando
representantes de onze clubes fundaram “The Football Association”, estabelecendo as
leis e dando forma definitiva ao jogo. [...] Retornando da Inglaterra após um período de
estudos, o jovem Charles Miller, filho de ingleses ricos radicados em São Paulo,
20 desembarcou no porto de Santos, no inverno de 1894, trazendo na bagagem duas
bolas de couro. O football era a grande sensação dos colégios ingleses e Miller tornara-
se um praticante apaixonado do novo esporte.
O primeiro campo de futebol foi construído em um terreno de propriedade dos
pais de Miller, na Várzea do Carmo, no bairro paulistano do Brás. Ali, Miller e seus
25 amigos, todos britânicos e ricos, realizaram a primeira partida de futebol em solo
brasileiro. Quer dizer, a primeira praticada por pessoas que moravam no Brasil. Consta
que o primeiro jogo na verdade foi realizado no Rio de Janeiro, em 1878, por
marinheiros ingleses do navio Crimeia, que aproveitaram o dia de folga para fazer uma
pelada exatamente em frente ao palácio da princesa Isabel, na praia da Glória.
30 Foi também Charles Miller quem introduziu o futebol entre os esportes
praticados pela aristocracia paulistana que frequentava o São Paulo Athletic Club. O
novo esporte ganhou rapidamente a simpatia e a paixão da fina flor da sociedade de
São Paulo. Os rapazes jogavam de calça, ostentando até gravata de seda no uniforme.
O povo não tinha acesso ao esporte bretão, que durante muito tempo foi um jogo
35 exclusivo dos bem de vida.
Somente em 1908 a administração municipal de São Paulo liberou os terrenos
da Várzea do Carmo para que o povo pudesse jogar futebol. Aos poucos, os pobres
que se destacavam no esporte começaram a ser convidados pelos clubes
aristocráticos para integrar suas equipes, iniciando um processo crescente de
40 popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.

(In <http://www.novaescola.org.br> Acesso em 07 ago 2014)

TEXTO III – INFOGRÁFICO (os textos dos boxes encontram-se digitados na próxima página)
Infográfico “Saúde em campo”: fotografia de um jogador de futebol em movimento, com boxes numerados de 1 a 8 e dois boxes com asterisco ligados a regiões do corpo (cabeça, rosto, virilha, coxa, joelho, panturrilha, tíbia e pés), além do box “Orientações dos ortopedistas do HNSG”, uma bola e o logotipo do Hospital Nossa Senhora das Graças. Os textos dos boxes estão transcritos logo abaixo.
(In <http://www.megacurioso.com.br/copa-do-mundo-2014/44776- htm> Acesso em 20 ago 2014)

Textos dos boxes¹ do infográfico:
Saúde em campo — Conheça as principais lesões causadas no futebol.
Orientações dos ortopedistas do HNSG — O alongamento e fortalecimento dos membros inferiores são fundamentais para prevenir lesões. Mantendo os tendões alongados, as chances de o atleta sofrer uma lesão são menores. O jogo deve ser realizado em gramados de boa qualidade.
Dr. Christiano Saliba Uliana, médico traumatologista e ortopedista do Hospital Nossa Senhora das Graças.
1 — Devido à alta velocidade, uma colisão com outro jogador pode ocasionar um traumatismo crânio-encefálico, podendo resultar em perda de consciência, desmaio e convulsão.
2 — No confronto entre jogadores, cotoveladas podem afundar o osso zigomático, próximo aos olhos.
3 — Conhecida como “puxada na virilha”, o movimento repetitivo nessa região (púbis) pode provocar inflamações no tendão que junta o músculo ao osso.
4 — Chutar a bola de mal jeito pode provocar lesões nos músculos da coxa, que são acionados durante este movimento.
5 — Os movimentos de rotação das pernas podem causar lesões no joelho, principalmente nos tendões, cartilagens, menisco e no ligamento cruzado anterior.
6 — Impactos tornam as panturrilhas alvos fáceis para inflamações ou estriamentos.
* — O uso de caneleira e meias longas protege de várias situações de traumas diretos.
7 — O forte impacto na região da panturrilha pode ocasionar fratura na tíbia e torções nos ligamentos que vão dos pés aos ossos da perna.
8 — Estresse devido aos movimentos repetitivos pode ocasionar fratura dos pés, pois os ossos são finos e se movimentam muito.
* — O uso de chuteiras apropriadas para cada piso diminui a incidência de lesões.
¹ Os textos dos boxes do infográfico tiveram seus desvios gramaticais corrigidos, quando da digitação, em função de se respeitar o padrão culto da língua portuguesa escrita. Essas correções, contudo, não interferem na resolução das questões relativas ao texto III.

A análise comparativa entre os textos I, II e III permite afirmar que
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Relações de Causa e Consequência

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Texto-base:
TEXTO III – INFOGRÁFICO (os textos dos boxes encontram-se digitados na próxima página)
Infográfico “Saúde em campo”: fotografia de um jogador de futebol em movimento, com boxes numerados de 1 a 8 e dois boxes com asterisco ligados a regiões do corpo (cabeça, rosto, virilha, coxa, joelho, panturrilha, tíbia e pés), além do box “Orientações dos ortopedistas do HNSG”, uma bola e o logotipo do Hospital Nossa Senhora das Graças. Os textos dos boxes estão transcritos logo abaixo.
(In <http://www.megacurioso.com.br/copa-do-mundo-2014/44776- htm> Acesso em 20 ago 2014)

Textos dos boxes¹ do infográfico:
Saúde em campo — Conheça as principais lesões causadas no futebol.
Orientações dos ortopedistas do HNSG — O alongamento e fortalecimento dos membros inferiores são fundamentais para prevenir lesões. Mantendo os tendões alongados, as chances de o atleta sofrer uma lesão são menores. O jogo deve ser realizado em gramados de boa qualidade.
Dr. Christiano Saliba Uliana, médico traumatologista e ortopedista do Hospital Nossa Senhora das Graças.
1 — Devido à alta velocidade, uma colisão com outro jogador pode ocasionar um traumatismo crânio-encefálico, podendo resultar em perda de consciência, desmaio e convulsão.
2 — No confronto entre jogadores, cotoveladas podem afundar o osso zigomático, próximo aos olhos.
3 — Conhecida como “puxada na virilha”, o movimento repetitivo nessa região (púbis) pode provocar inflamações no tendão que junta o músculo ao osso.
4 — Chutar a bola de mal jeito pode provocar lesões nos músculos da coxa, que são acionados durante este movimento.
5 — Os movimentos de rotação das pernas podem causar lesões no joelho, principalmente nos tendões, cartilagens, menisco e no ligamento cruzado anterior.
6 — Impactos tornam as panturrilhas alvos fáceis para inflamações ou estriamentos.
* — O uso de caneleira e meias longas protege de várias situações de traumas diretos.
7 — O forte impacto na região da panturrilha pode ocasionar fratura na tíbia e torções nos ligamentos que vão dos pés aos ossos da perna.
8 — Estresse devido aos movimentos repetitivos pode ocasionar fratura dos pés, pois os ossos são finos e se movimentam muito.
* — O uso de chuteiras apropriadas para cada piso diminui a incidência de lesões.
¹ Os textos dos boxes do infográfico tiveram seus desvios gramaticais corrigidos, quando da digitação, em função de se respeitar o padrão culto da língua portuguesa escrita. Essas correções, contudo, não interferem na resolução das questões relativas ao texto III.

As informações contidas nos “boxes” do infográfico possibilitam a identificação de diversas relações de causa e de consequência, cujo objetivo é apresentar as variadas lesões causadas pelo futebol. De acordo com o texto, relacione as informações nas colunas a seguir:

COLUNA I: CAUSAS
A) Estresse devido aos movimentos repetitivos.
B) Movimentos de rotação das pernas.
C) Forte impacto na panturrilha.
D) Movimento repetitivo na púbis.
E) Chutar a bola de mal jeito.

COLUNA II: CONSEQUÊNCIAS
( ) Inflamações no tendão que junta o músculo ao osso.
( ) Lesão na musculatura da coxa.
( ) Fraturas nos pés.
( ) Fratura na tíbia, torções em ligamentos, entre os quais, dos ossos e das pernas.
( ) Entre várias lesões nos joelhos, os tendões podem ser os mais afetados.

A sequência correta da coluna II, indicando as consequências das causas expressas na coluna I, é
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Modo Imperativo

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Texto-base:
TEXTO III – INFOGRÁFICO (os textos dos boxes encontram-se digitados na próxima página)
Infográfico “Saúde em campo”: fotografia de um jogador de futebol em movimento, com boxes numerados de 1 a 8 e dois boxes com asterisco ligados a regiões do corpo (cabeça, rosto, virilha, coxa, joelho, panturrilha, tíbia e pés), além do box “Orientações dos ortopedistas do HNSG”, uma bola e o logotipo do Hospital Nossa Senhora das Graças. Os textos dos boxes estão transcritos logo abaixo.
(In <http://www.megacurioso.com.br/copa-do-mundo-2014/44776- htm> Acesso em 20 ago 2014)

Textos dos boxes¹ do infográfico:
Saúde em campo — Conheça as principais lesões causadas no futebol.
Orientações dos ortopedistas do HNSG — O alongamento e fortalecimento dos membros inferiores são fundamentais para prevenir lesões. Mantendo os tendões alongados, as chances de o atleta sofrer uma lesão são menores. O jogo deve ser realizado em gramados de boa qualidade.
Dr. Christiano Saliba Uliana, médico traumatologista e ortopedista do Hospital Nossa Senhora das Graças.
1 — Devido à alta velocidade, uma colisão com outro jogador pode ocasionar um traumatismo crânio-encefálico, podendo resultar em perda de consciência, desmaio e convulsão.
2 — No confronto entre jogadores, cotoveladas podem afundar o osso zigomático, próximo aos olhos.
3 — Conhecida como “puxada na virilha”, o movimento repetitivo nessa região (púbis) pode provocar inflamações no tendão que junta o músculo ao osso.
4 — Chutar a bola de mal jeito pode provocar lesões nos músculos da coxa, que são acionados durante este movimento.
5 — Os movimentos de rotação das pernas podem causar lesões no joelho, principalmente nos tendões, cartilagens, menisco e no ligamento cruzado anterior.
6 — Impactos tornam as panturrilhas alvos fáceis para inflamações ou estriamentos.
* — O uso de caneleira e meias longas protege de várias situações de traumas diretos.
7 — O forte impacto na região da panturrilha pode ocasionar fratura na tíbia e torções nos ligamentos que vão dos pés aos ossos da perna.
8 — Estresse devido aos movimentos repetitivos pode ocasionar fratura dos pés, pois os ossos são finos e se movimentam muito.
* — O uso de chuteiras apropriadas para cada piso diminui a incidência de lesões.
¹ Os textos dos boxes do infográfico tiveram seus desvios gramaticais corrigidos, quando da digitação, em função de se respeitar o padrão culto da língua portuguesa escrita. Essas correções, contudo, não interferem na resolução das questões relativas ao texto III.

O trecho que, gramaticalmente, dirige-se ao interlocutor do texto é
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Gêneros e Tipologias Textuais

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Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)

VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.

TEXTO II
JOGAMOS FUTEBOL HÁ 4.500 ANOS
Há muitas versões sobre as origens do futebol. Teria surgido na China, há 4.500
anos. Há referências a práticas esportivas parecidas no século IX, na Grécia antiga, e
depois em Roma, um século antes da era cristã. Foi praticado em Florença, durante a
Renascença. Na Inglaterra medieval, é possível que tenha se originado da prática de
05 chutar a cabeça dos inimigos para se comemorarem vitórias nas guerras, evoluindo
para disputas entre aldeias, já com uma bola, na terça-feira do carnaval.
Carlos Byngton, médico brasileiro, considera o futebol uma atividade
revolucionária naquela época, por quatro razões: por ser associado ao carnaval e à
liberação das emoções instintivas; por ser jogado com os pés; por ser um esporte
10 coletivo e por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acabava de forma
amigável (apesar das fraturas e contusões), e que por isso desviava o interesse
popular dos torneios vigentes, que sempre terminavam com a morte dos adversários.
Em vez de treinar arco e flecha ou espada, a fim de se adestrar para os exércitos, o
povo começou a preferir jogar futebol. E por isso o esporte foi proibido em 1314 pelo rei
15 da Inglaterra, Eduardo II.
[...]
O futebol moderno nasceu no dia 26 de outubro de 1863, em Londres, quando
representantes de onze clubes fundaram “The Football Association”, estabelecendo as
leis e dando forma definitiva ao jogo. [...] Retornando da Inglaterra após um período de
estudos, o jovem Charles Miller, filho de ingleses ricos radicados em São Paulo,
20 desembarcou no porto de Santos, no inverno de 1894, trazendo na bagagem duas
bolas de couro. O football era a grande sensação dos colégios ingleses e Miller tornara-
se um praticante apaixonado do novo esporte.
O primeiro campo de futebol foi construído em um terreno de propriedade dos
pais de Miller, na Várzea do Carmo, no bairro paulistano do Brás. Ali, Miller e seus
25 amigos, todos britânicos e ricos, realizaram a primeira partida de futebol em solo
brasileiro. Quer dizer, a primeira praticada por pessoas que moravam no Brasil. Consta
que o primeiro jogo na verdade foi realizado no Rio de Janeiro, em 1878, por
marinheiros ingleses do navio Crimeia, que aproveitaram o dia de folga para fazer uma
pelada exatamente em frente ao palácio da princesa Isabel, na praia da Glória.
30 Foi também Charles Miller quem introduziu o futebol entre os esportes
praticados pela aristocracia paulistana que frequentava o São Paulo Athletic Club. O
novo esporte ganhou rapidamente a simpatia e a paixão da fina flor da sociedade de
São Paulo. Os rapazes jogavam de calça, ostentando até gravata de seda no uniforme.
O povo não tinha acesso ao esporte bretão, que durante muito tempo foi um jogo
35 exclusivo dos bem de vida.
Somente em 1908 a administração municipal de São Paulo liberou os terrenos
da Várzea do Carmo para que o povo pudesse jogar futebol. Aos poucos, os pobres
que se destacavam no esporte começaram a ser convidados pelos clubes
aristocráticos para integrar suas equipes, iniciando um processo crescente de
40 popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.

(In <http://www.novaescola.org.br> Acesso em 07 ago 2014)

TEXTO III – INFOGRÁFICO (os textos dos boxes encontram-se digitados na próxima página)
Infográfico “Saúde em campo”: fotografia de um jogador de futebol em movimento, com boxes numerados de 1 a 8 e dois boxes com asterisco ligados a regiões do corpo (cabeça, rosto, virilha, coxa, joelho, panturrilha, tíbia e pés), além do box “Orientações dos ortopedistas do HNSG”, uma bola e o logotipo do Hospital Nossa Senhora das Graças. Os textos dos boxes estão transcritos logo abaixo.
(In <http://www.megacurioso.com.br/copa-do-mundo-2014/44776- htm> Acesso em 20 ago 2014)

Textos dos boxes¹ do infográfico:
Saúde em campo — Conheça as principais lesões causadas no futebol.
Orientações dos ortopedistas do HNSG — O alongamento e fortalecimento dos membros inferiores são fundamentais para prevenir lesões. Mantendo os tendões alongados, as chances de o atleta sofrer uma lesão são menores. O jogo deve ser realizado em gramados de boa qualidade.
Dr. Christiano Saliba Uliana, médico traumatologista e ortopedista do Hospital Nossa Senhora das Graças.
1 — Devido à alta velocidade, uma colisão com outro jogador pode ocasionar um traumatismo crânio-encefálico, podendo resultar em perda de consciência, desmaio e convulsão.
2 — No confronto entre jogadores, cotoveladas podem afundar o osso zigomático, próximo aos olhos.
3 — Conhecida como “puxada na virilha”, o movimento repetitivo nessa região (púbis) pode provocar inflamações no tendão que junta o músculo ao osso.
4 — Chutar a bola de mal jeito pode provocar lesões nos músculos da coxa, que são acionados durante este movimento.
5 — Os movimentos de rotação das pernas podem causar lesões no joelho, principalmente nos tendões, cartilagens, menisco e no ligamento cruzado anterior.
6 — Impactos tornam as panturrilhas alvos fáceis para inflamações ou estriamentos.
* — O uso de caneleira e meias longas protege de várias situações de traumas diretos.
7 — O forte impacto na região da panturrilha pode ocasionar fratura na tíbia e torções nos ligamentos que vão dos pés aos ossos da perna.
8 — Estresse devido aos movimentos repetitivos pode ocasionar fratura dos pés, pois os ossos são finos e se movimentam muito.
* — O uso de chuteiras apropriadas para cada piso diminui a incidência de lesões.
¹ Os textos dos boxes do infográfico tiveram seus desvios gramaticais corrigidos, quando da digitação, em função de se respeitar o padrão culto da língua portuguesa escrita. Essas correções, contudo, não interferem na resolução das questões relativas ao texto III.

Quanto à finalidade dos textos I, II e III, é correto afirmar que
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