← Voltar para a lista de provas Colégio Militar de Brasília · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental 21 questões nesta prova · página 1 de 2 · 20 com gabarito Gabarito disponível Trecho que marca o distanciamento temporal do narrador adulto. Em "hoje, que o time e eles dois morreram, [...] ao meditar no distante passado", o narrador adulto, no presente, olha para a infância e para a morte dos pais e do time, marcando nitidamente a distância temporal. A, B, D e E relatam fatos no passado, sem marcar o momento presente da narração. Referência: Elementos da narrativa; foco narrativo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Comparação de dois trechos sobre as Teixeiras. Uma das Teixeiras tenta resolver o problema do barulho de forma cordial, tratando os meninos pelo nome e elogiando-os, em contraste com as outras, que gritam e ofendem. B generaliza para todas. C fala em fingimento, que o texto não indica. D diz que todas foram respeitosas e que os meninos agrediam, o que o texto não diz. E afirma que a terceira se divertia, o que não aparece. Referência: Interpretação de texto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Julgar assertivas sobre trechos da crônica. A I está certa: o narrador chama o argumento de "sincero" e "irrespondível", concordando com o jogador. A III está certa: "coronel de bigodes brancos" sugere autoridade, e os meninos o respeitam. A II é falsa: ela fala baixo "como se temesse" que os vizinhos de cima ouvissem, sugerindo que eles se incomodariam. B, C e D incluem a II, que é falsa. A omite a III, que é verdadeira. Referência: Interpretação de texto; inferência. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Elementos da narrativa: conflito, narrador, espaço, tema e antagonistas. I (F): o conflito existe desde o início, pois as Teixeiras já não apreciavam futebol. II (F): o narrador participa dos fatos, usando "nós". III (V): o conflito se passa na rua. IV (V): o tema é o conflito entre crianças e adultos vizinhos. V (F): as Teixeiras se opõem aos meninos, não às mães. B, C, D e E erram em pelo menos um item. Marcam I como verdadeira, II como verdadeira, IV como falsa ou V como verdadeira. Referência: Elementos da narrativa. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Relação de causa e consequência entre as três situações. O pacto fez os meninos jogarem perto da casa dos Andradas, e por isso o campo abrangia as janelas das Teixeiras (II, causa). Isso gera o incômodo e o pito (I, fato), e uma das consequências são as queixas à mãe (III). B, C, D e E invertem a relação: o pacto não é consequência do pito nem das queixas, e as queixas não causam o pacto. Referência: Relações de causa e consequência. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Sentido contextual de "peleja". No contexto, "o jogo parava um instante [...] e logo que ela saía da janela a peleja continuava" refere-se à partida de futebol dos meninos, tratada como disputa. A é o pacto, que não é disputa. C: a discussão com as Teixeiras interrompe a peleja, mas não é a peleja. D e E não correspondem ao que continua após a saída da janela. Referência: Sentido contextual das palavras. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Tema não abordado no texto. O texto trata de desrespeito (ofensas), incompreensão dos adultos, generosidade (a desculpa sobre Dona Constança) e opiniões dos personagens. Não há nenhuma menção a preconceito racial. A aparece nas ofensas, como "moleques". B está na relação entre os adultos e os meninos. C está na preocupação com a Dona Constança doente. E aparece em vários pontos, como a opinião da mãe sobre as Teixeiras. Referência: Interpretação de texto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Identificar o trecho que não é opinião. "As quais, eu também já disse, não apreciavam futebol" é uma constatação factual do narrador sobre as Teixeiras, retomando algo já dito. Não traz juízo de valor. A expressa avaliação ("mais cordial"). B é opinião sobre a qualidade do campo. C é juízo sobre o coronel ("realmente importante"). D é a opinião da mãe sobre os meninos. Referência: Fato e opinião. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Função das vírgulas em oração intercalada. As vírgulas isolam a oração intercalada "eu também já disse", que interrompe a sequência da frase. Por isso são obrigatórias (III) e podem ser substituídas por travessões sem alterar o sentido (I). II é falsa: as vírgulas são obrigatórias, pois isolam um elemento intercalado. IV é falsa: não se trata de fala de personagem, e sim de comentário do narrador. Logo B, D, E e A estão incorretas. Referência: Pontuação; emprego da vírgula. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Julgar quatro afirmativas sobre as ideias do texto II. A I é falsa: o texto cita uma proibição, em 1314, por Eduardo II, e a atribui ao desvio do treino militar, não à violência. A II é verdadeira, pela liberação das emoções instintivas. A III é verdadeira: antes da bola, chutava-se a cabeça dos inimigos. A IV é verdadeira: Charles Miller e a aristocracia divulgaram o esporte no Brasil. A, B, C e E incluem a I, que é falsa, ou omitem afirmativas verdadeiras. Só II, III e IV estão corretas. Referência: Interpretação de texto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Consequência do acesso dos pobres ao futebol. O texto diz que os pobres que se destacavam passaram a ser convidados pelos clubes aristocráticos para integrar suas equipes, o que é a contratação de craques pelas entidades existentes. Isso é consequência da popularização do esporte. A: a liberação da Várzea do Carmo foi condição para o acesso, não consequência. C: refere-se aos colégios ingleses, sem relação com o acesso popular. D: a ideia de prática revolucionária diz respeito à Idade Média. E: o texto não fala de construção de estádios pelo país. Referência: Interpretação de texto; causa e consequência. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Julgar três assertivas sobre o texto histórico do futebol. A I está correta: o texto percorre a origem na China, Grécia, Roma e Idade Média até o futebol moderno e sua popularização no Brasil. A II é falsa, pois o texto cita China, Grécia, Roma e Florença além da Inglaterra. A III é falsa, pois no Brasil o esporte foi inicialmente elitizado e só depois se popularizou. B, C, D e E incluem a II ou a III, que são falsas. Apenas a I é verdadeira. Referência: Interpretação de texto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponívelColégio Militar de Brasília — Concurso de Admissão 2014/2015 — 6º Ano do Ensino Fundamental — Prova de Língua Portuguesa
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)
VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.
No texto em análise, o narrador relembra fatos de sua infância, os quais, de algum modo, impactaram-no. O trecho que deixa nítido esse distanciamento temporal do “narrador-atual” com a criança que ele fora éResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)
VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.
Analise os trechos a seguir:
I – “Às vezes, aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco [...] e acabavam nos chamando de ‘moleques’” (l.9 a l.11).
II – “Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que éramos uns meninos inteligentes [...]” (l.14 e l.15).
A leitura comparativa dos trechos apresentados permite inferir, a respeito das Teixeiras, queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)
VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.
Analise com atenção as seguintes assertivas:
I – No trecho “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem técnica, e portanto irrespondível” (l.24 e l.25), o narrador demonstra concordância com a opinião expressa por um dos jogadores a respeito da qualidade do campo.
II – No quinto parágrafo, verifica-se que uma das Teixeiras tenta convencer os meninos a jogarem mais para cima na rua. Nesse trecho, a personagem deixa nítido que essa mudança de local não incomodaria os demais vizinhos.
III – A expressão “o coronel de bigodes brancos” (l.27 e l.28), dentro do contexto da narrativa, permite a inferência de que o pai das Teixeiras impunha respeito aos mais novos.
A respeito das assertivas, é correto o que se afirma emResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)
VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.
Considere as afirmativas a seguir “verdadeiras” ou “falsas”:
I – Levando-se em conta os elementos da narrativa, o conflito se instala logo após uma das Teixeiras propor aos meninos que jogassem mais para baixo da rua.
II – O texto apresenta narrador-personagem, que observa os fatos à distância, sem deles participar.
III – O espaço em que se desenvolve o conflito da narrativa é a rua em que vivem as Teixeiras.
IV – Tendo o futebol como pano de fundo, a narrativa aborda uma relação conflituosa entre crianças e adultos de uma mesma vizinhança.
V – As Teixeiras exercem função de antagonistas na narrativa, em razão da oposição que fazem às mães dos garotos que jogam futebol na rua.
A sequência correta é:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)
VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.
Analise com atenção as seguintes situações do enredo:
I – Uma das Teixeiras se incomodava com a intensificação do barulho do futebol de rua e passava um pito da janela.
II – Os garotos da rua fizeram um pacto com os Andradas e decidiram jogar bola mais para cima, próximo à casa das Teixeiras.
III – As Teixeiras queixam-se com uma das mães dos garotos.
A respeito das relações estabelecidas entre essas situações, é correto afirmar queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)
VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.
O vocábulo “peleja” (l.9), tem como sinônimos as palavras “combate” e “luta”. No entanto, no texto, esse vocábulo se refere à (ao)Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)
VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.
Não foi abordado(a) no texto o(a)Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)
VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.
Levando-se em conta a progressão da narrativa, o trecho que não constitui uma opinião no texto éResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)
VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.
No trecho “De outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer que fulana ou sicrana [...]” (l.35 a l.37), o termo destacado se refere a(à)
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TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)
VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.
Considerando-se a norma culta,quanto ao emprego das vírgulas no trecho “As quais, eu também já disse, não apreciavam futebol” (l.5 e l.6), julgue as afirmativas a seguir:
I – Podem ser substituídas por travessões sem prejuízo de sentido à frase.
II – Por não serem obrigatórias, podem ser retiradas da frase sem comprometer o sentido.
III – Quebram a sequência da frase, por isso são obrigatórias.
IV – Introduzem a fala do narrador dentro da fala de outro personagem.
Está correto o que se afirma emResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
JOGAMOS FUTEBOL HÁ 4.500 ANOS
Há muitas versões sobre as origens do futebol. Teria surgido na China, há 4.500
anos. Há referências a práticas esportivas parecidas no século IX, na Grécia antiga, e
depois em Roma, um século antes da era cristã. Foi praticado em Florença, durante a
Renascença. Na Inglaterra medieval, é possível que tenha se originado da prática de
05 chutar a cabeça dos inimigos para se comemorarem vitórias nas guerras, evoluindo
para disputas entre aldeias, já com uma bola, na terça-feira do carnaval.
Carlos Byngton, médico brasileiro, considera o futebol uma atividade
revolucionária naquela época, por quatro razões: por ser associado ao carnaval e à
liberação das emoções instintivas; por ser jogado com os pés; por ser um esporte
10 coletivo e por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acabava de forma
amigável (apesar das fraturas e contusões), e que por isso desviava o interesse
popular dos torneios vigentes, que sempre terminavam com a morte dos adversários.
Em vez de treinar arco e flecha ou espada, a fim de se adestrar para os exércitos, o
povo começou a preferir jogar futebol. E por isso o esporte foi proibido em 1314 pelo rei
15 da Inglaterra, Eduardo II.
[...]
O futebol moderno nasceu no dia 26 de outubro de 1863, em Londres, quando
representantes de onze clubes fundaram “The Football Association”, estabelecendo as
leis e dando forma definitiva ao jogo. [...] Retornando da Inglaterra após um período de
estudos, o jovem Charles Miller, filho de ingleses ricos radicados em São Paulo,
20 desembarcou no porto de Santos, no inverno de 1894, trazendo na bagagem duas
bolas de couro. O football era a grande sensação dos colégios ingleses e Miller tornara-
se um praticante apaixonado do novo esporte.
O primeiro campo de futebol foi construído em um terreno de propriedade dos
pais de Miller, na Várzea do Carmo, no bairro paulistano do Brás. Ali, Miller e seus
25 amigos, todos britânicos e ricos, realizaram a primeira partida de futebol em solo
brasileiro. Quer dizer, a primeira praticada por pessoas que moravam no Brasil. Consta
que o primeiro jogo na verdade foi realizado no Rio de Janeiro, em 1878, por
marinheiros ingleses do navio Crimeia, que aproveitaram o dia de folga para fazer uma
pelada exatamente em frente ao palácio da princesa Isabel, na praia da Glória.
30 Foi também Charles Miller quem introduziu o futebol entre os esportes
praticados pela aristocracia paulistana que frequentava o São Paulo Athletic Club. O
novo esporte ganhou rapidamente a simpatia e a paixão da fina flor da sociedade de
São Paulo. Os rapazes jogavam de calça, ostentando até gravata de seda no uniforme.
O povo não tinha acesso ao esporte bretão, que durante muito tempo foi um jogo
35 exclusivo dos bem de vida.
Somente em 1908 a administração municipal de São Paulo liberou os terrenos
da Várzea do Carmo para que o povo pudesse jogar futebol. Aos poucos, os pobres
que se destacavam no esporte começaram a ser convidados pelos clubes
aristocráticos para integrar suas equipes, iniciando um processo crescente de
40 popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.
(In <http://www.novaescola.org.br> Acesso em 07 ago 2014)
Acerca das ideias contidas no texto II, julgue as afirmativas:
I – O futebol, por ser violento, foi proibido algumas vezes em sua história.
II – Os aspectos emocionais estão envolvidos na prática do futebol.
III – Não apenas a bola foi utilizada na prática do futebol, ou prática semelhante, durante a sua evolução.
IV – A divulgação do futebol se deu pela iniciativa de indivíduos da elite.
Está correto o que se afirma emResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
JOGAMOS FUTEBOL HÁ 4.500 ANOS
Há muitas versões sobre as origens do futebol. Teria surgido na China, há 4.500
anos. Há referências a práticas esportivas parecidas no século IX, na Grécia antiga, e
depois em Roma, um século antes da era cristã. Foi praticado em Florença, durante a
Renascença. Na Inglaterra medieval, é possível que tenha se originado da prática de
05 chutar a cabeça dos inimigos para se comemorarem vitórias nas guerras, evoluindo
para disputas entre aldeias, já com uma bola, na terça-feira do carnaval.
Carlos Byngton, médico brasileiro, considera o futebol uma atividade
revolucionária naquela época, por quatro razões: por ser associado ao carnaval e à
liberação das emoções instintivas; por ser jogado com os pés; por ser um esporte
10 coletivo e por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acabava de forma
amigável (apesar das fraturas e contusões), e que por isso desviava o interesse
popular dos torneios vigentes, que sempre terminavam com a morte dos adversários.
Em vez de treinar arco e flecha ou espada, a fim de se adestrar para os exércitos, o
povo começou a preferir jogar futebol. E por isso o esporte foi proibido em 1314 pelo rei
15 da Inglaterra, Eduardo II.
[...]
O futebol moderno nasceu no dia 26 de outubro de 1863, em Londres, quando
representantes de onze clubes fundaram “The Football Association”, estabelecendo as
leis e dando forma definitiva ao jogo. [...] Retornando da Inglaterra após um período de
estudos, o jovem Charles Miller, filho de ingleses ricos radicados em São Paulo,
20 desembarcou no porto de Santos, no inverno de 1894, trazendo na bagagem duas
bolas de couro. O football era a grande sensação dos colégios ingleses e Miller tornara-
se um praticante apaixonado do novo esporte.
O primeiro campo de futebol foi construído em um terreno de propriedade dos
pais de Miller, na Várzea do Carmo, no bairro paulistano do Brás. Ali, Miller e seus
25 amigos, todos britânicos e ricos, realizaram a primeira partida de futebol em solo
brasileiro. Quer dizer, a primeira praticada por pessoas que moravam no Brasil. Consta
que o primeiro jogo na verdade foi realizado no Rio de Janeiro, em 1878, por
marinheiros ingleses do navio Crimeia, que aproveitaram o dia de folga para fazer uma
pelada exatamente em frente ao palácio da princesa Isabel, na praia da Glória.
30 Foi também Charles Miller quem introduziu o futebol entre os esportes
praticados pela aristocracia paulistana que frequentava o São Paulo Athletic Club. O
novo esporte ganhou rapidamente a simpatia e a paixão da fina flor da sociedade de
São Paulo. Os rapazes jogavam de calça, ostentando até gravata de seda no uniforme.
O povo não tinha acesso ao esporte bretão, que durante muito tempo foi um jogo
35 exclusivo dos bem de vida.
Somente em 1908 a administração municipal de São Paulo liberou os terrenos
da Várzea do Carmo para que o povo pudesse jogar futebol. Aos poucos, os pobres
que se destacavam no esporte começaram a ser convidados pelos clubes
aristocráticos para integrar suas equipes, iniciando um processo crescente de
40 popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.
(In <http://www.novaescola.org.br> Acesso em 07 ago 2014)
No trecho “...iniciando um processo crescente de popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.” (l.39 e l.40), o termo destacado se refere
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TEXTO II
JOGAMOS FUTEBOL HÁ 4.500 ANOS
Há muitas versões sobre as origens do futebol. Teria surgido na China, há 4.500
anos. Há referências a práticas esportivas parecidas no século IX, na Grécia antiga, e
depois em Roma, um século antes da era cristã. Foi praticado em Florença, durante a
Renascença. Na Inglaterra medieval, é possível que tenha se originado da prática de
05 chutar a cabeça dos inimigos para se comemorarem vitórias nas guerras, evoluindo
para disputas entre aldeias, já com uma bola, na terça-feira do carnaval.
Carlos Byngton, médico brasileiro, considera o futebol uma atividade
revolucionária naquela época, por quatro razões: por ser associado ao carnaval e à
liberação das emoções instintivas; por ser jogado com os pés; por ser um esporte
10 coletivo e por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acabava de forma
amigável (apesar das fraturas e contusões), e que por isso desviava o interesse
popular dos torneios vigentes, que sempre terminavam com a morte dos adversários.
Em vez de treinar arco e flecha ou espada, a fim de se adestrar para os exércitos, o
povo começou a preferir jogar futebol. E por isso o esporte foi proibido em 1314 pelo rei
15 da Inglaterra, Eduardo II.
[...]
O futebol moderno nasceu no dia 26 de outubro de 1863, em Londres, quando
representantes de onze clubes fundaram “The Football Association”, estabelecendo as
leis e dando forma definitiva ao jogo. [...] Retornando da Inglaterra após um período de
estudos, o jovem Charles Miller, filho de ingleses ricos radicados em São Paulo,
20 desembarcou no porto de Santos, no inverno de 1894, trazendo na bagagem duas
bolas de couro. O football era a grande sensação dos colégios ingleses e Miller tornara-
se um praticante apaixonado do novo esporte.
O primeiro campo de futebol foi construído em um terreno de propriedade dos
pais de Miller, na Várzea do Carmo, no bairro paulistano do Brás. Ali, Miller e seus
25 amigos, todos britânicos e ricos, realizaram a primeira partida de futebol em solo
brasileiro. Quer dizer, a primeira praticada por pessoas que moravam no Brasil. Consta
que o primeiro jogo na verdade foi realizado no Rio de Janeiro, em 1878, por
marinheiros ingleses do navio Crimeia, que aproveitaram o dia de folga para fazer uma
pelada exatamente em frente ao palácio da princesa Isabel, na praia da Glória.
30 Foi também Charles Miller quem introduziu o futebol entre os esportes
praticados pela aristocracia paulistana que frequentava o São Paulo Athletic Club. O
novo esporte ganhou rapidamente a simpatia e a paixão da fina flor da sociedade de
São Paulo. Os rapazes jogavam de calça, ostentando até gravata de seda no uniforme.
O povo não tinha acesso ao esporte bretão, que durante muito tempo foi um jogo
35 exclusivo dos bem de vida.
Somente em 1908 a administração municipal de São Paulo liberou os terrenos
da Várzea do Carmo para que o povo pudesse jogar futebol. Aos poucos, os pobres
que se destacavam no esporte começaram a ser convidados pelos clubes
aristocráticos para integrar suas equipes, iniciando um processo crescente de
40 popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.
(In <http://www.novaescola.org.br> Acesso em 07 ago 2014)
O acesso à prática do futebol pelos menos favorecidos teve como consequênciaResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
JOGAMOS FUTEBOL HÁ 4.500 ANOS
Há muitas versões sobre as origens do futebol. Teria surgido na China, há 4.500
anos. Há referências a práticas esportivas parecidas no século IX, na Grécia antiga, e
depois em Roma, um século antes da era cristã. Foi praticado em Florença, durante a
Renascença. Na Inglaterra medieval, é possível que tenha se originado da prática de
05 chutar a cabeça dos inimigos para se comemorarem vitórias nas guerras, evoluindo
para disputas entre aldeias, já com uma bola, na terça-feira do carnaval.
Carlos Byngton, médico brasileiro, considera o futebol uma atividade
revolucionária naquela época, por quatro razões: por ser associado ao carnaval e à
liberação das emoções instintivas; por ser jogado com os pés; por ser um esporte
10 coletivo e por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acabava de forma
amigável (apesar das fraturas e contusões), e que por isso desviava o interesse
popular dos torneios vigentes, que sempre terminavam com a morte dos adversários.
Em vez de treinar arco e flecha ou espada, a fim de se adestrar para os exércitos, o
povo começou a preferir jogar futebol. E por isso o esporte foi proibido em 1314 pelo rei
15 da Inglaterra, Eduardo II.
[...]
O futebol moderno nasceu no dia 26 de outubro de 1863, em Londres, quando
representantes de onze clubes fundaram “The Football Association”, estabelecendo as
leis e dando forma definitiva ao jogo. [...] Retornando da Inglaterra após um período de
estudos, o jovem Charles Miller, filho de ingleses ricos radicados em São Paulo,
20 desembarcou no porto de Santos, no inverno de 1894, trazendo na bagagem duas
bolas de couro. O football era a grande sensação dos colégios ingleses e Miller tornara-
se um praticante apaixonado do novo esporte.
O primeiro campo de futebol foi construído em um terreno de propriedade dos
pais de Miller, na Várzea do Carmo, no bairro paulistano do Brás. Ali, Miller e seus
25 amigos, todos britânicos e ricos, realizaram a primeira partida de futebol em solo
brasileiro. Quer dizer, a primeira praticada por pessoas que moravam no Brasil. Consta
que o primeiro jogo na verdade foi realizado no Rio de Janeiro, em 1878, por
marinheiros ingleses do navio Crimeia, que aproveitaram o dia de folga para fazer uma
pelada exatamente em frente ao palácio da princesa Isabel, na praia da Glória.
30 Foi também Charles Miller quem introduziu o futebol entre os esportes
praticados pela aristocracia paulistana que frequentava o São Paulo Athletic Club. O
novo esporte ganhou rapidamente a simpatia e a paixão da fina flor da sociedade de
São Paulo. Os rapazes jogavam de calça, ostentando até gravata de seda no uniforme.
O povo não tinha acesso ao esporte bretão, que durante muito tempo foi um jogo
35 exclusivo dos bem de vida.
Somente em 1908 a administração municipal de São Paulo liberou os terrenos
da Várzea do Carmo para que o povo pudesse jogar futebol. Aos poucos, os pobres
que se destacavam no esporte começaram a ser convidados pelos clubes
aristocráticos para integrar suas equipes, iniciando um processo crescente de
40 popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.
(In <http://www.novaescola.org.br> Acesso em 07 ago 2014)
Analise atentamente as assertivas a seguir:
I – O texto busca traçar um perfil histórico do futebol, da Antiguidade à Era Contemporânea.
II – De acordo com as informações do texto, apenas a Inglaterra está relacionada às origens da prática de futebol.
III – A difusão do futebol, no Brasil, desde seu início no país, teve caráter popular e agregador, independente de classes sociais.
Está correto o que se afirma emResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
JOGAMOS FUTEBOL HÁ 4.500 ANOS
Há muitas versões sobre as origens do futebol. Teria surgido na China, há 4.500
anos. Há referências a práticas esportivas parecidas no século IX, na Grécia antiga, e
depois em Roma, um século antes da era cristã. Foi praticado em Florença, durante a
Renascença. Na Inglaterra medieval, é possível que tenha se originado da prática de
05 chutar a cabeça dos inimigos para se comemorarem vitórias nas guerras, evoluindo
para disputas entre aldeias, já com uma bola, na terça-feira do carnaval.
Carlos Byngton, médico brasileiro, considera o futebol uma atividade
revolucionária naquela época, por quatro razões: por ser associado ao carnaval e à
liberação das emoções instintivas; por ser jogado com os pés; por ser um esporte
10 coletivo e por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acabava de forma
amigável (apesar das fraturas e contusões), e que por isso desviava o interesse
popular dos torneios vigentes, que sempre terminavam com a morte dos adversários.
Em vez de treinar arco e flecha ou espada, a fim de se adestrar para os exércitos, o
povo começou a preferir jogar futebol. E por isso o esporte foi proibido em 1314 pelo rei
15 da Inglaterra, Eduardo II.
[...]
O futebol moderno nasceu no dia 26 de outubro de 1863, em Londres, quando
representantes de onze clubes fundaram “The Football Association”, estabelecendo as
leis e dando forma definitiva ao jogo. [...] Retornando da Inglaterra após um período de
estudos, o jovem Charles Miller, filho de ingleses ricos radicados em São Paulo,
20 desembarcou no porto de Santos, no inverno de 1894, trazendo na bagagem duas
bolas de couro. O football era a grande sensação dos colégios ingleses e Miller tornara-
se um praticante apaixonado do novo esporte.
O primeiro campo de futebol foi construído em um terreno de propriedade dos
pais de Miller, na Várzea do Carmo, no bairro paulistano do Brás. Ali, Miller e seus
25 amigos, todos britânicos e ricos, realizaram a primeira partida de futebol em solo
brasileiro. Quer dizer, a primeira praticada por pessoas que moravam no Brasil. Consta
que o primeiro jogo na verdade foi realizado no Rio de Janeiro, em 1878, por
marinheiros ingleses do navio Crimeia, que aproveitaram o dia de folga para fazer uma
pelada exatamente em frente ao palácio da princesa Isabel, na praia da Glória.
30 Foi também Charles Miller quem introduziu o futebol entre os esportes
praticados pela aristocracia paulistana que frequentava o São Paulo Athletic Club. O
novo esporte ganhou rapidamente a simpatia e a paixão da fina flor da sociedade de
São Paulo. Os rapazes jogavam de calça, ostentando até gravata de seda no uniforme.
O povo não tinha acesso ao esporte bretão, que durante muito tempo foi um jogo
35 exclusivo dos bem de vida.
Somente em 1908 a administração municipal de São Paulo liberou os terrenos
da Várzea do Carmo para que o povo pudesse jogar futebol. Aos poucos, os pobres
que se destacavam no esporte começaram a ser convidados pelos clubes
aristocráticos para integrar suas equipes, iniciando um processo crescente de
40 popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.
(In <http://www.novaescola.org.br> Acesso em 07 ago 2014)
No trecho “[...] trazendo na bagagem duas bolas de couro.” (l.20 e l.21), a expressão destacada exerce o papel de um determinante, com valor semântico de “matéria”. A única opção em que a expressão destacada apresenta o mesmo valor semântico é
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TEXTO III – INFOGRÁFICO (os textos dos boxes encontram-se digitados na próxima página)
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(In <http://www.megacurioso.com.br/copa-do-mundo-2014/44776- htm> Acesso em 20 ago 2014)
Textos dos boxes¹ do infográfico:
Saúde em campo — Conheça as principais lesões causadas no futebol.
Orientações dos ortopedistas do HNSG — O alongamento e fortalecimento dos membros inferiores são fundamentais para prevenir lesões. Mantendo os tendões alongados, as chances de o atleta sofrer uma lesão são menores. O jogo deve ser realizado em gramados de boa qualidade.
Dr. Christiano Saliba Uliana, médico traumatologista e ortopedista do Hospital Nossa Senhora das Graças.
1 — Devido à alta velocidade, uma colisão com outro jogador pode ocasionar um traumatismo crânio-encefálico, podendo resultar em perda de consciência, desmaio e convulsão.
2 — No confronto entre jogadores, cotoveladas podem afundar o osso zigomático, próximo aos olhos.
3 — Conhecida como “puxada na virilha”, o movimento repetitivo nessa região (púbis) pode provocar inflamações no tendão que junta o músculo ao osso.
4 — Chutar a bola de mal jeito pode provocar lesões nos músculos da coxa, que são acionados durante este movimento.
5 — Os movimentos de rotação das pernas podem causar lesões no joelho, principalmente nos tendões, cartilagens, menisco e no ligamento cruzado anterior.
6 — Impactos tornam as panturrilhas alvos fáceis para inflamações ou estriamentos.
* — O uso de caneleira e meias longas protege de várias situações de traumas diretos.
7 — O forte impacto na região da panturrilha pode ocasionar fratura na tíbia e torções nos ligamentos que vão dos pés aos ossos da perna.
8 — Estresse devido aos movimentos repetitivos pode ocasionar fratura dos pés, pois os ossos são finos e se movimentam muito.
* — O uso de chuteiras apropriadas para cada piso diminui a incidência de lesões.
¹ Os textos dos boxes do infográfico tiveram seus desvios gramaticais corrigidos, quando da digitação, em função de se respeitar o padrão culto da língua portuguesa escrita. Essas correções, contudo, não interferem na resolução das questões relativas ao texto III.
Analise com atenção as seguintes afirmativas:
I – O texto em análise é do gênero infográfico. Para a compreensão desse texto, é irrelevante a relação entre o texto escrito e a imagem do jogador de futebol.
II – O título do texto e a sua finalidade estabelecem relação de contrariedade com uma das instituições promotoras das informações, o Hospital Nossa Senhora das Graças.
III – No infográfico, há oito informações principais (e duas secundárias) no que se refere às lesões causadas pelo futebol. A disposição espacial dessas informações no texto facilita a leitura, cobrindo o corpo humano dos membros superiores aos inferiores.
Está correto o que se afirma em
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)
VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.
TEXTO II
JOGAMOS FUTEBOL HÁ 4.500 ANOS
Há muitas versões sobre as origens do futebol. Teria surgido na China, há 4.500
anos. Há referências a práticas esportivas parecidas no século IX, na Grécia antiga, e
depois em Roma, um século antes da era cristã. Foi praticado em Florença, durante a
Renascença. Na Inglaterra medieval, é possível que tenha se originado da prática de
05 chutar a cabeça dos inimigos para se comemorarem vitórias nas guerras, evoluindo
para disputas entre aldeias, já com uma bola, na terça-feira do carnaval.
Carlos Byngton, médico brasileiro, considera o futebol uma atividade
revolucionária naquela época, por quatro razões: por ser associado ao carnaval e à
liberação das emoções instintivas; por ser jogado com os pés; por ser um esporte
10 coletivo e por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acabava de forma
amigável (apesar das fraturas e contusões), e que por isso desviava o interesse
popular dos torneios vigentes, que sempre terminavam com a morte dos adversários.
Em vez de treinar arco e flecha ou espada, a fim de se adestrar para os exércitos, o
povo começou a preferir jogar futebol. E por isso o esporte foi proibido em 1314 pelo rei
15 da Inglaterra, Eduardo II.
[...]
O futebol moderno nasceu no dia 26 de outubro de 1863, em Londres, quando
representantes de onze clubes fundaram “The Football Association”, estabelecendo as
leis e dando forma definitiva ao jogo. [...] Retornando da Inglaterra após um período de
estudos, o jovem Charles Miller, filho de ingleses ricos radicados em São Paulo,
20 desembarcou no porto de Santos, no inverno de 1894, trazendo na bagagem duas
bolas de couro. O football era a grande sensação dos colégios ingleses e Miller tornara-
se um praticante apaixonado do novo esporte.
O primeiro campo de futebol foi construído em um terreno de propriedade dos
pais de Miller, na Várzea do Carmo, no bairro paulistano do Brás. Ali, Miller e seus
25 amigos, todos britânicos e ricos, realizaram a primeira partida de futebol em solo
brasileiro. Quer dizer, a primeira praticada por pessoas que moravam no Brasil. Consta
que o primeiro jogo na verdade foi realizado no Rio de Janeiro, em 1878, por
marinheiros ingleses do navio Crimeia, que aproveitaram o dia de folga para fazer uma
pelada exatamente em frente ao palácio da princesa Isabel, na praia da Glória.
30 Foi também Charles Miller quem introduziu o futebol entre os esportes
praticados pela aristocracia paulistana que frequentava o São Paulo Athletic Club. O
novo esporte ganhou rapidamente a simpatia e a paixão da fina flor da sociedade de
São Paulo. Os rapazes jogavam de calça, ostentando até gravata de seda no uniforme.
O povo não tinha acesso ao esporte bretão, que durante muito tempo foi um jogo
35 exclusivo dos bem de vida.
Somente em 1908 a administração municipal de São Paulo liberou os terrenos
da Várzea do Carmo para que o povo pudesse jogar futebol. Aos poucos, os pobres
que se destacavam no esporte começaram a ser convidados pelos clubes
aristocráticos para integrar suas equipes, iniciando um processo crescente de
40 popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.
(In <http://www.novaescola.org.br> Acesso em 07 ago 2014)
TEXTO III – INFOGRÁFICO (os textos dos boxes encontram-se digitados na próxima página)
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(In <http://www.megacurioso.com.br/copa-do-mundo-2014/44776- htm> Acesso em 20 ago 2014)
Textos dos boxes¹ do infográfico:
Saúde em campo — Conheça as principais lesões causadas no futebol.
Orientações dos ortopedistas do HNSG — O alongamento e fortalecimento dos membros inferiores são fundamentais para prevenir lesões. Mantendo os tendões alongados, as chances de o atleta sofrer uma lesão são menores. O jogo deve ser realizado em gramados de boa qualidade.
Dr. Christiano Saliba Uliana, médico traumatologista e ortopedista do Hospital Nossa Senhora das Graças.
1 — Devido à alta velocidade, uma colisão com outro jogador pode ocasionar um traumatismo crânio-encefálico, podendo resultar em perda de consciência, desmaio e convulsão.
2 — No confronto entre jogadores, cotoveladas podem afundar o osso zigomático, próximo aos olhos.
3 — Conhecida como “puxada na virilha”, o movimento repetitivo nessa região (púbis) pode provocar inflamações no tendão que junta o músculo ao osso.
4 — Chutar a bola de mal jeito pode provocar lesões nos músculos da coxa, que são acionados durante este movimento.
5 — Os movimentos de rotação das pernas podem causar lesões no joelho, principalmente nos tendões, cartilagens, menisco e no ligamento cruzado anterior.
6 — Impactos tornam as panturrilhas alvos fáceis para inflamações ou estriamentos.
* — O uso de caneleira e meias longas protege de várias situações de traumas diretos.
7 — O forte impacto na região da panturrilha pode ocasionar fratura na tíbia e torções nos ligamentos que vão dos pés aos ossos da perna.
8 — Estresse devido aos movimentos repetitivos pode ocasionar fratura dos pés, pois os ossos são finos e se movimentam muito.
* — O uso de chuteiras apropriadas para cada piso diminui a incidência de lesões.
¹ Os textos dos boxes do infográfico tiveram seus desvios gramaticais corrigidos, quando da digitação, em função de se respeitar o padrão culto da língua portuguesa escrita. Essas correções, contudo, não interferem na resolução das questões relativas ao texto III.
A análise comparativa entre os textos I, II e III permite afirmar que
TEXTO III – INFOGRÁFICO (os textos dos boxes encontram-se digitados na próxima página)
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(In <http://www.megacurioso.com.br/copa-do-mundo-2014/44776- htm> Acesso em 20 ago 2014)
Textos dos boxes¹ do infográfico:
Saúde em campo — Conheça as principais lesões causadas no futebol.
Orientações dos ortopedistas do HNSG — O alongamento e fortalecimento dos membros inferiores são fundamentais para prevenir lesões. Mantendo os tendões alongados, as chances de o atleta sofrer uma lesão são menores. O jogo deve ser realizado em gramados de boa qualidade.
Dr. Christiano Saliba Uliana, médico traumatologista e ortopedista do Hospital Nossa Senhora das Graças.
1 — Devido à alta velocidade, uma colisão com outro jogador pode ocasionar um traumatismo crânio-encefálico, podendo resultar em perda de consciência, desmaio e convulsão.
2 — No confronto entre jogadores, cotoveladas podem afundar o osso zigomático, próximo aos olhos.
3 — Conhecida como “puxada na virilha”, o movimento repetitivo nessa região (púbis) pode provocar inflamações no tendão que junta o músculo ao osso.
4 — Chutar a bola de mal jeito pode provocar lesões nos músculos da coxa, que são acionados durante este movimento.
5 — Os movimentos de rotação das pernas podem causar lesões no joelho, principalmente nos tendões, cartilagens, menisco e no ligamento cruzado anterior.
6 — Impactos tornam as panturrilhas alvos fáceis para inflamações ou estriamentos.
* — O uso de caneleira e meias longas protege de várias situações de traumas diretos.
7 — O forte impacto na região da panturrilha pode ocasionar fratura na tíbia e torções nos ligamentos que vão dos pés aos ossos da perna.
8 — Estresse devido aos movimentos repetitivos pode ocasionar fratura dos pés, pois os ossos são finos e se movimentam muito.
* — O uso de chuteiras apropriadas para cada piso diminui a incidência de lesões.
¹ Os textos dos boxes do infográfico tiveram seus desvios gramaticais corrigidos, quando da digitação, em função de se respeitar o padrão culto da língua portuguesa escrita. Essas correções, contudo, não interferem na resolução das questões relativas ao texto III.
As informações contidas nos “boxes” do infográfico possibilitam a identificação de diversas relações de causa e de consequência, cujo objetivo é apresentar as variadas lesões causadas pelo futebol. De acordo com o texto, relacione as informações nas colunas a seguir:
COLUNA I: CAUSAS
A) Estresse devido aos movimentos repetitivos.
B) Movimentos de rotação das pernas.
C) Forte impacto na panturrilha.
D) Movimento repetitivo na púbis.
E) Chutar a bola de mal jeito.
COLUNA II: CONSEQUÊNCIAS
( ) Inflamações no tendão que junta o músculo ao osso.
( ) Lesão na musculatura da coxa.
( ) Fraturas nos pés.
( ) Fratura na tíbia, torções em ligamentos, entre os quais, dos ossos e das pernas.
( ) Entre várias lesões nos joelhos, os tendões podem ser os mais afetados.
A sequência correta da coluna II, indicando as consequências das causas expressas na coluna I, é
TEXTO III – INFOGRÁFICO (os textos dos boxes encontram-se digitados na próxima página)
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(In <http://www.megacurioso.com.br/copa-do-mundo-2014/44776- htm> Acesso em 20 ago 2014)
Textos dos boxes¹ do infográfico:
Saúde em campo — Conheça as principais lesões causadas no futebol.
Orientações dos ortopedistas do HNSG — O alongamento e fortalecimento dos membros inferiores são fundamentais para prevenir lesões. Mantendo os tendões alongados, as chances de o atleta sofrer uma lesão são menores. O jogo deve ser realizado em gramados de boa qualidade.
Dr. Christiano Saliba Uliana, médico traumatologista e ortopedista do Hospital Nossa Senhora das Graças.
1 — Devido à alta velocidade, uma colisão com outro jogador pode ocasionar um traumatismo crânio-encefálico, podendo resultar em perda de consciência, desmaio e convulsão.
2 — No confronto entre jogadores, cotoveladas podem afundar o osso zigomático, próximo aos olhos.
3 — Conhecida como “puxada na virilha”, o movimento repetitivo nessa região (púbis) pode provocar inflamações no tendão que junta o músculo ao osso.
4 — Chutar a bola de mal jeito pode provocar lesões nos músculos da coxa, que são acionados durante este movimento.
5 — Os movimentos de rotação das pernas podem causar lesões no joelho, principalmente nos tendões, cartilagens, menisco e no ligamento cruzado anterior.
6 — Impactos tornam as panturrilhas alvos fáceis para inflamações ou estriamentos.
* — O uso de caneleira e meias longas protege de várias situações de traumas diretos.
7 — O forte impacto na região da panturrilha pode ocasionar fratura na tíbia e torções nos ligamentos que vão dos pés aos ossos da perna.
8 — Estresse devido aos movimentos repetitivos pode ocasionar fratura dos pés, pois os ossos são finos e se movimentam muito.
* — O uso de chuteiras apropriadas para cada piso diminui a incidência de lesões.
¹ Os textos dos boxes do infográfico tiveram seus desvios gramaticais corrigidos, quando da digitação, em função de se respeitar o padrão culto da língua portuguesa escrita. Essas correções, contudo, não interferem na resolução das questões relativas ao texto III.
O trecho que, gramaticalmente, dirige-se ao interlocutor do texto é
TEXTO I
AS TEIXEIRAS E O FUTEBOL
Com os Andradas tínhamos feito uma espécie de pacto; a gente não jogava bola
na rua defronte da casa deles, mas um pouco para cima, onde havia um muro que
dava para o quintal da casa; em compensação, eles deixavam a gente pular o muro e
apanhar a bola quando ela caía lá. Mas o muro não era bastante comprido, e assim o
05 nosso campo abrangia, como eu ia dizendo, algumas janelas das Teixeiras. As quais,
eu também já disse, não apreciavam futebol.
Quando a gritaria na rua era maior, uma das Teixeiras costumava nos passar um
pito da janela, mandando a gente embora. O jogo parava um instante, ficávamos
quietos, de cara no chão – e logo que ela saía da janela a peleja continuava. Às vezes
10 aquela ou outra Teixeira voltava a gritar conosco – começavam por nos chamar de
“meninos desobedientes” e acabavam nos chamando de “moleques”, o que nos ofendia
muito (“Moleque é a senhora!” – gritou Chico uma vez), mas de modo algum nos
impedia de finalizar a pugna.
Uma das Teixeiras era mais cordial, chamava um de nós pelo nome, dizia que
15 éramos uns meninos inteligentes, filhos de gente boa, portanto poderíamos
compreender que a bola poderia quebrar uma vidraça. “Não quebra não, senhora! Não
quebra não, senhora!” – gritávamos com absoluta convicção, e tratávamos de tocar o
jogo para frente para não ouvir novas observações.
Um dia ela nos propôs jogar mais para baixo, então o Juquinha foi genial: “Não,
20 senhora, lá nós não podemos porque tem a Dona Constança doente”, desculpa notável
e prova de bom coração de nosso time.
“Então por que vocês não jogam mais para cima?” – propôs ela com certa
astúcia, e falando um pouco baixo, como se temesse que os vizinhos de cima
ouvissem. “Ah, não, lá o campo não presta!”, argumento, aliás sincero, de ordem
25 técnica, e portanto irrespondível.
“Eu vou falar com papai! Quando ele chegar vocês vão ver” – gritou certa vez
uma das Teixeiras mais antipáticas. Pois naquele momento o coronel de bigodes
brancos ia chegando, o jogo parou, ele perguntou à filha o que era, ela disse “esses
meninos fazendo algazarra aí, é um inferno, qualquer hora quebram uma vidraça” –
30 mas o velho ouviu calado e entrou calado, sem sequer nos olhar, nem dar qualquer
importância ao fato. Sentimos que o velho, sim, era uma pessoa realmente importante e
um homem direito, e superior, e continuamos nossa partida.
As queixas que algumas Teixeiras faziam em nossa casa eram muito bem
recebidas por mamãe, que lhes dava toda razão – “esses meninos estão mesmo
35 impossíveis” – e uma ou duas vezes nos transmitiu essas queixas sem convicção. De
outra feita, como a conversa lá em casa versasse sobre as Teixeiras, ouvimo-la dizer
que fulana e sicrana (duas das irmãs) eram muito boazinhas, muito simpáticas, mas
beltrana, coitada, era enjoada, tão antipática, “ainda ontem esteve aqui fazendo queixas
de meus filhos”.
40 Mamãe era a favor de nosso time; mamãe, no fundo, e papai também (hoje, que
o time e eles dois morreram, esta súbita certeza, ao meditar no distante passado, tem
um poder absurdo, inesperado de me comover, até sentir um ardor de lágrimas nos
43 olhos) – eles sempre foram a favor de nosso time!
[...]
(BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas.17 ed. Rio de Janeiro, Record, 2001.)
VOCABULÁRIO
Pito – repreensão.
Pugna – disputa.
Versar – dizer a respeito, falar sobre.
TEXTO II
JOGAMOS FUTEBOL HÁ 4.500 ANOS
Há muitas versões sobre as origens do futebol. Teria surgido na China, há 4.500
anos. Há referências a práticas esportivas parecidas no século IX, na Grécia antiga, e
depois em Roma, um século antes da era cristã. Foi praticado em Florença, durante a
Renascença. Na Inglaterra medieval, é possível que tenha se originado da prática de
05 chutar a cabeça dos inimigos para se comemorarem vitórias nas guerras, evoluindo
para disputas entre aldeias, já com uma bola, na terça-feira do carnaval.
Carlos Byngton, médico brasileiro, considera o futebol uma atividade
revolucionária naquela época, por quatro razões: por ser associado ao carnaval e à
liberação das emoções instintivas; por ser jogado com os pés; por ser um esporte
10 coletivo e por dirigir as emoções do povo para uma disputa que acabava de forma
amigável (apesar das fraturas e contusões), e que por isso desviava o interesse
popular dos torneios vigentes, que sempre terminavam com a morte dos adversários.
Em vez de treinar arco e flecha ou espada, a fim de se adestrar para os exércitos, o
povo começou a preferir jogar futebol. E por isso o esporte foi proibido em 1314 pelo rei
15 da Inglaterra, Eduardo II.
[...]
O futebol moderno nasceu no dia 26 de outubro de 1863, em Londres, quando
representantes de onze clubes fundaram “The Football Association”, estabelecendo as
leis e dando forma definitiva ao jogo. [...] Retornando da Inglaterra após um período de
estudos, o jovem Charles Miller, filho de ingleses ricos radicados em São Paulo,
20 desembarcou no porto de Santos, no inverno de 1894, trazendo na bagagem duas
bolas de couro. O football era a grande sensação dos colégios ingleses e Miller tornara-
se um praticante apaixonado do novo esporte.
O primeiro campo de futebol foi construído em um terreno de propriedade dos
pais de Miller, na Várzea do Carmo, no bairro paulistano do Brás. Ali, Miller e seus
25 amigos, todos britânicos e ricos, realizaram a primeira partida de futebol em solo
brasileiro. Quer dizer, a primeira praticada por pessoas que moravam no Brasil. Consta
que o primeiro jogo na verdade foi realizado no Rio de Janeiro, em 1878, por
marinheiros ingleses do navio Crimeia, que aproveitaram o dia de folga para fazer uma
pelada exatamente em frente ao palácio da princesa Isabel, na praia da Glória.
30 Foi também Charles Miller quem introduziu o futebol entre os esportes
praticados pela aristocracia paulistana que frequentava o São Paulo Athletic Club. O
novo esporte ganhou rapidamente a simpatia e a paixão da fina flor da sociedade de
São Paulo. Os rapazes jogavam de calça, ostentando até gravata de seda no uniforme.
O povo não tinha acesso ao esporte bretão, que durante muito tempo foi um jogo
35 exclusivo dos bem de vida.
Somente em 1908 a administração municipal de São Paulo liberou os terrenos
da Várzea do Carmo para que o povo pudesse jogar futebol. Aos poucos, os pobres
que se destacavam no esporte começaram a ser convidados pelos clubes
aristocráticos para integrar suas equipes, iniciando um processo crescente de
40 popularização do futebol, que resultou nisso que se conhece.
(In <http://www.novaescola.org.br> Acesso em 07 ago 2014)
TEXTO III – INFOGRÁFICO (os textos dos boxes encontram-se digitados na próxima página)
![]()
(In <http://www.megacurioso.com.br/copa-do-mundo-2014/44776- htm> Acesso em 20 ago 2014)
Textos dos boxes¹ do infográfico:
Saúde em campo — Conheça as principais lesões causadas no futebol.
Orientações dos ortopedistas do HNSG — O alongamento e fortalecimento dos membros inferiores são fundamentais para prevenir lesões. Mantendo os tendões alongados, as chances de o atleta sofrer uma lesão são menores. O jogo deve ser realizado em gramados de boa qualidade.
Dr. Christiano Saliba Uliana, médico traumatologista e ortopedista do Hospital Nossa Senhora das Graças.
1 — Devido à alta velocidade, uma colisão com outro jogador pode ocasionar um traumatismo crânio-encefálico, podendo resultar em perda de consciência, desmaio e convulsão.
2 — No confronto entre jogadores, cotoveladas podem afundar o osso zigomático, próximo aos olhos.
3 — Conhecida como “puxada na virilha”, o movimento repetitivo nessa região (púbis) pode provocar inflamações no tendão que junta o músculo ao osso.
4 — Chutar a bola de mal jeito pode provocar lesões nos músculos da coxa, que são acionados durante este movimento.
5 — Os movimentos de rotação das pernas podem causar lesões no joelho, principalmente nos tendões, cartilagens, menisco e no ligamento cruzado anterior.
6 — Impactos tornam as panturrilhas alvos fáceis para inflamações ou estriamentos.
* — O uso de caneleira e meias longas protege de várias situações de traumas diretos.
7 — O forte impacto na região da panturrilha pode ocasionar fratura na tíbia e torções nos ligamentos que vão dos pés aos ossos da perna.
8 — Estresse devido aos movimentos repetitivos pode ocasionar fratura dos pés, pois os ossos são finos e se movimentam muito.
* — O uso de chuteiras apropriadas para cada piso diminui a incidência de lesões.
¹ Os textos dos boxes do infográfico tiveram seus desvios gramaticais corrigidos, quando da digitação, em função de se respeitar o padrão culto da língua portuguesa escrita. Essas correções, contudo, não interferem na resolução das questões relativas ao texto III.
Quanto à finalidade dos textos I, II e III, é correto afirmar que
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