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Colégio Militar do Rio de Janeiro — Concurso de Admissão ao 1º ano do Ensino Médio 2014/2015 — Prova de Português

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Colégio Militar do Rio de Janeiro2014Fundamental

21 questões nesta prova · página 1 de 2 · 20 com gabarito

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2014 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
No ano de seu centenário, nossa homenagem a Dorival Caymmi. E a todas as mãos que fazem, do preparo dos alimentos, um ato de dedicação, responsabilidade e poesia.

Vatapá

Quem quiser vatapá, ô
Que procure fazer
Primeiro o fubá
Depois o dendê
5 Procure uma nega baiana, ô
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Procure uma nega baiana, ô
10 Que saiba mexer
Que saiba mexer
Que saiba mexer

Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
15 Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
20 Um bocadinho mais

Amendoim, camarão, rala um coco
Na hora de machucar
Sal com gengibre e cebola, iaiá
Na hora de temperar
25 Não para de mexer, ô
Que é pra não embolar
Panela no fogo
Não deixa queimar
Com qualquer dez mil réis e uma nega ô
30 Se faz um vatapá
Se faz um vatapá
Que bom vatapá

Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
35 Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
40 Um bocadinho mais

Amendoim, camarão, rala um coco
Na hora de machucar
Sal com gengibre e cebola

Disponível em<http://letras.mus.br/dorival-caymmi>

Os recursos de linguagem que aproximam a letra da canção de Dorival Caymmi da receita culinária produzem uma expressividade fundamentada na
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Resolução comentada

Os recursos que aproximam a canção da receita (verbos no imperativo, repetições, cadência) produzem expressividade pela força do ritmo.

A letra imita o passo a passo de uma receita ('procure', 'bota', 'não para de mexer'). As repetições ('que saiba mexer', 'um bocadinho mais') criam uma cadência que acompanha o gesto de mexer a panela. A expressividade vem, portanto, do ritmo como aliado no preparo do prato.

Análise das alternativas

A) A letra não tem finalidade didática; é uma canção poética. B) Nada no texto indica malícia em relação aos ingredientes. C) A linguagem informal existe, mas não é o recurso que aproxima a canção da receita. E) Os elementos culturais aparecem no texto, mas não são o fundamento da expressividade criada pelos recursos de linguagem aproximados da receita.

Referência: Interpretação de texto: gênero canção, função poética e ritmo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Semântica — Sentido Contextual das Palavras

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2014 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
No ano de seu centenário, nossa homenagem a Dorival Caymmi. E a todas as mãos que fazem, do preparo dos alimentos, um ato de dedicação, responsabilidade e poesia.

Vatapá

Quem quiser vatapá, ô
Que procure fazer
Primeiro o fubá
Depois o dendê
5 Procure uma nega baiana, ô
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Procure uma nega baiana, ô
10 Que saiba mexer
Que saiba mexer
Que saiba mexer

Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
15 Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
20 Um bocadinho mais

Amendoim, camarão, rala um coco
Na hora de machucar
Sal com gengibre e cebola, iaiá
Na hora de temperar
25 Não para de mexer, ô
Que é pra não embolar
Panela no fogo
Não deixa queimar
Com qualquer dez mil réis e uma nega ô
30 Se faz um vatapá
Se faz um vatapá
Que bom vatapá

Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
35 Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
40 Um bocadinho mais

Amendoim, camarão, rala um coco
Na hora de machucar
Sal com gengibre e cebola

Disponível em<http://letras.mus.br/dorival-caymmi>

No contexto em que foi empregado, o verbo machucar (v. 22) adquire um aspecto semântico que representa
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Resolução comentada

'Machucar' sugere uma visão sensível e poética de uma etapa do preparo do vatapá.

No contexto ('rala um coco / na hora de machucar'), o verbo designa amassar os ingredientes, mas com sentido figurado e afetivo. Isso dá uma visão sensível da etapa do preparo.

Análise das alternativas

A: não se refere à ardência da pimenta. B: não trata de desafio no tempero. D: não há menção ao público consumidor. E: não há ideia de perigo com utensílios.

Referência: Semântica — sentido contextual

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Conjunções — Valor Semântico

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2014 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
No ano de seu centenário, nossa homenagem a Dorival Caymmi. E a todas as mãos que fazem, do preparo dos alimentos, um ato de dedicação, responsabilidade e poesia.

Vatapá

Quem quiser vatapá, ô
Que procure fazer
Primeiro o fubá
Depois o dendê
5 Procure uma nega baiana, ô
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Procure uma nega baiana, ô
10 Que saiba mexer
Que saiba mexer
Que saiba mexer

Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
15 Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
20 Um bocadinho mais

Amendoim, camarão, rala um coco
Na hora de machucar
Sal com gengibre e cebola, iaiá
Na hora de temperar
25 Não para de mexer, ô
Que é pra não embolar
Panela no fogo
Não deixa queimar
Com qualquer dez mil réis e uma nega ô
30 Se faz um vatapá
Se faz um vatapá
Que bom vatapá

Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
35 Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
40 Um bocadinho mais

Amendoim, camarão, rala um coco
Na hora de machucar
Sal com gengibre e cebola

Disponível em<http://letras.mus.br/dorival-caymmi>

Nos versos Trecho: “Não para de mexer, ô / Que é pra não embolar”, com a expressão “Que é pra” sublinhada. (v. 25-26), a expressão sublinhada é exemplo do registro coloquial da língua. Aqui, ela equivale, semanticamente, ao valor adverbial de
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Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2014 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
ESCOLA DE CULINÁRIA SABOR E ARTE

RECEITA DE DONA FLOR: MOQUECA DE SIRI MOLE

Aula teórica: INGREDIENTES (para 8 pessoas): uma xícara de leite de coco, puro, sem água; uma xícara de azeite de dendê; um quilo de siri mole. Para o molho: três dentes de alho; sal a gosto; o suco de um limão; coentro; salsa; cebolinha verde; duas cebolas; meia xícara de azeite doce; um pimentão; meio quilo de tomates. Para depois: quatro tomates; uma cebola; um pimentão.

Aula prática:
Ralem duas cebolas, amassem o alho no pilão;
cebola e alho não empestam, não, senhoras,
são frutos da terra, perfumados.
Piquem o coentro bem picado, a salsa, alguns tomates,
5 a cebolinha e o meio pimentão.
Misturem tudo em azeite doce e a parte ponham
esse molho de aromas suculento.
(essas tolas acham a cebola fedorenta,
que sabem elas dos odores puros?
10 Vadinho gostava de comer cebola crua
e seu beijo ardia).
Lavem os siris inteiros em água de limão,
lavem bastante, mais um pouco ainda,
para tirar o sujo sem lhes tirar porém a maresia.
15 E agora a temperá-los: um a um
no molho mergulhando, depois na frigideira
colocando um a um, os siris com seu tempero.
Espalhem o resto do molho por cima dos siris
bem devagar que esse prato é muito delicado.
20 (ai, era o prato preferido de Vadinho!)
Tomem de quatro tomates escolhidos, um pimentão,
uma cebola, tudo por cima e em rodelas coloquem para dar
um toque de beleza. No abafado por duas horas deixem
a tomar gosto. Levem depois a frigideira ao fogo.
25 (Ia ele mesmo comprar o siri mole,
possuía freguês antigo, no Mercado...)
Quando estiver quase cozido e só então
juntem o leite de coco e no finzinho
o azeite de dendê, pouco antes de tirar do fogo.
30 (Ia provar o molho a todo instante,
gosto mais apurado ninguém tinha).
Aí está esse prato fino, requintado, da melhor cozinha,
quem o fizer pode gabar-se com razão
de ser cozinheira de mão cheia.
35 Mas, se não tiver competência, é melhor não se meter
nem todo mundo nasce artista do fogão.
(Era o prato predileto de Vadinho
nunca mais em minha mesa o servirei.
Seus dentes mordiam o siri mole,
40 seus lábios amarelos do dendê.
Ai, nunca mais seus lábios,
sua língua, nunca mais
sua ardida boca de cebola crua!)

AMADO, Jorge. Dona Flor e seus dois maridos. Rio de Janeiro: Record, 1975.

Dona Flor, do romance de Jorge Amado, é conhecida por seu talento e sua criatividade na cozinha. Na receita apresentada, o que distingue essa peculiaridade da personagem é
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Resolução comentada

O talento de Dona Flor aparece na exploração dos aspectos emotivos e estéticos dos pratos.

A receita traz toques de beleza ('um toque de beleza'), cuidado e memória afetiva (os parênteses sobre Vadinho). A cozinha de Dona Flor é, assim, emoção e estética, além da técnica.

Análise das alternativas

B: ela não pretende persuadir as alunas à criatividade. C: exatidão é próprio de receitas em geral. D: o refinamento não está na escolha de ingredientes nobres. E: a memória afetiva aparece, mas não na combinação dos temperos.

Referência: Interpretação de texto

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Gêneros Textuais

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2014 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
ESCOLA DE CULINÁRIA SABOR E ARTE

RECEITA DE DONA FLOR: MOQUECA DE SIRI MOLE

Aula teórica: INGREDIENTES (para 8 pessoas): uma xícara de leite de coco, puro, sem água; uma xícara de azeite de dendê; um quilo de siri mole. Para o molho: três dentes de alho; sal a gosto; o suco de um limão; coentro; salsa; cebolinha verde; duas cebolas; meia xícara de azeite doce; um pimentão; meio quilo de tomates. Para depois: quatro tomates; uma cebola; um pimentão.

Aula prática:
Ralem duas cebolas, amassem o alho no pilão;
cebola e alho não empestam, não, senhoras,
são frutos da terra, perfumados.
Piquem o coentro bem picado, a salsa, alguns tomates,
5 a cebolinha e o meio pimentão.
Misturem tudo em azeite doce e a parte ponham
esse molho de aromas suculento.
(essas tolas acham a cebola fedorenta,
que sabem elas dos odores puros?
10 Vadinho gostava de comer cebola crua
e seu beijo ardia).
Lavem os siris inteiros em água de limão,
lavem bastante, mais um pouco ainda,
para tirar o sujo sem lhes tirar porém a maresia.
15 E agora a temperá-los: um a um
no molho mergulhando, depois na frigideira
colocando um a um, os siris com seu tempero.
Espalhem o resto do molho por cima dos siris
bem devagar que esse prato é muito delicado.
20 (ai, era o prato preferido de Vadinho!)
Tomem de quatro tomates escolhidos, um pimentão,
uma cebola, tudo por cima e em rodelas coloquem para dar
um toque de beleza. No abafado por duas horas deixem
a tomar gosto. Levem depois a frigideira ao fogo.
25 (Ia ele mesmo comprar o siri mole,
possuía freguês antigo, no Mercado...)
Quando estiver quase cozido e só então
juntem o leite de coco e no finzinho
o azeite de dendê, pouco antes de tirar do fogo.
30 (Ia provar o molho a todo instante,
gosto mais apurado ninguém tinha).
Aí está esse prato fino, requintado, da melhor cozinha,
quem o fizer pode gabar-se com razão
de ser cozinheira de mão cheia.
35 Mas, se não tiver competência, é melhor não se meter
nem todo mundo nasce artista do fogão.
(Era o prato predileto de Vadinho
nunca mais em minha mesa o servirei.
Seus dentes mordiam o siri mole,
40 seus lábios amarelos do dendê.
Ai, nunca mais seus lábios,
sua língua, nunca mais
sua ardida boca de cebola crua!)

AMADO, Jorge. Dona Flor e seus dois maridos. Rio de Janeiro: Record, 1975.

A receita culinária é um gênero que segue um modelo tradicional, adequado à intenção de orientar quanto às etapas e ao modo de fazer um prato. O texto extraído da obra Dona Flor e seus dois maridos transcende esse caráter informativo,pois
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Resolução comentada

O texto vai além da receita ao incluir emoção e subjetividade da personagem no preparo.

Os versos entre parênteses trazem lembranças de Vadinho e saudade, misturando a receita à emoção de Dona Flor. Isso transcende o caráter informativo e valoriza o lado subjetivo do ato de cozinhar.

Análise das alternativas

A: a divisão teórica/prática é só formal. C: a interlocução com as alunas é típica de aula e não vai além da informação. D: a melancolia é só um aspecto da emoção. E: a linguagem poética é recurso, não o fator que supera o caráter informativo.

Referência: Gêneros textuais — Jorge Amado

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Classes de Palavras — Substantivação

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2014 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
ESCOLA DE CULINÁRIA SABOR E ARTE

RECEITA DE DONA FLOR: MOQUECA DE SIRI MOLE

Aula teórica: INGREDIENTES (para 8 pessoas): uma xícara de leite de coco, puro, sem água; uma xícara de azeite de dendê; um quilo de siri mole. Para o molho: três dentes de alho; sal a gosto; o suco de um limão; coentro; salsa; cebolinha verde; duas cebolas; meia xícara de azeite doce; um pimentão; meio quilo de tomates. Para depois: quatro tomates; uma cebola; um pimentão.

Aula prática:
Ralem duas cebolas, amassem o alho no pilão;
cebola e alho não empestam, não, senhoras,
são frutos da terra, perfumados.
Piquem o coentro bem picado, a salsa, alguns tomates,
5 a cebolinha e o meio pimentão.
Misturem tudo em azeite doce e a parte ponham
esse molho de aromas suculento.
(essas tolas acham a cebola fedorenta,
que sabem elas dos odores puros?
10 Vadinho gostava de comer cebola crua
e seu beijo ardia).
Lavem os siris inteiros em água de limão,
lavem bastante, mais um pouco ainda,
para tirar o sujo sem lhes tirar porém a maresia.
15 E agora a temperá-los: um a um
no molho mergulhando, depois na frigideira
colocando um a um, os siris com seu tempero.
Espalhem o resto do molho por cima dos siris
bem devagar que esse prato é muito delicado.
20 (ai, era o prato preferido de Vadinho!)
Tomem de quatro tomates escolhidos, um pimentão,
uma cebola, tudo por cima e em rodelas coloquem para dar
um toque de beleza. No abafado por duas horas deixem
a tomar gosto. Levem depois a frigideira ao fogo.
25 (Ia ele mesmo comprar o siri mole,
possuía freguês antigo, no Mercado...)
Quando estiver quase cozido e só então
juntem o leite de coco e no finzinho
o azeite de dendê, pouco antes de tirar do fogo.
30 (Ia provar o molho a todo instante,
gosto mais apurado ninguém tinha).
Aí está esse prato fino, requintado, da melhor cozinha,
quem o fizer pode gabar-se com razão
de ser cozinheira de mão cheia.
35 Mas, se não tiver competência, é melhor não se meter
nem todo mundo nasce artista do fogão.
(Era o prato predileto de Vadinho
nunca mais em minha mesa o servirei.
Seus dentes mordiam o siri mole,
40 seus lábios amarelos do dendê.
Ai, nunca mais seus lábios,
sua língua, nunca mais
sua ardida boca de cebola crua!)

AMADO, Jorge. Dona Flor e seus dois maridos. Rio de Janeiro: Record, 1975.

Na passagem Trecho: “lavem bastante, mais um pouco ainda, para tirar o sujo”, com “o sujo” sublinhado. (ℓ. 13-14), o termo destacado é morfologicamente equivalente ao que está grifado em:
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Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2014 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Comida é pasto

Mostrando que com comida não se brinca, o jornalista norte-americano Michael Pollan vem à Flip* defender que voltar à cozinha é um ato político

A geladeira de Michael Pollan não tem Coca-Cola, margarina nem leite de
amêndoas, nova mania das dietas americanas. Tem saquinhos de plástico com
verduras e frutas, potes com feijão e restos do jantar anterior, além de iogurte e
leite de caixinha.
5 Algumas coisas vêm da própria horta, montada na frente de sua casa em
Berkeley, na Califórnia. No centro da pequena plantação, rodeada por pés de
tomate, abóbora e manjericão, há uma grelha onde ele costuma preparar um porco
inteiro uma vez por ano.
[...]
Michael Pollan é um jornalista americano de 59 anos que virou guru da vida
10 saudável ao passar os últimos 15 anos escrevendo reportagens e livros sobre os
exageros da indústria alimentícia e alertando sobre nossos excessos à mesa. “Coma
comida, não muita, sobretudo vegetais”, diz seu mantra, explicado no livro “Em
Defesa da Comida” (2008), que critica as dietas ocidentais focadas em nutrientes e
não em alimentos de verdade.
15 Ele também lançou o manual “Regras da Comida” (2009), com 64 dicas
bem práticas e cheias de bom senso como: “Não coma nada que sua avó não
reconheceria como comida” ou “Compre pratos e copos menores”.
No livro mais recente, “Cozinhar –Uma História Natural da
Transformação” (ed. Intrínseca), lançado em 2013 nos EUA e agora no Brasil, ele
20 vai além e pede um comprometimento maior em nome da saúde. Diz que devemos
todos voltar à cozinha. Para quem cresceu longe do fogão, parece ser seu conselho
mais difícil.
“Cozinhar sua própria comida é um ato político muito importante”, diz
Michael, um homem alto e charmoso, de fala mansa e risada fácil. “Tem a ver com
25 independência e autonomia. Abrimos mão de muito poder ao deixar as grandes
corporações cozinharem para nós porque elas decidem quais fazendas vão apoiar e,
normalmente, são bem aquelas que fazem um tipo de agricultura que certamente
você desaprovaria”, diz, fazendo referência a práticas como confinamento cruel de
30 animais e monoculturas gigantescas.

Ovos, um bom começo

Digo a ele que eu não cozinho, nem minha mãe, e ele quer saber como fui
30 alimentada. Empregadas domésticas que também fazem comida são comuns no
Brasil, afirmo. “Pelo menos, era um humano cozinhando para você, isso é bom.
Pena que nem todos têm esse privilégio”, diz. “Ovos são um bom começo”, ele
elogia, quando conto que sei fazer omelete.
Um dos problemas de cozinhar, acredita o jornalista, é a lembrança dos
35 velhos arranjos sexistas de poder dentro de casa. Para ele, foi justamente quando
homem e mulher começavam a pensar em negociar a divisão de tarefas domésticas
que a indústria do fast-food apareceu para resolver o embate. A “liberação
feminina” virou tema de propaganda de frango frito nos EUA.
“Se vamos reviver a cultura da cozinha, não podemos voltar ao passado.
40 Precisa ser uma cultura diferente, algo a ser compartilhado por homens, mulheres e
crianças”, diz o autor de “O Dilema do Onívoro” (2006), seu primeiro livro sobre a
indústria alimentícia, que o lançou como um novo pensador dos hábitos
alimentares.
O livro veio depois de uma série de artigos sobre agricultura, como um
45 publicado pelo “New York Times”, no final dos anos 1990, sobre sua visita a uma
plantação de batatas geneticamente modificadas. Tudo era controlado por
computador porque um dos elementos químicos usados para combater manchas
escuras era tão tóxico que o fazendeiro precisava ficar longe do campo por três
dias.
50 As manchas só apareciam nas batatas daquela variedade, a única que a rede
McDonald's aceitava comprar, já que as batatas fritas da rede precisam ser iguais
no mundo todo. “É fácil culpar o fazendeiro, mas nós demandamos um certo tipo
de produto. Somos cúmplices.”
[...]
Quando nos encontramos, ele estava animado com sua primeira viagem ao
55 Brasil. Pretendia passar alguns dias em Salvador antes de ir ao Rio e a Paraty para a
Flip. Estava feliz com o encontro que tinha marcado com o médico brasileiro
Carlos Augusto Monteiro, professor titular da Faculdade de Saúde Pública da USP
que desenvolve pesquisas comparando comidas pelo seu grau de processamento e
não apenas pelos nutrientes.
60 Está curioso para conhecer as churrascarias: “O gado ainda pasta ao ar
livre?”, indaga. Michael é daqueles que, antes de pedir, quer saber a origem da
carne. “Comer é complicado.”

*Flip – Feira Literária Internacional de Paraty

Revista Serafina / Folha de São Paulo, agosto/2014. Comida é pasto, por Fernanda Ezabella. (fragmentos).Disponível em <http://folha.uol.com.br/fsp/ilustrada>

Ao considerar que cozinhar “é um ato político” (ℓ. 23), o jornalista Michael Pollan compreende um conjunto de ações conduzidas pelo princípio segundo o qual
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Para Pollan, cozinhar é político porque dá independência e autonomia, uma forma de poder.

Ele afirma que cozinhar tem a ver com 'independência e autonomia' e que se abre mão de poder ao deixar as corporações cozinharem. Escolher e preparar a própria comida é, portanto, exercer poder.

Análise das alternativas

A: não fala em competir com a indústria. B: ele rejeita 'voltar ao passado'. C: a alimentação natural não é descrita como protesto contra o agronegócio. D: a economia não é o argumento.

Referência: Interpretação de texto

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2014 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Comida é pasto

Mostrando que com comida não se brinca, o jornalista norte-americano Michael Pollan vem à Flip* defender que voltar à cozinha é um ato político

A geladeira de Michael Pollan não tem Coca-Cola, margarina nem leite de
amêndoas, nova mania das dietas americanas. Tem saquinhos de plástico com
verduras e frutas, potes com feijão e restos do jantar anterior, além de iogurte e
leite de caixinha.
5 Algumas coisas vêm da própria horta, montada na frente de sua casa em
Berkeley, na Califórnia. No centro da pequena plantação, rodeada por pés de
tomate, abóbora e manjericão, há uma grelha onde ele costuma preparar um porco
inteiro uma vez por ano.
[...]
Michael Pollan é um jornalista americano de 59 anos que virou guru da vida
10 saudável ao passar os últimos 15 anos escrevendo reportagens e livros sobre os
exageros da indústria alimentícia e alertando sobre nossos excessos à mesa. “Coma
comida, não muita, sobretudo vegetais”, diz seu mantra, explicado no livro “Em
Defesa da Comida” (2008), que critica as dietas ocidentais focadas em nutrientes e
não em alimentos de verdade.
15 Ele também lançou o manual “Regras da Comida” (2009), com 64 dicas
bem práticas e cheias de bom senso como: “Não coma nada que sua avó não
reconheceria como comida” ou “Compre pratos e copos menores”.
No livro mais recente, “Cozinhar –Uma História Natural da
Transformação” (ed. Intrínseca), lançado em 2013 nos EUA e agora no Brasil, ele
20 vai além e pede um comprometimento maior em nome da saúde. Diz que devemos
todos voltar à cozinha. Para quem cresceu longe do fogão, parece ser seu conselho
mais difícil.
“Cozinhar sua própria comida é um ato político muito importante”, diz
Michael, um homem alto e charmoso, de fala mansa e risada fácil. “Tem a ver com
25 independência e autonomia. Abrimos mão de muito poder ao deixar as grandes
corporações cozinharem para nós porque elas decidem quais fazendas vão apoiar e,
normalmente, são bem aquelas que fazem um tipo de agricultura que certamente
você desaprovaria”, diz, fazendo referência a práticas como confinamento cruel de
30 animais e monoculturas gigantescas.

Ovos, um bom começo

Digo a ele que eu não cozinho, nem minha mãe, e ele quer saber como fui
30 alimentada. Empregadas domésticas que também fazem comida são comuns no
Brasil, afirmo. “Pelo menos, era um humano cozinhando para você, isso é bom.
Pena que nem todos têm esse privilégio”, diz. “Ovos são um bom começo”, ele
elogia, quando conto que sei fazer omelete.
Um dos problemas de cozinhar, acredita o jornalista, é a lembrança dos
35 velhos arranjos sexistas de poder dentro de casa. Para ele, foi justamente quando
homem e mulher começavam a pensar em negociar a divisão de tarefas domésticas
que a indústria do fast-food apareceu para resolver o embate. A “liberação
feminina” virou tema de propaganda de frango frito nos EUA.
“Se vamos reviver a cultura da cozinha, não podemos voltar ao passado.
40 Precisa ser uma cultura diferente, algo a ser compartilhado por homens, mulheres e
crianças”, diz o autor de “O Dilema do Onívoro” (2006), seu primeiro livro sobre a
indústria alimentícia, que o lançou como um novo pensador dos hábitos
alimentares.
O livro veio depois de uma série de artigos sobre agricultura, como um
45 publicado pelo “New York Times”, no final dos anos 1990, sobre sua visita a uma
plantação de batatas geneticamente modificadas. Tudo era controlado por
computador porque um dos elementos químicos usados para combater manchas
escuras era tão tóxico que o fazendeiro precisava ficar longe do campo por três
dias.
50 As manchas só apareciam nas batatas daquela variedade, a única que a rede
McDonald's aceitava comprar, já que as batatas fritas da rede precisam ser iguais
no mundo todo. “É fácil culpar o fazendeiro, mas nós demandamos um certo tipo
de produto. Somos cúmplices.”
[...]
Quando nos encontramos, ele estava animado com sua primeira viagem ao
55 Brasil. Pretendia passar alguns dias em Salvador antes de ir ao Rio e a Paraty para a
Flip. Estava feliz com o encontro que tinha marcado com o médico brasileiro
Carlos Augusto Monteiro, professor titular da Faculdade de Saúde Pública da USP
que desenvolve pesquisas comparando comidas pelo seu grau de processamento e
não apenas pelos nutrientes.
60 Está curioso para conhecer as churrascarias: “O gado ainda pasta ao ar
livre?”, indaga. Michael é daqueles que, antes de pedir, quer saber a origem da
carne. “Comer é complicado.”

*Flip – Feira Literária Internacional de Paraty

Revista Serafina / Folha de São Paulo, agosto/2014. Comida é pasto, por Fernanda Ezabella. (fragmentos).Disponível em <http://folha.uol.com.br/fsp/ilustrada>

A sugestão do jornalista americano para que o leitor “não coma nada que sua avó não reconheceria como comida” (ℓ. 16-17) fundamenta-se, segundo seu ponto de vista, na ideia de que
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A regra da avó parte da ideia de que os alimentos processados atuais não são confiáveis nem saudáveis.

Pollan critica a indústria alimentícia e as dietas focadas em nutrientes, e defende 'comida de verdade'. Se a avó não reconheceria o produto como comida, ele provavelmente é processado e pouco saudável.

Análise das alternativas

B: não diz que a sabedoria ancestral ficou para trás. C: não trata de distanciamento entre gerações. D: não considera os mais velhos defasados. E: a culinária moderna não é apresentada como mantenedora da tradição.

Referência: Interpretação de texto

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2014 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Comida é pasto

Mostrando que com comida não se brinca, o jornalista norte-americano Michael Pollan vem à Flip* defender que voltar à cozinha é um ato político

A geladeira de Michael Pollan não tem Coca-Cola, margarina nem leite de
amêndoas, nova mania das dietas americanas. Tem saquinhos de plástico com
verduras e frutas, potes com feijão e restos do jantar anterior, além de iogurte e
leite de caixinha.
5 Algumas coisas vêm da própria horta, montada na frente de sua casa em
Berkeley, na Califórnia. No centro da pequena plantação, rodeada por pés de
tomate, abóbora e manjericão, há uma grelha onde ele costuma preparar um porco
inteiro uma vez por ano.
[...]
Michael Pollan é um jornalista americano de 59 anos que virou guru da vida
10 saudável ao passar os últimos 15 anos escrevendo reportagens e livros sobre os
exageros da indústria alimentícia e alertando sobre nossos excessos à mesa. “Coma
comida, não muita, sobretudo vegetais”, diz seu mantra, explicado no livro “Em
Defesa da Comida” (2008), que critica as dietas ocidentais focadas em nutrientes e
não em alimentos de verdade.
15 Ele também lançou o manual “Regras da Comida” (2009), com 64 dicas
bem práticas e cheias de bom senso como: “Não coma nada que sua avó não
reconheceria como comida” ou “Compre pratos e copos menores”.
No livro mais recente, “Cozinhar –Uma História Natural da
Transformação” (ed. Intrínseca), lançado em 2013 nos EUA e agora no Brasil, ele
20 vai além e pede um comprometimento maior em nome da saúde. Diz que devemos
todos voltar à cozinha. Para quem cresceu longe do fogão, parece ser seu conselho
mais difícil.
“Cozinhar sua própria comida é um ato político muito importante”, diz
Michael, um homem alto e charmoso, de fala mansa e risada fácil. “Tem a ver com
25 independência e autonomia. Abrimos mão de muito poder ao deixar as grandes
corporações cozinharem para nós porque elas decidem quais fazendas vão apoiar e,
normalmente, são bem aquelas que fazem um tipo de agricultura que certamente
você desaprovaria”, diz, fazendo referência a práticas como confinamento cruel de
30 animais e monoculturas gigantescas.

Ovos, um bom começo

Digo a ele que eu não cozinho, nem minha mãe, e ele quer saber como fui
30 alimentada. Empregadas domésticas que também fazem comida são comuns no
Brasil, afirmo. “Pelo menos, era um humano cozinhando para você, isso é bom.
Pena que nem todos têm esse privilégio”, diz. “Ovos são um bom começo”, ele
elogia, quando conto que sei fazer omelete.
Um dos problemas de cozinhar, acredita o jornalista, é a lembrança dos
35 velhos arranjos sexistas de poder dentro de casa. Para ele, foi justamente quando
homem e mulher começavam a pensar em negociar a divisão de tarefas domésticas
que a indústria do fast-food apareceu para resolver o embate. A “liberação
feminina” virou tema de propaganda de frango frito nos EUA.
“Se vamos reviver a cultura da cozinha, não podemos voltar ao passado.
40 Precisa ser uma cultura diferente, algo a ser compartilhado por homens, mulheres e
crianças”, diz o autor de “O Dilema do Onívoro” (2006), seu primeiro livro sobre a
indústria alimentícia, que o lançou como um novo pensador dos hábitos
alimentares.
O livro veio depois de uma série de artigos sobre agricultura, como um
45 publicado pelo “New York Times”, no final dos anos 1990, sobre sua visita a uma
plantação de batatas geneticamente modificadas. Tudo era controlado por
computador porque um dos elementos químicos usados para combater manchas
escuras era tão tóxico que o fazendeiro precisava ficar longe do campo por três
dias.
50 As manchas só apareciam nas batatas daquela variedade, a única que a rede
McDonald's aceitava comprar, já que as batatas fritas da rede precisam ser iguais
no mundo todo. “É fácil culpar o fazendeiro, mas nós demandamos um certo tipo
de produto. Somos cúmplices.”
[...]
Quando nos encontramos, ele estava animado com sua primeira viagem ao
55 Brasil. Pretendia passar alguns dias em Salvador antes de ir ao Rio e a Paraty para a
Flip. Estava feliz com o encontro que tinha marcado com o médico brasileiro
Carlos Augusto Monteiro, professor titular da Faculdade de Saúde Pública da USP
que desenvolve pesquisas comparando comidas pelo seu grau de processamento e
não apenas pelos nutrientes.
60 Está curioso para conhecer as churrascarias: “O gado ainda pasta ao ar
livre?”, indaga. Michael é daqueles que, antes de pedir, quer saber a origem da
carne. “Comer é complicado.”

*Flip – Feira Literária Internacional de Paraty

Revista Serafina / Folha de São Paulo, agosto/2014. Comida é pasto, por Fernanda Ezabella. (fragmentos).Disponível em <http://folha.uol.com.br/fsp/ilustrada>

Analisando as circunstâncias que resultaram no advento das redes de fast-food, o autor de Em defesa da comida assume um discurso que
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Pollan denuncia o oportunismo da indústria do fast-food diante das mudanças sociais.

O texto diz que o fast-food surgiu 'para resolver o embate' entre homem e mulher na divisão doméstica, e que a 'liberação feminina' virou tema de propaganda de frango frito. Isso denuncia o oportunismo da indústria.

Análise das alternativas

A: ele não discute hierarquia familiar em si. B: não ironiza o movimento, e sim o uso comercial dele. D: não elogia o mercado. E: não minimiza o trabalho masculino.

Referência: Interpretação de texto

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

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Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Comida é pasto

Mostrando que com comida não se brinca, o jornalista norte-americano Michael Pollan vem à Flip* defender que voltar à cozinha é um ato político

A geladeira de Michael Pollan não tem Coca-Cola, margarina nem leite de
amêndoas, nova mania das dietas americanas. Tem saquinhos de plástico com
verduras e frutas, potes com feijão e restos do jantar anterior, além de iogurte e
leite de caixinha.
5 Algumas coisas vêm da própria horta, montada na frente de sua casa em
Berkeley, na Califórnia. No centro da pequena plantação, rodeada por pés de
tomate, abóbora e manjericão, há uma grelha onde ele costuma preparar um porco
inteiro uma vez por ano.
[...]
Michael Pollan é um jornalista americano de 59 anos que virou guru da vida
10 saudável ao passar os últimos 15 anos escrevendo reportagens e livros sobre os
exageros da indústria alimentícia e alertando sobre nossos excessos à mesa. “Coma
comida, não muita, sobretudo vegetais”, diz seu mantra, explicado no livro “Em
Defesa da Comida” (2008), que critica as dietas ocidentais focadas em nutrientes e
não em alimentos de verdade.
15 Ele também lançou o manual “Regras da Comida” (2009), com 64 dicas
bem práticas e cheias de bom senso como: “Não coma nada que sua avó não
reconheceria como comida” ou “Compre pratos e copos menores”.
No livro mais recente, “Cozinhar –Uma História Natural da
Transformação” (ed. Intrínseca), lançado em 2013 nos EUA e agora no Brasil, ele
20 vai além e pede um comprometimento maior em nome da saúde. Diz que devemos
todos voltar à cozinha. Para quem cresceu longe do fogão, parece ser seu conselho
mais difícil.
“Cozinhar sua própria comida é um ato político muito importante”, diz
Michael, um homem alto e charmoso, de fala mansa e risada fácil. “Tem a ver com
25 independência e autonomia. Abrimos mão de muito poder ao deixar as grandes
corporações cozinharem para nós porque elas decidem quais fazendas vão apoiar e,
normalmente, são bem aquelas que fazem um tipo de agricultura que certamente
você desaprovaria”, diz, fazendo referência a práticas como confinamento cruel de
30 animais e monoculturas gigantescas.

Ovos, um bom começo

Digo a ele que eu não cozinho, nem minha mãe, e ele quer saber como fui
30 alimentada. Empregadas domésticas que também fazem comida são comuns no
Brasil, afirmo. “Pelo menos, era um humano cozinhando para você, isso é bom.
Pena que nem todos têm esse privilégio”, diz. “Ovos são um bom começo”, ele
elogia, quando conto que sei fazer omelete.
Um dos problemas de cozinhar, acredita o jornalista, é a lembrança dos
35 velhos arranjos sexistas de poder dentro de casa. Para ele, foi justamente quando
homem e mulher começavam a pensar em negociar a divisão de tarefas domésticas
que a indústria do fast-food apareceu para resolver o embate. A “liberação
feminina” virou tema de propaganda de frango frito nos EUA.
“Se vamos reviver a cultura da cozinha, não podemos voltar ao passado.
40 Precisa ser uma cultura diferente, algo a ser compartilhado por homens, mulheres e
crianças”, diz o autor de “O Dilema do Onívoro” (2006), seu primeiro livro sobre a
indústria alimentícia, que o lançou como um novo pensador dos hábitos
alimentares.
O livro veio depois de uma série de artigos sobre agricultura, como um
45 publicado pelo “New York Times”, no final dos anos 1990, sobre sua visita a uma
plantação de batatas geneticamente modificadas. Tudo era controlado por
computador porque um dos elementos químicos usados para combater manchas
escuras era tão tóxico que o fazendeiro precisava ficar longe do campo por três
dias.
50 As manchas só apareciam nas batatas daquela variedade, a única que a rede
McDonald's aceitava comprar, já que as batatas fritas da rede precisam ser iguais
no mundo todo. “É fácil culpar o fazendeiro, mas nós demandamos um certo tipo
de produto. Somos cúmplices.”
[...]
Quando nos encontramos, ele estava animado com sua primeira viagem ao
55 Brasil. Pretendia passar alguns dias em Salvador antes de ir ao Rio e a Paraty para a
Flip. Estava feliz com o encontro que tinha marcado com o médico brasileiro
Carlos Augusto Monteiro, professor titular da Faculdade de Saúde Pública da USP
que desenvolve pesquisas comparando comidas pelo seu grau de processamento e
não apenas pelos nutrientes.
60 Está curioso para conhecer as churrascarias: “O gado ainda pasta ao ar
livre?”, indaga. Michael é daqueles que, antes de pedir, quer saber a origem da
carne. “Comer é complicado.”

*Flip – Feira Literária Internacional de Paraty

Revista Serafina / Folha de São Paulo, agosto/2014. Comida é pasto, por Fernanda Ezabella. (fragmentos).Disponível em <http://folha.uol.com.br/fsp/ilustrada>

Afirmando que “não podemos voltar ao passado” (ℓ. 40), para que se possa revitalizar o hábito de preparar a própria comida, Michael Pollan refere-se à
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

'Não voltar ao passado' refere-se aos velhos arranjos sexistas na divisão de tarefas.

No contexto, Pollan fala dos 'velhos arranjos sexistas de poder dentro de casa' e propõe uma cozinha compartilhada por homens, mulheres e crianças. Voltar à cozinha, portanto, não pode significar voltar à divisão de trabalho baseada em papéis de gênero.

Análise das alternativas

A, B e D não são tema da frase. C: o fast-food é o problema criticado, não o passado que não deve voltar.

Referência: Interpretação de texto

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Linguagem Verbal e Não Verbal

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Texto-base:
Tira 1

Tira Níquel Náusea, de Fernando Gonsales, em dois quadrinhos. No primeiro, quatro anões oferecem comidas, dizendo: “Fiz um pudim!”, “Brigadeiro!!”, “Pastel!” e “Bolo de nozes!”. No segundo, uma Branca de Neve muito gorda responde: “Obrigada, rapazes! Hoje eu vou de maçãzinha!”, segurando uma maçã, enquanto a bruxa espia por trás da porta.

A história em quadrinhos é um gênero em que a linguagem verbal e a não verbal se complementam na realização do processo comunicativo. Na tira, as duas formas de linguagem conduzem ao efeito de humor, que consiste no
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Língua Portuguesa Linguagem Verbal e Não Verbal

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Texto-base:
Tira 2

Tira Recruta Zero, de Mort Walker, em dois quadrinhos. No primeiro, no refeitório, o sargento pergunta “O que é isto?” e o cozinheiro, irritado, despeja a comida na bandeja gritando “Comida! O mesmo de sempre! Comida!”. No segundo, o sargento e o Recruta Zero seguram as bandejas com expressão desconfiada e o Recruta Zero diz “Se ele não dissesse...”, enquanto o cozinheiro os encara emburrado.

Na tira do Recruta Zero, o humor também decorre da confluência das duas formas de linguagem –a verbal e a não verbal. Nesse caso, a expressão fisionômica das personagens reforça a comicidade, centrada na ideia de que
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Língua Portuguesa Tempos e Modos Verbais

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Texto-base:
Tira 2

Tira Recruta Zero, de Mort Walker, em dois quadrinhos. No primeiro, no refeitório, o sargento pergunta “O que é isto?” e o cozinheiro, irritado, despeja a comida na bandeja gritando “Comida! O mesmo de sempre! Comida!”. No segundo, o sargento e o Recruta Zero seguram as bandejas com expressão desconfiada e o Recruta Zero diz “Se ele não dissesse...”, enquanto o cozinheiro os encara emburrado.

No 2º quadrinho, a fala do Recruta Zero – “Se ele não dissesse...” – apresenta uma oração subordinada, cuja oração principal está subentendida. O verbo da oração principal, nesse caso, resulta da representação de uma ação que
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Língua Portuguesa Interpretação de Texto

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Texto-base:
O peru de Natal

Era costume sempre, na família, a ceia de Natal. Ceia reles, já se imagina:
ceia tipo meu pai, castanhas, figos, passas, depois da Missa do Galo. Empanturrados
de amêndoas e nozes (quanto discutimos os três manos por causa dos quebra-
nozes...), empanturrados de castanhas e monotonias, a gente se abraçava e ia pra
5 cama. Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas "loucuras":
— Bom, no Natal, quero comer peru.
Houve um desses espantos que ninguém não imagina. Logo minha tia
solteirona e santa, que morava conosco, advertiu que não podíamos convidar
ninguém por causa do luto.
[...]
10 Era sempre aquilo: vinha aniversário de alguém e só então faziam peru
naquela casa. Peru era prato de festa: uma imundície de parentes já preparados pela
tradição, invadiam a casa por causa do peru, das empadinhas e dos doces. Minhas
três mães, três dias antes já não sabiam da vida sinão trabalhar, trabalhar no preparo
de doces e frios finíssimos de bem feitos, a parentagem devorava tudo e inda levava
15 embrulhinhos pros que não tinham podido vir. As minhas três mães mal podiam de
exaustas. Do peru, só no enterro dos ossos, no dia seguinte, é que mamãe com titia
ainda provavam num naco de perna, vago, escuro, perdido no arroz alvo. E isso
mesmo era mamãe quem servia, catava tudo pro velho e pros filhos. Na verdade
ninguém sabia de fato o que era peru em nossa casa, peru resto de festa.
20 Não, não se convidava ninguém, era um peru pra nós, cinco pessoas. E havia
de ser com duas farofas, a gorda com os miúdos, e a seca, douradinha, com bastante
manteiga. Queria o papo recheado só com a farofa gorda, em que havíamos de
ajuntar ameixa preta, nozes e um cálice de xerez, como aprendera na casa da Rose,
muito minha companheira.
[...]
25 Comprou-se o peru, fez-se o peru, etc. E depois de uma Missa do Galo bem
mal rezada, se deu o nosso mais maravilhoso Natal. [...] De modo que, ainda
disfarçando as coisas, deixei muito sossegado que mamãe cortasse todo o peito do
peru. Um momento aliás, ela parou, feito fatias um dos lados do peito da ave, não
resistindo àquelas leis de economia que sempre a tinham entorpecido numa quase
30 pobreza sem razão.
— Não senhora, corte inteiro! Só eu como tudo isso!
Era mentira. O amor familiar estava por tal forma incandescente em mim,
que até era capaz de comer pouco, só pra que os outros quatro comessem demais.
[...]
— Eu que sirvo!
35 "É louco, mesmo" pois por que havia de servir, se sempre mamãe servira
naquela casa! Entre risos, os grandes pratos cheios foram passados pra mim e
principiei uma distribuição heroica, enquanto mandava meu mano servir a cerveja.
Tomei conta logo de um pedaço admirável da "casca", cheio de gordura e pus no
prato. E depois vastas fatias brancas. A voz severizada de mamãe cortou o espaço
40 angustiado com que todos aspiravam pela sua parte no peru:
— Se lembre de seus manos, Juca!
Quando que ela havia de imaginar, a pobre! que aquele era o prato dela, da
Mãe, da minha amiga maltratada, que sabia da Rose, que sabia meus crimes, a que
eu só lembrava de comunicar o que fazia sofrer! O prato ficou sublime.
45 — Mamãe, este é o da senhora! Não! não passe não!
Foi quando ela não pôde mais com tanta comoção e principiou chorando.
Minha tia também, logo percebendo que o novo prato sublime seria o dela, entrou no
refrão das lágrimas. E minha irmã, que jamais viu lágrima sem abrir a torneirinha
também, se esparramou no choro. Então principiei dizendo muitos desaforos pra não
50 chorar também, tinha dezenove anos... [...]
[...]
Minha mãe, minha tia, nós, todos alagados de felicidade. Ia
escrever“felicidade gustativa”, mas não era só isso não. Era uma felicidade
maiúscula, um amor de todos, um esquecimento de outros parentescos distraidores
do grande amor familiar. [...]
55 A tamanha falta de egoísmo me transportara o nosso infinito amor... Depois
vieram umas uvas leves e uns doces, que lá na minha terra levam o nome de "bem-
casados". Mas nem mesmo este nome perigoso se associou à lembrança de meu pai,
que o peru já convertera em dignidade, em coisa certa, em culto puro de
contemplação.
60 Levantamos. Eram quase duas horas, todos alegres, bambeados por duas
garrafas de cerveja. Todos iam deitar, dormir ou mexer na cama, pouco importa,
porque é bom uma insônia feliz.

ANDRADE, Mário de. Contos novos. São Paulo: Martins, 1973. (fragmentos)

No conto, o narrador lembra como foi o primeiro Natal em família após a morte de seu pai. Nessa situação, a alteração do costumeiro cardápio da ceia é um conflito gerador que, simbolicamente,
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A mudança do cardápio renova o prazer à mesa e os laços afetivos.

Depois da morte do pai, o narrador propõe o peru e a ceia deixa de ser monótona. A ceia compartilhada gera alegria, emoção e união, e o conflito inicial simboliza essa renovação.

Análise das alternativas

A: ele não assume a autoridade do pai, apenas propõe a mudança. C: o texto não indica rompimento com os parentes. D: o texto não trata de início de novos hábitos domésticos em geral. E: não há subversão do modelo patriarcal cristão.

Referência: Interpretação de texto

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2014 Fundamental

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Gabarito disponível

Texto-base:
O peru de Natal

Era costume sempre, na família, a ceia de Natal. Ceia reles, já se imagina:
ceia tipo meu pai, castanhas, figos, passas, depois da Missa do Galo. Empanturrados
de amêndoas e nozes (quanto discutimos os três manos por causa dos quebra-
nozes...), empanturrados de castanhas e monotonias, a gente se abraçava e ia pra
5 cama. Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas "loucuras":
— Bom, no Natal, quero comer peru.
Houve um desses espantos que ninguém não imagina. Logo minha tia
solteirona e santa, que morava conosco, advertiu que não podíamos convidar
ninguém por causa do luto.
[...]
10 Era sempre aquilo: vinha aniversário de alguém e só então faziam peru
naquela casa. Peru era prato de festa: uma imundície de parentes já preparados pela
tradição, invadiam a casa por causa do peru, das empadinhas e dos doces. Minhas
três mães, três dias antes já não sabiam da vida sinão trabalhar, trabalhar no preparo
de doces e frios finíssimos de bem feitos, a parentagem devorava tudo e inda levava
15 embrulhinhos pros que não tinham podido vir. As minhas três mães mal podiam de
exaustas. Do peru, só no enterro dos ossos, no dia seguinte, é que mamãe com titia
ainda provavam num naco de perna, vago, escuro, perdido no arroz alvo. E isso
mesmo era mamãe quem servia, catava tudo pro velho e pros filhos. Na verdade
ninguém sabia de fato o que era peru em nossa casa, peru resto de festa.
20 Não, não se convidava ninguém, era um peru pra nós, cinco pessoas. E havia
de ser com duas farofas, a gorda com os miúdos, e a seca, douradinha, com bastante
manteiga. Queria o papo recheado só com a farofa gorda, em que havíamos de
ajuntar ameixa preta, nozes e um cálice de xerez, como aprendera na casa da Rose,
muito minha companheira.
[...]
25 Comprou-se o peru, fez-se o peru, etc. E depois de uma Missa do Galo bem
mal rezada, se deu o nosso mais maravilhoso Natal. [...] De modo que, ainda
disfarçando as coisas, deixei muito sossegado que mamãe cortasse todo o peito do
peru. Um momento aliás, ela parou, feito fatias um dos lados do peito da ave, não
resistindo àquelas leis de economia que sempre a tinham entorpecido numa quase
30 pobreza sem razão.
— Não senhora, corte inteiro! Só eu como tudo isso!
Era mentira. O amor familiar estava por tal forma incandescente em mim,
que até era capaz de comer pouco, só pra que os outros quatro comessem demais.
[...]
— Eu que sirvo!
35 "É louco, mesmo" pois por que havia de servir, se sempre mamãe servira
naquela casa! Entre risos, os grandes pratos cheios foram passados pra mim e
principiei uma distribuição heroica, enquanto mandava meu mano servir a cerveja.
Tomei conta logo de um pedaço admirável da "casca", cheio de gordura e pus no
prato. E depois vastas fatias brancas. A voz severizada de mamãe cortou o espaço
40 angustiado com que todos aspiravam pela sua parte no peru:
— Se lembre de seus manos, Juca!
Quando que ela havia de imaginar, a pobre! que aquele era o prato dela, da
Mãe, da minha amiga maltratada, que sabia da Rose, que sabia meus crimes, a que
eu só lembrava de comunicar o que fazia sofrer! O prato ficou sublime.
45 — Mamãe, este é o da senhora! Não! não passe não!
Foi quando ela não pôde mais com tanta comoção e principiou chorando.
Minha tia também, logo percebendo que o novo prato sublime seria o dela, entrou no
refrão das lágrimas. E minha irmã, que jamais viu lágrima sem abrir a torneirinha
também, se esparramou no choro. Então principiei dizendo muitos desaforos pra não
50 chorar também, tinha dezenove anos... [...]
[...]
Minha mãe, minha tia, nós, todos alagados de felicidade. Ia
escrever“felicidade gustativa”, mas não era só isso não. Era uma felicidade
maiúscula, um amor de todos, um esquecimento de outros parentescos distraidores
do grande amor familiar. [...]
55 A tamanha falta de egoísmo me transportara o nosso infinito amor... Depois
vieram umas uvas leves e uns doces, que lá na minha terra levam o nome de "bem-
casados". Mas nem mesmo este nome perigoso se associou à lembrança de meu pai,
que o peru já convertera em dignidade, em coisa certa, em culto puro de
contemplação.
60 Levantamos. Eram quase duas horas, todos alegres, bambeados por duas
garrafas de cerveja. Todos iam deitar, dormir ou mexer na cama, pouco importa,
porque é bom uma insônia feliz.

ANDRADE, Mário de. Contos novos. São Paulo: Martins, 1973. (fragmentos)

Embora destaque a figura materna durante a ceia natalina, o narrador estende a expressão dos sentimentos às demais mulheres da casa, que considera suas “três mães”. No conto, essa extensão fundamenta-se na
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

As 'três mães' se equivalem pelo trabalho doméstico imposto a todas as mulheres da casa.

O texto mostra mãe, tia e irmã exaustas, preparando doces e frios e servindo os outros sem provar o peru. O trabalho doméstico, delegado às mulheres, nivela socialmente as três e justifica o narrador chamá-las de 'mães'.

Análise das alternativas

B: o texto não trata de hierarquia do lar. C: a cumplicidade existe, mas não explica a expressão 'três mães'. D: instinto de proteção não é mencionado. E: o talento culinário não é o fundamento.

Referência: Interpretação de texto

Resolução comentada do VaiConcursos.

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Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
O peru de Natal

Era costume sempre, na família, a ceia de Natal. Ceia reles, já se imagina:
ceia tipo meu pai, castanhas, figos, passas, depois da Missa do Galo. Empanturrados
de amêndoas e nozes (quanto discutimos os três manos por causa dos quebra-
nozes...), empanturrados de castanhas e monotonias, a gente se abraçava e ia pra
5 cama. Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas "loucuras":
— Bom, no Natal, quero comer peru.
Houve um desses espantos que ninguém não imagina. Logo minha tia
solteirona e santa, que morava conosco, advertiu que não podíamos convidar
ninguém por causa do luto.
[...]
10 Era sempre aquilo: vinha aniversário de alguém e só então faziam peru
naquela casa. Peru era prato de festa: uma imundície de parentes já preparados pela
tradição, invadiam a casa por causa do peru, das empadinhas e dos doces. Minhas
três mães, três dias antes já não sabiam da vida sinão trabalhar, trabalhar no preparo
de doces e frios finíssimos de bem feitos, a parentagem devorava tudo e inda levava
15 embrulhinhos pros que não tinham podido vir. As minhas três mães mal podiam de
exaustas. Do peru, só no enterro dos ossos, no dia seguinte, é que mamãe com titia
ainda provavam num naco de perna, vago, escuro, perdido no arroz alvo. E isso
mesmo era mamãe quem servia, catava tudo pro velho e pros filhos. Na verdade
ninguém sabia de fato o que era peru em nossa casa, peru resto de festa.
20 Não, não se convidava ninguém, era um peru pra nós, cinco pessoas. E havia
de ser com duas farofas, a gorda com os miúdos, e a seca, douradinha, com bastante
manteiga. Queria o papo recheado só com a farofa gorda, em que havíamos de
ajuntar ameixa preta, nozes e um cálice de xerez, como aprendera na casa da Rose,
muito minha companheira.
[...]
25 Comprou-se o peru, fez-se o peru, etc. E depois de uma Missa do Galo bem
mal rezada, se deu o nosso mais maravilhoso Natal. [...] De modo que, ainda
disfarçando as coisas, deixei muito sossegado que mamãe cortasse todo o peito do
peru. Um momento aliás, ela parou, feito fatias um dos lados do peito da ave, não
resistindo àquelas leis de economia que sempre a tinham entorpecido numa quase
30 pobreza sem razão.
— Não senhora, corte inteiro! Só eu como tudo isso!
Era mentira. O amor familiar estava por tal forma incandescente em mim,
que até era capaz de comer pouco, só pra que os outros quatro comessem demais.
[...]
— Eu que sirvo!
35 "É louco, mesmo" pois por que havia de servir, se sempre mamãe servira
naquela casa! Entre risos, os grandes pratos cheios foram passados pra mim e
principiei uma distribuição heroica, enquanto mandava meu mano servir a cerveja.
Tomei conta logo de um pedaço admirável da "casca", cheio de gordura e pus no
prato. E depois vastas fatias brancas. A voz severizada de mamãe cortou o espaço
40 angustiado com que todos aspiravam pela sua parte no peru:
— Se lembre de seus manos, Juca!
Quando que ela havia de imaginar, a pobre! que aquele era o prato dela, da
Mãe, da minha amiga maltratada, que sabia da Rose, que sabia meus crimes, a que
eu só lembrava de comunicar o que fazia sofrer! O prato ficou sublime.
45 — Mamãe, este é o da senhora! Não! não passe não!
Foi quando ela não pôde mais com tanta comoção e principiou chorando.
Minha tia também, logo percebendo que o novo prato sublime seria o dela, entrou no
refrão das lágrimas. E minha irmã, que jamais viu lágrima sem abrir a torneirinha
também, se esparramou no choro. Então principiei dizendo muitos desaforos pra não
50 chorar também, tinha dezenove anos... [...]
[...]
Minha mãe, minha tia, nós, todos alagados de felicidade. Ia
escrever“felicidade gustativa”, mas não era só isso não. Era uma felicidade
maiúscula, um amor de todos, um esquecimento de outros parentescos distraidores
do grande amor familiar. [...]
55 A tamanha falta de egoísmo me transportara o nosso infinito amor... Depois
vieram umas uvas leves e uns doces, que lá na minha terra levam o nome de "bem-
casados". Mas nem mesmo este nome perigoso se associou à lembrança de meu pai,
que o peru já convertera em dignidade, em coisa certa, em culto puro de
contemplação.
60 Levantamos. Eram quase duas horas, todos alegres, bambeados por duas
garrafas de cerveja. Todos iam deitar, dormir ou mexer na cama, pouco importa,
porque é bom uma insônia feliz.

ANDRADE, Mário de. Contos novos. São Paulo: Martins, 1973. (fragmentos)

Manifestando uma sensação de “felicidade gustativa” (ℓ. 52), o narrador identifica, no evento comemorado em família, a
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Resolução comentada

'Felicidade gustativa' ligada ao saborear: o peru gera emoção e intimidade na família.

O narrador percebe que o prazer de comer o peru juntos provoca emoção, choro e um 'amor de todos'. A alimentação compartilhada aproxima a família e cria intimidade.

Análise das alternativas

A: não há conflito a conciliar. B: o pai não é apresentado como opressor. C: os parentes não são criticados por abusos nesse trecho. D: a felicidade não vem de superar dificuldades financeiras.

Referência: Interpretação de texto — Mário de Andrade

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Coesão Textual

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2014 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
O peru de Natal

Era costume sempre, na família, a ceia de Natal. Ceia reles, já se imagina:
ceia tipo meu pai, castanhas, figos, passas, depois da Missa do Galo. Empanturrados
de amêndoas e nozes (quanto discutimos os três manos por causa dos quebra-
nozes...), empanturrados de castanhas e monotonias, a gente se abraçava e ia pra
5 cama. Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas "loucuras":
— Bom, no Natal, quero comer peru.
Houve um desses espantos que ninguém não imagina. Logo minha tia
solteirona e santa, que morava conosco, advertiu que não podíamos convidar
ninguém por causa do luto.
[...]
10 Era sempre aquilo: vinha aniversário de alguém e só então faziam peru
naquela casa. Peru era prato de festa: uma imundície de parentes já preparados pela
tradição, invadiam a casa por causa do peru, das empadinhas e dos doces. Minhas
três mães, três dias antes já não sabiam da vida sinão trabalhar, trabalhar no preparo
de doces e frios finíssimos de bem feitos, a parentagem devorava tudo e inda levava
15 embrulhinhos pros que não tinham podido vir. As minhas três mães mal podiam de
exaustas. Do peru, só no enterro dos ossos, no dia seguinte, é que mamãe com titia
ainda provavam num naco de perna, vago, escuro, perdido no arroz alvo. E isso
mesmo era mamãe quem servia, catava tudo pro velho e pros filhos. Na verdade
ninguém sabia de fato o que era peru em nossa casa, peru resto de festa.
20 Não, não se convidava ninguém, era um peru pra nós, cinco pessoas. E havia
de ser com duas farofas, a gorda com os miúdos, e a seca, douradinha, com bastante
manteiga. Queria o papo recheado só com a farofa gorda, em que havíamos de
ajuntar ameixa preta, nozes e um cálice de xerez, como aprendera na casa da Rose,
muito minha companheira.
[...]
25 Comprou-se o peru, fez-se o peru, etc. E depois de uma Missa do Galo bem
mal rezada, se deu o nosso mais maravilhoso Natal. [...] De modo que, ainda
disfarçando as coisas, deixei muito sossegado que mamãe cortasse todo o peito do
peru. Um momento aliás, ela parou, feito fatias um dos lados do peito da ave, não
resistindo àquelas leis de economia que sempre a tinham entorpecido numa quase
30 pobreza sem razão.
— Não senhora, corte inteiro! Só eu como tudo isso!
Era mentira. O amor familiar estava por tal forma incandescente em mim,
que até era capaz de comer pouco, só pra que os outros quatro comessem demais.
[...]
— Eu que sirvo!
35 "É louco, mesmo" pois por que havia de servir, se sempre mamãe servira
naquela casa! Entre risos, os grandes pratos cheios foram passados pra mim e
principiei uma distribuição heroica, enquanto mandava meu mano servir a cerveja.
Tomei conta logo de um pedaço admirável da "casca", cheio de gordura e pus no
prato. E depois vastas fatias brancas. A voz severizada de mamãe cortou o espaço
40 angustiado com que todos aspiravam pela sua parte no peru:
— Se lembre de seus manos, Juca!
Quando que ela havia de imaginar, a pobre! que aquele era o prato dela, da
Mãe, da minha amiga maltratada, que sabia da Rose, que sabia meus crimes, a que
eu só lembrava de comunicar o que fazia sofrer! O prato ficou sublime.
45 — Mamãe, este é o da senhora! Não! não passe não!
Foi quando ela não pôde mais com tanta comoção e principiou chorando.
Minha tia também, logo percebendo que o novo prato sublime seria o dela, entrou no
refrão das lágrimas. E minha irmã, que jamais viu lágrima sem abrir a torneirinha
também, se esparramou no choro. Então principiei dizendo muitos desaforos pra não
50 chorar também, tinha dezenove anos... [...]
[...]
Minha mãe, minha tia, nós, todos alagados de felicidade. Ia
escrever“felicidade gustativa”, mas não era só isso não. Era uma felicidade
maiúscula, um amor de todos, um esquecimento de outros parentescos distraidores
do grande amor familiar. [...]
55 A tamanha falta de egoísmo me transportara o nosso infinito amor... Depois
vieram umas uvas leves e uns doces, que lá na minha terra levam o nome de "bem-
casados". Mas nem mesmo este nome perigoso se associou à lembrança de meu pai,
que o peru já convertera em dignidade, em coisa certa, em culto puro de
contemplação.
60 Levantamos. Eram quase duas horas, todos alegres, bambeados por duas
garrafas de cerveja. Todos iam deitar, dormir ou mexer na cama, pouco importa,
porque é bom uma insônia feliz.

ANDRADE, Mário de. Contos novos. São Paulo: Martins, 1973. (fragmentos)

Na passagem Trecho: “E isso mesmo era mamãe quem servia”, com “E isso mesmo” sublinhado. (ℓ. 17-18), a expressão sublinhada faz referência a uma informação que já apareceu na frase. No entanto, no contexto em que foi usada, remete também ao valor semântico da locução
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Língua Portuguesa Funções do Pronome Se

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2014 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
O peru de Natal

Era costume sempre, na família, a ceia de Natal. Ceia reles, já se imagina:
ceia tipo meu pai, castanhas, figos, passas, depois da Missa do Galo. Empanturrados
de amêndoas e nozes (quanto discutimos os três manos por causa dos quebra-
nozes...), empanturrados de castanhas e monotonias, a gente se abraçava e ia pra
5 cama. Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas "loucuras":
— Bom, no Natal, quero comer peru.
Houve um desses espantos que ninguém não imagina. Logo minha tia
solteirona e santa, que morava conosco, advertiu que não podíamos convidar
ninguém por causa do luto.
[...]
10 Era sempre aquilo: vinha aniversário de alguém e só então faziam peru
naquela casa. Peru era prato de festa: uma imundície de parentes já preparados pela
tradição, invadiam a casa por causa do peru, das empadinhas e dos doces. Minhas
três mães, três dias antes já não sabiam da vida sinão trabalhar, trabalhar no preparo
de doces e frios finíssimos de bem feitos, a parentagem devorava tudo e inda levava
15 embrulhinhos pros que não tinham podido vir. As minhas três mães mal podiam de
exaustas. Do peru, só no enterro dos ossos, no dia seguinte, é que mamãe com titia
ainda provavam num naco de perna, vago, escuro, perdido no arroz alvo. E isso
mesmo era mamãe quem servia, catava tudo pro velho e pros filhos. Na verdade
ninguém sabia de fato o que era peru em nossa casa, peru resto de festa.
20 Não, não se convidava ninguém, era um peru pra nós, cinco pessoas. E havia
de ser com duas farofas, a gorda com os miúdos, e a seca, douradinha, com bastante
manteiga. Queria o papo recheado só com a farofa gorda, em que havíamos de
ajuntar ameixa preta, nozes e um cálice de xerez, como aprendera na casa da Rose,
muito minha companheira.
[...]
25 Comprou-se o peru, fez-se o peru, etc. E depois de uma Missa do Galo bem
mal rezada, se deu o nosso mais maravilhoso Natal. [...] De modo que, ainda
disfarçando as coisas, deixei muito sossegado que mamãe cortasse todo o peito do
peru. Um momento aliás, ela parou, feito fatias um dos lados do peito da ave, não
resistindo àquelas leis de economia que sempre a tinham entorpecido numa quase
30 pobreza sem razão.
— Não senhora, corte inteiro! Só eu como tudo isso!
Era mentira. O amor familiar estava por tal forma incandescente em mim,
que até era capaz de comer pouco, só pra que os outros quatro comessem demais.
[...]
— Eu que sirvo!
35 "É louco, mesmo" pois por que havia de servir, se sempre mamãe servira
naquela casa! Entre risos, os grandes pratos cheios foram passados pra mim e
principiei uma distribuição heroica, enquanto mandava meu mano servir a cerveja.
Tomei conta logo de um pedaço admirável da "casca", cheio de gordura e pus no
prato. E depois vastas fatias brancas. A voz severizada de mamãe cortou o espaço
40 angustiado com que todos aspiravam pela sua parte no peru:
— Se lembre de seus manos, Juca!
Quando que ela havia de imaginar, a pobre! que aquele era o prato dela, da
Mãe, da minha amiga maltratada, que sabia da Rose, que sabia meus crimes, a que
eu só lembrava de comunicar o que fazia sofrer! O prato ficou sublime.
45 — Mamãe, este é o da senhora! Não! não passe não!
Foi quando ela não pôde mais com tanta comoção e principiou chorando.
Minha tia também, logo percebendo que o novo prato sublime seria o dela, entrou no
refrão das lágrimas. E minha irmã, que jamais viu lágrima sem abrir a torneirinha
também, se esparramou no choro. Então principiei dizendo muitos desaforos pra não
50 chorar também, tinha dezenove anos... [...]
[...]
Minha mãe, minha tia, nós, todos alagados de felicidade. Ia
escrever“felicidade gustativa”, mas não era só isso não. Era uma felicidade
maiúscula, um amor de todos, um esquecimento de outros parentescos distraidores
do grande amor familiar. [...]
55 A tamanha falta de egoísmo me transportara o nosso infinito amor... Depois
vieram umas uvas leves e uns doces, que lá na minha terra levam o nome de "bem-
casados". Mas nem mesmo este nome perigoso se associou à lembrança de meu pai,
que o peru já convertera em dignidade, em coisa certa, em culto puro de
contemplação.
60 Levantamos. Eram quase duas horas, todos alegres, bambeados por duas
garrafas de cerveja. Todos iam deitar, dormir ou mexer na cama, pouco importa,
porque é bom uma insônia feliz.

ANDRADE, Mário de. Contos novos. São Paulo: Martins, 1973. (fragmentos)

“Não, não se convidava ninguém, era um peru pra nós, cinco pessoas.” (ℓ. 20). Nesse período, o se desempenha a mesma função sintática que apresenta em:
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Resolução comentada

Segundo o gabarito, o 'se' de 'não se convidava ninguém' tem a mesma função de 'Comprou-se o peru': partícula apassivadora.

Em 'não se convidava ninguém' e em 'Comprou-se o peru', o 'se' acompanha verbo transitivo direto e apassiva a oração. O termo 'ninguém'/'o peru' funciona como sujeito paciente. A análise tradicional de 'convidava ninguém' é discutível, mas o gabarito oficial é A.

Análise das alternativas

B: 'se' é conjunção subordinativa condicional/causal. C: 'Se lembre' é pronome que compõe o verbo pronominal 'lembrar-se'. D: 'se esparramou' é reflexivo/parte do verbo pronominal. E: 'se associou' tem valor pronominal/reflexivo, sem apassivar um objeto direto.

Referência: Funções do 'se'

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2014 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
O cio da terra

Chico Buarque e Milton Nascimento

Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão

5 Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel

Afagar a terra
10 Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão

Disponível em < http://<letras.mus.br/chico-buarque>

Ao projetar as ações relacionadas ao cuidado de atender aos “desejos da terra”, o eu lírico da canção defende que a busca dos alimentos pelo homem
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Resolução comentada

Atender aos 'desejos da terra' é extrair dela o necessário respeitando sua capacidade.

Ao propor 'afagar a terra' e 'conhecer os desejos da terra', o eu lírico defende uma relação de respeito e harmonia com a natureza. Com isso, o homem retira o necessário para a plenitude, sem exploração predatória.

Análise das alternativas

A: a referência ao milagre da multiplicação não é o ponto. B: 'decepar' e 'roubar' são imagens poéticas, não defesa de expropriação. C: o objetivo não é só a saciedade. E: 'fecundar' sugere colaboração com a terra, não posse.

Referência: Interpretação de texto

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Formas Nominais do Verbo

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2014 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
O cio da terra

Chico Buarque e Milton Nascimento

Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão

5 Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel

Afagar a terra
10 Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão

Disponível em < http://<letras.mus.br/chico-buarque>

O emprego do infinitivo gera um efeito expressivo relevante na letra da canção, uma vez que apoia a estrutura rítmica e
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Resolução comentada

Os infinitivos (debulhar, recolher, forjar...) têm valor de imperativo, expressando ordem ou desejo.

A canção é uma sequência de infinitivos que funcionam como convite ou exortação, como em 'debulhar o trigo' (debulhe). Esse valor imperativo/optativo, somado ao ritmo, é o efeito expressivo apontado.

Análise das alternativas

B: a atemporalidade é possível, mas não é o efeito central buscado. C: o infinitivo não indetermina o sujeito em todos os casos. D: o sujeito não é eliminado, apenas não está expresso. E: o complemento verbal não recebe a força semântica por causa do infinitivo.

Referência: Formas nominais do verbo; valor modal do infinitivo

Resolução comentada do VaiConcursos.