← Voltar para a lista de provas Comando da Aeronáutica — Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) · Aluno do 1º ano do Curso Preparatório de Cadetes do Ar (CPCAR) 49 questões nesta prova · página 1 de 3 · 47 com gabarito Gabarito disponível As citações de autores renomados dão autoridade à argumentação. O autor cita Cícero, Sêneca, Fénelon, Flaubert, Machado de Assis, Nabuco e Thomas Mann como exemplos de cartas importantes. Esses nomes reconhecidos reforçam a tese de que a carta tem grande valor. A) O texto não valoriza a comunicação de massa. C) O texto não retrata variados avanços tecnológicos, apenas compara a carta ao e-mail. D) A comparação é sobre valor afetivo, histórico e pessoal, e não sobre ser mais ou menos 'verdadeira'. Referência: Interpretação de texto — argumento de autoridade Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Para o autor, o ideal é conservar o que há de bom em cada época, ou seja, a convivência entre cartas e e-mails. O último parágrafo diz que cada época tem coisas boas e que 'o ideal é quando se pode conservar tudo – ou quase tudo'. Daí se depreende que conviver com as cartas e com os e-mails seria o ideal. B) O autor não nega a importância dos e-mails, apenas duvida de que sejam guardados. C) Ele afirma que não há comparação entre as duas formas. D) Ele diz que a mensagem eletrônica tem caráter menos pessoal que a carta. Referência: Interpretação de texto — ponto de vista do autor Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Só a inferência I está de acordo com a avaliação do texto, segundo o gabarito. Pelo gabarito, I está certa porque o autor valoriza o cartão (que 'você custa a jogar fora') acima da mensagem eletrônica. A inferência II exagera: o texto diz que o tom íntimo 'não vai muito bem com a eletrônica', e não que os recursos eletrônicos o 'cerceiam'. A III está errada porque Montaigne era francês e não romano; a comparação é com Sêneca. II está errada por extrapolar o texto (tom íntimo que não combina com o meio eletrônico não é o mesmo que restrição). III está errada: 'o Montaigne dos romanos' qualifica Sêneca, não foi dito que Montaigne era um modelo para os romanos. Logo, B, C e D, que incluem II ou III, são incorretas. Referência: Interpretação de texto — inferências Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Só na A há relação de causa e consequência. 'Sendo ele o escritor que era' é uma oração reduzida de gerúndio com valor causal: por ser o grande escritor que era, surgiram maravilhas literárias (consequência). B) 'Recebendo a carta' tem valor temporal. C) 'Para além do puramente literário' indica acréscimo. D) 'Sem serem famosas' indica concessão ou oposição. Referência: Relações semânticas entre orações Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível 'Tem o sabor de um velho vinho do Porto' é uma metáfora. As cartas são identificadas com a qualidade de um vinho envelhecido: refinadas e valiosas com o tempo. Há uma transferência de sentido baseada em semelhança, e a conexão está implícita, sem conectivo comparativo. A) Metonímia seria substituição por contiguidade, o que não ocorre. B) Não há exagero. D) Sinestesia mistura sensações, e aqui há só uma identificação por semelhança. Referência: Figuras de linguagem — metáfora Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A B é um enunciado factual, sem marcas de avaliação ou dúvida do locutor. 'Aqui no Brasil, começou com a carta de Pero Vaz, o primeiro documento da nacionalidade' apenas informa um fato histórico, sem modalização. A) 'talvez' expressa possibilidade. C) 'mais verdade' e 'maravilhosa' expressam avaliação do locutor. D) 'Certo' é um modalizador de concordância ou asseveração. Referência: Modalizadores discursivos Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Segundo o gabarito, 'Isto' no final do texto é a única opção usada em sentido espacial. Pelo gabarito oficial, em 'Isto não é para ser um exercício de saudosismo', 'Isto' aponta para o próprio texto em curso, que está próximo do locutor. Esse uso é classificado como espacial. Nas demais alternativas, os demonstrativos têm outra função. B) 'Isso' retoma o que foi dito antes, no texto. C) 'Este ano' marca o tempo presente. D) 'dessa maneira' retoma uma ideia já mencionada, também no texto. A classificação de A como espacial segue o gabarito oficial. Referência: Pronomes demonstrativos — valores de espaço, tempo e texto Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Nenhum dos quatro trechos tem hiato. Nos trechos, as vogais em contato formam ditongos ou ficam em sílabas separadas sem constituir hiato. Exemplos: pri-mei-ro, a-fe-ti-vo, men-sa-gem, e-le-trô-ni-ca, his-tó-ri-co, ab-so-lu-ta-men-te, ín-ti-mo. Assim, a C é a correta. A) Errada: o trecho 1 não tem dígrafo. B) Errada: 'absolutamente' tem o encontro consonantal 'bs'. D) Errada: há ditongos também em outros trechos, como 'além' e 'outro' no trecho 3 e 'mensagem' no trecho 2. Referência: Fonologia — encontros vocálicos, hiato, ditongo e dígrafo Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Questão anulada Gabarito disponível Machado sente saudade, mas se consola com a ideia de reencontrar a esposa em breve. Ele fala da solidão, da falta da pessoa amada e de que tudo lhe lembra Carolina. Ao mesmo tempo diz 'Irei vê-la, ela me esperará', o que mostra um conforto na perspectiva do reencontro. A) Não há revolta no texto, e sim tristeza e resignação. B) Não há ideia de suicídio, apenas a aceitação de que morrerá em breve ('estou à beira do eterno aposento'). D) Não é apatia, pois ele expressa dor intensa. Referência: Interpretação de texto — sentimento do autor Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A D não pode ser concluída: nenhum dos textos afirma que no século XXI as cartas são sempre informais e só por e-mail. A questão pede o que NÃO se conclui. A alternativa D faz uma generalização sem apoio nos textos. O texto I só lamenta que o e-mail possa substituir a carta, e não diz que as cartas atuais são todas informais nem que existem apenas por meio eletrônico. A) Pode-se concluir: a carta de Machado exemplifica o valor documental e literário. B) Pode-se concluir, segundo o gabarito: a carta de Machado seria o tipo de documento que se guarda, em contraste com o e-mail descartável. C) Pode-se concluir: a correspondência de longa data entre Nabuco e Machado reforça o caráter pessoal da carta. Referência: Interpretação de texto — comparação entre textos Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Só a A respeita a concordância: sujeito composto posposto ao verbo, que fica no plural. Em 'Chegaram-lhe minha grande desgraça e minha solidão', o sujeito é composto e vem depois do verbo. O verbo no plural concorda com ele corretamente. B) Errada: 'outros' é plural, então o verbo deve ser 'consolassem'. C) Errada: 'Notem-se que' é inadequado. O verbo 'notar' tem como objeto a oração 'que...', sem sujeito plural, e deveria ficar no singular ('Note-se que'). D) Errada: o sujeito 'os temas' é plural, então o verbo é 'convêm'. Referência: Concordância verbal — sujeito composto e posposto Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A afirmativa incorreta é a C: em 'chegou à hora', o acento não serve para evitar ambiguidade. A questão pede a afirmativa que NÃO é correta. Em 'chegou à hora dos melhores remédios', a crase ocorre porque o verbo 'chegar' exige a preposição 'a' e o substantivo 'hora' admite artigo. Não há risco de ambiguidade na frase, então a justificativa da alternativa C é falsa. A) Correta: 'à beira' é a fusão da preposição a com o artigo a. B) Correta: antes de pronome possessivo feminino singular, o artigo é facultativo, então a crase também é. D) Correta: com 'as suas cartas' (plural), a crase passa a ser obrigatória ('às suas cartas'). Referência: Crase — uso obrigatório e facultativo Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Sistema de idades; a soma dos três é 102, o que dá Letícia com 10 anos e os gêmeos com 9 anos cada. Seja L a idade atual de Letícia. O pai tem 6(L−2) e a mãe tem 4(L+1). A soma L + 6L − 12 + 4L + 4 = 11L − 8 é igual a 102, o menor número de três algarismos distintos divisível por 3. Logo L = 10. Os gêmeos têm (10+8)/2 = 9 anos cada, e a soma dos três irmãos é 10 + 9 + 9 = 28. 24, 26 e 30 não correspondem à soma 10 + 9 + 9 = 28. Só aparecem se Letícia ou os gêmeos forem calculados com idade errada. Referência: Equações do 1º grau — problemas de idades Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível O fator total é 1,8·0,7·0,9 = 1,134, aumento de 13,4%. O aumento de 80% multiplica por 1,8, o desconto de 30% por 0,7 e o desconto de 10% por 0,9. Assim 1,8·0,7·0,9 = 1,134, um aumento de 13,4%, valor entre 13 e 16. A, C e D estão erradas: 13,4 só está no intervalo de 13 a 16. Referência: Porcentagem, aumentos e descontos sucessivos Resolução comentada do VaiConcursos.EPCAR — Exame de Admissão ao 1º Ano do CPCAR 2014 — Provas de Língua Portuguesa, Matemática, Língua Inglesa e Redação — Versão A
TEXTO I
DO FUNDO DO BAÚ
Eu tenho uma amiga que, todos os anos, me
enviava um belo cartão de Natal, às vezes desenhado
por ela. Este ano, em vez de cartão, chegou uma gentil
mensagem eletrônica. Eu entendo, ficou mais fácil. E
5 dessa maneira, você manda para quantas pessoas
quiser. Mas não há comparação entre um cartão (que
você custa a jogar fora) e uma mensagem eletrônica.
Isso ainda é mais verdade para essa
maravilhosa forma de comunicação que é a carta. É
10 difícil imaginar o que a carta representa na história da
humanidade. Primeiro, como laço afetivo. Certo, pode-se
pôr sentimento numa mensagem eletrônica. Mas ela tem
um caráter menos pessoal que uma carta. Recebendo a
carta, você sabia que era só para você. Que uma
15 determinada pessoa, num cantinho do universo, sentou-
se numa mesa, escolheu o papel, uma caneta, e
começou a escrever para você. A emoção podia
começar na caixa do correio – pelo formato do envelope,
pela letra que você conhecia.
20 Isso pelo lado afetivo. Havia outro, enorme: a
carta como documento histórico, ou literário, ou
sociológico. Aqui no Brasil, começou com a carta de
Pero Vaz, o primeiro documento da nacionalidade.
Pouquíssimo tempo depois, as cartas do padre Manoel
25 da Nóbrega prestam informações preciosas sobre um
país recém-nascido.
Não há nenhuma certeza de que as pessoas
vão guardar e-mails. É uma coisa mais precária e a
própria pressa da vida moderna conspira contra isso.
30 Assim, talvez deixem de se repetir coisas como:
1. As cartas de São Paulo, básicas para a
história do cristianismo.
2. Dois conjuntos de cartas romanas: as de
Cícero e as de Sêneca, que, sozinhas, garantiam um
35 conhecimento quase íntimo de uma época grandiosa. As
de Cícero, mais pictóricas, tecidas com as histórias do
dia a dia. As de Sêneca, o retrato de um filósofo que foi
o Montaigne dos romanos.
3. As cartas de Fénelon. Esse grande bispo
40 francês foi um incomparável diretor de consciências na
França de Luís XIV. Sua correspondência é uma
combinação única de beleza literária e finura espiritual.
4. As cartas de Flaubert, talvez sua obra-prima
(tenho uma preciosa edição francesa em sete volumes).
45 O caso de Flaubert é um bom exemplo. Como ele vivia
isolado, totalmente dedicado aos seus (poucos)
romances, a carta era o seu meio de comunicação com
o mundo. Sendo ele o escritor que era, surgiram
maravilhas literárias. Mas o tom é absolutamente íntimo.
50 Não vai muito bem com a eletrônica.
5. A correspondência entre Machado de Assis e
Joaquim Nabuco. Este é um tesouro bem nosso.
Nabuco era dez anos mais moço que Machado, e foi seu
parceiro na formação e consolidação da Academia
55 Brasileira de Letras. Para além do puramente literário, o
que essas cartas revelam é o encontro, o diálogo, entre
dois espíritos superiores. Tem o sabor de um velho
vinho do Porto.
A lista poderia ir longe. Na literatura romântica,
60 por exemplo, as cartas de amor entre Elizabeth Barret
Browing e seu futuro marido Robert Browing, todos dois
grandes poetas. No século XX, as cartas que tanto
enriquecem a estante kafkiana. Sem serem famosas, as
cartas de Thomas Mann são um dos melhores meios de
65 aprofundar o conhecimento desse grande romancista
alemão.
Isto não é para ser um exercício de
saudosismo. Cada época tem suas coisas boas – ou
más. Normalmente, nesses casos, ganha-se por um lado
70 e perde-se pelo outro. O ideal é quando se pode
conservar tudo – ou quase tudo. (...)
(HORTA, Luiz Paulo. O Globo. 28 de dezembro de 2012.)
A respeito do texto I, pode-se afirmar queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
DO FUNDO DO BAÚ
Eu tenho uma amiga que, todos os anos, me
enviava um belo cartão de Natal, às vezes desenhado
por ela. Este ano, em vez de cartão, chegou uma gentil
mensagem eletrônica. Eu entendo, ficou mais fácil. E
5 dessa maneira, você manda para quantas pessoas
quiser. Mas não há comparação entre um cartão (que
você custa a jogar fora) e uma mensagem eletrônica.
Isso ainda é mais verdade para essa
maravilhosa forma de comunicação que é a carta. É
10 difícil imaginar o que a carta representa na história da
humanidade. Primeiro, como laço afetivo. Certo, pode-se
pôr sentimento numa mensagem eletrônica. Mas ela tem
um caráter menos pessoal que uma carta. Recebendo a
carta, você sabia que era só para você. Que uma
15 determinada pessoa, num cantinho do universo, sentou-
se numa mesa, escolheu o papel, uma caneta, e
começou a escrever para você. A emoção podia
começar na caixa do correio – pelo formato do envelope,
pela letra que você conhecia.
20 Isso pelo lado afetivo. Havia outro, enorme: a
carta como documento histórico, ou literário, ou
sociológico. Aqui no Brasil, começou com a carta de
Pero Vaz, o primeiro documento da nacionalidade.
Pouquíssimo tempo depois, as cartas do padre Manoel
25 da Nóbrega prestam informações preciosas sobre um
país recém-nascido.
Não há nenhuma certeza de que as pessoas
vão guardar e-mails. É uma coisa mais precária e a
própria pressa da vida moderna conspira contra isso.
30 Assim, talvez deixem de se repetir coisas como:
1. As cartas de São Paulo, básicas para a
história do cristianismo.
2. Dois conjuntos de cartas romanas: as de
Cícero e as de Sêneca, que, sozinhas, garantiam um
35 conhecimento quase íntimo de uma época grandiosa. As
de Cícero, mais pictóricas, tecidas com as histórias do
dia a dia. As de Sêneca, o retrato de um filósofo que foi
o Montaigne dos romanos.
3. As cartas de Fénelon. Esse grande bispo
40 francês foi um incomparável diretor de consciências na
França de Luís XIV. Sua correspondência é uma
combinação única de beleza literária e finura espiritual.
4. As cartas de Flaubert, talvez sua obra-prima
(tenho uma preciosa edição francesa em sete volumes).
45 O caso de Flaubert é um bom exemplo. Como ele vivia
isolado, totalmente dedicado aos seus (poucos)
romances, a carta era o seu meio de comunicação com
o mundo. Sendo ele o escritor que era, surgiram
maravilhas literárias. Mas o tom é absolutamente íntimo.
50 Não vai muito bem com a eletrônica.
5. A correspondência entre Machado de Assis e
Joaquim Nabuco. Este é um tesouro bem nosso.
Nabuco era dez anos mais moço que Machado, e foi seu
parceiro na formação e consolidação da Academia
55 Brasileira de Letras. Para além do puramente literário, o
que essas cartas revelam é o encontro, o diálogo, entre
dois espíritos superiores. Tem o sabor de um velho
vinho do Porto.
A lista poderia ir longe. Na literatura romântica,
60 por exemplo, as cartas de amor entre Elizabeth Barret
Browing e seu futuro marido Robert Browing, todos dois
grandes poetas. No século XX, as cartas que tanto
enriquecem a estante kafkiana. Sem serem famosas, as
cartas de Thomas Mann são um dos melhores meios de
65 aprofundar o conhecimento desse grande romancista
alemão.
Isto não é para ser um exercício de
saudosismo. Cada época tem suas coisas boas – ou
más. Normalmente, nesses casos, ganha-se por um lado
70 e perde-se pelo outro. O ideal é quando se pode
conservar tudo – ou quase tudo. (...)
(HORTA, Luiz Paulo. O Globo. 28 de dezembro de 2012.)
Da fala do enunciador do texto I, pode-se depreender que, para ele,Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
DO FUNDO DO BAÚ
Eu tenho uma amiga que, todos os anos, me
enviava um belo cartão de Natal, às vezes desenhado
por ela. Este ano, em vez de cartão, chegou uma gentil
mensagem eletrônica. Eu entendo, ficou mais fácil. E
5 dessa maneira, você manda para quantas pessoas
quiser. Mas não há comparação entre um cartão (que
você custa a jogar fora) e uma mensagem eletrônica.
Isso ainda é mais verdade para essa
maravilhosa forma de comunicação que é a carta. É
10 difícil imaginar o que a carta representa na história da
humanidade. Primeiro, como laço afetivo. Certo, pode-se
pôr sentimento numa mensagem eletrônica. Mas ela tem
um caráter menos pessoal que uma carta. Recebendo a
carta, você sabia que era só para você. Que uma
15 determinada pessoa, num cantinho do universo, sentou-
se numa mesa, escolheu o papel, uma caneta, e
começou a escrever para você. A emoção podia
começar na caixa do correio – pelo formato do envelope,
pela letra que você conhecia.
20 Isso pelo lado afetivo. Havia outro, enorme: a
carta como documento histórico, ou literário, ou
sociológico. Aqui no Brasil, começou com a carta de
Pero Vaz, o primeiro documento da nacionalidade.
Pouquíssimo tempo depois, as cartas do padre Manoel
25 da Nóbrega prestam informações preciosas sobre um
país recém-nascido.
Não há nenhuma certeza de que as pessoas
vão guardar e-mails. É uma coisa mais precária e a
própria pressa da vida moderna conspira contra isso.
30 Assim, talvez deixem de se repetir coisas como:
1. As cartas de São Paulo, básicas para a
história do cristianismo.
2. Dois conjuntos de cartas romanas: as de
Cícero e as de Sêneca, que, sozinhas, garantiam um
35 conhecimento quase íntimo de uma época grandiosa. As
de Cícero, mais pictóricas, tecidas com as histórias do
dia a dia. As de Sêneca, o retrato de um filósofo que foi
o Montaigne dos romanos.
3. As cartas de Fénelon. Esse grande bispo
40 francês foi um incomparável diretor de consciências na
França de Luís XIV. Sua correspondência é uma
combinação única de beleza literária e finura espiritual.
4. As cartas de Flaubert, talvez sua obra-prima
(tenho uma preciosa edição francesa em sete volumes).
45 O caso de Flaubert é um bom exemplo. Como ele vivia
isolado, totalmente dedicado aos seus (poucos)
romances, a carta era o seu meio de comunicação com
o mundo. Sendo ele o escritor que era, surgiram
maravilhas literárias. Mas o tom é absolutamente íntimo.
50 Não vai muito bem com a eletrônica.
5. A correspondência entre Machado de Assis e
Joaquim Nabuco. Este é um tesouro bem nosso.
Nabuco era dez anos mais moço que Machado, e foi seu
parceiro na formação e consolidação da Academia
55 Brasileira de Letras. Para além do puramente literário, o
que essas cartas revelam é o encontro, o diálogo, entre
dois espíritos superiores. Tem o sabor de um velho
vinho do Porto.
A lista poderia ir longe. Na literatura romântica,
60 por exemplo, as cartas de amor entre Elizabeth Barret
Browing e seu futuro marido Robert Browing, todos dois
grandes poetas. No século XX, as cartas que tanto
enriquecem a estante kafkiana. Sem serem famosas, as
cartas de Thomas Mann são um dos melhores meios de
65 aprofundar o conhecimento desse grande romancista
alemão.
Isto não é para ser um exercício de
saudosismo. Cada época tem suas coisas boas – ou
más. Normalmente, nesses casos, ganha-se por um lado
70 e perde-se pelo outro. O ideal é quando se pode
conservar tudo – ou quase tudo. (...)
(HORTA, Luiz Paulo. O Globo. 28 de dezembro de 2012.)
Sobre o texto, foram feitas as seguintes inferências:
I. Mesmo que o cartão seja descartado, tal qual normalmente acontece com a mensagem eletrônica, seu valor é ainda maior que o desta.
II. Os recursos eletrônicos, de certa forma, cerceiam o tom íntimo que caracteriza as cartas.
III. Montaigne foi um grande filósofo, um exemplo de excelência nessa área do saber, para os romanos.
Está (estão) correta(s)Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
DO FUNDO DO BAÚ
Eu tenho uma amiga que, todos os anos, me
enviava um belo cartão de Natal, às vezes desenhado
por ela. Este ano, em vez de cartão, chegou uma gentil
mensagem eletrônica. Eu entendo, ficou mais fácil. E
5 dessa maneira, você manda para quantas pessoas
quiser. Mas não há comparação entre um cartão (que
você custa a jogar fora) e uma mensagem eletrônica.
Isso ainda é mais verdade para essa
maravilhosa forma de comunicação que é a carta. É
10 difícil imaginar o que a carta representa na história da
humanidade. Primeiro, como laço afetivo. Certo, pode-se
pôr sentimento numa mensagem eletrônica. Mas ela tem
um caráter menos pessoal que uma carta. Recebendo a
carta, você sabia que era só para você. Que uma
15 determinada pessoa, num cantinho do universo, sentou-
se numa mesa, escolheu o papel, uma caneta, e
começou a escrever para você. A emoção podia
começar na caixa do correio – pelo formato do envelope,
pela letra que você conhecia.
20 Isso pelo lado afetivo. Havia outro, enorme: a
carta como documento histórico, ou literário, ou
sociológico. Aqui no Brasil, começou com a carta de
Pero Vaz, o primeiro documento da nacionalidade.
Pouquíssimo tempo depois, as cartas do padre Manoel
25 da Nóbrega prestam informações preciosas sobre um
país recém-nascido.
Não há nenhuma certeza de que as pessoas
vão guardar e-mails. É uma coisa mais precária e a
própria pressa da vida moderna conspira contra isso.
30 Assim, talvez deixem de se repetir coisas como:
1. As cartas de São Paulo, básicas para a
história do cristianismo.
2. Dois conjuntos de cartas romanas: as de
Cícero e as de Sêneca, que, sozinhas, garantiam um
35 conhecimento quase íntimo de uma época grandiosa. As
de Cícero, mais pictóricas, tecidas com as histórias do
dia a dia. As de Sêneca, o retrato de um filósofo que foi
o Montaigne dos romanos.
3. As cartas de Fénelon. Esse grande bispo
40 francês foi um incomparável diretor de consciências na
França de Luís XIV. Sua correspondência é uma
combinação única de beleza literária e finura espiritual.
4. As cartas de Flaubert, talvez sua obra-prima
(tenho uma preciosa edição francesa em sete volumes).
45 O caso de Flaubert é um bom exemplo. Como ele vivia
isolado, totalmente dedicado aos seus (poucos)
romances, a carta era o seu meio de comunicação com
o mundo. Sendo ele o escritor que era, surgiram
maravilhas literárias. Mas o tom é absolutamente íntimo.
50 Não vai muito bem com a eletrônica.
5. A correspondência entre Machado de Assis e
Joaquim Nabuco. Este é um tesouro bem nosso.
Nabuco era dez anos mais moço que Machado, e foi seu
parceiro na formação e consolidação da Academia
55 Brasileira de Letras. Para além do puramente literário, o
que essas cartas revelam é o encontro, o diálogo, entre
dois espíritos superiores. Tem o sabor de um velho
vinho do Porto.
A lista poderia ir longe. Na literatura romântica,
60 por exemplo, as cartas de amor entre Elizabeth Barret
Browing e seu futuro marido Robert Browing, todos dois
grandes poetas. No século XX, as cartas que tanto
enriquecem a estante kafkiana. Sem serem famosas, as
cartas de Thomas Mann são um dos melhores meios de
65 aprofundar o conhecimento desse grande romancista
alemão.
Isto não é para ser um exercício de
saudosismo. Cada época tem suas coisas boas – ou
más. Normalmente, nesses casos, ganha-se por um lado
70 e perde-se pelo outro. O ideal é quando se pode
conservar tudo – ou quase tudo. (...)
(HORTA, Luiz Paulo. O Globo. 28 de dezembro de 2012.)
Assinale a alternativa em que se pode depreender uma relação de causa-consequência.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
DO FUNDO DO BAÚ
Eu tenho uma amiga que, todos os anos, me
enviava um belo cartão de Natal, às vezes desenhado
por ela. Este ano, em vez de cartão, chegou uma gentil
mensagem eletrônica. Eu entendo, ficou mais fácil. E
5 dessa maneira, você manda para quantas pessoas
quiser. Mas não há comparação entre um cartão (que
você custa a jogar fora) e uma mensagem eletrônica.
Isso ainda é mais verdade para essa
maravilhosa forma de comunicação que é a carta. É
10 difícil imaginar o que a carta representa na história da
humanidade. Primeiro, como laço afetivo. Certo, pode-se
pôr sentimento numa mensagem eletrônica. Mas ela tem
um caráter menos pessoal que uma carta. Recebendo a
carta, você sabia que era só para você. Que uma
15 determinada pessoa, num cantinho do universo, sentou-
se numa mesa, escolheu o papel, uma caneta, e
começou a escrever para você. A emoção podia
começar na caixa do correio – pelo formato do envelope,
pela letra que você conhecia.
20 Isso pelo lado afetivo. Havia outro, enorme: a
carta como documento histórico, ou literário, ou
sociológico. Aqui no Brasil, começou com a carta de
Pero Vaz, o primeiro documento da nacionalidade.
Pouquíssimo tempo depois, as cartas do padre Manoel
25 da Nóbrega prestam informações preciosas sobre um
país recém-nascido.
Não há nenhuma certeza de que as pessoas
vão guardar e-mails. É uma coisa mais precária e a
própria pressa da vida moderna conspira contra isso.
30 Assim, talvez deixem de se repetir coisas como:
1. As cartas de São Paulo, básicas para a
história do cristianismo.
2. Dois conjuntos de cartas romanas: as de
Cícero e as de Sêneca, que, sozinhas, garantiam um
35 conhecimento quase íntimo de uma época grandiosa. As
de Cícero, mais pictóricas, tecidas com as histórias do
dia a dia. As de Sêneca, o retrato de um filósofo que foi
o Montaigne dos romanos.
3. As cartas de Fénelon. Esse grande bispo
40 francês foi um incomparável diretor de consciências na
França de Luís XIV. Sua correspondência é uma
combinação única de beleza literária e finura espiritual.
4. As cartas de Flaubert, talvez sua obra-prima
(tenho uma preciosa edição francesa em sete volumes).
45 O caso de Flaubert é um bom exemplo. Como ele vivia
isolado, totalmente dedicado aos seus (poucos)
romances, a carta era o seu meio de comunicação com
o mundo. Sendo ele o escritor que era, surgiram
maravilhas literárias. Mas o tom é absolutamente íntimo.
50 Não vai muito bem com a eletrônica.
5. A correspondência entre Machado de Assis e
Joaquim Nabuco. Este é um tesouro bem nosso.
Nabuco era dez anos mais moço que Machado, e foi seu
parceiro na formação e consolidação da Academia
55 Brasileira de Letras. Para além do puramente literário, o
que essas cartas revelam é o encontro, o diálogo, entre
dois espíritos superiores. Tem o sabor de um velho
vinho do Porto.
A lista poderia ir longe. Na literatura romântica,
60 por exemplo, as cartas de amor entre Elizabeth Barret
Browing e seu futuro marido Robert Browing, todos dois
grandes poetas. No século XX, as cartas que tanto
enriquecem a estante kafkiana. Sem serem famosas, as
cartas de Thomas Mann são um dos melhores meios de
65 aprofundar o conhecimento desse grande romancista
alemão.
Isto não é para ser um exercício de
saudosismo. Cada época tem suas coisas boas – ou
más. Normalmente, nesses casos, ganha-se por um lado
70 e perde-se pelo outro. O ideal é quando se pode
conservar tudo – ou quase tudo. (...)
(HORTA, Luiz Paulo. O Globo. 28 de dezembro de 2012.)
Os verbos abaixo destacados são, muitas vezes, utilizados de forma coloquial, infringindo assim a norma culta da língua portuguesa. Pode-se afirmar que, levando em conta o contexto, esse fato ocorreu em
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TEXTO I
DO FUNDO DO BAÚ
Eu tenho uma amiga que, todos os anos, me
enviava um belo cartão de Natal, às vezes desenhado
por ela. Este ano, em vez de cartão, chegou uma gentil
mensagem eletrônica. Eu entendo, ficou mais fácil. E
5 dessa maneira, você manda para quantas pessoas
quiser. Mas não há comparação entre um cartão (que
você custa a jogar fora) e uma mensagem eletrônica.
Isso ainda é mais verdade para essa
maravilhosa forma de comunicação que é a carta. É
10 difícil imaginar o que a carta representa na história da
humanidade. Primeiro, como laço afetivo. Certo, pode-se
pôr sentimento numa mensagem eletrônica. Mas ela tem
um caráter menos pessoal que uma carta. Recebendo a
carta, você sabia que era só para você. Que uma
15 determinada pessoa, num cantinho do universo, sentou-
se numa mesa, escolheu o papel, uma caneta, e
começou a escrever para você. A emoção podia
começar na caixa do correio – pelo formato do envelope,
pela letra que você conhecia.
20 Isso pelo lado afetivo. Havia outro, enorme: a
carta como documento histórico, ou literário, ou
sociológico. Aqui no Brasil, começou com a carta de
Pero Vaz, o primeiro documento da nacionalidade.
Pouquíssimo tempo depois, as cartas do padre Manoel
25 da Nóbrega prestam informações preciosas sobre um
país recém-nascido.
Não há nenhuma certeza de que as pessoas
vão guardar e-mails. É uma coisa mais precária e a
própria pressa da vida moderna conspira contra isso.
30 Assim, talvez deixem de se repetir coisas como:
1. As cartas de São Paulo, básicas para a
história do cristianismo.
2. Dois conjuntos de cartas romanas: as de
Cícero e as de Sêneca, que, sozinhas, garantiam um
35 conhecimento quase íntimo de uma época grandiosa. As
de Cícero, mais pictóricas, tecidas com as histórias do
dia a dia. As de Sêneca, o retrato de um filósofo que foi
o Montaigne dos romanos.
3. As cartas de Fénelon. Esse grande bispo
40 francês foi um incomparável diretor de consciências na
França de Luís XIV. Sua correspondência é uma
combinação única de beleza literária e finura espiritual.
4. As cartas de Flaubert, talvez sua obra-prima
(tenho uma preciosa edição francesa em sete volumes).
45 O caso de Flaubert é um bom exemplo. Como ele vivia
isolado, totalmente dedicado aos seus (poucos)
romances, a carta era o seu meio de comunicação com
o mundo. Sendo ele o escritor que era, surgiram
maravilhas literárias. Mas o tom é absolutamente íntimo.
50 Não vai muito bem com a eletrônica.
5. A correspondência entre Machado de Assis e
Joaquim Nabuco. Este é um tesouro bem nosso.
Nabuco era dez anos mais moço que Machado, e foi seu
parceiro na formação e consolidação da Academia
55 Brasileira de Letras. Para além do puramente literário, o
que essas cartas revelam é o encontro, o diálogo, entre
dois espíritos superiores. Tem o sabor de um velho
vinho do Porto.
A lista poderia ir longe. Na literatura romântica,
60 por exemplo, as cartas de amor entre Elizabeth Barret
Browing e seu futuro marido Robert Browing, todos dois
grandes poetas. No século XX, as cartas que tanto
enriquecem a estante kafkiana. Sem serem famosas, as
cartas de Thomas Mann são um dos melhores meios de
65 aprofundar o conhecimento desse grande romancista
alemão.
Isto não é para ser um exercício de
saudosismo. Cada época tem suas coisas boas – ou
más. Normalmente, nesses casos, ganha-se por um lado
70 e perde-se pelo outro. O ideal é quando se pode
conservar tudo – ou quase tudo. (...)
(HORTA, Luiz Paulo. O Globo. 28 de dezembro de 2012.)
Ao referir-se à correspondência entre Machado de Assis e Joaquim Nabuco, o locutor afirma que o diálogo nas cartas entre ambos “Tem sabor de um velho vinho do Porto.” (ℓ.57 e 58)
Essa frase assume, nesse parágrafo, a função de uma figura de linguagem denominadaResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
DO FUNDO DO BAÚ
Eu tenho uma amiga que, todos os anos, me
enviava um belo cartão de Natal, às vezes desenhado
por ela. Este ano, em vez de cartão, chegou uma gentil
mensagem eletrônica. Eu entendo, ficou mais fácil. E
5 dessa maneira, você manda para quantas pessoas
quiser. Mas não há comparação entre um cartão (que
você custa a jogar fora) e uma mensagem eletrônica.
Isso ainda é mais verdade para essa
maravilhosa forma de comunicação que é a carta. É
10 difícil imaginar o que a carta representa na história da
humanidade. Primeiro, como laço afetivo. Certo, pode-se
pôr sentimento numa mensagem eletrônica. Mas ela tem
um caráter menos pessoal que uma carta. Recebendo a
carta, você sabia que era só para você. Que uma
15 determinada pessoa, num cantinho do universo, sentou-
se numa mesa, escolheu o papel, uma caneta, e
começou a escrever para você. A emoção podia
começar na caixa do correio – pelo formato do envelope,
pela letra que você conhecia.
20 Isso pelo lado afetivo. Havia outro, enorme: a
carta como documento histórico, ou literário, ou
sociológico. Aqui no Brasil, começou com a carta de
Pero Vaz, o primeiro documento da nacionalidade.
Pouquíssimo tempo depois, as cartas do padre Manoel
25 da Nóbrega prestam informações preciosas sobre um
país recém-nascido.
Não há nenhuma certeza de que as pessoas
vão guardar e-mails. É uma coisa mais precária e a
própria pressa da vida moderna conspira contra isso.
30 Assim, talvez deixem de se repetir coisas como:
1. As cartas de São Paulo, básicas para a
história do cristianismo.
2. Dois conjuntos de cartas romanas: as de
Cícero e as de Sêneca, que, sozinhas, garantiam um
35 conhecimento quase íntimo de uma época grandiosa. As
de Cícero, mais pictóricas, tecidas com as histórias do
dia a dia. As de Sêneca, o retrato de um filósofo que foi
o Montaigne dos romanos.
3. As cartas de Fénelon. Esse grande bispo
40 francês foi um incomparável diretor de consciências na
França de Luís XIV. Sua correspondência é uma
combinação única de beleza literária e finura espiritual.
4. As cartas de Flaubert, talvez sua obra-prima
(tenho uma preciosa edição francesa em sete volumes).
45 O caso de Flaubert é um bom exemplo. Como ele vivia
isolado, totalmente dedicado aos seus (poucos)
romances, a carta era o seu meio de comunicação com
o mundo. Sendo ele o escritor que era, surgiram
maravilhas literárias. Mas o tom é absolutamente íntimo.
50 Não vai muito bem com a eletrônica.
5. A correspondência entre Machado de Assis e
Joaquim Nabuco. Este é um tesouro bem nosso.
Nabuco era dez anos mais moço que Machado, e foi seu
parceiro na formação e consolidação da Academia
55 Brasileira de Letras. Para além do puramente literário, o
que essas cartas revelam é o encontro, o diálogo, entre
dois espíritos superiores. Tem o sabor de um velho
vinho do Porto.
A lista poderia ir longe. Na literatura romântica,
60 por exemplo, as cartas de amor entre Elizabeth Barret
Browing e seu futuro marido Robert Browing, todos dois
grandes poetas. No século XX, as cartas que tanto
enriquecem a estante kafkiana. Sem serem famosas, as
cartas de Thomas Mann são um dos melhores meios de
65 aprofundar o conhecimento desse grande romancista
alemão.
Isto não é para ser um exercício de
saudosismo. Cada época tem suas coisas boas – ou
más. Normalmente, nesses casos, ganha-se por um lado
70 e perde-se pelo outro. O ideal é quando se pode
conservar tudo – ou quase tudo. (...)
(HORTA, Luiz Paulo. O Globo. 28 de dezembro de 2012.)
Em um texto, o locutor vai deixando pistas de seu ponto de vista em relação ao que diz. Essas pistas desempenham um importante papel na coerência argumentativa e são conhecidos como elementos modalizadores. Assinale a alternativa em que NÃO há elementos de modalização.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
DO FUNDO DO BAÚ
Eu tenho uma amiga que, todos os anos, me
enviava um belo cartão de Natal, às vezes desenhado
por ela. Este ano, em vez de cartão, chegou uma gentil
mensagem eletrônica. Eu entendo, ficou mais fácil. E
5 dessa maneira, você manda para quantas pessoas
quiser. Mas não há comparação entre um cartão (que
você custa a jogar fora) e uma mensagem eletrônica.
Isso ainda é mais verdade para essa
maravilhosa forma de comunicação que é a carta. É
10 difícil imaginar o que a carta representa na história da
humanidade. Primeiro, como laço afetivo. Certo, pode-se
pôr sentimento numa mensagem eletrônica. Mas ela tem
um caráter menos pessoal que uma carta. Recebendo a
carta, você sabia que era só para você. Que uma
15 determinada pessoa, num cantinho do universo, sentou-
se numa mesa, escolheu o papel, uma caneta, e
começou a escrever para você. A emoção podia
começar na caixa do correio – pelo formato do envelope,
pela letra que você conhecia.
20 Isso pelo lado afetivo. Havia outro, enorme: a
carta como documento histórico, ou literário, ou
sociológico. Aqui no Brasil, começou com a carta de
Pero Vaz, o primeiro documento da nacionalidade.
Pouquíssimo tempo depois, as cartas do padre Manoel
25 da Nóbrega prestam informações preciosas sobre um
país recém-nascido.
Não há nenhuma certeza de que as pessoas
vão guardar e-mails. É uma coisa mais precária e a
própria pressa da vida moderna conspira contra isso.
30 Assim, talvez deixem de se repetir coisas como:
1. As cartas de São Paulo, básicas para a
história do cristianismo.
2. Dois conjuntos de cartas romanas: as de
Cícero e as de Sêneca, que, sozinhas, garantiam um
35 conhecimento quase íntimo de uma época grandiosa. As
de Cícero, mais pictóricas, tecidas com as histórias do
dia a dia. As de Sêneca, o retrato de um filósofo que foi
o Montaigne dos romanos.
3. As cartas de Fénelon. Esse grande bispo
40 francês foi um incomparável diretor de consciências na
França de Luís XIV. Sua correspondência é uma
combinação única de beleza literária e finura espiritual.
4. As cartas de Flaubert, talvez sua obra-prima
(tenho uma preciosa edição francesa em sete volumes).
45 O caso de Flaubert é um bom exemplo. Como ele vivia
isolado, totalmente dedicado aos seus (poucos)
romances, a carta era o seu meio de comunicação com
o mundo. Sendo ele o escritor que era, surgiram
maravilhas literárias. Mas o tom é absolutamente íntimo.
50 Não vai muito bem com a eletrônica.
5. A correspondência entre Machado de Assis e
Joaquim Nabuco. Este é um tesouro bem nosso.
Nabuco era dez anos mais moço que Machado, e foi seu
parceiro na formação e consolidação da Academia
55 Brasileira de Letras. Para além do puramente literário, o
que essas cartas revelam é o encontro, o diálogo, entre
dois espíritos superiores. Tem o sabor de um velho
vinho do Porto.
A lista poderia ir longe. Na literatura romântica,
60 por exemplo, as cartas de amor entre Elizabeth Barret
Browing e seu futuro marido Robert Browing, todos dois
grandes poetas. No século XX, as cartas que tanto
enriquecem a estante kafkiana. Sem serem famosas, as
cartas de Thomas Mann são um dos melhores meios de
65 aprofundar o conhecimento desse grande romancista
alemão.
Isto não é para ser um exercício de
saudosismo. Cada época tem suas coisas boas – ou
más. Normalmente, nesses casos, ganha-se por um lado
70 e perde-se pelo outro. O ideal é quando se pode
conservar tudo – ou quase tudo. (...)
(HORTA, Luiz Paulo. O Globo. 28 de dezembro de 2012.)
O pronome demonstrativo marca posição no tempo, no espaço e no texto. Assinale a alternativa em que o pronome demonstrativo foi utilizado para marcar posição espacial.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
DO FUNDO DO BAÚ
Eu tenho uma amiga que, todos os anos, me
enviava um belo cartão de Natal, às vezes desenhado
por ela. Este ano, em vez de cartão, chegou uma gentil
mensagem eletrônica. Eu entendo, ficou mais fácil. E
5 dessa maneira, você manda para quantas pessoas
quiser. Mas não há comparação entre um cartão (que
você custa a jogar fora) e uma mensagem eletrônica.
Isso ainda é mais verdade para essa
maravilhosa forma de comunicação que é a carta. É
10 difícil imaginar o que a carta representa na história da
humanidade. Primeiro, como laço afetivo. Certo, pode-se
pôr sentimento numa mensagem eletrônica. Mas ela tem
um caráter menos pessoal que uma carta. Recebendo a
carta, você sabia que era só para você. Que uma
15 determinada pessoa, num cantinho do universo, sentou-
se numa mesa, escolheu o papel, uma caneta, e
começou a escrever para você. A emoção podia
começar na caixa do correio – pelo formato do envelope,
pela letra que você conhecia.
20 Isso pelo lado afetivo. Havia outro, enorme: a
carta como documento histórico, ou literário, ou
sociológico. Aqui no Brasil, começou com a carta de
Pero Vaz, o primeiro documento da nacionalidade.
Pouquíssimo tempo depois, as cartas do padre Manoel
25 da Nóbrega prestam informações preciosas sobre um
país recém-nascido.
Não há nenhuma certeza de que as pessoas
vão guardar e-mails. É uma coisa mais precária e a
própria pressa da vida moderna conspira contra isso.
30 Assim, talvez deixem de se repetir coisas como:
1. As cartas de São Paulo, básicas para a
história do cristianismo.
2. Dois conjuntos de cartas romanas: as de
Cícero e as de Sêneca, que, sozinhas, garantiam um
35 conhecimento quase íntimo de uma época grandiosa. As
de Cícero, mais pictóricas, tecidas com as histórias do
dia a dia. As de Sêneca, o retrato de um filósofo que foi
o Montaigne dos romanos.
3. As cartas de Fénelon. Esse grande bispo
40 francês foi um incomparável diretor de consciências na
França de Luís XIV. Sua correspondência é uma
combinação única de beleza literária e finura espiritual.
4. As cartas de Flaubert, talvez sua obra-prima
(tenho uma preciosa edição francesa em sete volumes).
45 O caso de Flaubert é um bom exemplo. Como ele vivia
isolado, totalmente dedicado aos seus (poucos)
romances, a carta era o seu meio de comunicação com
o mundo. Sendo ele o escritor que era, surgiram
maravilhas literárias. Mas o tom é absolutamente íntimo.
50 Não vai muito bem com a eletrônica.
5. A correspondência entre Machado de Assis e
Joaquim Nabuco. Este é um tesouro bem nosso.
Nabuco era dez anos mais moço que Machado, e foi seu
parceiro na formação e consolidação da Academia
55 Brasileira de Letras. Para além do puramente literário, o
que essas cartas revelam é o encontro, o diálogo, entre
dois espíritos superiores. Tem o sabor de um velho
vinho do Porto.
A lista poderia ir longe. Na literatura romântica,
60 por exemplo, as cartas de amor entre Elizabeth Barret
Browing e seu futuro marido Robert Browing, todos dois
grandes poetas. No século XX, as cartas que tanto
enriquecem a estante kafkiana. Sem serem famosas, as
cartas de Thomas Mann são um dos melhores meios de
65 aprofundar o conhecimento desse grande romancista
alemão.
Isto não é para ser um exercício de
saudosismo. Cada época tem suas coisas boas – ou
más. Normalmente, nesses casos, ganha-se por um lado
70 e perde-se pelo outro. O ideal é quando se pode
conservar tudo – ou quase tudo. (...)
(HORTA, Luiz Paulo. O Globo. 28 de dezembro de 2012.)
Observando os trechos, numerados ordinariamente, marque a opção que traz uma afirmativa correta.
1º– “Primeiro, como laço afetivo.”
2º– “... pode-se pôr sentimento numa mensagem eletrônica.”
3º– “Além do lado afetivo, há outro: a carta como documento histórico...”
4º– “Mas o tom é absolutamente íntimo.”Resolução comentada
Análise das alternativas
![]()
deposito-de-tirinhas: por Charles Schulz http://www.peanuts.com
Sobre os verbos da tirinha a seguir, é INCORRETO afirmar que
![]()
deposito-de-tirinhas: por Charles Schulz http://www.peanuts.com
Ainda, com base na análise dos quadrinhos acima, só NÃO se pode afirmar que
TEXTO II
UMA CARTA DE MACHADO DE ASSIS
Machado de Assis tinha 65 anos quando Carolina, sua mulher, morreu em 1904; viveria ainda quatro anos. Joaquim Nabuco, um de seus melhores amigos, era dez anos mais moço, e correspondia-se com Machado, desde a adolescência.
Rio de Janeiro, 20 de novembro de 1904.
Meu caro Nabuco,
Tão longe, e em outro meio, chegou-lhe a
notícia da minha grande desgraça, e você expressou a
sua simpatia por um telegrama. A única palavra com que
lhe agradeci é a mesma que ora lhe mando, não
5 sabendo outra que possa dizer tudo o que sinto e me
acabrunha. Foi-se a melhor parte da minha vida e aqui
estou só no mundo. Note que a solidão não me é
enfadonha, antes me é grata, porque é um modo de
viver com ela, ouvi-la, assistir aos mil cuidados que essa
10 companheira de 35 anos de casados tinha comigo; mas
não há imaginação que não acorde, e a vigília aumenta
a falta da pessoa amada. Éramos velhos, e eu contava
morrer antes dela, o que seria um grande favor; primeiro,
porque não acharia a ninguém que melhor me ajudasse
15 a morrer; segundo, porque ela deixa alguns parentes
que a consolariam das saudades, e eu não tenho
nenhum. Os meus são amigos, e verdadeiramente são
os melhores; mas a vida os dispersa, no espaço, nas
preocupações do espírito e na própria carreira que a
20 cada um cabe. Aqui me fico, por ora na mesma casa, no
mesmo aposento, com os mesmos adornos seus. Tudo
me lembra a minha meiga Carolina.
Como estou à beira do eterno aposento, não
gastarei muito tempo em recorda-la. Irei vê-la, ela me
25 esperará.
Não posso, caro amigo, responder agora à sua
carta de 8 de outubro; recebi-a dias depois do
falecimento de minha mulher, e você compreende que
apenas posso falar deste fundo golpe.
30 Até outra e breve; então lhe direi o que convém
ao assunto daquela carta que, pelo afeto e sinceridade,
chegou à hora dos melhores remédios. Aceite este
abraço do triste amigo velho
35 Machado de Assis
http://rosebud-rose-bud.blogspot.com/2007/02/uma-carta-de-machado-de-assis.html, acessado em 04/05/2013.
Assinale a alternativa que revela o sentimento de Machado de Assis em relação à morte de sua esposa.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
DO FUNDO DO BAÚ
Eu tenho uma amiga que, todos os anos, me
enviava um belo cartão de Natal, às vezes desenhado
por ela. Este ano, em vez de cartão, chegou uma gentil
mensagem eletrônica. Eu entendo, ficou mais fácil. E
5 dessa maneira, você manda para quantas pessoas
quiser. Mas não há comparação entre um cartão (que
você custa a jogar fora) e uma mensagem eletrônica.
Isso ainda é mais verdade para essa
maravilhosa forma de comunicação que é a carta. É
10 difícil imaginar o que a carta representa na história da
humanidade. Primeiro, como laço afetivo. Certo, pode-se
pôr sentimento numa mensagem eletrônica. Mas ela tem
um caráter menos pessoal que uma carta. Recebendo a
carta, você sabia que era só para você. Que uma
15 determinada pessoa, num cantinho do universo, sentou-
se numa mesa, escolheu o papel, uma caneta, e
começou a escrever para você. A emoção podia
começar na caixa do correio – pelo formato do envelope,
pela letra que você conhecia.
20 Isso pelo lado afetivo. Havia outro, enorme: a
carta como documento histórico, ou literário, ou
sociológico. Aqui no Brasil, começou com a carta de
Pero Vaz, o primeiro documento da nacionalidade.
Pouquíssimo tempo depois, as cartas do padre Manoel
25 da Nóbrega prestam informações preciosas sobre um
país recém-nascido.
Não há nenhuma certeza de que as pessoas
vão guardar e-mails. É uma coisa mais precária e a
própria pressa da vida moderna conspira contra isso.
30 Assim, talvez deixem de se repetir coisas como:
1. As cartas de São Paulo, básicas para a
história do cristianismo.
2. Dois conjuntos de cartas romanas: as de
Cícero e as de Sêneca, que, sozinhas, garantiam um
35 conhecimento quase íntimo de uma época grandiosa. As
de Cícero, mais pictóricas, tecidas com as histórias do
dia a dia. As de Sêneca, o retrato de um filósofo que foi
o Montaigne dos romanos.
3. As cartas de Fénelon. Esse grande bispo
40 francês foi um incomparável diretor de consciências na
França de Luís XIV. Sua correspondência é uma
combinação única de beleza literária e finura espiritual.
4. As cartas de Flaubert, talvez sua obra-prima
(tenho uma preciosa edição francesa em sete volumes).
45 O caso de Flaubert é um bom exemplo. Como ele vivia
isolado, totalmente dedicado aos seus (poucos)
romances, a carta era o seu meio de comunicação com
o mundo. Sendo ele o escritor que era, surgiram
maravilhas literárias. Mas o tom é absolutamente íntimo.
50 Não vai muito bem com a eletrônica.
5. A correspondência entre Machado de Assis e
Joaquim Nabuco. Este é um tesouro bem nosso.
Nabuco era dez anos mais moço que Machado, e foi seu
parceiro na formação e consolidação da Academia
55 Brasileira de Letras. Para além do puramente literário, o
que essas cartas revelam é o encontro, o diálogo, entre
dois espíritos superiores. Tem o sabor de um velho
vinho do Porto.
A lista poderia ir longe. Na literatura romântica,
60 por exemplo, as cartas de amor entre Elizabeth Barret
Browing e seu futuro marido Robert Browing, todos dois
grandes poetas. No século XX, as cartas que tanto
enriquecem a estante kafkiana. Sem serem famosas, as
cartas de Thomas Mann são um dos melhores meios de
65 aprofundar o conhecimento desse grande romancista
alemão.
Isto não é para ser um exercício de
saudosismo. Cada época tem suas coisas boas – ou
más. Normalmente, nesses casos, ganha-se por um lado
70 e perde-se pelo outro. O ideal é quando se pode
conservar tudo – ou quase tudo. (...)
(HORTA, Luiz Paulo. O Globo. 28 de dezembro de 2012.)
TEXTO II
UMA CARTA DE MACHADO DE ASSIS
Machado de Assis tinha 65 anos quando Carolina, sua mulher, morreu em 1904; viveria ainda quatro anos. Joaquim Nabuco, um de seus melhores amigos, era dez anos mais moço, e correspondia-se com Machado, desde a adolescência.
Rio de Janeiro, 20 de novembro de 1904.
Meu caro Nabuco,
Tão longe, e em outro meio, chegou-lhe a
notícia da minha grande desgraça, e você expressou a
sua simpatia por um telegrama. A única palavra com que
lhe agradeci é a mesma que ora lhe mando, não
5 sabendo outra que possa dizer tudo o que sinto e me
acabrunha. Foi-se a melhor parte da minha vida e aqui
estou só no mundo. Note que a solidão não me é
enfadonha, antes me é grata, porque é um modo de
viver com ela, ouvi-la, assistir aos mil cuidados que essa
10 companheira de 35 anos de casados tinha comigo; mas
não há imaginação que não acorde, e a vigília aumenta
a falta da pessoa amada. Éramos velhos, e eu contava
morrer antes dela, o que seria um grande favor; primeiro,
porque não acharia a ninguém que melhor me ajudasse
15 a morrer; segundo, porque ela deixa alguns parentes
que a consolariam das saudades, e eu não tenho
nenhum. Os meus são amigos, e verdadeiramente são
os melhores; mas a vida os dispersa, no espaço, nas
preocupações do espírito e na própria carreira que a
20 cada um cabe. Aqui me fico, por ora na mesma casa, no
mesmo aposento, com os mesmos adornos seus. Tudo
me lembra a minha meiga Carolina.
Como estou à beira do eterno aposento, não
gastarei muito tempo em recorda-la. Irei vê-la, ela me
25 esperará.
Não posso, caro amigo, responder agora à sua
carta de 8 de outubro; recebi-a dias depois do
falecimento de minha mulher, e você compreende que
apenas posso falar deste fundo golpe.
30 Até outra e breve; então lhe direi o que convém
ao assunto daquela carta que, pelo afeto e sinceridade,
chegou à hora dos melhores remédios. Aceite este
abraço do triste amigo velho
35 Machado de Assis
http://rosebud-rose-bud.blogspot.com/2007/02/uma-carta-de-machado-de-assis.html, acessado em 04/05/2013.
Comparando o texto I ao texto II, só NÃO se pode concluir queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
UMA CARTA DE MACHADO DE ASSIS
Machado de Assis tinha 65 anos quando Carolina, sua mulher, morreu em 1904; viveria ainda quatro anos. Joaquim Nabuco, um de seus melhores amigos, era dez anos mais moço, e correspondia-se com Machado, desde a adolescência.
Rio de Janeiro, 20 de novembro de 1904.
Meu caro Nabuco,
Tão longe, e em outro meio, chegou-lhe a
notícia da minha grande desgraça, e você expressou a
sua simpatia por um telegrama. A única palavra com que
lhe agradeci é a mesma que ora lhe mando, não
5 sabendo outra que possa dizer tudo o que sinto e me
acabrunha. Foi-se a melhor parte da minha vida e aqui
estou só no mundo. Note que a solidão não me é
enfadonha, antes me é grata, porque é um modo de
viver com ela, ouvi-la, assistir aos mil cuidados que essa
10 companheira de 35 anos de casados tinha comigo; mas
não há imaginação que não acorde, e a vigília aumenta
a falta da pessoa amada. Éramos velhos, e eu contava
morrer antes dela, o que seria um grande favor; primeiro,
porque não acharia a ninguém que melhor me ajudasse
15 a morrer; segundo, porque ela deixa alguns parentes
que a consolariam das saudades, e eu não tenho
nenhum. Os meus são amigos, e verdadeiramente são
os melhores; mas a vida os dispersa, no espaço, nas
preocupações do espírito e na própria carreira que a
20 cada um cabe. Aqui me fico, por ora na mesma casa, no
mesmo aposento, com os mesmos adornos seus. Tudo
me lembra a minha meiga Carolina.
Como estou à beira do eterno aposento, não
gastarei muito tempo em recorda-la. Irei vê-la, ela me
25 esperará.
Não posso, caro amigo, responder agora à sua
carta de 8 de outubro; recebi-a dias depois do
falecimento de minha mulher, e você compreende que
apenas posso falar deste fundo golpe.
30 Até outra e breve; então lhe direi o que convém
ao assunto daquela carta que, pelo afeto e sinceridade,
chegou à hora dos melhores remédios. Aceite este
abraço do triste amigo velho
35 Machado de Assis
http://rosebud-rose-bud.blogspot.com/2007/02/uma-carta-de-machado-de-assis.html, acessado em 04/05/2013.
As alternativas que se seguem são trechos modificados da carta de Machado de Assis. Em apenas um deles, manteve-se a concordância verbal de acordo com a norma padrão da língua. Assinale-o.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
UMA CARTA DE MACHADO DE ASSIS
Machado de Assis tinha 65 anos quando Carolina, sua mulher, morreu em 1904; viveria ainda quatro anos. Joaquim Nabuco, um de seus melhores amigos, era dez anos mais moço, e correspondia-se com Machado, desde a adolescência.
Rio de Janeiro, 20 de novembro de 1904.
Meu caro Nabuco,
Tão longe, e em outro meio, chegou-lhe a
notícia da minha grande desgraça, e você expressou a
sua simpatia por um telegrama. A única palavra com que
lhe agradeci é a mesma que ora lhe mando, não
5 sabendo outra que possa dizer tudo o que sinto e me
acabrunha. Foi-se a melhor parte da minha vida e aqui
estou só no mundo. Note que a solidão não me é
enfadonha, antes me é grata, porque é um modo de
viver com ela, ouvi-la, assistir aos mil cuidados que essa
10 companheira de 35 anos de casados tinha comigo; mas
não há imaginação que não acorde, e a vigília aumenta
a falta da pessoa amada. Éramos velhos, e eu contava
morrer antes dela, o que seria um grande favor; primeiro,
porque não acharia a ninguém que melhor me ajudasse
15 a morrer; segundo, porque ela deixa alguns parentes
que a consolariam das saudades, e eu não tenho
nenhum. Os meus são amigos, e verdadeiramente são
os melhores; mas a vida os dispersa, no espaço, nas
preocupações do espírito e na própria carreira que a
20 cada um cabe. Aqui me fico, por ora na mesma casa, no
mesmo aposento, com os mesmos adornos seus. Tudo
me lembra a minha meiga Carolina.
Como estou à beira do eterno aposento, não
gastarei muito tempo em recorda-la. Irei vê-la, ela me
25 esperará.
Não posso, caro amigo, responder agora à sua
carta de 8 de outubro; recebi-a dias depois do
falecimento de minha mulher, e você compreende que
apenas posso falar deste fundo golpe.
30 Até outra e breve; então lhe direi o que convém
ao assunto daquela carta que, pelo afeto e sinceridade,
chegou à hora dos melhores remédios. Aceite este
abraço do triste amigo velho
35 Machado de Assis
http://rosebud-rose-bud.blogspot.com/2007/02/uma-carta-de-machado-de-assis.html, acessado em 04/05/2013.
Observe os trechos abaixo:
I. “Como estou à beira do eterno aposento, não gastarei muito tempo em recordá-la.”
II. “Não posso, caro amigo, responder agora à sua carta de 8 de outubro.”
III. “...então, lhe direi o que convém ao assunto daquela carta que (...) chegou à hora dos melhores remédios.”
Quanto ao uso do acento grave nas orações acima, só NÃO é correto afirmar queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
UMA CARTA DE MACHADO DE ASSIS
Machado de Assis tinha 65 anos quando Carolina, sua mulher, morreu em 1904; viveria ainda quatro anos. Joaquim Nabuco, um de seus melhores amigos, era dez anos mais moço, e correspondia-se com Machado, desde a adolescência.
Rio de Janeiro, 20 de novembro de 1904.
Meu caro Nabuco,
Tão longe, e em outro meio, chegou-lhe a
notícia da minha grande desgraça, e você expressou a
sua simpatia por um telegrama. A única palavra com que
lhe agradeci é a mesma que ora lhe mando, não
5 sabendo outra que possa dizer tudo o que sinto e me
acabrunha. Foi-se a melhor parte da minha vida e aqui
estou só no mundo. Note que a solidão não me é
enfadonha, antes me é grata, porque é um modo de
viver com ela, ouvi-la, assistir aos mil cuidados que essa
10 companheira de 35 anos de casados tinha comigo; mas
não há imaginação que não acorde, e a vigília aumenta
a falta da pessoa amada. Éramos velhos, e eu contava
morrer antes dela, o que seria um grande favor; primeiro,
porque não acharia a ninguém que melhor me ajudasse
15 a morrer; segundo, porque ela deixa alguns parentes
que a consolariam das saudades, e eu não tenho
nenhum. Os meus são amigos, e verdadeiramente são
os melhores; mas a vida os dispersa, no espaço, nas
preocupações do espírito e na própria carreira que a
20 cada um cabe. Aqui me fico, por ora na mesma casa, no
mesmo aposento, com os mesmos adornos seus. Tudo
me lembra a minha meiga Carolina.
Como estou à beira do eterno aposento, não
gastarei muito tempo em recorda-la. Irei vê-la, ela me
25 esperará.
Não posso, caro amigo, responder agora à sua
carta de 8 de outubro; recebi-a dias depois do
falecimento de minha mulher, e você compreende que
apenas posso falar deste fundo golpe.
30 Até outra e breve; então lhe direi o que convém
ao assunto daquela carta que, pelo afeto e sinceridade,
chegou à hora dos melhores remédios. Aceite este
abraço do triste amigo velho
35 Machado de Assis
http://rosebud-rose-bud.blogspot.com/2007/02/uma-carta-de-machado-de-assis.html, acessado em 04/05/2013.
Sobre o trecho abaixo, é correto afirmar que
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Daqui a um ano Letícia terá 1/4 da idade atual de sua mãe.
Hoje a soma das idades dos três é igual ao menor número natural de três algarismos distintos divisível por 3.
Os irmãos gêmeos de Letícia têm hoje a metade da idade que Letícia terá daqui a oito anos.
Atualmente, a soma das idades dos três irmãos éResolução comentada
Análise das alternativas
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Assim, tem-se Q/P igual a
Um observador, situado na praia, observava-os, calculando distâncias e ângulos em dois pontos de observação, como no esboço abaixo.
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A distância d entre os botes, em metros, é igual a
Dado: sen 120° = cos 30°
Ela não concordou com o aumento e procurou o PROCON que, após analisar o caso, determinou que a escola reduzisse este último valor em 30%.
A escola acatou a decisão do PROCON. Além disso, como Leila tem 3 filhos matriculados, a escola decidiu lhe dar 10% de desconto nas mensalidades de cada um de seus filhos.
Dessa forma, o aumento da mensalidade escolar dos filhos da Leila do ano de 2012 para o ano de 2013 passou a ser, em percentual, um número compreendido entreResolução comentada
Análise das alternativas
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Há dois anos Letícia tinha 1/6 da idade que seu pai tem hoje.
Considere as expressões abaixo em que a ≠ b
Dois botes estão no mar a uma distância d um do outro.
Leila foi avisada em dezembro de 2012, que a mensalidade escolar de seus filhos para o ano de 2013 teria um aumento de 80%.