← Voltar para a lista de provas Colégio Militar de Brasília · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental 21 questões nesta prova · página 1 de 2 · 20 com gabarito Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Só a afirmativa I é sustentada pelo texto. Havia outros alunos na sala após a agressão: riam, se dispersavam, e a narradora observava. A I está correta. O bullying também provoca reações físicas, como o rosto vermelho de Leo, e não só emocionais. Nada indica que Leo fosse a única vítima. A II é falsa porque há reações físicas visíveis (corar, nervosismo). A III é falsa: a narradora diz “não conseguia defender nem a mim mesma”, sugerindo que também sofria perseguição. Referência: Interpretação de texto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Os chutes e “sem querer” de Fred visam humilhar Leo. Fred chuta os objetos e a mão de Leo e finge acidentes, expondo-o ao ridículo na frente da turma. O objetivo principal é humilhar a vítima. Não há apelido nesse trecho (A). Não se trata de ignorar (B), excluir (D) ou isolar (E) a vítima, pois há agressão direta e atenção sobre ela. Referência: Interpretação de texto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Sequência F – F – V – F – V. I é falsa: a narradora-personagem observa, mas não conhece a mente dos outros (“Acho que era isso”). II é falsa: o conflito ocorre dentro da sala, no corredor entre carteiras. III é verdadeira: o conflito começa quando os três passam pela carteira de Leo. IV é falsa: há também os observadores, como a narradora, os colegas e a professora. V é verdadeira: há marcas de tempo e sequência dos fatos. As alternativas A, B, C e D trazem pelo menos uma classificação errada, como tratar o narrador como onisciente, tomar o corredor como espaço do conflito ou aceitar só dois grupos de personagens. Referência: Elementos da narrativa: narrador, espaço, personagens e tempo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível “Morto, enterrado e esquecido” forma uma gradação. Os termos “morto, enterrado e esquecido” aparecem em sequência progressiva, avançando em intensidade até o esquecimento total. Isso caracteriza a gradação (clímax). Não há comparação, pois falta termo comparativo. Também não há exclusão, degradação nem repetição, porque os três termos são diferentes entre si. A palavra “degradação” não nomeia figura de linguagem. Referência: Figuras de linguagem: gradação. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível “Debochado, quase nojento de ouvir” é juízo subjetivo da narradora, não um fato. Fato é o que pode ser verificado ou constatado objetivamente. A D traz avaliação pessoal da narradora (“debochado, quase nojento de ouvir”), logo é opinião. As demais descrevem ações ou situações apresentadas como acontecidas no texto. A, B, C e E relatam ocorrências na narrativa: os meninos atormentavam Leo, objetos foram ao chão, muitos sabiam e ignoravam, e a narradora não conseguia se defender. São fatos dentro da história. Referência: Fato e opinião em textos narrativos. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível I e II verdadeiras; III e IV falsas (V V F F). O 5º parágrafo narra a simulação de tropeço e a queda dos objetos, e o 11º mostra o desdobramento: Leo juntando seus pertences. Os 7º e 9º parágrafos qualificam o “opa” e o “desculpa aí” como cínico, dissimulado e debochado, caracterizando os agressores. O 14º apenas diz que os alunos se dispersaram e o assunto morreu, sem trazer paz a todos. A fala da professora no 17º, interrompida, não é concluída no 20º. As outras sequências erram ao negar I ou II, ou ao afirmar III ou IV. A III é falsa porque Leo continua sofrendo e a narradora segue angustiada. A IV é falsa porque a fala inacabada da professora não é retomada adiante. Referência: Estrutura e progressão dos parágrafos. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Só a assertiva II é opinião (conselho). A II (“não desista de tentar se livrar desse sofrimento”) é um conselho, portanto expressa opinião e juízo de valor. A I afirma que o bullying nem sempre é igual para meninos e meninas, uma constatação factual do texto. A III é uma definição de bullying, também tratada como fato. A, C e E classificam como opinião a I ou a III, que são constatações e definições. B afirma que só a III é fato, mas a I também é fato. Por isso a única opinião é a II (D). Referência: Fato e opinião. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Estão corretas I, III e IV; o “Veja” do box é imperativo. O box lista as várias formas de bullying (I), todas em verbos no infinitivo (III), e traz termos coloquiais como “sacanear” e “zoar” (IV). A II é falsa: “Veja” é imperativo, uma ordem ou convite ao leitor, e não expressa hipótese. A, B, C e D omitem alguma das afirmativas corretas ou incluem a II, que está errada. Apenas a combinação I, III e IV (E) é verdadeira. Referência: Interpretação de texto: modos verbais e níveis de linguagem. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Só o trecho B não se dirige ao interlocutor. Relação dialógica gramatical aparece quando o texto se dirige ao leitor, por pronome de 2ª pessoa ou por imperativo. O trecho B é uma afirmação em 3ª pessoa sobre a menina, sem marca de interlocução. A usa o pronome “você” e uma pergunta ao leitor. C (“Evite”), D (“Procure”) e E (“conte”) estão no imperativo, que se dirige diretamente ao interlocutor. Todos estabelecem diálogo com o leitor. Referência: Funções da linguagem: função conativa e interlocução. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Em “A princípio, elas...” a vírgula isola adjunto adverbial deslocado; em C ela separa oração subordinada posposta. “A princípio” é um adjunto adverbial antecipado, e a vírgula marca seu deslocamento. Em A, B, D e E ocorre o mesmo emprego, com expressão adverbial ou conectiva deslocada para o início da frase. Em C, a vírgula separa a oração subordinada final (“para a brincadeira não continuar”) da principal. Esse emprego é diferente, por isso C é a resposta. A (“Do contrário,”), B (“Afinal de contas,”), D (“De preferência,”) e E (“Dessa forma,”) trazem expressões adverbiais ou conectivas antepostas e isoladas por vírgula, como no trecho do enunciado. Por isso não são a resposta pedida. Em B, “Afinal de contas” poderia ser lida como expressão conclusiva, mas ainda assim se trata de termo deslocado. Referência: Emprego da vírgula: adjunto adverbial deslocado e orações subordinadas. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponívelColégio Militar — Concurso de Admissão 2015/2016 — 6º Ano do Ensino Fundamental — Prova de Língua Portuguesa
TEXTO I
COMO TODO SANTO DIA
A aula deveria começar em instantes. Tínhamos ouvido o sinal havia poucos
minutos, mas bem antes disso eu já estava no meu lugar, o livro de Português em cima
da carteira.
Denílson, Caio e Fred faziam questão de demarcar presença na entrada da sala.
05 Falavam alto, riam escandalosamente, uma baderna. Impossível passarem
despercebidos aos olhos de qualquer um de nós e acredito que nem fosse mesmo a
intenção.
Esses eram os meninos que atormentavam o Leo. Muita gente sabia, mas a
grande maioria ignorava.
10 Dali em diante, porta a dentro, o óbvio.
Denílson e Caio na frente, Fred um pouco mais atrás, os três passando pelo
estreito corredor onde ficava a carteira do Leo. Tão logo chegavam perto, a simulação
de um tropeço, um esbarrão, ou algo semelhante, como se tudo não passasse de
inocente brincadeira.
15 – Opa! – e o súbito arremesso dos objetos ao chão.
Era um opa cínico, dissimulado, muitos alunos riam abertamente sem motivo
para disfarces.
– Desculpa aí, Leitão.
Um desculpa aí debochado, quase nojento de ouvir.
20 - Pede desculpa não, Denílson! Não vê que a carteira dele é que tá torta, na
passagem? Arruma isso aí, Gordo! – e Caio ria, um prazer desmesurável.
Leo procurava juntar tudo o mais rápido possível e então livrar-se da vergonha
de se ver ajoelhado à caça de seus pertences. Porém, tanto esforço parecia não valer
para coisa alguma, pois quanto mais se apressava buscando uma agilidade que não
25 tinha, mais atrapalhado ia ficando, e os objetos escorregando das mãos feito sabonete.
Fred, por último, arrematava com chutes, inventava um sem querer, fingia um
não vi, e lá iam as canetas, lápis, borracha ou a própria mão do Leo na sua mira
perversa.
Agora os três amigos partiam para as próprias carteiras, acomodando-se em
30 meio ao riso, ao deboche e à malandragem, companhias indissociáveis deles.
Aos poucos, os alunos iam se dispersando, o assunto era substituído, Leo perdia
a graça e deixava de ser o foco das atenções. Quando fosse ver, ninguém mais se
lembrava do episódio. Tudo morto, enterrado e esquecido.
– Bom dia! – era a professora Luciana entrando na sala.
35 Leo já recolhera todas as suas coisas, mas o embaraço e o nervosismo de
minutos atrás ainda lhe marcavam o rosto sem dó. Vermelho. Eu vi. Alguém mais deve
ter visto, mas ninguém falou nada. Nem eu.
– Vocês se recordam de onde paramos? Fizeram em casa os exercícios da
página 32? Vamos lá, pessoal. Se alguém deixou de fazer, vai ficar complicado, porque
40 eu disse que a matéria de hoje...
Leo continuava vermelho. A pele muito clara corava com facilidade e seus
cabelos loiros, bem curtinhos, realçavam ainda mais o rosto redondo.
Mantinha-se cabisbaixo, olhos rasantes sobre o livro, buscando, de maneira
rápida e desajeitada, a página indicada. Estava sério, a expressão de quem controla
45 um vulcão dentro do peito. Acho que era isso. Um vulcão.
Página 32. Qual a importância do conteúdo da página 32? Quantas páginas
seriam necessárias para descrever o tormento do Leo? E o meu?
Eu via o que faziam com o Leo, via, sim, e não concordava. Mas era impossível
defendê-lo.
50 Eu não conseguia defender nem a mim mesma.
(MARTINELLI, Tânia A. Perseguição, São Paulo: Saraiva, 2009)
De acordo com as ideias do Texto I, é correto afirmar que
TEXTO I
COMO TODO SANTO DIA
A aula deveria começar em instantes. Tínhamos ouvido o sinal havia poucos
minutos, mas bem antes disso eu já estava no meu lugar, o livro de Português em cima
da carteira.
Denílson, Caio e Fred faziam questão de demarcar presença na entrada da sala.
05 Falavam alto, riam escandalosamente, uma baderna. Impossível passarem
despercebidos aos olhos de qualquer um de nós e acredito que nem fosse mesmo a
intenção.
Esses eram os meninos que atormentavam o Leo. Muita gente sabia, mas a
grande maioria ignorava.
10 Dali em diante, porta a dentro, o óbvio.
Denílson e Caio na frente, Fred um pouco mais atrás, os três passando pelo
estreito corredor onde ficava a carteira do Leo. Tão logo chegavam perto, a simulação
de um tropeço, um esbarrão, ou algo semelhante, como se tudo não passasse de
inocente brincadeira.
15 – Opa! – e o súbito arremesso dos objetos ao chão.
Era um opa cínico, dissimulado, muitos alunos riam abertamente sem motivo
para disfarces.
– Desculpa aí, Leitão.
Um desculpa aí debochado, quase nojento de ouvir.
20 - Pede desculpa não, Denílson! Não vê que a carteira dele é que tá torta, na
passagem? Arruma isso aí, Gordo! – e Caio ria, um prazer desmesurável.
Leo procurava juntar tudo o mais rápido possível e então livrar-se da vergonha
de se ver ajoelhado à caça de seus pertences. Porém, tanto esforço parecia não valer
para coisa alguma, pois quanto mais se apressava buscando uma agilidade que não
25 tinha, mais atrapalhado ia ficando, e os objetos escorregando das mãos feito sabonete.
Fred, por último, arrematava com chutes, inventava um sem querer, fingia um
não vi, e lá iam as canetas, lápis, borracha ou a própria mão do Leo na sua mira
perversa.
Agora os três amigos partiam para as próprias carteiras, acomodando-se em
30 meio ao riso, ao deboche e à malandragem, companhias indissociáveis deles.
Aos poucos, os alunos iam se dispersando, o assunto era substituído, Leo perdia
a graça e deixava de ser o foco das atenções. Quando fosse ver, ninguém mais se
lembrava do episódio. Tudo morto, enterrado e esquecido.
– Bom dia! – era a professora Luciana entrando na sala.
35 Leo já recolhera todas as suas coisas, mas o embaraço e o nervosismo de
minutos atrás ainda lhe marcavam o rosto sem dó. Vermelho. Eu vi. Alguém mais deve
ter visto, mas ninguém falou nada. Nem eu.
– Vocês se recordam de onde paramos? Fizeram em casa os exercícios da
página 32? Vamos lá, pessoal. Se alguém deixou de fazer, vai ficar complicado, porque
40 eu disse que a matéria de hoje...
Leo continuava vermelho. A pele muito clara corava com facilidade e seus
cabelos loiros, bem curtinhos, realçavam ainda mais o rosto redondo.
Mantinha-se cabisbaixo, olhos rasantes sobre o livro, buscando, de maneira
rápida e desajeitada, a página indicada. Estava sério, a expressão de quem controla
45 um vulcão dentro do peito. Acho que era isso. Um vulcão.
Página 32. Qual a importância do conteúdo da página 32? Quantas páginas
seriam necessárias para descrever o tormento do Leo? E o meu?
Eu via o que faziam com o Leo, via, sim, e não concordava. Mas era impossível
defendê-lo.
50 Eu não conseguia defender nem a mim mesma.
(MARTINELLI, Tânia A. Perseguição, São Paulo: Saraiva, 2009)
Com base na leitura do Texto I, marque a opção correta em relação ao sentido da palavra destacada nos trechos em análise.
TEXTO I
COMO TODO SANTO DIA
A aula deveria começar em instantes. Tínhamos ouvido o sinal havia poucos
minutos, mas bem antes disso eu já estava no meu lugar, o livro de Português em cima
da carteira.
Denílson, Caio e Fred faziam questão de demarcar presença na entrada da sala.
05 Falavam alto, riam escandalosamente, uma baderna. Impossível passarem
despercebidos aos olhos de qualquer um de nós e acredito que nem fosse mesmo a
intenção.
Esses eram os meninos que atormentavam o Leo. Muita gente sabia, mas a
grande maioria ignorava.
10 Dali em diante, porta a dentro, o óbvio.
Denílson e Caio na frente, Fred um pouco mais atrás, os três passando pelo
estreito corredor onde ficava a carteira do Leo. Tão logo chegavam perto, a simulação
de um tropeço, um esbarrão, ou algo semelhante, como se tudo não passasse de
inocente brincadeira.
15 – Opa! – e o súbito arremesso dos objetos ao chão.
Era um opa cínico, dissimulado, muitos alunos riam abertamente sem motivo
para disfarces.
– Desculpa aí, Leitão.
Um desculpa aí debochado, quase nojento de ouvir.
20 - Pede desculpa não, Denílson! Não vê que a carteira dele é que tá torta, na
passagem? Arruma isso aí, Gordo! – e Caio ria, um prazer desmesurável.
Leo procurava juntar tudo o mais rápido possível e então livrar-se da vergonha
de se ver ajoelhado à caça de seus pertences. Porém, tanto esforço parecia não valer
para coisa alguma, pois quanto mais se apressava buscando uma agilidade que não
25 tinha, mais atrapalhado ia ficando, e os objetos escorregando das mãos feito sabonete.
Fred, por último, arrematava com chutes, inventava um sem querer, fingia um
não vi, e lá iam as canetas, lápis, borracha ou a própria mão do Leo na sua mira
perversa.
Agora os três amigos partiam para as próprias carteiras, acomodando-se em
30 meio ao riso, ao deboche e à malandragem, companhias indissociáveis deles.
Aos poucos, os alunos iam se dispersando, o assunto era substituído, Leo perdia
a graça e deixava de ser o foco das atenções. Quando fosse ver, ninguém mais se
lembrava do episódio. Tudo morto, enterrado e esquecido.
– Bom dia! – era a professora Luciana entrando na sala.
35 Leo já recolhera todas as suas coisas, mas o embaraço e o nervosismo de
minutos atrás ainda lhe marcavam o rosto sem dó. Vermelho. Eu vi. Alguém mais deve
ter visto, mas ninguém falou nada. Nem eu.
– Vocês se recordam de onde paramos? Fizeram em casa os exercícios da
página 32? Vamos lá, pessoal. Se alguém deixou de fazer, vai ficar complicado, porque
40 eu disse que a matéria de hoje...
Leo continuava vermelho. A pele muito clara corava com facilidade e seus
cabelos loiros, bem curtinhos, realçavam ainda mais o rosto redondo.
Mantinha-se cabisbaixo, olhos rasantes sobre o livro, buscando, de maneira
rápida e desajeitada, a página indicada. Estava sério, a expressão de quem controla
45 um vulcão dentro do peito. Acho que era isso. Um vulcão.
Página 32. Qual a importância do conteúdo da página 32? Quantas páginas
seriam necessárias para descrever o tormento do Leo? E o meu?
Eu via o que faziam com o Leo, via, sim, e não concordava. Mas era impossível
defendê-lo.
50 Eu não conseguia defender nem a mim mesma.
(MARTINELLI, Tânia A. Perseguição, São Paulo: Saraiva, 2009)
Acerca das ideias contidas no Texto I, pode-se afirmar que
I – Além da professora, dos agressores e da vítima, havia outras pessoas na sala, após a agressão.
II – O bullying provoca reações apenas emocionais em suas vítimas.
III – Leo era a única vítima de bullying da sala.
A respeito das assertivas, é correto o que se afirma emResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
COMO TODO SANTO DIA
A aula deveria começar em instantes. Tínhamos ouvido o sinal havia poucos
minutos, mas bem antes disso eu já estava no meu lugar, o livro de Português em cima
da carteira.
Denílson, Caio e Fred faziam questão de demarcar presença na entrada da sala.
05 Falavam alto, riam escandalosamente, uma baderna. Impossível passarem
despercebidos aos olhos de qualquer um de nós e acredito que nem fosse mesmo a
intenção.
Esses eram os meninos que atormentavam o Leo. Muita gente sabia, mas a
grande maioria ignorava.
10 Dali em diante, porta a dentro, o óbvio.
Denílson e Caio na frente, Fred um pouco mais atrás, os três passando pelo
estreito corredor onde ficava a carteira do Leo. Tão logo chegavam perto, a simulação
de um tropeço, um esbarrão, ou algo semelhante, como se tudo não passasse de
inocente brincadeira.
15 – Opa! – e o súbito arremesso dos objetos ao chão.
Era um opa cínico, dissimulado, muitos alunos riam abertamente sem motivo
para disfarces.
– Desculpa aí, Leitão.
Um desculpa aí debochado, quase nojento de ouvir.
20 - Pede desculpa não, Denílson! Não vê que a carteira dele é que tá torta, na
passagem? Arruma isso aí, Gordo! – e Caio ria, um prazer desmesurável.
Leo procurava juntar tudo o mais rápido possível e então livrar-se da vergonha
de se ver ajoelhado à caça de seus pertences. Porém, tanto esforço parecia não valer
para coisa alguma, pois quanto mais se apressava buscando uma agilidade que não
25 tinha, mais atrapalhado ia ficando, e os objetos escorregando das mãos feito sabonete.
Fred, por último, arrematava com chutes, inventava um sem querer, fingia um
não vi, e lá iam as canetas, lápis, borracha ou a própria mão do Leo na sua mira
perversa.
Agora os três amigos partiam para as próprias carteiras, acomodando-se em
30 meio ao riso, ao deboche e à malandragem, companhias indissociáveis deles.
Aos poucos, os alunos iam se dispersando, o assunto era substituído, Leo perdia
a graça e deixava de ser o foco das atenções. Quando fosse ver, ninguém mais se
lembrava do episódio. Tudo morto, enterrado e esquecido.
– Bom dia! – era a professora Luciana entrando na sala.
35 Leo já recolhera todas as suas coisas, mas o embaraço e o nervosismo de
minutos atrás ainda lhe marcavam o rosto sem dó. Vermelho. Eu vi. Alguém mais deve
ter visto, mas ninguém falou nada. Nem eu.
– Vocês se recordam de onde paramos? Fizeram em casa os exercícios da
página 32? Vamos lá, pessoal. Se alguém deixou de fazer, vai ficar complicado, porque
40 eu disse que a matéria de hoje...
Leo continuava vermelho. A pele muito clara corava com facilidade e seus
cabelos loiros, bem curtinhos, realçavam ainda mais o rosto redondo.
Mantinha-se cabisbaixo, olhos rasantes sobre o livro, buscando, de maneira
rápida e desajeitada, a página indicada. Estava sério, a expressão de quem controla
45 um vulcão dentro do peito. Acho que era isso. Um vulcão.
Página 32. Qual a importância do conteúdo da página 32? Quantas páginas
seriam necessárias para descrever o tormento do Leo? E o meu?
Eu via o que faziam com o Leo, via, sim, e não concordava. Mas era impossível
defendê-lo.
50 Eu não conseguia defender nem a mim mesma.
(MARTINELLI, Tânia A. Perseguição, São Paulo: Saraiva, 2009)
“Fred, por último, arrematava com chutes, inventava um sem querer, fingia um não vi, e lá iam as canetas, lápis, borracha ou a própria mão do Leo na sua mira perversa.” (l.26 a l.28). Esse parágrafo demonstra atitudes com o objetivo principal deResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
COMO TODO SANTO DIA
A aula deveria começar em instantes. Tínhamos ouvido o sinal havia poucos
minutos, mas bem antes disso eu já estava no meu lugar, o livro de Português em cima
da carteira.
Denílson, Caio e Fred faziam questão de demarcar presença na entrada da sala.
05 Falavam alto, riam escandalosamente, uma baderna. Impossível passarem
despercebidos aos olhos de qualquer um de nós e acredito que nem fosse mesmo a
intenção.
Esses eram os meninos que atormentavam o Leo. Muita gente sabia, mas a
grande maioria ignorava.
10 Dali em diante, porta a dentro, o óbvio.
Denílson e Caio na frente, Fred um pouco mais atrás, os três passando pelo
estreito corredor onde ficava a carteira do Leo. Tão logo chegavam perto, a simulação
de um tropeço, um esbarrão, ou algo semelhante, como se tudo não passasse de
inocente brincadeira.
15 – Opa! – e o súbito arremesso dos objetos ao chão.
Era um opa cínico, dissimulado, muitos alunos riam abertamente sem motivo
para disfarces.
– Desculpa aí, Leitão.
Um desculpa aí debochado, quase nojento de ouvir.
20 - Pede desculpa não, Denílson! Não vê que a carteira dele é que tá torta, na
passagem? Arruma isso aí, Gordo! – e Caio ria, um prazer desmesurável.
Leo procurava juntar tudo o mais rápido possível e então livrar-se da vergonha
de se ver ajoelhado à caça de seus pertences. Porém, tanto esforço parecia não valer
para coisa alguma, pois quanto mais se apressava buscando uma agilidade que não
25 tinha, mais atrapalhado ia ficando, e os objetos escorregando das mãos feito sabonete.
Fred, por último, arrematava com chutes, inventava um sem querer, fingia um
não vi, e lá iam as canetas, lápis, borracha ou a própria mão do Leo na sua mira
perversa.
Agora os três amigos partiam para as próprias carteiras, acomodando-se em
30 meio ao riso, ao deboche e à malandragem, companhias indissociáveis deles.
Aos poucos, os alunos iam se dispersando, o assunto era substituído, Leo perdia
a graça e deixava de ser o foco das atenções. Quando fosse ver, ninguém mais se
lembrava do episódio. Tudo morto, enterrado e esquecido.
– Bom dia! – era a professora Luciana entrando na sala.
35 Leo já recolhera todas as suas coisas, mas o embaraço e o nervosismo de
minutos atrás ainda lhe marcavam o rosto sem dó. Vermelho. Eu vi. Alguém mais deve
ter visto, mas ninguém falou nada. Nem eu.
– Vocês se recordam de onde paramos? Fizeram em casa os exercícios da
página 32? Vamos lá, pessoal. Se alguém deixou de fazer, vai ficar complicado, porque
40 eu disse que a matéria de hoje...
Leo continuava vermelho. A pele muito clara corava com facilidade e seus
cabelos loiros, bem curtinhos, realçavam ainda mais o rosto redondo.
Mantinha-se cabisbaixo, olhos rasantes sobre o livro, buscando, de maneira
rápida e desajeitada, a página indicada. Estava sério, a expressão de quem controla
45 um vulcão dentro do peito. Acho que era isso. Um vulcão.
Página 32. Qual a importância do conteúdo da página 32? Quantas páginas
seriam necessárias para descrever o tormento do Leo? E o meu?
Eu via o que faziam com o Leo, via, sim, e não concordava. Mas era impossível
defendê-lo.
50 Eu não conseguia defender nem a mim mesma.
(MARTINELLI, Tânia A. Perseguição, São Paulo: Saraiva, 2009)
Julgue verdadeiras ou falsas as afirmativas sobre o Texto I.
I – O texto apresenta narrador personagem que observa os fatos e tem conhecimento do que se passa na mente das personagens.
II – O espaço onde se desenvolve o conflito é um corredor, no qual encontram-se as salas de aula.
III – O conflito se inicia com a passagem de Denílson, Caio e Fred pela carteira onde Leo está sentado.
IV – Sobre os personagens do texto, podemos dividi-los em apenas dois grupos: agressores e vítimas.
V – Há registros de cronologia ao longo da narrativa, pois os fatos acontecem em um sequência.
A sequência correta éResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
COMO TODO SANTO DIA
A aula deveria começar em instantes. Tínhamos ouvido o sinal havia poucos
minutos, mas bem antes disso eu já estava no meu lugar, o livro de Português em cima
da carteira.
Denílson, Caio e Fred faziam questão de demarcar presença na entrada da sala.
05 Falavam alto, riam escandalosamente, uma baderna. Impossível passarem
despercebidos aos olhos de qualquer um de nós e acredito que nem fosse mesmo a
intenção.
Esses eram os meninos que atormentavam o Leo. Muita gente sabia, mas a
grande maioria ignorava.
10 Dali em diante, porta a dentro, o óbvio.
Denílson e Caio na frente, Fred um pouco mais atrás, os três passando pelo
estreito corredor onde ficava a carteira do Leo. Tão logo chegavam perto, a simulação
de um tropeço, um esbarrão, ou algo semelhante, como se tudo não passasse de
inocente brincadeira.
15 – Opa! – e o súbito arremesso dos objetos ao chão.
Era um opa cínico, dissimulado, muitos alunos riam abertamente sem motivo
para disfarces.
– Desculpa aí, Leitão.
Um desculpa aí debochado, quase nojento de ouvir.
20 - Pede desculpa não, Denílson! Não vê que a carteira dele é que tá torta, na
passagem? Arruma isso aí, Gordo! – e Caio ria, um prazer desmesurável.
Leo procurava juntar tudo o mais rápido possível e então livrar-se da vergonha
de se ver ajoelhado à caça de seus pertences. Porém, tanto esforço parecia não valer
para coisa alguma, pois quanto mais se apressava buscando uma agilidade que não
25 tinha, mais atrapalhado ia ficando, e os objetos escorregando das mãos feito sabonete.
Fred, por último, arrematava com chutes, inventava um sem querer, fingia um
não vi, e lá iam as canetas, lápis, borracha ou a própria mão do Leo na sua mira
perversa.
Agora os três amigos partiam para as próprias carteiras, acomodando-se em
30 meio ao riso, ao deboche e à malandragem, companhias indissociáveis deles.
Aos poucos, os alunos iam se dispersando, o assunto era substituído, Leo perdia
a graça e deixava de ser o foco das atenções. Quando fosse ver, ninguém mais se
lembrava do episódio. Tudo morto, enterrado e esquecido.
– Bom dia! – era a professora Luciana entrando na sala.
35 Leo já recolhera todas as suas coisas, mas o embaraço e o nervosismo de
minutos atrás ainda lhe marcavam o rosto sem dó. Vermelho. Eu vi. Alguém mais deve
ter visto, mas ninguém falou nada. Nem eu.
– Vocês se recordam de onde paramos? Fizeram em casa os exercícios da
página 32? Vamos lá, pessoal. Se alguém deixou de fazer, vai ficar complicado, porque
40 eu disse que a matéria de hoje...
Leo continuava vermelho. A pele muito clara corava com facilidade e seus
cabelos loiros, bem curtinhos, realçavam ainda mais o rosto redondo.
Mantinha-se cabisbaixo, olhos rasantes sobre o livro, buscando, de maneira
rápida e desajeitada, a página indicada. Estava sério, a expressão de quem controla
45 um vulcão dentro do peito. Acho que era isso. Um vulcão.
Página 32. Qual a importância do conteúdo da página 32? Quantas páginas
seriam necessárias para descrever o tormento do Leo? E o meu?
Eu via o que faziam com o Leo, via, sim, e não concordava. Mas era impossível
defendê-lo.
50 Eu não conseguia defender nem a mim mesma.
(MARTINELLI, Tânia A. Perseguição, São Paulo: Saraiva, 2009)
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TEXTO I
COMO TODO SANTO DIA
A aula deveria começar em instantes. Tínhamos ouvido o sinal havia poucos
minutos, mas bem antes disso eu já estava no meu lugar, o livro de Português em cima
da carteira.
Denílson, Caio e Fred faziam questão de demarcar presença na entrada da sala.
05 Falavam alto, riam escandalosamente, uma baderna. Impossível passarem
despercebidos aos olhos de qualquer um de nós e acredito que nem fosse mesmo a
intenção.
Esses eram os meninos que atormentavam o Leo. Muita gente sabia, mas a
grande maioria ignorava.
10 Dali em diante, porta a dentro, o óbvio.
Denílson e Caio na frente, Fred um pouco mais atrás, os três passando pelo
estreito corredor onde ficava a carteira do Leo. Tão logo chegavam perto, a simulação
de um tropeço, um esbarrão, ou algo semelhante, como se tudo não passasse de
inocente brincadeira.
15 – Opa! – e o súbito arremesso dos objetos ao chão.
Era um opa cínico, dissimulado, muitos alunos riam abertamente sem motivo
para disfarces.
– Desculpa aí, Leitão.
Um desculpa aí debochado, quase nojento de ouvir.
20 - Pede desculpa não, Denílson! Não vê que a carteira dele é que tá torta, na
passagem? Arruma isso aí, Gordo! – e Caio ria, um prazer desmesurável.
Leo procurava juntar tudo o mais rápido possível e então livrar-se da vergonha
de se ver ajoelhado à caça de seus pertences. Porém, tanto esforço parecia não valer
para coisa alguma, pois quanto mais se apressava buscando uma agilidade que não
25 tinha, mais atrapalhado ia ficando, e os objetos escorregando das mãos feito sabonete.
Fred, por último, arrematava com chutes, inventava um sem querer, fingia um
não vi, e lá iam as canetas, lápis, borracha ou a própria mão do Leo na sua mira
perversa.
Agora os três amigos partiam para as próprias carteiras, acomodando-se em
30 meio ao riso, ao deboche e à malandragem, companhias indissociáveis deles.
Aos poucos, os alunos iam se dispersando, o assunto era substituído, Leo perdia
a graça e deixava de ser o foco das atenções. Quando fosse ver, ninguém mais se
lembrava do episódio. Tudo morto, enterrado e esquecido.
– Bom dia! – era a professora Luciana entrando na sala.
35 Leo já recolhera todas as suas coisas, mas o embaraço e o nervosismo de
minutos atrás ainda lhe marcavam o rosto sem dó. Vermelho. Eu vi. Alguém mais deve
ter visto, mas ninguém falou nada. Nem eu.
– Vocês se recordam de onde paramos? Fizeram em casa os exercícios da
página 32? Vamos lá, pessoal. Se alguém deixou de fazer, vai ficar complicado, porque
40 eu disse que a matéria de hoje...
Leo continuava vermelho. A pele muito clara corava com facilidade e seus
cabelos loiros, bem curtinhos, realçavam ainda mais o rosto redondo.
Mantinha-se cabisbaixo, olhos rasantes sobre o livro, buscando, de maneira
rápida e desajeitada, a página indicada. Estava sério, a expressão de quem controla
45 um vulcão dentro do peito. Acho que era isso. Um vulcão.
Página 32. Qual a importância do conteúdo da página 32? Quantas páginas
seriam necessárias para descrever o tormento do Leo? E o meu?
Eu via o que faziam com o Leo, via, sim, e não concordava. Mas era impossível
defendê-lo.
50 Eu não conseguia defender nem a mim mesma.
(MARTINELLI, Tânia A. Perseguição, São Paulo: Saraiva, 2009)
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TEXTO I
COMO TODO SANTO DIA
A aula deveria começar em instantes. Tínhamos ouvido o sinal havia poucos
minutos, mas bem antes disso eu já estava no meu lugar, o livro de Português em cima
da carteira.
Denílson, Caio e Fred faziam questão de demarcar presença na entrada da sala.
05 Falavam alto, riam escandalosamente, uma baderna. Impossível passarem
despercebidos aos olhos de qualquer um de nós e acredito que nem fosse mesmo a
intenção.
Esses eram os meninos que atormentavam o Leo. Muita gente sabia, mas a
grande maioria ignorava.
10 Dali em diante, porta a dentro, o óbvio.
Denílson e Caio na frente, Fred um pouco mais atrás, os três passando pelo
estreito corredor onde ficava a carteira do Leo. Tão logo chegavam perto, a simulação
de um tropeço, um esbarrão, ou algo semelhante, como se tudo não passasse de
inocente brincadeira.
15 – Opa! – e o súbito arremesso dos objetos ao chão.
Era um opa cínico, dissimulado, muitos alunos riam abertamente sem motivo
para disfarces.
– Desculpa aí, Leitão.
Um desculpa aí debochado, quase nojento de ouvir.
20 - Pede desculpa não, Denílson! Não vê que a carteira dele é que tá torta, na
passagem? Arruma isso aí, Gordo! – e Caio ria, um prazer desmesurável.
Leo procurava juntar tudo o mais rápido possível e então livrar-se da vergonha
de se ver ajoelhado à caça de seus pertences. Porém, tanto esforço parecia não valer
para coisa alguma, pois quanto mais se apressava buscando uma agilidade que não
25 tinha, mais atrapalhado ia ficando, e os objetos escorregando das mãos feito sabonete.
Fred, por último, arrematava com chutes, inventava um sem querer, fingia um
não vi, e lá iam as canetas, lápis, borracha ou a própria mão do Leo na sua mira
perversa.
Agora os três amigos partiam para as próprias carteiras, acomodando-se em
30 meio ao riso, ao deboche e à malandragem, companhias indissociáveis deles.
Aos poucos, os alunos iam se dispersando, o assunto era substituído, Leo perdia
a graça e deixava de ser o foco das atenções. Quando fosse ver, ninguém mais se
lembrava do episódio. Tudo morto, enterrado e esquecido.
– Bom dia! – era a professora Luciana entrando na sala.
35 Leo já recolhera todas as suas coisas, mas o embaraço e o nervosismo de
minutos atrás ainda lhe marcavam o rosto sem dó. Vermelho. Eu vi. Alguém mais deve
ter visto, mas ninguém falou nada. Nem eu.
– Vocês se recordam de onde paramos? Fizeram em casa os exercícios da
página 32? Vamos lá, pessoal. Se alguém deixou de fazer, vai ficar complicado, porque
40 eu disse que a matéria de hoje...
Leo continuava vermelho. A pele muito clara corava com facilidade e seus
cabelos loiros, bem curtinhos, realçavam ainda mais o rosto redondo.
Mantinha-se cabisbaixo, olhos rasantes sobre o livro, buscando, de maneira
rápida e desajeitada, a página indicada. Estava sério, a expressão de quem controla
45 um vulcão dentro do peito. Acho que era isso. Um vulcão.
Página 32. Qual a importância do conteúdo da página 32? Quantas páginas
seriam necessárias para descrever o tormento do Leo? E o meu?
Eu via o que faziam com o Leo, via, sim, e não concordava. Mas era impossível
defendê-lo.
50 Eu não conseguia defender nem a mim mesma.
(MARTINELLI, Tânia A. Perseguição, São Paulo: Saraiva, 2009)
Em “Tudo morto, enterrado e esquecido” (l.33), temos uma sequência que indicaResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
COMO TODO SANTO DIA
A aula deveria começar em instantes. Tínhamos ouvido o sinal havia poucos
minutos, mas bem antes disso eu já estava no meu lugar, o livro de Português em cima
da carteira.
Denílson, Caio e Fred faziam questão de demarcar presença na entrada da sala.
05 Falavam alto, riam escandalosamente, uma baderna. Impossível passarem
despercebidos aos olhos de qualquer um de nós e acredito que nem fosse mesmo a
intenção.
Esses eram os meninos que atormentavam o Leo. Muita gente sabia, mas a
grande maioria ignorava.
10 Dali em diante, porta a dentro, o óbvio.
Denílson e Caio na frente, Fred um pouco mais atrás, os três passando pelo
estreito corredor onde ficava a carteira do Leo. Tão logo chegavam perto, a simulação
de um tropeço, um esbarrão, ou algo semelhante, como se tudo não passasse de
inocente brincadeira.
15 – Opa! – e o súbito arremesso dos objetos ao chão.
Era um opa cínico, dissimulado, muitos alunos riam abertamente sem motivo
para disfarces.
– Desculpa aí, Leitão.
Um desculpa aí debochado, quase nojento de ouvir.
20 - Pede desculpa não, Denílson! Não vê que a carteira dele é que tá torta, na
passagem? Arruma isso aí, Gordo! – e Caio ria, um prazer desmesurável.
Leo procurava juntar tudo o mais rápido possível e então livrar-se da vergonha
de se ver ajoelhado à caça de seus pertences. Porém, tanto esforço parecia não valer
para coisa alguma, pois quanto mais se apressava buscando uma agilidade que não
25 tinha, mais atrapalhado ia ficando, e os objetos escorregando das mãos feito sabonete.
Fred, por último, arrematava com chutes, inventava um sem querer, fingia um
não vi, e lá iam as canetas, lápis, borracha ou a própria mão do Leo na sua mira
perversa.
Agora os três amigos partiam para as próprias carteiras, acomodando-se em
30 meio ao riso, ao deboche e à malandragem, companhias indissociáveis deles.
Aos poucos, os alunos iam se dispersando, o assunto era substituído, Leo perdia
a graça e deixava de ser o foco das atenções. Quando fosse ver, ninguém mais se
lembrava do episódio. Tudo morto, enterrado e esquecido.
– Bom dia! – era a professora Luciana entrando na sala.
35 Leo já recolhera todas as suas coisas, mas o embaraço e o nervosismo de
minutos atrás ainda lhe marcavam o rosto sem dó. Vermelho. Eu vi. Alguém mais deve
ter visto, mas ninguém falou nada. Nem eu.
– Vocês se recordam de onde paramos? Fizeram em casa os exercícios da
página 32? Vamos lá, pessoal. Se alguém deixou de fazer, vai ficar complicado, porque
40 eu disse que a matéria de hoje...
Leo continuava vermelho. A pele muito clara corava com facilidade e seus
cabelos loiros, bem curtinhos, realçavam ainda mais o rosto redondo.
Mantinha-se cabisbaixo, olhos rasantes sobre o livro, buscando, de maneira
rápida e desajeitada, a página indicada. Estava sério, a expressão de quem controla
45 um vulcão dentro do peito. Acho que era isso. Um vulcão.
Página 32. Qual a importância do conteúdo da página 32? Quantas páginas
seriam necessárias para descrever o tormento do Leo? E o meu?
Eu via o que faziam com o Leo, via, sim, e não concordava. Mas era impossível
defendê-lo.
50 Eu não conseguia defender nem a mim mesma.
(MARTINELLI, Tânia A. Perseguição, São Paulo: Saraiva, 2009)
O trecho que, no Texto I, não constitui um fato éResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
COMO TODO SANTO DIA
A aula deveria começar em instantes. Tínhamos ouvido o sinal havia poucos
minutos, mas bem antes disso eu já estava no meu lugar, o livro de Português em cima
da carteira.
Denílson, Caio e Fred faziam questão de demarcar presença na entrada da sala.
05 Falavam alto, riam escandalosamente, uma baderna. Impossível passarem
despercebidos aos olhos de qualquer um de nós e acredito que nem fosse mesmo a
intenção.
Esses eram os meninos que atormentavam o Leo. Muita gente sabia, mas a
grande maioria ignorava.
10 Dali em diante, porta a dentro, o óbvio.
Denílson e Caio na frente, Fred um pouco mais atrás, os três passando pelo
estreito corredor onde ficava a carteira do Leo. Tão logo chegavam perto, a simulação
de um tropeço, um esbarrão, ou algo semelhante, como se tudo não passasse de
inocente brincadeira.
15 – Opa! – e o súbito arremesso dos objetos ao chão.
Era um opa cínico, dissimulado, muitos alunos riam abertamente sem motivo
para disfarces.
– Desculpa aí, Leitão.
Um desculpa aí debochado, quase nojento de ouvir.
20 - Pede desculpa não, Denílson! Não vê que a carteira dele é que tá torta, na
passagem? Arruma isso aí, Gordo! – e Caio ria, um prazer desmesurável.
Leo procurava juntar tudo o mais rápido possível e então livrar-se da vergonha
de se ver ajoelhado à caça de seus pertences. Porém, tanto esforço parecia não valer
para coisa alguma, pois quanto mais se apressava buscando uma agilidade que não
25 tinha, mais atrapalhado ia ficando, e os objetos escorregando das mãos feito sabonete.
Fred, por último, arrematava com chutes, inventava um sem querer, fingia um
não vi, e lá iam as canetas, lápis, borracha ou a própria mão do Leo na sua mira
perversa.
Agora os três amigos partiam para as próprias carteiras, acomodando-se em
30 meio ao riso, ao deboche e à malandragem, companhias indissociáveis deles.
Aos poucos, os alunos iam se dispersando, o assunto era substituído, Leo perdia
a graça e deixava de ser o foco das atenções. Quando fosse ver, ninguém mais se
lembrava do episódio. Tudo morto, enterrado e esquecido.
– Bom dia! – era a professora Luciana entrando na sala.
35 Leo já recolhera todas as suas coisas, mas o embaraço e o nervosismo de
minutos atrás ainda lhe marcavam o rosto sem dó. Vermelho. Eu vi. Alguém mais deve
ter visto, mas ninguém falou nada. Nem eu.
– Vocês se recordam de onde paramos? Fizeram em casa os exercícios da
página 32? Vamos lá, pessoal. Se alguém deixou de fazer, vai ficar complicado, porque
40 eu disse que a matéria de hoje...
Leo continuava vermelho. A pele muito clara corava com facilidade e seus
cabelos loiros, bem curtinhos, realçavam ainda mais o rosto redondo.
Mantinha-se cabisbaixo, olhos rasantes sobre o livro, buscando, de maneira
rápida e desajeitada, a página indicada. Estava sério, a expressão de quem controla
45 um vulcão dentro do peito. Acho que era isso. Um vulcão.
Página 32. Qual a importância do conteúdo da página 32? Quantas páginas
seriam necessárias para descrever o tormento do Leo? E o meu?
Eu via o que faziam com o Leo, via, sim, e não concordava. Mas era impossível
defendê-lo.
50 Eu não conseguia defender nem a mim mesma.
(MARTINELLI, Tânia A. Perseguição, São Paulo: Saraiva, 2009)
Acerca da relação entre os parágrafos que constituem o Texto I, julgue as afirmativas verdadeiras ou falsas.
I – A situação relatada no quinto parágrafo tem como desdobramento o que trata o décimo primeiro parágrafo.
II – No sétimo e no nono parágrafos, a narradora caracteriza atitudes dos agressores.
III – O décimo quarto parágrafo restabelece a ordem no conflito, trazendo a paz a todas as personagens.
IV – A ideia inconclusa no décimo sétimo parágrafo é retomada e concluída no vigésimo parágrafo.
A sequência correta éResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
Bullying. Não tem a menor graça!
Você já foi alvo de gozação ou viu alguém sendo sacaneado constantemente? Não era brincadeira, era o bullying em ação
A palavra
Sem tradução para o português, bullying é toda agressão feita com a intenção
de machucar outra pessoa ou até mesmo uma turma inteira. Mas para ser considerado
bullying de verdade, também é preciso que essa atitude agressiva se repita uma
05 porção de vezes. Sabe aquele garoto que fica gozando do colega todo santo dia,
fazendo piadinhas infelizes a respeito da orelha de abano do garoto? Pois essa atitude
grosseira, repetitiva, disfarçada de brincadeira é o tal bullying. Mas esse
comportamento vai além dos apelidos maldosos. Ele também é uma característica de
quem gosta de ofender, humilhar, discriminar, intimidar, enfim, de quem se diverte
10 fazendo tudo o que faça uma menina (ou menino) sofrer. (Veja mais exemplos no box
“As faces da maldade”).
Menino é diferente
A prática do bullying nem sempre é igual para meninos e meninas. Segundo
Aramis Lopes, pediatra e coordenador do Programa de Redução do Comportamento
15 Agressivo entre Estudantes, os garotos são mais explícitos. É comum ver meninos
tirando sarro de alguém na frente de todo mundo. “Já a menina é educada para ser
mais recatada, discreta. Dessa forma, a estratégia delas é outra”, explica o médico. É
isso mesmo! A menina é mais sutil e vai, como se diz, “comendo pelas bordas”. Uma
fofoquinha aqui, uma esnobada ali e lá está ela colocando em prática sua maldade. “A
20 princípio, elas são amigas. Mas, quando vai ver, uma garota já está sendo vítima de
difamação e exclusão dentro de seu grupo”, acrescenta Aramis.
Para esses casos, o especialista dá a melhor solução: trocar de turma. Afinal de
contas, você é livre para ser amiga de quem bem entender e não tem nada a ver ficar
atrás de meninas que só querem vê-la numa pior, não é mesmo?
25 Mas, quando o assunto é gozação na frente de todo mundo, como nos casos em
que o cidadão grita um apelido infeliz pelos quatro cantos da escola, a pedagoga Karen
Kaufman Sachetto tem a saída: “Evite reforçar essa atitude. Tente ignorar o máximo
que puder”. E Aramis complementa: “Saia de perto, para a brincadeira não continuar e
você não sofrer.”
30 Contar ou não, eis a questão
E os pais, como ficam nessa história toda? “Se tiver coragem, conte a eles, pois
podem ajudá-la”, diz Karen. Porém o pediatra Aramis alerta: “Procure alguém de sua
confiança, um colega, um professor, um funcionário da escola, ou seus pais e conte o
que se passa com você. De preferência, os pais só devem interferir com o
35 consentimento dos filhos”. Se você estiver certa de que quer a ajuda de seus pais
nessa luta, peça uma mãozinha. Do contrário, se tiver medo de que a situação piore,
busque apenas o apoio deles, mas não desista de tentar se livrar desse sofrimento.
Ficar quieta e aceitar todos os tipos de maldade é o comportamento mais incorreto.
Muitas vezes, quando ficamos chateadas não há nada melhor do que o colo e os
40 conselhos do pai e da mãe para nos dar um calorzinho no coração.
A diretoria da escola também pode ser avisada, principalmente em casos mais
graves, como os de ameaça.
As faces da maldade
Veja o que é considerado bullying pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia):
Colocar apelidos – Ofender – Zoar – Gozar – Encarnar – Sacanear – Humilhar – Fazer sofrer – Discriminar – Excluir – Isolar – Ignorar – Intimidar – Perseguir – Assediar – Aterrorizar – Amedrontar – Tiranizar – Dominar – Agredir – Bater – Chutar – Empurrar – Ferir – Roubar – Quebrar pertences
(In <http://atrevida.locaweb.com.br/revista/126> Acesso em 20 ago 2015)
Leia os seguintes trechos retirados do texto II:
I – “A prática do bullying nem sempre é igual para meninos e meninas” (l.13).
II – “(...) mas não desista de tentar se livrar desse sofrimento” (l.37).
III – “(...) bullying é toda agressão feita com a intenção de machucar outra pessoa...” (l.02/03).
Está correto o que se afirma emResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
Bullying. Não tem a menor graça!
Você já foi alvo de gozação ou viu alguém sendo sacaneado constantemente? Não era brincadeira, era o bullying em ação
A palavra
Sem tradução para o português, bullying é toda agressão feita com a intenção
de machucar outra pessoa ou até mesmo uma turma inteira. Mas para ser considerado
bullying de verdade, também é preciso que essa atitude agressiva se repita uma
05 porção de vezes. Sabe aquele garoto que fica gozando do colega todo santo dia,
fazendo piadinhas infelizes a respeito da orelha de abano do garoto? Pois essa atitude
grosseira, repetitiva, disfarçada de brincadeira é o tal bullying. Mas esse
comportamento vai além dos apelidos maldosos. Ele também é uma característica de
quem gosta de ofender, humilhar, discriminar, intimidar, enfim, de quem se diverte
10 fazendo tudo o que faça uma menina (ou menino) sofrer. (Veja mais exemplos no box
“As faces da maldade”).
Menino é diferente
A prática do bullying nem sempre é igual para meninos e meninas. Segundo
Aramis Lopes, pediatra e coordenador do Programa de Redução do Comportamento
15 Agressivo entre Estudantes, os garotos são mais explícitos. É comum ver meninos
tirando sarro de alguém na frente de todo mundo. “Já a menina é educada para ser
mais recatada, discreta. Dessa forma, a estratégia delas é outra”, explica o médico. É
isso mesmo! A menina é mais sutil e vai, como se diz, “comendo pelas bordas”. Uma
fofoquinha aqui, uma esnobada ali e lá está ela colocando em prática sua maldade. “A
20 princípio, elas são amigas. Mas, quando vai ver, uma garota já está sendo vítima de
difamação e exclusão dentro de seu grupo”, acrescenta Aramis.
Para esses casos, o especialista dá a melhor solução: trocar de turma. Afinal de
contas, você é livre para ser amiga de quem bem entender e não tem nada a ver ficar
atrás de meninas que só querem vê-la numa pior, não é mesmo?
25 Mas, quando o assunto é gozação na frente de todo mundo, como nos casos em
que o cidadão grita um apelido infeliz pelos quatro cantos da escola, a pedagoga Karen
Kaufman Sachetto tem a saída: “Evite reforçar essa atitude. Tente ignorar o máximo
que puder”. E Aramis complementa: “Saia de perto, para a brincadeira não continuar e
você não sofrer.”
30 Contar ou não, eis a questão
E os pais, como ficam nessa história toda? “Se tiver coragem, conte a eles, pois
podem ajudá-la”, diz Karen. Porém o pediatra Aramis alerta: “Procure alguém de sua
confiança, um colega, um professor, um funcionário da escola, ou seus pais e conte o
que se passa com você. De preferência, os pais só devem interferir com o
35 consentimento dos filhos”. Se você estiver certa de que quer a ajuda de seus pais
nessa luta, peça uma mãozinha. Do contrário, se tiver medo de que a situação piore,
busque apenas o apoio deles, mas não desista de tentar se livrar desse sofrimento.
Ficar quieta e aceitar todos os tipos de maldade é o comportamento mais incorreto.
Muitas vezes, quando ficamos chateadas não há nada melhor do que o colo e os
40 conselhos do pai e da mãe para nos dar um calorzinho no coração.
A diretoria da escola também pode ser avisada, principalmente em casos mais
graves, como os de ameaça.
As faces da maldade
Veja o que é considerado bullying pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia):
Colocar apelidos – Ofender – Zoar – Gozar – Encarnar – Sacanear – Humilhar – Fazer sofrer – Discriminar – Excluir – Isolar – Ignorar – Intimidar – Perseguir – Assediar – Aterrorizar – Amedrontar – Tiranizar – Dominar – Agredir – Bater – Chutar – Empurrar – Ferir – Roubar – Quebrar pertences
(In <http://atrevida.locaweb.com.br/revista/126> Acesso em 20 ago 2015)
Sobre o box “As faces da maldade”:
I – O texto traz informações sobre as diversas formas de bullying.
II – O verbo “ver”, que introduz o texto do box, expressa uma hipótese.
III – As atitudes identificadas como bullying estão representadas com verbos no infinitivo.
IV – “sacanear” e “zoar” são exemplos de linguagem coloquial.
Está correto o que se afirma emResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
Bullying. Não tem a menor graça!
Você já foi alvo de gozação ou viu alguém sendo sacaneado constantemente? Não era brincadeira, era o bullying em ação
A palavra
Sem tradução para o português, bullying é toda agressão feita com a intenção
de machucar outra pessoa ou até mesmo uma turma inteira. Mas para ser considerado
bullying de verdade, também é preciso que essa atitude agressiva se repita uma
05 porção de vezes. Sabe aquele garoto que fica gozando do colega todo santo dia,
fazendo piadinhas infelizes a respeito da orelha de abano do garoto? Pois essa atitude
grosseira, repetitiva, disfarçada de brincadeira é o tal bullying. Mas esse
comportamento vai além dos apelidos maldosos. Ele também é uma característica de
quem gosta de ofender, humilhar, discriminar, intimidar, enfim, de quem se diverte
10 fazendo tudo o que faça uma menina (ou menino) sofrer. (Veja mais exemplos no box
“As faces da maldade”).
Menino é diferente
A prática do bullying nem sempre é igual para meninos e meninas. Segundo
Aramis Lopes, pediatra e coordenador do Programa de Redução do Comportamento
15 Agressivo entre Estudantes, os garotos são mais explícitos. É comum ver meninos
tirando sarro de alguém na frente de todo mundo. “Já a menina é educada para ser
mais recatada, discreta. Dessa forma, a estratégia delas é outra”, explica o médico. É
isso mesmo! A menina é mais sutil e vai, como se diz, “comendo pelas bordas”. Uma
fofoquinha aqui, uma esnobada ali e lá está ela colocando em prática sua maldade. “A
20 princípio, elas são amigas. Mas, quando vai ver, uma garota já está sendo vítima de
difamação e exclusão dentro de seu grupo”, acrescenta Aramis.
Para esses casos, o especialista dá a melhor solução: trocar de turma. Afinal de
contas, você é livre para ser amiga de quem bem entender e não tem nada a ver ficar
atrás de meninas que só querem vê-la numa pior, não é mesmo?
25 Mas, quando o assunto é gozação na frente de todo mundo, como nos casos em
que o cidadão grita um apelido infeliz pelos quatro cantos da escola, a pedagoga Karen
Kaufman Sachetto tem a saída: “Evite reforçar essa atitude. Tente ignorar o máximo
que puder”. E Aramis complementa: “Saia de perto, para a brincadeira não continuar e
você não sofrer.”
30 Contar ou não, eis a questão
E os pais, como ficam nessa história toda? “Se tiver coragem, conte a eles, pois
podem ajudá-la”, diz Karen. Porém o pediatra Aramis alerta: “Procure alguém de sua
confiança, um colega, um professor, um funcionário da escola, ou seus pais e conte o
que se passa com você. De preferência, os pais só devem interferir com o
35 consentimento dos filhos”. Se você estiver certa de que quer a ajuda de seus pais
nessa luta, peça uma mãozinha. Do contrário, se tiver medo de que a situação piore,
busque apenas o apoio deles, mas não desista de tentar se livrar desse sofrimento.
Ficar quieta e aceitar todos os tipos de maldade é o comportamento mais incorreto.
Muitas vezes, quando ficamos chateadas não há nada melhor do que o colo e os
40 conselhos do pai e da mãe para nos dar um calorzinho no coração.
A diretoria da escola também pode ser avisada, principalmente em casos mais
graves, como os de ameaça.
As faces da maldade
Veja o que é considerado bullying pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia):
Colocar apelidos – Ofender – Zoar – Gozar – Encarnar – Sacanear – Humilhar – Fazer sofrer – Discriminar – Excluir – Isolar – Ignorar – Intimidar – Perseguir – Assediar – Aterrorizar – Amedrontar – Tiranizar – Dominar – Agredir – Bater – Chutar – Empurrar – Ferir – Roubar – Quebrar pertences
(In <http://atrevida.locaweb.com.br/revista/126> Acesso em 20 ago 2015)
Acerca das relações estabelecidas entre expressões do texto, marque a opção verdadeira.
TEXTO II
Bullying. Não tem a menor graça!
Você já foi alvo de gozação ou viu alguém sendo sacaneado constantemente? Não era brincadeira, era o bullying em ação
A palavra
Sem tradução para o português, bullying é toda agressão feita com a intenção
de machucar outra pessoa ou até mesmo uma turma inteira. Mas para ser considerado
bullying de verdade, também é preciso que essa atitude agressiva se repita uma
05 porção de vezes. Sabe aquele garoto que fica gozando do colega todo santo dia,
fazendo piadinhas infelizes a respeito da orelha de abano do garoto? Pois essa atitude
grosseira, repetitiva, disfarçada de brincadeira é o tal bullying. Mas esse
comportamento vai além dos apelidos maldosos. Ele também é uma característica de
quem gosta de ofender, humilhar, discriminar, intimidar, enfim, de quem se diverte
10 fazendo tudo o que faça uma menina (ou menino) sofrer. (Veja mais exemplos no box
“As faces da maldade”).
Menino é diferente
A prática do bullying nem sempre é igual para meninos e meninas. Segundo
Aramis Lopes, pediatra e coordenador do Programa de Redução do Comportamento
15 Agressivo entre Estudantes, os garotos são mais explícitos. É comum ver meninos
tirando sarro de alguém na frente de todo mundo. “Já a menina é educada para ser
mais recatada, discreta. Dessa forma, a estratégia delas é outra”, explica o médico. É
isso mesmo! A menina é mais sutil e vai, como se diz, “comendo pelas bordas”. Uma
fofoquinha aqui, uma esnobada ali e lá está ela colocando em prática sua maldade. “A
20 princípio, elas são amigas. Mas, quando vai ver, uma garota já está sendo vítima de
difamação e exclusão dentro de seu grupo”, acrescenta Aramis.
Para esses casos, o especialista dá a melhor solução: trocar de turma. Afinal de
contas, você é livre para ser amiga de quem bem entender e não tem nada a ver ficar
atrás de meninas que só querem vê-la numa pior, não é mesmo?
25 Mas, quando o assunto é gozação na frente de todo mundo, como nos casos em
que o cidadão grita um apelido infeliz pelos quatro cantos da escola, a pedagoga Karen
Kaufman Sachetto tem a saída: “Evite reforçar essa atitude. Tente ignorar o máximo
que puder”. E Aramis complementa: “Saia de perto, para a brincadeira não continuar e
você não sofrer.”
30 Contar ou não, eis a questão
E os pais, como ficam nessa história toda? “Se tiver coragem, conte a eles, pois
podem ajudá-la”, diz Karen. Porém o pediatra Aramis alerta: “Procure alguém de sua
confiança, um colega, um professor, um funcionário da escola, ou seus pais e conte o
que se passa com você. De preferência, os pais só devem interferir com o
35 consentimento dos filhos”. Se você estiver certa de que quer a ajuda de seus pais
nessa luta, peça uma mãozinha. Do contrário, se tiver medo de que a situação piore,
busque apenas o apoio deles, mas não desista de tentar se livrar desse sofrimento.
Ficar quieta e aceitar todos os tipos de maldade é o comportamento mais incorreto.
Muitas vezes, quando ficamos chateadas não há nada melhor do que o colo e os
40 conselhos do pai e da mãe para nos dar um calorzinho no coração.
A diretoria da escola também pode ser avisada, principalmente em casos mais
graves, como os de ameaça.
As faces da maldade
Veja o que é considerado bullying pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia):
Colocar apelidos – Ofender – Zoar – Gozar – Encarnar – Sacanear – Humilhar – Fazer sofrer – Discriminar – Excluir – Isolar – Ignorar – Intimidar – Perseguir – Assediar – Aterrorizar – Amedrontar – Tiranizar – Dominar – Agredir – Bater – Chutar – Empurrar – Ferir – Roubar – Quebrar pertences
(In <http://atrevida.locaweb.com.br/revista/126> Acesso em 20 ago 2015)
Assinale a alternativa na qual o trecho, gramaticalmente, não estabelece uma relação dialógica entre o locutor e o interlocutor.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
Bullying. Não tem a menor graça!
Você já foi alvo de gozação ou viu alguém sendo sacaneado constantemente? Não era brincadeira, era o bullying em ação
A palavra
Sem tradução para o português, bullying é toda agressão feita com a intenção
de machucar outra pessoa ou até mesmo uma turma inteira. Mas para ser considerado
bullying de verdade, também é preciso que essa atitude agressiva se repita uma
05 porção de vezes. Sabe aquele garoto que fica gozando do colega todo santo dia,
fazendo piadinhas infelizes a respeito da orelha de abano do garoto? Pois essa atitude
grosseira, repetitiva, disfarçada de brincadeira é o tal bullying. Mas esse
comportamento vai além dos apelidos maldosos. Ele também é uma característica de
quem gosta de ofender, humilhar, discriminar, intimidar, enfim, de quem se diverte
10 fazendo tudo o que faça uma menina (ou menino) sofrer. (Veja mais exemplos no box
“As faces da maldade”).
Menino é diferente
A prática do bullying nem sempre é igual para meninos e meninas. Segundo
Aramis Lopes, pediatra e coordenador do Programa de Redução do Comportamento
15 Agressivo entre Estudantes, os garotos são mais explícitos. É comum ver meninos
tirando sarro de alguém na frente de todo mundo. “Já a menina é educada para ser
mais recatada, discreta. Dessa forma, a estratégia delas é outra”, explica o médico. É
isso mesmo! A menina é mais sutil e vai, como se diz, “comendo pelas bordas”. Uma
fofoquinha aqui, uma esnobada ali e lá está ela colocando em prática sua maldade. “A
20 princípio, elas são amigas. Mas, quando vai ver, uma garota já está sendo vítima de
difamação e exclusão dentro de seu grupo”, acrescenta Aramis.
Para esses casos, o especialista dá a melhor solução: trocar de turma. Afinal de
contas, você é livre para ser amiga de quem bem entender e não tem nada a ver ficar
atrás de meninas que só querem vê-la numa pior, não é mesmo?
25 Mas, quando o assunto é gozação na frente de todo mundo, como nos casos em
que o cidadão grita um apelido infeliz pelos quatro cantos da escola, a pedagoga Karen
Kaufman Sachetto tem a saída: “Evite reforçar essa atitude. Tente ignorar o máximo
que puder”. E Aramis complementa: “Saia de perto, para a brincadeira não continuar e
você não sofrer.”
30 Contar ou não, eis a questão
E os pais, como ficam nessa história toda? “Se tiver coragem, conte a eles, pois
podem ajudá-la”, diz Karen. Porém o pediatra Aramis alerta: “Procure alguém de sua
confiança, um colega, um professor, um funcionário da escola, ou seus pais e conte o
que se passa com você. De preferência, os pais só devem interferir com o
35 consentimento dos filhos”. Se você estiver certa de que quer a ajuda de seus pais
nessa luta, peça uma mãozinha. Do contrário, se tiver medo de que a situação piore,
busque apenas o apoio deles, mas não desista de tentar se livrar desse sofrimento.
Ficar quieta e aceitar todos os tipos de maldade é o comportamento mais incorreto.
Muitas vezes, quando ficamos chateadas não há nada melhor do que o colo e os
40 conselhos do pai e da mãe para nos dar um calorzinho no coração.
A diretoria da escola também pode ser avisada, principalmente em casos mais
graves, como os de ameaça.
As faces da maldade
Veja o que é considerado bullying pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia):
Colocar apelidos – Ofender – Zoar – Gozar – Encarnar – Sacanear – Humilhar – Fazer sofrer – Discriminar – Excluir – Isolar – Ignorar – Intimidar – Perseguir – Assediar – Aterrorizar – Amedrontar – Tiranizar – Dominar – Agredir – Bater – Chutar – Empurrar – Ferir – Roubar – Quebrar pertences
(In <http://atrevida.locaweb.com.br/revista/126> Acesso em 20 ago 2015)
O emprego da vírgula no trecho “A princípio, elas são amigas” (l.19/20) não é o mesmo que emResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO III
![]()
(In < http://4.bp.blogspot.com/calvin3.bmp > Acesso em 20 ago 2015)
O humor da tira reside no fato de Calvin
TEXTO III
![]()
(In < http://4.bp.blogspot.com/calvin3.bmp > Acesso em 20 ago 2015)
As vírgulas referentes aos termos “idiota”, “Sr. Lockjaw”, “caras” e “desistente”
TEXTO III
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(In < http://4.bp.blogspot.com/calvin3.bmp > Acesso em 20 ago 2015)
Marque a opção correta em relação ao emprego das classes gramaticais nas falas das personagens da tirinha.
TEXTO I
COMO TODO SANTO DIA
A aula deveria começar em instantes. Tínhamos ouvido o sinal havia poucos
minutos, mas bem antes disso eu já estava no meu lugar, o livro de Português em cima
da carteira.
Denílson, Caio e Fred faziam questão de demarcar presença na entrada da sala.
05 Falavam alto, riam escandalosamente, uma baderna. Impossível passarem
despercebidos aos olhos de qualquer um de nós e acredito que nem fosse mesmo a
intenção.
Esses eram os meninos que atormentavam o Leo. Muita gente sabia, mas a
grande maioria ignorava.
10 Dali em diante, porta a dentro, o óbvio.
Denílson e Caio na frente, Fred um pouco mais atrás, os três passando pelo
estreito corredor onde ficava a carteira do Leo. Tão logo chegavam perto, a simulação
de um tropeço, um esbarrão, ou algo semelhante, como se tudo não passasse de
inocente brincadeira.
15 – Opa! – e o súbito arremesso dos objetos ao chão.
Era um opa cínico, dissimulado, muitos alunos riam abertamente sem motivo
para disfarces.
– Desculpa aí, Leitão.
Um desculpa aí debochado, quase nojento de ouvir.
20 - Pede desculpa não, Denílson! Não vê que a carteira dele é que tá torta, na
passagem? Arruma isso aí, Gordo! – e Caio ria, um prazer desmesurável.
Leo procurava juntar tudo o mais rápido possível e então livrar-se da vergonha
de se ver ajoelhado à caça de seus pertences. Porém, tanto esforço parecia não valer
para coisa alguma, pois quanto mais se apressava buscando uma agilidade que não
25 tinha, mais atrapalhado ia ficando, e os objetos escorregando das mãos feito sabonete.
Fred, por último, arrematava com chutes, inventava um sem querer, fingia um
não vi, e lá iam as canetas, lápis, borracha ou a própria mão do Leo na sua mira
perversa.
Agora os três amigos partiam para as próprias carteiras, acomodando-se em
30 meio ao riso, ao deboche e à malandragem, companhias indissociáveis deles.
Aos poucos, os alunos iam se dispersando, o assunto era substituído, Leo perdia
a graça e deixava de ser o foco das atenções. Quando fosse ver, ninguém mais se
lembrava do episódio. Tudo morto, enterrado e esquecido.
– Bom dia! – era a professora Luciana entrando na sala.
35 Leo já recolhera todas as suas coisas, mas o embaraço e o nervosismo de
minutos atrás ainda lhe marcavam o rosto sem dó. Vermelho. Eu vi. Alguém mais deve
ter visto, mas ninguém falou nada. Nem eu.
– Vocês se recordam de onde paramos? Fizeram em casa os exercícios da
página 32? Vamos lá, pessoal. Se alguém deixou de fazer, vai ficar complicado, porque
40 eu disse que a matéria de hoje...
Leo continuava vermelho. A pele muito clara corava com facilidade e seus
cabelos loiros, bem curtinhos, realçavam ainda mais o rosto redondo.
Mantinha-se cabisbaixo, olhos rasantes sobre o livro, buscando, de maneira
rápida e desajeitada, a página indicada. Estava sério, a expressão de quem controla
45 um vulcão dentro do peito. Acho que era isso. Um vulcão.
Página 32. Qual a importância do conteúdo da página 32? Quantas páginas
seriam necessárias para descrever o tormento do Leo? E o meu?
Eu via o que faziam com o Leo, via, sim, e não concordava. Mas era impossível
defendê-lo.
50 Eu não conseguia defender nem a mim mesma.
(MARTINELLI, Tânia A. Perseguição, São Paulo: Saraiva, 2009)
TEXTO II
Bullying. Não tem a menor graça!
Você já foi alvo de gozação ou viu alguém sendo sacaneado constantemente? Não era brincadeira, era o bullying em ação
A palavra
Sem tradução para o português, bullying é toda agressão feita com a intenção
de machucar outra pessoa ou até mesmo uma turma inteira. Mas para ser considerado
bullying de verdade, também é preciso que essa atitude agressiva se repita uma
05 porção de vezes. Sabe aquele garoto que fica gozando do colega todo santo dia,
fazendo piadinhas infelizes a respeito da orelha de abano do garoto? Pois essa atitude
grosseira, repetitiva, disfarçada de brincadeira é o tal bullying. Mas esse
comportamento vai além dos apelidos maldosos. Ele também é uma característica de
quem gosta de ofender, humilhar, discriminar, intimidar, enfim, de quem se diverte
10 fazendo tudo o que faça uma menina (ou menino) sofrer. (Veja mais exemplos no box
“As faces da maldade”).
Menino é diferente
A prática do bullying nem sempre é igual para meninos e meninas. Segundo
Aramis Lopes, pediatra e coordenador do Programa de Redução do Comportamento
15 Agressivo entre Estudantes, os garotos são mais explícitos. É comum ver meninos
tirando sarro de alguém na frente de todo mundo. “Já a menina é educada para ser
mais recatada, discreta. Dessa forma, a estratégia delas é outra”, explica o médico. É
isso mesmo! A menina é mais sutil e vai, como se diz, “comendo pelas bordas”. Uma
fofoquinha aqui, uma esnobada ali e lá está ela colocando em prática sua maldade. “A
20 princípio, elas são amigas. Mas, quando vai ver, uma garota já está sendo vítima de
difamação e exclusão dentro de seu grupo”, acrescenta Aramis.
Para esses casos, o especialista dá a melhor solução: trocar de turma. Afinal de
contas, você é livre para ser amiga de quem bem entender e não tem nada a ver ficar
atrás de meninas que só querem vê-la numa pior, não é mesmo?
25 Mas, quando o assunto é gozação na frente de todo mundo, como nos casos em
que o cidadão grita um apelido infeliz pelos quatro cantos da escola, a pedagoga Karen
Kaufman Sachetto tem a saída: “Evite reforçar essa atitude. Tente ignorar o máximo
que puder”. E Aramis complementa: “Saia de perto, para a brincadeira não continuar e
você não sofrer.”
30 Contar ou não, eis a questão
E os pais, como ficam nessa história toda? “Se tiver coragem, conte a eles, pois
podem ajudá-la”, diz Karen. Porém o pediatra Aramis alerta: “Procure alguém de sua
confiança, um colega, um professor, um funcionário da escola, ou seus pais e conte o
que se passa com você. De preferência, os pais só devem interferir com o
35 consentimento dos filhos”. Se você estiver certa de que quer a ajuda de seus pais
nessa luta, peça uma mãozinha. Do contrário, se tiver medo de que a situação piore,
busque apenas o apoio deles, mas não desista de tentar se livrar desse sofrimento.
Ficar quieta e aceitar todos os tipos de maldade é o comportamento mais incorreto.
Muitas vezes, quando ficamos chateadas não há nada melhor do que o colo e os
40 conselhos do pai e da mãe para nos dar um calorzinho no coração.
A diretoria da escola também pode ser avisada, principalmente em casos mais
graves, como os de ameaça.
As faces da maldade
Veja o que é considerado bullying pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia):
Colocar apelidos – Ofender – Zoar – Gozar – Encarnar – Sacanear – Humilhar – Fazer sofrer – Discriminar – Excluir – Isolar – Ignorar – Intimidar – Perseguir – Assediar – Aterrorizar – Amedrontar – Tiranizar – Dominar – Agredir – Bater – Chutar – Empurrar – Ferir – Roubar – Quebrar pertences
(In <http://atrevida.locaweb.com.br/revista/126> Acesso em 20 ago 2015)
TEXTO III
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(In < http://4.bp.blogspot.com/calvin3.bmp > Acesso em 20 ago 2015)
Quanto à finalidade dos textos I, II e III é correto afirmar que
TEXTO I
COMO TODO SANTO DIA
A aula deveria começar em instantes. Tínhamos ouvido o sinal havia poucos
minutos, mas bem antes disso eu já estava no meu lugar, o livro de Português em cima
da carteira.
Denílson, Caio e Fred faziam questão de demarcar presença na entrada da sala.
05 Falavam alto, riam escandalosamente, uma baderna. Impossível passarem
despercebidos aos olhos de qualquer um de nós e acredito que nem fosse mesmo a
intenção.
Esses eram os meninos que atormentavam o Leo. Muita gente sabia, mas a
grande maioria ignorava.
10 Dali em diante, porta a dentro, o óbvio.
Denílson e Caio na frente, Fred um pouco mais atrás, os três passando pelo
estreito corredor onde ficava a carteira do Leo. Tão logo chegavam perto, a simulação
de um tropeço, um esbarrão, ou algo semelhante, como se tudo não passasse de
inocente brincadeira.
15 – Opa! – e o súbito arremesso dos objetos ao chão.
Era um opa cínico, dissimulado, muitos alunos riam abertamente sem motivo
para disfarces.
– Desculpa aí, Leitão.
Um desculpa aí debochado, quase nojento de ouvir.
20 - Pede desculpa não, Denílson! Não vê que a carteira dele é que tá torta, na
passagem? Arruma isso aí, Gordo! – e Caio ria, um prazer desmesurável.
Leo procurava juntar tudo o mais rápido possível e então livrar-se da vergonha
de se ver ajoelhado à caça de seus pertences. Porém, tanto esforço parecia não valer
para coisa alguma, pois quanto mais se apressava buscando uma agilidade que não
25 tinha, mais atrapalhado ia ficando, e os objetos escorregando das mãos feito sabonete.
Fred, por último, arrematava com chutes, inventava um sem querer, fingia um
não vi, e lá iam as canetas, lápis, borracha ou a própria mão do Leo na sua mira
perversa.
Agora os três amigos partiam para as próprias carteiras, acomodando-se em
30 meio ao riso, ao deboche e à malandragem, companhias indissociáveis deles.
Aos poucos, os alunos iam se dispersando, o assunto era substituído, Leo perdia
a graça e deixava de ser o foco das atenções. Quando fosse ver, ninguém mais se
lembrava do episódio. Tudo morto, enterrado e esquecido.
– Bom dia! – era a professora Luciana entrando na sala.
35 Leo já recolhera todas as suas coisas, mas o embaraço e o nervosismo de
minutos atrás ainda lhe marcavam o rosto sem dó. Vermelho. Eu vi. Alguém mais deve
ter visto, mas ninguém falou nada. Nem eu.
– Vocês se recordam de onde paramos? Fizeram em casa os exercícios da
página 32? Vamos lá, pessoal. Se alguém deixou de fazer, vai ficar complicado, porque
40 eu disse que a matéria de hoje...
Leo continuava vermelho. A pele muito clara corava com facilidade e seus
cabelos loiros, bem curtinhos, realçavam ainda mais o rosto redondo.
Mantinha-se cabisbaixo, olhos rasantes sobre o livro, buscando, de maneira
rápida e desajeitada, a página indicada. Estava sério, a expressão de quem controla
45 um vulcão dentro do peito. Acho que era isso. Um vulcão.
Página 32. Qual a importância do conteúdo da página 32? Quantas páginas
seriam necessárias para descrever o tormento do Leo? E o meu?
Eu via o que faziam com o Leo, via, sim, e não concordava. Mas era impossível
defendê-lo.
50 Eu não conseguia defender nem a mim mesma.
(MARTINELLI, Tânia A. Perseguição, São Paulo: Saraiva, 2009)
TEXTO II
Bullying. Não tem a menor graça!
Você já foi alvo de gozação ou viu alguém sendo sacaneado constantemente? Não era brincadeira, era o bullying em ação
A palavra
Sem tradução para o português, bullying é toda agressão feita com a intenção
de machucar outra pessoa ou até mesmo uma turma inteira. Mas para ser considerado
bullying de verdade, também é preciso que essa atitude agressiva se repita uma
05 porção de vezes. Sabe aquele garoto que fica gozando do colega todo santo dia,
fazendo piadinhas infelizes a respeito da orelha de abano do garoto? Pois essa atitude
grosseira, repetitiva, disfarçada de brincadeira é o tal bullying. Mas esse
comportamento vai além dos apelidos maldosos. Ele também é uma característica de
quem gosta de ofender, humilhar, discriminar, intimidar, enfim, de quem se diverte
10 fazendo tudo o que faça uma menina (ou menino) sofrer. (Veja mais exemplos no box
“As faces da maldade”).
Menino é diferente
A prática do bullying nem sempre é igual para meninos e meninas. Segundo
Aramis Lopes, pediatra e coordenador do Programa de Redução do Comportamento
15 Agressivo entre Estudantes, os garotos são mais explícitos. É comum ver meninos
tirando sarro de alguém na frente de todo mundo. “Já a menina é educada para ser
mais recatada, discreta. Dessa forma, a estratégia delas é outra”, explica o médico. É
isso mesmo! A menina é mais sutil e vai, como se diz, “comendo pelas bordas”. Uma
fofoquinha aqui, uma esnobada ali e lá está ela colocando em prática sua maldade. “A
20 princípio, elas são amigas. Mas, quando vai ver, uma garota já está sendo vítima de
difamação e exclusão dentro de seu grupo”, acrescenta Aramis.
Para esses casos, o especialista dá a melhor solução: trocar de turma. Afinal de
contas, você é livre para ser amiga de quem bem entender e não tem nada a ver ficar
atrás de meninas que só querem vê-la numa pior, não é mesmo?
25 Mas, quando o assunto é gozação na frente de todo mundo, como nos casos em
que o cidadão grita um apelido infeliz pelos quatro cantos da escola, a pedagoga Karen
Kaufman Sachetto tem a saída: “Evite reforçar essa atitude. Tente ignorar o máximo
que puder”. E Aramis complementa: “Saia de perto, para a brincadeira não continuar e
você não sofrer.”
30 Contar ou não, eis a questão
E os pais, como ficam nessa história toda? “Se tiver coragem, conte a eles, pois
podem ajudá-la”, diz Karen. Porém o pediatra Aramis alerta: “Procure alguém de sua
confiança, um colega, um professor, um funcionário da escola, ou seus pais e conte o
que se passa com você. De preferência, os pais só devem interferir com o
35 consentimento dos filhos”. Se você estiver certa de que quer a ajuda de seus pais
nessa luta, peça uma mãozinha. Do contrário, se tiver medo de que a situação piore,
busque apenas o apoio deles, mas não desista de tentar se livrar desse sofrimento.
Ficar quieta e aceitar todos os tipos de maldade é o comportamento mais incorreto.
Muitas vezes, quando ficamos chateadas não há nada melhor do que o colo e os
40 conselhos do pai e da mãe para nos dar um calorzinho no coração.
A diretoria da escola também pode ser avisada, principalmente em casos mais
graves, como os de ameaça.
As faces da maldade
Veja o que é considerado bullying pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia):
Colocar apelidos – Ofender – Zoar – Gozar – Encarnar – Sacanear – Humilhar – Fazer sofrer – Discriminar – Excluir – Isolar – Ignorar – Intimidar – Perseguir – Assediar – Aterrorizar – Amedrontar – Tiranizar – Dominar – Agredir – Bater – Chutar – Empurrar – Ferir – Roubar – Quebrar pertences
(In <http://atrevida.locaweb.com.br/revista/126> Acesso em 20 ago 2015)
TEXTO III
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(In < http://4.bp.blogspot.com/calvin3.bmp > Acesso em 20 ago 2015)
Considerando o bullying, tratado nos três textos, é correto afirmar que
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