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Colégio Militar de Belo Horizonte — Concurso de Admissão 2015/2016 — 6º ano do Ensino Fundamental — Língua Portuguesa

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte (CMBH)2015Fundamental

21 questões nesta prova · página 1 de 2 · 20 com gabarito

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Belo Horizonte (CMBH) 2015 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
O som dos sentimentos
Babi Dewett
1 João Paulo tirou a mochila preta dos ombros e a colocou no chão, perto dos pés, e, ao lado dela,
apoiou a caixa dura e surrada de couro onde trazia seu violão. Respirou fundo, afastou os cabelos loiros
da testa, desgrudando-os um pouco do suor que escorria, e olhou para os lados analisando o lugar que
tinha escolhido para apresentar-se nos próximos meses. Era tão movimentado, que muita gente passava
5 sem notar o garoto de 19 anos alto, magro e desengonçado plantado no meio da calçada, já que não era o
único músico lá. Enquanto retirava seu instrumento da caixa, uma ou duas pessoas esbarravam na sua
mochila, mas João continuou focado em preparar-se, passando a correia do violão pelo ombro e afinando
as cordas.
Apesar de todo o barulho daquele espaço aberto e da quantidade de gente que passava apressada
10 por ali por causa do horário de almoço, sabia que seria um enorme desafio, mas seu plano era seguir em
frente. Não haveria público melhor que aquelas pessoas, que nem desconfiavam que eram consideradas
um público. Para João, aquele era um ritual de passagem, como havia sido para muitos outros estudantes
do Conservatório Musical, que ficava ali perto, na Avenida 9 de Julho.
Atrás e acima do garoto, imponente, erguia-se o Museu de Arte de São Paulo, o famoso MASP.
15 Bonito e moderno, estava situado na avenida que tinha feito João se apaixonar pela capital paulistana
desde o primeiro dia que chegou à cidade para estudar música, dois anos antes, vindo de Belo Horizonte.
A fachada do museu parecia cenário de filme, e o enorme vão que existia entre suas duas gigantescas
pilastras vermelhas estava sempre cheio de gente. Era um ótimo lugar para o rapaz passar suas tardes
tocando, quando saía do Conservatório, depois das aulas da manhã.
20 Ele achava triste ver que tantas pessoas corriam do metrô para os prédios comerciais, e dos
prédios para os ônibus ou para as ruas transversais, sem notar toda a beleza que a Avenida Paulista tinha
em seu concreto e seriedade. Mas João era apaixonado pelas pequenas coisas, pela beleza sutil dos
detalhes, e por isso mesmo gostava tanto de música. Os acordes, os sons, as notas e a maneira incrível
como a melodia exercia um poder imenso sobre as pessoas, não importando se músico ou ouvinte,
25 fascinavam o rapaz. Para ele, sons eram universais, e ele tinha certeza de que conseguiria mostrar isso ao
mundo, estudando muito e fazendo um ótimo trabalho no Conservatório.
Naquele início de tarde de um outono recém-chegado, no dia 22 de março, o primeiro acorde no
violão de madeira clara soou na grande avenida pelas mãos de João Paulo. Diante dele e de seu
instrumento, um pequeno pote para moedas era um convite para os passantes depositarem sua
30 contribuição. Ele estava decidido a arrecadar qualquer quantia em dinheiro, não para ele, mas para doar
para outras pessoas e, quem sabe, mudar suas vidas, por mais poético e impossível que isso pudesse
parecer.
Deixando-se levar por um sentimento maior de idealismo, pensando nas contribuições que viriam
e em sua paixão pela música, João Paulo começou a entoar “Blackbird”, dos Beatles. Sua voz não era
35 suave nem bonita, mas grave e até um pouco desafinada, porém ele conseguia emitir as notas e cantar
sem esforço. Ainda tentando se concentrar naquele novo “trabalho”, ficou mais calmo quando conseguiu
arrancar sorrisos de dois senhores engravatados que passavam e de uma moça que empurrava um
carrinho de bebê, e parou para ouvir. Foram poucos em sua plateia, mas quem sabe não seria mais fácil
depois de alguns dias?
(PIMENTA, Paula et al. Um ano inesquecível. 1ª edição. Belo Horizonte: Editora Gutenberg, 2015.)

QUESTÃO 1 – O Título do Texto 1, “O som do sentimento”, faz referência à vontade que João Paulo tem de ajudar o próximo e a sua paixão pela música. Assinale a alternativa cuja passagem retirada do texto demonstra essa afirmação:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Passagem que mostra a vontade de ajudar e a paixão pela música.

O trecho da A une o idealismo, que é o desejo de ajudar os outros, e a paixão pela música, pois João começa a cantar movido por esses sentimentos. É exatamente a ideia do título.

Análise das alternativas

B, C e E) Erradas: tratam só de ações com o instrumento, sem a motivação de ajudar. D) Errada: fala do pote de moedas, e a doação para outros não está nesse trecho.

Referência: Interpretação de texto; relação entre título e texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Elementos da Narrativa

Colégio Militar de Belo Horizonte (CMBH) 2015 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
O som dos sentimentos
Babi Dewett
1 João Paulo tirou a mochila preta dos ombros e a colocou no chão, perto dos pés, e, ao lado dela,
apoiou a caixa dura e surrada de couro onde trazia seu violão. Respirou fundo, afastou os cabelos loiros
da testa, desgrudando-os um pouco do suor que escorria, e olhou para os lados analisando o lugar que
tinha escolhido para apresentar-se nos próximos meses. Era tão movimentado, que muita gente passava
5 sem notar o garoto de 19 anos alto, magro e desengonçado plantado no meio da calçada, já que não era o
único músico lá. Enquanto retirava seu instrumento da caixa, uma ou duas pessoas esbarravam na sua
mochila, mas João continuou focado em preparar-se, passando a correia do violão pelo ombro e afinando
as cordas.
Apesar de todo o barulho daquele espaço aberto e da quantidade de gente que passava apressada
10 por ali por causa do horário de almoço, sabia que seria um enorme desafio, mas seu plano era seguir em
frente. Não haveria público melhor que aquelas pessoas, que nem desconfiavam que eram consideradas
um público. Para João, aquele era um ritual de passagem, como havia sido para muitos outros estudantes
do Conservatório Musical, que ficava ali perto, na Avenida 9 de Julho.
Atrás e acima do garoto, imponente, erguia-se o Museu de Arte de São Paulo, o famoso MASP.
15 Bonito e moderno, estava situado na avenida que tinha feito João se apaixonar pela capital paulistana
desde o primeiro dia que chegou à cidade para estudar música, dois anos antes, vindo de Belo Horizonte.
A fachada do museu parecia cenário de filme, e o enorme vão que existia entre suas duas gigantescas
pilastras vermelhas estava sempre cheio de gente. Era um ótimo lugar para o rapaz passar suas tardes
tocando, quando saía do Conservatório, depois das aulas da manhã.
20 Ele achava triste ver que tantas pessoas corriam do metrô para os prédios comerciais, e dos
prédios para os ônibus ou para as ruas transversais, sem notar toda a beleza que a Avenida Paulista tinha
em seu concreto e seriedade. Mas João era apaixonado pelas pequenas coisas, pela beleza sutil dos
detalhes, e por isso mesmo gostava tanto de música. Os acordes, os sons, as notas e a maneira incrível
como a melodia exercia um poder imenso sobre as pessoas, não importando se músico ou ouvinte,
25 fascinavam o rapaz. Para ele, sons eram universais, e ele tinha certeza de que conseguiria mostrar isso ao
mundo, estudando muito e fazendo um ótimo trabalho no Conservatório.
Naquele início de tarde de um outono recém-chegado, no dia 22 de março, o primeiro acorde no
violão de madeira clara soou na grande avenida pelas mãos de João Paulo. Diante dele e de seu
instrumento, um pequeno pote para moedas era um convite para os passantes depositarem sua
30 contribuição. Ele estava decidido a arrecadar qualquer quantia em dinheiro, não para ele, mas para doar
para outras pessoas e, quem sabe, mudar suas vidas, por mais poético e impossível que isso pudesse
parecer.
Deixando-se levar por um sentimento maior de idealismo, pensando nas contribuições que viriam
e em sua paixão pela música, João Paulo começou a entoar “Blackbird”, dos Beatles. Sua voz não era
35 suave nem bonita, mas grave e até um pouco desafinada, porém ele conseguia emitir as notas e cantar
sem esforço. Ainda tentando se concentrar naquele novo “trabalho”, ficou mais calmo quando conseguiu
arrancar sorrisos de dois senhores engravatados que passavam e de uma moça que empurrava um
carrinho de bebê, e parou para ouvir. Foram poucos em sua plateia, mas quem sabe não seria mais fácil
depois de alguns dias?
(PIMENTA, Paula et al. Um ano inesquecível. 1ª edição. Belo Horizonte: Editora Gutenberg, 2015.)

QUESTÃO 2 – Quanto à estrutura narrativa do Texto 1, todas as alternativas são verdadeiras, EXCETO:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Afirmação falsa sobre a estrutura narrativa do Texto 1.

O narrador do Texto 1 é de 3ª pessoa, um narrador-observador (João Paulo tirou, ele achava), e não participa da história. Por isso a alternativa C é a que não é verdadeira.

Análise das alternativas

A) Verdadeira: há personagens e tempo definido (22 de março, início de tarde). B) Verdadeira: os primeiros parágrafos descrevem João e o local. D) Verdadeira: os fatos seguem uma sequência de causa e efeito. E) Verdadeira: os senhores, a moça e os passantes são personagens.

Referência: Elementos da narrativa: foco narrativo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Pontuação — Aspas

Colégio Militar de Belo Horizonte (CMBH) 2015 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
O som dos sentimentos
Babi Dewett
1 João Paulo tirou a mochila preta dos ombros e a colocou no chão, perto dos pés, e, ao lado dela,
apoiou a caixa dura e surrada de couro onde trazia seu violão. Respirou fundo, afastou os cabelos loiros
da testa, desgrudando-os um pouco do suor que escorria, e olhou para os lados analisando o lugar que
tinha escolhido para apresentar-se nos próximos meses. Era tão movimentado, que muita gente passava
5 sem notar o garoto de 19 anos alto, magro e desengonçado plantado no meio da calçada, já que não era o
único músico lá. Enquanto retirava seu instrumento da caixa, uma ou duas pessoas esbarravam na sua
mochila, mas João continuou focado em preparar-se, passando a correia do violão pelo ombro e afinando
as cordas.
Apesar de todo o barulho daquele espaço aberto e da quantidade de gente que passava apressada
10 por ali por causa do horário de almoço, sabia que seria um enorme desafio, mas seu plano era seguir em
frente. Não haveria público melhor que aquelas pessoas, que nem desconfiavam que eram consideradas
um público. Para João, aquele era um ritual de passagem, como havia sido para muitos outros estudantes
do Conservatório Musical, que ficava ali perto, na Avenida 9 de Julho.
Atrás e acima do garoto, imponente, erguia-se o Museu de Arte de São Paulo, o famoso MASP.
15 Bonito e moderno, estava situado na avenida que tinha feito João se apaixonar pela capital paulistana
desde o primeiro dia que chegou à cidade para estudar música, dois anos antes, vindo de Belo Horizonte.
A fachada do museu parecia cenário de filme, e o enorme vão que existia entre suas duas gigantescas
pilastras vermelhas estava sempre cheio de gente. Era um ótimo lugar para o rapaz passar suas tardes
tocando, quando saía do Conservatório, depois das aulas da manhã.
20 Ele achava triste ver que tantas pessoas corriam do metrô para os prédios comerciais, e dos
prédios para os ônibus ou para as ruas transversais, sem notar toda a beleza que a Avenida Paulista tinha
em seu concreto e seriedade. Mas João era apaixonado pelas pequenas coisas, pela beleza sutil dos
detalhes, e por isso mesmo gostava tanto de música. Os acordes, os sons, as notas e a maneira incrível
como a melodia exercia um poder imenso sobre as pessoas, não importando se músico ou ouvinte,
25 fascinavam o rapaz. Para ele, sons eram universais, e ele tinha certeza de que conseguiria mostrar isso ao
mundo, estudando muito e fazendo um ótimo trabalho no Conservatório.
Naquele início de tarde de um outono recém-chegado, no dia 22 de março, o primeiro acorde no
violão de madeira clara soou na grande avenida pelas mãos de João Paulo. Diante dele e de seu
instrumento, um pequeno pote para moedas era um convite para os passantes depositarem sua
30 contribuição. Ele estava decidido a arrecadar qualquer quantia em dinheiro, não para ele, mas para doar
para outras pessoas e, quem sabe, mudar suas vidas, por mais poético e impossível que isso pudesse
parecer.
Deixando-se levar por um sentimento maior de idealismo, pensando nas contribuições que viriam
e em sua paixão pela música, João Paulo começou a entoar “Blackbird”, dos Beatles. Sua voz não era
35 suave nem bonita, mas grave e até um pouco desafinada, porém ele conseguia emitir as notas e cantar
sem esforço. Ainda tentando se concentrar naquele novo “trabalho”, ficou mais calmo quando conseguiu
arrancar sorrisos de dois senhores engravatados que passavam e de uma moça que empurrava um
carrinho de bebê, e parou para ouvir. Foram poucos em sua plateia, mas quem sabe não seria mais fácil
depois de alguns dias?
(PIMENTA, Paula et al. Um ano inesquecível. 1ª edição. Belo Horizonte: Editora Gutenberg, 2015.)

QUESTÃO 3 – Assinale a alternativa que justifique CORRETAMENTE a presença das aspas destacando a palavra “trabalho” no trecho: “Ainda tentando se concentrar naquele novo ‘trabalho’, ficou mais calmo [...]” (Texto 1 - ℓ. 36)
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Função das aspas em 'trabalho'.

As aspas em 'trabalho' dão um sentido particular à palavra: tocar na rua para arrecadar dinheiro para outras pessoas não é um emprego convencional, mas João o encara como um 'trabalho'.

Análise das alternativas

A) Errada: não há citação textual. C) Errada: 'trabalho' não é gíria. D) Errada: não é palavra estrangeira. E) Errada: não é fala de personagem.

Referência: Pontuação: uso de aspas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Denotação e Conotação

Colégio Militar de Belo Horizonte (CMBH) 2015 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
O som dos sentimentos
Babi Dewett
1 João Paulo tirou a mochila preta dos ombros e a colocou no chão, perto dos pés, e, ao lado dela,
apoiou a caixa dura e surrada de couro onde trazia seu violão. Respirou fundo, afastou os cabelos loiros
da testa, desgrudando-os um pouco do suor que escorria, e olhou para os lados analisando o lugar que
tinha escolhido para apresentar-se nos próximos meses. Era tão movimentado, que muita gente passava
5 sem notar o garoto de 19 anos alto, magro e desengonçado plantado no meio da calçada, já que não era o
único músico lá. Enquanto retirava seu instrumento da caixa, uma ou duas pessoas esbarravam na sua
mochila, mas João continuou focado em preparar-se, passando a correia do violão pelo ombro e afinando
as cordas.
Apesar de todo o barulho daquele espaço aberto e da quantidade de gente que passava apressada
10 por ali por causa do horário de almoço, sabia que seria um enorme desafio, mas seu plano era seguir em
frente. Não haveria público melhor que aquelas pessoas, que nem desconfiavam que eram consideradas
um público. Para João, aquele era um ritual de passagem, como havia sido para muitos outros estudantes
do Conservatório Musical, que ficava ali perto, na Avenida 9 de Julho.
Atrás e acima do garoto, imponente, erguia-se o Museu de Arte de São Paulo, o famoso MASP.
15 Bonito e moderno, estava situado na avenida que tinha feito João se apaixonar pela capital paulistana
desde o primeiro dia que chegou à cidade para estudar música, dois anos antes, vindo de Belo Horizonte.
A fachada do museu parecia cenário de filme, e o enorme vão que existia entre suas duas gigantescas
pilastras vermelhas estava sempre cheio de gente. Era um ótimo lugar para o rapaz passar suas tardes
tocando, quando saía do Conservatório, depois das aulas da manhã.
20 Ele achava triste ver que tantas pessoas corriam do metrô para os prédios comerciais, e dos
prédios para os ônibus ou para as ruas transversais, sem notar toda a beleza que a Avenida Paulista tinha
em seu concreto e seriedade. Mas João era apaixonado pelas pequenas coisas, pela beleza sutil dos
detalhes, e por isso mesmo gostava tanto de música. Os acordes, os sons, as notas e a maneira incrível
como a melodia exercia um poder imenso sobre as pessoas, não importando se músico ou ouvinte,
25 fascinavam o rapaz. Para ele, sons eram universais, e ele tinha certeza de que conseguiria mostrar isso ao
mundo, estudando muito e fazendo um ótimo trabalho no Conservatório.
Naquele início de tarde de um outono recém-chegado, no dia 22 de março, o primeiro acorde no
violão de madeira clara soou na grande avenida pelas mãos de João Paulo. Diante dele e de seu
instrumento, um pequeno pote para moedas era um convite para os passantes depositarem sua
30 contribuição. Ele estava decidido a arrecadar qualquer quantia em dinheiro, não para ele, mas para doar
para outras pessoas e, quem sabe, mudar suas vidas, por mais poético e impossível que isso pudesse
parecer.
Deixando-se levar por um sentimento maior de idealismo, pensando nas contribuições que viriam
e em sua paixão pela música, João Paulo começou a entoar “Blackbird”, dos Beatles. Sua voz não era
35 suave nem bonita, mas grave e até um pouco desafinada, porém ele conseguia emitir as notas e cantar
sem esforço. Ainda tentando se concentrar naquele novo “trabalho”, ficou mais calmo quando conseguiu
arrancar sorrisos de dois senhores engravatados que passavam e de uma moça que empurrava um
carrinho de bebê, e parou para ouvir. Foram poucos em sua plateia, mas quem sabe não seria mais fácil
depois de alguns dias?
(PIMENTA, Paula et al. Um ano inesquecível. 1ª edição. Belo Horizonte: Editora Gutenberg, 2015.)

QUESTÃO 4 – Algumas palavras são usadas fora de seu sentido usual, ou seja, em seu sentido figurado, conotativo. Marque a opção cujo trecho, retirado do Texto 1, apresenta a palavra destacada empregada em sentido figurado.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Tipologia Textual

Colégio Militar de Belo Horizonte (CMBH) 2015 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
O som dos sentimentos
Babi Dewett
1 João Paulo tirou a mochila preta dos ombros e a colocou no chão, perto dos pés, e, ao lado dela,
apoiou a caixa dura e surrada de couro onde trazia seu violão. Respirou fundo, afastou os cabelos loiros
da testa, desgrudando-os um pouco do suor que escorria, e olhou para os lados analisando o lugar que
tinha escolhido para apresentar-se nos próximos meses. Era tão movimentado, que muita gente passava
5 sem notar o garoto de 19 anos alto, magro e desengonçado plantado no meio da calçada, já que não era o
único músico lá. Enquanto retirava seu instrumento da caixa, uma ou duas pessoas esbarravam na sua
mochila, mas João continuou focado em preparar-se, passando a correia do violão pelo ombro e afinando
as cordas.
Apesar de todo o barulho daquele espaço aberto e da quantidade de gente que passava apressada
10 por ali por causa do horário de almoço, sabia que seria um enorme desafio, mas seu plano era seguir em
frente. Não haveria público melhor que aquelas pessoas, que nem desconfiavam que eram consideradas
um público. Para João, aquele era um ritual de passagem, como havia sido para muitos outros estudantes
do Conservatório Musical, que ficava ali perto, na Avenida 9 de Julho.
Atrás e acima do garoto, imponente, erguia-se o Museu de Arte de São Paulo, o famoso MASP.
15 Bonito e moderno, estava situado na avenida que tinha feito João se apaixonar pela capital paulistana
desde o primeiro dia que chegou à cidade para estudar música, dois anos antes, vindo de Belo Horizonte.
A fachada do museu parecia cenário de filme, e o enorme vão que existia entre suas duas gigantescas
pilastras vermelhas estava sempre cheio de gente. Era um ótimo lugar para o rapaz passar suas tardes
tocando, quando saía do Conservatório, depois das aulas da manhã.
20 Ele achava triste ver que tantas pessoas corriam do metrô para os prédios comerciais, e dos
prédios para os ônibus ou para as ruas transversais, sem notar toda a beleza que a Avenida Paulista tinha
em seu concreto e seriedade. Mas João era apaixonado pelas pequenas coisas, pela beleza sutil dos
detalhes, e por isso mesmo gostava tanto de música. Os acordes, os sons, as notas e a maneira incrível
como a melodia exercia um poder imenso sobre as pessoas, não importando se músico ou ouvinte,
25 fascinavam o rapaz. Para ele, sons eram universais, e ele tinha certeza de que conseguiria mostrar isso ao
mundo, estudando muito e fazendo um ótimo trabalho no Conservatório.
Naquele início de tarde de um outono recém-chegado, no dia 22 de março, o primeiro acorde no
violão de madeira clara soou na grande avenida pelas mãos de João Paulo. Diante dele e de seu
instrumento, um pequeno pote para moedas era um convite para os passantes depositarem sua
30 contribuição. Ele estava decidido a arrecadar qualquer quantia em dinheiro, não para ele, mas para doar
para outras pessoas e, quem sabe, mudar suas vidas, por mais poético e impossível que isso pudesse
parecer.
Deixando-se levar por um sentimento maior de idealismo, pensando nas contribuições que viriam
e em sua paixão pela música, João Paulo começou a entoar “Blackbird”, dos Beatles. Sua voz não era
35 suave nem bonita, mas grave e até um pouco desafinada, porém ele conseguia emitir as notas e cantar
sem esforço. Ainda tentando se concentrar naquele novo “trabalho”, ficou mais calmo quando conseguiu
arrancar sorrisos de dois senhores engravatados que passavam e de uma moça que empurrava um
carrinho de bebê, e parou para ouvir. Foram poucos em sua plateia, mas quem sabe não seria mais fácil
depois de alguns dias?
(PIMENTA, Paula et al. Um ano inesquecível. 1ª edição. Belo Horizonte: Editora Gutenberg, 2015.)

QUESTÃO 5 – Quanto ao tipo textual, o Texto1, “O som dos sentimentos”, pode ser caracterizado como:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Tipo textual do Texto 1.

O texto conta fatos com personagens, tempo, espaço e narrador, em sequência de ações. É, portanto, uma narração.

Análise das alternativas

A) Errada: não dá instruções. B) Errada: não tem estrutura de carta, como destinatário e despedida. C) Errada: está em prosa, e não em versos. E) Errada: não defende uma tese com argumentos.

Referência: Tipologia textual: narração.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Classes de Palavras — Substantivo

Colégio Militar de Belo Horizonte (CMBH) 2015 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
O som dos sentimentos
Babi Dewett
1 João Paulo tirou a mochila preta dos ombros e a colocou no chão, perto dos pés, e, ao lado dela,
apoiou a caixa dura e surrada de couro onde trazia seu violão. Respirou fundo, afastou os cabelos loiros
da testa, desgrudando-os um pouco do suor que escorria, e olhou para os lados analisando o lugar que
tinha escolhido para apresentar-se nos próximos meses. Era tão movimentado, que muita gente passava
5 sem notar o garoto de 19 anos alto, magro e desengonçado plantado no meio da calçada, já que não era o
único músico lá. Enquanto retirava seu instrumento da caixa, uma ou duas pessoas esbarravam na sua
mochila, mas João continuou focado em preparar-se, passando a correia do violão pelo ombro e afinando
as cordas.
Apesar de todo o barulho daquele espaço aberto e da quantidade de gente que passava apressada
10 por ali por causa do horário de almoço, sabia que seria um enorme desafio, mas seu plano era seguir em
frente. Não haveria público melhor que aquelas pessoas, que nem desconfiavam que eram consideradas
um público. Para João, aquele era um ritual de passagem, como havia sido para muitos outros estudantes
do Conservatório Musical, que ficava ali perto, na Avenida 9 de Julho.
Atrás e acima do garoto, imponente, erguia-se o Museu de Arte de São Paulo, o famoso MASP.
15 Bonito e moderno, estava situado na avenida que tinha feito João se apaixonar pela capital paulistana
desde o primeiro dia que chegou à cidade para estudar música, dois anos antes, vindo de Belo Horizonte.
A fachada do museu parecia cenário de filme, e o enorme vão que existia entre suas duas gigantescas
pilastras vermelhas estava sempre cheio de gente. Era um ótimo lugar para o rapaz passar suas tardes
tocando, quando saía do Conservatório, depois das aulas da manhã.
20 Ele achava triste ver que tantas pessoas corriam do metrô para os prédios comerciais, e dos
prédios para os ônibus ou para as ruas transversais, sem notar toda a beleza que a Avenida Paulista tinha
em seu concreto e seriedade. Mas João era apaixonado pelas pequenas coisas, pela beleza sutil dos
detalhes, e por isso mesmo gostava tanto de música. Os acordes, os sons, as notas e a maneira incrível
como a melodia exercia um poder imenso sobre as pessoas, não importando se músico ou ouvinte,
25 fascinavam o rapaz. Para ele, sons eram universais, e ele tinha certeza de que conseguiria mostrar isso ao
mundo, estudando muito e fazendo um ótimo trabalho no Conservatório.
Naquele início de tarde de um outono recém-chegado, no dia 22 de março, o primeiro acorde no
violão de madeira clara soou na grande avenida pelas mãos de João Paulo. Diante dele e de seu
instrumento, um pequeno pote para moedas era um convite para os passantes depositarem sua
30 contribuição. Ele estava decidido a arrecadar qualquer quantia em dinheiro, não para ele, mas para doar
para outras pessoas e, quem sabe, mudar suas vidas, por mais poético e impossível que isso pudesse
parecer.
Deixando-se levar por um sentimento maior de idealismo, pensando nas contribuições que viriam
e em sua paixão pela música, João Paulo começou a entoar “Blackbird”, dos Beatles. Sua voz não era
35 suave nem bonita, mas grave e até um pouco desafinada, porém ele conseguia emitir as notas e cantar
sem esforço. Ainda tentando se concentrar naquele novo “trabalho”, ficou mais calmo quando conseguiu
arrancar sorrisos de dois senhores engravatados que passavam e de uma moça que empurrava um
carrinho de bebê, e parou para ouvir. Foram poucos em sua plateia, mas quem sabe não seria mais fácil
depois de alguns dias?
(PIMENTA, Paula et al. Um ano inesquecível. 1ª edição. Belo Horizonte: Editora Gutenberg, 2015.)

QUESTÃO 6 – A única alternativa cuja palavra NÃO pertence à classe gramatical dos substantivos é:
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Coesão Referencial

Colégio Militar de Belo Horizonte (CMBH) 2015 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 2
Minha vida fora de série
Sally: A parte mais difícil de seguir em frente é não olhar pra trás. (Felicity )
1 “Lembre-se de fazer um pedido antes de apagar as velas, Priscila!”
Minha mãe estava louca se achava que tinha alguma possibilidade de eu ter me esquecido da
melhor parte. Fechei os olhos para me concentrar melhor e falei: “Eu quero voltar pra São Paulo!”
“Ai, sua burra! Não pode falar o desejo em voz alta, senão não acontece!”
5 “Marina! Será que nem na hora dos parabéns você para de implicar?”
“O pedido da Priscila não vai se realizar. Mas não porque ela o mencionou em voz alta.” E
virando-se para mim, com uma expressão meio triste e cansada, ela acrescentou: “Meu bem, já
discutimos isso umas 50 vezes. Nossa vida agora é aqui...”.
Subitamente, perdi o interesse pelo enorme bolo de brigadeiro que estava na minha frente. Sem
10 me preocupar em apagar as velas, saí pisando duro em direção ao meu quarto. Antes de bater a porta
com força, gritei que, se eu não podia voltar pra São Paulo, então eu não queria nada, pois coisa
nenhuma em Belo Horizonte tinha o poder de me fazer feliz!
Deitei-me na cama e comecei a me lembrar de como o meu aniversário do ano anterior havia
sido diferente. Eu tinha convidado todas as minhas amigas para nadar na minha casa, meu pai havia
15 feito um churrasco, e o dia não poderia ter sido mais feliz. Como eu gostaria de voltar no tempo...
Ouvi uma batida na porta e apenas mandei que a pessoa fosse embora. Era minha prima. Ela
entrou, fechou a porta atrás de si e se sentou na minha cama, sem me pedir minha permissão. Peguei
uma revista e comecei a folhear, pra que ela percebesse que eu não queria conversa.
“Pri...”, ela começou baixinho. “Sua mãe ficou triste... ela está quase chorando lá embaixo.”
20 “Agora você já tem 13 anos, não pode continuar agindo como um caramujo que se esconde na
concha a cada contrariedade!”
Isso fez com que eu fechasse a revista com força. Ela tinha conseguido me deixar ainda mais
brava.
“E você é muito adulta pra me dar conselhos, não é?”, eu disse, me levantando. “Quantos anos
25 você tem mesmo? Treze anos e nove meses, se me lembro bem?”
“Priscila, na verdade a idade não importa, mas sim o fato de que você deveria apoiar a sua mãe!
Você acha que não está sendo difícil pra ela também? Ela acabou de se separar do seu pai! Deve estar
sofrendo muito por causa disso! Não precisa também de uma filha mimada pra tornar as coisas ainda
mais complicadas pra ela nesse momento!”
30 Eu sabia que minha mãe estava sofrendo. Ela fazia de tudo para esconder, mas eu a escutava
chorar trancada no quarto algumas vezes e reparava nos olhos inchados com os quais ela vinha
acordando todas as manhãs. Eu imaginava que ela devia estar chorando bastante de madrugada. Tudo o
que eu mais queria era poder aliviar esse sofrimento dela, mas eu estava tão infeliz também, que nem
conseguia fingir. E eu sabia que isso a deixava ainda mais triste.
35 “Mas por que ela tinha que resolver se mudar?”, eu me sentei. “Por que ela tinha que mudar a
nossa vida inteira? E por que ela não me deixou ficar lá com meu pai e meu irmão?”
No processo de separação de meus pais, eles dividiram tudo... inclusive os filhos e os animais de
estimação. Eu, o Biscoito, a Snow e o Biju viemos com minha mãe pra BH. O meu irmão, a Duna, o
Chico e o Pavarotti permaneceram com meu pai, em São Paulo. Esse acordo maluco, de dividir tudo,
40 podia muito bem funcionar pra eles, que quiseram parecer justos um com o outro, mas para mim foi
muito pior! [...] (Texto adaptado)
(PIMENTA, Paula. Minha vida fora de série: 1ª temporada. 7ª edição. Belo Horizonte: Gutenberg, 2013.)

QUESTÃO 7 – Observe o termo grifado na frase a seguir:

Frase em itálico: “O pedido da Priscila não vai se realizar. Mas não porque ela o mencionou em voz alta.” (Texto 2 - ℓ. 6), com o pronome “o” antes de “mencionou” sublinhado.
O termo o retoma:
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Pontuação — Vírgula

Colégio Militar de Belo Horizonte (CMBH) 2015 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 2
Minha vida fora de série
Sally: A parte mais difícil de seguir em frente é não olhar pra trás. (Felicity )
1 “Lembre-se de fazer um pedido antes de apagar as velas, Priscila!”
Minha mãe estava louca se achava que tinha alguma possibilidade de eu ter me esquecido da
melhor parte. Fechei os olhos para me concentrar melhor e falei: “Eu quero voltar pra São Paulo!”
“Ai, sua burra! Não pode falar o desejo em voz alta, senão não acontece!”
5 “Marina! Será que nem na hora dos parabéns você para de implicar?”
“O pedido da Priscila não vai se realizar. Mas não porque ela o mencionou em voz alta.” E
virando-se para mim, com uma expressão meio triste e cansada, ela acrescentou: “Meu bem, já
discutimos isso umas 50 vezes. Nossa vida agora é aqui...”.
Subitamente, perdi o interesse pelo enorme bolo de brigadeiro que estava na minha frente. Sem
10 me preocupar em apagar as velas, saí pisando duro em direção ao meu quarto. Antes de bater a porta
com força, gritei que, se eu não podia voltar pra São Paulo, então eu não queria nada, pois coisa
nenhuma em Belo Horizonte tinha o poder de me fazer feliz!
Deitei-me na cama e comecei a me lembrar de como o meu aniversário do ano anterior havia
sido diferente. Eu tinha convidado todas as minhas amigas para nadar na minha casa, meu pai havia
15 feito um churrasco, e o dia não poderia ter sido mais feliz. Como eu gostaria de voltar no tempo...
Ouvi uma batida na porta e apenas mandei que a pessoa fosse embora. Era minha prima. Ela
entrou, fechou a porta atrás de si e se sentou na minha cama, sem me pedir minha permissão. Peguei
uma revista e comecei a folhear, pra que ela percebesse que eu não queria conversa.
“Pri...”, ela começou baixinho. “Sua mãe ficou triste... ela está quase chorando lá embaixo.”
20 “Agora você já tem 13 anos, não pode continuar agindo como um caramujo que se esconde na
concha a cada contrariedade!”
Isso fez com que eu fechasse a revista com força. Ela tinha conseguido me deixar ainda mais
brava.
“E você é muito adulta pra me dar conselhos, não é?”, eu disse, me levantando. “Quantos anos
25 você tem mesmo? Treze anos e nove meses, se me lembro bem?”
“Priscila, na verdade a idade não importa, mas sim o fato de que você deveria apoiar a sua mãe!
Você acha que não está sendo difícil pra ela também? Ela acabou de se separar do seu pai! Deve estar
sofrendo muito por causa disso! Não precisa também de uma filha mimada pra tornar as coisas ainda
mais complicadas pra ela nesse momento!”
30 Eu sabia que minha mãe estava sofrendo. Ela fazia de tudo para esconder, mas eu a escutava
chorar trancada no quarto algumas vezes e reparava nos olhos inchados com os quais ela vinha
acordando todas as manhãs. Eu imaginava que ela devia estar chorando bastante de madrugada. Tudo o
que eu mais queria era poder aliviar esse sofrimento dela, mas eu estava tão infeliz também, que nem
conseguia fingir. E eu sabia que isso a deixava ainda mais triste.
35 “Mas por que ela tinha que resolver se mudar?”, eu me sentei. “Por que ela tinha que mudar a
nossa vida inteira? E por que ela não me deixou ficar lá com meu pai e meu irmão?”
No processo de separação de meus pais, eles dividiram tudo... inclusive os filhos e os animais de
estimação. Eu, o Biscoito, a Snow e o Biju viemos com minha mãe pra BH. O meu irmão, a Duna, o
Chico e o Pavarotti permaneceram com meu pai, em São Paulo. Esse acordo maluco, de dividir tudo,
40 podia muito bem funcionar pra eles, que quiseram parecer justos um com o outro, mas para mim foi
muito pior! [...] (Texto adaptado)
(PIMENTA, Paula. Minha vida fora de série: 1ª temporada. 7ª edição. Belo Horizonte: Gutenberg, 2013.)

QUESTÃO 8 – A vírgula só não foi empregada pelo mesmo motivo em:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Uso da vírgula: alternativa com motivo diferente.

Em A, B, D e E a vírgula isola vocativo ou interjeição: 'Meu bem', 'Priscila', 'Ai' e 'Priscila'. Em C, 'Subitamente' é um adjunto adverbial deslocado para o início da frase, o que é outro motivo.

Análise das alternativas

A, B, D e E) Usam a vírgula para separar vocativo ou interjeição, o mesmo motivo entre si. Só C tem motivo diferente.

Referência: Pontuação: vírgula, vocativo e adjunto adverbial.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Elementos da Narrativa

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Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 2
Minha vida fora de série
Sally: A parte mais difícil de seguir em frente é não olhar pra trás. (Felicity )
1 “Lembre-se de fazer um pedido antes de apagar as velas, Priscila!”
Minha mãe estava louca se achava que tinha alguma possibilidade de eu ter me esquecido da
melhor parte. Fechei os olhos para me concentrar melhor e falei: “Eu quero voltar pra São Paulo!”
“Ai, sua burra! Não pode falar o desejo em voz alta, senão não acontece!”
5 “Marina! Será que nem na hora dos parabéns você para de implicar?”
“O pedido da Priscila não vai se realizar. Mas não porque ela o mencionou em voz alta.” E
virando-se para mim, com uma expressão meio triste e cansada, ela acrescentou: “Meu bem, já
discutimos isso umas 50 vezes. Nossa vida agora é aqui...”.
Subitamente, perdi o interesse pelo enorme bolo de brigadeiro que estava na minha frente. Sem
10 me preocupar em apagar as velas, saí pisando duro em direção ao meu quarto. Antes de bater a porta
com força, gritei que, se eu não podia voltar pra São Paulo, então eu não queria nada, pois coisa
nenhuma em Belo Horizonte tinha o poder de me fazer feliz!
Deitei-me na cama e comecei a me lembrar de como o meu aniversário do ano anterior havia
sido diferente. Eu tinha convidado todas as minhas amigas para nadar na minha casa, meu pai havia
15 feito um churrasco, e o dia não poderia ter sido mais feliz. Como eu gostaria de voltar no tempo...
Ouvi uma batida na porta e apenas mandei que a pessoa fosse embora. Era minha prima. Ela
entrou, fechou a porta atrás de si e se sentou na minha cama, sem me pedir minha permissão. Peguei
uma revista e comecei a folhear, pra que ela percebesse que eu não queria conversa.
“Pri...”, ela começou baixinho. “Sua mãe ficou triste... ela está quase chorando lá embaixo.”
20 “Agora você já tem 13 anos, não pode continuar agindo como um caramujo que se esconde na
concha a cada contrariedade!”
Isso fez com que eu fechasse a revista com força. Ela tinha conseguido me deixar ainda mais
brava.
“E você é muito adulta pra me dar conselhos, não é?”, eu disse, me levantando. “Quantos anos
25 você tem mesmo? Treze anos e nove meses, se me lembro bem?”
“Priscila, na verdade a idade não importa, mas sim o fato de que você deveria apoiar a sua mãe!
Você acha que não está sendo difícil pra ela também? Ela acabou de se separar do seu pai! Deve estar
sofrendo muito por causa disso! Não precisa também de uma filha mimada pra tornar as coisas ainda
mais complicadas pra ela nesse momento!”
30 Eu sabia que minha mãe estava sofrendo. Ela fazia de tudo para esconder, mas eu a escutava
chorar trancada no quarto algumas vezes e reparava nos olhos inchados com os quais ela vinha
acordando todas as manhãs. Eu imaginava que ela devia estar chorando bastante de madrugada. Tudo o
que eu mais queria era poder aliviar esse sofrimento dela, mas eu estava tão infeliz também, que nem
conseguia fingir. E eu sabia que isso a deixava ainda mais triste.
35 “Mas por que ela tinha que resolver se mudar?”, eu me sentei. “Por que ela tinha que mudar a
nossa vida inteira? E por que ela não me deixou ficar lá com meu pai e meu irmão?”
No processo de separação de meus pais, eles dividiram tudo... inclusive os filhos e os animais de
estimação. Eu, o Biscoito, a Snow e o Biju viemos com minha mãe pra BH. O meu irmão, a Duna, o
Chico e o Pavarotti permaneceram com meu pai, em São Paulo. Esse acordo maluco, de dividir tudo,
40 podia muito bem funcionar pra eles, que quiseram parecer justos um com o outro, mas para mim foi
muito pior! [...] (Texto adaptado)
(PIMENTA, Paula. Minha vida fora de série: 1ª temporada. 7ª edição. Belo Horizonte: Gutenberg, 2013.)

QUESTÃO 9 – No Texto 2, o conflito do texto é iniciado com a frase:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Início do conflito no Texto 2.

O conflito começa quando Priscila diz seu desejo, 'Eu quero voltar pra São Paulo!', o que contraria a realidade da mudança e desencadeia a discussão.

Análise das alternativas

A) Errada: é a reação da mãe, que já decorre do conflito. C) Errada: acontece depois, na briga com a prima. D) Errada: é uma informação de contexto. E) Errada: é um questionamento posterior, que desenvolve o conflito.

Referência: Elementos da narrativa: conflito.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Classes de Palavras

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TEXTO 2
Minha vida fora de série
Sally: A parte mais difícil de seguir em frente é não olhar pra trás. (Felicity )
1 “Lembre-se de fazer um pedido antes de apagar as velas, Priscila!”
Minha mãe estava louca se achava que tinha alguma possibilidade de eu ter me esquecido da
melhor parte. Fechei os olhos para me concentrar melhor e falei: “Eu quero voltar pra São Paulo!”
“Ai, sua burra! Não pode falar o desejo em voz alta, senão não acontece!”
5 “Marina! Será que nem na hora dos parabéns você para de implicar?”
“O pedido da Priscila não vai se realizar. Mas não porque ela o mencionou em voz alta.” E
virando-se para mim, com uma expressão meio triste e cansada, ela acrescentou: “Meu bem, já
discutimos isso umas 50 vezes. Nossa vida agora é aqui...”.
Subitamente, perdi o interesse pelo enorme bolo de brigadeiro que estava na minha frente. Sem
10 me preocupar em apagar as velas, saí pisando duro em direção ao meu quarto. Antes de bater a porta
com força, gritei que, se eu não podia voltar pra São Paulo, então eu não queria nada, pois coisa
nenhuma em Belo Horizonte tinha o poder de me fazer feliz!
Deitei-me na cama e comecei a me lembrar de como o meu aniversário do ano anterior havia
sido diferente. Eu tinha convidado todas as minhas amigas para nadar na minha casa, meu pai havia
15 feito um churrasco, e o dia não poderia ter sido mais feliz. Como eu gostaria de voltar no tempo...
Ouvi uma batida na porta e apenas mandei que a pessoa fosse embora. Era minha prima. Ela
entrou, fechou a porta atrás de si e se sentou na minha cama, sem me pedir minha permissão. Peguei
uma revista e comecei a folhear, pra que ela percebesse que eu não queria conversa.
“Pri...”, ela começou baixinho. “Sua mãe ficou triste... ela está quase chorando lá embaixo.”
20 “Agora você já tem 13 anos, não pode continuar agindo como um caramujo que se esconde na
concha a cada contrariedade!”
Isso fez com que eu fechasse a revista com força. Ela tinha conseguido me deixar ainda mais
brava.
“E você é muito adulta pra me dar conselhos, não é?”, eu disse, me levantando. “Quantos anos
25 você tem mesmo? Treze anos e nove meses, se me lembro bem?”
“Priscila, na verdade a idade não importa, mas sim o fato de que você deveria apoiar a sua mãe!
Você acha que não está sendo difícil pra ela também? Ela acabou de se separar do seu pai! Deve estar
sofrendo muito por causa disso! Não precisa também de uma filha mimada pra tornar as coisas ainda
mais complicadas pra ela nesse momento!”
30 Eu sabia que minha mãe estava sofrendo. Ela fazia de tudo para esconder, mas eu a escutava
chorar trancada no quarto algumas vezes e reparava nos olhos inchados com os quais ela vinha
acordando todas as manhãs. Eu imaginava que ela devia estar chorando bastante de madrugada. Tudo o
que eu mais queria era poder aliviar esse sofrimento dela, mas eu estava tão infeliz também, que nem
conseguia fingir. E eu sabia que isso a deixava ainda mais triste.
35 “Mas por que ela tinha que resolver se mudar?”, eu me sentei. “Por que ela tinha que mudar a
nossa vida inteira? E por que ela não me deixou ficar lá com meu pai e meu irmão?”
No processo de separação de meus pais, eles dividiram tudo... inclusive os filhos e os animais de
estimação. Eu, o Biscoito, a Snow e o Biju viemos com minha mãe pra BH. O meu irmão, a Duna, o
Chico e o Pavarotti permaneceram com meu pai, em São Paulo. Esse acordo maluco, de dividir tudo,
40 podia muito bem funcionar pra eles, que quiseram parecer justos um com o outro, mas para mim foi
muito pior! [...] (Texto adaptado)
(PIMENTA, Paula. Minha vida fora de série: 1ª temporada. 7ª edição. Belo Horizonte: Gutenberg, 2013.)

QUESTÃO 10 – Todas as palavras destacadas pertencem à mesma classe gramatical, a não ser em:
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Pronomes Possessivos

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TEXTO 2
Minha vida fora de série
Sally: A parte mais difícil de seguir em frente é não olhar pra trás. (Felicity )
1 “Lembre-se de fazer um pedido antes de apagar as velas, Priscila!”
Minha mãe estava louca se achava que tinha alguma possibilidade de eu ter me esquecido da
melhor parte. Fechei os olhos para me concentrar melhor e falei: “Eu quero voltar pra São Paulo!”
“Ai, sua burra! Não pode falar o desejo em voz alta, senão não acontece!”
5 “Marina! Será que nem na hora dos parabéns você para de implicar?”
“O pedido da Priscila não vai se realizar. Mas não porque ela o mencionou em voz alta.” E
virando-se para mim, com uma expressão meio triste e cansada, ela acrescentou: “Meu bem, já
discutimos isso umas 50 vezes. Nossa vida agora é aqui...”.
Subitamente, perdi o interesse pelo enorme bolo de brigadeiro que estava na minha frente. Sem
10 me preocupar em apagar as velas, saí pisando duro em direção ao meu quarto. Antes de bater a porta
com força, gritei que, se eu não podia voltar pra São Paulo, então eu não queria nada, pois coisa
nenhuma em Belo Horizonte tinha o poder de me fazer feliz!
Deitei-me na cama e comecei a me lembrar de como o meu aniversário do ano anterior havia
sido diferente. Eu tinha convidado todas as minhas amigas para nadar na minha casa, meu pai havia
15 feito um churrasco, e o dia não poderia ter sido mais feliz. Como eu gostaria de voltar no tempo...
Ouvi uma batida na porta e apenas mandei que a pessoa fosse embora. Era minha prima. Ela
entrou, fechou a porta atrás de si e se sentou na minha cama, sem me pedir minha permissão. Peguei
uma revista e comecei a folhear, pra que ela percebesse que eu não queria conversa.
“Pri...”, ela começou baixinho. “Sua mãe ficou triste... ela está quase chorando lá embaixo.”
20 “Agora você já tem 13 anos, não pode continuar agindo como um caramujo que se esconde na
concha a cada contrariedade!”
Isso fez com que eu fechasse a revista com força. Ela tinha conseguido me deixar ainda mais
brava.
“E você é muito adulta pra me dar conselhos, não é?”, eu disse, me levantando. “Quantos anos
25 você tem mesmo? Treze anos e nove meses, se me lembro bem?”
“Priscila, na verdade a idade não importa, mas sim o fato de que você deveria apoiar a sua mãe!
Você acha que não está sendo difícil pra ela também? Ela acabou de se separar do seu pai! Deve estar
sofrendo muito por causa disso! Não precisa também de uma filha mimada pra tornar as coisas ainda
mais complicadas pra ela nesse momento!”
30 Eu sabia que minha mãe estava sofrendo. Ela fazia de tudo para esconder, mas eu a escutava
chorar trancada no quarto algumas vezes e reparava nos olhos inchados com os quais ela vinha
acordando todas as manhãs. Eu imaginava que ela devia estar chorando bastante de madrugada. Tudo o
que eu mais queria era poder aliviar esse sofrimento dela, mas eu estava tão infeliz também, que nem
conseguia fingir. E eu sabia que isso a deixava ainda mais triste.
35 “Mas por que ela tinha que resolver se mudar?”, eu me sentei. “Por que ela tinha que mudar a
nossa vida inteira? E por que ela não me deixou ficar lá com meu pai e meu irmão?”
No processo de separação de meus pais, eles dividiram tudo... inclusive os filhos e os animais de
estimação. Eu, o Biscoito, a Snow e o Biju viemos com minha mãe pra BH. O meu irmão, a Duna, o
Chico e o Pavarotti permaneceram com meu pai, em São Paulo. Esse acordo maluco, de dividir tudo,
40 podia muito bem funcionar pra eles, que quiseram parecer justos um com o outro, mas para mim foi
muito pior! [...] (Texto adaptado)
(PIMENTA, Paula. Minha vida fora de série: 1ª temporada. 7ª edição. Belo Horizonte: Gutenberg, 2013.)

QUESTÃO 11 – Marque a alternativa em que a palavra destacada não traduz ideia de posse.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Coesão Referencial

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TEXTO 2
Minha vida fora de série
Sally: A parte mais difícil de seguir em frente é não olhar pra trás. (Felicity )
1 “Lembre-se de fazer um pedido antes de apagar as velas, Priscila!”
Minha mãe estava louca se achava que tinha alguma possibilidade de eu ter me esquecido da
melhor parte. Fechei os olhos para me concentrar melhor e falei: “Eu quero voltar pra São Paulo!”
“Ai, sua burra! Não pode falar o desejo em voz alta, senão não acontece!”
5 “Marina! Será que nem na hora dos parabéns você para de implicar?”
“O pedido da Priscila não vai se realizar. Mas não porque ela o mencionou em voz alta.” E
virando-se para mim, com uma expressão meio triste e cansada, ela acrescentou: “Meu bem, já
discutimos isso umas 50 vezes. Nossa vida agora é aqui...”.
Subitamente, perdi o interesse pelo enorme bolo de brigadeiro que estava na minha frente. Sem
10 me preocupar em apagar as velas, saí pisando duro em direção ao meu quarto. Antes de bater a porta
com força, gritei que, se eu não podia voltar pra São Paulo, então eu não queria nada, pois coisa
nenhuma em Belo Horizonte tinha o poder de me fazer feliz!
Deitei-me na cama e comecei a me lembrar de como o meu aniversário do ano anterior havia
sido diferente. Eu tinha convidado todas as minhas amigas para nadar na minha casa, meu pai havia
15 feito um churrasco, e o dia não poderia ter sido mais feliz. Como eu gostaria de voltar no tempo...
Ouvi uma batida na porta e apenas mandei que a pessoa fosse embora. Era minha prima. Ela
entrou, fechou a porta atrás de si e se sentou na minha cama, sem me pedir minha permissão. Peguei
uma revista e comecei a folhear, pra que ela percebesse que eu não queria conversa.
“Pri...”, ela começou baixinho. “Sua mãe ficou triste... ela está quase chorando lá embaixo.”
20 “Agora você já tem 13 anos, não pode continuar agindo como um caramujo que se esconde na
concha a cada contrariedade!”
Isso fez com que eu fechasse a revista com força. Ela tinha conseguido me deixar ainda mais
brava.
“E você é muito adulta pra me dar conselhos, não é?”, eu disse, me levantando. “Quantos anos
25 você tem mesmo? Treze anos e nove meses, se me lembro bem?”
“Priscila, na verdade a idade não importa, mas sim o fato de que você deveria apoiar a sua mãe!
Você acha que não está sendo difícil pra ela também? Ela acabou de se separar do seu pai! Deve estar
sofrendo muito por causa disso! Não precisa também de uma filha mimada pra tornar as coisas ainda
mais complicadas pra ela nesse momento!”
30 Eu sabia que minha mãe estava sofrendo. Ela fazia de tudo para esconder, mas eu a escutava
chorar trancada no quarto algumas vezes e reparava nos olhos inchados com os quais ela vinha
acordando todas as manhãs. Eu imaginava que ela devia estar chorando bastante de madrugada. Tudo o
que eu mais queria era poder aliviar esse sofrimento dela, mas eu estava tão infeliz também, que nem
conseguia fingir. E eu sabia que isso a deixava ainda mais triste.
35 “Mas por que ela tinha que resolver se mudar?”, eu me sentei. “Por que ela tinha que mudar a
nossa vida inteira? E por que ela não me deixou ficar lá com meu pai e meu irmão?”
No processo de separação de meus pais, eles dividiram tudo... inclusive os filhos e os animais de
estimação. Eu, o Biscoito, a Snow e o Biju viemos com minha mãe pra BH. O meu irmão, a Duna, o
Chico e o Pavarotti permaneceram com meu pai, em São Paulo. Esse acordo maluco, de dividir tudo,
40 podia muito bem funcionar pra eles, que quiseram parecer justos um com o outro, mas para mim foi
muito pior! [...] (Texto adaptado)
(PIMENTA, Paula. Minha vida fora de série: 1ª temporada. 7ª edição. Belo Horizonte: Gutenberg, 2013.)

QUESTÃO 12 – Observe a palavra destacada no trecho: “E eu sabia que isso a deixava ainda mais triste.” (Texto 2 - ℓ. 34). A alternativa, que representa a situação do pronome isso, refere-se ao/à:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Referente do pronome 'isso'.

No período 'eu estava tão infeliz também, que nem conseguia fingir. E eu sabia que isso a deixava ainda mais triste', 'isso' retoma o fato de Priscila não conseguir fingir felicidade, ou seja, demonstrar sua infelicidade.

Análise das alternativas

A, C e D) Erradas: tratam de comportamentos da mãe, e o pronome se refere ao que Priscila faz. E) Errada: Priscila queria aliviar o sofrimento da mãe, mas o que entristece a mãe é a infelicidade explícita da filha, e não a incapacidade de aliviá-lo.

Referência: Coesão referencial; pronomes demonstrativos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

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Texto-base:
TEXTO 2
Minha vida fora de série
Sally: A parte mais difícil de seguir em frente é não olhar pra trás. (Felicity )
1 “Lembre-se de fazer um pedido antes de apagar as velas, Priscila!”
Minha mãe estava louca se achava que tinha alguma possibilidade de eu ter me esquecido da
melhor parte. Fechei os olhos para me concentrar melhor e falei: “Eu quero voltar pra São Paulo!”
“Ai, sua burra! Não pode falar o desejo em voz alta, senão não acontece!”
5 “Marina! Será que nem na hora dos parabéns você para de implicar?”
“O pedido da Priscila não vai se realizar. Mas não porque ela o mencionou em voz alta.” E
virando-se para mim, com uma expressão meio triste e cansada, ela acrescentou: “Meu bem, já
discutimos isso umas 50 vezes. Nossa vida agora é aqui...”.
Subitamente, perdi o interesse pelo enorme bolo de brigadeiro que estava na minha frente. Sem
10 me preocupar em apagar as velas, saí pisando duro em direção ao meu quarto. Antes de bater a porta
com força, gritei que, se eu não podia voltar pra São Paulo, então eu não queria nada, pois coisa
nenhuma em Belo Horizonte tinha o poder de me fazer feliz!
Deitei-me na cama e comecei a me lembrar de como o meu aniversário do ano anterior havia
sido diferente. Eu tinha convidado todas as minhas amigas para nadar na minha casa, meu pai havia
15 feito um churrasco, e o dia não poderia ter sido mais feliz. Como eu gostaria de voltar no tempo...
Ouvi uma batida na porta e apenas mandei que a pessoa fosse embora. Era minha prima. Ela
entrou, fechou a porta atrás de si e se sentou na minha cama, sem me pedir minha permissão. Peguei
uma revista e comecei a folhear, pra que ela percebesse que eu não queria conversa.
“Pri...”, ela começou baixinho. “Sua mãe ficou triste... ela está quase chorando lá embaixo.”
20 “Agora você já tem 13 anos, não pode continuar agindo como um caramujo que se esconde na
concha a cada contrariedade!”
Isso fez com que eu fechasse a revista com força. Ela tinha conseguido me deixar ainda mais
brava.
“E você é muito adulta pra me dar conselhos, não é?”, eu disse, me levantando. “Quantos anos
25 você tem mesmo? Treze anos e nove meses, se me lembro bem?”
“Priscila, na verdade a idade não importa, mas sim o fato de que você deveria apoiar a sua mãe!
Você acha que não está sendo difícil pra ela também? Ela acabou de se separar do seu pai! Deve estar
sofrendo muito por causa disso! Não precisa também de uma filha mimada pra tornar as coisas ainda
mais complicadas pra ela nesse momento!”
30 Eu sabia que minha mãe estava sofrendo. Ela fazia de tudo para esconder, mas eu a escutava
chorar trancada no quarto algumas vezes e reparava nos olhos inchados com os quais ela vinha
acordando todas as manhãs. Eu imaginava que ela devia estar chorando bastante de madrugada. Tudo o
que eu mais queria era poder aliviar esse sofrimento dela, mas eu estava tão infeliz também, que nem
conseguia fingir. E eu sabia que isso a deixava ainda mais triste.
35 “Mas por que ela tinha que resolver se mudar?”, eu me sentei. “Por que ela tinha que mudar a
nossa vida inteira? E por que ela não me deixou ficar lá com meu pai e meu irmão?”
No processo de separação de meus pais, eles dividiram tudo... inclusive os filhos e os animais de
estimação. Eu, o Biscoito, a Snow e o Biju viemos com minha mãe pra BH. O meu irmão, a Duna, o
Chico e o Pavarotti permaneceram com meu pai, em São Paulo. Esse acordo maluco, de dividir tudo,
40 podia muito bem funcionar pra eles, que quiseram parecer justos um com o outro, mas para mim foi
muito pior! [...] (Texto adaptado)
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QUESTÃO 13 – Sobre o modo de apresentação do Texto 2, considere as afirmações a seguir:

I- A utilização da primeira pessoa do singular coloca em destaque o discurso direto.
II- A divisão do texto entre o “aqui” e o “lá” mudam os sentimentos de Chico e Pavaroti.
III- O irmão de Priscila, o Pavaroti, permaneceu em São Paulo.
IV- Priscila era uma adolescente insatisfeita com as mudanças ocorridas a partir da separação de seus pais, não conseguindo esconder esse sentimento.

Das afirmações feitas acima, pode-se considerar a correta:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Afirmações sobre o modo de apresentação do Texto 2.

Só a afirmação IV é correta: Priscila está insatisfeita com as mudanças após a separação dos pais e não consegue disfarçar isso, como o texto diz com 'nem conseguia fingir'.

Análise das alternativas

I) Errada: a primeira pessoa indica narrador-personagem, e não destaca o discurso direto. II) Errada: Chico e Pavarotti são animais de estimação, e a divisão 'aqui/lá' não muda os sentimentos deles. III) Errada: Pavarotti é um animal, e não o irmão de Priscila.

Referência: Interpretação de texto; foco narrativo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Coesão Referencial

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Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
O som dos sentimentos
Babi Dewett
1 João Paulo tirou a mochila preta dos ombros e a colocou no chão, perto dos pés, e, ao lado dela,
apoiou a caixa dura e surrada de couro onde trazia seu violão. Respirou fundo, afastou os cabelos loiros
da testa, desgrudando-os um pouco do suor que escorria, e olhou para os lados analisando o lugar que
tinha escolhido para apresentar-se nos próximos meses. Era tão movimentado, que muita gente passava
5 sem notar o garoto de 19 anos alto, magro e desengonçado plantado no meio da calçada, já que não era o
único músico lá. Enquanto retirava seu instrumento da caixa, uma ou duas pessoas esbarravam na sua
mochila, mas João continuou focado em preparar-se, passando a correia do violão pelo ombro e afinando
as cordas.
Apesar de todo o barulho daquele espaço aberto e da quantidade de gente que passava apressada
10 por ali por causa do horário de almoço, sabia que seria um enorme desafio, mas seu plano era seguir em
frente. Não haveria público melhor que aquelas pessoas, que nem desconfiavam que eram consideradas
um público. Para João, aquele era um ritual de passagem, como havia sido para muitos outros estudantes
do Conservatório Musical, que ficava ali perto, na Avenida 9 de Julho.
Atrás e acima do garoto, imponente, erguia-se o Museu de Arte de São Paulo, o famoso MASP.
15 Bonito e moderno, estava situado na avenida que tinha feito João se apaixonar pela capital paulistana
desde o primeiro dia que chegou à cidade para estudar música, dois anos antes, vindo de Belo Horizonte.
A fachada do museu parecia cenário de filme, e o enorme vão que existia entre suas duas gigantescas
pilastras vermelhas estava sempre cheio de gente. Era um ótimo lugar para o rapaz passar suas tardes
tocando, quando saía do Conservatório, depois das aulas da manhã.
20 Ele achava triste ver que tantas pessoas corriam do metrô para os prédios comerciais, e dos
prédios para os ônibus ou para as ruas transversais, sem notar toda a beleza que a Avenida Paulista tinha
em seu concreto e seriedade. Mas João era apaixonado pelas pequenas coisas, pela beleza sutil dos
detalhes, e por isso mesmo gostava tanto de música. Os acordes, os sons, as notas e a maneira incrível
como a melodia exercia um poder imenso sobre as pessoas, não importando se músico ou ouvinte,
25 fascinavam o rapaz. Para ele, sons eram universais, e ele tinha certeza de que conseguiria mostrar isso ao
mundo, estudando muito e fazendo um ótimo trabalho no Conservatório.
Naquele início de tarde de um outono recém-chegado, no dia 22 de março, o primeiro acorde no
violão de madeira clara soou na grande avenida pelas mãos de João Paulo. Diante dele e de seu
instrumento, um pequeno pote para moedas era um convite para os passantes depositarem sua
30 contribuição. Ele estava decidido a arrecadar qualquer quantia em dinheiro, não para ele, mas para doar
para outras pessoas e, quem sabe, mudar suas vidas, por mais poético e impossível que isso pudesse
parecer.
Deixando-se levar por um sentimento maior de idealismo, pensando nas contribuições que viriam
e em sua paixão pela música, João Paulo começou a entoar “Blackbird”, dos Beatles. Sua voz não era
35 suave nem bonita, mas grave e até um pouco desafinada, porém ele conseguia emitir as notas e cantar
sem esforço. Ainda tentando se concentrar naquele novo “trabalho”, ficou mais calmo quando conseguiu
arrancar sorrisos de dois senhores engravatados que passavam e de uma moça que empurrava um
carrinho de bebê, e parou para ouvir. Foram poucos em sua plateia, mas quem sabe não seria mais fácil
depois de alguns dias?
(PIMENTA, Paula et al. Um ano inesquecível. 1ª edição. Belo Horizonte: Editora Gutenberg, 2015.)

Texto-base:
TEXTO 2
Minha vida fora de série
Sally: A parte mais difícil de seguir em frente é não olhar pra trás. (Felicity )
1 “Lembre-se de fazer um pedido antes de apagar as velas, Priscila!”
Minha mãe estava louca se achava que tinha alguma possibilidade de eu ter me esquecido da
melhor parte. Fechei os olhos para me concentrar melhor e falei: “Eu quero voltar pra São Paulo!”
“Ai, sua burra! Não pode falar o desejo em voz alta, senão não acontece!”
5 “Marina! Será que nem na hora dos parabéns você para de implicar?”
“O pedido da Priscila não vai se realizar. Mas não porque ela o mencionou em voz alta.” E
virando-se para mim, com uma expressão meio triste e cansada, ela acrescentou: “Meu bem, já
discutimos isso umas 50 vezes. Nossa vida agora é aqui...”.
Subitamente, perdi o interesse pelo enorme bolo de brigadeiro que estava na minha frente. Sem
10 me preocupar em apagar as velas, saí pisando duro em direção ao meu quarto. Antes de bater a porta
com força, gritei que, se eu não podia voltar pra São Paulo, então eu não queria nada, pois coisa
nenhuma em Belo Horizonte tinha o poder de me fazer feliz!
Deitei-me na cama e comecei a me lembrar de como o meu aniversário do ano anterior havia
sido diferente. Eu tinha convidado todas as minhas amigas para nadar na minha casa, meu pai havia
15 feito um churrasco, e o dia não poderia ter sido mais feliz. Como eu gostaria de voltar no tempo...
Ouvi uma batida na porta e apenas mandei que a pessoa fosse embora. Era minha prima. Ela
entrou, fechou a porta atrás de si e se sentou na minha cama, sem me pedir minha permissão. Peguei
uma revista e comecei a folhear, pra que ela percebesse que eu não queria conversa.
“Pri...”, ela começou baixinho. “Sua mãe ficou triste... ela está quase chorando lá embaixo.”
20 “Agora você já tem 13 anos, não pode continuar agindo como um caramujo que se esconde na
concha a cada contrariedade!”
Isso fez com que eu fechasse a revista com força. Ela tinha conseguido me deixar ainda mais
brava.
“E você é muito adulta pra me dar conselhos, não é?”, eu disse, me levantando. “Quantos anos
25 você tem mesmo? Treze anos e nove meses, se me lembro bem?”
“Priscila, na verdade a idade não importa, mas sim o fato de que você deveria apoiar a sua mãe!
Você acha que não está sendo difícil pra ela também? Ela acabou de se separar do seu pai! Deve estar
sofrendo muito por causa disso! Não precisa também de uma filha mimada pra tornar as coisas ainda
mais complicadas pra ela nesse momento!”
30 Eu sabia que minha mãe estava sofrendo. Ela fazia de tudo para esconder, mas eu a escutava
chorar trancada no quarto algumas vezes e reparava nos olhos inchados com os quais ela vinha
acordando todas as manhãs. Eu imaginava que ela devia estar chorando bastante de madrugada. Tudo o
que eu mais queria era poder aliviar esse sofrimento dela, mas eu estava tão infeliz também, que nem
conseguia fingir. E eu sabia que isso a deixava ainda mais triste.
35 “Mas por que ela tinha que resolver se mudar?”, eu me sentei. “Por que ela tinha que mudar a
nossa vida inteira? E por que ela não me deixou ficar lá com meu pai e meu irmão?”
No processo de separação de meus pais, eles dividiram tudo... inclusive os filhos e os animais de
estimação. Eu, o Biscoito, a Snow e o Biju viemos com minha mãe pra BH. O meu irmão, a Duna, o
Chico e o Pavarotti permaneceram com meu pai, em São Paulo. Esse acordo maluco, de dividir tudo,
40 podia muito bem funcionar pra eles, que quiseram parecer justos um com o outro, mas para mim foi
muito pior! [...] (Texto adaptado)
(PIMENTA, Paula. Minha vida fora de série: 1ª temporada. 7ª edição. Belo Horizonte: Gutenberg, 2013.)

QUESTÃO 14 – Observe a ocorrência do advérbio lá nos dois textos:

I – “[...] já que não era o único músico lá.” (Texto 1 - ℓ. 5 e 6)
II – “E por que ela não me deixou ficar lá com meu pai e meu irmão?” (Texto 2 - ℓ. 36).

Agora, assinale a alternativa correta quanto ao emprego contextualizado dessa palavra nas ocorrências acima.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Referente do advérbio 'lá' nos dois textos.

No Texto 1, 'lá' retoma o local da apresentação, a Avenida Paulista, em São Paulo. No Texto 2, Priscila queria ficar 'lá' com o pai e o irmão, que permaneceram em São Paulo. Nos dois casos, o 'lá' se refere a São Paulo.

Análise das alternativas

A, C e E) Erradas: em nenhuma das ocorrências o 'lá' se refere a Belo Horizonte, que no Texto 2 é o 'aqui' e no Texto 1 é a cidade de origem de João. B) Errada: o 'lá' do Texto 2 também se refere a São Paulo.

Referência: Coesão referencial; advérbios dêiticos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Belo Horizonte (CMBH) 2015 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
O som dos sentimentos
Babi Dewett
1 João Paulo tirou a mochila preta dos ombros e a colocou no chão, perto dos pés, e, ao lado dela,
apoiou a caixa dura e surrada de couro onde trazia seu violão. Respirou fundo, afastou os cabelos loiros
da testa, desgrudando-os um pouco do suor que escorria, e olhou para os lados analisando o lugar que
tinha escolhido para apresentar-se nos próximos meses. Era tão movimentado, que muita gente passava
5 sem notar o garoto de 19 anos alto, magro e desengonçado plantado no meio da calçada, já que não era o
único músico lá. Enquanto retirava seu instrumento da caixa, uma ou duas pessoas esbarravam na sua
mochila, mas João continuou focado em preparar-se, passando a correia do violão pelo ombro e afinando
as cordas.
Apesar de todo o barulho daquele espaço aberto e da quantidade de gente que passava apressada
10 por ali por causa do horário de almoço, sabia que seria um enorme desafio, mas seu plano era seguir em
frente. Não haveria público melhor que aquelas pessoas, que nem desconfiavam que eram consideradas
um público. Para João, aquele era um ritual de passagem, como havia sido para muitos outros estudantes
do Conservatório Musical, que ficava ali perto, na Avenida 9 de Julho.
Atrás e acima do garoto, imponente, erguia-se o Museu de Arte de São Paulo, o famoso MASP.
15 Bonito e moderno, estava situado na avenida que tinha feito João se apaixonar pela capital paulistana
desde o primeiro dia que chegou à cidade para estudar música, dois anos antes, vindo de Belo Horizonte.
A fachada do museu parecia cenário de filme, e o enorme vão que existia entre suas duas gigantescas
pilastras vermelhas estava sempre cheio de gente. Era um ótimo lugar para o rapaz passar suas tardes
tocando, quando saía do Conservatório, depois das aulas da manhã.
20 Ele achava triste ver que tantas pessoas corriam do metrô para os prédios comerciais, e dos
prédios para os ônibus ou para as ruas transversais, sem notar toda a beleza que a Avenida Paulista tinha
em seu concreto e seriedade. Mas João era apaixonado pelas pequenas coisas, pela beleza sutil dos
detalhes, e por isso mesmo gostava tanto de música. Os acordes, os sons, as notas e a maneira incrível
como a melodia exercia um poder imenso sobre as pessoas, não importando se músico ou ouvinte,
25 fascinavam o rapaz. Para ele, sons eram universais, e ele tinha certeza de que conseguiria mostrar isso ao
mundo, estudando muito e fazendo um ótimo trabalho no Conservatório.
Naquele início de tarde de um outono recém-chegado, no dia 22 de março, o primeiro acorde no
violão de madeira clara soou na grande avenida pelas mãos de João Paulo. Diante dele e de seu
instrumento, um pequeno pote para moedas era um convite para os passantes depositarem sua
30 contribuição. Ele estava decidido a arrecadar qualquer quantia em dinheiro, não para ele, mas para doar
para outras pessoas e, quem sabe, mudar suas vidas, por mais poético e impossível que isso pudesse
parecer.
Deixando-se levar por um sentimento maior de idealismo, pensando nas contribuições que viriam
e em sua paixão pela música, João Paulo começou a entoar “Blackbird”, dos Beatles. Sua voz não era
35 suave nem bonita, mas grave e até um pouco desafinada, porém ele conseguia emitir as notas e cantar
sem esforço. Ainda tentando se concentrar naquele novo “trabalho”, ficou mais calmo quando conseguiu
arrancar sorrisos de dois senhores engravatados que passavam e de uma moça que empurrava um
carrinho de bebê, e parou para ouvir. Foram poucos em sua plateia, mas quem sabe não seria mais fácil
depois de alguns dias?
(PIMENTA, Paula et al. Um ano inesquecível. 1ª edição. Belo Horizonte: Editora Gutenberg, 2015.)

Texto-base:
TEXTO 2
Minha vida fora de série
Sally: A parte mais difícil de seguir em frente é não olhar pra trás. (Felicity )
1 “Lembre-se de fazer um pedido antes de apagar as velas, Priscila!”
Minha mãe estava louca se achava que tinha alguma possibilidade de eu ter me esquecido da
melhor parte. Fechei os olhos para me concentrar melhor e falei: “Eu quero voltar pra São Paulo!”
“Ai, sua burra! Não pode falar o desejo em voz alta, senão não acontece!”
5 “Marina! Será que nem na hora dos parabéns você para de implicar?”
“O pedido da Priscila não vai se realizar. Mas não porque ela o mencionou em voz alta.” E
virando-se para mim, com uma expressão meio triste e cansada, ela acrescentou: “Meu bem, já
discutimos isso umas 50 vezes. Nossa vida agora é aqui...”.
Subitamente, perdi o interesse pelo enorme bolo de brigadeiro que estava na minha frente. Sem
10 me preocupar em apagar as velas, saí pisando duro em direção ao meu quarto. Antes de bater a porta
com força, gritei que, se eu não podia voltar pra São Paulo, então eu não queria nada, pois coisa
nenhuma em Belo Horizonte tinha o poder de me fazer feliz!
Deitei-me na cama e comecei a me lembrar de como o meu aniversário do ano anterior havia
sido diferente. Eu tinha convidado todas as minhas amigas para nadar na minha casa, meu pai havia
15 feito um churrasco, e o dia não poderia ter sido mais feliz. Como eu gostaria de voltar no tempo...
Ouvi uma batida na porta e apenas mandei que a pessoa fosse embora. Era minha prima. Ela
entrou, fechou a porta atrás de si e se sentou na minha cama, sem me pedir minha permissão. Peguei
uma revista e comecei a folhear, pra que ela percebesse que eu não queria conversa.
“Pri...”, ela começou baixinho. “Sua mãe ficou triste... ela está quase chorando lá embaixo.”
20 “Agora você já tem 13 anos, não pode continuar agindo como um caramujo que se esconde na
concha a cada contrariedade!”
Isso fez com que eu fechasse a revista com força. Ela tinha conseguido me deixar ainda mais
brava.
“E você é muito adulta pra me dar conselhos, não é?”, eu disse, me levantando. “Quantos anos
25 você tem mesmo? Treze anos e nove meses, se me lembro bem?”
“Priscila, na verdade a idade não importa, mas sim o fato de que você deveria apoiar a sua mãe!
Você acha que não está sendo difícil pra ela também? Ela acabou de se separar do seu pai! Deve estar
sofrendo muito por causa disso! Não precisa também de uma filha mimada pra tornar as coisas ainda
mais complicadas pra ela nesse momento!”
30 Eu sabia que minha mãe estava sofrendo. Ela fazia de tudo para esconder, mas eu a escutava
chorar trancada no quarto algumas vezes e reparava nos olhos inchados com os quais ela vinha
acordando todas as manhãs. Eu imaginava que ela devia estar chorando bastante de madrugada. Tudo o
que eu mais queria era poder aliviar esse sofrimento dela, mas eu estava tão infeliz também, que nem
conseguia fingir. E eu sabia que isso a deixava ainda mais triste.
35 “Mas por que ela tinha que resolver se mudar?”, eu me sentei. “Por que ela tinha que mudar a
nossa vida inteira? E por que ela não me deixou ficar lá com meu pai e meu irmão?”
No processo de separação de meus pais, eles dividiram tudo... inclusive os filhos e os animais de
estimação. Eu, o Biscoito, a Snow e o Biju viemos com minha mãe pra BH. O meu irmão, a Duna, o
Chico e o Pavarotti permaneceram com meu pai, em São Paulo. Esse acordo maluco, de dividir tudo,
40 podia muito bem funcionar pra eles, que quiseram parecer justos um com o outro, mas para mim foi
muito pior! [...] (Texto adaptado)
(PIMENTA, Paula. Minha vida fora de série: 1ª temporada. 7ª edição. Belo Horizonte: Gutenberg, 2013.)

QUESTÃO 15 – Comparando os Textos 1 e 2 , é correto afirmar:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Comparação entre os Textos 1 e 2.

O Texto 1 é um texto narrativo em 3ª pessoa, com narrador observador, e o Texto 2 é narrado em 1ª pessoa, com diálogos, em formato de relato pessoal ou diário. Os gêneros, portanto, são diferentes.

Análise das alternativas

A) Errada: o Texto 1 se passa em São Paulo e o Texto 2, em Belo Horizonte. B) Errada: as temáticas são distintas, a música e o idealismo de um lado e a separação familiar do outro. C) Errada: os discursos diferem. D) Errada: não há sentimentos desprezíveis nos textos.

Referência: Gêneros textuais; interpretação de texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Belo Horizonte (CMBH) 2015 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
O som dos sentimentos
Babi Dewett
1 João Paulo tirou a mochila preta dos ombros e a colocou no chão, perto dos pés, e, ao lado dela,
apoiou a caixa dura e surrada de couro onde trazia seu violão. Respirou fundo, afastou os cabelos loiros
da testa, desgrudando-os um pouco do suor que escorria, e olhou para os lados analisando o lugar que
tinha escolhido para apresentar-se nos próximos meses. Era tão movimentado, que muita gente passava
5 sem notar o garoto de 19 anos alto, magro e desengonçado plantado no meio da calçada, já que não era o
único músico lá. Enquanto retirava seu instrumento da caixa, uma ou duas pessoas esbarravam na sua
mochila, mas João continuou focado em preparar-se, passando a correia do violão pelo ombro e afinando
as cordas.
Apesar de todo o barulho daquele espaço aberto e da quantidade de gente que passava apressada
10 por ali por causa do horário de almoço, sabia que seria um enorme desafio, mas seu plano era seguir em
frente. Não haveria público melhor que aquelas pessoas, que nem desconfiavam que eram consideradas
um público. Para João, aquele era um ritual de passagem, como havia sido para muitos outros estudantes
do Conservatório Musical, que ficava ali perto, na Avenida 9 de Julho.
Atrás e acima do garoto, imponente, erguia-se o Museu de Arte de São Paulo, o famoso MASP.
15 Bonito e moderno, estava situado na avenida que tinha feito João se apaixonar pela capital paulistana
desde o primeiro dia que chegou à cidade para estudar música, dois anos antes, vindo de Belo Horizonte.
A fachada do museu parecia cenário de filme, e o enorme vão que existia entre suas duas gigantescas
pilastras vermelhas estava sempre cheio de gente. Era um ótimo lugar para o rapaz passar suas tardes
tocando, quando saía do Conservatório, depois das aulas da manhã.
20 Ele achava triste ver que tantas pessoas corriam do metrô para os prédios comerciais, e dos
prédios para os ônibus ou para as ruas transversais, sem notar toda a beleza que a Avenida Paulista tinha
em seu concreto e seriedade. Mas João era apaixonado pelas pequenas coisas, pela beleza sutil dos
detalhes, e por isso mesmo gostava tanto de música. Os acordes, os sons, as notas e a maneira incrível
como a melodia exercia um poder imenso sobre as pessoas, não importando se músico ou ouvinte,
25 fascinavam o rapaz. Para ele, sons eram universais, e ele tinha certeza de que conseguiria mostrar isso ao
mundo, estudando muito e fazendo um ótimo trabalho no Conservatório.
Naquele início de tarde de um outono recém-chegado, no dia 22 de março, o primeiro acorde no
violão de madeira clara soou na grande avenida pelas mãos de João Paulo. Diante dele e de seu
instrumento, um pequeno pote para moedas era um convite para os passantes depositarem sua
30 contribuição. Ele estava decidido a arrecadar qualquer quantia em dinheiro, não para ele, mas para doar
para outras pessoas e, quem sabe, mudar suas vidas, por mais poético e impossível que isso pudesse
parecer.
Deixando-se levar por um sentimento maior de idealismo, pensando nas contribuições que viriam
e em sua paixão pela música, João Paulo começou a entoar “Blackbird”, dos Beatles. Sua voz não era
35 suave nem bonita, mas grave e até um pouco desafinada, porém ele conseguia emitir as notas e cantar
sem esforço. Ainda tentando se concentrar naquele novo “trabalho”, ficou mais calmo quando conseguiu
arrancar sorrisos de dois senhores engravatados que passavam e de uma moça que empurrava um
carrinho de bebê, e parou para ouvir. Foram poucos em sua plateia, mas quem sabe não seria mais fácil
depois de alguns dias?
(PIMENTA, Paula et al. Um ano inesquecível. 1ª edição. Belo Horizonte: Editora Gutenberg, 2015.)

Texto-base:
TEXTO 2
Minha vida fora de série
Sally: A parte mais difícil de seguir em frente é não olhar pra trás. (Felicity )
1 “Lembre-se de fazer um pedido antes de apagar as velas, Priscila!”
Minha mãe estava louca se achava que tinha alguma possibilidade de eu ter me esquecido da
melhor parte. Fechei os olhos para me concentrar melhor e falei: “Eu quero voltar pra São Paulo!”
“Ai, sua burra! Não pode falar o desejo em voz alta, senão não acontece!”
5 “Marina! Será que nem na hora dos parabéns você para de implicar?”
“O pedido da Priscila não vai se realizar. Mas não porque ela o mencionou em voz alta.” E
virando-se para mim, com uma expressão meio triste e cansada, ela acrescentou: “Meu bem, já
discutimos isso umas 50 vezes. Nossa vida agora é aqui...”.
Subitamente, perdi o interesse pelo enorme bolo de brigadeiro que estava na minha frente. Sem
10 me preocupar em apagar as velas, saí pisando duro em direção ao meu quarto. Antes de bater a porta
com força, gritei que, se eu não podia voltar pra São Paulo, então eu não queria nada, pois coisa
nenhuma em Belo Horizonte tinha o poder de me fazer feliz!
Deitei-me na cama e comecei a me lembrar de como o meu aniversário do ano anterior havia
sido diferente. Eu tinha convidado todas as minhas amigas para nadar na minha casa, meu pai havia
15 feito um churrasco, e o dia não poderia ter sido mais feliz. Como eu gostaria de voltar no tempo...
Ouvi uma batida na porta e apenas mandei que a pessoa fosse embora. Era minha prima. Ela
entrou, fechou a porta atrás de si e se sentou na minha cama, sem me pedir minha permissão. Peguei
uma revista e comecei a folhear, pra que ela percebesse que eu não queria conversa.
“Pri...”, ela começou baixinho. “Sua mãe ficou triste... ela está quase chorando lá embaixo.”
20 “Agora você já tem 13 anos, não pode continuar agindo como um caramujo que se esconde na
concha a cada contrariedade!”
Isso fez com que eu fechasse a revista com força. Ela tinha conseguido me deixar ainda mais
brava.
“E você é muito adulta pra me dar conselhos, não é?”, eu disse, me levantando. “Quantos anos
25 você tem mesmo? Treze anos e nove meses, se me lembro bem?”
“Priscila, na verdade a idade não importa, mas sim o fato de que você deveria apoiar a sua mãe!
Você acha que não está sendo difícil pra ela também? Ela acabou de se separar do seu pai! Deve estar
sofrendo muito por causa disso! Não precisa também de uma filha mimada pra tornar as coisas ainda
mais complicadas pra ela nesse momento!”
30 Eu sabia que minha mãe estava sofrendo. Ela fazia de tudo para esconder, mas eu a escutava
chorar trancada no quarto algumas vezes e reparava nos olhos inchados com os quais ela vinha
acordando todas as manhãs. Eu imaginava que ela devia estar chorando bastante de madrugada. Tudo o
que eu mais queria era poder aliviar esse sofrimento dela, mas eu estava tão infeliz também, que nem
conseguia fingir. E eu sabia que isso a deixava ainda mais triste.
35 “Mas por que ela tinha que resolver se mudar?”, eu me sentei. “Por que ela tinha que mudar a
nossa vida inteira? E por que ela não me deixou ficar lá com meu pai e meu irmão?”
No processo de separação de meus pais, eles dividiram tudo... inclusive os filhos e os animais de
estimação. Eu, o Biscoito, a Snow e o Biju viemos com minha mãe pra BH. O meu irmão, a Duna, o
Chico e o Pavarotti permaneceram com meu pai, em São Paulo. Esse acordo maluco, de dividir tudo,
40 podia muito bem funcionar pra eles, que quiseram parecer justos um com o outro, mas para mim foi
muito pior! [...] (Texto adaptado)
(PIMENTA, Paula. Minha vida fora de série: 1ª temporada. 7ª edição. Belo Horizonte: Gutenberg, 2013.)

QUESTÃO 16 – Os personagens principais dos dois textos apresentam características e vivem situações comuns. Pela leitura atenta dos textos, pode-se afirmar SOMENTE:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Comparação entre os protagonistas dos dois textos.

João Paulo (19 anos) enfrenta o desafio de começar a se apresentar como músico de rua, e Priscila (13 anos) enfrenta uma mudança de cidade e a separação dos pais. Cada um vive os desafios próprios da sua idade, o que torna a A correta.

Análise das alternativas

B) Errada: João Paulo se mudou para estudar música, e Priscila, por causa da separação dos pais. C) Errada: Priscila está claramente insatisfeita com a mudança. D) Errada: o Texto 1 não cita a família de João Paulo. E) Errada: a generosidade aparece em João Paulo, mas não em Priscila, que se mostra mimada e birrenta.

Referência: Interpretação de texto; comparação entre textos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Recursos Gráficos e Expressivos

Colégio Militar de Belo Horizonte (CMBH) 2015 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 3
Tirinha de Calvin e Haroldo em quatro quadrinhos. 1) Calvin, deitado na cama, diz: “Eu acho que não vou pra escola hoje.”, enquanto a mãe se aproxima. 2) A mãe, abrindo a cortina ou mexendo na mesa ao lado da cama, responde: “EU acho que você vai.”, com “EU” em letras grandes e destacadas. 3) Calvin, ainda deitado, responde: “EU acho que não.”, com “EU” em letras grandes e destacadas. 4) Calvin aparece em pé, com a mochila, ao lado do ônibus escolar, dizendo: “Droga.”
(Disponível em: http://www.umabaguncadeliciosa.blogspot.com)

QUESTÃO 17 - Algumas palavras aparecem em destaque no segundo e terceiros quadrinhos do Texto 3. Isso acontece porque:
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Interpretação de Tirinhas

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Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 3
Tirinha de Calvin e Haroldo em quatro quadrinhos. 1) Calvin, deitado na cama, diz: “Eu acho que não vou pra escola hoje.”, enquanto a mãe se aproxima. 2) A mãe, abrindo a cortina ou mexendo na mesa ao lado da cama, responde: “EU acho que você vai.”, com “EU” em letras grandes e destacadas. 3) Calvin, ainda deitado, responde: “EU acho que não.”, com “EU” em letras grandes e destacadas. 4) Calvin aparece em pé, com a mochila, ao lado do ônibus escolar, dizendo: “Droga.”
(Disponível em: http://www.umabaguncadeliciosa.blogspot.com)

QUESTÃO 18 – O último quadrinho do Texto 3 revela:
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Onomatopeia

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Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 4
Tirinha de Calvin e Haroldo em quatro quadrinhos, à mesa de jantar. 1) Calvin diz: “Eu não vou comer essa coisa verde. Yecchh!” 2) O pai responde: “Boa ideia, Calvin. Isso é uma pasta tóxica que irá te transformar em mutante se você comer.”; Calvin reage com um ponto de exclamação. 3) Calvin come o prato vorazmente; ao redor aparecem as palavras “RRGHHMPHFFG”, “MMMM”, “URF”, “SCRAPE”, “GUNK”, “SMACK”, “URF”, “MM”. 4) A mãe diz ao pai: “Tem que haver um jeito melhor de fazer ele comer!”; o pai responde: “Ahhhh... eu sinto, está dando certo.”
(Disponível em: http://www.depositodocalvin.blogspot.com)

QUESTÃO 19 - As palavras que aparecem no terceiro quadrinho do Texto 4 podem ser classificadas como:
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Interpretação de Tirinhas

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Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 4
Tirinha de Calvin e Haroldo em quatro quadrinhos, à mesa de jantar. 1) Calvin diz: “Eu não vou comer essa coisa verde. Yecchh!” 2) O pai responde: “Boa ideia, Calvin. Isso é uma pasta tóxica que irá te transformar em mutante se você comer.”; Calvin reage com um ponto de exclamação. 3) Calvin come o prato vorazmente; ao redor aparecem as palavras “RRGHHMPHFFG”, “MMMM”, “URF”, “SCRAPE”, “GUNK”, “SMACK”, “URF”, “MM”. 4) A mãe diz ao pai: “Tem que haver um jeito melhor de fazer ele comer!”; o pai responde: “Ahhhh... eu sinto, está dando certo.”
(Disponível em: http://www.depositodocalvin.blogspot.com)

QUESTÃO 20 - Podemos concluir pela interpretação do Texto 4:
Selecione uma alternativa