← Voltar para a lista de provas Colégio Militar de Juiz de Fora (CMJF) · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio — Língua Portuguesa 15 questões nesta prova · 14 com gabarito Gabarito disponível O poema parte de generalizações para chegar à singularidade humana. Os versos iniciais generalizam com “todos/todas ... são iguais”. A virada vem com “Contudo”, e o fecho afirma a singularidade: “Ninguém é igual a ninguém”, “estranho ímpar”. A) A repetição reforça a ideia de igualdade, não especifica comportamentos. C) O caminho é o inverso: do geral ao particular, e não de casos específicos para um conceito geral. D) Os fenômenos são generalizados como iguais, não singularizados. Referência: Interpretação de poema; estrutura textual (geral x particular). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A reportagem busca comover a opinião pública para a situação dos refugiados. Além de informar, o texto usa relatos pessoais, como o do pai e o da tia, e detalhes dramáticos. O apelo final de Tima por medidas de emergência mostra a intenção de sensibilizar o leitor para a gravidade da crise dos refugiados. A) O texto não discute consequências da aceitação de refugiados na Europa. B) Cidadania aparece como tema, mas não é definida. D) O texto não estimula conflito, pede o fim do sofrimento. Referência: Interpretação de texto: intencionalidade discursiva. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A morte de Alan contesta a ideia de que a morte é igual para todos. O verso de Drummond afirma que a morte é igual, ou seja, banal e sem distinção. A morte do menino Alan, porém, comoveu o mundo e mudou a opinião pública, o que mostra que ela não foi tratada como mais uma. Por isso o verso é contestado. B) O texto não menciona leis criadas depois do episódio. C) A Europa não é apresentada como acolhedora, e o texto aponta o contrário. D) Dizer que o fato corrobora o verso contradiz o fato de a morte de Alan ter se destacado das demais. Referência: Intertextualidade; interpretação de texto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A epígrafe resume a tese e é retomada como argumento principal. A epígrafe liga a perda do direito de ser diferente à perda da liberdade. O texto desenvolve a ideia de que respeitar a diferença é condição de justiça e de democracia, retomando a epígrafe como argumento central. A) A conclusão não repete a frase, apenas desenvolve a ideia. B) A epígrafe está de acordo com o tema, não é oposta a ele. C) O texto reforça a epígrafe, não a desconstrói. Referência: Interpretação de texto: epígrafe e argumentação. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Comparação dos enunciadores: Drummond tem expressividade poética que o texto jornalístico não elabora. O texto III é poético e usa recursos expressivos como repetição, ironia, o superlativo “igualíssima” e o paradoxo final. O texto II é uma reportagem, de linguagem mais informativa, que não elabora essa expressividade. B) O texto II é uma reportagem, que informa e comove, sem defender explicitamente um ponto de vista. C) Os textos I e III convergem: ambos valorizam a singularidade humana. D) O texto I é uma reflexão geral sobre o direito à diferença, e é o texto II que trata de um episódio específico. Referência: Intertextualidade; gêneros textuais e funções da linguagem. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível “Pelo Canadá” é agente da passiva, não adjunto adverbial de lugar. Em “foi rejeitado pelo Canadá”, “Canadá” designa a autoridade que rejeitou o pedido, ou seja, o agente da passiva. Não indica lugar, ao contrário das outras alternativas. A) “no Mediterrâneo” indica o lugar onde ocorreram as mortes. C) “em Istambul” indica onde estavam. D) “em Damasco” indica onde moravam. Todos são adjuntos adverbiais de lugar. Referência: Sintaxe: adjunto adverbial de lugar x agente da passiva. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível No verso elíptico, “iguais” é predicativo do sujeito. O verso completo seria “Iguais (são) todos os rompimentos”. O verbo implícito “são” é de ligação, “todos os rompimentos” é o sujeito e “iguais” é a característica atribuída a ele. Portanto, predicativo do sujeito. B) O sujeito é “todos os rompimentos”. C) Não há verbo transitivo direto, pois o verbo implícito é de ligação. D) Predicativo do objeto exige objeto direto, que não existe aqui. Referência: Sintaxe: elipse, verbo de ligação e predicativo do sujeito. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Aposto resumitivo retoma uma enumeração anterior em um termo só. Na alternativa C, “Gosto, antipatia, ..., nacionalidade” é uma enumeração resumida pelo pronome “tudo”, que é o aposto resumitivo e funciona como sujeito de “distingue”. O aposto resumitivo vem depois da enumeração e a condensa. A) Usa dois-pontos para enumerar, sem aposto resumitivo. B) “marca individual” é aposto explicativo, não resumitivo. D) “palavra que distingue cada pessoa” é aposto explicativo, sem resumir uma enumeração. Referência: Sintaxe: aposto (explicativo, enumerativo, resumitivo). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A 1ª pessoa do plural inclui o autor e o leitor no problema. “Tornamo-nos” tem sujeito desinencial “nós”, que inclui o autor e o leitor. Com isso o enunciador se aproxima do leitor e o associa como parte da sociedade que desrespeita o direito de ser diferente. A) A 1ª pessoa do plural une, não separa, locutor e interlocutor. B) Não há ideia de o receptor pensar de forma distinta. C) O autor se inclui na situação, não se afasta dela. D) Correta. Referência: Pessoas do discurso; sujeito desinencial; funções da linguagem. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Exclusão e rotulação do diferente exemplificada pelos curdos apátridas. O trecho do texto I fala de quem é rotulado como diferente e tratado como inferior, indesejável, separado do grupo. A Síria negou cidadania aos curdos e os considerou apátridas. Isso é exclusão e rotulação por uma diferença de origem. B) Trata da repercussão das mortes e da foto, não de rotulação. C) É o relato do pai sobre a tragédia, sem discriminação. D) É um lamento afetivo do pai sobre os filhos. Nenhuma ilustra a exclusão do diferente. Referência: Intertextualidade; interpretação de texto. Resolução comentada do VaiConcursos. Sem padrão de resposta — pratique a escrita Faixa impressa: ter entre 25 e 30 linhas.Colégio Militar de Juiz de Fora — Concurso de Admissão 2015/2016 — 1º ano do Ensino Médio — Língua Portuguesa — Prova 1
TEXTO III
Igual-Desigual
Por Carlos Drummond de Andrade
1 Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinhos são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
5 Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais.
Todos os partidos políticos são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
10 e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais, iguais, iguais.
15 Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
20 Ninguém é igual a ninguém.
Todo o ser humano é um estranho
ímpar.
ANDRADE, C.D. 'A Paixão Medida' In: Nova Reunião
Vocabulário:
Best-seller: livro campeão de venda.
Gazel: poesia amorosa ou báquica, uma espécie de ode.
Rondó: composição poética com refrão constante.
Sextina: composição poética de seis versos.
Soneto: composição poética de catorze versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.
Virelai: forma poética e musical francesa muito popular entre os séculos XIII e XV.
Analisando o texto III – Igual-desigual –, pode-se afirmar que a estratégia do autor na construção textual consiste em:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo
Por Joel Gunther
1 Dias após a foto do corpo do menino Alan Kurdi, que tinha 3 anos, ter provocado reações
emocionadas em diversos países, a família revelou a cadeia de eventos que levou ao afogamento
na travessia da Turquia para a Grécia.
Alan deixou a cidade de Bodrum, na Turquia, rumo à ilha grega de Kos, na quarta-feira de
5 madrugada, ao lado do pai, Abdullah, da mãe, Rehanna, e do irmão Ghalib, dois anos mais velho.
O objetivo final da família Kurdi era Vancouver, no Canadá, onde a irmã de Abdullah, Tima,
trabalha como cabeleireira.
Com um pequeno grupo de refugiados, eles embarcaram em dois botes para cruzar os 20
quilômetros que separam Bodrum de Kos.
10 Da praia, Abdullah enviou um SMS para Tima.
"Passei o recado para o nosso pai, na Síria, e para todos: 'Abdullah está partindo agora,
rezem por sua segurança'", disse Tima.
Mas as preces não foram ouvidas. As embarcações foram atingidas por ondas altas pouco
depois da partida. O capitão abandonou o navio.
15 Em questão de minutos, Abdullah Kurdi se encontrou na água, tentando salvar a vida de
seus dois filhos. Dos 23 integrantes do grupo de refugiados, acredita-se que 14 tenham morrido,
incluindo a mulher de Abdullah e seus meninos.
Versão turca
O número não impressiona diante das mortes em massa registradas no Mediterrâneo nos
20 últimos meses, mas as fotos do pequeno Alan de bruços na beira da praia transformaram o
episódio em um divisor de águas.
O nome dele chegou a ser grafado como "Aylan" por alguns meios de comunicação, entre
eles, a BBC. Mas a tia que vive no Canadá, Tima, esclareceu que aquela era a versão turca do
nome, dada às autoridades da Turquia. O nome original, curdo, era Alan.
25 Como sírios de origem curda, as chances de conseguir asilo no Canadá diminuíram no
momento em que os Kurdi deixaram a Síria rumo à Turquia.
Durante anos, a Síria negou cidadania à sua população de origem curda. Os curdos eram
considerados apátridas pelas autoridades.
Em 2011, um decreto autorizou que alguns deles entrassem com pedidos de cidadania,
30 mas outros permaneceram sem o direito. Muitos foram forçados a fugir do país antes mesmo que
pudessem dar entrada no processo.
Os Kurdi moravam em Damasco no início do conflito na Síria, no fim de 2011. Quando a
violência na cidade se agravou, a família se mudou para o seu vilarejo-natal, Makharij, a 25
quilômetros da cidade portuária de Kobane.
35 No entanto, quando Kobane se tornou um foco de luta entre combatentes curdos e
militantes do chamado Estado Islâmico, no fim de 2014, a família voltou a fugir, desta vez para a
Turquia, ao lado de milhares de outros refugiados.
A Turquia lhes ofereceu abrigo, mas não lhes ofereceu cidadania.
'Irregulares'
40 Entre os vizinhos da Síria, a Turquia foi o primeiro a reagir formalmente à crise dos
refugiados, declarando proteção temporária em outubro de 2011, garantindo que não iria repatriar
qualquer refugiado sírio.
A medida garante a portadores de passaportes sírios um visto de residência de um ano e
liberdade de movimentos no país. Mas aqueles que não apresentarem documentos são obrigados
45 a se registrar em um campo de refugiados e lá permanecer. Caso contrário, são considerados
"irregulares".
Essa era a situação dos Kurdi, que se encontravam em Istambul, mas estavam
desesperados para deixar a Turquia. No entanto, não podiam obter vistos de saída da Turquia,
porque não tinham passaportes, e não podiam pedir asilo em outros países, porque não tinham
50 vistos de saída da Síria.
Tima Kurdi já estava "patrocinando" o processo de asilo da família de outro irmão dela,
Mohammad, mas dificuldades financeiras e a complexidade do processo a obrigaram a dar entrada
em um processo de cada vez. Mohammad foi escolhido primeiro, porque os filhos dele já estão em
idade escolar.
55 No entanto, o pedido de asilo foi rejeitado pelo Canadá. O departamento de Imigração e
Cidadania disse à BBC que o processo estava "incompleto porque não reunia os requisitos
necessários para comprovar o reconhecimento da situação de refugiado".
A razão para a rejeição foi simples, segundo Tima: os Kurdi não têm passaporte e nem
vistos de trabalho turcos, documentos que não podiam obter.
60 Papelada
Quando o primeiro pedido de asilo foi rejeitado, em junho, "não havia esperanças de que
Abdullah e sua família obtivessem a papelada correta para um processo bem-sucedido", afirmou
Tima. Por isso, eles embarcaram ilegalmente rumo à Grécia.
Os Kurdi já tinham tentado deixar a Turquia três vezes anteriormente. Todas sem sucesso.
65 Na última e fatal, parentes contaram que eles conheceram pessoas em Izmir que prometeram levá-
los até a costa e de lá para Kos, de barco.
Acredita-se que eles tenham pagado o equivalente a R$ 16,5 mil pela travessia. Muito mais
do que custariam as passagens aéreas para toda a família chegar ao Canadá.
Ainda no escuro, o bote com a família foi empurrado mar adentro. Abdullah descreveu o
70 momento em que a sua família se afogou em detalhes.
"Tentei segurar as crianças e a minha mulher, mas não adiantou. Um por um, eles
morreram. Tentei timonear o barco, mas veio outra onda grande e o virou", afirmou. "Foi aí que o
pior aconteceu."
"As minhas crianças eram as mais bonitas do mundo. Será que existe alguém no mundo,
75 para quem os próprios filhos não sejam a coisa mais preciosa?"
"Eles eram incríveis. Me acordavam todos os dias para brincar."
"Adoraria me sentar ao lado do túmulo da minha família agora e aliviar a minha dor."
Ele afirmou que pretende levar os corpos de volta a Istambul e de lá para Kobane, onde
quer enterrá-los.
80 "É tarde demais para salvar a família de Abdullah", disse Tima. "Por favor, vamos usar a
nossa voz coletiva para mudar e exigir que os líderes do mundo tomem decisões agora para
aprovar medidas de emergência para refugiados. Vamos pôr fim a esse sofrimento. Os nossos
corações estão partidos."
Disponível em <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150904_siria_familia_ebc>
Acesso em 22/09/2015
Texto adaptado
Vocabulário:
Apátrida: indivíduo sem nacionalidade.
Timonear: dirigir embarcação.
O texto II – De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo –, além de informar a respeito de um fato, apresenta outra intenção. Essa intenção é:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo
Por Joel Gunther
1 Dias após a foto do corpo do menino Alan Kurdi, que tinha 3 anos, ter provocado reações
emocionadas em diversos países, a família revelou a cadeia de eventos que levou ao afogamento
na travessia da Turquia para a Grécia.
Alan deixou a cidade de Bodrum, na Turquia, rumo à ilha grega de Kos, na quarta-feira de
5 madrugada, ao lado do pai, Abdullah, da mãe, Rehanna, e do irmão Ghalib, dois anos mais velho.
O objetivo final da família Kurdi era Vancouver, no Canadá, onde a irmã de Abdullah, Tima,
trabalha como cabeleireira.
Com um pequeno grupo de refugiados, eles embarcaram em dois botes para cruzar os 20
quilômetros que separam Bodrum de Kos.
10 Da praia, Abdullah enviou um SMS para Tima.
"Passei o recado para o nosso pai, na Síria, e para todos: 'Abdullah está partindo agora,
rezem por sua segurança'", disse Tima.
Mas as preces não foram ouvidas. As embarcações foram atingidas por ondas altas pouco
depois da partida. O capitão abandonou o navio.
15 Em questão de minutos, Abdullah Kurdi se encontrou na água, tentando salvar a vida de
seus dois filhos. Dos 23 integrantes do grupo de refugiados, acredita-se que 14 tenham morrido,
incluindo a mulher de Abdullah e seus meninos.
Versão turca
O número não impressiona diante das mortes em massa registradas no Mediterrâneo nos
20 últimos meses, mas as fotos do pequeno Alan de bruços na beira da praia transformaram o
episódio em um divisor de águas.
O nome dele chegou a ser grafado como "Aylan" por alguns meios de comunicação, entre
eles, a BBC. Mas a tia que vive no Canadá, Tima, esclareceu que aquela era a versão turca do
nome, dada às autoridades da Turquia. O nome original, curdo, era Alan.
25 Como sírios de origem curda, as chances de conseguir asilo no Canadá diminuíram no
momento em que os Kurdi deixaram a Síria rumo à Turquia.
Durante anos, a Síria negou cidadania à sua população de origem curda. Os curdos eram
considerados apátridas pelas autoridades.
Em 2011, um decreto autorizou que alguns deles entrassem com pedidos de cidadania,
30 mas outros permaneceram sem o direito. Muitos foram forçados a fugir do país antes mesmo que
pudessem dar entrada no processo.
Os Kurdi moravam em Damasco no início do conflito na Síria, no fim de 2011. Quando a
violência na cidade se agravou, a família se mudou para o seu vilarejo-natal, Makharij, a 25
quilômetros da cidade portuária de Kobane.
35 No entanto, quando Kobane se tornou um foco de luta entre combatentes curdos e
militantes do chamado Estado Islâmico, no fim de 2014, a família voltou a fugir, desta vez para a
Turquia, ao lado de milhares de outros refugiados.
A Turquia lhes ofereceu abrigo, mas não lhes ofereceu cidadania.
'Irregulares'
40 Entre os vizinhos da Síria, a Turquia foi o primeiro a reagir formalmente à crise dos
refugiados, declarando proteção temporária em outubro de 2011, garantindo que não iria repatriar
qualquer refugiado sírio.
A medida garante a portadores de passaportes sírios um visto de residência de um ano e
liberdade de movimentos no país. Mas aqueles que não apresentarem documentos são obrigados
45 a se registrar em um campo de refugiados e lá permanecer. Caso contrário, são considerados
"irregulares".
Essa era a situação dos Kurdi, que se encontravam em Istambul, mas estavam
desesperados para deixar a Turquia. No entanto, não podiam obter vistos de saída da Turquia,
porque não tinham passaportes, e não podiam pedir asilo em outros países, porque não tinham
50 vistos de saída da Síria.
Tima Kurdi já estava "patrocinando" o processo de asilo da família de outro irmão dela,
Mohammad, mas dificuldades financeiras e a complexidade do processo a obrigaram a dar entrada
em um processo de cada vez. Mohammad foi escolhido primeiro, porque os filhos dele já estão em
idade escolar.
55 No entanto, o pedido de asilo foi rejeitado pelo Canadá. O departamento de Imigração e
Cidadania disse à BBC que o processo estava "incompleto porque não reunia os requisitos
necessários para comprovar o reconhecimento da situação de refugiado".
A razão para a rejeição foi simples, segundo Tima: os Kurdi não têm passaporte e nem
vistos de trabalho turcos, documentos que não podiam obter.
60 Papelada
Quando o primeiro pedido de asilo foi rejeitado, em junho, "não havia esperanças de que
Abdullah e sua família obtivessem a papelada correta para um processo bem-sucedido", afirmou
Tima. Por isso, eles embarcaram ilegalmente rumo à Grécia.
Os Kurdi já tinham tentado deixar a Turquia três vezes anteriormente. Todas sem sucesso.
65 Na última e fatal, parentes contaram que eles conheceram pessoas em Izmir que prometeram levá-
los até a costa e de lá para Kos, de barco.
Acredita-se que eles tenham pagado o equivalente a R$ 16,5 mil pela travessia. Muito mais
do que custariam as passagens aéreas para toda a família chegar ao Canadá.
Ainda no escuro, o bote com a família foi empurrado mar adentro. Abdullah descreveu o
70 momento em que a sua família se afogou em detalhes.
"Tentei segurar as crianças e a minha mulher, mas não adiantou. Um por um, eles
morreram. Tentei timonear o barco, mas veio outra onda grande e o virou", afirmou. "Foi aí que o
pior aconteceu."
"As minhas crianças eram as mais bonitas do mundo. Será que existe alguém no mundo,
75 para quem os próprios filhos não sejam a coisa mais preciosa?"
"Eles eram incríveis. Me acordavam todos os dias para brincar."
"Adoraria me sentar ao lado do túmulo da minha família agora e aliviar a minha dor."
Ele afirmou que pretende levar os corpos de volta a Istambul e de lá para Kobane, onde
quer enterrá-los.
80 "É tarde demais para salvar a família de Abdullah", disse Tima. "Por favor, vamos usar a
nossa voz coletiva para mudar e exigir que os líderes do mundo tomem decisões agora para
aprovar medidas de emergência para refugiados. Vamos pôr fim a esse sofrimento. Os nossos
corações estão partidos."
Disponível em <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150904_siria_familia_ebc>
Acesso em 22/09/2015
Texto adaptado
Vocabulário:
Apátrida: indivíduo sem nacionalidade.
Timonear: dirigir embarcação.
Texto-base:
TEXTO III
Igual-Desigual
Por Carlos Drummond de Andrade
1 Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinhos são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
5 Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais.
Todos os partidos políticos são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
10 e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais, iguais, iguais.
15 Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
20 Ninguém é igual a ninguém.
Todo o ser humano é um estranho
ímpar.
ANDRADE, C.D. 'A Paixão Medida' In: Nova Reunião
Vocabulário:
Best-seller: livro campeão de venda.
Gazel: poesia amorosa ou báquica, uma espécie de ode.
Rondó: composição poética com refrão constante.
Sextina: composição poética de seis versos.
Soneto: composição poética de catorze versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.
Virelai: forma poética e musical francesa muito popular entre os séculos XIII e XV.
“A morte é igualíssima” (v.16, texto III – Igual-Desigual). Em comparação ao texto II – De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo –, esse verso é:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
O direito de ser diferente
Por Cidinei Bogo Chat
Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres.
Charles Evans Hughes
1 Nenhum ser humano é igual ao seu semelhante. Cada pessoa tem sua própria
singularidade que a distingue como ser humano individual, em face de gosto, antipatia, talento,
sexo, cultura, língua, religião e nacionalidade. Entretanto, as diferenças sempre alimentaram
discórdias entre as pessoas e grupos sociais.
5 Aliás, sob tal perspectiva, urge ressaltar que a humanidade tem presenciado ao longo de sua
história uma sequência de intolerância à diferença. Ser rotulado de diferente sempre foi visto como
sinônimo de inferioridade, de indesejável, de separado do grupo. Basta à pessoa ser considerada
diferente para os tidos padrões "normais" para que todos passem a desprezá-la, considerando-a
como um ser de outro mundo.
10 Nesse sentido, um dos problemas que deve ser enfrentado por toda a humanidade é a
tendência existente de definir as pessoas diferentes em termos negativos, de ver essas pessoas e o
grupo ao qual pertencem como inferiores e não merecedores de respeito.
Isso se deve à prática de classificar as pessoas em grupos distintos e homogêneos, com
base em critérios de cor, língua, cultura, nacionalidade, preferência sexual e religião. Sob esse
15 aspecto, os grupos são classificados em desejáveis ou indesejáveis, advindo daí o desrespeito ao
direito de ser diferente.
Historicamente, os diferentes sempre foram vítimas de perseguições injustificadas. Cite-se
como exemplo a perseguição aos judeus durante toda a história da humanidade e, mais
recentemente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o ódio ao semelhante levou a
20 atrocidades sem precedentes, fato que ficou mundialmente conhecido como Holocausto.
Se não bastasse, as mulheres têm menos direitos que os homens; as pessoas portadoras de
deficiência ainda enfrentam dificuldades em ver seus direitos efetivamente implantados e os
homossexuais ainda sofrem discriminação em face de suas preferências sexuais.
Atrocidades cometidas no Sudão e Ruanda demonstram até onde os seres humanos estão
25 prontos a ir para negar aos outros seus direitos; tornamo-nos uma sociedade que não respeita o
direito de o ser humano ser diferente.
Diante desse quadro, a empreitada aqui proposta consiste em expor e defender a ideia de
que, na sociedade moderna e nos estados democráticos de direito, não existe mais espaço para a
discriminação, para a intolerância e o desrespeito ao próximo.
30 Com efeito, não é permitido adotar qualquer tipo de distinção em razão de sexo, origem,
idade, cor, raça, estado civil, crença religiosa, convicção filosófica ou política, situação familiar,
condição e saúde física sensorial e mental ou orientação sexual.
A pretensão de eliminar por completo qualquer forma de discriminação certamente não é
uma tarefa fácil. Contudo, urge ressaltar que são atitudes positivas que levarão toda sociedade a
35 respeitar o direito à diferença.
Em suma, impor atitudes de reconhecimento dos direitos das pessoas diferentes é promover
justiça e equidade. Numa sociedade dita "democrática", há que prevalecer a diversidade natural e
cultural entre as pessoas.
Disponível em: <http://deficienteciente.com.br/2011/12/o-direito-de-ser-diferente-parte-1.html>
Acesso em 22/09/2015.
Texto adaptado.
Vocabulário:
Advir: ocorrer, acontecer.
Empreitada: tarefa.
Equidade: disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um.
Singularidade: particularidade, o que torna o ser único.
Urgir: ser urgente.
“Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres” (Texto I – O direito de ser diferente).
A epígrafe de Charles Evan Hughes é:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
O direito de ser diferente
Por Cidinei Bogo Chat
Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres.
Charles Evans Hughes
1 Nenhum ser humano é igual ao seu semelhante. Cada pessoa tem sua própria
singularidade que a distingue como ser humano individual, em face de gosto, antipatia, talento,
sexo, cultura, língua, religião e nacionalidade. Entretanto, as diferenças sempre alimentaram
discórdias entre as pessoas e grupos sociais.
5 Aliás, sob tal perspectiva, urge ressaltar que a humanidade tem presenciado ao longo de sua
história uma sequência de intolerância à diferença. Ser rotulado de diferente sempre foi visto como
sinônimo de inferioridade, de indesejável, de separado do grupo. Basta à pessoa ser considerada
diferente para os tidos padrões "normais" para que todos passem a desprezá-la, considerando-a
como um ser de outro mundo.
10 Nesse sentido, um dos problemas que deve ser enfrentado por toda a humanidade é a
tendência existente de definir as pessoas diferentes em termos negativos, de ver essas pessoas e o
grupo ao qual pertencem como inferiores e não merecedores de respeito.
Isso se deve à prática de classificar as pessoas em grupos distintos e homogêneos, com
base em critérios de cor, língua, cultura, nacionalidade, preferência sexual e religião. Sob esse
15 aspecto, os grupos são classificados em desejáveis ou indesejáveis, advindo daí o desrespeito ao
direito de ser diferente.
Historicamente, os diferentes sempre foram vítimas de perseguições injustificadas. Cite-se
como exemplo a perseguição aos judeus durante toda a história da humanidade e, mais
recentemente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o ódio ao semelhante levou a
20 atrocidades sem precedentes, fato que ficou mundialmente conhecido como Holocausto.
Se não bastasse, as mulheres têm menos direitos que os homens; as pessoas portadoras de
deficiência ainda enfrentam dificuldades em ver seus direitos efetivamente implantados e os
homossexuais ainda sofrem discriminação em face de suas preferências sexuais.
Atrocidades cometidas no Sudão e Ruanda demonstram até onde os seres humanos estão
25 prontos a ir para negar aos outros seus direitos; tornamo-nos uma sociedade que não respeita o
direito de o ser humano ser diferente.
Diante desse quadro, a empreitada aqui proposta consiste em expor e defender a ideia de
que, na sociedade moderna e nos estados democráticos de direito, não existe mais espaço para a
discriminação, para a intolerância e o desrespeito ao próximo.
30 Com efeito, não é permitido adotar qualquer tipo de distinção em razão de sexo, origem,
idade, cor, raça, estado civil, crença religiosa, convicção filosófica ou política, situação familiar,
condição e saúde física sensorial e mental ou orientação sexual.
A pretensão de eliminar por completo qualquer forma de discriminação certamente não é
uma tarefa fácil. Contudo, urge ressaltar que são atitudes positivas que levarão toda sociedade a
35 respeitar o direito à diferença.
Em suma, impor atitudes de reconhecimento dos direitos das pessoas diferentes é promover
justiça e equidade. Numa sociedade dita "democrática", há que prevalecer a diversidade natural e
cultural entre as pessoas.
Disponível em: <http://deficienteciente.com.br/2011/12/o-direito-de-ser-diferente-parte-1.html>
Acesso em 22/09/2015.
Texto adaptado.
Vocabulário:
Advir: ocorrer, acontecer.
Empreitada: tarefa.
Equidade: disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um.
Singularidade: particularidade, o que torna o ser único.
Urgir: ser urgente.
Texto-base:
TEXTO II
De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo
Por Joel Gunther
1 Dias após a foto do corpo do menino Alan Kurdi, que tinha 3 anos, ter provocado reações
emocionadas em diversos países, a família revelou a cadeia de eventos que levou ao afogamento
na travessia da Turquia para a Grécia.
Alan deixou a cidade de Bodrum, na Turquia, rumo à ilha grega de Kos, na quarta-feira de
5 madrugada, ao lado do pai, Abdullah, da mãe, Rehanna, e do irmão Ghalib, dois anos mais velho.
O objetivo final da família Kurdi era Vancouver, no Canadá, onde a irmã de Abdullah, Tima,
trabalha como cabeleireira.
Com um pequeno grupo de refugiados, eles embarcaram em dois botes para cruzar os 20
quilômetros que separam Bodrum de Kos.
10 Da praia, Abdullah enviou um SMS para Tima.
"Passei o recado para o nosso pai, na Síria, e para todos: 'Abdullah está partindo agora,
rezem por sua segurança'", disse Tima.
Mas as preces não foram ouvidas. As embarcações foram atingidas por ondas altas pouco
depois da partida. O capitão abandonou o navio.
15 Em questão de minutos, Abdullah Kurdi se encontrou na água, tentando salvar a vida de
seus dois filhos. Dos 23 integrantes do grupo de refugiados, acredita-se que 14 tenham morrido,
incluindo a mulher de Abdullah e seus meninos.
Versão turca
O número não impressiona diante das mortes em massa registradas no Mediterrâneo nos
20 últimos meses, mas as fotos do pequeno Alan de bruços na beira da praia transformaram o
episódio em um divisor de águas.
O nome dele chegou a ser grafado como "Aylan" por alguns meios de comunicação, entre
eles, a BBC. Mas a tia que vive no Canadá, Tima, esclareceu que aquela era a versão turca do
nome, dada às autoridades da Turquia. O nome original, curdo, era Alan.
25 Como sírios de origem curda, as chances de conseguir asilo no Canadá diminuíram no
momento em que os Kurdi deixaram a Síria rumo à Turquia.
Durante anos, a Síria negou cidadania à sua população de origem curda. Os curdos eram
considerados apátridas pelas autoridades.
Em 2011, um decreto autorizou que alguns deles entrassem com pedidos de cidadania,
30 mas outros permaneceram sem o direito. Muitos foram forçados a fugir do país antes mesmo que
pudessem dar entrada no processo.
Os Kurdi moravam em Damasco no início do conflito na Síria, no fim de 2011. Quando a
violência na cidade se agravou, a família se mudou para o seu vilarejo-natal, Makharij, a 25
quilômetros da cidade portuária de Kobane.
35 No entanto, quando Kobane se tornou um foco de luta entre combatentes curdos e
militantes do chamado Estado Islâmico, no fim de 2014, a família voltou a fugir, desta vez para a
Turquia, ao lado de milhares de outros refugiados.
A Turquia lhes ofereceu abrigo, mas não lhes ofereceu cidadania.
'Irregulares'
40 Entre os vizinhos da Síria, a Turquia foi o primeiro a reagir formalmente à crise dos
refugiados, declarando proteção temporária em outubro de 2011, garantindo que não iria repatriar
qualquer refugiado sírio.
A medida garante a portadores de passaportes sírios um visto de residência de um ano e
liberdade de movimentos no país. Mas aqueles que não apresentarem documentos são obrigados
45 a se registrar em um campo de refugiados e lá permanecer. Caso contrário, são considerados
"irregulares".
Essa era a situação dos Kurdi, que se encontravam em Istambul, mas estavam
desesperados para deixar a Turquia. No entanto, não podiam obter vistos de saída da Turquia,
porque não tinham passaportes, e não podiam pedir asilo em outros países, porque não tinham
50 vistos de saída da Síria.
Tima Kurdi já estava "patrocinando" o processo de asilo da família de outro irmão dela,
Mohammad, mas dificuldades financeiras e a complexidade do processo a obrigaram a dar entrada
em um processo de cada vez. Mohammad foi escolhido primeiro, porque os filhos dele já estão em
idade escolar.
55 No entanto, o pedido de asilo foi rejeitado pelo Canadá. O departamento de Imigração e
Cidadania disse à BBC que o processo estava "incompleto porque não reunia os requisitos
necessários para comprovar o reconhecimento da situação de refugiado".
A razão para a rejeição foi simples, segundo Tima: os Kurdi não têm passaporte e nem
vistos de trabalho turcos, documentos que não podiam obter.
60 Papelada
Quando o primeiro pedido de asilo foi rejeitado, em junho, "não havia esperanças de que
Abdullah e sua família obtivessem a papelada correta para um processo bem-sucedido", afirmou
Tima. Por isso, eles embarcaram ilegalmente rumo à Grécia.
Os Kurdi já tinham tentado deixar a Turquia três vezes anteriormente. Todas sem sucesso.
65 Na última e fatal, parentes contaram que eles conheceram pessoas em Izmir que prometeram levá-
los até a costa e de lá para Kos, de barco.
Acredita-se que eles tenham pagado o equivalente a R$ 16,5 mil pela travessia. Muito mais
do que custariam as passagens aéreas para toda a família chegar ao Canadá.
Ainda no escuro, o bote com a família foi empurrado mar adentro. Abdullah descreveu o
70 momento em que a sua família se afogou em detalhes.
"Tentei segurar as crianças e a minha mulher, mas não adiantou. Um por um, eles
morreram. Tentei timonear o barco, mas veio outra onda grande e o virou", afirmou. "Foi aí que o
pior aconteceu."
"As minhas crianças eram as mais bonitas do mundo. Será que existe alguém no mundo,
75 para quem os próprios filhos não sejam a coisa mais preciosa?"
"Eles eram incríveis. Me acordavam todos os dias para brincar."
"Adoraria me sentar ao lado do túmulo da minha família agora e aliviar a minha dor."
Ele afirmou que pretende levar os corpos de volta a Istambul e de lá para Kobane, onde
quer enterrá-los.
80 "É tarde demais para salvar a família de Abdullah", disse Tima. "Por favor, vamos usar a
nossa voz coletiva para mudar e exigir que os líderes do mundo tomem decisões agora para
aprovar medidas de emergência para refugiados. Vamos pôr fim a esse sofrimento. Os nossos
corações estão partidos."
Disponível em <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150904_siria_familia_ebc>
Acesso em 22/09/2015
Texto adaptado
Vocabulário:
Apátrida: indivíduo sem nacionalidade.
Timonear: dirigir embarcação.
Texto-base:
TEXTO III
Igual-Desigual
Por Carlos Drummond de Andrade
1 Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinhos são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
5 Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais.
Todos os partidos políticos são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
10 e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais, iguais, iguais.
15 Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
20 Ninguém é igual a ninguém.
Todo o ser humano é um estranho
ímpar.
ANDRADE, C.D. 'A Paixão Medida' In: Nova Reunião
Vocabulário:
Best-seller: livro campeão de venda.
Gazel: poesia amorosa ou báquica, uma espécie de ode.
Rondó: composição poética com refrão constante.
Sextina: composição poética de seis versos.
Soneto: composição poética de catorze versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.
Virelai: forma poética e musical francesa muito popular entre os séculos XIII e XV.
Em relação aos enunciadores – aqueles que formulam a mensagem - dos três textos, é possível afirmar que:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV
Banquet
Por Pawla Kuczyńskiego
![]()
Disponível em < https://www.facebook.com/158506094232917/photos/pb.158506094232917.-2207520000.1445370898./481489045267952/?type=3&theater>
Acesso em: 22/09/2015
Como obra de arte, o trabalho do artista Pawla Kuczyńskiego realiza certa crítica social. Essa crítica aparece na obra por meio do(a):
TEXTO I
O direito de ser diferente
Por Cidinei Bogo Chat
Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres.
Charles Evans Hughes
1 Nenhum ser humano é igual ao seu semelhante. Cada pessoa tem sua própria
singularidade que a distingue como ser humano individual, em face de gosto, antipatia, talento,
sexo, cultura, língua, religião e nacionalidade. Entretanto, as diferenças sempre alimentaram
discórdias entre as pessoas e grupos sociais.
5 Aliás, sob tal perspectiva, urge ressaltar que a humanidade tem presenciado ao longo de sua
história uma sequência de intolerância à diferença. Ser rotulado de diferente sempre foi visto como
sinônimo de inferioridade, de indesejável, de separado do grupo. Basta à pessoa ser considerada
diferente para os tidos padrões "normais" para que todos passem a desprezá-la, considerando-a
como um ser de outro mundo.
10 Nesse sentido, um dos problemas que deve ser enfrentado por toda a humanidade é a
tendência existente de definir as pessoas diferentes em termos negativos, de ver essas pessoas e o
grupo ao qual pertencem como inferiores e não merecedores de respeito.
Isso se deve à prática de classificar as pessoas em grupos distintos e homogêneos, com
base em critérios de cor, língua, cultura, nacionalidade, preferência sexual e religião. Sob esse
15 aspecto, os grupos são classificados em desejáveis ou indesejáveis, advindo daí o desrespeito ao
direito de ser diferente.
Historicamente, os diferentes sempre foram vítimas de perseguições injustificadas. Cite-se
como exemplo a perseguição aos judeus durante toda a história da humanidade e, mais
recentemente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o ódio ao semelhante levou a
20 atrocidades sem precedentes, fato que ficou mundialmente conhecido como Holocausto.
Se não bastasse, as mulheres têm menos direitos que os homens; as pessoas portadoras de
deficiência ainda enfrentam dificuldades em ver seus direitos efetivamente implantados e os
homossexuais ainda sofrem discriminação em face de suas preferências sexuais.
Atrocidades cometidas no Sudão e Ruanda demonstram até onde os seres humanos estão
25 prontos a ir para negar aos outros seus direitos; tornamo-nos uma sociedade que não respeita o
direito de o ser humano ser diferente.
Diante desse quadro, a empreitada aqui proposta consiste em expor e defender a ideia de
que, na sociedade moderna e nos estados democráticos de direito, não existe mais espaço para a
discriminação, para a intolerância e o desrespeito ao próximo.
30 Com efeito, não é permitido adotar qualquer tipo de distinção em razão de sexo, origem,
idade, cor, raça, estado civil, crença religiosa, convicção filosófica ou política, situação familiar,
condição e saúde física sensorial e mental ou orientação sexual.
A pretensão de eliminar por completo qualquer forma de discriminação certamente não é
uma tarefa fácil. Contudo, urge ressaltar que são atitudes positivas que levarão toda sociedade a
35 respeitar o direito à diferença.
Em suma, impor atitudes de reconhecimento dos direitos das pessoas diferentes é promover
justiça e equidade. Numa sociedade dita "democrática", há que prevalecer a diversidade natural e
cultural entre as pessoas.
Disponível em: <http://deficienteciente.com.br/2011/12/o-direito-de-ser-diferente-parte-1.html>
Acesso em 22/09/2015.
Texto adaptado.
Vocabulário:
Advir: ocorrer, acontecer.
Empreitada: tarefa.
Equidade: disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um.
Singularidade: particularidade, o que torna o ser único.
Urgir: ser urgente.
Texto-base:
TEXTO II
De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo
Por Joel Gunther
1 Dias após a foto do corpo do menino Alan Kurdi, que tinha 3 anos, ter provocado reações
emocionadas em diversos países, a família revelou a cadeia de eventos que levou ao afogamento
na travessia da Turquia para a Grécia.
Alan deixou a cidade de Bodrum, na Turquia, rumo à ilha grega de Kos, na quarta-feira de
5 madrugada, ao lado do pai, Abdullah, da mãe, Rehanna, e do irmão Ghalib, dois anos mais velho.
O objetivo final da família Kurdi era Vancouver, no Canadá, onde a irmã de Abdullah, Tima,
trabalha como cabeleireira.
Com um pequeno grupo de refugiados, eles embarcaram em dois botes para cruzar os 20
quilômetros que separam Bodrum de Kos.
10 Da praia, Abdullah enviou um SMS para Tima.
"Passei o recado para o nosso pai, na Síria, e para todos: 'Abdullah está partindo agora,
rezem por sua segurança'", disse Tima.
Mas as preces não foram ouvidas. As embarcações foram atingidas por ondas altas pouco
depois da partida. O capitão abandonou o navio.
15 Em questão de minutos, Abdullah Kurdi se encontrou na água, tentando salvar a vida de
seus dois filhos. Dos 23 integrantes do grupo de refugiados, acredita-se que 14 tenham morrido,
incluindo a mulher de Abdullah e seus meninos.
Versão turca
O número não impressiona diante das mortes em massa registradas no Mediterrâneo nos
20 últimos meses, mas as fotos do pequeno Alan de bruços na beira da praia transformaram o
episódio em um divisor de águas.
O nome dele chegou a ser grafado como "Aylan" por alguns meios de comunicação, entre
eles, a BBC. Mas a tia que vive no Canadá, Tima, esclareceu que aquela era a versão turca do
nome, dada às autoridades da Turquia. O nome original, curdo, era Alan.
25 Como sírios de origem curda, as chances de conseguir asilo no Canadá diminuíram no
momento em que os Kurdi deixaram a Síria rumo à Turquia.
Durante anos, a Síria negou cidadania à sua população de origem curda. Os curdos eram
considerados apátridas pelas autoridades.
Em 2011, um decreto autorizou que alguns deles entrassem com pedidos de cidadania,
30 mas outros permaneceram sem o direito. Muitos foram forçados a fugir do país antes mesmo que
pudessem dar entrada no processo.
Os Kurdi moravam em Damasco no início do conflito na Síria, no fim de 2011. Quando a
violência na cidade se agravou, a família se mudou para o seu vilarejo-natal, Makharij, a 25
quilômetros da cidade portuária de Kobane.
35 No entanto, quando Kobane se tornou um foco de luta entre combatentes curdos e
militantes do chamado Estado Islâmico, no fim de 2014, a família voltou a fugir, desta vez para a
Turquia, ao lado de milhares de outros refugiados.
A Turquia lhes ofereceu abrigo, mas não lhes ofereceu cidadania.
'Irregulares'
40 Entre os vizinhos da Síria, a Turquia foi o primeiro a reagir formalmente à crise dos
refugiados, declarando proteção temporária em outubro de 2011, garantindo que não iria repatriar
qualquer refugiado sírio.
A medida garante a portadores de passaportes sírios um visto de residência de um ano e
liberdade de movimentos no país. Mas aqueles que não apresentarem documentos são obrigados
45 a se registrar em um campo de refugiados e lá permanecer. Caso contrário, são considerados
"irregulares".
Essa era a situação dos Kurdi, que se encontravam em Istambul, mas estavam
desesperados para deixar a Turquia. No entanto, não podiam obter vistos de saída da Turquia,
porque não tinham passaportes, e não podiam pedir asilo em outros países, porque não tinham
50 vistos de saída da Síria.
Tima Kurdi já estava "patrocinando" o processo de asilo da família de outro irmão dela,
Mohammad, mas dificuldades financeiras e a complexidade do processo a obrigaram a dar entrada
em um processo de cada vez. Mohammad foi escolhido primeiro, porque os filhos dele já estão em
idade escolar.
55 No entanto, o pedido de asilo foi rejeitado pelo Canadá. O departamento de Imigração e
Cidadania disse à BBC que o processo estava "incompleto porque não reunia os requisitos
necessários para comprovar o reconhecimento da situação de refugiado".
A razão para a rejeição foi simples, segundo Tima: os Kurdi não têm passaporte e nem
vistos de trabalho turcos, documentos que não podiam obter.
60 Papelada
Quando o primeiro pedido de asilo foi rejeitado, em junho, "não havia esperanças de que
Abdullah e sua família obtivessem a papelada correta para um processo bem-sucedido", afirmou
Tima. Por isso, eles embarcaram ilegalmente rumo à Grécia.
Os Kurdi já tinham tentado deixar a Turquia três vezes anteriormente. Todas sem sucesso.
65 Na última e fatal, parentes contaram que eles conheceram pessoas em Izmir que prometeram levá-
los até a costa e de lá para Kos, de barco.
Acredita-se que eles tenham pagado o equivalente a R$ 16,5 mil pela travessia. Muito mais
do que custariam as passagens aéreas para toda a família chegar ao Canadá.
Ainda no escuro, o bote com a família foi empurrado mar adentro. Abdullah descreveu o
70 momento em que a sua família se afogou em detalhes.
"Tentei segurar as crianças e a minha mulher, mas não adiantou. Um por um, eles
morreram. Tentei timonear o barco, mas veio outra onda grande e o virou", afirmou. "Foi aí que o
pior aconteceu."
"As minhas crianças eram as mais bonitas do mundo. Será que existe alguém no mundo,
75 para quem os próprios filhos não sejam a coisa mais preciosa?"
"Eles eram incríveis. Me acordavam todos os dias para brincar."
"Adoraria me sentar ao lado do túmulo da minha família agora e aliviar a minha dor."
Ele afirmou que pretende levar os corpos de volta a Istambul e de lá para Kobane, onde
quer enterrá-los.
80 "É tarde demais para salvar a família de Abdullah", disse Tima. "Por favor, vamos usar a
nossa voz coletiva para mudar e exigir que os líderes do mundo tomem decisões agora para
aprovar medidas de emergência para refugiados. Vamos pôr fim a esse sofrimento. Os nossos
corações estão partidos."
Disponível em <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150904_siria_familia_ebc>
Acesso em 22/09/2015
Texto adaptado
Vocabulário:
Apátrida: indivíduo sem nacionalidade.
Timonear: dirigir embarcação.
Texto-base:
Texto IV
Banquet
Por Pawla Kuczyńskiego
![]()
Disponível em < https://www.facebook.com/158506094232917/photos/pb.158506094232917.-2207520000.1445370898./481489045267952/?type=3&theater>
Acesso em: 22/09/2015
A imagem (Texto IV – Banquet), comparada aos dois primeiros textos, dialoga mais especificamente com:
TEXTO I
O direito de ser diferente
Por Cidinei Bogo Chat
Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres.
Charles Evans Hughes
1 Nenhum ser humano é igual ao seu semelhante. Cada pessoa tem sua própria
singularidade que a distingue como ser humano individual, em face de gosto, antipatia, talento,
sexo, cultura, língua, religião e nacionalidade. Entretanto, as diferenças sempre alimentaram
discórdias entre as pessoas e grupos sociais.
5 Aliás, sob tal perspectiva, urge ressaltar que a humanidade tem presenciado ao longo de sua
história uma sequência de intolerância à diferença. Ser rotulado de diferente sempre foi visto como
sinônimo de inferioridade, de indesejável, de separado do grupo. Basta à pessoa ser considerada
diferente para os tidos padrões "normais" para que todos passem a desprezá-la, considerando-a
como um ser de outro mundo.
10 Nesse sentido, um dos problemas que deve ser enfrentado por toda a humanidade é a
tendência existente de definir as pessoas diferentes em termos negativos, de ver essas pessoas e o
grupo ao qual pertencem como inferiores e não merecedores de respeito.
Isso se deve à prática de classificar as pessoas em grupos distintos e homogêneos, com
base em critérios de cor, língua, cultura, nacionalidade, preferência sexual e religião. Sob esse
15 aspecto, os grupos são classificados em desejáveis ou indesejáveis, advindo daí o desrespeito ao
direito de ser diferente.
Historicamente, os diferentes sempre foram vítimas de perseguições injustificadas. Cite-se
como exemplo a perseguição aos judeus durante toda a história da humanidade e, mais
recentemente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o ódio ao semelhante levou a
20 atrocidades sem precedentes, fato que ficou mundialmente conhecido como Holocausto.
Se não bastasse, as mulheres têm menos direitos que os homens; as pessoas portadoras de
deficiência ainda enfrentam dificuldades em ver seus direitos efetivamente implantados e os
homossexuais ainda sofrem discriminação em face de suas preferências sexuais.
Atrocidades cometidas no Sudão e Ruanda demonstram até onde os seres humanos estão
25 prontos a ir para negar aos outros seus direitos; tornamo-nos uma sociedade que não respeita o
direito de o ser humano ser diferente.
Diante desse quadro, a empreitada aqui proposta consiste em expor e defender a ideia de
que, na sociedade moderna e nos estados democráticos de direito, não existe mais espaço para a
discriminação, para a intolerância e o desrespeito ao próximo.
30 Com efeito, não é permitido adotar qualquer tipo de distinção em razão de sexo, origem,
idade, cor, raça, estado civil, crença religiosa, convicção filosófica ou política, situação familiar,
condição e saúde física sensorial e mental ou orientação sexual.
A pretensão de eliminar por completo qualquer forma de discriminação certamente não é
uma tarefa fácil. Contudo, urge ressaltar que são atitudes positivas que levarão toda sociedade a
35 respeitar o direito à diferença.
Em suma, impor atitudes de reconhecimento dos direitos das pessoas diferentes é promover
justiça e equidade. Numa sociedade dita "democrática", há que prevalecer a diversidade natural e
cultural entre as pessoas.
Disponível em: <http://deficienteciente.com.br/2011/12/o-direito-de-ser-diferente-parte-1.html>
Acesso em 22/09/2015.
Texto adaptado.
Vocabulário:
Advir: ocorrer, acontecer.
Empreitada: tarefa.
Equidade: disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um.
Singularidade: particularidade, o que torna o ser único.
Urgir: ser urgente.
Texto-base:
TEXTO III
Igual-Desigual
Por Carlos Drummond de Andrade
1 Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinhos são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
5 Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais.
Todos os partidos políticos são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
10 e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais, iguais, iguais.
15 Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
20 Ninguém é igual a ninguém.
Todo o ser humano é um estranho
ímpar.
ANDRADE, C.D. 'A Paixão Medida' In: Nova Reunião
Vocabulário:
Best-seller: livro campeão de venda.
Gazel: poesia amorosa ou báquica, uma espécie de ode.
Rondó: composição poética com refrão constante.
Sextina: composição poética de seis versos.
Soneto: composição poética de catorze versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.
Virelai: forma poética e musical francesa muito popular entre os séculos XIII e XV.
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Os vocábulos sublinhados nos trechos acima, adjuntos adnominais, funcionam nos fragmentos como:
TEXTO II
De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo
Por Joel Gunther
1 Dias após a foto do corpo do menino Alan Kurdi, que tinha 3 anos, ter provocado reações
emocionadas em diversos países, a família revelou a cadeia de eventos que levou ao afogamento
na travessia da Turquia para a Grécia.
Alan deixou a cidade de Bodrum, na Turquia, rumo à ilha grega de Kos, na quarta-feira de
5 madrugada, ao lado do pai, Abdullah, da mãe, Rehanna, e do irmão Ghalib, dois anos mais velho.
O objetivo final da família Kurdi era Vancouver, no Canadá, onde a irmã de Abdullah, Tima,
trabalha como cabeleireira.
Com um pequeno grupo de refugiados, eles embarcaram em dois botes para cruzar os 20
quilômetros que separam Bodrum de Kos.
10 Da praia, Abdullah enviou um SMS para Tima.
"Passei o recado para o nosso pai, na Síria, e para todos: 'Abdullah está partindo agora,
rezem por sua segurança'", disse Tima.
Mas as preces não foram ouvidas. As embarcações foram atingidas por ondas altas pouco
depois da partida. O capitão abandonou o navio.
15 Em questão de minutos, Abdullah Kurdi se encontrou na água, tentando salvar a vida de
seus dois filhos. Dos 23 integrantes do grupo de refugiados, acredita-se que 14 tenham morrido,
incluindo a mulher de Abdullah e seus meninos.
Versão turca
O número não impressiona diante das mortes em massa registradas no Mediterrâneo nos
20 últimos meses, mas as fotos do pequeno Alan de bruços na beira da praia transformaram o
episódio em um divisor de águas.
O nome dele chegou a ser grafado como "Aylan" por alguns meios de comunicação, entre
eles, a BBC. Mas a tia que vive no Canadá, Tima, esclareceu que aquela era a versão turca do
nome, dada às autoridades da Turquia. O nome original, curdo, era Alan.
25 Como sírios de origem curda, as chances de conseguir asilo no Canadá diminuíram no
momento em que os Kurdi deixaram a Síria rumo à Turquia.
Durante anos, a Síria negou cidadania à sua população de origem curda. Os curdos eram
considerados apátridas pelas autoridades.
Em 2011, um decreto autorizou que alguns deles entrassem com pedidos de cidadania,
30 mas outros permaneceram sem o direito. Muitos foram forçados a fugir do país antes mesmo que
pudessem dar entrada no processo.
Os Kurdi moravam em Damasco no início do conflito na Síria, no fim de 2011. Quando a
violência na cidade se agravou, a família se mudou para o seu vilarejo-natal, Makharij, a 25
quilômetros da cidade portuária de Kobane.
35 No entanto, quando Kobane se tornou um foco de luta entre combatentes curdos e
militantes do chamado Estado Islâmico, no fim de 2014, a família voltou a fugir, desta vez para a
Turquia, ao lado de milhares de outros refugiados.
A Turquia lhes ofereceu abrigo, mas não lhes ofereceu cidadania.
'Irregulares'
40 Entre os vizinhos da Síria, a Turquia foi o primeiro a reagir formalmente à crise dos
refugiados, declarando proteção temporária em outubro de 2011, garantindo que não iria repatriar
qualquer refugiado sírio.
A medida garante a portadores de passaportes sírios um visto de residência de um ano e
liberdade de movimentos no país. Mas aqueles que não apresentarem documentos são obrigados
45 a se registrar em um campo de refugiados e lá permanecer. Caso contrário, são considerados
"irregulares".
Essa era a situação dos Kurdi, que se encontravam em Istambul, mas estavam
desesperados para deixar a Turquia. No entanto, não podiam obter vistos de saída da Turquia,
porque não tinham passaportes, e não podiam pedir asilo em outros países, porque não tinham
50 vistos de saída da Síria.
Tima Kurdi já estava "patrocinando" o processo de asilo da família de outro irmão dela,
Mohammad, mas dificuldades financeiras e a complexidade do processo a obrigaram a dar entrada
em um processo de cada vez. Mohammad foi escolhido primeiro, porque os filhos dele já estão em
idade escolar.
55 No entanto, o pedido de asilo foi rejeitado pelo Canadá. O departamento de Imigração e
Cidadania disse à BBC que o processo estava "incompleto porque não reunia os requisitos
necessários para comprovar o reconhecimento da situação de refugiado".
A razão para a rejeição foi simples, segundo Tima: os Kurdi não têm passaporte e nem
vistos de trabalho turcos, documentos que não podiam obter.
60 Papelada
Quando o primeiro pedido de asilo foi rejeitado, em junho, "não havia esperanças de que
Abdullah e sua família obtivessem a papelada correta para um processo bem-sucedido", afirmou
Tima. Por isso, eles embarcaram ilegalmente rumo à Grécia.
Os Kurdi já tinham tentado deixar a Turquia três vezes anteriormente. Todas sem sucesso.
65 Na última e fatal, parentes contaram que eles conheceram pessoas em Izmir que prometeram levá-
los até a costa e de lá para Kos, de barco.
Acredita-se que eles tenham pagado o equivalente a R$ 16,5 mil pela travessia. Muito mais
do que custariam as passagens aéreas para toda a família chegar ao Canadá.
Ainda no escuro, o bote com a família foi empurrado mar adentro. Abdullah descreveu o
70 momento em que a sua família se afogou em detalhes.
"Tentei segurar as crianças e a minha mulher, mas não adiantou. Um por um, eles
morreram. Tentei timonear o barco, mas veio outra onda grande e o virou", afirmou. "Foi aí que o
pior aconteceu."
"As minhas crianças eram as mais bonitas do mundo. Será que existe alguém no mundo,
75 para quem os próprios filhos não sejam a coisa mais preciosa?"
"Eles eram incríveis. Me acordavam todos os dias para brincar."
"Adoraria me sentar ao lado do túmulo da minha família agora e aliviar a minha dor."
Ele afirmou que pretende levar os corpos de volta a Istambul e de lá para Kobane, onde
quer enterrá-los.
80 "É tarde demais para salvar a família de Abdullah", disse Tima. "Por favor, vamos usar a
nossa voz coletiva para mudar e exigir que os líderes do mundo tomem decisões agora para
aprovar medidas de emergência para refugiados. Vamos pôr fim a esse sofrimento. Os nossos
corações estão partidos."
Disponível em <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150904_siria_familia_ebc>
Acesso em 22/09/2015
Texto adaptado
Vocabulário:
Apátrida: indivíduo sem nacionalidade.
Timonear: dirigir embarcação.
É natural que substantivos próprios indicativos de localidades (países, regiões, cidades) revelem a presença de adjuntos adverbiais de lugar na estrutura sintática dos períodos. Essa “regra” é descumprida no trecho abaixo, retirado do texto II - De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
O direito de ser diferente
Por Cidinei Bogo Chat
Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres.
Charles Evans Hughes
1 Nenhum ser humano é igual ao seu semelhante. Cada pessoa tem sua própria
singularidade que a distingue como ser humano individual, em face de gosto, antipatia, talento,
sexo, cultura, língua, religião e nacionalidade. Entretanto, as diferenças sempre alimentaram
discórdias entre as pessoas e grupos sociais.
5 Aliás, sob tal perspectiva, urge ressaltar que a humanidade tem presenciado ao longo de sua
história uma sequência de intolerância à diferença. Ser rotulado de diferente sempre foi visto como
sinônimo de inferioridade, de indesejável, de separado do grupo. Basta à pessoa ser considerada
diferente para os tidos padrões "normais" para que todos passem a desprezá-la, considerando-a
como um ser de outro mundo.
10 Nesse sentido, um dos problemas que deve ser enfrentado por toda a humanidade é a
tendência existente de definir as pessoas diferentes em termos negativos, de ver essas pessoas e o
grupo ao qual pertencem como inferiores e não merecedores de respeito.
Isso se deve à prática de classificar as pessoas em grupos distintos e homogêneos, com
base em critérios de cor, língua, cultura, nacionalidade, preferência sexual e religião. Sob esse
15 aspecto, os grupos são classificados em desejáveis ou indesejáveis, advindo daí o desrespeito ao
direito de ser diferente.
Historicamente, os diferentes sempre foram vítimas de perseguições injustificadas. Cite-se
como exemplo a perseguição aos judeus durante toda a história da humanidade e, mais
recentemente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o ódio ao semelhante levou a
20 atrocidades sem precedentes, fato que ficou mundialmente conhecido como Holocausto.
Se não bastasse, as mulheres têm menos direitos que os homens; as pessoas portadoras de
deficiência ainda enfrentam dificuldades em ver seus direitos efetivamente implantados e os
homossexuais ainda sofrem discriminação em face de suas preferências sexuais.
Atrocidades cometidas no Sudão e Ruanda demonstram até onde os seres humanos estão
25 prontos a ir para negar aos outros seus direitos; tornamo-nos uma sociedade que não respeita o
direito de o ser humano ser diferente.
Diante desse quadro, a empreitada aqui proposta consiste em expor e defender a ideia de
que, na sociedade moderna e nos estados democráticos de direito, não existe mais espaço para a
discriminação, para a intolerância e o desrespeito ao próximo.
30 Com efeito, não é permitido adotar qualquer tipo de distinção em razão de sexo, origem,
idade, cor, raça, estado civil, crença religiosa, convicção filosófica ou política, situação familiar,
condição e saúde física sensorial e mental ou orientação sexual.
A pretensão de eliminar por completo qualquer forma de discriminação certamente não é
uma tarefa fácil. Contudo, urge ressaltar que são atitudes positivas que levarão toda sociedade a
35 respeitar o direito à diferença.
Em suma, impor atitudes de reconhecimento dos direitos das pessoas diferentes é promover
justiça e equidade. Numa sociedade dita "democrática", há que prevalecer a diversidade natural e
cultural entre as pessoas.
Disponível em: <http://deficienteciente.com.br/2011/12/o-direito-de-ser-diferente-parte-1.html>
Acesso em 22/09/2015.
Texto adaptado.
Vocabulário:
Advir: ocorrer, acontecer.
Empreitada: tarefa.
Equidade: disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um.
Singularidade: particularidade, o que torna o ser único.
Urgir: ser urgente.
Texto-base:
TEXTO II
De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo
Por Joel Gunther
1 Dias após a foto do corpo do menino Alan Kurdi, que tinha 3 anos, ter provocado reações
emocionadas em diversos países, a família revelou a cadeia de eventos que levou ao afogamento
na travessia da Turquia para a Grécia.
Alan deixou a cidade de Bodrum, na Turquia, rumo à ilha grega de Kos, na quarta-feira de
5 madrugada, ao lado do pai, Abdullah, da mãe, Rehanna, e do irmão Ghalib, dois anos mais velho.
O objetivo final da família Kurdi era Vancouver, no Canadá, onde a irmã de Abdullah, Tima,
trabalha como cabeleireira.
Com um pequeno grupo de refugiados, eles embarcaram em dois botes para cruzar os 20
quilômetros que separam Bodrum de Kos.
10 Da praia, Abdullah enviou um SMS para Tima.
"Passei o recado para o nosso pai, na Síria, e para todos: 'Abdullah está partindo agora,
rezem por sua segurança'", disse Tima.
Mas as preces não foram ouvidas. As embarcações foram atingidas por ondas altas pouco
depois da partida. O capitão abandonou o navio.
15 Em questão de minutos, Abdullah Kurdi se encontrou na água, tentando salvar a vida de
seus dois filhos. Dos 23 integrantes do grupo de refugiados, acredita-se que 14 tenham morrido,
incluindo a mulher de Abdullah e seus meninos.
Versão turca
O número não impressiona diante das mortes em massa registradas no Mediterrâneo nos
20 últimos meses, mas as fotos do pequeno Alan de bruços na beira da praia transformaram o
episódio em um divisor de águas.
O nome dele chegou a ser grafado como "Aylan" por alguns meios de comunicação, entre
eles, a BBC. Mas a tia que vive no Canadá, Tima, esclareceu que aquela era a versão turca do
nome, dada às autoridades da Turquia. O nome original, curdo, era Alan.
25 Como sírios de origem curda, as chances de conseguir asilo no Canadá diminuíram no
momento em que os Kurdi deixaram a Síria rumo à Turquia.
Durante anos, a Síria negou cidadania à sua população de origem curda. Os curdos eram
considerados apátridas pelas autoridades.
Em 2011, um decreto autorizou que alguns deles entrassem com pedidos de cidadania,
30 mas outros permaneceram sem o direito. Muitos foram forçados a fugir do país antes mesmo que
pudessem dar entrada no processo.
Os Kurdi moravam em Damasco no início do conflito na Síria, no fim de 2011. Quando a
violência na cidade se agravou, a família se mudou para o seu vilarejo-natal, Makharij, a 25
quilômetros da cidade portuária de Kobane.
35 No entanto, quando Kobane se tornou um foco de luta entre combatentes curdos e
militantes do chamado Estado Islâmico, no fim de 2014, a família voltou a fugir, desta vez para a
Turquia, ao lado de milhares de outros refugiados.
A Turquia lhes ofereceu abrigo, mas não lhes ofereceu cidadania.
'Irregulares'
40 Entre os vizinhos da Síria, a Turquia foi o primeiro a reagir formalmente à crise dos
refugiados, declarando proteção temporária em outubro de 2011, garantindo que não iria repatriar
qualquer refugiado sírio.
A medida garante a portadores de passaportes sírios um visto de residência de um ano e
liberdade de movimentos no país. Mas aqueles que não apresentarem documentos são obrigados
45 a se registrar em um campo de refugiados e lá permanecer. Caso contrário, são considerados
"irregulares".
Essa era a situação dos Kurdi, que se encontravam em Istambul, mas estavam
desesperados para deixar a Turquia. No entanto, não podiam obter vistos de saída da Turquia,
porque não tinham passaportes, e não podiam pedir asilo em outros países, porque não tinham
50 vistos de saída da Síria.
Tima Kurdi já estava "patrocinando" o processo de asilo da família de outro irmão dela,
Mohammad, mas dificuldades financeiras e a complexidade do processo a obrigaram a dar entrada
em um processo de cada vez. Mohammad foi escolhido primeiro, porque os filhos dele já estão em
idade escolar.
55 No entanto, o pedido de asilo foi rejeitado pelo Canadá. O departamento de Imigração e
Cidadania disse à BBC que o processo estava "incompleto porque não reunia os requisitos
necessários para comprovar o reconhecimento da situação de refugiado".
A razão para a rejeição foi simples, segundo Tima: os Kurdi não têm passaporte e nem
vistos de trabalho turcos, documentos que não podiam obter.
60 Papelada
Quando o primeiro pedido de asilo foi rejeitado, em junho, "não havia esperanças de que
Abdullah e sua família obtivessem a papelada correta para um processo bem-sucedido", afirmou
Tima. Por isso, eles embarcaram ilegalmente rumo à Grécia.
Os Kurdi já tinham tentado deixar a Turquia três vezes anteriormente. Todas sem sucesso.
65 Na última e fatal, parentes contaram que eles conheceram pessoas em Izmir que prometeram levá-
los até a costa e de lá para Kos, de barco.
Acredita-se que eles tenham pagado o equivalente a R$ 16,5 mil pela travessia. Muito mais
do que custariam as passagens aéreas para toda a família chegar ao Canadá.
Ainda no escuro, o bote com a família foi empurrado mar adentro. Abdullah descreveu o
70 momento em que a sua família se afogou em detalhes.
"Tentei segurar as crianças e a minha mulher, mas não adiantou. Um por um, eles
morreram. Tentei timonear o barco, mas veio outra onda grande e o virou", afirmou. "Foi aí que o
pior aconteceu."
"As minhas crianças eram as mais bonitas do mundo. Será que existe alguém no mundo,
75 para quem os próprios filhos não sejam a coisa mais preciosa?"
"Eles eram incríveis. Me acordavam todos os dias para brincar."
"Adoraria me sentar ao lado do túmulo da minha família agora e aliviar a minha dor."
Ele afirmou que pretende levar os corpos de volta a Istambul e de lá para Kobane, onde
quer enterrá-los.
80 "É tarde demais para salvar a família de Abdullah", disse Tima. "Por favor, vamos usar a
nossa voz coletiva para mudar e exigir que os líderes do mundo tomem decisões agora para
aprovar medidas de emergência para refugiados. Vamos pôr fim a esse sofrimento. Os nossos
corações estão partidos."
Disponível em <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150904_siria_familia_ebc>
Acesso em 22/09/2015
Texto adaptado
Vocabulário:
Apátrida: indivíduo sem nacionalidade.
Timonear: dirigir embarcação.
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O trecho sublinhado estabelece com o restante do período a mesma relação semântica que pode ser averiguada no trecho do texto I – O direito de ser diferente – destacado em:
TEXTO III
Igual-Desigual
Por Carlos Drummond de Andrade
1 Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinhos são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
5 Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais.
Todos os partidos políticos são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
10 e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais, iguais, iguais.
15 Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
20 Ninguém é igual a ninguém.
Todo o ser humano é um estranho
ímpar.
ANDRADE, C.D. 'A Paixão Medida' In: Nova Reunião
Vocabulário:
Best-seller: livro campeão de venda.
Gazel: poesia amorosa ou báquica, uma espécie de ode.
Rondó: composição poética com refrão constante.
Sextina: composição poética de seis versos.
Soneto: composição poética de catorze versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.
Virelai: forma poética e musical francesa muito popular entre os séculos XIII e XV.
“Iguais todos os rompimentos” (v.15, texto III – Igual-desigual).
Nesse verso, para dar ritmo ao texto, o poeta utiliza uma elipse (omissão de termo facilmente depreendido pelo contexto).
Considerando a existência desse termo implícito, a palavra iguais pode ser classificada sintaticamente como:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
O direito de ser diferente
Por Cidinei Bogo Chat
Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres.
Charles Evans Hughes
1 Nenhum ser humano é igual ao seu semelhante. Cada pessoa tem sua própria
singularidade que a distingue como ser humano individual, em face de gosto, antipatia, talento,
sexo, cultura, língua, religião e nacionalidade. Entretanto, as diferenças sempre alimentaram
discórdias entre as pessoas e grupos sociais.
5 Aliás, sob tal perspectiva, urge ressaltar que a humanidade tem presenciado ao longo de sua
história uma sequência de intolerância à diferença. Ser rotulado de diferente sempre foi visto como
sinônimo de inferioridade, de indesejável, de separado do grupo. Basta à pessoa ser considerada
diferente para os tidos padrões "normais" para que todos passem a desprezá-la, considerando-a
como um ser de outro mundo.
10 Nesse sentido, um dos problemas que deve ser enfrentado por toda a humanidade é a
tendência existente de definir as pessoas diferentes em termos negativos, de ver essas pessoas e o
grupo ao qual pertencem como inferiores e não merecedores de respeito.
Isso se deve à prática de classificar as pessoas em grupos distintos e homogêneos, com
base em critérios de cor, língua, cultura, nacionalidade, preferência sexual e religião. Sob esse
15 aspecto, os grupos são classificados em desejáveis ou indesejáveis, advindo daí o desrespeito ao
direito de ser diferente.
Historicamente, os diferentes sempre foram vítimas de perseguições injustificadas. Cite-se
como exemplo a perseguição aos judeus durante toda a história da humanidade e, mais
recentemente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o ódio ao semelhante levou a
20 atrocidades sem precedentes, fato que ficou mundialmente conhecido como Holocausto.
Se não bastasse, as mulheres têm menos direitos que os homens; as pessoas portadoras de
deficiência ainda enfrentam dificuldades em ver seus direitos efetivamente implantados e os
homossexuais ainda sofrem discriminação em face de suas preferências sexuais.
Atrocidades cometidas no Sudão e Ruanda demonstram até onde os seres humanos estão
25 prontos a ir para negar aos outros seus direitos; tornamo-nos uma sociedade que não respeita o
direito de o ser humano ser diferente.
Diante desse quadro, a empreitada aqui proposta consiste em expor e defender a ideia de
que, na sociedade moderna e nos estados democráticos de direito, não existe mais espaço para a
discriminação, para a intolerância e o desrespeito ao próximo.
30 Com efeito, não é permitido adotar qualquer tipo de distinção em razão de sexo, origem,
idade, cor, raça, estado civil, crença religiosa, convicção filosófica ou política, situação familiar,
condição e saúde física sensorial e mental ou orientação sexual.
A pretensão de eliminar por completo qualquer forma de discriminação certamente não é
uma tarefa fácil. Contudo, urge ressaltar que são atitudes positivas que levarão toda sociedade a
35 respeitar o direito à diferença.
Em suma, impor atitudes de reconhecimento dos direitos das pessoas diferentes é promover
justiça e equidade. Numa sociedade dita "democrática", há que prevalecer a diversidade natural e
cultural entre as pessoas.
Disponível em: <http://deficienteciente.com.br/2011/12/o-direito-de-ser-diferente-parte-1.html>
Acesso em 22/09/2015.
Texto adaptado.
Vocabulário:
Advir: ocorrer, acontecer.
Empreitada: tarefa.
Equidade: disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um.
Singularidade: particularidade, o que torna o ser único.
Urgir: ser urgente.
“Cada pessoa tem sua própria singularidade que a distingue como ser humano individual, em face de gosto, antipatia, talento, sexo, cultura, língua, religião e nacionalidade” (linhas 1,2 e 3, texto I – O direito de ser diferente).
Das paráfrases desse fragmento encontradas abaixo, aquela que possui aposto resumitivo é:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
O direito de ser diferente
Por Cidinei Bogo Chat
Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres.
Charles Evans Hughes
1 Nenhum ser humano é igual ao seu semelhante. Cada pessoa tem sua própria
singularidade que a distingue como ser humano individual, em face de gosto, antipatia, talento,
sexo, cultura, língua, religião e nacionalidade. Entretanto, as diferenças sempre alimentaram
discórdias entre as pessoas e grupos sociais.
5 Aliás, sob tal perspectiva, urge ressaltar que a humanidade tem presenciado ao longo de sua
história uma sequência de intolerância à diferença. Ser rotulado de diferente sempre foi visto como
sinônimo de inferioridade, de indesejável, de separado do grupo. Basta à pessoa ser considerada
diferente para os tidos padrões "normais" para que todos passem a desprezá-la, considerando-a
como um ser de outro mundo.
10 Nesse sentido, um dos problemas que deve ser enfrentado por toda a humanidade é a
tendência existente de definir as pessoas diferentes em termos negativos, de ver essas pessoas e o
grupo ao qual pertencem como inferiores e não merecedores de respeito.
Isso se deve à prática de classificar as pessoas em grupos distintos e homogêneos, com
base em critérios de cor, língua, cultura, nacionalidade, preferência sexual e religião. Sob esse
15 aspecto, os grupos são classificados em desejáveis ou indesejáveis, advindo daí o desrespeito ao
direito de ser diferente.
Historicamente, os diferentes sempre foram vítimas de perseguições injustificadas. Cite-se
como exemplo a perseguição aos judeus durante toda a história da humanidade e, mais
recentemente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o ódio ao semelhante levou a
20 atrocidades sem precedentes, fato que ficou mundialmente conhecido como Holocausto.
Se não bastasse, as mulheres têm menos direitos que os homens; as pessoas portadoras de
deficiência ainda enfrentam dificuldades em ver seus direitos efetivamente implantados e os
homossexuais ainda sofrem discriminação em face de suas preferências sexuais.
Atrocidades cometidas no Sudão e Ruanda demonstram até onde os seres humanos estão
25 prontos a ir para negar aos outros seus direitos; tornamo-nos uma sociedade que não respeita o
direito de o ser humano ser diferente.
Diante desse quadro, a empreitada aqui proposta consiste em expor e defender a ideia de
que, na sociedade moderna e nos estados democráticos de direito, não existe mais espaço para a
discriminação, para a intolerância e o desrespeito ao próximo.
30 Com efeito, não é permitido adotar qualquer tipo de distinção em razão de sexo, origem,
idade, cor, raça, estado civil, crença religiosa, convicção filosófica ou política, situação familiar,
condição e saúde física sensorial e mental ou orientação sexual.
A pretensão de eliminar por completo qualquer forma de discriminação certamente não é
uma tarefa fácil. Contudo, urge ressaltar que são atitudes positivas que levarão toda sociedade a
35 respeitar o direito à diferença.
Em suma, impor atitudes de reconhecimento dos direitos das pessoas diferentes é promover
justiça e equidade. Numa sociedade dita "democrática", há que prevalecer a diversidade natural e
cultural entre as pessoas.
Disponível em: <http://deficienteciente.com.br/2011/12/o-direito-de-ser-diferente-parte-1.html>
Acesso em 22/09/2015.
Texto adaptado.
Vocabulário:
Advir: ocorrer, acontecer.
Empreitada: tarefa.
Equidade: disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um.
Singularidade: particularidade, o que torna o ser único.
Urgir: ser urgente.
“...tornamo-nos uma sociedade que não respeita o direito de o ser humano ser diferente” (linhas 25 e 26, texto I – O direito de ser diferente). O emprego da pessoa do discurso implícita no sujeito desinencial nesse fragmento sugere que:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
O direito de ser diferente
Por Cidinei Bogo Chat
Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres.
Charles Evans Hughes
1 Nenhum ser humano é igual ao seu semelhante. Cada pessoa tem sua própria
singularidade que a distingue como ser humano individual, em face de gosto, antipatia, talento,
sexo, cultura, língua, religião e nacionalidade. Entretanto, as diferenças sempre alimentaram
discórdias entre as pessoas e grupos sociais.
5 Aliás, sob tal perspectiva, urge ressaltar que a humanidade tem presenciado ao longo de sua
história uma sequência de intolerância à diferença. Ser rotulado de diferente sempre foi visto como
sinônimo de inferioridade, de indesejável, de separado do grupo. Basta à pessoa ser considerada
diferente para os tidos padrões "normais" para que todos passem a desprezá-la, considerando-a
como um ser de outro mundo.
10 Nesse sentido, um dos problemas que deve ser enfrentado por toda a humanidade é a
tendência existente de definir as pessoas diferentes em termos negativos, de ver essas pessoas e o
grupo ao qual pertencem como inferiores e não merecedores de respeito.
Isso se deve à prática de classificar as pessoas em grupos distintos e homogêneos, com
base em critérios de cor, língua, cultura, nacionalidade, preferência sexual e religião. Sob esse
15 aspecto, os grupos são classificados em desejáveis ou indesejáveis, advindo daí o desrespeito ao
direito de ser diferente.
Historicamente, os diferentes sempre foram vítimas de perseguições injustificadas. Cite-se
como exemplo a perseguição aos judeus durante toda a história da humanidade e, mais
recentemente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o ódio ao semelhante levou a
20 atrocidades sem precedentes, fato que ficou mundialmente conhecido como Holocausto.
Se não bastasse, as mulheres têm menos direitos que os homens; as pessoas portadoras de
deficiência ainda enfrentam dificuldades em ver seus direitos efetivamente implantados e os
homossexuais ainda sofrem discriminação em face de suas preferências sexuais.
Atrocidades cometidas no Sudão e Ruanda demonstram até onde os seres humanos estão
25 prontos a ir para negar aos outros seus direitos; tornamo-nos uma sociedade que não respeita o
direito de o ser humano ser diferente.
Diante desse quadro, a empreitada aqui proposta consiste em expor e defender a ideia de
que, na sociedade moderna e nos estados democráticos de direito, não existe mais espaço para a
discriminação, para a intolerância e o desrespeito ao próximo.
30 Com efeito, não é permitido adotar qualquer tipo de distinção em razão de sexo, origem,
idade, cor, raça, estado civil, crença religiosa, convicção filosófica ou política, situação familiar,
condição e saúde física sensorial e mental ou orientação sexual.
A pretensão de eliminar por completo qualquer forma de discriminação certamente não é
uma tarefa fácil. Contudo, urge ressaltar que são atitudes positivas que levarão toda sociedade a
35 respeitar o direito à diferença.
Em suma, impor atitudes de reconhecimento dos direitos das pessoas diferentes é promover
justiça e equidade. Numa sociedade dita "democrática", há que prevalecer a diversidade natural e
cultural entre as pessoas.
Disponível em: <http://deficienteciente.com.br/2011/12/o-direito-de-ser-diferente-parte-1.html>
Acesso em 22/09/2015.
Texto adaptado.
Vocabulário:
Advir: ocorrer, acontecer.
Empreitada: tarefa.
Equidade: disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um.
Singularidade: particularidade, o que torna o ser único.
Urgir: ser urgente.
Texto-base:
TEXTO II
De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo
Por Joel Gunther
1 Dias após a foto do corpo do menino Alan Kurdi, que tinha 3 anos, ter provocado reações
emocionadas em diversos países, a família revelou a cadeia de eventos que levou ao afogamento
na travessia da Turquia para a Grécia.
Alan deixou a cidade de Bodrum, na Turquia, rumo à ilha grega de Kos, na quarta-feira de
5 madrugada, ao lado do pai, Abdullah, da mãe, Rehanna, e do irmão Ghalib, dois anos mais velho.
O objetivo final da família Kurdi era Vancouver, no Canadá, onde a irmã de Abdullah, Tima,
trabalha como cabeleireira.
Com um pequeno grupo de refugiados, eles embarcaram em dois botes para cruzar os 20
quilômetros que separam Bodrum de Kos.
10 Da praia, Abdullah enviou um SMS para Tima.
"Passei o recado para o nosso pai, na Síria, e para todos: 'Abdullah está partindo agora,
rezem por sua segurança'", disse Tima.
Mas as preces não foram ouvidas. As embarcações foram atingidas por ondas altas pouco
depois da partida. O capitão abandonou o navio.
15 Em questão de minutos, Abdullah Kurdi se encontrou na água, tentando salvar a vida de
seus dois filhos. Dos 23 integrantes do grupo de refugiados, acredita-se que 14 tenham morrido,
incluindo a mulher de Abdullah e seus meninos.
Versão turca
O número não impressiona diante das mortes em massa registradas no Mediterrâneo nos
20 últimos meses, mas as fotos do pequeno Alan de bruços na beira da praia transformaram o
episódio em um divisor de águas.
O nome dele chegou a ser grafado como "Aylan" por alguns meios de comunicação, entre
eles, a BBC. Mas a tia que vive no Canadá, Tima, esclareceu que aquela era a versão turca do
nome, dada às autoridades da Turquia. O nome original, curdo, era Alan.
25 Como sírios de origem curda, as chances de conseguir asilo no Canadá diminuíram no
momento em que os Kurdi deixaram a Síria rumo à Turquia.
Durante anos, a Síria negou cidadania à sua população de origem curda. Os curdos eram
considerados apátridas pelas autoridades.
Em 2011, um decreto autorizou que alguns deles entrassem com pedidos de cidadania,
30 mas outros permaneceram sem o direito. Muitos foram forçados a fugir do país antes mesmo que
pudessem dar entrada no processo.
Os Kurdi moravam em Damasco no início do conflito na Síria, no fim de 2011. Quando a
violência na cidade se agravou, a família se mudou para o seu vilarejo-natal, Makharij, a 25
quilômetros da cidade portuária de Kobane.
35 No entanto, quando Kobane se tornou um foco de luta entre combatentes curdos e
militantes do chamado Estado Islâmico, no fim de 2014, a família voltou a fugir, desta vez para a
Turquia, ao lado de milhares de outros refugiados.
A Turquia lhes ofereceu abrigo, mas não lhes ofereceu cidadania.
'Irregulares'
40 Entre os vizinhos da Síria, a Turquia foi o primeiro a reagir formalmente à crise dos
refugiados, declarando proteção temporária em outubro de 2011, garantindo que não iria repatriar
qualquer refugiado sírio.
A medida garante a portadores de passaportes sírios um visto de residência de um ano e
liberdade de movimentos no país. Mas aqueles que não apresentarem documentos são obrigados
45 a se registrar em um campo de refugiados e lá permanecer. Caso contrário, são considerados
"irregulares".
Essa era a situação dos Kurdi, que se encontravam em Istambul, mas estavam
desesperados para deixar a Turquia. No entanto, não podiam obter vistos de saída da Turquia,
porque não tinham passaportes, e não podiam pedir asilo em outros países, porque não tinham
50 vistos de saída da Síria.
Tima Kurdi já estava "patrocinando" o processo de asilo da família de outro irmão dela,
Mohammad, mas dificuldades financeiras e a complexidade do processo a obrigaram a dar entrada
em um processo de cada vez. Mohammad foi escolhido primeiro, porque os filhos dele já estão em
idade escolar.
55 No entanto, o pedido de asilo foi rejeitado pelo Canadá. O departamento de Imigração e
Cidadania disse à BBC que o processo estava "incompleto porque não reunia os requisitos
necessários para comprovar o reconhecimento da situação de refugiado".
A razão para a rejeição foi simples, segundo Tima: os Kurdi não têm passaporte e nem
vistos de trabalho turcos, documentos que não podiam obter.
60 Papelada
Quando o primeiro pedido de asilo foi rejeitado, em junho, "não havia esperanças de que
Abdullah e sua família obtivessem a papelada correta para um processo bem-sucedido", afirmou
Tima. Por isso, eles embarcaram ilegalmente rumo à Grécia.
Os Kurdi já tinham tentado deixar a Turquia três vezes anteriormente. Todas sem sucesso.
65 Na última e fatal, parentes contaram que eles conheceram pessoas em Izmir que prometeram levá-
los até a costa e de lá para Kos, de barco.
Acredita-se que eles tenham pagado o equivalente a R$ 16,5 mil pela travessia. Muito mais
do que custariam as passagens aéreas para toda a família chegar ao Canadá.
Ainda no escuro, o bote com a família foi empurrado mar adentro. Abdullah descreveu o
70 momento em que a sua família se afogou em detalhes.
"Tentei segurar as crianças e a minha mulher, mas não adiantou. Um por um, eles
morreram. Tentei timonear o barco, mas veio outra onda grande e o virou", afirmou. "Foi aí que o
pior aconteceu."
"As minhas crianças eram as mais bonitas do mundo. Será que existe alguém no mundo,
75 para quem os próprios filhos não sejam a coisa mais preciosa?"
"Eles eram incríveis. Me acordavam todos os dias para brincar."
"Adoraria me sentar ao lado do túmulo da minha família agora e aliviar a minha dor."
Ele afirmou que pretende levar os corpos de volta a Istambul e de lá para Kobane, onde
quer enterrá-los.
80 "É tarde demais para salvar a família de Abdullah", disse Tima. "Por favor, vamos usar a
nossa voz coletiva para mudar e exigir que os líderes do mundo tomem decisões agora para
aprovar medidas de emergência para refugiados. Vamos pôr fim a esse sofrimento. Os nossos
corações estão partidos."
Disponível em <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150904_siria_familia_ebc>
Acesso em 22/09/2015
Texto adaptado
Vocabulário:
Apátrida: indivíduo sem nacionalidade.
Timonear: dirigir embarcação.
“Ser rotulado de diferente sempre foi visto como sinônimo de inferioridade, de indesejável, de separado do grupo” (linhas 6 e 7, texto I – O direito de ser diferente).
O trecho do texto II – De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo – que melhor exemplifica o fragmento acima é:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO V
Discurso de ódio é o limite da liberdade de expressão
Por Aurea Maria de Oliveira Manoel
Vanessa Alves Vieira
A Constituição estabelece que a liberdade de expressão consiste em direito fundamental, exercido independentemente de censura ou licença (inciso IX do artigo 5º da Constituição).
Muitos fazem a leitura seletiva das normas constitucionais e param nessa previsão. No entanto, logo em seguida, no mesmo artigo, estabelece-se que "são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação". No inciso V, por sua vez, é "assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem".
Está claro na Constituição que a liberdade de expressão não pode passar por qualquer controle prévio (censura ou licença). No entanto, as eventuais violações de direitos causadas pelo discurso podem ensejar direito à indenização. É, também, assegurado o direito de resposta, proporcional à ofensa perpetrada.
Discurso de ódio
Discurso de ódio é aquele que ofende determinado grupo social, bem como incentiva a agressão, a violência, a segregação em relação a ele. O ministro Celso de Mello bem pontuou, recentemente, os limites da liberdade de expressão e o discurso de ódio, como mostra sua fala a seguir:
"O repúdio ao 'hate speech' (discurso de ódio) surge, na realidade, em decorrência de nosso sistema constitucional que reflete a repulsa ao ódio étnico. Há limites que conformam o exercício do direito à livre manifestação do pensamento, eis que a nossa Carta Política, ao contemplar determinados valores, quis protegê-los de modo amplo, em ordem a impedir, por exemplo, discriminações atentatórias aos direitos e liberdades fundamentais (CF, art. 5º, XLI), a prática do racismo (CF, art. 5º, XLII) e a ação de grupos armados (civis ou militares) contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (CF, art. 5º, XLIV)".
Há aqueles que defendem a liberdade absoluta de manifestação e expressão de ideias, acreditando que isso levaria à evolução gradual do pensamento. Ideias, porém, não se confundem com agressões e ofensas, que estimulam o preconceito, a discriminação e o aniquilamento do outro.
O debate franco e democrático somente é possível no contexto social no qual há o respeito aos grupos, inclusive aos politicamente minoritários, e o direito de voz é igual para todos e todas.
Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2015/04/23/discurso-de-odio-e-o-limite-da-liberdade-de-expressao.htm>.
Acesso em 20/10/2015
Texto adaptado.
Vocabulário:
Aniquilamento: anulação.
Atentatórias: que constitui atentado, violência, agressão.
Invioláveis: que não se pode violar; legalmente protegido contra qualquer violência.
Ensejar: dar oportunidade.
Perpetrada: cometida.
Segregação: separação.
Texto-base:
TEXTO I
O direito de ser diferente
Por Cidinei Bogo Chat
Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres.
Charles Evans Hughes
1 Nenhum ser humano é igual ao seu semelhante. Cada pessoa tem sua própria
singularidade que a distingue como ser humano individual, em face de gosto, antipatia, talento,
sexo, cultura, língua, religião e nacionalidade. Entretanto, as diferenças sempre alimentaram
discórdias entre as pessoas e grupos sociais.
5 Aliás, sob tal perspectiva, urge ressaltar que a humanidade tem presenciado ao longo de sua
história uma sequência de intolerância à diferença. Ser rotulado de diferente sempre foi visto como
sinônimo de inferioridade, de indesejável, de separado do grupo. Basta à pessoa ser considerada
diferente para os tidos padrões "normais" para que todos passem a desprezá-la, considerando-a
como um ser de outro mundo.
10 Nesse sentido, um dos problemas que deve ser enfrentado por toda a humanidade é a
tendência existente de definir as pessoas diferentes em termos negativos, de ver essas pessoas e o
grupo ao qual pertencem como inferiores e não merecedores de respeito.
Isso se deve à prática de classificar as pessoas em grupos distintos e homogêneos, com
base em critérios de cor, língua, cultura, nacionalidade, preferência sexual e religião. Sob esse
15 aspecto, os grupos são classificados em desejáveis ou indesejáveis, advindo daí o desrespeito ao
direito de ser diferente.
Historicamente, os diferentes sempre foram vítimas de perseguições injustificadas. Cite-se
como exemplo a perseguição aos judeus durante toda a história da humanidade e, mais
recentemente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o ódio ao semelhante levou a
20 atrocidades sem precedentes, fato que ficou mundialmente conhecido como Holocausto.
Se não bastasse, as mulheres têm menos direitos que os homens; as pessoas portadoras de
deficiência ainda enfrentam dificuldades em ver seus direitos efetivamente implantados e os
homossexuais ainda sofrem discriminação em face de suas preferências sexuais.
Atrocidades cometidas no Sudão e Ruanda demonstram até onde os seres humanos estão
25 prontos a ir para negar aos outros seus direitos; tornamo-nos uma sociedade que não respeita o
direito de o ser humano ser diferente.
Diante desse quadro, a empreitada aqui proposta consiste em expor e defender a ideia de
que, na sociedade moderna e nos estados democráticos de direito, não existe mais espaço para a
discriminação, para a intolerância e o desrespeito ao próximo.
30 Com efeito, não é permitido adotar qualquer tipo de distinção em razão de sexo, origem,
idade, cor, raça, estado civil, crença religiosa, convicção filosófica ou política, situação familiar,
condição e saúde física sensorial e mental ou orientação sexual.
A pretensão de eliminar por completo qualquer forma de discriminação certamente não é
uma tarefa fácil. Contudo, urge ressaltar que são atitudes positivas que levarão toda sociedade a
35 respeitar o direito à diferença.
Em suma, impor atitudes de reconhecimento dos direitos das pessoas diferentes é promover
justiça e equidade. Numa sociedade dita "democrática", há que prevalecer a diversidade natural e
cultural entre as pessoas.
Disponível em: <http://deficienteciente.com.br/2011/12/o-direito-de-ser-diferente-parte-1.html>
Acesso em 22/09/2015.
Texto adaptado.
Vocabulário:
Advir: ocorrer, acontecer.
Empreitada: tarefa.
Equidade: disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um.
Singularidade: particularidade, o que torna o ser único.
Urgir: ser urgente.
Texto-base:
TEXTO II
De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo
Por Joel Gunther
1 Dias após a foto do corpo do menino Alan Kurdi, que tinha 3 anos, ter provocado reações
emocionadas em diversos países, a família revelou a cadeia de eventos que levou ao afogamento
na travessia da Turquia para a Grécia.
Alan deixou a cidade de Bodrum, na Turquia, rumo à ilha grega de Kos, na quarta-feira de
5 madrugada, ao lado do pai, Abdullah, da mãe, Rehanna, e do irmão Ghalib, dois anos mais velho.
O objetivo final da família Kurdi era Vancouver, no Canadá, onde a irmã de Abdullah, Tima,
trabalha como cabeleireira.
Com um pequeno grupo de refugiados, eles embarcaram em dois botes para cruzar os 20
quilômetros que separam Bodrum de Kos.
10 Da praia, Abdullah enviou um SMS para Tima.
"Passei o recado para o nosso pai, na Síria, e para todos: 'Abdullah está partindo agora,
rezem por sua segurança'", disse Tima.
Mas as preces não foram ouvidas. As embarcações foram atingidas por ondas altas pouco
depois da partida. O capitão abandonou o navio.
15 Em questão de minutos, Abdullah Kurdi se encontrou na água, tentando salvar a vida de
seus dois filhos. Dos 23 integrantes do grupo de refugiados, acredita-se que 14 tenham morrido,
incluindo a mulher de Abdullah e seus meninos.
Versão turca
O número não impressiona diante das mortes em massa registradas no Mediterrâneo nos
20 últimos meses, mas as fotos do pequeno Alan de bruços na beira da praia transformaram o
episódio em um divisor de águas.
O nome dele chegou a ser grafado como "Aylan" por alguns meios de comunicação, entre
eles, a BBC. Mas a tia que vive no Canadá, Tima, esclareceu que aquela era a versão turca do
nome, dada às autoridades da Turquia. O nome original, curdo, era Alan.
25 Como sírios de origem curda, as chances de conseguir asilo no Canadá diminuíram no
momento em que os Kurdi deixaram a Síria rumo à Turquia.
Durante anos, a Síria negou cidadania à sua população de origem curda. Os curdos eram
considerados apátridas pelas autoridades.
Em 2011, um decreto autorizou que alguns deles entrassem com pedidos de cidadania,
30 mas outros permaneceram sem o direito. Muitos foram forçados a fugir do país antes mesmo que
pudessem dar entrada no processo.
Os Kurdi moravam em Damasco no início do conflito na Síria, no fim de 2011. Quando a
violência na cidade se agravou, a família se mudou para o seu vilarejo-natal, Makharij, a 25
quilômetros da cidade portuária de Kobane.
35 No entanto, quando Kobane se tornou um foco de luta entre combatentes curdos e
militantes do chamado Estado Islâmico, no fim de 2014, a família voltou a fugir, desta vez para a
Turquia, ao lado de milhares de outros refugiados.
A Turquia lhes ofereceu abrigo, mas não lhes ofereceu cidadania.
'Irregulares'
40 Entre os vizinhos da Síria, a Turquia foi o primeiro a reagir formalmente à crise dos
refugiados, declarando proteção temporária em outubro de 2011, garantindo que não iria repatriar
qualquer refugiado sírio.
A medida garante a portadores de passaportes sírios um visto de residência de um ano e
liberdade de movimentos no país. Mas aqueles que não apresentarem documentos são obrigados
45 a se registrar em um campo de refugiados e lá permanecer. Caso contrário, são considerados
"irregulares".
Essa era a situação dos Kurdi, que se encontravam em Istambul, mas estavam
desesperados para deixar a Turquia. No entanto, não podiam obter vistos de saída da Turquia,
porque não tinham passaportes, e não podiam pedir asilo em outros países, porque não tinham
50 vistos de saída da Síria.
Tima Kurdi já estava "patrocinando" o processo de asilo da família de outro irmão dela,
Mohammad, mas dificuldades financeiras e a complexidade do processo a obrigaram a dar entrada
em um processo de cada vez. Mohammad foi escolhido primeiro, porque os filhos dele já estão em
idade escolar.
55 No entanto, o pedido de asilo foi rejeitado pelo Canadá. O departamento de Imigração e
Cidadania disse à BBC que o processo estava "incompleto porque não reunia os requisitos
necessários para comprovar o reconhecimento da situação de refugiado".
A razão para a rejeição foi simples, segundo Tima: os Kurdi não têm passaporte e nem
vistos de trabalho turcos, documentos que não podiam obter.
60 Papelada
Quando o primeiro pedido de asilo foi rejeitado, em junho, "não havia esperanças de que
Abdullah e sua família obtivessem a papelada correta para um processo bem-sucedido", afirmou
Tima. Por isso, eles embarcaram ilegalmente rumo à Grécia.
Os Kurdi já tinham tentado deixar a Turquia três vezes anteriormente. Todas sem sucesso.
65 Na última e fatal, parentes contaram que eles conheceram pessoas em Izmir que prometeram levá-
los até a costa e de lá para Kos, de barco.
Acredita-se que eles tenham pagado o equivalente a R$ 16,5 mil pela travessia. Muito mais
do que custariam as passagens aéreas para toda a família chegar ao Canadá.
Ainda no escuro, o bote com a família foi empurrado mar adentro. Abdullah descreveu o
70 momento em que a sua família se afogou em detalhes.
"Tentei segurar as crianças e a minha mulher, mas não adiantou. Um por um, eles
morreram. Tentei timonear o barco, mas veio outra onda grande e o virou", afirmou. "Foi aí que o
pior aconteceu."
"As minhas crianças eram as mais bonitas do mundo. Será que existe alguém no mundo,
75 para quem os próprios filhos não sejam a coisa mais preciosa?"
"Eles eram incríveis. Me acordavam todos os dias para brincar."
"Adoraria me sentar ao lado do túmulo da minha família agora e aliviar a minha dor."
Ele afirmou que pretende levar os corpos de volta a Istambul e de lá para Kobane, onde
quer enterrá-los.
80 "É tarde demais para salvar a família de Abdullah", disse Tima. "Por favor, vamos usar a
nossa voz coletiva para mudar e exigir que os líderes do mundo tomem decisões agora para
aprovar medidas de emergência para refugiados. Vamos pôr fim a esse sofrimento. Os nossos
corações estão partidos."
Disponível em <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150904_siria_familia_ebc>
Acesso em 22/09/2015
Texto adaptado
Vocabulário:
Apátrida: indivíduo sem nacionalidade.
Timonear: dirigir embarcação.
Texto-base:
TEXTO III
Igual-Desigual
Por Carlos Drummond de Andrade
1 Eu desconfiava:
todas as histórias em quadrinhos são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
5 Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais.
Todos os partidos políticos são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais
10 e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores, iguais, iguais, iguais.
15 Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
20 Ninguém é igual a ninguém.
Todo o ser humano é um estranho
ímpar.
ANDRADE, C.D. 'A Paixão Medida' In: Nova Reunião
Vocabulário:
Best-seller: livro campeão de venda.
Gazel: poesia amorosa ou báquica, uma espécie de ode.
Rondó: composição poética com refrão constante.
Sextina: composição poética de seis versos.
Soneto: composição poética de catorze versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos.
Virelai: forma poética e musical francesa muito popular entre os séculos XIII e XV.
Texto-base:
Texto IV
Banquet
Por Pawla Kuczyńskiego
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Disponível em < https://www.facebook.com/158506094232917/photos/pb.158506094232917.-2207520000.1445370898./481489045267952/?type=3&theater>
Acesso em: 22/09/2015
2ª PARTE – PRODUÇÃO DE TEXTO
PROPOSTA DE REDAÇÃO
A partir da leitura do texto V – Discurso de ódio é o limite da liberdade de expressão - e dos demais textos dessa prova, construa um texto dissertativo-argumentativo no qual você discuta os limites da liberdade de expressão, respondendo ao seguinte questionamento: como se expressar sem ferir o outro?
INSTRUÇÕES
O seu texto deve:
- ter entre 25 e 30 linhas;
- apresentar a variante padrão da linguagem;
- ser bem estruturado, sem fugir ao tema proposto;
- ter uma boa apresentação, atentando para a legibilidade e ausência de rasuras;
- conter as marcas do tipo textual solicitado.
Caso utilize a folha de rascunho, não se esqueça de passar a limpo o texto à caneta para a folha de redação definitiva. A banca não considerará o que estiver registrado no rascunho para fins de avaliação.
Atenção: não utilize o seu nome no texto produzido. Qualquer sinal que identifique a prova resultará em sua anulação e, consequentemente, na desclassificação do candidato.
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