← Voltar para a lista de provas Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) · Vestibular 2015 — Prova de Português 21 questões nesta prova · página 1 de 2 · 20 com gabarito Gabarito disponível Objetivo do texto de Braga sobre política imigratória. O autor concede que a política deve ser 'sábia, perfeita, materialista', mas pede 'uma pequena margem aos inúteis e aos vagabundos', pois deles pode vir a 'redenção e a glória' do país. Ou seja, defende uma política imigratória não limitada a critérios profissionais. A: a reportagem é ponto de partida, não o objetivo. B: ele não apoia imigração irrestrita nem se restringe à europeia, e fala em 'pequena margem'. C: afirma o contrário. E: não critica uma legislação específica; sugere hipoteticamente que uma legislação 'exemplar' poderia ter impedido grandes nomes. Referência: Interpretação de texto: tese e objetivo do autor. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Relação do autor com o ponto de vista do repórter José Leal. Braga concorda em parte com o repórter ('O repórter tem razão', 'É insensato importar gente assim') mas depois defende outro ponto de vista: o do valor humano imprevisível dos imigrantes, que justifica deixar 'uma pequena margem aos inúteis e aos vagabundos'. A: a aparência é apenas um traço descritivo, não um fator da imigração. B: os nomes ilustram a reportagem e não servem para dar importância social. C: a expressão é do repórter, entre aspas. D: Braga não sustenta que seja insensato, ele admite isso para depois relativizar. Só E descreve a concordância parcial com mudança de perspectiva. Referência: Interpretação de texto: posicionamento do autor e polifonia. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Posicionamento de Braga sobre imigrantes qualificados e sem profissão definida. II está certa: Braga mostra otimismo com os imigrantes de profissões vagas, que 'trazem o patrimônio de sua inquietação e de seu apetite de vida'. III está certa: concorda com o repórter ('tem razão') em parte, mas diverge ao defender a margem aos 'inúteis'. IV está certa: afirma que sem o tráfico de escravos não haveria Machado de Assis, e sem sangue escocês não haveria Drummond. I está errada: o texto não trata os imigrantes qualificados como tendo destino promissor. A, B: incluem I, falsa. C: omite IV, verdadeira. E: omite II, verdadeira. Só D (II, III e IV) está correta. Referência: Interpretação de texto: ideias do autor. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Função da citação do repórter 'para entulhar as grandes cidades'. A expressão entre aspas é do repórter José Leal, então I está certa. Ao citá-lo, Braga marca o ponto de partida do argumento e a direção do seu texto: concorda em parte ('O repórter tem razão') e depois contrapõe, então II está certa. III e IV atribuem a Braga uma concordância total com a visão do repórter, mas ele passa a defender a abertura aos 'inúteis e vagabundos'. Além disso, o texto não diz que os imigrantes deveriam trabalhar apenas no campo. B inclui IV, falsa. C inclui III, falsa. D e E incluem III e/ou IV, falsas. Só A (I e II) está correta. Referência: Interpretação de texto: citação, polifonia e argumentação. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Pontuação no texto de Rubem Braga: travessão, dois-pontos, vírgula antes de 'e' e ponto e vírgula. I está certa: o travessão da linha 10 antecede 'não, essa gente...', que fecha a enumeração com uma conclusão enfática. III está certa: a vírgula antes de 'e' separa orações com o mesmo sujeito ('um clandestino que está saltando... e não sabe'), então pode ser excluída. IV está certa: o ponto e vírgula pode virar ponto final, pois as orações são independentes. II está errada: os dois-pontos introduzem explicação ('estão procurando alguma coisa: emigraram'), e o ponto e vírgula não manteria essa relação de esclarecimento. A, C, D e E erram ao incluir II (falsa) ou ao excluir I ou IV (verdadeiras). Só B reúne I, III e IV. Referência: Emprego do travessão, dois-pontos, vírgula e ponto e vírgula (gramática normativa). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Gente para o asfalto' é metonímia: o asfalto representa a cidade. Na expressão 'gente para o asfalto', o material (asfalto) designa o lugar, a cidade, o que caracteriza metonímia. O trecho é explicado em seguida por 'entulhar as grandes cidades'. B) 'plantar cidades' é metáfora. C) 'apetite de vida' é metáfora. D) 'fazer um mundo' é sentido figurado, mas não é metonímia. E) 'loteria humana' é metáfora. Referência: Figuras de linguagem: metonímia. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O assunto comum aos dois textos é a abordagem dos não nativos (estrangeiros). O Texto 1 trata dos imigrantes que chegam ao Brasil e de como o país deve vê-los e acolhê-los. O Texto 2 trata da xenofobia contra o estrangeiro. O ponto comum é a abordagem de pessoas que não são nativas. B) a utilidade dos imigrantes é tema só do Texto 1. C) o racismo contra biotipos aparece só no Texto 2. D) a desqualificação dos estrangeiros é tratada em perspectivas diferentes nos dois textos. E) o medo de perder empregos não aparece em nenhum dos dois. Referência: Interpretação de textos; relação entre textos. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Os dois textos usam referências externas para discutir seus temas. O Texto 1 recorre à reportagem de José Leal, a Einstein, Chaplin, Portinari e outros nomes para argumentar sobre imigração. O Texto 2 recorre aos estudos de Pierre Clastres e ao exemplo da criança uruguaia para discutir a xenofobia. Os dois textos têm, portanto, referências externas como estratégia argumentativa. A) a ordem do geral para o específico não é comum aos dois. C) a comparação de comportamento de grupos sociais não aparece nos dois. D) o testemunho de autoridade não está presente nos dois. E) definições de palavras não são estratégia dos dois textos. Referência: Estratégias argumentativas; intertextualidade e exemplificação. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Para o Texto 2, a xenofobia pode variar em sofisticação conforme o contexto social, sem ser inata. O autor rejeita a explicação biológica e simples do ódio ao estrangeiro, associada a 'argumentações racistas'. Ele cita a hipótese de que o que primitivos e crianças manifestam de modo primário apareceria 'de forma mais complexa e sofisticada' em desenvolvimentos posteriores da civilização. Pode-se então depreender que a xenofobia assume níveis de sofisticação diferentes conforme o contexto. A) o texto critica a conclusão de que seria inata. B) a aparência é um dos exemplos, mas não o fator sempre presente. D) a criança uruguaia rejeita um colega que já está na sala, não só alguém de longe. E) o texto não afirma que o sentimento seja incontrolável e inevitável. Referência: Marcelo Viñar, O reconhecimento do próximo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Ambas as visões, sobre a Guiné-Bissau e sobre o Brasil, são equivocadas. No Excerto 1, alguns brasileiros tomam a África por um país e a Guiné-Bissau por uma região, uma ideia errada. No Excerto 2, o guineense imaginava um Brasil fantástico, em que o pobre vive bem, a partir da novela. Em ambos os casos, a visão não corresponde à realidade, ou seja, é equivocada. A) idealizada só descreve o Excerto 2. B) pessimista não se aplica a nenhum dos dois. D) antropocêntrica não tem relação com o texto. E) utilitarista não se aplica às visões descritas. Referência: Interpretação de texto; estereótipos e desconhecimento cultural. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Quer dizer' introduz uma explicação. Depois de contar que muitos viam a África como um país, o entrevistado diz 'Quer dizer, Guiné-Bissau pra eles é como Brasil, São Paulo...'. A expressão retoma e esclarece o que acabou de ser dito, o que é função de conector explicativo. A) o trecho não descreve algo. C) não se limita a repetir a informação anterior, pois ela é reformulada e explicada. D) o trecho não enumera itens. E) a expressão não delimita o sentido, e sim esclarece a ideia. Referência: Coesão textual; conectivos e expressões explicativas. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A cena da carta escrita a Escobar com 'contas' não consta entre as supostas evidências de Bentinho. As evidências que Bentinho vê em Capitu são a semelhança de Ezequiel com Escobar, o encontro com Escobar quando volta mais cedo do teatro, a frieza de Dona Glória e a emoção de Capitu diante do corpo de Escobar. A cena da carta a Escobar disfarçada de contas não existe no romance, por isso E é a que NÃO consta. A, B, C e D correspondem a episódios do romance, que Bentinho toma como provas da suposta traição. Referência: Machado de Assis, Dom Casmurro (1899). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Em Senhora, o amor de Aurélia regenera o caráter de Seixas. Aurélia compra Seixas, endividado e interesseiro, num casamento de fachada que expõe a mercantilização das relações. Ao final, Seixas se redime moralmente e devolve o dinheiro, e os dois se reconciliam. A obra mostra assim o amor como força capaz de regenerar o caráter. A) o dinheiro é meio de vingança, mas o amor se realiza no fim. B) Seixas já amava Aurélia antes de ela enriquecer. D) a regeneração ocorre pela influência do amor de Aurélia. E) o meio social corrompe Seixas, mas não de forma definitiva, pois ele se regenera. Referência: José de Alencar, Senhora (1875); Romantismo, romance urbano. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A 'hora da estrela' é a morte de Macabéa, atropelada por um carro de luxo. No romance, o momento de glória de Macabéa é irônico: ela é atropelada por um Mercedes amarelo. A morte é o instante em que ela deixa de ser anônima e se torna 'estrela', como numa cena de cinema. Por isso o título remete à morte da personagem. A) o namoro com Olímpico não é o momento do título. B) a traição de Olímpico com Glória é um episódio, não o título. C) o emprego de datilógrafa não é o clímax. D) a previsão da cartomante anuncia um futuro, mas a 'hora da estrela' é a morte. Referência: Clarice Lispector, A hora da estrela (1977). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Estão corretas I, II e III; IV é incorreta. I está certa: contrasta a infância e a velhice, com 'mais de cinquenta anos'. II está certa: o riacho é o espaço natural que permanece, e a casa é o espaço sociofamiliar que desapareceu. III está certa: o tempo e a usura destroem a casa, mas o menino, ou seja, a memória, ainda existe. IV está errada: o poema não apresenta a cidade como espaço arrasado, e sim a chácara destruída pela usura. B, D e E estão erradas porque incluem IV. C está errada porque exclui I, que é correta. Referência: Manuel Bandeira, Lira dos cinquentanos; memória e passagem do tempo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O vento não é a navalha; as folhas do canavial é que são comparadas a navalhas. No poema, o vento passa pelas folhas, 'de navalha a navalha', e as folhas é que têm a aspereza cortante. O vento folheia o canavial e nele se esfola, ou seja, é o vento que se fere. Dizer que o vento é a navalha que corta o canavial inverte a imagem, por isso E é a incorreta. A) a voz do canavial é comparada à da cigarra. B) a aspereza das folhas destaca a rusticidade da plantação. C) o som do vento nas folhas é o foco. D) o canavial soa como papel seco que se amassa. Referência: João Cabral de Melo Neto, A escola das facas; poesia concreta e áspera. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O haicai não expressa amor exacerbado e romântico pela natureza. O haicai registra, de forma breve e contida, um instante de contemplação: a cerejeira florida interrompe a conversa. Isso é uma emoção estética discreta, e não um sentimento exacerbado de raiz romântica. Por isso a alternativa A é a que NÃO se verifica no texto. B) há emoção estética diante da vegetação. C) a cerejeira é parte da flora do parque. D) a conversa interrompida indica surpresa diante de uma beleza inesperada. E) o Ibirapuera é o parque de São Paulo, citado no texto. Referência: Haicai; poesia contemporânea brasileira. Resolução comentada do VaiConcursos.ITA — Vestibular 2015 — Português e Redação
As questões de 21 a 28 referem-se ao Texto 1, de Rubem Braga, publicado pela primeira vez em 1952, no jornal Correio da Manhã, do Rio.
TEXTO 1
1 José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo que chegam. E
falou dos equívocos de nossa política imigratória. As pessoas que ele encontrou não eram agricultores e
técnicos, gente capaz de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas austríacas, cabeleireiras lituanas.
Paul Balt toca acordeão, Ivan Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vendedor, Serof Nedko é ex-oficial,
5 Luigi Tonizo é jogador de futebol, Ibolya Pohl é costureira. Tudo gente para o asfalto, “para entulhar as
grandes cidades”, como diz o repórter.
O repórter tem razão. Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao
olhar essas belas fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda costureirinha morena de Badajoz,
essa Ingeborg que faz fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma, esse Stefan Cromick cuja
10 única experiência na vida parece ter sido vender bombons – não, essa gente não vai aumentar a
produção de batatinhas e quiabos nem plantar cidades no Brasil Central.
É insensato importar gente assim. Mas o destino das pessoas e dos países também é, muitas
vezes, insensato: principalmente da gente nova e países novos. A humanidade não vive apenas de
carne, alface e motores. Quem eram os pais de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quisesse
15 hoje entrar no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que destino terão no Brasil essas mulheres louras,
esses homens de profissões vagas. Eles estão procurando alguma coisa: emigraram. Trazem pelo
menos o patrimônio de sua inquietação e de seu apetite de vida. Muitos se perderão, sem futuro, na
vagabundagem inconsequente das cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolicamente
dentro de alguns anos, em algum quarto de pensão. Mas é preciso de tudo para fazer um mundo; e cada
20 pessoa humana é um mistério de heranças e de taras. Acaso importamos o pintor Portinari, o arquiteto
Niemeyer, o físico Lattes? E os construtores de nossa indústria, como vieram eles ou seus pais? Quem
pergunta hoje, e que interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus avós vieram para o Brasil
como agricultores, comerciantes, barbeiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gravata? Sem
o tráfico de escravos não teríamos tido Machado de Assis, e Carlos Drummond seria impossível sem
25 uma gota de sangue (ou uísque) escocês nas veias, e quem nos garante que uma legislação exemplar
de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, Vila Lobos mexicano, ou Pancetti
chileno, o general Rondon canadense ou Noel Rosa em Moçambique? Sejamos humildes diante da
pessoa humana: o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino que neste
momento está saltando assustado na praça Mauá, e não sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma
30 política de imigração sábia, perfeita, materialista; mas deixemos uma pequena margem aos inúteis e aos
vagabundos, às aventureiras e aos tontos porque dentro de algum deles, como sorte grande da
fantástica loteria humana, pode vir a nossa redenção e a nossa glória.
(BRAGA, R. Imigração. In: A borboleta amarela. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1963)
O objetivo do autor éResolução comentada
Análise das alternativas
As questões de 21 a 28 referem-se ao Texto 1, de Rubem Braga, publicado pela primeira vez em 1952, no jornal Correio da Manhã, do Rio.
TEXTO 1
1 José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo que chegam. E
falou dos equívocos de nossa política imigratória. As pessoas que ele encontrou não eram agricultores e
técnicos, gente capaz de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas austríacas, cabeleireiras lituanas.
Paul Balt toca acordeão, Ivan Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vendedor, Serof Nedko é ex-oficial,
5 Luigi Tonizo é jogador de futebol, Ibolya Pohl é costureira. Tudo gente para o asfalto, “para entulhar as
grandes cidades”, como diz o repórter.
O repórter tem razão. Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao
olhar essas belas fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda costureirinha morena de Badajoz,
essa Ingeborg que faz fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma, esse Stefan Cromick cuja
10 única experiência na vida parece ter sido vender bombons – não, essa gente não vai aumentar a
produção de batatinhas e quiabos nem plantar cidades no Brasil Central.
É insensato importar gente assim. Mas o destino das pessoas e dos países também é, muitas
vezes, insensato: principalmente da gente nova e países novos. A humanidade não vive apenas de
carne, alface e motores. Quem eram os pais de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quisesse
15 hoje entrar no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que destino terão no Brasil essas mulheres louras,
esses homens de profissões vagas. Eles estão procurando alguma coisa: emigraram. Trazem pelo
menos o patrimônio de sua inquietação e de seu apetite de vida. Muitos se perderão, sem futuro, na
vagabundagem inconsequente das cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolicamente
dentro de alguns anos, em algum quarto de pensão. Mas é preciso de tudo para fazer um mundo; e cada
20 pessoa humana é um mistério de heranças e de taras. Acaso importamos o pintor Portinari, o arquiteto
Niemeyer, o físico Lattes? E os construtores de nossa indústria, como vieram eles ou seus pais? Quem
pergunta hoje, e que interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus avós vieram para o Brasil
como agricultores, comerciantes, barbeiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gravata? Sem
o tráfico de escravos não teríamos tido Machado de Assis, e Carlos Drummond seria impossível sem
25 uma gota de sangue (ou uísque) escocês nas veias, e quem nos garante que uma legislação exemplar
de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, Vila Lobos mexicano, ou Pancetti
chileno, o general Rondon canadense ou Noel Rosa em Moçambique? Sejamos humildes diante da
pessoa humana: o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino que neste
momento está saltando assustado na praça Mauá, e não sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma
30 política de imigração sábia, perfeita, materialista; mas deixemos uma pequena margem aos inúteis e aos
vagabundos, às aventureiras e aos tontos porque dentro de algum deles, como sorte grande da
fantástica loteria humana, pode vir a nossa redenção e a nossa glória.
(BRAGA, R. Imigração. In: A borboleta amarela. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1963)
O autor do textoResolução comentada
Análise das alternativas
As questões de 21 a 28 referem-se ao Texto 1, de Rubem Braga, publicado pela primeira vez em 1952, no jornal Correio da Manhã, do Rio.
TEXTO 1
1 José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo que chegam. E
falou dos equívocos de nossa política imigratória. As pessoas que ele encontrou não eram agricultores e
técnicos, gente capaz de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas austríacas, cabeleireiras lituanas.
Paul Balt toca acordeão, Ivan Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vendedor, Serof Nedko é ex-oficial,
5 Luigi Tonizo é jogador de futebol, Ibolya Pohl é costureira. Tudo gente para o asfalto, “para entulhar as
grandes cidades”, como diz o repórter.
O repórter tem razão. Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao
olhar essas belas fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda costureirinha morena de Badajoz,
essa Ingeborg que faz fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma, esse Stefan Cromick cuja
10 única experiência na vida parece ter sido vender bombons – não, essa gente não vai aumentar a
produção de batatinhas e quiabos nem plantar cidades no Brasil Central.
É insensato importar gente assim. Mas o destino das pessoas e dos países também é, muitas
vezes, insensato: principalmente da gente nova e países novos. A humanidade não vive apenas de
carne, alface e motores. Quem eram os pais de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quisesse
15 hoje entrar no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que destino terão no Brasil essas mulheres louras,
esses homens de profissões vagas. Eles estão procurando alguma coisa: emigraram. Trazem pelo
menos o patrimônio de sua inquietação e de seu apetite de vida. Muitos se perderão, sem futuro, na
vagabundagem inconsequente das cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolicamente
dentro de alguns anos, em algum quarto de pensão. Mas é preciso de tudo para fazer um mundo; e cada
20 pessoa humana é um mistério de heranças e de taras. Acaso importamos o pintor Portinari, o arquiteto
Niemeyer, o físico Lattes? E os construtores de nossa indústria, como vieram eles ou seus pais? Quem
pergunta hoje, e que interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus avós vieram para o Brasil
como agricultores, comerciantes, barbeiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gravata? Sem
o tráfico de escravos não teríamos tido Machado de Assis, e Carlos Drummond seria impossível sem
25 uma gota de sangue (ou uísque) escocês nas veias, e quem nos garante que uma legislação exemplar
de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, Vila Lobos mexicano, ou Pancetti
chileno, o general Rondon canadense ou Noel Rosa em Moçambique? Sejamos humildes diante da
pessoa humana: o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino que neste
momento está saltando assustado na praça Mauá, e não sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma
30 política de imigração sábia, perfeita, materialista; mas deixemos uma pequena margem aos inúteis e aos
vagabundos, às aventureiras e aos tontos porque dentro de algum deles, como sorte grande da
fantástica loteria humana, pode vir a nossa redenção e a nossa glória.
(BRAGA, R. Imigração. In: A borboleta amarela. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1963)
De acordo com o texto, Rubem Braga
I. assevera que os imigrantes qualificados teriam destino promissor no Brasil.
II. mostra otimismo em relação aos imigrantes sem profissão definida.
III. apresenta ideias sobre imigração tanto semelhantes como avessas às de José Leal.
IV. considera que, sem imigração, não haveria algumas das grandes personalidades no Brasil.
Estão corretas apenas:Resolução comentada
Análise das alternativas
As questões de 21 a 28 referem-se ao Texto 1, de Rubem Braga, publicado pela primeira vez em 1952, no jornal Correio da Manhã, do Rio.
TEXTO 1
1 José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo que chegam. E
falou dos equívocos de nossa política imigratória. As pessoas que ele encontrou não eram agricultores e
técnicos, gente capaz de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas austríacas, cabeleireiras lituanas.
Paul Balt toca acordeão, Ivan Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vendedor, Serof Nedko é ex-oficial,
5 Luigi Tonizo é jogador de futebol, Ibolya Pohl é costureira. Tudo gente para o asfalto, “para entulhar as
grandes cidades”, como diz o repórter.
O repórter tem razão. Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao
olhar essas belas fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda costureirinha morena de Badajoz,
essa Ingeborg que faz fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma, esse Stefan Cromick cuja
10 única experiência na vida parece ter sido vender bombons – não, essa gente não vai aumentar a
produção de batatinhas e quiabos nem plantar cidades no Brasil Central.
É insensato importar gente assim. Mas o destino das pessoas e dos países também é, muitas
vezes, insensato: principalmente da gente nova e países novos. A humanidade não vive apenas de
carne, alface e motores. Quem eram os pais de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quisesse
15 hoje entrar no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que destino terão no Brasil essas mulheres louras,
esses homens de profissões vagas. Eles estão procurando alguma coisa: emigraram. Trazem pelo
menos o patrimônio de sua inquietação e de seu apetite de vida. Muitos se perderão, sem futuro, na
vagabundagem inconsequente das cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolicamente
dentro de alguns anos, em algum quarto de pensão. Mas é preciso de tudo para fazer um mundo; e cada
20 pessoa humana é um mistério de heranças e de taras. Acaso importamos o pintor Portinari, o arquiteto
Niemeyer, o físico Lattes? E os construtores de nossa indústria, como vieram eles ou seus pais? Quem
pergunta hoje, e que interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus avós vieram para o Brasil
como agricultores, comerciantes, barbeiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gravata? Sem
o tráfico de escravos não teríamos tido Machado de Assis, e Carlos Drummond seria impossível sem
25 uma gota de sangue (ou uísque) escocês nas veias, e quem nos garante que uma legislação exemplar
de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, Vila Lobos mexicano, ou Pancetti
chileno, o general Rondon canadense ou Noel Rosa em Moçambique? Sejamos humildes diante da
pessoa humana: o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino que neste
momento está saltando assustado na praça Mauá, e não sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma
30 política de imigração sábia, perfeita, materialista; mas deixemos uma pequena margem aos inúteis e aos
vagabundos, às aventureiras e aos tontos porque dentro de algum deles, como sorte grande da
fantástica loteria humana, pode vir a nossa redenção e a nossa glória.
(BRAGA, R. Imigração. In: A borboleta amarela. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1963)
No trecho, Tudo gente para o asfalto, “para entulhar as grandes cidades”, como diz o repórter, Rubem Braga
I. retrata o ponto de vista do repórter José Leal.
II. cita José Leal e, com isso, marca a direção argumentativa do seu texto.
III. concorda com o repórter, segundo o qual os imigrantes deveriam trabalhar apenas no campo.
IV. concorda com o repórter, segundo o qual os imigrantes são desqualificados por exercerem profissões tipicamente urbanas.
Estão corretas apenas:Resolução comentada
Análise das alternativas
As questões de 21 a 28 referem-se ao Texto 1, de Rubem Braga, publicado pela primeira vez em 1952, no jornal Correio da Manhã, do Rio.
TEXTO 1
1 José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo que chegam. E
falou dos equívocos de nossa política imigratória. As pessoas que ele encontrou não eram agricultores e
técnicos, gente capaz de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas austríacas, cabeleireiras lituanas.
Paul Balt toca acordeão, Ivan Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vendedor, Serof Nedko é ex-oficial,
5 Luigi Tonizo é jogador de futebol, Ibolya Pohl é costureira. Tudo gente para o asfalto, “para entulhar as
grandes cidades”, como diz o repórter.
O repórter tem razão. Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao
olhar essas belas fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda costureirinha morena de Badajoz,
essa Ingeborg que faz fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma, esse Stefan Cromick cuja
10 única experiência na vida parece ter sido vender bombons – não, essa gente não vai aumentar a
produção de batatinhas e quiabos nem plantar cidades no Brasil Central.
É insensato importar gente assim. Mas o destino das pessoas e dos países também é, muitas
vezes, insensato: principalmente da gente nova e países novos. A humanidade não vive apenas de
carne, alface e motores. Quem eram os pais de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quisesse
15 hoje entrar no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que destino terão no Brasil essas mulheres louras,
esses homens de profissões vagas. Eles estão procurando alguma coisa: emigraram. Trazem pelo
menos o patrimônio de sua inquietação e de seu apetite de vida. Muitos se perderão, sem futuro, na
vagabundagem inconsequente das cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolicamente
dentro de alguns anos, em algum quarto de pensão. Mas é preciso de tudo para fazer um mundo; e cada
20 pessoa humana é um mistério de heranças e de taras. Acaso importamos o pintor Portinari, o arquiteto
Niemeyer, o físico Lattes? E os construtores de nossa indústria, como vieram eles ou seus pais? Quem
pergunta hoje, e que interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus avós vieram para o Brasil
como agricultores, comerciantes, barbeiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gravata? Sem
o tráfico de escravos não teríamos tido Machado de Assis, e Carlos Drummond seria impossível sem
25 uma gota de sangue (ou uísque) escocês nas veias, e quem nos garante que uma legislação exemplar
de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, Vila Lobos mexicano, ou Pancetti
chileno, o general Rondon canadense ou Noel Rosa em Moçambique? Sejamos humildes diante da
pessoa humana: o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino que neste
momento está saltando assustado na praça Mauá, e não sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma
30 política de imigração sábia, perfeita, materialista; mas deixemos uma pequena margem aos inúteis e aos
vagabundos, às aventureiras e aos tontos porque dentro de algum deles, como sorte grande da
fantástica loteria humana, pode vir a nossa redenção e a nossa glória.
(BRAGA, R. Imigração. In: A borboleta amarela. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1963)
Assinale a opção em que o termo grifado é conjunção integrante.
As questões de 21 a 28 referem-se ao Texto 1, de Rubem Braga, publicado pela primeira vez em 1952, no jornal Correio da Manhã, do Rio.
TEXTO 1
1 José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo que chegam. E
falou dos equívocos de nossa política imigratória. As pessoas que ele encontrou não eram agricultores e
técnicos, gente capaz de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas austríacas, cabeleireiras lituanas.
Paul Balt toca acordeão, Ivan Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vendedor, Serof Nedko é ex-oficial,
5 Luigi Tonizo é jogador de futebol, Ibolya Pohl é costureira. Tudo gente para o asfalto, “para entulhar as
grandes cidades”, como diz o repórter.
O repórter tem razão. Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao
olhar essas belas fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda costureirinha morena de Badajoz,
essa Ingeborg que faz fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma, esse Stefan Cromick cuja
10 única experiência na vida parece ter sido vender bombons – não, essa gente não vai aumentar a
produção de batatinhas e quiabos nem plantar cidades no Brasil Central.
É insensato importar gente assim. Mas o destino das pessoas e dos países também é, muitas
vezes, insensato: principalmente da gente nova e países novos. A humanidade não vive apenas de
carne, alface e motores. Quem eram os pais de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quisesse
15 hoje entrar no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que destino terão no Brasil essas mulheres louras,
esses homens de profissões vagas. Eles estão procurando alguma coisa: emigraram. Trazem pelo
menos o patrimônio de sua inquietação e de seu apetite de vida. Muitos se perderão, sem futuro, na
vagabundagem inconsequente das cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolicamente
dentro de alguns anos, em algum quarto de pensão. Mas é preciso de tudo para fazer um mundo; e cada
20 pessoa humana é um mistério de heranças e de taras. Acaso importamos o pintor Portinari, o arquiteto
Niemeyer, o físico Lattes? E os construtores de nossa indústria, como vieram eles ou seus pais? Quem
pergunta hoje, e que interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus avós vieram para o Brasil
como agricultores, comerciantes, barbeiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gravata? Sem
o tráfico de escravos não teríamos tido Machado de Assis, e Carlos Drummond seria impossível sem
25 uma gota de sangue (ou uísque) escocês nas veias, e quem nos garante que uma legislação exemplar
de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, Vila Lobos mexicano, ou Pancetti
chileno, o general Rondon canadense ou Noel Rosa em Moçambique? Sejamos humildes diante da
pessoa humana: o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino que neste
momento está saltando assustado na praça Mauá, e não sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma
30 política de imigração sábia, perfeita, materialista; mas deixemos uma pequena margem aos inúteis e aos
vagabundos, às aventureiras e aos tontos porque dentro de algum deles, como sorte grande da
fantástica loteria humana, pode vir a nossa redenção e a nossa glória.
(BRAGA, R. Imigração. In: A borboleta amarela. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1963)
Assinale a opção em que a expressão grifada NÃO retoma um conteúdo anterior.
As questões de 21 a 28 referem-se ao Texto 1, de Rubem Braga, publicado pela primeira vez em 1952, no jornal Correio da Manhã, do Rio.
TEXTO 1
1 José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo que chegam. E
falou dos equívocos de nossa política imigratória. As pessoas que ele encontrou não eram agricultores e
técnicos, gente capaz de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas austríacas, cabeleireiras lituanas.
Paul Balt toca acordeão, Ivan Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vendedor, Serof Nedko é ex-oficial,
5 Luigi Tonizo é jogador de futebol, Ibolya Pohl é costureira. Tudo gente para o asfalto, “para entulhar as
grandes cidades”, como diz o repórter.
O repórter tem razão. Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao
olhar essas belas fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda costureirinha morena de Badajoz,
essa Ingeborg que faz fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma, esse Stefan Cromick cuja
10 única experiência na vida parece ter sido vender bombons – não, essa gente não vai aumentar a
produção de batatinhas e quiabos nem plantar cidades no Brasil Central.
É insensato importar gente assim. Mas o destino das pessoas e dos países também é, muitas
vezes, insensato: principalmente da gente nova e países novos. A humanidade não vive apenas de
carne, alface e motores. Quem eram os pais de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quisesse
15 hoje entrar no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que destino terão no Brasil essas mulheres louras,
esses homens de profissões vagas. Eles estão procurando alguma coisa: emigraram. Trazem pelo
menos o patrimônio de sua inquietação e de seu apetite de vida. Muitos se perderão, sem futuro, na
vagabundagem inconsequente das cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolicamente
dentro de alguns anos, em algum quarto de pensão. Mas é preciso de tudo para fazer um mundo; e cada
20 pessoa humana é um mistério de heranças e de taras. Acaso importamos o pintor Portinari, o arquiteto
Niemeyer, o físico Lattes? E os construtores de nossa indústria, como vieram eles ou seus pais? Quem
pergunta hoje, e que interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus avós vieram para o Brasil
como agricultores, comerciantes, barbeiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gravata? Sem
o tráfico de escravos não teríamos tido Machado de Assis, e Carlos Drummond seria impossível sem
25 uma gota de sangue (ou uísque) escocês nas veias, e quem nos garante que uma legislação exemplar
de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, Vila Lobos mexicano, ou Pancetti
chileno, o general Rondon canadense ou Noel Rosa em Moçambique? Sejamos humildes diante da
pessoa humana: o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino que neste
momento está saltando assustado na praça Mauá, e não sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma
30 política de imigração sábia, perfeita, materialista; mas deixemos uma pequena margem aos inúteis e aos
vagabundos, às aventureiras e aos tontos porque dentro de algum deles, como sorte grande da
fantástica loteria humana, pode vir a nossa redenção e a nossa glória.
(BRAGA, R. Imigração. In: A borboleta amarela. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1963)
De acordo com as normas gramaticais de pontuação,
I. o travessão da linha 10 serve para realçar uma conclusão do que foi dito anteriormente.
II. os dois pontos da linha 16 podem ser substituídos por ponto e vírgula.
III. a vírgula, em “está saltando assustado na praça Mauá, e não sabe”, linha 29, pode ser excluída.
IV. o ponto e vírgula da linha 30 pode ser substituído por ponto final.
Estão corretas apenasResolução comentada
Análise das alternativas
As questões de 21 a 28 referem-se ao Texto 1, de Rubem Braga, publicado pela primeira vez em 1952, no jornal Correio da Manhã, do Rio.
TEXTO 1
1 José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo que chegam. E
falou dos equívocos de nossa política imigratória. As pessoas que ele encontrou não eram agricultores e
técnicos, gente capaz de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas austríacas, cabeleireiras lituanas.
Paul Balt toca acordeão, Ivan Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vendedor, Serof Nedko é ex-oficial,
5 Luigi Tonizo é jogador de futebol, Ibolya Pohl é costureira. Tudo gente para o asfalto, “para entulhar as
grandes cidades”, como diz o repórter.
O repórter tem razão. Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao
olhar essas belas fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda costureirinha morena de Badajoz,
essa Ingeborg que faz fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma, esse Stefan Cromick cuja
10 única experiência na vida parece ter sido vender bombons – não, essa gente não vai aumentar a
produção de batatinhas e quiabos nem plantar cidades no Brasil Central.
É insensato importar gente assim. Mas o destino das pessoas e dos países também é, muitas
vezes, insensato: principalmente da gente nova e países novos. A humanidade não vive apenas de
carne, alface e motores. Quem eram os pais de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quisesse
15 hoje entrar no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que destino terão no Brasil essas mulheres louras,
esses homens de profissões vagas. Eles estão procurando alguma coisa: emigraram. Trazem pelo
menos o patrimônio de sua inquietação e de seu apetite de vida. Muitos se perderão, sem futuro, na
vagabundagem inconsequente das cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolicamente
dentro de alguns anos, em algum quarto de pensão. Mas é preciso de tudo para fazer um mundo; e cada
20 pessoa humana é um mistério de heranças e de taras. Acaso importamos o pintor Portinari, o arquiteto
Niemeyer, o físico Lattes? E os construtores de nossa indústria, como vieram eles ou seus pais? Quem
pergunta hoje, e que interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus avós vieram para o Brasil
como agricultores, comerciantes, barbeiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gravata? Sem
o tráfico de escravos não teríamos tido Machado de Assis, e Carlos Drummond seria impossível sem
25 uma gota de sangue (ou uísque) escocês nas veias, e quem nos garante que uma legislação exemplar
de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, Vila Lobos mexicano, ou Pancetti
chileno, o general Rondon canadense ou Noel Rosa em Moçambique? Sejamos humildes diante da
pessoa humana: o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino que neste
momento está saltando assustado na praça Mauá, e não sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma
30 política de imigração sábia, perfeita, materialista; mas deixemos uma pequena margem aos inúteis e aos
vagabundos, às aventureiras e aos tontos porque dentro de algum deles, como sorte grande da
fantástica loteria humana, pode vir a nossa redenção e a nossa glória.
(BRAGA, R. Imigração. In: A borboleta amarela. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1963)
Assinale a opção em que há metonímia.Resolução comentada
Análise das alternativas
As questões de 21 a 28 referem-se ao Texto 1, de Rubem Braga, publicado pela primeira vez em 1952, no jornal Correio da Manhã, do Rio.
TEXTO 1
1 José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo que chegam. E
falou dos equívocos de nossa política imigratória. As pessoas que ele encontrou não eram agricultores e
técnicos, gente capaz de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas austríacas, cabeleireiras lituanas.
Paul Balt toca acordeão, Ivan Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vendedor, Serof Nedko é ex-oficial,
5 Luigi Tonizo é jogador de futebol, Ibolya Pohl é costureira. Tudo gente para o asfalto, “para entulhar as
grandes cidades”, como diz o repórter.
O repórter tem razão. Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao
olhar essas belas fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda costureirinha morena de Badajoz,
essa Ingeborg que faz fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma, esse Stefan Cromick cuja
10 única experiência na vida parece ter sido vender bombons – não, essa gente não vai aumentar a
produção de batatinhas e quiabos nem plantar cidades no Brasil Central.
É insensato importar gente assim. Mas o destino das pessoas e dos países também é, muitas
vezes, insensato: principalmente da gente nova e países novos. A humanidade não vive apenas de
carne, alface e motores. Quem eram os pais de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quisesse
15 hoje entrar no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que destino terão no Brasil essas mulheres louras,
esses homens de profissões vagas. Eles estão procurando alguma coisa: emigraram. Trazem pelo
menos o patrimônio de sua inquietação e de seu apetite de vida. Muitos se perderão, sem futuro, na
vagabundagem inconsequente das cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolicamente
dentro de alguns anos, em algum quarto de pensão. Mas é preciso de tudo para fazer um mundo; e cada
20 pessoa humana é um mistério de heranças e de taras. Acaso importamos o pintor Portinari, o arquiteto
Niemeyer, o físico Lattes? E os construtores de nossa indústria, como vieram eles ou seus pais? Quem
pergunta hoje, e que interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus avós vieram para o Brasil
como agricultores, comerciantes, barbeiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gravata? Sem
o tráfico de escravos não teríamos tido Machado de Assis, e Carlos Drummond seria impossível sem
25 uma gota de sangue (ou uísque) escocês nas veias, e quem nos garante que uma legislação exemplar
de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, Vila Lobos mexicano, ou Pancetti
chileno, o general Rondon canadense ou Noel Rosa em Moçambique? Sejamos humildes diante da
pessoa humana: o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino que neste
momento está saltando assustado na praça Mauá, e não sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma
30 política de imigração sábia, perfeita, materialista; mas deixemos uma pequena margem aos inúteis e aos
vagabundos, às aventureiras e aos tontos porque dentro de algum deles, como sorte grande da
fantástica loteria humana, pode vir a nossa redenção e a nossa glória.
(BRAGA, R. Imigração. In: A borboleta amarela. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1963)
As questões de 29 a 32 referem-se ao Texto 2, do psicanalista uruguaio Marcelo Viñar, ou aos Textos 1 e 2.
TEXTO 2
1 Nos estudos de antropologia política de Pierre Clastres*, estudioso francês que conviveu durante
muito tempo com tribos indígenas sul-americanas, menciona-se o fato de frequentemente os membros
dessas tribos designarem a si mesmos com um vocábulo que em sua língua era sinônimo de “os
homens” e reservavam para seus congêneres de tribos vizinhas termos como “ovos de piolho”, “sub-
5 homens” ou equivalentes com valor pejorativo.
Trago esta referência – que Clastres denomina etnocentrismo – eloquente de uma xenofobia em
sociedades primitivas, porque ela é tentadora para propor origens precoces, quem sabe constitucionais
ou genéticas, no ódio ou recusa das diferenças.
A mesma precocidade, dizem alguns, encontra-se nas crianças. Uma criança uruguaia, com clara
10 ascendência europeia, como é comum em nosso país, resultado do genocídio indígena, denuncia, entre
indignada e temerosa, sua repulsa a uma criança japonesa que entrou em sua classe (fato raro em
nosso meio) e argumenta que sua linguagem lhe é incompreensível e seus traços são diferentes e
incomuns.
Se as crianças e os primitivos reagem deste modo, poder-se-ia concluir – precipitadamente – que
15 o que manifestam, de maneira tão primária e transparente, é algo que os desenvolvimentos posteriores
da civilização tornarão evidente de forma mais complexa e sofisticada, mas com a mesma contundência
elementar.
Por esse caminho, e com a tendência humana a buscar causalidades simples e lineares, estamos
a um passo de “encontrar” explicações instintivas do ódio e da violência, em uma hierarquização em que
20 a natureza precede a cultura, território de escolha das argumentações racistas. A “natureza” – o
“biológico” como “a” origem ou “a” causa – operam como explicação segura e tranquilizadora ante
questões que nos encurralam na ignorância e na insegurança de um saber parcial. [...]
(*) Pierre Clastres (1934-1977)
(VIÑAR, M. O reconhecimento do próximo. Notas para pensar o ódio ao estrangeiro. In: Caterina Koltai (org.) O estrangeiro. São Paulo: Escuta; Fapesp, 1998)
Assinale a opção que indica o que há de comum nos Textos 1 e 2 em relação ao assunto.Resolução comentada
Análise das alternativas
As questões de 21 a 28 referem-se ao Texto 1, de Rubem Braga, publicado pela primeira vez em 1952, no jornal Correio da Manhã, do Rio.
TEXTO 1
1 José Leal fez uma reportagem na Ilha das Flores, onde ficam os imigrantes logo que chegam. E
falou dos equívocos de nossa política imigratória. As pessoas que ele encontrou não eram agricultores e
técnicos, gente capaz de ser útil. Viu músicos profissionais, bailarinas austríacas, cabeleireiras lituanas.
Paul Balt toca acordeão, Ivan Donef faz coquetéis, Galar Bedrich é vendedor, Serof Nedko é ex-oficial,
5 Luigi Tonizo é jogador de futebol, Ibolya Pohl é costureira. Tudo gente para o asfalto, “para entulhar as
grandes cidades”, como diz o repórter.
O repórter tem razão. Mas eu peço licença para ficar imaginando uma porção de coisas vagas, ao
olhar essas belas fotografias que ilustram a reportagem. Essa linda costureirinha morena de Badajoz,
essa Ingeborg que faz fotografias e essa Irgard que não faz coisa alguma, esse Stefan Cromick cuja
10 única experiência na vida parece ter sido vender bombons – não, essa gente não vai aumentar a
produção de batatinhas e quiabos nem plantar cidades no Brasil Central.
É insensato importar gente assim. Mas o destino das pessoas e dos países também é, muitas
vezes, insensato: principalmente da gente nova e países novos. A humanidade não vive apenas de
carne, alface e motores. Quem eram os pais de Einstein, eu pergunto; e se o jovem Chaplin quisesse
15 hoje entrar no Brasil acaso poderia? Ninguém sabe que destino terão no Brasil essas mulheres louras,
esses homens de profissões vagas. Eles estão procurando alguma coisa: emigraram. Trazem pelo
menos o patrimônio de sua inquietação e de seu apetite de vida. Muitos se perderão, sem futuro, na
vagabundagem inconsequente das cidades; uma mulher dessas talvez se suicide melancolicamente
dentro de alguns anos, em algum quarto de pensão. Mas é preciso de tudo para fazer um mundo; e cada
20 pessoa humana é um mistério de heranças e de taras. Acaso importamos o pintor Portinari, o arquiteto
Niemeyer, o físico Lattes? E os construtores de nossa indústria, como vieram eles ou seus pais? Quem
pergunta hoje, e que interessa saber, se esses homens ou seus pais ou seus avós vieram para o Brasil
como agricultores, comerciantes, barbeiros ou capitalistas, aventureiros ou vendedores de gravata? Sem
o tráfico de escravos não teríamos tido Machado de Assis, e Carlos Drummond seria impossível sem
25 uma gota de sangue (ou uísque) escocês nas veias, e quem nos garante que uma legislação exemplar
de imigração não teria feito Roberto Burle Marx nascer uruguaio, Vila Lobos mexicano, ou Pancetti
chileno, o general Rondon canadense ou Noel Rosa em Moçambique? Sejamos humildes diante da
pessoa humana: o grande homem do Brasil de amanhã pode descender de um clandestino que neste
momento está saltando assustado na praça Mauá, e não sabe aonde ir, nem o que fazer. Façamos uma
30 política de imigração sábia, perfeita, materialista; mas deixemos uma pequena margem aos inúteis e aos
vagabundos, às aventureiras e aos tontos porque dentro de algum deles, como sorte grande da
fantástica loteria humana, pode vir a nossa redenção e a nossa glória.
(BRAGA, R. Imigração. In: A borboleta amarela. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1963)
As questões de 29 a 32 referem-se ao Texto 2, do psicanalista uruguaio Marcelo Viñar, ou aos Textos 1 e 2.
TEXTO 2
1 Nos estudos de antropologia política de Pierre Clastres*, estudioso francês que conviveu durante
muito tempo com tribos indígenas sul-americanas, menciona-se o fato de frequentemente os membros
dessas tribos designarem a si mesmos com um vocábulo que em sua língua era sinônimo de “os
homens” e reservavam para seus congêneres de tribos vizinhas termos como “ovos de piolho”, “sub-
5 homens” ou equivalentes com valor pejorativo.
Trago esta referência – que Clastres denomina etnocentrismo – eloquente de uma xenofobia em
sociedades primitivas, porque ela é tentadora para propor origens precoces, quem sabe constitucionais
ou genéticas, no ódio ou recusa das diferenças.
A mesma precocidade, dizem alguns, encontra-se nas crianças. Uma criança uruguaia, com clara
10 ascendência europeia, como é comum em nosso país, resultado do genocídio indígena, denuncia, entre
indignada e temerosa, sua repulsa a uma criança japonesa que entrou em sua classe (fato raro em
nosso meio) e argumenta que sua linguagem lhe é incompreensível e seus traços são diferentes e
incomuns.
Se as crianças e os primitivos reagem deste modo, poder-se-ia concluir – precipitadamente – que
15 o que manifestam, de maneira tão primária e transparente, é algo que os desenvolvimentos posteriores
da civilização tornarão evidente de forma mais complexa e sofisticada, mas com a mesma contundência
elementar.
Por esse caminho, e com a tendência humana a buscar causalidades simples e lineares, estamos
a um passo de “encontrar” explicações instintivas do ódio e da violência, em uma hierarquização em que
20 a natureza precede a cultura, território de escolha das argumentações racistas. A “natureza” – o
“biológico” como “a” origem ou “a” causa – operam como explicação segura e tranquilizadora ante
questões que nos encurralam na ignorância e na insegurança de um saber parcial. [...]
(*) Pierre Clastres (1934-1977)
(VIÑAR, M. O reconhecimento do próximo. Notas para pensar o ódio ao estrangeiro. In: Caterina Koltai (org.) O estrangeiro. São Paulo: Escuta; Fapesp, 1998)
Em relação às estratégias argumentativas, os Textos 1 e 2 igualmente apresentamResolução comentada
Análise das alternativas
As questões de 29 a 32 referem-se ao Texto 2, do psicanalista uruguaio Marcelo Viñar, ou aos Textos 1 e 2.
TEXTO 2
1 Nos estudos de antropologia política de Pierre Clastres*, estudioso francês que conviveu durante
muito tempo com tribos indígenas sul-americanas, menciona-se o fato de frequentemente os membros
dessas tribos designarem a si mesmos com um vocábulo que em sua língua era sinônimo de “os
homens” e reservavam para seus congêneres de tribos vizinhas termos como “ovos de piolho”, “sub-
5 homens” ou equivalentes com valor pejorativo.
Trago esta referência – que Clastres denomina etnocentrismo – eloquente de uma xenofobia em
sociedades primitivas, porque ela é tentadora para propor origens precoces, quem sabe constitucionais
ou genéticas, no ódio ou recusa das diferenças.
A mesma precocidade, dizem alguns, encontra-se nas crianças. Uma criança uruguaia, com clara
10 ascendência europeia, como é comum em nosso país, resultado do genocídio indígena, denuncia, entre
indignada e temerosa, sua repulsa a uma criança japonesa que entrou em sua classe (fato raro em
nosso meio) e argumenta que sua linguagem lhe é incompreensível e seus traços são diferentes e
incomuns.
Se as crianças e os primitivos reagem deste modo, poder-se-ia concluir – precipitadamente – que
15 o que manifestam, de maneira tão primária e transparente, é algo que os desenvolvimentos posteriores
da civilização tornarão evidente de forma mais complexa e sofisticada, mas com a mesma contundência
elementar.
Por esse caminho, e com a tendência humana a buscar causalidades simples e lineares, estamos
a um passo de “encontrar” explicações instintivas do ódio e da violência, em uma hierarquização em que
20 a natureza precede a cultura, território de escolha das argumentações racistas. A “natureza” – o
“biológico” como “a” origem ou “a” causa – operam como explicação segura e tranquilizadora ante
questões que nos encurralam na ignorância e na insegurança de um saber parcial. [...]
(*) Pierre Clastres (1934-1977)
(VIÑAR, M. O reconhecimento do próximo. Notas para pensar o ódio ao estrangeiro. In: Caterina Koltai (org.) O estrangeiro. São Paulo: Escuta; Fapesp, 1998)
No Texto 2, pode-se depreender que a xenofobiaResolução comentada
Análise das alternativas
As questões de 29 a 32 referem-se ao Texto 2, do psicanalista uruguaio Marcelo Viñar, ou aos Textos 1 e 2.
TEXTO 2
1 Nos estudos de antropologia política de Pierre Clastres*, estudioso francês que conviveu durante
muito tempo com tribos indígenas sul-americanas, menciona-se o fato de frequentemente os membros
dessas tribos designarem a si mesmos com um vocábulo que em sua língua era sinônimo de “os
homens” e reservavam para seus congêneres de tribos vizinhas termos como “ovos de piolho”, “sub-
5 homens” ou equivalentes com valor pejorativo.
Trago esta referência – que Clastres denomina etnocentrismo – eloquente de uma xenofobia em
sociedades primitivas, porque ela é tentadora para propor origens precoces, quem sabe constitucionais
ou genéticas, no ódio ou recusa das diferenças.
A mesma precocidade, dizem alguns, encontra-se nas crianças. Uma criança uruguaia, com clara
10 ascendência europeia, como é comum em nosso país, resultado do genocídio indígena, denuncia, entre
indignada e temerosa, sua repulsa a uma criança japonesa que entrou em sua classe (fato raro em
nosso meio) e argumenta que sua linguagem lhe é incompreensível e seus traços são diferentes e
incomuns.
Se as crianças e os primitivos reagem deste modo, poder-se-ia concluir – precipitadamente – que
15 o que manifestam, de maneira tão primária e transparente, é algo que os desenvolvimentos posteriores
da civilização tornarão evidente de forma mais complexa e sofisticada, mas com a mesma contundência
elementar.
Por esse caminho, e com a tendência humana a buscar causalidades simples e lineares, estamos
a um passo de “encontrar” explicações instintivas do ódio e da violência, em uma hierarquização em que
20 a natureza precede a cultura, território de escolha das argumentações racistas. A “natureza” – o
“biológico” como “a” origem ou “a” causa – operam como explicação segura e tranquilizadora ante
questões que nos encurralam na ignorância e na insegurança de um saber parcial. [...]
(*) Pierre Clastres (1934-1977)
(VIÑAR, M. O reconhecimento do próximo. Notas para pensar o ódio ao estrangeiro. In: Caterina Koltai (org.) O estrangeiro. São Paulo: Escuta; Fapesp, 1998)
Considere o primeiro parágrafo do Texto 2 (linhas 1 a 5) e a tirinha abaixo.
Dik Browne
![]()
(http://geografiaetal.blogspot.com.br/2012/04/hagar-o-horrivel.html)
O par de pronomes que expressa a dicotomia dos conjuntos tribos/navegantes e tribos vizinhas/não navegantes é
As questões 33 e 34 referem-se aos dois excertos de entrevistas com dois africanos de Guiné-Bissau, que foram universitários no Brasil nos anos 1980.
Excerto 1: Para muitas pessoas, mesmo professores universitários, a África era um país. “Ah, você veio de onde? Da África?” “Sim, da Guiné-Bissau.” “Ah, Guiné-Bissau, região da África.” Quer dizer, Guiné-Bissau pra eles é como Brasil, São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro.
Excerto 2: Porque a novela passa tudo de bom, o pobre vive bem, né? Mesmo dentro da favela, você vê aquela casa bonitinha, tal. Então tinha uma ideia, eu, pelo menos, tinha uma ideia de um Brasil... quer dizer, fantástico!
(Extraídos do curta-metragem Identidades em trânsito, de Daniele Ellery e Márcio Câmara. Disponível em: http://portacurtas.org.br)
A visão de alguns brasileiros sobre Guiné-Bissau, segundo um guineense (Excerto 1), assim como a de um outro guineense sobre o Brasil (Excerto 2) éResolução comentada
Análise das alternativas
As questões 33 e 34 referem-se aos dois excertos de entrevistas com dois africanos de Guiné-Bissau, que foram universitários no Brasil nos anos 1980.
Excerto 1: Para muitas pessoas, mesmo professores universitários, a África era um país. “Ah, você veio de onde? Da África?” “Sim, da Guiné-Bissau.” “Ah, Guiné-Bissau, região da África.” Quer dizer, Guiné-Bissau pra eles é como Brasil, São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro.
Excerto 2: Porque a novela passa tudo de bom, o pobre vive bem, né? Mesmo dentro da favela, você vê aquela casa bonitinha, tal. Então tinha uma ideia, eu, pelo menos, tinha uma ideia de um Brasil... quer dizer, fantástico!
(Extraídos do curta-metragem Identidades em trânsito, de Daniele Ellery e Márcio Câmara. Disponível em: http://portacurtas.org.br)
No Excerto 1, a expressão quer dizer introduz umaResolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Velha chácara
A casa era por aqui...
Onde? Procuro-a e não acho.
Ouço uma voz que esqueci:
É a voz deste mesmo riacho.
Ah quanto tempo passou!
(Foram mais de cinquenta anos.)
Tantos que a morte levou!
(E a vida... nos desenganos...)
A usura fez tábua rasa
Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa...
– Mas o menino ainda existe.
O poema apresenta uma diferença entre
I. o passado (a infância) e o presente (a velhice) vivido pelo eu lírico.
II. um espaço puramente natural (o campo) e outro sociofamiliar (a casa).
III. o que é desfeito pelo tempo (a casa) e o que ele não apaga (a lembrança).
IV. a chácara (espaço ideal) e a cidade (espaço arrasado pela usura).
Estão corretas apenas:Resolução comentada
Análise das alternativas
A voz do canavial
Voz sem saliva da cigarra,
do papel seco que se amassa,
de quando se dobra o jornal:
assim canta o canavial,
ao vento que por suas folhas,
de navalha a navalha, soa,
vento que o dia e a noite toda
o folheia, e nele se esfola.
Sobre o poema, é INCORRETO afirmar que a descriçãoResolução comentada
Análise das alternativas
passeio no Ibirapuera
uma cerejeira florida
interrompe a conversa
No texto, NÃO háResolução comentada
Análise das alternativas
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Em Dom Casmurro, de Machado de Assis, Bentinho toma alguns episódios como evidências da traição de Capitu, dentre os quais NÃO consta
No romance Senhora, José de Alencar mostra que
O título do livro A hora da estrela, de Clarice Lispector, diz respeito ao seguinte momento do romance:
O poema abaixo, de Manuel Bandeira, pertence ao livro Lira dos cinquentanos.
O poema abaixo, de João Cabral de Melo Neto, integra o livro A escola das facas.
O poema abaixo, de Alice Ruiz, faz parte do livro Jardim de Haijin.