← Voltar para a lista de provas Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental — Língua Portuguesa 21 questões nesta prova · página 1 de 2 · 20 com gabarito Gabarito disponível O assunto principal da lenda é o desejo do pássaro de viver livremente. Todo o enredo gira em torno do pássaro que pede para ser solto e arquiteta a fuga. No fim ele fala da "preciosa liberdade". O tema central é, portanto, o desejo de viver livre. A) A comunicação é só o meio usado para a fuga. C) A orla da floresta é só o cenário do relato. D) A relação com o dono é secundária. E) A gaiola é o que o pássaro quer abandonar, e não o assunto principal. Referência: Plamplona, A mensagem dos pássaros. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Discurso indireto: o dono disse que dava tudo de melhor e que não via motivos para o pássaro querer voltar à selva. Na passagem ao discurso indireto, o narrador relata as falas sem aspas e com adaptação de pessoa e verbos ("dava", "via"). A alternativa B faz isso mantendo o sentido original. A) Mistura discurso indireto e direto, pois mantém aspas. C) Altera o sentido e inverte quem fala. D) É o próprio discurso direto. E) Também é discurso direto, com aspas. Referência: Discurso direto e indireto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Os irmãos pássaros responderam com uma mensagem não verbal (fingir-se de mortos). Os pássaros revirando os olhos, girando a cabeça e caindo "mortos" é uma comunicação por gestos, sem palavras. O pássaro falante diz isso ao dono: ele não poderia entender "uma mensagem sem palavras". Ele imita o gesto e escapa. A) Não houve carta. B) e D) A resposta não foi falada, seja em linguagem simples ou em linguagem dos pássaros. E) Não houve relato de histórias locais. Referência: Plamplona, A mensagem dos pássaros, linhas 16-19 e 27-29. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O dono, inflexível, propôs dar notícias do pássaro aos irmãos dele. Depois de recusar levar o pássaro, o dono diz: "O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros". Isso corresponde a dar notícias aos familiares do pássaro engaiolado. A) Não há promessa de levá-lo em viagem futura. B) Os familiares não são convidados a visitá-lo. C) O relato da viagem não é proposta feita ao pássaro. D) Ele ofereceu trazer algo, mas a proposta firme era levar notícias. Referência: Plamplona, A mensagem dos pássaros, linhas 8-12. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A intenção real do pássaro era receber dos irmãos uma mensagem que o libertasse. Ao final, o pássaro explica que, ao saberem que ele estava numa gaiola, os irmãos entenderam que deviam lhe mostrar como escapar. A mensagem era portanto um pedido de ajuda disfarçado. A resposta (fingir-se de morto) foi a mensagem que o libertou. A) Ele só aparentou conformismo. B) Não havia intenção de ostentar. C) Mandar notícias era o meio, não a intenção real. E) Os irmãos eram livres, e quem estava preso era ele. Referência: Plamplona, A mensagem dos pássaros, linhas 12 e 27-30. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Lenda: narrativa curta, poucos personagens, baseada na tradição popular e em elementos maravilhosos. A lenda é uma narrativa popular de origem oral, geralmente curta, com poucos personagens e elementos fantásticos ou encantados. O texto tem só o homem e o pássaro falante e traz o elemento maravilhoso da ave que fala e finge a morte. Assim, a alternativa C descreve corretamente o gênero. A) A lenda é curta e não tem muitos personagens elaborados. B) O narrador não é personagem e não se apresenta como protagonista. D) A lenda não se caracteriza por descrição detalhada do espaço nem por determinação precisa do tempo. E) Não se caracteriza por descrições intermináveis. Referência: Gêneros narrativos: lenda. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A comparação aparece em "como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas". Há comparação quando se aproximam dois seres por meio de um conectivo comparativo explícito. No trecho C, a vida do passarinho é comparada à vida das pessoas bem casadas e dos funcionários públicos pelo conectivo "como". A) Narra a ação e exprime espanto, sem comparar. B) Apenas relata o fato da porta aberta. D) É uma afirmação sobre a liberdade. E) "O seu canto era aluguel" é uma metáfora, pois não usa conectivo comparativo. Referência: Figuras de linguagem: comparação (símile) e metáfora. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Pede-se a alternativa que não justifica a ideia de que a monotonia é o preço da segurança. A afirmação diz que a vida segura da gaiola é monótona. As alternativas A, B, C e E mostram limites, falta de espaço e rotina, que são aspectos dessa monotonia. A alternativa D mostra o passarinho que, já fora da gaiola, prefere "não abusar" e se agarra ao galho por medo, o que mostra apenas insegurança diante da liberdade. Por isso é a que não justifica a afirmação. A) Mostra o desejo de ir além e a limitação que o impede. B) É a própria rotina monótona. C) Mostra o passarinho recusando experiências novas e ficando só com a rotina. E) Diz que os sonhos morrem por falta de espaço, ou seja, o preço da segurança. D) É a correta por ser a única que não ilustra a monotonia. Referência: Rubem Alves, Passarinho engaiolado, linhas 4-7 e 15-17. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível A fala do dono revela que ele desconhecia o que o passarinho era capaz de fazer. O dono chama o passarinho de bobo e supõe que ele esteja cego, porque "passarinho de verdade gosta de voar". Ele não percebe que o passarinho voltou por medo e por não estar preparado para a liberdade. Isso mostra que desconhecia o que o seu passarinho era capaz de fazer, ou seja, quem ele realmente era. A) Nada na fala indica rebeldia. B) O dono diz que o passarinho gosta de voar, então não pensa que ele não saiba voar. C) Ele afirma o contrário: passarinho de verdade não fica em gaiola. E) A porta foi esquecida aberta, não deixada de propósito. Referência: Rubem Alves, Passarinho engaiolado, linhas 32-34. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A rotina descrita (pular, comer, beber, dormir, cantar) mostra uma vida monótona. As ações repetidas do passarinho, sempre as mesmas, formam uma rotina sem novidade. O próprio texto, pouco antes, afirma: "Era monótona, é verdade". Por isso a alternativa correta é "monótona". A) Agitada, B) aventureira e D) estressante contradizem a rotina segura e tranquila da gaiola. E) Vazia não é o adjetivo que o texto usa para a vida do passarinho, que ele descreve como monótona. Referência: Rubem Alves, Passarinho engaiolado, linhas 4-8. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O desejo de que a porta se abrisse foi atendido: relaciona-se a "Quem espera sempre alcança". O passarinho desejava que a porta se abrisse e, depois de algum tempo, o dono a esqueceu aberta, e o desejo se realizou. Isso se liga ao dito "Quem espera sempre alcança", que trata de um desejo atendido com o tempo. A) Fala em preferir o certo ao incerto, o que não corresponde ao trecho. B) Trata de persistência que vence obstáculos, e o texto não mostra esforço do pássaro. C) Trata de retaliação. E) Trata de conflito, que não aparece na passagem. Referência: Rubem Alves, Passarinho engaiolado, linhas 10-11. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Tristeza do passarinho no crepúsculo: ele sabia que o dia acabava e que teria de enfrentar os perigos da noite. O texto diz que, no fim da tarde, veio a tristeza do crepúsculo e "a noite se aproximava". Em seguida o passarinho pensa em dormir sem proteção e lista os perigos: gatos, gambás e meninos com estilingues. O crepúsculo, no sentido figurado, anuncia o fim do dia e, para ele, o fim da segurança. B) O texto não fala de postes nem de iluminação. C) O medo é dos predadores, não do escuro em si; ele só se pergunta se os gatos enxergam no escuro. D) É uma generalização que o texto não faz. E) O céu avermelhado é um fato do pôr do sol e não explica a tristeza. Referência: Rubem Alves, Passarinho engaiolado (Teologia do Cotidiano), linhas 23-28. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Não há nenhuma afirmação do passarinho de que sempre se treme de medo diante da liberdade. O passarinho treme de medo especificamente naquele momento, diante dos perigos concretos da noite. Já B, C, D e E aparecem no texto, como a liberdade ser complicada, exigir coragem, a saudade da gaiola e a falta de coragem dele. A generalização "sempre" em A não tem apoio. B) Corresponde a "Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada". C) Reproduz "Somente podem gozar a liberdade aqueles que têm coragem". D) Ele teve saudades da gaiola e do prego amigo, pela proteção que oferecia. E) "Ele não tinha" coragem. Referência: Interpretação de texto: inferência e generalização indevida. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Para a ave da lenda, liberdade é escapar da gaiola; para o passarinho de Rubem Alves, é algo assustador. No Texto 1, a ave quer a liberdade e arquiteta um plano para sair da gaiola. No Texto 2, o passarinho, ao ser solto, sente medo, acha a liberdade complicada e volta à gaiola. Os significados da liberdade são, portanto, diferentes para cada um. A) Só o primeiro pássaro age com rebeldia; o outro volta. B) O segundo texto não propõe escolhas não habituais. C) É o oposto: os significados são distintos. D) Apenas o Texto 1 trata de estratégia de fuga. Referência: Comparação de textos: temática da liberdade. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponívelColégio Militar de Belo Horizonte — Concurso de Admissão 2016/2017 — 6º ano do Ensino Fundamental — Língua Portuguesa
TEXTO 1
LENDA INDIANA: “A MENSAGEM DOS PÁSSAROS”
[1] Era uma vez um homem que, viajando por um país distante, comprou de um mercador um
pássaro falante.
O homem levou a ave para casa e ali a tratou com todo cuidado, abrigando-a numa gaiola
dourada, onde nunca lhe faltava água e comida.
[5] Todos os dias o pássaro pedia ao dono que o soltasse, mas ele não o atendia, chamando-o de
ingrato:
– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.
Um dia, o homem precisou viajar a trabalho. Antes de partir, disse ao pássaro:
– Vou passar pelo seu país. Quer que lhe traga alguma coisa?
[10] O pássaro implorou que o levasse com ele, mas o dono foi inflexível.
– O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros.
– Está bem – conformou-se a pobre ave. – Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.
O homem despediu-se e partiu. Dias depois, voltou, parecendo muito abalado quando procurou a
sua preciosa ave:
[15] – Não sei como lhe contar, mas uma tragédia aconteceu. Imagine que, ao chegar ao seu país, fui
até a orla da floresta e chamei seus irmãos pássaros. Apareceram vários, e eu repeti a eles o que você me
disse. Não entendo que estranho malefício havia em sua mensagem, mas imediatamente eles se
entreolharam, reviraram os olhos e começaram a girar a cabeça, como se estivessem zonzos. Em
seguida, caíram mortos no chão.
[20] Assim que o homem terminou seu relato, o pássaro falante começou a revirar os olhos, a girar a
cabeça e caiu, esticado como um pedaço de pau.
O homem se pôs a gritar e a lamentar, sem compreender como simples palavras pudessem ter um
efeito tão catastrófico. Pesaroso, abriu a gaiola e retirou o corpo do bichinho, pousando-o sobre uma
mesa.
[25] Assim que se percebeu fora da gaiola, o pássaro abriu os olhos e voou rapidamente para a janela
aberta, longe do alcance do dono.
– Obrigado, amigo – disse ele. – Você não entendeu nem as minhas palavras, como poderia
entender uma mensagem sem palavras? Ao ouvirem que eu estava numa gaiola, eles compreenderam
que deveriam me dizer como escapar. E você transmitiu muito bem o recado. Fique com sua gaiola. Eu
[30] ficarei com minha muito mais preciosa liberdade! Adeus!
(PLAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005 – p. 50-3).
O texto “A Mensagem dos Pássaros” apresenta, como assunto principal, a(o)Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO 1
LENDA INDIANA: “A MENSAGEM DOS PÁSSAROS”
[1] Era uma vez um homem que, viajando por um país distante, comprou de um mercador um
pássaro falante.
O homem levou a ave para casa e ali a tratou com todo cuidado, abrigando-a numa gaiola
dourada, onde nunca lhe faltava água e comida.
[5] Todos os dias o pássaro pedia ao dono que o soltasse, mas ele não o atendia, chamando-o de
ingrato:
– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.
Um dia, o homem precisou viajar a trabalho. Antes de partir, disse ao pássaro:
– Vou passar pelo seu país. Quer que lhe traga alguma coisa?
[10] O pássaro implorou que o levasse com ele, mas o dono foi inflexível.
– O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros.
– Está bem – conformou-se a pobre ave. – Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.
O homem despediu-se e partiu. Dias depois, voltou, parecendo muito abalado quando procurou a
sua preciosa ave:
[15] – Não sei como lhe contar, mas uma tragédia aconteceu. Imagine que, ao chegar ao seu país, fui
até a orla da floresta e chamei seus irmãos pássaros. Apareceram vários, e eu repeti a eles o que você me
disse. Não entendo que estranho malefício havia em sua mensagem, mas imediatamente eles se
entreolharam, reviraram os olhos e começaram a girar a cabeça, como se estivessem zonzos. Em
seguida, caíram mortos no chão.
[20] Assim que o homem terminou seu relato, o pássaro falante começou a revirar os olhos, a girar a
cabeça e caiu, esticado como um pedaço de pau.
O homem se pôs a gritar e a lamentar, sem compreender como simples palavras pudessem ter um
efeito tão catastrófico. Pesaroso, abriu a gaiola e retirou o corpo do bichinho, pousando-o sobre uma
mesa.
[25] Assim que se percebeu fora da gaiola, o pássaro abriu os olhos e voou rapidamente para a janela
aberta, longe do alcance do dono.
– Obrigado, amigo – disse ele. – Você não entendeu nem as minhas palavras, como poderia
entender uma mensagem sem palavras? Ao ouvirem que eu estava numa gaiola, eles compreenderam
que deveriam me dizer como escapar. E você transmitiu muito bem o recado. Fique com sua gaiola. Eu
[30] ficarei com minha muito mais preciosa liberdade! Adeus!
(PLAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005 – p. 50-3).
A palavra ou expressão destacada que pode ser substituída pela palavra sempre é:
TEXTO 1
LENDA INDIANA: “A MENSAGEM DOS PÁSSAROS”
[1] Era uma vez um homem que, viajando por um país distante, comprou de um mercador um
pássaro falante.
O homem levou a ave para casa e ali a tratou com todo cuidado, abrigando-a numa gaiola
dourada, onde nunca lhe faltava água e comida.
[5] Todos os dias o pássaro pedia ao dono que o soltasse, mas ele não o atendia, chamando-o de
ingrato:
– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.
Um dia, o homem precisou viajar a trabalho. Antes de partir, disse ao pássaro:
– Vou passar pelo seu país. Quer que lhe traga alguma coisa?
[10] O pássaro implorou que o levasse com ele, mas o dono foi inflexível.
– O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros.
– Está bem – conformou-se a pobre ave. – Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.
O homem despediu-se e partiu. Dias depois, voltou, parecendo muito abalado quando procurou a
sua preciosa ave:
[15] – Não sei como lhe contar, mas uma tragédia aconteceu. Imagine que, ao chegar ao seu país, fui
até a orla da floresta e chamei seus irmãos pássaros. Apareceram vários, e eu repeti a eles o que você me
disse. Não entendo que estranho malefício havia em sua mensagem, mas imediatamente eles se
entreolharam, reviraram os olhos e começaram a girar a cabeça, como se estivessem zonzos. Em
seguida, caíram mortos no chão.
[20] Assim que o homem terminou seu relato, o pássaro falante começou a revirar os olhos, a girar a
cabeça e caiu, esticado como um pedaço de pau.
O homem se pôs a gritar e a lamentar, sem compreender como simples palavras pudessem ter um
efeito tão catastrófico. Pesaroso, abriu a gaiola e retirou o corpo do bichinho, pousando-o sobre uma
mesa.
[25] Assim que se percebeu fora da gaiola, o pássaro abriu os olhos e voou rapidamente para a janela
aberta, longe do alcance do dono.
– Obrigado, amigo – disse ele. – Você não entendeu nem as minhas palavras, como poderia
entender uma mensagem sem palavras? Ao ouvirem que eu estava numa gaiola, eles compreenderam
que deveriam me dizer como escapar. E você transmitiu muito bem o recado. Fique com sua gaiola. Eu
[30] ficarei com minha muito mais preciosa liberdade! Adeus!
(PLAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005 – p. 50-3).
Há correspondência de significados entre as palavras destacadas em:
TEXTO 1
LENDA INDIANA: “A MENSAGEM DOS PÁSSAROS”
[1] Era uma vez um homem que, viajando por um país distante, comprou de um mercador um
pássaro falante.
O homem levou a ave para casa e ali a tratou com todo cuidado, abrigando-a numa gaiola
dourada, onde nunca lhe faltava água e comida.
[5] Todos os dias o pássaro pedia ao dono que o soltasse, mas ele não o atendia, chamando-o de
ingrato:
– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.
Um dia, o homem precisou viajar a trabalho. Antes de partir, disse ao pássaro:
– Vou passar pelo seu país. Quer que lhe traga alguma coisa?
[10] O pássaro implorou que o levasse com ele, mas o dono foi inflexível.
– O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros.
– Está bem – conformou-se a pobre ave. – Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.
O homem despediu-se e partiu. Dias depois, voltou, parecendo muito abalado quando procurou a
sua preciosa ave:
[15] – Não sei como lhe contar, mas uma tragédia aconteceu. Imagine que, ao chegar ao seu país, fui
até a orla da floresta e chamei seus irmãos pássaros. Apareceram vários, e eu repeti a eles o que você me
disse. Não entendo que estranho malefício havia em sua mensagem, mas imediatamente eles se
entreolharam, reviraram os olhos e começaram a girar a cabeça, como se estivessem zonzos. Em
seguida, caíram mortos no chão.
[20] Assim que o homem terminou seu relato, o pássaro falante começou a revirar os olhos, a girar a
cabeça e caiu, esticado como um pedaço de pau.
O homem se pôs a gritar e a lamentar, sem compreender como simples palavras pudessem ter um
efeito tão catastrófico. Pesaroso, abriu a gaiola e retirou o corpo do bichinho, pousando-o sobre uma
mesa.
[25] Assim que se percebeu fora da gaiola, o pássaro abriu os olhos e voou rapidamente para a janela
aberta, longe do alcance do dono.
– Obrigado, amigo – disse ele. – Você não entendeu nem as minhas palavras, como poderia
entender uma mensagem sem palavras? Ao ouvirem que eu estava numa gaiola, eles compreenderam
que deveriam me dizer como escapar. E você transmitiu muito bem o recado. Fique com sua gaiola. Eu
[30] ficarei com minha muito mais preciosa liberdade! Adeus!
(PLAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005 – p. 50-3).
Os discursos direto e indireto são características do gênero narrativo. Ao passar o trecho abaixo para o discurso indireto, tem-se:
“– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.” (linha 7)Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO 1
LENDA INDIANA: “A MENSAGEM DOS PÁSSAROS”
[1] Era uma vez um homem que, viajando por um país distante, comprou de um mercador um
pássaro falante.
O homem levou a ave para casa e ali a tratou com todo cuidado, abrigando-a numa gaiola
dourada, onde nunca lhe faltava água e comida.
[5] Todos os dias o pássaro pedia ao dono que o soltasse, mas ele não o atendia, chamando-o de
ingrato:
– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.
Um dia, o homem precisou viajar a trabalho. Antes de partir, disse ao pássaro:
– Vou passar pelo seu país. Quer que lhe traga alguma coisa?
[10] O pássaro implorou que o levasse com ele, mas o dono foi inflexível.
– O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros.
– Está bem – conformou-se a pobre ave. – Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.
O homem despediu-se e partiu. Dias depois, voltou, parecendo muito abalado quando procurou a
sua preciosa ave:
[15] – Não sei como lhe contar, mas uma tragédia aconteceu. Imagine que, ao chegar ao seu país, fui
até a orla da floresta e chamei seus irmãos pássaros. Apareceram vários, e eu repeti a eles o que você me
disse. Não entendo que estranho malefício havia em sua mensagem, mas imediatamente eles se
entreolharam, reviraram os olhos e começaram a girar a cabeça, como se estivessem zonzos. Em
seguida, caíram mortos no chão.
[20] Assim que o homem terminou seu relato, o pássaro falante começou a revirar os olhos, a girar a
cabeça e caiu, esticado como um pedaço de pau.
O homem se pôs a gritar e a lamentar, sem compreender como simples palavras pudessem ter um
efeito tão catastrófico. Pesaroso, abriu a gaiola e retirou o corpo do bichinho, pousando-o sobre uma
mesa.
[25] Assim que se percebeu fora da gaiola, o pássaro abriu os olhos e voou rapidamente para a janela
aberta, longe do alcance do dono.
– Obrigado, amigo – disse ele. – Você não entendeu nem as minhas palavras, como poderia
entender uma mensagem sem palavras? Ao ouvirem que eu estava numa gaiola, eles compreenderam
que deveriam me dizer como escapar. E você transmitiu muito bem o recado. Fique com sua gaiola. Eu
[30] ficarei com minha muito mais preciosa liberdade! Adeus!
(PLAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005 – p. 50-3).
Os irmãos pássaros comunicaram à ave falante como conquistar a liberdade através de um (a)Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO 1
LENDA INDIANA: “A MENSAGEM DOS PÁSSAROS”
[1] Era uma vez um homem que, viajando por um país distante, comprou de um mercador um
pássaro falante.
O homem levou a ave para casa e ali a tratou com todo cuidado, abrigando-a numa gaiola
dourada, onde nunca lhe faltava água e comida.
[5] Todos os dias o pássaro pedia ao dono que o soltasse, mas ele não o atendia, chamando-o de
ingrato:
– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.
Um dia, o homem precisou viajar a trabalho. Antes de partir, disse ao pássaro:
– Vou passar pelo seu país. Quer que lhe traga alguma coisa?
[10] O pássaro implorou que o levasse com ele, mas o dono foi inflexível.
– O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros.
– Está bem – conformou-se a pobre ave. – Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.
O homem despediu-se e partiu. Dias depois, voltou, parecendo muito abalado quando procurou a
sua preciosa ave:
[15] – Não sei como lhe contar, mas uma tragédia aconteceu. Imagine que, ao chegar ao seu país, fui
até a orla da floresta e chamei seus irmãos pássaros. Apareceram vários, e eu repeti a eles o que você me
disse. Não entendo que estranho malefício havia em sua mensagem, mas imediatamente eles se
entreolharam, reviraram os olhos e começaram a girar a cabeça, como se estivessem zonzos. Em
seguida, caíram mortos no chão.
[20] Assim que o homem terminou seu relato, o pássaro falante começou a revirar os olhos, a girar a
cabeça e caiu, esticado como um pedaço de pau.
O homem se pôs a gritar e a lamentar, sem compreender como simples palavras pudessem ter um
efeito tão catastrófico. Pesaroso, abriu a gaiola e retirou o corpo do bichinho, pousando-o sobre uma
mesa.
[25] Assim que se percebeu fora da gaiola, o pássaro abriu os olhos e voou rapidamente para a janela
aberta, longe do alcance do dono.
– Obrigado, amigo – disse ele. – Você não entendeu nem as minhas palavras, como poderia
entender uma mensagem sem palavras? Ao ouvirem que eu estava numa gaiola, eles compreenderam
que deveriam me dizer como escapar. E você transmitiu muito bem o recado. Fique com sua gaiola. Eu
[30] ficarei com minha muito mais preciosa liberdade! Adeus!
(PLAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005 – p. 50-3).
Irredutível ao apelo do pássaro para que fosse junto com ele na viagem, o dono fez-lhe a seguinte proposta:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO 1
LENDA INDIANA: “A MENSAGEM DOS PÁSSAROS”
[1] Era uma vez um homem que, viajando por um país distante, comprou de um mercador um
pássaro falante.
O homem levou a ave para casa e ali a tratou com todo cuidado, abrigando-a numa gaiola
dourada, onde nunca lhe faltava água e comida.
[5] Todos os dias o pássaro pedia ao dono que o soltasse, mas ele não o atendia, chamando-o de
ingrato:
– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.
Um dia, o homem precisou viajar a trabalho. Antes de partir, disse ao pássaro:
– Vou passar pelo seu país. Quer que lhe traga alguma coisa?
[10] O pássaro implorou que o levasse com ele, mas o dono foi inflexível.
– O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros.
– Está bem – conformou-se a pobre ave. – Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.
O homem despediu-se e partiu. Dias depois, voltou, parecendo muito abalado quando procurou a
sua preciosa ave:
[15] – Não sei como lhe contar, mas uma tragédia aconteceu. Imagine que, ao chegar ao seu país, fui
até a orla da floresta e chamei seus irmãos pássaros. Apareceram vários, e eu repeti a eles o que você me
disse. Não entendo que estranho malefício havia em sua mensagem, mas imediatamente eles se
entreolharam, reviraram os olhos e começaram a girar a cabeça, como se estivessem zonzos. Em
seguida, caíram mortos no chão.
[20] Assim que o homem terminou seu relato, o pássaro falante começou a revirar os olhos, a girar a
cabeça e caiu, esticado como um pedaço de pau.
O homem se pôs a gritar e a lamentar, sem compreender como simples palavras pudessem ter um
efeito tão catastrófico. Pesaroso, abriu a gaiola e retirou o corpo do bichinho, pousando-o sobre uma
mesa.
[25] Assim que se percebeu fora da gaiola, o pássaro abriu os olhos e voou rapidamente para a janela
aberta, longe do alcance do dono.
– Obrigado, amigo – disse ele. – Você não entendeu nem as minhas palavras, como poderia
entender uma mensagem sem palavras? Ao ouvirem que eu estava numa gaiola, eles compreenderam
que deveriam me dizer como escapar. E você transmitiu muito bem o recado. Fique com sua gaiola. Eu
[30] ficarei com minha muito mais preciosa liberdade! Adeus!
(PLAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005 – p. 50-3).
Leia a seguinte passagem retirada do texto:
“– Está bem – conformou-se a pobre ave.
– Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.” (linha 12)
Assinale o item que apresenta a verdadeira intenção do pássaro falante:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO 1
LENDA INDIANA: “A MENSAGEM DOS PÁSSAROS”
[1] Era uma vez um homem que, viajando por um país distante, comprou de um mercador um
pássaro falante.
O homem levou a ave para casa e ali a tratou com todo cuidado, abrigando-a numa gaiola
dourada, onde nunca lhe faltava água e comida.
[5] Todos os dias o pássaro pedia ao dono que o soltasse, mas ele não o atendia, chamando-o de
ingrato:
– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.
Um dia, o homem precisou viajar a trabalho. Antes de partir, disse ao pássaro:
– Vou passar pelo seu país. Quer que lhe traga alguma coisa?
[10] O pássaro implorou que o levasse com ele, mas o dono foi inflexível.
– O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros.
– Está bem – conformou-se a pobre ave. – Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.
O homem despediu-se e partiu. Dias depois, voltou, parecendo muito abalado quando procurou a
sua preciosa ave:
[15] – Não sei como lhe contar, mas uma tragédia aconteceu. Imagine que, ao chegar ao seu país, fui
até a orla da floresta e chamei seus irmãos pássaros. Apareceram vários, e eu repeti a eles o que você me
disse. Não entendo que estranho malefício havia em sua mensagem, mas imediatamente eles se
entreolharam, reviraram os olhos e começaram a girar a cabeça, como se estivessem zonzos. Em
seguida, caíram mortos no chão.
[20] Assim que o homem terminou seu relato, o pássaro falante começou a revirar os olhos, a girar a
cabeça e caiu, esticado como um pedaço de pau.
O homem se pôs a gritar e a lamentar, sem compreender como simples palavras pudessem ter um
efeito tão catastrófico. Pesaroso, abriu a gaiola e retirou o corpo do bichinho, pousando-o sobre uma
mesa.
[25] Assim que se percebeu fora da gaiola, o pássaro abriu os olhos e voou rapidamente para a janela
aberta, longe do alcance do dono.
– Obrigado, amigo – disse ele. – Você não entendeu nem as minhas palavras, como poderia
entender uma mensagem sem palavras? Ao ouvirem que eu estava numa gaiola, eles compreenderam
que deveriam me dizer como escapar. E você transmitiu muito bem o recado. Fique com sua gaiola. Eu
[30] ficarei com minha muito mais preciosa liberdade! Adeus!
(PLAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005 – p. 50-3).
Assinale o item que apresenta características de lenda, gênero do texto “A Mensagem dos Pássaros”.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
[1] Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
[5] o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
[10] ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
[15] galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
[20] – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
[25] Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
[30] a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho de
verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
Marque a opção que apresenta um trecho em que há uma comparação:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
[1] Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
[5] o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
[10] ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
[15] galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
[20] – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
[25] Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
[30] a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho de
verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
A palavra destacada encontra-se no sentido figurado em:
TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
[1] Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
[5] o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
[10] ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
[15] galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
[20] – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
[25] Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
[30] a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho de
verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
Marque a alternativa que NÃO justifica a afirmativa abaixo:
“Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança.” (linha 4)Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
[1] Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
[5] o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
[10] ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
[15] galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
[20] – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
[25] Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
[30] a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho de
verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
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TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
[1] Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
[5] o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
[10] ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
[15] galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
[20] – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
[25] Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
[30] a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho de
verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
Assinale a opção em que a expressão destacada pode ser associada à ideia de prudência:
TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
[1] Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
[5] o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
[10] ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
[15] galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
[20] – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
[25] Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
[30] a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho de
verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
“Passarinho bobo. (...) pois passarinho de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...” (linha 33)
A fala do dono do passarinho demonstra que eleResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
[1] Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
[5] o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
[10] ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
[15] galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
[20] – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
[25] Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
[30] a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho de
verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
“Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para outro, comer, beber, dormir e cantar.” (linha 7)
De acordo com a passagem do texto, a vida do passarinho eraResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
[1] Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
[5] o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
[10] ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
[15] galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
[20] – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
[25] Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
[30] a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho de
verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
“... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.” (linha 10) Após esse pensamento, o desejo foi realizado: “Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.” (linha 11)
Esta situação pode ser relacionada ao seguinte dito popular:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
[1] Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
[5] o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
[10] ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
[15] galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
[20] – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
[25] Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
[30] a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho de
verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
Segundo Houaiss (HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 366.), o vocábulo crepúsculo, empregado no sentido figurado significa: “3. fig. período que antecede o fim de algo, momento em que se percebe este fim; declínio, decadência.”
O passarinho sentiu-se triste com o crepúsculo porqueResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
[1] Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
[5] o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
[10] ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
[15] galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
[20] – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
[25] Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
[30] a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho de
verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
Depois de vivenciar algumas experiências fora da gaiola, o passarinho volta e encontra a porta aberta. Ele, então, tem a oportunidade de retornar à gaiola, mas não sem antes refletir sobre a condição de ser livre.
A afirmação que NÃO encontra relação com as reflexões feitas pelo passarinho é:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO 1
LENDA INDIANA: “A MENSAGEM DOS PÁSSAROS”
[1] Era uma vez um homem que, viajando por um país distante, comprou de um mercador um
pássaro falante.
O homem levou a ave para casa e ali a tratou com todo cuidado, abrigando-a numa gaiola
dourada, onde nunca lhe faltava água e comida.
[5] Todos os dias o pássaro pedia ao dono que o soltasse, mas ele não o atendia, chamando-o de
ingrato:
– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.
Um dia, o homem precisou viajar a trabalho. Antes de partir, disse ao pássaro:
– Vou passar pelo seu país. Quer que lhe traga alguma coisa?
[10] O pássaro implorou que o levasse com ele, mas o dono foi inflexível.
– O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros.
– Está bem – conformou-se a pobre ave. – Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.
O homem despediu-se e partiu. Dias depois, voltou, parecendo muito abalado quando procurou a
sua preciosa ave:
[15] – Não sei como lhe contar, mas uma tragédia aconteceu. Imagine que, ao chegar ao seu país, fui
até a orla da floresta e chamei seus irmãos pássaros. Apareceram vários, e eu repeti a eles o que você me
disse. Não entendo que estranho malefício havia em sua mensagem, mas imediatamente eles se
entreolharam, reviraram os olhos e começaram a girar a cabeça, como se estivessem zonzos. Em
seguida, caíram mortos no chão.
[20] Assim que o homem terminou seu relato, o pássaro falante começou a revirar os olhos, a girar a
cabeça e caiu, esticado como um pedaço de pau.
O homem se pôs a gritar e a lamentar, sem compreender como simples palavras pudessem ter um
efeito tão catastrófico. Pesaroso, abriu a gaiola e retirou o corpo do bichinho, pousando-o sobre uma
mesa.
[25] Assim que se percebeu fora da gaiola, o pássaro abriu os olhos e voou rapidamente para a janela
aberta, longe do alcance do dono.
– Obrigado, amigo – disse ele. – Você não entendeu nem as minhas palavras, como poderia
entender uma mensagem sem palavras? Ao ouvirem que eu estava numa gaiola, eles compreenderam
que deveriam me dizer como escapar. E você transmitiu muito bem o recado. Fique com sua gaiola. Eu
[30] ficarei com minha muito mais preciosa liberdade! Adeus!
(PLAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005 – p. 50-3).
TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
[1] Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
[5] o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
[10] ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
[15] galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
[20] – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
[25] Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
[30] a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho de
verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
Relacionando-se os textos 1 e 2, “A mensagem dos pássaros” e “Passarinho engaiolado”, pode-se afirmar queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO 1
LENDA INDIANA: “A MENSAGEM DOS PÁSSAROS”
[1] Era uma vez um homem que, viajando por um país distante, comprou de um mercador um
pássaro falante.
O homem levou a ave para casa e ali a tratou com todo cuidado, abrigando-a numa gaiola
dourada, onde nunca lhe faltava água e comida.
[5] Todos os dias o pássaro pedia ao dono que o soltasse, mas ele não o atendia, chamando-o de
ingrato:
– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.
Um dia, o homem precisou viajar a trabalho. Antes de partir, disse ao pássaro:
– Vou passar pelo seu país. Quer que lhe traga alguma coisa?
[10] O pássaro implorou que o levasse com ele, mas o dono foi inflexível.
– O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros.
– Está bem – conformou-se a pobre ave. – Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.
O homem despediu-se e partiu. Dias depois, voltou, parecendo muito abalado quando procurou a
sua preciosa ave:
[15] – Não sei como lhe contar, mas uma tragédia aconteceu. Imagine que, ao chegar ao seu país, fui
até a orla da floresta e chamei seus irmãos pássaros. Apareceram vários, e eu repeti a eles o que você me
disse. Não entendo que estranho malefício havia em sua mensagem, mas imediatamente eles se
entreolharam, reviraram os olhos e começaram a girar a cabeça, como se estivessem zonzos. Em
seguida, caíram mortos no chão.
[20] Assim que o homem terminou seu relato, o pássaro falante começou a revirar os olhos, a girar a
cabeça e caiu, esticado como um pedaço de pau.
O homem se pôs a gritar e a lamentar, sem compreender como simples palavras pudessem ter um
efeito tão catastrófico. Pesaroso, abriu a gaiola e retirou o corpo do bichinho, pousando-o sobre uma
mesa.
[25] Assim que se percebeu fora da gaiola, o pássaro abriu os olhos e voou rapidamente para a janela
aberta, longe do alcance do dono.
– Obrigado, amigo – disse ele. – Você não entendeu nem as minhas palavras, como poderia
entender uma mensagem sem palavras? Ao ouvirem que eu estava numa gaiola, eles compreenderam
que deveriam me dizer como escapar. E você transmitiu muito bem o recado. Fique com sua gaiola. Eu
[30] ficarei com minha muito mais preciosa liberdade! Adeus!
(PLAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005 – p. 50-3).
TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
[1] Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
[5] o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
[10] ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
[15] galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
[20] – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
[25] Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
[30] a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho de
verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
Observe, atentamente, a tirinha abaixo.
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(Disponível em: http://www.tirasarmandinho.tumblr.com/post/115580057744/tirinha-original. Acesso em 22/09/2016.)
A partir da leitura da tirinha, é correto afirmar que
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