← Voltar para a lista de provas Colégio Militar de Campo Grande — Exército Brasileiro (DECEx/DEPA) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental 21 questões nesta prova · página 1 de 2 · 20 com gabarito Gabarito disponível Função dos antônimos no poema. Os pares de opostos (desdentada/cheia de dentes, gelados/quentes, longos/rentes) reforçam o tema do título e do refrão: as pessoas são diferentes. B está errada porque o poema não trata de desigualdade social. C está errada porque não fala da história de vida das pessoas. D está errada porque as diferenças não geram conflito. E está errada porque a perda de dentes é só um dos exemplos e não é a ideia central. Referência: Interpretação de texto poético; antonímia. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Recurso que NÃO dá ritmo ao poema. O ritmo do poema vem de rimas (dentes/pentes/lentes), repetições de estruturas ("Uma... A outra..."), divisão em estrofes e pontuação, que marca as pausas. As letras maiúsculas só marcam início de verso ou nomes e não interferem na cadência, por isso C é o recurso que não atribui ritmo. A atribui ritmo, pois a repetição de estruturas cria paralelismo e cadência. B atribui ritmo, pois as estrofes organizam o poema em blocos. D atribui ritmo, pois a pontuação marca as pausas. E atribui ritmo, pois as rimas criam sonoridade regular. Referência: Versificação: ritmo, rima e estrofe. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Causa da ausência da perna de seu Duílio. O texto diz que "a perna fora cortada por causa de uma doença". A amputação foi consequência dessa doença, o que corresponde à alternativa B. A está errada porque ele não nasceu sem a perna, ela foi cortada em operação. C está errada porque a idade não é a causa. D está errada porque o circo é só uma imaginação do menino. E está errada porque a bicicleta é mencionada apenas como local onde o menino imaginava que a perna ficasse guardada. Referência: Interpretação de texto: informação explícita. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Efeito da repetição "Não vou! Não vou! Não vou!" A repetição enfatiza e reafirma a recusa do menino, que insiste em não ir à festa. Mostra a teimosia dele e a intensidade da emoção. B está errada porque ele não tenta convencer ninguém, ele recusa. C está errada porque as frases são afirmações, não perguntas. D está errada porque ele não se contradiz, mantém a mesma posição. E está errada porque a repetição indica o oposto de aceitação. Referência: Efeitos de sentido: repetição e ênfase. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Recurso expressivo em "Que emoção." O narrador diz "Que emoção" para afirmar o contrário do que sente. Ele considera a festa entediante e a "maior qualidade" do homem, ter 80 anos, irrelevante. Dizer o oposto do que se pensa, com intenção crítica, é ironia. A está errada porque não há dúvida no trecho. C está errada porque o menino não demonstra surpresa. D está errada porque não há cooperação. E está errada porque o tom é de enfado e sarcasmo, não de tristeza. Referência: Figuras de linguagem: ironia. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Fonte do humor no texto. O humor vem da perspectiva infantil: o menino compara os pontos da cirurgia à costura nos joelhos do moletom, e um tema sério fica leve e cômico. A comparação aparece em "da mesma forma que minha mãe costurava pedaços redondos de couro nos joelhos dos meus moletons". A é apenas um fato da narrativa e não gera humor. B é uma ação de seu Duílio e não é a fonte do humor apontada. C descreve o tédio inicial do menino, que não é o recurso que atenua o tema sério. D é verdadeira, mas é a curiosidade em si, e o enunciado pede o fator cômico, que está na comparação com o moletom. Referência: Efeitos de sentido: humor, comparação. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Pontuação que expressa o desejo do menino de assistir ao programa. Em D, a pergunta e a negação enfática ("Não!") mostram que ele não quer ir ao aniversário. A exclamação e o "Jamais" mostram que ele não aceita perder o programa favorito. A pontuação reproduz o desejo de ficar em casa vendo TV. A usa pontuação neutra e diz que quer ir ao aniversário, o que contraria o desejo do menino. B usa "ir?" e "Ao aniversário!" de forma incoerente. C diz "Gostaria de perder meu programa", o que inverte o sentido. E usa dois-pontos e travessão de modo inadequado e também diz "gostaria de perder". Referência: Pontuação e efeitos de sentido (interrogação, exclamação). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponívelColégio Militar de Campo Grande — Concurso de Admissão 2016/2017 — 6º Ano do Ensino Fundamental — Prova de Língua Portuguesa
TEXTO I
Pessoas são diferentes
São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
Uma é toda desdentada,
A outra é cheia de dentes...
5 Uma anda descabelada,
A outra é cheia de pentes!
Uma delas usa óculos,
E a outra só usa lentes.
Uma gosta de gelados,
10 A outra gosta de quentes.
Uma tem cabelos longos,
A outra corta eles rentes.
Não queiras que sejam iguais,
Aliás, nem mesmo tentes!
15 São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
(ROCHA, Ruth. In: Poesia para criança. Disponível em: <http://poesiaparacrianca.blogspot.com.br>. Acesso em: 27 set. 2016.)
No poema (Texto I), o uso de antônimos reforça a ideia de queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Pessoas são diferentes
São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
Uma é toda desdentada,
A outra é cheia de dentes...
5 Uma anda descabelada,
A outra é cheia de pentes!
Uma delas usa óculos,
E a outra só usa lentes.
Uma gosta de gelados,
10 A outra gosta de quentes.
Uma tem cabelos longos,
A outra corta eles rentes.
Não queiras que sejam iguais,
Aliás, nem mesmo tentes!
15 São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
(ROCHA, Ruth. In: Poesia para criança. Disponível em: <http://poesiaparacrianca.blogspot.com.br>. Acesso em: 27 set. 2016.)
O recurso utilizado que NÃO serve para atribuir ritmo ao poema é o(a)Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Pessoas são diferentes
São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
Uma é toda desdentada,
A outra é cheia de dentes...
5 Uma anda descabelada,
A outra é cheia de pentes!
Uma delas usa óculos,
E a outra só usa lentes.
Uma gosta de gelados,
10 A outra gosta de quentes.
Uma tem cabelos longos,
A outra corta eles rentes.
Não queiras que sejam iguais,
Aliás, nem mesmo tentes!
15 São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
(ROCHA, Ruth. In: Poesia para criança. Disponível em: <http://poesiaparacrianca.blogspot.com.br>. Acesso em: 27 set. 2016.)
No verso
(verso 8), a palavra destacada teria o sentido ALTERADO se fosse substituída por
TEXTO I
Pessoas são diferentes
São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
Uma é toda desdentada,
A outra é cheia de dentes...
5 Uma anda descabelada,
A outra é cheia de pentes!
Uma delas usa óculos,
E a outra só usa lentes.
Uma gosta de gelados,
10 A outra gosta de quentes.
Uma tem cabelos longos,
A outra corta eles rentes.
Não queiras que sejam iguais,
Aliás, nem mesmo tentes!
15 São duas crianças lindas
Mas são muito diferentes!
(ROCHA, Ruth. In: Poesia para criança. Disponível em: <http://poesiaparacrianca.blogspot.com.br>. Acesso em: 27 set. 2016.)
Assinale a alternativa em que o termo destacado serve para dar característica a um substantivo do poema.
TEXTO II
A perna do seu Duílio
Era domingo e eu estava extremamente emburrado. Vinha esperando a semana inteira
pelo especial de um ano do Bambalalão, com novos quadros, convidados especiais e
um minibugue camuflado para o grande vencedor da gincana; aí, quando já tinha até
5 arrumado meu canto do sofá, posicionado as almofadas preferidas, pegado a mantinha de lã e
estava indo preparar a xícara com Leite Moça e Nescau, minha mãe chega penteando o cabelo e diz
que vamos sair: é aniversário do seu Duílio.
E por acaso eu conhecia algum Duílio?! Ela explicou tratar-se do pai do marido da minha
tia, e que naquele dia ele faria aniversário. Eu expliquei que Bambalalão era meu programa
10 predileto e que naquele dia ele também faria aniversário. Minha mãe sentou-se ao meu lado e deu
início à inútil tática de despertar meu interesse, a mesma que usava para me convencer a comer
coisas verdes e pastosas ou tomar xarope para tosse: “Olha que legal, o seu Duílio vai fazer oitenta
anos! Sabe quanto é oitenta? Todos os dedos das duas mãos abertas uma, duas, três, quatro,
cinco, seis, sete, oito vezes!”.
15 O abrir e fechar de dedos podia servir para me fazer um cafuné, se ela quisesse, ou
preparar massa de biscoito, mas não ajudaria em nada a me convencer de que conhecer uma
pessoa muito velha fosse mais interessante do que assistir à corrida de saco na piscina de bolinhas,
o pega-pega de olhos vendados ou ver o vencedor recebendo o minibugue de pintura camuflada,
que eu vinha cobiçando a semana inteira diante da TV.
20 Reagi, como sempre fazia naquelas ocasiões. Olhei por cima do seu ombro, mudei de canal
com o controle remoto. Minha mãe tentou fisgar meu interesse de outra forma: disse que lá ia
estar cheio de crianças da minha idade.
Chorei, esperneei, bufei, enfiei a cabeça debaixo da manta e me fechei num casulo de lã.
Minha mãe abandonou a sedução e resolveu me pegar pela culpa. Explicou que o seu Duílio tinha
25 me visto nascer, tinha me pegado no colo, pequenininho. Grande coisa, eu não me lembrava de ter
nascido, não havia pedido que ele me pegasse no colo, problema dele. Minha mãe tentou me
descobrir, eu esperneei mais ainda, comecei a atirar as almofadas no chão, gritei “Não vou! Não
vou! Não vou!”, até que ela abandonou todas as técnicas de convencimento e ordenou: “Menino,
engole esse choro, você vai e pronto!”.
30 Fui no banco de trás do carro, encolhido e de olhos fechados, torcendo para que ela se
virasse, me visse e pensasse, “Caramba, acho que dessa vez a gente exagerou, o Antônio tá
sofrendo de verdade, melhor voltar e deixá-lo assistir ao programa dele”. Mas nos breves
momentos em que abri os olhos para conferir, ela não estava prestando atenção. Estava, na
verdade, concentrada numa conversa com meu padrasto: “Melhor não”, ela dizia, “Se a gente
35 avisa, desperta o interesse. Deixa acontecer naturalmente”, “É, pode ser, bom, de qualquer forma
o seu Duílio deve saber como lidar com essas coisas, não é de hoje, né…”. Não entendi o que eles
diziam nem me interessei, só pensava que, no dia seguinte, na escola, todo mundo ia estar falando
sobre a corrida de saco na piscina de bolinhas, ia comentar sobre a criança que ganhou o
minibugue e se ela mereceu mais que a outra, e eu não poderia opinar, porque estava na festa de
40 um homem cuja maior qualidade era ter tantos anos quanto todos os dedos das duas mãos abertas
oito vezes. Que emoção.
Chegamos. Era aquela coisa de sempre: um monte de parentes e outros adultos mexendo
no meu cabelo, na minha bochecha e na minha barriga, dizendo que eu estava grande e bonito.
O seu Duílio estava sentado numa poltrona, num dos cantos da sala. Tinha os cabelos todos
45 brancos. Minha mãe o beijou, dizendo: “Parabéns, seu Duílio!” Depois, meu padrasto apertou sua
mão e falou: “Oitenta, hein, seu Duílio! Daqui a pouco é noventa, já!”
O velho ficou falando umas coisas sobre fazer oitenta anos, eu fiquei olhando pra ele,
fingindo que ouvia, mas a minha cabeça estava longe, lá na sala de casa, imaginando assistir ao
Bambalalão, e provavelmente por lá ficaria até o final daquela tarde se meus olhos não tivessem,
50 acidentalmente, ido parar na perna esquerda do aniversariante — ou melhor, num pedaço da
poltrona onde deveria estar sua perna esquerda. Olhei uma vez, olhei duas, olhei três. Longos
segundos se passaram até que eu pudesse aceitar o que via: a perna esquerda do seu Duílio não
existia!
Que coisa espetacular! Se a minha mãe tivesse perguntado: “O que você prefere, assistir a
55 Bambalalão ou conhecer um homem sem perna?”, claro que eu ficaria com a segunda alternativa.
Lembrei-me do homem que eu tinha visto no circo, um dia, botando uma mulher de maiô numa
caixa e a serrando ao meio. Seria seu Duílio aquele homem? Teria ele cortado a própria perna?
Como? Será que ele conseguia tirar e recolocar a perna sempre que quisesse? Onde guardava a
perna, quando não a usava? Numa gaveta do quarto, no banheiro, na área de serviço, junto à
60 bicicleta? Conseguiria ele remover também outros membros?
Minha mãe me cutucou: “Ô, Antônio, não vai dar oi pro seu Duílio?”. Como não? “Oi, seu
Duílio! Cadê sua perna?!” Minha mãe me olhou com uma cara estranha. Achei que ela não tivesse
ouvido o que eu acabara de dizer. Falei ainda mais alto: “Olha! Olha! Ele só tem uma perna! Mãe!
Mãe! Cadê a perna do seu Duílio?”. Todos na sala fizeram silêncio.
65 Ninguém mais se empolgava com aquela situação? Será que não haviam percebido? Seria o
primeiro dia em que o seu Duílio saía sem a perna? Uma surpresa que preparou para a festa de
oitenta anos, uma mágica, e eu havia sido o único a notar?
O silêncio foi quebrado pelo próprio Duílio. Ele me fez sentar no braço da poltrona e me
contou a história inteira, respondendo a todas as perguntas que eu fazia. Explicou que a perna fora
70 cortada por causa de uma doença, mas que eu não deveria me preocupar, era uma doença que só
dava em velhos. A operação aconteceu num hospital. Não, ele não precisou ir de bermuda, porque
no hospital dão uma camisola. Sim, uma camisola, mesmo para os homens. Depois de vesti-la,
médicos deram-lhe uma injeção no braço e ele dormiu, de um jeito que você não sente dor e não
acorda nem se pularem na sua barriga. Aí é que vem a parte mais estranha: depois de tirarem a
75 perna, não fizeram um curativo enorme, nem vários, nem puseram esparadrapo, não: eles o
costuraram, com agulha e linha, da mesma forma que minha mãe costurava pedaços redondos de
couro nos joelhos dos meus moletons. A cor da linha era preta, e seu Duílio não soube dizer se
poderia ser azul, verde ou vermelha, caso ele assim preferisse.
Queria passar a tarde inteira ali, sentado no braço da poltrona, seguindo com a entrevista,
80 mas minha mãe logo me pôs no chão e me mandou para o quintal, onde estavam as outras
crianças.
No dia seguinte, na escola, mal se falou sobre o Bambalalão: só queriam saber da minha
história com o homem de perna cortada. O único que não se interessou foi o Válter, do pré: nem
ligou e disse que ter a perna cortada não era nada de mais; toda noite, antes de dormir, a avó dele
85 tirava os dentes e as gengivas e punha dentro de um copo d’água. Claro, ninguém acreditou e ficou
evidente que o Válter só queria roubar a atenção.
(PRATA, Antonio. In: Folha de S. Paulo. Caderno Ilustrada, 02 abr. 2016, p. E2.)
Em
(linhas 1 e 2), o termo destacado refere-se a um/uma
TEXTO II
A perna do seu Duílio
Era domingo e eu estava extremamente emburrado. Vinha esperando a semana inteira
pelo especial de um ano do Bambalalão, com novos quadros, convidados especiais e
um minibugue camuflado para o grande vencedor da gincana; aí, quando já tinha até
5 arrumado meu canto do sofá, posicionado as almofadas preferidas, pegado a mantinha de lã e
estava indo preparar a xícara com Leite Moça e Nescau, minha mãe chega penteando o cabelo e diz
que vamos sair: é aniversário do seu Duílio.
E por acaso eu conhecia algum Duílio?! Ela explicou tratar-se do pai do marido da minha
tia, e que naquele dia ele faria aniversário. Eu expliquei que Bambalalão era meu programa
10 predileto e que naquele dia ele também faria aniversário. Minha mãe sentou-se ao meu lado e deu
início à inútil tática de despertar meu interesse, a mesma que usava para me convencer a comer
coisas verdes e pastosas ou tomar xarope para tosse: “Olha que legal, o seu Duílio vai fazer oitenta
anos! Sabe quanto é oitenta? Todos os dedos das duas mãos abertas uma, duas, três, quatro,
cinco, seis, sete, oito vezes!”.
15 O abrir e fechar de dedos podia servir para me fazer um cafuné, se ela quisesse, ou
preparar massa de biscoito, mas não ajudaria em nada a me convencer de que conhecer uma
pessoa muito velha fosse mais interessante do que assistir à corrida de saco na piscina de bolinhas,
o pega-pega de olhos vendados ou ver o vencedor recebendo o minibugue de pintura camuflada,
que eu vinha cobiçando a semana inteira diante da TV.
20 Reagi, como sempre fazia naquelas ocasiões. Olhei por cima do seu ombro, mudei de canal
com o controle remoto. Minha mãe tentou fisgar meu interesse de outra forma: disse que lá ia
estar cheio de crianças da minha idade.
Chorei, esperneei, bufei, enfiei a cabeça debaixo da manta e me fechei num casulo de lã.
Minha mãe abandonou a sedução e resolveu me pegar pela culpa. Explicou que o seu Duílio tinha
25 me visto nascer, tinha me pegado no colo, pequenininho. Grande coisa, eu não me lembrava de ter
nascido, não havia pedido que ele me pegasse no colo, problema dele. Minha mãe tentou me
descobrir, eu esperneei mais ainda, comecei a atirar as almofadas no chão, gritei “Não vou! Não
vou! Não vou!”, até que ela abandonou todas as técnicas de convencimento e ordenou: “Menino,
engole esse choro, você vai e pronto!”.
30 Fui no banco de trás do carro, encolhido e de olhos fechados, torcendo para que ela se
virasse, me visse e pensasse, “Caramba, acho que dessa vez a gente exagerou, o Antônio tá
sofrendo de verdade, melhor voltar e deixá-lo assistir ao programa dele”. Mas nos breves
momentos em que abri os olhos para conferir, ela não estava prestando atenção. Estava, na
verdade, concentrada numa conversa com meu padrasto: “Melhor não”, ela dizia, “Se a gente
35 avisa, desperta o interesse. Deixa acontecer naturalmente”, “É, pode ser, bom, de qualquer forma
o seu Duílio deve saber como lidar com essas coisas, não é de hoje, né…”. Não entendi o que eles
diziam nem me interessei, só pensava que, no dia seguinte, na escola, todo mundo ia estar falando
sobre a corrida de saco na piscina de bolinhas, ia comentar sobre a criança que ganhou o
minibugue e se ela mereceu mais que a outra, e eu não poderia opinar, porque estava na festa de
40 um homem cuja maior qualidade era ter tantos anos quanto todos os dedos das duas mãos abertas
oito vezes. Que emoção.
Chegamos. Era aquela coisa de sempre: um monte de parentes e outros adultos mexendo
no meu cabelo, na minha bochecha e na minha barriga, dizendo que eu estava grande e bonito.
O seu Duílio estava sentado numa poltrona, num dos cantos da sala. Tinha os cabelos todos
45 brancos. Minha mãe o beijou, dizendo: “Parabéns, seu Duílio!” Depois, meu padrasto apertou sua
mão e falou: “Oitenta, hein, seu Duílio! Daqui a pouco é noventa, já!”
O velho ficou falando umas coisas sobre fazer oitenta anos, eu fiquei olhando pra ele,
fingindo que ouvia, mas a minha cabeça estava longe, lá na sala de casa, imaginando assistir ao
Bambalalão, e provavelmente por lá ficaria até o final daquela tarde se meus olhos não tivessem,
50 acidentalmente, ido parar na perna esquerda do aniversariante — ou melhor, num pedaço da
poltrona onde deveria estar sua perna esquerda. Olhei uma vez, olhei duas, olhei três. Longos
segundos se passaram até que eu pudesse aceitar o que via: a perna esquerda do seu Duílio não
existia!
Que coisa espetacular! Se a minha mãe tivesse perguntado: “O que você prefere, assistir a
55 Bambalalão ou conhecer um homem sem perna?”, claro que eu ficaria com a segunda alternativa.
Lembrei-me do homem que eu tinha visto no circo, um dia, botando uma mulher de maiô numa
caixa e a serrando ao meio. Seria seu Duílio aquele homem? Teria ele cortado a própria perna?
Como? Será que ele conseguia tirar e recolocar a perna sempre que quisesse? Onde guardava a
perna, quando não a usava? Numa gaveta do quarto, no banheiro, na área de serviço, junto à
60 bicicleta? Conseguiria ele remover também outros membros?
Minha mãe me cutucou: “Ô, Antônio, não vai dar oi pro seu Duílio?”. Como não? “Oi, seu
Duílio! Cadê sua perna?!” Minha mãe me olhou com uma cara estranha. Achei que ela não tivesse
ouvido o que eu acabara de dizer. Falei ainda mais alto: “Olha! Olha! Ele só tem uma perna! Mãe!
Mãe! Cadê a perna do seu Duílio?”. Todos na sala fizeram silêncio.
65 Ninguém mais se empolgava com aquela situação? Será que não haviam percebido? Seria o
primeiro dia em que o seu Duílio saía sem a perna? Uma surpresa que preparou para a festa de
oitenta anos, uma mágica, e eu havia sido o único a notar?
O silêncio foi quebrado pelo próprio Duílio. Ele me fez sentar no braço da poltrona e me
contou a história inteira, respondendo a todas as perguntas que eu fazia. Explicou que a perna fora
70 cortada por causa de uma doença, mas que eu não deveria me preocupar, era uma doença que só
dava em velhos. A operação aconteceu num hospital. Não, ele não precisou ir de bermuda, porque
no hospital dão uma camisola. Sim, uma camisola, mesmo para os homens. Depois de vesti-la,
médicos deram-lhe uma injeção no braço e ele dormiu, de um jeito que você não sente dor e não
acorda nem se pularem na sua barriga. Aí é que vem a parte mais estranha: depois de tirarem a
75 perna, não fizeram um curativo enorme, nem vários, nem puseram esparadrapo, não: eles o
costuraram, com agulha e linha, da mesma forma que minha mãe costurava pedaços redondos de
couro nos joelhos dos meus moletons. A cor da linha era preta, e seu Duílio não soube dizer se
poderia ser azul, verde ou vermelha, caso ele assim preferisse.
Queria passar a tarde inteira ali, sentado no braço da poltrona, seguindo com a entrevista,
80 mas minha mãe logo me pôs no chão e me mandou para o quintal, onde estavam as outras
crianças.
No dia seguinte, na escola, mal se falou sobre o Bambalalão: só queriam saber da minha
história com o homem de perna cortada. O único que não se interessou foi o Válter, do pré: nem
ligou e disse que ter a perna cortada não era nada de mais; toda noite, antes de dormir, a avó dele
85 tirava os dentes e as gengivas e punha dentro de um copo d’água. Claro, ninguém acreditou e ficou
evidente que o Válter só queria roubar a atenção.
(PRATA, Antonio. In: Folha de S. Paulo. Caderno Ilustrada, 02 abr. 2016, p. E2.)
Da atenta leitura do Texto II, conclui-se que a causa de seu Duílio não ter uma perna é por ele haverResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
A perna do seu Duílio
Era domingo e eu estava extremamente emburrado. Vinha esperando a semana inteira
pelo especial de um ano do Bambalalão, com novos quadros, convidados especiais e
um minibugue camuflado para o grande vencedor da gincana; aí, quando já tinha até
5 arrumado meu canto do sofá, posicionado as almofadas preferidas, pegado a mantinha de lã e
estava indo preparar a xícara com Leite Moça e Nescau, minha mãe chega penteando o cabelo e diz
que vamos sair: é aniversário do seu Duílio.
E por acaso eu conhecia algum Duílio?! Ela explicou tratar-se do pai do marido da minha
tia, e que naquele dia ele faria aniversário. Eu expliquei que Bambalalão era meu programa
10 predileto e que naquele dia ele também faria aniversário. Minha mãe sentou-se ao meu lado e deu
início à inútil tática de despertar meu interesse, a mesma que usava para me convencer a comer
coisas verdes e pastosas ou tomar xarope para tosse: “Olha que legal, o seu Duílio vai fazer oitenta
anos! Sabe quanto é oitenta? Todos os dedos das duas mãos abertas uma, duas, três, quatro,
cinco, seis, sete, oito vezes!”.
15 O abrir e fechar de dedos podia servir para me fazer um cafuné, se ela quisesse, ou
preparar massa de biscoito, mas não ajudaria em nada a me convencer de que conhecer uma
pessoa muito velha fosse mais interessante do que assistir à corrida de saco na piscina de bolinhas,
o pega-pega de olhos vendados ou ver o vencedor recebendo o minibugue de pintura camuflada,
que eu vinha cobiçando a semana inteira diante da TV.
20 Reagi, como sempre fazia naquelas ocasiões. Olhei por cima do seu ombro, mudei de canal
com o controle remoto. Minha mãe tentou fisgar meu interesse de outra forma: disse que lá ia
estar cheio de crianças da minha idade.
Chorei, esperneei, bufei, enfiei a cabeça debaixo da manta e me fechei num casulo de lã.
Minha mãe abandonou a sedução e resolveu me pegar pela culpa. Explicou que o seu Duílio tinha
25 me visto nascer, tinha me pegado no colo, pequenininho. Grande coisa, eu não me lembrava de ter
nascido, não havia pedido que ele me pegasse no colo, problema dele. Minha mãe tentou me
descobrir, eu esperneei mais ainda, comecei a atirar as almofadas no chão, gritei “Não vou! Não
vou! Não vou!”, até que ela abandonou todas as técnicas de convencimento e ordenou: “Menino,
engole esse choro, você vai e pronto!”.
30 Fui no banco de trás do carro, encolhido e de olhos fechados, torcendo para que ela se
virasse, me visse e pensasse, “Caramba, acho que dessa vez a gente exagerou, o Antônio tá
sofrendo de verdade, melhor voltar e deixá-lo assistir ao programa dele”. Mas nos breves
momentos em que abri os olhos para conferir, ela não estava prestando atenção. Estava, na
verdade, concentrada numa conversa com meu padrasto: “Melhor não”, ela dizia, “Se a gente
35 avisa, desperta o interesse. Deixa acontecer naturalmente”, “É, pode ser, bom, de qualquer forma
o seu Duílio deve saber como lidar com essas coisas, não é de hoje, né…”. Não entendi o que eles
diziam nem me interessei, só pensava que, no dia seguinte, na escola, todo mundo ia estar falando
sobre a corrida de saco na piscina de bolinhas, ia comentar sobre a criança que ganhou o
minibugue e se ela mereceu mais que a outra, e eu não poderia opinar, porque estava na festa de
40 um homem cuja maior qualidade era ter tantos anos quanto todos os dedos das duas mãos abertas
oito vezes. Que emoção.
Chegamos. Era aquela coisa de sempre: um monte de parentes e outros adultos mexendo
no meu cabelo, na minha bochecha e na minha barriga, dizendo que eu estava grande e bonito.
O seu Duílio estava sentado numa poltrona, num dos cantos da sala. Tinha os cabelos todos
45 brancos. Minha mãe o beijou, dizendo: “Parabéns, seu Duílio!” Depois, meu padrasto apertou sua
mão e falou: “Oitenta, hein, seu Duílio! Daqui a pouco é noventa, já!”
O velho ficou falando umas coisas sobre fazer oitenta anos, eu fiquei olhando pra ele,
fingindo que ouvia, mas a minha cabeça estava longe, lá na sala de casa, imaginando assistir ao
Bambalalão, e provavelmente por lá ficaria até o final daquela tarde se meus olhos não tivessem,
50 acidentalmente, ido parar na perna esquerda do aniversariante — ou melhor, num pedaço da
poltrona onde deveria estar sua perna esquerda. Olhei uma vez, olhei duas, olhei três. Longos
segundos se passaram até que eu pudesse aceitar o que via: a perna esquerda do seu Duílio não
existia!
Que coisa espetacular! Se a minha mãe tivesse perguntado: “O que você prefere, assistir a
55 Bambalalão ou conhecer um homem sem perna?”, claro que eu ficaria com a segunda alternativa.
Lembrei-me do homem que eu tinha visto no circo, um dia, botando uma mulher de maiô numa
caixa e a serrando ao meio. Seria seu Duílio aquele homem? Teria ele cortado a própria perna?
Como? Será que ele conseguia tirar e recolocar a perna sempre que quisesse? Onde guardava a
perna, quando não a usava? Numa gaveta do quarto, no banheiro, na área de serviço, junto à
60 bicicleta? Conseguiria ele remover também outros membros?
Minha mãe me cutucou: “Ô, Antônio, não vai dar oi pro seu Duílio?”. Como não? “Oi, seu
Duílio! Cadê sua perna?!” Minha mãe me olhou com uma cara estranha. Achei que ela não tivesse
ouvido o que eu acabara de dizer. Falei ainda mais alto: “Olha! Olha! Ele só tem uma perna! Mãe!
Mãe! Cadê a perna do seu Duílio?”. Todos na sala fizeram silêncio.
65 Ninguém mais se empolgava com aquela situação? Será que não haviam percebido? Seria o
primeiro dia em que o seu Duílio saía sem a perna? Uma surpresa que preparou para a festa de
oitenta anos, uma mágica, e eu havia sido o único a notar?
O silêncio foi quebrado pelo próprio Duílio. Ele me fez sentar no braço da poltrona e me
contou a história inteira, respondendo a todas as perguntas que eu fazia. Explicou que a perna fora
70 cortada por causa de uma doença, mas que eu não deveria me preocupar, era uma doença que só
dava em velhos. A operação aconteceu num hospital. Não, ele não precisou ir de bermuda, porque
no hospital dão uma camisola. Sim, uma camisola, mesmo para os homens. Depois de vesti-la,
médicos deram-lhe uma injeção no braço e ele dormiu, de um jeito que você não sente dor e não
acorda nem se pularem na sua barriga. Aí é que vem a parte mais estranha: depois de tirarem a
75 perna, não fizeram um curativo enorme, nem vários, nem puseram esparadrapo, não: eles o
costuraram, com agulha e linha, da mesma forma que minha mãe costurava pedaços redondos de
couro nos joelhos dos meus moletons. A cor da linha era preta, e seu Duílio não soube dizer se
poderia ser azul, verde ou vermelha, caso ele assim preferisse.
Queria passar a tarde inteira ali, sentado no braço da poltrona, seguindo com a entrevista,
80 mas minha mãe logo me pôs no chão e me mandou para o quintal, onde estavam as outras
crianças.
No dia seguinte, na escola, mal se falou sobre o Bambalalão: só queriam saber da minha
história com o homem de perna cortada. O único que não se interessou foi o Válter, do pré: nem
ligou e disse que ter a perna cortada não era nada de mais; toda noite, antes de dormir, a avó dele
85 tirava os dentes e as gengivas e punha dentro de um copo d’água. Claro, ninguém acreditou e ficou
evidente que o Válter só queria roubar a atenção.
(PRATA, Antonio. In: Folha de S. Paulo. Caderno Ilustrada, 02 abr. 2016, p. E2.)
O trecho no qual a palavra sublinhada, no contexto em que foi usada, indica o foco narrativo do texto é:
TEXTO II
A perna do seu Duílio
Era domingo e eu estava extremamente emburrado. Vinha esperando a semana inteira
pelo especial de um ano do Bambalalão, com novos quadros, convidados especiais e
um minibugue camuflado para o grande vencedor da gincana; aí, quando já tinha até
5 arrumado meu canto do sofá, posicionado as almofadas preferidas, pegado a mantinha de lã e
estava indo preparar a xícara com Leite Moça e Nescau, minha mãe chega penteando o cabelo e diz
que vamos sair: é aniversário do seu Duílio.
E por acaso eu conhecia algum Duílio?! Ela explicou tratar-se do pai do marido da minha
tia, e que naquele dia ele faria aniversário. Eu expliquei que Bambalalão era meu programa
10 predileto e que naquele dia ele também faria aniversário. Minha mãe sentou-se ao meu lado e deu
início à inútil tática de despertar meu interesse, a mesma que usava para me convencer a comer
coisas verdes e pastosas ou tomar xarope para tosse: “Olha que legal, o seu Duílio vai fazer oitenta
anos! Sabe quanto é oitenta? Todos os dedos das duas mãos abertas uma, duas, três, quatro,
cinco, seis, sete, oito vezes!”.
15 O abrir e fechar de dedos podia servir para me fazer um cafuné, se ela quisesse, ou
preparar massa de biscoito, mas não ajudaria em nada a me convencer de que conhecer uma
pessoa muito velha fosse mais interessante do que assistir à corrida de saco na piscina de bolinhas,
o pega-pega de olhos vendados ou ver o vencedor recebendo o minibugue de pintura camuflada,
que eu vinha cobiçando a semana inteira diante da TV.
20 Reagi, como sempre fazia naquelas ocasiões. Olhei por cima do seu ombro, mudei de canal
com o controle remoto. Minha mãe tentou fisgar meu interesse de outra forma: disse que lá ia
estar cheio de crianças da minha idade.
Chorei, esperneei, bufei, enfiei a cabeça debaixo da manta e me fechei num casulo de lã.
Minha mãe abandonou a sedução e resolveu me pegar pela culpa. Explicou que o seu Duílio tinha
25 me visto nascer, tinha me pegado no colo, pequenininho. Grande coisa, eu não me lembrava de ter
nascido, não havia pedido que ele me pegasse no colo, problema dele. Minha mãe tentou me
descobrir, eu esperneei mais ainda, comecei a atirar as almofadas no chão, gritei “Não vou! Não
vou! Não vou!”, até que ela abandonou todas as técnicas de convencimento e ordenou: “Menino,
engole esse choro, você vai e pronto!”.
30 Fui no banco de trás do carro, encolhido e de olhos fechados, torcendo para que ela se
virasse, me visse e pensasse, “Caramba, acho que dessa vez a gente exagerou, o Antônio tá
sofrendo de verdade, melhor voltar e deixá-lo assistir ao programa dele”. Mas nos breves
momentos em que abri os olhos para conferir, ela não estava prestando atenção. Estava, na
verdade, concentrada numa conversa com meu padrasto: “Melhor não”, ela dizia, “Se a gente
35 avisa, desperta o interesse. Deixa acontecer naturalmente”, “É, pode ser, bom, de qualquer forma
o seu Duílio deve saber como lidar com essas coisas, não é de hoje, né…”. Não entendi o que eles
diziam nem me interessei, só pensava que, no dia seguinte, na escola, todo mundo ia estar falando
sobre a corrida de saco na piscina de bolinhas, ia comentar sobre a criança que ganhou o
minibugue e se ela mereceu mais que a outra, e eu não poderia opinar, porque estava na festa de
40 um homem cuja maior qualidade era ter tantos anos quanto todos os dedos das duas mãos abertas
oito vezes. Que emoção.
Chegamos. Era aquela coisa de sempre: um monte de parentes e outros adultos mexendo
no meu cabelo, na minha bochecha e na minha barriga, dizendo que eu estava grande e bonito.
O seu Duílio estava sentado numa poltrona, num dos cantos da sala. Tinha os cabelos todos
45 brancos. Minha mãe o beijou, dizendo: “Parabéns, seu Duílio!” Depois, meu padrasto apertou sua
mão e falou: “Oitenta, hein, seu Duílio! Daqui a pouco é noventa, já!”
O velho ficou falando umas coisas sobre fazer oitenta anos, eu fiquei olhando pra ele,
fingindo que ouvia, mas a minha cabeça estava longe, lá na sala de casa, imaginando assistir ao
Bambalalão, e provavelmente por lá ficaria até o final daquela tarde se meus olhos não tivessem,
50 acidentalmente, ido parar na perna esquerda do aniversariante — ou melhor, num pedaço da
poltrona onde deveria estar sua perna esquerda. Olhei uma vez, olhei duas, olhei três. Longos
segundos se passaram até que eu pudesse aceitar o que via: a perna esquerda do seu Duílio não
existia!
Que coisa espetacular! Se a minha mãe tivesse perguntado: “O que você prefere, assistir a
55 Bambalalão ou conhecer um homem sem perna?”, claro que eu ficaria com a segunda alternativa.
Lembrei-me do homem que eu tinha visto no circo, um dia, botando uma mulher de maiô numa
caixa e a serrando ao meio. Seria seu Duílio aquele homem? Teria ele cortado a própria perna?
Como? Será que ele conseguia tirar e recolocar a perna sempre que quisesse? Onde guardava a
perna, quando não a usava? Numa gaveta do quarto, no banheiro, na área de serviço, junto à
60 bicicleta? Conseguiria ele remover também outros membros?
Minha mãe me cutucou: “Ô, Antônio, não vai dar oi pro seu Duílio?”. Como não? “Oi, seu
Duílio! Cadê sua perna?!” Minha mãe me olhou com uma cara estranha. Achei que ela não tivesse
ouvido o que eu acabara de dizer. Falei ainda mais alto: “Olha! Olha! Ele só tem uma perna! Mãe!
Mãe! Cadê a perna do seu Duílio?”. Todos na sala fizeram silêncio.
65 Ninguém mais se empolgava com aquela situação? Será que não haviam percebido? Seria o
primeiro dia em que o seu Duílio saía sem a perna? Uma surpresa que preparou para a festa de
oitenta anos, uma mágica, e eu havia sido o único a notar?
O silêncio foi quebrado pelo próprio Duílio. Ele me fez sentar no braço da poltrona e me
contou a história inteira, respondendo a todas as perguntas que eu fazia. Explicou que a perna fora
70 cortada por causa de uma doença, mas que eu não deveria me preocupar, era uma doença que só
dava em velhos. A operação aconteceu num hospital. Não, ele não precisou ir de bermuda, porque
no hospital dão uma camisola. Sim, uma camisola, mesmo para os homens. Depois de vesti-la,
médicos deram-lhe uma injeção no braço e ele dormiu, de um jeito que você não sente dor e não
acorda nem se pularem na sua barriga. Aí é que vem a parte mais estranha: depois de tirarem a
75 perna, não fizeram um curativo enorme, nem vários, nem puseram esparadrapo, não: eles o
costuraram, com agulha e linha, da mesma forma que minha mãe costurava pedaços redondos de
couro nos joelhos dos meus moletons. A cor da linha era preta, e seu Duílio não soube dizer se
poderia ser azul, verde ou vermelha, caso ele assim preferisse.
Queria passar a tarde inteira ali, sentado no braço da poltrona, seguindo com a entrevista,
80 mas minha mãe logo me pôs no chão e me mandou para o quintal, onde estavam as outras
crianças.
No dia seguinte, na escola, mal se falou sobre o Bambalalão: só queriam saber da minha
história com o homem de perna cortada. O único que não se interessou foi o Válter, do pré: nem
ligou e disse que ter a perna cortada não era nada de mais; toda noite, antes de dormir, a avó dele
85 tirava os dentes e as gengivas e punha dentro de um copo d’água. Claro, ninguém acreditou e ficou
evidente que o Válter só queria roubar a atenção.
(PRATA, Antonio. In: Folha de S. Paulo. Caderno Ilustrada, 02 abr. 2016, p. E2.)
No trecho
(linha 45), o pronome destacado retoma o(s) termo(s)
TEXTO II
A perna do seu Duílio
Era domingo e eu estava extremamente emburrado. Vinha esperando a semana inteira
pelo especial de um ano do Bambalalão, com novos quadros, convidados especiais e
um minibugue camuflado para o grande vencedor da gincana; aí, quando já tinha até
5 arrumado meu canto do sofá, posicionado as almofadas preferidas, pegado a mantinha de lã e
estava indo preparar a xícara com Leite Moça e Nescau, minha mãe chega penteando o cabelo e diz
que vamos sair: é aniversário do seu Duílio.
E por acaso eu conhecia algum Duílio?! Ela explicou tratar-se do pai do marido da minha
tia, e que naquele dia ele faria aniversário. Eu expliquei que Bambalalão era meu programa
10 predileto e que naquele dia ele também faria aniversário. Minha mãe sentou-se ao meu lado e deu
início à inútil tática de despertar meu interesse, a mesma que usava para me convencer a comer
coisas verdes e pastosas ou tomar xarope para tosse: “Olha que legal, o seu Duílio vai fazer oitenta
anos! Sabe quanto é oitenta? Todos os dedos das duas mãos abertas uma, duas, três, quatro,
cinco, seis, sete, oito vezes!”.
15 O abrir e fechar de dedos podia servir para me fazer um cafuné, se ela quisesse, ou
preparar massa de biscoito, mas não ajudaria em nada a me convencer de que conhecer uma
pessoa muito velha fosse mais interessante do que assistir à corrida de saco na piscina de bolinhas,
o pega-pega de olhos vendados ou ver o vencedor recebendo o minibugue de pintura camuflada,
que eu vinha cobiçando a semana inteira diante da TV.
20 Reagi, como sempre fazia naquelas ocasiões. Olhei por cima do seu ombro, mudei de canal
com o controle remoto. Minha mãe tentou fisgar meu interesse de outra forma: disse que lá ia
estar cheio de crianças da minha idade.
Chorei, esperneei, bufei, enfiei a cabeça debaixo da manta e me fechei num casulo de lã.
Minha mãe abandonou a sedução e resolveu me pegar pela culpa. Explicou que o seu Duílio tinha
25 me visto nascer, tinha me pegado no colo, pequenininho. Grande coisa, eu não me lembrava de ter
nascido, não havia pedido que ele me pegasse no colo, problema dele. Minha mãe tentou me
descobrir, eu esperneei mais ainda, comecei a atirar as almofadas no chão, gritei “Não vou! Não
vou! Não vou!”, até que ela abandonou todas as técnicas de convencimento e ordenou: “Menino,
engole esse choro, você vai e pronto!”.
30 Fui no banco de trás do carro, encolhido e de olhos fechados, torcendo para que ela se
virasse, me visse e pensasse, “Caramba, acho que dessa vez a gente exagerou, o Antônio tá
sofrendo de verdade, melhor voltar e deixá-lo assistir ao programa dele”. Mas nos breves
momentos em que abri os olhos para conferir, ela não estava prestando atenção. Estava, na
verdade, concentrada numa conversa com meu padrasto: “Melhor não”, ela dizia, “Se a gente
35 avisa, desperta o interesse. Deixa acontecer naturalmente”, “É, pode ser, bom, de qualquer forma
o seu Duílio deve saber como lidar com essas coisas, não é de hoje, né…”. Não entendi o que eles
diziam nem me interessei, só pensava que, no dia seguinte, na escola, todo mundo ia estar falando
sobre a corrida de saco na piscina de bolinhas, ia comentar sobre a criança que ganhou o
minibugue e se ela mereceu mais que a outra, e eu não poderia opinar, porque estava na festa de
40 um homem cuja maior qualidade era ter tantos anos quanto todos os dedos das duas mãos abertas
oito vezes. Que emoção.
Chegamos. Era aquela coisa de sempre: um monte de parentes e outros adultos mexendo
no meu cabelo, na minha bochecha e na minha barriga, dizendo que eu estava grande e bonito.
O seu Duílio estava sentado numa poltrona, num dos cantos da sala. Tinha os cabelos todos
45 brancos. Minha mãe o beijou, dizendo: “Parabéns, seu Duílio!” Depois, meu padrasto apertou sua
mão e falou: “Oitenta, hein, seu Duílio! Daqui a pouco é noventa, já!”
O velho ficou falando umas coisas sobre fazer oitenta anos, eu fiquei olhando pra ele,
fingindo que ouvia, mas a minha cabeça estava longe, lá na sala de casa, imaginando assistir ao
Bambalalão, e provavelmente por lá ficaria até o final daquela tarde se meus olhos não tivessem,
50 acidentalmente, ido parar na perna esquerda do aniversariante — ou melhor, num pedaço da
poltrona onde deveria estar sua perna esquerda. Olhei uma vez, olhei duas, olhei três. Longos
segundos se passaram até que eu pudesse aceitar o que via: a perna esquerda do seu Duílio não
existia!
Que coisa espetacular! Se a minha mãe tivesse perguntado: “O que você prefere, assistir a
55 Bambalalão ou conhecer um homem sem perna?”, claro que eu ficaria com a segunda alternativa.
Lembrei-me do homem que eu tinha visto no circo, um dia, botando uma mulher de maiô numa
caixa e a serrando ao meio. Seria seu Duílio aquele homem? Teria ele cortado a própria perna?
Como? Será que ele conseguia tirar e recolocar a perna sempre que quisesse? Onde guardava a
perna, quando não a usava? Numa gaveta do quarto, no banheiro, na área de serviço, junto à
60 bicicleta? Conseguiria ele remover também outros membros?
Minha mãe me cutucou: “Ô, Antônio, não vai dar oi pro seu Duílio?”. Como não? “Oi, seu
Duílio! Cadê sua perna?!” Minha mãe me olhou com uma cara estranha. Achei que ela não tivesse
ouvido o que eu acabara de dizer. Falei ainda mais alto: “Olha! Olha! Ele só tem uma perna! Mãe!
Mãe! Cadê a perna do seu Duílio?”. Todos na sala fizeram silêncio.
65 Ninguém mais se empolgava com aquela situação? Será que não haviam percebido? Seria o
primeiro dia em que o seu Duílio saía sem a perna? Uma surpresa que preparou para a festa de
oitenta anos, uma mágica, e eu havia sido o único a notar?
O silêncio foi quebrado pelo próprio Duílio. Ele me fez sentar no braço da poltrona e me
contou a história inteira, respondendo a todas as perguntas que eu fazia. Explicou que a perna fora
70 cortada por causa de uma doença, mas que eu não deveria me preocupar, era uma doença que só
dava em velhos. A operação aconteceu num hospital. Não, ele não precisou ir de bermuda, porque
no hospital dão uma camisola. Sim, uma camisola, mesmo para os homens. Depois de vesti-la,
médicos deram-lhe uma injeção no braço e ele dormiu, de um jeito que você não sente dor e não
acorda nem se pularem na sua barriga. Aí é que vem a parte mais estranha: depois de tirarem a
75 perna, não fizeram um curativo enorme, nem vários, nem puseram esparadrapo, não: eles o
costuraram, com agulha e linha, da mesma forma que minha mãe costurava pedaços redondos de
couro nos joelhos dos meus moletons. A cor da linha era preta, e seu Duílio não soube dizer se
poderia ser azul, verde ou vermelha, caso ele assim preferisse.
Queria passar a tarde inteira ali, sentado no braço da poltrona, seguindo com a entrevista,
80 mas minha mãe logo me pôs no chão e me mandou para o quintal, onde estavam as outras
crianças.
No dia seguinte, na escola, mal se falou sobre o Bambalalão: só queriam saber da minha
história com o homem de perna cortada. O único que não se interessou foi o Válter, do pré: nem
ligou e disse que ter a perna cortada não era nada de mais; toda noite, antes de dormir, a avó dele
85 tirava os dentes e as gengivas e punha dentro de um copo d’água. Claro, ninguém acreditou e ficou
evidente que o Válter só queria roubar a atenção.
(PRATA, Antonio. In: Folha de S. Paulo. Caderno Ilustrada, 02 abr. 2016, p. E2.)
No trecho “Comecei a atirar as almofadas no chão, gritei: ‘Não vou! Não vou! Não vou! ’” (linhas 27 e 28), a repetição da frase transmite um efeito de:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
A perna do seu Duílio
Era domingo e eu estava extremamente emburrado. Vinha esperando a semana inteira
pelo especial de um ano do Bambalalão, com novos quadros, convidados especiais e
um minibugue camuflado para o grande vencedor da gincana; aí, quando já tinha até
5 arrumado meu canto do sofá, posicionado as almofadas preferidas, pegado a mantinha de lã e
estava indo preparar a xícara com Leite Moça e Nescau, minha mãe chega penteando o cabelo e diz
que vamos sair: é aniversário do seu Duílio.
E por acaso eu conhecia algum Duílio?! Ela explicou tratar-se do pai do marido da minha
tia, e que naquele dia ele faria aniversário. Eu expliquei que Bambalalão era meu programa
10 predileto e que naquele dia ele também faria aniversário. Minha mãe sentou-se ao meu lado e deu
início à inútil tática de despertar meu interesse, a mesma que usava para me convencer a comer
coisas verdes e pastosas ou tomar xarope para tosse: “Olha que legal, o seu Duílio vai fazer oitenta
anos! Sabe quanto é oitenta? Todos os dedos das duas mãos abertas uma, duas, três, quatro,
cinco, seis, sete, oito vezes!”.
15 O abrir e fechar de dedos podia servir para me fazer um cafuné, se ela quisesse, ou
preparar massa de biscoito, mas não ajudaria em nada a me convencer de que conhecer uma
pessoa muito velha fosse mais interessante do que assistir à corrida de saco na piscina de bolinhas,
o pega-pega de olhos vendados ou ver o vencedor recebendo o minibugue de pintura camuflada,
que eu vinha cobiçando a semana inteira diante da TV.
20 Reagi, como sempre fazia naquelas ocasiões. Olhei por cima do seu ombro, mudei de canal
com o controle remoto. Minha mãe tentou fisgar meu interesse de outra forma: disse que lá ia
estar cheio de crianças da minha idade.
Chorei, esperneei, bufei, enfiei a cabeça debaixo da manta e me fechei num casulo de lã.
Minha mãe abandonou a sedução e resolveu me pegar pela culpa. Explicou que o seu Duílio tinha
25 me visto nascer, tinha me pegado no colo, pequenininho. Grande coisa, eu não me lembrava de ter
nascido, não havia pedido que ele me pegasse no colo, problema dele. Minha mãe tentou me
descobrir, eu esperneei mais ainda, comecei a atirar as almofadas no chão, gritei “Não vou! Não
vou! Não vou!”, até que ela abandonou todas as técnicas de convencimento e ordenou: “Menino,
engole esse choro, você vai e pronto!”.
30 Fui no banco de trás do carro, encolhido e de olhos fechados, torcendo para que ela se
virasse, me visse e pensasse, “Caramba, acho que dessa vez a gente exagerou, o Antônio tá
sofrendo de verdade, melhor voltar e deixá-lo assistir ao programa dele”. Mas nos breves
momentos em que abri os olhos para conferir, ela não estava prestando atenção. Estava, na
verdade, concentrada numa conversa com meu padrasto: “Melhor não”, ela dizia, “Se a gente
35 avisa, desperta o interesse. Deixa acontecer naturalmente”, “É, pode ser, bom, de qualquer forma
o seu Duílio deve saber como lidar com essas coisas, não é de hoje, né…”. Não entendi o que eles
diziam nem me interessei, só pensava que, no dia seguinte, na escola, todo mundo ia estar falando
sobre a corrida de saco na piscina de bolinhas, ia comentar sobre a criança que ganhou o
minibugue e se ela mereceu mais que a outra, e eu não poderia opinar, porque estava na festa de
40 um homem cuja maior qualidade era ter tantos anos quanto todos os dedos das duas mãos abertas
oito vezes. Que emoção.
Chegamos. Era aquela coisa de sempre: um monte de parentes e outros adultos mexendo
no meu cabelo, na minha bochecha e na minha barriga, dizendo que eu estava grande e bonito.
O seu Duílio estava sentado numa poltrona, num dos cantos da sala. Tinha os cabelos todos
45 brancos. Minha mãe o beijou, dizendo: “Parabéns, seu Duílio!” Depois, meu padrasto apertou sua
mão e falou: “Oitenta, hein, seu Duílio! Daqui a pouco é noventa, já!”
O velho ficou falando umas coisas sobre fazer oitenta anos, eu fiquei olhando pra ele,
fingindo que ouvia, mas a minha cabeça estava longe, lá na sala de casa, imaginando assistir ao
Bambalalão, e provavelmente por lá ficaria até o final daquela tarde se meus olhos não tivessem,
50 acidentalmente, ido parar na perna esquerda do aniversariante — ou melhor, num pedaço da
poltrona onde deveria estar sua perna esquerda. Olhei uma vez, olhei duas, olhei três. Longos
segundos se passaram até que eu pudesse aceitar o que via: a perna esquerda do seu Duílio não
existia!
Que coisa espetacular! Se a minha mãe tivesse perguntado: “O que você prefere, assistir a
55 Bambalalão ou conhecer um homem sem perna?”, claro que eu ficaria com a segunda alternativa.
Lembrei-me do homem que eu tinha visto no circo, um dia, botando uma mulher de maiô numa
caixa e a serrando ao meio. Seria seu Duílio aquele homem? Teria ele cortado a própria perna?
Como? Será que ele conseguia tirar e recolocar a perna sempre que quisesse? Onde guardava a
perna, quando não a usava? Numa gaveta do quarto, no banheiro, na área de serviço, junto à
60 bicicleta? Conseguiria ele remover também outros membros?
Minha mãe me cutucou: “Ô, Antônio, não vai dar oi pro seu Duílio?”. Como não? “Oi, seu
Duílio! Cadê sua perna?!” Minha mãe me olhou com uma cara estranha. Achei que ela não tivesse
ouvido o que eu acabara de dizer. Falei ainda mais alto: “Olha! Olha! Ele só tem uma perna! Mãe!
Mãe! Cadê a perna do seu Duílio?”. Todos na sala fizeram silêncio.
65 Ninguém mais se empolgava com aquela situação? Será que não haviam percebido? Seria o
primeiro dia em que o seu Duílio saía sem a perna? Uma surpresa que preparou para a festa de
oitenta anos, uma mágica, e eu havia sido o único a notar?
O silêncio foi quebrado pelo próprio Duílio. Ele me fez sentar no braço da poltrona e me
contou a história inteira, respondendo a todas as perguntas que eu fazia. Explicou que a perna fora
70 cortada por causa de uma doença, mas que eu não deveria me preocupar, era uma doença que só
dava em velhos. A operação aconteceu num hospital. Não, ele não precisou ir de bermuda, porque
no hospital dão uma camisola. Sim, uma camisola, mesmo para os homens. Depois de vesti-la,
médicos deram-lhe uma injeção no braço e ele dormiu, de um jeito que você não sente dor e não
acorda nem se pularem na sua barriga. Aí é que vem a parte mais estranha: depois de tirarem a
75 perna, não fizeram um curativo enorme, nem vários, nem puseram esparadrapo, não: eles o
costuraram, com agulha e linha, da mesma forma que minha mãe costurava pedaços redondos de
couro nos joelhos dos meus moletons. A cor da linha era preta, e seu Duílio não soube dizer se
poderia ser azul, verde ou vermelha, caso ele assim preferisse.
Queria passar a tarde inteira ali, sentado no braço da poltrona, seguindo com a entrevista,
80 mas minha mãe logo me pôs no chão e me mandou para o quintal, onde estavam as outras
crianças.
No dia seguinte, na escola, mal se falou sobre o Bambalalão: só queriam saber da minha
história com o homem de perna cortada. O único que não se interessou foi o Válter, do pré: nem
ligou e disse que ter a perna cortada não era nada de mais; toda noite, antes de dormir, a avó dele
85 tirava os dentes e as gengivas e punha dentro de um copo d’água. Claro, ninguém acreditou e ficou
evidente que o Válter só queria roubar a atenção.
(PRATA, Antonio. In: Folha de S. Paulo. Caderno Ilustrada, 02 abr. 2016, p. E2.)
Releia: “Não entendi o que eles diziam nem me interessei, só pensava que no dia seguinte, na escola, todo mundo ia estar falando sobre a corrida de saco na piscina de bolinhas, ia comentar sobre a criança que ganhou o minibugue e se ela mereceu mais que a outra e eu não poderia opinar, porque estava na festa de um homem cuja maior qualidade era ter tantos anos quanto todos os dedos das duas mãos abertas oito vezes. Que emoção.” (linhas 36 a 41) Nessa passagem, nota-se o uso deResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
A perna do seu Duílio
Era domingo e eu estava extremamente emburrado. Vinha esperando a semana inteira
pelo especial de um ano do Bambalalão, com novos quadros, convidados especiais e
um minibugue camuflado para o grande vencedor da gincana; aí, quando já tinha até
5 arrumado meu canto do sofá, posicionado as almofadas preferidas, pegado a mantinha de lã e
estava indo preparar a xícara com Leite Moça e Nescau, minha mãe chega penteando o cabelo e diz
que vamos sair: é aniversário do seu Duílio.
E por acaso eu conhecia algum Duílio?! Ela explicou tratar-se do pai do marido da minha
tia, e que naquele dia ele faria aniversário. Eu expliquei que Bambalalão era meu programa
10 predileto e que naquele dia ele também faria aniversário. Minha mãe sentou-se ao meu lado e deu
início à inútil tática de despertar meu interesse, a mesma que usava para me convencer a comer
coisas verdes e pastosas ou tomar xarope para tosse: “Olha que legal, o seu Duílio vai fazer oitenta
anos! Sabe quanto é oitenta? Todos os dedos das duas mãos abertas uma, duas, três, quatro,
cinco, seis, sete, oito vezes!”.
15 O abrir e fechar de dedos podia servir para me fazer um cafuné, se ela quisesse, ou
preparar massa de biscoito, mas não ajudaria em nada a me convencer de que conhecer uma
pessoa muito velha fosse mais interessante do que assistir à corrida de saco na piscina de bolinhas,
o pega-pega de olhos vendados ou ver o vencedor recebendo o minibugue de pintura camuflada,
que eu vinha cobiçando a semana inteira diante da TV.
20 Reagi, como sempre fazia naquelas ocasiões. Olhei por cima do seu ombro, mudei de canal
com o controle remoto. Minha mãe tentou fisgar meu interesse de outra forma: disse que lá ia
estar cheio de crianças da minha idade.
Chorei, esperneei, bufei, enfiei a cabeça debaixo da manta e me fechei num casulo de lã.
Minha mãe abandonou a sedução e resolveu me pegar pela culpa. Explicou que o seu Duílio tinha
25 me visto nascer, tinha me pegado no colo, pequenininho. Grande coisa, eu não me lembrava de ter
nascido, não havia pedido que ele me pegasse no colo, problema dele. Minha mãe tentou me
descobrir, eu esperneei mais ainda, comecei a atirar as almofadas no chão, gritei “Não vou! Não
vou! Não vou!”, até que ela abandonou todas as técnicas de convencimento e ordenou: “Menino,
engole esse choro, você vai e pronto!”.
30 Fui no banco de trás do carro, encolhido e de olhos fechados, torcendo para que ela se
virasse, me visse e pensasse, “Caramba, acho que dessa vez a gente exagerou, o Antônio tá
sofrendo de verdade, melhor voltar e deixá-lo assistir ao programa dele”. Mas nos breves
momentos em que abri os olhos para conferir, ela não estava prestando atenção. Estava, na
verdade, concentrada numa conversa com meu padrasto: “Melhor não”, ela dizia, “Se a gente
35 avisa, desperta o interesse. Deixa acontecer naturalmente”, “É, pode ser, bom, de qualquer forma
o seu Duílio deve saber como lidar com essas coisas, não é de hoje, né…”. Não entendi o que eles
diziam nem me interessei, só pensava que, no dia seguinte, na escola, todo mundo ia estar falando
sobre a corrida de saco na piscina de bolinhas, ia comentar sobre a criança que ganhou o
minibugue e se ela mereceu mais que a outra, e eu não poderia opinar, porque estava na festa de
40 um homem cuja maior qualidade era ter tantos anos quanto todos os dedos das duas mãos abertas
oito vezes. Que emoção.
Chegamos. Era aquela coisa de sempre: um monte de parentes e outros adultos mexendo
no meu cabelo, na minha bochecha e na minha barriga, dizendo que eu estava grande e bonito.
O seu Duílio estava sentado numa poltrona, num dos cantos da sala. Tinha os cabelos todos
45 brancos. Minha mãe o beijou, dizendo: “Parabéns, seu Duílio!” Depois, meu padrasto apertou sua
mão e falou: “Oitenta, hein, seu Duílio! Daqui a pouco é noventa, já!”
O velho ficou falando umas coisas sobre fazer oitenta anos, eu fiquei olhando pra ele,
fingindo que ouvia, mas a minha cabeça estava longe, lá na sala de casa, imaginando assistir ao
Bambalalão, e provavelmente por lá ficaria até o final daquela tarde se meus olhos não tivessem,
50 acidentalmente, ido parar na perna esquerda do aniversariante — ou melhor, num pedaço da
poltrona onde deveria estar sua perna esquerda. Olhei uma vez, olhei duas, olhei três. Longos
segundos se passaram até que eu pudesse aceitar o que via: a perna esquerda do seu Duílio não
existia!
Que coisa espetacular! Se a minha mãe tivesse perguntado: “O que você prefere, assistir a
55 Bambalalão ou conhecer um homem sem perna?”, claro que eu ficaria com a segunda alternativa.
Lembrei-me do homem que eu tinha visto no circo, um dia, botando uma mulher de maiô numa
caixa e a serrando ao meio. Seria seu Duílio aquele homem? Teria ele cortado a própria perna?
Como? Será que ele conseguia tirar e recolocar a perna sempre que quisesse? Onde guardava a
perna, quando não a usava? Numa gaveta do quarto, no banheiro, na área de serviço, junto à
60 bicicleta? Conseguiria ele remover também outros membros?
Minha mãe me cutucou: “Ô, Antônio, não vai dar oi pro seu Duílio?”. Como não? “Oi, seu
Duílio! Cadê sua perna?!” Minha mãe me olhou com uma cara estranha. Achei que ela não tivesse
ouvido o que eu acabara de dizer. Falei ainda mais alto: “Olha! Olha! Ele só tem uma perna! Mãe!
Mãe! Cadê a perna do seu Duílio?”. Todos na sala fizeram silêncio.
65 Ninguém mais se empolgava com aquela situação? Será que não haviam percebido? Seria o
primeiro dia em que o seu Duílio saía sem a perna? Uma surpresa que preparou para a festa de
oitenta anos, uma mágica, e eu havia sido o único a notar?
O silêncio foi quebrado pelo próprio Duílio. Ele me fez sentar no braço da poltrona e me
contou a história inteira, respondendo a todas as perguntas que eu fazia. Explicou que a perna fora
70 cortada por causa de uma doença, mas que eu não deveria me preocupar, era uma doença que só
dava em velhos. A operação aconteceu num hospital. Não, ele não precisou ir de bermuda, porque
no hospital dão uma camisola. Sim, uma camisola, mesmo para os homens. Depois de vesti-la,
médicos deram-lhe uma injeção no braço e ele dormiu, de um jeito que você não sente dor e não
acorda nem se pularem na sua barriga. Aí é que vem a parte mais estranha: depois de tirarem a
75 perna, não fizeram um curativo enorme, nem vários, nem puseram esparadrapo, não: eles o
costuraram, com agulha e linha, da mesma forma que minha mãe costurava pedaços redondos de
couro nos joelhos dos meus moletons. A cor da linha era preta, e seu Duílio não soube dizer se
poderia ser azul, verde ou vermelha, caso ele assim preferisse.
Queria passar a tarde inteira ali, sentado no braço da poltrona, seguindo com a entrevista,
80 mas minha mãe logo me pôs no chão e me mandou para o quintal, onde estavam as outras
crianças.
No dia seguinte, na escola, mal se falou sobre o Bambalalão: só queriam saber da minha
história com o homem de perna cortada. O único que não se interessou foi o Válter, do pré: nem
ligou e disse que ter a perna cortada não era nada de mais; toda noite, antes de dormir, a avó dele
85 tirava os dentes e as gengivas e punha dentro de um copo d’água. Claro, ninguém acreditou e ficou
evidente que o Válter só queria roubar a atenção.
(PRATA, Antonio. In: Folha de S. Paulo. Caderno Ilustrada, 02 abr. 2016, p. E2.)
Embora o texto trate de um tema sério, ele apresenta humor, que se explica também pelo fato de o/aResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
A perna do seu Duílio
Era domingo e eu estava extremamente emburrado. Vinha esperando a semana inteira
pelo especial de um ano do Bambalalão, com novos quadros, convidados especiais e
um minibugue camuflado para o grande vencedor da gincana; aí, quando já tinha até
5 arrumado meu canto do sofá, posicionado as almofadas preferidas, pegado a mantinha de lã e
estava indo preparar a xícara com Leite Moça e Nescau, minha mãe chega penteando o cabelo e diz
que vamos sair: é aniversário do seu Duílio.
E por acaso eu conhecia algum Duílio?! Ela explicou tratar-se do pai do marido da minha
tia, e que naquele dia ele faria aniversário. Eu expliquei que Bambalalão era meu programa
10 predileto e que naquele dia ele também faria aniversário. Minha mãe sentou-se ao meu lado e deu
início à inútil tática de despertar meu interesse, a mesma que usava para me convencer a comer
coisas verdes e pastosas ou tomar xarope para tosse: “Olha que legal, o seu Duílio vai fazer oitenta
anos! Sabe quanto é oitenta? Todos os dedos das duas mãos abertas uma, duas, três, quatro,
cinco, seis, sete, oito vezes!”.
15 O abrir e fechar de dedos podia servir para me fazer um cafuné, se ela quisesse, ou
preparar massa de biscoito, mas não ajudaria em nada a me convencer de que conhecer uma
pessoa muito velha fosse mais interessante do que assistir à corrida de saco na piscina de bolinhas,
o pega-pega de olhos vendados ou ver o vencedor recebendo o minibugue de pintura camuflada,
que eu vinha cobiçando a semana inteira diante da TV.
20 Reagi, como sempre fazia naquelas ocasiões. Olhei por cima do seu ombro, mudei de canal
com o controle remoto. Minha mãe tentou fisgar meu interesse de outra forma: disse que lá ia
estar cheio de crianças da minha idade.
Chorei, esperneei, bufei, enfiei a cabeça debaixo da manta e me fechei num casulo de lã.
Minha mãe abandonou a sedução e resolveu me pegar pela culpa. Explicou que o seu Duílio tinha
25 me visto nascer, tinha me pegado no colo, pequenininho. Grande coisa, eu não me lembrava de ter
nascido, não havia pedido que ele me pegasse no colo, problema dele. Minha mãe tentou me
descobrir, eu esperneei mais ainda, comecei a atirar as almofadas no chão, gritei “Não vou! Não
vou! Não vou!”, até que ela abandonou todas as técnicas de convencimento e ordenou: “Menino,
engole esse choro, você vai e pronto!”.
30 Fui no banco de trás do carro, encolhido e de olhos fechados, torcendo para que ela se
virasse, me visse e pensasse, “Caramba, acho que dessa vez a gente exagerou, o Antônio tá
sofrendo de verdade, melhor voltar e deixá-lo assistir ao programa dele”. Mas nos breves
momentos em que abri os olhos para conferir, ela não estava prestando atenção. Estava, na
verdade, concentrada numa conversa com meu padrasto: “Melhor não”, ela dizia, “Se a gente
35 avisa, desperta o interesse. Deixa acontecer naturalmente”, “É, pode ser, bom, de qualquer forma
o seu Duílio deve saber como lidar com essas coisas, não é de hoje, né…”. Não entendi o que eles
diziam nem me interessei, só pensava que, no dia seguinte, na escola, todo mundo ia estar falando
sobre a corrida de saco na piscina de bolinhas, ia comentar sobre a criança que ganhou o
minibugue e se ela mereceu mais que a outra, e eu não poderia opinar, porque estava na festa de
40 um homem cuja maior qualidade era ter tantos anos quanto todos os dedos das duas mãos abertas
oito vezes. Que emoção.
Chegamos. Era aquela coisa de sempre: um monte de parentes e outros adultos mexendo
no meu cabelo, na minha bochecha e na minha barriga, dizendo que eu estava grande e bonito.
O seu Duílio estava sentado numa poltrona, num dos cantos da sala. Tinha os cabelos todos
45 brancos. Minha mãe o beijou, dizendo: “Parabéns, seu Duílio!” Depois, meu padrasto apertou sua
mão e falou: “Oitenta, hein, seu Duílio! Daqui a pouco é noventa, já!”
O velho ficou falando umas coisas sobre fazer oitenta anos, eu fiquei olhando pra ele,
fingindo que ouvia, mas a minha cabeça estava longe, lá na sala de casa, imaginando assistir ao
Bambalalão, e provavelmente por lá ficaria até o final daquela tarde se meus olhos não tivessem,
50 acidentalmente, ido parar na perna esquerda do aniversariante — ou melhor, num pedaço da
poltrona onde deveria estar sua perna esquerda. Olhei uma vez, olhei duas, olhei três. Longos
segundos se passaram até que eu pudesse aceitar o que via: a perna esquerda do seu Duílio não
existia!
Que coisa espetacular! Se a minha mãe tivesse perguntado: “O que você prefere, assistir a
55 Bambalalão ou conhecer um homem sem perna?”, claro que eu ficaria com a segunda alternativa.
Lembrei-me do homem que eu tinha visto no circo, um dia, botando uma mulher de maiô numa
caixa e a serrando ao meio. Seria seu Duílio aquele homem? Teria ele cortado a própria perna?
Como? Será que ele conseguia tirar e recolocar a perna sempre que quisesse? Onde guardava a
perna, quando não a usava? Numa gaveta do quarto, no banheiro, na área de serviço, junto à
60 bicicleta? Conseguiria ele remover também outros membros?
Minha mãe me cutucou: “Ô, Antônio, não vai dar oi pro seu Duílio?”. Como não? “Oi, seu
Duílio! Cadê sua perna?!” Minha mãe me olhou com uma cara estranha. Achei que ela não tivesse
ouvido o que eu acabara de dizer. Falei ainda mais alto: “Olha! Olha! Ele só tem uma perna! Mãe!
Mãe! Cadê a perna do seu Duílio?”. Todos na sala fizeram silêncio.
65 Ninguém mais se empolgava com aquela situação? Será que não haviam percebido? Seria o
primeiro dia em que o seu Duílio saía sem a perna? Uma surpresa que preparou para a festa de
oitenta anos, uma mágica, e eu havia sido o único a notar?
O silêncio foi quebrado pelo próprio Duílio. Ele me fez sentar no braço da poltrona e me
contou a história inteira, respondendo a todas as perguntas que eu fazia. Explicou que a perna fora
70 cortada por causa de uma doença, mas que eu não deveria me preocupar, era uma doença que só
dava em velhos. A operação aconteceu num hospital. Não, ele não precisou ir de bermuda, porque
no hospital dão uma camisola. Sim, uma camisola, mesmo para os homens. Depois de vesti-la,
médicos deram-lhe uma injeção no braço e ele dormiu, de um jeito que você não sente dor e não
acorda nem se pularem na sua barriga. Aí é que vem a parte mais estranha: depois de tirarem a
75 perna, não fizeram um curativo enorme, nem vários, nem puseram esparadrapo, não: eles o
costuraram, com agulha e linha, da mesma forma que minha mãe costurava pedaços redondos de
couro nos joelhos dos meus moletons. A cor da linha era preta, e seu Duílio não soube dizer se
poderia ser azul, verde ou vermelha, caso ele assim preferisse.
Queria passar a tarde inteira ali, sentado no braço da poltrona, seguindo com a entrevista,
80 mas minha mãe logo me pôs no chão e me mandou para o quintal, onde estavam as outras
crianças.
No dia seguinte, na escola, mal se falou sobre o Bambalalão: só queriam saber da minha
história com o homem de perna cortada. O único que não se interessou foi o Válter, do pré: nem
ligou e disse que ter a perna cortada não era nada de mais; toda noite, antes de dormir, a avó dele
85 tirava os dentes e as gengivas e punha dentro de um copo d’água. Claro, ninguém acreditou e ficou
evidente que o Válter só queria roubar a atenção.
(PRATA, Antonio. In: Folha de S. Paulo. Caderno Ilustrada, 02 abr. 2016, p. E2.)
Considerando a pontuação, assinale a alternativa que expressaria o desejo do menino de assistir ao seu programa de televisão favorito.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO III
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(SOUSA, Maurício de. Dorinha – a nova amiguinha. In: Turma da Mônica. São Paulo: Globo, 2012.)
Todos os elementos não verbais abaixo caracterizam a deficiência da personagem Dorinha, menos o/a(s)
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(SOUSA, Maurício de. Dorinha – a nova amiguinha. In: Turma da Mônica. São Paulo: Globo, 2012.)
De acordo com o Texto III, Dorinha justifica que o nome do cachorro é “Radar” porque
TEXTO III
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(SOUSA, Maurício de. Dorinha – a nova amiguinha. In: Turma da Mônica. São Paulo: Globo, 2012.)
Para encontrar a personagem Magali, Dorinha faz uso do/da
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(SOUSA, Maurício de. Dorinha – a nova amiguinha. In: Turma da Mônica. São Paulo: Globo, 2012.)
Dorinha consegue “ver” o pôr do sol com o auxílio de Marina. O que esta faz para ajudá-la?
TEXTO III
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(SOUSA, Maurício de. Dorinha – a nova amiguinha. In: Turma da Mônica. São Paulo: Globo, 2012.)
TEXTO IV
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(GOVERNO FEDERAL. Ministério da Saúde. In: Nova Escola, 2010.)
Da comparação entre os Textos III e IV, é correto afirmar que ambos defendem a ideia de que
TEXTO IV
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(GOVERNO FEDERAL. Ministério da Saúde. In: Nova Escola, 2010.)
A palavra destacada em
(4º quadrinho do cartaz), estabelece, no contexto em que foi utilizada, uma relação de:
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(GOVERNO FEDERAL. Ministério da Saúde. In: Nova Escola, 2010.)
O 6º quadrinho do cartaz afirma que outras pessoas aprendem
. No contexto em que foi empregada, a palavra em destaque significa que:
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(GOVERNO FEDERAL. Ministério da Saúde. In: Nova Escola, 2010.)
A principal finalidade do cartaz (Texto IV) é:
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