← Voltar para a lista de provas Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental 21 questões nesta prova · página 1 de 2 · 20 com gabarito Gabarito disponível A escola estimula a buscar na vida o que se aprende nos livros. Depois da aula de História, Inácio procura o avô para conhecer o passado da família. Isso mostra que a escola o estimulou a ligar o conteúdo dos livros à vida real. A: não há conflito, a conversa é afetuosa. B: o tema não é respeito às tradições. C: não se compara com outras disciplinas. E: não há menção a chamar os pais. Referência: Interpretação de texto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Para o avô, estudar exige paciência que ele não tem mais. O avô diz: "Não tenho mais paciência pra esse negócio de escola" e "não dou mais pra isso". Para ele, os estudos exigem perseverança superior às suas forças. A, B, C e D atribuem ao avô opiniões que ele não expressa (dinheiro, adequação às necessidades, preparação profissional, trabalho em fazendas). Referência: Interpretação de texto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Inácio se apoia na autoridade da professora. Ao repetir "minha professora disse/contou/me ensinar", o menino mostra que baseia seu conhecimento na palavra de uma autoridade, a professora. A: ele fala com muita convicção. B: ele busca o avô, então não substituiu a família. C: a fala não trata de disciplina. D: ele não desconfia do avô, quer justamente ouvi-lo. Referência: Interpretação de texto; argumento de autoridade. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível A notícia usa linguagem clara e informação precisa. O enunciado diz que o autor escreve com informações objetivas. Notícias e reportagens caracterizam-se por linguagem clara, dados precisos (22 em cada 100, 66 mil) e fontes identificadas. A: o tom é objetivo, não emocionado. B: não se caracterizam por comparações. C: usam a terceira pessoa. D: o vocabulário é acessível e a intenção é informar, não convencer. Referência: Gêneros textuais: notícia e reportagem. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Tota deixou a escola porque a tia a obrigava aos afazeres domésticos. O texto diz que a tia "não queria que ela estudasse para dar conta dos afazeres domésticos". Depois da morte dos pais, as tarefas da casa passaram a ser sua obrigação, o que a afastou da escola. B, C e D não aparecem no texto. E contradiz o texto, pois ela ia escondida à aula e não escolheu o trabalho em vez do estudo. Referência: Interpretação de texto; notícia. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível A conjunção "que" mantém a relação de explicação entre as orações. No original, "Seu tempo vai chegar" justifica o conselho "Tenha paciência". Em "Tenha paciência que seu tempo vai chegar", o "que" funciona como conjunção explicativa e mantém essa relação sem alterar o sentido. A, B e D indicam finalidade ou outra relação, não explicação. E ("tão logo") dá ideia de tempo. Todas mudam o sentido original. Referência: Coesão e conectivos: orações coordenadas explicativas. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gaiolas = contenção; asas = liberdade. Gaiola prende e controla o pássaro, simbolizando contenção. Asas permitem voar, simbolizando liberdade. O texto afirma que as escolas-gaiola fazem os pássaros desaprender o voo, enquanto as escolas-asas dão coragem para voar. A, B, C e E atribuem sentidos que o texto não apresenta (igualdade, acolhimento, abandono, carinho, indiferença). Referência: Linguagem figurada: metáfora e antítese. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Escolas "asas" encorajam o voo e levam a voos mais altos. O texto opõe escolas-gaiola, que controlam, a escolas-asas, que dão coragem para voar. A ideia sugerida é que escolas que estimulam a criatividade e a liberdade levam os alunos a voos mais altos, conforme o gabarito oficial. A: o texto diz que o voo não se ensina, só se encoraja. B: não trata de professores. D: foca nas escolas, não numa acomodação dos alunos. E: não fala de adultos sem escola. Referência: Interpretação de texto; metáfora. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível O caderno promete acompanhar a menina sempre. O eu lírico (o caderno) repete "Sou eu que vou seguir você / ser seu colega / ser seu amigo", prometendo companhia e apoio em todas as fases. A intenção é dizer que estará sempre ao lado dela. A: não há foco na importância de ler. C: a vocação artística não é o tema. D: ele promete ajudar a resolver problemas, não garantir solução. E: não trata de ajudar com amores. Referência: Interpretação de texto; eu lírico. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível "Feroz carrossel" representa os novos desafios da vida adulta. Ao chegar a adolescência ("primeiros raios de mulher"), a vida se "abrirá" como um carrossel feroz, isto é, intenso, rápido e desafiador. A metáfora indica novos desafios diante do mundo. A: o carrossel é figurado, não se refere a diversões. B: o texto não trata de conquistas incentivadas pela família. C: não há menção à profissão. E: não se fala de falsas amizades. Referência: Linguagem figurada: metáfora. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível "Quando surgirem" está no subjuntivo (futuro). "Surgirem" é futuro do subjuntivo de "surgir", e a conjunção "quando" indica uma ação hipotética e futura. É o único trecho em que o verbo expressa possibilidade e não certeza. B: "vou dar" é locução no indicativo. C: "está escrito" é indicativo. D: "acompanhar" é infinitivo, forma nominal. E: "vai rasgar" é locução no indicativo. Referência: Modos verbais: indicativo, subjuntivo e imperativo. Resolução comentada do VaiConcursos.Colégio Militar do Rio de Janeiro — Concurso de Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental 2016/2017 — Prova de Português
Meu tataravô era africano é um romance que conta a história de Inácio – um menino que aprende na escola sobre a escravidão no Brasil. Preocupado com a possibilidade de seus familiares terem sido escravos, ele quer ouvir de seu avô essa história.
Inácio entrou em casa correndo, procurando seu avô:
– Mãe, mãe, cadê o vovô? Preciso muito falar com ele.
– Calma, menino! Seu avô foi comprar pão.
– Então ele vai demorar muito! Ele fica conversando com todo mundo na rua, e eu tenho que perguntar umas coisas pra ele. É um trabalho de escola.
– E seu avô vai saber responder?
– Acho que vai, é um trabalho sobre os escravos, e minha professora disse que os negros vieram da África e que, antigamente, todos os negros eram escravos. Então, se vovô é negro, ele veio da África e era escravo.
– Não, querido. Nem todos os negros vieram da África ou foram escravos. Seu avô nasceu aqui no Brasil e nunca foi escravo.
– Nunca? Mas a minha professora disse que...
– Quem veio da África e era escravo foi o bisavô do seu avô.
/.../
Na fazenda de café
– Vô, tenho um amigo lá na escola que em todas as férias viaja para a fazenda da tia dele, que fica em São Paulo. Eu queria tanto conhecer uma fazenda! Deve ser muito bom acordar cedinho e tirar leite das vacas, não é?
– Sabe, Inácio, antigamente eu vivia dizendo que se ganhasse na loteria compraria um sítio. Agora, não tenho mais esperanças de ganhar, não.
– Mas, vô, você joga na loteria?
– Já joguei, agora não jogo mais. Acho uma bobagem, não ganho mesmo.
– Vô, mas eu não queria conhecer uma fazenda do mesmo jeito que meu tataravô conheceu, não. Minha professora contou que era muito triste a vida nas fazendas de café, a começar pela viagem, pois os escravos viajavam dias e dias a pé, e lá eram obrigados a trabalhar muito.
– Poxa, Inácio, como você é inteligente! Consegue guardar tudo nessa cabecinha. Na minha idade, não consigo aprender mais nada.
– Que é isso, vô? Tem um monte de gente da sua idade que ainda estuda, sabia? Por que você não volta a estudar?
– Ah, Inácio, acho que não dou mais pra isso, não. Não tenho mais paciência pra esse negócio de escola.
– Então, vô, você pode estudar comigo, que tal? Tudo o que minha professora de História me ensinar eu ensino pra você, combinado?
/.../
MARTINS, Georgina; TELLES, Teresa Sila. Meu tataravô era africano. São Paulo: Editora DCL, 2008. p. 29-30; 46-47. (fragmento adaptado)
A partir de uma aula de história, Inácio procura o avô para aprender sobre o passado de sua família. Essa atitude mostra que a escola deleResolução comentada
Análise das alternativas
Meu tataravô era africano é um romance que conta a história de Inácio – um menino que aprende na escola sobre a escravidão no Brasil. Preocupado com a possibilidade de seus familiares terem sido escravos, ele quer ouvir de seu avô essa história.
Inácio entrou em casa correndo, procurando seu avô:
– Mãe, mãe, cadê o vovô? Preciso muito falar com ele.
– Calma, menino! Seu avô foi comprar pão.
– Então ele vai demorar muito! Ele fica conversando com todo mundo na rua, e eu tenho que perguntar umas coisas pra ele. É um trabalho de escola.
– E seu avô vai saber responder?
– Acho que vai, é um trabalho sobre os escravos, e minha professora disse que os negros vieram da África e que, antigamente, todos os negros eram escravos. Então, se vovô é negro, ele veio da África e era escravo.
– Não, querido. Nem todos os negros vieram da África ou foram escravos. Seu avô nasceu aqui no Brasil e nunca foi escravo.
– Nunca? Mas a minha professora disse que...
– Quem veio da África e era escravo foi o bisavô do seu avô.
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Na fazenda de café
– Vô, tenho um amigo lá na escola que em todas as férias viaja para a fazenda da tia dele, que fica em São Paulo. Eu queria tanto conhecer uma fazenda! Deve ser muito bom acordar cedinho e tirar leite das vacas, não é?
– Sabe, Inácio, antigamente eu vivia dizendo que se ganhasse na loteria compraria um sítio. Agora, não tenho mais esperanças de ganhar, não.
– Mas, vô, você joga na loteria?
– Já joguei, agora não jogo mais. Acho uma bobagem, não ganho mesmo.
– Vô, mas eu não queria conhecer uma fazenda do mesmo jeito que meu tataravô conheceu, não. Minha professora contou que era muito triste a vida nas fazendas de café, a começar pela viagem, pois os escravos viajavam dias e dias a pé, e lá eram obrigados a trabalhar muito.
– Poxa, Inácio, como você é inteligente! Consegue guardar tudo nessa cabecinha. Na minha idade, não consigo aprender mais nada.
– Que é isso, vô? Tem um monte de gente da sua idade que ainda estuda, sabia? Por que você não volta a estudar?
– Ah, Inácio, acho que não dou mais pra isso, não. Não tenho mais paciência pra esse negócio de escola.
– Então, vô, você pode estudar comigo, que tal? Tudo o que minha professora de História me ensinar eu ensino pra você, combinado?
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MARTINS, Georgina; TELLES, Teresa Sila. Meu tataravô era africano. São Paulo: Editora DCL, 2008. p. 29-30; 46-47. (fragmento adaptado)
Na conversa sobre o trabalho nas fazendas de café, o avô explica as razões pelas quais não pensa em voltar a estudar. De acordo com a opinião dele, os estudosResolução comentada
Análise das alternativas
Meu tataravô era africano é um romance que conta a história de Inácio – um menino que aprende na escola sobre a escravidão no Brasil. Preocupado com a possibilidade de seus familiares terem sido escravos, ele quer ouvir de seu avô essa história.
Inácio entrou em casa correndo, procurando seu avô:
– Mãe, mãe, cadê o vovô? Preciso muito falar com ele.
– Calma, menino! Seu avô foi comprar pão.
– Então ele vai demorar muito! Ele fica conversando com todo mundo na rua, e eu tenho que perguntar umas coisas pra ele. É um trabalho de escola.
– E seu avô vai saber responder?
– Acho que vai, é um trabalho sobre os escravos, e minha professora disse que os negros vieram da África e que, antigamente, todos os negros eram escravos. Então, se vovô é negro, ele veio da África e era escravo.
– Não, querido. Nem todos os negros vieram da África ou foram escravos. Seu avô nasceu aqui no Brasil e nunca foi escravo.
– Nunca? Mas a minha professora disse que...
– Quem veio da África e era escravo foi o bisavô do seu avô.
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Na fazenda de café
– Vô, tenho um amigo lá na escola que em todas as férias viaja para a fazenda da tia dele, que fica em São Paulo. Eu queria tanto conhecer uma fazenda! Deve ser muito bom acordar cedinho e tirar leite das vacas, não é?
– Sabe, Inácio, antigamente eu vivia dizendo que se ganhasse na loteria compraria um sítio. Agora, não tenho mais esperanças de ganhar, não.
– Mas, vô, você joga na loteria?
– Já joguei, agora não jogo mais. Acho uma bobagem, não ganho mesmo.
– Vô, mas eu não queria conhecer uma fazenda do mesmo jeito que meu tataravô conheceu, não. Minha professora contou que era muito triste a vida nas fazendas de café, a começar pela viagem, pois os escravos viajavam dias e dias a pé, e lá eram obrigados a trabalhar muito.
– Poxa, Inácio, como você é inteligente! Consegue guardar tudo nessa cabecinha. Na minha idade, não consigo aprender mais nada.
– Que é isso, vô? Tem um monte de gente da sua idade que ainda estuda, sabia? Por que você não volta a estudar?
– Ah, Inácio, acho que não dou mais pra isso, não. Não tenho mais paciência pra esse negócio de escola.
– Então, vô, você pode estudar comigo, que tal? Tudo o que minha professora de História me ensinar eu ensino pra você, combinado?
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MARTINS, Georgina; TELLES, Teresa Sila. Meu tataravô era africano. São Paulo: Editora DCL, 2008. p. 29-30; 46-47. (fragmento adaptado)
No texto, Inácio insiste em explicar como sabe as coisas: “minha professora disse”, “minha professora contou”, “tudo o que minha professora me ensinar”. Ao falar tanto na professora, o menino demonstra queResolução comentada
Análise das alternativas
Meu tataravô era africano é um romance que conta a história de Inácio – um menino que aprende na escola sobre a escravidão no Brasil. Preocupado com a possibilidade de seus familiares terem sido escravos, ele quer ouvir de seu avô essa história.
Inácio entrou em casa correndo, procurando seu avô:
– Mãe, mãe, cadê o vovô? Preciso muito falar com ele.
– Calma, menino! Seu avô foi comprar pão.
– Então ele vai demorar muito! Ele fica conversando com todo mundo na rua, e eu tenho que perguntar umas coisas pra ele. É um trabalho de escola.
– E seu avô vai saber responder?
– Acho que vai, é um trabalho sobre os escravos, e minha professora disse que os negros vieram da África e que, antigamente, todos os negros eram escravos. Então, se vovô é negro, ele veio da África e era escravo.
– Não, querido. Nem todos os negros vieram da África ou foram escravos. Seu avô nasceu aqui no Brasil e nunca foi escravo.
– Nunca? Mas a minha professora disse que...
– Quem veio da África e era escravo foi o bisavô do seu avô.
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Na fazenda de café
– Vô, tenho um amigo lá na escola que em todas as férias viaja para a fazenda da tia dele, que fica em São Paulo. Eu queria tanto conhecer uma fazenda! Deve ser muito bom acordar cedinho e tirar leite das vacas, não é?
– Sabe, Inácio, antigamente eu vivia dizendo que se ganhasse na loteria compraria um sítio. Agora, não tenho mais esperanças de ganhar, não.
– Mas, vô, você joga na loteria?
– Já joguei, agora não jogo mais. Acho uma bobagem, não ganho mesmo.
– Vô, mas eu não queria conhecer uma fazenda do mesmo jeito que meu tataravô conheceu, não. Minha professora contou que era muito triste a vida nas fazendas de café, a começar pela viagem, pois os escravos viajavam dias e dias a pé, e lá eram obrigados a trabalhar muito.
– Poxa, Inácio, como você é inteligente! Consegue guardar tudo nessa cabecinha. Na minha idade, não consigo aprender mais nada.
– Que é isso, vô? Tem um monte de gente da sua idade que ainda estuda, sabia? Por que você não volta a estudar?
– Ah, Inácio, acho que não dou mais pra isso, não. Não tenho mais paciência pra esse negócio de escola.
– Então, vô, você pode estudar comigo, que tal? Tudo o que minha professora de História me ensinar eu ensino pra você, combinado?
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MARTINS, Georgina; TELLES, Teresa Sila. Meu tataravô era africano. São Paulo: Editora DCL, 2008. p. 29-30; 46-47. (fragmento adaptado)
Na palavra destacada na frase “Consegue guardar tudo nessa cabecinha”, a terminação –inha indica
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Se não há uma pessoa igualzinha a outra, imagine entre as escolas! Veja como a escola da tirinha a seguir é diferente da de Inácio:
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Disponível em <http://melgrosscartoons.files.wordpress.com/2013/03/11.jpg>. Acesso em 28/08/2016.
Na tira, o humor representado no último quadrinho foi alcançado a partir de uma situação de sala de aula, em que fica evidente o
Se não há uma pessoa igualzinha a outra, imagine entre as escolas! Veja como a escola da tirinha a seguir é diferente da de Inácio:
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Disponível em <http://melgrosscartoons.files.wordpress.com/2013/03/11.jpg>. Acesso em 28/08/2016.
Advérbios são palavras que se ligam a verbos (a adjetivos ou a outros advérbios) e informam circunstâncias de: tempo, lugar, afirmação, negação... Na tirinha, tem valor de advérbio a expressão
Meu tataravô era africano é um romance que conta a história de Inácio – um menino que aprende na escola sobre a escravidão no Brasil. Preocupado com a possibilidade de seus familiares terem sido escravos, ele quer ouvir de seu avô essa história.
Inácio entrou em casa correndo, procurando seu avô:
– Mãe, mãe, cadê o vovô? Preciso muito falar com ele.
– Calma, menino! Seu avô foi comprar pão.
– Então ele vai demorar muito! Ele fica conversando com todo mundo na rua, e eu tenho que perguntar umas coisas pra ele. É um trabalho de escola.
– E seu avô vai saber responder?
– Acho que vai, é um trabalho sobre os escravos, e minha professora disse que os negros vieram da África e que, antigamente, todos os negros eram escravos. Então, se vovô é negro, ele veio da África e era escravo.
– Não, querido. Nem todos os negros vieram da África ou foram escravos. Seu avô nasceu aqui no Brasil e nunca foi escravo.
– Nunca? Mas a minha professora disse que...
– Quem veio da África e era escravo foi o bisavô do seu avô.
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Na fazenda de café
– Vô, tenho um amigo lá na escola que em todas as férias viaja para a fazenda da tia dele, que fica em São Paulo. Eu queria tanto conhecer uma fazenda! Deve ser muito bom acordar cedinho e tirar leite das vacas, não é?
– Sabe, Inácio, antigamente eu vivia dizendo que se ganhasse na loteria compraria um sítio. Agora, não tenho mais esperanças de ganhar, não.
– Mas, vô, você joga na loteria?
– Já joguei, agora não jogo mais. Acho uma bobagem, não ganho mesmo.
– Vô, mas eu não queria conhecer uma fazenda do mesmo jeito que meu tataravô conheceu, não. Minha professora contou que era muito triste a vida nas fazendas de café, a começar pela viagem, pois os escravos viajavam dias e dias a pé, e lá eram obrigados a trabalhar muito.
– Poxa, Inácio, como você é inteligente! Consegue guardar tudo nessa cabecinha. Na minha idade, não consigo aprender mais nada.
– Que é isso, vô? Tem um monte de gente da sua idade que ainda estuda, sabia? Por que você não volta a estudar?
– Ah, Inácio, acho que não dou mais pra isso, não. Não tenho mais paciência pra esse negócio de escola.
– Então, vô, você pode estudar comigo, que tal? Tudo o que minha professora de História me ensinar eu ensino pra você, combinado?
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MARTINS, Georgina; TELLES, Teresa Sila. Meu tataravô era africano. São Paulo: Editora DCL, 2008. p. 29-30; 46-47. (fragmento adaptado)
Texto-base:
Se não há uma pessoa igualzinha a outra, imagine entre as escolas! Veja como a escola da tirinha a seguir é diferente da de Inácio:
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Disponível em <http://melgrosscartoons.files.wordpress.com/2013/03/11.jpg>. Acesso em 28/08/2016.
Na tirinha e em Meu tataravô era africano, há tipos de escola com visões diferentes sobre a (o)
O texto a seguir foi publicado em um jornal. Aqui, o autor assume o compromisso de escrever sobre acontecimentos, pessoas e lugares, com informações objetivas. Nesta notícia descobrimos um lado triste da educação no Brasil: a falta de escolas.
Líder em analfabetismo, Alagoas tem fila de espera em programa suspenso
Todos os dias, os servidores alojados em uma sala de um prédio anexo à Secretaria Municipal de Educação de Maceió dão a mesma resposta: o Programa Brasil Alfabetizado está suspenso na capital alagoana por tempo indeterminado e não estão sendo feitas novas matrículas.
O estado tem a maior taxa de analfabetismo do país. De cada 100 pessoas com 15 anos ou mais de idade, 22 não sabem ler e escrever. Na capital, Maceió, 66 mil estão nessa situação, aponta pesquisa.
A dificuldade de manter adultos em cursos de alfabetização é citada por diversos gestores públicos e especialistas na área. Muitos desistem ou nem procuram as aulas.
Esse segundo caso é o da diarista Maria Cícera dos Santos Silva, moradora de Maceió. Aos 53 anos, "Tota", como é conhecida, escreve apenas o próprio nome. "Minha filha escrevia num papel, e fui copiando até aprender".
Casada, com três filhos e o mesmo número de netos, a diarista diz se ressentir de não ter participado da educação formal dos filhos.
"Quando eles começaram a estudar, era muito ruim. Mas, graças a Deus, a minha sobrinha me ajudava com as lições de casa deles", conta.
Hoje, a dificuldade se repete com os estudos da neta de quatro anos. A nora assume a função que a avó gostaria de desempenhar.
Tota teve negado o direito à alfabetização. Aos 5 anos, perdeu a mãe e, aos 10, o pai. Foi morar com uma tia, que não queria que ela estudasse para dar conta dos afazeres domésticos. "Às vezes, ia escondida para a aula e, quando voltava, levava uma surra de pôr sal nas costas."
Familiares a ajudam com tarefas do dia a dia, como seguir uma receita médica. Para outras, como pegar o transporte para ir trabalhar, ela improvisa. "Não erro, já decorei a cor dos ônibus", diz.
O desejo de estudar perdeu-se com os anos. "O tempo vai passando, a gente casa, tem filhos...", diz ela.
A resignação é uma característica comum entre adultos como ela, que não tiveram acesso à educação formal, afirma Rita de Cássia Lima Alves, da Comissão Nacional de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos.
"São pessoas que lutam pela educação dos seus filhos, mas não pela própria."
Wagner Melo. Colaborou Ângela Pinho, de São Paulo. Folha de São Paulo, domingo, 28/08/2016. Cotidiano, p. B12. (fragmento)
Glossário:
• gestores: pessoas que administram; diretores.
• ressentir: sentir muito; ficar magoado.
• resignação: ato de se resignar; submissão.
Como se pode observar na matéria da Folha de São Paulo, reportagens ou notícias são textos que apresentam:Resolução comentada
Análise das alternativas
O texto a seguir foi publicado em um jornal. Aqui, o autor assume o compromisso de escrever sobre acontecimentos, pessoas e lugares, com informações objetivas. Nesta notícia descobrimos um lado triste da educação no Brasil: a falta de escolas.
Líder em analfabetismo, Alagoas tem fila de espera em programa suspenso
Todos os dias, os servidores alojados em uma sala de um prédio anexo à Secretaria Municipal de Educação de Maceió dão a mesma resposta: o Programa Brasil Alfabetizado está suspenso na capital alagoana por tempo indeterminado e não estão sendo feitas novas matrículas.
O estado tem a maior taxa de analfabetismo do país. De cada 100 pessoas com 15 anos ou mais de idade, 22 não sabem ler e escrever. Na capital, Maceió, 66 mil estão nessa situação, aponta pesquisa.
A dificuldade de manter adultos em cursos de alfabetização é citada por diversos gestores públicos e especialistas na área. Muitos desistem ou nem procuram as aulas.
Esse segundo caso é o da diarista Maria Cícera dos Santos Silva, moradora de Maceió. Aos 53 anos, "Tota", como é conhecida, escreve apenas o próprio nome. "Minha filha escrevia num papel, e fui copiando até aprender".
Casada, com três filhos e o mesmo número de netos, a diarista diz se ressentir de não ter participado da educação formal dos filhos.
"Quando eles começaram a estudar, era muito ruim. Mas, graças a Deus, a minha sobrinha me ajudava com as lições de casa deles", conta.
Hoje, a dificuldade se repete com os estudos da neta de quatro anos. A nora assume a função que a avó gostaria de desempenhar.
Tota teve negado o direito à alfabetização. Aos 5 anos, perdeu a mãe e, aos 10, o pai. Foi morar com uma tia, que não queria que ela estudasse para dar conta dos afazeres domésticos. "Às vezes, ia escondida para a aula e, quando voltava, levava uma surra de pôr sal nas costas."
Familiares a ajudam com tarefas do dia a dia, como seguir uma receita médica. Para outras, como pegar o transporte para ir trabalhar, ela improvisa. "Não erro, já decorei a cor dos ônibus", diz.
O desejo de estudar perdeu-se com os anos. "O tempo vai passando, a gente casa, tem filhos...", diz ela.
A resignação é uma característica comum entre adultos como ela, que não tiveram acesso à educação formal, afirma Rita de Cássia Lima Alves, da Comissão Nacional de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos.
"São pessoas que lutam pela educação dos seus filhos, mas não pela própria."
Wagner Melo. Colaborou Ângela Pinho, de São Paulo. Folha de São Paulo, domingo, 28/08/2016. Cotidiano, p. B12. (fragmento)
Glossário:
• gestores: pessoas que administram; diretores.
• ressentir: sentir muito; ficar magoado.
• resignação: ato de se resignar; submissão.
O problema do analfabetismo vivido por Maria Cícera começou, ainda na infância, com a morte dos pais dela. Além disso, Tota deixou de frequentar a escola porqueResolução comentada
Análise das alternativas
O texto a seguir foi publicado em um jornal. Aqui, o autor assume o compromisso de escrever sobre acontecimentos, pessoas e lugares, com informações objetivas. Nesta notícia descobrimos um lado triste da educação no Brasil: a falta de escolas.
Líder em analfabetismo, Alagoas tem fila de espera em programa suspenso
Todos os dias, os servidores alojados em uma sala de um prédio anexo à Secretaria Municipal de Educação de Maceió dão a mesma resposta: o Programa Brasil Alfabetizado está suspenso na capital alagoana por tempo indeterminado e não estão sendo feitas novas matrículas.
O estado tem a maior taxa de analfabetismo do país. De cada 100 pessoas com 15 anos ou mais de idade, 22 não sabem ler e escrever. Na capital, Maceió, 66 mil estão nessa situação, aponta pesquisa.
A dificuldade de manter adultos em cursos de alfabetização é citada por diversos gestores públicos e especialistas na área. Muitos desistem ou nem procuram as aulas.
Esse segundo caso é o da diarista Maria Cícera dos Santos Silva, moradora de Maceió. Aos 53 anos, "Tota", como é conhecida, escreve apenas o próprio nome. "Minha filha escrevia num papel, e fui copiando até aprender".
Casada, com três filhos e o mesmo número de netos, a diarista diz se ressentir de não ter participado da educação formal dos filhos.
"Quando eles começaram a estudar, era muito ruim. Mas, graças a Deus, a minha sobrinha me ajudava com as lições de casa deles", conta.
Hoje, a dificuldade se repete com os estudos da neta de quatro anos. A nora assume a função que a avó gostaria de desempenhar.
Tota teve negado o direito à alfabetização. Aos 5 anos, perdeu a mãe e, aos 10, o pai. Foi morar com uma tia, que não queria que ela estudasse para dar conta dos afazeres domésticos. "Às vezes, ia escondida para a aula e, quando voltava, levava uma surra de pôr sal nas costas."
Familiares a ajudam com tarefas do dia a dia, como seguir uma receita médica. Para outras, como pegar o transporte para ir trabalhar, ela improvisa. "Não erro, já decorei a cor dos ônibus", diz.
O desejo de estudar perdeu-se com os anos. "O tempo vai passando, a gente casa, tem filhos...", diz ela.
A resignação é uma característica comum entre adultos como ela, que não tiveram acesso à educação formal, afirma Rita de Cássia Lima Alves, da Comissão Nacional de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos.
"São pessoas que lutam pela educação dos seus filhos, mas não pela própria."
Wagner Melo. Colaborou Ângela Pinho, de São Paulo. Folha de São Paulo, domingo, 28/08/2016. Cotidiano, p. B12. (fragmento)
Glossário:
• gestores: pessoas que administram; diretores.
• ressentir: sentir muito; ficar magoado.
• resignação: ato de se resignar; submissão.
“A resignação é uma característica comum entre adultos como ela, que não tiveram acesso à educação formal”. Nessa frase, a palavra destacada está indicando que as pessoas como Tota tornam-se
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O texto a seguir foi publicado em um jornal. Aqui, o autor assume o compromisso de escrever sobre acontecimentos, pessoas e lugares, com informações objetivas. Nesta notícia descobrimos um lado triste da educação no Brasil: a falta de escolas.
Líder em analfabetismo, Alagoas tem fila de espera em programa suspenso
Todos os dias, os servidores alojados em uma sala de um prédio anexo à Secretaria Municipal de Educação de Maceió dão a mesma resposta: o Programa Brasil Alfabetizado está suspenso na capital alagoana por tempo indeterminado e não estão sendo feitas novas matrículas.
O estado tem a maior taxa de analfabetismo do país. De cada 100 pessoas com 15 anos ou mais de idade, 22 não sabem ler e escrever. Na capital, Maceió, 66 mil estão nessa situação, aponta pesquisa.
A dificuldade de manter adultos em cursos de alfabetização é citada por diversos gestores públicos e especialistas na área. Muitos desistem ou nem procuram as aulas.
Esse segundo caso é o da diarista Maria Cícera dos Santos Silva, moradora de Maceió. Aos 53 anos, "Tota", como é conhecida, escreve apenas o próprio nome. "Minha filha escrevia num papel, e fui copiando até aprender".
Casada, com três filhos e o mesmo número de netos, a diarista diz se ressentir de não ter participado da educação formal dos filhos.
"Quando eles começaram a estudar, era muito ruim. Mas, graças a Deus, a minha sobrinha me ajudava com as lições de casa deles", conta.
Hoje, a dificuldade se repete com os estudos da neta de quatro anos. A nora assume a função que a avó gostaria de desempenhar.
Tota teve negado o direito à alfabetização. Aos 5 anos, perdeu a mãe e, aos 10, o pai. Foi morar com uma tia, que não queria que ela estudasse para dar conta dos afazeres domésticos. "Às vezes, ia escondida para a aula e, quando voltava, levava uma surra de pôr sal nas costas."
Familiares a ajudam com tarefas do dia a dia, como seguir uma receita médica. Para outras, como pegar o transporte para ir trabalhar, ela improvisa. "Não erro, já decorei a cor dos ônibus", diz.
O desejo de estudar perdeu-se com os anos. "O tempo vai passando, a gente casa, tem filhos...", diz ela.
A resignação é uma característica comum entre adultos como ela, que não tiveram acesso à educação formal, afirma Rita de Cássia Lima Alves, da Comissão Nacional de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos.
"São pessoas que lutam pela educação dos seus filhos, mas não pela própria."
Wagner Melo. Colaborou Ângela Pinho, de São Paulo. Folha de São Paulo, domingo, 28/08/2016. Cotidiano, p. B12. (fragmento)
Glossário:
• gestores: pessoas que administram; diretores.
• ressentir: sentir muito; ficar magoado.
• resignação: ato de se resignar; submissão.
Na palavra indeterminado (“está suspenso... por tempo indeterminado”), o elemento destacado – in – tem o mesmo sentido do elemento que aparece sublinhado na palavra
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No texto a seguir, também publicado em jornal, o autor tem liberdade para contar coisas pessoais, numa linguagem mais informal. Observe.
Meus queridos professores
Durante toda a minha trajetória escolar, nunca vi nos professores apenas um caminho para ganhar algum conhecimento em matemática, geografia, literatura. Para mim, eles eram muito mais.
Na menor brecha que abriam, eu sugava de meus mestres formas de compreender os momentos embaçados da vida, formas de fazer a minha realidade melhor. Professor é o mundo todo sintetizado em giz, apagador e tutano.
Na adolescência, uma professora marcou minhas lembranças para sempre ao me emprestar, juro, apenas emprestar, a antologia poética do Drummond, que tinha capa dura verde e páginas em um papel tão fino que parecia que a qualquer momento iria se desintegrar. Li quase inteira, aprendi de um tudo.
"É para você se inspirar para o amor, refletir sobre a dureza da existência, engrossar o couro para o futuro. O poeta foi comedor de arroz com feijão igual a nós todos, mas deixou a alma viajar por grandes banquetes", dizia um bilhete da professora.
Talvez não seja muito pedagógico para os que ensinam estreitar laços com os que devem aprender, pois isso poderia gerar conflitos de autoridade, confusão com as tarefas atribuídas aos pais. Mas as batalhas abertas atualmente no ambiente escolar trazem a mim uma nostalgia danada daquele tempo em que a mesa do professor era coberta de flores do campo – muito mais campo do que flores –, doce caseiro, desenhos, poesias e outros mimos levados pela criançada.
Para mim, o professor foi um bálsamo salvador das pequenas e grandes angústias de ser um menino incomum fisicamente na escola. /.../
Bastava um exemplo, algumas palavras seguras, uma recomendação de um livro. Um mestre que repita o mantra "acredite que vai dar tudo certo, vá em frente, que é possível" faz toda a diferença.
Em outra situação estudantil, fui atrevido a ponto de ir à casa de um dos mestres (no interior do país, tem dessas coisas). Eu precisava como em uma emergência sufocante saber até quando eu teria de esperar para viver um grande amor, afinal, eu "já" tinha 16 anos. O professor me recebeu, levou totalmente a sério a minha dúvida e recomendou o melhor remédio de todos para os desesperados: "Tenha paciência. Seu tempo vai chegar".
/.../
Jairo Marques. Folha de São Paulo, 11/10/2011. Disponível em <http://www1.folha.uol.br/fsp/cotidian/ff1110201105.htm>. Acesso em 27/10/16. (fragmento)
O autor lembra que uma professora lhe disse, acerca de Carlos Drummond de Andrade: “O poeta foi comedor de arroz com feijão igual a nós todos, mas deixou a alma viajar por grandes banquetes”. As expressões destacadas foram usadas em sentido figurado para dizer que
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No texto a seguir, também publicado em jornal, o autor tem liberdade para contar coisas pessoais, numa linguagem mais informal. Observe.
Meus queridos professores
Durante toda a minha trajetória escolar, nunca vi nos professores apenas um caminho para ganhar algum conhecimento em matemática, geografia, literatura. Para mim, eles eram muito mais.
Na menor brecha que abriam, eu sugava de meus mestres formas de compreender os momentos embaçados da vida, formas de fazer a minha realidade melhor. Professor é o mundo todo sintetizado em giz, apagador e tutano.
Na adolescência, uma professora marcou minhas lembranças para sempre ao me emprestar, juro, apenas emprestar, a antologia poética do Drummond, que tinha capa dura verde e páginas em um papel tão fino que parecia que a qualquer momento iria se desintegrar. Li quase inteira, aprendi de um tudo.
"É para você se inspirar para o amor, refletir sobre a dureza da existência, engrossar o couro para o futuro. O poeta foi comedor de arroz com feijão igual a nós todos, mas deixou a alma viajar por grandes banquetes", dizia um bilhete da professora.
Talvez não seja muito pedagógico para os que ensinam estreitar laços com os que devem aprender, pois isso poderia gerar conflitos de autoridade, confusão com as tarefas atribuídas aos pais. Mas as batalhas abertas atualmente no ambiente escolar trazem a mim uma nostalgia danada daquele tempo em que a mesa do professor era coberta de flores do campo – muito mais campo do que flores –, doce caseiro, desenhos, poesias e outros mimos levados pela criançada.
Para mim, o professor foi um bálsamo salvador das pequenas e grandes angústias de ser um menino incomum fisicamente na escola. /.../
Bastava um exemplo, algumas palavras seguras, uma recomendação de um livro. Um mestre que repita o mantra "acredite que vai dar tudo certo, vá em frente, que é possível" faz toda a diferença.
Em outra situação estudantil, fui atrevido a ponto de ir à casa de um dos mestres (no interior do país, tem dessas coisas). Eu precisava como em uma emergência sufocante saber até quando eu teria de esperar para viver um grande amor, afinal, eu "já" tinha 16 anos. O professor me recebeu, levou totalmente a sério a minha dúvida e recomendou o melhor remédio de todos para os desesperados: "Tenha paciência. Seu tempo vai chegar".
/.../
Jairo Marques. Folha de São Paulo, 11/10/2011. Disponível em <http://www1.folha.uol.br/fsp/cotidian/ff1110201105.htm>. Acesso em 27/10/16. (fragmento)
Observe a passagem: "Tenha paciência. Seu tempo vai chegar." Mantém-se seu sentido original emResolução comentada
Análise das alternativas
No texto a seguir, também publicado em jornal, o autor tem liberdade para contar coisas pessoais, numa linguagem mais informal. Observe.
Meus queridos professores
Durante toda a minha trajetória escolar, nunca vi nos professores apenas um caminho para ganhar algum conhecimento em matemática, geografia, literatura. Para mim, eles eram muito mais.
Na menor brecha que abriam, eu sugava de meus mestres formas de compreender os momentos embaçados da vida, formas de fazer a minha realidade melhor. Professor é o mundo todo sintetizado em giz, apagador e tutano.
Na adolescência, uma professora marcou minhas lembranças para sempre ao me emprestar, juro, apenas emprestar, a antologia poética do Drummond, que tinha capa dura verde e páginas em um papel tão fino que parecia que a qualquer momento iria se desintegrar. Li quase inteira, aprendi de um tudo.
"É para você se inspirar para o amor, refletir sobre a dureza da existência, engrossar o couro para o futuro. O poeta foi comedor de arroz com feijão igual a nós todos, mas deixou a alma viajar por grandes banquetes", dizia um bilhete da professora.
Talvez não seja muito pedagógico para os que ensinam estreitar laços com os que devem aprender, pois isso poderia gerar conflitos de autoridade, confusão com as tarefas atribuídas aos pais. Mas as batalhas abertas atualmente no ambiente escolar trazem a mim uma nostalgia danada daquele tempo em que a mesa do professor era coberta de flores do campo – muito mais campo do que flores –, doce caseiro, desenhos, poesias e outros mimos levados pela criançada.
Para mim, o professor foi um bálsamo salvador das pequenas e grandes angústias de ser um menino incomum fisicamente na escola. /.../
Bastava um exemplo, algumas palavras seguras, uma recomendação de um livro. Um mestre que repita o mantra "acredite que vai dar tudo certo, vá em frente, que é possível" faz toda a diferença.
Em outra situação estudantil, fui atrevido a ponto de ir à casa de um dos mestres (no interior do país, tem dessas coisas). Eu precisava como em uma emergência sufocante saber até quando eu teria de esperar para viver um grande amor, afinal, eu "já" tinha 16 anos. O professor me recebeu, levou totalmente a sério a minha dúvida e recomendou o melhor remédio de todos para os desesperados: "Tenha paciência. Seu tempo vai chegar".
/.../
Jairo Marques. Folha de São Paulo, 11/10/2011. Disponível em <http://www1.folha.uol.br/fsp/cotidian/ff1110201105.htm>. Acesso em 27/10/16. (fragmento)
Na frase “afinal, eu ‘já’ tinha 16 anos”, a palavra já foi usada entre aspas para mostrar que, na idade adulta, Jairo Marques reconhece que, quando mais jovem
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Há vários tipos de escola, não é mesmo? Pior: também há falta delas. Mas todas as que existem talvez possam ser divididas em dois grandes grupos...
Gaiolas ou asas
[...] Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado
[...]
Rubem Alves. Gaiolas ou asas. Disponível em: <https://contadoresdestorias.wordpress.com >. Acesso em 20/10/16. (fragmento)
Rubem Alves faz uma comparação entre “escolas que são gaiolas” e “escolas que são asas”. Nesse contexto, "gaiolas" e "asas" significam, respectivamente,Resolução comentada
Análise das alternativas
Há vários tipos de escola, não é mesmo? Pior: também há falta delas. Mas todas as que existem talvez possam ser divididas em dois grandes grupos...
Gaiolas ou asas
[...] Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado
[...]
Rubem Alves. Gaiolas ou asas. Disponível em: <https://contadoresdestorias.wordpress.com >. Acesso em 20/10/16. (fragmento)
Os alunos são comparados a pássaros na passagem “Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados." Nesse sentido, o texto sugere queResolução comentada
Análise das alternativas
Há vários tipos de escola, não é mesmo? Pior: também há falta delas. Mas todas as que existem talvez possam ser divididas em dois grandes grupos...
Gaiolas ou asas
[...] Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado
[...]
Rubem Alves. Gaiolas ou asas. Disponível em: <https://contadoresdestorias.wordpress.com >. Acesso em 20/10/16. (fragmento)
Na passagem “Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer”, a substituição das expressões sublinhadas pelos pronomes pessoais correspondentes respeita a norma padrão em
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Como escola não é assunto só de livros e jornais, terminamos com uma canção (que você provavelmente já ouviu) em que se destaca um eterno companheiro de quem estuda: seu caderno.
O Caderno
(Toquinho)
Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá.
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel
Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas
Bimestrais, você vai ver
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel
Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel
O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer
Só peço, avocê
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer
Disponível em <https://www.letras.mus.br/toquinho/87320/>. Acesso em 22/10/2016.
Assim como um poema, a letra de música é marcada pela presença de ritmo e de um eu lírico, ou seja, a “voz” do texto. Na canção "O caderno", o eu lírico se dirige a uma interlocutora com a intenção deResolução comentada
Análise das alternativas
Como escola não é assunto só de livros e jornais, terminamos com uma canção (que você provavelmente já ouviu) em que se destaca um eterno companheiro de quem estuda: seu caderno.
O Caderno
(Toquinho)
Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá.
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel
Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas
Bimestrais, você vai ver
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel
Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel
O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer
Só peço, avocê
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer
Disponível em <https://www.letras.mus.br/toquinho/87320/>. Acesso em 22/10/2016.
Numa das mudanças de fase na vida da menina – “Quando surgirem / Seus primeiros raios de mulher” – o eu lírico afirma que “A vida se abrirá / Num feroz carrossel”. No contexto da canção, a expressão “feroz carrossel” significaResolução comentada
Análise das alternativas
Como escola não é assunto só de livros e jornais, terminamos com uma canção (que você provavelmente já ouviu) em que se destaca um eterno companheiro de quem estuda: seu caderno.
O Caderno
(Toquinho)
Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá.
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel
Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas
Bimestrais, você vai ver
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel
Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel
O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer
Só peço, avocê
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer
Disponível em <https://www.letras.mus.br/toquinho/87320/>. Acesso em 22/10/2016.
Além das variações de tempo, o verbo expressa diferentes modos, que representam ações ou acontecimentos segundo o ponto de vista de quem fala. A forma verbal foi usada no modo subjuntivo em:Resolução comentada
Análise das alternativas
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