← Voltar para a lista de provas Colégio Militar de Belém (CMBel) — Exército Brasileiro · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental — Português 21 questões nesta prova · página 1 de 2 · 20 com gabarito Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponívelColégio Militar de Belém — Concurso de Admissão 2017/18 — Prova de Português — 6º Ano do Ensino Fundamental
Leia o TEXTO I e resolva as questões 1 a 4.
TEXTO I
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Fonte: http://idgnow.com.br/idgimages/imagefolder.2016-03-01.6706905870/robotolympics-625.jpg Acessado em 14 SET 17.
ESCOLA DE ROBÔS
1 Como forma de colocar em prática o que aprendem nas aulas, estudantes de engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) arrumaram um divertido passatempo: construir robôs que lutam, dançam e até jogam futebol! Os equipamentos montados pela equipe RioBotz participam, desde 2002, de competições nacionais e internacionais e já ganharam várias
5 medalhas.
A construção de um robô é trabalhosa e exige muita dedicação. Para começar, os estudantes tentam bisbilhotar as equipes adversárias para saber o que estão tramando – e o que fazer para vencer seus robôs em uma luta. Em seguida, começam a pensar cada pedaço do projeto. A primeira etapa é desenhar o robô no computador, com todas as peças necessárias, incluindo os dispositivos
10 eletrônicos que serão usados. No começo, eles usavam sucatas e outros materiais baratos para construir os equipamentos; hoje, incluem também matérias-primas mais sofisticadas.
A RioBotz participa de competições de robôs em três modalidades principais: combate, sumô e humanóide. A primeira é uma verdadeira luta, em que cada robô é comandado por um “piloto”. Como nas lutas esportivas praticadas por humanos, os competidores são divididos em oito
15 categorias, dentre as quais “leve”, “médio” e “pesado”, de acordo com seu tamanho e peso.
No sumô, modalidade inspirada em um esporte japonês, ganha o robô que conseguir jogar o adversário para fora do território demarcado. Para isso, os robôs agem sozinhos, sem o comando do “piloto”, e precisam ser muito bem programados para tomarem decisões e reagirem ao adversário. Esses robôs são equipados com sensores para reconhecer outros robôs e os limites da arena, além de
20 serem muito fortes.
Por fim, os humanoides são robôs inspirados nos seres humanos, que dançam, sobem escadas, jogam futebol...Eles também são programados para se movimentarem sozinhos, o que dá muito trabalho aos seus idealizadores. Na competição, os juízes avaliam a precisão de movimentos do robô, sua força e habilidade.
Iara Pinheiro
Fonte: http://chc.org.br/escola-de-robos/. Acesso em 20 JUL 17. (Texto adaptado)
Com base na leitura da reportagem “Escola de Robôs”, podemos dizer que o texto tem como tema principal:
Leia o TEXTO I e resolva as questões 1 a 4.
TEXTO I
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Fonte: http://idgnow.com.br/idgimages/imagefolder.2016-03-01.6706905870/robotolympics-625.jpg Acessado em 14 SET 17.
ESCOLA DE ROBÔS
1 Como forma de colocar em prática o que aprendem nas aulas, estudantes de engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) arrumaram um divertido passatempo: construir robôs que lutam, dançam e até jogam futebol! Os equipamentos montados pela equipe RioBotz participam, desde 2002, de competições nacionais e internacionais e já ganharam várias
5 medalhas.
A construção de um robô é trabalhosa e exige muita dedicação. Para começar, os estudantes tentam bisbilhotar as equipes adversárias para saber o que estão tramando – e o que fazer para vencer seus robôs em uma luta. Em seguida, começam a pensar cada pedaço do projeto. A primeira etapa é desenhar o robô no computador, com todas as peças necessárias, incluindo os dispositivos
10 eletrônicos que serão usados. No começo, eles usavam sucatas e outros materiais baratos para construir os equipamentos; hoje, incluem também matérias-primas mais sofisticadas.
A RioBotz participa de competições de robôs em três modalidades principais: combate, sumô e humanóide. A primeira é uma verdadeira luta, em que cada robô é comandado por um “piloto”. Como nas lutas esportivas praticadas por humanos, os competidores são divididos em oito
15 categorias, dentre as quais “leve”, “médio” e “pesado”, de acordo com seu tamanho e peso.
No sumô, modalidade inspirada em um esporte japonês, ganha o robô que conseguir jogar o adversário para fora do território demarcado. Para isso, os robôs agem sozinhos, sem o comando do “piloto”, e precisam ser muito bem programados para tomarem decisões e reagirem ao adversário. Esses robôs são equipados com sensores para reconhecer outros robôs e os limites da arena, além de
20 serem muito fortes.
Por fim, os humanoides são robôs inspirados nos seres humanos, que dançam, sobem escadas, jogam futebol...Eles também são programados para se movimentarem sozinhos, o que dá muito trabalho aos seus idealizadores. Na competição, os juízes avaliam a precisão de movimentos do robô, sua força e habilidade.
Iara Pinheiro
Fonte: http://chc.org.br/escola-de-robos/. Acesso em 20 JUL 17. (Texto adaptado)
No trecho “Esses robôs são equipados com sensores para reconhecer outros robôs e os limites da arena, além de serem muito fortes” (linhas 19 e 20), a palavra sublinhada indica:
Enunciado conforme impresso, com o termo sublinhado.
Leia o TEXTO I e resolva as questões 1 a 4.
TEXTO I
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Fonte: http://idgnow.com.br/idgimages/imagefolder.2016-03-01.6706905870/robotolympics-625.jpg Acessado em 14 SET 17.
ESCOLA DE ROBÔS
1 Como forma de colocar em prática o que aprendem nas aulas, estudantes de engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) arrumaram um divertido passatempo: construir robôs que lutam, dançam e até jogam futebol! Os equipamentos montados pela equipe RioBotz participam, desde 2002, de competições nacionais e internacionais e já ganharam várias
5 medalhas.
A construção de um robô é trabalhosa e exige muita dedicação. Para começar, os estudantes tentam bisbilhotar as equipes adversárias para saber o que estão tramando – e o que fazer para vencer seus robôs em uma luta. Em seguida, começam a pensar cada pedaço do projeto. A primeira etapa é desenhar o robô no computador, com todas as peças necessárias, incluindo os dispositivos
10 eletrônicos que serão usados. No começo, eles usavam sucatas e outros materiais baratos para construir os equipamentos; hoje, incluem também matérias-primas mais sofisticadas.
A RioBotz participa de competições de robôs em três modalidades principais: combate, sumô e humanóide. A primeira é uma verdadeira luta, em que cada robô é comandado por um “piloto”. Como nas lutas esportivas praticadas por humanos, os competidores são divididos em oito
15 categorias, dentre as quais “leve”, “médio” e “pesado”, de acordo com seu tamanho e peso.
No sumô, modalidade inspirada em um esporte japonês, ganha o robô que conseguir jogar o adversário para fora do território demarcado. Para isso, os robôs agem sozinhos, sem o comando do “piloto”, e precisam ser muito bem programados para tomarem decisões e reagirem ao adversário. Esses robôs são equipados com sensores para reconhecer outros robôs e os limites da arena, além de
20 serem muito fortes.
Por fim, os humanoides são robôs inspirados nos seres humanos, que dançam, sobem escadas, jogam futebol...Eles também são programados para se movimentarem sozinhos, o que dá muito trabalho aos seus idealizadores. Na competição, os juízes avaliam a precisão de movimentos do robô, sua força e habilidade.
Iara Pinheiro
Fonte: http://chc.org.br/escola-de-robos/. Acesso em 20 JUL 17. (Texto adaptado)
No trecho “A construção de um robô é trabalhosa e exige muita dedicação” (linha 6), podemos substituir a palavra sublinhada, mantendo o mesmo sentido, utilizando o termo:
Enunciado conforme impresso, com o termo sublinhado.
Leia o TEXTO I e resolva as questões 1 a 4.
TEXTO I
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Fonte: http://idgnow.com.br/idgimages/imagefolder.2016-03-01.6706905870/robotolympics-625.jpg Acessado em 14 SET 17.
ESCOLA DE ROBÔS
1 Como forma de colocar em prática o que aprendem nas aulas, estudantes de engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) arrumaram um divertido passatempo: construir robôs que lutam, dançam e até jogam futebol! Os equipamentos montados pela equipe RioBotz participam, desde 2002, de competições nacionais e internacionais e já ganharam várias
5 medalhas.
A construção de um robô é trabalhosa e exige muita dedicação. Para começar, os estudantes tentam bisbilhotar as equipes adversárias para saber o que estão tramando – e o que fazer para vencer seus robôs em uma luta. Em seguida, começam a pensar cada pedaço do projeto. A primeira etapa é desenhar o robô no computador, com todas as peças necessárias, incluindo os dispositivos
10 eletrônicos que serão usados. No começo, eles usavam sucatas e outros materiais baratos para construir os equipamentos; hoje, incluem também matérias-primas mais sofisticadas.
A RioBotz participa de competições de robôs em três modalidades principais: combate, sumô e humanóide. A primeira é uma verdadeira luta, em que cada robô é comandado por um “piloto”. Como nas lutas esportivas praticadas por humanos, os competidores são divididos em oito
15 categorias, dentre as quais “leve”, “médio” e “pesado”, de acordo com seu tamanho e peso.
No sumô, modalidade inspirada em um esporte japonês, ganha o robô que conseguir jogar o adversário para fora do território demarcado. Para isso, os robôs agem sozinhos, sem o comando do “piloto”, e precisam ser muito bem programados para tomarem decisões e reagirem ao adversário. Esses robôs são equipados com sensores para reconhecer outros robôs e os limites da arena, além de
20 serem muito fortes.
Por fim, os humanoides são robôs inspirados nos seres humanos, que dançam, sobem escadas, jogam futebol...Eles também são programados para se movimentarem sozinhos, o que dá muito trabalho aos seus idealizadores. Na competição, os juízes avaliam a precisão de movimentos do robô, sua força e habilidade.
Iara Pinheiro
Fonte: http://chc.org.br/escola-de-robos/. Acesso em 20 JUL 17. (Texto adaptado)
No trecho “No começo, eles usavam sucatas e outros materiais baratos para construir os equipamentos; hoje, incluem também matérias-primas mais sofisticadas.” (linhas 10 a 11), o pronome pessoal sublinhado “eles” se refere, no texto, ao termo:
Leia o TEXTO II e resolva as questões 5 a 8.
TEXTO II
HAND OU FIDGET SPINNER: CUIDADO!
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1 Ele é a febre do momento, mas é preciso ficar esperto com as crianças: o hand ou fidget spinner não é recomendável para quem tem menos de 6 anos. A explicação é simples: o brinquedo é formado por peças pequenas que podem ser engolidas. Crianças maiores também precisam tomar alguns cuidados, como não aproximar o brinquedo do rosto e não lançá-lo, principalmente se
5 houver mais gente por perto.
Ainda não há estudos científicos que comprovem os benefícios do hand spinner para a saúde, mas os médicos já sabem que objetos que estimulam movimentos repetitivos, como bolinhas de apertar e os modelos de spinner, realmente auxiliam na redução do estresse e da ansiedade.
Nelson Douglas Ejzenbaum
(Médico Pediatra e Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria).
Fonte (texto e imagem): http://recreio.uol.com.br/noticias/noticias/hand-ou-fidget-spinner-cuidado.phtml#.WXEZztPyvx5. Acessado em 20 JUL 17. (Texto adaptado)
A partir da leitura do texto “HAND OU FIDGET SPINNER: CUIDADO!”, assinale a alternativa correta:
Leia o TEXTO II e resolva as questões 5 a 8.
TEXTO II
HAND OU FIDGET SPINNER: CUIDADO!
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1 Ele é a febre do momento, mas é preciso ficar esperto com as crianças: o hand ou fidget spinner não é recomendável para quem tem menos de 6 anos. A explicação é simples: o brinquedo é formado por peças pequenas que podem ser engolidas. Crianças maiores também precisam tomar alguns cuidados, como não aproximar o brinquedo do rosto e não lançá-lo, principalmente se
5 houver mais gente por perto.
Ainda não há estudos científicos que comprovem os benefícios do hand spinner para a saúde, mas os médicos já sabem que objetos que estimulam movimentos repetitivos, como bolinhas de apertar e os modelos de spinner, realmente auxiliam na redução do estresse e da ansiedade.
Nelson Douglas Ejzenbaum
(Médico Pediatra e Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria).
Fonte (texto e imagem): http://recreio.uol.com.br/noticias/noticias/hand-ou-fidget-spinner-cuidado.phtml#.WXEZztPyvx5. Acessado em 20 JUL 17. (Texto adaptado)
No trecho “Ainda não há estudos científicos que comprovem os benefícios do hand spinner para a saúde, mas os médicos já sabem que objetos que estimulam movimentos repetitivos, como bolinhas de apertar e os modelos de spinner, realmente auxiliam na redução do estresse e da ansiedade.” (linhas 6 a 8), a palavra sublinhada possui sentido:
Enunciado conforme impresso, com o termo sublinhado.
Leia o TEXTO II e resolva as questões 5 a 8.
TEXTO II
HAND OU FIDGET SPINNER: CUIDADO!
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1 Ele é a febre do momento, mas é preciso ficar esperto com as crianças: o hand ou fidget spinner não é recomendável para quem tem menos de 6 anos. A explicação é simples: o brinquedo é formado por peças pequenas que podem ser engolidas. Crianças maiores também precisam tomar alguns cuidados, como não aproximar o brinquedo do rosto e não lançá-lo, principalmente se
5 houver mais gente por perto.
Ainda não há estudos científicos que comprovem os benefícios do hand spinner para a saúde, mas os médicos já sabem que objetos que estimulam movimentos repetitivos, como bolinhas de apertar e os modelos de spinner, realmente auxiliam na redução do estresse e da ansiedade.
Nelson Douglas Ejzenbaum
(Médico Pediatra e Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria).
Fonte (texto e imagem): http://recreio.uol.com.br/noticias/noticias/hand-ou-fidget-spinner-cuidado.phtml#.WXEZztPyvx5. Acessado em 20 JUL 17. (Texto adaptado)
No trecho “Crianças maiores também precisam tomar alguns cuidados, como não aproximar o brinquedo do rosto e não lançá-lo, principalmente se houver mais gente por perto.” (linhas 3 a 5), o termo sublinhado, no texto, refere-se a:
Enunciado conforme impresso, com o termo sublinhado.
Leia o TEXTO II e resolva as questões 5 a 8.
TEXTO II
HAND OU FIDGET SPINNER: CUIDADO!
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1 Ele é a febre do momento, mas é preciso ficar esperto com as crianças: o hand ou fidget spinner não é recomendável para quem tem menos de 6 anos. A explicação é simples: o brinquedo é formado por peças pequenas que podem ser engolidas. Crianças maiores também precisam tomar alguns cuidados, como não aproximar o brinquedo do rosto e não lançá-lo, principalmente se
5 houver mais gente por perto.
Ainda não há estudos científicos que comprovem os benefícios do hand spinner para a saúde, mas os médicos já sabem que objetos que estimulam movimentos repetitivos, como bolinhas de apertar e os modelos de spinner, realmente auxiliam na redução do estresse e da ansiedade.
Nelson Douglas Ejzenbaum
(Médico Pediatra e Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria).
Fonte (texto e imagem): http://recreio.uol.com.br/noticias/noticias/hand-ou-fidget-spinner-cuidado.phtml#.WXEZztPyvx5. Acessado em 20 JUL 17. (Texto adaptado)
No trecho, “Ele é a febre do momento, mas é preciso ficar esperto com as crianças: o hand ou fidget spinner não é recomendável para quem tem menos de 6 anos” (linhas 1 e 2), a expressão sublinhada indica:
Enunciado conforme impresso, com o termo sublinhado.
Leia o TEXTO III e resolva as questões 9 a 11.
TEXTO III
NOTÍCIA DE JORNAL
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GLOSSÁRIO (Vocabulário)
Alçada: área de atuação, alcance.
Escarmento: punição, castigo.
Inanição: extrema debilidade; estado que leva um ser vivo à morte por falta de alimento ou de certos tipos de alimento.
1 Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome.
5 Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.
Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem
10 de fome. E o homem morreu de fome.
O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Médico Legal sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome. Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes.
Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, [...] um
15 pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa – não é homem. E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas, todos passam ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.
20 Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.
E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o
25 corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.
E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, um homem morreu de fome.
Morreu de fome.
SABINO, Fernando. A mulher do vizinho. 17 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. (Adaptado para fins didáticos)
O Texto III inicia-se expressando o fato da morte do homem: “morreu de fome”, o que se repete várias vezes. Ao longo de todo o texto, o autor repetiu essa expressão, porque:
Leia o TEXTO III e resolva as questões 9 a 11.
TEXTO III
NOTÍCIA DE JORNAL
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GLOSSÁRIO (Vocabulário)
Alçada: área de atuação, alcance.
Escarmento: punição, castigo.
Inanição: extrema debilidade; estado que leva um ser vivo à morte por falta de alimento ou de certos tipos de alimento.
1 Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome.
5 Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.
Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem
10 de fome. E o homem morreu de fome.
O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Médico Legal sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome. Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes.
Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, [...] um
15 pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa – não é homem. E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas, todos passam ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.
20 Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.
E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o
25 corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.
E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, um homem morreu de fome.
Morreu de fome.
SABINO, Fernando. A mulher do vizinho. 17 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. (Adaptado para fins didáticos)
A partir da leitura do Texto III, compreendendo a narração, você poderia afirmar que:
Leia o TEXTO III e resolva as questões 9 a 11.
TEXTO III
NOTÍCIA DE JORNAL
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GLOSSÁRIO (Vocabulário)
Alçada: área de atuação, alcance.
Escarmento: punição, castigo.
Inanição: extrema debilidade; estado que leva um ser vivo à morte por falta de alimento ou de certos tipos de alimento.
1 Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome.
5 Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.
Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem
10 de fome. E o homem morreu de fome.
O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Médico Legal sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome. Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes.
Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, [...] um
15 pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa – não é homem. E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas, todos passam ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.
20 Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.
E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o
25 corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.
E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, um homem morreu de fome.
Morreu de fome.
SABINO, Fernando. A mulher do vizinho. 17 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. (Adaptado para fins didáticos)
No trecho “Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade [...]” (linhas 1 a 3), a palavra sublinhada poderia ser substituída sem prejuízo de sentido pelo termo:
Enunciado conforme impresso, com o termo sublinhado.
Leia o TEXTO IV e resolva as questões 12 e 13.
TEXTO IV
CAMPANHA CONTRA A FOME: FAÇA A SUA PARTE.
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- Vai, Conceição! Embrulhe e leve pra casa!
(Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/400750066818886936/. Acesso em: 29 JUL 17.)
Sobre o texto, assinale a opção correta:
Leia o TEXTO IV e resolva as questões 12 e 13.
TEXTO IV
CAMPANHA CONTRA A FOME: FAÇA A SUA PARTE.
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- Vai, Conceição! Embrulhe e leve pra casa!
(Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/400750066818886936/. Acesso em: 29 JUL 17.)
Sobre o texto, pode-se afirmar que:
Leia o TEXTO V e resolva as questões 14 a 18.
TEXTO V
QUASE DE VERDADE
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(Disponível em: <https://www.rocco.com.br/blog/o-desafio-de-ilustrar-clarice-lispector/>. Acesso em: 14 SET 17.)
1 Era uma vez... Era uma vez: eu!
Mas aposto que você não sabe quem eu sou. Prepare-se para uma surpresa que você nem adivinha.
Sabe quem eu sou? Sou um cachorro chamado Ulisses e minha dona é Clarice. Eu fico
5 latindo para Clarice e ela — que entende o significado de meus latidos — escreve o que eu lhe conto. Por exemplo, eu fiz uma viagem para o quintal de outra casa e contei a Clarice uma história bem latida: daqui a pouco você vai saber dela: é o resultado de uma observação minha sobre essa casa.
Antes de tudo quero me apresentar melhor. Dizem que sou muito bonito e sabido. Bonito,
10 parece que sou. Tenho um pêlo castanho cor de guaraná. Mas sobretudo tenho olhos que todos admiram: são dourados. Minha dona não quis cortar meu rabo porque acha que cortar seria contra a natureza.
Dizem assim: “Ulisses tem olhar de gente”. Gosto muito de me deitar de costas para coçarem minha barriga. Mas sabido sou apenas na hora de latir palavras. Sou um pouco malcriado,
15 não obedeço sempre, gosto de fazer o que eu quero, faço xixi na sala de Clarice.
Fora disso, sou um cachorro quase normal. Ah, esqueci de dizer que sou um cachorro mágico: adivinho tudo pelo cheiro. Isto se chama ter faro. No quintal onde estive hospedado cheirei tudo: figueira, galo, galinha etc.
Se você chamar: “Ulisses, vem cá” — eu vou correndo e latindo para o seu lado porque
20 gosto muito de criança e só mordo quando me batem. Pois não é que vou latir uma história que até parece de mentira e até parece de verdade? Só é verdade no mundo de quem gosta de inventar, como você e eu. O que vou contar também parece coisa de gente, embora se passe no reino em que bichos falam. Falam à moda deles, é claro.
Mas antes de começar, pergunto a você bem baixo para só você ouvir:
25 — Está ouvindo agora mesmo um passarinho cantando? Se não está, faz-de-conta que está. É um passarinho que parece de ouro, tem bico vermelho-vivo e está muito feliz da vida. Para ajudar você a inventar a sua pequena cantiga, vou lhe dizer como ele canta. Canta assim: pirilim-pim-pim, pirilimpim-pim, pirilim-pim-pim. Esse é um pássaro de alegria. Quando eu contar a minha história vou interrompê-la às vezes quando ouvir o passarinho.
30 E a história? (...)
LISPECTOR, Clarice. Quase de verdade. Rio de Janeiro: Rocco Digital, 2015, p. 4-13.
Considere o trecho: “Pois não é que vou latir uma história que até parece de mentira e até parece de verdade?” (linhas 20 e 21). A palavra a seguir, cujo significado mais se aproxima da expressão latir é:
Leia o TEXTO V e resolva as questões 14 a 18.
TEXTO V
QUASE DE VERDADE
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(Disponível em: <https://www.rocco.com.br/blog/o-desafio-de-ilustrar-clarice-lispector/>. Acesso em: 14 SET 17.)
1 Era uma vez... Era uma vez: eu!
Mas aposto que você não sabe quem eu sou. Prepare-se para uma surpresa que você nem adivinha.
Sabe quem eu sou? Sou um cachorro chamado Ulisses e minha dona é Clarice. Eu fico
5 latindo para Clarice e ela — que entende o significado de meus latidos — escreve o que eu lhe conto. Por exemplo, eu fiz uma viagem para o quintal de outra casa e contei a Clarice uma história bem latida: daqui a pouco você vai saber dela: é o resultado de uma observação minha sobre essa casa.
Antes de tudo quero me apresentar melhor. Dizem que sou muito bonito e sabido. Bonito,
10 parece que sou. Tenho um pêlo castanho cor de guaraná. Mas sobretudo tenho olhos que todos admiram: são dourados. Minha dona não quis cortar meu rabo porque acha que cortar seria contra a natureza.
Dizem assim: “Ulisses tem olhar de gente”. Gosto muito de me deitar de costas para coçarem minha barriga. Mas sabido sou apenas na hora de latir palavras. Sou um pouco malcriado,
15 não obedeço sempre, gosto de fazer o que eu quero, faço xixi na sala de Clarice.
Fora disso, sou um cachorro quase normal. Ah, esqueci de dizer que sou um cachorro mágico: adivinho tudo pelo cheiro. Isto se chama ter faro. No quintal onde estive hospedado cheirei tudo: figueira, galo, galinha etc.
Se você chamar: “Ulisses, vem cá” — eu vou correndo e latindo para o seu lado porque
20 gosto muito de criança e só mordo quando me batem. Pois não é que vou latir uma história que até parece de mentira e até parece de verdade? Só é verdade no mundo de quem gosta de inventar, como você e eu. O que vou contar também parece coisa de gente, embora se passe no reino em que bichos falam. Falam à moda deles, é claro.
Mas antes de começar, pergunto a você bem baixo para só você ouvir:
25 — Está ouvindo agora mesmo um passarinho cantando? Se não está, faz-de-conta que está. É um passarinho que parece de ouro, tem bico vermelho-vivo e está muito feliz da vida. Para ajudar você a inventar a sua pequena cantiga, vou lhe dizer como ele canta. Canta assim: pirilim-pim-pim, pirilimpim-pim, pirilim-pim-pim. Esse é um pássaro de alegria. Quando eu contar a minha história vou interrompê-la às vezes quando ouvir o passarinho.
30 E a história? (...)
LISPECTOR, Clarice. Quase de verdade. Rio de Janeiro: Rocco Digital, 2015, p. 4-13.
De maneira geral, no texto, o narrador constantemente se dirige ao leitor. Das opções a seguir, a que mais se aproxima de uma conversa direta com aquele que lê a história é:
Leia o TEXTO V e resolva as questões 14 a 18.
TEXTO V
QUASE DE VERDADE
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(Disponível em: <https://www.rocco.com.br/blog/o-desafio-de-ilustrar-clarice-lispector/>. Acesso em: 14 SET 17.)
1 Era uma vez... Era uma vez: eu!
Mas aposto que você não sabe quem eu sou. Prepare-se para uma surpresa que você nem adivinha.
Sabe quem eu sou? Sou um cachorro chamado Ulisses e minha dona é Clarice. Eu fico
5 latindo para Clarice e ela — que entende o significado de meus latidos — escreve o que eu lhe conto. Por exemplo, eu fiz uma viagem para o quintal de outra casa e contei a Clarice uma história bem latida: daqui a pouco você vai saber dela: é o resultado de uma observação minha sobre essa casa.
Antes de tudo quero me apresentar melhor. Dizem que sou muito bonito e sabido. Bonito,
10 parece que sou. Tenho um pêlo castanho cor de guaraná. Mas sobretudo tenho olhos que todos admiram: são dourados. Minha dona não quis cortar meu rabo porque acha que cortar seria contra a natureza.
Dizem assim: “Ulisses tem olhar de gente”. Gosto muito de me deitar de costas para coçarem minha barriga. Mas sabido sou apenas na hora de latir palavras. Sou um pouco malcriado,
15 não obedeço sempre, gosto de fazer o que eu quero, faço xixi na sala de Clarice.
Fora disso, sou um cachorro quase normal. Ah, esqueci de dizer que sou um cachorro mágico: adivinho tudo pelo cheiro. Isto se chama ter faro. No quintal onde estive hospedado cheirei tudo: figueira, galo, galinha etc.
Se você chamar: “Ulisses, vem cá” — eu vou correndo e latindo para o seu lado porque
20 gosto muito de criança e só mordo quando me batem. Pois não é que vou latir uma história que até parece de mentira e até parece de verdade? Só é verdade no mundo de quem gosta de inventar, como você e eu. O que vou contar também parece coisa de gente, embora se passe no reino em que bichos falam. Falam à moda deles, é claro.
Mas antes de começar, pergunto a você bem baixo para só você ouvir:
25 — Está ouvindo agora mesmo um passarinho cantando? Se não está, faz-de-conta que está. É um passarinho que parece de ouro, tem bico vermelho-vivo e está muito feliz da vida. Para ajudar você a inventar a sua pequena cantiga, vou lhe dizer como ele canta. Canta assim: pirilim-pim-pim, pirilimpim-pim, pirilim-pim-pim. Esse é um pássaro de alegria. Quando eu contar a minha história vou interrompê-la às vezes quando ouvir o passarinho.
30 E a história? (...)
LISPECTOR, Clarice. Quase de verdade. Rio de Janeiro: Rocco Digital, 2015, p. 4-13.
Quanto à expressão “cachorro mágico” (linhas 16 e 17), ela é utilizada para indicar uma relação:
Leia o TEXTO V e resolva as questões 14 a 18.
TEXTO V
QUASE DE VERDADE
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(Disponível em: <https://www.rocco.com.br/blog/o-desafio-de-ilustrar-clarice-lispector/>. Acesso em: 14 SET 17.)
1 Era uma vez... Era uma vez: eu!
Mas aposto que você não sabe quem eu sou. Prepare-se para uma surpresa que você nem adivinha.
Sabe quem eu sou? Sou um cachorro chamado Ulisses e minha dona é Clarice. Eu fico
5 latindo para Clarice e ela — que entende o significado de meus latidos — escreve o que eu lhe conto. Por exemplo, eu fiz uma viagem para o quintal de outra casa e contei a Clarice uma história bem latida: daqui a pouco você vai saber dela: é o resultado de uma observação minha sobre essa casa.
Antes de tudo quero me apresentar melhor. Dizem que sou muito bonito e sabido. Bonito,
10 parece que sou. Tenho um pêlo castanho cor de guaraná. Mas sobretudo tenho olhos que todos admiram: são dourados. Minha dona não quis cortar meu rabo porque acha que cortar seria contra a natureza.
Dizem assim: “Ulisses tem olhar de gente”. Gosto muito de me deitar de costas para coçarem minha barriga. Mas sabido sou apenas na hora de latir palavras. Sou um pouco malcriado,
15 não obedeço sempre, gosto de fazer o que eu quero, faço xixi na sala de Clarice.
Fora disso, sou um cachorro quase normal. Ah, esqueci de dizer que sou um cachorro mágico: adivinho tudo pelo cheiro. Isto se chama ter faro. No quintal onde estive hospedado cheirei tudo: figueira, galo, galinha etc.
Se você chamar: “Ulisses, vem cá” — eu vou correndo e latindo para o seu lado porque
20 gosto muito de criança e só mordo quando me batem. Pois não é que vou latir uma história que até parece de mentira e até parece de verdade? Só é verdade no mundo de quem gosta de inventar, como você e eu. O que vou contar também parece coisa de gente, embora se passe no reino em que bichos falam. Falam à moda deles, é claro.
Mas antes de começar, pergunto a você bem baixo para só você ouvir:
25 — Está ouvindo agora mesmo um passarinho cantando? Se não está, faz-de-conta que está. É um passarinho que parece de ouro, tem bico vermelho-vivo e está muito feliz da vida. Para ajudar você a inventar a sua pequena cantiga, vou lhe dizer como ele canta. Canta assim: pirilim-pim-pim, pirilimpim-pim, pirilim-pim-pim. Esse é um pássaro de alegria. Quando eu contar a minha história vou interrompê-la às vezes quando ouvir o passarinho.
30 E a história? (...)
LISPECTOR, Clarice. Quase de verdade. Rio de Janeiro: Rocco Digital, 2015, p. 4-13.
Percebe-se, ao longo da leitura, que Ulisses fala bastante sobre si, antes de contar a sua história. Disso se conclui que:
Leia o TEXTO V e resolva as questões 14 a 18.
TEXTO V
QUASE DE VERDADE
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(Disponível em: <https://www.rocco.com.br/blog/o-desafio-de-ilustrar-clarice-lispector/>. Acesso em: 14 SET 17.)
1 Era uma vez... Era uma vez: eu!
Mas aposto que você não sabe quem eu sou. Prepare-se para uma surpresa que você nem adivinha.
Sabe quem eu sou? Sou um cachorro chamado Ulisses e minha dona é Clarice. Eu fico
5 latindo para Clarice e ela — que entende o significado de meus latidos — escreve o que eu lhe conto. Por exemplo, eu fiz uma viagem para o quintal de outra casa e contei a Clarice uma história bem latida: daqui a pouco você vai saber dela: é o resultado de uma observação minha sobre essa casa.
Antes de tudo quero me apresentar melhor. Dizem que sou muito bonito e sabido. Bonito,
10 parece que sou. Tenho um pêlo castanho cor de guaraná. Mas sobretudo tenho olhos que todos admiram: são dourados. Minha dona não quis cortar meu rabo porque acha que cortar seria contra a natureza.
Dizem assim: “Ulisses tem olhar de gente”. Gosto muito de me deitar de costas para coçarem minha barriga. Mas sabido sou apenas na hora de latir palavras. Sou um pouco malcriado,
15 não obedeço sempre, gosto de fazer o que eu quero, faço xixi na sala de Clarice.
Fora disso, sou um cachorro quase normal. Ah, esqueci de dizer que sou um cachorro mágico: adivinho tudo pelo cheiro. Isto se chama ter faro. No quintal onde estive hospedado cheirei tudo: figueira, galo, galinha etc.
Se você chamar: “Ulisses, vem cá” — eu vou correndo e latindo para o seu lado porque
20 gosto muito de criança e só mordo quando me batem. Pois não é que vou latir uma história que até parece de mentira e até parece de verdade? Só é verdade no mundo de quem gosta de inventar, como você e eu. O que vou contar também parece coisa de gente, embora se passe no reino em que bichos falam. Falam à moda deles, é claro.
Mas antes de começar, pergunto a você bem baixo para só você ouvir:
25 — Está ouvindo agora mesmo um passarinho cantando? Se não está, faz-de-conta que está. É um passarinho que parece de ouro, tem bico vermelho-vivo e está muito feliz da vida. Para ajudar você a inventar a sua pequena cantiga, vou lhe dizer como ele canta. Canta assim: pirilim-pim-pim, pirilimpim-pim, pirilim-pim-pim. Esse é um pássaro de alegria. Quando eu contar a minha história vou interrompê-la às vezes quando ouvir o passarinho.
30 E a história? (...)
LISPECTOR, Clarice. Quase de verdade. Rio de Janeiro: Rocco Digital, 2015, p. 4-13.
Assinale a opção cujo sinônimo da palavra destacada está corretamente indicado:
Leia o TEXTO VI e resolva as questões 19 e 20.
TEXTO VI
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Níquel Náusea, de Fernando Gonsales.
Disponível em: <uareva.com/2010/08/tiras-animais.html>. Acesso: 11 JUN 17.
É CORRETO afirmar sobre essa tirinha que:
Leia o TEXTO VI e resolva as questões 19 e 20.
TEXTO VI
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Níquel Náusea, de Fernando Gonsales.
Disponível em: <uareva.com/2010/08/tiras-animais.html>. Acesso: 11 JUN 17.
Acerca do efeito de sentido provocado pelo ponto de exclamação (!) nas falas do cachorro, pode-se dizer que:
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