← Voltar para a lista de provas Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental 21 questões nesta prova · página 1 de 2 · 20 com gabarito Gabarito disponível 'Vamos adiante' interrompe o questionamento do aluno sobre a contradição. O aluno nota a contradição de usar o iaque como montaria e depois comê-lo. A professora responde 'primeiro serve para uma coisa, depois para outra' e logo diz 'Vamos adiante', evitando discutir a incoerência. A) Ela muda de animal, sem trazer novas informações sobre o iaque. B) Não há intenção de confundir. D) A finalidade não é dinamizar a aula. E) Ela evita, e não estimula, o pensamento crítico. Referência: Interpretação de texto e intenção discursiva. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Ao recusar o pincel de pelo, Arturzinho rejeita a exploração dos animais. O menino objeta ao uso do pelo do texugo e, na sequência, diz que não gostaria de pelar o animal, pois devemos gostar dele. Isso mostra rejeição à exploração da fauna. A) Ele diz que 'quando crescer' usará outro aparelho, mas a recusa não é sinal de que já se vê adulto. B) Ele está atento. D) O objetivo não é prever eletrodomésticos. E) Ele discorda, mas não desrespeita a professora. Referência: Interpretação de texto (crônica). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível A separação 'de-lí-cia' enfatiza o gosto por comer o animal. A professora saboreia a palavra silabando-a, o que destaca o prazer de comer ovos e sopa de tartaruga. Isso reforça a ideia, central na crônica, de tratar o animal como comida, em contraste com o discurso de proteção. A) Não há relação com o recreio. B) Não se trata de propaganda de cardápio. C) O texto não fala de comidas raras. D) Não há ironia dirigida à inexperiência infantil. Referência: Efeitos de sentido de recursos gráficos; Drummond, 'Da utilidade dos animais'. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Carneiros e cabras pastando 'solenes' criam uma imagem de tranquilidade que traz paz. 'Solenes' dá aos animais um ar calmo e majestoso, e a cena integra o projeto de vida do eu lírico, que busca silêncio e 'tamanho da paz'. Contemplar essa cena traz paz de espírito. A) O campo é apresentado como desejável. C) O foco não é lazer. D) Não há perturbação da natureza. E) Não se fala em preocupação com a pecuária. Referência: Interpretação de texto poético. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Plantar meus amigos, discos e livros' indica fixar na terra escolhida o que ele mais valoriza. Plantar é usado em sentido figurado: o eu lírico quer enraizar no campo aquilo que mais lhe importa (amigos, música, leitura). A enumeração com 'e nada mais' reforça que esses são os seus valores essenciais. B) Ele quer os amigos junto de si. C) A ideia não é tornar o lugar mais culto. D) O trecho não trata de trocar hábitos. E) Não se fala de agricultura como arte ou lazer. Referência: Linguagem figurada (sentido conotativo). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Esperança de óculos' é sugestivo (figurado); 'filho de cuca legal' é coloquial (gíria). 'Esperança de óculos' é uma expressão inusitada que sugere ideias como a esperança tímida, intelectual ou míope. 'Cuca legal' é gíria da época, ou seja, linguagem coloquial. Por isso a ordem 'sugestivo e coloquial' é a correta. B) 'Impreciso' e 'pessoal' não descrevem os recursos. C) Só a gíria é 'juvenil', e as duas expressões não são necessariamente 'modernas'. D) Nenhuma é antiquada nem culta. E) O emprego não é formal. Referência: Variação linguística (registro coloquial) e linguagem figurada. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponívelColégio Militar do Rio de Janeiro — Concurso de Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental 2017/2018 — Prova de Português
Em 2017 completam-se trinta anos da morte de um dos mais importantes escritores brasileiros: Carlos Drummond de Andrade. Ele deixou uma extensa obra, entre poesia e textos em prosa, como a crônica a seguir, publicada em 1974. Desde então, muitas coisas mudaram em relação ao assunto desta prova, como a proibição da caça de animais silvestres e do uso de animais em espetáculos de circo. Mas outras, que ainda são praticadas, nos levam a pensar que ainda temos muito que aprender. Queremos convidá-lo a refletir sobre o tema desta prova: a comida saudável, que respeite o meio ambiente e o bem-estar dos animais. Com a palavra, o grande poeta.
TEXTO I
Da utilidade dos animais
Terceiro dia de aula. A professora é um amor. Na sala, estampas coloridas mostram
animais de todos os feitios. É preciso querer bem a eles, diz a professora, com um sorriso que
envolve toda a fauna, protegendo-a. Eles têm direito à vida, como nós, e além disso são muito
úteis. Quem não sabe que o cachorro é o maior amigo da gente? Cachorro faz muita falta. Mas não
[5] é só ele não. A galinha, o peixe, a vaca… Todos ajudam.
– Aquele cabeludo ali, professora, também ajuda?
– Aquele? É o iaque, um boi da Ásia Central. Aquele serve de montaria e de burro de
carga. Do pelo se fazem perucas bacanas. E a carne, dizem que é gostosa.
– Mas se serve de montaria, como é que a gente vai comer ele?
[10] – Bem, primeiro serve para uma coisa, depois para outra. Vamos adiante. Este é o texugo.
Se vocês quiserem pintar a parede do quarto, escolham pincel de texugo. Parece que é ótimo.
– Ele faz pincel, professora?
– Quem, o texugo? Não, só fornece o pelo. Para pincel de barba também, que o Arturzinho
vai usar quando crescer.
[15] Arturzinho objetou que pretende usar barbeador elétrico. Além do mais, não gostaria de
pelar o texugo, uma vez que devemos gostar dele, mas a professora já explicava a utilidade do
canguru:
– Bolsas, malas, maletas, tudo isso o couro do canguru dá pra gente. Não falando da carne.
Canguru é utilíssimo.
[20] – Vivo, fessora?
– A vicunha, que vocês estão vendo aí, produz… produz é maneira de dizer, ela fornece,
ou por outra, com o pelo dela nós preparamos ponchos, mantas, cobertores, etc.
– Depois a gente come a vicunha, né, fessora?
– Daniel, não é preciso comer todos os animais. Basta retirar a lã da vicunha, que torna a
[25] crescer…
– A gente torna a cortar? Ela não tem sossego, tadinha.
– Vejam agora como a zebra é camarada. Trabalha no circo, e seu couro listrado serve
para forro de cadeira, de almofada e para tapete. Também se aproveita a carne, sabem?
– A carne também é listrada? – pergunta que desencadeia riso geral.
[30] – Não riam da Betty, ela é uma garota que quer saber direito as coisas. Querida, eu nunca
vi carne de zebra no açougue, mas posso garantir que não é listrada. Se fosse, não deixaria de ser
comestível por causa disto. Ah, o pinguim? Este vocês já conhecem da praia do Leblon, onde
costuma aparecer, trazido pela correnteza. Pensam que só serve para brincar? Estão enganados.
Vocês devem respeitar o bichinho. O excremento – não sabem o que é? O cocô do pinguim é um
[35] adubo maravilhoso: guano, rico em nitrato. O óleo feito da gordura do pinguim…
– A senhora disse que a gente deve respeitar.
– Claro. Mas o óleo é bom.
– Do javali, professora, duvido que a gente lucre alguma coisa.
– Pois lucra. O pelo dá escovas de ótima qualidade.
[40] – E o castor?
– Pois quando voltar a moda do chapéu para os homens, o castor vai prestar muito serviço.
Aliás, já presta, com a pele usada para agasalhos. É o que se pode chamar de um bom exemplo.
– Eu, hem?
– Dos chifres do rinoceronte, Belá, você pode encomendar um vaso raro para o living da
sua casa. Do couro da girafa, Luís Gabriel pode tirar um escudo de verdade, deixando os pelos da
[45] cauda para Tereza fazer um bracelete genial. A tartaruga-marinha, meu Deus, é de uma utilidade
que vocês não calculam. Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de-lí-cia. O casco serve para
fabricar pentes, cigarreiras, tanta coisa... O biguá é engraçado.
– Engraçado, como?
– Apanha peixe pra gente.
[50] – Apanha e entrega, professora?
– Não é bem assim. Você bota um anel no pescoço dele, e o biguá pega o peixe mas não
pode engolir. Então você tira o peixe da goela do biguá.
– Bobo que ele é.
– Não. É útil. Ai de nós se não fossem os animais que nos ajudam de todas as maneiras.
[55] Por isso que eu digo: devemos amar os animais, e não maltratá-los de jeito nenhum. Entendeu,
Ricardo?
– Entendi. A gente deve amar, respeitar, pelar e comer os animais, e aproveitar bem o
pelo, o couro e os ossos.
ANDRADE, Carlos Drummond de. De notícias e não-notícias faz-se a crônica. In: Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. p. 1816-7.
Explicando o que considera a “utilidade dos animais”, a professora responde à pergunta de um aluno sobre o iaque, “um boi da Ásia Central”. Quando afirma “Vamos adiante” (ℓ.10), ela pretendeResolução comentada
Análise das alternativas
Em 2017 completam-se trinta anos da morte de um dos mais importantes escritores brasileiros: Carlos Drummond de Andrade. Ele deixou uma extensa obra, entre poesia e textos em prosa, como a crônica a seguir, publicada em 1974. Desde então, muitas coisas mudaram em relação ao assunto desta prova, como a proibição da caça de animais silvestres e do uso de animais em espetáculos de circo. Mas outras, que ainda são praticadas, nos levam a pensar que ainda temos muito que aprender. Queremos convidá-lo a refletir sobre o tema desta prova: a comida saudável, que respeite o meio ambiente e o bem-estar dos animais. Com a palavra, o grande poeta.
TEXTO I
Da utilidade dos animais
Terceiro dia de aula. A professora é um amor. Na sala, estampas coloridas mostram
animais de todos os feitios. É preciso querer bem a eles, diz a professora, com um sorriso que
envolve toda a fauna, protegendo-a. Eles têm direito à vida, como nós, e além disso são muito
úteis. Quem não sabe que o cachorro é o maior amigo da gente? Cachorro faz muita falta. Mas não
[5] é só ele não. A galinha, o peixe, a vaca… Todos ajudam.
– Aquele cabeludo ali, professora, também ajuda?
– Aquele? É o iaque, um boi da Ásia Central. Aquele serve de montaria e de burro de
carga. Do pelo se fazem perucas bacanas. E a carne, dizem que é gostosa.
– Mas se serve de montaria, como é que a gente vai comer ele?
[10] – Bem, primeiro serve para uma coisa, depois para outra. Vamos adiante. Este é o texugo.
Se vocês quiserem pintar a parede do quarto, escolham pincel de texugo. Parece que é ótimo.
– Ele faz pincel, professora?
– Quem, o texugo? Não, só fornece o pelo. Para pincel de barba também, que o Arturzinho
vai usar quando crescer.
[15] Arturzinho objetou que pretende usar barbeador elétrico. Além do mais, não gostaria de
pelar o texugo, uma vez que devemos gostar dele, mas a professora já explicava a utilidade do
canguru:
– Bolsas, malas, maletas, tudo isso o couro do canguru dá pra gente. Não falando da carne.
Canguru é utilíssimo.
[20] – Vivo, fessora?
– A vicunha, que vocês estão vendo aí, produz… produz é maneira de dizer, ela fornece,
ou por outra, com o pelo dela nós preparamos ponchos, mantas, cobertores, etc.
– Depois a gente come a vicunha, né, fessora?
– Daniel, não é preciso comer todos os animais. Basta retirar a lã da vicunha, que torna a
[25] crescer…
– A gente torna a cortar? Ela não tem sossego, tadinha.
– Vejam agora como a zebra é camarada. Trabalha no circo, e seu couro listrado serve
para forro de cadeira, de almofada e para tapete. Também se aproveita a carne, sabem?
– A carne também é listrada? – pergunta que desencadeia riso geral.
[30] – Não riam da Betty, ela é uma garota que quer saber direito as coisas. Querida, eu nunca
vi carne de zebra no açougue, mas posso garantir que não é listrada. Se fosse, não deixaria de ser
comestível por causa disto. Ah, o pinguim? Este vocês já conhecem da praia do Leblon, onde
costuma aparecer, trazido pela correnteza. Pensam que só serve para brincar? Estão enganados.
Vocês devem respeitar o bichinho. O excremento – não sabem o que é? O cocô do pinguim é um
[35] adubo maravilhoso: guano, rico em nitrato. O óleo feito da gordura do pinguim…
– A senhora disse que a gente deve respeitar.
– Claro. Mas o óleo é bom.
– Do javali, professora, duvido que a gente lucre alguma coisa.
– Pois lucra. O pelo dá escovas de ótima qualidade.
[40] – E o castor?
– Pois quando voltar a moda do chapéu para os homens, o castor vai prestar muito serviço.
Aliás, já presta, com a pele usada para agasalhos. É o que se pode chamar de um bom exemplo.
– Eu, hem?
– Dos chifres do rinoceronte, Belá, você pode encomendar um vaso raro para o living da
sua casa. Do couro da girafa, Luís Gabriel pode tirar um escudo de verdade, deixando os pelos da
[45] cauda para Tereza fazer um bracelete genial. A tartaruga-marinha, meu Deus, é de uma utilidade
que vocês não calculam. Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de-lí-cia. O casco serve para
fabricar pentes, cigarreiras, tanta coisa... O biguá é engraçado.
– Engraçado, como?
– Apanha peixe pra gente.
[50] – Apanha e entrega, professora?
– Não é bem assim. Você bota um anel no pescoço dele, e o biguá pega o peixe mas não
pode engolir. Então você tira o peixe da goela do biguá.
– Bobo que ele é.
– Não. É útil. Ai de nós se não fossem os animais que nos ajudam de todas as maneiras.
[55] Por isso que eu digo: devemos amar os animais, e não maltratá-los de jeito nenhum. Entendeu,
Ricardo?
– Entendi. A gente deve amar, respeitar, pelar e comer os animais, e aproveitar bem o
pelo, o couro e os ossos.
ANDRADE, Carlos Drummond de. De notícias e não-notícias faz-se a crônica. In: Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. p. 1816-7.
Quando ouve que, no futuro, vai fazer a barba com um pincel de pelo de texugo, Arturzinho avisa que “pretende usar barbeador elétrico” (ℓ.15). A resposta do menino demonstra que eleResolução comentada
Análise das alternativas
Em 2017 completam-se trinta anos da morte de um dos mais importantes escritores brasileiros: Carlos Drummond de Andrade. Ele deixou uma extensa obra, entre poesia e textos em prosa, como a crônica a seguir, publicada em 1974. Desde então, muitas coisas mudaram em relação ao assunto desta prova, como a proibição da caça de animais silvestres e do uso de animais em espetáculos de circo. Mas outras, que ainda são praticadas, nos levam a pensar que ainda temos muito que aprender. Queremos convidá-lo a refletir sobre o tema desta prova: a comida saudável, que respeite o meio ambiente e o bem-estar dos animais. Com a palavra, o grande poeta.
TEXTO I
Da utilidade dos animais
Terceiro dia de aula. A professora é um amor. Na sala, estampas coloridas mostram
animais de todos os feitios. É preciso querer bem a eles, diz a professora, com um sorriso que
envolve toda a fauna, protegendo-a. Eles têm direito à vida, como nós, e além disso são muito
úteis. Quem não sabe que o cachorro é o maior amigo da gente? Cachorro faz muita falta. Mas não
[5] é só ele não. A galinha, o peixe, a vaca… Todos ajudam.
– Aquele cabeludo ali, professora, também ajuda?
– Aquele? É o iaque, um boi da Ásia Central. Aquele serve de montaria e de burro de
carga. Do pelo se fazem perucas bacanas. E a carne, dizem que é gostosa.
– Mas se serve de montaria, como é que a gente vai comer ele?
[10] – Bem, primeiro serve para uma coisa, depois para outra. Vamos adiante. Este é o texugo.
Se vocês quiserem pintar a parede do quarto, escolham pincel de texugo. Parece que é ótimo.
– Ele faz pincel, professora?
– Quem, o texugo? Não, só fornece o pelo. Para pincel de barba também, que o Arturzinho
vai usar quando crescer.
[15] Arturzinho objetou que pretende usar barbeador elétrico. Além do mais, não gostaria de
pelar o texugo, uma vez que devemos gostar dele, mas a professora já explicava a utilidade do
canguru:
– Bolsas, malas, maletas, tudo isso o couro do canguru dá pra gente. Não falando da carne.
Canguru é utilíssimo.
[20] – Vivo, fessora?
– A vicunha, que vocês estão vendo aí, produz… produz é maneira de dizer, ela fornece,
ou por outra, com o pelo dela nós preparamos ponchos, mantas, cobertores, etc.
– Depois a gente come a vicunha, né, fessora?
– Daniel, não é preciso comer todos os animais. Basta retirar a lã da vicunha, que torna a
[25] crescer…
– A gente torna a cortar? Ela não tem sossego, tadinha.
– Vejam agora como a zebra é camarada. Trabalha no circo, e seu couro listrado serve
para forro de cadeira, de almofada e para tapete. Também se aproveita a carne, sabem?
– A carne também é listrada? – pergunta que desencadeia riso geral.
[30] – Não riam da Betty, ela é uma garota que quer saber direito as coisas. Querida, eu nunca
vi carne de zebra no açougue, mas posso garantir que não é listrada. Se fosse, não deixaria de ser
comestível por causa disto. Ah, o pinguim? Este vocês já conhecem da praia do Leblon, onde
costuma aparecer, trazido pela correnteza. Pensam que só serve para brincar? Estão enganados.
Vocês devem respeitar o bichinho. O excremento – não sabem o que é? O cocô do pinguim é um
[35] adubo maravilhoso: guano, rico em nitrato. O óleo feito da gordura do pinguim…
– A senhora disse que a gente deve respeitar.
– Claro. Mas o óleo é bom.
– Do javali, professora, duvido que a gente lucre alguma coisa.
– Pois lucra. O pelo dá escovas de ótima qualidade.
[40] – E o castor?
– Pois quando voltar a moda do chapéu para os homens, o castor vai prestar muito serviço.
Aliás, já presta, com a pele usada para agasalhos. É o que se pode chamar de um bom exemplo.
– Eu, hem?
– Dos chifres do rinoceronte, Belá, você pode encomendar um vaso raro para o living da
sua casa. Do couro da girafa, Luís Gabriel pode tirar um escudo de verdade, deixando os pelos da
[45] cauda para Tereza fazer um bracelete genial. A tartaruga-marinha, meu Deus, é de uma utilidade
que vocês não calculam. Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de-lí-cia. O casco serve para
fabricar pentes, cigarreiras, tanta coisa... O biguá é engraçado.
– Engraçado, como?
– Apanha peixe pra gente.
[50] – Apanha e entrega, professora?
– Não é bem assim. Você bota um anel no pescoço dele, e o biguá pega o peixe mas não
pode engolir. Então você tira o peixe da goela do biguá.
– Bobo que ele é.
– Não. É útil. Ai de nós se não fossem os animais que nos ajudam de todas as maneiras.
[55] Por isso que eu digo: devemos amar os animais, e não maltratá-los de jeito nenhum. Entendeu,
Ricardo?
– Entendi. A gente deve amar, respeitar, pelar e comer os animais, e aproveitar bem o
pelo, o couro e os ossos.
ANDRADE, Carlos Drummond de. De notícias e não-notícias faz-se a crônica. In: Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. p. 1816-7.
![]()
Em 2017 completam-se trinta anos da morte de um dos mais importantes escritores brasileiros: Carlos Drummond de Andrade. Ele deixou uma extensa obra, entre poesia e textos em prosa, como a crônica a seguir, publicada em 1974. Desde então, muitas coisas mudaram em relação ao assunto desta prova, como a proibição da caça de animais silvestres e do uso de animais em espetáculos de circo. Mas outras, que ainda são praticadas, nos levam a pensar que ainda temos muito que aprender. Queremos convidá-lo a refletir sobre o tema desta prova: a comida saudável, que respeite o meio ambiente e o bem-estar dos animais. Com a palavra, o grande poeta.
TEXTO I
Da utilidade dos animais
Terceiro dia de aula. A professora é um amor. Na sala, estampas coloridas mostram
animais de todos os feitios. É preciso querer bem a eles, diz a professora, com um sorriso que
envolve toda a fauna, protegendo-a. Eles têm direito à vida, como nós, e além disso são muito
úteis. Quem não sabe que o cachorro é o maior amigo da gente? Cachorro faz muita falta. Mas não
[5] é só ele não. A galinha, o peixe, a vaca… Todos ajudam.
– Aquele cabeludo ali, professora, também ajuda?
– Aquele? É o iaque, um boi da Ásia Central. Aquele serve de montaria e de burro de
carga. Do pelo se fazem perucas bacanas. E a carne, dizem que é gostosa.
– Mas se serve de montaria, como é que a gente vai comer ele?
[10] – Bem, primeiro serve para uma coisa, depois para outra. Vamos adiante. Este é o texugo.
Se vocês quiserem pintar a parede do quarto, escolham pincel de texugo. Parece que é ótimo.
– Ele faz pincel, professora?
– Quem, o texugo? Não, só fornece o pelo. Para pincel de barba também, que o Arturzinho
vai usar quando crescer.
[15] Arturzinho objetou que pretende usar barbeador elétrico. Além do mais, não gostaria de
pelar o texugo, uma vez que devemos gostar dele, mas a professora já explicava a utilidade do
canguru:
– Bolsas, malas, maletas, tudo isso o couro do canguru dá pra gente. Não falando da carne.
Canguru é utilíssimo.
[20] – Vivo, fessora?
– A vicunha, que vocês estão vendo aí, produz… produz é maneira de dizer, ela fornece,
ou por outra, com o pelo dela nós preparamos ponchos, mantas, cobertores, etc.
– Depois a gente come a vicunha, né, fessora?
– Daniel, não é preciso comer todos os animais. Basta retirar a lã da vicunha, que torna a
[25] crescer…
– A gente torna a cortar? Ela não tem sossego, tadinha.
– Vejam agora como a zebra é camarada. Trabalha no circo, e seu couro listrado serve
para forro de cadeira, de almofada e para tapete. Também se aproveita a carne, sabem?
– A carne também é listrada? – pergunta que desencadeia riso geral.
[30] – Não riam da Betty, ela é uma garota que quer saber direito as coisas. Querida, eu nunca
vi carne de zebra no açougue, mas posso garantir que não é listrada. Se fosse, não deixaria de ser
comestível por causa disto. Ah, o pinguim? Este vocês já conhecem da praia do Leblon, onde
costuma aparecer, trazido pela correnteza. Pensam que só serve para brincar? Estão enganados.
Vocês devem respeitar o bichinho. O excremento – não sabem o que é? O cocô do pinguim é um
[35] adubo maravilhoso: guano, rico em nitrato. O óleo feito da gordura do pinguim…
– A senhora disse que a gente deve respeitar.
– Claro. Mas o óleo é bom.
– Do javali, professora, duvido que a gente lucre alguma coisa.
– Pois lucra. O pelo dá escovas de ótima qualidade.
[40] – E o castor?
– Pois quando voltar a moda do chapéu para os homens, o castor vai prestar muito serviço.
Aliás, já presta, com a pele usada para agasalhos. É o que se pode chamar de um bom exemplo.
– Eu, hem?
– Dos chifres do rinoceronte, Belá, você pode encomendar um vaso raro para o living da
sua casa. Do couro da girafa, Luís Gabriel pode tirar um escudo de verdade, deixando os pelos da
[45] cauda para Tereza fazer um bracelete genial. A tartaruga-marinha, meu Deus, é de uma utilidade
que vocês não calculam. Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de-lí-cia. O casco serve para
fabricar pentes, cigarreiras, tanta coisa... O biguá é engraçado.
– Engraçado, como?
– Apanha peixe pra gente.
[50] – Apanha e entrega, professora?
– Não é bem assim. Você bota um anel no pescoço dele, e o biguá pega o peixe mas não
pode engolir. Então você tira o peixe da goela do biguá.
– Bobo que ele é.
– Não. É útil. Ai de nós se não fossem os animais que nos ajudam de todas as maneiras.
[55] Por isso que eu digo: devemos amar os animais, e não maltratá-los de jeito nenhum. Entendeu,
Ricardo?
– Entendi. A gente deve amar, respeitar, pelar e comer os animais, e aproveitar bem o
pelo, o couro e os ossos.
ANDRADE, Carlos Drummond de. De notícias e não-notícias faz-se a crônica. In: Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992. p. 1816-7.
Na frase “Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de-lí-cia.” (ℓ.47), a separação silábica representa a intenção da personagem deResolução comentada
Análise das alternativas
Corte para 2013. Dialogando com outra realidade, a escola agora precisa refletir com o estudante sobre novos conceitos: responsabilidade ambiental, valorização da saúde e do bem-estar coletivo, a partir de práticas alimentares. A professora da história de Drummond talvez entendesse de outra forma o amor aos animais...
Texto II
![]()
Disponível em < www.segundasemcarne.com.br > (Adaptado. Acesso em 05/09/2017.)
O cartaz anuncia os números alcançados por um projeto de merenda escolar da cidade de São Paulo. De acordo com suas informações, a quantidade de água utilizada demonstra que
Corte para 2013. Dialogando com outra realidade, a escola agora precisa refletir com o estudante sobre novos conceitos: responsabilidade ambiental, valorização da saúde e do bem-estar coletivo, a partir de práticas alimentares. A professora da história de Drummond talvez entendesse de outra forma o amor aos animais...
Texto II
![]()
Disponível em < www.segundasemcarne.com.br > (Adaptado. Acesso em 05/09/2017.)
Na linguagem não verbal do cartaz, a representação dos quatro animais que formam as principais fontes de proteína da alimentação tem a intenção de
Que tal testar seus talentos como “chef”? Para a hora do lanche, um hambúrguer diferente. (Observação: a ajuda de um adulto é sempre bem-vinda!)
Texto III
Hambúrguer vegetariano integral de forno
![]()
Ingredientes:
Massa:
250 ml de água morna
1 copo (250 ml) de farinha de trigo integral
2 copos (250 ml) de farinha de trigo branca
1 sachê de fermento biológico seco (10g)
3 colheres de sopa de óleo vegetal
1 colher de sopa de linhaça triturada
1/2 colher de sopa de sal
1/2 colher de sopa de açúcar
Recheio:
1 copo (250 ml) de proteína texturizada de soja
1 copo (250 ml) de água quente
4 colheres de sopa de farinha de trigo branca
1 colher de sopa de azeite extravirgem
sal; curry; salsinha; cebolinha
1 tomate sem sementes
Instruções de preparo:
Primeiro vamos fazer a massa. Despeje a água morna em uma vasilha, o óleo, o sal, o açúcar e a linhaça. Misture tudo. Despeje agora um copo de farinha e logo por cima o fermento. Misture tudo com a água. Acrescente a farinha branca até que a massa fique elástica e desgrude da mão. Quanto mais grudenta a massa ficar, mais os pãezinhos crescem, porém, se ficar grudenta demais, vai ser muito difícil embrulhar os hamburguinhos. Deixe a massa descansando coberta com um pano e vamos fazer o hambúrguer de soja. Hidrate a soja na água quente. Espere uns 15 minutinhos, retire o excesso de água e acrescente o resto dos ingredientes (farinha de trigo branca, azeite, sal, curry, salsinha e cebolinha). Quanto à farinha, a medida pode variar um pouco. O importante é que seja farinha suficiente apenas para conseguir moldar os hambúrgueres. Molde os hambúrgueres com as mãos e disponha em um tabuleiro. Corte pequenas “tiras” do tomate sem sementes e coloque sobre os hambúrgueres. Agora pegue pequenas bolinhas da massa que estava descansando (ela já deve estar bem maior) e abra na palma da mão. Coloque um hambúrguer sobre a massa com o tomate voltado para a palma da mão. Embrulhe o hambúrguer puxando as laterais da massa. Disponha os pãezinhos em um tabuleiro untado e deixe descansar por alguns minutos em local quente (pré-aqueça o forno, se for preciso). Asse em forno médio pré-aquecido (+ ou - 30 minutos). Embrulhando os hambúrgueres, veja que não fiquem muito grandes para não ser difícil de embrulhar. Se preferir, coloque um pouquinho de gergelim com azeite por cima.
Preparo: 40 minutos
Cozimento: 30 minutos
Dificuldade: Fácil
Rendimento: 6
Disponível em <www.svb.org.br> (Adaptado. Acesso em 06/09/2017.)
A receita é tão comum no dia a dia que costuma ser transmitida oralmente. Por suas características e objetivos, a receita culinária corresponde a um tipo de texto que
Que tal testar seus talentos como “chef”? Para a hora do lanche, um hambúrguer diferente. (Observação: a ajuda de um adulto é sempre bem-vinda!)
Texto III
Hambúrguer vegetariano integral de forno
![]()
Ingredientes:
Massa:
250 ml de água morna
1 copo (250 ml) de farinha de trigo integral
2 copos (250 ml) de farinha de trigo branca
1 sachê de fermento biológico seco (10g)
3 colheres de sopa de óleo vegetal
1 colher de sopa de linhaça triturada
1/2 colher de sopa de sal
1/2 colher de sopa de açúcar
Recheio:
1 copo (250 ml) de proteína texturizada de soja
1 copo (250 ml) de água quente
4 colheres de sopa de farinha de trigo branca
1 colher de sopa de azeite extravirgem
sal; curry; salsinha; cebolinha
1 tomate sem sementes
Instruções de preparo:
Primeiro vamos fazer a massa. Despeje a água morna em uma vasilha, o óleo, o sal, o açúcar e a linhaça. Misture tudo. Despeje agora um copo de farinha e logo por cima o fermento. Misture tudo com a água. Acrescente a farinha branca até que a massa fique elástica e desgrude da mão. Quanto mais grudenta a massa ficar, mais os pãezinhos crescem, porém, se ficar grudenta demais, vai ser muito difícil embrulhar os hamburguinhos. Deixe a massa descansando coberta com um pano e vamos fazer o hambúrguer de soja. Hidrate a soja na água quente. Espere uns 15 minutinhos, retire o excesso de água e acrescente o resto dos ingredientes (farinha de trigo branca, azeite, sal, curry, salsinha e cebolinha). Quanto à farinha, a medida pode variar um pouco. O importante é que seja farinha suficiente apenas para conseguir moldar os hambúrgueres. Molde os hambúrgueres com as mãos e disponha em um tabuleiro. Corte pequenas “tiras” do tomate sem sementes e coloque sobre os hambúrgueres. Agora pegue pequenas bolinhas da massa que estava descansando (ela já deve estar bem maior) e abra na palma da mão. Coloque um hambúrguer sobre a massa com o tomate voltado para a palma da mão. Embrulhe o hambúrguer puxando as laterais da massa. Disponha os pãezinhos em um tabuleiro untado e deixe descansar por alguns minutos em local quente (pré-aqueça o forno, se for preciso). Asse em forno médio pré-aquecido (+ ou - 30 minutos). Embrulhando os hambúrgueres, veja que não fiquem muito grandes para não ser difícil de embrulhar. Se preferir, coloque um pouquinho de gergelim com azeite por cima.
Preparo: 40 minutos
Cozimento: 30 minutos
Dificuldade: Fácil
Rendimento: 6
Disponível em <www.svb.org.br> (Adaptado. Acesso em 06/09/2017.)
Palavras que expressam ordem ou determinação, tais como “despeje”, “misture”, “deixe”, “embrulhe”, empregadas no texto, também são frequentes na
Que tal testar seus talentos como “chef”? Para a hora do lanche, um hambúrguer diferente. (Observação: a ajuda de um adulto é sempre bem-vinda!)
Texto III
Hambúrguer vegetariano integral de forno
![]()
Ingredientes:
Massa:
250 ml de água morna
1 copo (250 ml) de farinha de trigo integral
2 copos (250 ml) de farinha de trigo branca
1 sachê de fermento biológico seco (10g)
3 colheres de sopa de óleo vegetal
1 colher de sopa de linhaça triturada
1/2 colher de sopa de sal
1/2 colher de sopa de açúcar
Recheio:
1 copo (250 ml) de proteína texturizada de soja
1 copo (250 ml) de água quente
4 colheres de sopa de farinha de trigo branca
1 colher de sopa de azeite extravirgem
sal; curry; salsinha; cebolinha
1 tomate sem sementes
Instruções de preparo:
Primeiro vamos fazer a massa. Despeje a água morna em uma vasilha, o óleo, o sal, o açúcar e a linhaça. Misture tudo. Despeje agora um copo de farinha e logo por cima o fermento. Misture tudo com a água. Acrescente a farinha branca até que a massa fique elástica e desgrude da mão. Quanto mais grudenta a massa ficar, mais os pãezinhos crescem, porém, se ficar grudenta demais, vai ser muito difícil embrulhar os hamburguinhos. Deixe a massa descansando coberta com um pano e vamos fazer o hambúrguer de soja. Hidrate a soja na água quente. Espere uns 15 minutinhos, retire o excesso de água e acrescente o resto dos ingredientes (farinha de trigo branca, azeite, sal, curry, salsinha e cebolinha). Quanto à farinha, a medida pode variar um pouco. O importante é que seja farinha suficiente apenas para conseguir moldar os hambúrgueres. Molde os hambúrgueres com as mãos e disponha em um tabuleiro. Corte pequenas “tiras” do tomate sem sementes e coloque sobre os hambúrgueres. Agora pegue pequenas bolinhas da massa que estava descansando (ela já deve estar bem maior) e abra na palma da mão. Coloque um hambúrguer sobre a massa com o tomate voltado para a palma da mão. Embrulhe o hambúrguer puxando as laterais da massa. Disponha os pãezinhos em um tabuleiro untado e deixe descansar por alguns minutos em local quente (pré-aqueça o forno, se for preciso). Asse em forno médio pré-aquecido (+ ou - 30 minutos). Embrulhando os hambúrgueres, veja que não fiquem muito grandes para não ser difícil de embrulhar. Se preferir, coloque um pouquinho de gergelim com azeite por cima.
Preparo: 40 minutos
Cozimento: 30 minutos
Dificuldade: Fácil
Rendimento: 6
Disponível em <www.svb.org.br> (Adaptado. Acesso em 06/09/2017.)
Nas frases “vai ser muito difícil embrulhar os hamburguinhos” e “espere uns 15 minutinhos”, o diminutivo deu às palavras um sentido de
A canção a seguir foi gravada em 1976, ou seja, quase no mesmo ano em que foi publicada a crônica de Carlos Drummond de Andrade que você leu aqui. Assim como o poeta, o compositor se inspirou na natureza e na nossa relação com os animais para falar de um estilo de vida. Será que ele ficou ultrapassado?
Texto IV
Casa no campo
Zé Rodrix / Tavito
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras
Pastando solenes no meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais
Glossário:
solene: formal; sério, grave; majestoso, imponente.
pau-a-pique: parede feita de ripas cruzadas e preenchida de barro.
CD Elis. PolyGram/Philips, 1972/1998. Faixa 11.
Na letra da canção, o eu lírico faz uma lista das coisas que deseja como projeto de vida. Quando afirma “Eu quero carneiros e cabras / pastando solenes no meu jardim”, ele cria uma imagem em queResolução comentada
Análise das alternativas
A canção a seguir foi gravada em 1976, ou seja, quase no mesmo ano em que foi publicada a crônica de Carlos Drummond de Andrade que você leu aqui. Assim como o poeta, o compositor se inspirou na natureza e na nossa relação com os animais para falar de um estilo de vida. Será que ele ficou ultrapassado?
Texto IV
Casa no campo
Zé Rodrix / Tavito
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras
Pastando solenes no meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais
Glossário:
solene: formal; sério, grave; majestoso, imponente.
pau-a-pique: parede feita de ripas cruzadas e preenchida de barro.
CD Elis. PolyGram/Philips, 1972/1998. Faixa 11.
Nos versos em que foi usado, o verbo plantar tem um sentido diferente do comum. Quando diz “Onde eu possa plantar meus amigos / meus discos e livros”, o eu lírico dá a entender que pretendeResolução comentada
Análise das alternativas
A canção a seguir foi gravada em 1976, ou seja, quase no mesmo ano em que foi publicada a crônica de Carlos Drummond de Andrade que você leu aqui. Assim como o poeta, o compositor se inspirou na natureza e na nossa relação com os animais para falar de um estilo de vida. Será que ele ficou ultrapassado?
Texto IV
Casa no campo
Zé Rodrix / Tavito
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras
Pastando solenes no meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
E meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais
Glossário:
solene: formal; sério, grave; majestoso, imponente.
pau-a-pique: parede feita de ripas cruzadas e preenchida de barro.
CD Elis. PolyGram/Philips, 1972/1998. Faixa 11.
As expressões “esperança de óculos” e “filho de cuca legal” demonstram que a linguagem teve aqui, respectivamente, empregoResolução comentada
Análise das alternativas
A personagem da história de Carlos Drummond de Andrade tinha razão: o couro é um produto realmente útil e nobre. Mas não precisa vir dos animais. Há “couros” produzidos a partir de uma relação mais pacífica entre o homem e os demais seres vivos. Veja este:
Texto V
Couro Vegetal
dos seringais da amazônia
![]()
Couro Vegetal
É um material à base de látex natural, extraído das seringueiras nativas da floresta amazônica e confeccionado pelo processo tradicional dos seringueiros em suas moradas na floresta.
Do "Encauchado" ao Couro Vegetal
Os seringueiros desde o início aproveitaram o látex para confeccionar artigos para o próprio uso como a bolsa "capanga", os sapatos de seringa e o saco encauchado: o procedimento do saco encauchado deu origem ao couro vegetal, um tecido de algodão banhado em látex, defumado e vulcanizado em estufas especiais.
Maior agregação de valor
A produção das lâminas de couro vegetal permite uma maior agregação de valor na colocação do seringueiro, comparado com os métodos tradicionais de beneficiamento do látex. Antes o seringueiro ganhava cerca de R$ 1,50 por quilo de borracha seca, utilizando 3,3 litros de látex. Hoje ele ganha R$ 3,00 para cada lâmina de couro vegetal, utilizando 1,3 litros de látex por lâmina.
Qualidade e inocuidade ecológica
Pesquisas foram feitas no sentido de melhorar a durabilidade e qualidade do couro vegetal a fim de atender às exigências do mercado.
Hoje o couro vegetal é um material de boa qualidade, internacionalmente reconhecido como um produto ecologicamente inócuo. A comercialização dos produtos de couro vegetal se tornou um motivo de esperança para a melhoria da vida dos seringueiros, sua permanência na floresta e o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Produtos
de couro vegetal
![]()
Adquirindo os produtos Seringueira, além de colaborar para a preservação da Amazônia e evitar a matança de animais, você está gerando melhores condições de vida e saúde para o povo da floresta.
Para obter mais informação sobre nossos produtos e para informação de preço, favor entrar em contato conosco.
Glossário:
- látex: seiva da seringueira
- vulcanizado: que passou pela vulcanização, ou seja, processo de tratamento da borracha
- inocuidade: característica do que é inócuo, inofensivo
Disponível em <www.amazonlink.org/seringueira> (Adaptado. Acesso em 11/09/2017.)
O texto está no site de uma organização de amparo aos seringueiros da Amazônia, que extraem e processam o látex. Segundo o texto, o couro vegetal, feito de látex, é “ecologicamente inócuo” porque
A personagem da história de Carlos Drummond de Andrade tinha razão: o couro é um produto realmente útil e nobre. Mas não precisa vir dos animais. Há “couros” produzidos a partir de uma relação mais pacífica entre o homem e os demais seres vivos. Veja este:
Texto V
Couro Vegetal
dos seringais da amazônia
![]()
Couro Vegetal
É um material à base de látex natural, extraído das seringueiras nativas da floresta amazônica e confeccionado pelo processo tradicional dos seringueiros em suas moradas na floresta.
Do "Encauchado" ao Couro Vegetal
Os seringueiros desde o início aproveitaram o látex para confeccionar artigos para o próprio uso como a bolsa "capanga", os sapatos de seringa e o saco encauchado: o procedimento do saco encauchado deu origem ao couro vegetal, um tecido de algodão banhado em látex, defumado e vulcanizado em estufas especiais.
Maior agregação de valor
A produção das lâminas de couro vegetal permite uma maior agregação de valor na colocação do seringueiro, comparado com os métodos tradicionais de beneficiamento do látex. Antes o seringueiro ganhava cerca de R$ 1,50 por quilo de borracha seca, utilizando 3,3 litros de látex. Hoje ele ganha R$ 3,00 para cada lâmina de couro vegetal, utilizando 1,3 litros de látex por lâmina.
Qualidade e inocuidade ecológica
Pesquisas foram feitas no sentido de melhorar a durabilidade e qualidade do couro vegetal a fim de atender às exigências do mercado.
Hoje o couro vegetal é um material de boa qualidade, internacionalmente reconhecido como um produto ecologicamente inócuo. A comercialização dos produtos de couro vegetal se tornou um motivo de esperança para a melhoria da vida dos seringueiros, sua permanência na floresta e o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Produtos
de couro vegetal
![]()
Adquirindo os produtos Seringueira, além de colaborar para a preservação da Amazônia e evitar a matança de animais, você está gerando melhores condições de vida e saúde para o povo da floresta.
Para obter mais informação sobre nossos produtos e para informação de preço, favor entrar em contato conosco.
Glossário:
- látex: seiva da seringueira
- vulcanizado: que passou pela vulcanização, ou seja, processo de tratamento da borracha
- inocuidade: característica do que é inócuo, inofensivo
Disponível em <www.amazonlink.org/seringueira> (Adaptado. Acesso em 11/09/2017.)
A origem do couro vegetal, como explica o texto, foi o “encauchado”, uma espécie de saco impermeabilizado pelo látex. Na origem desse produto, pode-se observar que o seringueiro
A personagem da história de Carlos Drummond de Andrade tinha razão: o couro é um produto realmente útil e nobre. Mas não precisa vir dos animais. Há “couros” produzidos a partir de uma relação mais pacífica entre o homem e os demais seres vivos. Veja este:
Texto V
Couro Vegetal
dos seringais da amazônia
![]()
Couro Vegetal
É um material à base de látex natural, extraído das seringueiras nativas da floresta amazônica e confeccionado pelo processo tradicional dos seringueiros em suas moradas na floresta.
Do "Encauchado" ao Couro Vegetal
Os seringueiros desde o início aproveitaram o látex para confeccionar artigos para o próprio uso como a bolsa "capanga", os sapatos de seringa e o saco encauchado: o procedimento do saco encauchado deu origem ao couro vegetal, um tecido de algodão banhado em látex, defumado e vulcanizado em estufas especiais.
Maior agregação de valor
A produção das lâminas de couro vegetal permite uma maior agregação de valor na colocação do seringueiro, comparado com os métodos tradicionais de beneficiamento do látex. Antes o seringueiro ganhava cerca de R$ 1,50 por quilo de borracha seca, utilizando 3,3 litros de látex. Hoje ele ganha R$ 3,00 para cada lâmina de couro vegetal, utilizando 1,3 litros de látex por lâmina.
Qualidade e inocuidade ecológica
Pesquisas foram feitas no sentido de melhorar a durabilidade e qualidade do couro vegetal a fim de atender às exigências do mercado.
Hoje o couro vegetal é um material de boa qualidade, internacionalmente reconhecido como um produto ecologicamente inócuo. A comercialização dos produtos de couro vegetal se tornou um motivo de esperança para a melhoria da vida dos seringueiros, sua permanência na floresta e o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Produtos
de couro vegetal
![]()
Adquirindo os produtos Seringueira, além de colaborar para a preservação da Amazônia e evitar a matança de animais, você está gerando melhores condições de vida e saúde para o povo da floresta.
Para obter mais informação sobre nossos produtos e para informação de preço, favor entrar em contato conosco.
Glossário:
- látex: seiva da seringueira
- vulcanizado: que passou pela vulcanização, ou seja, processo de tratamento da borracha
- inocuidade: característica do que é inócuo, inofensivo
Disponível em <www.amazonlink.org/seringueira> (Adaptado. Acesso em 11/09/2017.)
![]()
Comum no jornalismo, o infográfico usa elementos visuais (imagens, fotografia, desenhos, números) e a linguagem verbal para se expressar. O resultado é um texto informativo, de compreensão fácil e rápida. Este infográfico faz um resumo prático de um dos aspectos ligados ao tema desta prova.
Texto VI
![]()
Disponível em <profissionalnutrition.blogspot.com.br> (Acesso em 12/09/2017.)
Tradicionalmente usada para representar os produtos que devemos consumir em favor da saúde, a “pirâmide alimentar” traz um conjunto de informações. Nesse infográfico, observa-se que
Comum no jornalismo, o infográfico usa elementos visuais (imagens, fotografia, desenhos, números) e a linguagem verbal para se expressar. O resultado é um texto informativo, de compreensão fácil e rápida. Este infográfico faz um resumo prático de um dos aspectos ligados ao tema desta prova.
Texto VI
![]()
Disponível em <profissionalnutrition.blogspot.com.br> (Acesso em 12/09/2017.)
A palavra leguminosas é formada a partir de legume seguida pela terminação -osa(s). O uso desse elemento final deu à palavra um sentido de
Chegando até aqui, talvez você esteja um tanto cansado, mas agora falta pouco. Gostaríamos que você se divertisse com um tipo de texto de que gente da sua idade (e da nossa também) geralmente gosta bastante: os quadrinhos. Convidamos para nossa prova a turma da Mônica.
Texto VII
![]()
Disponível em <gustavoinfol.blogspot.com.br > (Acesso em 12/09/2017.)
A história em quadrinhos constitui-se da linguagem verbal associada a elementos não verbais, como o desenho e o contorno dos balões. No último quadrinho da tira, as linhas e expressões faciais mostram que
Chegando até aqui, talvez você esteja um tanto cansado, mas agora falta pouco. Gostaríamos que você se divertisse com um tipo de texto de que gente da sua idade (e da nossa também) geralmente gosta bastante: os quadrinhos. Convidamos para nossa prova a turma da Mônica.
Texto VII
![]()
Disponível em <gustavoinfol.blogspot.com.br > (Acesso em 12/09/2017.)
Para transmitir a mensagem de humor da tira, o cartunista Maurício de Souza recorreu a um conjunto de elementos, que partem
Você já ouviu falar em “pinturas rupestres”? São as mais antigas formas de arte produzidas pelo ser humano – algumas datam de 40.000 anos antes de Cristo! – e se encontram nas paredes das cavernas que serviam de moradia. Essas pinturas mostram situações do dia a dia das pessoas daquela época, como a que inspirou o próximo texto.
Texto VIII
![]()
Disponível em <www.wordpress.com.br/search?q=charges> (Acesso em 12/09/2017.)
A charge retrata uma cena ou situação com intenção crítica, usando o desenho como linguagem. Nessa charge, a mensagem tem sentido crítico, uma vez que
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base: