← Voltar para a lista de provas Exército Brasileiro — Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) · Concurso de Admissão à EsPCEx 45 questões nesta prova · página 1 de 3 · 44 com gabarito Gabarito disponível A "festa" é a satisfação popular com o massacre e a humilhação dos presos. O texto diz que a população manifesta "muito mais prazer no massacre contra o preso". A frase de Nietzsche "a vingança é uma festa" aponta essa satisfação com a punição cruel. A é a correta. B) Descreve o presídio norueguês, que o texto trata como modelo. C) "Sinistra cultura" é a falta de oferta de reabilitação, e não a "festa". D) Refere-se à Noruega, sem ligação com a vingança. E) Atribui a "festa" à atitude dos presos, e o texto não defende que o sistema aderiria a "bandido bom é bandido morto". Referência: Interpretação de texto: sentido figurado e citação. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível As perguntas retóricas são estratégia argumentativa e ponto de partida da análise. O autor formula "Por quê?" e "Por que não?" para introduzir a análise sobre o alto índice de reincidência. As perguntas guiam o raciocínio e preparam a crítica ao sistema. Funcionam, portanto, como estratégia argumentativa. A) A crítica ao senso comum não é o papel principal das perguntas. B) Não há apelo emocional dominante. C) Verossimilhança não é o recurso empregado. D) Não há diálogo entre textos nas perguntas, apenas o discurso direto do próprio autor. Referência: Interpretação de texto: recursos argumentativos e pergunta retórica. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível "Produzido dentro dos presídios" pode modificar "massacre" ou "preso". No trecho "massacre contra o preso produzido dentro dos presídios", não fica claro se o que foi produzido dentro dos presídios é o massacre ou o preso. Essa dupla leitura é a ambiguidade, e o gabarito é B. A) "Aparentemente colaterais" é uma construção clara. C) "Contra o preso" tem sentido único. D) "Manifesta mais prazer" não gera duplo sentido. E) "No massacre" é um complemento claro. Referência: Ambiguidade (anfibologia) pela posição do modificador. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Em C, "pela prisão" é o agente da passiva de "é oferecida". Em "A comida é oferecida pela prisão", a voz é passiva analítica e "pela prisão" indica quem pratica a ação. É agente da passiva. A) "Por uma das mais altas taxas" é complemento do adjetivo "responsável", não agente. B) "Há" está na voz ativa. D) "É encontrada" não traz agente expresso. E) "Por ali" indica lugar, não agente. Referência: Vozes verbais: voz passiva analítica e agente da passiva. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Só em A o verbo haver (sentido de tempo decorrido) está bem empregado. Em "Haverá nove dias que ela visitou os pais", haver indica tempo decorrido. É impessoal e fica no singular, em concordância com a regra. B) Errada: haver impessoal não vai ao plural, o certo é "houvesse motivos". C) Errada: o certo é "houve nem haverá". D) Errada: o certo é "haja desavenças". E) Errada: com "morávamos" (pretérito imperfeito) o certo seria "havia quase cinco anos" ou "fazia". Referência: Gramática normativa: haver impessoal e haver temporal. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Em "mas que diverte", "que" retoma "cultura", sendo pronome relativo. Em C, o "que" equivale a "a qual" e retoma "cultura", funcionando como sujeito de "diverte". É pronome relativo. A) "O que" é pronome interrogativo. B) "Para que" é conjunção subordinativa final. D) "Até que" é conjunção temporal. E) "Que pode" é conjunção integrante, pois introduz oração subordinada substantiva. Referência: Classes gramaticais: pronome relativo versus conjunção "que". Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Presídio, lazer e execução têm o mesmo fonema /z/ escrito com s, z e x. Em "presídio" (s entre vogais), "lazer" (z) e "execução" (x em "ex" + vogal), o som é /z/. Assim, um mesmo fonema é representado por letras diferentes. A) Em "taxa", "máxima" e "afixar" o x tem som /ks/ ou /ʃ/, não o mesmo som das três palavras. B) Em "oficina", "praça" e "cela", c, ç e c representam /s/ de modo distinto da pergunta, e a alternativa não ilustra bem o conceito. D) "Exercício" tem /z/, "inexorável" tem /z/ e "exórdio" tem /ks/ ou /z/, mas as palavras repetem a mesma letra x. E) "Preso" e "asa" têm /z/ com a letra s, e "sangue" tem /s/. Referência: Fonologia: relação entre fonema e letra. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível A vírgula é opcional antes da oração final posposta. Em B, a oração "para provar que pode ser reincluído..." é adverbial final e vem depois da principal. Nessa posição a vírgula é facultativa, e a frase fica correta com ou sem ela. A) A oração intercalada "ao mostrarem respeito" exige as vírgulas. C) A vírgula em "o Reino Unido, 50%" marca a elipse do verbo e é obrigatória. D) A oração adverbial antecipada "Para controlar o ócio" é seguida de vírgula, que é recomendada. E) A vírgula antes de "comida fornecida..." introduz o aposto ou a explicação e é necessária. Referência: Pontuação: uso facultativo da vírgula com orações adverbiais pospostas. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível "Arte pela arte", técnica e temas clássicos caracterizam o Parnasianismo. O lema "a arte pela arte", o culto à forma (métrica, ritmo e rima) e o resgate de temas da Antiguidade clássica definem o Parnasianismo. Seus nomes mais conhecidos são Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia. A) e B) Neoclassicismo e Arcadismo têm foco na natureza, no equilíbrio e no bucolismo, sem o lema da arte pela arte. C) Classicismo é do século XVI e não tem esse lema. D) Expressionismo é vanguarda do século XX, voltada à subjetividade e à deformação. Referência: Parnasianismo brasileiro (Bilac, Alberto de Oliveira, Raimundo Correia). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Vieira critica o cultismo, também chamado gongorismo. Vieira rejeita a "afetação e pompa de palavras" e o estilo "culto", que chama de "negro". Isso é crítica ao cultismo ou gongorismo, caracterizado pela linguagem rebuscada, ornamentada e extravagante. Ele defende a clareza para ser entendido. A) Errada: o conceptismo, marcado pelo raciocínio lógico e pelo jogo de ideias, é o estilo do próprio Vieira. B) Errada: Quevedo é o principal nome do conceptismo espanhol, e "quevedismo" designa esse estilo. C) e E) Erradas: antropocentrismo e teocentrismo são visões de mundo, não estilos barrocos. Referência: Barroco: cultismo (Góngora) e conceptismo (Quevedo, Vieira). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Segundo o gabarito oficial, a sátira é classificada no gênero lírico. Pela classificação tradicional dos gêneros, a sátira expressa a visão e a crítica subjetiva do poeta sobre costumes e pessoas. Por isso é tratada como lírica, e o gabarito oficial é C. A sátira não conta uma história com ação encadeada nem encena conflitos. A) Dramático é o gênero da encenação, com diálogos e ação. B) e D) Narrativo e épico pressupõem narrador, enredo e feitos de heróis, o que não define a sátira. E) Didático é gênero que ensina e não é o enquadramento adotado pela banca. Referência: Teoria literária: gêneros líricos (elegia, ode, écloga, sátira). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O Romantismo rompeu com a tradição clássica e voltou-se à vida contemporânea e burguesa. O Romantismo rompe com os padrões clássicos vigentes desde o Renascimento. Passa a tratar de temas contemporâneos, como emoção, paixão, política e o cotidiano burguês. Por isso A é a correta. B) Errada: "Ordem e Progresso" vem do Positivismo de Comte, não do Romantismo. C) Errada: descreve o Simbolismo. D) Errada: refere-se à Arcádia, ligada ao Arcadismo. E) Errada: descreve o Barroco, com o conflito entre o Renascimento e a Contrarreforma. Referência: História da literatura brasileira: Romantismo. Resolução comentada do VaiConcursos.EsPCEx 2017 — Concurso de Admissão — Provas de Português, Física, Química e Redação — Modelo A
Noruega como Modelo de Reabilitação de Criminosos
O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência criminal em todo o mundo. No país, a taxa média de reincidência (amplamente admitida mas nunca comprovada empiricamente) é de mais ou menos 70%, ou seja, 7 em cada 10 criminosos voltam a cometer algum tipo de crime após saírem da cadeia.
Alguns perguntariam “Por quê?”. E eu pergunto: “Por que não?” O que esperar de um sistema que propõe reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo de crime, mas nada oferece, para que essa situação realmente aconteça? Presídios em estado de depredação total, pouquíssimos programas educacionais e laborais para os detentos, praticamente nenhum incentivo cultural, e, ainda, uma sinistra cultura (mas que diverte muitas pessoas) de que bandido bom é bandido morto (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).
Situação contrária é encontrada na Noruega. Considerada pela ONU, em 2012, o melhor país para se viver (1º no ranking do IDH) e, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Avante Brasil, o 8º país com a menor taxa de homicídios no mundo, lá o sistema carcerário chega a reabilitar 80% dos criminosos, ou seja, apenas 2 em cada 10 presos voltam a cometer crimes; é uma das menores taxas de reincidência do mundo. Em uma prisão em Bastoy, chamada de ilha paradisíaca, essa reincidência é de cerca de 16% entre os homicidas, estupradores e traficantes que por ali passaram. Os EUA chegam a registrar 60% de reincidência e o Reino Unido, 50%. A média europeia é 50%.
A Noruega associa as baixas taxas de reincidência ao fato de ter seu sistema penal pautado na reabilitação e não na punição por vingança ou retaliação do criminoso. A reabilitação, nesse caso, não é uma opção, ela é obrigatória. Dessa forma, qualquer criminoso poderá ser condenado à pena máxima prevista pela legislação do país (21 anos), e, se o indivíduo não comprovar estar totalmente reabilitado para o convívio social, a pena será prorrogada, em mais 5 anos, até que sua reintegração seja comprovada.
O presídio é um prédio, em meio a uma floresta, decorado com grafites e quadros nos corredores, e no qual as celas não possuem grades, mas sim uma boa cama, banheiro com vaso sanitário, chuveiro, toalhas brancas e porta, televisão de tela plana, mesa, cadeira e armário, quadro para afixar papéis e fotos, além de geladeiras. Encontra-se lá uma ampla biblioteca, ginásio de esportes, campo de futebol, chalés para os presos receberem os familiares, estúdio de gravação de música e oficinas de trabalho. Nessas oficinas são oferecidos cursos de formação profissional, cursos educacionais, e o trabalhador recebe uma pequena remuneração. Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades, de educação, de trabalho e de lazer, é a estratégia.
A prisão é construída em blocos de oito celas cada (alguns dos presos, como estupradores e pedófilos, ficam em blocos separados). Cada bloco tem sua cozinha. A comida é fornecida pela prisão, mas é preparada pelos próprios detentos, que podem comprar alimentos no mercado interno para abastecer seus refrigeradores.
Todos os responsáveis pelo cuidado dos detentos devem passar por no mínimo dois anos de preparação para o cargo, em um curso superior, tendo como obrigação fundamental mostrar respeito a todos que ali estão. Partem do pressuposto que, ao mostrarem respeito, os outros também aprenderão a respeitar.
A diferença do sistema de execução penal norueguês em relação ao sistema da maioria dos países, como o brasileiro, americano, inglês, é que ele é fundamentado na ideia de que a prisão é a privação da liberdade, e pautado na reabilitação e não no tratamento cruel e na vingança.
O detento, nesse modelo, é obrigado a mostrar progressos educacionais, laborais e comportamentais, e, dessa forma, provar que pode ter o direito de exercer sua liberdade novamente junto à sociedade.
A diferença entre os dois países (Noruega e Brasil) é a seguinte: enquanto lá os presos saem e praticamente não cometem crimes, respeitando a população, aqui os presos saem roubando e matando pessoas. Mas essas são consequências aparentemente colaterais, porque a população manifesta muito mais prazer no massacre contra o preso produzido dentro dos presídios (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).
LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista, diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e coeditor do Portal atualidadesdodireito.com.br. Estou no blogdolfg.com.br.
** Colaborou Flávia Mestriner Botelho, socióloga e pesquisadora do Instituto Avante Brasil.
FONTE: Adaptado de http://institutoavantebrasil.com.br/noruega-como-modelo-de-reabilitacao-de-criminosos/ Acessado em 17 de março de 2017.
Em dois momentos do texto, o redator cita Nietzsche, que teria afirmado: “a vingança é uma festa”. A partir do que se depreende da leitura, essa “festa” significaResolução comentada
Análise das alternativas
Noruega como Modelo de Reabilitação de Criminosos
O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência criminal em todo o mundo. No país, a taxa média de reincidência (amplamente admitida mas nunca comprovada empiricamente) é de mais ou menos 70%, ou seja, 7 em cada 10 criminosos voltam a cometer algum tipo de crime após saírem da cadeia.
Alguns perguntariam “Por quê?”. E eu pergunto: “Por que não?” O que esperar de um sistema que propõe reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo de crime, mas nada oferece, para que essa situação realmente aconteça? Presídios em estado de depredação total, pouquíssimos programas educacionais e laborais para os detentos, praticamente nenhum incentivo cultural, e, ainda, uma sinistra cultura (mas que diverte muitas pessoas) de que bandido bom é bandido morto (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).
Situação contrária é encontrada na Noruega. Considerada pela ONU, em 2012, o melhor país para se viver (1º no ranking do IDH) e, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Avante Brasil, o 8º país com a menor taxa de homicídios no mundo, lá o sistema carcerário chega a reabilitar 80% dos criminosos, ou seja, apenas 2 em cada 10 presos voltam a cometer crimes; é uma das menores taxas de reincidência do mundo. Em uma prisão em Bastoy, chamada de ilha paradisíaca, essa reincidência é de cerca de 16% entre os homicidas, estupradores e traficantes que por ali passaram. Os EUA chegam a registrar 60% de reincidência e o Reino Unido, 50%. A média europeia é 50%.
A Noruega associa as baixas taxas de reincidência ao fato de ter seu sistema penal pautado na reabilitação e não na punição por vingança ou retaliação do criminoso. A reabilitação, nesse caso, não é uma opção, ela é obrigatória. Dessa forma, qualquer criminoso poderá ser condenado à pena máxima prevista pela legislação do país (21 anos), e, se o indivíduo não comprovar estar totalmente reabilitado para o convívio social, a pena será prorrogada, em mais 5 anos, até que sua reintegração seja comprovada.
O presídio é um prédio, em meio a uma floresta, decorado com grafites e quadros nos corredores, e no qual as celas não possuem grades, mas sim uma boa cama, banheiro com vaso sanitário, chuveiro, toalhas brancas e porta, televisão de tela plana, mesa, cadeira e armário, quadro para afixar papéis e fotos, além de geladeiras. Encontra-se lá uma ampla biblioteca, ginásio de esportes, campo de futebol, chalés para os presos receberem os familiares, estúdio de gravação de música e oficinas de trabalho. Nessas oficinas são oferecidos cursos de formação profissional, cursos educacionais, e o trabalhador recebe uma pequena remuneração. Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades, de educação, de trabalho e de lazer, é a estratégia.
A prisão é construída em blocos de oito celas cada (alguns dos presos, como estupradores e pedófilos, ficam em blocos separados). Cada bloco tem sua cozinha. A comida é fornecida pela prisão, mas é preparada pelos próprios detentos, que podem comprar alimentos no mercado interno para abastecer seus refrigeradores.
Todos os responsáveis pelo cuidado dos detentos devem passar por no mínimo dois anos de preparação para o cargo, em um curso superior, tendo como obrigação fundamental mostrar respeito a todos que ali estão. Partem do pressuposto que, ao mostrarem respeito, os outros também aprenderão a respeitar.
A diferença do sistema de execução penal norueguês em relação ao sistema da maioria dos países, como o brasileiro, americano, inglês, é que ele é fundamentado na ideia de que a prisão é a privação da liberdade, e pautado na reabilitação e não no tratamento cruel e na vingança.
O detento, nesse modelo, é obrigado a mostrar progressos educacionais, laborais e comportamentais, e, dessa forma, provar que pode ter o direito de exercer sua liberdade novamente junto à sociedade.
A diferença entre os dois países (Noruega e Brasil) é a seguinte: enquanto lá os presos saem e praticamente não cometem crimes, respeitando a população, aqui os presos saem roubando e matando pessoas. Mas essas são consequências aparentemente colaterais, porque a população manifesta muito mais prazer no massacre contra o preso produzido dentro dos presídios (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).
LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista, diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e coeditor do Portal atualidadesdodireito.com.br. Estou no blogdolfg.com.br.
** Colaborou Flávia Mestriner Botelho, socióloga e pesquisadora do Instituto Avante Brasil.
FONTE: Adaptado de http://institutoavantebrasil.com.br/noruega-como-modelo-de-reabilitacao-de-criminosos/ Acessado em 17 de março de 2017.
Em “Alguns perguntariam ‘Por quê?’. E eu pergunto: ‘Por que não?”, as perguntas retóricas constituem:Resolução comentada
Análise das alternativas
Noruega como Modelo de Reabilitação de Criminosos
O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência criminal em todo o mundo. No país, a taxa média de reincidência (amplamente admitida mas nunca comprovada empiricamente) é de mais ou menos 70%, ou seja, 7 em cada 10 criminosos voltam a cometer algum tipo de crime após saírem da cadeia.
Alguns perguntariam “Por quê?”. E eu pergunto: “Por que não?” O que esperar de um sistema que propõe reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo de crime, mas nada oferece, para que essa situação realmente aconteça? Presídios em estado de depredação total, pouquíssimos programas educacionais e laborais para os detentos, praticamente nenhum incentivo cultural, e, ainda, uma sinistra cultura (mas que diverte muitas pessoas) de que bandido bom é bandido morto (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).
Situação contrária é encontrada na Noruega. Considerada pela ONU, em 2012, o melhor país para se viver (1º no ranking do IDH) e, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Avante Brasil, o 8º país com a menor taxa de homicídios no mundo, lá o sistema carcerário chega a reabilitar 80% dos criminosos, ou seja, apenas 2 em cada 10 presos voltam a cometer crimes; é uma das menores taxas de reincidência do mundo. Em uma prisão em Bastoy, chamada de ilha paradisíaca, essa reincidência é de cerca de 16% entre os homicidas, estupradores e traficantes que por ali passaram. Os EUA chegam a registrar 60% de reincidência e o Reino Unido, 50%. A média europeia é 50%.
A Noruega associa as baixas taxas de reincidência ao fato de ter seu sistema penal pautado na reabilitação e não na punição por vingança ou retaliação do criminoso. A reabilitação, nesse caso, não é uma opção, ela é obrigatória. Dessa forma, qualquer criminoso poderá ser condenado à pena máxima prevista pela legislação do país (21 anos), e, se o indivíduo não comprovar estar totalmente reabilitado para o convívio social, a pena será prorrogada, em mais 5 anos, até que sua reintegração seja comprovada.
O presídio é um prédio, em meio a uma floresta, decorado com grafites e quadros nos corredores, e no qual as celas não possuem grades, mas sim uma boa cama, banheiro com vaso sanitário, chuveiro, toalhas brancas e porta, televisão de tela plana, mesa, cadeira e armário, quadro para afixar papéis e fotos, além de geladeiras. Encontra-se lá uma ampla biblioteca, ginásio de esportes, campo de futebol, chalés para os presos receberem os familiares, estúdio de gravação de música e oficinas de trabalho. Nessas oficinas são oferecidos cursos de formação profissional, cursos educacionais, e o trabalhador recebe uma pequena remuneração. Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades, de educação, de trabalho e de lazer, é a estratégia.
A prisão é construída em blocos de oito celas cada (alguns dos presos, como estupradores e pedófilos, ficam em blocos separados). Cada bloco tem sua cozinha. A comida é fornecida pela prisão, mas é preparada pelos próprios detentos, que podem comprar alimentos no mercado interno para abastecer seus refrigeradores.
Todos os responsáveis pelo cuidado dos detentos devem passar por no mínimo dois anos de preparação para o cargo, em um curso superior, tendo como obrigação fundamental mostrar respeito a todos que ali estão. Partem do pressuposto que, ao mostrarem respeito, os outros também aprenderão a respeitar.
A diferença do sistema de execução penal norueguês em relação ao sistema da maioria dos países, como o brasileiro, americano, inglês, é que ele é fundamentado na ideia de que a prisão é a privação da liberdade, e pautado na reabilitação e não no tratamento cruel e na vingança.
O detento, nesse modelo, é obrigado a mostrar progressos educacionais, laborais e comportamentais, e, dessa forma, provar que pode ter o direito de exercer sua liberdade novamente junto à sociedade.
A diferença entre os dois países (Noruega e Brasil) é a seguinte: enquanto lá os presos saem e praticamente não cometem crimes, respeitando a população, aqui os presos saem roubando e matando pessoas. Mas essas são consequências aparentemente colaterais, porque a população manifesta muito mais prazer no massacre contra o preso produzido dentro dos presídios (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).
LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista, diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e coeditor do Portal atualidadesdodireito.com.br. Estou no blogdolfg.com.br.
** Colaborou Flávia Mestriner Botelho, socióloga e pesquisadora do Instituto Avante Brasil.
FONTE: Adaptado de http://institutoavantebrasil.com.br/noruega-como-modelo-de-reabilitacao-de-criminosos/ Acessado em 17 de março de 2017.
“(… ) uma sinistra cultura de que bandido bom é bandido morto.”
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O adjetivo em destaque apresenta, no texto, o significado de:
Noruega como Modelo de Reabilitação de Criminosos
O Brasil é responsável por uma das mais altas taxas de reincidência criminal em todo o mundo. No país, a taxa média de reincidência (amplamente admitida mas nunca comprovada empiricamente) é de mais ou menos 70%, ou seja, 7 em cada 10 criminosos voltam a cometer algum tipo de crime após saírem da cadeia.
Alguns perguntariam “Por quê?”. E eu pergunto: “Por que não?” O que esperar de um sistema que propõe reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo de crime, mas nada oferece, para que essa situação realmente aconteça? Presídios em estado de depredação total, pouquíssimos programas educacionais e laborais para os detentos, praticamente nenhum incentivo cultural, e, ainda, uma sinistra cultura (mas que diverte muitas pessoas) de que bandido bom é bandido morto (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).
Situação contrária é encontrada na Noruega. Considerada pela ONU, em 2012, o melhor país para se viver (1º no ranking do IDH) e, de acordo com levantamento feito pelo Instituto Avante Brasil, o 8º país com a menor taxa de homicídios no mundo, lá o sistema carcerário chega a reabilitar 80% dos criminosos, ou seja, apenas 2 em cada 10 presos voltam a cometer crimes; é uma das menores taxas de reincidência do mundo. Em uma prisão em Bastoy, chamada de ilha paradisíaca, essa reincidência é de cerca de 16% entre os homicidas, estupradores e traficantes que por ali passaram. Os EUA chegam a registrar 60% de reincidência e o Reino Unido, 50%. A média europeia é 50%.
A Noruega associa as baixas taxas de reincidência ao fato de ter seu sistema penal pautado na reabilitação e não na punição por vingança ou retaliação do criminoso. A reabilitação, nesse caso, não é uma opção, ela é obrigatória. Dessa forma, qualquer criminoso poderá ser condenado à pena máxima prevista pela legislação do país (21 anos), e, se o indivíduo não comprovar estar totalmente reabilitado para o convívio social, a pena será prorrogada, em mais 5 anos, até que sua reintegração seja comprovada.
O presídio é um prédio, em meio a uma floresta, decorado com grafites e quadros nos corredores, e no qual as celas não possuem grades, mas sim uma boa cama, banheiro com vaso sanitário, chuveiro, toalhas brancas e porta, televisão de tela plana, mesa, cadeira e armário, quadro para afixar papéis e fotos, além de geladeiras. Encontra-se lá uma ampla biblioteca, ginásio de esportes, campo de futebol, chalés para os presos receberem os familiares, estúdio de gravação de música e oficinas de trabalho. Nessas oficinas são oferecidos cursos de formação profissional, cursos educacionais, e o trabalhador recebe uma pequena remuneração. Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades, de educação, de trabalho e de lazer, é a estratégia.
A prisão é construída em blocos de oito celas cada (alguns dos presos, como estupradores e pedófilos, ficam em blocos separados). Cada bloco tem sua cozinha. A comida é fornecida pela prisão, mas é preparada pelos próprios detentos, que podem comprar alimentos no mercado interno para abastecer seus refrigeradores.
Todos os responsáveis pelo cuidado dos detentos devem passar por no mínimo dois anos de preparação para o cargo, em um curso superior, tendo como obrigação fundamental mostrar respeito a todos que ali estão. Partem do pressuposto que, ao mostrarem respeito, os outros também aprenderão a respeitar.
A diferença do sistema de execução penal norueguês em relação ao sistema da maioria dos países, como o brasileiro, americano, inglês, é que ele é fundamentado na ideia de que a prisão é a privação da liberdade, e pautado na reabilitação e não no tratamento cruel e na vingança.
O detento, nesse modelo, é obrigado a mostrar progressos educacionais, laborais e comportamentais, e, dessa forma, provar que pode ter o direito de exercer sua liberdade novamente junto à sociedade.
A diferença entre os dois países (Noruega e Brasil) é a seguinte: enquanto lá os presos saem e praticamente não cometem crimes, respeitando a população, aqui os presos saem roubando e matando pessoas. Mas essas são consequências aparentemente colaterais, porque a população manifesta muito mais prazer no massacre contra o preso produzido dentro dos presídios (a vingança é uma festa, dizia Nietzsche).
LUIZ FLÁVIO GOMES, jurista, diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e coeditor do Portal atualidadesdodireito.com.br. Estou no blogdolfg.com.br.
** Colaborou Flávia Mestriner Botelho, socióloga e pesquisadora do Instituto Avante Brasil.
FONTE: Adaptado de http://institutoavantebrasil.com.br/noruega-como-modelo-de-reabilitacao-de-criminosos/ Acessado em 17 de março de 2017.
“Mas essas são consequências aparentemente colaterais, porque a população manifesta muito mais prazer no massacre contra o preso produzido dentro dos presídios “.
Há um trecho, dentro do período destacado acima, que provoca ambiguidade. Marque-o:Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
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“… O que esperar de um sistema que propõe reabilitar e reinserir aqueles que cometerem algum tipo de crime, mas nada oferece, para que essa situação realmente aconteça.”
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Resolução comentada
Análise das alternativas
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Resolução comentada
Análise das alternativas
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Resolução comentada
Análise das alternativas
Padre Antônio Vieira, nesse trecho, faz uma crítica ao estilo barroco conhecido comoResolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Assinale o período que contém agente da passiva:
Assinale a alternativa em que o emprego do verbo “haver” está correto.
Assinale a alternativa em que o particípio sublinhado está utilizado de acordo com a norma culta.
Assinale a opção que contém um pronome relativo:
No trecho,”Alguns perguntariam “Por quê?”. E eu pergunto : “Por que não?”, os verbos grifados estão, respectivamente, no
Assinale a alternativa que pode substituir corretamente o trecho sublinhado sem alterar-lhe o sentido:
Um mesmo fonema pode ser representado por letras diferentes. A sequência de palavras que ilustra esse conceito é:
Assinale a alternativa em que a oração sublinhada é subordinada substantiva predicativa:
No período, “Para controlar o ócio, oferecer muitas atividades, de educação, de trabalho e de lazer, é a estratégia”, as duas orações destacadas são subordinadas reduzidas de infinitivo e classificam-se, respectivamente, como
Assinale a alternativa em que o emprego da vírgula é opcional.
Em “A população manifesta muito mais prazer no massacre contra o preso”, o termo destacado tem a função de:
A ideia de explicação está presente em apenas uma das orações sublinhadas, nas alternativas abaixo.
O projeto desse movimento literário baseava-se na crença de que a função essencial da arte era produzir o belo, e o lema escolhido para traduzir essa ideia foi “a arte pela arte”. É possível observar, nesse contexto, características como a preocupação com a técnica (metro, ritmo e rima) e o resgate de temas da Antiguidade clássica (referências à mitologia e a personagens históricas). Essa escola literária é conhecida como
“Se gostas de afetação e pompa de palavras e do estilo que chamam culto, não me leias. Quando esse estilo florescia, nasceram as primeiras verduras do meu; mas valeu-me tanto sempre a clareza, que só porque me entendiam comecei a ser ouvido. (…) Esse desventurado estilo que hoje se usa, os que querem honrar chamam-lhe culto, os que o condenam chamam-lhe escuro, mas ainda lhe fazem muita honra. O estilo culto não é escuro, é negro (…) e muito cerrado. É possível que somos portugueses e havemos de ouvir um pregador em português e não havemos de entender o que diz?!”
A sátira é um exemplo do gênero
Sobre o Romantismo no Brasil, marque a afirmação correta.