Pular para o conteúdo

Provas

← Voltar para a lista de provas

EPCAR — Exame de Admissão aos CFOAV, CFOINT e CFOINF 2018 — Língua Portuguesa, Matemática, Língua Inglesa, Física e Redação — Versão A

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

65 questões nesta prova · página 1 de 4 · 60 com gabarito

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I

MAIS QUE ORWELL, HUXLEY PREVIU NOSSO TEMPO
Hélio Gurovitz

Publicado em 1948, o livro 1984, de George Orwell,
saltou para o topo da lista dos mais vendidos (...) A
distopia de Orwel, mesmo situada no futuro, tinha um
endereço certo em seu tempo: o stalinismo. (...) O
5 mundo da “pós-verdade”, dos “fatos alternativos” e da
anestesia intelectual nas redes sociais mais parece outra
distopia, publicada em 1932: Admirável mundo novo, de
Aldous Huxley.
Não se trata de uma tese nova. Ela foi levantada
10 pela primeira vez em 1985, num livreto do teórico da
comunicação americano Neil Postman: Amusing
ourselves to death (Nos divertindo até morrer),
relembrado por seu filho Andrew em artigo recente no
The Guardian. “Na visão de Huxley, não é necessário
15 nenhum Grande Irmão para despojar a população de
autonomia, maturidade ou história”, escreveu Postman.
“Ela acabaria amando sua opressão, adorando as
tecnologias que destroem sua capacidade de pensar.
Orwell temia aqueles que proibiriam os livros. Huxley
20 temia que não haveria motivo para proibir um livro, pois
não haveria ninguém que quisesse lê-los. Orwell temia
aqueles que nos privariam de informação. Huxley,
aqueles que nos dariam tanta que seríamos reduzidos à
passividade e ao egoísmo. Orwell temia que a verdade
25 fosse escondida de nós. Huxley, que fosse afogada num
mar de irrelevância.”
No futuro pintado por Huxley, (...) não há mães,
pais ou casamentos. O sexo é livre. A diversão está
disponível na forma de jogos esportivos, cinema
30 multissensorial e de uma droga que garante o bem-estar
sem efeito colateral: o soma. Restaram na Terra dez
áreas civilizadas e uns poucos territórios selvagens,
onde grupos nativos ainda preservam costumes e
tradições primitivos, como família ou religião. “O mundo
35 agora é estável”, diz um líder civilizado. “As pessoas
são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que
não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança;
nunca adoecem; não têm medo da morte; vivem na
ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham
40 sobrecarregadas de pais e mães; não têm esposas, nem
filhos, nem amantes por quem possam sofrer emoções
violentas; são condicionadas de tal modo que
praticamente não podem deixar de se portar como
devem. E se, por acaso, alguma coisa andar mal, há o
45 soma.”
Para chegar à estabilidade absoluta, foi
necessário abrir mão da arte e da ciência. “A felicidade
universal mantém as engrenagens em funcionamento
regular; a verdade e a beleza são incapazes de fazê-lo”,
50 diz o líder. “Cada vez que as massas tomavam o poder
público, era a felicidade, mais que a verdade e a beleza,
o que importava.” A verdade é considerada uma
ameaça; a ciência e a arte, perigos públicos. Mas não é
necessário esforço totalitário para controlá-las. Todos
55 aceitam de bom grado, fazem “qualquer sacrifício em
troca de uma vida sossegada” e de sua dose diária de
soma. “Não foi muito bom para a verdade, sem dúvida.
Mas foi excelente para a felicidade.”
No universo de Orwell, a população é controlada
60 pela dor. No de Huxley, pelo prazer. “Orwell temia que
nossa ruína seria causada pelo que odiamos. Huxley,
pelo que amamos”, escreve Postman. Só precisa haver
censura, diz ele, se os tiranos acreditam que o público
sabe a diferença entre discurso sério e entretenimento.
65 (...) O alvo de Postman, em seu tempo, era a televisão,
que ele julgava ter imposto uma cultura fragmentada e
superficial, incapaz de manter com a verdade a relação
reflexiva e racional da palavra impressa. O computador
só engatinhava, e Postman mal poderia prever como
70 celulares, tablets e redes sociais se tornariam — bem
mais que a TV — o soma contemporâneo. Mas suas
palavras foram prescientes: “O que afligia a população
em Admirável mundo novo não é que estivessem rindo
em vez de pensar, mas que não sabiam do que estavam
75 rindo, nem tinham parado de pensar”.

(Adaptado, Revista Época nº 973 – 13 de fevereiro de 2017, p.67)

Distopia = Pensamento, filosofia ou processo discursivo caracterizado pelo totalitarismo, autoritarismo e opressivo controle da sociedade, representando a antítese de utopia. (BECHARA, E. Dicionário da língua portuguesa. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2011, p.533)

Sobre o texto é correto afirmar que
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Orwell temia a falta de informação; Huxley, o excesso.

O texto cita Postman: Orwell temia aqueles que nos privariam de informação, e Huxley, aqueles que nos dariam tanta que seríamos reduzidos à passividade. D resume esse contraste.

Análise das alternativas

A: Postman não é autor de ficção científica e o texto não apresenta ideologias dessa forma. B: para Orwell a ruína viria do que odiamos, não da capacidade de pensar. C: o temor de livros proibidos é de Orwell; em Huxley, nem seria preciso proibir.

Referência: Interpretação de texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Tipologia e Estrutura Textual

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I

MAIS QUE ORWELL, HUXLEY PREVIU NOSSO TEMPO
Hélio Gurovitz

Publicado em 1948, o livro 1984, de George Orwell,
saltou para o topo da lista dos mais vendidos (...) A
distopia de Orwel, mesmo situada no futuro, tinha um
endereço certo em seu tempo: o stalinismo. (...) O
5 mundo da “pós-verdade”, dos “fatos alternativos” e da
anestesia intelectual nas redes sociais mais parece outra
distopia, publicada em 1932: Admirável mundo novo, de
Aldous Huxley.
Não se trata de uma tese nova. Ela foi levantada
10 pela primeira vez em 1985, num livreto do teórico da
comunicação americano Neil Postman: Amusing
ourselves to death (Nos divertindo até morrer),
relembrado por seu filho Andrew em artigo recente no
The Guardian. “Na visão de Huxley, não é necessário
15 nenhum Grande Irmão para despojar a população de
autonomia, maturidade ou história”, escreveu Postman.
“Ela acabaria amando sua opressão, adorando as
tecnologias que destroem sua capacidade de pensar.
Orwell temia aqueles que proibiriam os livros. Huxley
20 temia que não haveria motivo para proibir um livro, pois
não haveria ninguém que quisesse lê-los. Orwell temia
aqueles que nos privariam de informação. Huxley,
aqueles que nos dariam tanta que seríamos reduzidos à
passividade e ao egoísmo. Orwell temia que a verdade
25 fosse escondida de nós. Huxley, que fosse afogada num
mar de irrelevância.”
No futuro pintado por Huxley, (...) não há mães,
pais ou casamentos. O sexo é livre. A diversão está
disponível na forma de jogos esportivos, cinema
30 multissensorial e de uma droga que garante o bem-estar
sem efeito colateral: o soma. Restaram na Terra dez
áreas civilizadas e uns poucos territórios selvagens,
onde grupos nativos ainda preservam costumes e
tradições primitivos, como família ou religião. “O mundo
35 agora é estável”, diz um líder civilizado. “As pessoas
são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que
não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança;
nunca adoecem; não têm medo da morte; vivem na
ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham
40 sobrecarregadas de pais e mães; não têm esposas, nem
filhos, nem amantes por quem possam sofrer emoções
violentas; são condicionadas de tal modo que
praticamente não podem deixar de se portar como
devem. E se, por acaso, alguma coisa andar mal, há o
45 soma.”
Para chegar à estabilidade absoluta, foi
necessário abrir mão da arte e da ciência. “A felicidade
universal mantém as engrenagens em funcionamento
regular; a verdade e a beleza são incapazes de fazê-lo”,
50 diz o líder. “Cada vez que as massas tomavam o poder
público, era a felicidade, mais que a verdade e a beleza,
o que importava.” A verdade é considerada uma
ameaça; a ciência e a arte, perigos públicos. Mas não é
necessário esforço totalitário para controlá-las. Todos
55 aceitam de bom grado, fazem “qualquer sacrifício em
troca de uma vida sossegada” e de sua dose diária de
soma. “Não foi muito bom para a verdade, sem dúvida.
Mas foi excelente para a felicidade.”
No universo de Orwell, a população é controlada
60 pela dor. No de Huxley, pelo prazer. “Orwell temia que
nossa ruína seria causada pelo que odiamos. Huxley,
pelo que amamos”, escreve Postman. Só precisa haver
censura, diz ele, se os tiranos acreditam que o público
sabe a diferença entre discurso sério e entretenimento.
65 (...) O alvo de Postman, em seu tempo, era a televisão,
que ele julgava ter imposto uma cultura fragmentada e
superficial, incapaz de manter com a verdade a relação
reflexiva e racional da palavra impressa. O computador
só engatinhava, e Postman mal poderia prever como
70 celulares, tablets e redes sociais se tornariam — bem
mais que a TV — o soma contemporâneo. Mas suas
palavras foram prescientes: “O que afligia a população
em Admirável mundo novo não é que estivessem rindo
em vez de pensar, mas que não sabiam do que estavam
75 rindo, nem tinham parado de pensar”.

(Adaptado, Revista Época nº 973 – 13 de fevereiro de 2017, p.67)

Distopia = Pensamento, filosofia ou processo discursivo caracterizado pelo totalitarismo, autoritarismo e opressivo controle da sociedade, representando a antítese de utopia. (BECHARA, E. Dicionário da língua portuguesa. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2011, p.533)

Do ponto de vista da composição, só NÃO é correto afirmar que o texto se vale de
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O texto não se vale de exemplos para esclarecer conceitos; é a única afirmativa incorreta.

O texto trabalha com contraste (Orwell × Huxley), com a descrição do mundo imaginário de Huxley e com citações de Postman. Não há exemplos explicando conceitos menos acessíveis, então C é a que não se aplica.

Análise das alternativas

A: as ideias contrárias de Orwell e Huxley conduzem a argumentação. B: a realidade imaginária de Huxley é descrita e fundamenta a discussão. D: as citações de Postman dão autoridade aos argumentos.

Referência: Estrutura textual e recursos argumentativos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I

MAIS QUE ORWELL, HUXLEY PREVIU NOSSO TEMPO
Hélio Gurovitz

Publicado em 1948, o livro 1984, de George Orwell,
saltou para o topo da lista dos mais vendidos (...) A
distopia de Orwel, mesmo situada no futuro, tinha um
endereço certo em seu tempo: o stalinismo. (...) O
5 mundo da “pós-verdade”, dos “fatos alternativos” e da
anestesia intelectual nas redes sociais mais parece outra
distopia, publicada em 1932: Admirável mundo novo, de
Aldous Huxley.
Não se trata de uma tese nova. Ela foi levantada
10 pela primeira vez em 1985, num livreto do teórico da
comunicação americano Neil Postman: Amusing
ourselves to death (Nos divertindo até morrer),
relembrado por seu filho Andrew em artigo recente no
The Guardian. “Na visão de Huxley, não é necessário
15 nenhum Grande Irmão para despojar a população de
autonomia, maturidade ou história”, escreveu Postman.
“Ela acabaria amando sua opressão, adorando as
tecnologias que destroem sua capacidade de pensar.
Orwell temia aqueles que proibiriam os livros. Huxley
20 temia que não haveria motivo para proibir um livro, pois
não haveria ninguém que quisesse lê-los. Orwell temia
aqueles que nos privariam de informação. Huxley,
aqueles que nos dariam tanta que seríamos reduzidos à
passividade e ao egoísmo. Orwell temia que a verdade
25 fosse escondida de nós. Huxley, que fosse afogada num
mar de irrelevância.”
No futuro pintado por Huxley, (...) não há mães,
pais ou casamentos. O sexo é livre. A diversão está
disponível na forma de jogos esportivos, cinema
30 multissensorial e de uma droga que garante o bem-estar
sem efeito colateral: o soma. Restaram na Terra dez
áreas civilizadas e uns poucos territórios selvagens,
onde grupos nativos ainda preservam costumes e
tradições primitivos, como família ou religião. “O mundo
35 agora é estável”, diz um líder civilizado. “As pessoas
são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que
não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança;
nunca adoecem; não têm medo da morte; vivem na
ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham
40 sobrecarregadas de pais e mães; não têm esposas, nem
filhos, nem amantes por quem possam sofrer emoções
violentas; são condicionadas de tal modo que
praticamente não podem deixar de se portar como
devem. E se, por acaso, alguma coisa andar mal, há o
45 soma.”
Para chegar à estabilidade absoluta, foi
necessário abrir mão da arte e da ciência. “A felicidade
universal mantém as engrenagens em funcionamento
regular; a verdade e a beleza são incapazes de fazê-lo”,
50 diz o líder. “Cada vez que as massas tomavam o poder
público, era a felicidade, mais que a verdade e a beleza,
o que importava.” A verdade é considerada uma
ameaça; a ciência e a arte, perigos públicos. Mas não é
necessário esforço totalitário para controlá-las. Todos
55 aceitam de bom grado, fazem “qualquer sacrifício em
troca de uma vida sossegada” e de sua dose diária de
soma. “Não foi muito bom para a verdade, sem dúvida.
Mas foi excelente para a felicidade.”
No universo de Orwell, a população é controlada
60 pela dor. No de Huxley, pelo prazer. “Orwell temia que
nossa ruína seria causada pelo que odiamos. Huxley,
pelo que amamos”, escreve Postman. Só precisa haver
censura, diz ele, se os tiranos acreditam que o público
sabe a diferença entre discurso sério e entretenimento.
65 (...) O alvo de Postman, em seu tempo, era a televisão,
que ele julgava ter imposto uma cultura fragmentada e
superficial, incapaz de manter com a verdade a relação
reflexiva e racional da palavra impressa. O computador
só engatinhava, e Postman mal poderia prever como
70 celulares, tablets e redes sociais se tornariam — bem
mais que a TV — o soma contemporâneo. Mas suas
palavras foram prescientes: “O que afligia a população
em Admirável mundo novo não é que estivessem rindo
em vez de pensar, mas que não sabiam do que estavam
75 rindo, nem tinham parado de pensar”.

(Adaptado, Revista Época nº 973 – 13 de fevereiro de 2017, p.67)

Distopia = Pensamento, filosofia ou processo discursivo caracterizado pelo totalitarismo, autoritarismo e opressivo controle da sociedade, representando a antítese de utopia. (BECHARA, E. Dicionário da língua portuguesa. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2011, p.533)

Assinale a alternativa que apresenta o principal objetivo comunicativo do emissor do texto.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O objetivo é alertar para os efeitos nocivos das redes sociais sobre o pensamento.

O autor usa Huxley e Postman para sugerir que redes sociais e dispositivos são o 'soma contemporâneo' e entorpecem a capacidade de pensar. O foco é o alerta sobre o presente.

Análise das alternativas

A: o texto não tem a finalidade de promover um livro. B: a comparação entre os livros é meio, não o objetivo principal. D: o stalinismo é só menção a Orwell, não o centro do texto.

Referência: Interpretação de texto: intenção comunicativa.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I

MAIS QUE ORWELL, HUXLEY PREVIU NOSSO TEMPO
Hélio Gurovitz

Publicado em 1948, o livro 1984, de George Orwell,
saltou para o topo da lista dos mais vendidos (...) A
distopia de Orwel, mesmo situada no futuro, tinha um
endereço certo em seu tempo: o stalinismo. (...) O
5 mundo da “pós-verdade”, dos “fatos alternativos” e da
anestesia intelectual nas redes sociais mais parece outra
distopia, publicada em 1932: Admirável mundo novo, de
Aldous Huxley.
Não se trata de uma tese nova. Ela foi levantada
10 pela primeira vez em 1985, num livreto do teórico da
comunicação americano Neil Postman: Amusing
ourselves to death (Nos divertindo até morrer),
relembrado por seu filho Andrew em artigo recente no
The Guardian. “Na visão de Huxley, não é necessário
15 nenhum Grande Irmão para despojar a população de
autonomia, maturidade ou história”, escreveu Postman.
“Ela acabaria amando sua opressão, adorando as
tecnologias que destroem sua capacidade de pensar.
Orwell temia aqueles que proibiriam os livros. Huxley
20 temia que não haveria motivo para proibir um livro, pois
não haveria ninguém que quisesse lê-los. Orwell temia
aqueles que nos privariam de informação. Huxley,
aqueles que nos dariam tanta que seríamos reduzidos à
passividade e ao egoísmo. Orwell temia que a verdade
25 fosse escondida de nós. Huxley, que fosse afogada num
mar de irrelevância.”
No futuro pintado por Huxley, (...) não há mães,
pais ou casamentos. O sexo é livre. A diversão está
disponível na forma de jogos esportivos, cinema
30 multissensorial e de uma droga que garante o bem-estar
sem efeito colateral: o soma. Restaram na Terra dez
áreas civilizadas e uns poucos territórios selvagens,
onde grupos nativos ainda preservam costumes e
tradições primitivos, como família ou religião. “O mundo
35 agora é estável”, diz um líder civilizado. “As pessoas
são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que
não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança;
nunca adoecem; não têm medo da morte; vivem na
ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham
40 sobrecarregadas de pais e mães; não têm esposas, nem
filhos, nem amantes por quem possam sofrer emoções
violentas; são condicionadas de tal modo que
praticamente não podem deixar de se portar como
devem. E se, por acaso, alguma coisa andar mal, há o
45 soma.”
Para chegar à estabilidade absoluta, foi
necessário abrir mão da arte e da ciência. “A felicidade
universal mantém as engrenagens em funcionamento
regular; a verdade e a beleza são incapazes de fazê-lo”,
50 diz o líder. “Cada vez que as massas tomavam o poder
público, era a felicidade, mais que a verdade e a beleza,
o que importava.” A verdade é considerada uma
ameaça; a ciência e a arte, perigos públicos. Mas não é
necessário esforço totalitário para controlá-las. Todos
55 aceitam de bom grado, fazem “qualquer sacrifício em
troca de uma vida sossegada” e de sua dose diária de
soma. “Não foi muito bom para a verdade, sem dúvida.
Mas foi excelente para a felicidade.”
No universo de Orwell, a população é controlada
60 pela dor. No de Huxley, pelo prazer. “Orwell temia que
nossa ruína seria causada pelo que odiamos. Huxley,
pelo que amamos”, escreve Postman. Só precisa haver
censura, diz ele, se os tiranos acreditam que o público
sabe a diferença entre discurso sério e entretenimento.
65 (...) O alvo de Postman, em seu tempo, era a televisão,
que ele julgava ter imposto uma cultura fragmentada e
superficial, incapaz de manter com a verdade a relação
reflexiva e racional da palavra impressa. O computador
só engatinhava, e Postman mal poderia prever como
70 celulares, tablets e redes sociais se tornariam — bem
mais que a TV — o soma contemporâneo. Mas suas
palavras foram prescientes: “O que afligia a população
em Admirável mundo novo não é que estivessem rindo
em vez de pensar, mas que não sabiam do que estavam
75 rindo, nem tinham parado de pensar”.

(Adaptado, Revista Época nº 973 – 13 de fevereiro de 2017, p.67)

Distopia = Pensamento, filosofia ou processo discursivo caracterizado pelo totalitarismo, autoritarismo e opressivo controle da sociedade, representando a antítese de utopia. (BECHARA, E. Dicionário da língua portuguesa. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2011, p.533)

Leia as afirmações feitas acerca do texto e julgue-as como VERDADEIRAS (V) ou FALSAS (F).

( ) As obras citadas, “1984”, “Admirável mundo novo” e “Nos divertindo até morrer” se assemelham por serem obras que tratam de teoria da comunicação.
( ) Há dois meios de controle ou de ruína social: a dor ou o prazer.
( ) A censura tirana é necessária porque o público sabe a diferença entre discurso sério e entretenimento.
( ) A televisão é incapaz de manter com a verdade a mesma relação reflexiva e racional da palavra impressa.
( ) Tal qual a TV, os celulares, tabletes e redes se prestam a funcionar como o soma: garantir o bem-estar social.
( ) Na obra de Huxley, as pessoas não pensavam, mas riam, mesmo não sabendo de quê.

Assinale a alternativa que contém a sequência correta.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Sequência: F – V – F – V – F – V.

1 F: as obras são ficção distópica (e o livro de Postman é ensaio), não são todas teoria da comunicação. 2 V: dor (Orwell) ou prazer (Huxley). 3 F: a censura só seria necessária se o público soubesse a diferença, e o texto não afirma que seja necessária. 4 V: Postman julgava a TV incapaz dessa relação. 5 F: o texto diz que os dispositivos são o soma contemporâneo, mas não os compara à TV nesse aspecto. 6 V: o texto diz que não sabiam do que riam.

Análise das alternativas

A, B e D trazem sequências que contradizem o texto em pelo menos um item.

Referência: Interpretação de texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Figuras de Linguagem

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I

MAIS QUE ORWELL, HUXLEY PREVIU NOSSO TEMPO
Hélio Gurovitz

Publicado em 1948, o livro 1984, de George Orwell,
saltou para o topo da lista dos mais vendidos (...) A
distopia de Orwel, mesmo situada no futuro, tinha um
endereço certo em seu tempo: o stalinismo. (...) O
5 mundo da “pós-verdade”, dos “fatos alternativos” e da
anestesia intelectual nas redes sociais mais parece outra
distopia, publicada em 1932: Admirável mundo novo, de
Aldous Huxley.
Não se trata de uma tese nova. Ela foi levantada
10 pela primeira vez em 1985, num livreto do teórico da
comunicação americano Neil Postman: Amusing
ourselves to death (Nos divertindo até morrer),
relembrado por seu filho Andrew em artigo recente no
The Guardian. “Na visão de Huxley, não é necessário
15 nenhum Grande Irmão para despojar a população de
autonomia, maturidade ou história”, escreveu Postman.
“Ela acabaria amando sua opressão, adorando as
tecnologias que destroem sua capacidade de pensar.
Orwell temia aqueles que proibiriam os livros. Huxley
20 temia que não haveria motivo para proibir um livro, pois
não haveria ninguém que quisesse lê-los. Orwell temia
aqueles que nos privariam de informação. Huxley,
aqueles que nos dariam tanta que seríamos reduzidos à
passividade e ao egoísmo. Orwell temia que a verdade
25 fosse escondida de nós. Huxley, que fosse afogada num
mar de irrelevância.”
No futuro pintado por Huxley, (...) não há mães,
pais ou casamentos. O sexo é livre. A diversão está
disponível na forma de jogos esportivos, cinema
30 multissensorial e de uma droga que garante o bem-estar
sem efeito colateral: o soma. Restaram na Terra dez
áreas civilizadas e uns poucos territórios selvagens,
onde grupos nativos ainda preservam costumes e
tradições primitivos, como família ou religião. “O mundo
35 agora é estável”, diz um líder civilizado. “As pessoas
são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que
não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança;
nunca adoecem; não têm medo da morte; vivem na
ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham
40 sobrecarregadas de pais e mães; não têm esposas, nem
filhos, nem amantes por quem possam sofrer emoções
violentas; são condicionadas de tal modo que
praticamente não podem deixar de se portar como
devem. E se, por acaso, alguma coisa andar mal, há o
45 soma.”
Para chegar à estabilidade absoluta, foi
necessário abrir mão da arte e da ciência. “A felicidade
universal mantém as engrenagens em funcionamento
regular; a verdade e a beleza são incapazes de fazê-lo”,
50 diz o líder. “Cada vez que as massas tomavam o poder
público, era a felicidade, mais que a verdade e a beleza,
o que importava.” A verdade é considerada uma
ameaça; a ciência e a arte, perigos públicos. Mas não é
necessário esforço totalitário para controlá-las. Todos
55 aceitam de bom grado, fazem “qualquer sacrifício em
troca de uma vida sossegada” e de sua dose diária de
soma. “Não foi muito bom para a verdade, sem dúvida.
Mas foi excelente para a felicidade.”
No universo de Orwell, a população é controlada
60 pela dor. No de Huxley, pelo prazer. “Orwell temia que
nossa ruína seria causada pelo que odiamos. Huxley,
pelo que amamos”, escreve Postman. Só precisa haver
censura, diz ele, se os tiranos acreditam que o público
sabe a diferença entre discurso sério e entretenimento.
65 (...) O alvo de Postman, em seu tempo, era a televisão,
que ele julgava ter imposto uma cultura fragmentada e
superficial, incapaz de manter com a verdade a relação
reflexiva e racional da palavra impressa. O computador
só engatinhava, e Postman mal poderia prever como
70 celulares, tablets e redes sociais se tornariam — bem
mais que a TV — o soma contemporâneo. Mas suas
palavras foram prescientes: “O que afligia a população
em Admirável mundo novo não é que estivessem rindo
em vez de pensar, mas que não sabiam do que estavam
75 rindo, nem tinham parado de pensar”.

(Adaptado, Revista Época nº 973 – 13 de fevereiro de 2017, p.67)

Distopia = Pensamento, filosofia ou processo discursivo caracterizado pelo totalitarismo, autoritarismo e opressivo controle da sociedade, representando a antítese de utopia. (BECHARA, E. Dicionário da língua portuguesa. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2011, p.533)

Assinale a opção cuja figura de linguagem NÃO tem como elemento central um verbo.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Em A a figura central é a comparação/metáfora entre 'mundo' e 'distopia', não um verbo.

Em A, o recurso central é a comparação entre o mundo atual e a distopia de Huxley, tendo como elemento os substantivos 'mundo' e 'distopia'. Nas outras, a figura está no verbo: 'pintado' (B), 'engatinhava' (C) e 'afogada' (D).

Análise das alternativas

B: 'pintado' é uma metáfora verbal ('futuro pintado'). C: 'engatinhava' é uma metáfora verbal. D: 'afogada num mar' é uma metáfora com o verbo afogar.

Referência: Figuras de linguagem: metáfora e comparação.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Análise Sintática

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I

MAIS QUE ORWELL, HUXLEY PREVIU NOSSO TEMPO
Hélio Gurovitz

Publicado em 1948, o livro 1984, de George Orwell,
saltou para o topo da lista dos mais vendidos (...) A
distopia de Orwel, mesmo situada no futuro, tinha um
endereço certo em seu tempo: o stalinismo. (...) O
5 mundo da “pós-verdade”, dos “fatos alternativos” e da
anestesia intelectual nas redes sociais mais parece outra
distopia, publicada em 1932: Admirável mundo novo, de
Aldous Huxley.
Não se trata de uma tese nova. Ela foi levantada
10 pela primeira vez em 1985, num livreto do teórico da
comunicação americano Neil Postman: Amusing
ourselves to death (Nos divertindo até morrer),
relembrado por seu filho Andrew em artigo recente no
The Guardian. “Na visão de Huxley, não é necessário
15 nenhum Grande Irmão para despojar a população de
autonomia, maturidade ou história”, escreveu Postman.
“Ela acabaria amando sua opressão, adorando as
tecnologias que destroem sua capacidade de pensar.
Orwell temia aqueles que proibiriam os livros. Huxley
20 temia que não haveria motivo para proibir um livro, pois
não haveria ninguém que quisesse lê-los. Orwell temia
aqueles que nos privariam de informação. Huxley,
aqueles que nos dariam tanta que seríamos reduzidos à
passividade e ao egoísmo. Orwell temia que a verdade
25 fosse escondida de nós. Huxley, que fosse afogada num
mar de irrelevância.”
No futuro pintado por Huxley, (...) não há mães,
pais ou casamentos. O sexo é livre. A diversão está
disponível na forma de jogos esportivos, cinema
30 multissensorial e de uma droga que garante o bem-estar
sem efeito colateral: o soma. Restaram na Terra dez
áreas civilizadas e uns poucos territórios selvagens,
onde grupos nativos ainda preservam costumes e
tradições primitivos, como família ou religião. “O mundo
35 agora é estável”, diz um líder civilizado. “As pessoas
são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que
não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança;
nunca adoecem; não têm medo da morte; vivem na
ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham
40 sobrecarregadas de pais e mães; não têm esposas, nem
filhos, nem amantes por quem possam sofrer emoções
violentas; são condicionadas de tal modo que
praticamente não podem deixar de se portar como
devem. E se, por acaso, alguma coisa andar mal, há o
45 soma.”
Para chegar à estabilidade absoluta, foi
necessário abrir mão da arte e da ciência. “A felicidade
universal mantém as engrenagens em funcionamento
regular; a verdade e a beleza são incapazes de fazê-lo”,
50 diz o líder. “Cada vez que as massas tomavam o poder
público, era a felicidade, mais que a verdade e a beleza,
o que importava.” A verdade é considerada uma
ameaça; a ciência e a arte, perigos públicos. Mas não é
necessário esforço totalitário para controlá-las. Todos
55 aceitam de bom grado, fazem “qualquer sacrifício em
troca de uma vida sossegada” e de sua dose diária de
soma. “Não foi muito bom para a verdade, sem dúvida.
Mas foi excelente para a felicidade.”
No universo de Orwell, a população é controlada
60 pela dor. No de Huxley, pelo prazer. “Orwell temia que
nossa ruína seria causada pelo que odiamos. Huxley,
pelo que amamos”, escreve Postman. Só precisa haver
censura, diz ele, se os tiranos acreditam que o público
sabe a diferença entre discurso sério e entretenimento.
65 (...) O alvo de Postman, em seu tempo, era a televisão,
que ele julgava ter imposto uma cultura fragmentada e
superficial, incapaz de manter com a verdade a relação
reflexiva e racional da palavra impressa. O computador
só engatinhava, e Postman mal poderia prever como
70 celulares, tablets e redes sociais se tornariam — bem
mais que a TV — o soma contemporâneo. Mas suas
palavras foram prescientes: “O que afligia a população
em Admirável mundo novo não é que estivessem rindo
em vez de pensar, mas que não sabiam do que estavam
75 rindo, nem tinham parado de pensar”.

(Adaptado, Revista Época nº 973 – 13 de fevereiro de 2017, p.67)

Distopia = Pensamento, filosofia ou processo discursivo caracterizado pelo totalitarismo, autoritarismo e opressivo controle da sociedade, representando a antítese de utopia. (BECHARA, E. Dicionário da língua portuguesa. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2011, p.533)

Analise as assertivas que dizem respeito ao trecho a seguir.

“Não se trata de uma tese nova. Ela foi levantada pela primeira vez em 1985, num livreto do teórico da comunicação americano Neil Postman: Amusing ourselves to death (Nos divertindo até morrer), relembrado por seu filho Andrew em artigo recente no The guardian.”(ℓ. 09 a 14)

I. O primeiro período é constituído de uma oração absoluta sem sujeito.
II. Está de acordo com a Norma Gramatical Brasileira a seguinte reescrita => Não se trata de uma tese nova: esta tese foi levantada pela primeira vez em 1985.
III. O termo Neil Postman classifica-se como agente da passiva, uma vez que é o elemento que realiza a ação expressa na locução verbal indicativa de voz passiva.
IV. O termo do teórico da comunicação americano associa-se a um substantivo, especificando-lhe o sentido, sendo, portanto, um adjunto adnominal.
V. O substantivo livreto encontra-se flexionado no grau diminutivo sintético para representar uma relação de tamanho.

Está correto o que se afirma apenas em
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Estão corretas apenas IV e V.

IV: 'do teórico da comunicação americano' é locução adjetiva que especifica 'livreto', logo adjunto adnominal. V: 'livreto' tem o sufixo diminutivo -eto e indica tamanho.

Análise das alternativas

I: 'Não se trata de uma tese nova' tem sujeito indeterminado (verbo transitivo indireto + se), não é oração sem sujeito. II: o gabarito não considera correta a reescrita com 'esta tese', pois o pronome 'ela' retoma a tese já citada. III: 'Neil Postman' é aposto e especifica o 'teórico', não é agente da passiva.

Referência: Análise sintática: sujeito indeterminado, adjunto adnominal, aposto; formação de palavras.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Análise Sintática — Período Composto

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I

MAIS QUE ORWELL, HUXLEY PREVIU NOSSO TEMPO
Hélio Gurovitz

Publicado em 1948, o livro 1984, de George Orwell,
saltou para o topo da lista dos mais vendidos (...) A
distopia de Orwel, mesmo situada no futuro, tinha um
endereço certo em seu tempo: o stalinismo. (...) O
5 mundo da “pós-verdade”, dos “fatos alternativos” e da
anestesia intelectual nas redes sociais mais parece outra
distopia, publicada em 1932: Admirável mundo novo, de
Aldous Huxley.
Não se trata de uma tese nova. Ela foi levantada
10 pela primeira vez em 1985, num livreto do teórico da
comunicação americano Neil Postman: Amusing
ourselves to death (Nos divertindo até morrer),
relembrado por seu filho Andrew em artigo recente no
The Guardian. “Na visão de Huxley, não é necessário
15 nenhum Grande Irmão para despojar a população de
autonomia, maturidade ou história”, escreveu Postman.
“Ela acabaria amando sua opressão, adorando as
tecnologias que destroem sua capacidade de pensar.
Orwell temia aqueles que proibiriam os livros. Huxley
20 temia que não haveria motivo para proibir um livro, pois
não haveria ninguém que quisesse lê-los. Orwell temia
aqueles que nos privariam de informação. Huxley,
aqueles que nos dariam tanta que seríamos reduzidos à
passividade e ao egoísmo. Orwell temia que a verdade
25 fosse escondida de nós. Huxley, que fosse afogada num
mar de irrelevância.”
No futuro pintado por Huxley, (...) não há mães,
pais ou casamentos. O sexo é livre. A diversão está
disponível na forma de jogos esportivos, cinema
30 multissensorial e de uma droga que garante o bem-estar
sem efeito colateral: o soma. Restaram na Terra dez
áreas civilizadas e uns poucos territórios selvagens,
onde grupos nativos ainda preservam costumes e
tradições primitivos, como família ou religião. “O mundo
35 agora é estável”, diz um líder civilizado. “As pessoas
são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que
não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança;
nunca adoecem; não têm medo da morte; vivem na
ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham
40 sobrecarregadas de pais e mães; não têm esposas, nem
filhos, nem amantes por quem possam sofrer emoções
violentas; são condicionadas de tal modo que
praticamente não podem deixar de se portar como
devem. E se, por acaso, alguma coisa andar mal, há o
45 soma.”
Para chegar à estabilidade absoluta, foi
necessário abrir mão da arte e da ciência. “A felicidade
universal mantém as engrenagens em funcionamento
regular; a verdade e a beleza são incapazes de fazê-lo”,
50 diz o líder. “Cada vez que as massas tomavam o poder
público, era a felicidade, mais que a verdade e a beleza,
o que importava.” A verdade é considerada uma
ameaça; a ciência e a arte, perigos públicos. Mas não é
necessário esforço totalitário para controlá-las. Todos
55 aceitam de bom grado, fazem “qualquer sacrifício em
troca de uma vida sossegada” e de sua dose diária de
soma. “Não foi muito bom para a verdade, sem dúvida.
Mas foi excelente para a felicidade.”
No universo de Orwell, a população é controlada
60 pela dor. No de Huxley, pelo prazer. “Orwell temia que
nossa ruína seria causada pelo que odiamos. Huxley,
pelo que amamos”, escreve Postman. Só precisa haver
censura, diz ele, se os tiranos acreditam que o público
sabe a diferença entre discurso sério e entretenimento.
65 (...) O alvo de Postman, em seu tempo, era a televisão,
que ele julgava ter imposto uma cultura fragmentada e
superficial, incapaz de manter com a verdade a relação
reflexiva e racional da palavra impressa. O computador
só engatinhava, e Postman mal poderia prever como
70 celulares, tablets e redes sociais se tornariam — bem
mais que a TV — o soma contemporâneo. Mas suas
palavras foram prescientes: “O que afligia a população
em Admirável mundo novo não é que estivessem rindo
em vez de pensar, mas que não sabiam do que estavam
75 rindo, nem tinham parado de pensar”.

(Adaptado, Revista Época nº 973 – 13 de fevereiro de 2017, p.67)

Distopia = Pensamento, filosofia ou processo discursivo caracterizado pelo totalitarismo, autoritarismo e opressivo controle da sociedade, representando a antítese de utopia. (BECHARA, E. Dicionário da língua portuguesa. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2011, p.533)

Assinale a alternativa em que a análise dos termos presentes no excerto abaixo está de acordo com o que prescreve a Gramática Normativa da Língua Portuguesa.

“A distopia de Orwell, mesmo situada no futuro, tinha um endereço certo em seu tempo: o stalinismo.” (ℓ. 2 a 4)
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

As vírgulas isolam a oração subordinada adverbial intercalada na principal.

O período tem duas orações: a principal ('A distopia de Orwell tinha um endereço certo...') e a reduzida de particípio 'mesmo situada no futuro', intercalada entre vírgulas. Essa oração é adverbial concessiva.

Análise das alternativas

A: são duas orações, não três, e não há coordenada. B: o valor é concessivo ('mesmo'), não temporal. C: 'o stalinismo' é aposto de 'um endereço certo', não de 'seu tempo'.

Referência: Período composto; orações reduzidas; aposto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Concordância Nominal

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I

MAIS QUE ORWELL, HUXLEY PREVIU NOSSO TEMPO
Hélio Gurovitz

Publicado em 1948, o livro 1984, de George Orwell,
saltou para o topo da lista dos mais vendidos (...) A
distopia de Orwel, mesmo situada no futuro, tinha um
endereço certo em seu tempo: o stalinismo. (...) O
5 mundo da “pós-verdade”, dos “fatos alternativos” e da
anestesia intelectual nas redes sociais mais parece outra
distopia, publicada em 1932: Admirável mundo novo, de
Aldous Huxley.
Não se trata de uma tese nova. Ela foi levantada
10 pela primeira vez em 1985, num livreto do teórico da
comunicação americano Neil Postman: Amusing
ourselves to death (Nos divertindo até morrer),
relembrado por seu filho Andrew em artigo recente no
The Guardian. “Na visão de Huxley, não é necessário
15 nenhum Grande Irmão para despojar a população de
autonomia, maturidade ou história”, escreveu Postman.
“Ela acabaria amando sua opressão, adorando as
tecnologias que destroem sua capacidade de pensar.
Orwell temia aqueles que proibiriam os livros. Huxley
20 temia que não haveria motivo para proibir um livro, pois
não haveria ninguém que quisesse lê-los. Orwell temia
aqueles que nos privariam de informação. Huxley,
aqueles que nos dariam tanta que seríamos reduzidos à
passividade e ao egoísmo. Orwell temia que a verdade
25 fosse escondida de nós. Huxley, que fosse afogada num
mar de irrelevância.”
No futuro pintado por Huxley, (...) não há mães,
pais ou casamentos. O sexo é livre. A diversão está
disponível na forma de jogos esportivos, cinema
30 multissensorial e de uma droga que garante o bem-estar
sem efeito colateral: o soma. Restaram na Terra dez
áreas civilizadas e uns poucos territórios selvagens,
onde grupos nativos ainda preservam costumes e
tradições primitivos, como família ou religião. “O mundo
35 agora é estável”, diz um líder civilizado. “As pessoas
são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que
não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança;
nunca adoecem; não têm medo da morte; vivem na
ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham
40 sobrecarregadas de pais e mães; não têm esposas, nem
filhos, nem amantes por quem possam sofrer emoções
violentas; são condicionadas de tal modo que
praticamente não podem deixar de se portar como
devem. E se, por acaso, alguma coisa andar mal, há o
45 soma.”
Para chegar à estabilidade absoluta, foi
necessário abrir mão da arte e da ciência. “A felicidade
universal mantém as engrenagens em funcionamento
regular; a verdade e a beleza são incapazes de fazê-lo”,
50 diz o líder. “Cada vez que as massas tomavam o poder
público, era a felicidade, mais que a verdade e a beleza,
o que importava.” A verdade é considerada uma
ameaça; a ciência e a arte, perigos públicos. Mas não é
necessário esforço totalitário para controlá-las. Todos
55 aceitam de bom grado, fazem “qualquer sacrifício em
troca de uma vida sossegada” e de sua dose diária de
soma. “Não foi muito bom para a verdade, sem dúvida.
Mas foi excelente para a felicidade.”
No universo de Orwell, a população é controlada
60 pela dor. No de Huxley, pelo prazer. “Orwell temia que
nossa ruína seria causada pelo que odiamos. Huxley,
pelo que amamos”, escreve Postman. Só precisa haver
censura, diz ele, se os tiranos acreditam que o público
sabe a diferença entre discurso sério e entretenimento.
65 (...) O alvo de Postman, em seu tempo, era a televisão,
que ele julgava ter imposto uma cultura fragmentada e
superficial, incapaz de manter com a verdade a relação
reflexiva e racional da palavra impressa. O computador
só engatinhava, e Postman mal poderia prever como
70 celulares, tablets e redes sociais se tornariam — bem
mais que a TV — o soma contemporâneo. Mas suas
palavras foram prescientes: “O que afligia a população
em Admirável mundo novo não é que estivessem rindo
em vez de pensar, mas que não sabiam do que estavam
75 rindo, nem tinham parado de pensar”.

(Adaptado, Revista Época nº 973 – 13 de fevereiro de 2017, p.67)

Distopia = Pensamento, filosofia ou processo discursivo caracterizado pelo totalitarismo, autoritarismo e opressivo controle da sociedade, representando a antítese de utopia. (BECHARA, E. Dicionário da língua portuguesa. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2011, p.533)

Tendo como base o que prescreve a norma culta padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa cuja análise está correta.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Crase

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I

MAIS QUE ORWELL, HUXLEY PREVIU NOSSO TEMPO
Hélio Gurovitz

Publicado em 1948, o livro 1984, de George Orwell,
saltou para o topo da lista dos mais vendidos (...) A
distopia de Orwel, mesmo situada no futuro, tinha um
endereço certo em seu tempo: o stalinismo. (...) O
5 mundo da “pós-verdade”, dos “fatos alternativos” e da
anestesia intelectual nas redes sociais mais parece outra
distopia, publicada em 1932: Admirável mundo novo, de
Aldous Huxley.
Não se trata de uma tese nova. Ela foi levantada
10 pela primeira vez em 1985, num livreto do teórico da
comunicação americano Neil Postman: Amusing
ourselves to death (Nos divertindo até morrer),
relembrado por seu filho Andrew em artigo recente no
The Guardian. “Na visão de Huxley, não é necessário
15 nenhum Grande Irmão para despojar a população de
autonomia, maturidade ou história”, escreveu Postman.
“Ela acabaria amando sua opressão, adorando as
tecnologias que destroem sua capacidade de pensar.
Orwell temia aqueles que proibiriam os livros. Huxley
20 temia que não haveria motivo para proibir um livro, pois
não haveria ninguém que quisesse lê-los. Orwell temia
aqueles que nos privariam de informação. Huxley,
aqueles que nos dariam tanta que seríamos reduzidos à
passividade e ao egoísmo. Orwell temia que a verdade
25 fosse escondida de nós. Huxley, que fosse afogada num
mar de irrelevância.”
No futuro pintado por Huxley, (...) não há mães,
pais ou casamentos. O sexo é livre. A diversão está
disponível na forma de jogos esportivos, cinema
30 multissensorial e de uma droga que garante o bem-estar
sem efeito colateral: o soma. Restaram na Terra dez
áreas civilizadas e uns poucos territórios selvagens,
onde grupos nativos ainda preservam costumes e
tradições primitivos, como família ou religião. “O mundo
35 agora é estável”, diz um líder civilizado. “As pessoas
são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que
não podem ter. Sentem-se bem, estão em segurança;
nunca adoecem; não têm medo da morte; vivem na
ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham
40 sobrecarregadas de pais e mães; não têm esposas, nem
filhos, nem amantes por quem possam sofrer emoções
violentas; são condicionadas de tal modo que
praticamente não podem deixar de se portar como
devem. E se, por acaso, alguma coisa andar mal, há o
45 soma.”
Para chegar à estabilidade absoluta, foi
necessário abrir mão da arte e da ciência. “A felicidade
universal mantém as engrenagens em funcionamento
regular; a verdade e a beleza são incapazes de fazê-lo”,
50 diz o líder. “Cada vez que as massas tomavam o poder
público, era a felicidade, mais que a verdade e a beleza,
o que importava.” A verdade é considerada uma
ameaça; a ciência e a arte, perigos públicos. Mas não é
necessário esforço totalitário para controlá-las. Todos
55 aceitam de bom grado, fazem “qualquer sacrifício em
troca de uma vida sossegada” e de sua dose diária de
soma. “Não foi muito bom para a verdade, sem dúvida.
Mas foi excelente para a felicidade.”
No universo de Orwell, a população é controlada
60 pela dor. No de Huxley, pelo prazer. “Orwell temia que
nossa ruína seria causada pelo que odiamos. Huxley,
pelo que amamos”, escreve Postman. Só precisa haver
censura, diz ele, se os tiranos acreditam que o público
sabe a diferença entre discurso sério e entretenimento.
65 (...) O alvo de Postman, em seu tempo, era a televisão,
que ele julgava ter imposto uma cultura fragmentada e
superficial, incapaz de manter com a verdade a relação
reflexiva e racional da palavra impressa. O computador
só engatinhava, e Postman mal poderia prever como
70 celulares, tablets e redes sociais se tornariam — bem
mais que a TV — o soma contemporâneo. Mas suas
palavras foram prescientes: “O que afligia a população
em Admirável mundo novo não é que estivessem rindo
em vez de pensar, mas que não sabiam do que estavam
75 rindo, nem tinham parado de pensar”.

(Adaptado, Revista Época nº 973 – 13 de fevereiro de 2017, p.67)

Distopia = Pensamento, filosofia ou processo discursivo caracterizado pelo totalitarismo, autoritarismo e opressivo controle da sociedade, representando a antítese de utopia. (BECHARA, E. Dicionário da língua portuguesa. 1ª ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2011, p.533)

Assinale a alternativa em que o aspecto gramatical analisado está correto.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Com 'sua' antes de 'estabilidade', a crase torna-se facultativa.

Diante de pronome possessivo feminino singular o artigo é facultativo, então 'à sua estabilidade' ou 'a sua estabilidade' são ambos corretos. A obrigatoriedade da crase, que existia com 'à estabilidade', deixa de existir.

Análise das alternativas

B: o sufixo -ismo forma substantivos de doutrina ou estado, não indica flexão de grau. C: 'ciência' termina em ditongo crescente (ia) e 'temia' tem hiato (mi-a), então a ordem das classificações está trocada. D: as aspas indicam citação, não erro de concordância.

Referência: Crase diante de pronomes possessivos; estrutura das palavras.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO II

REDES SOCIAIS E COLABORAÇÃO EXTREMA:
O FIM DO SENSO CRÍTICO?
Eugênio Mira

Conectados. Essa palavra nunca fez tanto
sentido quanto agora. Quando se discutia no passado
sobre como os homens agiriam com o advento da aldeia
global (...) não se imaginava o quanto esse processo
5 seria rápido e devastador.
(...) quando McLuhan apresentou o termo, em
1968, ele sequer imaginaria que não seria a televisão a
grande responsável pela interligação mundial absoluta, e
sim a internet, que na época não passava de um projeto
10 militar do governo dos Estados Unidos.
A internet mudou definitivamente a maneira
como nos comunicamos e percebemos o mundo. Graças
a ela temos acesso a toda informação do mundo à
distância de apenas um toque de botão. E quando
15 começaram a se popularizar as redes sociais, um
admirável mundo novo abriu-se ante nossos olhos. Uma
ferramenta colaborativa extrema, que possibilitaria o
contato imediato com outras pessoas através de suas
afinidades, fossem elas políticas, religiosas ou mesmo
20 geográficas. Projetos colaborativos, revoluções
instantâneas... Tudo seria maior e melhor quando as
pessoas se alinhassem na órbita de seus ideais. O
tempo passou, e essa revolução não se instaurou.
Basta observar as figuras que surgem nos sites
25 de humor e outros assemelhados. Conhecidos como
memes (termo cunhado pelo pesquisador Richard
Dawkins, que representaria para nossa memória o
mesmo que os genes representam para o corpo, ou
seja, uma parcela mínima de informação), essas figuras
30 surgiram com a intenção de demonstrar, de maneira
icônica, algum sentimento ou sensação. Ao fazer isso, a
tendência de ter uma reação diversa daquelas
expressas pelas tirinhas é cada vez menor. Tudo fica
branco e preto. Ou se aceita a situação, ou revolta-se.
35 Sem chance para o debate ou questionamento.
(...)
A situação é ainda mais grave quando um dos
poucos entes criativos restantes na internet produz
algum comentário curto, espirituoso ou reflexivo, a
40 respeito de alguma situação atual ou recente... Em
minutos pipocam cópias da frase por todo lugar. Copia-
se sem o menor bom senso, sem créditos. Pensar e
refletir, e depois falar, são coisas do passado. O
importante agora é copiar e colar, e depois partilhar. As
45 redes sociais desfraldaram um mundo completamente
novo, e o uso que o homem fará dessas ferramentas é o
que dirá o nosso futuro cultural. Se enveredarmos pela
partilha de ideias, gestando-as em nossas mentes e
depois as passando a outros, será uma estufa mundial a
50 produzir avanços incríveis em todos os campos de
conhecimento. Se, no entanto, as redes sociais se
transformarem em uma rede neural de apoio à preguiça
de pensar, a humanidade estará fadada ao processo
antinatural de regressão. O advento das redes sociais
55 trouxe para perto das pessoas comuns os amigos
distantes, os ídolos e as ideias consumistas mais
arraigados, mas aparentemente está levando para longe
algo muito mais humano e essencial na vida em
sociedade: o senso crítico. Será uma troca justa?

(http://obviousmag.org/archives/2011/09/redes_sociais_e_colaboracao_extrema_O_fim_do_senso_critico-.htm. Adaptado.Acesso em: 21 fev 2017)

Assinale a alternativa que apresenta uma afirmativa correta em relação ao texto.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Em 1968 acreditava-se que a TV seria a grande responsável pela interligação mundial.

O texto diz que McLuhan, ao cunhar 'aldeia global' em 1968, não imaginaria que seria a internet, então um projeto militar, e não a TV, a responsável pela interligação. A alternativa A reproduz essa ideia.

Análise das alternativas

B: o texto diz que a 'revolução não se instaurou'. C: o texto diz que a possibilidade de reação diversa diminui, não que os memes sejam não passíveis de debate; a conclusão está exagerada. D: os que copiam e colam não são os 'entes criativos' que produzem os comentários; o texto os contrapõe.

Referência: Interpretação de texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Reescrita de Frases

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO II

REDES SOCIAIS E COLABORAÇÃO EXTREMA:
O FIM DO SENSO CRÍTICO?
Eugênio Mira

Conectados. Essa palavra nunca fez tanto
sentido quanto agora. Quando se discutia no passado
sobre como os homens agiriam com o advento da aldeia
global (...) não se imaginava o quanto esse processo
5 seria rápido e devastador.
(...) quando McLuhan apresentou o termo, em
1968, ele sequer imaginaria que não seria a televisão a
grande responsável pela interligação mundial absoluta, e
sim a internet, que na época não passava de um projeto
10 militar do governo dos Estados Unidos.
A internet mudou definitivamente a maneira
como nos comunicamos e percebemos o mundo. Graças
a ela temos acesso a toda informação do mundo à
distância de apenas um toque de botão. E quando
15 começaram a se popularizar as redes sociais, um
admirável mundo novo abriu-se ante nossos olhos. Uma
ferramenta colaborativa extrema, que possibilitaria o
contato imediato com outras pessoas através de suas
afinidades, fossem elas políticas, religiosas ou mesmo
20 geográficas. Projetos colaborativos, revoluções
instantâneas... Tudo seria maior e melhor quando as
pessoas se alinhassem na órbita de seus ideais. O
tempo passou, e essa revolução não se instaurou.
Basta observar as figuras que surgem nos sites
25 de humor e outros assemelhados. Conhecidos como
memes (termo cunhado pelo pesquisador Richard
Dawkins, que representaria para nossa memória o
mesmo que os genes representam para o corpo, ou
seja, uma parcela mínima de informação), essas figuras
30 surgiram com a intenção de demonstrar, de maneira
icônica, algum sentimento ou sensação. Ao fazer isso, a
tendência de ter uma reação diversa daquelas
expressas pelas tirinhas é cada vez menor. Tudo fica
branco e preto. Ou se aceita a situação, ou revolta-se.
35 Sem chance para o debate ou questionamento.
(...)
A situação é ainda mais grave quando um dos
poucos entes criativos restantes na internet produz
algum comentário curto, espirituoso ou reflexivo, a
40 respeito de alguma situação atual ou recente... Em
minutos pipocam cópias da frase por todo lugar. Copia-
se sem o menor bom senso, sem créditos. Pensar e
refletir, e depois falar, são coisas do passado. O
importante agora é copiar e colar, e depois partilhar. As
45 redes sociais desfraldaram um mundo completamente
novo, e o uso que o homem fará dessas ferramentas é o
que dirá o nosso futuro cultural. Se enveredarmos pela
partilha de ideias, gestando-as em nossas mentes e
depois as passando a outros, será uma estufa mundial a
50 produzir avanços incríveis em todos os campos de
conhecimento. Se, no entanto, as redes sociais se
transformarem em uma rede neural de apoio à preguiça
de pensar, a humanidade estará fadada ao processo
antinatural de regressão. O advento das redes sociais
55 trouxe para perto das pessoas comuns os amigos
distantes, os ídolos e as ideias consumistas mais
arraigados, mas aparentemente está levando para longe
algo muito mais humano e essencial na vida em
sociedade: o senso crítico. Será uma troca justa?

(http://obviousmag.org/archives/2011/09/redes_sociais_e_colaboracao_extrema_O_fim_do_senso_critico-.htm. Adaptado.Acesso em: 21 fev 2017)

Assinale a alternativa em que a reescrita do excerto NÃO mantém a correção morfossintática.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A reescrita 'a maneira que nos comunicamos' não mantém a correção.

'A maneira como nos comunicamos' admite 'como' (advérbio), mas trocar por 'que' sem preposição é inadequado. A norma pede 'a maneira pela qual' ou 'em que'. Por isso a reescrita C é incorreta.

Análise das alternativas

A: 'à internet' retoma 'ela' com a crase correta e a regência de 'acesso' preservada. B: 'no momento em que' equivale a 'quando'. D: a voz passiva com 'arraigadas' concorda com 'ideias'. Tudo isso está correto.

Referência: Reescrita de frases; pronome relativo e regência.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Posição do Adjetivo e Sentido

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO II

REDES SOCIAIS E COLABORAÇÃO EXTREMA:
O FIM DO SENSO CRÍTICO?
Eugênio Mira

Conectados. Essa palavra nunca fez tanto
sentido quanto agora. Quando se discutia no passado
sobre como os homens agiriam com o advento da aldeia
global (...) não se imaginava o quanto esse processo
5 seria rápido e devastador.
(...) quando McLuhan apresentou o termo, em
1968, ele sequer imaginaria que não seria a televisão a
grande responsável pela interligação mundial absoluta, e
sim a internet, que na época não passava de um projeto
10 militar do governo dos Estados Unidos.
A internet mudou definitivamente a maneira
como nos comunicamos e percebemos o mundo. Graças
a ela temos acesso a toda informação do mundo à
distância de apenas um toque de botão. E quando
15 começaram a se popularizar as redes sociais, um
admirável mundo novo abriu-se ante nossos olhos. Uma
ferramenta colaborativa extrema, que possibilitaria o
contato imediato com outras pessoas através de suas
afinidades, fossem elas políticas, religiosas ou mesmo
20 geográficas. Projetos colaborativos, revoluções
instantâneas... Tudo seria maior e melhor quando as
pessoas se alinhassem na órbita de seus ideais. O
tempo passou, e essa revolução não se instaurou.
Basta observar as figuras que surgem nos sites
25 de humor e outros assemelhados. Conhecidos como
memes (termo cunhado pelo pesquisador Richard
Dawkins, que representaria para nossa memória o
mesmo que os genes representam para o corpo, ou
seja, uma parcela mínima de informação), essas figuras
30 surgiram com a intenção de demonstrar, de maneira
icônica, algum sentimento ou sensação. Ao fazer isso, a
tendência de ter uma reação diversa daquelas
expressas pelas tirinhas é cada vez menor. Tudo fica
branco e preto. Ou se aceita a situação, ou revolta-se.
35 Sem chance para o debate ou questionamento.
(...)
A situação é ainda mais grave quando um dos
poucos entes criativos restantes na internet produz
algum comentário curto, espirituoso ou reflexivo, a
40 respeito de alguma situação atual ou recente... Em
minutos pipocam cópias da frase por todo lugar. Copia-
se sem o menor bom senso, sem créditos. Pensar e
refletir, e depois falar, são coisas do passado. O
importante agora é copiar e colar, e depois partilhar. As
45 redes sociais desfraldaram um mundo completamente
novo, e o uso que o homem fará dessas ferramentas é o
que dirá o nosso futuro cultural. Se enveredarmos pela
partilha de ideias, gestando-as em nossas mentes e
depois as passando a outros, será uma estufa mundial a
50 produzir avanços incríveis em todos os campos de
conhecimento. Se, no entanto, as redes sociais se
transformarem em uma rede neural de apoio à preguiça
de pensar, a humanidade estará fadada ao processo
antinatural de regressão. O advento das redes sociais
55 trouxe para perto das pessoas comuns os amigos
distantes, os ídolos e as ideias consumistas mais
arraigados, mas aparentemente está levando para longe
algo muito mais humano e essencial na vida em
sociedade: o senso crítico. Será uma troca justa?

(http://obviousmag.org/archives/2011/09/redes_sociais_e_colaboracao_extrema_O_fim_do_senso_critico-.htm. Adaptado.Acesso em: 21 fev 2017)

Assinale a alternativa em que a mudança de lugar do vocábulo em destaque NÃO provoca modificação no sentido da frase.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Conjunções — Valor Semântico

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO II

REDES SOCIAIS E COLABORAÇÃO EXTREMA:
O FIM DO SENSO CRÍTICO?
Eugênio Mira

Conectados. Essa palavra nunca fez tanto
sentido quanto agora. Quando se discutia no passado
sobre como os homens agiriam com o advento da aldeia
global (...) não se imaginava o quanto esse processo
5 seria rápido e devastador.
(...) quando McLuhan apresentou o termo, em
1968, ele sequer imaginaria que não seria a televisão a
grande responsável pela interligação mundial absoluta, e
sim a internet, que na época não passava de um projeto
10 militar do governo dos Estados Unidos.
A internet mudou definitivamente a maneira
como nos comunicamos e percebemos o mundo. Graças
a ela temos acesso a toda informação do mundo à
distância de apenas um toque de botão. E quando
15 começaram a se popularizar as redes sociais, um
admirável mundo novo abriu-se ante nossos olhos. Uma
ferramenta colaborativa extrema, que possibilitaria o
contato imediato com outras pessoas através de suas
afinidades, fossem elas políticas, religiosas ou mesmo
20 geográficas. Projetos colaborativos, revoluções
instantâneas... Tudo seria maior e melhor quando as
pessoas se alinhassem na órbita de seus ideais. O
tempo passou, e essa revolução não se instaurou.
Basta observar as figuras que surgem nos sites
25 de humor e outros assemelhados. Conhecidos como
memes (termo cunhado pelo pesquisador Richard
Dawkins, que representaria para nossa memória o
mesmo que os genes representam para o corpo, ou
seja, uma parcela mínima de informação), essas figuras
30 surgiram com a intenção de demonstrar, de maneira
icônica, algum sentimento ou sensação. Ao fazer isso, a
tendência de ter uma reação diversa daquelas
expressas pelas tirinhas é cada vez menor. Tudo fica
branco e preto. Ou se aceita a situação, ou revolta-se.
35 Sem chance para o debate ou questionamento.
(...)
A situação é ainda mais grave quando um dos
poucos entes criativos restantes na internet produz
algum comentário curto, espirituoso ou reflexivo, a
40 respeito de alguma situação atual ou recente... Em
minutos pipocam cópias da frase por todo lugar. Copia-
se sem o menor bom senso, sem créditos. Pensar e
refletir, e depois falar, são coisas do passado. O
importante agora é copiar e colar, e depois partilhar. As
45 redes sociais desfraldaram um mundo completamente
novo, e o uso que o homem fará dessas ferramentas é o
que dirá o nosso futuro cultural. Se enveredarmos pela
partilha de ideias, gestando-as em nossas mentes e
depois as passando a outros, será uma estufa mundial a
50 produzir avanços incríveis em todos os campos de
conhecimento. Se, no entanto, as redes sociais se
transformarem em uma rede neural de apoio à preguiça
de pensar, a humanidade estará fadada ao processo
antinatural de regressão. O advento das redes sociais
55 trouxe para perto das pessoas comuns os amigos
distantes, os ídolos e as ideias consumistas mais
arraigados, mas aparentemente está levando para longe
algo muito mais humano e essencial na vida em
sociedade: o senso crítico. Será uma troca justa?

(http://obviousmag.org/archives/2011/09/redes_sociais_e_colaboracao_extrema_O_fim_do_senso_critico-.htm. Adaptado.Acesso em: 21 fev 2017)

Observe o emprego da conjunção “e” nos enunciados abaixo, considerando o contexto de onde foram recortados, e as respectivas análises.

I. “Ele sequer imaginaria que não seria a televisão a grande responsável pela interligação mundial absoluta, e sim a internet...” (ℓ. 07 a 09) - A conjunção é aditiva.
II. “O tempo passou, e essa revolução não se instaurou.” (ℓ. 22 e 23) - A relação estabelecida é de adversidade.
III. “A internet mudou definitivamente a maneira como nos comunicamos e percebemos o mundo.” (ℓ. 11 e 12) - A conjunção estabelece uma relação de finalidade.
IV. “...copiar e colar, e depois partilhar.” (ℓ. 44) - A repetição da conjunção visa enfatizar o automatismo das ações.

Estão corretas as análises apresentadas apenas nos itens
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

São corretas apenas as análises II (adversidade) e IV (polissíndeto enfático).

Em II, 'e' equivale a 'mas' (o tempo passou, mas a revolução não veio), logo é adversativa. Em IV, a repetição do 'e' é polissíndeto e reforça o automatismo das ações (copiar, colar, partilhar).

Análise das alternativas

I: em 'e sim', a conjunção compõe a correlação adversativa/retificadora 'não... e sim', não é aditiva. III: o 'e' liga dois verbos ('comunicamos e percebemos') e é aditivo, não indica finalidade.

Referência: Valor semântico das conjunções; figuras de construção (polissíndeto).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Relações Semânticas entre Orações

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Questão anulada

Texto-base:
TEXTO II

REDES SOCIAIS E COLABORAÇÃO EXTREMA:
O FIM DO SENSO CRÍTICO?
Eugênio Mira

Conectados. Essa palavra nunca fez tanto
sentido quanto agora. Quando se discutia no passado
sobre como os homens agiriam com o advento da aldeia
global (...) não se imaginava o quanto esse processo
5 seria rápido e devastador.
(...) quando McLuhan apresentou o termo, em
1968, ele sequer imaginaria que não seria a televisão a
grande responsável pela interligação mundial absoluta, e
sim a internet, que na época não passava de um projeto
10 militar do governo dos Estados Unidos.
A internet mudou definitivamente a maneira
como nos comunicamos e percebemos o mundo. Graças
a ela temos acesso a toda informação do mundo à
distância de apenas um toque de botão. E quando
15 começaram a se popularizar as redes sociais, um
admirável mundo novo abriu-se ante nossos olhos. Uma
ferramenta colaborativa extrema, que possibilitaria o
contato imediato com outras pessoas através de suas
afinidades, fossem elas políticas, religiosas ou mesmo
20 geográficas. Projetos colaborativos, revoluções
instantâneas... Tudo seria maior e melhor quando as
pessoas se alinhassem na órbita de seus ideais. O
tempo passou, e essa revolução não se instaurou.
Basta observar as figuras que surgem nos sites
25 de humor e outros assemelhados. Conhecidos como
memes (termo cunhado pelo pesquisador Richard
Dawkins, que representaria para nossa memória o
mesmo que os genes representam para o corpo, ou
seja, uma parcela mínima de informação), essas figuras
30 surgiram com a intenção de demonstrar, de maneira
icônica, algum sentimento ou sensação. Ao fazer isso, a
tendência de ter uma reação diversa daquelas
expressas pelas tirinhas é cada vez menor. Tudo fica
branco e preto. Ou se aceita a situação, ou revolta-se.
35 Sem chance para o debate ou questionamento.
(...)
A situação é ainda mais grave quando um dos
poucos entes criativos restantes na internet produz
algum comentário curto, espirituoso ou reflexivo, a
40 respeito de alguma situação atual ou recente... Em
minutos pipocam cópias da frase por todo lugar. Copia-
se sem o menor bom senso, sem créditos. Pensar e
refletir, e depois falar, são coisas do passado. O
importante agora é copiar e colar, e depois partilhar. As
45 redes sociais desfraldaram um mundo completamente
novo, e o uso que o homem fará dessas ferramentas é o
que dirá o nosso futuro cultural. Se enveredarmos pela
partilha de ideias, gestando-as em nossas mentes e
depois as passando a outros, será uma estufa mundial a
50 produzir avanços incríveis em todos os campos de
conhecimento. Se, no entanto, as redes sociais se
transformarem em uma rede neural de apoio à preguiça
de pensar, a humanidade estará fadada ao processo
antinatural de regressão. O advento das redes sociais
55 trouxe para perto das pessoas comuns os amigos
distantes, os ídolos e as ideias consumistas mais
arraigados, mas aparentemente está levando para longe
algo muito mais humano e essencial na vida em
sociedade: o senso crítico. Será uma troca justa?

(http://obviousmag.org/archives/2011/09/redes_sociais_e_colaboracao_extrema_O_fim_do_senso_critico-.htm. Adaptado.Acesso em: 21 fev 2017)

Assinale a alternativa cuja relação semântica entre as orações foi apontada corretamente.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Significação das Palavras — Sinonímia

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO II

REDES SOCIAIS E COLABORAÇÃO EXTREMA:
O FIM DO SENSO CRÍTICO?
Eugênio Mira

Conectados. Essa palavra nunca fez tanto
sentido quanto agora. Quando se discutia no passado
sobre como os homens agiriam com o advento da aldeia
global (...) não se imaginava o quanto esse processo
5 seria rápido e devastador.
(...) quando McLuhan apresentou o termo, em
1968, ele sequer imaginaria que não seria a televisão a
grande responsável pela interligação mundial absoluta, e
sim a internet, que na época não passava de um projeto
10 militar do governo dos Estados Unidos.
A internet mudou definitivamente a maneira
como nos comunicamos e percebemos o mundo. Graças
a ela temos acesso a toda informação do mundo à
distância de apenas um toque de botão. E quando
15 começaram a se popularizar as redes sociais, um
admirável mundo novo abriu-se ante nossos olhos. Uma
ferramenta colaborativa extrema, que possibilitaria o
contato imediato com outras pessoas através de suas
afinidades, fossem elas políticas, religiosas ou mesmo
20 geográficas. Projetos colaborativos, revoluções
instantâneas... Tudo seria maior e melhor quando as
pessoas se alinhassem na órbita de seus ideais. O
tempo passou, e essa revolução não se instaurou.
Basta observar as figuras que surgem nos sites
25 de humor e outros assemelhados. Conhecidos como
memes (termo cunhado pelo pesquisador Richard
Dawkins, que representaria para nossa memória o
mesmo que os genes representam para o corpo, ou
seja, uma parcela mínima de informação), essas figuras
30 surgiram com a intenção de demonstrar, de maneira
icônica, algum sentimento ou sensação. Ao fazer isso, a
tendência de ter uma reação diversa daquelas
expressas pelas tirinhas é cada vez menor. Tudo fica
branco e preto. Ou se aceita a situação, ou revolta-se.
35 Sem chance para o debate ou questionamento.
(...)
A situação é ainda mais grave quando um dos
poucos entes criativos restantes na internet produz
algum comentário curto, espirituoso ou reflexivo, a
40 respeito de alguma situação atual ou recente... Em
minutos pipocam cópias da frase por todo lugar. Copia-
se sem o menor bom senso, sem créditos. Pensar e
refletir, e depois falar, são coisas do passado. O
importante agora é copiar e colar, e depois partilhar. As
45 redes sociais desfraldaram um mundo completamente
novo, e o uso que o homem fará dessas ferramentas é o
que dirá o nosso futuro cultural. Se enveredarmos pela
partilha de ideias, gestando-as em nossas mentes e
depois as passando a outros, será uma estufa mundial a
50 produzir avanços incríveis em todos os campos de
conhecimento. Se, no entanto, as redes sociais se
transformarem em uma rede neural de apoio à preguiça
de pensar, a humanidade estará fadada ao processo
antinatural de regressão. O advento das redes sociais
55 trouxe para perto das pessoas comuns os amigos
distantes, os ídolos e as ideias consumistas mais
arraigados, mas aparentemente está levando para longe
algo muito mais humano e essencial na vida em
sociedade: o senso crítico. Será uma troca justa?

(http://obviousmag.org/archives/2011/09/redes_sociais_e_colaboracao_extrema_O_fim_do_senso_critico-.htm. Adaptado.Acesso em: 21 fev 2017)

Assinale a alternativa em que a substituição do vocábulo sublinhado pelo que está entre parênteses NÃO altera o sentido da frase.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Funções do Se

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO II

REDES SOCIAIS E COLABORAÇÃO EXTREMA:
O FIM DO SENSO CRÍTICO?
Eugênio Mira

Conectados. Essa palavra nunca fez tanto
sentido quanto agora. Quando se discutia no passado
sobre como os homens agiriam com o advento da aldeia
global (...) não se imaginava o quanto esse processo
5 seria rápido e devastador.
(...) quando McLuhan apresentou o termo, em
1968, ele sequer imaginaria que não seria a televisão a
grande responsável pela interligação mundial absoluta, e
sim a internet, que na época não passava de um projeto
10 militar do governo dos Estados Unidos.
A internet mudou definitivamente a maneira
como nos comunicamos e percebemos o mundo. Graças
a ela temos acesso a toda informação do mundo à
distância de apenas um toque de botão. E quando
15 começaram a se popularizar as redes sociais, um
admirável mundo novo abriu-se ante nossos olhos. Uma
ferramenta colaborativa extrema, que possibilitaria o
contato imediato com outras pessoas através de suas
afinidades, fossem elas políticas, religiosas ou mesmo
20 geográficas. Projetos colaborativos, revoluções
instantâneas... Tudo seria maior e melhor quando as
pessoas se alinhassem na órbita de seus ideais. O
tempo passou, e essa revolução não se instaurou.
Basta observar as figuras que surgem nos sites
25 de humor e outros assemelhados. Conhecidos como
memes (termo cunhado pelo pesquisador Richard
Dawkins, que representaria para nossa memória o
mesmo que os genes representam para o corpo, ou
seja, uma parcela mínima de informação), essas figuras
30 surgiram com a intenção de demonstrar, de maneira
icônica, algum sentimento ou sensação. Ao fazer isso, a
tendência de ter uma reação diversa daquelas
expressas pelas tirinhas é cada vez menor. Tudo fica
branco e preto. Ou se aceita a situação, ou revolta-se.
35 Sem chance para o debate ou questionamento.
(...)
A situação é ainda mais grave quando um dos
poucos entes criativos restantes na internet produz
algum comentário curto, espirituoso ou reflexivo, a
40 respeito de alguma situação atual ou recente... Em
minutos pipocam cópias da frase por todo lugar. Copia-
se sem o menor bom senso, sem créditos. Pensar e
refletir, e depois falar, são coisas do passado. O
importante agora é copiar e colar, e depois partilhar. As
45 redes sociais desfraldaram um mundo completamente
novo, e o uso que o homem fará dessas ferramentas é o
que dirá o nosso futuro cultural. Se enveredarmos pela
partilha de ideias, gestando-as em nossas mentes e
depois as passando a outros, será uma estufa mundial a
50 produzir avanços incríveis em todos os campos de
conhecimento. Se, no entanto, as redes sociais se
transformarem em uma rede neural de apoio à preguiça
de pensar, a humanidade estará fadada ao processo
antinatural de regressão. O advento das redes sociais
55 trouxe para perto das pessoas comuns os amigos
distantes, os ídolos e as ideias consumistas mais
arraigados, mas aparentemente está levando para longe
algo muito mais humano e essencial na vida em
sociedade: o senso crítico. Será uma troca justa?

(http://obviousmag.org/archives/2011/09/redes_sociais_e_colaboracao_extrema_O_fim_do_senso_critico-.htm. Adaptado.Acesso em: 21 fev 2017)

O vocábulo se exerce, na língua portuguesa, várias funções. Observe seu uso nos excertos a seguir.

I. Copia-se sem o menor bom senso...” (ℓ. 41 e 42)
II. “...um admirável mundo novo abriu-se ante nossos olhos.” (ℓ. 15 e 16)
III. “Ou se aceita a situação ou revolta-se.” (ℓ. 34)
IV. “O tempo passou, e essa revolução não se instaurou”. (ℓ. 22 e 23)

Assinale a análise correta.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Em IV, o 'se' é pronome apassivador.

Em 'essa revolução não se instaurou', 'revolução' é o sujeito paciente e o verbo está na voz passiva sintética, então o 'se' é pronome apassivador. Em I, II e III o 'se' também tem valor apassivador ou outro, mas não os valores indicados nas alternativas A, B e C.

Análise das alternativas

A: em 'Copia-se', o 'se' não é expletivo, pois tem função de apassivador ou de indeterminação do sujeito. B: em 'abriu-se', o 'se' apassiva ('um mundo novo foi aberto'), não é parte integrante do verbo. C: só 'se aceita a situação' é passiva sintética; 'revolta-se' é pronominal ou reflexivo, então 'em ambas' está errado.

Referência: Gramática normativa: emprego e classificação do 'se'.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Matemática Conjuntos Numéricos

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Na reta dos números reais abaixo, estão representados os números m, n e p.

Reta real com marcas em −2, −1, 0, 1 e 2; m está entre −2 e −1, mais próximo de −1; n está entre −1 e 0; p está entre 1 e 2.

Analise as proposições a seguir e classifique-as em V (VERDADEIRA) ou F (FALSA).

( ) √((m − n)/p) não é um número real.
( ) (p + m) pode ser um número inteiro.
( ) p/n é, necessariamente, um número racional.

A sequência correta é
Selecione uma alternativa

Matemática Progressão Aritmética

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Constrói-se um monumento em formato de pirâmide utilizando-se blocos cúbicos:

Desenho de um bloco cúbico.

Para a formação piramidal os blocos são dispostos em uma sequência de camadas, sendo que na última camada, no topo da pirâmide, haverá um único bloco, como mostra a figura a seguir.

Sequência de camadas vista de cima: topo da pirâmide com 1 bloco; penúltima camada com 5 blocos (um central e quatro nos cantos); antepenúltima camada com 9 blocos (um central ligado a oito); camada seguinte com 13 blocos (um central ligado a doze), seguida de reticências.SEQUÊNCIA DE CAMADAS (vista de cima)

Na disposição total, foram utilizados 378 blocos, do topo à base da pirâmide.
Havendo necessidade de acrescentar uma nova camada de blocos abaixo da base da pirâmide, obedecendo à sequência já estabelecida, serão gastos x blocos nesta camada.

A quantidade total de divisores positivos do número x é igual a
Selecione uma alternativa

Matemática Análise Combinatória

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Dez vagas de um estacionamento serão ocupadas por seis carros, sendo: 3 pretos, 2 vermelhos e 1 branco.
Considerando que uma maneira de isso ocorrer se distingue de outra tão somente pela cor dos carros, o total de possibilidades de os seis carros ocuparem as dez vagas é igual a
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Permutação com repetição: escolher as posições dos carros por cor entre 10 vagas.

Distinguindo os carros só pela cor, cada arranjo é uma distribuição de 3 P, 2 V, 1 B e 4 vagas vazias nas 10 posições. Isso dá 10!/(3!·2!·1!·4!) = 3 628 800/288 = 12 600.

Análise das alternativas

B, C e D não resultam do cálculo correto. Provavelmente vêm de erros no tratamento das repetições ou das vagas vazias.

Referência: Análise combinatória: permutação com elementos repetidos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Matemática Probabilidade

EPCAR — Escola Preparatória de Cadetes do Ar

Comando da Aeronáutica — Academia da Força Aérea (CFOAV, CFOINT e CFOINF) · Exame de Admissão aos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria (CFOAV, CFOINT e CFOINF) 2018 · Caderno Versão A

Gabarito disponível

Durante o desfile de Carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro em 2017, uma empresa especializada em pesquisa de opinião entrevistou 140 foliões sobre qual agremiação receberia o prêmio de melhor do ano que é concedido apenas a uma escola de samba.
Agrupados os resultados obtidos, apresentaram-se os índices conforme o quadro a seguir:

Quadro: agremiação escolhida A, B, C, A e B, A e C, B e C, A, B e C; número de foliões que escolheram, respectivamente, 77, 73, 70, 20, 25, 40 e 5.

A respeito dos dados colhidos, analise as proposições a seguir e classifique-as em V(VERDADEIRA) ou F(FALSA).

( ) Se A for a agremiação vencedora em 2017 e se um dos foliões que opinaram for escolhido ao acaso, então a probabilidade de que ele NÃO tenha votado na agremiação que venceu é igual a 45%.
( ) Escolhido ao acaso um folião, a probabilidade de que ele tenha indicado exatamente duas agremiações é de 50%.
( ) Se a agremiação B for a campeã em 2017, a probabilidade de que o folião entrevistado tenha indicado apenas esta como campeã é menor que 10%.

A sequência correta é
Selecione uma alternativa