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Colégio Militar de Brasília — Concurso de Admissão 2018/2019 — 6º Ano do Ensino Fundamental — Prova de Língua Portuguesa

Colégio Militar de Brasília · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

2018Fundamental

21 questões nesta prova · página 1 de 2 · 20 com gabarito

Língua Portuguesa Gênero Textual — Carta

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
RECADO AO SENHOR 903

(1) Vizinho – Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do
zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento.
Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal.
Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é
(5) explícito e, se não o fosse, o senhor teria ainda ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro
tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no
1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome
nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre
dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano
(10) Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor.
Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos
algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor
da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante,
um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão, ao meu número)
(15) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22h às 7h, pois às 8h15
deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305.
Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número
não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe
desculpas – e prometo silêncio.
(20) Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse
à porta do outro e dissesse:
“Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou.” E o outro
respondesse: “Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e
a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”. E o homem trouxesse sua mulher, e os
(25) dois ficassem entre os amigos e as amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho
das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o
amor e a paz.

BRAGA, Rubem. Disponível em: http://contobrasileiro.com.br/recado-ao-senhor-903-cronica-de-rubem-braga/ (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 20 set. 2018.

Vocabulário:
veemente – intenso, impetuoso;
desolado – triste, aflito;
bramir – fazer estrondo, ressoar fortemente; dar gritos coléricos.

A partir das características do texto 1 e de acordo com as informações do texto, marque a opção correta.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Duas formas de comunicação do 903 com o 1003.

O texto diz que o 903 enviou uma carta de reclamação, mostrada pelo zelador, e depois foi pessoalmente fazer a reclamação verbal. São, portanto, duas formas de comunicação: escrita e oral direta.

Análise das alternativas

A) Os números dos apartamentos não caracterizam carta; o texto não traz endereço formal. B) A carta não foi endereçada ao zelador; foi ele quem a mostrou ao 1003. C) O texto não apresenta endereço formal, e fala direta não define carta. D) A carta foi entregue por intermédio do zelador, e houve visita pessoal, então 'nunca se viram' é falso.

Referência: Rubem Braga, 'Recado ao senhor 903'; gênero carta.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Sinonímia

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
RECADO AO SENHOR 903

(1) Vizinho – Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do
zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento.
Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal.
Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é
(5) explícito e, se não o fosse, o senhor teria ainda ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro
tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no
1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome
nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre
dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano
(10) Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor.
Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos
algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor
da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante,
um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão, ao meu número)
(15) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22h às 7h, pois às 8h15
deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305.
Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número
não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe
desculpas – e prometo silêncio.
(20) Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse
à porta do outro e dissesse:
“Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou.” E o outro
respondesse: “Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e
a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”. E o homem trouxesse sua mulher, e os
(25) dois ficassem entre os amigos e as amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho
das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o
amor e a paz.

BRAGA, Rubem. Disponível em: http://contobrasileiro.com.br/recado-ao-senhor-903-cronica-de-rubem-braga/ (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 20 set. 2018.

Vocabulário:
veemente – intenso, impetuoso;
desolado – triste, aflito;
bramir – fazer estrondo, ressoar fortemente; dar gritos coléricos.

Na primeira linha do texto 1, aparece o termo “consternado”. Levando em consideração o contexto, essa palavra poderia ser substituída, sem alteração de sentido, por
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Sinônimo de 'consternado'.

'Consternado' significa abatido, entristecido, aflito. No contexto, o narrador recebe a visita do zelador com pesar por ter incomodado o vizinho. 'Chateado' é o termo mais próximo.

Análise das alternativas

B) 'Equilibrado' significa sereno. C) 'Deslumbrado' significa encantado. D) 'Entusiasmado' tem sentido positivo, oposto ao do texto. E) 'Interessado' não expressa tristeza.

Referência: Vocabulário do texto ('desolado – triste, aflito').

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Intenção do Autor

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
RECADO AO SENHOR 903

(1) Vizinho – Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do
zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento.
Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal.
Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é
(5) explícito e, se não o fosse, o senhor teria ainda ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro
tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no
1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome
nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre
dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano
(10) Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor.
Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos
algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor
da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante,
um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão, ao meu número)
(15) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22h às 7h, pois às 8h15
deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305.
Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número
não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe
desculpas – e prometo silêncio.
(20) Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse
à porta do outro e dissesse:
“Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou.” E o outro
respondesse: “Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e
a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”. E o homem trouxesse sua mulher, e os
(25) dois ficassem entre os amigos e as amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho
das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o
amor e a paz.

BRAGA, Rubem. Disponível em: http://contobrasileiro.com.br/recado-ao-senhor-903-cronica-de-rubem-braga/ (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 20 set. 2018.

Vocabulário:
veemente – intenso, impetuoso;
desolado – triste, aflito;
bramir – fazer estrondo, ressoar fortemente; dar gritos coléricos.

Na carta ao 903, o narrador se vale de números para identificar os moradores e os respectivos vizinhos. Essa atitude tem a intenção de
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Intenção de identificar os moradores por números.

Os números mostram a despersonalização e o anonimato da vida em prédio. As pessoas moram lado a lado, mas não se conhecem nem criam vínculos. Isso prepara a crítica e o sonho de convívio no final do texto.

Análise das alternativas

A) Não se trata de facilitar a memorização. B) A localização é recurso expressivo, não finalidade prática. D) O foco não é o esquecimento de nomes por correria, mas a falta de vínculo. E) A intenção é crítica e irônica, não provocar comoção.

Referência: Rubem Braga, 'Recado ao senhor 903'.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Pontuação — Vocativo

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
RECADO AO SENHOR 903

(1) Vizinho – Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do
zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento.
Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal.
Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é
(5) explícito e, se não o fosse, o senhor teria ainda ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro
tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no
1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome
nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre
dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano
(10) Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor.
Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos
algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor
da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante,
um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão, ao meu número)
(15) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22h às 7h, pois às 8h15
deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305.
Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número
não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe
desculpas – e prometo silêncio.
(20) Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse
à porta do outro e dissesse:
“Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou.” E o outro
respondesse: “Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e
a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”. E o homem trouxesse sua mulher, e os
(25) dois ficassem entre os amigos e as amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho
das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o
amor e a paz.

BRAGA, Rubem. Disponível em: http://contobrasileiro.com.br/recado-ao-senhor-903-cronica-de-rubem-braga/ (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 20 set. 2018.

Vocabulário:
veemente – intenso, impetuoso;
desolado – triste, aflito;
bramir – fazer estrondo, ressoar fortemente; dar gritos coléricos.

Observe os trechos abaixo.

I. “Vizinho – Quem fala aqui é o homem do 1003” (linha 1).
II. “Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa” (linha 22).

Sobre a pontuação utilizada, nas duas ocorrências, marque a única opção correta entre as afirmativas.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Travessão e vírgula após 'vizinho' como marcas de vocativo.

Nas duas frases, 'Vizinho' é vocativo, isto é, o chamamento do interlocutor. Na I o travessão o separa e, na II, a vírgula cumpre a mesma função. Assim, ambos os sinais são usados pela mesma razão.

Análise das alternativas

A) 'Vizinho' é o interlocutor chamado, não quem fala, e na II não há travessão. C) Trocar a vírgula por travessão não mudaria o sentido nem seria erro. D) Reticências alterariam o sentido e a entonação. E) O vocativo no início da frase é separado por vírgula, então retirá-la seria erro.

Referência: Gramática normativa: pontuação do vocativo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Coesão e Coerência — Relação de Oposição

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
RECADO AO SENHOR 903

(1) Vizinho – Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do
zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento.
Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal.
Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é
(5) explícito e, se não o fosse, o senhor teria ainda ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro
tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no
1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome
nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre
dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano
(10) Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor.
Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos
algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor
da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante,
um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão, ao meu número)
(15) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22h às 7h, pois às 8h15
deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305.
Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número
não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe
desculpas – e prometo silêncio.
(20) Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse
à porta do outro e dissesse:
“Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou.” E o outro
respondesse: “Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e
a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”. E o homem trouxesse sua mulher, e os
(25) dois ficassem entre os amigos e as amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho
das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o
amor e a paz.

BRAGA, Rubem. Disponível em: http://contobrasileiro.com.br/recado-ao-senhor-903-cronica-de-rubem-braga/ (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 20 set. 2018.

Vocabulário:
veemente – intenso, impetuoso;
desolado – triste, aflito;
bramir – fazer estrondo, ressoar fortemente; dar gritos coléricos.

Nos dois últimos parágrafos do texto 1, o fragmento “Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo” (linha 20) apresenta um sentido de oposição em relação a uma declaração apresentada. Marque o trecho que melhor revela a que afirmação o narrador se opõe.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A que afirmação o 'Mas...' se opõe.

No trecho 'Peço-lhe desculpas – e prometo silêncio', o narrador se resigna à vida numerada e regrada. O 'Mas que me seja permitido sonhar com outra vida' contrasta com essa resignação e apresenta o desejo de um mundo de convivência.

Análise das alternativas

A) Fala do ruído que ele e o oceano fazem, o que não é aquilo a que o sonho se opõe. C), D) e E) fazem parte do próprio sonho, ou seja, do que vem depois do 'Mas', e não do que ele contraria.

Referência: Rubem Braga, 'Recado ao senhor 903'; conjunção adversativa 'mas'.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Finalidade do Texto

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1
RECADO AO SENHOR 903

(1) Vizinho – Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do
zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento.
Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal.
Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é
(5) explícito e, se não o fosse, o senhor teria ainda ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro
tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no
1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome
nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre
dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano
(10) Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor.
Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos
algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor
da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante,
um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão, ao meu número)
(15) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22h às 7h, pois às 8h15
deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305.
Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número
não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe
desculpas – e prometo silêncio.
(20) Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse
à porta do outro e dissesse:
“Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou.” E o outro
respondesse: “Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e
a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”. E o homem trouxesse sua mulher, e os
(25) dois ficassem entre os amigos e as amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho
das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o
amor e a paz.

BRAGA, Rubem. Disponível em: http://contobrasileiro.com.br/recado-ao-senhor-903-cronica-de-rubem-braga/ (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 20 set. 2018.

Vocabulário:
veemente – intenso, impetuoso;
desolado – triste, aflito;
bramir – fazer estrondo, ressoar fortemente; dar gritos coléricos.

A carta do senhor 1003 é um recado ao senhor do 903, que tem como finalidade principal
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Finalidade do recado do 1003 ao 903.

O narrador aceita as reclamações e promete silêncio, mas ironiza a vida em que os vizinhos são só números. Ele sonha com um mundo de convívio e amizade. A finalidade central é mostrar que, além de seguir as regras, é preciso criar laços entre vizinhos.

Análise das alternativas

A) O contato é um meio, não a finalidade, e o texto critica o anonimato em vez de apenas desfazê-lo. C) O texto não tenta dividir a culpa pelo barulho. D) Não há reprovação ao vizinho; o narrador lhe dá razão. E) Ele não defende descumprir as regras, pois promete respeitá-las.

Referência: Rubem Braga, 'Recado ao senhor 903' (texto-base).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Inferência — Título

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 2
VALORES... MEUS, SEUS, DOS NOSSOS VIZINHOS

(1) Estamos cercados de sentimentos ruins. Gente querendo 'acabar' com o outro por qualquer
motivo. Acho que todos nós já ouvimos essa frase: 'vou acabar com ele! (ou ela!). E é feio à beça. Mas
apoios uníssonos surgem no mesmo instante. Nessas horas se é justo ou não, não se discute. Vizinhos
que brigam por folgadice de um e 'temperamentalismo' do outro. Enquanto a vizinha cobiça o carro da
(5) outra, esta pensa em fazer uma proposta pra empregada de anos daquela. Ridículo! Tá vendo? O mundo
está cheio de vontades guiadas por maus sentimentos. E tudo acaba mal, vejamos: o vizinho
temperamental que brigou com o vizinho folgado que deixa o gato solto pelas escadas o dia inteiro,
nunca mais vai olhar na cara do vizinho, vai reclamar durante anos desse mesmo assunto até que um
dia ou ele ou o vizinho se mude.
(10) A vizinha que todo dia deseja que a outra vizinha se dê mal financeiramente e tenha que trocar
o carro lindão por outro mais simples, imaginando a si mesma com um carrão daqueles, acaba perdendo
sua empregada pra dita cuja que ofereceu uns tostões a mais.
A empregada, coitada, pede as contas sem pedido de desculpas - será que precisava? A ex-
patroa se revolta por ela nunca ter lhe pedido um aumento, preferindo a demissão sem aviso. A vizinha
(15) com a nova empregada, porém, percebe que a moça tem medo dela, a conversa não emplaca. Alguns
meses se passam, o serviço não está como precisava e, então, ela decide mandar a moça, a quem
prometeu mundos e fundos, embora. Esta que tinha ficado mal acostumada com o salário aumentado,
financiou o 'diabo a quatro' e agora está desempregada-desesperada.
Aí que a história acaba e você vai me dizer que desses quatro personagens dois se deram bem
(20) e justamente o folgado dono do gato que não tá nem aí se tem pelo espalhado pelo condomínio todo
atrapalhando inclusive a saúde de uma criança cujos pais até hoje não descobriram ou não associaram
a causa da rinite pesada do filho ao gato do vizinho folgado. E aí que é fácil perceber que qualquer
história tem seus emaranhados, em que qualquer ação de um pode influenciar outras várias. Nossa vida
é assim e viver consciente de si e do outro é para poucos. E lhe digo mais, não é o que consegue
(25) nenhum dos quatro personagens dessa história.
Pois é... o vizinho folgado foi quem acabou se mudando com mulher, filhos e gato mal
acostumado. Mudou-se pra pior bairro, coitado! De tão folgado no emprego, fez birra no patrão que
não só demitiu ele, como também lhe disse que dele não saía nenhuma referência boa pra outro
emprego. A mulher do homem sofreu o pato, carregando a família com seu pequeno salário até que
(30) finalmente descobriu que tinha um folgado em casa. Em casa não, em casa da mãe dela, pra onde se
mudaram. Sendo assim, ele não durou muito, foi despejado de lá também e saiu divorciado.
Quanto à mulher rica, bem... tudo indicava que era mesmo cheia da grana, pois não parava com
carro algum, tinha que trocar ano a ano, segundo seu 'status' mentirosamente 'milionário'. Solteira,
envolveu-se com um homem pancada. Homem pancada? Sim! Levou dela o pouco que tinha. Não se
(35) sabe como a mulher era fraca e dava tudo em seu nome. No final, teve, realmente, que vender o carro
lindo. Mas, por orgulho, não comprou outro não. Ficou andando de táxi. E a vida tem dessas coisas...
valores ruins são o início de tudo que dá errado.

CAVALCANTE, Talita. Disponível em: http://www.donaperfeitinha.com/2012/12/valores-meus-seus-dos-nossos-vizinhos.html. (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 24 ago. 2018.

Vocabulário:
valor – o preço que se paga; qualidade que se faz com que algo se torne importante para alguém; que pode ser útil; atributo pessoal que incita respeito;
à beça – em grande quantidade; muito;
uníssono – semelhante; som único composto por várias vozes ou instrumento; acorde único de várias vozes ou de vários instrumentos que fazem ouvir som na mesma altura;
folgadice – malandragem (referente a quem não gosta de trabalhar);
temperamental – aquele que tem temperamento sensível e facilmente excitável;
emaranhado– confuso, sem ordem.

Sendo o título “Valores... meus, seus, dos nossos vizinhos” baseado na história narrada no texto 2, pode-se inferir que (as palavras meus, seus e nossos aparecem em negrito)
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Língua Portuguesa Sentido Figurado e Sentido Próprio

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Texto-base:
TEXTO 2
VALORES... MEUS, SEUS, DOS NOSSOS VIZINHOS

(1) Estamos cercados de sentimentos ruins. Gente querendo 'acabar' com o outro por qualquer
motivo. Acho que todos nós já ouvimos essa frase: 'vou acabar com ele! (ou ela!). E é feio à beça. Mas
apoios uníssonos surgem no mesmo instante. Nessas horas se é justo ou não, não se discute. Vizinhos
que brigam por folgadice de um e 'temperamentalismo' do outro. Enquanto a vizinha cobiça o carro da
(5) outra, esta pensa em fazer uma proposta pra empregada de anos daquela. Ridículo! Tá vendo? O mundo
está cheio de vontades guiadas por maus sentimentos. E tudo acaba mal, vejamos: o vizinho
temperamental que brigou com o vizinho folgado que deixa o gato solto pelas escadas o dia inteiro,
nunca mais vai olhar na cara do vizinho, vai reclamar durante anos desse mesmo assunto até que um
dia ou ele ou o vizinho se mude.
(10) A vizinha que todo dia deseja que a outra vizinha se dê mal financeiramente e tenha que trocar
o carro lindão por outro mais simples, imaginando a si mesma com um carrão daqueles, acaba perdendo
sua empregada pra dita cuja que ofereceu uns tostões a mais.
A empregada, coitada, pede as contas sem pedido de desculpas - será que precisava? A ex-
patroa se revolta por ela nunca ter lhe pedido um aumento, preferindo a demissão sem aviso. A vizinha
(15) com a nova empregada, porém, percebe que a moça tem medo dela, a conversa não emplaca. Alguns
meses se passam, o serviço não está como precisava e, então, ela decide mandar a moça, a quem
prometeu mundos e fundos, embora. Esta que tinha ficado mal acostumada com o salário aumentado,
financiou o 'diabo a quatro' e agora está desempregada-desesperada.
Aí que a história acaba e você vai me dizer que desses quatro personagens dois se deram bem
(20) e justamente o folgado dono do gato que não tá nem aí se tem pelo espalhado pelo condomínio todo
atrapalhando inclusive a saúde de uma criança cujos pais até hoje não descobriram ou não associaram
a causa da rinite pesada do filho ao gato do vizinho folgado. E aí que é fácil perceber que qualquer
história tem seus emaranhados, em que qualquer ação de um pode influenciar outras várias. Nossa vida
é assim e viver consciente de si e do outro é para poucos. E lhe digo mais, não é o que consegue
(25) nenhum dos quatro personagens dessa história.
Pois é... o vizinho folgado foi quem acabou se mudando com mulher, filhos e gato mal
acostumado. Mudou-se pra pior bairro, coitado! De tão folgado no emprego, fez birra no patrão que
não só demitiu ele, como também lhe disse que dele não saía nenhuma referência boa pra outro
emprego. A mulher do homem sofreu o pato, carregando a família com seu pequeno salário até que
(30) finalmente descobriu que tinha um folgado em casa. Em casa não, em casa da mãe dela, pra onde se
mudaram. Sendo assim, ele não durou muito, foi despejado de lá também e saiu divorciado.
Quanto à mulher rica, bem... tudo indicava que era mesmo cheia da grana, pois não parava com
carro algum, tinha que trocar ano a ano, segundo seu 'status' mentirosamente 'milionário'. Solteira,
envolveu-se com um homem pancada. Homem pancada? Sim! Levou dela o pouco que tinha. Não se
(35) sabe como a mulher era fraca e dava tudo em seu nome. No final, teve, realmente, que vender o carro
lindo. Mas, por orgulho, não comprou outro não. Ficou andando de táxi. E a vida tem dessas coisas...
valores ruins são o início de tudo que dá errado.

CAVALCANTE, Talita. Disponível em: http://www.donaperfeitinha.com/2012/12/valores-meus-seus-dos-nossos-vizinhos.html. (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 24 ago. 2018.

Vocabulário:
valor – o preço que se paga; qualidade que se faz com que algo se torne importante para alguém; que pode ser útil; atributo pessoal que incita respeito;
à beça – em grande quantidade; muito;
uníssono – semelhante; som único composto por várias vozes ou instrumento; acorde único de várias vozes ou de vários instrumentos que fazem ouvir som na mesma altura;
folgadice – malandragem (referente a quem não gosta de trabalhar);
temperamental – aquele que tem temperamento sensível e facilmente excitável;
emaranhado– confuso, sem ordem.

De acordo com o dicionário Aurélio, uníssono (“uníssonos” na linha 3) é um conjunto de sons cuja entonação é absolutamente a mesma; harmonia de várias vozes ou de vários instrumentos. No texto 2, essa palavra foi utilizada no sentido
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Resolução comentada

Sentido figurado de 'uníssono'.

A palavra é usada em sentido figurado: os apoios surgem em coro, com as pessoas concordando com a frase 'vou acabar com ele!', embora seja feio dizê-la. Não se trata de som literal, mas de concordância.

Análise das alternativas

A) Uso figurado não é inapropriado. B) O trecho fala em apoiar a vingança, não em querer justiça. C) Não é o sentido de dicionário. E) Não há gritos ou cantoria literal.

Referência: Língua Portuguesa – sentido próprio e figurado.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Inferência

2018 Fundamental

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TEXTO 2
VALORES... MEUS, SEUS, DOS NOSSOS VIZINHOS

(1) Estamos cercados de sentimentos ruins. Gente querendo 'acabar' com o outro por qualquer
motivo. Acho que todos nós já ouvimos essa frase: 'vou acabar com ele! (ou ela!). E é feio à beça. Mas
apoios uníssonos surgem no mesmo instante. Nessas horas se é justo ou não, não se discute. Vizinhos
que brigam por folgadice de um e 'temperamentalismo' do outro. Enquanto a vizinha cobiça o carro da
(5) outra, esta pensa em fazer uma proposta pra empregada de anos daquela. Ridículo! Tá vendo? O mundo
está cheio de vontades guiadas por maus sentimentos. E tudo acaba mal, vejamos: o vizinho
temperamental que brigou com o vizinho folgado que deixa o gato solto pelas escadas o dia inteiro,
nunca mais vai olhar na cara do vizinho, vai reclamar durante anos desse mesmo assunto até que um
dia ou ele ou o vizinho se mude.
(10) A vizinha que todo dia deseja que a outra vizinha se dê mal financeiramente e tenha que trocar
o carro lindão por outro mais simples, imaginando a si mesma com um carrão daqueles, acaba perdendo
sua empregada pra dita cuja que ofereceu uns tostões a mais.
A empregada, coitada, pede as contas sem pedido de desculpas - será que precisava? A ex-
patroa se revolta por ela nunca ter lhe pedido um aumento, preferindo a demissão sem aviso. A vizinha
(15) com a nova empregada, porém, percebe que a moça tem medo dela, a conversa não emplaca. Alguns
meses se passam, o serviço não está como precisava e, então, ela decide mandar a moça, a quem
prometeu mundos e fundos, embora. Esta que tinha ficado mal acostumada com o salário aumentado,
financiou o 'diabo a quatro' e agora está desempregada-desesperada.
Aí que a história acaba e você vai me dizer que desses quatro personagens dois se deram bem
(20) e justamente o folgado dono do gato que não tá nem aí se tem pelo espalhado pelo condomínio todo
atrapalhando inclusive a saúde de uma criança cujos pais até hoje não descobriram ou não associaram
a causa da rinite pesada do filho ao gato do vizinho folgado. E aí que é fácil perceber que qualquer
história tem seus emaranhados, em que qualquer ação de um pode influenciar outras várias. Nossa vida
é assim e viver consciente de si e do outro é para poucos. E lhe digo mais, não é o que consegue
(25) nenhum dos quatro personagens dessa história.
Pois é... o vizinho folgado foi quem acabou se mudando com mulher, filhos e gato mal
acostumado. Mudou-se pra pior bairro, coitado! De tão folgado no emprego, fez birra no patrão que
não só demitiu ele, como também lhe disse que dele não saía nenhuma referência boa pra outro
emprego. A mulher do homem sofreu o pato, carregando a família com seu pequeno salário até que
(30) finalmente descobriu que tinha um folgado em casa. Em casa não, em casa da mãe dela, pra onde se
mudaram. Sendo assim, ele não durou muito, foi despejado de lá também e saiu divorciado.
Quanto à mulher rica, bem... tudo indicava que era mesmo cheia da grana, pois não parava com
carro algum, tinha que trocar ano a ano, segundo seu 'status' mentirosamente 'milionário'. Solteira,
envolveu-se com um homem pancada. Homem pancada? Sim! Levou dela o pouco que tinha. Não se
(35) sabe como a mulher era fraca e dava tudo em seu nome. No final, teve, realmente, que vender o carro
lindo. Mas, por orgulho, não comprou outro não. Ficou andando de táxi. E a vida tem dessas coisas...
valores ruins são o início de tudo que dá errado.

CAVALCANTE, Talita. Disponível em: http://www.donaperfeitinha.com/2012/12/valores-meus-seus-dos-nossos-vizinhos.html. (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 24 ago. 2018.

Vocabulário:
valor – o preço que se paga; qualidade que se faz com que algo se torne importante para alguém; que pode ser útil; atributo pessoal que incita respeito;
à beça – em grande quantidade; muito;
uníssono – semelhante; som único composto por várias vozes ou instrumento; acorde único de várias vozes ou de vários instrumentos que fazem ouvir som na mesma altura;
folgadice – malandragem (referente a quem não gosta de trabalhar);
temperamental – aquele que tem temperamento sensível e facilmente excitável;
emaranhado– confuso, sem ordem.

A relação entre as pessoas desperta vários sentimentos e atitudes. Pode-se, portanto, deduzir que, na frase “Enquanto a vizinha cobiça o carro da outra, esta pensa em fazer uma proposta pra empregada de anos daquela” (linhas 4 e 5 do texto 2),
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Resolução comentada

Inferência sobre cobiça entre vizinhas.

São duas vizinhas: uma cobiça o carro da outra, e esta pensa em tirar a empregada da primeira. Ambas agem por inveja.

Análise das alternativas

A) Só uma cobiça o carro; a outra quer a empregada. B) Não há três vizinhas. C) Há, sim, cobiça, com desejos diferentes. D) O carro pertence à vizinha, não à empregada.

Referência: Língua Portuguesa – inferência.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Compreensão Global do Texto

2018 Fundamental

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TEXTO 2
VALORES... MEUS, SEUS, DOS NOSSOS VIZINHOS

(1) Estamos cercados de sentimentos ruins. Gente querendo 'acabar' com o outro por qualquer
motivo. Acho que todos nós já ouvimos essa frase: 'vou acabar com ele! (ou ela!). E é feio à beça. Mas
apoios uníssonos surgem no mesmo instante. Nessas horas se é justo ou não, não se discute. Vizinhos
que brigam por folgadice de um e 'temperamentalismo' do outro. Enquanto a vizinha cobiça o carro da
(5) outra, esta pensa em fazer uma proposta pra empregada de anos daquela. Ridículo! Tá vendo? O mundo
está cheio de vontades guiadas por maus sentimentos. E tudo acaba mal, vejamos: o vizinho
temperamental que brigou com o vizinho folgado que deixa o gato solto pelas escadas o dia inteiro,
nunca mais vai olhar na cara do vizinho, vai reclamar durante anos desse mesmo assunto até que um
dia ou ele ou o vizinho se mude.
(10) A vizinha que todo dia deseja que a outra vizinha se dê mal financeiramente e tenha que trocar
o carro lindão por outro mais simples, imaginando a si mesma com um carrão daqueles, acaba perdendo
sua empregada pra dita cuja que ofereceu uns tostões a mais.
A empregada, coitada, pede as contas sem pedido de desculpas - será que precisava? A ex-
patroa se revolta por ela nunca ter lhe pedido um aumento, preferindo a demissão sem aviso. A vizinha
(15) com a nova empregada, porém, percebe que a moça tem medo dela, a conversa não emplaca. Alguns
meses se passam, o serviço não está como precisava e, então, ela decide mandar a moça, a quem
prometeu mundos e fundos, embora. Esta que tinha ficado mal acostumada com o salário aumentado,
financiou o 'diabo a quatro' e agora está desempregada-desesperada.
Aí que a história acaba e você vai me dizer que desses quatro personagens dois se deram bem
(20) e justamente o folgado dono do gato que não tá nem aí se tem pelo espalhado pelo condomínio todo
atrapalhando inclusive a saúde de uma criança cujos pais até hoje não descobriram ou não associaram
a causa da rinite pesada do filho ao gato do vizinho folgado. E aí que é fácil perceber que qualquer
história tem seus emaranhados, em que qualquer ação de um pode influenciar outras várias. Nossa vida
é assim e viver consciente de si e do outro é para poucos. E lhe digo mais, não é o que consegue
(25) nenhum dos quatro personagens dessa história.
Pois é... o vizinho folgado foi quem acabou se mudando com mulher, filhos e gato mal
acostumado. Mudou-se pra pior bairro, coitado! De tão folgado no emprego, fez birra no patrão que
não só demitiu ele, como também lhe disse que dele não saía nenhuma referência boa pra outro
emprego. A mulher do homem sofreu o pato, carregando a família com seu pequeno salário até que
(30) finalmente descobriu que tinha um folgado em casa. Em casa não, em casa da mãe dela, pra onde se
mudaram. Sendo assim, ele não durou muito, foi despejado de lá também e saiu divorciado.
Quanto à mulher rica, bem... tudo indicava que era mesmo cheia da grana, pois não parava com
carro algum, tinha que trocar ano a ano, segundo seu 'status' mentirosamente 'milionário'. Solteira,
envolveu-se com um homem pancada. Homem pancada? Sim! Levou dela o pouco que tinha. Não se
(35) sabe como a mulher era fraca e dava tudo em seu nome. No final, teve, realmente, que vender o carro
lindo. Mas, por orgulho, não comprou outro não. Ficou andando de táxi. E a vida tem dessas coisas...
valores ruins são o início de tudo que dá errado.

CAVALCANTE, Talita. Disponível em: http://www.donaperfeitinha.com/2012/12/valores-meus-seus-dos-nossos-vizinhos.html. (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 24 ago. 2018.

Vocabulário:
valor – o preço que se paga; qualidade que se faz com que algo se torne importante para alguém; que pode ser útil; atributo pessoal que incita respeito;
à beça – em grande quantidade; muito;
uníssono – semelhante; som único composto por várias vozes ou instrumento; acorde único de várias vozes ou de vários instrumentos que fazem ouvir som na mesma altura;
folgadice – malandragem (referente a quem não gosta de trabalhar);
temperamental – aquele que tem temperamento sensível e facilmente excitável;
emaranhado– confuso, sem ordem.

No caso do texto 2, narra-se uma sequência de fatos que envolve vizinhos com valores, predominantemente,
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Resolução comentada

Valores predominantes das personagens.

O texto mostra vizinhos que cobiçam bens alheios, brigam, não respeitam o próximo e acabam mal. O texto termina dizendo que 'valores ruins são o início de tudo que dá errado'. Os valores são, portanto, negativos.

Análise das alternativas

A) Não mostra boa convivência. C) Eles não tiveram êxito; todos se deram mal. D) Limita-se a um só vizinho e confunde 'valores' com algo dispensável. E) 'Crucial' é inadequado, pois não há valores positivos que justifiquem a cobiça.

Referência: Língua Portuguesa – compreensão global do texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Variação Linguística — Linguagem Formal e Informal

2018 Fundamental

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VALORES... MEUS, SEUS, DOS NOSSOS VIZINHOS

(1) Estamos cercados de sentimentos ruins. Gente querendo 'acabar' com o outro por qualquer
motivo. Acho que todos nós já ouvimos essa frase: 'vou acabar com ele! (ou ela!). E é feio à beça. Mas
apoios uníssonos surgem no mesmo instante. Nessas horas se é justo ou não, não se discute. Vizinhos
que brigam por folgadice de um e 'temperamentalismo' do outro. Enquanto a vizinha cobiça o carro da
(5) outra, esta pensa em fazer uma proposta pra empregada de anos daquela. Ridículo! Tá vendo? O mundo
está cheio de vontades guiadas por maus sentimentos. E tudo acaba mal, vejamos: o vizinho
temperamental que brigou com o vizinho folgado que deixa o gato solto pelas escadas o dia inteiro,
nunca mais vai olhar na cara do vizinho, vai reclamar durante anos desse mesmo assunto até que um
dia ou ele ou o vizinho se mude.
(10) A vizinha que todo dia deseja que a outra vizinha se dê mal financeiramente e tenha que trocar
o carro lindão por outro mais simples, imaginando a si mesma com um carrão daqueles, acaba perdendo
sua empregada pra dita cuja que ofereceu uns tostões a mais.
A empregada, coitada, pede as contas sem pedido de desculpas - será que precisava? A ex-
patroa se revolta por ela nunca ter lhe pedido um aumento, preferindo a demissão sem aviso. A vizinha
(15) com a nova empregada, porém, percebe que a moça tem medo dela, a conversa não emplaca. Alguns
meses se passam, o serviço não está como precisava e, então, ela decide mandar a moça, a quem
prometeu mundos e fundos, embora. Esta que tinha ficado mal acostumada com o salário aumentado,
financiou o 'diabo a quatro' e agora está desempregada-desesperada.
Aí que a história acaba e você vai me dizer que desses quatro personagens dois se deram bem
(20) e justamente o folgado dono do gato que não tá nem aí se tem pelo espalhado pelo condomínio todo
atrapalhando inclusive a saúde de uma criança cujos pais até hoje não descobriram ou não associaram
a causa da rinite pesada do filho ao gato do vizinho folgado. E aí que é fácil perceber que qualquer
história tem seus emaranhados, em que qualquer ação de um pode influenciar outras várias. Nossa vida
é assim e viver consciente de si e do outro é para poucos. E lhe digo mais, não é o que consegue
(25) nenhum dos quatro personagens dessa história.
Pois é... o vizinho folgado foi quem acabou se mudando com mulher, filhos e gato mal
acostumado. Mudou-se pra pior bairro, coitado! De tão folgado no emprego, fez birra no patrão que
não só demitiu ele, como também lhe disse que dele não saía nenhuma referência boa pra outro
emprego. A mulher do homem sofreu o pato, carregando a família com seu pequeno salário até que
(30) finalmente descobriu que tinha um folgado em casa. Em casa não, em casa da mãe dela, pra onde se
mudaram. Sendo assim, ele não durou muito, foi despejado de lá também e saiu divorciado.
Quanto à mulher rica, bem... tudo indicava que era mesmo cheia da grana, pois não parava com
carro algum, tinha que trocar ano a ano, segundo seu 'status' mentirosamente 'milionário'. Solteira,
envolveu-se com um homem pancada. Homem pancada? Sim! Levou dela o pouco que tinha. Não se
(35) sabe como a mulher era fraca e dava tudo em seu nome. No final, teve, realmente, que vender o carro
lindo. Mas, por orgulho, não comprou outro não. Ficou andando de táxi. E a vida tem dessas coisas...
valores ruins são o início de tudo que dá errado.

CAVALCANTE, Talita. Disponível em: http://www.donaperfeitinha.com/2012/12/valores-meus-seus-dos-nossos-vizinhos.html. (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 24 ago. 2018.

Vocabulário:
valor – o preço que se paga; qualidade que se faz com que algo se torne importante para alguém; que pode ser útil; atributo pessoal que incita respeito;
à beça – em grande quantidade; muito;
uníssono – semelhante; som único composto por várias vozes ou instrumento; acorde único de várias vozes ou de vários instrumentos que fazem ouvir som na mesma altura;
folgadice – malandragem (referente a quem não gosta de trabalhar);
temperamental – aquele que tem temperamento sensível e facilmente excitável;
emaranhado– confuso, sem ordem.

Para atender aos objetivos do texto 2, a linguagem empregada é marcada por expressões comuns à linguagem oral. Marque a única alternativa em que o trecho esteja adequado ao padrão escrito formal da língua portuguesa.
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Resolução comentada

Trecho adequado ao padrão formal.

'Enquanto a vizinha cobiça o carro da outra' está de acordo com a norma-padrão, sem marcas de oralidade. Os demais trechos usam registro informal.

Análise das alternativas

A) 'Tá' é redução oral. C) 'pra' é forma reduzida de 'para'. D) 'Aí que' é construção coloquial. E) 'demitiu ele' usa pronome reto como objeto, o que a norma formal não admite (seria 'demitiu-o').

Referência: Língua Portuguesa – variação linguística.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Expressões Idiomáticas

2018 Fundamental

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(1) Estamos cercados de sentimentos ruins. Gente querendo 'acabar' com o outro por qualquer
motivo. Acho que todos nós já ouvimos essa frase: 'vou acabar com ele! (ou ela!). E é feio à beça. Mas
apoios uníssonos surgem no mesmo instante. Nessas horas se é justo ou não, não se discute. Vizinhos
que brigam por folgadice de um e 'temperamentalismo' do outro. Enquanto a vizinha cobiça o carro da
(5) outra, esta pensa em fazer uma proposta pra empregada de anos daquela. Ridículo! Tá vendo? O mundo
está cheio de vontades guiadas por maus sentimentos. E tudo acaba mal, vejamos: o vizinho
temperamental que brigou com o vizinho folgado que deixa o gato solto pelas escadas o dia inteiro,
nunca mais vai olhar na cara do vizinho, vai reclamar durante anos desse mesmo assunto até que um
dia ou ele ou o vizinho se mude.
(10) A vizinha que todo dia deseja que a outra vizinha se dê mal financeiramente e tenha que trocar
o carro lindão por outro mais simples, imaginando a si mesma com um carrão daqueles, acaba perdendo
sua empregada pra dita cuja que ofereceu uns tostões a mais.
A empregada, coitada, pede as contas sem pedido de desculpas - será que precisava? A ex-
patroa se revolta por ela nunca ter lhe pedido um aumento, preferindo a demissão sem aviso. A vizinha
(15) com a nova empregada, porém, percebe que a moça tem medo dela, a conversa não emplaca. Alguns
meses se passam, o serviço não está como precisava e, então, ela decide mandar a moça, a quem
prometeu mundos e fundos, embora. Esta que tinha ficado mal acostumada com o salário aumentado,
financiou o 'diabo a quatro' e agora está desempregada-desesperada.
Aí que a história acaba e você vai me dizer que desses quatro personagens dois se deram bem
(20) e justamente o folgado dono do gato que não tá nem aí se tem pelo espalhado pelo condomínio todo
atrapalhando inclusive a saúde de uma criança cujos pais até hoje não descobriram ou não associaram
a causa da rinite pesada do filho ao gato do vizinho folgado. E aí que é fácil perceber que qualquer
história tem seus emaranhados, em que qualquer ação de um pode influenciar outras várias. Nossa vida
é assim e viver consciente de si e do outro é para poucos. E lhe digo mais, não é o que consegue
(25) nenhum dos quatro personagens dessa história.
Pois é... o vizinho folgado foi quem acabou se mudando com mulher, filhos e gato mal
acostumado. Mudou-se pra pior bairro, coitado! De tão folgado no emprego, fez birra no patrão que
não só demitiu ele, como também lhe disse que dele não saía nenhuma referência boa pra outro
emprego. A mulher do homem sofreu o pato, carregando a família com seu pequeno salário até que
(30) finalmente descobriu que tinha um folgado em casa. Em casa não, em casa da mãe dela, pra onde se
mudaram. Sendo assim, ele não durou muito, foi despejado de lá também e saiu divorciado.
Quanto à mulher rica, bem... tudo indicava que era mesmo cheia da grana, pois não parava com
carro algum, tinha que trocar ano a ano, segundo seu 'status' mentirosamente 'milionário'. Solteira,
envolveu-se com um homem pancada. Homem pancada? Sim! Levou dela o pouco que tinha. Não se
(35) sabe como a mulher era fraca e dava tudo em seu nome. No final, teve, realmente, que vender o carro
lindo. Mas, por orgulho, não comprou outro não. Ficou andando de táxi. E a vida tem dessas coisas...
valores ruins são o início de tudo que dá errado.

CAVALCANTE, Talita. Disponível em: http://www.donaperfeitinha.com/2012/12/valores-meus-seus-dos-nossos-vizinhos.html. (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 24 ago. 2018.

Vocabulário:
valor – o preço que se paga; qualidade que se faz com que algo se torne importante para alguém; que pode ser útil; atributo pessoal que incita respeito;
à beça – em grande quantidade; muito;
uníssono – semelhante; som único composto por várias vozes ou instrumento; acorde único de várias vozes ou de vários instrumentos que fazem ouvir som na mesma altura;
folgadice – malandragem (referente a quem não gosta de trabalhar);
temperamental – aquele que tem temperamento sensível e facilmente excitável;
emaranhado– confuso, sem ordem.

A autora do texto 2 usa um jogo de palavras para prender a atenção do leitor. Nele, o narrador conta que “A mulher do homem sofreu o pato” (linha 29). Assim, entende-se que a
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Sentido da expressão 'sofreu o pato'.

A expressão 'pagar o pato' significa arcar com consequências. No jogo de palavras, a mulher teve de sustentar a família 'com seu pequeno salário', já que o marido foi demitido.

Análise das alternativas

A e B tomam a expressão ao pé da letra. D) O texto não fala em tristeza, mas em arcar com as despesas. E) Quem ficou desempregado foi o marido, não a mulher.

Referência: Língua Portuguesa – expressões idiomáticas e sentido figurado.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Coesão Textual — Referenciação

2018 Fundamental

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TEXTO 2
VALORES... MEUS, SEUS, DOS NOSSOS VIZINHOS

(1) Estamos cercados de sentimentos ruins. Gente querendo 'acabar' com o outro por qualquer
motivo. Acho que todos nós já ouvimos essa frase: 'vou acabar com ele! (ou ela!). E é feio à beça. Mas
apoios uníssonos surgem no mesmo instante. Nessas horas se é justo ou não, não se discute. Vizinhos
que brigam por folgadice de um e 'temperamentalismo' do outro. Enquanto a vizinha cobiça o carro da
(5) outra, esta pensa em fazer uma proposta pra empregada de anos daquela. Ridículo! Tá vendo? O mundo
está cheio de vontades guiadas por maus sentimentos. E tudo acaba mal, vejamos: o vizinho
temperamental que brigou com o vizinho folgado que deixa o gato solto pelas escadas o dia inteiro,
nunca mais vai olhar na cara do vizinho, vai reclamar durante anos desse mesmo assunto até que um
dia ou ele ou o vizinho se mude.
(10) A vizinha que todo dia deseja que a outra vizinha se dê mal financeiramente e tenha que trocar
o carro lindão por outro mais simples, imaginando a si mesma com um carrão daqueles, acaba perdendo
sua empregada pra dita cuja que ofereceu uns tostões a mais.
A empregada, coitada, pede as contas sem pedido de desculpas - será que precisava? A ex-
patroa se revolta por ela nunca ter lhe pedido um aumento, preferindo a demissão sem aviso. A vizinha
(15) com a nova empregada, porém, percebe que a moça tem medo dela, a conversa não emplaca. Alguns
meses se passam, o serviço não está como precisava e, então, ela decide mandar a moça, a quem
prometeu mundos e fundos, embora. Esta que tinha ficado mal acostumada com o salário aumentado,
financiou o 'diabo a quatro' e agora está desempregada-desesperada.
Aí que a história acaba e você vai me dizer que desses quatro personagens dois se deram bem
(20) e justamente o folgado dono do gato que não tá nem aí se tem pelo espalhado pelo condomínio todo
atrapalhando inclusive a saúde de uma criança cujos pais até hoje não descobriram ou não associaram
a causa da rinite pesada do filho ao gato do vizinho folgado. E aí que é fácil perceber que qualquer
história tem seus emaranhados, em que qualquer ação de um pode influenciar outras várias. Nossa vida
é assim e viver consciente de si e do outro é para poucos. E lhe digo mais, não é o que consegue
(25) nenhum dos quatro personagens dessa história.
Pois é... o vizinho folgado foi quem acabou se mudando com mulher, filhos e gato mal
acostumado. Mudou-se pra pior bairro, coitado! De tão folgado no emprego, fez birra no patrão que
não só demitiu ele, como também lhe disse que dele não saía nenhuma referência boa pra outro
emprego. A mulher do homem sofreu o pato, carregando a família com seu pequeno salário até que
(30) finalmente descobriu que tinha um folgado em casa. Em casa não, em casa da mãe dela, pra onde se
mudaram. Sendo assim, ele não durou muito, foi despejado de lá também e saiu divorciado.
Quanto à mulher rica, bem... tudo indicava que era mesmo cheia da grana, pois não parava com
carro algum, tinha que trocar ano a ano, segundo seu 'status' mentirosamente 'milionário'. Solteira,
envolveu-se com um homem pancada. Homem pancada? Sim! Levou dela o pouco que tinha. Não se
(35) sabe como a mulher era fraca e dava tudo em seu nome. No final, teve, realmente, que vender o carro
lindo. Mas, por orgulho, não comprou outro não. Ficou andando de táxi. E a vida tem dessas coisas...
valores ruins são o início de tudo que dá errado.

CAVALCANTE, Talita. Disponível em: http://www.donaperfeitinha.com/2012/12/valores-meus-seus-dos-nossos-vizinhos.html. (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 24 ago. 2018.

Vocabulário:
valor – o preço que se paga; qualidade que se faz com que algo se torne importante para alguém; que pode ser útil; atributo pessoal que incita respeito;
à beça – em grande quantidade; muito;
uníssono – semelhante; som único composto por várias vozes ou instrumento; acorde único de várias vozes ou de vários instrumentos que fazem ouvir som na mesma altura;
folgadice – malandragem (referente a quem não gosta de trabalhar);
temperamental – aquele que tem temperamento sensível e facilmente excitável;
emaranhado– confuso, sem ordem.

Na construção dos sentidos do texto, é importante haver conexão entre as ideias. Sobre isso, a que ideia se refere o trecho destacado em: “E lhe digo mais, não é o que consegue nenhum dos quatro personagens dessa história” (linhas 24 e 25)? (o trecho “não é o que consegue nenhum dos quatro personagens” aparece em negrito)
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Língua Portuguesa Coesão Textual — Pronomes Demonstrativos

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 2
VALORES... MEUS, SEUS, DOS NOSSOS VIZINHOS

(1) Estamos cercados de sentimentos ruins. Gente querendo 'acabar' com o outro por qualquer
motivo. Acho que todos nós já ouvimos essa frase: 'vou acabar com ele! (ou ela!). E é feio à beça. Mas
apoios uníssonos surgem no mesmo instante. Nessas horas se é justo ou não, não se discute. Vizinhos
que brigam por folgadice de um e 'temperamentalismo' do outro. Enquanto a vizinha cobiça o carro da
(5) outra, esta pensa em fazer uma proposta pra empregada de anos daquela. Ridículo! Tá vendo? O mundo
está cheio de vontades guiadas por maus sentimentos. E tudo acaba mal, vejamos: o vizinho
temperamental que brigou com o vizinho folgado que deixa o gato solto pelas escadas o dia inteiro,
nunca mais vai olhar na cara do vizinho, vai reclamar durante anos desse mesmo assunto até que um
dia ou ele ou o vizinho se mude.
(10) A vizinha que todo dia deseja que a outra vizinha se dê mal financeiramente e tenha que trocar
o carro lindão por outro mais simples, imaginando a si mesma com um carrão daqueles, acaba perdendo
sua empregada pra dita cuja que ofereceu uns tostões a mais.
A empregada, coitada, pede as contas sem pedido de desculpas - será que precisava? A ex-
patroa se revolta por ela nunca ter lhe pedido um aumento, preferindo a demissão sem aviso. A vizinha
(15) com a nova empregada, porém, percebe que a moça tem medo dela, a conversa não emplaca. Alguns
meses se passam, o serviço não está como precisava e, então, ela decide mandar a moça, a quem
prometeu mundos e fundos, embora. Esta que tinha ficado mal acostumada com o salário aumentado,
financiou o 'diabo a quatro' e agora está desempregada-desesperada.
Aí que a história acaba e você vai me dizer que desses quatro personagens dois se deram bem
(20) e justamente o folgado dono do gato que não tá nem aí se tem pelo espalhado pelo condomínio todo
atrapalhando inclusive a saúde de uma criança cujos pais até hoje não descobriram ou não associaram
a causa da rinite pesada do filho ao gato do vizinho folgado. E aí que é fácil perceber que qualquer
história tem seus emaranhados, em que qualquer ação de um pode influenciar outras várias. Nossa vida
é assim e viver consciente de si e do outro é para poucos. E lhe digo mais, não é o que consegue
(25) nenhum dos quatro personagens dessa história.
Pois é... o vizinho folgado foi quem acabou se mudando com mulher, filhos e gato mal
acostumado. Mudou-se pra pior bairro, coitado! De tão folgado no emprego, fez birra no patrão que
não só demitiu ele, como também lhe disse que dele não saía nenhuma referência boa pra outro
emprego. A mulher do homem sofreu o pato, carregando a família com seu pequeno salário até que
(30) finalmente descobriu que tinha um folgado em casa. Em casa não, em casa da mãe dela, pra onde se
mudaram. Sendo assim, ele não durou muito, foi despejado de lá também e saiu divorciado.
Quanto à mulher rica, bem... tudo indicava que era mesmo cheia da grana, pois não parava com
carro algum, tinha que trocar ano a ano, segundo seu 'status' mentirosamente 'milionário'. Solteira,
envolveu-se com um homem pancada. Homem pancada? Sim! Levou dela o pouco que tinha. Não se
(35) sabe como a mulher era fraca e dava tudo em seu nome. No final, teve, realmente, que vender o carro
lindo. Mas, por orgulho, não comprou outro não. Ficou andando de táxi. E a vida tem dessas coisas...
valores ruins são o início de tudo que dá errado.

CAVALCANTE, Talita. Disponível em: http://www.donaperfeitinha.com/2012/12/valores-meus-seus-dos-nossos-vizinhos.html. (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 24 ago. 2018.

Vocabulário:
valor – o preço que se paga; qualidade que se faz com que algo se torne importante para alguém; que pode ser útil; atributo pessoal que incita respeito;
à beça – em grande quantidade; muito;
uníssono – semelhante; som único composto por várias vozes ou instrumento; acorde único de várias vozes ou de vários instrumentos que fazem ouvir som na mesma altura;
folgadice – malandragem (referente a quem não gosta de trabalhar);
temperamental – aquele que tem temperamento sensível e facilmente excitável;
emaranhado– confuso, sem ordem.

Em “Esta que tinha ficado mal acostumada com o salário aumentado, financiou o ‘diabo a quatro’” (linhas 17 e 18), o termo destacado é um elemento que se refere à (a palavra Esta aparece em negrito)
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Língua Portuguesa Relação de Causa e Consequência

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Texto-base:
TEXTO 2
VALORES... MEUS, SEUS, DOS NOSSOS VIZINHOS

(1) Estamos cercados de sentimentos ruins. Gente querendo 'acabar' com o outro por qualquer
motivo. Acho que todos nós já ouvimos essa frase: 'vou acabar com ele! (ou ela!). E é feio à beça. Mas
apoios uníssonos surgem no mesmo instante. Nessas horas se é justo ou não, não se discute. Vizinhos
que brigam por folgadice de um e 'temperamentalismo' do outro. Enquanto a vizinha cobiça o carro da
(5) outra, esta pensa em fazer uma proposta pra empregada de anos daquela. Ridículo! Tá vendo? O mundo
está cheio de vontades guiadas por maus sentimentos. E tudo acaba mal, vejamos: o vizinho
temperamental que brigou com o vizinho folgado que deixa o gato solto pelas escadas o dia inteiro,
nunca mais vai olhar na cara do vizinho, vai reclamar durante anos desse mesmo assunto até que um
dia ou ele ou o vizinho se mude.
(10) A vizinha que todo dia deseja que a outra vizinha se dê mal financeiramente e tenha que trocar
o carro lindão por outro mais simples, imaginando a si mesma com um carrão daqueles, acaba perdendo
sua empregada pra dita cuja que ofereceu uns tostões a mais.
A empregada, coitada, pede as contas sem pedido de desculpas - será que precisava? A ex-
patroa se revolta por ela nunca ter lhe pedido um aumento, preferindo a demissão sem aviso. A vizinha
(15) com a nova empregada, porém, percebe que a moça tem medo dela, a conversa não emplaca. Alguns
meses se passam, o serviço não está como precisava e, então, ela decide mandar a moça, a quem
prometeu mundos e fundos, embora. Esta que tinha ficado mal acostumada com o salário aumentado,
financiou o 'diabo a quatro' e agora está desempregada-desesperada.
Aí que a história acaba e você vai me dizer que desses quatro personagens dois se deram bem
(20) e justamente o folgado dono do gato que não tá nem aí se tem pelo espalhado pelo condomínio todo
atrapalhando inclusive a saúde de uma criança cujos pais até hoje não descobriram ou não associaram
a causa da rinite pesada do filho ao gato do vizinho folgado. E aí que é fácil perceber que qualquer
história tem seus emaranhados, em que qualquer ação de um pode influenciar outras várias. Nossa vida
é assim e viver consciente de si e do outro é para poucos. E lhe digo mais, não é o que consegue
(25) nenhum dos quatro personagens dessa história.
Pois é... o vizinho folgado foi quem acabou se mudando com mulher, filhos e gato mal
acostumado. Mudou-se pra pior bairro, coitado! De tão folgado no emprego, fez birra no patrão que
não só demitiu ele, como também lhe disse que dele não saía nenhuma referência boa pra outro
emprego. A mulher do homem sofreu o pato, carregando a família com seu pequeno salário até que
(30) finalmente descobriu que tinha um folgado em casa. Em casa não, em casa da mãe dela, pra onde se
mudaram. Sendo assim, ele não durou muito, foi despejado de lá também e saiu divorciado.
Quanto à mulher rica, bem... tudo indicava que era mesmo cheia da grana, pois não parava com
carro algum, tinha que trocar ano a ano, segundo seu 'status' mentirosamente 'milionário'. Solteira,
envolveu-se com um homem pancada. Homem pancada? Sim! Levou dela o pouco que tinha. Não se
(35) sabe como a mulher era fraca e dava tudo em seu nome. No final, teve, realmente, que vender o carro
lindo. Mas, por orgulho, não comprou outro não. Ficou andando de táxi. E a vida tem dessas coisas...
valores ruins são o início de tudo que dá errado.

CAVALCANTE, Talita. Disponível em: http://www.donaperfeitinha.com/2012/12/valores-meus-seus-dos-nossos-vizinhos.html. (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 24 ago. 2018.

Vocabulário:
valor – o preço que se paga; qualidade que se faz com que algo se torne importante para alguém; que pode ser útil; atributo pessoal que incita respeito;
à beça – em grande quantidade; muito;
uníssono – semelhante; som único composto por várias vozes ou instrumento; acorde único de várias vozes ou de vários instrumentos que fazem ouvir som na mesma altura;
folgadice – malandragem (referente a quem não gosta de trabalhar);
temperamental – aquele que tem temperamento sensível e facilmente excitável;
emaranhado– confuso, sem ordem.

Partindo da ideia de que determinados fatos podem gerar consequências positivas ou negativas, qual a consequência das atitudes da mulher rica na história?
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Resolução comentada

Consequência para a mulher rica.

O texto diz que ela se envolveu com um homem que 'levou dela o pouco que tinha', pois ela dava tudo em seu nome. Por isso teve de vender o carro, ou seja, foi enganada pelo namorado e perdeu o carro.

Análise das alternativas

A) Ela perdeu o carro, não continuou rica. C) Andou de táxi por orgulho, não porque assumiu ser pobre. D) 'Homem pancada' é expressão para um sujeito explorador, não literal. E) Não comprou outro carro.

Referência: Língua Portuguesa – causa e consequência.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Pontuação — Vírgula

2018 Fundamental

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Texto-base:
TEXTO 2
VALORES... MEUS, SEUS, DOS NOSSOS VIZINHOS

(1) Estamos cercados de sentimentos ruins. Gente querendo 'acabar' com o outro por qualquer
motivo. Acho que todos nós já ouvimos essa frase: 'vou acabar com ele! (ou ela!). E é feio à beça. Mas
apoios uníssonos surgem no mesmo instante. Nessas horas se é justo ou não, não se discute. Vizinhos
que brigam por folgadice de um e 'temperamentalismo' do outro. Enquanto a vizinha cobiça o carro da
(5) outra, esta pensa em fazer uma proposta pra empregada de anos daquela. Ridículo! Tá vendo? O mundo
está cheio de vontades guiadas por maus sentimentos. E tudo acaba mal, vejamos: o vizinho
temperamental que brigou com o vizinho folgado que deixa o gato solto pelas escadas o dia inteiro,
nunca mais vai olhar na cara do vizinho, vai reclamar durante anos desse mesmo assunto até que um
dia ou ele ou o vizinho se mude.
(10) A vizinha que todo dia deseja que a outra vizinha se dê mal financeiramente e tenha que trocar
o carro lindão por outro mais simples, imaginando a si mesma com um carrão daqueles, acaba perdendo
sua empregada pra dita cuja que ofereceu uns tostões a mais.
A empregada, coitada, pede as contas sem pedido de desculpas - será que precisava? A ex-
patroa se revolta por ela nunca ter lhe pedido um aumento, preferindo a demissão sem aviso. A vizinha
(15) com a nova empregada, porém, percebe que a moça tem medo dela, a conversa não emplaca. Alguns
meses se passam, o serviço não está como precisava e, então, ela decide mandar a moça, a quem
prometeu mundos e fundos, embora. Esta que tinha ficado mal acostumada com o salário aumentado,
financiou o 'diabo a quatro' e agora está desempregada-desesperada.
Aí que a história acaba e você vai me dizer que desses quatro personagens dois se deram bem
(20) e justamente o folgado dono do gato que não tá nem aí se tem pelo espalhado pelo condomínio todo
atrapalhando inclusive a saúde de uma criança cujos pais até hoje não descobriram ou não associaram
a causa da rinite pesada do filho ao gato do vizinho folgado. E aí que é fácil perceber que qualquer
história tem seus emaranhados, em que qualquer ação de um pode influenciar outras várias. Nossa vida
é assim e viver consciente de si e do outro é para poucos. E lhe digo mais, não é o que consegue
(25) nenhum dos quatro personagens dessa história.
Pois é... o vizinho folgado foi quem acabou se mudando com mulher, filhos e gato mal
acostumado. Mudou-se pra pior bairro, coitado! De tão folgado no emprego, fez birra no patrão que
não só demitiu ele, como também lhe disse que dele não saía nenhuma referência boa pra outro
emprego. A mulher do homem sofreu o pato, carregando a família com seu pequeno salário até que
(30) finalmente descobriu que tinha um folgado em casa. Em casa não, em casa da mãe dela, pra onde se
mudaram. Sendo assim, ele não durou muito, foi despejado de lá também e saiu divorciado.
Quanto à mulher rica, bem... tudo indicava que era mesmo cheia da grana, pois não parava com
carro algum, tinha que trocar ano a ano, segundo seu 'status' mentirosamente 'milionário'. Solteira,
envolveu-se com um homem pancada. Homem pancada? Sim! Levou dela o pouco que tinha. Não se
(35) sabe como a mulher era fraca e dava tudo em seu nome. No final, teve, realmente, que vender o carro
lindo. Mas, por orgulho, não comprou outro não. Ficou andando de táxi. E a vida tem dessas coisas...
valores ruins são o início de tudo que dá errado.

CAVALCANTE, Talita. Disponível em: http://www.donaperfeitinha.com/2012/12/valores-meus-seus-dos-nossos-vizinhos.html. (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 24 ago. 2018.

Vocabulário:
valor – o preço que se paga; qualidade que se faz com que algo se torne importante para alguém; que pode ser útil; atributo pessoal que incita respeito;
à beça – em grande quantidade; muito;
uníssono – semelhante; som único composto por várias vozes ou instrumento; acorde único de várias vozes ou de vários instrumentos que fazem ouvir som na mesma altura;
folgadice – malandragem (referente a quem não gosta de trabalhar);
temperamental – aquele que tem temperamento sensível e facilmente excitável;
emaranhado– confuso, sem ordem.

As vírgulas no trecho “A empregada, coitada, pede as contas sem pedido de desculpas” (linha 13) foram utilizadas com a finalidade de: (a palavra coitada aparece em negrito e sublinhada)
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Língua Portuguesa Gênero Textual — Infográfico e Modo Imperativo

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Texto-base:
TEXTO 3
Infográfico “Dicas básicas” com ícones e seis dicas: Respeite os horários de silêncio estabelecidos pelo condomínio (relógio); Evite andar de salto alto dentro de casa (sapato de salto); Evite falar ou brigar em volume alto (duas pessoas discutindo); O porteiro é um funcionário do condomínio. Não peça para que ele abandone o posto dele para fazer alguma entrega (porteiro); Ao usar o salão de festas, respeite o limite de pessoas e entregue o local em ordem após a comemoração (grupo de pessoas e notas musicais); Animais devem circular sempre de coleira e guia (cachorro na guia).
Disponível em: http://condominiowestpark2014.blogspot.com/2014/08/regras-basicas-para-convivencia-em-um.html. Acesso em: 17 set. 2018.

Marque a única opção correta em relação às informações e aos aspectos estruturais do infográfico sobre dicas básicas de convivência em prédios e condomínios, constantes no texto 3.
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Língua Portuguesa Intertextualidade — Comparação entre Textos

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Texto-base:
TEXTO 1
RECADO AO SENHOR 903

(1) Vizinho – Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do
zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento.
Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal.
Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é
(5) explícito e, se não o fosse, o senhor teria ainda ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro
tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no
1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome
nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre
dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano
(10) Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor.
Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos
algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor
da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante,
um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão, ao meu número)
(15) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22h às 7h, pois às 8h15
deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305.
Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número
não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe
desculpas – e prometo silêncio.
(20) Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse
à porta do outro e dissesse:
“Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou.” E o outro
respondesse: “Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e
a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”. E o homem trouxesse sua mulher, e os
(25) dois ficassem entre os amigos e as amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho
das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o
amor e a paz.

BRAGA, Rubem. Disponível em: http://contobrasileiro.com.br/recado-ao-senhor-903-cronica-de-rubem-braga/ (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 20 set. 2018.

Vocabulário:
veemente – intenso, impetuoso;
desolado – triste, aflito;
bramir – fazer estrondo, ressoar fortemente; dar gritos coléricos.

Texto-base:
TEXTO 2
VALORES... MEUS, SEUS, DOS NOSSOS VIZINHOS

(1) Estamos cercados de sentimentos ruins. Gente querendo 'acabar' com o outro por qualquer
motivo. Acho que todos nós já ouvimos essa frase: 'vou acabar com ele! (ou ela!). E é feio à beça. Mas
apoios uníssonos surgem no mesmo instante. Nessas horas se é justo ou não, não se discute. Vizinhos
que brigam por folgadice de um e 'temperamentalismo' do outro. Enquanto a vizinha cobiça o carro da
(5) outra, esta pensa em fazer uma proposta pra empregada de anos daquela. Ridículo! Tá vendo? O mundo
está cheio de vontades guiadas por maus sentimentos. E tudo acaba mal, vejamos: o vizinho
temperamental que brigou com o vizinho folgado que deixa o gato solto pelas escadas o dia inteiro,
nunca mais vai olhar na cara do vizinho, vai reclamar durante anos desse mesmo assunto até que um
dia ou ele ou o vizinho se mude.
(10) A vizinha que todo dia deseja que a outra vizinha se dê mal financeiramente e tenha que trocar
o carro lindão por outro mais simples, imaginando a si mesma com um carrão daqueles, acaba perdendo
sua empregada pra dita cuja que ofereceu uns tostões a mais.
A empregada, coitada, pede as contas sem pedido de desculpas - será que precisava? A ex-
patroa se revolta por ela nunca ter lhe pedido um aumento, preferindo a demissão sem aviso. A vizinha
(15) com a nova empregada, porém, percebe que a moça tem medo dela, a conversa não emplaca. Alguns
meses se passam, o serviço não está como precisava e, então, ela decide mandar a moça, a quem
prometeu mundos e fundos, embora. Esta que tinha ficado mal acostumada com o salário aumentado,
financiou o 'diabo a quatro' e agora está desempregada-desesperada.
Aí que a história acaba e você vai me dizer que desses quatro personagens dois se deram bem
(20) e justamente o folgado dono do gato que não tá nem aí se tem pelo espalhado pelo condomínio todo
atrapalhando inclusive a saúde de uma criança cujos pais até hoje não descobriram ou não associaram
a causa da rinite pesada do filho ao gato do vizinho folgado. E aí que é fácil perceber que qualquer
história tem seus emaranhados, em que qualquer ação de um pode influenciar outras várias. Nossa vida
é assim e viver consciente de si e do outro é para poucos. E lhe digo mais, não é o que consegue
(25) nenhum dos quatro personagens dessa história.
Pois é... o vizinho folgado foi quem acabou se mudando com mulher, filhos e gato mal
acostumado. Mudou-se pra pior bairro, coitado! De tão folgado no emprego, fez birra no patrão que
não só demitiu ele, como também lhe disse que dele não saía nenhuma referência boa pra outro
emprego. A mulher do homem sofreu o pato, carregando a família com seu pequeno salário até que
(30) finalmente descobriu que tinha um folgado em casa. Em casa não, em casa da mãe dela, pra onde se
mudaram. Sendo assim, ele não durou muito, foi despejado de lá também e saiu divorciado.
Quanto à mulher rica, bem... tudo indicava que era mesmo cheia da grana, pois não parava com
carro algum, tinha que trocar ano a ano, segundo seu 'status' mentirosamente 'milionário'. Solteira,
envolveu-se com um homem pancada. Homem pancada? Sim! Levou dela o pouco que tinha. Não se
(35) sabe como a mulher era fraca e dava tudo em seu nome. No final, teve, realmente, que vender o carro
lindo. Mas, por orgulho, não comprou outro não. Ficou andando de táxi. E a vida tem dessas coisas...
valores ruins são o início de tudo que dá errado.

CAVALCANTE, Talita. Disponível em: http://www.donaperfeitinha.com/2012/12/valores-meus-seus-dos-nossos-vizinhos.html. (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 24 ago. 2018.

Vocabulário:
valor – o preço que se paga; qualidade que se faz com que algo se torne importante para alguém; que pode ser útil; atributo pessoal que incita respeito;
à beça – em grande quantidade; muito;
uníssono – semelhante; som único composto por várias vozes ou instrumento; acorde único de várias vozes ou de vários instrumentos que fazem ouvir som na mesma altura;
folgadice – malandragem (referente a quem não gosta de trabalhar);
temperamental – aquele que tem temperamento sensível e facilmente excitável;
emaranhado– confuso, sem ordem.

Texto-base:
TEXTO 3
Infográfico “Dicas básicas” com ícones e seis dicas: Respeite os horários de silêncio estabelecidos pelo condomínio (relógio); Evite andar de salto alto dentro de casa (sapato de salto); Evite falar ou brigar em volume alto (duas pessoas discutindo); O porteiro é um funcionário do condomínio. Não peça para que ele abandone o posto dele para fazer alguma entrega (porteiro); Ao usar o salão de festas, respeite o limite de pessoas e entregue o local em ordem após a comemoração (grupo de pessoas e notas musicais); Animais devem circular sempre de coleira e guia (cachorro na guia).
Disponível em: http://condominiowestpark2014.blogspot.com/2014/08/regras-basicas-para-convivencia-em-um.html. Acesso em: 17 set. 2018.

Em relação aos aspectos comuns e/ou divergentes entre os textos 1, 2 e 3, marque a única opção correta.
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Língua Portuguesa Tirinha — Sentido Figurado

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Texto-base:
TEXTO 4
Tirinha da Mafalda em quatro quadrinhos. 1: Mafalda devolve moedas à mãe, que costura sentada: “Tome, pensei em ficar com o troco da padaria para comprar bala, mas não consegui!”. 2: Mafalda, zangada: “E tudo por causa do maldito inquilino que começou a dizer que isso é muito feio, que não se faz e sei lá o quê!”. 3: A mãe, surpresa: “Inquilino? Que inquilino?”. 4: Mafalda, emburrada: “Esse que a gente tem aqui dentro”.
Disponível em: https://goo.gl/images/qeX8Wt. Acesso em: 17 set. 2018.

Inquilino, entre outros significados, é aquele que aluga um imóvel para morar. No entanto, na tirinha, Mafalda usou o termo com sentido diferente do usual. Dessa forma, o “maldito inquilino” (2º quadrinho) que mora dentro dessa personagem é a
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Língua Portuguesa Intertextualidade — Comparação entre Textos

2018 Fundamental

Colégio Militar de Brasília (CMB) · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Texto-base:
TEXTO 1
RECADO AO SENHOR 903

(1) Vizinho – Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do
zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento.
Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e a sua veemente reclamação verbal.
Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é
(5) explícito e, se não o fosse, o senhor teria ainda ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro
tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no
1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome
nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre
dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano
(10) Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor.
Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos
algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor
da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante,
um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão, ao meu número)
(15) será convidado a se retirar às 21h45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22h às 7h, pois às 8h15
deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305.
Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número
não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe
desculpas – e prometo silêncio.
(20) Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse
à porta do outro e dissesse:
“Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou.” E o outro
respondesse: “Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e
a cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”. E o homem trouxesse sua mulher, e os
(25) dois ficassem entre os amigos e as amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho
das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o
amor e a paz.

BRAGA, Rubem. Disponível em: http://contobrasileiro.com.br/recado-ao-senhor-903-cronica-de-rubem-braga/ (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 20 set. 2018.

Vocabulário:
veemente – intenso, impetuoso;
desolado – triste, aflito;
bramir – fazer estrondo, ressoar fortemente; dar gritos coléricos.

Texto-base:
TEXTO 2
VALORES... MEUS, SEUS, DOS NOSSOS VIZINHOS

(1) Estamos cercados de sentimentos ruins. Gente querendo 'acabar' com o outro por qualquer
motivo. Acho que todos nós já ouvimos essa frase: 'vou acabar com ele! (ou ela!). E é feio à beça. Mas
apoios uníssonos surgem no mesmo instante. Nessas horas se é justo ou não, não se discute. Vizinhos
que brigam por folgadice de um e 'temperamentalismo' do outro. Enquanto a vizinha cobiça o carro da
(5) outra, esta pensa em fazer uma proposta pra empregada de anos daquela. Ridículo! Tá vendo? O mundo
está cheio de vontades guiadas por maus sentimentos. E tudo acaba mal, vejamos: o vizinho
temperamental que brigou com o vizinho folgado que deixa o gato solto pelas escadas o dia inteiro,
nunca mais vai olhar na cara do vizinho, vai reclamar durante anos desse mesmo assunto até que um
dia ou ele ou o vizinho se mude.
(10) A vizinha que todo dia deseja que a outra vizinha se dê mal financeiramente e tenha que trocar
o carro lindão por outro mais simples, imaginando a si mesma com um carrão daqueles, acaba perdendo
sua empregada pra dita cuja que ofereceu uns tostões a mais.
A empregada, coitada, pede as contas sem pedido de desculpas - será que precisava? A ex-
patroa se revolta por ela nunca ter lhe pedido um aumento, preferindo a demissão sem aviso. A vizinha
(15) com a nova empregada, porém, percebe que a moça tem medo dela, a conversa não emplaca. Alguns
meses se passam, o serviço não está como precisava e, então, ela decide mandar a moça, a quem
prometeu mundos e fundos, embora. Esta que tinha ficado mal acostumada com o salário aumentado,
financiou o 'diabo a quatro' e agora está desempregada-desesperada.
Aí que a história acaba e você vai me dizer que desses quatro personagens dois se deram bem
(20) e justamente o folgado dono do gato que não tá nem aí se tem pelo espalhado pelo condomínio todo
atrapalhando inclusive a saúde de uma criança cujos pais até hoje não descobriram ou não associaram
a causa da rinite pesada do filho ao gato do vizinho folgado. E aí que é fácil perceber que qualquer
história tem seus emaranhados, em que qualquer ação de um pode influenciar outras várias. Nossa vida
é assim e viver consciente de si e do outro é para poucos. E lhe digo mais, não é o que consegue
(25) nenhum dos quatro personagens dessa história.
Pois é... o vizinho folgado foi quem acabou se mudando com mulher, filhos e gato mal
acostumado. Mudou-se pra pior bairro, coitado! De tão folgado no emprego, fez birra no patrão que
não só demitiu ele, como também lhe disse que dele não saía nenhuma referência boa pra outro
emprego. A mulher do homem sofreu o pato, carregando a família com seu pequeno salário até que
(30) finalmente descobriu que tinha um folgado em casa. Em casa não, em casa da mãe dela, pra onde se
mudaram. Sendo assim, ele não durou muito, foi despejado de lá também e saiu divorciado.
Quanto à mulher rica, bem... tudo indicava que era mesmo cheia da grana, pois não parava com
carro algum, tinha que trocar ano a ano, segundo seu 'status' mentirosamente 'milionário'. Solteira,
envolveu-se com um homem pancada. Homem pancada? Sim! Levou dela o pouco que tinha. Não se
(35) sabe como a mulher era fraca e dava tudo em seu nome. No final, teve, realmente, que vender o carro
lindo. Mas, por orgulho, não comprou outro não. Ficou andando de táxi. E a vida tem dessas coisas...
valores ruins são o início de tudo que dá errado.

CAVALCANTE, Talita. Disponível em: http://www.donaperfeitinha.com/2012/12/valores-meus-seus-dos-nossos-vizinhos.html. (COM ADAPTAÇÃO). Acesso em: 24 ago. 2018.

Vocabulário:
valor – o preço que se paga; qualidade que se faz com que algo se torne importante para alguém; que pode ser útil; atributo pessoal que incita respeito;
à beça – em grande quantidade; muito;
uníssono – semelhante; som único composto por várias vozes ou instrumento; acorde único de várias vozes ou de vários instrumentos que fazem ouvir som na mesma altura;
folgadice – malandragem (referente a quem não gosta de trabalhar);
temperamental – aquele que tem temperamento sensível e facilmente excitável;
emaranhado– confuso, sem ordem.

Texto-base:
TEXTO 3
Infográfico “Dicas básicas” com ícones e seis dicas: Respeite os horários de silêncio estabelecidos pelo condomínio (relógio); Evite andar de salto alto dentro de casa (sapato de salto); Evite falar ou brigar em volume alto (duas pessoas discutindo); O porteiro é um funcionário do condomínio. Não peça para que ele abandone o posto dele para fazer alguma entrega (porteiro); Ao usar o salão de festas, respeite o limite de pessoas e entregue o local em ordem após a comemoração (grupo de pessoas e notas musicais); Animais devem circular sempre de coleira e guia (cachorro na guia).
Disponível em: http://condominiowestpark2014.blogspot.com/2014/08/regras-basicas-para-convivencia-em-um.html. Acesso em: 17 set. 2018.

Texto-base:
TEXTO 4
Tirinha da Mafalda em quatro quadrinhos. 1: Mafalda devolve moedas à mãe, que costura sentada: “Tome, pensei em ficar com o troco da padaria para comprar bala, mas não consegui!”. 2: Mafalda, zangada: “E tudo por causa do maldito inquilino que começou a dizer que isso é muito feio, que não se faz e sei lá o quê!”. 3: A mãe, surpresa: “Inquilino? Que inquilino?”. 4: Mafalda, emburrada: “Esse que a gente tem aqui dentro”.
Disponível em: https://goo.gl/images/qeX8Wt. Acesso em: 17 set. 2018.

A partir das características visuais, estruturais e das informações presentes nos textos 1, 2, 3 e 4, marque a opção correta de acordo com as afirmativas a seguir.
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