← Voltar para a lista de provas Colégio Militar de Juiz de Fora (CMJF) · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental 15 questões nesta prova · 14 com gabarito Gabarito disponível O narrador do texto II é narrador-personagem, em 1ª pessoa. No texto II, o narrador conta em primeira pessoa que viu os gatos, os comprou e cuidou deles ('Tranquei-me com eles', 'Voei para o veterinário'). Ele é, portanto, narrador-personagem e participa do enredo. B) Errada: no texto I quem narra é um amigo de infância, não o Jarinho, que é só personagem. C) Errada: o narrador do texto II participa da ação, e o do texto I também participa das brincadeiras ('brincar com a gente'). D) Errada: os narradores são adultos que recordam ou contam fatos, e não crianças. Referência: Foco narrativo: narrador-personagem (1ª pessoa) x narrador-observador (3ª pessoa). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Alternativa correta sobre os acontecimentos do texto I. O desaparecimento do melro coincide com uma grande ventania que arrancou telhas e folhas das palmeiras. Jarinho havia deixado o melro num galho antes do vendaval. Por isso o texto sugere a ventania como causa provável do desaparecimento. A) Jarinho adulto não reencontrou o melro. B) O desaparecimento ocorreu na ventania e não ligado ao pedido da professora. C) Ele levava o melro ao ombro e o deixava em um galho ou janela nas brincadeiras de correr, não em casa. Só o deixava em casa na hora da escola. Referência: Interpretação de texto narrativo Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Sentido da fala final de Jarinho no texto I. Ao dizer 'Não me esqueço nunca' e que ainda escuta o melro cantando como se estivesse ali, Jarinho mostra que guarda lembranças nítidas do seu melro, mesmo depois de tantos anos. A) O melro desapareceu e ele não o tem mais. B) A fala é carinhosa e saudosa, não de assombração. D) Ele não recebe visitas do melro, apenas recorda o canto como se o ouvisse. Referência: Interpretação de texto narrativo Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Motivo decisivo para o narrador comprar o gato. O narrador teve uma intuição de que precisava levar o gato 'para salvar a vida dele', sentindo que ele corria risco. Depois se confirmou que Merlin estava doente, quase morrendo. A) Não há cansaço dos cães no texto. B) O gato parecer um brinquedo foi só uma dúvida inicial, e não o motivo da compra. D) Achar cruel o confinamento gerou pena, mas o fator decisivo foi a intuição de salvar a vida do gato. Referência: Interpretação de texto narrativo Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Mudança de comportamento de Merlin, de quieto na loja a agitado em casa. Na loja, o gato estava 'absolutamente imóvel', quieto, porque estava doente. Depois do tratamento, em casa, ele passou a escalar mesa e estante e a botar o focinho em tudo. O texto resume isso em 'Tão quietinho na vitrine, tão animado em casa!'. Os comportamentos são, portanto, quietude e agitação. A) 'Raiva' não aparece no texto. C) Solidão não é mostrada e a tranquilidade não é o estado posterior. D) A desconfiança não é descrita no texto. Referência: Interpretação de texto narrativo Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Ideia comum aos desfechos dos textos I e II. No texto I, Jarinho ainda escuta o melro cantar décadas depois. No texto II, o narrador diz que o amor pelos gatos é 'para toda a vida'. Os dois finais mostram que o amor por um animal de estimação dura a vida inteira. A) Nenhum dos finais trata de o animal acompanhar o dono em todos os lugares. B) A tristeza aparece no texto I, mas não no texto II. C) Nenhum final fala de trabalho no cuidado de animais. Referência: Comparação entre textos Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Efeito da mudança de comportamento dos donos segundo o texto III. O texto diz que os donos passaram a ver os animais como membros da família e a cuidar mais deles, o que impulsionou o segmento de saúde animal, a 'grande vedete' do mercado, com crescimento de 13%. A) O mercado não desacelerou por isso, pois resiste à crise. C) O avanço tecnológico impulsiona o segmento, mas não é causado pela mudança de comportamento. D) Os gastos com o mercado pet não diminuíram. Referência: Interpretação de texto informativo Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Características e finalidade dos textos: o texto III é informativo e formal. O texto III é uma reportagem sobre o mercado pet, com dados, estatísticas e falas de especialistas. Sua linguagem é predominantemente formal e seu objetivo é informar sobre o crescimento do setor. A) O texto I é uma narrativa de memória e não informa sobre o desaparecimento do melro. C) O texto II é uma crônica pessoal em linguagem informal e não instrui sobre aquisição de animais. D) O texto III é objetivo e informativo, não subjetivo nem figurado. Referência: Tipologia e gêneros textuais; finalidade e registro Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Vírgulas usadas para separar elementos de uma enumeração. Em 'Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições', as vírgulas separam termos de mesma função sintática, o que caracteriza uma enumeração. A) A vírgula isola o adjunto adverbial deslocado. B) A vírgula separa o adjunto adverbial 'Dias depois' e isola 'pronto para intervir'. C) As vírgulas isolam o aposto ou termo explicativo 'mais arisca'. Referência: Uso da vírgula: enumeração Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Sem padrão de resposta — pratique a escrita INSTRUÇÕESColégio Militar de Juiz de Fora — Concurso de Admissão 2018/2019 — Língua Portuguesa — 6º ano do Ensino Fundamental — Prova 1
Texto 1 - Os meninos morenos
01 O Jarinho falava com os animais. Ao lado das plantas de seu pai, no seu quintal, havia um
pequeno jardim zoológico que me matava de inveja. Jarinho tinha coelhos, porquinhos-da-índia, um
quati, cabritos e até um pequeno jacaré. (...)
A despeito de tudo isso, o Jarinho tinha tempo de brincar com a gente. E aparecia para as
05 brincadeiras, trazendo sempre consigo seu melhor amigo: um melro que vivia pousado no seu
ombro.
Uma das recordações mais felizes da minha infância é da sinfonia dos melros nas palmeiras. A
gente chegava muito cedo para a primeira aula do Grupo Escolar que ficava na praça que era
cercada de altas palmeiras.
10 Pois é: minha terra tinha palmeiras onde, em vez de sabiá, cantava o melro. E, como a gente
chegava muito cedo para a aula, os melros ainda estavam cantando a sua canção matinal. Era
como se estivessem saudando os meninos morenos, que também chegavam em bando para a
escola.
Jarinho chegava pra brincar com a gente e vinha com o melro no
15 ombro. Se a brincadeira era contar história, brincar de gata-parida,
berlinda, mamãe-eu-posso-ir ou qualquer outra que não implicasse correr,
o melro ficava ali, no ombro do Jarinho. Se, porém, a gente tinha que
correr, se a brincadeira era de pique, de pular-carniça, soltar papagaio,
jogar precipício, cobra-caninana, esconde-esconde ou mãos-ao-ar – que,
20 em outras cidades, se chamava bandido-e-mocinho -, o Jarinho botava o
melro no galho de uma árvore ou no umbral de uma janela e dizia: “Fica aí,
que eu já volto”. E o melro ficava esperando seu dono voltar da
brincadeira. A professora pedia ao Jarinho pra não levar o melro para a escola. Era para não
tumultuar as aulas.
25 O Jarinho ficava muito triste de deixar seu amigo em casa.
(...)
Foi num mês de agosto, no dia seguinte de uma grande ventania, que o Jarinho não apareceu
na escola.
Na semana seguinte àquele dia, não só o Jarinho, mas todos os meninos da rua não fizeram
30 senão procurar o melro do Jarinho.
Ele o havia deixado num galho de árvore para fazer uma coisa qualquer (que era melhor fazer
sem seu amigo). Foi quando começou o furacão. Foi de repente, eu me lembro.
Nunca havia ventado tanto na minha cidade. As pessoas se agarravam aos postes para não
serem arrastadas, telhas voaram pelos ares, casebres ficaram sem teto, folhas das palmeiras
35 imperiais da praça se desprenderam, voando a grandes alturas, ameaçadoras.
Todos os meninos da rua só faltaram morrer de tristeza, o Jarinho ficou de cama e não me
lembro mais de voltar a vê-lo imitar seus passarinhos. Minha mãe, que era uma sábia, tentou
explicar para os meninos da rua que era bom a gente prestar bastante atenção nas coisas boas,
enquanto elas duram.
40 Muitos e muitos anos depois – agora, recentemente – reencontrei o Jarinho. Era um senhor
gordinho com os cabelos – muito poucos – completamente brancos e os olhos pequenos mais
sumidos do que nunca. E bem mais moreno do que Jarinho menino, quase marrom. O tempo lhe
deu um ar de santo, seu sorriso era doce como o sorriso simpático de seu velho pai. Perguntei-lhe
se ele se lembrava, com a mesma intensidade que eu, dos velhos tempos da rua de nossa infância.
45 E falei do melro no seu ombro e ele me disse: “Não me esqueço nunca. Ainda hoje, tantos anos
depois, acordo no meio da noite e, dentro do meu quarto, escuto o meu melro cantando direitinho
como se estivesse ali”.
(Ziraldo. Os meninos morenos. 2. ed. São Paulo: Melhoramentos. pp. 44-8)
Texto 2 - Merlin e Shiva
01 Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por
impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei
algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros
passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. “Que gato quieto!”, espantei-me.
05 Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia
inteiro em um espaço minúsculo. “E se eu comprar o gato?”, pensei. Achei loucura. Já tenho três
cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O
gato não me saía da cabeça. “Jamais farei isso!”, decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o
bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
10 vez em quando. “Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele”, refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei
o cartão de crédito.
– Por que não compra também a companheirinha dele? – insinuou o vendedor, indicando a
gatinha rajada de preto.
15 Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os
dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me
perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com
eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
– Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
20 Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome
deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado
para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
25 Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa gaiolinha. Não me reconhecia
como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas
não estava curado.
– Talvez seja uma doença crônica – informou o veterinário.
30 Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários
certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade,
escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em
casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
35 cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois,
abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei
dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa
toda. Fiquei encharcado no jardim. “Ele fugiu!”, concluí com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
40 como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos
meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E
sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Quanto ao tipo de narrador dos textos I e II, escolha a assertiva correta.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 1 - Os meninos morenos
01 O Jarinho falava com os animais. Ao lado das plantas de seu pai, no seu quintal, havia um
pequeno jardim zoológico que me matava de inveja. Jarinho tinha coelhos, porquinhos-da-índia, um
quati, cabritos e até um pequeno jacaré. (...)
A despeito de tudo isso, o Jarinho tinha tempo de brincar com a gente. E aparecia para as
05 brincadeiras, trazendo sempre consigo seu melhor amigo: um melro que vivia pousado no seu
ombro.
Uma das recordações mais felizes da minha infância é da sinfonia dos melros nas palmeiras. A
gente chegava muito cedo para a primeira aula do Grupo Escolar que ficava na praça que era
cercada de altas palmeiras.
10 Pois é: minha terra tinha palmeiras onde, em vez de sabiá, cantava o melro. E, como a gente
chegava muito cedo para a aula, os melros ainda estavam cantando a sua canção matinal. Era
como se estivessem saudando os meninos morenos, que também chegavam em bando para a
escola.
Jarinho chegava pra brincar com a gente e vinha com o melro no
15 ombro. Se a brincadeira era contar história, brincar de gata-parida,
berlinda, mamãe-eu-posso-ir ou qualquer outra que não implicasse correr,
o melro ficava ali, no ombro do Jarinho. Se, porém, a gente tinha que
correr, se a brincadeira era de pique, de pular-carniça, soltar papagaio,
jogar precipício, cobra-caninana, esconde-esconde ou mãos-ao-ar – que,
20 em outras cidades, se chamava bandido-e-mocinho -, o Jarinho botava o
melro no galho de uma árvore ou no umbral de uma janela e dizia: “Fica aí,
que eu já volto”. E o melro ficava esperando seu dono voltar da
brincadeira. A professora pedia ao Jarinho pra não levar o melro para a escola. Era para não
tumultuar as aulas.
25 O Jarinho ficava muito triste de deixar seu amigo em casa.
(...)
Foi num mês de agosto, no dia seguinte de uma grande ventania, que o Jarinho não apareceu
na escola.
Na semana seguinte àquele dia, não só o Jarinho, mas todos os meninos da rua não fizeram
30 senão procurar o melro do Jarinho.
Ele o havia deixado num galho de árvore para fazer uma coisa qualquer (que era melhor fazer
sem seu amigo). Foi quando começou o furacão. Foi de repente, eu me lembro.
Nunca havia ventado tanto na minha cidade. As pessoas se agarravam aos postes para não
serem arrastadas, telhas voaram pelos ares, casebres ficaram sem teto, folhas das palmeiras
35 imperiais da praça se desprenderam, voando a grandes alturas, ameaçadoras.
Todos os meninos da rua só faltaram morrer de tristeza, o Jarinho ficou de cama e não me
lembro mais de voltar a vê-lo imitar seus passarinhos. Minha mãe, que era uma sábia, tentou
explicar para os meninos da rua que era bom a gente prestar bastante atenção nas coisas boas,
enquanto elas duram.
40 Muitos e muitos anos depois – agora, recentemente – reencontrei o Jarinho. Era um senhor
gordinho com os cabelos – muito poucos – completamente brancos e os olhos pequenos mais
sumidos do que nunca. E bem mais moreno do que Jarinho menino, quase marrom. O tempo lhe
deu um ar de santo, seu sorriso era doce como o sorriso simpático de seu velho pai. Perguntei-lhe
se ele se lembrava, com a mesma intensidade que eu, dos velhos tempos da rua de nossa infância.
45 E falei do melro no seu ombro e ele me disse: “Não me esqueço nunca. Ainda hoje, tantos anos
depois, acordo no meio da noite e, dentro do meu quarto, escuto o meu melro cantando direitinho
como se estivesse ali”.
(Ziraldo. Os meninos morenos. 2. ed. São Paulo: Melhoramentos. pp. 44-8)
Sobre os acontecimentos narrados no texto I, assinale a alternativa correta.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 1 - Os meninos morenos
01 O Jarinho falava com os animais. Ao lado das plantas de seu pai, no seu quintal, havia um
pequeno jardim zoológico que me matava de inveja. Jarinho tinha coelhos, porquinhos-da-índia, um
quati, cabritos e até um pequeno jacaré. (...)
A despeito de tudo isso, o Jarinho tinha tempo de brincar com a gente. E aparecia para as
05 brincadeiras, trazendo sempre consigo seu melhor amigo: um melro que vivia pousado no seu
ombro.
Uma das recordações mais felizes da minha infância é da sinfonia dos melros nas palmeiras. A
gente chegava muito cedo para a primeira aula do Grupo Escolar que ficava na praça que era
cercada de altas palmeiras.
10 Pois é: minha terra tinha palmeiras onde, em vez de sabiá, cantava o melro. E, como a gente
chegava muito cedo para a aula, os melros ainda estavam cantando a sua canção matinal. Era
como se estivessem saudando os meninos morenos, que também chegavam em bando para a
escola.
Jarinho chegava pra brincar com a gente e vinha com o melro no
15 ombro. Se a brincadeira era contar história, brincar de gata-parida,
berlinda, mamãe-eu-posso-ir ou qualquer outra que não implicasse correr,
o melro ficava ali, no ombro do Jarinho. Se, porém, a gente tinha que
correr, se a brincadeira era de pique, de pular-carniça, soltar papagaio,
jogar precipício, cobra-caninana, esconde-esconde ou mãos-ao-ar – que,
20 em outras cidades, se chamava bandido-e-mocinho -, o Jarinho botava o
melro no galho de uma árvore ou no umbral de uma janela e dizia: “Fica aí,
que eu já volto”. E o melro ficava esperando seu dono voltar da
brincadeira. A professora pedia ao Jarinho pra não levar o melro para a escola. Era para não
tumultuar as aulas.
25 O Jarinho ficava muito triste de deixar seu amigo em casa.
(...)
Foi num mês de agosto, no dia seguinte de uma grande ventania, que o Jarinho não apareceu
na escola.
Na semana seguinte àquele dia, não só o Jarinho, mas todos os meninos da rua não fizeram
30 senão procurar o melro do Jarinho.
Ele o havia deixado num galho de árvore para fazer uma coisa qualquer (que era melhor fazer
sem seu amigo). Foi quando começou o furacão. Foi de repente, eu me lembro.
Nunca havia ventado tanto na minha cidade. As pessoas se agarravam aos postes para não
serem arrastadas, telhas voaram pelos ares, casebres ficaram sem teto, folhas das palmeiras
35 imperiais da praça se desprenderam, voando a grandes alturas, ameaçadoras.
Todos os meninos da rua só faltaram morrer de tristeza, o Jarinho ficou de cama e não me
lembro mais de voltar a vê-lo imitar seus passarinhos. Minha mãe, que era uma sábia, tentou
explicar para os meninos da rua que era bom a gente prestar bastante atenção nas coisas boas,
enquanto elas duram.
40 Muitos e muitos anos depois – agora, recentemente – reencontrei o Jarinho. Era um senhor
gordinho com os cabelos – muito poucos – completamente brancos e os olhos pequenos mais
sumidos do que nunca. E bem mais moreno do que Jarinho menino, quase marrom. O tempo lhe
deu um ar de santo, seu sorriso era doce como o sorriso simpático de seu velho pai. Perguntei-lhe
se ele se lembrava, com a mesma intensidade que eu, dos velhos tempos da rua de nossa infância.
45 E falei do melro no seu ombro e ele me disse: “Não me esqueço nunca. Ainda hoje, tantos anos
depois, acordo no meio da noite e, dentro do meu quarto, escuto o meu melro cantando direitinho
como se estivesse ali”.
(Ziraldo. Os meninos morenos. 2. ed. São Paulo: Melhoramentos. pp. 44-8)
A fala de Jarinho no último parágrafo pode ser entendida da seguinte forma:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 2 - Merlin e Shiva
01 Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por
impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei
algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros
passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. “Que gato quieto!”, espantei-me.
05 Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia
inteiro em um espaço minúsculo. “E se eu comprar o gato?”, pensei. Achei loucura. Já tenho três
cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O
gato não me saía da cabeça. “Jamais farei isso!”, decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o
bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
10 vez em quando. “Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele”, refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei
o cartão de crédito.
– Por que não compra também a companheirinha dele? – insinuou o vendedor, indicando a
gatinha rajada de preto.
15 Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os
dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me
perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com
eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
– Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
20 Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome
deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado
para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
25 Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa gaiolinha. Não me reconhecia
como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas
não estava curado.
– Talvez seja uma doença crônica – informou o veterinário.
30 Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários
certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade,
escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em
casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
35 cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois,
abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei
dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa
toda. Fiquei encharcado no jardim. “Ele fugiu!”, concluí com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
40 como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos
meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E
sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Assinale a alternativa que responde corretamente à seguinte pergunta sobre o texto II:
O que foi decisivo para que a personagem resolvesse comprar o gatinho da vitrine?Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 2 - Merlin e Shiva
01 Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por
impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei
algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros
passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. “Que gato quieto!”, espantei-me.
05 Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia
inteiro em um espaço minúsculo. “E se eu comprar o gato?”, pensei. Achei loucura. Já tenho três
cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O
gato não me saía da cabeça. “Jamais farei isso!”, decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o
bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
10 vez em quando. “Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele”, refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei
o cartão de crédito.
– Por que não compra também a companheirinha dele? – insinuou o vendedor, indicando a
gatinha rajada de preto.
15 Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os
dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me
perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com
eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
– Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
20 Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome
deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado
para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
25 Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa gaiolinha. Não me reconhecia
como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas
não estava curado.
– Talvez seja uma doença crônica – informou o veterinário.
30 Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários
certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade,
escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em
casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
35 cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois,
abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei
dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa
toda. Fiquei encharcado no jardim. “Ele fugiu!”, concluí com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
40 como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos
meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E
sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
No texto II, do tempo em que estava na loja de animais até o momento em que, já na casa do narrador, parou de tossir, o gato Merlin apresentou comportamentos diferentes. Esses comportamentos são, respectivamente, de:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 2 - Merlin e Shiva
01 Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por
impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei
algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros
passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. “Que gato quieto!”, espantei-me.
05 Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia
inteiro em um espaço minúsculo. “E se eu comprar o gato?”, pensei. Achei loucura. Já tenho três
cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O
gato não me saía da cabeça. “Jamais farei isso!”, decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o
bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
10 vez em quando. “Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele”, refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei
o cartão de crédito.
– Por que não compra também a companheirinha dele? – insinuou o vendedor, indicando a
gatinha rajada de preto.
15 Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os
dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me
perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com
eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
– Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
20 Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome
deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado
para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
25 Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa gaiolinha. Não me reconhecia
como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas
não estava curado.
– Talvez seja uma doença crônica – informou o veterinário.
30 Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários
certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade,
escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em
casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
35 cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois,
abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei
dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa
toda. Fiquei encharcado no jardim. “Ele fugiu!”, concluí com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
40 como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos
meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E
sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Texto 3 –
Mercado pet cresce graças a mudanças no comportamento dos donos de animais de estimação
As oportunidades de trabalho aumentam no segmento de saúde pet, que deve fechar o ano com 13% de crescimento
Por Mariana Poli
18 abr 2017, 12h47 - Publicado em 20 jan 2017, 08h00
01 Mais de 50 milhões de cães e 22 milhões de gatos de estimação. Esses números
impressionantes, divulgados no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), ajudam a entender o sucesso de um dos negócios que mais crescem no Brasil: o mercado
pet. Com faturamento previsto de 19,2 bilhões de reais e expansão de quase 7% em relação ao ano
05 passado, o setor resiste à crise.
Embora sinta os reflexos da desaceleração da economia, ele surpreende pela resiliência diante
dos índices de desemprego e da corrosão da renda da população pela inflação. “Mesmo crescendo
mais devagar, o mercado de animais de estimação representa 0,38% do produto interno bruto (PIB)
e já é maior do que a linha branca de geladeira e fogão”, diz José Edson Galvão de França,
10 presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação
(Abinpet).
E a grande vedete dentro desse mercado é o segmento de saúde animal. Impulsionado pelo
avanço da tecnologia, esse nicho avança na casa dos dois dígitos – a projeção é que cresça 13%
em relação a 2015, quase o dobro do mercado pet como um todo.
15 Mas o que faz essa área se destacar tanto num período em que as pessoas estão cortando
gastos? A resposta é simples: a mudança de comportamento dos donos dos bichos. Nos últimos
anos, os animais de estimação passaram para dentro das casas e ganharam o status de membros
da família.
“Como sobem no sofá, dormem no quarto e dividem o ambiente com as crianças, eles
20 passaram a ser mais bem cuidados por seus donos. A atitude, que antes era curativa, se tornou
preventiva”, diz Gustavo Moraes, diretor de negócios da unidade pet da MSD Saúde Animal, que no
ano passado faturou 576 milhões de reais no Brasil.
(https://exame.abril.com.br/carreira/mercado-pet-cresce-gracas-a-mudancas-no-comportamento-dos-donos-de-animais-de-estimacao/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Identifique a alternativa em que a forma verbal sublinhada indica a mesma ideia de tempo do verbo destacado em ![]()
Texto 1 - Os meninos morenos
01 O Jarinho falava com os animais. Ao lado das plantas de seu pai, no seu quintal, havia um
pequeno jardim zoológico que me matava de inveja. Jarinho tinha coelhos, porquinhos-da-índia, um
quati, cabritos e até um pequeno jacaré. (...)
A despeito de tudo isso, o Jarinho tinha tempo de brincar com a gente. E aparecia para as
05 brincadeiras, trazendo sempre consigo seu melhor amigo: um melro que vivia pousado no seu
ombro.
Uma das recordações mais felizes da minha infância é da sinfonia dos melros nas palmeiras. A
gente chegava muito cedo para a primeira aula do Grupo Escolar que ficava na praça que era
cercada de altas palmeiras.
10 Pois é: minha terra tinha palmeiras onde, em vez de sabiá, cantava o melro. E, como a gente
chegava muito cedo para a aula, os melros ainda estavam cantando a sua canção matinal. Era
como se estivessem saudando os meninos morenos, que também chegavam em bando para a
escola.
Jarinho chegava pra brincar com a gente e vinha com o melro no
15 ombro. Se a brincadeira era contar história, brincar de gata-parida,
berlinda, mamãe-eu-posso-ir ou qualquer outra que não implicasse correr,
o melro ficava ali, no ombro do Jarinho. Se, porém, a gente tinha que
correr, se a brincadeira era de pique, de pular-carniça, soltar papagaio,
jogar precipício, cobra-caninana, esconde-esconde ou mãos-ao-ar – que,
20 em outras cidades, se chamava bandido-e-mocinho -, o Jarinho botava o
melro no galho de uma árvore ou no umbral de uma janela e dizia: “Fica aí,
que eu já volto”. E o melro ficava esperando seu dono voltar da
brincadeira. A professora pedia ao Jarinho pra não levar o melro para a escola. Era para não
tumultuar as aulas.
25 O Jarinho ficava muito triste de deixar seu amigo em casa.
(...)
Foi num mês de agosto, no dia seguinte de uma grande ventania, que o Jarinho não apareceu
na escola.
Na semana seguinte àquele dia, não só o Jarinho, mas todos os meninos da rua não fizeram
30 senão procurar o melro do Jarinho.
Ele o havia deixado num galho de árvore para fazer uma coisa qualquer (que era melhor fazer
sem seu amigo). Foi quando começou o furacão. Foi de repente, eu me lembro.
Nunca havia ventado tanto na minha cidade. As pessoas se agarravam aos postes para não
serem arrastadas, telhas voaram pelos ares, casebres ficaram sem teto, folhas das palmeiras
35 imperiais da praça se desprenderam, voando a grandes alturas, ameaçadoras.
Todos os meninos da rua só faltaram morrer de tristeza, o Jarinho ficou de cama e não me
lembro mais de voltar a vê-lo imitar seus passarinhos. Minha mãe, que era uma sábia, tentou
explicar para os meninos da rua que era bom a gente prestar bastante atenção nas coisas boas,
enquanto elas duram.
40 Muitos e muitos anos depois – agora, recentemente – reencontrei o Jarinho. Era um senhor
gordinho com os cabelos – muito poucos – completamente brancos e os olhos pequenos mais
sumidos do que nunca. E bem mais moreno do que Jarinho menino, quase marrom. O tempo lhe
deu um ar de santo, seu sorriso era doce como o sorriso simpático de seu velho pai. Perguntei-lhe
se ele se lembrava, com a mesma intensidade que eu, dos velhos tempos da rua de nossa infância.
45 E falei do melro no seu ombro e ele me disse: “Não me esqueço nunca. Ainda hoje, tantos anos
depois, acordo no meio da noite e, dentro do meu quarto, escuto o meu melro cantando direitinho
como se estivesse ali”.
(Ziraldo. Os meninos morenos. 2. ed. São Paulo: Melhoramentos. pp. 44-8)
Texto 2 - Merlin e Shiva
01 Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por
impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei
algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros
passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. “Que gato quieto!”, espantei-me.
05 Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia
inteiro em um espaço minúsculo. “E se eu comprar o gato?”, pensei. Achei loucura. Já tenho três
cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O
gato não me saía da cabeça. “Jamais farei isso!”, decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o
bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
10 vez em quando. “Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele”, refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei
o cartão de crédito.
– Por que não compra também a companheirinha dele? – insinuou o vendedor, indicando a
gatinha rajada de preto.
15 Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os
dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me
perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com
eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
– Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
20 Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome
deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado
para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
25 Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa gaiolinha. Não me reconhecia
como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas
não estava curado.
– Talvez seja uma doença crônica – informou o veterinário.
30 Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários
certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade,
escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em
casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
35 cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois,
abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei
dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa
toda. Fiquei encharcado no jardim. “Ele fugiu!”, concluí com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
40 como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos
meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E
sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Os desfechos dos textos I e II se assemelham por transmitir a ideia de queResolução comentada
Análise das alternativas
Texto 3 –
Mercado pet cresce graças a mudanças no comportamento dos donos de animais de estimação
As oportunidades de trabalho aumentam no segmento de saúde pet, que deve fechar o ano com 13% de crescimento
Por Mariana Poli
18 abr 2017, 12h47 - Publicado em 20 jan 2017, 08h00
01 Mais de 50 milhões de cães e 22 milhões de gatos de estimação. Esses números
impressionantes, divulgados no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), ajudam a entender o sucesso de um dos negócios que mais crescem no Brasil: o mercado
pet. Com faturamento previsto de 19,2 bilhões de reais e expansão de quase 7% em relação ao ano
05 passado, o setor resiste à crise.
Embora sinta os reflexos da desaceleração da economia, ele surpreende pela resiliência diante
dos índices de desemprego e da corrosão da renda da população pela inflação. “Mesmo crescendo
mais devagar, o mercado de animais de estimação representa 0,38% do produto interno bruto (PIB)
e já é maior do que a linha branca de geladeira e fogão”, diz José Edson Galvão de França,
10 presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação
(Abinpet).
E a grande vedete dentro desse mercado é o segmento de saúde animal. Impulsionado pelo
avanço da tecnologia, esse nicho avança na casa dos dois dígitos – a projeção é que cresça 13%
em relação a 2015, quase o dobro do mercado pet como um todo.
15 Mas o que faz essa área se destacar tanto num período em que as pessoas estão cortando
gastos? A resposta é simples: a mudança de comportamento dos donos dos bichos. Nos últimos
anos, os animais de estimação passaram para dentro das casas e ganharam o status de membros
da família.
“Como sobem no sofá, dormem no quarto e dividem o ambiente com as crianças, eles
20 passaram a ser mais bem cuidados por seus donos. A atitude, que antes era curativa, se tornou
preventiva”, diz Gustavo Moraes, diretor de negócios da unidade pet da MSD Saúde Animal, que no
ano passado faturou 576 milhões de reais no Brasil.
(https://exame.abril.com.br/carreira/mercado-pet-cresce-gracas-a-mudancas-no-comportamento-dos-donos-de-animais-de-estimacao/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
De acordo com o texto III, as mudanças de comportamento dos donos de animais de estimação provocaramResolução comentada
Análise das alternativas
Texto 1 - Os meninos morenos
01 O Jarinho falava com os animais. Ao lado das plantas de seu pai, no seu quintal, havia um
pequeno jardim zoológico que me matava de inveja. Jarinho tinha coelhos, porquinhos-da-índia, um
quati, cabritos e até um pequeno jacaré. (...)
A despeito de tudo isso, o Jarinho tinha tempo de brincar com a gente. E aparecia para as
05 brincadeiras, trazendo sempre consigo seu melhor amigo: um melro que vivia pousado no seu
ombro.
Uma das recordações mais felizes da minha infância é da sinfonia dos melros nas palmeiras. A
gente chegava muito cedo para a primeira aula do Grupo Escolar que ficava na praça que era
cercada de altas palmeiras.
10 Pois é: minha terra tinha palmeiras onde, em vez de sabiá, cantava o melro. E, como a gente
chegava muito cedo para a aula, os melros ainda estavam cantando a sua canção matinal. Era
como se estivessem saudando os meninos morenos, que também chegavam em bando para a
escola.
Jarinho chegava pra brincar com a gente e vinha com o melro no
15 ombro. Se a brincadeira era contar história, brincar de gata-parida,
berlinda, mamãe-eu-posso-ir ou qualquer outra que não implicasse correr,
o melro ficava ali, no ombro do Jarinho. Se, porém, a gente tinha que
correr, se a brincadeira era de pique, de pular-carniça, soltar papagaio,
jogar precipício, cobra-caninana, esconde-esconde ou mãos-ao-ar – que,
20 em outras cidades, se chamava bandido-e-mocinho -, o Jarinho botava o
melro no galho de uma árvore ou no umbral de uma janela e dizia: “Fica aí,
que eu já volto”. E o melro ficava esperando seu dono voltar da
brincadeira. A professora pedia ao Jarinho pra não levar o melro para a escola. Era para não
tumultuar as aulas.
25 O Jarinho ficava muito triste de deixar seu amigo em casa.
(...)
Foi num mês de agosto, no dia seguinte de uma grande ventania, que o Jarinho não apareceu
na escola.
Na semana seguinte àquele dia, não só o Jarinho, mas todos os meninos da rua não fizeram
30 senão procurar o melro do Jarinho.
Ele o havia deixado num galho de árvore para fazer uma coisa qualquer (que era melhor fazer
sem seu amigo). Foi quando começou o furacão. Foi de repente, eu me lembro.
Nunca havia ventado tanto na minha cidade. As pessoas se agarravam aos postes para não
serem arrastadas, telhas voaram pelos ares, casebres ficaram sem teto, folhas das palmeiras
35 imperiais da praça se desprenderam, voando a grandes alturas, ameaçadoras.
Todos os meninos da rua só faltaram morrer de tristeza, o Jarinho ficou de cama e não me
lembro mais de voltar a vê-lo imitar seus passarinhos. Minha mãe, que era uma sábia, tentou
explicar para os meninos da rua que era bom a gente prestar bastante atenção nas coisas boas,
enquanto elas duram.
40 Muitos e muitos anos depois – agora, recentemente – reencontrei o Jarinho. Era um senhor
gordinho com os cabelos – muito poucos – completamente brancos e os olhos pequenos mais
sumidos do que nunca. E bem mais moreno do que Jarinho menino, quase marrom. O tempo lhe
deu um ar de santo, seu sorriso era doce como o sorriso simpático de seu velho pai. Perguntei-lhe
se ele se lembrava, com a mesma intensidade que eu, dos velhos tempos da rua de nossa infância.
45 E falei do melro no seu ombro e ele me disse: “Não me esqueço nunca. Ainda hoje, tantos anos
depois, acordo no meio da noite e, dentro do meu quarto, escuto o meu melro cantando direitinho
como se estivesse ali”.
(Ziraldo. Os meninos morenos. 2. ed. São Paulo: Melhoramentos. pp. 44-8)
Texto 2 - Merlin e Shiva
01 Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por
impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei
algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros
passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. “Que gato quieto!”, espantei-me.
05 Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia
inteiro em um espaço minúsculo. “E se eu comprar o gato?”, pensei. Achei loucura. Já tenho três
cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O
gato não me saía da cabeça. “Jamais farei isso!”, decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o
bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
10 vez em quando. “Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele”, refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei
o cartão de crédito.
– Por que não compra também a companheirinha dele? – insinuou o vendedor, indicando a
gatinha rajada de preto.
15 Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os
dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me
perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com
eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
– Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
20 Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome
deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado
para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
25 Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa gaiolinha. Não me reconhecia
como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas
não estava curado.
– Talvez seja uma doença crônica – informou o veterinário.
30 Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários
certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade,
escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em
casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
35 cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois,
abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei
dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa
toda. Fiquei encharcado no jardim. “Ele fugiu!”, concluí com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
40 como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos
meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E
sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Texto 3 –
Mercado pet cresce graças a mudanças no comportamento dos donos de animais de estimação
As oportunidades de trabalho aumentam no segmento de saúde pet, que deve fechar o ano com 13% de crescimento
Por Mariana Poli
18 abr 2017, 12h47 - Publicado em 20 jan 2017, 08h00
01 Mais de 50 milhões de cães e 22 milhões de gatos de estimação. Esses números
impressionantes, divulgados no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), ajudam a entender o sucesso de um dos negócios que mais crescem no Brasil: o mercado
pet. Com faturamento previsto de 19,2 bilhões de reais e expansão de quase 7% em relação ao ano
05 passado, o setor resiste à crise.
Embora sinta os reflexos da desaceleração da economia, ele surpreende pela resiliência diante
dos índices de desemprego e da corrosão da renda da população pela inflação. “Mesmo crescendo
mais devagar, o mercado de animais de estimação representa 0,38% do produto interno bruto (PIB)
e já é maior do que a linha branca de geladeira e fogão”, diz José Edson Galvão de França,
10 presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação
(Abinpet).
E a grande vedete dentro desse mercado é o segmento de saúde animal. Impulsionado pelo
avanço da tecnologia, esse nicho avança na casa dos dois dígitos – a projeção é que cresça 13%
em relação a 2015, quase o dobro do mercado pet como um todo.
15 Mas o que faz essa área se destacar tanto num período em que as pessoas estão cortando
gastos? A resposta é simples: a mudança de comportamento dos donos dos bichos. Nos últimos
anos, os animais de estimação passaram para dentro das casas e ganharam o status de membros
da família.
“Como sobem no sofá, dormem no quarto e dividem o ambiente com as crianças, eles
20 passaram a ser mais bem cuidados por seus donos. A atitude, que antes era curativa, se tornou
preventiva”, diz Gustavo Moraes, diretor de negócios da unidade pet da MSD Saúde Animal, que no
ano passado faturou 576 milhões de reais no Brasil.
(https://exame.abril.com.br/carreira/mercado-pet-cresce-gracas-a-mudancas-no-comportamento-dos-donos-de-animais-de-estimacao/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
As alternativas abaixo analisam algumas características dos textos desta prova. Assinale a que estiver correta.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 1 - Os meninos morenos
01 O Jarinho falava com os animais. Ao lado das plantas de seu pai, no seu quintal, havia um
pequeno jardim zoológico que me matava de inveja. Jarinho tinha coelhos, porquinhos-da-índia, um
quati, cabritos e até um pequeno jacaré. (...)
A despeito de tudo isso, o Jarinho tinha tempo de brincar com a gente. E aparecia para as
05 brincadeiras, trazendo sempre consigo seu melhor amigo: um melro que vivia pousado no seu
ombro.
Uma das recordações mais felizes da minha infância é da sinfonia dos melros nas palmeiras. A
gente chegava muito cedo para a primeira aula do Grupo Escolar que ficava na praça que era
cercada de altas palmeiras.
10 Pois é: minha terra tinha palmeiras onde, em vez de sabiá, cantava o melro. E, como a gente
chegava muito cedo para a aula, os melros ainda estavam cantando a sua canção matinal. Era
como se estivessem saudando os meninos morenos, que também chegavam em bando para a
escola.
Jarinho chegava pra brincar com a gente e vinha com o melro no
15 ombro. Se a brincadeira era contar história, brincar de gata-parida,
berlinda, mamãe-eu-posso-ir ou qualquer outra que não implicasse correr,
o melro ficava ali, no ombro do Jarinho. Se, porém, a gente tinha que
correr, se a brincadeira era de pique, de pular-carniça, soltar papagaio,
jogar precipício, cobra-caninana, esconde-esconde ou mãos-ao-ar – que,
20 em outras cidades, se chamava bandido-e-mocinho -, o Jarinho botava o
melro no galho de uma árvore ou no umbral de uma janela e dizia: “Fica aí,
que eu já volto”. E o melro ficava esperando seu dono voltar da
brincadeira. A professora pedia ao Jarinho pra não levar o melro para a escola. Era para não
tumultuar as aulas.
25 O Jarinho ficava muito triste de deixar seu amigo em casa.
(...)
Foi num mês de agosto, no dia seguinte de uma grande ventania, que o Jarinho não apareceu
na escola.
Na semana seguinte àquele dia, não só o Jarinho, mas todos os meninos da rua não fizeram
30 senão procurar o melro do Jarinho.
Ele o havia deixado num galho de árvore para fazer uma coisa qualquer (que era melhor fazer
sem seu amigo). Foi quando começou o furacão. Foi de repente, eu me lembro.
Nunca havia ventado tanto na minha cidade. As pessoas se agarravam aos postes para não
serem arrastadas, telhas voaram pelos ares, casebres ficaram sem teto, folhas das palmeiras
35 imperiais da praça se desprenderam, voando a grandes alturas, ameaçadoras.
Todos os meninos da rua só faltaram morrer de tristeza, o Jarinho ficou de cama e não me
lembro mais de voltar a vê-lo imitar seus passarinhos. Minha mãe, que era uma sábia, tentou
explicar para os meninos da rua que era bom a gente prestar bastante atenção nas coisas boas,
enquanto elas duram.
40 Muitos e muitos anos depois – agora, recentemente – reencontrei o Jarinho. Era um senhor
gordinho com os cabelos – muito poucos – completamente brancos e os olhos pequenos mais
sumidos do que nunca. E bem mais moreno do que Jarinho menino, quase marrom. O tempo lhe
deu um ar de santo, seu sorriso era doce como o sorriso simpático de seu velho pai. Perguntei-lhe
se ele se lembrava, com a mesma intensidade que eu, dos velhos tempos da rua de nossa infância.
45 E falei do melro no seu ombro e ele me disse: “Não me esqueço nunca. Ainda hoje, tantos anos
depois, acordo no meio da noite e, dentro do meu quarto, escuto o meu melro cantando direitinho
como se estivesse ali”.
(Ziraldo. Os meninos morenos. 2. ed. São Paulo: Melhoramentos. pp. 44-8)
Texto 2 - Merlin e Shiva
01 Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por
impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei
algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros
passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. “Que gato quieto!”, espantei-me.
05 Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia
inteiro em um espaço minúsculo. “E se eu comprar o gato?”, pensei. Achei loucura. Já tenho três
cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O
gato não me saía da cabeça. “Jamais farei isso!”, decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o
bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
10 vez em quando. “Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele”, refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei
o cartão de crédito.
– Por que não compra também a companheirinha dele? – insinuou o vendedor, indicando a
gatinha rajada de preto.
15 Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os
dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me
perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com
eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
– Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
20 Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome
deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado
para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
25 Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa gaiolinha. Não me reconhecia
como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas
não estava curado.
– Talvez seja uma doença crônica – informou o veterinário.
30 Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários
certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade,
escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em
casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
35 cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois,
abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei
dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa
toda. Fiquei encharcado no jardim. “Ele fugiu!”, concluí com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
40 como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos
meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E
sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Texto 3 –
Mercado pet cresce graças a mudanças no comportamento dos donos de animais de estimação
As oportunidades de trabalho aumentam no segmento de saúde pet, que deve fechar o ano com 13% de crescimento
Por Mariana Poli
18 abr 2017, 12h47 - Publicado em 20 jan 2017, 08h00
01 Mais de 50 milhões de cães e 22 milhões de gatos de estimação. Esses números
impressionantes, divulgados no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), ajudam a entender o sucesso de um dos negócios que mais crescem no Brasil: o mercado
pet. Com faturamento previsto de 19,2 bilhões de reais e expansão de quase 7% em relação ao ano
05 passado, o setor resiste à crise.
Embora sinta os reflexos da desaceleração da economia, ele surpreende pela resiliência diante
dos índices de desemprego e da corrosão da renda da população pela inflação. “Mesmo crescendo
mais devagar, o mercado de animais de estimação representa 0,38% do produto interno bruto (PIB)
e já é maior do que a linha branca de geladeira e fogão”, diz José Edson Galvão de França,
10 presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação
(Abinpet).
E a grande vedete dentro desse mercado é o segmento de saúde animal. Impulsionado pelo
avanço da tecnologia, esse nicho avança na casa dos dois dígitos – a projeção é que cresça 13%
em relação a 2015, quase o dobro do mercado pet como um todo.
15 Mas o que faz essa área se destacar tanto num período em que as pessoas estão cortando
gastos? A resposta é simples: a mudança de comportamento dos donos dos bichos. Nos últimos
anos, os animais de estimação passaram para dentro das casas e ganharam o status de membros
da família.
“Como sobem no sofá, dormem no quarto e dividem o ambiente com as crianças, eles
20 passaram a ser mais bem cuidados por seus donos. A atitude, que antes era curativa, se tornou
preventiva”, diz Gustavo Moraes, diretor de negócios da unidade pet da MSD Saúde Animal, que no
ano passado faturou 576 milhões de reais no Brasil.
(https://exame.abril.com.br/carreira/mercado-pet-cresce-gracas-a-mudancas-no-comportamento-dos-donos-de-animais-de-estimacao/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Assinale a alternativa em que o termo entre parênteses é aquele a que o pronome destacado se refere.
Texto 2 - Merlin e Shiva
01 Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por
impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei
algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros
passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. “Que gato quieto!”, espantei-me.
05 Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia
inteiro em um espaço minúsculo. “E se eu comprar o gato?”, pensei. Achei loucura. Já tenho três
cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O
gato não me saía da cabeça. “Jamais farei isso!”, decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o
bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
10 vez em quando. “Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele”, refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei
o cartão de crédito.
– Por que não compra também a companheirinha dele? – insinuou o vendedor, indicando a
gatinha rajada de preto.
15 Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os
dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me
perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com
eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
– Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
20 Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome
deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado
para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
25 Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa gaiolinha. Não me reconhecia
como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas
não estava curado.
– Talvez seja uma doença crônica – informou o veterinário.
30 Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários
certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade,
escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em
casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
35 cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois,
abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei
dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa
toda. Fiquei encharcado no jardim. “Ele fugiu!”, concluí com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
40 como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos
meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E
sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Texto 3 –
Mercado pet cresce graças a mudanças no comportamento dos donos de animais de estimação
As oportunidades de trabalho aumentam no segmento de saúde pet, que deve fechar o ano com 13% de crescimento
Por Mariana Poli
18 abr 2017, 12h47 - Publicado em 20 jan 2017, 08h00
01 Mais de 50 milhões de cães e 22 milhões de gatos de estimação. Esses números
impressionantes, divulgados no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), ajudam a entender o sucesso de um dos negócios que mais crescem no Brasil: o mercado
pet. Com faturamento previsto de 19,2 bilhões de reais e expansão de quase 7% em relação ao ano
05 passado, o setor resiste à crise.
Embora sinta os reflexos da desaceleração da economia, ele surpreende pela resiliência diante
dos índices de desemprego e da corrosão da renda da população pela inflação. “Mesmo crescendo
mais devagar, o mercado de animais de estimação representa 0,38% do produto interno bruto (PIB)
e já é maior do que a linha branca de geladeira e fogão”, diz José Edson Galvão de França,
10 presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação
(Abinpet).
E a grande vedete dentro desse mercado é o segmento de saúde animal. Impulsionado pelo
avanço da tecnologia, esse nicho avança na casa dos dois dígitos – a projeção é que cresça 13%
em relação a 2015, quase o dobro do mercado pet como um todo.
15 Mas o que faz essa área se destacar tanto num período em que as pessoas estão cortando
gastos? A resposta é simples: a mudança de comportamento dos donos dos bichos. Nos últimos
anos, os animais de estimação passaram para dentro das casas e ganharam o status de membros
da família.
“Como sobem no sofá, dormem no quarto e dividem o ambiente com as crianças, eles
20 passaram a ser mais bem cuidados por seus donos. A atitude, que antes era curativa, se tornou
preventiva”, diz Gustavo Moraes, diretor de negócios da unidade pet da MSD Saúde Animal, que no
ano passado faturou 576 milhões de reais no Brasil.
(https://exame.abril.com.br/carreira/mercado-pet-cresce-gracas-a-mudancas-no-comportamento-dos-donos-de-animais-de-estimacao/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Marque a alternativa em que as vírgulas foram usadas para separar elementos de uma enumeração.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto 1 - Os meninos morenos
01 O Jarinho falava com os animais. Ao lado das plantas de seu pai, no seu quintal, havia um
pequeno jardim zoológico que me matava de inveja. Jarinho tinha coelhos, porquinhos-da-índia, um
quati, cabritos e até um pequeno jacaré. (...)
A despeito de tudo isso, o Jarinho tinha tempo de brincar com a gente. E aparecia para as
05 brincadeiras, trazendo sempre consigo seu melhor amigo: um melro que vivia pousado no seu
ombro.
Uma das recordações mais felizes da minha infância é da sinfonia dos melros nas palmeiras. A
gente chegava muito cedo para a primeira aula do Grupo Escolar que ficava na praça que era
cercada de altas palmeiras.
10 Pois é: minha terra tinha palmeiras onde, em vez de sabiá, cantava o melro. E, como a gente
chegava muito cedo para a aula, os melros ainda estavam cantando a sua canção matinal. Era
como se estivessem saudando os meninos morenos, que também chegavam em bando para a
escola.
Jarinho chegava pra brincar com a gente e vinha com o melro no
15 ombro. Se a brincadeira era contar história, brincar de gata-parida,
berlinda, mamãe-eu-posso-ir ou qualquer outra que não implicasse correr,
o melro ficava ali, no ombro do Jarinho. Se, porém, a gente tinha que
correr, se a brincadeira era de pique, de pular-carniça, soltar papagaio,
jogar precipício, cobra-caninana, esconde-esconde ou mãos-ao-ar – que,
20 em outras cidades, se chamava bandido-e-mocinho -, o Jarinho botava o
melro no galho de uma árvore ou no umbral de uma janela e dizia: “Fica aí,
que eu já volto”. E o melro ficava esperando seu dono voltar da
brincadeira. A professora pedia ao Jarinho pra não levar o melro para a escola. Era para não
tumultuar as aulas.
25 O Jarinho ficava muito triste de deixar seu amigo em casa.
(...)
Foi num mês de agosto, no dia seguinte de uma grande ventania, que o Jarinho não apareceu
na escola.
Na semana seguinte àquele dia, não só o Jarinho, mas todos os meninos da rua não fizeram
30 senão procurar o melro do Jarinho.
Ele o havia deixado num galho de árvore para fazer uma coisa qualquer (que era melhor fazer
sem seu amigo). Foi quando começou o furacão. Foi de repente, eu me lembro.
Nunca havia ventado tanto na minha cidade. As pessoas se agarravam aos postes para não
serem arrastadas, telhas voaram pelos ares, casebres ficaram sem teto, folhas das palmeiras
35 imperiais da praça se desprenderam, voando a grandes alturas, ameaçadoras.
Todos os meninos da rua só faltaram morrer de tristeza, o Jarinho ficou de cama e não me
lembro mais de voltar a vê-lo imitar seus passarinhos. Minha mãe, que era uma sábia, tentou
explicar para os meninos da rua que era bom a gente prestar bastante atenção nas coisas boas,
enquanto elas duram.
40 Muitos e muitos anos depois – agora, recentemente – reencontrei o Jarinho. Era um senhor
gordinho com os cabelos – muito poucos – completamente brancos e os olhos pequenos mais
sumidos do que nunca. E bem mais moreno do que Jarinho menino, quase marrom. O tempo lhe
deu um ar de santo, seu sorriso era doce como o sorriso simpático de seu velho pai. Perguntei-lhe
se ele se lembrava, com a mesma intensidade que eu, dos velhos tempos da rua de nossa infância.
45 E falei do melro no seu ombro e ele me disse: “Não me esqueço nunca. Ainda hoje, tantos anos
depois, acordo no meio da noite e, dentro do meu quarto, escuto o meu melro cantando direitinho
como se estivesse ali”.
(Ziraldo. Os meninos morenos. 2. ed. São Paulo: Melhoramentos. pp. 44-8)
Assinale a alternativa em que a correspondência entre o termo grifado e a ideia estabelecida está correta.
Texto 2 - Merlin e Shiva
01 Sempre amei os cães. Ultimamente, descobri também a paixão pelos gatos. Tudo começou por
impulso. Vi um gato cor de mel na vitrine de uma loja de shopping. Absolutamente imóvel. Fiquei
algum tempo observando, em dúvida se era brinquedo ou ser vivo. Ao seu lado, dois outros
passeavam. Finalmente, ele mexeu de leve a cabeça. “Que gato quieto!”, espantei-me.
05 Tive pena. Acho cruel o que essas lojas de animais fazem, deixando os bichos presos o dia
inteiro em um espaço minúsculo. “E se eu comprar o gato?”, pensei. Achei loucura. Já tenho três
cães. Imaginei as confusões, os miados, os latidos, as perseguições. Fui comer um sanduíche. O
gato não me saía da cabeça. “Jamais farei isso!”, decidi. Terminei o sanduíche e resolvi olhar o
bichano mais uma vez. E então, diante da vitrine, tive uma daquelas intuições que só ocorrem de
10 vez em quando. “Eu preciso levar esse gato para salvar a vida dele”, refleti. Foi um sentimento forte.
Entrei na loja. Perguntei o preço do gato, da casinha, da ração. Era caro. Abri a carteira e arranquei
o cartão de crédito.
– Por que não compra também a companheirinha dele? – insinuou o vendedor, indicando a
gatinha rajada de preto.
15 Dali a pouco eu estava no carro com um pacote de ração, vasilha higiênica, almofadinhas, os
dois gatos numa caixa de papelão e o cartão de crédito estourado. Fui para casa. Os cães me
perseguiram excitados enquanto eu fugia com os gatos para o meu escritório. Tranquei-me com
eles. Um amigo apaixonado por felinos explicou:
– Eles precisam passar um tempo presos para se acostumar com a casa.
20 Forrei a janela do escritório com telas. Servi a ração. Em seguida, tratei de mudar o nome
deles, dado pelo gatil. O dela não me lembro. Mas ele se chamava Cherry. Não achei adequado
para um representante do sexo masculino. Troquei por Merlin e Shiva. Aí descobri que ele tossia.
Sem parar. Pus a mão no focinho. Estava quente.
Voei para o veterinário. Minha intuição provou-se verdadeira. Merlin estava à beira da morte.
25 Passou um mês internado. Eu ia visitá-lo, estava sempre preso numa gaiolinha. Não me reconhecia
como dono. Shiva acostumou-se com o escritório e dormia no meio dos livros. Adorava ouvi-la
ronronando ao meu lado no sofá, mordendo de leve a ponta dos meus dedos. Merlin voltou, mas
não estava curado.
– Talvez seja uma doença crônica – informou o veterinário.
30 Um amigo indicou um especialista em gatos. Novo tratamento, com remédios em horários
certos. Aos poucos, Merlin parou de tossir. E começou a demonstrar sua verdadeira personalidade,
escalando mesa, estante, botando o focinho em tudo! Tão quietinho na vitrine, tão animado em
casa!
O passo seguinte foi promover a integração. Coloquei Merlin e Shiva na sala, separados dos
35 cães por uma porta-janela de vidro. Latidos. Os felinos lançaram olhares de desprezo. Dias depois,
abri a porta, pronto para intervir. Os cães cheiraram. Os gatos ergueram o rabo, orgulhosos. Passei
dias atento. Até que, numa noite chuvosa, não achei Merlin de jeito nenhum. Esquadrinhei a casa
toda. Fiquei encharcado no jardim. “Ele fugiu!”, concluí com dor no coração.
De manhã, a surpresa! Merlin e os três cães dormiam juntos, aquecendo-se mutuamente,
40 como velhos amigos!
Agora, onde estou eles vão. Shiva, mais arisca, fica sempre por perto. Merlin deita-se aos
meus pés. Sobe no meu colo enquanto escrevo. Definitivamente, estou perdidamente apaixonado. E
sei que esse amor é para toda a vida!
(https://vejasp.abril.com.br/cidades/merlin-shiva/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Observe as palavras ou expressões destacadas nos trechos:
![]()
Assinale a alternativa que apresenta o sentido expresso pelos termos destacados na ordem em que aparecem.
Texto 3 –
Mercado pet cresce graças a mudanças no comportamento dos donos de animais de estimação
As oportunidades de trabalho aumentam no segmento de saúde pet, que deve fechar o ano com 13% de crescimento
Por Mariana Poli
18 abr 2017, 12h47 - Publicado em 20 jan 2017, 08h00
01 Mais de 50 milhões de cães e 22 milhões de gatos de estimação. Esses números
impressionantes, divulgados no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), ajudam a entender o sucesso de um dos negócios que mais crescem no Brasil: o mercado
pet. Com faturamento previsto de 19,2 bilhões de reais e expansão de quase 7% em relação ao ano
05 passado, o setor resiste à crise.
Embora sinta os reflexos da desaceleração da economia, ele surpreende pela resiliência diante
dos índices de desemprego e da corrosão da renda da população pela inflação. “Mesmo crescendo
mais devagar, o mercado de animais de estimação representa 0,38% do produto interno bruto (PIB)
e já é maior do que a linha branca de geladeira e fogão”, diz José Edson Galvão de França,
10 presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação
(Abinpet).
E a grande vedete dentro desse mercado é o segmento de saúde animal. Impulsionado pelo
avanço da tecnologia, esse nicho avança na casa dos dois dígitos – a projeção é que cresça 13%
em relação a 2015, quase o dobro do mercado pet como um todo.
15 Mas o que faz essa área se destacar tanto num período em que as pessoas estão cortando
gastos? A resposta é simples: a mudança de comportamento dos donos dos bichos. Nos últimos
anos, os animais de estimação passaram para dentro das casas e ganharam o status de membros
da família.
“Como sobem no sofá, dormem no quarto e dividem o ambiente com as crianças, eles
20 passaram a ser mais bem cuidados por seus donos. A atitude, que antes era curativa, se tornou
preventiva”, diz Gustavo Moraes, diretor de negócios da unidade pet da MSD Saúde Animal, que no
ano passado faturou 576 milhões de reais no Brasil.
(https://exame.abril.com.br/carreira/mercado-pet-cresce-gracas-a-mudancas-no-comportamento-dos-donos-de-animais-de-estimacao/ Acesso em 10 de outubro de 2018)
Leia: ![]()
A expressão destacada acima pode ser substituída, sem modificar o sentido do fragmento, por:
Assim como os personagens dos textos 1 e 2 desta prova, você certamente tem ou conhece alguém que tenha um animal de estimação.
Escreva um texto contando como ocorreu a aquisição do bichinho (compra, adoção, etc.), como ele é, e a relação dele com o dono etc.
• Use a linguagem adequada ao tipo de texto.
• Não faça seu texto em forma de poema, nem utilize desenho.
• Estruture seu texto sem fugir do tema proposto.
• Dê um título.
• Incluindo o título, o seu texto deverá apresentar, no mínimo, 17 e, no máximo, 25 linhas.
• Caso utilize a folha de rascunho, não se esqueça de passar a limpo para a folha de redação definitiva, à caneta, pois a banca não considerará o que estiver registrado no rascunho para fins de avaliação.
Atenção
Não utilize o seu nome no texto produzido. Qualquer sinal que identifique a prova acarretará sua anulação e, consequentemente, a desclassificação do candidato!
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
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Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
2ª PARTE - PRODUÇÃO DE TEXTO