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CMRJ — Concurso de Admissão ao 1º Ano do Ensino Médio 2018/2019 — Prova de Português

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Colégio Militar do Rio de Janeiro2018Fundamental

21 questões nesta prova · página 1 de 2 · 20 com gabarito

Língua Portuguesa Estratégias Argumentativas

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I

Amar
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
5 sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
10 o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
15 um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
20 e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Claro enigma. São Paulo: Companhia das Letras. 2012. p. 26.)

Vocabulário:
Expectante: aquele que espera, que observa.
Inerte: o que não possui movimento nem se consegue movimentar; imóvel.
Inóspito: local sem condições para ser habitado.
Pérfida: desleal; em que há traição, falsidade.
Rapina: ato de roubar astuciosa e violentamente.
Tácito: algo que é implícito ou que está subentendido.

Algumas estratégias argumentativas foram empregadas no Texto I para persuadir o leitor de que a opinião do eu lírico é um fato inquestionável.
A estratégia de persuasão presente no poema caracteriza-se de modo mais evidente pelo uso de
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A pergunta retórica sustenta a opinião como fato.

O poema começa com "Que pode uma criatura senão... amar?", uma pergunta que não espera resposta e sugere que só há uma resposta possível. Isso faz o leitor aceitar a opinião do eu lírico como fato inquestionável.

Análise das alternativas

A) Não há discurso direto marcado. C) A linguagem figurada existe, mas não é a estratégia mais evidente de persuasão. D) A repetição de "amar" é recurso expressivo e rítmico, menos evidente do ponto de vista argumentativo. E) Não há citação de autoridade.

Referência: Estratégias argumentativas; pergunta retórica.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Figuras de Linguagem

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I

Amar
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
5 sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal,
senão rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
10 o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
15 um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
20 e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Claro enigma. São Paulo: Companhia das Letras. 2012. p. 26.)

Vocabulário:
Expectante: aquele que espera, que observa.
Inerte: o que não possui movimento nem se consegue movimentar; imóvel.
Inóspito: local sem condições para ser habitado.
Pérfida: desleal; em que há traição, falsidade.
Rapina: ato de roubar astuciosa e violentamente.
Tácito: algo que é implícito ou que está subentendido.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

De acordo com a estrofe acima, o nosso destino é amar e se doar incondicionalmente.
Para reforçar tal ideia, o poeta vale-se de
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Correlações contraditórias reforçam o amor incondicional.

"Doação ilimitada" aparece ligada a "completa ingratidão": dá-se sem limite mesmo sem retorno. Essa aproximação de ideias contraditórias (paradoxo) reforça a ideia de amar e se doar incondicionalmente.

Análise das alternativas

A) "ilimitada" e "vazia" não são sinônimas. B) "pérfidas ou nulas" e "vazia e medrosa" não são conceitos opostos entre si. C) Não há pormenorização de sentimentos ambíguos. E) "ingratidão" e "procura medrosa" não são comportamentos altruístas.

Referência: Figuras de linguagem: paradoxo/antítese; Drummond, "Amar".

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO II

Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
5 ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
10 e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
15 Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
(PRADO, Adélia. Terra de Santa Cruz, Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 25.)

O título do poema de Adélia Prado pode ser lido de forma diversa, tendo em vista as experiências do leitor. Nos três primeiros versos, há uma ideia de casamento que se contrapõe a outra, presente nos versos seguintes.
Pode-se dizer que a primeira e a segunda ideias se caracterizam, respectivamente, por
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Nos versos 1 a 3 há distanciamento; depois, envolvimento.

Nos três primeiros versos, o marido pesca e a esposa exige que ele limpe os peixes, o que mostra separação de tarefas e distanciamento. Nos versos seguintes, a voz poética participa com prazer, compartilha a cozinha e a intimidade e vive o clima de noivado, o que mostra envolvimento.

Análise das alternativas

A) Não há descontrole nem revolta. B) A ideia inicial não é de alienação. C) O primeiro ponto de vista não é autoritário e o segundo não é desilusão. D) O segundo ponto de vista não é de instabilidade.

Referência: Interpretação de texto poético; Adélia Prado, "Casamento".

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Efeitos de Sentido de Recursos Linguísticos

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO II

Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
5 ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
10 e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
15 Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
(PRADO, Adélia. Terra de Santa Cruz, Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 25.)

O casamento é tratado sob dois pontos de vista. Para reforçar um deles, a autora faz uso de alguns recursos linguísticos.
O verso que, no poema, apresenta um desses recursos com seu respectivo efeito de sentido é
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A coordenação sequencia ações de companheirismo.

No verso 5, os verbos "escamar, abrir, retalhar e salgar" estão coordenados e se sucedem como etapas de uma tarefa feita a dois. Esse encadeamento mostra o companheirismo que sustenta a relação.

Análise das alternativas

A) As aspas marcam discurso direto, não indireto. B) "se quiser pescar" é subordinada condicional e traz a visão distanciada do marido, não vínculo afetivo. C) "a gente sozinhos" é concordância ideológica (silepse), que não é um desvio nem foi apresentada como tal pelo efeito de sentido. D) A 1ª pessoa expressa a perspectiva da voz poética, não é uma estratégia de aproximação com o leitor.

Referência: Coordenação e subordinação; efeitos de sentido; Adélia Prado.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Coesão Textual — Elipse

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

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Texto-base:
TEXTO II

Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
5 ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
10 e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
15 Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
(PRADO, Adélia. Terra de Santa Cruz, Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 25.)

Trecho citado em negrito e itálico: ele fala coisas como ‘este foi difícil’ / ‘prateou no ar dando rabanadas’ (v. 8 e 9), com a palavra “este” sublinhada.

Nesse trecho, há um recurso de coesão textual em que o termo sublinhado é retomado por meio de elipse.
Esse mesmo recurso está presente em
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Comparação entre Textos

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO II

Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
5 ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
10 e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
15 Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
(PRADO, Adélia. Terra de Santa Cruz, Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 25.)

Texto-base:
TEXTO III

A despedideira

Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres
que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que
ele seja a minha voz quando Deus me pedir contas. [...]
Há muito tempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele
5 foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada a ser ninguém. Às
vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei,
tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha.
Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca
eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comerciar palavra, em negoceio de
10 sentimento. Falar é outra coisa, é essa ponte sagrada em que ficamos pendentes, suspensos sobre
o abismo. Falar é outra coisa, vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei.
Como perfume em que perdesse minha própria aparência. Me solvia na fala, insubstanciada.
Lembro desse encontro, dessa primogênita primeira vez. Como se aquele momento fosse,
afinal, toda minha vida. Aconteceu aqui, neste mesmo pátio em que agora o espero. Era uma
15 tarde boa para gente existir. O mundo cheirava a casa. O ar por ali parava. A brisa sem voar,
quase nidificava. Vez voz, os olhos e os olhares. Ele, em minha frente todo chegado como se a
sua única viagem tivesse sido para a minha vida.
No entanto, algo nele aparentava distância. [...]
Nesse mesmo pátio em que se estreava meu coração tudo iria, afinal, acabar. Porque ele
20 anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher
havendo. Só isso: a murchidão do que, antes, florescia. [...] O único intruso era o tempo, que nossa
rotina deixara crescer e pesar.
[...] Deixem-me agora evocar, aos goles de lembrança. Enquanto espero que ele volte, de
novo, a este pátio. Recordar tudo, de uma só vez, me dá sofrimento. Por isso, vou lembrando aos
25 poucos. Me debruço na varanda e a altura me tonteia. Quase vou na vertigem. Sabem o que
descobri? Que minha alma é feita de água. Não posso me debruçar tanto. Senão me entorno e
ainda morro vazia, sem gota.
Porque eu não sou por mim. Existo refletida, ardível em paixão. Como a lua: o que brilho é
por luz de outro. A luz desse amante, luz dançando na água. Mesmo que surja assim, agora,
30 distante e fria. Cinza de um cigarro nunca fumado.
Pedi-lhe que viesse uma vez mais. Para que, de novo, se despeça de mim. E passados os anos,
tantos que já nem cabem na lembrança, eu ainda choro como se fosse a primeira despedida.
Porque esse adeus, só esse aceno é meu, todo inteiramente meu. Um adeus à medida de meu
amor.
35 [...] Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é
ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada, Ninguém no plural.
Ninguéns.

(COUTO, Mia. O fio das missangas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p.51-54.)

Tanto no poema de Adélia Prado quanto no conto de Mia Couto, a expressão “primeira vez” remete a momentos felizes:

“O silêncio de quando nos vimos a primeira vez / atravessa a cozinha como um rio profundo”
(Texto II, v. 11 e 12)

“Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca eu tinha falado com ninguém. [...] Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei. [...] Lembro desse encontro, dessa primogênita primeira vez”.
(Texto III, l. 8-13)

O silêncio (Texto II) e a palavra (Texto III), tão marcantes no primeiro encontro de cada casal, remetem, respectivamente à ideia de
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Resolução comentada

Silêncio = intimidade; palavra = nostalgia do encontro.

No poema, o silêncio do primeiro encontro "atravessa a cozinha como um rio profundo", o que indica cumplicidade e intimidade do casal. No conto, a narradora recorda com saudade o primeiro encontro, em que se "divinizou" na palavra, e isso exprime nostalgia.

Análise das alternativas

A) Insolência e opressão não aparecem em nenhum dos textos. B) Inquietude não combina com o silêncio tranquilo do poema. D) Indiferença e alienação contradizem o envolvimento. E) Intolerância e abnegação não têm apoio nos trechos.

Referência: Comparação entre textos; interpretação de poema e conto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO III

A despedideira

Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres
que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que
ele seja a minha voz quando Deus me pedir contas. [...]
Há muito tempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele
5 foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada a ser ninguém. Às
vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei,
tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha.
Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca
eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comerciar palavra, em negoceio de
10 sentimento. Falar é outra coisa, é essa ponte sagrada em que ficamos pendentes, suspensos sobre
o abismo. Falar é outra coisa, vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei.
Como perfume em que perdesse minha própria aparência. Me solvia na fala, insubstanciada.
Lembro desse encontro, dessa primogênita primeira vez. Como se aquele momento fosse,
afinal, toda minha vida. Aconteceu aqui, neste mesmo pátio em que agora o espero. Era uma
15 tarde boa para gente existir. O mundo cheirava a casa. O ar por ali parava. A brisa sem voar,
quase nidificava. Vez voz, os olhos e os olhares. Ele, em minha frente todo chegado como se a
sua única viagem tivesse sido para a minha vida.
No entanto, algo nele aparentava distância. [...]
Nesse mesmo pátio em que se estreava meu coração tudo iria, afinal, acabar. Porque ele
20 anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher
havendo. Só isso: a murchidão do que, antes, florescia. [...] O único intruso era o tempo, que nossa
rotina deixara crescer e pesar.
[...] Deixem-me agora evocar, aos goles de lembrança. Enquanto espero que ele volte, de
novo, a este pátio. Recordar tudo, de uma só vez, me dá sofrimento. Por isso, vou lembrando aos
25 poucos. Me debruço na varanda e a altura me tonteia. Quase vou na vertigem. Sabem o que
descobri? Que minha alma é feita de água. Não posso me debruçar tanto. Senão me entorno e
ainda morro vazia, sem gota.
Porque eu não sou por mim. Existo refletida, ardível em paixão. Como a lua: o que brilho é
por luz de outro. A luz desse amante, luz dançando na água. Mesmo que surja assim, agora,
30 distante e fria. Cinza de um cigarro nunca fumado.
Pedi-lhe que viesse uma vez mais. Para que, de novo, se despeça de mim. E passados os anos,
tantos que já nem cabem na lembrança, eu ainda choro como se fosse a primeira despedida.
Porque esse adeus, só esse aceno é meu, todo inteiramente meu. Um adeus à medida de meu
amor.
35 [...] Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é
ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada, Ninguém no plural.
Ninguéns.

(COUTO, Mia. O fio das missangas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p.51-54.)

No Texto III, na busca do entendimento de si e do amor, a narradora aponta dois tipos de homem.
De acordo com o primeiro parágrafo, homem-sol apresenta como traço marcante a
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O homem-sol é o que lidera, o centro de tudo.

O Sol é o centro, a fonte de luz e o astro que se destaca e comanda. Por isso, a mulher que quer o homem "Sol" quer um homem que lidera e brilha, e que fala por ela. A narradora contrapõe a esse tipo o seu, "nuvem" e calado.

Análise das alternativas

A) Apatia e B) inércia contrariam a imagem do Sol, que é ativo. C) Avareza não tem apoio no texto. E) Fragilidade seria mais próxima da nuvem, não do Sol.

Referência: Interpretação de texto; simbologia (Sol/nuvem).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO III

A despedideira

Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres
que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que
ele seja a minha voz quando Deus me pedir contas. [...]
Há muito tempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele
5 foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada a ser ninguém. Às
vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei,
tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha.
Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca
eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comerciar palavra, em negoceio de
10 sentimento. Falar é outra coisa, é essa ponte sagrada em que ficamos pendentes, suspensos sobre
o abismo. Falar é outra coisa, vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei.
Como perfume em que perdesse minha própria aparência. Me solvia na fala, insubstanciada.
Lembro desse encontro, dessa primogênita primeira vez. Como se aquele momento fosse,
afinal, toda minha vida. Aconteceu aqui, neste mesmo pátio em que agora o espero. Era uma
15 tarde boa para gente existir. O mundo cheirava a casa. O ar por ali parava. A brisa sem voar,
quase nidificava. Vez voz, os olhos e os olhares. Ele, em minha frente todo chegado como se a
sua única viagem tivesse sido para a minha vida.
No entanto, algo nele aparentava distância. [...]
Nesse mesmo pátio em que se estreava meu coração tudo iria, afinal, acabar. Porque ele
20 anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher
havendo. Só isso: a murchidão do que, antes, florescia. [...] O único intruso era o tempo, que nossa
rotina deixara crescer e pesar.
[...] Deixem-me agora evocar, aos goles de lembrança. Enquanto espero que ele volte, de
novo, a este pátio. Recordar tudo, de uma só vez, me dá sofrimento. Por isso, vou lembrando aos
25 poucos. Me debruço na varanda e a altura me tonteia. Quase vou na vertigem. Sabem o que
descobri? Que minha alma é feita de água. Não posso me debruçar tanto. Senão me entorno e
ainda morro vazia, sem gota.
Porque eu não sou por mim. Existo refletida, ardível em paixão. Como a lua: o que brilho é
por luz de outro. A luz desse amante, luz dançando na água. Mesmo que surja assim, agora,
30 distante e fria. Cinza de um cigarro nunca fumado.
Pedi-lhe que viesse uma vez mais. Para que, de novo, se despeça de mim. E passados os anos,
tantos que já nem cabem na lembrança, eu ainda choro como se fosse a primeira despedida.
Porque esse adeus, só esse aceno é meu, todo inteiramente meu. Um adeus à medida de meu
amor.
35 [...] Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é
ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada, Ninguém no plural.
Ninguéns.

(COUTO, Mia. O fio das missangas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p.51-54.)

O texto de Mia Couto aborda, genericamente, o insucesso de relações amorosas.
Esse enfoque genérico é reforçado pelo uso do seguinte recurso textual:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Personagens sem nome dão caráter genérico ao tema.

A narradora e o homem não são nomeados ("o meu", "ele", "esse alguém"), o que permite ler a história como a de qualquer relação amorosa que fracassa. Isso reforça o enfoque genérico do insucesso amoroso.

Análise das alternativas

A) A 1ª pessoa dá caráter pessoal e particular ao relato. B) As marcas de interlocução ("vos digo", "Sabem o que descobri?") aproximam o leitor, mas não generalizam o tema. D) O posicionamento crítico é individual. E) Tempo e espaço (o pátio, o poente) especificam a cena, e isso particulariza o relato.

Referência: Interpretação de texto; caracterização de personagens e generalização.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Figuras de Linguagem

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO III

A despedideira

Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres
que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que
ele seja a minha voz quando Deus me pedir contas. [...]
Há muito tempo, me casei, também eu. Dispensei uma vida com esse alguém. Até que ele
5 foi. Quando me deixou, já não me deixou a mim. Que eu já era outra, habilitada a ser ninguém. Às
vezes, contudo, ainda me adoece uma saudade desse homem. Lembro o tempo em que me encantei,
tudo era um princípio. Eu era nova, dezanovinha.
Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca
eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comerciar palavra, em negoceio de
10 sentimento. Falar é outra coisa, é essa ponte sagrada em que ficamos pendentes, suspensos sobre
o abismo. Falar é outra coisa, vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei.
Como perfume em que perdesse minha própria aparência. Me solvia na fala, insubstanciada.
Lembro desse encontro, dessa primogênita primeira vez. Como se aquele momento fosse,
afinal, toda minha vida. Aconteceu aqui, neste mesmo pátio em que agora o espero. Era uma
15 tarde boa para gente existir. O mundo cheirava a casa. O ar por ali parava. A brisa sem voar,
quase nidificava. Vez voz, os olhos e os olhares. Ele, em minha frente todo chegado como se a
sua única viagem tivesse sido para a minha vida.
No entanto, algo nele aparentava distância. [...]
Nesse mesmo pátio em que se estreava meu coração tudo iria, afinal, acabar. Porque ele
20 anunciou tudo nesse poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher
havendo. Só isso: a murchidão do que, antes, florescia. [...] O único intruso era o tempo, que nossa
rotina deixara crescer e pesar.
[...] Deixem-me agora evocar, aos goles de lembrança. Enquanto espero que ele volte, de
novo, a este pátio. Recordar tudo, de uma só vez, me dá sofrimento. Por isso, vou lembrando aos
25 poucos. Me debruço na varanda e a altura me tonteia. Quase vou na vertigem. Sabem o que
descobri? Que minha alma é feita de água. Não posso me debruçar tanto. Senão me entorno e
ainda morro vazia, sem gota.
Porque eu não sou por mim. Existo refletida, ardível em paixão. Como a lua: o que brilho é
por luz de outro. A luz desse amante, luz dançando na água. Mesmo que surja assim, agora,
30 distante e fria. Cinza de um cigarro nunca fumado.
Pedi-lhe que viesse uma vez mais. Para que, de novo, se despeça de mim. E passados os anos,
tantos que já nem cabem na lembrança, eu ainda choro como se fosse a primeira despedida.
Porque esse adeus, só esse aceno é meu, todo inteiramente meu. Um adeus à medida de meu
amor.
35 [...] Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é
ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada, Ninguém no plural.
Ninguéns.

(COUTO, Mia. O fio das missangas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p.51-54.)

Toda a vida acreditei: amor é os dois se duplicarem em um. Mas hoje sinto: ser um é ainda muito. De mais. Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada, Ninguém no plural.
Ninguéns. (l. 35-37)

Esse trecho apresenta metáforas construídas a partir de conceitos matemáticos: duplicidade, unicidade e multiplicidade.
Ele contraria a lógica matemática para enfatizar a percepção da narradora acerca do amor
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Resolução comentada

A narradora desfaz a ideia romântica de fusão do casal.

Ao desafiar a lógica matemática ("ser um é ainda muito", "múltiplo de nada", "Ninguéns"), a narradora rejeita o mito de que o amor faz dois virarem um. Sua percepção do amor é a de um amor desmistificado, que ela vê sem a idealização do início.

Análise das alternativas

A) Resignado: ela não apenas aceita o fim, ela reavalia o conceito de amor. B) Idealizado: o trecho faz justamente o contrário. C) Irracional: a quebra da lógica é recurso expressivo, não característica do amor. D) Irredutível: não há ideia de algo que não se possa reduzir.

Referência: Interpretação de texto; metáfora e paradoxo em Mia Couto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Classes de Palavras — Derivação Imprópria

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

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Texto-base:
TEXTO IV

O Tempo e o Amor

Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o
tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas,
que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as
linhas que partem do centro para a circunferência, que, quanto mais continuadas, tanto menos
5 unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino, porque não há amor tão
robusto, que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza o
desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não tira, embota-lhe as setas, com que já
não fere, abre-lhe os olhos, com que vê o que não via, e faz-lhe crescer as asas, com que voa
e foge. A razão natural de toda esta diferença, é porque o tempo tira a novidade às coisas,
10 descobre-lhes os defeitos, enfastia-lhes o gosto, e basta que sejam usadas para não serem
as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não
amar, e o ter amado muito, de amar menos.

(VIEIRA, Pe. António. Sermão do Mandato, parte III, In: Sermões. Porto: Lello & Irmão, 1959. p. 94.)

Vocabulário:

Embotar: tornar menos cortante, menos agudo.
Enfastiar: causar ou sentir tédio (fastio).

O vocábulo “menino” classifica-se morfologicamente como substantivo. Entretanto, em “Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino” (l. 5), a mesma palavra assume valor de adjetivo.
O trecho do Texto IV em que uma palavra também assume valor diferente do morfologicamente previsto é
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Resolução comentada

Derivação imprópria: verbo no infinitivo usado como substantivo.

Em "O mesmo amar", o verbo "amar" vem precedido de artigo e de pronome e funciona como núcleo do sujeito, ou seja, como substantivo. É um caso de derivação imprópria, em que a palavra muda de classe sem alterar a forma. Isso é análogo ao que ocorre com "menino", que passa de substantivo a adjetivo.

Análise das alternativas

A) "uso" é substantivo (deverbal) em seu emprego normal. B) "vidas" é substantivo e "como" é conjunção comparativa, sem mudança de classe. C) "robusto" é adjetivo no seu emprego previsto. E) "arco" é substantivo e "tira" é verbo, ambos em uso regular.

Referência: Formação de palavras: derivação imprópria (conversão); substantivação do infinitivo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Conjunções — Valores Semânticos

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

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Texto-base:
TEXTO IV

O Tempo e o Amor

Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o
tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas,
que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as
linhas que partem do centro para a circunferência, que, quanto mais continuadas, tanto menos
5 unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino, porque não há amor tão
robusto, que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza o
desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não tira, embota-lhe as setas, com que já
não fere, abre-lhe os olhos, com que vê o que não via, e faz-lhe crescer as asas, com que voa
e foge. A razão natural de toda esta diferença, é porque o tempo tira a novidade às coisas,
10 descobre-lhes os defeitos, enfastia-lhes o gosto, e basta que sejam usadas para não serem
as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não
amar, e o ter amado muito, de amar menos.

(VIEIRA, Pe. António. Sermão do Mandato, parte III, In: Sermões. Porto: Lello & Irmão, 1959. p. 94.)

Vocabulário:

Embotar: tornar menos cortante, menos agudo.
Enfastiar: causar ou sentir tédio (fastio).

Texto: No trecho “São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito” (l. 2 e 3), encontram-se destacadas duas ocorrências da palavra “que”. As duas ocorrências de “que” aparecem em negrito e sublinhadas.
Embora a palavra seja a mesma, nessas ocorrências, o termo em questão indica valores semânticos distintos. Esses valores são respectivamente
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Língua Portuguesa Progressão Textual

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

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Texto-base:
TEXTO IV

O Tempo e o Amor

Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o
tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas,
que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as
linhas que partem do centro para a circunferência, que, quanto mais continuadas, tanto menos
5 unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino, porque não há amor tão
robusto, que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza o
desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não tira, embota-lhe as setas, com que já
não fere, abre-lhe os olhos, com que vê o que não via, e faz-lhe crescer as asas, com que voa
e foge. A razão natural de toda esta diferença, é porque o tempo tira a novidade às coisas,
10 descobre-lhes os defeitos, enfastia-lhes o gosto, e basta que sejam usadas para não serem
as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não
amar, e o ter amado muito, de amar menos.

(VIEIRA, Pe. António. Sermão do Mandato, parte III, In: Sermões. Porto: Lello & Irmão, 1959. p. 94.)

Vocabulário:

Embotar: tornar menos cortante, menos agudo.
Enfastiar: causar ou sentir tédio (fastio).

São vários os procedimentos relacionados à organização e seleção de palavras que contribuem para a construção de sentidos de um texto.
Um deles é a apresentação progressiva de ideias, que pode ser identificada na seguinte passagem:
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Resolução comentada

A sequência 'tudo cura... tudo acaba' apresenta ideias em progressão.

As orações enumeram efeitos do tempo em sequência: curar, esquecer, gastar, digerir, acabar. Cada uma avança em relação à anterior, até o fim total, formando uma gradação.

Análise das alternativas

A) e C) Tratam de uma imagem isolada do amor desarmado, sem progressão. B) Apresenta uma justificativa, não uma progressão. D) Traz uma comparação com valor de argumento a fortiori, sem gradação de ideias sucessivas.

Referência: Progressão textual; gradação.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Denotação e Conotação

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

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Texto-base:
Texto V

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
5 era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

10 O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
15 Falava que vazios são maiores e até infinitos. [...]
Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
20 que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo. [...]

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

25 A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
30 e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

(BARROS, Manoel de. Meu quintal é maior do que o mundo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015. p. 114.)

No Texto V, o título do poema ilustra o que a mãe do menino chama de “despropósitos” (v. 30).
Sobre essa correlação — ação do menino / percepção da mãe — infere-se que a palavra “despropósito”
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Resolução comentada

O prefixo des- em 'despropósito' afasta as ações do menino do sentido denotativo.

'Despropósito' tem o prefixo des- (negação) e indica algo sem propósito prático, fora da lógica comum. As ações do menino fogem do sentido literal e de utilidade, e são valorizadas no poema.

Análise das alternativas

A) Não é pejorativo, pois a mãe fala com ternura. B) O poema não trata de tensão entre gerações. C) Não é neologismo nem indica insensibilidade. E) Não contraria a gramática nem enfatiza inabilidades.

Referência: Formação de palavras; denotação e conotação.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Denotação e Conotação

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

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Texto-base:
Texto V

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
5 era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

10 O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
15 Falava que vazios são maiores e até infinitos. [...]
Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
20 que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo. [...]

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

25 A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
30 e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

(BARROS, Manoel de. Meu quintal é maior do que o mundo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015. p. 114.)

Na arte, é comum o poeta buscar a revitalização da linguagem.
No verso “Você vai carregar água na peneira a vida toda.” (v. 27), a linguagem explorada para traduzir a perspectiva criativa do menino
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Resolução comentada

'Carregar água na peneira' é linguagem figurada, distante do sentido literal.

Carregar água na peneira é impossível no sentido literal. No poema, a expressão é metáfora do fazer poético, que lida com o impossível. Assim, a linguagem se afasta do sentido literal.

Análise das alternativas

A) Não há ironia. C) As associações não são primitivas, mas inventivas. D) Fala-se do menino-poeta, não de uma generalização da infância. E) O discurso é poético e irracional, não enfatiza o racional.

Referência: Denotação e conotação; linguagem figurada.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

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Texto-base:
Texto V

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
5 era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

10 O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
15 Falava que vazios são maiores e até infinitos. [...]
Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
20 que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo. [...]

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

25 A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
30 e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

(BARROS, Manoel de. Meu quintal é maior do que o mundo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015. p. 114.)

De acordo com Ferreira Gullar, “A arte existe, porque a vida não basta”.
No poema de Manoel de Barros, mais especificamente no verso “até fez uma pedra dar flor” (v. 24), a relação do poeta com a representação da realidade pode ser entendida como
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Resolução comentada

Fazer uma pedra dar flor é uma releitura poética da realidade.

O verso transforma a realidade (pedra não dá flor) por meio da imaginação, o que mostra a arte reinterpretando o real, como em 'a vida não basta'. Isso é releitura.

Análise das alternativas

A) Não copia a realidade. B) Não a nega por completo, e sim a recria. D) Não aceita a realidade como é. E) Não detalha, mas transforma.

Referência: Função poética; arte e representação da realidade.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Estratégias Argumentativas

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

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Texto-base:
Texto VI

Eu tinha nove ou dez anos, e uma tia, que era pintora, me convidara para ir ao seu ateliê
para conhecer o local onde ela trabalhava. O pequeno aposento estava frio e tinha um cheiro
maravilhoso de terebintina e óleo; as telas armazenadas, apoiadas uma nas outras, me
pareciam livros deformados no sonho de alguém que soubesse vagamente o que eram livros e
5 os houvesse imaginado enormes, feitos de uma única página, dura e grossa [...].
Francis Bacon observou que, para os antigos, todas as imagens que o mundo dispõe
diante de nós já se acham encerradas em nossa memória desde o nascimento. “Desse modo,
Platão tinha a concepção”, escreveu ele, “de que todo conhecimento não passava de
recordação; do mesmo modo, Salomão proferiu sua conclusão de que toda novidade não passa
10 de esquecimento”. Se isso for verdade, estamos todos refletidos de algum modo nas
numerosas e distintas imagens que nos rodeiam, uma vez que elas já são parte daquilo que
somos: imagens que criamos e imagens que emolduramos; imagens que compomos fisicamente,
à mão, e imagens que se formam espontaneamente na imaginação; imagens de rostos, árvores,
prédios, nuvens, paisagens, instrumentos, água, fogo e imagens daquelas imagens — pintadas,
15 esculpidas, encenadas... Quer descubramos nessas imagens circundantes lembranças
desbotadas de uma beleza que, em outros tempos, foi nossa (como sugeriu Platão), quer elas
exijam de nós uma interpretação nova e original, por meio de todas as possibilidades que
nossa linguagem tenha a oferecer, somos essencialmente criaturas de imagens, de figuras.

(MANGUEL, Alberto. Lendo imagens. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 19-20.)

A argumentação pode ser construída por meio de diferentes recursos, sempre visando convencer o leitor sobre a validade de determinada tese.
Nesse sentido, é correto afirmar que Manguel
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Resolução comentada

Manguel usa argumentos de autoridade em uma condicional e a primeira pessoa do plural.

Ele cita Bacon, Platão e Salomão e, com 'Se isso for verdade, estamos todos refletidos...', constrói uma condicional que leva à conclusão coletiva em 'somos essencialmente criaturas de imagens'. Autoridade, condicional e 'nós' compõem a estratégia argumentativa.

Análise das alternativas

A) Não há diálogo direto com o leitor. B) O primeiro parágrafo é uma narração, mas a tese aparece no final do texto. C) Ele não fala em pobreza da linguagem. E) Não se diz que são as 'únicas' autoridades.

Referência: Estratégias argumentativas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Orações Subordinadas Adjetivas

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

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Texto-base:
Texto VI

Eu tinha nove ou dez anos, e uma tia, que era pintora, me convidara para ir ao seu ateliê
para conhecer o local onde ela trabalhava. O pequeno aposento estava frio e tinha um cheiro
maravilhoso de terebintina e óleo; as telas armazenadas, apoiadas uma nas outras, me
pareciam livros deformados no sonho de alguém que soubesse vagamente o que eram livros e
5 os houvesse imaginado enormes, feitos de uma única página, dura e grossa [...].
Francis Bacon observou que, para os antigos, todas as imagens que o mundo dispõe
diante de nós já se acham encerradas em nossa memória desde o nascimento. “Desse modo,
Platão tinha a concepção”, escreveu ele, “de que todo conhecimento não passava de
recordação; do mesmo modo, Salomão proferiu sua conclusão de que toda novidade não passa
10 de esquecimento”. Se isso for verdade, estamos todos refletidos de algum modo nas
numerosas e distintas imagens que nos rodeiam, uma vez que elas já são parte daquilo que
somos: imagens que criamos e imagens que emolduramos; imagens que compomos fisicamente,
à mão, e imagens que se formam espontaneamente na imaginação; imagens de rostos, árvores,
prédios, nuvens, paisagens, instrumentos, água, fogo e imagens daquelas imagens — pintadas,
15 esculpidas, encenadas... Quer descubramos nessas imagens circundantes lembranças
desbotadas de uma beleza que, em outros tempos, foi nossa (como sugeriu Platão), quer elas
exijam de nós uma interpretação nova e original, por meio de todas as possibilidades que
nossa linguagem tenha a oferecer, somos essencialmente criaturas de imagens, de figuras.

(MANGUEL, Alberto. Lendo imagens. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 19-20.)

As orações adjetivas cujo conteúdo é relevante para a identificação da entidade, ser ou objeto a que se refere o antecedente do pronome relativo chamam-se restritivas [...]. Quando, entretanto, o conteúdo da oração adjetiva não contribui para essa identificação, dizemos que a oração adjetiva é não restritiva (ou explicativa).
(Azeredo, José Carlos de. Gramática Houaiss da língua portuguesa. 1.ed. São Paulo: Publifolha, 2008. p. 319-320.)

Ao longo do Texto VI, observam-se algumas ocorrências de orações adjetivas.
Texto: No período “Eu tinha nove ou dez anos, e uma tia, que era pintora, me convidara para ir ao seu ateliê para conhecer o local onde ela trabalhava.” (l. 1 e 2), a oração adjetiva destacada estabelece — com a oração “que era pintora” sublinhada.
com o vocábulo “tia” uma relação semântica de
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Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

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Texto-base:
TEXTO VII

OS REAIS MISTÉRIOS DE LEONARDO DA VINCI
Para além das conspirações, um gênio realmente incomum

Da Vinci viveu na mesma época que Cristóvão Colombo, Maquiavel, Michelângelo,
Martinho Lutero e Nostradamus. Enquanto ele pintava Mona Lisa, Pedro Álvares Cabral
navegava pelo Atlântico em direção ao Brasil. Mas o que em sua vida ou suas telas deu
margem a teorias conspiratórias? Leonardo era tão diferente e misterioso assim? Sua obra
5 ou sua vida permitiram que tantos anos depois tanta coisa fosse inventada sobre ele?
A resposta é sim. Da Vinci dava sopa para o azar. E, apesar de ele ser, de certa forma,
típico de seu tempo, tinha lá suas manias. Primeiro, criou sua própria linguagem em código.
Quando não escrevia ao contrário, da direita para a esquerda — fazendo que sua caligrafia só
fosse compreendida quando vista no espelho —, usava um tipo de taquigrafia estranhíssima,
10 na qual usava parte de palavras ou símbolos e não letras para exprimir ideias. Prato cheio
para quem enxerga conspirações em todo lugar.
”Seus interesses ultrapassavam o campo artístico”, afirma Christopher Witcombe,
professor do departamento de História da Arte da Universidade de Virgínia, nos Estados
Unidos. Ele especulou pela anatomia, biologia, física e engenharia. Leonardo amava sua arte e
15 acreditava que “o amor a qualquer coisa é produto do conhecimento, sendo o amor mais
ardente quanto mais seguro é o conhecimento”, conforme escreveu. Era um profundo
estudioso das técnicas que, segundo sua visão, seriam complementares à sua arte. Ele
dissecou corpos humanos e de animais para compreender a posição de ossos e como
funcionavam músculos e tecidos. Desenvolveu e utilizou lentes para projetar imagens e
20 melhor reproduzir seus modelos, desenvolvendo técnicas aplicáveis às suas obras, como os
planos de perspectiva, ponto de fuga etc. Estudou a química das substâncias para desenvolver
suas próprias tintas, especulou sobre a matemática e a filosofia. Da Vinci foi um cientista-
artista tão fascinado pelos mistérios do Universo e pelos enigmas do corpo humano quanto
pelas possibilidades de aplicar esses conhecimentos em suas obras.

(Disponível em: <<https://www.google.com/os-reais-misterios-de-leonardo-davinci>>. Acesso em: 27 jul. 2018.)

Leonardo amava sua arte e acreditava que “o amor a qualquer coisa é produto do conhecimento, sendo o amor mais ardente quanto mais seguro é o conhecimento”, conforme escreveu. (l. 14-16)
A partir da leitura do Texto VII, pode-se inferir que o sentimento de Leonardo da Vinci pela arte era
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Resolução comentada

O amor de Leonardo pela arte dependia do nível de seu conhecimento.

A citação afirma que o amor é mais ardente quanto mais seguro é o conhecimento. Por isso o texto mostra Leonardo estudando anatomia, óptica e química para aprofundar sua arte. Seu sentimento era influenciado pelo grau de conhecimento.

Análise das alternativas

A) Não era restrito a idealizações, pois ele estudava e experimentava. B) As excentricidades não determinam o sentimento. C) Não se trata de compromisso com aplicações práticas, mas de conhecimento. D) Seus interesses ultrapassavam as obras de arte.

Referência: Inferência textual.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Comparação entre Textos

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

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Texto-base:
TEXTO VII

OS REAIS MISTÉRIOS DE LEONARDO DA VINCI
Para além das conspirações, um gênio realmente incomum

Da Vinci viveu na mesma época que Cristóvão Colombo, Maquiavel, Michelângelo,
Martinho Lutero e Nostradamus. Enquanto ele pintava Mona Lisa, Pedro Álvares Cabral
navegava pelo Atlântico em direção ao Brasil. Mas o que em sua vida ou suas telas deu
margem a teorias conspiratórias? Leonardo era tão diferente e misterioso assim? Sua obra
5 ou sua vida permitiram que tantos anos depois tanta coisa fosse inventada sobre ele?
A resposta é sim. Da Vinci dava sopa para o azar. E, apesar de ele ser, de certa forma,
típico de seu tempo, tinha lá suas manias. Primeiro, criou sua própria linguagem em código.
Quando não escrevia ao contrário, da direita para a esquerda — fazendo que sua caligrafia só
fosse compreendida quando vista no espelho —, usava um tipo de taquigrafia estranhíssima,
10 na qual usava parte de palavras ou símbolos e não letras para exprimir ideias. Prato cheio
para quem enxerga conspirações em todo lugar.
”Seus interesses ultrapassavam o campo artístico”, afirma Christopher Witcombe,
professor do departamento de História da Arte da Universidade de Virgínia, nos Estados
Unidos. Ele especulou pela anatomia, biologia, física e engenharia. Leonardo amava sua arte e
15 acreditava que “o amor a qualquer coisa é produto do conhecimento, sendo o amor mais
ardente quanto mais seguro é o conhecimento”, conforme escreveu. Era um profundo
estudioso das técnicas que, segundo sua visão, seriam complementares à sua arte. Ele
dissecou corpos humanos e de animais para compreender a posição de ossos e como
funcionavam músculos e tecidos. Desenvolveu e utilizou lentes para projetar imagens e
20 melhor reproduzir seus modelos, desenvolvendo técnicas aplicáveis às suas obras, como os
planos de perspectiva, ponto de fuga etc. Estudou a química das substâncias para desenvolver
suas próprias tintas, especulou sobre a matemática e a filosofia. Da Vinci foi um cientista-
artista tão fascinado pelos mistérios do Universo e pelos enigmas do corpo humano quanto
pelas possibilidades de aplicar esses conhecimentos em suas obras.

(Disponível em: <<https://www.google.com/os-reais-misterios-de-leonardo-davinci>>. Acesso em: 27 jul. 2018.)

Texto-base:
TEXTO IV

O Tempo e o Amor

Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o
tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas,
que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as
linhas que partem do centro para a circunferência, que, quanto mais continuadas, tanto menos
5 unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino, porque não há amor tão
robusto, que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza o
desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não tira, embota-lhe as setas, com que já
não fere, abre-lhe os olhos, com que vê o que não via, e faz-lhe crescer as asas, com que voa
e foge. A razão natural de toda esta diferença, é porque o tempo tira a novidade às coisas,
10 descobre-lhes os defeitos, enfastia-lhes o gosto, e basta que sejam usadas para não serem
as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor? O mesmo amar é causa de não
amar, e o ter amado muito, de amar menos.

(VIEIRA, Pe. António. Sermão do Mandato, parte III, In: Sermões. Porto: Lello & Irmão, 1959. p. 94.)

Vocabulário:

Embotar: tornar menos cortante, menos agudo.
Enfastiar: causar ou sentir tédio (fastio).

Se compararmos o amor de Leonardo da Vinci, apresentado no Texto VII, com o amor segundo Padre António Vieira (Texto IV), podemos perceber uma relação de
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Resolução comentada

Amor ligado ao conhecimento (Leonardo) versus amor corroído pelo tempo (Vieira): contraste.

Para Leonardo, o amor cresce com o conhecimento, e quanto mais se conhece, mais ardente ele fica. Para Vieira, o tempo e o uso desgastam o amor, e quem muito amou passa a amar menos. As ideias se opõem, o que caracteriza contraste.

Análise das alternativas

A, C) Um amor não causa nem é consequência do outro. D) Não há concordância entre as visões. E) A relação não é de sucessão no tempo, mas de oposição de ideias.

Referência: Comparação entre textos; relações de sentido.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Leitura de Texto Não Verbal

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2018 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

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Texto-base:
Texto VIII

Texto VIII: sequência de nove quadros fotográficos em preto e branco, em três linhas de três. Linha 1: menina de cabelos compridos com a mão no cabelo, expressão pensativa; mão com tesoura cortando mechas de cabelo; tesoura cortando cabelo em close. Linha 2: criança correndo em um corredor; casal adulto com criança de boné à frente; criança de cabelo curto e desarrumado sorrindo. Linha 3: mãos e cabelo cortado sobre um tecido; menino de boné diante da criança de cabelo curto; o menino, sem boné e com a cabeça raspada, diante da criança, que usa o boné.
(Disponível em: <<https://www.youtube.com/watch?v=Eem5WnN0GJE>>. Acesso em: 11 jul. 2018.)

Entre o primeiro e último quadros, desenvolve-se uma concreta troca afetiva.
Analisando-se os elementos não verbais, aqueles que MELHOR representam a empatia são
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