← Voltar para a lista de provas Comando da Aeronáutica — Escola de Especialistas de Aeronáutica · Curso de Formação de Sargentos (CFS 2/2018) — Aeronavegantes e Não-Aeronavegantes 96 questões nesta prova · página 1 de 5 · 95 com gabarito Gabarito disponível Significado do trecho inicial sobre ser 'mulher distinta como Dona Alice'. A narradora diz que partia 'para um reino', o que mostra um sonho natural e idealizado de ser uma senhora distinta, que cuida da casa e do marido, como os modelos que admirava. Ela expressa um desejo comum à jovem recém-casada. Isso não é necessariamente aparência, imaturidade ou ilusão ingênua. A) 'Aparências' é uma leitura exagerada e crítica demais. B) Chamar a esposa de insegura e imatura não tem base no texto. C) Ela sonha, mas o texto não diz que imaginava a vida sem problemas. Referência: Interpretação de texto: Adélia Prado, 'Quem casa quer casa' Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Tema central do texto: a construção do lar e da felicidade a dois. Apesar dos sustos e das frustrações iniciais, a narradora aceita a casa imperfeita e o marido, e segue construindo o lar com esperança, 'como se tivesse acabado de me casar'. O tema é, portanto, a construção da felicidade matrimonial. A) É genérica demais e não capta o foco no lar e no esforço de construí-lo. B) Há frustrações pontuais, mas o texto termina em esperança e não em desilusão. C) O texto não critica a mulher 'do lar'. A narradora valoriza sua casa. Referência: Interpretação de texto: tema e ideia central Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Afirmação correta sobre o texto: choro contido e a promessa do marido. A esposa estava prestes a chorar, mas o marido a consolou com delicadeza, explicando o uso dos móveis e a vinda do fogão a gás. A promessa de móveis pretos e torneados mostrou que ele lembrava do desejo dela. Isso a fez compreender que valia mais escutar a promessa do que ter móveis bonitos e um marido desatento. B) O texto não sugere que ela escreve por desabafo nem que seja frustrada. Ela é bem-humorada e esperançosa. C) O texto não diz que a vida dela piorou em relação à casa materna. Ela amou o banheiro e o via como status. D) O marido se esforçou, e a esposa deu a ele a liberdade de escolher. Ela não esperou quarenta anos pela promessa. Referência: Interpretação de texto: Adélia Prado, 'Quem casa quer casa' Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Questão de interpretação do trecho final do texto de Adélia Prado, pedindo a alternativa INCORRETA. A frase final mostra a esposa transformando o jardim 'do seu jeito' para construir o lar. Ela guarda a esperança de que a construção continue e se empenha como se tivesse acabado de casar. O texto não mostra o jardim como válvula de escape nem fala em desilusão por um sonho não realizado. Por isso a alternativa D é a incorreta. A) Correta: relaciona o cuidado com o jardim ao esforço de renovar o lar. B) Correta: a esperança é de que o melhor ainda virá. C) Correta: refazer o jardim é a forma de a esposa se apropriar do espaço e da nova condição. D) Incorreta: atribui ao texto frustração e fuga que ele não apresenta. Referência: Interpretação de texto: Adélia Prado, 'Quem casa quer casa' Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Valor semântico da conjunção 'e' nos versos do poema de Drummond. Nos versos 1, 3 e 5, o 'e' liga 'é grande' a 'cabe' e traz uma ideia de contraste (é grande, mas cabe). No verso 4, o 'e' apenas soma dois elementos, 'na cama e no colchão', com valor de adição. Por isso o verso 4 destoa dos demais. A, B e D) Nos versos 1, 3 e 5, o 'e' tem o mesmo valor, de oposição, entre 'é grande' e 'cabe'. Por isso não são o verso diferente. Referência: Conjunções coordenativas aditivas e adversativas Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Regência de chorar, lembrar-se, sorrir e envolver com pronomes oblíquos. 'Chorar por ela' tem o sentido de chorar por alguém. 'Lembrar-se' pede a preposição 'de', daí 'daquela que'. O 'que' é objeto direto de 'colhia' (os pomos), logo 'os'. 'Sorrir' é transitivo indireto, então 'lhes sorria'. Em 'envolvê-la', o verbo termina em -r e o pronome 'a' vira 'la'. A) 'com ela' e 'lhes' no lugar do objeto direto de 'colhia' estão errados. C) 'aquela' sem a preposição exigida por 'lembrar-se' e 'lhe' em 'envolvê-lo' estão errados. D) 'aquela' sem preposição e 'os' com 'sorria', que é transitivo indireto, estão errados. Referência: Regência verbal e colocação/emprego dos pronomes oblíquos (Gramática Normativa) Resolução comentada do VaiConcursos. Questão anulada Gabarito disponível Conclusão com 'por isso' e oposição com 'entretanto'. A piora do estado leva a família ao médico, relação de conclusão, expressa por 'por isso'. Em seguida, o hospital lotado contraria a expectativa de atendimento, relação adversativa, expressa por 'entretanto'. Exemplo: 'O estado do menino piorou; por isso a família o levou ao médico; entretanto o hospital estava lotado...'. A) 'Mas – e' não expressa a conclusão da primeira relação. B) 'Pois – portanto' deixa a causa e a conclusão sem sentido. C) 'Logo – porque' inverte as relações (porque é subordinativa). Referência: Gramática normativa: conjunções coordenativas. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Ânsia, bênção, bônus e cônsul estão acentuadas corretamente. Todas são paroxítonas terminadas em ditongo ou em -s/-l e levam acento circunflexo: ânsia, bênção, bônus e cônsul. A) 'Aínda' e 'raínha' não levam acento. B) 'Feiúra' não leva acento, pois o 'u' vem depois de ditongo. D) 'Paranoia' e 'alcateia' perderam o acento após o Acordo Ortográfico. Referência: Acordo Ortográfico: acentuação gráfica. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Presente histórico atualiza o passado na narração. O presente histórico traz um fato já ocorrido para o momento da narração, dando vivacidade e dramaticidade ao relato. É o que ocorre com 'ouve-se' e 'explode'. A) O fato não é permanente. B) Não há futuro, pois o fato já aconteceu. C) Não se trata de ação habitual, e sim de um fato pontual. Referência: Gramática normativa: emprego dos tempos verbais. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Alistar e empalidecer se formam por parassíntese. 'Alistar' vem de a- + lista + -ar, com prefixo e sufixo acrescentados ao mesmo tempo. 'Empalidecer' vem de em- + pálido + -ecer, pelo mesmo processo, a parassíntese. A) 'Descarregar' é derivação prefixal. C) 'Achatamento' é derivação sufixal. D) 'Desligamento' também é derivação sufixal sobre 'desligar'. Referência: Morfologia: formação de palavras. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Há objeto direto em II e III. Em II, 'vigiava-a' tem 'a' como objeto direto, pois 'vigiar' é transitivo direto. Em III, 'um bilhete' é objeto direto de 'encontrou'. Em I, 'gostar de' pede objeto indireto, e em IV, 'lembrar-se de' também. A) I e IV têm objeto indireto. C) I não tem OD. D) IV não tem OD. Referência: Gramática normativa: regência e objeto direto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Antítese, hipérbole e prosopopeia. 1) 'Nãos' e 'sim' se opõem, caracterizando antítese. 2) 'Vale todo um harém' exagera o valor da amada, o que é hipérbole. 3) A canção que ilumina o peito e a ideia de que dentro dele mora um anjo atribuem ações humanas ao que não é humano, o que é prosopopeia. A) Não há metáfora em 1 nem em 3 no sentido apontado. C) Não há eufemismo nem metonímia nos trechos. D) Troca todas as figuras. Referência: Estilística: figuras de linguagem. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Em B, 'você' é predicativo e quem é o sujeito. Em 'é você quem decide', o verbo 'ser' liga 'você' a 'quem decide'. O pronome 'você' funciona como predicativo, não como sujeito simples. Nas demais, 'você' é sujeito dos verbos vestir, vai trabalhar e esperava. A) 'Você' é sujeito de 'vestir'. C) 'Você' é sujeito de 'vai trabalhar'. D) 'Você' é sujeito de 'esperava'. Referência: Gramática normativa: sujeito e predicativo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível 'Eclipse' é substantivo masculino. O correto é 'o eclipse', e por isso 'a eclipse' está errado. As demais formas estão corretas. A) 'O trema' está correto. C) 'A omoplata' está correto. D) 'O grama' (unidade de peso) é masculino, portanto correto. Referência: Gramática normativa: gênero dos substantivos. Resolução comentada do VaiConcursos.EEAR — Exame de Admissão ao CFS 2/2018 — Aeronavegantes e Não-Aeronavegantes — Código da Prova 11
Quem casa quer casa
Num tempo em que se casava depois de namorar e noivar, viajei com meu marido para a minha primeira casa, no mesmo dia do meu casamento. Partia na verdade para um reino onde, tendo modos à mesa e usando meia fina, seria uma mulher distinta como Dona Alice e seu marido saindo para a missa das dez. Pois sim, meu enxoval (...) foi despachado com zelo pela via férrea para uma cidade longe, tão longe que não pude eu mesma escolher casa e coisas. Como você quer nossos móveis?, havia perguntado meu noivo. Ah, eu disse, você pode escolher, mas gosto mesmo é daqueles escuros, pretos. Pensava na maravilhosa cristaleira de Dona Cecília, móveis de pernas torneadas e brilhantes, cama de cabeceira alta. Para a cozinha achei melhor nem sugerir, apostando na surpresa. Você pode cuidar de tudo, respondi a meu noivo atrapalhado com as providências, os poucos dias de folga na empresa, sozinho (…). Foi abrir a porta de nossa casa com alpendre e levei o primeiro susto de muitos de minha vida de casada. A mobília – palavra que sempre detestei – era daquele amarelo bonito de peroba. Tem pouco uso, disse meu marido, comprei de um colega que se mudou daqui. Gostei da cristaleira, seus espelhos multiplicando o ‘jogo de porcelana’ – que invenção! A cama era feia, egressa de um outro desenho, sem nada a ver com a sala. E a cozinha? O mesmo fogão a lenha que desde menina me encarvoara. O fogão a gás vem em duas semanas, explicou meu marido com mortificada delicadeza, adivinhando o borbotão de lágrimas. Mas o banheiro, este sim amei à primeira vista, azulejos, louça branca e um boxe com cortina amarela desenhada em peixes e algas. Recompensou-me. Faz quarenta anos desde minha apresentação a este meu primeiro banheiro com cortina, a um piso que se limpava com sapóleo, palavra que incorporei incontinente ao meu novo status. Vinha de uma casa com panelas de ferro que só brilhavam a poder de areia. (…) Quando me viu a pique de chorar, meu marido me disse naquele dia: quando puder, vou comprar móveis pretos e torneados pra você. Compreendi, com grande sorte para mim, que era melhor escutar aquela promessa ardente ao ouvido, que ter móveis bonitos e marido desatento. Do viçoso jardim arranquei quase tudo para ‘plantar do meu jeito’, tentativa de construir um lar, esperança que até hoje guardo e pela qual me empenho como se tivesse acabado de me casar.
Adélia Prado
https://cronicasurbanas/wordpress/tag/adelia-prado
VOCABULÁRIO
alpendre: varanda coberta
borbotão: caudal; jorro; jato forte, em grande quantidade
egressa: afastada; retirada, que não pertence a um grupo
encarvoara: sujara de carvão
incontinente: que ou quem não se contém, sem moderação
viçoso: que cresce e se desenvolve com vigor
As questões de 01 a 04 referem-se ao texto anterior.
“Partia na verdade para um reino onde, tendo modos à mesa e usando meia fina, seria uma mulher distinta como Dona Alice e seu marido saindo para a missa das dez.” Essa frase do texto, enunciada logo em seu início, mostra que a esposaResolução comentada
Análise das alternativas
Quem casa quer casa
Num tempo em que se casava depois de namorar e noivar, viajei com meu marido para a minha primeira casa, no mesmo dia do meu casamento. Partia na verdade para um reino onde, tendo modos à mesa e usando meia fina, seria uma mulher distinta como Dona Alice e seu marido saindo para a missa das dez. Pois sim, meu enxoval (...) foi despachado com zelo pela via férrea para uma cidade longe, tão longe que não pude eu mesma escolher casa e coisas. Como você quer nossos móveis?, havia perguntado meu noivo. Ah, eu disse, você pode escolher, mas gosto mesmo é daqueles escuros, pretos. Pensava na maravilhosa cristaleira de Dona Cecília, móveis de pernas torneadas e brilhantes, cama de cabeceira alta. Para a cozinha achei melhor nem sugerir, apostando na surpresa. Você pode cuidar de tudo, respondi a meu noivo atrapalhado com as providências, os poucos dias de folga na empresa, sozinho (…). Foi abrir a porta de nossa casa com alpendre e levei o primeiro susto de muitos de minha vida de casada. A mobília – palavra que sempre detestei – era daquele amarelo bonito de peroba. Tem pouco uso, disse meu marido, comprei de um colega que se mudou daqui. Gostei da cristaleira, seus espelhos multiplicando o ‘jogo de porcelana’ – que invenção! A cama era feia, egressa de um outro desenho, sem nada a ver com a sala. E a cozinha? O mesmo fogão a lenha que desde menina me encarvoara. O fogão a gás vem em duas semanas, explicou meu marido com mortificada delicadeza, adivinhando o borbotão de lágrimas. Mas o banheiro, este sim amei à primeira vista, azulejos, louça branca e um boxe com cortina amarela desenhada em peixes e algas. Recompensou-me. Faz quarenta anos desde minha apresentação a este meu primeiro banheiro com cortina, a um piso que se limpava com sapóleo, palavra que incorporei incontinente ao meu novo status. Vinha de uma casa com panelas de ferro que só brilhavam a poder de areia. (…) Quando me viu a pique de chorar, meu marido me disse naquele dia: quando puder, vou comprar móveis pretos e torneados pra você. Compreendi, com grande sorte para mim, que era melhor escutar aquela promessa ardente ao ouvido, que ter móveis bonitos e marido desatento. Do viçoso jardim arranquei quase tudo para ‘plantar do meu jeito’, tentativa de construir um lar, esperança que até hoje guardo e pela qual me empenho como se tivesse acabado de me casar.
Adélia Prado
https://cronicasurbanas/wordpress/tag/adelia-prado
VOCABULÁRIO
alpendre: varanda coberta
borbotão: caudal; jorro; jato forte, em grande quantidade
egressa: afastada; retirada, que não pertence a um grupo
encarvoara: sujara de carvão
incontinente: que ou quem não se contém, sem moderação
viçoso: que cresce e se desenvolve com vigor
As questões de 01 a 04 referem-se ao texto anterior.
Considerando-se o tema de que trata o texto, pode-se indicar que diz respeito aResolução comentada
Análise das alternativas
Quem casa quer casa
Num tempo em que se casava depois de namorar e noivar, viajei com meu marido para a minha primeira casa, no mesmo dia do meu casamento. Partia na verdade para um reino onde, tendo modos à mesa e usando meia fina, seria uma mulher distinta como Dona Alice e seu marido saindo para a missa das dez. Pois sim, meu enxoval (...) foi despachado com zelo pela via férrea para uma cidade longe, tão longe que não pude eu mesma escolher casa e coisas. Como você quer nossos móveis?, havia perguntado meu noivo. Ah, eu disse, você pode escolher, mas gosto mesmo é daqueles escuros, pretos. Pensava na maravilhosa cristaleira de Dona Cecília, móveis de pernas torneadas e brilhantes, cama de cabeceira alta. Para a cozinha achei melhor nem sugerir, apostando na surpresa. Você pode cuidar de tudo, respondi a meu noivo atrapalhado com as providências, os poucos dias de folga na empresa, sozinho (…). Foi abrir a porta de nossa casa com alpendre e levei o primeiro susto de muitos de minha vida de casada. A mobília – palavra que sempre detestei – era daquele amarelo bonito de peroba. Tem pouco uso, disse meu marido, comprei de um colega que se mudou daqui. Gostei da cristaleira, seus espelhos multiplicando o ‘jogo de porcelana’ – que invenção! A cama era feia, egressa de um outro desenho, sem nada a ver com a sala. E a cozinha? O mesmo fogão a lenha que desde menina me encarvoara. O fogão a gás vem em duas semanas, explicou meu marido com mortificada delicadeza, adivinhando o borbotão de lágrimas. Mas o banheiro, este sim amei à primeira vista, azulejos, louça branca e um boxe com cortina amarela desenhada em peixes e algas. Recompensou-me. Faz quarenta anos desde minha apresentação a este meu primeiro banheiro com cortina, a um piso que se limpava com sapóleo, palavra que incorporei incontinente ao meu novo status. Vinha de uma casa com panelas de ferro que só brilhavam a poder de areia. (…) Quando me viu a pique de chorar, meu marido me disse naquele dia: quando puder, vou comprar móveis pretos e torneados pra você. Compreendi, com grande sorte para mim, que era melhor escutar aquela promessa ardente ao ouvido, que ter móveis bonitos e marido desatento. Do viçoso jardim arranquei quase tudo para ‘plantar do meu jeito’, tentativa de construir um lar, esperança que até hoje guardo e pela qual me empenho como se tivesse acabado de me casar.
Adélia Prado
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VOCABULÁRIO
alpendre: varanda coberta
borbotão: caudal; jorro; jato forte, em grande quantidade
egressa: afastada; retirada, que não pertence a um grupo
encarvoara: sujara de carvão
incontinente: que ou quem não se contém, sem moderação
viçoso: que cresce e se desenvolve com vigor
As questões de 01 a 04 referem-se ao texto anterior.
No que se refere ao texto, é correto afirmar queResolução comentada
Análise das alternativas
Quem casa quer casa
Num tempo em que se casava depois de namorar e noivar, viajei com meu marido para a minha primeira casa, no mesmo dia do meu casamento. Partia na verdade para um reino onde, tendo modos à mesa e usando meia fina, seria uma mulher distinta como Dona Alice e seu marido saindo para a missa das dez. Pois sim, meu enxoval (...) foi despachado com zelo pela via férrea para uma cidade longe, tão longe que não pude eu mesma escolher casa e coisas. Como você quer nossos móveis?, havia perguntado meu noivo. Ah, eu disse, você pode escolher, mas gosto mesmo é daqueles escuros, pretos. Pensava na maravilhosa cristaleira de Dona Cecília, móveis de pernas torneadas e brilhantes, cama de cabeceira alta. Para a cozinha achei melhor nem sugerir, apostando na surpresa. Você pode cuidar de tudo, respondi a meu noivo atrapalhado com as providências, os poucos dias de folga na empresa, sozinho (…). Foi abrir a porta de nossa casa com alpendre e levei o primeiro susto de muitos de minha vida de casada. A mobília – palavra que sempre detestei – era daquele amarelo bonito de peroba. Tem pouco uso, disse meu marido, comprei de um colega que se mudou daqui. Gostei da cristaleira, seus espelhos multiplicando o ‘jogo de porcelana’ – que invenção! A cama era feia, egressa de um outro desenho, sem nada a ver com a sala. E a cozinha? O mesmo fogão a lenha que desde menina me encarvoara. O fogão a gás vem em duas semanas, explicou meu marido com mortificada delicadeza, adivinhando o borbotão de lágrimas. Mas o banheiro, este sim amei à primeira vista, azulejos, louça branca e um boxe com cortina amarela desenhada em peixes e algas. Recompensou-me. Faz quarenta anos desde minha apresentação a este meu primeiro banheiro com cortina, a um piso que se limpava com sapóleo, palavra que incorporei incontinente ao meu novo status. Vinha de uma casa com panelas de ferro que só brilhavam a poder de areia. (…) Quando me viu a pique de chorar, meu marido me disse naquele dia: quando puder, vou comprar móveis pretos e torneados pra você. Compreendi, com grande sorte para mim, que era melhor escutar aquela promessa ardente ao ouvido, que ter móveis bonitos e marido desatento. Do viçoso jardim arranquei quase tudo para ‘plantar do meu jeito’, tentativa de construir um lar, esperança que até hoje guardo e pela qual me empenho como se tivesse acabado de me casar.
Adélia Prado
https://cronicasurbanas/wordpress/tag/adelia-prado
VOCABULÁRIO
alpendre: varanda coberta
borbotão: caudal; jorro; jato forte, em grande quantidade
egressa: afastada; retirada, que não pertence a um grupo
encarvoara: sujara de carvão
incontinente: que ou quem não se contém, sem moderação
viçoso: que cresce e se desenvolve com vigor
As questões de 01 a 04 referem-se ao texto anterior.
“Do viçoso jardim arranquei quase tudo para ‘plantar do meu jeito’, tentativa de construir um lar, esperança que até hoje guardo e pela qual me empenho como se tivesse acabado de me casar.” Do sentido da frase final do texto, depreende-se, de forma incorreta, queResolução comentada
Análise das alternativas
O mundo é grande
1 O mundo é grande e cabe
Nesta janela sobre o mar
O mar é grande e cabe
Na cama e no colchão de amar.
5 O amor é grande e cabe
No breve espaço de beijar. (Carlos Drummond de Andrade)
Assinale a alternativa referente ao verso em que a conjunção e estabelece relação de sentido diferente das demais.Resolução comentada
Análise das alternativas
Hão de chorar _____ ela os cinamomos;
Murchando as flores ao tombar do dia.
Dos laranjais hão de cair os pomos,
Lembrando-se _____ que _____ colhia.
[...]
Hão de chorar a irmã que _____ sorria.
[...]
A lua que lhe foi mãe carinhosa,
Que a viu nascer e amar, há de envolvê(ver) _____
Entre lírios e pétalas de rosa.
(Alphonsus de Guimaraens)Resolução comentada
Análise das alternativas
Abandonado à escrivaninha em São Paulo/ Na minha casa (...)/ De sopetão senti um friúme por dentro/ Fiquei trêmulo, muito comovido/ Com o livro palerma olhando para mim.
(Mário de Andrade)
Assinale a alternativa que corresponde ao exato número de advérbios e locuções adverbiais presentes ao texto acima.
I. O estado de saúde do menino piorou.
II. A família levou-o para atendimento médico.
III. O hospital estava lotado e não havia vaga para internação do enfermo.
Formando um só período com as orações expressas nas sentenças, assinale a alternativa que traz a correta sequência das conjunções coordenativas que explicitam corretamente a relação de sentido entre elas.Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Chamas de louco ou tolo ao apaixonado que sente ciúmes quando ouve sua amada dizer que na véspera de tarde o céu estava uma coisa lindíssima, com mil pequenas nuvens de leve púrpura sobre um azul de sonho. (Rubem Braga)
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Assinale a alternativa correta referente ao adjetivo destacado no texto.
1 – A aldeia era povoada de caiçaras.
2 – O artista estava cercado de fãs adolescentes.
3 – As plantas ficaram ávidas de água revigorante.
4 – Todos foram tomados de sentimentos apaziguadores.
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Resolução comentada
Análise das alternativas
I. Gostava de doces caramelizados da doçaria de Dona Dalva.
II. No shopping, vigiava-a com a discrição de um investigador profissional.
III. Entre livros e cadernos velhos, na estante, encontrou um bilhete da antiga namorada.
IV. Lembrava-se ainda do período de sua infância vivida naquela cidadezinha do interior do Brasil.
Há objeto direto nas sentençasResolução comentada
Análise das alternativas
1 – O belo corte de seda pedia mãos delicadas e olhos perscrutadores a cuidar das minúscias do maravilhoso bordado que brilharia no corpo da noiva.
2 – Todos os dias, ao longe, ouvia o apito do requintado trem. O som lhe parecia mais um gorjeio que a levava para dentro de uma cabina de luxo, onde tomava chá como uma dama invejada.
3 – A criança, doida pelo presente, expiava o colorido papel que cobria a grande caixa, imaginando que dali saltaria seu amado, macio e branco urso.
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Está(ão) correta(s) a(s) sentença(s)
...o foco narrativo mostra a sua verdadeira força na medida em que é capaz de configurar o nível de consciência de um homem que, tendo conquistado a duras penas um lugar ao sol, absorveu na sua longa jornada toda a agressividade latente de um sistema de competição. (Alfredo Bosi)
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1 – Eu vou tirar você de mim/Assim que descobrir /Com quantos nãos se faz um sim
2 – Vale todo um harém a minha bela/Em fazer-me ditoso ela capricha.../Vivo ao sol de seus olhos namorados,/Como ao sol de verão a lagartixa.
3 – Ilumina meu peito, canção./Dentro dele/Mora um anjo,/Que ilumina/O meu coração.
Nas sentenças acima, encontram-se, respectivamente, as seguintes figuras de linguagem:Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Leia:
Assinale a alternativa que traz a correta sequência dos termos que preenchem as lacunas do poema abaixo, observando a regência dos verbos que os exigem.
Leia:
Considere os três períodos abaixo:
As palavras abaixo estão corretamente acentuadas em
Na sentença “As luzes se apagaram, e, paulatinamente, aquele mar de gente silenciou e aguardou... De repente, ouve-se um forte brado vindo do fundo do palco, que explode em luzes e vida junto com a multidão.”, há mudança de tempo verbal: do pretérito perfeito do indicativo os verbos ouvir e explodir passam para o presente do indicativo, possibilidade que se justifica pelo seguinte motivo:
Leia o texto a seguir e responda ao que se pede.
Identifique a função sintática dos termos destacados nas sentenças abaixo e, em seguida, assinale a alternativa que contém a sequência correta da classificação desses termos.
O vocábulo alistar segue o mesmo processo de formação de palavras presente em
Leia as frases:
Leia as sentenças abaixo, observando nelas a correção ortográfica das palavras destacadas.
Há, no texto abaixo, uma oração reduzida em destaque. Leia-a com atenção e, a seguir, assinale a alternativa que traz sua correspondente classificação sintática.
Leia:
Assinale a alternativa em que o pronome em destaque não exerce a função de sujeito simples.
Assinale a alternativa em que o termo em destaque não está empregado conotativamente.
Das alternativas abaixo, assinale aquela em que o gênero dos substantivos não está corretamente empregado.