Pular para o conteúdo

Provas

← Voltar para a lista de provas

Colégio Militar de Curitiba — Concurso de Admissão 2019/2020 — 1º ano do Ensino Médio — Língua Portuguesa

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Colégio Militar de Curitiba2019Fundamental

22 questões nesta prova · página 1 de 2 · 21 com gabarito

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto I
A menina e a tempestade
01 A garota costumava caminhar todos os dias até a escola. Uma tarde de tempestade, ela
começou a demorar muito; os ventos sopravam cada vez com mais força, os trovões e raios
sacudiam a vizinhança.
A mãe, preocupada, telefonou para a escola, e informaram que a menina já havia saído.
05 Ao ver que ela não chegava, colocou uma capa de chuva, e saiu – imaginando que a filha
devia estar paralisada de medo, escondida talvez na casa de um vizinho, chorando, e esperando
a tempestade passar.
Para sua tranquilidade, assim que dobrou a esquina, viu a menina andando lentamente
em direção a casa; mas parava cada vez que caía um raio, olhava para o céu, e sorria.
10 A mãe chegou correndo, colocou a menina debaixo de sua capa, e perguntou por que ela
tinha demorado tanto.
“Você não está vendo os flashes?”, disse a criança. “Deus está tirando fotos de mim”.
Paulo Coelho
Disponível em: <http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/2010/07/08/a-menina-e-a-tempestade/> Acesso em 10 Outubro 2019.

O texto I apresenta um fato ocorrido sob as perspectivas da mãe e da filha. Em relação à impressão das duas personagens, as palavras que melhor expressam a reação da mãe e da filha, respectivamente, são:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Mãe: preocupação; filha: contentamento.

A mãe, "preocupada", sai de capa de chuva para procurar a filha, que imagina paralisada de medo. A menina anda devagar, olha o céu e sorri, o que mostra contentamento com a tempestade. Assim, preocupação e contentamento são as palavras que melhor expressam as duas reações.

Análise das alternativas

A) A filha não demonstra contradição. B) A mãe se mostra cuidadosa, mas a filha não é desleixada. C) A filha não sente medo nem desolação. D) A filha não age com insensatez no sentido do texto, e a mãe não demonstra ânsia como palavra central. Ela está preocupada.

Referência: Interpretação de texto: caracterização de personagens.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto I
A menina e a tempestade
01 A garota costumava caminhar todos os dias até a escola. Uma tarde de tempestade, ela
começou a demorar muito; os ventos sopravam cada vez com mais força, os trovões e raios
sacudiam a vizinhança.
A mãe, preocupada, telefonou para a escola, e informaram que a menina já havia saído.
05 Ao ver que ela não chegava, colocou uma capa de chuva, e saiu – imaginando que a filha
devia estar paralisada de medo, escondida talvez na casa de um vizinho, chorando, e esperando
a tempestade passar.
Para sua tranquilidade, assim que dobrou a esquina, viu a menina andando lentamente
em direção a casa; mas parava cada vez que caía um raio, olhava para o céu, e sorria.
10 A mãe chegou correndo, colocou a menina debaixo de sua capa, e perguntou por que ela
tinha demorado tanto.
“Você não está vendo os flashes?”, disse a criança. “Deus está tirando fotos de mim”.
Paulo Coelho
Disponível em: <http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/2010/07/08/a-menina-e-a-tempestade/> Acesso em 10 Outubro 2019.

Com base no texto I, marque a alternativa que melhor expressa a conclusão do texto.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Conclusão: inocência e criatividade da criança, que associa raios a flashes.

A menina vê os raios como flashes de Deus fotografando-a. Isso revela uma visão inocente e criativa, que contrasta com o medo imaginado pela mãe. Por isso a conclusão do texto é a descrita em E.

Análise das alternativas

A) O texto não trata do aumento de tempestades por ano. B) Não há crítica ao uso de celulares. C) A menina não é adolescente nem estava tirando fotos de si mesma. D) O texto não aborda tecnologia nem atrasos causados por ela.

Referência: Interpretação de texto: conclusão e sentido global.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Conjunção Integrante

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto I
A menina e a tempestade
01 A garota costumava caminhar todos os dias até a escola. Uma tarde de tempestade, ela
começou a demorar muito; os ventos sopravam cada vez com mais força, os trovões e raios
sacudiam a vizinhança.
A mãe, preocupada, telefonou para a escola, e informaram que a menina já havia saído.
05 Ao ver que ela não chegava, colocou uma capa de chuva, e saiu – imaginando que a filha
devia estar paralisada de medo, escondida talvez na casa de um vizinho, chorando, e esperando
a tempestade passar.
Para sua tranquilidade, assim que dobrou a esquina, viu a menina andando lentamente
em direção a casa; mas parava cada vez que caía um raio, olhava para o céu, e sorria.
10 A mãe chegou correndo, colocou a menina debaixo de sua capa, e perguntou por que ela
tinha demorado tanto.
“Você não está vendo os flashes?”, disse a criança. “Deus está tirando fotos de mim”.
Paulo Coelho
Disponível em: <http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/2010/07/08/a-menina-e-a-tempestade/> Acesso em 10 Outubro 2019.

Leia os fragmentos do texto I a seguir:
I. “Ao ver que ela não chegava” (linha 5)
II. “imaginando que a filha devia estar paralisada de medo” (linhas 5-6)
III. “assim que dobrou a esquina” (linha 8)
IV. “mas parava cada vez que caía um raio” (linha 9)
V. “e perguntou por que ela tinha demorado tanto”. (linhas 10-11)

Quais fragmentos possuem elementos coesivos em negrito de mesmo valor do destacado em:
“[...] informaram que a menina já havia saído” (linha 4)?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O "que" de "informaram que a menina..." é conjunção integrante; só I e II têm o mesmo valor.

Em "informaram que a menina já havia saído", o "que" introduz oração subordinada substantiva objetiva direta, ou seja, é conjunção integrante. Em I ("ver que ela não chegava") e em II ("imaginando que a filha devia..."), o "que" também introduz oração objetiva direta. Portanto, a resposta é I e II.

Análise das alternativas

B, C e E estão erradas porque III ("assim que") é locução conjuntiva subordinativa temporal. IV ("cada vez que") também é locução conjuntiva temporal, e não conjunção integrante. D está errada pela mesma razão em IV, e V ("por que") traz a expressão interrogativa indireta "por que", com valor de causa e sem função integrante.

Referência: Classe gramatical: conjunção integrante x locuções conjuntivas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Análise do Período Composto

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto I
A menina e a tempestade
01 A garota costumava caminhar todos os dias até a escola. Uma tarde de tempestade, ela
começou a demorar muito; os ventos sopravam cada vez com mais força, os trovões e raios
sacudiam a vizinhança.
A mãe, preocupada, telefonou para a escola, e informaram que a menina já havia saído.
05 Ao ver que ela não chegava, colocou uma capa de chuva, e saiu – imaginando que a filha
devia estar paralisada de medo, escondida talvez na casa de um vizinho, chorando, e esperando
a tempestade passar.
Para sua tranquilidade, assim que dobrou a esquina, viu a menina andando lentamente
em direção a casa; mas parava cada vez que caía um raio, olhava para o céu, e sorria.
10 A mãe chegou correndo, colocou a menina debaixo de sua capa, e perguntou por que ela
tinha demorado tanto.
“Você não está vendo os flashes?”, disse a criança. “Deus está tirando fotos de mim”.
Paulo Coelho
Disponível em: <http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/2010/07/08/a-menina-e-a-tempestade/> Acesso em 10 Outubro 2019.

O fragmento “Ao ver que ela não chegava, colocou uma capa de chuva, e saiu – imaginando que a filha devia estar paralisada de medo, escondida talvez na casa de um vizinho, chorando, esperando a tempestade passar.” (linhas 5 - 7) apresenta:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Contagem de orações do período: 10, sendo 2 reduzidas de infinitivo.

As orações são: "Ao ver" (reduzida de infinitivo), "que ela não chegava", "colocou...", "e saiu", "imaginando" (reduzida de gerúndio), "que a filha devia estar paralisada de medo", "escondida..." (reduzida de particípio), "chorando" (gerúndio), "e esperando" (gerúndio) e "a tempestade passar" (reduzida de infinitivo). Isso dá 10 orações, com duas reduzidas de infinitivo: "Ao ver" e "passar".

Análise das alternativas

A) São 10 orações, não 11, e há duas reduzidas de infinitivo e três de gerúndio. C) Só "e saiu" é coordenada sindética, e não há duas. D) O total não é 9 e há mais de uma sindética. E) O total não é 9, e há duas reduzidas de infinitivo, sendo que "passar" é completiva, sem valor temporal.

Referência: Sintaxe do período composto: orações reduzidas e coordenadas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
01 Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, ‘pra’ lá de úmido. Paraíso dos
35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
45 tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
55 chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Assinale a afirmativa que descreve uma das principais ideias defendidas no texto II.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Ideia central: o clima é uma das circunstâncias que nos moldam.

O texto defende que o tempo úmido e instável ajuda a explicar o curitibano. Para isso, cita Ortega y Gasset: "Eu sou eu e minha circunstância", e a circunstância de Curitiba é a umidade. Logo, somos resultado de nossas circunstâncias, entre elas o clima.

Análise das alternativas

A) Inverte a relação: é o clima que influencia o povo, não o contrário. B) O texto fala de clima "lazarento", chuvoso e instável, e não agradável. C) O texto afirma que o clima nos afeta. D) O autor apenas registra a opinião de quem diz que o curitibano é seco. Ele a trata como "lei da compensação" e diz que isso está mudando, sem concluir que o clima não afeta o humor.

Referência: Interpretação de texto: ideia central e argumentação (citação de Ortega y Gasset, l. 42-43).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Variação Linguística

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
01 Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, ‘pra’ lá de úmido. Paraíso dos
35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
45 tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
55 chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

De acordo com o texto II e levando em consideração os vocábulos destacados no texto – lazarento (linha 12), vina, penal, loki, piá, japona, daís (linha 13) – marque a assertiva correta.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Sentido e uso dos regionalismos do texto II.

O autor usa “lazarento” para qualificar o clima e também o apresenta como termo idiomático típico de Curitiba, junto com vina, penal, loki, piá, japona e daí. São marcas regionais do falar curitibano.

Análise das alternativas

A) Muitos são informais ou regionais, não adequados à norma-padrão escrita. C) Não são conhecidos em todo o país; são marcas de Curitiba. D) “Lazarento” é usado em sentido figurado, não denotativo. E) Nem todos estão dicionarizados.

Referência: Variação linguística (regionalismos).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
01 Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, ‘pra’ lá de úmido. Paraíso dos
35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
45 tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
55 chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Leia as assertivas sobre o texto II a seguir:
I. O texto apresenta registro bastante informal e em tom de conversa com o leitor, tal como se pode observar em: “Tá de brincadeira?!” (linha 16) e “deu ruim” (linha 21), formas relacionadas à coloquialidade.

II. A ideia central do texto é definir o termo “lazarento”, no contexto de uso dos curitibanos. Logo, para esclarecer essa particularidade regional ao leitor que não é local, o autor dá vários exemplos de situações em que o termo pode ser empregado, tais como: “Nosso clima é mesmo lazarento” (linha 15) ou “sem querer ofender… lazarento!” (linha 22).

III. Para fundamentar seu argumento a respeito do clima curitibano, o qual é mais nublado que o de Londres, o autor cita a informação obtida por meio da ferramenta virtual da Embratur, usada na época da Copa do Mundo de 2014.

IV. A finalidade do texto é apresentar o ponto de vista do autor sobre o clima curitibano, conforme se pode constatar pelo título do texto. No entanto, o autor aborda muito mais a forma de comportamento dos moradores de Curitiba do que o clima propriamente dito, o que torna o texto contraditório.

V. O texto apresenta comentários repletos de ironia e/ou humor, conforme se pode perceber em: “Perdeu, cara-pálida” (linha 27) e “acreditem, ele existe!” (linhas 51 e 52).

Está correto o que se afirma em:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Julgar as assertivas sobre o texto II.

I é correta, pois “Tá de brincadeira?!” e “deu ruim” são marcas de coloquialidade. III é correta, pois o autor usa a ferramenta da Embratur de 2014 para sustentar que Curitiba tem menos sol que Londres. V é correta, pois “Perdeu, cara-pálida” e “acreditem, ele existe!” têm ironia e humor. Logo, I, III e V.

Análise das alternativas

II é falsa, porque o texto não pretende definir “lazarento”, e sim discutir como o clima explica o curitibano. IV é falsa, porque o texto não é contraditório: a ligação entre clima e comportamento é a tese do próprio título. Assim, A, B, C e D estão erradas por incluir II ou IV.

Referência: Interpretação de texto e registro linguístico.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Regência Verbal

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
01 Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, ‘pra’ lá de úmido. Paraíso dos
35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
45 tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
55 chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

No que tange especificamente à Regência Verbal, de acordo com a norma-padrão, é correto afirmar que a oração em destaque em: Trecho “E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos” (linha 32), com “lembrei-me dos bufos” sublinhado. apresenta o verbo “lembrar”:
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Crase

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
01 Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, ‘pra’ lá de úmido. Paraíso dos
35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
45 tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
55 chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Assinale a alternativa que contém a assertiva correta sobre o emprego do acento grave em “Em meio àquele brejo” (linha 28).
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Explicação da crase em “Em meio àquele brejo”.

O acento grave marca a fusão da preposição “a” com o “a” inicial do pronome demonstrativo “aquele”. A regra geral é que a crase ocorre na fusão da preposição “a” com artigos ou com pronomes demonstrativos (aquele, aquela, aquilo, a(s), o que).

Análise das alternativas

A) “Aquele” não é possessivo. B) A expressão “em meio a” não é locução com substantivo feminino a ser crasada assim, e o caso é de demonstrativo. C) Restringir a regra a um verbo e a artigo feminino é impreciso. E) A crase ocorre antes de “aquele”, e o item erra ao falar em pronomes masculinos.

Referência: Uso do acento grave indicativo de crase.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Orações Subordinadas Substantivas

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
01 Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, ‘pra’ lá de úmido. Paraíso dos
35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
45 tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
55 chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Nas alternativas a seguir, as orações introduzidas pelo termo “que” são subordinadas substantivas, exceto:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Qual “que” não introduz oração substantiva.

Em “do mar que sobe a serra”, o “que” é pronome relativo e introduz oração subordinada adjetiva restritiva, que se refere a “mar”. Nas demais, o “que” é conjunção integrante e introduz orações substantivas.

Análise das alternativas

A) “é que…” é predicativa do sujeito (substantiva). C) “dizem que isso está mudando” é objetiva direta. D) “seja dizer que somos…” é subjetiva ou objetiva (substantiva). E) “é que por vezes somos fechados” é predicativa (substantiva).

Referência: Orações subordinadas substantivas e adjetivas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Conjunções Coordenativas

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
01 Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, ‘pra’ lá de úmido. Paraíso dos
35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
45 tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
55 chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Analise o trecho a seguir:
“a cidade foi crescendo e ficando metida demais” (linha 37)
Assinale a alternativa que contenha a afirmação correta sobre a função da conjunção destacada no fragmento.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Valor da conjunção “e” em “crescendo e ficando”.

O “e” liga duas orações reduzidas de gerúndio de mesma função (“foi crescendo” e “ficando metida”) e indica sequência de fatos ou processos. É uma conjunção coordenativa aditiva.

Análise das alternativas

A) e D) atribuem valor explicativo ou conclusivo, que não existe aqui. C) O “e” não indica oposição. E) Está errada: a conjunção cumpre bem seu papel de adição.

Referência: Conjunções coordenativas aditivas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Orações Subordinadas Adverbiais

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
01 Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, ‘pra’ lá de úmido. Paraíso dos
35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
45 tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
55 chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Relacione as colunas de acordo com a classificação das orações subordinadas abaixo:
Quatro parênteses em branco seguidos dos trechos: “Choveu tanto aqui que até caiu[...]” (linhas 1-2), com “tanto” e “que” em negrito; “De dizer algo quando não se tem nada a dizer.” (linhas 5-6), com “quando” em negrito; “Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar: vai fazer sol? Ou será que vai chover? Se bem que essa pergunta é retórica” (linhas 8-10), com “Se bem que” em negrito; “O fato é que por vezes somos fechados, como o tempo” (linhas 50-51), com “como” em negrito.

I. Oração subordinada adverbial causal
II. Oração subordinada adverbial comparativa
III. Oração subordinada adverbial concessiva
IV. Oração subordinada adverbial consecutiva
V. Oração subordinada adverbial temporal

Assinale a alternativa que corresponde ao completamento correto dos parênteses de cima para baixo:
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Coesão Referencial

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
01 Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, ‘pra’ lá de úmido. Paraíso dos
35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
45 tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
55 chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Para evitar repetições, o autor do texto II emprega diferentes formas para referir-se a Curitiba. Qual das alternativas a seguir não apresenta expressão do texto com essa finalidade?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Expressão que não retoma Curitiba.

“Famosa pelo seu clima” caracteriza Londres (“da Londres mundialmente famosa pelo seu clima”), não Curitiba. Portanto não é uma retomada de Curitiba usada para evitar repetição.

Análise das alternativas

A) “aqui” remete a Curitiba. C) “capital das araucárias” é perífrase de Curitiba. D) “Sapolândia” é o antigo apelido da cidade. E) “cidade” retoma Curitiba (“a cidade foi crescendo”).

Referência: Coesão referencial.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto III
SONETO XXXII
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.

Fazia, de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles

Perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

Guilherme de Almeida
Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos-escolhidos Acesso em 10 Outubro 2019.

Com base na leitura e interpretação do texto III, marque a alternativa que melhor transmite a ideia principal do soneto de Guilherme de Almeida.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Ideia principal do soneto de Guilherme de Almeida.

O eu lírico lembra, com nostalgia, a infância em que soltava barquinhos de papel na enxurrada. Na maturidade, ele reflete que seus ideais são frágeis como aqueles barcos e também se foram. O poema trata da passagem do tempo e da reflexão sobre os ideais.

Análise das alternativas

A) e D) inventam pobreza que o texto não menciona. B) Fala em infância triste, mas o poema fala em “tempos felizes de menino”. E) A chuva é só cenário, e o tema não são as mudanças do clima.

Referência: Interpretação de texto poético.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Análise do Período Composto

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto III
SONETO XXXII
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.

Fazia, de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles

Perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

Guilherme de Almeida
Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos-escolhidos Acesso em 10 Outubro 2019.

Leia os fragmentos extraídos do texto III:

I. Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada.

II. E hoje sei, pensando neles,
que são barcos de ouro os meus ideais.

III. Foram-se embora e não voltaram mais!

Assinale a alternativa correta quanto à constituição das orações que compõem os períodos:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Classificar as orações dos três fragmentos.

Em I, “Quando a chuva cessava…” é subordinada adverbial temporal. Em II, “que são barcos de ouro os meus ideais” é subordinada substantiva objetiva direta de “sei”. Em III, “Foram-se embora e não voltaram mais” tem duas orações coordenadas, sem subordinação.

Análise das alternativas

A) Em III não há oração subordinada. B) Há coordenadas em III, e a constituição de I e II não é só de coordenadas. D) “Pensando neles” é reduzida de gerúndio, mas o item erra ao falar em explicativa em III, que é aditiva. E) Erra ao chamar a oração de II de “adverbial substantiva subjetiva”, termo inexistente.

Referência: Período composto: coordenação e subordinação.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Colocação Pronominal

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto III
SONETO XXXII
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.

Fazia, de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles

Perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

Guilherme de Almeida
Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos-escolhidos Acesso em 10 Outubro 2019.

Sobre a colocação pronominal, assinale a alternativa que completa corretamente a sentença a seguir:

O pronome em destaque em “Foram-se embora e não voltaram mais” (última estrofe) está na posição de:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Colocação do pronome em “Foram-se embora”.

O verbo “Foram” inicia o período, e a norma-padrão não admite começar oração com pronome oblíquo átono. Por isso o pronome vem depois do verbo, em ênclise: “Foram-se”.

Análise das alternativas

A) “embora” não atrai o pronome nesse caso, e ele está depois do verbo. B) Não há termo atrativo; a ênclise ocorre por causa do início do período. C) Não há mesóclise, que ocorre no meio de verbos no futuro. D) O pronome está após o verbo, então é ênclise, não próclise.

Referência: Colocação pronominal (ênclise, próclise e mesóclise).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto I
A menina e a tempestade
01 A garota costumava caminhar todos os dias até a escola. Uma tarde de tempestade, ela
começou a demorar muito; os ventos sopravam cada vez com mais força, os trovões e raios
sacudiam a vizinhança.
A mãe, preocupada, telefonou para a escola, e informaram que a menina já havia saído.
05 Ao ver que ela não chegava, colocou uma capa de chuva, e saiu – imaginando que a filha
devia estar paralisada de medo, escondida talvez na casa de um vizinho, chorando, e esperando
a tempestade passar.
Para sua tranquilidade, assim que dobrou a esquina, viu a menina andando lentamente
em direção a casa; mas parava cada vez que caía um raio, olhava para o céu, e sorria.
10 A mãe chegou correndo, colocou a menina debaixo de sua capa, e perguntou por que ela
tinha demorado tanto.
“Você não está vendo os flashes?”, disse a criança. “Deus está tirando fotos de mim”.
Paulo Coelho
Disponível em: <http://g1.globo.com/platb/paulocoelho/2010/07/08/a-menina-e-a-tempestade/> Acesso em 10 Outubro 2019.

Texto II
"Que tempo lazarento: como o clima explica o curitibano"
01 Choveu tanto aqui
Que até caiu
Outro pingo no ï
(Álvaro Posselt, poeta curitibano, em um inspirado haikai sobre o clima da cidade)
05 Falar do tempo em Curitiba não é só uma forma de puxar papo. De dizer algo quando não se
tem nada a dizer. É item de primeira necessidade. Tomando emprestado o bordão de uma rádio, aqui,
“em 20 minutos, tudo pode mudar”. Levo ou não o guarda-chuva? Tenho de seguir o conselho de
mamãe: pegar o casaquinho para sair no sereno? Em se tratando de Curitiba, sempre é útil perguntar:
vai fazer sol? Ou será que vai chover?
10 Se bem que essa pergunta é retórica. Vai chover. Sempre chove. Pelo menos nesses tempos. E
que tempo la-za-ren-to! O tempo úmido e instável talvez explique Curitiba e sua gente. Afinal, ele é
tão ou mais curitibano que o lazarento. O termo, a expressão idiomática, que fique claro. Tanto
quanto a vina, o penal, o loki, o piá, a japona e os daís que usamos para encadear as boas histórias.
Tá bom, as ruins também.
15 Mas voltemos ao tempo. Nosso clima é mesmo lazarento. Um punhadinho de dias de sol num
mês inteiro?! Em pleno verão?! Tá de brincadeira?! A verdade é que a gente nem devia reclamar. Já
tínhamos de estar acostumados. Sempre foi assim.
Duvida? Em 2014, para promover as delícias do país tropical abençoado por Deus (e atrair
estrangeiros para a Copa do Mundo), a Embratur lançou uma ferramenta on-line para mostrar
20 quantos dias de sol por ano fazia em cada cidade do planeta. A ideia era mostrar como o Brasil era
ensolarado. Mas deu ruim. Pelo menos por aqui. Curitiba ficou atrás até de Londres. Veja bem: da
Londres mundialmente famosa pelo seu clima… sem querer ofender… lazarento! Pior para nós: de
cada três dias, apenas um tem céu completamente aberto na capital das araucárias.
Tenho para mim que o cacique Tindiquera era um gozador. Pudera: o índio entregaria assim
25 de mão beijada as suas melhores terras para o homem branco? Reza a lenda que foi ele que guiou os
portugueses desbravadores do Primeiro Planalto, escolheu um local, fincou uma estaca no chão, e
disse: “É aqui! Construam sua cidade aqui”. E deve ter pensado, rindo: “Perdeu, cara-pálida”.
Agora já era. Aqui está Curitiba, erguida ao redor daquela estaca. Em meio àquele brejo.
Bafejada pela umidade do mar que sobe a serra e vira nuvem. Na esquina onde o vento faz a curva e
30 se dão os encontros furtivos das frentes frias com o ar amazônico. Resumo da ópera-bufa: chuva e
umidade sobre nossas cabeças.
E por falar em bufa, lembrei-me dos bufos. Traduzindo da terminologia zoológica: sapos.
Curitiba foi conhecida por muito tempo como Sapolândia, a terra dos sapos. Darwin explica:
adaptação evolutiva ao ambiente. Um ambiente, no nosso caso, ‘pra’ lá de úmido. Paraíso dos
35 batráquios. E até há não muito tempo, eles pulavam aos montes nos quintais das casas. Cada família
tinha o seu bufo de estimação.
Porém, a cidade foi crescendo e ficando metida demais para se orgulhar da velha alcunha. E os
sapos sumiram. Mas não é que dia desses, em meio a um dos dilúvios que nos acometeram neste
verão molhado, um senhor bufo pensou que a Rua XV tinha voltado a ser um aprazível banhado e
40 reapareceu todo faceiro em pleno calçadão? Senhor sapo, obrigado por nos lembrar o que Curitiba é
em essência: água. Muita água.
Não tem jeito mesmo. Queiramos ou não, isso nos afeta. “Eu sou eu e minha circunstância”, já
dizia Ortega y Gasset. E nossa circunstância é a umidade inevitável. Mas talvez até tenha um lado
bom. Chuvinha: bom para ficar em casa. Quem sabe não seja por isso que o curitibano é um sujeito
45 tão família, tão apegado aos seus.
Alguém pode contrapor: “Nada a ver; nosso clima é úmido e o curitibano é seco”. É o que
muitos dizem. Pode ser que seja a lei da compensação. Mas também dizem que isso está mudando.
Como o tempo.
Talvez o mais certo seja dizer que somos como nosso clima. Não, lazarentos, não! Se bem que
50 tem uns lazarentos por aí… Mas isso não vem ao caso. O fato é que por vezes somos fechados, como
o tempo. Mas, do mesmo jeito que por trás das nuvens do céu curitibano há um sol (acreditem, ele
existe!), atrás da nossa fama de antipáticos se esconde o calor humano."
"Viram? Não é que em Curitiba falar do tempo não é só um jeito de dizer algo quando não se
tem nada a dizer? E, aproveitando que vocês ainda estão aí, digam-me uma coisa: será que hoje vai
55 chover?"
Fernando Martins
Adaptado. Disponível em:< https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/fernando-martins/que-tempo-lazarento-como-o-clima-explica-o-curitibano/> Acesso em 10 outubro 2019.

Texto III
SONETO XXXII
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.

Fazia, de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles

Perfeitamente, exatamente iguais...
- Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

Guilherme de Almeida
Disponível em: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos-escolhidos Acesso em 10 Outubro 2019.

Após a leitura dos textos I, II e III, é possível identificar um tema recorrente dentre eles. Em alguns, como parte da ideia central, em outros, como uma das ideias secundárias que contribuem na construção da temática principal. No que se refere a esse tópico comum, bem como a outros elementos que caracterizam esses textos, é incorreto afirmar:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Item incorreto sobre a comparação entre os textos I, II e III.

A alternativa C é a incorreta. No texto I, a tempestade não é só descrição secundária: ela é o cenário e o núcleo da narrativa, e o humor/sentido vem da fala da criança em meio à tormenta. Além disso, o texto II trata do clima ligado ao caráter e à identidade do curitibano, não só ao humor das pessoas.

Análise das alternativas

A) A chuva aparece nos três textos, que são de gêneros diferentes (conto, crônica e soneto). B) Está correta: há verso e prosa, com diferenças temáticas e composicionais. D) O soneto se distingue do haikai pela forma (14 versos contra 3) e pelo tratamento da chuva (memória/nostalgia contra exagero humorístico). E) O texto II é o mais longo, trata do clima e usa tom de conversa, o que é verdade.

Referência: Interpretação e comparação de textos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto IV
Tirinha em três quadrinhos em preto e branco. 1: um rapaz debruçado sobre a mesa, suando, ao lado de um ventilador que faz "zum, zum, zum", diz: "Ai, que calor! Que sol é este? Bem que poderia chover...". 2: sob um guarda-chuva, com chuva forte e um trovão "Kraboom!", ele diz: "Mas que raios de chuva é esta?! Caramba!". 3: ainda sob o guarda-chuva, com o sol aparecendo, diz: "Tá bom! Não reclamo mais...".
Disponível em:< http://tirinhasdofreeky.blogspot.com/2012/02/tirinha-004-sol-ou-chuva.html?m=1> Acesso em 10 Outubro 2019.
Quadrinho 1:
(Zum, Zum, Zum)
Ai, que calor! Que sol é este? Bem que poderia chover...
Quadrinho 2:
(Kraboom!)
Mas que raios de chuva é esta?! Caramba!
Quadrinho 3:
Tá bom! Não reclamo mais...

Texto V
Tirinha colorida "Cientirinhas #49", em quatro quadrinhos. 1: dois rapazes à janela, em dia de chuva; um diz "Hummm..." e o outro "Adoro esse cheiro de terra molhada!". 2: vista da casa sob a chuva, com as falas "Na verdade esse cheiro vem de compostos químicos exalados por plantas e bactérias no solo." e "O impacto das gotas lança essas substâncias no ar.". 3: em silhueta, um deles reclama: "Aff... você tinha que estragar a poesia do momento com a sua ciência, né?". 4: um diz "Cara!" e o outro, encantado: "Por um instante fugaz, plantas e bactérias perfumam nossas vidas usando a chuva como borrifador!" e "Se isso não for poesia, eu não sei o que é.". Assinatura: Merlin.
Disponível em:< http://dragoesdegaragem.com/wp-content/uploads/2016/12/cientirinhas49_450.jpg> Acesso em 10 Outubro 2019.

Sobre os textos IV e V, leia as afirmações abaixo.
I. Os dois textos apresentam humor e ironia.
II. Os dois textos apresentam subjetividade.
III. O texto V apresenta ironia, enquanto o texto IV, além de humor, apresenta informatividade.
IV. No texto V, enquanto uma personagem discorre sobre a chuva de modo mais afetivo no primeiro quadrinho, a outra se refere ao fenômeno a partir de termos científicos no segundo quadrinho.
V. No último quadrinho do texto IV, a personagem demonstra um sentimento de conformidade. Já no texto V, o sentimento que uma das personagens exibe é de encantamento.

Está correto o que se afirma em:
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Significação das Palavras

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto IV
Tirinha em três quadrinhos em preto e branco. 1: um rapaz debruçado sobre a mesa, suando, ao lado de um ventilador que faz "zum, zum, zum", diz: "Ai, que calor! Que sol é este? Bem que poderia chover...". 2: sob um guarda-chuva, com chuva forte e um trovão "Kraboom!", ele diz: "Mas que raios de chuva é esta?! Caramba!". 3: ainda sob o guarda-chuva, com o sol aparecendo, diz: "Tá bom! Não reclamo mais...".
Disponível em:< http://tirinhasdofreeky.blogspot.com/2012/02/tirinha-004-sol-ou-chuva.html?m=1> Acesso em 10 Outubro 2019.
Quadrinho 1:
(Zum, Zum, Zum)
Ai, que calor! Que sol é este? Bem que poderia chover...
Quadrinho 2:
(Kraboom!)
Mas que raios de chuva é esta?! Caramba!
Quadrinho 3:
Tá bom! Não reclamo mais...

Texto V
Tirinha colorida "Cientirinhas #49", em quatro quadrinhos. 1: dois rapazes à janela, em dia de chuva; um diz "Hummm..." e o outro "Adoro esse cheiro de terra molhada!". 2: vista da casa sob a chuva, com as falas "Na verdade esse cheiro vem de compostos químicos exalados por plantas e bactérias no solo." e "O impacto das gotas lança essas substâncias no ar.". 3: em silhueta, um deles reclama: "Aff... você tinha que estragar a poesia do momento com a sua ciência, né?". 4: um diz "Cara!" e o outro, encantado: "Por um instante fugaz, plantas e bactérias perfumam nossas vidas usando a chuva como borrifador!" e "Se isso não for poesia, eu não sei o que é.". Assinatura: Merlin.
Disponível em:< http://dragoesdegaragem.com/wp-content/uploads/2016/12/cientirinhas49_450.jpg> Acesso em 10 Outubro 2019.

Enunciado: No trecho do texto V: “Na verdade esse cheiro vem de compostos químicos exalados por plantas e bactérias no solo”, o termo em destaque poderia ser substituído por qual alternativa, sem interferir no sentido da frase? A palavra “exalados” está em negrito.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Conjunções Subordinativas

Colégio Militar de Curitiba 2019 Fundamental

Colégio Militar de Curitiba · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto IV
Tirinha em três quadrinhos em preto e branco. 1: um rapaz debruçado sobre a mesa, suando, ao lado de um ventilador que faz "zum, zum, zum", diz: "Ai, que calor! Que sol é este? Bem que poderia chover...". 2: sob um guarda-chuva, com chuva forte e um trovão "Kraboom!", ele diz: "Mas que raios de chuva é esta?! Caramba!". 3: ainda sob o guarda-chuva, com o sol aparecendo, diz: "Tá bom! Não reclamo mais...".
Disponível em:< http://tirinhasdofreeky.blogspot.com/2012/02/tirinha-004-sol-ou-chuva.html?m=1> Acesso em 10 Outubro 2019.
Quadrinho 1:
(Zum, Zum, Zum)
Ai, que calor! Que sol é este? Bem que poderia chover...
Quadrinho 2:
(Kraboom!)
Mas que raios de chuva é esta?! Caramba!
Quadrinho 3:
Tá bom! Não reclamo mais...

Texto V
Tirinha colorida "Cientirinhas #49", em quatro quadrinhos. 1: dois rapazes à janela, em dia de chuva; um diz "Hummm..." e o outro "Adoro esse cheiro de terra molhada!". 2: vista da casa sob a chuva, com as falas "Na verdade esse cheiro vem de compostos químicos exalados por plantas e bactérias no solo." e "O impacto das gotas lança essas substâncias no ar.". 3: em silhueta, um deles reclama: "Aff... você tinha que estragar a poesia do momento com a sua ciência, né?". 4: um diz "Cara!" e o outro, encantado: "Por um instante fugaz, plantas e bactérias perfumam nossas vidas usando a chuva como borrifador!" e "Se isso não for poesia, eu não sei o que é.". Assinatura: Merlin.
Disponível em:< http://dragoesdegaragem.com/wp-content/uploads/2016/12/cientirinhas49_450.jpg> Acesso em 10 Outubro 2019.

Analise o termo destacado a seguir e o período do qual ele faz parte:

“Se isso não for poesia, então eu não sei o que é” (Texto V, último quadrinho)

Assinale a alternativa cujo conectivo melhor substitui o termo destacado anteriormente, sem acarretar alteração no seu valor semântico-discursivo, isto é, no seu sentido:
Selecione uma alternativa