← Voltar para a lista de provas Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro — DECEx/DEPA) · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental 21 questões nesta prova · página 1 de 2 · 20 com gabarito Gabarito disponível O título remete diretamente ao conto original. 'João e o pé de feijão-preto' retoma o título do conto 'João e o pé de feijão', sendo a marca explícita da intertextualidade. B é fórmula comum a muitos contos. C descreve a situação, sem retomar o texto original. D e E são comentários do narrador e do gigante, sem relação direta com o conto retomado. Referência: Intertextualidade Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O pressuposto é de que o menino costuma fazer travessuras. 'O que você fez desta vez?' pressupõe que já houve outras vezes, e que foram ruins. Logo, o menino era comumente travesso. B, D e E sugerem coisas boas ou comportamento exemplar, o que contraria a pergunta. C afirma que desobedecer não era frequente, o contrário do pressuposto. Referência: Pressupostos e subentendidos Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Vírgula do vocativo. Em 'Meu filho, nosso dinheiro...', a vírgula isola o vocativo. O mesmo ocorre em 'Espere aí, seu patife, vais virar...', com 'seu patife' como vocativo. A: isola adjunto adverbial e oração. B: isola o adjetivo deslocado 'Desapontada'. D: separa orações coordenadas antes de 'mas' e a exclamação 'Puxa'. E: separa orações do imperativo. Referência: Vocativo e vírgula Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível A, B, C e D usam onomatopeias; E usa alongamento de letras. 'Glu-glu', 'Pou!', 'snif' e 'ploc' reproduzem sons, ou seja, onomatopeias. Em E, 'beeeeeeem' é o alongamento da vogal para enfatizar o comprimento do escorregador, efeito de intensificação e não de som. A, B, C e D têm o mesmo efeito de sentido, que é imitar sons. Referência: Onomatopeia e recursos expressivos Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível As repetições intensificam a descrição. 'Pobres, muito pobres, pobres de dar dó' e 'muito grande, muitíssimo grande, muitíssimo grandíssimo' reforçam, por repetição e gradação, a pobreza e o tamanho do castelo. É a intensificação das características. A: não há julgamento das ações. B: não se explicam palavras. C: a percepção não é disfarçada. E: não se trata do tempo. Referência: Figuras de linguagem: repetição e intensificação Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O 'no entanto' marca uma mudança no fluxo dos acontecimentos. Quando João estava quase saindo, a perua faz 'glu-glu' e o gigante acorda. A ressalva do narrador anuncia que algo vai quebrar a expectativa de fuga tranquila, mudando o rumo da ação. A: não há volta no tempo. B: o narrador não duvida dos fatos. D: não há confusão de espaço. E: ele não questiona as ações, só indica a reviravolta. Referência: Narrador e enredo Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Os parênteses destacam o contraste com os fatos anteriores. As vacas que davam leite e as galinhas que botavam ovos de verdade contrastam com a vaca que secou e com o ovo de ouro, que não é um ovo comum. Os parênteses enfatizam fatos diferentes dos anteriores. A: não há intromissão no desfecho. B: não se corrige nada. C: o gabarito considera a ênfase no contraste, não só explicação. E: não há contestação do dicionário. Referência: Pontuação: uso dos parênteses Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Mãe de João: honestidade; lobo: autonomia. A mãe devolve a perua e pede desculpas, mesmo podendo ficar com ela, o que mostra honestidade. O lobo rejeita a coleira para manter a liberdade, ou seja, a autonomia. A, C, D e E atribuem à mãe e ao lobo valores que o texto não sustenta (conivência, passividade, cumplicidade, ingenuidade). Referência: Comparação entre textos I e II Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A virada ocorre quando o lobo nota a coleira. Até ali o lobo aceitava a proposta. Ao notar a coleira, 'Logo, porém', ele percebe a falta de liberdade e muda de ideia, o que altera o desfecho: ele recusa e vai embora. A, B, C e D mostram apenas a proposta e a aceitação do lobo, sem mudança no rumo da história. Referência: Monteiro Lobato, O Cão e o Lobo Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Civilizar-se significa abandonar os hábitos selvagens. O cão diz: 'abandone esse viver errante, esses hábitos selvagens e se civilize'. Civilizar-se é, portanto, abandonar os hábitos originais do lobo. A: a servidão é a consequência, não o que se pede. B: o viver errante deve ser abandonado. C: a docilidade é uma tarefa, não o sentido de civilizar-se. E: não há proposta de conciliar floresta e cidade. Referência: Monteiro Lobato, O Cão e o Lobo Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A moral é preferir pobreza com independência a fartura com sujeição. O lobo recusa a comida farta por causa da coleira e diz preferir 'magro e faminto, porém livre'. A moral sintetizada é: antes a pobreza com independência do que a fartura com sujeição. A e B tratam de vaidade e orgulho, que não são o motivo do lobo. C inverte a escolha dele. D diz 'liberdade com fartura', o que não é a situação: o lobo escolhe a liberdade mesmo com a miséria. Referência: Monteiro Lobato, O Cão e o Lobo Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A enumeração cria expectativa para o impacto da revelação final. Ao negar que fosse cão, gato ou rato, o poeta prepara o leitor para a revelação: 'era um homem'. O choque sensibiliza para a condição humana degradada. A e B não se relacionam ao sentido do poema. D: os bichos não são caracterizados. E: o descarte de resíduos é só o cenário. Referência: Manuel Bandeira, O bicho Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O poema denuncia a desigualdade no acesso ao alimento. O eu lírico vê um homem reduzido à condição de bicho, catando comida entre detritos. Isso aponta para a desigualdade no acesso ao alimento, que é a questão central. A: os animais são citados apenas para comparação. B: o lixo é o cenário, não o tema. C: o foco não é o valor nutricional. E: higiene não é o problema levantado. Referência: Manuel Bandeira, O bicho Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível A voracidade do homem do poema corresponde à competição por alimentos. Engolir com voracidade revela urgência e disputa pelo pouco alimento disponível. No primeiro parágrafo do texto IV, prevê-se uma 'competição por alimentos sem precedentes'. Portanto, a correspondência é a concorrência por comida disponível. A, B, D e E tratam de áreas plantadas, produtos processados, ritmo de produção ou hábitos urbanos, temas que não aparecem no verso nem no primeiro parágrafo do texto IV. Referência: Comparação entre textos Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível O tema comum aos quatro textos é a luta pela sobrevivência. No texto I, a família passa fome e depende da vaca. No II, o lobo faminto busca comida. No III, um homem cata comida no lixo. No IV, discute-se o risco de escassez de alimentos. Em todos, o fio condutor é a luta pela sobrevivência. B: no texto I e no texto II os alimentos acabam sendo encontrados, então não há impossibilidade geral. C: tecnologia aparece só no texto IV. D: o texto IV aponta soluções científicas. E: sustentabilidade não é tema dos demais textos. Referência: Interpretação e comparação de textos Resolução comentada do VaiConcursos.Colégio Militar do Rio de Janeiro — Concurso de Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental 2019/2020 — Prova de Português
Texto I:
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa
noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca
com o homem de cavanhaque.
O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
20 Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: Às vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen.
João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
Segundo o verbete do Dicionário Michaelis on-line:
Intertextualidade:
Superposição de um texto literário em relação a um ou mais textos anteriores.
Processo de produção de um texto literário que parte de vários outros e com
eles se imbrica.
Disponível : <http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=intertextualidade>,
Acesso em 01 de out de 2019
O texto I desta prova revela intertextualidade com o conto de fadas “João e o pé de feijão”. A passagem
que confirma essa superposição de texto éResolução comentada
Análise das alternativas
Texto I:
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa
noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca
com o homem de cavanhaque.
O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
20 Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: Às vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen.
João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
Na frase dita pela mãe a João “— O que você fez desta vez?” (linha 64), existe o pressuposto de queResolução comentada
Análise das alternativas
Texto I:
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa
noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca
com o homem de cavanhaque.
O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
20 Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: Às vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen.
João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
Na frase “— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou.” (linha 7), usou-se a vírgula pelo
mesmo motivo em que foi usada na passagemResolução comentada
Análise das alternativas
Texto I:
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa
noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca
com o homem de cavanhaque.
O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
20 Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: Às vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen.
João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
Na passagem “O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio” (linha
19), a palavra em destaque relaciona as palavras “voltou” e “casa”, estabelecendo uma relação de sentido
equivalente ao do termo sublinhado em
Reprodução da questão com os destaques originais (negrito e sublinhado):
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Texto I:
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa
noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca
com o homem de cavanhaque.
O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
20 Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: Às vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen.
João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
Na construção das frases abaixo, foram empregados recursos expressivos que geram efeitos de sentido
semelhantes. A passagem em que ocorre um efeito de sentido diferente dos demais éResolução comentada
Análise das alternativas
Texto I:
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa
noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca
com o homem de cavanhaque.
O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
20 Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: Às vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen.
João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
As repetições “eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó” (linha 3) e “Ele era muito grande,
muitíssimo grande, muitíssimo grandíssimo!” (linhas 29 e 30) sugerem que o narradorResolução comentada
Análise das alternativas
Texto I:
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa
noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca
com o homem de cavanhaque.
O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
20 Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: Às vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen.
João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
No decorrer da história, em “quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um ‘no entanto’ nas
histórias)” (linha 55), o narrador faz uma ressalva que demonstraResolução comentada
Análise das alternativas
Texto I:
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa
noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca
com o homem de cavanhaque.
O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
20 Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: Às vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen.
João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
No trecho “A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
(que botavam ovos de verdade).” (linha 79), os parênteses, de acordo com o contexto, indicam um (a)Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto I:
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa
noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca
com o homem de cavanhaque.
O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
20 Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: Às vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen.
João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
Texto II:
O Cão e o Lobo
1 Um lobo muito magro e faminto, todo pele e ossos, pôs-se um dia a filosofar sobre as
tristezas da vida. E nisso estava quando lhe surge pela frente um cão — mas um cão e tanto,
gordo, forte, de pelo fino e lustroso.
Espicaçado pela fome, o lobo teve ímpeto de
5 atirar-se a ele. A prudência, entretanto, cochichou-lhe
ao ouvido: “Cuidado! Quem se mete a lutar com um
cão desses sai perdendo”.
O lobo aproximou-se do cão com toda a
cautela e disse:
10 — Bravos! Palavra de honra que nunca vi um
cão mais gordo nem mais forte. Que pernas rijas, que
pelo macio! Vê-se que o amigo se trata...
— É verdade! — respondeu o cão. Confesso
que tenho tratamento de fidalgo. Mas, amigo lobo,
15 suponho que você pode levar a mesma boa vida que
levo.
― Como?
— Basta que abandone esse viver errante,
esses hábitos selvagens e se civilize, como eu.
20 — Explique-me lá isso por miúdo, pediu o lobo com um brilho de esperança nos olhos.
— É fácil. Eu apresento você ao meu senhor. Ele, está claro, simpatiza-se e dá a você o
mesmo tratamento que dá a mim: bons ossos de galinha, nacos de carne, um canil com palha
macia. Além disso, agrados, mimos a toda hora, palmadas amigas, um nome.
— Aceito! — respondeu o lobo. Quem não deixará uma vida miserável como esta por uma
25 de regalos assim?
— Em troca disso — continuou o cão — você guardará o terreiro, não deixando entrar
ladrões nem vagabundos. Agradará ao senhor e à sua família, sacudindo a cauda e lambendo a
mão de todos.
— Fechado! — resolveu o lobo e emparelhando-se com o cachorro partiu a caminho da
30 casa. Logo, porém, notou que o cachorro estava de coleira.
— Que diabo é isso que você tem no pescoço?
— É a coleira.
— E para que serve?
— Para me prenderem à corrente.
35 — Então não é livre, não vai para onde quer, como eu?
— Nem sempre. Passo às vezes vários dias preso, conforme a veneta do meu senhor. Mas
que tem isso, se a comida é boa e vem à hora certa?
O lobo entreparou, refletiu e disse:
— Sabe do que mais? Até logo! Prefiro viver magro e faminto, porém livre e dono do meu
40 focinho, a viver gordo e liso como você, mas de coleira ao pescoço. Fique-se lá com a sua gordura
de escravo que eu me contento com a minha magreza de lobo livre.
E afundou no mato.
LOBATO, Monteiro, in Fábulas: O Cão e o Lobo. Brasiliense, São Paulo, 2002, p. 29
Comparando-se os textos I e II, percebe-se que tanto a mãe de João quanto o lobo não abrem mão de
certos valores, que são, respectivamente,Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto II:
O Cão e o Lobo
1 Um lobo muito magro e faminto, todo pele e ossos, pôs-se um dia a filosofar sobre as
tristezas da vida. E nisso estava quando lhe surge pela frente um cão — mas um cão e tanto,
gordo, forte, de pelo fino e lustroso.
Espicaçado pela fome, o lobo teve ímpeto de
5 atirar-se a ele. A prudência, entretanto, cochichou-lhe
ao ouvido: “Cuidado! Quem se mete a lutar com um
cão desses sai perdendo”.
O lobo aproximou-se do cão com toda a
cautela e disse:
10 — Bravos! Palavra de honra que nunca vi um
cão mais gordo nem mais forte. Que pernas rijas, que
pelo macio! Vê-se que o amigo se trata...
— É verdade! — respondeu o cão. Confesso
que tenho tratamento de fidalgo. Mas, amigo lobo,
15 suponho que você pode levar a mesma boa vida que
levo.
― Como?
— Basta que abandone esse viver errante,
esses hábitos selvagens e se civilize, como eu.
20 — Explique-me lá isso por miúdo, pediu o lobo com um brilho de esperança nos olhos.
— É fácil. Eu apresento você ao meu senhor. Ele, está claro, simpatiza-se e dá a você o
mesmo tratamento que dá a mim: bons ossos de galinha, nacos de carne, um canil com palha
macia. Além disso, agrados, mimos a toda hora, palmadas amigas, um nome.
— Aceito! — respondeu o lobo. Quem não deixará uma vida miserável como esta por uma
25 de regalos assim?
— Em troca disso — continuou o cão — você guardará o terreiro, não deixando entrar
ladrões nem vagabundos. Agradará ao senhor e à sua família, sacudindo a cauda e lambendo a
mão de todos.
— Fechado! — resolveu o lobo e emparelhando-se com o cachorro partiu a caminho da
30 casa. Logo, porém, notou que o cachorro estava de coleira.
— Que diabo é isso que você tem no pescoço?
— É a coleira.
— E para que serve?
— Para me prenderem à corrente.
35 — Então não é livre, não vai para onde quer, como eu?
— Nem sempre. Passo às vezes vários dias preso, conforme a veneta do meu senhor. Mas
que tem isso, se a comida é boa e vem à hora certa?
O lobo entreparou, refletiu e disse:
— Sabe do que mais? Até logo! Prefiro viver magro e faminto, porém livre e dono do meu
40 focinho, a viver gordo e liso como você, mas de coleira ao pescoço. Fique-se lá com a sua gordura
de escravo que eu me contento com a minha magreza de lobo livre.
E afundou no mato.
LOBATO, Monteiro, in Fábulas: O Cão e o Lobo. Brasiliense, São Paulo, 2002, p. 29
No texto II, ocorre, em certo momento, uma mudança radical no desenlace dos acontecimentos. A
passagem que ilustra essa transformação éResolução comentada
Análise das alternativas
Texto II:
O Cão e o Lobo
1 Um lobo muito magro e faminto, todo pele e ossos, pôs-se um dia a filosofar sobre as
tristezas da vida. E nisso estava quando lhe surge pela frente um cão — mas um cão e tanto,
gordo, forte, de pelo fino e lustroso.
Espicaçado pela fome, o lobo teve ímpeto de
5 atirar-se a ele. A prudência, entretanto, cochichou-lhe
ao ouvido: “Cuidado! Quem se mete a lutar com um
cão desses sai perdendo”.
O lobo aproximou-se do cão com toda a
cautela e disse:
10 — Bravos! Palavra de honra que nunca vi um
cão mais gordo nem mais forte. Que pernas rijas, que
pelo macio! Vê-se que o amigo se trata...
— É verdade! — respondeu o cão. Confesso
que tenho tratamento de fidalgo. Mas, amigo lobo,
15 suponho que você pode levar a mesma boa vida que
levo.
― Como?
— Basta que abandone esse viver errante,
esses hábitos selvagens e se civilize, como eu.
20 — Explique-me lá isso por miúdo, pediu o lobo com um brilho de esperança nos olhos.
— É fácil. Eu apresento você ao meu senhor. Ele, está claro, simpatiza-se e dá a você o
mesmo tratamento que dá a mim: bons ossos de galinha, nacos de carne, um canil com palha
macia. Além disso, agrados, mimos a toda hora, palmadas amigas, um nome.
— Aceito! — respondeu o lobo. Quem não deixará uma vida miserável como esta por uma
25 de regalos assim?
— Em troca disso — continuou o cão — você guardará o terreiro, não deixando entrar
ladrões nem vagabundos. Agradará ao senhor e à sua família, sacudindo a cauda e lambendo a
mão de todos.
— Fechado! — resolveu o lobo e emparelhando-se com o cachorro partiu a caminho da
30 casa. Logo, porém, notou que o cachorro estava de coleira.
— Que diabo é isso que você tem no pescoço?
— É a coleira.
— E para que serve?
— Para me prenderem à corrente.
35 — Então não é livre, não vai para onde quer, como eu?
— Nem sempre. Passo às vezes vários dias preso, conforme a veneta do meu senhor. Mas
que tem isso, se a comida é boa e vem à hora certa?
O lobo entreparou, refletiu e disse:
— Sabe do que mais? Até logo! Prefiro viver magro e faminto, porém livre e dono do meu
40 focinho, a viver gordo e liso como você, mas de coleira ao pescoço. Fique-se lá com a sua gordura
de escravo que eu me contento com a minha magreza de lobo livre.
E afundou no mato.
LOBATO, Monteiro, in Fábulas: O Cão e o Lobo. Brasiliense, São Paulo, 2002, p. 29
Uma das condições para que o lobo seja aceito na casa do dono do cão é “civilizar-se”. De acordo com
o texto, isso significa que o lobo deveriaResolução comentada
Análise das alternativas
Texto II:
O Cão e o Lobo
1 Um lobo muito magro e faminto, todo pele e ossos, pôs-se um dia a filosofar sobre as
tristezas da vida. E nisso estava quando lhe surge pela frente um cão — mas um cão e tanto,
gordo, forte, de pelo fino e lustroso.
Espicaçado pela fome, o lobo teve ímpeto de
5 atirar-se a ele. A prudência, entretanto, cochichou-lhe
ao ouvido: “Cuidado! Quem se mete a lutar com um
cão desses sai perdendo”.
O lobo aproximou-se do cão com toda a
cautela e disse:
10 — Bravos! Palavra de honra que nunca vi um
cão mais gordo nem mais forte. Que pernas rijas, que
pelo macio! Vê-se que o amigo se trata...
— É verdade! — respondeu o cão. Confesso
que tenho tratamento de fidalgo. Mas, amigo lobo,
15 suponho que você pode levar a mesma boa vida que
levo.
― Como?
— Basta que abandone esse viver errante,
esses hábitos selvagens e se civilize, como eu.
20 — Explique-me lá isso por miúdo, pediu o lobo com um brilho de esperança nos olhos.
— É fácil. Eu apresento você ao meu senhor. Ele, está claro, simpatiza-se e dá a você o
mesmo tratamento que dá a mim: bons ossos de galinha, nacos de carne, um canil com palha
macia. Além disso, agrados, mimos a toda hora, palmadas amigas, um nome.
— Aceito! — respondeu o lobo. Quem não deixará uma vida miserável como esta por uma
25 de regalos assim?
— Em troca disso — continuou o cão — você guardará o terreiro, não deixando entrar
ladrões nem vagabundos. Agradará ao senhor e à sua família, sacudindo a cauda e lambendo a
mão de todos.
— Fechado! — resolveu o lobo e emparelhando-se com o cachorro partiu a caminho da
30 casa. Logo, porém, notou que o cachorro estava de coleira.
— Que diabo é isso que você tem no pescoço?
— É a coleira.
— E para que serve?
— Para me prenderem à corrente.
35 — Então não é livre, não vai para onde quer, como eu?
— Nem sempre. Passo às vezes vários dias preso, conforme a veneta do meu senhor. Mas
que tem isso, se a comida é boa e vem à hora certa?
O lobo entreparou, refletiu e disse:
— Sabe do que mais? Até logo! Prefiro viver magro e faminto, porém livre e dono do meu
40 focinho, a viver gordo e liso como você, mas de coleira ao pescoço. Fique-se lá com a sua gordura
de escravo que eu me contento com a minha magreza de lobo livre.
E afundou no mato.
LOBATO, Monteiro, in Fábulas: O Cão e o Lobo. Brasiliense, São Paulo, 2002, p. 29
Embora o texto II seja uma fábula, não deixa explícita uma “moral”. Considerando a conduta do lobo,
essa moral pode ser sintetizada porResolução comentada
Análise das alternativas
Texto III:
O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
BANDEIRA, Manuel. Estrela da Vida Inteira. 20ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
Nos versos O bicho não era um cão / Não era um gato / Não era um rato, a enumeração relacionada a
esses bichos cria uma expectativa com o objetivo deResolução comentada
Análise das alternativas
Texto III:
O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
BANDEIRA, Manuel. Estrela da Vida Inteira. 20ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
A questão central que o poeta levanta consiste no/naResolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV:
COMO SERÁ A ALIMENTAÇÃO DOS HUMANOS NO FUTURO?
Adaptado de Maria Luciana Rincon
1 Com o aumento da população mundial, a redução de recursos e mudanças na dieta, muita
gente prevê que no futuro a humanidade enfrentará uma competição por alimentos sem
precedentes. Aliás, segundo os mais fatalistas, se as coisas continuarem como estão, por volta do
ano 2050 seremos testemunhas de uma onda de fome que poderá afetar todo o planeta.
5 Algumas estimativas apontam que dentro de apenas uma ou duas gerações a população
mundial terá aumentado em alguns bilhões de habitantes, e boa parte dessa gente toda se
concentrará em grandes centros urbanos. Assim, além da falta de recursos naturais, é preciso
encontrar formas de fazer com que os alimentos cheguem até essas áreas e supram as
necessidades de todos.
10 Por sorte, já existem cientistas quebrando a cabeça para encontrar soluções para a
iminente crise de alimentos, apostando na tecnologia e na ciência para isso. Uma saída talvez seja
uma mudança na dieta e, para Richard Archer, um desses cientistas preocupados, dentro de um
período de 25 anos, a alimentação humana se baseará principalmente em produtos altamente
processados e — diferente dos itens disponíveis hoje em dia — nutricionalmente equilibrados.
15 Segundo Archer, além de nutritivos, os alimentos processados podem ser preservados por
mais tempo, além de serem mais facilmente transportados. Contudo, antes que eles substituam os
alimentos atuais, alguns problemas precisam ser contornados. Atualmente, quando falamos em
produtos processados, logo imaginamos alimentos recheados de gordura, sal e açúcar. As opções
mais equilibradas existem, mas não agradam ao paladar dos consumidores pela falta de sabor.
20 Assim, um dos maiores desafios da indústria de alimentos é encontrar formas de
desenvolver produtos processados que sejam saudáveis e também saborosos. Outro problema
para o futuro é o consumo de carne vermelha. Segundo Archer, a produção atual já é vista como
cara e ineficiente e, no futuro, com a já prevista escassez de água e espaço para o cultivo, esses
produtos se tornarão economicamente inviáveis.
25 Desta forma, o consumo de carnes se limitará a quantidades cada vez mais reduzidas,
dando lugar à ingestão de proteína animal misturada à proteína de origem vegetal e outros
ingredientes que garantirão o sabor e o valor nutricional dos alimentos.
Outra tendência apontada por Archer será o emprego de equipamentos 3D para imprimir
refeições e, de acordo com o cientista, esses dispositivos permitirão que os usuários fabriquem
30 suas criações culinárias e comidas que nem sequer existem ainda. Além disso, ele prevê o
desenvolvimento de tecnologias que permitam criar ingredientes livres de calorias e que possam
encapsular, cobrir, proteger e liberar nutrientes e compostos alimentares bioativos.
E, segundo Archer, as mudanças na dieta não se limitarão apenas aos humanos, pois,
conforme explicou, animais como frangos e peixes poderão ser alimentados com algas e insetos
35 cultivados industrialmente.
Entretanto, apesar de todo esse otimismo com respeito às soluções para o futuro, com uma
população mundial cada vez mais urbana e ávida por comodidades, suprir a necessidade de toda
essa gente — e ao mesmo tempo atender os gostos de todo mundo — não será uma tarefa nada
fácil.
Disponível:< https://www.megacurioso.com.br/sustentabilidade/44765-como-sera-a-alimentacao-dos-humanos-no-futuro.htm>. Acesso em 04 de out. de 2019
Na passagem “Segundo Archer, além de nutritivos, os alimentos processados podem ser preservados
por mais tempo” (linhas 15 e 16), a expressão em destaque revela a
Reprodução do trecho com o destaque original (negrito):
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Texto IV:
COMO SERÁ A ALIMENTAÇÃO DOS HUMANOS NO FUTURO?
Adaptado de Maria Luciana Rincon
1 Com o aumento da população mundial, a redução de recursos e mudanças na dieta, muita
gente prevê que no futuro a humanidade enfrentará uma competição por alimentos sem
precedentes. Aliás, segundo os mais fatalistas, se as coisas continuarem como estão, por volta do
ano 2050 seremos testemunhas de uma onda de fome que poderá afetar todo o planeta.
5 Algumas estimativas apontam que dentro de apenas uma ou duas gerações a população
mundial terá aumentado em alguns bilhões de habitantes, e boa parte dessa gente toda se
concentrará em grandes centros urbanos. Assim, além da falta de recursos naturais, é preciso
encontrar formas de fazer com que os alimentos cheguem até essas áreas e supram as
necessidades de todos.
10 Por sorte, já existem cientistas quebrando a cabeça para encontrar soluções para a
iminente crise de alimentos, apostando na tecnologia e na ciência para isso. Uma saída talvez seja
uma mudança na dieta e, para Richard Archer, um desses cientistas preocupados, dentro de um
período de 25 anos, a alimentação humana se baseará principalmente em produtos altamente
processados e — diferente dos itens disponíveis hoje em dia — nutricionalmente equilibrados.
15 Segundo Archer, além de nutritivos, os alimentos processados podem ser preservados por
mais tempo, além de serem mais facilmente transportados. Contudo, antes que eles substituam os
alimentos atuais, alguns problemas precisam ser contornados. Atualmente, quando falamos em
produtos processados, logo imaginamos alimentos recheados de gordura, sal e açúcar. As opções
mais equilibradas existem, mas não agradam ao paladar dos consumidores pela falta de sabor.
20 Assim, um dos maiores desafios da indústria de alimentos é encontrar formas de
desenvolver produtos processados que sejam saudáveis e também saborosos. Outro problema
para o futuro é o consumo de carne vermelha. Segundo Archer, a produção atual já é vista como
cara e ineficiente e, no futuro, com a já prevista escassez de água e espaço para o cultivo, esses
produtos se tornarão economicamente inviáveis.
25 Desta forma, o consumo de carnes se limitará a quantidades cada vez mais reduzidas,
dando lugar à ingestão de proteína animal misturada à proteína de origem vegetal e outros
ingredientes que garantirão o sabor e o valor nutricional dos alimentos.
Outra tendência apontada por Archer será o emprego de equipamentos 3D para imprimir
refeições e, de acordo com o cientista, esses dispositivos permitirão que os usuários fabriquem
30 suas criações culinárias e comidas que nem sequer existem ainda. Além disso, ele prevê o
desenvolvimento de tecnologias que permitam criar ingredientes livres de calorias e que possam
encapsular, cobrir, proteger e liberar nutrientes e compostos alimentares bioativos.
E, segundo Archer, as mudanças na dieta não se limitarão apenas aos humanos, pois,
conforme explicou, animais como frangos e peixes poderão ser alimentados com algas e insetos
35 cultivados industrialmente.
Entretanto, apesar de todo esse otimismo com respeito às soluções para o futuro, com uma
população mundial cada vez mais urbana e ávida por comodidades, suprir a necessidade de toda
essa gente — e ao mesmo tempo atender os gostos de todo mundo — não será uma tarefa nada
fácil.
Disponível:< https://www.megacurioso.com.br/sustentabilidade/44765-como-sera-a-alimentacao-dos-humanos-no-futuro.htm>. Acesso em 04 de out. de 2019
Algumas palavras são usadas para referir-se a termos ou a expressões do texto, estabelecendo entre
eles relações de sentido e evitando repetições. Observe essa relação no parágrafo abaixo:
“Outra tendência apontada por Archer será o emprego de equipamentos 3D para imprimir refeições
e, de acordo com o cientista, esses dispositivos permitirão que os usuários fabriquem suas criações
culinárias e comidas que nem sequer existem ainda. Além disso, ele prevê o desenvolvimento de
tecnologias que permitam criar ingredientes livres de calorias e que possam encapsular, cobrir, proteger e
liberar nutrientes e compostos alimentares bioativos.” (linhas 28-32)
Reprodução do parágrafo com os destaques originais (negrito e sublinhado):
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A análise do elemento coesivo destacado no fragmento está correta em
Texto IV:
COMO SERÁ A ALIMENTAÇÃO DOS HUMANOS NO FUTURO?
Adaptado de Maria Luciana Rincon
1 Com o aumento da população mundial, a redução de recursos e mudanças na dieta, muita
gente prevê que no futuro a humanidade enfrentará uma competição por alimentos sem
precedentes. Aliás, segundo os mais fatalistas, se as coisas continuarem como estão, por volta do
ano 2050 seremos testemunhas de uma onda de fome que poderá afetar todo o planeta.
5 Algumas estimativas apontam que dentro de apenas uma ou duas gerações a população
mundial terá aumentado em alguns bilhões de habitantes, e boa parte dessa gente toda se
concentrará em grandes centros urbanos. Assim, além da falta de recursos naturais, é preciso
encontrar formas de fazer com que os alimentos cheguem até essas áreas e supram as
necessidades de todos.
10 Por sorte, já existem cientistas quebrando a cabeça para encontrar soluções para a
iminente crise de alimentos, apostando na tecnologia e na ciência para isso. Uma saída talvez seja
uma mudança na dieta e, para Richard Archer, um desses cientistas preocupados, dentro de um
período de 25 anos, a alimentação humana se baseará principalmente em produtos altamente
processados e — diferente dos itens disponíveis hoje em dia — nutricionalmente equilibrados.
15 Segundo Archer, além de nutritivos, os alimentos processados podem ser preservados por
mais tempo, além de serem mais facilmente transportados. Contudo, antes que eles substituam os
alimentos atuais, alguns problemas precisam ser contornados. Atualmente, quando falamos em
produtos processados, logo imaginamos alimentos recheados de gordura, sal e açúcar. As opções
mais equilibradas existem, mas não agradam ao paladar dos consumidores pela falta de sabor.
20 Assim, um dos maiores desafios da indústria de alimentos é encontrar formas de
desenvolver produtos processados que sejam saudáveis e também saborosos. Outro problema
para o futuro é o consumo de carne vermelha. Segundo Archer, a produção atual já é vista como
cara e ineficiente e, no futuro, com a já prevista escassez de água e espaço para o cultivo, esses
produtos se tornarão economicamente inviáveis.
25 Desta forma, o consumo de carnes se limitará a quantidades cada vez mais reduzidas,
dando lugar à ingestão de proteína animal misturada à proteína de origem vegetal e outros
ingredientes que garantirão o sabor e o valor nutricional dos alimentos.
Outra tendência apontada por Archer será o emprego de equipamentos 3D para imprimir
refeições e, de acordo com o cientista, esses dispositivos permitirão que os usuários fabriquem
30 suas criações culinárias e comidas que nem sequer existem ainda. Além disso, ele prevê o
desenvolvimento de tecnologias que permitam criar ingredientes livres de calorias e que possam
encapsular, cobrir, proteger e liberar nutrientes e compostos alimentares bioativos.
E, segundo Archer, as mudanças na dieta não se limitarão apenas aos humanos, pois,
conforme explicou, animais como frangos e peixes poderão ser alimentados com algas e insetos
35 cultivados industrialmente.
Entretanto, apesar de todo esse otimismo com respeito às soluções para o futuro, com uma
população mundial cada vez mais urbana e ávida por comodidades, suprir a necessidade de toda
essa gente — e ao mesmo tempo atender os gostos de todo mundo — não será uma tarefa nada
fácil.
Disponível:< https://www.megacurioso.com.br/sustentabilidade/44765-como-sera-a-alimentacao-dos-humanos-no-futuro.htm>. Acesso em 04 de out. de 2019
No trecho “com uma população mundial cada vez mais urbana e ávida por comodidades” (linhas 36 e
37), o termo em negrito pode ser substituído, sem alteração de sentido do texto, pela palavra
Reprodução do trecho com o destaque original (negrito):
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Texto III:
O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
BANDEIRA, Manuel. Estrela da Vida Inteira. 20ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
Texto IV:
COMO SERÁ A ALIMENTAÇÃO DOS HUMANOS NO FUTURO?
Adaptado de Maria Luciana Rincon
1 Com o aumento da população mundial, a redução de recursos e mudanças na dieta, muita
gente prevê que no futuro a humanidade enfrentará uma competição por alimentos sem
precedentes. Aliás, segundo os mais fatalistas, se as coisas continuarem como estão, por volta do
ano 2050 seremos testemunhas de uma onda de fome que poderá afetar todo o planeta.
5 Algumas estimativas apontam que dentro de apenas uma ou duas gerações a população
mundial terá aumentado em alguns bilhões de habitantes, e boa parte dessa gente toda se
concentrará em grandes centros urbanos. Assim, além da falta de recursos naturais, é preciso
encontrar formas de fazer com que os alimentos cheguem até essas áreas e supram as
necessidades de todos.
10 Por sorte, já existem cientistas quebrando a cabeça para encontrar soluções para a
iminente crise de alimentos, apostando na tecnologia e na ciência para isso. Uma saída talvez seja
uma mudança na dieta e, para Richard Archer, um desses cientistas preocupados, dentro de um
período de 25 anos, a alimentação humana se baseará principalmente em produtos altamente
processados e — diferente dos itens disponíveis hoje em dia — nutricionalmente equilibrados.
15 Segundo Archer, além de nutritivos, os alimentos processados podem ser preservados por
mais tempo, além de serem mais facilmente transportados. Contudo, antes que eles substituam os
alimentos atuais, alguns problemas precisam ser contornados. Atualmente, quando falamos em
produtos processados, logo imaginamos alimentos recheados de gordura, sal e açúcar. As opções
mais equilibradas existem, mas não agradam ao paladar dos consumidores pela falta de sabor.
20 Assim, um dos maiores desafios da indústria de alimentos é encontrar formas de
desenvolver produtos processados que sejam saudáveis e também saborosos. Outro problema
para o futuro é o consumo de carne vermelha. Segundo Archer, a produção atual já é vista como
cara e ineficiente e, no futuro, com a já prevista escassez de água e espaço para o cultivo, esses
produtos se tornarão economicamente inviáveis.
25 Desta forma, o consumo de carnes se limitará a quantidades cada vez mais reduzidas,
dando lugar à ingestão de proteína animal misturada à proteína de origem vegetal e outros
ingredientes que garantirão o sabor e o valor nutricional dos alimentos.
Outra tendência apontada por Archer será o emprego de equipamentos 3D para imprimir
refeições e, de acordo com o cientista, esses dispositivos permitirão que os usuários fabriquem
30 suas criações culinárias e comidas que nem sequer existem ainda. Além disso, ele prevê o
desenvolvimento de tecnologias que permitam criar ingredientes livres de calorias e que possam
encapsular, cobrir, proteger e liberar nutrientes e compostos alimentares bioativos.
E, segundo Archer, as mudanças na dieta não se limitarão apenas aos humanos, pois,
conforme explicou, animais como frangos e peixes poderão ser alimentados com algas e insetos
35 cultivados industrialmente.
Entretanto, apesar de todo esse otimismo com respeito às soluções para o futuro, com uma
população mundial cada vez mais urbana e ávida por comodidades, suprir a necessidade de toda
essa gente — e ao mesmo tempo atender os gostos de todo mundo — não será uma tarefa nada
fácil.
Disponível:< https://www.megacurioso.com.br/sustentabilidade/44765-como-sera-a-alimentacao-dos-humanos-no-futuro.htm>. Acesso em 04 de out. de 2019
No verso “Engolia com voracidade”, do poema O bicho, a ideia expressa encontra correspondência
com o primeiro parágrafo do Texto IV, uma vez que revela aResolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV:
COMO SERÁ A ALIMENTAÇÃO DOS HUMANOS NO FUTURO?
Adaptado de Maria Luciana Rincon
1 Com o aumento da população mundial, a redução de recursos e mudanças na dieta, muita
gente prevê que no futuro a humanidade enfrentará uma competição por alimentos sem
precedentes. Aliás, segundo os mais fatalistas, se as coisas continuarem como estão, por volta do
ano 2050 seremos testemunhas de uma onda de fome que poderá afetar todo o planeta.
5 Algumas estimativas apontam que dentro de apenas uma ou duas gerações a população
mundial terá aumentado em alguns bilhões de habitantes, e boa parte dessa gente toda se
concentrará em grandes centros urbanos. Assim, além da falta de recursos naturais, é preciso
encontrar formas de fazer com que os alimentos cheguem até essas áreas e supram as
necessidades de todos.
10 Por sorte, já existem cientistas quebrando a cabeça para encontrar soluções para a
iminente crise de alimentos, apostando na tecnologia e na ciência para isso. Uma saída talvez seja
uma mudança na dieta e, para Richard Archer, um desses cientistas preocupados, dentro de um
período de 25 anos, a alimentação humana se baseará principalmente em produtos altamente
processados e — diferente dos itens disponíveis hoje em dia — nutricionalmente equilibrados.
15 Segundo Archer, além de nutritivos, os alimentos processados podem ser preservados por
mais tempo, além de serem mais facilmente transportados. Contudo, antes que eles substituam os
alimentos atuais, alguns problemas precisam ser contornados. Atualmente, quando falamos em
produtos processados, logo imaginamos alimentos recheados de gordura, sal e açúcar. As opções
mais equilibradas existem, mas não agradam ao paladar dos consumidores pela falta de sabor.
20 Assim, um dos maiores desafios da indústria de alimentos é encontrar formas de
desenvolver produtos processados que sejam saudáveis e também saborosos. Outro problema
para o futuro é o consumo de carne vermelha. Segundo Archer, a produção atual já é vista como
cara e ineficiente e, no futuro, com a já prevista escassez de água e espaço para o cultivo, esses
produtos se tornarão economicamente inviáveis.
25 Desta forma, o consumo de carnes se limitará a quantidades cada vez mais reduzidas,
dando lugar à ingestão de proteína animal misturada à proteína de origem vegetal e outros
ingredientes que garantirão o sabor e o valor nutricional dos alimentos.
Outra tendência apontada por Archer será o emprego de equipamentos 3D para imprimir
refeições e, de acordo com o cientista, esses dispositivos permitirão que os usuários fabriquem
30 suas criações culinárias e comidas que nem sequer existem ainda. Além disso, ele prevê o
desenvolvimento de tecnologias que permitam criar ingredientes livres de calorias e que possam
encapsular, cobrir, proteger e liberar nutrientes e compostos alimentares bioativos.
E, segundo Archer, as mudanças na dieta não se limitarão apenas aos humanos, pois,
conforme explicou, animais como frangos e peixes poderão ser alimentados com algas e insetos
35 cultivados industrialmente.
Entretanto, apesar de todo esse otimismo com respeito às soluções para o futuro, com uma
população mundial cada vez mais urbana e ávida por comodidades, suprir a necessidade de toda
essa gente — e ao mesmo tempo atender os gostos de todo mundo — não será uma tarefa nada
fácil.
Disponível:< https://www.megacurioso.com.br/sustentabilidade/44765-como-sera-a-alimentacao-dos-humanos-no-futuro.htm>. Acesso em 04 de out. de 2019
Uma preocupação semelhante entre o texto publicitário abaixo e o texto de Maria Luciana Rincón é
Disponível: <https://acervo.folha.com.br/digital/leitor.do?numero=48920. Acesso em 19 de out. de 2019. Imagem editada.
Texto I:
João e o pé de feijão-preto
José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta
1 Era uma vez um menino chamado João, que vivia com sua mãe num casebre bem longe da
cidade.
Eles eram pobres, muito pobres, pobres de dar dó.
Só o que tinham era uma vaca, e viviam de vender seu leite. Mas, um dia, quando João foi
5 ordenhá-la, não saiu nem uma gota.
Então a mãe de João disse;
— Meu filho, nosso dinheiro acabou e nossa vaquinha secou. Vá até o mercado e veja se
alguém quer comprá-la.
João pegou o animal pelo cabresto e foi até a cidade. Porém, antes que chegasse lá, um
10 homem de cavanhaque lhe perguntou:
— Ei, garoto, não quer trocar essa vaca por um grão de feijão?
— Rá, rá, essa é boa. O senhor pensa que eu sou bobo?
— Mas é feijão mágico.
— Mágico?
15 — Não vou contar o que ele faz, senão estraga a surpresa. Mas é só você plantá-lo numa
noite de lua cheia e no dia seguinte vai ver o que acontece.
João achou que era melhor ter um feijão mágico do que dinheiro, e assim trocou sua vaca
com o homem de cavanhaque.
O menino voltou para casa todo feliz, achando que tinha feito um ótimo negócio.
20 Porém, quando sua mãe viu o feijão, ficou muito triste.
— Você trocou nossa vaquinha por isso? Agora vamos morrer de fome...
— Não! Este feijão é mágico!
— Não existe mágica no feijão. Você foi enganado, João.
Desapontada, ela atirou o grão pela janela.
25 Mas, por uma grande coincidência, naquela noite houve uma bela lua cheia.
Quando João acordou na manhã seguinte, viu que um enorme pé de feijão tinha crescido no
seu quintal. Era tão alto que passava das nuvens!
O garoto não pensou duas vezes e começou a subir pela planta para ver o que tinha lá em
cima.
30 Depois de passar pela última nuvem, avistou um castelo. Ele era muito grande, muitíssimo
grande, muitíssimo grandíssimo! E tinha torres pretas bem pontudas.
João andou até o castelo e passou por baixo da porta como se fosse uma barata.
Mal entrou, ouviu um barulho diferente: “glu-glu!”.
Olhando na direção do “glu-glu” ele viu uma enorme perua dentro de uma gaiola de ouro.
35 Então pensou: “Vou levar esta perua para casa. Assim, eu e minha mãe comeremos omeletes para
sempre!”.
João ia abrir a gaiola quando o chão começou a tremer. Pou! Pou! Pou!
O menino se escondeu atrás de um malcheiroso cesto de roupas sujas e quase desmaiou ao
ver um gigante na sala.
40 Para piorar, ele cantava assim:
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
Fi-fi-fa-fa, fi-fi-fó-fum,
Mau como eu só existe um.
45 O gigante vinha todo contente, mas então torceu o nariz e fez “snif, snif, snif”
— Sinto o cheiro de criança! Urrou ele.
Já chegava perto do cesto em que João se escondia quando, ploc, a perua botou um ovo.
Só que não era um ovo comum. Era de ouro!
O grandalhão caminhou até a gaiola, pegou o ovo e guardou-o no bolso. Depois foi comer
50 seu almoço, que naquele dia foi um cavalo assado e, de sobremesa, cavalos-marinhos cobertos de
chocolate.
Então ele abriu um baita bocejo e dormiu.
Quando o gigante começou a roncar, João abriu a gaiola e amarrou seu cinto no pescoço da
ave.
55 Ele estava quase saindo do castelo, no entanto (sempre tem um “no entanto” nas histórias) a
perua fez “glu-glu” bem alto.
O gigante acordou. E com muita raiva.
— Espere aí, seu patife, vais virar um belo bife.
O menino saiu correndo com o animal e desceu deslizando pelo pé de feijão-preto como se
60 ele fosse um escorregador beeeeeeem comprido.
Já o gigante teve que descer com calma pela planta, porque era meio desengonçado.
Assim que chegou em casa, João gritou:
— Mãe, vamos derrubar o pé de feijão-preto! Tem um gigante querendo me pegar!
— O que você fez desta vez?
65 — Entrei no castelo dele e roubei sua perua.
— Você invade uma casa, rouba um bicho e ainda quer matar o sujeito?
Então a mãe de João segurou-o pelo braço e esperou que o gigante descesse. Aí disse para
o grandalhão:
— Senhor gigante, meu filho agiu muito mal. Por favor, nos desculpe. Isso não vai mais
70 acontecer. Pode levar sua perua.
Ainda bufando de raiva, o gigante tomou a ave nos braços e pôs a mão num dos galhos do
pé de feijão.
No entanto, antes de subir, pensou: “Puxa, eles poderiam ter cortado o pé de feijão, mas
essa mulher preferiu fazer a coisa certa. Isto não acontece todos os dias. Acho que darei uma
75 recompensa a ela.”
E, tirando o ovo de ouro do bolso, entregou-o à mãe de João.
— Tome, faça o que quiser com isso.
Depois, sem dizer mais nada, voltou para seu castelo nas nuvens.
A mãe de João vendeu o ovo de ouro e comprou várias vacas (que davam leite) e galinhas
80 (que botavam ovos de verdade).
Assim, o menino aprendeu uma lição e eles nunca mais passaram fome.
Moral da história: Às vezes quem é bom não se dá mal.
TORERO, José Roberto & PIMENTA, Marcus Aurelius: ilustrações Jean-Claude R. Alphen.
João e os 10 pés de feijão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016. p.5-6, 20-25.
Texto II:
O Cão e o Lobo
1 Um lobo muito magro e faminto, todo pele e ossos, pôs-se um dia a filosofar sobre as
tristezas da vida. E nisso estava quando lhe surge pela frente um cão — mas um cão e tanto,
gordo, forte, de pelo fino e lustroso.
Espicaçado pela fome, o lobo teve ímpeto de
5 atirar-se a ele. A prudência, entretanto, cochichou-lhe
ao ouvido: “Cuidado! Quem se mete a lutar com um
cão desses sai perdendo”.
O lobo aproximou-se do cão com toda a
cautela e disse:
10 — Bravos! Palavra de honra que nunca vi um
cão mais gordo nem mais forte. Que pernas rijas, que
pelo macio! Vê-se que o amigo se trata...
— É verdade! — respondeu o cão. Confesso
que tenho tratamento de fidalgo. Mas, amigo lobo,
15 suponho que você pode levar a mesma boa vida que
levo.
― Como?
— Basta que abandone esse viver errante,
esses hábitos selvagens e se civilize, como eu.
20 — Explique-me lá isso por miúdo, pediu o lobo com um brilho de esperança nos olhos.
— É fácil. Eu apresento você ao meu senhor. Ele, está claro, simpatiza-se e dá a você o
mesmo tratamento que dá a mim: bons ossos de galinha, nacos de carne, um canil com palha
macia. Além disso, agrados, mimos a toda hora, palmadas amigas, um nome.
— Aceito! — respondeu o lobo. Quem não deixará uma vida miserável como esta por uma
25 de regalos assim?
— Em troca disso — continuou o cão — você guardará o terreiro, não deixando entrar
ladrões nem vagabundos. Agradará ao senhor e à sua família, sacudindo a cauda e lambendo a
mão de todos.
— Fechado! — resolveu o lobo e emparelhando-se com o cachorro partiu a caminho da
30 casa. Logo, porém, notou que o cachorro estava de coleira.
— Que diabo é isso que você tem no pescoço?
— É a coleira.
— E para que serve?
— Para me prenderem à corrente.
35 — Então não é livre, não vai para onde quer, como eu?
— Nem sempre. Passo às vezes vários dias preso, conforme a veneta do meu senhor. Mas
que tem isso, se a comida é boa e vem à hora certa?
O lobo entreparou, refletiu e disse:
— Sabe do que mais? Até logo! Prefiro viver magro e faminto, porém livre e dono do meu
40 focinho, a viver gordo e liso como você, mas de coleira ao pescoço. Fique-se lá com a sua gordura
de escravo que eu me contento com a minha magreza de lobo livre.
E afundou no mato.
LOBATO, Monteiro, in Fábulas: O Cão e o Lobo. Brasiliense, São Paulo, 2002, p. 29
Texto III:
O bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
BANDEIRA, Manuel. Estrela da Vida Inteira. 20ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
Texto IV:
COMO SERÁ A ALIMENTAÇÃO DOS HUMANOS NO FUTURO?
Adaptado de Maria Luciana Rincon
1 Com o aumento da população mundial, a redução de recursos e mudanças na dieta, muita
gente prevê que no futuro a humanidade enfrentará uma competição por alimentos sem
precedentes. Aliás, segundo os mais fatalistas, se as coisas continuarem como estão, por volta do
ano 2050 seremos testemunhas de uma onda de fome que poderá afetar todo o planeta.
5 Algumas estimativas apontam que dentro de apenas uma ou duas gerações a população
mundial terá aumentado em alguns bilhões de habitantes, e boa parte dessa gente toda se
concentrará em grandes centros urbanos. Assim, além da falta de recursos naturais, é preciso
encontrar formas de fazer com que os alimentos cheguem até essas áreas e supram as
necessidades de todos.
10 Por sorte, já existem cientistas quebrando a cabeça para encontrar soluções para a
iminente crise de alimentos, apostando na tecnologia e na ciência para isso. Uma saída talvez seja
uma mudança na dieta e, para Richard Archer, um desses cientistas preocupados, dentro de um
período de 25 anos, a alimentação humana se baseará principalmente em produtos altamente
processados e — diferente dos itens disponíveis hoje em dia — nutricionalmente equilibrados.
15 Segundo Archer, além de nutritivos, os alimentos processados podem ser preservados por
mais tempo, além de serem mais facilmente transportados. Contudo, antes que eles substituam os
alimentos atuais, alguns problemas precisam ser contornados. Atualmente, quando falamos em
produtos processados, logo imaginamos alimentos recheados de gordura, sal e açúcar. As opções
mais equilibradas existem, mas não agradam ao paladar dos consumidores pela falta de sabor.
20 Assim, um dos maiores desafios da indústria de alimentos é encontrar formas de
desenvolver produtos processados que sejam saudáveis e também saborosos. Outro problema
para o futuro é o consumo de carne vermelha. Segundo Archer, a produção atual já é vista como
cara e ineficiente e, no futuro, com a já prevista escassez de água e espaço para o cultivo, esses
produtos se tornarão economicamente inviáveis.
25 Desta forma, o consumo de carnes se limitará a quantidades cada vez mais reduzidas,
dando lugar à ingestão de proteína animal misturada à proteína de origem vegetal e outros
ingredientes que garantirão o sabor e o valor nutricional dos alimentos.
Outra tendência apontada por Archer será o emprego de equipamentos 3D para imprimir
refeições e, de acordo com o cientista, esses dispositivos permitirão que os usuários fabriquem
30 suas criações culinárias e comidas que nem sequer existem ainda. Além disso, ele prevê o
desenvolvimento de tecnologias que permitam criar ingredientes livres de calorias e que possam
encapsular, cobrir, proteger e liberar nutrientes e compostos alimentares bioativos.
E, segundo Archer, as mudanças na dieta não se limitarão apenas aos humanos, pois,
conforme explicou, animais como frangos e peixes poderão ser alimentados com algas e insetos
35 cultivados industrialmente.
Entretanto, apesar de todo esse otimismo com respeito às soluções para o futuro, com uma
população mundial cada vez mais urbana e ávida por comodidades, suprir a necessidade de toda
essa gente — e ao mesmo tempo atender os gostos de todo mundo — não será uma tarefa nada
fácil.
Disponível:< https://www.megacurioso.com.br/sustentabilidade/44765-como-sera-a-alimentacao-dos-humanos-no-futuro.htm>. Acesso em 04 de out. de 2019
É possível relacionar os textos I, II, III e IV desta prova por terem em comumResolução comentada
Análise das alternativas
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