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EsFCEx — Concurso de Admissão 2019 (CFO/QC 2020) — Administração — Caderno Tipo A

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx)2019

70 questões nesta prova · página 1 de 4 · 70 com gabarito

Língua Portuguesa Análise Sintática

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)

Enunciado da questão 1 com trechos sublinhados: no excerto das linhas 58 e 59, estão sublinhados 'Uma informação interessante é que a musicoterapia' e 'tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral'. Representação dada: yXy = yX → yXy →X (X + Xy + Xy). No trecho das linhas 50 e 51, estão sublinhados 'vários resultados', 'sugerem que estamos progredindo em entender e tratar' e 'as doenças neurodegenerativas'.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Classes de Palavras

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)

Assinale a alternativa em que o conjunto de palavras esteja corretamente classificado de acordo com o indicado.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Classificação morfológica correta: substantivos.

'Dezenas' (linha 9) é substantivo (coletivo numérico). 'Pacientes' (linha 24) é substantivo. 'Indicativos' (linha 35), em 'apresentam indicativos bioquímicos', também é substantivo, modificado pelo adjetivo 'bioquímicos'.

Análise das alternativas

A) 'Dezenas' e 'milhões' são substantivos, não numerais. B) 'Paciente' (linha 64), em 'o já debilitado paciente', é substantivo. D) 'Muito' e 'mais' (linha 2), em 'e muito mais', não são advérbios de forma segura; o conjunto é pronominal/quantitativo, e só 'bastante' é advérbio. E) 'Muito' (linha 2) não é classificado como pronome no conjunto indicado; a alternativa fica incorreta como um todo.

Referência: Classes de palavras: substantivo, numeral, advérbio, pronome.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Tipologia Textual

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)

O texto se classifica corretamente como
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Tipologia do texto: dissertativo-expositivo.

O texto, de divulgação científica, apresenta e explica informações sobre as doenças neurodegenerativas e a DA. Não defende uma tese de forma polêmica nem tenta convencer o leitor, e por isso é dissertativo-expositivo.

Análise das alternativas

A) Não há uma sequência de ações com personagens e enredo. B) Não se limita a descrever uma imagem ou objeto. C) Predomina a informação, não a defesa de um ponto de vista com argumentos. D) Não é um texto instrucional, de comandos ou instruções de execução.

Referência: Tipologia textual: dissertação expositiva x argumentativa.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Pontuação

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)

Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65 anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. (linhas 20 e 21)
No excerto acima, o trecho após os dois-pontos tem papel de
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Papel dos dois-pontos: introduzir uma explicação.

No trecho, o que vem depois dos dois-pontos justifica a afirmação anterior ('não há motivo de preocupação se você é jovem'). Isso é uma explicação: a DA só é comum a partir dos 65 anos e o esquecimento ocasional pode ser circunstancial.

Análise das alternativas

A) Não há lista de itens enumerados. B) 'Explicitação' não é o papel aqui, pois o trecho não retoma nem detalha um termo, e sim justifica a afirmação. C) Não há exemplos introduzidos por expressões como 'por exemplo'. E) Não há ideia de exceção.

Referência: Uso dos dois-pontos (pontuação).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Análise Sintática

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Texto-base:
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)

Assinale a alternativa em que o termo apresente, no texto, função sintática idêntica à de de coordenação motora (linha 53).
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Função sintática de 'de coordenação motora' (adjunto adnominal) e termo equivalente.

Em 'falta de coordenação motora', a expressão 'de coordenação motora' é um termo preposicionado que especifica o substantivo 'falta', ou seja, é adjunto adnominal. Em 'os sintomas clínicos da doença' (linha 41), 'da doença' também especifica um substantivo, 'sintomas', e tem a mesma função, conforme o gabarito.

Análise das alternativas

A) 'à demência' completa o sentido do adjetivo/particípio 'associadas', logo é complemento nominal. C) 'de medicamentos' completa 'emprego', nome de ação cujo termo é paciente, logo é complemento nominal. D) 'de uma medicação' é complemento do verbo 'dispomos' (objeto indireto). E) 'de reversão' completa 'promessas', nome de ação, logo é complemento nominal.

Referência: Gramática normativa: adjunto adnominal x complemento nominal.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Formação de Palavras

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)

Assinale a alternativa em que a palavra apresente o mesmo sentido para hipo que o contido na palavra hipocampo (linha 38).
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Hipogeu traz o prefixo hipo- no sentido de "sob, abaixo".

O gabarito considera que, em hipocampo, o elemento hipo- tem o sentido de "sob, abaixo", que é o mesmo de hipogeu (construção subterrânea). Na etimologia estrita, porém, o hipo- de hipocampo e de hipopótamo vem do grego hippos, "cavalo", e é o gabarito oficial que prevalece.

Análise das alternativas

A) Hipopótamo: hipo- = cavalo. B) Hipopatologia: hipo- = deficiência, insuficiência. D) Hipocampídeo: refere-se à família do cavalo-marinho. E) Hipomaquia: hipo- = cavalo (combate a cavalo).

Referência: Formação de palavras: elementos gregos (hipo-).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Conjunções

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Gabarito disponível

Texto-base:
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)

Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos de vida nada saudáveis são adotados. (linhas 13 e 14)
A respeito do trecho acima, analise as afirmativas a seguir:
I. A substituição de à medida que por na medida em que não significaria alteração da classificação da função sintática completa da oração que inicia, embora haja mudança de sentido.
II. A forma à medida que é equivalente à forma à medida em que, a qual, esta, poderia substituir aquela sem prejuízo gramatical ou semântico.
III. O segundo que do período se classifica como conjunção integrante.
Assinale
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Nenhuma das afirmativas está correta.

I: "na medida em que" é causal, de modo que a classificação da oração mudaria (de proporcional para causal). II: "à medida em que" não equivale a "à medida que" e não poderia substituí-la sem prejuízo. III: o segundo "que" apenas repete a locução conjuntiva "à medida que" (conjunção subordinativa proporcional), e não é integrante.

Análise das alternativas

A, B, C e E trazem ao menos uma afirmativa falsa, e D é a única que reconhece que as três estão incorretas.

Referência: Gramática: locuções conjuntivas e orações subordinadas adverbiais proporcionais e causais.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Análise Sintática

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)

Assinale a alternativa em que os dois termos estejam corretamente agrupados, em função de semelhança em seu papel no texto.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Ambos os trechos funcionam como aposto explicativo.

"Fluido que banha nosso cérebro e nossa medula espinhal" explica o termo "líquor", e "exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que lhe são prazerosas" explica o termo "musicoterapia". Os dois têm o mesmo papel textual: definir ou esclarecer um termo antecedente, com função de aposto.

Análise das alternativas

A) Errada: a sigla (DA) entre parênteses não equivale ao trecho sobre musicoterapia. B) Errada: (Aβ) é sigla, e não tem o mesmo papel do trecho sobre o líquor. C) e D) Erradas: "o que prejudica..." é oração que retoma toda a ideia anterior (função diferente de aposto explicativo de um termo).

Referência: Sintaxe: aposto explicativo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Acentuação Gráfica

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Texto-base:
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)

Assinale a alternativa em que o conjunto das palavras seja acentuado seguindo a mesma regra.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Peptídeo, cérebro e tóxicos são proparoxítonas.

Peptídeo (pep-tí-de-o), cérebro e tóxicos são todas proparoxítonas, acentuadas pela regra que acentua todas as proparoxítonas (peptídeo é proparoxítona aparente, com ditongo crescente final).

Análise das alternativas

B) Errada: níveis é paroxítona, memória é paroxítona terminada em ditongo e técnicas é proparoxítona. C) Errada: demência é paroxítona terminada em ditongo, enquanto físicas e número são proparoxítonas. D) Errada: saudáveis e início são paroxítonas, hábitos é proparoxítona. E) Errada: líquor é paroxítona terminada em r, enquanto profiláticas e terapêuticas são proparoxítonas.

Referência: Regras de acentuação gráfica.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)

Considerando o texto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.
I. Quando se é jovem, deve-se procurar um neurologista caso os problemas de memória afetem a qualidade de vida.
PORQUE
II. A doença de Alzheimer só é comum a partir dos 65 anos.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Ambas as asserções são verdadeiras, mas II não justifica I.

O texto diz que, se os problemas de memória afetam a qualidade de vida, é hora de consultar um neurologista, e que a DA só é comum a partir dos 65 anos. Ambas são verdadeiras, mas a idade de incidência explica por que o jovem não precisa se preocupar, e não por que deve procurar o médico. Logo, II não justifica I.

Análise das alternativas

A) Errada: não há relação de causa e justificativa. C), D) e E) Erradas: as duas asserções são verdadeiras segundo o texto.

Referência: Lourenço, M. V. Quando o cérebro começa a falhar (Ciência Hoje, 2019).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Período Composto

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)

Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem. Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se estabeleça. (linhas 18 a 20)
A respeito do excerto acima, analise as afirmativas a seguir:
I. No trecho, há ocorrência de duas conjunções integrantes.
II. No primeiro período, há uma oração coordenada sindética adversativa.
III. No trecho, há duas ocorrências de oração subordinada reduzida de infinitivo.
Assinale
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Estão corretas II e III; só há uma conjunção integrante.

I é falsa: só há uma conjunção integrante ("se estariam desenvolvendo"). "Antes que" é locução conjuntiva temporal, e "que muitos se fazem" é pronome relativo. II é correta: "e ainda não sabem" tem valor adversativo, com e equivalente a mas. III é correta: "ao envelhecer" e "de prever" são orações reduzidas de infinitivo.

Análise das alternativas

A, B e E incluem a I, que é falsa. D está errada porque II e III são verdadeiras.

Referência: Gramática: período composto por coordenação e subordinação.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Coesão Textual

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)

Assinale a alternativa em que o vocábulo, no texto, NÃO represente exemplo de coesão anafórica.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A palavra "doença" da linha 51 introduz referente novo.

Coesão anafórica retoma algo já mencionado. "Ele" retoma cérebro, "cujo" retoma demência e "as" (tratá-las) retoma doenças; "doença" na linha 26 retoma a DA, mencionada antes. Já em "doença de Huntington" (linha 51) o termo apresenta uma doença nova, ainda não citada.

Análise das alternativas

A), B) e C) são pronomes que retomam termos anteriores, logo anafóricos. D) retoma a doença de Alzheimer, também anafórico.

Referência: Coesão referencial: anáfora.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Conjunções

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)

Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. (linhas 62 e 63)
Assinale a alternativa que NÃO poderia, no trecho acima, substituir o termo mesmo que sob pena de alteração gramatical e semântica.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Porquanto é explicativa/causal, não concessiva como mesmo que.

No trecho, mesmo que é conjunção subordinativa concessiva. Embora, conquanto, não obstante e posto que também são concessivas e podem substituí-la. Porquanto é conjunção explicativa ou causal, e mudaria o sentido e a estrutura.

Análise das alternativas

B), C), D) e E) são conectivos concessivos e mantêm o sentido. Já A) altera a relação: em vez de admitir um fato contrário, passaria a justificar.

Referência: Gramática: orações subordinadas adverbiais concessivas e conjunções.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)

Assinale a alternativa que apresente correta inferência extraída do texto, sem extrapolação de seu conteúdo.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O texto admite que fármacos testados podem prejudicar ainda mais o paciente debilitado.

No último parágrafo, o autor afirma que a comprovação científica é necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente. Isso permite inferir que medicamentos experimentais podem piorar o quadro clínico.

Análise das alternativas

A) Errada: o texto fala em perspectiva de que os testes estejam acessíveis em uma década, e não em certeza. B) Errada: o texto não diz que o hipocampo deve ser tratado primeiro. C) Errada: a musicoterapia melhora sintomas e bem-estar, mas não se fala em cura. E) Errada: o texto não indica distúrbios do sono como sintoma primário, nem condicionados a depressão e apatia.

Referência: Lourenço, M. V. Quando o cérebro começa a falhar (Ciência Hoje, 2019).

Resolução comentada do VaiConcursos.

História do Brasil Brasil Colônia — Economia Açucareira e Mineração

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Durante o período colonial brasileiro, as atividades econômicas que mais se destacaram foram a agromanufatura açucareira e a mineração. A respeito dessas atividades, assinale a afirmativa correta.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A demanda por mão de obra africana nos engenhos contradiz a tese de que a oferta gerou a escravidão.

A necessidade de trabalhadores nos engenhos açucareiros mostra que a procura por africanos existia antes e sustentou o tráfico. Isso contradiz a tese de que o tráfico, ao ofertar escravos, teria criado a escravidão africana.

Análise das alternativas

A) Errada: nas minas os escravos também eram artesãos, carregadores e escravos de ganho, com certa liberdade, então a comparação não se sustenta. C) Errada: a mineração ampliou a escravidão negra, e não a reduziu. D) Errada: a capital colonial era Salvador até 1763, quando passou ao Rio de Janeiro; esse porto de escoamento do ouro foi o Rio, não Salvador até 1808. E) Errada: o açúcar do Sudeste só se expandiu no século XIX, e a plantation típica era do Nordeste.

Referência: História do Brasil Colônia: economia açucareira, mineração e escravidão.

Resolução comentada do VaiConcursos.

História do Brasil Brasil Colônia — Administração Colonial

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Na América portuguesa, em consequência da ofensiva francesa e do declínio do trato asiático, foram tomadas em 1534 medidas para o povoamento e a valorização do território. (ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O Trato dos Viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 20).
As medidas mencionadas na afirmativa acima referem-se aos sistemas de administração que Portugal empregou no Brasil no século XVI. Em ordem cronológica, a partir de 1534, tais sistemas foram
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A partir de 1534: Capitanias Hereditárias e depois Governo Geral.

As capitanias hereditárias foram instituídas em 1534, para povoar e valorizar o território diante da ameaça francesa. Como o sistema teve resultados desiguais, foi criado o Governo Geral em 1548, com Tomé de Sousa, que o complementou e centralizou a administração.

Análise das alternativas

A) e E) Erradas: as feitorias são anteriores, do período pré-colonial, e não sucedem 1534. C) e D) Erradas: invertem a ordem, pois o Governo Geral veio depois das capitanias.

Referência: Alencastro, Luiz Felipe de. O Trato dos Viventes; História do Brasil Colônia.

Resolução comentada do VaiConcursos.

História do Brasil Brasil Colônia — Relações entre Portugueses e Indígenas

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

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A respeito da ocupação territorial da Capitania de São Vicente e do contato dos portugueses com os nativos, analise as afirmativas a seguir:
I. Ao chegarem a São Vicente, os primeiros portugueses, reconhecendo de imediato a importância fundamental da guerra nas relações intertribais, procuraram tirar proveito delas para efetivarem a ocupação da terra.
II. Considerando o estado de unidade política que imperava no Brasil indígena, as perspectivas de conquista, dominação e exploração passariam por alianças forjadas por rivalidades que não havia entre os nativos, o que levaria ao rompimento de sua unidade e, consequentemente, à sua total aniquilação.
III. Aos olhos dos invasores, a presença de um número considerável de prisioneiros de guerra prometia um possível mecanismo de suprimento de mão de obra cativa para os eventuais empreendimentos coloniais.
IV. Os índios percebiam vantagens imediatas na formação de alianças com os europeus, particularmente nas ações bélicas conduzidas contra os inimigos mortais.
Assinale
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Estão corretas I, III e IV; a II afirma uma unidade política indígena que não existia.

Os portugueses aproveitaram as guerras intertribais (I) para se aliar a grupos nativos. Os prisioneiros de guerra apareciam como possível suprimento de mão de obra cativa (III), e os índios viam vantagem nas alianças contra seus inimigos mortais (IV).

Análise das alternativas

II está incorreta: não havia unidade política entre os nativos; havia rivalidades entre os grupos, que justamente permitiram as alianças. As alternativas A, B, D e E contêm a II e, portanto, estão erradas.

Referência: História do Brasil Colônia: ocupação de São Vicente e relações com os indígenas (Monteiro, Negros da terra).

Resolução comentada do VaiConcursos.

História do Brasil Proclamação da República

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Duas linhas de interpretação surgiram já nos primeiros anos: a dos vencedores e a dos vencidos, a dos republicanos e a dos monarquistas, aos quais vieram juntar-se com o tempo alguns republicanos que, desiludidos com a experiência, aumentaram o rol dos descontentes, exaltando as glórias do Império e ressaltando os vícios do regime republicano. (COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisivos. – 6.ed. – São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999, p. 387).
O texto acima refere-se ao contexto da Proclamação da República no Brasil e, nele, a autora faz menção aos diversos argumentos republicanos de então. A esse respeito, assinale a afirmativa INCORRETA.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A é a incorreta: ela atribui aos republicanos uma defesa do Império que eles não faziam.

A questão pede a INCORRETA. A alternativa A descreve um argumento mais próximo dos monarquistas, que isentam o imperador dos males do Império e os atribuem à estrutura monárquica. O discurso republicano atribuía ao regime e ao Poder Moderador a responsabilidade pela impopularidade da monarquia.

Análise das alternativas

B) Correta: a ideia da República como aspiração nacional desde a Inconfidência e da Monarquia como anomalia na América é argumento republicano típico. C) Correta: a centralização excessiva e a fraude eleitoral eram críticas republicanas recorrentes. D) Correta: abusos do Poder Moderador, escravidão, má gestão financeira e guerras são fatores clássicos da impopularidade da monarquia. E) Correta: reflete explicações de alguns republicanos, de fundo étnico, social e econômico, para a Proclamação.

Referência: Costa, Emília Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisivos, p. 387.

Resolução comentada do VaiConcursos.

História do Brasil Movimentos Emancipacionistas

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

As críticas feitas na Europa pelo pensamento ilustrado ao absolutismo assumiram no Brasil o sentido de críticas ao sistema colonial. No Brasil, Ilustração foi, antes de mais nada, anticolonialismo. (COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisivos. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999, p. 26).
O texto acima faz alusão aos movimentos anticoloniais de fins do século XIX. A respeito do contexto histórico daquele período, analise as afirmativas a seguir:
I. Criticar a realeza e o poder absoluto dos reis significava lutar pela emancipação dos laços coloniais.
II. Os estudantes que viajavam para o exterior, completando seus estudos em Portugal ou na França, voltavam imbuídos das novas ideias e se tornavam seus principais propagandistas.
III. Nem as prisões, nem os exílios, nem os enforcamentos foram capazes de deter a marcha do processo. Em vão a censura intentava impedir a divulgação das ideias nocivas à ordem vigente.
IV. A Inconfidência Mineira, que tinha propostas igualitárias, contava com a possibilidade de um levante de escravos, já que o número de homens pretos, livres e escravos superava em muito o dos brancos; por isso, contava com a composição de um exército popular.
V. Os líderes da Conjuração Baiana, membros das elites agrárias, não permitiram que setores populares se integrassem ao movimento, limitando seus ideais aos aspectos emancipacionistas.
Assinale
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Estão corretas I, II e III; IV e V são inadequadas.

As afirmativas I, II e III expressam o anticolonialismo da Ilustração no Brasil: a crítica ao absolutismo era crítica ao sistema colonial, os estudantes formados na Europa difundiam as novas ideias e a repressão não detinha o processo. IV e V estão incorretas quanto aos movimentos concretos.

Análise das alternativas

IV é falsa: a Inconfidência Mineira não contava com a composição de um exército popular nem com levante escravo, e as elites inconfidentes tinham propostas ambíguas sobre a escravidão. V é falsa: a Conjuração Baiana (1798) teve forte participação popular, de alfaiates, soldados e escravos, e propunha igualdade social e abolição da escravidão. As alternativas A, B, C e D incluem IV ou V, ou omitem uma das corretas.

Referência: Costa, Emília Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisivos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

História do Brasil Período Regencial — Revoltas

Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Administração · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Durante o Período Regencial, ocorreram reformas que ficaram conhecidas como uma "experiência republicana", mas que acabaram por desatar forças até então contidas pelo unitarismo imperial. Por quase todo o período eclodiram revoltas populares que procuraram alterar a ordem política e social estabelecida.
A respeito dessas revoltas, iniciadas, exclusivamente, no Período Regencial, é correto afirmar que
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A Balaiada, no Maranhão e Piauí, teve Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, o Balaio, e Cosme Bento entre seus líderes.

A Balaiada (1838–1841) mobilizou camponeses, vaqueiros e escravos no Maranhão e no Piauí. Teve entre seus líderes o fabricante de balaios Manuel Francisco e o negro Cosme Bento, que chefiou escravos aquilombados.

Análise das alternativas

A) Errada: o Ato Adicional criou assembleias legislativas provinciais, e não assembleias gerais provinciais; a Cabanagem também não protestava contra a perda de uma suposta autonomia popular. B) Errada: a Farroupilha foi liderada por elites estancieiras, sobretudo por questões econômicas como o charque, os impostos e a centralização; a Guarda Nacional não foi sua motivação central. C) Errada: a Sabinada ocorreu entre 1837 e 1838 na Bahia e foi um movimento republicano, mas com apoio de setores militares e das camadas médias, não de uma união com os malês; a Revolta dos Malês é de 1835. E) Errada: o termo "Praieira" vem da Rua da Praia, onde ficava a sede do jornal do Partido Liberal, e não de um núcleo revoltoso; além disso, o movimento começou em 1848, já no Segundo Reinado, e não no Período Regencial.

Referência: História do Brasil: Período Regencial (1831–1840), revoltas provinciais.

Resolução comentada do VaiConcursos.