← Voltar para a lista de provas Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar — Enfermagem 70 questões nesta prova · página 1 de 4 · 70 com gabarito Gabarito disponível Gabarito disponível 'Dezenas', 'pacientes' e 'indicativos' são substantivos nos contextos citados. 'Dezenas' (linha 9) é substantivo coletivo; 'pacientes' (linha 24) é substantivo, referindo-se às pessoas tratadas; 'indicativos' (linha 35), antecedido de 'apresentam', é substantivo (os indícios). Todos estão corretamente classificados. A) 'Dezenas' e 'milhões' são substantivos (numerais coletivos/ substantivados), enquanto 'três' é numeral; o conjunto não é todo de numerais. B) 'Paciente' (linha 64) é substantivo ('o já debilitado paciente'). D) 'Muito' na linha 2 é pronome/advérbio conforme contexto ('muito mais' é advérbio de intensidade, mas 'bastante' na linha 60 é advérbio de intensidade em 'bastante complexos'); a alternativa é falha porque 'muito' na linha 2 modifica 'mais' e o conjunto não se sustenta como o gabarito considerou. E) 'Muito' (linha 2) é advérbio, não pronome; 'que' na linha 66 também não é pronome. Referência: Classes de palavras: substantivo, numeral, adjetivo, advérbio e pronome. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Texto que expõe informações sobre doenças neurodegenerativas, com finalidade informativa. O texto apresenta e explica informações científicas sobre as doenças neurodegenerativas e a doença de Alzheimer, com linguagem de divulgação científica, de modo a informar o leitor. Trata-se de texto dissertativo-expositivo, cujo objetivo é expor, e não defender um ponto de vista a ser comprovado por argumentação. A) Não narra uma sequência de fatos com personagens. B) Não se limita a descrever características de um objeto. C) Embora haja alguns posicionamentos, predomina a exposição, não a defesa de uma tese. D) Não é um texto de instruções ou comandos como principal função. Referência: Tipologia textual: dissertação expositiva x argumentativa. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Os dois-pontos introduzem o trecho que explica por que não há motivo de preocupação. Os dois-pontos introduzem a justificativa da afirmação anterior: não há preocupação para o jovem porque o Alzheimer só é comum a partir dos 65 anos e o esquecimento ocasional pode ser circunstancial. O trecho, portanto, esclarece a causa/razão do que foi dito, ou seja, tem papel de explicação. A) Não há lista de itens. B) 'Explicitação' é termo vago e não corresponde ao sentido de justificativa; o trecho dá a razão, não apenas reformula. C) Não há exemplos, mas fundamentação. E) Não há ideia de exceção. Referência: Emprego dos dois-pontos (explicação, esclarecimento). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'De coordenação motora' é adjunto adnominal, assim como 'da doença' (l. 41). Em 'falta de coordenação motora', 'de coordenação motora' é adjunto adnominal (o termo introduzido pela preposição é o que falta). Em 'os sintomas clínicos da doença', 'da doença' também é adjunto adnominal de 'sintomas'. Já os demais completam termos de sentido transitivo ou verbos. A) 'à demência' é complemento nominal de 'associadas'. C) 'de medicamentos' é complemento nominal de 'emprego' (alvo da ação). D) 'de uma medicação' é objeto indireto de 'dispomos'. E) 'de reversão' completa o sentido de 'promessas' como complemento nominal. B) Correta: adjunto adnominal. Referência: Sintaxe: adjunto adnominal x complemento nominal. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Segundo o gabarito, 'hipo' em 'hipocampo' tem sentido de 'sob/abaixo', como em 'hipogeu'. O gabarito oficial é C: 'hipogeu' (hypo = sob, abaixo; construção subterrânea). A banca considerou que 'hipo' em 'hipocampo' também significa 'sob/abaixo'. Pela etimologia, porém, hipocampo vem do grego hippos (cavalo) + kampos (monstro marinho), o que torna a questão discutível. A) 'Hipo' = cavalo (hipopótamo). B) 'Hipopatologia' usa 'hipo' como deficiência/insuficiência. D) 'Hipocampídeo' é cavalo-marinho. E) 'Hipomaquia' = combate de cavalos (hippos). C) Correta conforme o gabarito. Referência: Etimologia grega: prefixos e radicais hypo- e hippos. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Nenhuma das afirmativas está correta. I é falsa: 'à medida que' introduz oração adverbial proporcional e 'na medida em que' introduz causal, de modo que a classificação da oração muda. II é falsa: 'à medida em que' não é forma equivalente nem aceita. III é falsa: o segundo 'que' repete a locução conjuntiva 'à medida que', e não é integrante. A, B, C e E) Erradas por considerarem verdadeira alguma das afirmativas. D) Correta: nenhuma está certa. Referência: Gramática: locuções conjuntivas proporcionais e causais. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Os dois termos são apostos/explicações entre parênteses ou travessões, com função explicativa. 'Fluido que banha nosso cérebro e nossa medula espinhal' explica o termo 'líquor'. 'Exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que lhe são prazerosas' explica 'musicoterapia'. Ambos têm o mesmo papel: aposto explicativo, isolado por sinais de pontuação. A, B e C) Erradas: a sigla (DA) e (Aβ) funciona como abreviação e não como explicação semântica do termo. D) Errada: a oração 'o que prejudica...' retoma toda a oração anterior, sem ser apenas aposto de um termo. Referência: Sintaxe: aposto explicativo e função textual de termos intercalados. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Peptídeo', 'cérebro' e 'tóxicos' são todas proparoxítonas. Peptídeo (pep-TÍ-de-o), cérebro (CÉ-re-bro) e tóxicos (TÓ-xi-cos) têm a antepenúltima sílaba tônica e são acentuadas por serem todas proparoxítonas. A alternativa A é a única em que as três seguem a mesma regra. B) 'Níveis' e 'memória' são paroxítonas terminadas em ditongo e 'técnicas' é proparoxítona, então a regra não é a mesma. C) 'Físicas' é proparoxítona; 'demência' é paroxítona terminada em ditongo. D) 'Hábitos' é proparoxítona; 'saudáveis' é paroxítona terminada em ditongo e 'início' é paroxítona. E) 'Líquor' é paroxítona terminada em r. Referência: Regras de acentuação gráfica (Novo Acordo Ortográfico). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível As duas asserções são verdadeiras, mas a II não justifica a I. O texto diz que o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65 anos e que, se os problemas de memória afetam a qualidade de vida, é o momento de consultar um neurologista. Ambas são verdadeiras, mas a razão para procurar o médico é o impacto na qualidade de vida, e não a faixa etária de 65 anos. A) Errada: a II não justifica a I. C, D e E) Erradas porque ambas as asserções são verdadeiras. Referência: Texto 'Quando o cérebro começa a falhar', parágrafo sobre sinais precoces. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Estão corretas II e III; no trecho há só uma conjunção integrante. A afirmativa I é falsa, pois apenas 'se estariam desenvolvendo' traz conjunção integrante; 'que a doença...' é locução conjuntiva temporal ('antes que'). Na II, o primeiro período tem 'e ainda não sabem', coordenada sindética com valor adversativo (sentido de oposição). Na III, há duas orações reduzidas de infinitivo: 'ao envelhecer' e 'de prever o Alzheimer'. A, E) Erradas por considerarem a I verdadeira. B) Errada por incluir a I. D) Errada, pois II e III são verdadeiras. C) Correta. Referência: Sintaxe do período composto: orações coordenadas, subordinadas e reduzidas. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Em 'doença de Huntington' (l. 51), 'doença' não retoma nenhum termo anterior, então não é anáfora. Coesão anafórica é a retomada de um termo já citado. 'Ele' retoma 'cérebro', 'cujo' retoma 'demência', '-as' retoma 'doenças' e 'doença' (l. 26) retoma a DA. Em 'doença de Huntington' (l. 51), o termo introduz uma nova referência e faz parte do nome de uma doença específica, sem retomar nada. A) 'Ele' é anáfora de 'cérebro'. B) 'cujo' é anafórico (pronome relativo que retoma o antecedente). C) '-las' retoma 'doenças'. D) 'doença' retoma Alzheimer. E) Correta: não é anafórico. Referência: Linguística textual: referenciação e coesão anafórica. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Porquanto' é conjunção causal/explicativa; as demais são concessivas como 'mesmo que'. 'Mesmo que' introduz oração concessiva. 'Embora', 'conquanto', 'não obstante' e 'posto que' também são concessivas e a substituem sem alterar o sentido nem a gramática. 'Porquanto' é causal/explicativa, então não pode substituí-lo. A) Correta (não poderia substituir): 'porquanto' é conjunção causal. B, C, D e E) Podem substituir sem prejuízo: embora, conquanto, não obstante e posto que são concessivas. Referência: Gramática: conjunções subordinativas concessivas e causais. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O texto admite que medicamentos experimentais podem prejudicar o paciente já debilitado. No último parágrafo, o autor diz que a comprovação científica é necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o paciente debilitado. Isso permite inferir que alguns fármacos experimentais podem agravar o quadro. A) Extrapola: o texto diz que a perspectiva é de que os testes estejam acessíveis em uma década, e não que haverá exames capazes de detectar a DA. B) Extrapola: nada no texto diz que o hipocampo deve receber tratamento prioritário. C) Errada: a musicoterapia melhora sintomas, mas o texto diz que não há cura. E) Errada: o texto não apresenta distúrbios do sono como sintoma primário. Referência: Texto 'Quando o cérebro começa a falhar' (Ciência Hoje, 2019). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A demanda por africanos nos engenhos contradiz a tese de que o tráfico criou a escravidão. A alternativa B está de acordo com o gabarito oficial. A demanda dos engenhos pela mão de obra africana mostra que a procura precedeu a oferta, o que contraria a tese de que o tráfico negreiro gerou a escravidão por si só. A) Errada: nas minas, escravos de ganho e artesãos também eram comuns, e essa liberdade era maior nas áreas mineradoras. C) Errada: a mineração aumentou a escravidão negra na região. D) Errada: a capital colonial passou a ser o Rio de Janeiro em 1763, e o porto das minas era o Rio. E) Errada: o Sudeste não foi região de plantations açucareiras no século XVII, e os holandeses dominaram o Nordeste. Referência: História do Brasil Colônia: economia açucareira e mineração. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Em 1534 foram criadas as Capitanias Hereditárias, seguidas do Governo Geral (1548–49). O sistema de capitanias hereditárias teve início em 1534, durante o reinado de D. João III. O Governo Geral veio depois, em 1548, com Tomé de Sousa, para centralizar a administração. A ordem cronológica a partir de 1534 é, portanto, Capitanias e Governo Geral. A, C, D e E) Erradas porque invertem a ordem ou incluem as feitorias, que já existiam antes (década de 1530 ou antes) e não seguem a cronologia correta. Referência: História do Brasil: administração colonial no século XVI. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Corretas I, III e IV. A II está errada porque os indígenas não tinham unidade política. Os portugueses perceberam as guerras intertribais e as usaram para ocupar a terra (I). Viram nos prisioneiros de guerra uma possível fonte de mão de obra cativa (III), e os indígenas viam vantagem nas alianças contra seus inimigos mortais (IV). A II é falsa porque o mundo indígena era fragmentado e cheio de rivalidades, e não havia unidade política a ser rompida. A, B, D e E) Erradas porque incluem a II, falsa, ou excluem afirmativas verdadeiras. C) Correta: I, III e IV. Referência: História do Brasil Colônia: capitania de São Vicente e relações com indígenas (John Monteiro, Negros da terra). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A alternativa A é a incorreta: atribui a argumentos republicanos uma tese de defesa da monarquia. Os republicanos não procuravam atenuar os males do Império nem tratavam o imperador como vítima da estrutura monárquica. Pelo contrário, usavam as arbitrariedades do Poder Moderador, a centralização e a fraude eleitoral, entre outros pontos, para desgastar o regime. As demais alternativas descrevem argumentos republicanos autênticos. B) Correta: a república era apresentada como aspiração nacional desde a Inconfidência e a monarquia como anomalia americana. C) Correta: criticavam a centralização e a fraude eleitoral. D) Correta: o Poder Moderador, a escravidão, a má gestão financeira e as guerras externas desgastaram a monarquia. E) Correta: reflete explicações etnográficas e sociais da época. Referência: COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisivos, cap. sobre a Proclamação. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Estão corretas I, II e III. A IV e a V descrevem erroneamente a Inconfidência e a Conjuração Baiana. I, II e III refletem a tese de Emília Viotti da Costa sobre a Ilustração como anticolonialismo: a crítica ao absolutismo era crítica à Metrópole, os estudantes formados na Europa difundiram as novas ideias, e a repressão não conteve o processo. A IV está errada porque a Inconfidência Mineira não propunha um exército popular, e os líderes temiam levantes escravos. A V está errada porque a Conjuração Baiana teve grande participação popular e propostas sociais. A, B, C e D) Erradas, pois incluem a IV e/ou a V, que são falsas, ou excluem afirmativas verdadeiras. E) Correta: apenas I, II e III. Referência: COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república; movimentos emancipacionistas coloniais. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A Balaiada (MA e PI) foi liderada por Manuel Francisco dos Anjos Ferreira (o Balaio) e por Cosme Bento. A Balaiada reuniu sertanejos, vaqueiros, camponeses e escravos no Maranhão e no Piauí. Teve como líderes o fabricante de balaios Manuel Francisco e o negro Cosme Bento. A alternativa D descreve esses fatos corretamente. A) Errada: a Cabanagem foi motivada pela exclusão política e pela miséria, e o texto confunde as assembleias provinciais com a perda de autonomia popular. B) Errada: a Farroupilha foi liderada pelas elites (estancieiros gaúchos), e o motivo central foi econômico e político. C) Errada: a Sabinada tinha caráter republicano e separatista temporário; os malês fizeram a revolta de 1835 e, além disso, a Sabinada não se uniu a eles. E) Errada: a Praieira ocorreu no Segundo Reinado, não no Período Regencial, e o enunciado pede revoltas iniciadas exclusivamente no Período Regencial. Referência: História do Brasil: Período Regencial e revoltas provinciais. Resolução comentada do VaiConcursos.EsFCEx — Concurso de Admissão 2019 (CFO/QC 2020) — Enfermagem — Caderno Tipo A
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço.
Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
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Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. (linhas 58 e 59).
Supondo que se possa representar o trecho sublinhado acima por
yXy = yX → yXy →X (X + Xy + Xy),
o trecho sublinhado em vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças neurodegenerativas (linhas 50 e 51) está corretamente representado em
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço.
Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Assinale a alternativa em que o conjunto de palavras esteja corretamente classificado de acordo com o indicado.Resolução comentada
Análise das alternativas
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço.
Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
O texto se classifica corretamente comoResolução comentada
Análise das alternativas
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço.
Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65 anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. (linhas 20 e 21)
No excerto acima, o trecho após os dois-pontos tem papel deResolução comentada
Análise das alternativas
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço.
Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Assinale a alternativa em que o termo apresente, no texto, função sintática idêntica à de de coordenação motora (linha 53).Resolução comentada
Análise das alternativas
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço.
Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Assinale a alternativa em que a palavra apresente o mesmo sentido para hipo que o contido na palavra hipocampo (linha 38).Resolução comentada
Análise das alternativas
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço.
Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos de vida nada saudáveis são adotados. (linhas 13 e 14)
A respeito do trecho acima, analise as afirmativas a seguir:
I. A substituição de à medida que por na medida em que não significaria alteração da classificação da função sintática completa da oração que inicia, embora haja mudança de sentido.
II. A forma à medida que é equivalente à forma à medida em que, a qual, esta, poderia substituir aquela sem prejuízo gramatical ou semântico.
III. O segundo que do período se classifica como conjunção integrante.
AssinaleResolução comentada
Análise das alternativas
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço.
Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Assinale a alternativa em que os dois termos estejam corretamente agrupados, em função de semelhança em seu papel no texto.Resolução comentada
Análise das alternativas
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço.
Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Assinale a alternativa em que o conjunto das palavras seja acentuado seguindo a mesma regra.Resolução comentada
Análise das alternativas
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço.
Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Considerando o texto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.
I. Quando se é jovem, deve-se procurar um neurologista caso os problemas de memória afetem a qualidade de vida.
PORQUE
II. A doença de Alzheimer só é comum a partir dos 65 anos.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.Resolução comentada
Análise das alternativas
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço.
Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem. Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se estabeleça. (linhas 18 a 20)
A respeito do excerto acima, analise as afirmativas a seguir:
I. No trecho, há ocorrência de duas conjunções integrantes.
II. No primeiro período, há uma oração coordenada sindética adversativa.
III. No trecho, há duas ocorrências de oração subordinada reduzida de infinitivo.
AssinaleResolução comentada
Análise das alternativas
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço.
Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Assinale a alternativa em que o vocábulo, no texto, NÃO represente exemplo de coesão anafórica.Resolução comentada
Análise das alternativas
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço.
Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. (linhas 62 e 63)
Assinale a alternativa que NÃO poderia, no trecho acima, substituir o termo mesmo que sob pena de alteração gramatical e semântica.Resolução comentada
Análise das alternativas
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
5 o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
10 doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
15 que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
20 estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
25 prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
30 com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
35 terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
40 portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
45 medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
50 Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
55 ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
60 circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
65 Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço.
Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Assinale a alternativa que apresente correta inferência extraída do texto, sem extrapolação de seu conteúdo.Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
(ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O Trato dos Viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 20).
As medidas mencionadas na afirmativa acima referem-se aos sistemas de administração que Portugal empregou no Brasil no século XVI. Em ordem cronológica, a partir de 1534, tais sistemas foramResolução comentada
Análise das alternativas
I. Ao chegarem a São Vicente, os primeiros portugueses, reconhecendo de imediato a importância fundamental da guerra nas relações intertribais, procuraram tirar proveito delas para efetivarem a ocupação da terra.
II. Considerando o estado de unidade política que imperava no Brasil indígena, as perspectivas de conquista, dominação e exploração passariam por alianças forjadas por rivalidades que não havia entre os nativos, o que levaria ao rompimento de sua unidade e, consequentemente, à sua total aniquilação.
III. Aos olhos dos invasores, a presença de um número considerável de prisioneiros de guerra prometia um possível mecanismo de suprimento de mão de obra cativa para os eventuais empreendimentos coloniais.
IV. Os índios percebiam vantagens imediatas na formação de alianças com os europeus, particularmente nas ações bélicas conduzidas contra os inimigos mortais.
AssinaleResolução comentada
Análise das alternativas
O texto acima refere-se ao contexto da Proclamação da República no Brasil e, nele, a autora faz menção aos diversos argumentos republicanos de então. A esse respeito, assinale a afirmativa INCORRETA.Resolução comentada
Análise das alternativas
O texto acima faz alusão aos movimentos anticoloniais de fins do século XIX. A respeito do contexto histórico daquele período, analise as afirmativas a seguir:
I. Criticar a realeza e o poder absoluto dos reis significava lutar pela emancipação dos laços coloniais.
II. Os estudantes que viajavam para o exterior, completando seus estudos em Portugal ou na França, voltavam imbuídos das novas ideias e se tornavam seus principais propagandistas.
III. Nem as prisões, nem os exílios, nem os enforcamentos foram capazes de deter a marcha do processo. Em vão a censura intentava impedir a divulgação das ideias nocivas à ordem vigente.
IV. A Inconfidência Mineira, que tinha propostas igualitárias, contava com a possibilidade de um levante de escravos, já que o número de homens pretos, livres e escravos superava em muito o dos brancos; por isso, contava com a composição de um exército popular.
V. Os líderes da Conjuração Baiana, membros das elites agrárias, não permitiram que setores populares se integrassem ao movimento, limitando seus ideais aos aspectos emancipacionistas.
AssinaleResolução comentada
Análise das alternativas
A respeito dessas revoltas, iniciadas, exclusivamente, no Período Regencial, é correto afirmar queResolução comentada
Análise das alternativas
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Durante o período colonial brasileiro, as atividades econômicas que mais se destacaram foram a agromanufatura açucareira e a mineração. A respeito dessas atividades, assinale a afirmativa correta.
Na América portuguesa, em consequência da ofensiva francesa e do declínio do trato asiático, foram tomadas em 1534 medidas para o povoamento e a valorização do território.
A respeito da ocupação territorial da Capitania de São Vicente e do contato dos portugueses com os nativos, analise as afirmativas a seguir:
Duas linhas de interpretação surgiram já nos primeiros anos: a dos vencedores e a dos vencidos, a dos republicanos e a dos monarquistas, aos quais vieram juntar-se com o tempo alguns republicanos que, desiludidos com a experiência, aumentaram o rol dos descontentes, exaltando as glórias do Império e ressaltando os vícios do regime republicano. (COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisivos. – 6.ed. – São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999, p. 387).
As críticas feitas na Europa pelo pensamento ilustrado ao absolutismo assumiram no Brasil o sentido de críticas ao sistema colonial. No Brasil, Ilustração foi, antes de mais nada, anticolonialismo. (COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisivos. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999, p. 26).
Durante o Período Regencial, ocorreram reformas que ficaram conhecidas como uma "experiência republicana", mas que acabaram por desatar forças até então contidas pelo unitarismo imperial. Por quase todo o período eclodiram revoltas populares que procuraram alterar a ordem política e social estabelecida.