← Voltar para a lista de provas Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Informática 70 questões nesta prova · página 1 de 4 · 70 com gabarito Gabarito disponível Gabarito disponível Dezenas, pacientes e indicativos são substantivos. 'Dezenas' (coletivo), 'pacientes' (l. 24) e 'indicativos' (l. 35, 'indicativos bioquímicos') funcionam como substantivos no texto. A) 'dezenas' é substantivo coletivo, não numeral. B) 'paciente' (l. 64) é substantivo. D) 'muito' (l. 2) é pronome indefinido. E) 'muito' (l. 2) não é pronome relativo e não há pronome 'que' na linha 66. Referência: Classes de palavras Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Texto dissertativo-expositivo, que informa sobre uma doença. O texto explica e informa sobre a doença de Alzheimer e as doenças neurodegenerativas, sem defender uma tese polêmica. Por isso é dissertativo-expositivo. A) Não narra uma sequência de fatos. B) Não se limita a descrever. C) Não defende ponto de vista em disputa. D) Não instrui por comandos. Referência: Tipologia textual Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Os dois-pontos introduzem uma explicação do que foi dito antes. A afirmação de que 'não há motivo de preocupação' para jovens é explicada pelo trecho seguinte: a DA só é comum a partir dos 65 anos e o esquecimento ocasional pode ser circunstancial. Logo, o trecho tem papel de explicação. A) Não há lista. B) 'Explicitação' é termo vago e redundante com D. C) Não há exemplos. E) Não há exceção. Referência: Pontuação: dois-pontos Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Da doença' (l. 41) é adjunto adnominal, como 'de coordenação motora'. Em 'falta de coordenação motora' o termo é adjunto adnominal, e em 'sintomas clínicos da doença' o termo também é adjunto adnominal. Por isso a alternativa B tem a mesma função sintática do trecho indicado. A) 'à demência' complementa 'associadas'. C) 'de medicamentos' complementa 'emprego'. D) 'de uma medicação' é complemento de 'dispomos'. E) 'de reversão' completa o sentido de 'promessas'. Todas têm função diferente do adjunto adnominal. Referência: Sintaxe: adjunto adnominal e complemento nominal Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Nenhuma afirmativa está correta. I é falsa: 'à medida que' é proporcional, enquanto 'na medida em que' é causal, e a classificação da oração muda. II é falsa: 'à medida em que' não é equivalente. III é falsa: o segundo 'que' repete a conjunção adverbial proporcional, e não é integrante. As alternativas A, B, C e E consideram corretas afirmativas falsas. Referência: Gramática: locuções conjuntivas Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Os dois termos da E funcionam como apostos explicativos. 'Fluido que banha nosso cérebro e nossa medula espinhal' explica 'líquor', e 'exposição controlada e estímulo...' explica 'musicoterapia'. Ambos são apostos explicativos, isolados por parênteses ou travessões. A, B, C e D juntam termos de papéis distintos. As siglas entre parênteses são abreviaturas e a oração 'o que prejudica...' retoma toda a oração anterior. Referência: Sintaxe: aposto explicativo Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Peptídeo, cérebro e tóxicos têm a mesma regra de acentuação: proparoxítonas. Pep-tí-de-o, cé-re-bro e tó-xi-cos são proparoxítonas (ou aparentemente proparoxítonas), todas acentuadas. Por isso o conjunto da alternativa A segue a mesma regra. B) 'níveis' é proparoxítona aparente, mas 'memória' termina em ditongo e é paroxítona. C) 'demência' é paroxítona terminada em ditongo, diferente de 'número' e 'físicas'. D) 'saudáveis' é paroxítona terminada em ditongo. E) 'líquor' é paroxítona terminada em r. Referência: Regras de acentuação gráfica Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Ambas verdadeiras, mas a II não justifica a I. Pelo texto, a consulta ao neurologista é indicada quando os problemas de memória afetam a qualidade de vida (I). O texto também diz que a DA só é comum a partir dos 65 anos (II). Mas a idade típica da DA não é a razão da consulta, que decorre do comprometimento da qualidade de vida. A) Erra ao ligar II como causa de I. C, D e E consideram falsa uma das asserções, ambas verdadeiras segundo o texto. Referência: Texto 'Quando o cérebro começa a falhar' (Ciência Hoje) Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Estão corretas II e III; no trecho há só uma conjunção integrante. I é falsa: só o 'se' de 'é se estariam desenvolvendo' é integrante, enquanto o 'que' de 'antes que a doença se estabeleça' é conjunção adverbial temporal (o outro 'que' é pronome relativo). II segue o gabarito: 'e ainda não sabem' é coordenada com valor adversativo. III é correta: 'ao envelhecer' e 'de prever' são orações reduzidas de infinitivo. A, B, D e E erram ao considerar I correta ou ao negar II ou III. Referência: Período composto: orações coordenadas e subordinadas Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Doença' da linha 51 introduz o referente, e não retoma termo anterior. Coesão anafórica retoma algo já dito. 'Ele' retoma 'cérebro', 'cujo' retoma 'demência', '-las' retoma 'doenças', e 'doença' (l. 26) retoma a DA. Na linha 51, 'doença de Huntington' aparece pela primeira vez e é um elemento novo. A, B, C e D retomam elementos já mencionados, portanto são anáforas. Referência: Coesão referencial: anáfora Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Porquanto' é conjunção explicativa/causal, e não concessiva como 'mesmo que'. 'Mesmo que' introduz oração subordinada adverbial concessiva. 'Embora', 'conquanto', 'não obstante' e 'posto que' também são concessivos e a substituem sem alterar o sentido. 'Porquanto' é conjunção causal/explicativa e mudaria o sentido. B, C, D e E são equivalentes concessivos, e por isso poderiam substituir o termo. Só A não pode. Referência: Gramática: conjunções e orações concessivas Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Fármacos testados podem apresentar resultados negativos e prejudicar o paciente já debilitado. O texto afirma que muitos fármacos testados têm resultados negativos e que a comprovação científica é necessária para mostrar que os medicamentos 'não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente'. Isso permite inferir que medicamentos experimentais podem piorar o quadro clínico. A) O texto fala em 'perspectiva' de testes acessíveis em uma década, e não em certeza. B) Nada diz que o hipocampo deve ser tratado primeiro. C) A musicoterapia melhora sintomas, mas não promove cura. E) Os distúrbios do sono são sintomas de progressão, e não primários, e não dependem de depressão e apatia. Referência: Texto 'Quando o cérebro começa a falhar' (Ciência Hoje) Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A demanda por africanos nos engenhos contradiz a ideia de que a oferta do tráfico criou a escravidão. A tese criticada diz que o tráfico gerou a escravidão africana, ou seja, que a oferta precedeu a procura. A procura por africanos pelos senhores de engenho mostra que havia demanda anterior, e por isso a alternativa B está correta. A) Os escravos urbanos tinham mais liberdade na zona mineradora, onde o ganho e a mineração eram compatíveis com certa autonomia. C) A mineração ampliou a escravidão negra no Sudeste. D) Em geral, o texto da banca aponta o Rio de Janeiro como porto das minas e capital a partir de 1763; São Salvador não é o porto de abastecimento das minas. E) As plantations açucareiras típicas se concentraram no Nordeste. Referência: Brasil Colônia: economia açucareira e mineração Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A partir de 1534: Capitanias Hereditárias e depois Governo Geral. Em 1534 foram criadas as capitanias hereditárias, o primeiro sistema de povoamento e valorização do território. Em 1548-49 veio o Governo Geral, com Tomé de Sousa, para centralizar a administração. As feitorias eram anteriores e provisórias, e por isso não entram no período contado a partir de 1534. A, C, D e E trocam a ordem ou incluem as feitorias, que antecedem 1534 e funcionaram na costa na fase pré-colonial. Referência: ALENCASTRO, O Trato dos Viventes; Brasil Colônia (séc. XVI) Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Estão corretas I, III e IV; II erra ao afirmar unidade política indígena. Os portugueses em São Vicente exploraram as guerras e rivalidades intertribais (I). Os prisioneiros de guerra eram vistos como possível mão de obra cativa (III), e os índios aliados viam vantagem em combater inimigos mortais com o apoio europeu (IV). Por isso a alternativa C está correta. II é falsa: não havia unidade política entre os povos indígenas, e justamente as rivalidades existentes permitiram as alianças. Logo A, B, D e E, que incluem II, estão erradas. Referência: Colonização de São Vicente e relações com Tupiniquins e Tupinambás Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A INCORRETA é a A: os republicanos não poupavam a monarquia, que criticavam em bloco. A alternativa A atribui aos republicanos uma visão benevolente do imperador, vítima da estrutura monárquica. Isso destoa do argumento republicano, que condenava o Poder Moderador e a própria monarquia como causa dos males. A atitude descrita corresponde mais ao discurso dos monarquistas e dos republicanos desiludidos. B, C, D e E reproduzem argumentos republicanos típicos: tradição republicana desde a Inconfidência, crítica à centralização e à fraude eleitoral, abusos do Poder Moderador, escravidão e guerras, e explicações étnicas e econômicas para a queda do Império. Referência: COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisivos Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Apenas I, II e III estão corretas; IV e V distorcem os movimentos. I, II e III descrevem bem o contexto: a crítica ao absolutismo equivalia à crítica ao colonialismo, os estudantes formados na Europa difundiram as ideias ilustradas e a repressão não conteve o processo. Por isso a alternativa E está correta. IV é falsa: a Inconfidência Mineira foi um movimento de elites, que não previa um exército popular nem a abolição da escravidão. V é falsa: a Conjuração Baiana (1798) teve forte participação popular (alfaiates, soldados, artesãos, escravos) e propostas igualitárias, como o fim da escravidão. Por isso as alternativas A, B, C e D, que incluem IV ou V, estão erradas. Referência: COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república; movimentos emancipacionistas coloniais Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Balaiada (MA/PI): Manuel Francisco dos Anjos Ferreira (balaio) e Cosme Bento. A Balaiada (1838-1841) reuniu vaqueiros, camponeses, sertanejos e escravos, com lideranças como o fabricante de balaios Manuel Francisco dos Anjos Ferreira e o negro Cosme Bento, que chefiou um grande quilombo. Ela eclodiu inteiramente no Período Regencial. A) O Ato Adicional (1834) criou assembleias legislativas provinciais, e a Cabanagem reagiu à exclusão política dos paraenses, não à retirada de uma 'autonomia popular'. B) A Farroupilha foi liderada pelas elites pecuaristas gaúchas, insatisfeitas com impostos e centralização, e não por setores populares excluídos da Guarda Nacional. C) A Revolta dos Malês ocorreu em 1835, não em 1834, e a Sabinada, de caráter republicano e separatista, não se uniu a ela. E) A Praieira (1848-49) ocorreu no Segundo Reinado, fora do Período Regencial. Referência: História do Brasil Imperial — Período Regencial (Balaiada) Resolução comentada do VaiConcursos.EsFCEx — Concurso de Admissão 2019 (CFO/QC 2020) — Informática — Caderno Tipo A
Texto para as questões 1 a 14.
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
[5] o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
[10] doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
[15] que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
[20] estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
[25] prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
[30] com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
[35] terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
[40] portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
[45] medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
[50] Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
[55] ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
[60] circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
[65] Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
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Texto para as questões 1 a 14.
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
[5] o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
[10] doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
[15] que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
[20] estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
[25] prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
[30] com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
[35] terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
[40] portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
[45] medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
[50] Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
[55] ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
[60] circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
[65] Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Assinale a alternativa em que o conjunto de palavras esteja corretamente classificado de acordo com o indicado.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto para as questões 1 a 14.
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
[5] o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
[10] doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
[15] que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
[20] estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
[25] prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
[30] com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
[35] terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
[40] portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
[45] medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
[50] Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
[55] ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
[60] circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
[65] Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
O texto se classifica corretamente comoResolução comentada
Análise das alternativas
Texto para as questões 1 a 14.
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
[5] o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
[10] doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
[15] que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
[20] estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
[25] prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
[30] com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
[35] terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
[40] portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
[45] medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
[50] Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
[55] ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
[60] circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
[65] Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65 anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. (linhas 20 e 21)
No excerto acima, o trecho após os dois-pontos tem papel deResolução comentada
Análise das alternativas
Texto para as questões 1 a 14.
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
[5] o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
[10] doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
[15] que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
[20] estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
[25] prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
[30] com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
[35] terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
[40] portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
[45] medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
[50] Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
[55] ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
[60] circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
[65] Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Assinale a alternativa em que o termo apresente, no texto, função sintática idêntica à de de coordenação motora (linha 53).Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto para as questões 1 a 14.
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
[5] o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
[10] doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
[15] que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
[20] estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
[25] prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
[30] com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
[35] terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
[40] portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
[45] medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
[50] Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
[55] ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
[60] circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
[65] Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Assinale a alternativa em que a palavra apresente o mesmo sentido para hipo que o contido na palavra hipocampo (linha 38).
Texto para as questões 1 a 14.
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
[5] o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
[10] doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
[15] que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
[20] estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
[25] prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
[30] com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
[35] terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
[40] portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
[45] medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
[50] Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
[55] ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
[60] circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
[65] Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos de vida nada saudáveis são adotados. (linhas 13 e 14)
A respeito do trecho acima, analise as afirmativas a seguir:
I. A substituição de à medida que por na medida em que não significaria alteração da classificação da função sintática completa da oração que inicia, embora haja mudança de sentido.
II. A forma à medida que é equivalente à forma à medida em que, a qual, esta, poderia substituir aquela sem prejuízo gramatical ou semântico.
III. O segundo que do período se classifica como conjunção integrante.
AssinaleResolução comentada
Análise das alternativas
Texto para as questões 1 a 14.
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
[5] o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
[10] doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
[15] que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
[20] estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
[25] prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
[30] com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
[35] terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
[40] portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
[45] medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
[50] Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
[55] ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
[60] circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
[65] Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Assinale a alternativa em que os dois termos estejam corretamente agrupados, em função de semelhança em seu papel no texto.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto para as questões 1 a 14.
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
[5] o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
[10] doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
[15] que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
[20] estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
[25] prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
[30] com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
[35] terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
[40] portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
[45] medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
[50] Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
[55] ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
[60] circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
[65] Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Assinale a alternativa em que o conjunto das palavras seja acentuado seguindo a mesma regra.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto para as questões 1 a 14.
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
[5] o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
[10] doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
[15] que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
[20] estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
[25] prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
[30] com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
[35] terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
[40] portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
[45] medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
[50] Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
[55] ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
[60] circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
[65] Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Considerando o texto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.
I. Quando se é jovem, deve-se procurar um neurologista caso os problemas de memória afetem a qualidade de vida.
PORQUE
II. A doença de Alzheimer só é comum a partir dos 65 anos.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto para as questões 1 a 14.
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
[5] o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
[10] doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
[15] que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
[20] estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
[25] prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
[30] com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
[35] terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
[40] portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
[45] medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
[50] Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
[55] ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
[60] circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
[65] Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem. Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se estabeleça. (linhas 18 a 20)
A respeito do excerto acima, analise as afirmativas a seguir:
I. No trecho, há ocorrência de duas conjunções integrantes.
II. No primeiro período, há uma oração coordenada sindética adversativa.
III. No trecho, há duas ocorrências de oração subordinada reduzida de infinitivo.
AssinaleResolução comentada
Análise das alternativas
Texto para as questões 1 a 14.
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
[5] o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
[10] doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
[15] que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
[20] estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
[25] prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
[30] com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
[35] terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
[40] portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
[45] medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
[50] Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
[55] ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
[60] circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
[65] Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Assinale a alternativa em que o vocábulo, no texto, NÃO represente exemplo de coesão anafórica.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto para as questões 1 a 14.
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
[5] o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
[10] doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
[15] que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
[20] estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
[25] prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
[30] com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
[35] terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
[40] portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
[45] medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
[50] Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
[55] ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
[60] circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
[65] Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. (linhas 62 e 63)
Assinale a alternativa que NÃO poderia, no trecho acima, substituir o termo mesmo que sob pena de alteração gramatical e semântica.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto para as questões 1 a 14.
Quando o cérebro começa a falhar
O cérebro humano é fascinante. Ele nos permite pensar, imaginar, agir, falar, coordenar nossos movimentos,
armazenar informações e muito mais. Assim, doenças que atinjam o cérebro podem limitar consideravelmente a capacidade
de manifestarmos a nossa forma humana.
As chamadas doenças neurodegenerativas constituem um grupo de enfermidades que, em sua maioria, surgem com
[5] o envelhecimento. Geralmente, são associadas à demência, cujo exemplo mais comum é a doença de Alzheimer. Com o
aumento da expectativa de vida das pessoas, é natural e necessário que a ciência se preocupe em entender como essas
doenças se desenvolvem e identificar potenciais formas de tratá-las.
Você certamente conhece alguém ou alguma história de uma pessoa acometida por uma doença neurodegenerativa.
Deve ter conhecimento também sobre o sofrimento causado aos pacientes e seus familiares. Existem dezenas dessas
[10] doenças, que têm em comum uma progressiva degeneração das funções cerebrais, que invariavelmente levam a inabilidades
físicas, demência e, na maioria dos casos, à morte.
Mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com a doença de Alzheimer (DA), a principal forma de
demência conhecida. Esse número tende a crescer à medida que a longevidade da população mundial aumenta e que hábitos
de vida nada saudáveis são adotados. Apesar disso, a DA ainda não dispõe de nenhuma forma de diagnóstico precoce — o
[15] que prejudica o início do acompanhamento médico e de possíveis intervenções experimentais — e, infelizmente, ainda não
tem cura. Isso não quer dizer, no entanto, que a ciência nesse campo esteja parada. Muito se descobriu nas últimas três
décadas.
Uma pergunta frequente que muitos se fazem ao envelhecer é se estariam desenvolvendo DA e ainda não sabem.
Por isso, vários grupos de pesquisa têm buscado sinais capazes de prever o Alzheimer muito antes que a doença se
[20] estabeleça. Mas não há motivo de preocupação se você é jovem ainda: o aparecimento da DA só é comum a partir dos 65
anos, e o esquecimento ocasional de algo pode ser apenas circunstancial. Porém, se os problemas de memória afetam a sua
qualidade de vida, aí sim é o momento de se consultar com um neurologista.
As causas específicas da DA ainda não são totalmente estabelecidas. Uma explicação bem aceita para o
desenvolvimento da DA consiste no acúmulo substancial do peptídeo beta-amiloide (Aβ) no cérebro de pacientes, o que
[25] prejudica o funcionamento dos neurônios e de outras células cerebrais, danificando a memória. A ação do Aβ também pode
gerar outros eventos tóxicos para o cérebro que levam a outros sintomas da doença, como ansiedade, depressão e apatia.
Além disso, a progressão do Alzheimer leva a novos sintomas, como distúrbios de sono, agitação e dificuldades motoras.
Como não existe detecção da DA antes do surgimento dos sintomas, os níveis aumentados de Aβ só haviam sido
observados em pacientes que já apresentavam perda de memória. Avanços importantes têm sido alcançados recentemente
[30] com o desenvolvimento de técnicas que permitem detectar pequenas variações nos níveis de Aβ no líquor (fluido que banha
nosso cérebro e nossa medula espinhal) e no sangue em pacientes com risco de desenvolver a doença. Esses testes ainda
não estão disponíveis em hospitais, mas a perspectiva é que eles estejam acessíveis dentro de uma década.
Essas observações também indicam que marcadores cerebrais e bioquímicos da DA poderiam ser identificados
décadas antes do aparecimento dos sintomas clínicos. Isso gera a perspectiva de que potenciais intervenções profiláticas e/ou
[35] terapêuticas possam ser empregadas em pacientes que apresentam indicativos bioquímicos ou moleculares de DA antes do
estabelecimento clínico da doença. A identificação sistemática desses marcadores poderá contribuir não apenas para o
entendimento da progressão, mas também para o desenvolvimento de terapias eficientes no futuro.
A DA é uma doença progressiva que afeta primariamente algumas regiões do cérebro, como o hipocampo. O
hipocampo é fortemente associado à formação e manutenção de memórias no cérebro, e seu funcionamento alterado parece,
[40] portanto, levar à perda de memórias em pacientes com Alzheimer. No entanto, há um rápido acometimento de outras regiões
do cérebro, incluindo os córtices pré-frontal e temporal, o que ajuda a explicar os sintomas clínicos da doença.
(...)
Muitos testes clínicos têm sido feitos em pacientes de diferentes condições neurodegenerativas. Esses estudos têm
se concentrado em duas estratégias: o desenvolvimento de novas drogas com alvos específicos e o emprego de
[45] medicamentos já aprovados para tratar outras doenças. Infelizmente, muitos dos fármacos testados em pacientes têm
apresentado resultados negativos, mas há boas razões para se animar e ter esperança.
No caso da DA, muito esforço tem sido feito em desenvolver anticorpos que bloqueiem a ação do peptídeo Aβ. O
insucesso clínico dessa abordagem possivelmente se deve ao fato de que o tratamento comece tarde demais, apenas quando
o quadro de mau funcionamento cerebral já está estabelecido e os pacientes já apresentam sintomas clínicos.
[50] Contudo, vários resultados também sugerem que estamos progredindo em entender e tratar melhor as doenças
neurodegenerativas. Por exemplo, um novo composto se mostrou eficaz em reduzir os níveis de um marcador da doença de
Huntington. No caso de pacientes com Parkinson, terapias ainda em avaliação sugerem que a estimulação elétrica controlada
de algumas regiões do cérebro dos pacientes pode diminuir os sintomas de tremores e de falta de coordenação motora.
Ainda não dispomos de uma medicação que interrompa ou reverta o quadro neurodegenerativo de pacientes com DA
[55] ou outras formas de demência. Isso certamente causa uma aflição nos familiares dos pacientes ao verem aquele quadro
evoluir sem que muito possa ser feito. No entanto, é bastante importante que a qualidade de vida dos pacientes seja
preservada na medida do possível.
Uma informação interessante é que a musicoterapia – exposição controlada e estímulo dos pacientes a músicas que
lhe são prazerosas – tem claros efeitos positivos em sintomas de agitação, confusão mental e bem-estar geral. A música ativa
[60] circuitos cerebrais bastante complexos relacionados às emoções e pode, de fato, fazer bem.
Por fim, há de se ressaltar o cuidado que se deve ter com falsas promessas de reversão ou cura da DA ou de outras
condições neurodegenerativas. Terapias milagrosas com pílulas ou cirurgias, mesmo que aplicadas por médicos, ainda não
têm validade clínica e não há comprovação científica alguma de que funcionam. A comprovação científica é realmente
necessária para mostrar que os medicamentos têm a ação esperada e que não prejudicam mais ainda o já debilitado paciente.
[65] Ainda há muitos mares a serem navegados na compreensão das doenças neurodegenerativas, mas o público em
geral pode nos ajudar dando seu suporte e apoiando, sempre que possível, iniciativas de pesquisa nessa área.
(Mychael V. Lourenço. Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Matéria publicada em 10/6/19. Disponível em: cienciahoje.org.br)
Assinale a alternativa que apresente correta inferência extraída do texto, sem extrapolação de seu conteúdo.Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
As medidas mencionadas na afirmativa acima referem-se aos sistemas de administração que Portugal empregou no Brasil no século XVI. Em ordem cronológica, a partir de 1534, tais sistemas foramResolução comentada
Análise das alternativas
I. Ao chegarem a São Vicente, os primeiros portugueses, reconhecendo de imediato a importância fundamental da guerra nas relações intertribais, procuraram tirar proveito delas para efetivarem a ocupação da terra.
II. Considerando o estado de unidade política que imperava no Brasil indígena, as perspectivas de conquista, dominação e exploração passariam por alianças forjadas por rivalidades que não havia entre os nativos, o que levaria ao rompimento de sua unidade e, consequentemente, à sua total aniquilação.
III. Aos olhos dos invasores, a presença de um número considerável de prisioneiros de guerra prometia um possível mecanismo de suprimento de mão de obra cativa para os eventuais empreendimentos coloniais.
IV. Os índios percebiam vantagens imediatas na formação de alianças com os europeus, particularmente nas ações bélicas conduzidas contra os inimigos mortais.
AssinaleResolução comentada
Análise das alternativas
O texto acima refere-se ao contexto da Proclamação da República no Brasil e, nele, a autora faz menção aos diversos argumentos republicanos de então. A esse respeito, assinale a afirmativa INCORRETA.Resolução comentada
Análise das alternativas
O texto acima faz alusão aos movimentos anticoloniais de fins do século XIX. A respeito do contexto histórico daquele período, analise as afirmativas a seguir:
I. Criticar a realeza e o poder absoluto dos reis significava lutar pela emancipação dos laços coloniais.
II. Os estudantes que viajavam para o exterior, completando seus estudos em Portugal ou na França, voltavam imbuídos das novas ideias e se tornavam seus principais propagandistas.
III. Nem as prisões, nem os exílios, nem os enforcamentos foram capazes de deter a marcha do processo. Em vão a censura intentava impedir a divulgação das ideias nocivas à ordem vigente.
IV. A Inconfidência Mineira, que tinha propostas igualitárias, contava com a possibilidade de um levante de escravos, já que o número de homens pretos, livres e escravos superava em muito o dos brancos; por isso, contava com a composição de um exército popular.
V. Os líderes da Conjuração Baiana, membros das elites agrárias, não permitiram que setores populares se integrassem ao movimento, limitando seus ideais aos aspectos emancipacionistas.
AssinaleResolução comentada
Análise das alternativas
A respeito dessas revoltas, iniciadas, exclusivamente, no Período Regencial, é correto afirmar queResolução comentada
Análise das alternativas
Texto-base:
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Durante o período colonial brasileiro, as atividades econômicas que mais se destacaram foram a agromanufatura açucareira e a mineração. A respeito dessas atividades, assinale a afirmativa correta.
Na América portuguesa, em consequência da ofensiva francesa e do declínio do trato asiático, foram tomadas em 1534 medidas para o povoamento e a valorização do território. (ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O Trato dos Viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 20).
A respeito da ocupação territorial da Capitania de São Vicente e do contato dos portugueses com os nativos, analise as afirmativas a seguir:
Duas linhas de interpretação surgiram já nos primeiros anos: a dos vencedores e a dos vencidos, a dos republicanos e a dos monarquistas, aos quais vieram juntar-se com o tempo alguns republicanos que, desiludidos com a experiência, aumentaram o rol dos descontentes, exaltando as glórias do Império e ressaltando os vícios do regime republicano. (COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisivos. – 6.ed. – São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999, p. 387).
As críticas feitas na Europa pelo pensamento ilustrado ao absolutismo assumiram no Brasil o sentido de críticas ao sistema colonial. No Brasil, Ilustração foi, antes de mais nada, anticolonialismo. (COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisivos. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999, p. 26).
Durante o Período Regencial, ocorreram reformas que ficaram conhecidas como uma "experiência republicana", mas que acabaram por desatar forças até então contidas pelo unitarismo imperial. Por quase todo o período eclodiram revoltas populares que procuraram alterar a ordem política e social estabelecida.