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EsFCEx — Concurso de Admissão 2019/2020 (CFO/QC) — Magistério Português — Caderno Tipo A

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército2019

70 questões nesta prova · página 1 de 4 · 70 com gabarito

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto para as questões 1 a 14.

Os anabolizantes e o cérebro

Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas
são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático
são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade,
aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
5 Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma
família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o
desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas
que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados
sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
10 Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum.
Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum
o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como
cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam
anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
15 O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens
e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos
usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a
uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio
20 observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar
contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no
Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em
parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores
25 de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda
a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser
constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados
por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população
30 em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas
desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem
qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes,
diariamente.
35 A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o
usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um
importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica
psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os
anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
40 Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem
sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não
se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas
substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras
45 Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de
tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados),
abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto,
tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso
de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de
50 anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de
outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os
ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não
vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
55 Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que
seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona
é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos
anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)

Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam. (linhas 52 a 54)

A respeito do que se pode depreender do trecho acima, analise as afirmativas a seguir:

I. A frequente ida à academia é vista muitas vezes como um investimento em saúde.
II. Os padrões sociais valorizam o corpo bem trabalhado e o consideram atraente.
III. Apesar dos efeitos graves que podem ocorrer, a sociedade continua a valorizar a perseguição por um corpo “perfeito”, tomado como algo saudável.

Assinale
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Depreensão sobre academias e padrões de beleza.

A I e a II são depreendidas do trecho: ir à academia é visto como atividade saudável e o corpo mais atraente traz ganhos sociais. A III extrapola: o texto não afirma que a sociedade continua valorizando a busca do corpo 'perfeito' apesar dos efeitos graves, e sim que a visão positiva persiste até que efeitos graves aconteçam.

Análise das alternativas

B, C e E incluem a III, que não se sustenta no texto. D nega a I e a II, que estão corretas.

Referência: Interpretação textual, linhas 52-54.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Aposto

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto para as questões 1 a 14.

Os anabolizantes e o cérebro

Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas
são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático
são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade,
aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
5 Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma
família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o
desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas
que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados
sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
10 Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum.
Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum
o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como
cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam
anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
15 O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens
e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos
usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a
uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio
20 observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar
contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no
Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em
parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores
25 de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda
a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser
constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados
por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população
30 em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas
desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem
qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes,
diariamente.
35 A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o
usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um
importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica
psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os
anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
40 Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem
sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não
se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas
substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras
45 Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de
tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados),
abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto,
tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso
de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de
50 anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de
outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os
ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não
vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
55 Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que
seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona
é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos
anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)

Assinale a alternativa em que o termo desempenhe função sintática idêntica à de Harrison Pope e Gen Kanayama (linha 45).
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Função sintática de 'Harrison Pope e Gen Kanayama': aposto.

Esse termo é aposto (especificativo) de 'professores e psiquiatras'. Em 'hormônio masculino testosterona', 'testosterona' também é aposto, pois especifica o termo anterior.

Análise das alternativas

Em A, 'como cocaína e maconha' exemplifica, mas é introduzido por preposição, funcionando como adjunto. B é agente da passiva. C é adjunto adnominal. E é adjunto/coordenação. Em nenhuma dessas há aposto.

Referência: Sintaxe do período simples: aposto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Acentuação Gráfica

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto para as questões 1 a 14.

Os anabolizantes e o cérebro

Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas
são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático
são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade,
aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
5 Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma
família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o
desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas
que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados
sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
10 Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum.
Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum
o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como
cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam
anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
15 O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens
e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos
usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a
uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio
20 observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar
contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no
Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em
parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores
25 de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda
a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser
constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados
por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população
30 em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas
desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem
qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes,
diariamente.
35 A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o
usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um
importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica
psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os
anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
40 Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem
sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não
se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas
substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras
45 Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de
tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados),
abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto,
tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso
de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de
50 anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de
outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os
ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não
vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
55 Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que
seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona
é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos
anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)

Assinale a alternativa em que o vocábulo seja acentuado seguindo a mesma regra que proteínas (linha 8).
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Acentuação de 'proteínas' (hiato com i tônico).

'Proteínas' é acentuada por ter 'í' tônico em hiato (o-í) formando sílaba sozinho ou seguido de s. 'Cocaína' segue a mesma regra, com 'í' tônico em hiato (a-í).

Análise das alternativas

'Usuários', 'suicídio', 'períodos' e 'desequilíbrio' são paroxítonas terminadas em ditongo crescente (ário, ício, íodo, íbrio), e portanto seguem outra regra de acentuação.

Referência: Regras de acentuação gráfica: hiato.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto para as questões 1 a 14.

Os anabolizantes e o cérebro

Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas
são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático
são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade,
aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
5 Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma
família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o
desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas
que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados
sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
10 Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum.
Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum
o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como
cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam
anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
15 O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens
e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos
usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a
uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio
20 observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar
contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no
Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em
parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores
25 de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda
a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser
constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados
por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população
30 em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas
desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem
qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes,
diariamente.
35 A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o
usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um
importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica
psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os
anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
40 Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem
sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não
se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas
substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras
45 Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de
tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados),
abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto,
tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso
de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de
50 anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de
outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os
ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não
vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
55 Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que
seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona
é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos
anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)

Assinale a alternativa em que, segundo o texto, estejam relacionadas ideias com nexo de causalidade entre elas.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Nexo de causalidade segundo o texto.

O texto diz que o aumento da agressividade é considerado por alguns autores uma das explicações para o risco de suicídio, pois o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar contra a própria pessoa. Há, portanto, relação causal.

Análise das alternativas

A está errada: biossíntese é o efeito anabolizante dos esteroides, definição e não causa de efeito. B está errada: abstinência é um sintoma da dependência. D está errada: o texto diz que os sintomas depressivos ocorrem mesmo com níveis altos, sendo a variação do nível o que causa o desequilíbrio. E está errada: o texto afirma que não se pode considerar os anabolizantes a causa da dismorfia muscular.

Referência: Texto 'Os anabolizantes e o cérebro' (Ciência Hoje, 2019).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Adjunto Adnominal e Complemento Nominal

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto para as questões 1 a 14.

Os anabolizantes e o cérebro

Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas
são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático
são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade,
aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
5 Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma
família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o
desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas
que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados
sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
10 Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum.
Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum
o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como
cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam
anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
15 O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens
e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos
usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a
uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio
20 observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar
contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no
Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em
parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores
25 de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda
a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser
constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados
por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população
30 em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas
desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem
qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes,
diariamente.
35 A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o
usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um
importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica
psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os
anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
40 Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem
sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não
se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas
substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras
45 Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de
tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados),
abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto,
tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso
de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de
50 anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de
outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os
ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não
vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
55 Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que
seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona
é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos
anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)

Trecho das linhas 23 a 25, em itálico: “Devido em parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado” (1), não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores de anabolizantes (2) e de outras drogas de controle (3) da imagem corporal (4).” Termos sublinhados: (1) “de um corpo “sarado””; (2) “de anabolizantes”; (3) “de controle”; (4) “da imagem corporal”.

Analisando-se o papel sintático dos termos sublinhados, pode-se reuni-los em dois conjuntos.

Assinale a alternativa em que os conjuntos estejam corretamente construídos.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

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Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto para as questões 1 a 14.

Os anabolizantes e o cérebro

Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas
são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático
são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade,
aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
5 Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma
família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o
desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas
que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados
sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
10 Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum.
Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum
o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como
cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam
anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
15 O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens
e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos
usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a
uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio
20 observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar
contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no
Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em
parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores
25 de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda
a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser
constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados
por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população
30 em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas
desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem
qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes,
diariamente.
35 A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o
usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um
importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica
psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os
anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
40 Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem
sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não
se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas
substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras
45 Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de
tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados),
abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto,
tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso
de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de
50 anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de
outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os
ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não
vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
55 Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que
seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona
é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos
anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)

Considerando o texto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.

I. Os “surtos de fúria” podem ocorrer com usuários de anabolizantes, apesar de não serem comuns.
PORQUE
II. Usuários de anabolizantes podem reagir fisicamente a uma situação de estresse.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Asserção e razão sobre surtos de fúria e reação física ao estresse.

A I é verdadeira: o texto diz que os 'surtos de fúria' são relatados, mas não são um quadro comum. A II é verdadeira: usuários tendem a reagir fisicamente a uma situação de estresse. Contudo, a II não explica a I, pois trata do aumento da agressividade em geral, e não justifica que os surtos sejam raros ou possíveis.

Análise das alternativas

A está errada porque não há relação de justificativa entre as asserções. C, D e E afirmam que alguma asserção é falsa, mas ambas são verdadeiras segundo o texto.

Referência: Interpretação textual, asserção-razão.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Semântica e Pontuação

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Os anabolizantes e o cérebro

Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas
são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático
são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade,
aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
5 Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma
família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o
desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas
que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados
sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
10 Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum.
Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum
o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como
cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam
anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
15 O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens
e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos
usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a
uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio
20 observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar
contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no
Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em
parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores
25 de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda
a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser
constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados
por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população
30 em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas
desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem
qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes,
diariamente.
35 A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o
usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um
importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica
psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os
anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
40 Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem
sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não
se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas
substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras
45 Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de
tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados),
abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto,
tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso
de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de
50 anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de
outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os
ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não
vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
55 Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que
seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona
é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos
anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)

Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite. (linhas 26 a 30)

A respeito do trecho acima, analise as afirmativas a seguir:

I. Em toda a cultura, o artigo A pode ser suprimido sem provocar mudança de sentido.
II. Em até mesmo, pode-se suprimir o vocábulo mesmo, sem provocar mudança de sentido.
III. A vírgula após musculosos pode ser suprimida, sem prejuízo gramatical para o texto.

Assinale
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Supressão de artigo, de 'mesmo' e de vírgula no trecho.

A I está errada: 'toda a cultura' (a cultura inteira) difere de 'toda cultura' (qualquer cultura). A II está correta: 'até mesmo' permite suprimir 'mesmo' sem mudar o sentido. A III está correta: a vírgula antes de 'e quando ocorreu' pode ser omitida sem prejuízo gramatical.

Análise das alternativas

A, B e E consideram a I correta, o que é falso. D nega a II e a III, que estão corretas.

Referência: Emprego do artigo com 'todo'; pontuação.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Estrutura e Formação de Palavras

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Texto para as questões 1 a 14.

Os anabolizantes e o cérebro

Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas
são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático
são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade,
aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
5 Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma
família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o
desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas
que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados
sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
10 Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum.
Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum
o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como
cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam
anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
15 O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens
e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos
usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a
uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio
20 observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar
contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no
Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em
parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores
25 de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda
a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser
constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados
por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população
30 em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas
desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem
qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes,
diariamente.
35 A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o
usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um
importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica
psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os
anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
40 Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem
sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não
se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas
substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras
45 Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de
tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados),
abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto,
tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso
de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de
50 anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de
outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os
ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não
vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
55 Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que
seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona
é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos
anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)

Em anabolizantes (linha 7), há ocorrência de uma estrutura com sentido próprio: ana-.

Assinale a alternativa em que a palavra NÃO contenha estrutura com o mesmo leque de sentidos que o empregado na palavra anabolizantes.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Elemento ana- e seus sentidos.

O prefixo grego ana- traz as ideias de separação, de movimento para cima, de repetição, de inversão e de retrocesso, como em análise, anagrama, anádromo e anacrônico. Em 'anemia' o elemento é a-/an- (negação, privação), o que difere de ana-.

Análise das alternativas

Análise (decomposição), anagrama (troca de letras), anádromo (que retorna) e anacrônico (fora do tempo) contêm ana-. Anemia traz 'an-', de negação ou ausência (falta de sangue), e é por isso a exceção.

Referência: Estudo de prefixos gregos; Houaiss.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Conjunções — Valor Semântico

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Texto para as questões 1 a 14.

Os anabolizantes e o cérebro

Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas
são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático
são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade,
aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
5 Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma
família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o
desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas
que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados
sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
10 Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum.
Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum
o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como
cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam
anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
15 O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens
e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos
usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a
uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio
20 observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar
contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no
Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em
parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores
25 de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda
a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser
constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados
por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população
30 em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas
desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem
qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes,
diariamente.
35 A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o
usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um
importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica
psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os
anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
40 Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem
sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não
se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas
substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras
45 Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de
tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados),
abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto,
tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso
de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de
50 anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de
outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os
ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não
vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
55 Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que
seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona
é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos
anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)

Trecho das linhas 35 e 36, em itálico: “Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir.” Termo sublinhado: “Apesar de”.

Realizando-se as adaptações necessárias, o termo sublinhado NÃO poderia ser substituído por um dos listados nas alternativas a seguir, sob pena de alteração de sentido. Assinale-o.
Selecione uma alternativa

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Texto para as questões 1 a 14.

Os anabolizantes e o cérebro

Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas
são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático
são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade,
aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
5 Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma
família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o
desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas
que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados
sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
10 Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum.
Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum
o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como
cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam
anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
15 O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens
e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos
usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a
uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio
20 observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar
contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no
Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em
parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores
25 de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda
a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser
constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados
por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população
30 em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas
desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem
qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes,
diariamente.
35 A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o
usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um
importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica
psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os
anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
40 Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem
sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não
se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas
substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras
45 Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de
tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados),
abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto,
tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso
de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de
50 anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de
outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os
ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não
vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
55 Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que
seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona
é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos
anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)

A palavra automedicação (linha 36) foi grafada corretamente, seguindo as regras da língua portuguesa. Das palavras listadas nas alternativas a seguir, uma delas foi erroneamente grafada, empregando-se o mesmo prefixo. Assinale-a.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Emprego do hífen com o prefixo 'auto-'.

Com o prefixo terminado em vogal, usa-se hífen apenas se o segundo elemento começa com a mesma vogal. Se começa com r ou s, a consoante se duplica sem hífen. Assim, o correto é 'autorregistro', e 'auto-registro' está errada.

Análise das alternativas

A (autoajuda) e D (autoestima) estão certas, pois o segundo elemento começa com vogal diferente. B (auto-organização) e C (auto-ônibus) estão certas, com o hífen exigido pela repetição da vogal 'o'.

Referência: Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990), regras do hífen.

Resolução comentada do VaiConcursos.

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Os anabolizantes e o cérebro

Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas
são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático
são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade,
aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
5 Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma
família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o
desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas
que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados
sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
10 Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum.
Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum
o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como
cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam
anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
15 O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens
e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos
usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a
uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio
20 observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar
contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no
Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em
parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores
25 de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda
a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser
constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados
por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população
30 em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas
desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem
qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes,
diariamente.
35 A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o
usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um
importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica
psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os
anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
40 Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem
sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não
se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas
substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras
45 Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de
tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados),
abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto,
tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso
de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de
50 anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de
outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os
ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não
vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
55 Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que
seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona
é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos
anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)

Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional. (linhas 13 e 14)

A respeito do trecho acima, assinale a afirmativa correta.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Classificação morfológica de palavras do trecho.

Em 'não sabemos se algumas das pessoas...', o 'se' introduz oração subordinada substantiva objetiva direta (sabemos algo), logo é conjunção integrante.

Análise das alternativas

A está errada: 'além de' é locução prepositiva. C está errada: 'que' em 'pessoas que cometeram' é pronome relativo. D está errada: 'quando' é conjunção subordinativa temporal. E está errada: 'já' é advérbio de tempo.

Referência: Classes de palavras e orações subordinadas substantivas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Classes de Palavras

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Texto-base:
Texto para as questões 1 a 14.

Os anabolizantes e o cérebro

Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas
são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático
são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade,
aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
5 Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma
família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o
desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas
que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados
sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
10 Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum.
Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum
o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como
cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam
anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
15 O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens
e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos
usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a
uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio
20 observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar
contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no
Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em
parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores
25 de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda
a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser
constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados
por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população
30 em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas
desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem
qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes,
diariamente.
35 A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o
usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um
importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica
psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os
anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
40 Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem
sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não
se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas
substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras
45 Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de
tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados),
abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto,
tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso
de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de
50 anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de
outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os
ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não
vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
55 Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que
seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona
é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos
anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
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Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio. (linhas 20 e 21)

No trecho acima, há
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Contagem de artigos e preposições no trecho.

Artigos: um, o, a (a própria pessoa), e o 'a' do 'à' (à tentativa), totalizando quatro. Preposições: Em, contra, a (a atos), de (de risco), a (do 'à') e de (de suicídio), totalizando seis. Logo, quatro artigos e seis preposições.

Análise das alternativas

A, B, C e D trazem números de artigos ou preposições que não correspondem à contagem. A e D erram nas preposições (cinco e quatro, respectivamente); B e C erram nos artigos (cinco).

Referência: Classes de palavras: artigo e preposição.

Resolução comentada do VaiConcursos.

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Texto para as questões 1 a 14.

Os anabolizantes e o cérebro

Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas
são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático
são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade,
aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
5 Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma
família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o
desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas
que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados
sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
10 Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum.
Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum
o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como
cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam
anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
15 O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens
e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos
usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a
uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio
20 observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar
contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no
Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em
parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores
25 de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda
a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser
constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados
por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população
30 em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas
desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem
qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes,
diariamente.
35 A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o
usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um
importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica
psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os
anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
40 Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem
sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não
se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas
substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras
45 Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de
tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados),
abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto,
tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso
de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de
50 anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de
outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os
ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não
vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
55 Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que
seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona
é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos
anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)

É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de outras substâncias de abuso. (linhas 51 e 52)

A respeito do trecho acima, analise as afirmativas a seguir:

I. Há tanto adjuntos adnominais quanto complementos nominais vinculados à palavra cuidado.
II. Há ocorrência de erro de paralelismo ou erro de comparação.
III. Há somente uma ocorrência de termo com papel anafórico.

Assinale
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Termos ligados a 'cuidado', paralelismo e anáfora no período.

A I está correta: 'o' e a oração adjetiva 'que esses pesquisadores tiveram' funcionam como adjuntos adnominais de 'cuidado', e 'em diferenciar...' é complemento nominal. A II está correta: há falha de comparação, pois se compara 'o uso nocivo dos anabolizantes' com 'outras substâncias de abuso', e o certo seria 'do uso de outras substâncias'. A III está errada porque há mais de um termo anafórico ('que' e 'esses', por exemplo).

Análise das alternativas

B, C e E consideram a III correta, o que é falso, pois há mais de uma ocorrência anafórica. D nega a I e a II, que estão corretas.

Referência: Gramática normativa: complemento nominal, adjunto adnominal, paralelismo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Semântica — Significação das Palavras

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

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Texto-base:
Texto para as questões 1 a 14.

Os anabolizantes e o cérebro

Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas
são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático
são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade,
aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
5 Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma
família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o
desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas
que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados
sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
10 Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum.
Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum
o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como
cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam
anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
15 O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens
e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos
usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a
uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio
20 observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar
contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no
Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em
parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores
25 de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda
a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser
constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados
por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população
30 em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas
desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem
qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes,
diariamente.
35 A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o
usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um
importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica
psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os
anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
40 Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem
sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não
se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas
substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras
45 Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de
tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados),
abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto,
tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso
de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de
50 anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de
outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os
ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não
vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
55 Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que
seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona
é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos
anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)

Na linha 11, imputarmos NÃO poderia ser substituído, sob pena de grave alteração de sentido, por
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Resolução comentada

Sinônimo de 'imputar' no texto.

Em 'imputarmos sua causa aos anabolizantes', imputar significa atribuir a responsabilidade. Irrogar, adjudicar, atribuir e conferir admitem, em graus variados, a ideia de atribuir ou conceder. Encomiar significa elogiar, o que alteraria gravemente o sentido.

Análise das alternativas

A, B, C e E aceitam, com adaptações, a ideia de atribuir ou imputar. D (encomiar = louvar, elogiar) não tem relação com atribuir causa, e por isso é a que não pode substituir.

Referência: Dicionário da língua portuguesa (Houaiss/Aurélio).

Resolução comentada do VaiConcursos.

História do Brasil Brasil Colônia — Economia Açucareira e Mineração

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

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Durante o período colonial brasileiro, as atividades econômicas que mais se destacaram foram a agromanufatura açucareira e a mineração. A respeito dessas atividades, assinale a afirmativa correta.
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Resolução comentada

Escravidão africana, açúcar e mineração no Brasil colonial.

A alternativa C está correta: a demanda por mão de obra africana nos engenhos mostra que a procura impulsionou o tráfico, contrariando a tese de que a oferta de escravos pelo tráfico teria gerado a escravidão (a oferta precedendo a procura).

Análise das alternativas

A está errada: nas áreas de mineração, os escravos urbanos também tinham muita autonomia (ganho, aluguel), e a comparação feita é duvidosa. B está errada: a mineração ampliou a escravidão negra, não a reduziu. D está errada: a capital colonial passou de Salvador para o Rio de Janeiro em 1763, e o Rio foi o porto das minas. E está errada: no século XVII o Nordeste, e não o Sudeste, foi a região açucareira típica.

Referência: Alencastro, O Trato dos Viventes; economia colonial brasileira.

Resolução comentada do VaiConcursos.

História do Brasil Redemocratização — Eleição Presidencial de 1985

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

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A eleição presidencial brasileira de 1985 foi a última ocorrida de forma indireta, por meio de um colégio eleitoral, sob a égide da Constituição de 1967. Nesse pleito, a vitória coube à Aliança Democrática, que, em síntese, foi
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Resolução comentada

Aliança Democrática na eleição indireta de 1985.

A Aliança Democrática juntou o PMDB, principal partido de oposição, e a Frente Liberal, dissidência do PDS, em torno da chapa Tancredo Neves/José Sarney. Com isso venceu o colégio eleitoral contra Paulo Maluf.

Análise das alternativas

A está errada: o acordo não foi um pacto Tancredo-Aureliano Chaves restrito a votos em troca de participação no governo. B está errada: não foi um acordo para barrar a esquerda. C está errada: não se tratou de pacto para impedir investigações do regime. D está errada: o 'Acordo de Minas' não era alvo de uma aliança de oposição.

Referência: Historiografia da redemocratização; Colégio Eleitoral de 1985.

Resolução comentada do VaiConcursos.

História do Brasil Brasil Colônia — Administração Colonial

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

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Na América portuguesa, em consequência da ofensiva francesa e do declínio do trato asiático, foram tomadas em 1534 medidas para o povoamento e a valorização do território. (ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O Trato dos Viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p. 20).

As medidas mencionadas na afirmativa acima referem-se aos sistemas de administração que Portugal empregou no Brasil no século XVI. Em ordem cronológica, a partir de 1534, tais sistemas foram
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Resolução comentada

Medidas de 1534: sistema de Capitanias Hereditárias, seguido do Governo Geral.

As medidas de 1534 referem-se às Capitanias Hereditárias, adotadas diante da ameaça francesa e do declínio do comércio asiático. Como a administração privada deu resultados limitados, a Coroa criou o Governo Geral em 1548-49, com Tomé de Sousa.

Análise das alternativas

As alternativas A, C e E incluem as feitorias, que eram anteriores (primeiras décadas do século XVI) e não são o sistema de 1534. C e D invertem a ordem cronológica, pois o Governo Geral veio depois das capitanias.

Referência: Luiz Felipe de Alencastro, O Trato dos Viventes; história colonial do Brasil.

Resolução comentada do VaiConcursos.

História do Brasil Brasil Colônia — Relações entre Portugueses e Indígenas

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

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A respeito da ocupação territorial da Capitania de São Vicente e do contato dos portugueses com os nativos, analise as afirmativas a seguir:

I. Ao chegarem a São Vicente, os primeiros portugueses, reconhecendo de imediato a importância fundamental da guerra nas relações intertribais, procuraram tirar proveito delas para efetivarem a ocupação da terra.
II. Considerando o estado de unidade política que imperava no Brasil indígena, as perspectivas de conquista, dominação e exploração passariam por alianças forjadas por rivalidades que não havia entre os nativos, o que levaria ao rompimento de sua unidade e, consequentemente, à sua total aniquilação.
III. Aos olhos dos invasores, a presença de um número considerável de prisioneiros de guerra prometia um possível mecanismo de suprimento de mão de obra cativa para os eventuais empreendimentos coloniais.
IV. Os índios percebiam vantagens imediatas na formação de alianças com os europeus, particularmente nas ações bélicas conduzidas contra os inimigos mortais.

Assinale
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Contato entre portugueses e indígenas em São Vicente: alianças, guerra intertribal e cativos.

Estão corretas I, III e IV. Os portugueses perceberam a importância da guerra entre tribos e a usaram para ocupar a terra. Os prisioneiros de guerra prometiam mão de obra cativa. Os índios viam vantagens em se aliar aos europeus contra seus inimigos mortais. A II está errada.

Análise das alternativas

A II afirma que havia unidade política entre os indígenas, o que é falso: eram povos fragmentados e rivais, e foi exatamente essa rivalidade que permitiu as alianças. Além disso, 'total aniquilação' é afirmação exagerada. Por isso A, B, D e E, que incluem a II, estão erradas.

Referência: John Monteiro, Negros da terra; historiografia sobre São Vicente quinhentista.

Resolução comentada do VaiConcursos.

História do Brasil Proclamação da República

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

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Duas linhas de interpretação surgiram já nos primeiros anos: a dos vencedores e a dos vencidos, a dos republicanos e a dos monarquistas, aos quais vieram juntar-se com o tempo alguns republicanos que, desiludidos com a experiência, aumentaram o rol dos descontentes, exaltando as glórias do Império e ressaltando os vícios do regime republicano. (COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisivos. – 6.ed. – São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999, p. 387).

O texto acima refere-se ao contexto da Proclamação da República no Brasil e, nele, a autora faz menção aos diversos argumentos republicanos de então. A esse respeito, assinale a afirmativa INCORRETA.
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Resolução comentada

Identificar a afirmativa incorreta sobre os argumentos republicanos.

A alternativa A é a incorreta. Ela atribui aos republicanos uma defesa que atenua os males do Império e põe a culpa na estrutura monárquica, vendo o imperador como sua maior vítima. Os republicanos, ao contrário, atacavam o regime e o Poder Moderador, que consideravam abusivo, e não poupavam a Coroa nem a monarquia. Esse tipo de leitura que isenta o imperador aparece mais entre simpatizantes da monarquia.

Análise das alternativas

B é um argumento republicano típico: a tradição das revoltas desde a Inconfidência e a Monarquia como anomalia numa América de repúblicas. C reflete a crítica à centralização e à fraude eleitoral e a visão da República como solução natural. D traz os fatores de desgaste da monarquia (Poder Moderador, escravidão, finanças, guerras). E reproduz explicações étnicas, econômicas e políticas que alguns republicanos davam.

Referência: Emília Viotti da Costa, Da monarquia à república, cap. sobre interpretações da Proclamação.

Resolução comentada do VaiConcursos.

História do Brasil Movimentos Anticoloniais

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

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As críticas feitas na Europa pelo pensamento ilustrado ao absolutismo assumiram no Brasil o sentido de críticas ao sistema colonial. No Brasil, Ilustração foi, antes de mais nada, anticolonialismo. (COSTA, Emília Viotti da. Da monarquia à república: momentos decisivos. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1999, p. 26).

O texto acima faz alusão aos movimentos anticoloniais de fins do século XIX. A respeito do contexto histórico daquele período, analise as afirmativas a seguir:

I. Criticar a realeza e o poder absoluto dos reis significava lutar pela emancipação dos laços coloniais.
II. Os estudantes que viajavam para o exterior, completando seus estudos em Portugal ou na França, voltavam imbuídos das novas ideias e se tornavam seus principais propagandistas.
III. Nem as prisões, nem os exílios, nem os enforcamentos foram capazes de deter a marcha do processo. Em vão a censura intentava impedir a divulgação das ideias nocivas à ordem vigente.
IV. A Inconfidência Mineira, que tinha propostas igualitárias, contava com a possibilidade de um levante de escravos, já que o número de homens pretos, livres e escravos superava em muito o dos brancos; por isso, contava com a composição de um exército popular.
V. Os líderes da Conjuração Baiana, membros das elites agrárias, não permitiram que setores populares se integrassem ao movimento, limitando seus ideais aos aspectos emancipacionistas.

Assinale
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Resolução comentada

Ilustração no Brasil como anticolonialismo; julgar afirmativas sobre Inconfidência e Conjuração Baiana.

I, II e III descrevem corretamente o contexto: criticar o absolutismo e a realeza equivalia a criticar o domínio colonial; estudantes formados na Europa difundiram as ideias; e a repressão (prisões, exílios, enforcamentos, censura) não deteve o processo. IV e V são falsas.

Análise das alternativas

IV está errada: os inconfidentes mineiros não contavam com um exército popular nem com um levante de escravos, e o projeto era elitista e hesitante quanto à abolição. V está errada: a Conjuração Baiana (1798) teve ampla participação popular (artesãos, soldados, alfaiates, escravos e libertos) e propostas sociais como o fim da escravidão e a igualdade, não se limitando à emancipação. Logo, A, B, C e E, que incluem IV ou V, estão incorretas.

Referência: Emília Viotti da Costa, Da monarquia à república; historiografia sobre Inconfidência Mineira e Conjuração Baiana.

Resolução comentada do VaiConcursos.