← Voltar para a lista de provas Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português 70 questões nesta prova · página 2 de 4 · 70 com gabarito Gabarito disponível A Política dos Governadores foi uma troca de apoio entre o governo federal e as oligarquias estaduais. Criada por Campos Sales, consistia em o presidente apoiar as oligarquias que dominavam os estados e, em troca, receber o apoio delas no Congresso. Isso mantinha os mesmos grupos oligárquicos no poder, com o auxílio da "comissão de verificação de poderes". B) Errada: não buscava combater corrupção nem reduzir a desigualdade. C) Errada: descreve a política do café com leite, que é distinta. D) Errada: descreve o Convênio de Taubaté. E) Errada: o pacto entre MG, RS e PB corresponde à Aliança Liberal. Referência: República Velha; Campos Sales. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A Balaiada (MA e PI) reuniu camponeses, vaqueiros e escravos, liderados por Manuel Francisco (o Balaio) e Cosme Bento. A Balaiada (1838-1841) foi revolta popular no Maranhão e no Piauí, com participação de vaqueiros, camponeses e escravos, e teve como líderes o fabricante de balaios Manuel Francisco dos Anjos Ferreira e o negro Cosme Bento. A) Errada: a Cabanagem não decorreu de perda de autonomia pelas assembleias provinciais do Ato Adicional. B) Errada: a Farroupilha teve participação das elites. C) Errada: a Sabinada não foi ligada aos maleses, além do contexto das datas do enunciado. E) Errada: a Praieira não é exclusiva do Período Regencial. Referência: Período Regencial; revoltas regenciais. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A concentração industrial no Centro-Sul decorreu da acumulação cafeeira, do trabalho assalariado e do mercado interno. O capital da cafeicultura, a substituição do trabalho escravo pelo assalariado (com imigrantes) e o crescimento do mercado consumidor explicam a concentração industrial em São Paulo e no Centro-Sul. A) Errada: o Nordeste recebeu indústrias por incentivos fiscais, não pelo afrouxamento sindical. C) Errada: segundo o gabarito oficial, a descrição da guerra fiscal contém imprecisão. D) Errada: a lavoura cafeeira paulista empregou trabalho escravo. E) Errada: automóvel, máquina de lavar e TV são bens duráveis. Referência: Industrialização brasileira. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível As grandes bacias sedimentares brasileiras são do Fanerozoico, por isso podem ser chamadas de bacias do Fanerozoico. As grandes bacias sedimentares brasileiras, como Paraná, Parnaíba e Amazônica, formaram-se ao longo do Paleozoico e Mesozoico, e algumas seguiram recebendo depósitos no Cenozoico. Todas pertencem ao éon Fanerozoico. A) Errada: as bacias de São Paulo e Curitiba são pequenas bacias cenozoicas, não estão entre as principais. B) Errada: a gênese não é de deposição fluvial cenozoica. D) Errada: bacia hidrográfica não é bacia sedimentar, e as idades diferem. E) Errada: a orogênese andina não gerou essas bacias. Referência: Estrutura geológica do Brasil (Ross). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A política brasileira prioriza grandes projetos nacionais, que beneficiam sobretudo as grandes corporações. Seguindo a ideia de Milton Santos, o crescimento econômico não equivale a crescimento social. O planejamento brasileiro se apoiou em grandes projetos, que costumam favorecer grandes corporações e mantêm as disparidades regionais. A) Errada: os investimentos não foram igualitários e as disparidades persistiram. B) Errada: as privatizações não reduziram as desigualdades regionais. C) Errada: o planejamento estatal não obstruiu a influência das transnacionais. D) Errada: a abertura dos anos 1990 não fortaleceu a indústria nacional nem consolidou a integração. Referência: Milton Santos; desenvolvimento e desigualdades regionais. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A metropolização espraia a ocupação além dos limites municipais, concentra capital e serviços, e produz segregação e fragmentação do espaço. A metropolização estende a mancha urbana para além do município-núcleo, mas mantém centralizados o capital, os serviços e as infraestruturas. O resultado é um uso desigual do território, que segrega a população e fragmenta o espaço urbano. A, B, D e E) Atribuem à metropolização efeitos de democratização, homogeneização, redução de desigualdades ou benefício à periferia, o que não ocorre. O processo reproduz e aprofunda as desigualdades. Referência: Urbanização e metropolização no Brasil. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A precarização do transporte ferroviário de passageiros decorre do investimento voltado ao rodoviarismo/automobilismo. Desde meados do século XX o Brasil priorizou rodovias e o automóvel, e a rede ferroviária de passageiros perdeu investimentos e foi desativada (como a linha Bandeirante). A reportagem mostra essa precarização, agravada pela privatização. B) Errada: o motivo apontado não é falta de interesse econômico. C) Errada: o texto não compara demandas com as cidades europeias. D) Errada: a linha foi concedida à FCA em 1997 e o trecho não deixou de ser privatizado. E) Errada: o texto não trata de hidrovias nem de compra de barcos. Referência: Transportes no Brasil; matriz rodoviarista. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível A desestatização do setor elétrico foi parcial e as incertezas regulatórias afastaram o investimento privado, o que contribuiu para o apagão de 2001. A privatização atingiu sobretudo a distribuição e pouco a geração. Com o marco regulatório incerto, o investimento privado em novas usinas foi insuficiente, o que, somado à falta de planejamento, levou à crise de 2001. A) Errada: o grande potencial hídrico não aproveitado está sobretudo na Amazônia, e não no Centro-Oeste. B) Errada: o uso da lenha caiu, mas o GLP não foi o único substituto. D) Errada: a produção de eletricidade com bagaço está concentrada em São Paulo. E) Errada: a biomassa é muito utilizada e viável no Brasil. Referência: Matriz energética brasileira e reforma do setor elétrico. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Para "vós", o imperativo afirmativo é "vinde" e "olhai". No imperativo afirmativo, a forma de "vós" vem do presente do indicativo sem o "s": vindes > "vinde" e olhais > "olhai". Como a primeira estrofe tem todos os verbos afirmativos, fica: "Menino, vinde para dentro, olhai a chuva lá na serra, olhai como vem o vento!" A) Usa subjuntivo (venhais, olhais), errado. B) Usa "vindes" (indicativo) e "olheis" (subjuntivo), errado. C) "Venhai" não existe. E) "Olheis" é subjuntivo, indevido no imperativo afirmativo. Referência: Imperativo; flexão na 2ª pessoa do plural. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O imperativo afirmativo de "ser" para "tu" é "sê". "Não sejas doido" é imperativo negativo (subjuntivo presente, 2ª pessoa do singular). Na forma afirmativa, o imperativo de "tu" vem do presente do indicativo sem o "s": "Sê doido, menino". A) Errada: "sejas" é a forma negativa. B) Errada: "seja" é para você/ele. C) Errada: "sedes" é indicativo para vós. D) Errada: "sede" é para vós, mas o vocativo "menino" está no singular. Referência: Imperativo afirmativo e negativo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A relação entre as orações é causal; "posto que" é concessiva e muda o sentido. Em "Eu não sou feito de açúcar para derreter na chuva", a ideia é de causa: como não sou de açúcar, não derreto. "Posto que" é conjunção concessiva (equivale a "embora"), o que inverte o sentido da relação. A) "Já que" é causal, então mantém o sentido. C) "Como" no início da frase é causal. D) "Porque" é causal. E) "Pois" antes do verbo é causal/explicativa. Todas mantêm a relação de causa. Referência: Orações subordinadas adverbiais causais e concessivas. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível "Que nem um pinto molhado" indica que o menino estava completamente encharcado. A comparação com "pinto molhado" evoca a imagem de quem está totalmente ensopado pela chuva. O menino ficou na chuva e no vento, e a expressão enfatiza que ele estava encharcado, apesar de continuar teimoso. A) Errada: a felicidade vem de outros versos, não desta comparação. B) Errada: a teimosia é dita no verso seguinte. D) Errada: a comparação não trata de roupa ou cabelo desalinhados. E) Errada: o texto não fala de tremor ou frio. Referência: Interpretação de texto; comparação. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível "Como" é advérbio de intensidade, "Ah!" é interjeição sem função sintática, e a frase é exclamativa, não optativa. Em "como a chuva é bonita", "como" equivale a "quão", advérbio de intensidade (I correta). "Ah!" é interjeição, que exprime emoção e não exerce função sintática (III correta). A frase exprime admiração, portanto é exclamativa, e não um desejo, que seria optativa (II errada). II) Errada: frase optativa exprimiria desejo ("Que a chuva venha!"). Por isso B, C e E ficam descartadas, e D também, já que I e III estão corretas. Referência: Classes de palavras; tipos de frase. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Com "um daqueles que" a norma culta pede o verbo no plural, mas em construções semelhantes o sentido pode exigir o singular. Em "um dos que" e "daqueles que", a regra é o verbo no plural, concordando com o antecedente do relativo ("os que"). Em construções semelhantes, como "um dos que" com sentido de exclusividade, o singular pode ser correto ("Ele foi um dos que decidiu..." quando só um decide). Por isso a alternativa A, que apresenta as duas ideias, é a correta. B) Errada: o "não sou" não determina o número do verbo da oração relativa. C) Errada: não é livremente optativa, pois a norma prefere o plural. D) Errada: afirma o singular de forma geral, o que contraria a regra. E) Errada: a ideia de "obrigatoriamente" ignora os casos em que o sentido permite o singular. Referência: Concordância verbal com pronome relativo "que"; expressões "um dos que". Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível "Embatucar" vem de "batoque" (tampão, rolha), por isso fica no mesmo campo etimológico. "Embatucar" (ficar sem fala, calar-se de surpresa ou embaraço) deriva de "batoque", a rolha ou tampão que fecha um orifício. A ideia é de ficar "tapado", sem conseguir falar. A) "Batuque" vem de "bater" e tem outra origem. B) "Embate" vem de "embater", de choque. C) "Bater" é de outra raiz. D) "Entocar" vem de "toca". Nenhuma tem relação com "batoque". Referência: Etimologia: batoque > embatucar. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível "Precaver" é verbo defectivo que só se conjuga nas formas arrizotônicas. "Precaver(-se)" é defectivo: só tem as formas cuja terminação é tônica, as arrizotônicas (precavemos, precaveis, precavia, precavi etc.). Não existem as formas rizotônicas, como "eu preciro" ou "ele precave", nem o presente do subjuntivo. A) Errada: faltam também outras pessoas e tempos, não só a 1ª pessoa do presente. B) Errada: inverte a regra, pois as rizotônicas é que não existem. D) Errada: não é regular, é defectivo. E) Errada: não deriva de "ver", e sim de "cavere" (acautelar-se), e não segue o padrão de ver. Referência: Verbos defectivos (precaver, reaver, falir, abolir). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O demonstrativo dêitico é "este" (linha 11), que aponta para o momento da situação de fala. Em "como este que o Brasil atravessa", o demonstrativo "este" indica o momento presente em que o orador fala. Isso é dêixis, ou seja, referência ao contexto extratextual (tempo e espaço da enunciação). Os demais demonstrativos retomam ou antecipam elementos do próprio texto, o que é uso anafórico ou catafórico. A) "essa pinguela" retoma algo já dito no texto (anáfora), com valor textual. C) "aquela" retoma a exceção mencionada no próprio texto. D) "daquela agonia" apresenta um termo que o texto desenvolve em seguida. E) "esta ou aquela concordância" opõe as duas concordâncias que o texto já citou, sem apontar para a situação de fala. Referência: Pronomes demonstrativos; dêixis e anáfora. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponívelEsFCEx — Concurso de Admissão 2019/2020 (CFO/QC) — Magistério Português — Caderno Tipo A
Resolução comentada
Análise das alternativas
A respeito dessas revoltas, iniciadas, exclusivamente, no Período Regencial, é correto afirmar queResolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
De acordo com a citação de Milton Santos acima, assinale a alternativa correta sobre os aspectos políticos, administrativos e socioeconômicos das regiões brasileiras.Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Espera por viagens de trem completa 20 anos com linha e estações destruídas
(...) A atual administração do Distrito Federal fala na retomada do transporte de passageiro sobre trilhos. A ideia é atender principalmente aos moradores de cidades vizinhas da capital, ligando a Rodoferroviária a Valparaíso (GO), onde sequer há terminal.
A promessa era colocar o trem para rodar em caráter experimental em março, com apoio financeiro do governo federal. Mês passado, alegando não ter a verba da União, o governo do DF mudou a data para o “começo de 2020”. No entanto, não há locomotiva, vagão nem prédio para receber passageiros. Tampouco, funcionários para operar as locomotivas. Os trilhos precisam ser restaurados.
O projeto do governo de Ibaneis Rocha (MDB) é mais comedido que o apresentado, em junho de 2013, pelo governo federal e os então governadores do DF, Joaquim Roriz (MDB), e de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Eles anunciaram a retomada do transporte de passageiros entre Brasília e Luziânia (GO). Colocariam as composições para rodar sobre o trecho entre as estações Bernardo Sayão, no Núcleo Bandeirante, e Jardim Ingá, bairro populoso de Luziânia. Tudo ficou em promessas, ampliadas por Roriz e Perillo, anos depois, para um trem de alta velocidade entre Brasília e Goiânia.
Antes de elaborar o projeto, comitivas de Goiás e do GDF visitaram cidades da Itália, França e Alemanha para conhecer sistemas ferroviários e negociar com possíveis fornecedores. Mas o Ministério dos Transportes apontou a inviabilidade do plano. (...)
Inaugurada em 1968 para ligar a nova capital a Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, a linha férrea que parte da Rodoferroviária cruza áreas urbanas de grande densidade, nas periferias de Valparaíso e Luziânia. De lá, segue até Pires do Rio, no centro de Goiás. Mas são os 120 primeiros quilômetros que interessam ao brasiliense e aos moradores das cidades vizinhas. Pelos cálculos de especialistas, cerca de 600 mil pessoas poderiam ser beneficiadas pelo transporte de passageiros, interrompido no trecho em 1992, com a desativação da linha Bandeirante, que ligava Brasília a Campinas (SP).
Com a privatização da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1997, a linha brasiliense foi transferida à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) por 30 anos, prorrogáveis por mais 30. Hoje, o trecho Brasília-Luziânia funciona sobre os escombros da linha férrea pontilhada de estações de passageiros. O ponto de partida é um cemitério de trens. No pátio de manobras da Rodoferroviária, dezenas de vagões, inclusive os que transportaram os últimos passageiros, há 27 anos, estão expostos ao vandalismo, tomados pelo mato. Vez ou outra recebem visita de grafiteiros. Do galpão para reparos, só sobrou o esqueleto. Saquearam todo o alambrado, geradores, janelas, portas, pisos, pias.
(Correio Brasiliense, 28/7/19, com adaptações)
Assinale a alternativa que retrate e explique a situação da falta de investimento na malha ferroviária em várias cidades do país.Resolução comentada
Análise das alternativas
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ROSS, Jurandyr L. Sanches (org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008, encarte anexo ao livro.
De acordo com Ross (2008), as unidades de relevo numeradas 1, 4, 12, 13 são corretamente classificadas, respectivamente, como
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Analise as afirmativas a seguir, a respeito das propostas regionais ilustradas no mapa.
I. O critério da regionalização é baseado na difusão diferencial do meio técnico-científico informacional e nas heranças do passado.
II. O critério da regionalização é principalmente de ordem natural, considerando ainda aspectos socioeconômicos. Essa divisão é empregada para fins estatísticos e didáticos.
III. O critério da regionalização é basicamente socioeconômico.
Assinale a alternativa que correlacione corretamente os mapas às descrições acima.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto I, para as questões 31 a 35.
A Tempestade
Menino, vem para dentro,
olha a chuva lá na serra,
olha como vem o vento!
Ah! como a chuva é bonita
5 e como o vento é valente!
Não sejas doido, menino,
esse vento te carrega,
essa chuva te derrete!
– Eu não sou feito de açúcar
10 para derreter na chuva.
Eu tenho força nas pernas
para lutar contra o vento!
E enquanto o vento soprava
e enquanto a chuva caía,
15 que nem um pinto molhado,
teimoso como ele só.
– Gosto de chuva com vento,
gosto de vento com chuva!
(Henriqueta Lisboa)
Assinale a alternativa em que a primeira estrofe tenha sido corretamente alterada para a forma de tratamento vós.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto I, para as questões 31 a 35.
A Tempestade
Menino, vem para dentro,
olha a chuva lá na serra,
olha como vem o vento!
Ah! como a chuva é bonita
5 e como o vento é valente!
Não sejas doido, menino,
esse vento te carrega,
essa chuva te derrete!
– Eu não sou feito de açúcar
10 para derreter na chuva.
Eu tenho força nas pernas
para lutar contra o vento!
E enquanto o vento soprava
e enquanto a chuva caía,
15 que nem um pinto molhado,
teimoso como ele só.
– Gosto de chuva com vento,
gosto de vento com chuva!
(Henriqueta Lisboa)
Assinale a alternativa em que o verso 6 tenha sido corretamente transposto para a forma afirmativa.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto I, para as questões 31 a 35.
A Tempestade
Menino, vem para dentro,
olha a chuva lá na serra,
olha como vem o vento!
Ah! como a chuva é bonita
5 e como o vento é valente!
Não sejas doido, menino,
esse vento te carrega,
essa chuva te derrete!
– Eu não sou feito de açúcar
10 para derreter na chuva.
Eu tenho força nas pernas
para lutar contra o vento!
E enquanto o vento soprava
e enquanto a chuva caía,
15 que nem um pinto molhado,
teimoso como ele só.
– Gosto de chuva com vento,
gosto de vento com chuva!
(Henriqueta Lisboa)
– Eu não sou feito de açúcar
para derreter na chuva. (versos 9 e 10)
Assinale a alternativa em que NÃO se tenha mantido relação semântica correta entre as duas orações dos versos acima.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto I, para as questões 31 a 35.
A Tempestade
Menino, vem para dentro,
olha a chuva lá na serra,
olha como vem o vento!
Ah! como a chuva é bonita
5 e como o vento é valente!
Não sejas doido, menino,
esse vento te carrega,
essa chuva te derrete!
– Eu não sou feito de açúcar
10 para derreter na chuva.
Eu tenho força nas pernas
para lutar contra o vento!
E enquanto o vento soprava
e enquanto a chuva caía,
15 que nem um pinto molhado,
teimoso como ele só.
– Gosto de chuva com vento,
gosto de vento com chuva!
(Henriqueta Lisboa)
A ideia traduzida no poema por “que nem um pinto molhado” (verso 15) é de que o meninoResolução comentada
Análise das alternativas
Texto I, para as questões 31 a 35.
A Tempestade
Menino, vem para dentro,
olha a chuva lá na serra,
olha como vem o vento!
Ah! como a chuva é bonita
5 e como o vento é valente!
Não sejas doido, menino,
esse vento te carrega,
essa chuva te derrete!
– Eu não sou feito de açúcar
10 para derreter na chuva.
Eu tenho força nas pernas
para lutar contra o vento!
E enquanto o vento soprava
e enquanto a chuva caía,
15 que nem um pinto molhado,
teimoso como ele só.
– Gosto de chuva com vento,
gosto de vento com chuva!
(Henriqueta Lisboa)
Ah! como a chuva é bonita
e como o vento é valente! (versos 4 e 5)
A respeito do trecho acima, analise as afirmativas a seguir:
I. A palavra como se classifica como advérbio.
II. Os versos são exemplo de frase optativa.
III. O Ah! se classifica como interjeição e não tem função sintática.
AssinaleResolução comentada
Análise das alternativas
Texto II, para as questões 36 a 49.
Eloquência Singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)
Acerca da dúvida gramatical que motiva o texto de Fernando Sabino, assinale a alternativa que apresente correta interpretação gramatical.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto II, para as questões 36 a 49.
Eloquência Singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)
A palavra embatucou (linha 1) faz parte do mesmo campo etimológico deResolução comentada
Análise das alternativas
Texto II, para as questões 36 a 49.
Eloquência Singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)
Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem... (linha 5)
A respeito do verbo precaver-se, é correto afirmar que se trata de verboResolução comentada
Análise das alternativas
Texto II, para as questões 36 a 49.
Eloquência Singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)
Assinale a alternativa que indique, no texto, um pronome demonstrativo com função dêitica.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto II, para as questões 36 a 49.
Eloquência Singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)
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O trecho sublinhado no excerto acima classifica-se corretamente como
Durante a República Velha, o presidente Campos Sales criou as bases para a implantação de um tipo de política que predominou do seu governo à Revolução de 1930: a Política dos Governadores. Tal política consistiu em
Durante o Período Regencial, ocorreram reformas que ficaram conhecidas como uma "experiência republicana", mas que acabaram por desatar forças até então contidas pelo unitarismo imperial. Por quase todo o período eclodiram revoltas populares que procuraram alterar a ordem política e social estabelecida.
A respeito da industrialização brasileira, é correto afirmar que
Ross destaca as plataformas ou crátons, bacias sedimentares e cadeias orogênicas como as principais macroformas que sustentam o relevo brasileiro, cujas rochas são anteriores à atual configuração do continente sul-americano. Especificamente sobre as grandes bacias sedimentares brasileiras, é correto afirmar que
Às vezes, os fenômenos de crescimento registrados em algumas regiões deprimidas não significam que as disparidades regionais estejam em vias de diminuição ou de absorção. Se as atividades recentemente instaladas são responsáveis por relações privilegiadas com outras atividades locais ou pela utilização de matérias-primas da região, é possível que os efeitos cumulativos assim provocados contribuam para reduzir os desníveis. Em caso contrário, ocorre o crescimento estatístico, dito às vezes econômico, mas não crescimento social ou socioeconômico. (SANTOS, Milton. O Espaço Dividido: Dois Circuitos da Economia Urbana dos Países Subdesenvolvidos. São Paulo: Editora Universidade de São Paulo, 2008, p. 299 – 300.)
A respeito da metropolização das cidades brasileiras, assinale a afirmativa correta.
Leia a reportagem a seguir:
Observe o mapa das Unidades de Relevo Brasileiro apresentado abaixo.
Observe as propostas regionais representadas pelos mapas a seguir:
A respeito dos recursos energéticos e a produção de energia no Brasil, assinale a afirmativa correta.
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