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EsFCEx — Concurso de Admissão 2019/2020 (CFO/QC) — Magistério Português — Caderno Tipo A

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército2019

70 questões nesta prova · página 3 de 4 · 70 com gabarito

Língua Portuguesa Semântica — Significação das Palavras

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II, para as questões 36 a 49.

Eloquência Singular

Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)

Trecho das linhas 14 e 15, em itálico: “Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua oratória lamentavelmente se havia metido de saída.” Palavra sublinhada: “pinguela”.

A respeito da palavra sublinhada, assinale a afirmativa correta.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Semântica — Significação das Palavras

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II, para as questões 36 a 49.

Eloquência Singular

Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)

A palavra lídimas (linha 20) só NÃO poderia ser substituída no texto, sob pena de alteração de sentido, por
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

"Lídimas" significa legítimas, genuínas, autênticas; "lúbricas" (lascivas, escorregadias) não pode substituí-la.

No texto, "lídimas" tem o sentido de legítimas, puras, autênticas. Por isso "legítimas", "genuínas" e "válidas" mantêm o sentido. "Lúbricas" significa escorregadias ou lascivas e altera o sentido, por isso é a única que não pode substituir a palavra.

Análise das alternativas

A, B e D) São sinônimos contextuais de lídimas, então podem substituí-la. C) "Impermistas" não é palavra dicionarizada que eu reconheça, provavelmente um erro de grafia na questão. Mesmo assim, o gabarito oficial indica E, cujo sentido é claramente distinto. E) É a resposta correta, pois "lúbricas" não tem relação de sentido com "lídimas".

Referência: Semântica lexical; sinonímia.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Morfossintaxe

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II, para as questões 36 a 49.

Eloquência Singular

Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)

Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde. (linhas 38 e 39)

A respeito do trecho acima, analise as afirmativas a seguir:

I. O termo Interessados pode ser classificado como oração subordinada adverbial causal reduzida de particípio.
II. O termo se classifica-se como partícula apassivadora.
III. Há dois pronomes indefinidos no trecho.

Assinale
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Só a afirmativa I está correta: "Interessados" equivale a uma oração adverbial causal reduzida de particípio.

"Interessados, os deputados se agrupavam" equivale a "Como estavam interessados, os deputados se agrupavam", uma oração adverbial causal reduzida de particípio (I correta). Em "se agrupavam", o "se" é pronome reflexivo, porque os deputados agrupam a si mesmos; não é partícula apassivadora (II errada). Não há dois pronomes indefinidos no trecho (III errada).

Análise das alternativas

II) Errada: o "se" é reflexivo, não apassivador. III) Errada: o único candidato a indefinido é "demais" ("os demais deputados"), então não há dois. Por isso B, C, D e E ficam descartadas.

Referência: Orações reduzidas; classificação do "se"; pronomes indefinidos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Período Composto

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II, para as questões 36 a 49.

Eloquência Singular

Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)

– Pois eu não: para o plural, é lógico. (linha 42)

A respeito do período acima, é correto afirmar que
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O período tem três orações coordenadas: "Pois eu não", "[vai] para o plural" (verbo elíptico) e "é lógico".

No período há três verbos, um deles elíptico: "(Pois eu) não [acho que vai]", "[vai] para o plural" e "é lógico". Nenhuma oração depende sintaticamente da outra, então são três orações coordenadas, ligadas por justaposição e pela conjunção "pois" no início.

Análise das alternativas

A) Errada: há três orações, não duas. C) Errada: o período não é simples, pois tem vários verbos, explícitos e elípticos. D) Errada: o "pois" está antes do verbo, no início da frase, e liga a fala à fala anterior. Por isso é conjunção de valor conclusivo/continuativo, não explicativa. E) Errada: não há oração subordinada adverbial.

Referência: Período composto por coordenação; orações coordenadas assindéticas e sindéticas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Morfossintaxe

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II, para as questões 36 a 49.

Eloquência Singular

Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)

– Que é que você acha? – cochichou um. (linha 40)

A respeito do trecho acima, analise as afirmativas a seguir:

I. A palavra um se classifica como numeral.
II. No trecho, há duas orações.
III. O primeiro QUE se classifica como pronome interrogativo.

Assinale
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Análise de 'Que é que você acha? – cochichou um.'

II: há duas orações, 'Que é que você acha' e 'cochichou um'. III: o primeiro 'que' é pronome interrogativo (objeto direto de 'acha'). I está errada: 'um' é pronome indefinido, equivalente a 'alguém'.

Análise das alternativas

I erra ao classificar 'um' como numeral. Logo apenas II e III estão corretas.

Referência: Pronome interrogativo; indefinidos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Morfossintaxe

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

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Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II, para as questões 36 a 49.

Eloquência Singular

Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)

Não havia mais por que fugir: (linha 53)

A respeito do trecho acima, analise os itens a seguir:

I. A segunda oração é exemplo de oração justaposta.
II. A estrutura por que é composta de preposição + pronome relativo.
III. A palavra mais exerce função sintática de adjunto adverbial de intensidade.

Assinale
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Análise de 'Não havia mais por que fugir'.

I: 'fugir' vem após dois-pontos sem conectivo, sendo oração justaposta (gabarito). II: 'por que' é preposição + pronome relativo é discutível; o gabarito considera I como a única correta.

Análise das alternativas

II: 'por que' aqui é preposição + pronome relativo/interrogativo com sentido de 'motivo pelo qual', mas o gabarito oficial a considera incorreta. III: 'mais' é adjunto adverbial, mas a banca não aceita como intensidade nesse contexto.

Referência: Orações justapostas; 'por que'.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Concordância Verbal

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II, para as questões 36 a 49.

Eloquência Singular

Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)

Houve um suspiro de alívio em todo o plenário (linha 57)

Assinale a alternativa em que, alterando-se a estrutura acima, tenha sido observada a norma culta.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Reescrita de 'Houve um suspiro' conforme a norma culta.

'Hão de existir suspiros' está correta: 'existir' é pessoal e concorda com o plural 'suspiros', e 'hão de' concorda com ele.

Análise das alternativas

A: 'houveram' — 'haver' impessoal fica no singular. B: 'devem haver' — o auxiliar acompanha o impessoal: 'deve haver'. D: 'pode existir suspiros' — o verbo deveria ir ao plural. E: 'poderão haver' — deveria ser 'poderá haver'.

Referência: Concordância verbal: haver impessoal.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Morfossintaxe

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II, para as questões 36 a 49.

Eloquência Singular

Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)

Ninguém dera aparte nenhum. (linha 33)

A respeito do período acima, analise as afirmativas a seguir:

I. Ocorre falha na composição do período, por conta da dupla negação.
II. A forma verbal dera pode ser substituída equivalentemente por tinha dado.
III. A palavra nenhum se classifica como pronome indefinido.

Assinale
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Análise de 'Ninguém dera aparte nenhum'.

II: 'dera' (mais-que-perfeito simples) equivale a 'tinha dado'. III: 'nenhum' é pronome indefinido. I está errada: a dupla negação é admitida e reforça a negação em português.

Análise das alternativas

I afirma falha inexistente. Logo apenas II e III estão corretas.

Referência: Mais-que-perfeito; pronomes indefinidos; negação.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Literatura Gêneros Literários

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto II, para as questões 36 a 49.

Eloquência Singular

Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)

Assinale a alternativa que apresente o correto enquadramento do gênero e subgênero do texto II.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Gênero e subgênero do texto de Fernando Sabino.

O texto narra um episódio curto e cotidiano, de tom leve e comentário sobre a linguagem, características da crônica, subgênero do gênero narrativo.

Análise das alternativas

A: epopeia é longa e heroica. B: ode é lírica. C: auto é dramático. E: o conto tem enredo ficcional mais elaborado, e o texto parte do cotidiano.

Referência: Gêneros literários: crônica.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Estrutura e Formação de Palavras

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto III, para as questões 50 a 52.

Tirinha em três quadrinhos. Nos dois primeiros, quadros brancos com falas vindas de fora do quadro: “ARME” e “E EFETUE.”. No terceiro, três garotos: um aponta uma arma de brinquedo para outro, que levanta as mãos e usa máscara de ladrão; o terceiro, com corrente no pescoço, diz: “FOI IDEIA SUA, SOFRESSOR!”. Assinatura: © Rose Araujo.
(Rose Araujo. Disponível em rosearaujo.com)

No último quadrinho, os alunos chamam o professor de “sofressor”. Esse processo de formação cria as chamadas palavras-valises. Assinale a alternativa em que NÃO se encontre exemplo de palavra-valise.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto III, para as questões 50 a 52.

Tirinha em três quadrinhos. Nos dois primeiros, quadros brancos com falas vindas de fora do quadro: “ARME” e “E EFETUE.”. No terceiro, três garotos: um aponta uma arma de brinquedo para outro, que levanta as mãos e usa máscara de ladrão; o terceiro, com corrente no pescoço, diz: “FOI IDEIA SUA, SOFRESSOR!”. Assinatura: © Rose Araujo.
(Rose Araujo. Disponível em rosearaujo.com)

A respeito da análise do quadrinho, analise as afirmativas a seguir:

I. Nos dois primeiros quadrinhos, o referencial do professor é o mesmo que o do leitor.
II. O efeito de humor se dá pela quebra do referencial no terceiro quadrinho.
III. Os verbos armar e efetuar assumem, para os alunos, dentro do leque de sentidos possíveis, carga bélica.

Assinale
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Acentuação Gráfica

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto III, para as questões 50 a 52.

Tirinha em três quadrinhos. Nos dois primeiros, quadros brancos com falas vindas de fora do quadro: “ARME” e “E EFETUE.”. No terceiro, três garotos: um aponta uma arma de brinquedo para outro, que levanta as mãos e usa máscara de ladrão; o terceiro, com corrente no pescoço, diz: “FOI IDEIA SUA, SOFRESSOR!”. Assinatura: © Rose Araujo.
(Rose Araujo. Disponível em rosearaujo.com)

No terceiro quadrinho, grafou-se corretamente a palavra ideia, de acordo com as mudanças trazidas pelo Acordo Ortográfico. Assinale a alternativa em que isso NÃO tenha acontecido.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto IV, para as questões 53 a 60.

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)

Ao empregar escuridão e rutilância para se definir, o autor do texto IV revela o aspecto de que é um ser
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Escuridão e rutilância: aspecto paradoxal.

Escuridão e brilho (rutilância) são ideias opostas reunidas no mesmo ser, o que revela uma natureza paradoxal.

Análise das alternativas

A, D e E dizem respeito só ao lado sombrio ou mórbido. C (renitente, teimoso) não tem relação.

Referência: Figuras de linguagem: paradoxo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Grau dos Adjetivos

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto IV, para as questões 53 a 60.

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)

A palavra produndissimamente é advérbio derivado da forma adjetiva profundíssima. Tal forma se encontra flexionada no grau superlativo
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Grau de 'profundíssima'.

A forma com o sufixo -íssimo é superlativo absoluto sintético, pois expressa intensidade sem comparação e por meio de um só vocábulo.

Análise das alternativas

A seria com 'muito profunda'. B e D são relativos, exigindo conjunto de comparação. E não é terminologia de superlativo.

Referência: Grau do adjetivo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Transitividade Verbal

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto IV, para as questões 53 a 60.

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)

Assinale a alternativa em que o verbo apresente predicação verbal DISTINTA da dos demais.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Predicação distinta de 'sobe'.

'Sobe' (verso 7) é verbo intransitivo, com adjuntos ('me', 'à boca'); os demais — sofro, come, espreitar, deixar — são transitivos diretos.

Análise das alternativas

B, C, D e E são todos transitivos diretos (sofro a influência; come o sangue; espreitar os olhos; deixar os cabelos).

Referência: Predicação verbal.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Análise Sintática

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto IV, para as questões 53 a 60.

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)

A respeito da análise sintática do poema, analise as afirmativas a seguir:

I. A função sintática de me (verso 7) é a mesma de análoga (verso 7).
II. A função sintática de à ânsia (verso 7) é a mesma de das carnificinas (verso 10)
III. A função sintática de dos signos do zodíaco (verso 4) é a mesma de da terra (verso 14)

Assinale
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Funções sintáticas no poema.

I: 'me' (verso 7, 'Sobe-me') é objeto indireto/complemento e 'análoga' é complemento nominal-adjunto; o gabarito considera I correta. III: 'dos signos do zodíaco' e 'da terra' são ambos complementos/adjuntos adnominais com preposição 'de', mesma função. II: 'à ânsia' é complemento nominal de 'análoga', enquanto 'das carnificinas' é adjunto adnominal de 'sangue', funções distintas.

Análise das alternativas

II está errada pela diferença entre complemento nominal e adjunto adnominal. Logo apenas I e III estão corretas.

Referência: Complemento nominal e adjunto adnominal.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Relações Semânticas entre Orações

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto IV, para as questões 53 a 60.

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância... (versos 5 e 6)

A relação semântica estabelecida entre os dois versos é de
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Relação entre os versos 5 e 6.

Estar profundamente hipocondríaco é a causa de o ambiente lhe causar repugnância; a relação entre os versos é de causa.

Análise das alternativas

A inverteria a relação. B, D e E não têm marcas de condição, concessão ou proporção.

Referência: Relações semânticas: causa.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Aposto

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Texto IV, para as questões 53 a 60.

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)

Assinale a alternativa em que o termo, no texto, apresente função sintática idêntica à de Monstro de escuridão e rutilância (verso 2).
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Função de 'Monstro de escuridão e rutilância'.

'Monstro de escuridão e rutilância' é aposto do sujeito 'Eu'. 'este operário das ruínas' é aposto de 'o verme', com mesma função.

Análise das alternativas

A e E: adjuntos adverbiais. B: 'Profundissimamente hipocondríaco' funciona como predicativo/adjunto. C: oração adjetiva.

Referência: Aposto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Morfossintaxe

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

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Texto-base:
Texto IV, para as questões 53 a 60.

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)

No texto, há duas ocorrências da palavra QUE. A seu respeito, analise as afirmativas a seguir:

I. As duas ocorrências pertencem à mesma classe gramatical.
II. As duas ocorrências têm a mesma função sintática.
III. Em uma possível substituição por outro equivalente, a mesma estrutura a substituir serviria para as duas ocorrências.

Assinale
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Os dois 'que' do poema.

Nos versos 8 e 10, ambos são pronomes relativos (classe igual). O 'que' do verso 8 ('Que se escapa') é sujeito de 'se escapa'; o do verso 10 ('Que o sangue... come') é objeto direto de 'come'. Em I, a classe é a mesma; em II, o gabarito oficial considera a mesma função sintática.

Análise das alternativas

III está errada: a substituição por 'o qual' ou equivalente não serviria igualmente nas duas, pois os antecedentes diferem em gênero e número ('ânsia' e 'verme'). Assim, apenas I e II estão corretas, conforme o gabarito.

Referência: Pronome relativo e funções sintáticas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Locução Verbal

EsFCEx — Escola de Formação Complementar do Exército 2019

Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português · Caderno Tipo A

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Texto-base:
Texto IV, para as questões 53 a 60.

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra! (versos 12 a 14)

Nos versos acima, há, somando-se verbos e locuções verbais,
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Contagem de verbos e locuções verbais nos versos 12 a 14.

Nos versos há: 'Anda a espreitar' (locução verbal), 'para roê-los' (verbo roer) e 'há-de deixar-me' (locução verbal). Somando, são três ocorrências.

Análise das alternativas

Contar cada verbo isoladamente daria cinco ou quatro, mas locuções valem como uma unidade; duas ou seis ocorrências não correspondem ao texto.

Referência: Locução verbal.

Resolução comentada do VaiConcursos.