← Voltar para a lista de provas Exército Brasileiro · Oficial do Quadro Complementar (CFO/QC) — Magistério Português 70 questões nesta prova · página 3 de 4 · 70 com gabarito Gabarito disponível Gabarito disponível "Lídimas" significa legítimas, genuínas, autênticas; "lúbricas" (lascivas, escorregadias) não pode substituí-la. No texto, "lídimas" tem o sentido de legítimas, puras, autênticas. Por isso "legítimas", "genuínas" e "válidas" mantêm o sentido. "Lúbricas" significa escorregadias ou lascivas e altera o sentido, por isso é a única que não pode substituir a palavra. A, B e D) São sinônimos contextuais de lídimas, então podem substituí-la. C) "Impermistas" não é palavra dicionarizada que eu reconheça, provavelmente um erro de grafia na questão. Mesmo assim, o gabarito oficial indica E, cujo sentido é claramente distinto. E) É a resposta correta, pois "lúbricas" não tem relação de sentido com "lídimas". Referência: Semântica lexical; sinonímia. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Só a afirmativa I está correta: "Interessados" equivale a uma oração adverbial causal reduzida de particípio. "Interessados, os deputados se agrupavam" equivale a "Como estavam interessados, os deputados se agrupavam", uma oração adverbial causal reduzida de particípio (I correta). Em "se agrupavam", o "se" é pronome reflexivo, porque os deputados agrupam a si mesmos; não é partícula apassivadora (II errada). Não há dois pronomes indefinidos no trecho (III errada). II) Errada: o "se" é reflexivo, não apassivador. III) Errada: o único candidato a indefinido é "demais" ("os demais deputados"), então não há dois. Por isso B, C, D e E ficam descartadas. Referência: Orações reduzidas; classificação do "se"; pronomes indefinidos. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O período tem três orações coordenadas: "Pois eu não", "[vai] para o plural" (verbo elíptico) e "é lógico". No período há três verbos, um deles elíptico: "(Pois eu) não [acho que vai]", "[vai] para o plural" e "é lógico". Nenhuma oração depende sintaticamente da outra, então são três orações coordenadas, ligadas por justaposição e pela conjunção "pois" no início. A) Errada: há três orações, não duas. C) Errada: o período não é simples, pois tem vários verbos, explícitos e elípticos. D) Errada: o "pois" está antes do verbo, no início da frase, e liga a fala à fala anterior. Por isso é conjunção de valor conclusivo/continuativo, não explicativa. E) Errada: não há oração subordinada adverbial. Referência: Período composto por coordenação; orações coordenadas assindéticas e sindéticas. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Análise de 'Que é que você acha? – cochichou um.' II: há duas orações, 'Que é que você acha' e 'cochichou um'. III: o primeiro 'que' é pronome interrogativo (objeto direto de 'acha'). I está errada: 'um' é pronome indefinido, equivalente a 'alguém'. I erra ao classificar 'um' como numeral. Logo apenas II e III estão corretas. Referência: Pronome interrogativo; indefinidos. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Análise de 'Não havia mais por que fugir'. I: 'fugir' vem após dois-pontos sem conectivo, sendo oração justaposta (gabarito). II: 'por que' é preposição + pronome relativo é discutível; o gabarito considera I como a única correta. II: 'por que' aqui é preposição + pronome relativo/interrogativo com sentido de 'motivo pelo qual', mas o gabarito oficial a considera incorreta. III: 'mais' é adjunto adverbial, mas a banca não aceita como intensidade nesse contexto. Referência: Orações justapostas; 'por que'. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Reescrita de 'Houve um suspiro' conforme a norma culta. 'Hão de existir suspiros' está correta: 'existir' é pessoal e concorda com o plural 'suspiros', e 'hão de' concorda com ele. A: 'houveram' — 'haver' impessoal fica no singular. B: 'devem haver' — o auxiliar acompanha o impessoal: 'deve haver'. D: 'pode existir suspiros' — o verbo deveria ir ao plural. E: 'poderão haver' — deveria ser 'poderá haver'. Referência: Concordância verbal: haver impessoal. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Análise de 'Ninguém dera aparte nenhum'. II: 'dera' (mais-que-perfeito simples) equivale a 'tinha dado'. III: 'nenhum' é pronome indefinido. I está errada: a dupla negação é admitida e reforça a negação em português. I afirma falha inexistente. Logo apenas II e III estão corretas. Referência: Mais-que-perfeito; pronomes indefinidos; negação. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gênero e subgênero do texto de Fernando Sabino. O texto narra um episódio curto e cotidiano, de tom leve e comentário sobre a linguagem, características da crônica, subgênero do gênero narrativo. A: epopeia é longa e heroica. B: ode é lírica. C: auto é dramático. E: o conto tem enredo ficcional mais elaborado, e o texto parte do cotidiano. Referência: Gêneros literários: crônica. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Escuridão e rutilância: aspecto paradoxal. Escuridão e brilho (rutilância) são ideias opostas reunidas no mesmo ser, o que revela uma natureza paradoxal. A, D e E dizem respeito só ao lado sombrio ou mórbido. C (renitente, teimoso) não tem relação. Referência: Figuras de linguagem: paradoxo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Grau de 'profundíssima'. A forma com o sufixo -íssimo é superlativo absoluto sintético, pois expressa intensidade sem comparação e por meio de um só vocábulo. A seria com 'muito profunda'. B e D são relativos, exigindo conjunto de comparação. E não é terminologia de superlativo. Referência: Grau do adjetivo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Predicação distinta de 'sobe'. 'Sobe' (verso 7) é verbo intransitivo, com adjuntos ('me', 'à boca'); os demais — sofro, come, espreitar, deixar — são transitivos diretos. B, C, D e E são todos transitivos diretos (sofro a influência; come o sangue; espreitar os olhos; deixar os cabelos). Referência: Predicação verbal. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Funções sintáticas no poema. I: 'me' (verso 7, 'Sobe-me') é objeto indireto/complemento e 'análoga' é complemento nominal-adjunto; o gabarito considera I correta. III: 'dos signos do zodíaco' e 'da terra' são ambos complementos/adjuntos adnominais com preposição 'de', mesma função. II: 'à ânsia' é complemento nominal de 'análoga', enquanto 'das carnificinas' é adjunto adnominal de 'sangue', funções distintas. II está errada pela diferença entre complemento nominal e adjunto adnominal. Logo apenas I e III estão corretas. Referência: Complemento nominal e adjunto adnominal. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Relação entre os versos 5 e 6. Estar profundamente hipocondríaco é a causa de o ambiente lhe causar repugnância; a relação entre os versos é de causa. A inverteria a relação. B, D e E não têm marcas de condição, concessão ou proporção. Referência: Relações semânticas: causa. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Função de 'Monstro de escuridão e rutilância'. 'Monstro de escuridão e rutilância' é aposto do sujeito 'Eu'. 'este operário das ruínas' é aposto de 'o verme', com mesma função. A e E: adjuntos adverbiais. B: 'Profundissimamente hipocondríaco' funciona como predicativo/adjunto. C: oração adjetiva. Referência: Aposto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Os dois 'que' do poema. Nos versos 8 e 10, ambos são pronomes relativos (classe igual). O 'que' do verso 8 ('Que se escapa') é sujeito de 'se escapa'; o do verso 10 ('Que o sangue... come') é objeto direto de 'come'. Em I, a classe é a mesma; em II, o gabarito oficial considera a mesma função sintática. III está errada: a substituição por 'o qual' ou equivalente não serviria igualmente nas duas, pois os antecedentes diferem em gênero e número ('ânsia' e 'verme'). Assim, apenas I e II estão corretas, conforme o gabarito. Referência: Pronome relativo e funções sintáticas. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Contagem de verbos e locuções verbais nos versos 12 a 14. Nos versos há: 'Anda a espreitar' (locução verbal), 'para roê-los' (verbo roer) e 'há-de deixar-me' (locução verbal). Somando, são três ocorrências. Contar cada verbo isoladamente daria cinco ou quatro, mas locuções valem como uma unidade; duas ou seis ocorrências não correspondem ao texto. Referência: Locução verbal. Resolução comentada do VaiConcursos.EsFCEx — Concurso de Admissão 2019/2020 (CFO/QC) — Magistério Português — Caderno Tipo A
Texto II, para as questões 36 a 49.
Eloquência Singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)
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A respeito da palavra sublinhada, assinale a afirmativa correta.
Texto II, para as questões 36 a 49.
Eloquência Singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)
A palavra lídimas (linha 20) só NÃO poderia ser substituída no texto, sob pena de alteração de sentido, porResolução comentada
Análise das alternativas
Texto II, para as questões 36 a 49.
Eloquência Singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)
Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde. (linhas 38 e 39)
A respeito do trecho acima, analise as afirmativas a seguir:
I. O termo Interessados pode ser classificado como oração subordinada adverbial causal reduzida de particípio.
II. O termo se classifica-se como partícula apassivadora.
III. Há dois pronomes indefinidos no trecho.
AssinaleResolução comentada
Análise das alternativas
Texto II, para as questões 36 a 49.
Eloquência Singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)
– Pois eu não: para o plural, é lógico. (linha 42)
A respeito do período acima, é correto afirmar queResolução comentada
Análise das alternativas
Texto II, para as questões 36 a 49.
Eloquência Singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)
– Que é que você acha? – cochichou um. (linha 40)
A respeito do trecho acima, analise as afirmativas a seguir:
I. A palavra um se classifica como numeral.
II. No trecho, há duas orações.
III. O primeiro QUE se classifica como pronome interrogativo.
AssinaleResolução comentada
Análise das alternativas
Texto II, para as questões 36 a 49.
Eloquência Singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)
Não havia mais por que fugir: (linha 53)
A respeito do trecho acima, analise os itens a seguir:
I. A segunda oração é exemplo de oração justaposta.
II. A estrutura por que é composta de preposição + pronome relativo.
III. A palavra mais exerce função sintática de adjunto adverbial de intensidade.
AssinaleResolução comentada
Análise das alternativas
Texto II, para as questões 36 a 49.
Eloquência Singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário (linha 57)
Assinale a alternativa em que, alterando-se a estrutura acima, tenha sido observada a norma culta.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto II, para as questões 36 a 49.
Eloquência Singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)
Ninguém dera aparte nenhum. (linha 33)
A respeito do período acima, analise as afirmativas a seguir:
I. Ocorre falha na composição do período, por conta da dupla negação.
II. A forma verbal dera pode ser substituída equivalentemente por tinha dado.
III. A palavra nenhum se classifica como pronome indefinido.
AssinaleResolução comentada
Análise das alternativas
Texto II, para as questões 36 a 49.
Eloquência Singular
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
– Senhor Presidente: eu não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto, podia perfeitamente ser o singular:
– Não sou daqueles que...
5 Não sou daqueles que recusam... No plural soava melhor. Mas era preciso precaver-se contra essas armadilhas da linguagem
– que recusa? – ele que tão facilmente caía nelas, e era logo massacrado com um aparte. Não sou daqueles que... Resolveu ganhar
tempo:
–...embora perfeitamente cônscio das minhas altas responsabilidades como representante do povo nesta Casa, não sou...
Daqueles que recusa, evidentemente. Como é que podia ter pensado em plural? Era um desses casos que os gramáticos
10 registram nas suas questiúnculas de português: ia para o singular, não tinha dúvida. Idiotismo de linguagem, devia ser.
–...daqueles que, em momentos de extrema gravidade, como este que o Brasil atravessa...
Safara-se porque nem se lembrava do verbo que pretendia usar:
– Não sou daqueles que...
Daqueles que o quê? Qualquer coisa, contanto que atravessasse de uma vez essa traiçoeira pinguela gramatical em que sua
15 oratória lamentavelmente se havia metido de saída. Mas a concordância? Qualquer verbo servia, desde que conjugado corretamente,
no singular. Ou no plural:
– Não sou daqueles que, dizia eu – e é bom que se repita sempre, senhor Presidente, para que possamos ser dignos da
confiança em nós depositada...
Intercalava orações e mais orações, voltando sempre ao ponto de partida, incapaz de se definir por esta ou aquela
20 concordância. Ambas com aparência castiça. Ambas legítimas. Ambas gramaticalmente lídimas, segundo o vernáculo.
– Neste momento tão grave para os destinos da nossa nacionalidade.
Ambas legítimas? Não, não podia ser. Sabia bem que a expressão "daqueles que" era coisa já estudada e decidida por tudo
quanto é gramaticoide por aí, qualquer um sabia que levava sempre o verbo ao plural:
–...não sou daqueles que, conforme afirmava...
25 Ou ao singular? Há exceções, e aquela bem podia ser uma delas. Daqueles que. Não sou UM daqueles que. Um que recusa,
daqueles que recusam. Ah! o verbo era recusar:
– Senhor Presidente. Meus nobres colegas.
A concordância que fosse para o diabo. Intercalou mais uma oração e foi em frente com bravura, disposto a tudo, afirmando
não ser daqueles que...
30 – Como?
Acolheu a interrupção com um suspiro de alívio:
– Não ouvi bem o aparte do nobre deputado.
Silêncio. Ninguém dera aparte nenhum.
– Vossa Excelência, por obséquio, queira falar mais alto, que não ouvi bem – e apontava, agoniado, um dos deputados mais
35 próximos.
– Eu? Mas eu não disse nada...
– Terei o maior prazer em responder ao aparte do nobre colega. Qualquer aparte.
O silêncio continuava. Interessados, os demais deputados se agrupavam em torno do orador, aguardando o desfecho daquela
agonia, que agora já era, como no verso de Bilac, a agonia do herói e a agonia da tarde.
40 – Que é que você acha? – cochichou um.
– Acho que vai para o singular.
– Pois eu não: para o plural, é lógico.
O orador seguia na sua luta:
– Como afirmava no começo de meu discurso, senhor Presidente...
45 Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da
mesa: por favor, apura aí pra mim, como é que é, me tira desta...
– Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
– Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso: e antes de terminar, quero deixar bem claro que,
a esta altura de minha existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
50 E entrava por novos desvios:
– Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro
peremptoriamente... não sou daqueles que...
O Presidente voltou a adverti-lo que seu tempo se esgotara. Não havia mais por que fugir:
– Senhor Presidente, meus nobres colegas!
55 Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
– Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palmas romperam. Muito bem! Muito bem! O orador foi vivamente
cumprimentado.
(Fernando Sabino)
Assinale a alternativa que apresente o correto enquadramento do gênero e subgênero do texto II.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto III, para as questões 50 a 52.
![]()
(Rose Araujo. Disponível em rosearaujo.com)
No último quadrinho, os alunos chamam o professor de “sofressor”. Esse processo de formação cria as chamadas palavras-valises. Assinale a alternativa em que NÃO se encontre exemplo de palavra-valise.
Texto III, para as questões 50 a 52.
![]()
(Rose Araujo. Disponível em rosearaujo.com)
A respeito da análise do quadrinho, analise as afirmativas a seguir:
I. Nos dois primeiros quadrinhos, o referencial do professor é o mesmo que o do leitor.
II. O efeito de humor se dá pela quebra do referencial no terceiro quadrinho.
III. Os verbos armar e efetuar assumem, para os alunos, dentro do leque de sentidos possíveis, carga bélica.
Assinale
Texto III, para as questões 50 a 52.
![]()
(Rose Araujo. Disponível em rosearaujo.com)
No terceiro quadrinho, grafou-se corretamente a palavra ideia, de acordo com as mudanças trazidas pelo Acordo Ortográfico. Assinale a alternativa em que isso NÃO tenha acontecido.
Texto IV, para as questões 53 a 60.
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)
Ao empregar escuridão e rutilância para se definir, o autor do texto IV revela o aspecto de que é um serResolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV, para as questões 53 a 60.
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)
A palavra produndissimamente é advérbio derivado da forma adjetiva profundíssima. Tal forma se encontra flexionada no grau superlativoResolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV, para as questões 53 a 60.
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)
Assinale a alternativa em que o verbo apresente predicação verbal DISTINTA da dos demais.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV, para as questões 53 a 60.
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)
A respeito da análise sintática do poema, analise as afirmativas a seguir:
I. A função sintática de me (verso 7) é a mesma de análoga (verso 7).
II. A função sintática de à ânsia (verso 7) é a mesma de das carnificinas (verso 10)
III. A função sintática de dos signos do zodíaco (verso 4) é a mesma de da terra (verso 14)
AssinaleResolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV, para as questões 53 a 60.
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância... (versos 5 e 6)
A relação semântica estabelecida entre os dois versos é deResolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV, para as questões 53 a 60.
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)
Assinale a alternativa em que o termo, no texto, apresente função sintática idêntica à de Monstro de escuridão e rutilância (verso 2).Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV, para as questões 53 a 60.
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)
No texto, há duas ocorrências da palavra QUE. A seu respeito, analise as afirmativas a seguir:
I. As duas ocorrências pertencem à mesma classe gramatical.
II. As duas ocorrências têm a mesma função sintática.
III. Em uma possível substituição por outro equivalente, a mesma estrutura a substituir serviria para as duas ocorrências.
AssinaleResolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV, para as questões 53 a 60.
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
5 Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
10 Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra! (versos 12 a 14)
Nos versos acima, há, somando-se verbos e locuções verbais,Resolução comentada
Análise das alternativas
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