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CMBH — Concurso de Admissão 2020/2021 — 6º Ano do Ensino Fundamental — Matemática, Língua Portuguesa e Produção Textual

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte (CMBH)2020Fundamental

25 questões nesta prova · página 1 de 2 · 24 com gabarito

Matemática Operações com Números Naturais

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Há um colégio em Belo Horizonte famoso por suas apresentações culturais. Todo ano esse colégio realiza uma apresentação de fim de ano em um teatro, localizado no centro da cidade, que possui 24 fileiras com 71 assentos cada.
No último ano foram vendidos 467 ingressos para os alunos, 1066 ingressos para as famílias dos alunos e 129 ingressos para os educadores e agentes de ensino do colégio.
A partir dessas informações, pode-se concluir que o número de ingressos que não foram vendidos durante a apresentação desse colégio, no último ano, é igual a:
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Resolução comentada

Ingressos não vendidos.

Assentos: 24 × 71 = 1704. Vendidos: 467 + 1066 + 129 = 1662. Sobraram 1704 − 1662 = 42.

Análise das alternativas

A) 35, B) 39, D) 127 e E) 171 não resultam da subtração correta.

Referência: Operações com números naturais.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Matemática Divisibilidade e Número de Divisores

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

A divisibilidade de um número por outro é um importante tema de estudo, na Matemática. Sabe-se que um número é divisível por outro se ele é divisível por seus fatores. Por exemplo, 120 é divisível por 24, pois 120 é divisível por 6 e por 4 e 6 × 4 = 24.
Outros conhecimentos nos dizem que um número é divisível por 5 se termina com o algarismo 0 ou 5. Também sabemos que um número é divisível por 9 se a soma de seus algarismos for divisível por 9. Por exemplo, 279 é divisível por 9, pois 2 + 7 + 9 = 18 e 18 é divisível por 9.
Agora, considere todos os números formados apenas pelos algarismos 1 ou 5. Se o número natural N é o menor dentre esses números e N divisível por 45, então o número de divisores naturais que possui o quociente da divisão de N por 45 é:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Número de divisores de N/45.

N deve terminar em 5 e ter soma de algarismos múltipla de 9, com apenas 1 e 5. O menor é 11115 (soma 9). 11115 ÷ 45 = 247 = 13 × 19, que tem 4 divisores.

Análise das alternativas

B) 5, C) 9, D) 12 e E) 24 não coincidem com os divisores de 13·19, que são (1+1)(1+1) = 4.

Referência: Divisibilidade; número de divisores.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Matemática Múltiplos e Divisores — MMC

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Um conjunto de números naturais possui as seguintes regras:
• Todos os seus elementos são menores que 1000.
• Todos os seus elementos deixam resto 3 na divisão por 36.
• Todos os seus elementos deixam resto 3 na divisão por 81.
Assim, a soma dos algarismos de todos os elementos do conjunto descrito acima é:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Números com resto 3 por 36 e 81, menores que 1000.

n − 3 deve ser múltiplo de MMC(36,81) = 324. Logo n = 3, 327, 651, 975. A soma dos algarismos é 3 + 12 + 12 + 21 = 48.

Análise das alternativas

A) 24, B) 27, C) 34 e D) 39 não correspondem à soma de todos os elementos do conjunto.

Referência: MMC e divisão euclidiana.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Matemática Múltiplos e Divisores — MDC

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Luana quer dividir um paralelepípedo retângulo em cubos com arestas de mesmo tamanho. Sabendo-se que o paralelepípedo possui dimensões de 306 cm de largura, 156 cm de altura e 90 cm de profundidade, a medida da aresta do maior cubo que ela pode obter, nestas condições, é:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Maior aresta do cubo = MDC das dimensões.

306 = 2·3²·17; 156 = 2²·3·13; 90 = 2·3²·5. O MDC é 2·3 = 6 cm.

Análise das alternativas

A) 2 e B) 3 dividem as medidas, mas não são as maiores. D) 8 não divide 306. E) 18 não divide 156.

Referência: MDC.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Matemática Expressões Numéricas com Frações e Decimais

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Calcule o valor da expressão numérica a seguir e assinale a alternativa que apresenta esse valor.
Expressão numérica: abre chaves, 4 mais 0,3 vezes abre colchetes, 32 menos um quarto vezes abre parênteses, dois terços menos três oitavos, fecha parênteses, mais 3,5, fecha colchetes, mais 7, fecha chaves, menos 1.
Selecione uma alternativa

Matemática Porcentagem

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Porcentagens vêm impressas nas laterais das embalagens de vários produtos, inclusive nas de chocolates. Elas servem para indicar o valor nutricional de cada produto. Abaixo, temos a quantidade de açúcar em cinco chocolates diferentes:
• Chocolate “Delícia” possui 30% de açúcar em uma porção de 15g.
• Chocolate “Fascínio” possui 35% de açúcar em uma porção de 10g.
• Chocolate “Docinho” possui 25% de açúcar em uma porção de 5g.
• Chocolate “Alento” possui 20% de açúcar em uma porção de 12g.
• Chocolate “Deuses” possui 40% de açúcar em uma porção de 25g.
Sabendo-se que todos são vendidos em barras de 300g, assinale a alternativa cuja barra possui menos açúcar:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Menor quantidade de açúcar em barra de 300 g.

A porcentagem aplicada à barra de 300 g dá: Delícia 90 g, Fascínio 105 g, Docinho 75 g, Alento 60 g, Deuses 120 g. O menor valor é o do Alento.

Análise das alternativas

A) 90 g. B) 105 g. C) 75 g. E) 120 g. Todos superam os 60 g do Alento.

Referência: Porcentagem.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Matemática Geometria Plana — Áreas

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Uma empresa farmacêutica possui um logotipo composto por um círculo contendo, em seu interior, dois quadrados, conforme se vê na figura. O quadrado maior possui lado igual a 8cm e o menor, 5cm. Sabe-se que a área do quadrado menor representa 1/5 da área do círculo. Nesse logotipo, a área interior ao círculo e exterior ao maior quadrado mede:
Figura: um círculo com um quadrado maior inscrito em seu interior e, dentro deste, um quadrado menor, todos concêntricos.
Selecione uma alternativa

Matemática Geometria Espacial — Volume do Paralelepípedo

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Maurício decidiu presentear seu amigo com uma bola de futebol americano, como a da figura abaixo:
Fotografia de uma bola de futebol americano marrom vista de lado, com uma linha pontilhada branca vertical dividindo a bola ao meio.
Maurício sabe que, se for feito um corte reto no pontilhado branco, de modo a dividir a bola em duas partes iguais, obtém-se uma circunferência de diâmetro 18cm. Além disso, ele sabe que a maior distância possível entre dois pontos que estão na superfície da bola é 28cm.
Levando-se em consideração as medidas citadas e considerando-se que Maurício queria embalar o presente em uma caixa em forma de paralelepípedo retângulo, o menor volume possível para a embalagem é:
Selecione uma alternativa

Matemática Geometria Espacial — Volume e Unidades de Capacidade

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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João observa uma piscina, cujo formato é de um paralelepípedo reto retângulo e tem toda a sua superfície interna coberta por azulejos quadrados de lado igual a 10 cm. O comprimento da piscina é equivalente a 80 azulejos e a largura, equivalente a 50 azulejos. Sabe-se, ainda, que a piscina possui uma profundidade de 12 azulejos, dos quais 10 estão cobertos com água. Sabendo-se que 1l = 1dm³, o volume total de água contida na piscina, em litros, é igual a:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Volume de água na piscina.

Cada azulejo mede 10 cm = 1 dm. A água ocupa 80 × 50 × 10 dm³ = 40.000 dm³ = 40.000 L.

Análise das alternativas

A) 35.000 L, C) 42.000 L, D) 48.000 L e E) 50.000 L não correspondem a 80×50×10. D usaria 12 de profundidade e daria 48.000 L, mas só 10 azulejos têm água.

Referência: Volume do paralelepípedo; 1 L = 1 dm³.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Matemática Leitura e Interpretação de Tabelas

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Os atletas brasileiros passaram longe das cinco primeiras edições de Jogos Olímpicos, de 1896 a 1912. A participação do Brasil só começou em Antuérpia-1920 e, de lá para cá, a única ausência foi em Amsterdã-1928.
Disponível em: https://www.olimpiadatododia.com.br/curiosidades-olimpicas/245688-participacao-do-brasil-nos-jogos-olimpicos/
Com o adiamento das Olimpíadas de 2020, as medalhas, que são fruto da participação brasileira nos jogos, podem ser assim distribuídas, por ano e por modalidade:
Quadro 'Distribuição de medalhas do Brasil em Jogos Olímpicos por ano', com colunas de 2016 a 1920 listando as medalhas de cada edição pelas letras O (ouro), P (prata) e B (bronze), e legenda O = ouro, P = prata, B = bronze.
Tabela 'Medalhas do Brasil em Jogos Olímpicos por modalidade', com as colunas Esporte, Ouro, Prata e Bronze para 16 modalidades, de Vela a Pentatlo moderno.
Considere as seguintes afirmativas:
I - As medalhas do hipismo foram conquistadas nos jogos de 1952.
II - O Brasil ganhou ao menos uma medalha em TODAS as edições dos Jogos Olímpicos.
III - Judô é, até hoje, a modalidade que mais ganhou medalhas para o Brasil nas Olimpíadas.
IV - A melhor participação do Brasil em uma única edição dos Jogos Olímpicos aconteceu em 2016.
A partir da análise e interpretação dos dados acima descritos, estão corretas as afirmações:
Selecione uma alternativa

Matemática Média Aritmética

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Alice fez uma pesquisa com 32 colegas sobre o tempo que se dedicam às redes sociais por semana. Depois de uma semana, os colegas participantes trouxeram as respostas.
• Oito responderam que passam 7,5 horas por semana nas redes sociais.
• Sete responderam que passam 8 horas por semana nas redes sociais.
• Doze responderam que passam 9 horas por semana nas redes sociais.
• Cinco responderam que passam ■ horas por semana nas redes sociais.
Para apresentar os resultados dessa pesquisa, Alice calculou a média aritmética do tempo que os 32 entrevistados se dedicam às redes sociais por semana. Ao realizar esse cálculo, ela somou todas as respostas e dividiu por 32. Assim, ela obteve que, em média, os seus 32 colegas passam 8 horas nas redes sociais por semana.
A partir dessas informações, assinale a alternativa que contém o número de horas por semana (representado pelo quadrado ■) que os 5 colegas de Alice passam nas redes sociais, sabendo-se que os tempos respondidos por todos eles foram iguais:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Tempo desconhecido dos 5 colegas.

Total = 32 × 8 = 256 h. Os outros: 8×7,5 = 60; 7×8 = 56; 12×9 = 108; soma 224. Restam 32 h para 5 pessoas, então 32/5 = 6,4 horas.

Análise das alternativas

As demais alternativas não fecham a soma de 256 h com os 5 colegas respondendo o mesmo valor.

Referência: Média aritmética.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Matemática Sistema de Numeração Decimal — Valor Posicional

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Todos os participantes de uma festa receberam um número da sorte para um sorteio. Esse número é formado por 5 algarismos, dispostos em ordem não-decrescente, e zeros à esquerda podem ser utilizados. Um exemplo possível é o número da sorte 02235. Após o primeiro sorteio, o locutor pediu para cada participante obedecer os seguintes passos, nessa ordem:
I. Troque a posição do último algarismo pelo primeiro do seu número da sorte.
II. Troque a posição do penúltimo algarismo pelo do meio.
III. O número obtido será o seu número para o segundo sorteio.
Por exemplo, se o número para o primeiro sorteio fosse 23469, o número para o segundo sorteio seria 93642.
Assinale a alternativa que possui a maior diferença possível entre o número do segundo sorteio e o número do primeiro sorteio:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Maior diferença entre o número do 2º e do 1º sorteio.

O número é abcde com a≤b≤c≤d≤e. Após as trocas fica e b d c a. A diferença é 9999(e−a) + 90(d−c). Maximizando, e=9, a=0, d=9, c=0 (por exemplo 0 0 0 9 9 → 99000? conferindo, b=0) e o resultado é 89991 + 810 = 90801.

Análise das alternativas

A) 99991 e C) 98091 não podem ser obtidos com a ordem não decrescente. D) 90901 e E) 89991 não correspondem ao valor máximo da expressão. A única que atinge o máximo é a B.

Referência: Sistema de numeração decimal; valor posicional.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

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Texto-base:
TEXTO 1

XXI

1 E foi então que apareceu a raposa:
2 — Bom dia – disse a raposa.
3 — Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe que,
4 olhando a sua volta, nada viu.
5 — Estou aqui – disse a voz – debaixo da macieira...
6 — Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita...
7 — Sou uma raposa – disse a raposa.
8 — Vem brincar comigo – propôs o pequeno príncipe. – Estou tão triste...
9 — Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram
10 ainda.
11 — Ah, desculpa – disse o pequeno príncipe.
12 Mas, após refletir, acrescentou:
13 — O que quer dizer “cativar”?
14 — Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?
15 — Procuro os homens – disse o pequeno príncipe. – Que quer dizer
16 “cativar”?
17 — Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador!
18 Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu
19 procuras galinhas?
20 — Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer
21 “cativar”?
22 — Significa “criar laços”...
23 — Criar laços?
24 — Exatamente – disse a raposa – Tu não és ainda para mim senão um
25 garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho
26 necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a
27 teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me
28 cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no
29 mundo. E eu serei para ti única no mundo...
30 — Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. – Existe uma
31 flor... creio que ela me cativou...
32 — É possível – disse a raposa. – Vê-se tanta coisa na Terra...
33 — Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.
34 A raposa pareceu intrigada:
35 — Num outro planeta?
36 — Sim.
37 — Há caçadores nesse planeta?
38 — Não.
39 — Que bom! E galinhas?
40 — Também não.
41 — Nada é perfeito – suspirou a raposa.
42 Mas a raposa retomou o seu raciocínio.
43 — Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas, e os homens me
44 caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem
45 também. E isso me incomoda um pouco. Mas, se tu me cativas, minha vida
46 será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente
47 dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me
48 chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês, lá
49 longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada.
50 Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens
51 cabelos dourados. Então, será maravilhoso quando me tiveres cativado. O
52 trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho
53 do vento no trigo...
54 A raposa calou-se e observou, por muito tempo, o príncipe:
55 — Por favor... cativa-me! – disse ela.
56 — Eu até gostaria – disse o principezinho –, mas não tenho muito
57 tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
58 — A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os
59 homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já
60 pronto nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm
61 mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
62 — Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.
63 — É preciso ser paciente – respondeu a raposa. – Tu te sentarás
64 primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do
65 olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas,
66 cada dia, te sentarás mais perto...
67 No dia seguinte, o principezinho voltou.
68 — Teria sido melhor se voltasses à mesma hora – disse a raposa.– Se
69 tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser
70 feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da
71 felicidade!
72 [...]
73 Assim, o Pequeno Príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a
74 hora da partida, a raposa disse:
75 — Ah! Eu vou chorar.
76 — A culpa é tua – disse o principezinho. – Eu não queria te fazer mal;
77 mas tu quiseste que eu te cativasse...
78 — Quis – disse a raposa.
79 — Mas tu vais chorar! – disse ele.
80 — Vou – disse a raposa.
81 — Então, não terás ganhado nada!
82 — Terei, sim, – disse a raposa –, por causa da cor do trigo.
83 Depois ela acrescentou:
84 — Vai rever as rosas. Assim compreenderás que a tua é a única no
85 mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.
86 [...]
87 E voltou, então, à raposa:
88 — Adeus... – disse ele.
89 — Adeus – disse a raposa . – Eis o meu segredo. É muito simples: só se
90 vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
91 — O essencial é invisível aos olhos – repetiu o principezinho, para não
92 se esquecer.

SAINT-EXUPÉRY. Antoine de. O Pequeno Príncipe. Com aquarelas do autor; tradução de Dom Marcos Barbosa. 49ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 2015. Texto Adaptado.

ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY (1900-1944) foi um escritor, ilustrador e piloto. Em 1921, ingressou no Serviço Militar, no Regimento de Aviação de Estrasburgo. Tornou-se piloto civil e subtenente da reserva. É autor de “O Pequeno Príncipe”, publicado nos EUA em 1943. Dedicado inicialmente às crianças, passou a ser lido por adultos no mundo inteiro, possuindo cerca de 250 versões. No Brasil, foi publicado pela primeira vez em 1954.

Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para as declarações a seguir sobre o texto 1.
( ) A raposa não admira os homens porque eles possuem fuzis.
( ) Segundo a raposa, os homens não criam, com facilidade, laços entre os amigos.
( ) Somente criando laços é possível conhecer, profundamente, um ao outro.
( ) Ao criar laços, as pessoas necessitam uma das outras e se tornam possessivas.
( ) Os laços fazem-nos admirar aquilo de que não gostamos, o que nos faz perder a identidade.
Assinale a opção correspondente à sequência correta.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

V, V, V, F, F.

1) Verdadeiro: ela considera assustador que os homens tenham fuzis e cacem. 2) Verdadeiro: como não há lojas de amigos, os homens não têm amigos. 3) Verdadeiro: só se conhece bem o que se cativou. 4) Falso: a necessidade mútua não é apresentada como posse. 5) Falso: o texto não fala em admirar o que não se gosta nem em perder a identidade.

Análise das alternativas

As demais sequências erram ao marcar F nas afirmações 1, 2 ou 3, ou V nas 4 ou 5.

Referência: Interpretação de texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

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Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1

XXI

1 E foi então que apareceu a raposa:
2 — Bom dia – disse a raposa.
3 — Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe que,
4 olhando a sua volta, nada viu.
5 — Estou aqui – disse a voz – debaixo da macieira...
6 — Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita...
7 — Sou uma raposa – disse a raposa.
8 — Vem brincar comigo – propôs o pequeno príncipe. – Estou tão triste...
9 — Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram
10 ainda.
11 — Ah, desculpa – disse o pequeno príncipe.
12 Mas, após refletir, acrescentou:
13 — O que quer dizer “cativar”?
14 — Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?
15 — Procuro os homens – disse o pequeno príncipe. – Que quer dizer
16 “cativar”?
17 — Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador!
18 Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu
19 procuras galinhas?
20 — Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer
21 “cativar”?
22 — Significa “criar laços”...
23 — Criar laços?
24 — Exatamente – disse a raposa – Tu não és ainda para mim senão um
25 garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho
26 necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a
27 teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me
28 cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no
29 mundo. E eu serei para ti única no mundo...
30 — Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. – Existe uma
31 flor... creio que ela me cativou...
32 — É possível – disse a raposa. – Vê-se tanta coisa na Terra...
33 — Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.
34 A raposa pareceu intrigada:
35 — Num outro planeta?
36 — Sim.
37 — Há caçadores nesse planeta?
38 — Não.
39 — Que bom! E galinhas?
40 — Também não.
41 — Nada é perfeito – suspirou a raposa.
42 Mas a raposa retomou o seu raciocínio.
43 — Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas, e os homens me
44 caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem
45 também. E isso me incomoda um pouco. Mas, se tu me cativas, minha vida
46 será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente
47 dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me
48 chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês, lá
49 longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada.
50 Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens
51 cabelos dourados. Então, será maravilhoso quando me tiveres cativado. O
52 trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho
53 do vento no trigo...
54 A raposa calou-se e observou, por muito tempo, o príncipe:
55 — Por favor... cativa-me! – disse ela.
56 — Eu até gostaria – disse o principezinho –, mas não tenho muito
57 tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
58 — A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os
59 homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já
60 pronto nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm
61 mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
62 — Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.
63 — É preciso ser paciente – respondeu a raposa. – Tu te sentarás
64 primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do
65 olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas,
66 cada dia, te sentarás mais perto...
67 No dia seguinte, o principezinho voltou.
68 — Teria sido melhor se voltasses à mesma hora – disse a raposa.– Se
69 tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser
70 feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da
71 felicidade!
72 [...]
73 Assim, o Pequeno Príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a
74 hora da partida, a raposa disse:
75 — Ah! Eu vou chorar.
76 — A culpa é tua – disse o principezinho. – Eu não queria te fazer mal;
77 mas tu quiseste que eu te cativasse...
78 — Quis – disse a raposa.
79 — Mas tu vais chorar! – disse ele.
80 — Vou – disse a raposa.
81 — Então, não terás ganhado nada!
82 — Terei, sim, – disse a raposa –, por causa da cor do trigo.
83 Depois ela acrescentou:
84 — Vai rever as rosas. Assim compreenderás que a tua é a única no
85 mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.
86 [...]
87 E voltou, então, à raposa:
88 — Adeus... – disse ele.
89 — Adeus – disse a raposa . – Eis o meu segredo. É muito simples: só se
90 vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
91 — O essencial é invisível aos olhos – repetiu o principezinho, para não
92 se esquecer.

SAINT-EXUPÉRY. Antoine de. O Pequeno Príncipe. Com aquarelas do autor; tradução de Dom Marcos Barbosa. 49ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 2015. Texto Adaptado.

ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY (1900-1944) foi um escritor, ilustrador e piloto. Em 1921, ingressou no Serviço Militar, no Regimento de Aviação de Estrasburgo. Tornou-se piloto civil e subtenente da reserva. É autor de “O Pequeno Príncipe”, publicado nos EUA em 1943. Dedicado inicialmente às crianças, passou a ser lido por adultos no mundo inteiro, possuindo cerca de 250 versões. No Brasil, foi publicado pela primeira vez em 1954.

Depois que o Pequeno Príncipe cativou a raposa e ia partir, a raposa contestou uma fala do menino dizendo:
“— Terei, sim – disse a raposa – , por causa da cor do trigo.” (l. 82)
Essa contestação acontece porque:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Antes de conhecer o menino, a raposa era indiferente à cor do trigo.

A raposa diz que não come pão e que o trigo nada lhe lembra. Depois de cativada, o trigo dourado lhe lembra os cabelos do menino. Por isso o ganho vem da cor do trigo, que antes não lhe importava.

Análise das alternativas

A) Ela conhecia o trigo, mas ele não lhe dizia nada. B) Ela continua sem comer pão. C) O trigo 'não valia nada' antes, e não depois. D) A cor passa a ser uma referência depois de cativar, e não deixa de ser.

Referência: Interpretação de texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Relações Lógico-Semânticas

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1

XXI

1 E foi então que apareceu a raposa:
2 — Bom dia – disse a raposa.
3 — Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe que,
4 olhando a sua volta, nada viu.
5 — Estou aqui – disse a voz – debaixo da macieira...
6 — Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita...
7 — Sou uma raposa – disse a raposa.
8 — Vem brincar comigo – propôs o pequeno príncipe. – Estou tão triste...
9 — Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram
10 ainda.
11 — Ah, desculpa – disse o pequeno príncipe.
12 Mas, após refletir, acrescentou:
13 — O que quer dizer “cativar”?
14 — Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?
15 — Procuro os homens – disse o pequeno príncipe. – Que quer dizer
16 “cativar”?
17 — Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador!
18 Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu
19 procuras galinhas?
20 — Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer
21 “cativar”?
22 — Significa “criar laços”...
23 — Criar laços?
24 — Exatamente – disse a raposa – Tu não és ainda para mim senão um
25 garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho
26 necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a
27 teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me
28 cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no
29 mundo. E eu serei para ti única no mundo...
30 — Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. – Existe uma
31 flor... creio que ela me cativou...
32 — É possível – disse a raposa. – Vê-se tanta coisa na Terra...
33 — Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.
34 A raposa pareceu intrigada:
35 — Num outro planeta?
36 — Sim.
37 — Há caçadores nesse planeta?
38 — Não.
39 — Que bom! E galinhas?
40 — Também não.
41 — Nada é perfeito – suspirou a raposa.
42 Mas a raposa retomou o seu raciocínio.
43 — Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas, e os homens me
44 caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem
45 também. E isso me incomoda um pouco. Mas, se tu me cativas, minha vida
46 será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente
47 dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me
48 chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês, lá
49 longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada.
50 Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens
51 cabelos dourados. Então, será maravilhoso quando me tiveres cativado. O
52 trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho
53 do vento no trigo...
54 A raposa calou-se e observou, por muito tempo, o príncipe:
55 — Por favor... cativa-me! – disse ela.
56 — Eu até gostaria – disse o principezinho –, mas não tenho muito
57 tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
58 — A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os
59 homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já
60 pronto nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm
61 mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
62 — Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.
63 — É preciso ser paciente – respondeu a raposa. – Tu te sentarás
64 primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do
65 olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas,
66 cada dia, te sentarás mais perto...
67 No dia seguinte, o principezinho voltou.
68 — Teria sido melhor se voltasses à mesma hora – disse a raposa.– Se
69 tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser
70 feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da
71 felicidade!
72 [...]
73 Assim, o Pequeno Príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a
74 hora da partida, a raposa disse:
75 — Ah! Eu vou chorar.
76 — A culpa é tua – disse o principezinho. – Eu não queria te fazer mal;
77 mas tu quiseste que eu te cativasse...
78 — Quis – disse a raposa.
79 — Mas tu vais chorar! – disse ele.
80 — Vou – disse a raposa.
81 — Então, não terás ganhado nada!
82 — Terei, sim, – disse a raposa –, por causa da cor do trigo.
83 Depois ela acrescentou:
84 — Vai rever as rosas. Assim compreenderás que a tua é a única no
85 mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.
86 [...]
87 E voltou, então, à raposa:
88 — Adeus... – disse ele.
89 — Adeus – disse a raposa . – Eis o meu segredo. É muito simples: só se
90 vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
91 — O essencial é invisível aos olhos – repetiu o principezinho, para não
92 se esquecer.

SAINT-EXUPÉRY. Antoine de. O Pequeno Príncipe. Com aquarelas do autor; tradução de Dom Marcos Barbosa. 49ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 2015. Texto Adaptado.

ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY (1900-1944) foi um escritor, ilustrador e piloto. Em 1921, ingressou no Serviço Militar, no Regimento de Aviação de Estrasburgo. Tornou-se piloto civil e subtenente da reserva. É autor de “O Pequeno Príncipe”, publicado nos EUA em 1943. Dedicado inicialmente às crianças, passou a ser lido por adultos no mundo inteiro, possuindo cerca de 250 versões. No Brasil, foi publicado pela primeira vez em 1954.

Releia, atentamente, a seguinte passagem do texto:
“Mas tu tens cabelos dourados. Então, será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti.” (l. 50 a 52)
Este excerto apresenta, entre suas partes, as seguintes relações:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Relação entre 'tu tens cabelos dourados' e 'será maravilhoso'.

Os cabelos dourados do príncipe são a causa de o trigo lembrá-lo e de a raposa achar maravilhoso ser cativada; 'Então' introduz a consequência. A relação entre as partes é de causa/consequência.

Análise das alternativas

B) Não há condição seguida de causa. C) Não há comparação. D) Não há finalidade. E) 'Mas' não introduz concessão neste contexto, e a primeira parte não é consequência.

Referência: Relações lógico-semânticas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 1

XXI

1 E foi então que apareceu a raposa:
2 — Bom dia – disse a raposa.
3 — Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe que,
4 olhando a sua volta, nada viu.
5 — Estou aqui – disse a voz – debaixo da macieira...
6 — Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita...
7 — Sou uma raposa – disse a raposa.
8 — Vem brincar comigo – propôs o pequeno príncipe. – Estou tão triste...
9 — Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram
10 ainda.
11 — Ah, desculpa – disse o pequeno príncipe.
12 Mas, após refletir, acrescentou:
13 — O que quer dizer “cativar”?
14 — Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?
15 — Procuro os homens – disse o pequeno príncipe. – Que quer dizer
16 “cativar”?
17 — Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador!
18 Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu
19 procuras galinhas?
20 — Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer
21 “cativar”?
22 — Significa “criar laços”...
23 — Criar laços?
24 — Exatamente – disse a raposa – Tu não és ainda para mim senão um
25 garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho
26 necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a
27 teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me
28 cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no
29 mundo. E eu serei para ti única no mundo...
30 — Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. – Existe uma
31 flor... creio que ela me cativou...
32 — É possível – disse a raposa. – Vê-se tanta coisa na Terra...
33 — Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.
34 A raposa pareceu intrigada:
35 — Num outro planeta?
36 — Sim.
37 — Há caçadores nesse planeta?
38 — Não.
39 — Que bom! E galinhas?
40 — Também não.
41 — Nada é perfeito – suspirou a raposa.
42 Mas a raposa retomou o seu raciocínio.
43 — Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas, e os homens me
44 caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem
45 também. E isso me incomoda um pouco. Mas, se tu me cativas, minha vida
46 será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente
47 dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me
48 chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês, lá
49 longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada.
50 Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens
51 cabelos dourados. Então, será maravilhoso quando me tiveres cativado. O
52 trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho
53 do vento no trigo...
54 A raposa calou-se e observou, por muito tempo, o príncipe:
55 — Por favor... cativa-me! – disse ela.
56 — Eu até gostaria – disse o principezinho –, mas não tenho muito
57 tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
58 — A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os
59 homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já
60 pronto nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm
61 mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
62 — Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.
63 — É preciso ser paciente – respondeu a raposa. – Tu te sentarás
64 primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do
65 olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas,
66 cada dia, te sentarás mais perto...
67 No dia seguinte, o principezinho voltou.
68 — Teria sido melhor se voltasses à mesma hora – disse a raposa.– Se
69 tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser
70 feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da
71 felicidade!
72 [...]
73 Assim, o Pequeno Príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a
74 hora da partida, a raposa disse:
75 — Ah! Eu vou chorar.
76 — A culpa é tua – disse o principezinho. – Eu não queria te fazer mal;
77 mas tu quiseste que eu te cativasse...
78 — Quis – disse a raposa.
79 — Mas tu vais chorar! – disse ele.
80 — Vou – disse a raposa.
81 — Então, não terás ganhado nada!
82 — Terei, sim, – disse a raposa –, por causa da cor do trigo.
83 Depois ela acrescentou:
84 — Vai rever as rosas. Assim compreenderás que a tua é a única no
85 mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.
86 [...]
87 E voltou, então, à raposa:
88 — Adeus... – disse ele.
89 — Adeus – disse a raposa . – Eis o meu segredo. É muito simples: só se
90 vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
91 — O essencial é invisível aos olhos – repetiu o principezinho, para não
92 se esquecer.

SAINT-EXUPÉRY. Antoine de. O Pequeno Príncipe. Com aquarelas do autor; tradução de Dom Marcos Barbosa. 49ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 2015. Texto Adaptado.

ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY (1900-1944) foi um escritor, ilustrador e piloto. Em 1921, ingressou no Serviço Militar, no Regimento de Aviação de Estrasburgo. Tornou-se piloto civil e subtenente da reserva. É autor de “O Pequeno Príncipe”, publicado nos EUA em 1943. Dedicado inicialmente às crianças, passou a ser lido por adultos no mundo inteiro, possuindo cerca de 250 versões. No Brasil, foi publicado pela primeira vez em 1954.

Leia o excerto a seguir:
“Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...” (l. 64 a 66)
Assinale a alternativa que contém a compreensão coerente com o trecho acima.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Para a raposa, o olhar comunica mais que as palavras.

Ao dizer que a linguagem é fonte de mal-entendidos e que se aproximarão pelo olhar e pelo silêncio, a raposa sugere que o olhar revela mais a verdade, já que a palavra pode ser mal compreendida.

Análise das alternativas

A) Não trata de dificuldade de identificar personalidades. C) Não fala de registrar valores na memória do outro. D) Generaliza a verdade e a afetividade como dependentes do olhar atento, o que o trecho não afirma. E) O trecho diz que os laços se fortalecem com a aproximação.

Referência: Interpretação de texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

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Texto-base:
TEXTO 1

XXI

1 E foi então que apareceu a raposa:
2 — Bom dia – disse a raposa.
3 — Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe que,
4 olhando a sua volta, nada viu.
5 — Estou aqui – disse a voz – debaixo da macieira...
6 — Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita...
7 — Sou uma raposa – disse a raposa.
8 — Vem brincar comigo – propôs o pequeno príncipe. – Estou tão triste...
9 — Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram
10 ainda.
11 — Ah, desculpa – disse o pequeno príncipe.
12 Mas, após refletir, acrescentou:
13 — O que quer dizer “cativar”?
14 — Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?
15 — Procuro os homens – disse o pequeno príncipe. – Que quer dizer
16 “cativar”?
17 — Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador!
18 Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu
19 procuras galinhas?
20 — Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer
21 “cativar”?
22 — Significa “criar laços”...
23 — Criar laços?
24 — Exatamente – disse a raposa – Tu não és ainda para mim senão um
25 garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho
26 necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a
27 teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me
28 cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no
29 mundo. E eu serei para ti única no mundo...
30 — Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. – Existe uma
31 flor... creio que ela me cativou...
32 — É possível – disse a raposa. – Vê-se tanta coisa na Terra...
33 — Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.
34 A raposa pareceu intrigada:
35 — Num outro planeta?
36 — Sim.
37 — Há caçadores nesse planeta?
38 — Não.
39 — Que bom! E galinhas?
40 — Também não.
41 — Nada é perfeito – suspirou a raposa.
42 Mas a raposa retomou o seu raciocínio.
43 — Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas, e os homens me
44 caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem
45 também. E isso me incomoda um pouco. Mas, se tu me cativas, minha vida
46 será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente
47 dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me
48 chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês, lá
49 longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada.
50 Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens
51 cabelos dourados. Então, será maravilhoso quando me tiveres cativado. O
52 trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho
53 do vento no trigo...
54 A raposa calou-se e observou, por muito tempo, o príncipe:
55 — Por favor... cativa-me! – disse ela.
56 — Eu até gostaria – disse o principezinho –, mas não tenho muito
57 tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
58 — A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os
59 homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já
60 pronto nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm
61 mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
62 — Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.
63 — É preciso ser paciente – respondeu a raposa. – Tu te sentarás
64 primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do
65 olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas,
66 cada dia, te sentarás mais perto...
67 No dia seguinte, o principezinho voltou.
68 — Teria sido melhor se voltasses à mesma hora – disse a raposa.– Se
69 tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser
70 feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da
71 felicidade!
72 [...]
73 Assim, o Pequeno Príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a
74 hora da partida, a raposa disse:
75 — Ah! Eu vou chorar.
76 — A culpa é tua – disse o principezinho. – Eu não queria te fazer mal;
77 mas tu quiseste que eu te cativasse...
78 — Quis – disse a raposa.
79 — Mas tu vais chorar! – disse ele.
80 — Vou – disse a raposa.
81 — Então, não terás ganhado nada!
82 — Terei, sim, – disse a raposa –, por causa da cor do trigo.
83 Depois ela acrescentou:
84 — Vai rever as rosas. Assim compreenderás que a tua é a única no
85 mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.
86 [...]
87 E voltou, então, à raposa:
88 — Adeus... – disse ele.
89 — Adeus – disse a raposa . – Eis o meu segredo. É muito simples: só se
90 vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
91 — O essencial é invisível aos olhos – repetiu o principezinho, para não
92 se esquecer.

SAINT-EXUPÉRY. Antoine de. O Pequeno Príncipe. Com aquarelas do autor; tradução de Dom Marcos Barbosa. 49ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 2015. Texto Adaptado.

ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY (1900-1944) foi um escritor, ilustrador e piloto. Em 1921, ingressou no Serviço Militar, no Regimento de Aviação de Estrasburgo. Tornou-se piloto civil e subtenente da reserva. É autor de “O Pequeno Príncipe”, publicado nos EUA em 1943. Dedicado inicialmente às crianças, passou a ser lido por adultos no mundo inteiro, possuindo cerca de 250 versões. No Brasil, foi publicado pela primeira vez em 1954.

Releia a seguinte passagem do texto:
“— Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?” (l. 17 a 19)
Pode-se inferir pela expressão “única coisa que fazem de interessante” que a visão da raposa a respeito dos homens é:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A raposa fala com ironia sobre os homens.

A raposa diz que criar galinhas é a 'única coisa que fazem de interessante' logo depois de dizer que os homens têm fuzis e caçam. Como ela mesma é caçada e caça galinhas, a fala é irônica e crítica, ou seja, sarcástica.

Análise das alternativas

A) Não esclarece, apenas ironiza. B) Contestadora não traduz o tom de ironia. C) Ela não considera a atitude dos homens adequada. E) 'Assustador' qualifica os fuzis, não a expressão em análise.

Referência: Inferência e ironia.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Pontuação — Emprego da Vírgula

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Texto-base:
TEXTO 1

XXI

1 E foi então que apareceu a raposa:
2 — Bom dia – disse a raposa.
3 — Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe que,
4 olhando a sua volta, nada viu.
5 — Estou aqui – disse a voz – debaixo da macieira...
6 — Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita...
7 — Sou uma raposa – disse a raposa.
8 — Vem brincar comigo – propôs o pequeno príncipe. – Estou tão triste...
9 — Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram
10 ainda.
11 — Ah, desculpa – disse o pequeno príncipe.
12 Mas, após refletir, acrescentou:
13 — O que quer dizer “cativar”?
14 — Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?
15 — Procuro os homens – disse o pequeno príncipe. – Que quer dizer
16 “cativar”?
17 — Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador!
18 Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu
19 procuras galinhas?
20 — Não – disse o príncipe. – Eu procuro amigos. Que quer dizer
21 “cativar”?
22 — Significa “criar laços”...
23 — Criar laços?
24 — Exatamente – disse a raposa – Tu não és ainda para mim senão um
25 garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho
26 necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a
27 teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me
28 cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no
29 mundo. E eu serei para ti única no mundo...
30 — Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. – Existe uma
31 flor... creio que ela me cativou...
32 — É possível – disse a raposa. – Vê-se tanta coisa na Terra...
33 — Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.
34 A raposa pareceu intrigada:
35 — Num outro planeta?
36 — Sim.
37 — Há caçadores nesse planeta?
38 — Não.
39 — Que bom! E galinhas?
40 — Também não.
41 — Nada é perfeito – suspirou a raposa.
42 Mas a raposa retomou o seu raciocínio.
43 — Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas, e os homens me
44 caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem
45 também. E isso me incomoda um pouco. Mas, se tu me cativas, minha vida
46 será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente
47 dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me
48 chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês, lá
49 longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada.
50 Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens
51 cabelos dourados. Então, será maravilhoso quando me tiveres cativado. O
52 trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho
53 do vento no trigo...
54 A raposa calou-se e observou, por muito tempo, o príncipe:
55 — Por favor... cativa-me! – disse ela.
56 — Eu até gostaria – disse o principezinho –, mas não tenho muito
57 tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
58 — A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os
59 homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já
60 pronto nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm
61 mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
62 — Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.
63 — É preciso ser paciente – respondeu a raposa. – Tu te sentarás
64 primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do
65 olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas,
66 cada dia, te sentarás mais perto...
67 No dia seguinte, o principezinho voltou.
68 — Teria sido melhor se voltasses à mesma hora – disse a raposa.– Se
69 tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser
70 feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da
71 felicidade!
72 [...]
73 Assim, o Pequeno Príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a
74 hora da partida, a raposa disse:
75 — Ah! Eu vou chorar.
76 — A culpa é tua – disse o principezinho. – Eu não queria te fazer mal;
77 mas tu quiseste que eu te cativasse...
78 — Quis – disse a raposa.
79 — Mas tu vais chorar! – disse ele.
80 — Vou – disse a raposa.
81 — Então, não terás ganhado nada!
82 — Terei, sim, – disse a raposa –, por causa da cor do trigo.
83 Depois ela acrescentou:
84 — Vai rever as rosas. Assim compreenderás que a tua é a única no
85 mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.
86 [...]
87 E voltou, então, à raposa:
88 — Adeus... – disse ele.
89 — Adeus – disse a raposa . – Eis o meu segredo. É muito simples: só se
90 vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
91 — O essencial é invisível aos olhos – repetiu o principezinho, para não
92 se esquecer.

SAINT-EXUPÉRY. Antoine de. O Pequeno Príncipe. Com aquarelas do autor; tradução de Dom Marcos Barbosa. 49ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 2015. Texto Adaptado.

ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY (1900-1944) foi um escritor, ilustrador e piloto. Em 1921, ingressou no Serviço Militar, no Regimento de Aviação de Estrasburgo. Tornou-se piloto civil e subtenente da reserva. É autor de “O Pequeno Príncipe”, publicado nos EUA em 1943. Dedicado inicialmente às crianças, passou a ser lido por adultos no mundo inteiro, possuindo cerca de 250 versões. No Brasil, foi publicado pela primeira vez em 1954.

Observe o emprego da vírgula em:
“E depois, olha!” (l. 48)
“Se tu queres um amigo, cativa-me!” (l. 61)
Pode-se afirmar que as vírgulas destacam a mesma ideia nas frases 1 e 2, que é:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Vírgulas isolando verbos no imperativo nas duas frases.

Em 'olha!' e 'cativa-me!' a ideia comum é a de convite ou pedido para que o interlocutor aja, ou seja, uma ordem ou convite no imperativo. Por isso a ideia em comum é expressar um convite à ação.

Análise das alternativas

B) Não há interjeição de alegria. C) Não há vocativo nas frases. D) Embora haja exclamação, a ideia comum às duas é a convocação à ação. E) Não há reclamação.

Referência: Pontuação; função do imperativo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Adjunto Adverbial de Modo

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 2

O sucesso da Mala
Cybele Meyer

1 Respiro ofegante. Trago nas mãos uma pequena mala e uma agenda
2 tinindo de nova. É meu primeiro dia de aula. Venho substituir uma professora
3 que teve que se ausentar “por motivo de força maior”. Entro timidamente na
4 sala dos professores e sou encarada por todos. Uma das colegas, tentando me
5 deixar mais à vontade, pergunta:
6 — É você que veio substituir a Edith?
7 — Sim – respondo num fio de voz.
8 — Fala forte, querida, caso contrário vai ser tragada pelos alunos – e
9 morre de rir.
10 — Ela nem imagina o que a espera, não é mesmo? – e a equipe toda se
11 diverte com a minha cara.
12 Convidada a sentar-me, aceito para não parecer antipática. Eles
13 continuam a conversar como se eu não estivesse ali. Até que, finalmente, toca
14 o sinal. É hora de começar a aula. Pego meu material e percebo que me olham
15 curiosos para saber o que tenho dentro da mala. Antes que me perguntem,
16 acelero o passo e sigo para a sala de aula. Entro e vejo um montão de olhinhos
17 curiosos a me analisar que, em seguida, se voltam para a maleta. Eu a coloco
18 em cima da mesa e a abro sem deixar que vejam o que há lá dentro.
19 — O que tem aí, professora?
20 — Em breve vocês saberão.
21 No fim do dia, fecho a mala, junto com minhas coisas e saio. No dia
22 seguinte, comporto-me da mesma maneira, e no outro e no outro... As aulas
23 correm bem e sinto que conquistei a classe, que participa com muito interesse.
24 Os professores já não me encaram. A mala, porém, continua sendo alvo de
25 olhares curiosos.
26 Chego à escola no meu último dia de aula. A titular da turma voltará na
27 semana seguinte. Na sala dos professores, ouço a pergunta guardada há
28 tantos dias:
29 — Afinal, o que você guarda de tão mágico dentro dessa mala que
30 conseguiu modificar a sala em tão pouco tempo?
31 — Podem olhar – respondo, abrindo o fecho.
32 — Mas não tem nada aí! – comentam.
33 — O essencial é invisível aos olhos. Aqui guardo o meu melhor.
34 Todos ficaram me olhando. Parecem estar pensando no que eu disse.
35 Pego meu material, despeço-me e saio.

Meyer, Cybele. O sucesso da Mala. In: NOVA ESCOLA. Edição 226,01 de outubro de 2009. Texto adaptado.

Aponte a opção em que não ocorre relação semântica de modo.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Identificar o trecho sem ideia de modo.

'Finalmente' em 'Até que, finalmente, toca o sinal' tem valor de tempo (ordem final dos acontecimentos), e não de modo. Nos demais trechos há circunstância de modo.

Análise das alternativas

A) 'timidamente' indica modo. C) 'num fio de voz' indica modo. D) 'tentando me deixar mais à vontade' é gerúndio que indica modo. E) 'da mesma maneira' indica modo.

Referência: Adjunto adverbial de modo; relações semânticas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar de Belo Horizonte (CEOCP) 2020 Fundamental

Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO 2

O sucesso da Mala
Cybele Meyer

1 Respiro ofegante. Trago nas mãos uma pequena mala e uma agenda
2 tinindo de nova. É meu primeiro dia de aula. Venho substituir uma professora
3 que teve que se ausentar “por motivo de força maior”. Entro timidamente na
4 sala dos professores e sou encarada por todos. Uma das colegas, tentando me
5 deixar mais à vontade, pergunta:
6 — É você que veio substituir a Edith?
7 — Sim – respondo num fio de voz.
8 — Fala forte, querida, caso contrário vai ser tragada pelos alunos – e
9 morre de rir.
10 — Ela nem imagina o que a espera, não é mesmo? – e a equipe toda se
11 diverte com a minha cara.
12 Convidada a sentar-me, aceito para não parecer antipática. Eles
13 continuam a conversar como se eu não estivesse ali. Até que, finalmente, toca
14 o sinal. É hora de começar a aula. Pego meu material e percebo que me olham
15 curiosos para saber o que tenho dentro da mala. Antes que me perguntem,
16 acelero o passo e sigo para a sala de aula. Entro e vejo um montão de olhinhos
17 curiosos a me analisar que, em seguida, se voltam para a maleta. Eu a coloco
18 em cima da mesa e a abro sem deixar que vejam o que há lá dentro.
19 — O que tem aí, professora?
20 — Em breve vocês saberão.
21 No fim do dia, fecho a mala, junto com minhas coisas e saio. No dia
22 seguinte, comporto-me da mesma maneira, e no outro e no outro... As aulas
23 correm bem e sinto que conquistei a classe, que participa com muito interesse.
24 Os professores já não me encaram. A mala, porém, continua sendo alvo de
25 olhares curiosos.
26 Chego à escola no meu último dia de aula. A titular da turma voltará na
27 semana seguinte. Na sala dos professores, ouço a pergunta guardada há
28 tantos dias:
29 — Afinal, o que você guarda de tão mágico dentro dessa mala que
30 conseguiu modificar a sala em tão pouco tempo?
31 — Podem olhar – respondo, abrindo o fecho.
32 — Mas não tem nada aí! – comentam.
33 — O essencial é invisível aos olhos. Aqui guardo o meu melhor.
34 Todos ficaram me olhando. Parecem estar pensando no que eu disse.
35 Pego meu material, despeço-me e saio.

Meyer, Cybele. O sucesso da Mala. In: NOVA ESCOLA. Edição 226,01 de outubro de 2009. Texto adaptado.

O texto 2 apresenta a seguinte frase:
“O essencial é invisível aos olhos. Aqui guardo o meu melhor.” (l. 33)
Esse trecho sugere que:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Sentido de 'o essencial é invisível aos olhos'.

A frase indica que o que é essencial não se vê e deve ser preservado dentro de quem o guarda. A mala vazia simboliza aquilo que a professora guarda de mais valioso ('o meu melhor'), por isso a ideia de guardar com segurança o que é imprescindível é a mais coerente.

Análise das alternativas

A) Sorte e companheirismo não aparecem no trecho. B) A frase não trata de lembranças remotas nem de saudosismo. D) Extrapola o texto: a mala não é carregada de ponderações sobre o futuro do corpo docente. E) A frase não trata de enxergar apenas momentos bons no trajeto.

Referência: Interpretação de texto; intertextualidade com O Pequeno Príncipe.

Resolução comentada do VaiConcursos.