← Voltar para a lista de provas Colégio Militar de Manaus (CMM) — Exército Brasileiro, DECEx/DEPA · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental 25 questões nesta prova · página 1 de 2 · 24 com gabarito Gabarito disponível Massa da abóbora sem água, a partir da retirada de metade da água. A massa retirada foi 17,05 − 8,95 = 8,1 kg, que é metade da água. Logo, a água total é 16,2 kg. Sem ela, a abóbora fica com 17,05 − 16,2 = 0,85 kg = 850 g. A, B, C e E não resultam da subtração da água total da massa inicial. 810 g, por exemplo, é só a massa da água retirada ('8,1 kg') truncada em outra unidade. Referência: Problemas com massa; conversão kg para g. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Massa inicial do vaso com terra a partir das porcentagens. Depois da retirada, a massa total é 6 kg e a terra é 90%, então o vaso tem 10% de 6 kg = 0,6 kg. No início, o vaso era 5% da massa total, logo 0,6 = 0,05·T e T = 12 kg = 12.000 g. As alternativas A, B, C e D não satisfazem a relação 0,6 kg = 5% da massa total inicial. O vaso tem massa constante, e esse é o dado que permite calcular a massa inicial. Referência: Porcentagem; conversão kg para g. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível MDC para distribuir os animais igualmente e total por parque. Para que cada parque receba a mesma quantidade de cada espécie, e o menor número possível, o número de parques deve ser o MDC(15, 70, 150, 500) = 5. Cada parque recebe 3 aves, 14 capivaras, 30 macacos e 100 tartarugas. O total é 3+14+30+100 = 147. As alternativas A, C, D e E não correspondem à soma das quantidades obtidas com 5 parques. O total de animais é 735, e 735 ÷ 5 = 147. Referência: MDC e problemas de divisão em grupos iguais. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Fração da água usada e percentual de capacidade do aquário ainda livre. 900 cl = 9 L. Pedro usou 1/6 (1,5 L) na couve e sobraram 7,5 L. Um quinto disso, 1,5 L, foi para o aquário. O aquário tem 1,5·2,5·1 = 3,75 dm³ = 3,75 L, então 1,5/3,75 = 40% está ocupado. Ainda pode ser preenchido 60%. A, B, C e E não correspondem a 100% − 40%. B (35%) e E (20%) não saem do cálculo correto. O valor 40% é a parte já ocupada, não a que resta. Referência: Frações, volume (1 dm³ = 1 L) e porcentagem. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Probabilidade de sortear um número primo entre os divisores de 360. 360 = 2³·3²·5, então tem (3+1)(2+1)(1+1) = 24 divisores. Os divisores primos são 2, 3 e 5, ou seja, 3 deles. A probabilidade é 3/24 = 1/8 = 12,5%. A (25%) seria 6/24. C (15%), D (20,5%) e E (10%) não correspondem a 3/24. Referência: Probabilidade; número de divisores pela decomposição em fatores primos. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Volume desperdiçado por uma torneira em 3 horas e soma dos algarismos. 3 h = 10.800 s, e 10.800 ÷ 25 = 432 períodos, ou seja, 432 × 9 = 3.888 gotas. Cada gota tem 0,035 dm³ = 35 cm³. O volume é 3.888 × 35 = 136.080 cm³. A soma dos algarismos é 1+3+6+0+8+0 = 18, que é múltiplo de 9. A: 18 não é múltiplo de 10. B: √36 = 6, e 18 ≠ 6. C: 18 não é divisível por 8. D: 18 não é divisível por 5. E: 18 = 9 × 2, portanto é múltiplo de 9. Referência: Razão e proporção; conversão de unidades de volume (1 dm³ = 1000 cm³). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Afirmação compatível com o primeiro parágrafo: falta de gentileza nas grandes cidades. O texto diz que 'as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza'. Logo, nas grandes cidades não é comum ver gentileza, e a alternativa A repete essa informação. B: o narrador afirma que 'não é por ruindade', então as pessoas não são ruins. C: o texto não faz comparação com o campo nem com fazendas. D: a causa apontada é a falta de tempo, não o convívio com desconhecidos. E: o narrador generaliza para as grandes cidades, sem restringir a São Paulo. Referência: Interpretação de texto: informação explícita. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Julgamento de afirmações sobre narrador, espaço, clímax, personagens e tempo. I é falsa: o narrador-personagem só conhece os próprios pensamentos e apenas supõe os dos outros. II é verdadeira, pois o conflito se dá no espaço urbano de convivência com os vizinhos. III é falsa: a reflexão sobre a mudança de comportamento é a instalação do conflito, não o clímax. IV é falsa: os personagens secundários são gentis e não agem como vilões. V é verdadeira: há marcas de tempo cronológico ('uns dias', 'semana passada', 'após as dez da noite'). Sequência: F–V–F–F–V. A, B, C e E trazem sequências que contradizem ao menos uma das análises acima. Em A e C, o item I aparece como verdadeiro. Em B, o item IV aparece como verdadeiro. Em E, o item V aparece como falso. Referência: Narrativa: foco narrativo, espaço, tempo, clímax e personagens. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Elementos da narrativa em 'Estranhas Gentilezas': onde o conflito se instala. O conflito começa quando o narrador percebe que, de repente, as pessoas passaram a tratá-lo com gentilezas inexplicáveis, contrariando o hábito das grandes cidades. É isso que gera sua desconfiança e a suspeita de um 'complô'. A alternativa C descreve corretamente esse ponto da narrativa. A: nada no texto prova que seja história real, e a crônica é uma construção literária. B: o texto não recorre a memórias afetivas, e sim à desconfiança diante do presente. D: a relação conflituosa com vizinhos não é o tema, pois o vizinho até se reconcilia. E: o narrador é personagem e participa dos fatos, não os observa à distância. Referência: Elementos da narrativa: conflito, narrador-personagem. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Sentido da expressão figurada 'ventinho de asas de borboleta'. O narrador diz que captava 'sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada'. A imagem do vento produzido por asas de borboleta é uma metáfora para algo levíssimo, quase imperceptível. Ela reforça que os sinais eram sutis e vagos, o que combina com 'quase nada' e 'imprecisos'. B: a borboleta é imagem figurada, não um fato do momento da narração. C: o narrador não nega a importância das suspeitas, pois elas crescem ao longo do texto. D: a expressão não pretende distrair o leitor. E: o texto diz que a impressão só 'tomou corpo' na semana passada, então o alerta não foi imediato. Referência: Figuras de linguagem: metáfora e imagem poética na crônica. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Distinguir opinião do narrador de fatos narrados. 'Tratam-me com inquietante delicadeza' traz um juízo de valor do narrador ('inquietante delicadeza'), ou seja, uma opinião sua sobre o comportamento alheio. A, B e C descrevem fatos/ações observáveis. D) expressa o estado de espírito do narrador, e não uma opinião sobre os fatos. Só E. Referência: Fato e opinião Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Trecho que mostra o tratamento gentil recebido pelo narrador. Vendedores que 'passam direto pelo meu carro, sem me olhar' é uma gentileza enumerada pelo narrador na sequência de atos amáveis, ao contrário dos trechos do último parágrafo, que mostram o dia comum e sem gentilezas. A, C, D e E (9º parágrafo) mostram aborrecimentos do cotidiano: elevador preso, revista no banco, cheques recusados, água suja. Não são gentilezas. Referência: Interpretação de texto Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Identificar relação causa → consequência. 'Gastam a paciência nos ônibus...' (causa) leva a 'economizam com a gente' (consequência): quem gasta a paciência fora a economiza com os outros. A) segunda parte explica a primeira, e não é consequência. B) sequência de fatos, sem causalidade. C) são ações sucessivas (finalidade/sequência). E) a segunda parte é circunstância temporal da primeira. Só D. Referência: Relações lógico-semânticas Resolução comentada do VaiConcursos.Colégio Militar de Manaus — Concurso de Admissão 2020/2021 — 6º Ano do Ensino Fundamental — Matemática, Língua Portuguesa e Redação
Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
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Sobre os resultados das expressões, marque a alternativa correta:Resolução comentada
Análise das alternativas
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Sabendo que o time do Grêmio da Cavalaria ganhou do time do Grêmio Naval, com qual time o Grêmio da Cavalaria empatou?
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Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
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TEXTO I
ESTRANHAS GENTILEZAS
Ivan Ângelo
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de espera, nos embates familiares, e depois economizam com a gente.
Comigo, dá-se o contrário, é o que estou notando de uns dias pra cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho tomou corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem transitáveis nas ruas dos Jardins. Num restaurante caro o maître, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me de que o jornal chegou. Os vizinhos de cima silenciam após as dez da noite.
Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na estrada. Motoristas, mesmo mulheres, cedem-me a preferência nas esquinas. Vendedores de bugigangas nos faróis de trânsito passam direto pelo meu carro, sem me olhar. Até crianças cumprimentam-me cúmplices: oi, tio.
Que está acontecendo? Quem e por que está querendo me convencer de que as pessoas são um doce? Penso: não são gentilezas, são homenagens aos meus cabelos brancos, por eu ter aguentado tanto, como se fosse um atleta de maratona, daqueles retardatários que são mais aplaudidos na chegada do que os vencedores.
A última manobra: botaram um pintassilgo a cantar para mim na árvore em frente à janela do meu apartamento de segundo andar.
Que significa isto? Que querem comigo? Que complô é este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza? Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de entrar pela porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher, saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando a vida entre bólidos, um caminhão joga-me a água suja de uma poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a sonhar com gentilezas.
Fonte: ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. São Paulo: Ática, 2000.
Glossário:
Embates: choque, encontro forte de opiniões
Imprecisos: que não se podem precisar, vago, sem clareza
Tenuemente: suavemente
Mobilizava: mexia
Esquivas: afastadas
Transitáveis: agradáveis
Jardins: bairro elegante de São Paulo
Maître: funcionário responsável por agendamentos e reservas nos restaurantes
Retardatários: atrasados
Pintassilgo: espécie de passarinho
Complô: trama, armação
Apreensivo: preocupado
Bólidos: carros velozes
É possível afirmar, de acordo com o texto, queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
ESTRANHAS GENTILEZAS
Ivan Ângelo
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de espera, nos embates familiares, e depois economizam com a gente.
Comigo, dá-se o contrário, é o que estou notando de uns dias pra cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho tomou corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem transitáveis nas ruas dos Jardins. Num restaurante caro o maître, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me de que o jornal chegou. Os vizinhos de cima silenciam após as dez da noite.
Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na estrada. Motoristas, mesmo mulheres, cedem-me a preferência nas esquinas. Vendedores de bugigangas nos faróis de trânsito passam direto pelo meu carro, sem me olhar. Até crianças cumprimentam-me cúmplices: oi, tio.
Que está acontecendo? Quem e por que está querendo me convencer de que as pessoas são um doce? Penso: não são gentilezas, são homenagens aos meus cabelos brancos, por eu ter aguentado tanto, como se fosse um atleta de maratona, daqueles retardatários que são mais aplaudidos na chegada do que os vencedores.
A última manobra: botaram um pintassilgo a cantar para mim na árvore em frente à janela do meu apartamento de segundo andar.
Que significa isto? Que querem comigo? Que complô é este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza? Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de entrar pela porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher, saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando a vida entre bólidos, um caminhão joga-me a água suja de uma poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a sonhar com gentilezas.
Fonte: ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. São Paulo: Ática, 2000.
Glossário:
Embates: choque, encontro forte de opiniões
Imprecisos: que não se podem precisar, vago, sem clareza
Tenuemente: suavemente
Mobilizava: mexia
Esquivas: afastadas
Transitáveis: agradáveis
Jardins: bairro elegante de São Paulo
Maître: funcionário responsável por agendamentos e reservas nos restaurantes
Retardatários: atrasados
Pintassilgo: espécie de passarinho
Complô: trama, armação
Apreensivo: preocupado
Bólidos: carros velozes
Julgue verdadeiras ou falsas as afirmativas sobre o Texto I.
I – O texto apresenta narrador-personagem que tem conhecimento do que se passa na mente das personagens.
II – O espaço onde se desenvolve o conflito é o bairro no qual se encontram o narrador e seus vizinhos.
III – O clímax se inicia com a reflexão do narrador sobre a abrupta mudança no comportamento das pessoas.
IV – Sobre os personagens secundários, podemos afirmar que todos agem como vilões na narrativa.
V – Há registros de tempo cronológico ao longo da narrativa, uma vez que os fatos acontecem em sequência.
A sequência correta é:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
ESTRANHAS GENTILEZAS
Ivan Ângelo
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de espera, nos embates familiares, e depois economizam com a gente.
Comigo, dá-se o contrário, é o que estou notando de uns dias pra cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho tomou corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem transitáveis nas ruas dos Jardins. Num restaurante caro o maître, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me de que o jornal chegou. Os vizinhos de cima silenciam após as dez da noite.
Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na estrada. Motoristas, mesmo mulheres, cedem-me a preferência nas esquinas. Vendedores de bugigangas nos faróis de trânsito passam direto pelo meu carro, sem me olhar. Até crianças cumprimentam-me cúmplices: oi, tio.
Que está acontecendo? Quem e por que está querendo me convencer de que as pessoas são um doce? Penso: não são gentilezas, são homenagens aos meus cabelos brancos, por eu ter aguentado tanto, como se fosse um atleta de maratona, daqueles retardatários que são mais aplaudidos na chegada do que os vencedores.
A última manobra: botaram um pintassilgo a cantar para mim na árvore em frente à janela do meu apartamento de segundo andar.
Que significa isto? Que querem comigo? Que complô é este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza? Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de entrar pela porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher, saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando a vida entre bólidos, um caminhão joga-me a água suja de uma poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a sonhar com gentilezas.
Fonte: ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. São Paulo: Ática, 2000.
Glossário:
Embates: choque, encontro forte de opiniões
Imprecisos: que não se podem precisar, vago, sem clareza
Tenuemente: suavemente
Mobilizava: mexia
Esquivas: afastadas
Transitáveis: agradáveis
Jardins: bairro elegante de São Paulo
Maître: funcionário responsável por agendamentos e reservas nos restaurantes
Retardatários: atrasados
Pintassilgo: espécie de passarinho
Complô: trama, armação
Apreensivo: preocupado
Bólidos: carros velozes
De acordo com as informações e características do texto, marque a alternativa correta:Resolução comentada
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TEXTO I
ESTRANHAS GENTILEZAS
Ivan Ângelo
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de espera, nos embates familiares, e depois economizam com a gente.
Comigo, dá-se o contrário, é o que estou notando de uns dias pra cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho tomou corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem transitáveis nas ruas dos Jardins. Num restaurante caro o maître, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me de que o jornal chegou. Os vizinhos de cima silenciam após as dez da noite.
Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na estrada. Motoristas, mesmo mulheres, cedem-me a preferência nas esquinas. Vendedores de bugigangas nos faróis de trânsito passam direto pelo meu carro, sem me olhar. Até crianças cumprimentam-me cúmplices: oi, tio.
Que está acontecendo? Quem e por que está querendo me convencer de que as pessoas são um doce? Penso: não são gentilezas, são homenagens aos meus cabelos brancos, por eu ter aguentado tanto, como se fosse um atleta de maratona, daqueles retardatários que são mais aplaudidos na chegada do que os vencedores.
A última manobra: botaram um pintassilgo a cantar para mim na árvore em frente à janela do meu apartamento de segundo andar.
Que significa isto? Que querem comigo? Que complô é este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza? Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de entrar pela porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher, saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando a vida entre bólidos, um caminhão joga-me a água suja de uma poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a sonhar com gentilezas.
Fonte: ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. São Paulo: Ática, 2000.
Glossário:
Embates: choque, encontro forte de opiniões
Imprecisos: que não se podem precisar, vago, sem clareza
Tenuemente: suavemente
Mobilizava: mexia
Esquivas: afastadas
Transitáveis: agradáveis
Jardins: bairro elegante de São Paulo
Maître: funcionário responsável por agendamentos e reservas nos restaurantes
Retardatários: atrasados
Pintassilgo: espécie de passarinho
Complô: trama, armação
Apreensivo: preocupado
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Observe a expressão “ventinho de asas de borboleta” (2º parágrafo), utilizada no texto. A expressão foi usada para:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
ESTRANHAS GENTILEZAS
Ivan Ângelo
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de espera, nos embates familiares, e depois economizam com a gente.
Comigo, dá-se o contrário, é o que estou notando de uns dias pra cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho tomou corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem transitáveis nas ruas dos Jardins. Num restaurante caro o maître, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me de que o jornal chegou. Os vizinhos de cima silenciam após as dez da noite.
Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na estrada. Motoristas, mesmo mulheres, cedem-me a preferência nas esquinas. Vendedores de bugigangas nos faróis de trânsito passam direto pelo meu carro, sem me olhar. Até crianças cumprimentam-me cúmplices: oi, tio.
Que está acontecendo? Quem e por que está querendo me convencer de que as pessoas são um doce? Penso: não são gentilezas, são homenagens aos meus cabelos brancos, por eu ter aguentado tanto, como se fosse um atleta de maratona, daqueles retardatários que são mais aplaudidos na chegada do que os vencedores.
A última manobra: botaram um pintassilgo a cantar para mim na árvore em frente à janela do meu apartamento de segundo andar.
Que significa isto? Que querem comigo? Que complô é este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza? Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de entrar pela porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher, saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando a vida entre bólidos, um caminhão joga-me a água suja de uma poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a sonhar com gentilezas.
Fonte: ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. São Paulo: Ática, 2000.
Glossário:
Embates: choque, encontro forte de opiniões
Imprecisos: que não se podem precisar, vago, sem clareza
Tenuemente: suavemente
Mobilizava: mexia
Esquivas: afastadas
Transitáveis: agradáveis
Jardins: bairro elegante de São Paulo
Maître: funcionário responsável por agendamentos e reservas nos restaurantes
Retardatários: atrasados
Pintassilgo: espécie de passarinho
Complô: trama, armação
Apreensivo: preocupado
Bólidos: carros velozes
Considerando a progressão da narrativa, o trecho que constitui uma opinião do narrador é:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
ESTRANHAS GENTILEZAS
Ivan Ângelo
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de espera, nos embates familiares, e depois economizam com a gente.
Comigo, dá-se o contrário, é o que estou notando de uns dias pra cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho tomou corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem transitáveis nas ruas dos Jardins. Num restaurante caro o maître, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me de que o jornal chegou. Os vizinhos de cima silenciam após as dez da noite.
Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na estrada. Motoristas, mesmo mulheres, cedem-me a preferência nas esquinas. Vendedores de bugigangas nos faróis de trânsito passam direto pelo meu carro, sem me olhar. Até crianças cumprimentam-me cúmplices: oi, tio.
Que está acontecendo? Quem e por que está querendo me convencer de que as pessoas são um doce? Penso: não são gentilezas, são homenagens aos meus cabelos brancos, por eu ter aguentado tanto, como se fosse um atleta de maratona, daqueles retardatários que são mais aplaudidos na chegada do que os vencedores.
A última manobra: botaram um pintassilgo a cantar para mim na árvore em frente à janela do meu apartamento de segundo andar.
Que significa isto? Que querem comigo? Que complô é este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza? Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de entrar pela porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher, saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando a vida entre bólidos, um caminhão joga-me a água suja de uma poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a sonhar com gentilezas.
Fonte: ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. São Paulo: Ática, 2000.
Glossário:
Embates: choque, encontro forte de opiniões
Imprecisos: que não se podem precisar, vago, sem clareza
Tenuemente: suavemente
Mobilizava: mexia
Esquivas: afastadas
Transitáveis: agradáveis
Jardins: bairro elegante de São Paulo
Maître: funcionário responsável por agendamentos e reservas nos restaurantes
Retardatários: atrasados
Pintassilgo: espécie de passarinho
Complô: trama, armação
Apreensivo: preocupado
Bólidos: carros velozes
Assinale a alternativa na qual a palavra em destaque possui um significado que, para o autor, está associada ou é semelhante às “gentilezas” observadas por ele:
TEXTO I
ESTRANHAS GENTILEZAS
Ivan Ângelo
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de espera, nos embates familiares, e depois economizam com a gente.
Comigo, dá-se o contrário, é o que estou notando de uns dias pra cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho tomou corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem transitáveis nas ruas dos Jardins. Num restaurante caro o maître, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me de que o jornal chegou. Os vizinhos de cima silenciam após as dez da noite.
Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na estrada. Motoristas, mesmo mulheres, cedem-me a preferência nas esquinas. Vendedores de bugigangas nos faróis de trânsito passam direto pelo meu carro, sem me olhar. Até crianças cumprimentam-me cúmplices: oi, tio.
Que está acontecendo? Quem e por que está querendo me convencer de que as pessoas são um doce? Penso: não são gentilezas, são homenagens aos meus cabelos brancos, por eu ter aguentado tanto, como se fosse um atleta de maratona, daqueles retardatários que são mais aplaudidos na chegada do que os vencedores.
A última manobra: botaram um pintassilgo a cantar para mim na árvore em frente à janela do meu apartamento de segundo andar.
Que significa isto? Que querem comigo? Que complô é este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza? Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de entrar pela porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher, saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando a vida entre bólidos, um caminhão joga-me a água suja de uma poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a sonhar com gentilezas.
Fonte: ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. São Paulo: Ática, 2000.
Glossário:
Embates: choque, encontro forte de opiniões
Imprecisos: que não se podem precisar, vago, sem clareza
Tenuemente: suavemente
Mobilizava: mexia
Esquivas: afastadas
Transitáveis: agradáveis
Jardins: bairro elegante de São Paulo
Maître: funcionário responsável por agendamentos e reservas nos restaurantes
Retardatários: atrasados
Pintassilgo: espécie de passarinho
Complô: trama, armação
Apreensivo: preocupado
Bólidos: carros velozes
Das alternativas abaixo, indique aquela que contém um trecho que revela o tratamento gentil que o narrador tem recebido:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
ESTRANHAS GENTILEZAS
Ivan Ângelo
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de espera, nos embates familiares, e depois economizam com a gente.
Comigo, dá-se o contrário, é o que estou notando de uns dias pra cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho tomou corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali.
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem transitáveis nas ruas dos Jardins. Num restaurante caro o maître, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me de que o jornal chegou. Os vizinhos de cima silenciam após as dez da noite.
Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na estrada. Motoristas, mesmo mulheres, cedem-me a preferência nas esquinas. Vendedores de bugigangas nos faróis de trânsito passam direto pelo meu carro, sem me olhar. Até crianças cumprimentam-me cúmplices: oi, tio.
Que está acontecendo? Quem e por que está querendo me convencer de que as pessoas são um doce? Penso: não são gentilezas, são homenagens aos meus cabelos brancos, por eu ter aguentado tanto, como se fosse um atleta de maratona, daqueles retardatários que são mais aplaudidos na chegada do que os vencedores.
A última manobra: botaram um pintassilgo a cantar para mim na árvore em frente à janela do meu apartamento de segundo andar.
Que significa isto? Que querem comigo? Que complô é este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza? Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de entrar pela porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher, saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando a vida entre bólidos, um caminhão joga-me a água suja de uma poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a sonhar com gentilezas.
Fonte: ÂNGELO, Ivan. O comprador de aventuras. São Paulo: Ática, 2000.
Glossário:
Embates: choque, encontro forte de opiniões
Imprecisos: que não se podem precisar, vago, sem clareza
Tenuemente: suavemente
Mobilizava: mexia
Esquivas: afastadas
Transitáveis: agradáveis
Jardins: bairro elegante de São Paulo
Maître: funcionário responsável por agendamentos e reservas nos restaurantes
Retardatários: atrasados
Pintassilgo: espécie de passarinho
Complô: trama, armação
Apreensivo: preocupado
Bólidos: carros velozes
Marque a opção em que se estabelece uma relação de causa e consequência, respectivamente.Resolução comentada
Análise das alternativas
Uma abóbora tem massa de 17,05 kg. Miriam retirou metade da água nela contida, ficando a abóbora com massa de 8,95 kg. Qual a massa, em gramas, dessa abóbora se retirarmos toda a água nela contida?
Um vaso está cheio de terra, de forma que a quantidade de terra nele contida corresponda a 95% da massa total (massa do vaso mais a da terra). Joel retirou terra desse vaso, de modo que a quantidade restante de terra agora corresponde a 90% da massa total. Sabendo que, após retirar a terra do vaso, a massa total passou a ser de 6 kg, qual era a massa inicial do vaso com terra?
No laboratório de Matemática do CMM, Maria confeccionou nove cubos de mesmas dimensões, numerando as faces de cada um deles com algarismos de 1 a 6. Em seguida, a menina posicionou os cubos sobre uma mesa, conforme a ilustração abaixo. Ao dar uma volta ao redor dessa mesa, Maria anotou a soma dos números de todas as faces visíveis. Sabendo que a soma de duas faces opostas é sempre 7, qual a maior soma que Maria pôde obter?
Imagine que você precisa colocar grama em parte de um terreno, cuja forma está representada na figura abaixo. A ilustração do terreno é composta por um quadrado maior, cujo perímetro real mede 56 m, e por um quadrado menor, cujo perímetro real mede 48 m. Sabendo que a parte a ser gramada está destacada em verde, quanto mede a área que deve receber grama nesse terreno?
A professora de matemática escreveu na lousa três expressões numéricas que representam, respectivamente, as letras A, B e C. Para saber o valor de cada uma dessas letras, os alunos devem resolver as expressões escritas abaixo:
Um projeto de resgate de animais irá reintegrar à natureza diversos exemplares de 4 espécies diferentes, distribuindo-os em parques ecológicos. São 15 aves, 70 capivaras, 150 macacos e 500 tartarugas. Sabendo que cada parque deve receber a mesma quantidade e o menor número possível de animais de uma mesma espécie, qual o total de animais que cada parque deve receber?
No Intergrêmios de 2019, competição esportiva realizada entre os alunos dos Grêmios do CMM, ocorreu um torneio de futebol. Cada time representou um dos Grêmios do Colégio, sendo que cada um deles disputou um jogo com cada um dos outros cinco. Observe abaixo a tabela que mostra a classificação final desse torneio, no qual foram atribuídos 3 pontos por vitória, 1 ponto por empate e 0 (zero) ponto por derrota.
Lídia confeccionou um icosaedro regular, como o da figura abaixo, e mostrou para Laura. Laura observou o icosaedro e disse que o sólido tem faces triangulares e que cada aresta pertence a duas faces. Então Lídia perguntou a Laura: quantas arestas tem um icosaedro? A resposta de Laura foi:
Pedro encheu totalmente uma garrafa de 900 cl de água. Usou 1/6 dessa água para regar seu pé de couve e 1/5 do que restou ele despejou em seu aquário, cujo formato é de um paralelepípedo retângulo de arestas 1,5 dm, 2,5 dm e 1 dm. Sabendo que inicialmente o aquário estava completamente vazio, que percentual da capacidade total desse aquário ainda poderá ser preenchido com água sem que venha a transbordar?
A probabilidade de escolhermos ao acaso um número primo dentre os divisores de 360 é de:
Devemos a todo custo evitar o desperdício de água. Uma torneira com vazamento de água goteja 9 vezes a cada 25 segundos. Sabendo que cada gota tem volume igual a 0,035 dm³ e que o gotejamento é constante, o volume de água em cm³, desperdiçado em 3 horas, é um número cuja soma de seus algarismos é:
Maria comprou uma casa sem número. Para determinar o número da sua residência, ela observou os números das outras casas na sua rua e, conversando com os vizinhos, descobriu que a soma dos números das casas de um lado da rua é igual à soma dos números das casas que ficam do outro lado da rua. Sabendo disso e observando o esquema de números das casas da rua onde Maria mora, qual deve ser o número da casa dela?
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