← Voltar para a lista de provas Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) — Comando da Aeronáutica · Exame de Admissão ao CPCAR 2020 (Curso Preparatório de Cadetes do Ar) 49 questões nesta prova · página 1 de 3 · 45 com gabarito Gabarito disponível O homem moderno está atrelado às máquinas, queira ou não. O autor mostra que tarefas cotidianas (tomar banho, usar elevador, telefone, e-mail) dependem de tecnologia, sem escolha do indivíduo. Isso corresponde à ideia de dependência inevitável. A) Inverte a lógica: a conclusão de que o homem foi feito para a máquina não decorre de ineficiência. B) O autor não afirma que terá de voltar ao passado; é um desejo irônico. C) A cura de doenças é só um exemplo irônico, não a ideia central. Referência: Interpretação de texto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A alternativa A é a incorreta: o texto não tem tom sério. A crônica é leve, irônica e bem-humorada ("Cadê o papel-carbono?", "diversidade analfabética"), embora trate de tema contemporâneo. Dizer que o tom é sério contraria o texto, e por isso A contém a informação incorreta. B) Correta: o título coloquial anuncia estilo descontraído. C) Correta: o diálogo com o leitor aproxima. D) Correta: as repetições combinam com a informalidade. Referência: Aspectos discursivos. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A frieza e a solidão pós-modernas aparecem na citação de Gibran. "Não procuro teto, mas calor humano. O coração do homem está vazio" expressa a carência de contato humano, em linha com o isolamento de falar só com máquinas. B) Fala da relação entre arte e tecnologia. C) Critica o consumo de coisas prontas. D) Expressa esperança na vida, apesar das dificuldades. Referência: Intertextualidade. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Os parênteses estabelecem diálogo com o leitor e trazem opiniões do locutor. Os trechos entre parênteses comentam, em tom de conversa, o que foi dito antes (por exemplo, "Isso a gente já sabe..."), aproximando o locutor do interlocutor. A) A repetição de "E tive" reforça a saudade, não sequencia fatos. B) As citações não tornam o texto literário, que é crônica de opinião. D) A última linha, "Cadê meu papel carbono?", é coloquial, mas isso não equivale a descumprimento generalizado da norma. Referência: Aspectos discursivos e estilísticos. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível 'Andou dizendo' não é eufemismo. "Andou dizendo" é locução verbal que indica ação continuada, sem atenuar nada. Não há suavização de ideia desagradável, portanto não é eufemismo. A) Correta: elevadores 'chegarem a uma conclusão' é personificação. C) Correta: o vocativo dirigido ao leitor é apóstrofe. D) Correta: 'outro dia' repetido é anáfora e dá ideia de casualidade. Referência: Figuras de linguagem. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível A queixa sobre a substituição do artista está em 'Por que fazer um poema?'. O ofício do artista da palavra é fazer poemas. O verso que questiona o porquê de fazê-lo, já que a máquina o fará, traz essa queixa. A) Trata do coração e da cordialidade. B) Trata do trabalho braçal. D) Trata da elevação espiritual (escada de Jacó). Nenhuma delas se refere ao ofício do artista. Referência: Interpretação de texto poético. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Estão corretas II e IV. A máquina é equiparada a uma divindade, já que recebe oração ("Ó máquina, orai por nós") (II). A 3ª estrofe vai de tarefas simples (levantar o braço) às mais elevadas (pensar, fazer poema, subir a escada de Jacó), numa gradação (IV). I está errada: o texto não divide o poema em dúvidas do homem e impotência para respondê-las. III está errada: o poema não afirma que o homem despreza a si mesmo. Por isso, só II e IV estão corretas. Referência: Interpretação de poema e gradação. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Em 'A máquina o fará por nós', 'o' é objeto direto. O verbo "fazer" é transitivo direto e o pronome oblíquo "o" retoma a tarefa (levantar o braço, pensar etc.), funcionando como objeto direto. A) "Lhe" é objeto indireto do gerúndio "dando", não complemento nominal. C) "Que" em "Por que" é pronome interrogativo/conjunção, não relativo. D) "Orai-nos" mudaria a regência e o sentido, pois "orai por nós" significa interceder por nós. Referência: Pronomes e funções sintáticas. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O poeta usa o léxico da informática para expressar o amor de modo moderno. O poema emprega termos como clicar, conectar, printar e programas para falar de emoção amorosa ("meu coração troveja"). Assim, ele leva a linguagem da informática à poesia e traz uma percepção moderna do amor. A) Errada: o uso dos verbos é compatível com a norma, apenas figurado. B) Errada: não se trata de licença poética para sair do universo linguístico, e a afirmação é imprecisa. D) Errada: a contagem de verbos e sua divisão não corresponde ao poema. Referência: Linguagem poética e vocabulário. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Estão corretas I, III e IV. Há anáfora na repetição de "quando" no início dos versos (I). "Meus títulos se põem maiúsculos" tem sentido figurado (III). "Quando você me conecta, me liga" tem 10 sílabas poéticas na escansão (IV). Em II, "troveja" é metáfora do coração que bate forte, não personificação do tipo indicado. A) e B) incluem II, que é incorreta ao classificar o trecho como personificação. D) também inclui II. Portanto, a opção correta é a C. Referência: Figuras de linguagem e métrica. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A ideia de que o homem não é necessário aparece em 'A máquina o fará por nós'. Dizer que o homem não é necessário equivale a dizer que a máquina o substitui em tudo. É o que o texto II repete: levantar o braço, labutar, pensar, tudo "a máquina o fará por nós". A) Fala de desconhecimento dos jovens sobre objetos antigos. B) Expressa euforia do eu lírico, sem ideia de substituição. C) Trata da dificuldade de usar controles remotos, não da dispensabilidade do homem. Referência: Interpretação e intertextualidade. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Estão corretas I e III. No texto II, a máquina "faz" ações humanas e recebe até uma oração, o que é personificação (I correta). No texto I, o autor declara saudade do papel-carbono e do mimeógrafo (III correta). Em II, o poeta não resiste às máquinas, pois o poema celebra de forma emocional o ato de ser conectado (clica, conecta), e não um rompimento de limites. Em IV, o problema não é que as máquinas não façam coisas banais, mas que o homem depende delas e é descartado. II está errada: o texto III mostra a fusão entre homem e tecnologia, não resistência. IV está errada: o autor critica a dependência e a complexidade, não a incapacidade de tarefas banais. Logo, só I e III estão corretas. Referência: Interpretação comparada de textos. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Duas inequações dão 44 < x < 46, portanto x = 45. Na 1ª situação, sobram livros: 30·4 + 5(x − 30) < 200, o que dá x 200, o que dá x > 44. Então x = 45, e a soma dos algarismos é 9. 8, 10 e 11 não correspondem ao único inteiro x = 45 que satisfaz as duas condições. Referência: Inequações do 1º grau. Resolução comentada do VaiConcursos.EPCAR — Exame de Admissão ao CPCAR 2020 — Língua Portuguesa, Matemática, Língua Inglesa e Redação — Versão A
TEXTO I
Cadê o papel-carbono?
Outro dia tive saudade do papel carbono. E tive
saudade também do mimeógrafo a álcool. E tive
saudade da velha máquina de escrever. E tive saudade
de quando, no dizer de Rubem Braga, a geladeira era
5 branca e o telefone era preto.
Os mais jovens não sabem nem o que é papel
carbono ou mimeógrafo a álcool. Mas tive saudade
deles, ou melhor, de um tempo em que eu não dependia
eletronicamente de outros para fazer as mínimas
10 tarefas. Uma torneira, por exemplo, era algo simples. Eu
sabia abrir uma torneira e fazê-la jorrar água. Hoje tomar
um banho é uma peripécia tecnológica. Hoje até para
tomar um elevador tenho que inserir um cartão
eletrônico para ele se mover. Claro que tem o Google,
15 essa enciclopédia no computador que facilita as
pesquisas (para quem não precisa ir fundo nos
assuntos), mas muita coisa me intriga: por que cada
aparelho de televisão de cada casa, de cada hotel tem
um controle remoto diferente e a gente não consegue
20 usá-los sem pedir socorro a alguém?
Olha, tanta tecnologia!...Mas além de não terem
descoberto como curar uma simples gripe, os
elevadores dos hotéis ainda não chegaram a uma
conclusão de como assinalar no mostrador que letra
25 deve indicar a portaria. Será necessária uma medida
provisória do presidente para uniformizar tal diversidade
analfabética.
Outro dia, li que houve uma reunião em Baku,
lá no Azerbaijão, congregando cérebros notáveis para
30 decifrarem nosso presente e nosso futuro. Pois Jean
Baudrillard andou dizendo, com aquela facilidade que os
franceses têm para fazer frases que parecem filosóficas,
que o que caracteriza essa época que está vindo por aí
é que o homem, leia-se corretamente homens e
35 mulheres, ou seja, o ser humano, foi descartado pela
máquina. (Isso a gente já sabe quando tenta ligar para
uma firma qualquer e uma voz eletrônica fica mandando
a gente discar isto e aquilo e volta tudo a zero e não
obtemos a informação necessária.)
40 Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios.
O primeiro era de um vate mesmo – Vinícius de Moraes,
que naquele poema “Dia da Criação”, fazendo
considerações irônicas sobre o dia de “sábado” e os
desígnios divinos, diz: “Na verdade, o homem não era
45 necessário”. É isto, já não somos necessários.
E a outra frase metida nessa encrenca é aquela
da Bíblia, que dizia que o “sábado foi feito para o
homem e não o homem para o sábado”. Isso foi
antigamente. Pois achávamos que a máquina havia sido
50 feita para o homem, mas Baudrillard, as companhias
aéreas e as telefônicas mais os servidores de
informática nos convenceram de que “o homem é que
foi feito para a máquina”. Ao telefone só se fala com
máquinas, e algumas empresas – esses servidores de
55 informática – nem seus telefones disponibilizam. Estou,
por exemplo, há quatro meses tentando falar com
alguém no “hotmail” e lá não tem viv’alma, só
fantasmas eletrônicos sem rosto e sem voz.
Permita-me, eventual e concreto leitor, lhe fazer
60 uma pergunta indiscreta. Quanto tempo diariamente
você está gastando com e-mails? Quanto tempo para
apagar o lixo e responder bobagens? Faça a conta,
some.
Drummond certa vez escreveu: “Ao telefone
65 perdeste muito tempo de semear”. Ele é porque não
conheceu a internet, que, tanto quanto o celular, usada
desregradamente é a grande sorvedora de tempo da
pós-modernidade.
Por estas e por outras é que estou pensando
70 seriamente em voltar às cartas, quem sabe ao
pergaminho. E a primeira medida é reencontrar o papel
carbono.
– Cadê meu papel carbono?
(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Tempo de delicadeza. Porto Alegre: L&PM, 2009)
Após a leitura atenta do texto, é correto afirmar queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Cadê o papel-carbono?
Outro dia tive saudade do papel carbono. E tive
saudade também do mimeógrafo a álcool. E tive
saudade da velha máquina de escrever. E tive saudade
de quando, no dizer de Rubem Braga, a geladeira era
5 branca e o telefone era preto.
Os mais jovens não sabem nem o que é papel
carbono ou mimeógrafo a álcool. Mas tive saudade
deles, ou melhor, de um tempo em que eu não dependia
eletronicamente de outros para fazer as mínimas
10 tarefas. Uma torneira, por exemplo, era algo simples. Eu
sabia abrir uma torneira e fazê-la jorrar água. Hoje tomar
um banho é uma peripécia tecnológica. Hoje até para
tomar um elevador tenho que inserir um cartão
eletrônico para ele se mover. Claro que tem o Google,
15 essa enciclopédia no computador que facilita as
pesquisas (para quem não precisa ir fundo nos
assuntos), mas muita coisa me intriga: por que cada
aparelho de televisão de cada casa, de cada hotel tem
um controle remoto diferente e a gente não consegue
20 usá-los sem pedir socorro a alguém?
Olha, tanta tecnologia!...Mas além de não terem
descoberto como curar uma simples gripe, os
elevadores dos hotéis ainda não chegaram a uma
conclusão de como assinalar no mostrador que letra
25 deve indicar a portaria. Será necessária uma medida
provisória do presidente para uniformizar tal diversidade
analfabética.
Outro dia, li que houve uma reunião em Baku,
lá no Azerbaijão, congregando cérebros notáveis para
30 decifrarem nosso presente e nosso futuro. Pois Jean
Baudrillard andou dizendo, com aquela facilidade que os
franceses têm para fazer frases que parecem filosóficas,
que o que caracteriza essa época que está vindo por aí
é que o homem, leia-se corretamente homens e
35 mulheres, ou seja, o ser humano, foi descartado pela
máquina. (Isso a gente já sabe quando tenta ligar para
uma firma qualquer e uma voz eletrônica fica mandando
a gente discar isto e aquilo e volta tudo a zero e não
obtemos a informação necessária.)
40 Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios.
O primeiro era de um vate mesmo – Vinícius de Moraes,
que naquele poema “Dia da Criação”, fazendo
considerações irônicas sobre o dia de “sábado” e os
desígnios divinos, diz: “Na verdade, o homem não era
45 necessário”. É isto, já não somos necessários.
E a outra frase metida nessa encrenca é aquela
da Bíblia, que dizia que o “sábado foi feito para o
homem e não o homem para o sábado”. Isso foi
antigamente. Pois achávamos que a máquina havia sido
50 feita para o homem, mas Baudrillard, as companhias
aéreas e as telefônicas mais os servidores de
informática nos convenceram de que “o homem é que
foi feito para a máquina”. Ao telefone só se fala com
máquinas, e algumas empresas – esses servidores de
55 informática – nem seus telefones disponibilizam. Estou,
por exemplo, há quatro meses tentando falar com
alguém no “hotmail” e lá não tem viv’alma, só
fantasmas eletrônicos sem rosto e sem voz.
Permita-me, eventual e concreto leitor, lhe fazer
60 uma pergunta indiscreta. Quanto tempo diariamente
você está gastando com e-mails? Quanto tempo para
apagar o lixo e responder bobagens? Faça a conta,
some.
Drummond certa vez escreveu: “Ao telefone
65 perdeste muito tempo de semear”. Ele é porque não
conheceu a internet, que, tanto quanto o celular, usada
desregradamente é a grande sorvedora de tempo da
pós-modernidade.
Por estas e por outras é que estou pensando
70 seriamente em voltar às cartas, quem sabe ao
pergaminho. E a primeira medida é reencontrar o papel
carbono.
– Cadê meu papel carbono?
(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Tempo de delicadeza. Porto Alegre: L&PM, 2009)
Assinale a alternativa que possua informações INCORRETAS relacionadas a aspectos discursivos e gramaticais.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Cadê o papel-carbono?
Outro dia tive saudade do papel carbono. E tive
saudade também do mimeógrafo a álcool. E tive
saudade da velha máquina de escrever. E tive saudade
de quando, no dizer de Rubem Braga, a geladeira era
5 branca e o telefone era preto.
Os mais jovens não sabem nem o que é papel
carbono ou mimeógrafo a álcool. Mas tive saudade
deles, ou melhor, de um tempo em que eu não dependia
eletronicamente de outros para fazer as mínimas
10 tarefas. Uma torneira, por exemplo, era algo simples. Eu
sabia abrir uma torneira e fazê-la jorrar água. Hoje tomar
um banho é uma peripécia tecnológica. Hoje até para
tomar um elevador tenho que inserir um cartão
eletrônico para ele se mover. Claro que tem o Google,
15 essa enciclopédia no computador que facilita as
pesquisas (para quem não precisa ir fundo nos
assuntos), mas muita coisa me intriga: por que cada
aparelho de televisão de cada casa, de cada hotel tem
um controle remoto diferente e a gente não consegue
20 usá-los sem pedir socorro a alguém?
Olha, tanta tecnologia!...Mas além de não terem
descoberto como curar uma simples gripe, os
elevadores dos hotéis ainda não chegaram a uma
conclusão de como assinalar no mostrador que letra
25 deve indicar a portaria. Será necessária uma medida
provisória do presidente para uniformizar tal diversidade
analfabética.
Outro dia, li que houve uma reunião em Baku,
lá no Azerbaijão, congregando cérebros notáveis para
30 decifrarem nosso presente e nosso futuro. Pois Jean
Baudrillard andou dizendo, com aquela facilidade que os
franceses têm para fazer frases que parecem filosóficas,
que o que caracteriza essa época que está vindo por aí
é que o homem, leia-se corretamente homens e
35 mulheres, ou seja, o ser humano, foi descartado pela
máquina. (Isso a gente já sabe quando tenta ligar para
uma firma qualquer e uma voz eletrônica fica mandando
a gente discar isto e aquilo e volta tudo a zero e não
obtemos a informação necessária.)
40 Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios.
O primeiro era de um vate mesmo – Vinícius de Moraes,
que naquele poema “Dia da Criação”, fazendo
considerações irônicas sobre o dia de “sábado” e os
desígnios divinos, diz: “Na verdade, o homem não era
45 necessário”. É isto, já não somos necessários.
E a outra frase metida nessa encrenca é aquela
da Bíblia, que dizia que o “sábado foi feito para o
homem e não o homem para o sábado”. Isso foi
antigamente. Pois achávamos que a máquina havia sido
50 feita para o homem, mas Baudrillard, as companhias
aéreas e as telefônicas mais os servidores de
informática nos convenceram de que “o homem é que
foi feito para a máquina”. Ao telefone só se fala com
máquinas, e algumas empresas – esses servidores de
55 informática – nem seus telefones disponibilizam. Estou,
por exemplo, há quatro meses tentando falar com
alguém no “hotmail” e lá não tem viv’alma, só
fantasmas eletrônicos sem rosto e sem voz.
Permita-me, eventual e concreto leitor, lhe fazer
60 uma pergunta indiscreta. Quanto tempo diariamente
você está gastando com e-mails? Quanto tempo para
apagar o lixo e responder bobagens? Faça a conta,
some.
Drummond certa vez escreveu: “Ao telefone
65 perdeste muito tempo de semear”. Ele é porque não
conheceu a internet, que, tanto quanto o celular, usada
desregradamente é a grande sorvedora de tempo da
pós-modernidade.
Por estas e por outras é que estou pensando
70 seriamente em voltar às cartas, quem sabe ao
pergaminho. E a primeira medida é reencontrar o papel
carbono.
– Cadê meu papel carbono?
(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Tempo de delicadeza. Porto Alegre: L&PM, 2009)
No texto, o escritor faz a seguinte afirmação: “Ao telefone só se fala com máquinas, e algumas empresas (...) nem seus telefones disponibilizam”. A frieza e a solidão do mundo pós-moderno também podem ser vistas na seguinte citação:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Cadê o papel-carbono?
Outro dia tive saudade do papel carbono. E tive
saudade também do mimeógrafo a álcool. E tive
saudade da velha máquina de escrever. E tive saudade
de quando, no dizer de Rubem Braga, a geladeira era
5 branca e o telefone era preto.
Os mais jovens não sabem nem o que é papel
carbono ou mimeógrafo a álcool. Mas tive saudade
deles, ou melhor, de um tempo em que eu não dependia
eletronicamente de outros para fazer as mínimas
10 tarefas. Uma torneira, por exemplo, era algo simples. Eu
sabia abrir uma torneira e fazê-la jorrar água. Hoje tomar
um banho é uma peripécia tecnológica. Hoje até para
tomar um elevador tenho que inserir um cartão
eletrônico para ele se mover. Claro que tem o Google,
15 essa enciclopédia no computador que facilita as
pesquisas (para quem não precisa ir fundo nos
assuntos), mas muita coisa me intriga: por que cada
aparelho de televisão de cada casa, de cada hotel tem
um controle remoto diferente e a gente não consegue
20 usá-los sem pedir socorro a alguém?
Olha, tanta tecnologia!...Mas além de não terem
descoberto como curar uma simples gripe, os
elevadores dos hotéis ainda não chegaram a uma
conclusão de como assinalar no mostrador que letra
25 deve indicar a portaria. Será necessária uma medida
provisória do presidente para uniformizar tal diversidade
analfabética.
Outro dia, li que houve uma reunião em Baku,
lá no Azerbaijão, congregando cérebros notáveis para
30 decifrarem nosso presente e nosso futuro. Pois Jean
Baudrillard andou dizendo, com aquela facilidade que os
franceses têm para fazer frases que parecem filosóficas,
que o que caracteriza essa época que está vindo por aí
é que o homem, leia-se corretamente homens e
35 mulheres, ou seja, o ser humano, foi descartado pela
máquina. (Isso a gente já sabe quando tenta ligar para
uma firma qualquer e uma voz eletrônica fica mandando
a gente discar isto e aquilo e volta tudo a zero e não
obtemos a informação necessária.)
40 Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios.
O primeiro era de um vate mesmo – Vinícius de Moraes,
que naquele poema “Dia da Criação”, fazendo
considerações irônicas sobre o dia de “sábado” e os
desígnios divinos, diz: “Na verdade, o homem não era
45 necessário”. É isto, já não somos necessários.
E a outra frase metida nessa encrenca é aquela
da Bíblia, que dizia que o “sábado foi feito para o
homem e não o homem para o sábado”. Isso foi
antigamente. Pois achávamos que a máquina havia sido
50 feita para o homem, mas Baudrillard, as companhias
aéreas e as telefônicas mais os servidores de
informática nos convenceram de que “o homem é que
foi feito para a máquina”. Ao telefone só se fala com
máquinas, e algumas empresas – esses servidores de
55 informática – nem seus telefones disponibilizam. Estou,
por exemplo, há quatro meses tentando falar com
alguém no “hotmail” e lá não tem viv’alma, só
fantasmas eletrônicos sem rosto e sem voz.
Permita-me, eventual e concreto leitor, lhe fazer
60 uma pergunta indiscreta. Quanto tempo diariamente
você está gastando com e-mails? Quanto tempo para
apagar o lixo e responder bobagens? Faça a conta,
some.
Drummond certa vez escreveu: “Ao telefone
65 perdeste muito tempo de semear”. Ele é porque não
conheceu a internet, que, tanto quanto o celular, usada
desregradamente é a grande sorvedora de tempo da
pós-modernidade.
Por estas e por outras é que estou pensando
70 seriamente em voltar às cartas, quem sabe ao
pergaminho. E a primeira medida é reencontrar o papel
carbono.
– Cadê meu papel carbono?
(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Tempo de delicadeza. Porto Alegre: L&PM, 2009)
Em relação à composição e estruturação linguística do texto, é correto afirmar queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Cadê o papel-carbono?
Outro dia tive saudade do papel carbono. E tive
saudade também do mimeógrafo a álcool. E tive
saudade da velha máquina de escrever. E tive saudade
de quando, no dizer de Rubem Braga, a geladeira era
5 branca e o telefone era preto.
Os mais jovens não sabem nem o que é papel
carbono ou mimeógrafo a álcool. Mas tive saudade
deles, ou melhor, de um tempo em que eu não dependia
eletronicamente de outros para fazer as mínimas
10 tarefas. Uma torneira, por exemplo, era algo simples. Eu
sabia abrir uma torneira e fazê-la jorrar água. Hoje tomar
um banho é uma peripécia tecnológica. Hoje até para
tomar um elevador tenho que inserir um cartão
eletrônico para ele se mover. Claro que tem o Google,
15 essa enciclopédia no computador que facilita as
pesquisas (para quem não precisa ir fundo nos
assuntos), mas muita coisa me intriga: por que cada
aparelho de televisão de cada casa, de cada hotel tem
um controle remoto diferente e a gente não consegue
20 usá-los sem pedir socorro a alguém?
Olha, tanta tecnologia!...Mas além de não terem
descoberto como curar uma simples gripe, os
elevadores dos hotéis ainda não chegaram a uma
conclusão de como assinalar no mostrador que letra
25 deve indicar a portaria. Será necessária uma medida
provisória do presidente para uniformizar tal diversidade
analfabética.
Outro dia, li que houve uma reunião em Baku,
lá no Azerbaijão, congregando cérebros notáveis para
30 decifrarem nosso presente e nosso futuro. Pois Jean
Baudrillard andou dizendo, com aquela facilidade que os
franceses têm para fazer frases que parecem filosóficas,
que o que caracteriza essa época que está vindo por aí
é que o homem, leia-se corretamente homens e
35 mulheres, ou seja, o ser humano, foi descartado pela
máquina. (Isso a gente já sabe quando tenta ligar para
uma firma qualquer e uma voz eletrônica fica mandando
a gente discar isto e aquilo e volta tudo a zero e não
obtemos a informação necessária.)
40 Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios.
O primeiro era de um vate mesmo – Vinícius de Moraes,
que naquele poema “Dia da Criação”, fazendo
considerações irônicas sobre o dia de “sábado” e os
desígnios divinos, diz: “Na verdade, o homem não era
45 necessário”. É isto, já não somos necessários.
E a outra frase metida nessa encrenca é aquela
da Bíblia, que dizia que o “sábado foi feito para o
homem e não o homem para o sábado”. Isso foi
antigamente. Pois achávamos que a máquina havia sido
50 feita para o homem, mas Baudrillard, as companhias
aéreas e as telefônicas mais os servidores de
informática nos convenceram de que “o homem é que
foi feito para a máquina”. Ao telefone só se fala com
máquinas, e algumas empresas – esses servidores de
55 informática – nem seus telefones disponibilizam. Estou,
por exemplo, há quatro meses tentando falar com
alguém no “hotmail” e lá não tem viv’alma, só
fantasmas eletrônicos sem rosto e sem voz.
Permita-me, eventual e concreto leitor, lhe fazer
60 uma pergunta indiscreta. Quanto tempo diariamente
você está gastando com e-mails? Quanto tempo para
apagar o lixo e responder bobagens? Faça a conta,
some.
Drummond certa vez escreveu: “Ao telefone
65 perdeste muito tempo de semear”. Ele é porque não
conheceu a internet, que, tanto quanto o celular, usada
desregradamente é a grande sorvedora de tempo da
pós-modernidade.
Por estas e por outras é que estou pensando
70 seriamente em voltar às cartas, quem sabe ao
pergaminho. E a primeira medida é reencontrar o papel
carbono.
– Cadê meu papel carbono?
(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Tempo de delicadeza. Porto Alegre: L&PM, 2009)
Dentre os trechos transcritos a seguir, assinale a alternativa em que o vocábulo grifado NÃO foi empregado com a finalidade de enfatizar a posição crítica do autor no contexto.
TEXTO I
Cadê o papel-carbono?
Outro dia tive saudade do papel carbono. E tive
saudade também do mimeógrafo a álcool. E tive
saudade da velha máquina de escrever. E tive saudade
de quando, no dizer de Rubem Braga, a geladeira era
5 branca e o telefone era preto.
Os mais jovens não sabem nem o que é papel
carbono ou mimeógrafo a álcool. Mas tive saudade
deles, ou melhor, de um tempo em que eu não dependia
eletronicamente de outros para fazer as mínimas
10 tarefas. Uma torneira, por exemplo, era algo simples. Eu
sabia abrir uma torneira e fazê-la jorrar água. Hoje tomar
um banho é uma peripécia tecnológica. Hoje até para
tomar um elevador tenho que inserir um cartão
eletrônico para ele se mover. Claro que tem o Google,
15 essa enciclopédia no computador que facilita as
pesquisas (para quem não precisa ir fundo nos
assuntos), mas muita coisa me intriga: por que cada
aparelho de televisão de cada casa, de cada hotel tem
um controle remoto diferente e a gente não consegue
20 usá-los sem pedir socorro a alguém?
Olha, tanta tecnologia!...Mas além de não terem
descoberto como curar uma simples gripe, os
elevadores dos hotéis ainda não chegaram a uma
conclusão de como assinalar no mostrador que letra
25 deve indicar a portaria. Será necessária uma medida
provisória do presidente para uniformizar tal diversidade
analfabética.
Outro dia, li que houve uma reunião em Baku,
lá no Azerbaijão, congregando cérebros notáveis para
30 decifrarem nosso presente e nosso futuro. Pois Jean
Baudrillard andou dizendo, com aquela facilidade que os
franceses têm para fazer frases que parecem filosóficas,
que o que caracteriza essa época que está vindo por aí
é que o homem, leia-se corretamente homens e
35 mulheres, ou seja, o ser humano, foi descartado pela
máquina. (Isso a gente já sabe quando tenta ligar para
uma firma qualquer e uma voz eletrônica fica mandando
a gente discar isto e aquilo e volta tudo a zero e não
obtemos a informação necessária.)
40 Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios.
O primeiro era de um vate mesmo – Vinícius de Moraes,
que naquele poema “Dia da Criação”, fazendo
considerações irônicas sobre o dia de “sábado” e os
desígnios divinos, diz: “Na verdade, o homem não era
45 necessário”. É isto, já não somos necessários.
E a outra frase metida nessa encrenca é aquela
da Bíblia, que dizia que o “sábado foi feito para o
homem e não o homem para o sábado”. Isso foi
antigamente. Pois achávamos que a máquina havia sido
50 feita para o homem, mas Baudrillard, as companhias
aéreas e as telefônicas mais os servidores de
informática nos convenceram de que “o homem é que
foi feito para a máquina”. Ao telefone só se fala com
máquinas, e algumas empresas – esses servidores de
55 informática – nem seus telefones disponibilizam. Estou,
por exemplo, há quatro meses tentando falar com
alguém no “hotmail” e lá não tem viv’alma, só
fantasmas eletrônicos sem rosto e sem voz.
Permita-me, eventual e concreto leitor, lhe fazer
60 uma pergunta indiscreta. Quanto tempo diariamente
você está gastando com e-mails? Quanto tempo para
apagar o lixo e responder bobagens? Faça a conta,
some.
Drummond certa vez escreveu: “Ao telefone
65 perdeste muito tempo de semear”. Ele é porque não
conheceu a internet, que, tanto quanto o celular, usada
desregradamente é a grande sorvedora de tempo da
pós-modernidade.
Por estas e por outras é que estou pensando
70 seriamente em voltar às cartas, quem sabe ao
pergaminho. E a primeira medida é reencontrar o papel
carbono.
– Cadê meu papel carbono?
(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Tempo de delicadeza. Porto Alegre: L&PM, 2009)
Assinale a alternativa cuja análise envolvendo figuras de linguagem está INCORRETA.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Cadê o papel-carbono?
Outro dia tive saudade do papel carbono. E tive
saudade também do mimeógrafo a álcool. E tive
saudade da velha máquina de escrever. E tive saudade
de quando, no dizer de Rubem Braga, a geladeira era
5 branca e o telefone era preto.
Os mais jovens não sabem nem o que é papel
carbono ou mimeógrafo a álcool. Mas tive saudade
deles, ou melhor, de um tempo em que eu não dependia
eletronicamente de outros para fazer as mínimas
10 tarefas. Uma torneira, por exemplo, era algo simples. Eu
sabia abrir uma torneira e fazê-la jorrar água. Hoje tomar
um banho é uma peripécia tecnológica. Hoje até para
tomar um elevador tenho que inserir um cartão
eletrônico para ele se mover. Claro que tem o Google,
15 essa enciclopédia no computador que facilita as
pesquisas (para quem não precisa ir fundo nos
assuntos), mas muita coisa me intriga: por que cada
aparelho de televisão de cada casa, de cada hotel tem
um controle remoto diferente e a gente não consegue
20 usá-los sem pedir socorro a alguém?
Olha, tanta tecnologia!...Mas além de não terem
descoberto como curar uma simples gripe, os
elevadores dos hotéis ainda não chegaram a uma
conclusão de como assinalar no mostrador que letra
25 deve indicar a portaria. Será necessária uma medida
provisória do presidente para uniformizar tal diversidade
analfabética.
Outro dia, li que houve uma reunião em Baku,
lá no Azerbaijão, congregando cérebros notáveis para
30 decifrarem nosso presente e nosso futuro. Pois Jean
Baudrillard andou dizendo, com aquela facilidade que os
franceses têm para fazer frases que parecem filosóficas,
que o que caracteriza essa época que está vindo por aí
é que o homem, leia-se corretamente homens e
35 mulheres, ou seja, o ser humano, foi descartado pela
máquina. (Isso a gente já sabe quando tenta ligar para
uma firma qualquer e uma voz eletrônica fica mandando
a gente discar isto e aquilo e volta tudo a zero e não
obtemos a informação necessária.)
40 Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios.
O primeiro era de um vate mesmo – Vinícius de Moraes,
que naquele poema “Dia da Criação”, fazendo
considerações irônicas sobre o dia de “sábado” e os
desígnios divinos, diz: “Na verdade, o homem não era
45 necessário”. É isto, já não somos necessários.
E a outra frase metida nessa encrenca é aquela
da Bíblia, que dizia que o “sábado foi feito para o
homem e não o homem para o sábado”. Isso foi
antigamente. Pois achávamos que a máquina havia sido
50 feita para o homem, mas Baudrillard, as companhias
aéreas e as telefônicas mais os servidores de
informática nos convenceram de que “o homem é que
foi feito para a máquina”. Ao telefone só se fala com
máquinas, e algumas empresas – esses servidores de
55 informática – nem seus telefones disponibilizam. Estou,
por exemplo, há quatro meses tentando falar com
alguém no “hotmail” e lá não tem viv’alma, só
fantasmas eletrônicos sem rosto e sem voz.
Permita-me, eventual e concreto leitor, lhe fazer
60 uma pergunta indiscreta. Quanto tempo diariamente
você está gastando com e-mails? Quanto tempo para
apagar o lixo e responder bobagens? Faça a conta,
some.
Drummond certa vez escreveu: “Ao telefone
65 perdeste muito tempo de semear”. Ele é porque não
conheceu a internet, que, tanto quanto o celular, usada
desregradamente é a grande sorvedora de tempo da
pós-modernidade.
Por estas e por outras é que estou pensando
70 seriamente em voltar às cartas, quem sabe ao
pergaminho. E a primeira medida é reencontrar o papel
carbono.
– Cadê meu papel carbono?
(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Tempo de delicadeza. Porto Alegre: L&PM, 2009)
Observando trechos do texto, percebe-se que o uso coloquial da linguagem NÃO está presente em
TEXTO I
Cadê o papel-carbono?
Outro dia tive saudade do papel carbono. E tive
saudade também do mimeógrafo a álcool. E tive
saudade da velha máquina de escrever. E tive saudade
de quando, no dizer de Rubem Braga, a geladeira era
5 branca e o telefone era preto.
Os mais jovens não sabem nem o que é papel
carbono ou mimeógrafo a álcool. Mas tive saudade
deles, ou melhor, de um tempo em que eu não dependia
eletronicamente de outros para fazer as mínimas
10 tarefas. Uma torneira, por exemplo, era algo simples. Eu
sabia abrir uma torneira e fazê-la jorrar água. Hoje tomar
um banho é uma peripécia tecnológica. Hoje até para
tomar um elevador tenho que inserir um cartão
eletrônico para ele se mover. Claro que tem o Google,
15 essa enciclopédia no computador que facilita as
pesquisas (para quem não precisa ir fundo nos
assuntos), mas muita coisa me intriga: por que cada
aparelho de televisão de cada casa, de cada hotel tem
um controle remoto diferente e a gente não consegue
20 usá-los sem pedir socorro a alguém?
Olha, tanta tecnologia!...Mas além de não terem
descoberto como curar uma simples gripe, os
elevadores dos hotéis ainda não chegaram a uma
conclusão de como assinalar no mostrador que letra
25 deve indicar a portaria. Será necessária uma medida
provisória do presidente para uniformizar tal diversidade
analfabética.
Outro dia, li que houve uma reunião em Baku,
lá no Azerbaijão, congregando cérebros notáveis para
30 decifrarem nosso presente e nosso futuro. Pois Jean
Baudrillard andou dizendo, com aquela facilidade que os
franceses têm para fazer frases que parecem filosóficas,
que o que caracteriza essa época que está vindo por aí
é que o homem, leia-se corretamente homens e
35 mulheres, ou seja, o ser humano, foi descartado pela
máquina. (Isso a gente já sabe quando tenta ligar para
uma firma qualquer e uma voz eletrônica fica mandando
a gente discar isto e aquilo e volta tudo a zero e não
obtemos a informação necessária.)
40 Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios.
O primeiro era de um vate mesmo – Vinícius de Moraes,
que naquele poema “Dia da Criação”, fazendo
considerações irônicas sobre o dia de “sábado” e os
desígnios divinos, diz: “Na verdade, o homem não era
45 necessário”. É isto, já não somos necessários.
E a outra frase metida nessa encrenca é aquela
da Bíblia, que dizia que o “sábado foi feito para o
homem e não o homem para o sábado”. Isso foi
antigamente. Pois achávamos que a máquina havia sido
50 feita para o homem, mas Baudrillard, as companhias
aéreas e as telefônicas mais os servidores de
informática nos convenceram de que “o homem é que
foi feito para a máquina”. Ao telefone só se fala com
máquinas, e algumas empresas – esses servidores de
55 informática – nem seus telefones disponibilizam. Estou,
por exemplo, há quatro meses tentando falar com
alguém no “hotmail” e lá não tem viv’alma, só
fantasmas eletrônicos sem rosto e sem voz.
Permita-me, eventual e concreto leitor, lhe fazer
60 uma pergunta indiscreta. Quanto tempo diariamente
você está gastando com e-mails? Quanto tempo para
apagar o lixo e responder bobagens? Faça a conta,
some.
Drummond certa vez escreveu: “Ao telefone
65 perdeste muito tempo de semear”. Ele é porque não
conheceu a internet, que, tanto quanto o celular, usada
desregradamente é a grande sorvedora de tempo da
pós-modernidade.
Por estas e por outras é que estou pensando
70 seriamente em voltar às cartas, quem sabe ao
pergaminho. E a primeira medida é reencontrar o papel
carbono.
– Cadê meu papel carbono?
(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Tempo de delicadeza. Porto Alegre: L&PM, 2009)
Assinale a alternativa em que a alteração proposta para o termo em destaque está de acordo com a norma padrão da Língua.
TEXTO I
Cadê o papel-carbono?
Outro dia tive saudade do papel carbono. E tive
saudade também do mimeógrafo a álcool. E tive
saudade da velha máquina de escrever. E tive saudade
de quando, no dizer de Rubem Braga, a geladeira era
5 branca e o telefone era preto.
Os mais jovens não sabem nem o que é papel
carbono ou mimeógrafo a álcool. Mas tive saudade
deles, ou melhor, de um tempo em que eu não dependia
eletronicamente de outros para fazer as mínimas
10 tarefas. Uma torneira, por exemplo, era algo simples. Eu
sabia abrir uma torneira e fazê-la jorrar água. Hoje tomar
um banho é uma peripécia tecnológica. Hoje até para
tomar um elevador tenho que inserir um cartão
eletrônico para ele se mover. Claro que tem o Google,
15 essa enciclopédia no computador que facilita as
pesquisas (para quem não precisa ir fundo nos
assuntos), mas muita coisa me intriga: por que cada
aparelho de televisão de cada casa, de cada hotel tem
um controle remoto diferente e a gente não consegue
20 usá-los sem pedir socorro a alguém?
Olha, tanta tecnologia!...Mas além de não terem
descoberto como curar uma simples gripe, os
elevadores dos hotéis ainda não chegaram a uma
conclusão de como assinalar no mostrador que letra
25 deve indicar a portaria. Será necessária uma medida
provisória do presidente para uniformizar tal diversidade
analfabética.
Outro dia, li que houve uma reunião em Baku,
lá no Azerbaijão, congregando cérebros notáveis para
30 decifrarem nosso presente e nosso futuro. Pois Jean
Baudrillard andou dizendo, com aquela facilidade que os
franceses têm para fazer frases que parecem filosóficas,
que o que caracteriza essa época que está vindo por aí
é que o homem, leia-se corretamente homens e
35 mulheres, ou seja, o ser humano, foi descartado pela
máquina. (Isso a gente já sabe quando tenta ligar para
uma firma qualquer e uma voz eletrônica fica mandando
a gente discar isto e aquilo e volta tudo a zero e não
obtemos a informação necessária.)
40 Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios.
O primeiro era de um vate mesmo – Vinícius de Moraes,
que naquele poema “Dia da Criação”, fazendo
considerações irônicas sobre o dia de “sábado” e os
desígnios divinos, diz: “Na verdade, o homem não era
45 necessário”. É isto, já não somos necessários.
E a outra frase metida nessa encrenca é aquela
da Bíblia, que dizia que o “sábado foi feito para o
homem e não o homem para o sábado”. Isso foi
antigamente. Pois achávamos que a máquina havia sido
50 feita para o homem, mas Baudrillard, as companhias
aéreas e as telefônicas mais os servidores de
informática nos convenceram de que “o homem é que
foi feito para a máquina”. Ao telefone só se fala com
máquinas, e algumas empresas – esses servidores de
55 informática – nem seus telefones disponibilizam. Estou,
por exemplo, há quatro meses tentando falar com
alguém no “hotmail” e lá não tem viv’alma, só
fantasmas eletrônicos sem rosto e sem voz.
Permita-me, eventual e concreto leitor, lhe fazer
60 uma pergunta indiscreta. Quanto tempo diariamente
você está gastando com e-mails? Quanto tempo para
apagar o lixo e responder bobagens? Faça a conta,
some.
Drummond certa vez escreveu: “Ao telefone
65 perdeste muito tempo de semear”. Ele é porque não
conheceu a internet, que, tanto quanto o celular, usada
desregradamente é a grande sorvedora de tempo da
pós-modernidade.
Por estas e por outras é que estou pensando
70 seriamente em voltar às cartas, quem sabe ao
pergaminho. E a primeira medida é reencontrar o papel
carbono.
– Cadê meu papel carbono?
(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Tempo de delicadeza. Porto Alegre: L&PM, 2009)
Nas alternativas abaixo, a substituição da palavra original em destaque por outra de sentido semelhante, apontada entre parênteses, está correta em
TEXTO II
Ladainha II
Por que o raciocínio,
os músculos, os ossos?
A automação, ócio dourado.
O cérebro eletrônico, o músculo
5 mecânico
mais fáceis que um sorriso.
Por que o coração?
O de metal não tornará o homem
10 mais cordial,
dando-lhe um ritmo extra-corporal?
Por que levantar o braço
para colher o fruto?
15 A máquina o fará por nós.
Por que labutar no campo, na cidade?
A máquina o fará por nós.
Por que pensar, imaginar?
A máquina o fará por nós.
20 Por que fazer um poema?
A máquina o fará por nós.
Por que subir a escada de Jacó?
A máquina o fará por nós.
Ó máquina, orai por nós.
(RICARDO, Cassiano. Jeremias sem-chorar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1964.)
A máquina substitui vários trabalhos feitos pelo homem. Mesmo o ofício do artista da palavra pode ser substituído por algum aparelho. Assinale a alternativa em cujo trecho se verifica essa queixa.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
Ladainha II
Por que o raciocínio,
os músculos, os ossos?
A automação, ócio dourado.
O cérebro eletrônico, o músculo
5 mecânico
mais fáceis que um sorriso.
Por que o coração?
O de metal não tornará o homem
10 mais cordial,
dando-lhe um ritmo extra-corporal?
Por que levantar o braço
para colher o fruto?
15 A máquina o fará por nós.
Por que labutar no campo, na cidade?
A máquina o fará por nós.
Por que pensar, imaginar?
A máquina o fará por nós.
20 Por que fazer um poema?
A máquina o fará por nós.
Por que subir a escada de Jacó?
A máquina o fará por nós.
Ó máquina, orai por nós.
(RICARDO, Cassiano. Jeremias sem-chorar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1964.)
Analise as afirmativas feitas em relação à composição e interpretação do texto II.
I. O texto pode ser dividido em duas partes: a primeira representa dúvidas do homem moderno em relação a si mesmo. A segunda, a sua impotência para respondê-las, que o leva a um comportamento subalterno marcado pela ladainha em louvor à máquina.
II. A máquina é criticamente equiparada a um deus, já que é capaz de fazer tudo para e pelo homem, e, dessa forma, é reverenciada através de uma oração, como se fosse uma divindade.
III. O texto é marcado por uma contraposição entre homem e máquina, tendo esta a supremacia sobre aquele, tanto que o faz desprezar-se a si mesmo e a orar para ela.
IV. A terceira estrofe do poema é construída por meio de uma gradação que representa as atividades humanas substituídas pela máquina, desde as mais simples até as mais apuradas.
Estão corretas as afirmativasResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
Ladainha II
Por que o raciocínio,
os músculos, os ossos?
A automação, ócio dourado.
O cérebro eletrônico, o músculo
5 mecânico
mais fáceis que um sorriso.
Por que o coração?
O de metal não tornará o homem
10 mais cordial,
dando-lhe um ritmo extra-corporal?
Por que levantar o braço
para colher o fruto?
15 A máquina o fará por nós.
Por que labutar no campo, na cidade?
A máquina o fará por nós.
Por que pensar, imaginar?
A máquina o fará por nós.
20 Por que fazer um poema?
A máquina o fará por nós.
Por que subir a escada de Jacó?
A máquina o fará por nós.
Ó máquina, orai por nós.
(RICARDO, Cassiano. Jeremias sem-chorar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1964.)
Sobre o emprego de pronomes no texto II, é correto afirmar queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO III
Quando
Quando você me clica,
quando você me conecta, me liga,
quando entra nos meus programas, nas minhas janelas,
quando você me acende, me printa, me encompassa,
5 me sublinha, me funde e me tria:
meus pensamentos esvoaçam,
meus títulos se põem maiúsculos,
e meu coração troveja!
(CAPPARELLI, Sérgio. 33 ciberpoemas e uma fábula digital. Porto Alegre: L&PM, 2001.)
Analisando a forma como o poema “Quando” foi construído e a linguagem nele empregada, é correto afirmar queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO III
Quando
Quando você me clica,
quando você me conecta, me liga,
quando entra nos meus programas, nas minhas janelas,
quando você me acende, me printa, me encompassa,
5 me sublinha, me funde e me tria:
meus pensamentos esvoaçam,
meus títulos se põem maiúsculos,
e meu coração troveja!
(CAPPARELLI, Sérgio. 33 ciberpoemas e uma fábula digital. Porto Alegre: L&PM, 2001.)
Leia as quatro afirmações abaixo referentes ao poema “Quando”:
I. No poema, verifica-se a presença do recurso estilístico da anáfora.
II. Em “e meu coração troveja”, há personificação e o verbo indica fenômeno da natureza.
III. No verso “meus títulos se põem maiúsculos”, vê-se que o sentido é conotativo.
IV. Em “quando você me conecta, me clica”, há dez sílabas poéticas.
Estão corretas as afirmaçõesResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Cadê o papel-carbono?
Outro dia tive saudade do papel carbono. E tive
saudade também do mimeógrafo a álcool. E tive
saudade da velha máquina de escrever. E tive saudade
de quando, no dizer de Rubem Braga, a geladeira era
5 branca e o telefone era preto.
Os mais jovens não sabem nem o que é papel
carbono ou mimeógrafo a álcool. Mas tive saudade
deles, ou melhor, de um tempo em que eu não dependia
eletronicamente de outros para fazer as mínimas
10 tarefas. Uma torneira, por exemplo, era algo simples. Eu
sabia abrir uma torneira e fazê-la jorrar água. Hoje tomar
um banho é uma peripécia tecnológica. Hoje até para
tomar um elevador tenho que inserir um cartão
eletrônico para ele se mover. Claro que tem o Google,
15 essa enciclopédia no computador que facilita as
pesquisas (para quem não precisa ir fundo nos
assuntos), mas muita coisa me intriga: por que cada
aparelho de televisão de cada casa, de cada hotel tem
um controle remoto diferente e a gente não consegue
20 usá-los sem pedir socorro a alguém?
Olha, tanta tecnologia!...Mas além de não terem
descoberto como curar uma simples gripe, os
elevadores dos hotéis ainda não chegaram a uma
conclusão de como assinalar no mostrador que letra
25 deve indicar a portaria. Será necessária uma medida
provisória do presidente para uniformizar tal diversidade
analfabética.
Outro dia, li que houve uma reunião em Baku,
lá no Azerbaijão, congregando cérebros notáveis para
30 decifrarem nosso presente e nosso futuro. Pois Jean
Baudrillard andou dizendo, com aquela facilidade que os
franceses têm para fazer frases que parecem filosóficas,
que o que caracteriza essa época que está vindo por aí
é que o homem, leia-se corretamente homens e
35 mulheres, ou seja, o ser humano, foi descartado pela
máquina. (Isso a gente já sabe quando tenta ligar para
uma firma qualquer e uma voz eletrônica fica mandando
a gente discar isto e aquilo e volta tudo a zero e não
obtemos a informação necessária.)
40 Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios.
O primeiro era de um vate mesmo – Vinícius de Moraes,
que naquele poema “Dia da Criação”, fazendo
considerações irônicas sobre o dia de “sábado” e os
desígnios divinos, diz: “Na verdade, o homem não era
45 necessário”. É isto, já não somos necessários.
E a outra frase metida nessa encrenca é aquela
da Bíblia, que dizia que o “sábado foi feito para o
homem e não o homem para o sábado”. Isso foi
antigamente. Pois achávamos que a máquina havia sido
50 feita para o homem, mas Baudrillard, as companhias
aéreas e as telefônicas mais os servidores de
informática nos convenceram de que “o homem é que
foi feito para a máquina”. Ao telefone só se fala com
máquinas, e algumas empresas – esses servidores de
55 informática – nem seus telefones disponibilizam. Estou,
por exemplo, há quatro meses tentando falar com
alguém no “hotmail” e lá não tem viv’alma, só
fantasmas eletrônicos sem rosto e sem voz.
Permita-me, eventual e concreto leitor, lhe fazer
60 uma pergunta indiscreta. Quanto tempo diariamente
você está gastando com e-mails? Quanto tempo para
apagar o lixo e responder bobagens? Faça a conta,
some.
Drummond certa vez escreveu: “Ao telefone
65 perdeste muito tempo de semear”. Ele é porque não
conheceu a internet, que, tanto quanto o celular, usada
desregradamente é a grande sorvedora de tempo da
pós-modernidade.
Por estas e por outras é que estou pensando
70 seriamente em voltar às cartas, quem sabe ao
pergaminho. E a primeira medida é reencontrar o papel
carbono.
– Cadê meu papel carbono?
(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Tempo de delicadeza. Porto Alegre: L&PM, 2009)
TEXTO II
Ladainha II
Por que o raciocínio,
os músculos, os ossos?
A automação, ócio dourado.
O cérebro eletrônico, o músculo
5 mecânico
mais fáceis que um sorriso.
Por que o coração?
O de metal não tornará o homem
10 mais cordial,
dando-lhe um ritmo extra-corporal?
Por que levantar o braço
para colher o fruto?
15 A máquina o fará por nós.
Por que labutar no campo, na cidade?
A máquina o fará por nós.
Por que pensar, imaginar?
A máquina o fará por nós.
20 Por que fazer um poema?
A máquina o fará por nós.
Por que subir a escada de Jacó?
A máquina o fará por nós.
Ó máquina, orai por nós.
(RICARDO, Cassiano. Jeremias sem-chorar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1964.)
TEXTO III
Quando
Quando você me clica,
quando você me conecta, me liga,
quando entra nos meus programas, nas minhas janelas,
quando você me acende, me printa, me encompassa,
5 me sublinha, me funde e me tria:
meus pensamentos esvoaçam,
meus títulos se põem maiúsculos,
e meu coração troveja!
(CAPPARELLI, Sérgio. 33 ciberpoemas e uma fábula digital. Porto Alegre: L&PM, 2001.)
No texto I, é feita a seguinte afirmação: “‘Na verdade, o homem não era necessário.’ É isto. Já não somos necessários.” Considerando os textos I, II e III, assinale a alternativa cujo trecho melhor traduz essa ideia.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Cadê o papel-carbono?
Outro dia tive saudade do papel carbono. E tive
saudade também do mimeógrafo a álcool. E tive
saudade da velha máquina de escrever. E tive saudade
de quando, no dizer de Rubem Braga, a geladeira era
5 branca e o telefone era preto.
Os mais jovens não sabem nem o que é papel
carbono ou mimeógrafo a álcool. Mas tive saudade
deles, ou melhor, de um tempo em que eu não dependia
eletronicamente de outros para fazer as mínimas
10 tarefas. Uma torneira, por exemplo, era algo simples. Eu
sabia abrir uma torneira e fazê-la jorrar água. Hoje tomar
um banho é uma peripécia tecnológica. Hoje até para
tomar um elevador tenho que inserir um cartão
eletrônico para ele se mover. Claro que tem o Google,
15 essa enciclopédia no computador que facilita as
pesquisas (para quem não precisa ir fundo nos
assuntos), mas muita coisa me intriga: por que cada
aparelho de televisão de cada casa, de cada hotel tem
um controle remoto diferente e a gente não consegue
20 usá-los sem pedir socorro a alguém?
Olha, tanta tecnologia!...Mas além de não terem
descoberto como curar uma simples gripe, os
elevadores dos hotéis ainda não chegaram a uma
conclusão de como assinalar no mostrador que letra
25 deve indicar a portaria. Será necessária uma medida
provisória do presidente para uniformizar tal diversidade
analfabética.
Outro dia, li que houve uma reunião em Baku,
lá no Azerbaijão, congregando cérebros notáveis para
30 decifrarem nosso presente e nosso futuro. Pois Jean
Baudrillard andou dizendo, com aquela facilidade que os
franceses têm para fazer frases que parecem filosóficas,
que o que caracteriza essa época que está vindo por aí
é que o homem, leia-se corretamente homens e
35 mulheres, ou seja, o ser humano, foi descartado pela
máquina. (Isso a gente já sabe quando tenta ligar para
uma firma qualquer e uma voz eletrônica fica mandando
a gente discar isto e aquilo e volta tudo a zero e não
obtemos a informação necessária.)
40 Deste modo estão se cumprindo dois vaticínios.
O primeiro era de um vate mesmo – Vinícius de Moraes,
que naquele poema “Dia da Criação”, fazendo
considerações irônicas sobre o dia de “sábado” e os
desígnios divinos, diz: “Na verdade, o homem não era
45 necessário”. É isto, já não somos necessários.
E a outra frase metida nessa encrenca é aquela
da Bíblia, que dizia que o “sábado foi feito para o
homem e não o homem para o sábado”. Isso foi
antigamente. Pois achávamos que a máquina havia sido
50 feita para o homem, mas Baudrillard, as companhias
aéreas e as telefônicas mais os servidores de
informática nos convenceram de que “o homem é que
foi feito para a máquina”. Ao telefone só se fala com
máquinas, e algumas empresas – esses servidores de
55 informática – nem seus telefones disponibilizam. Estou,
por exemplo, há quatro meses tentando falar com
alguém no “hotmail” e lá não tem viv’alma, só
fantasmas eletrônicos sem rosto e sem voz.
Permita-me, eventual e concreto leitor, lhe fazer
60 uma pergunta indiscreta. Quanto tempo diariamente
você está gastando com e-mails? Quanto tempo para
apagar o lixo e responder bobagens? Faça a conta,
some.
Drummond certa vez escreveu: “Ao telefone
65 perdeste muito tempo de semear”. Ele é porque não
conheceu a internet, que, tanto quanto o celular, usada
desregradamente é a grande sorvedora de tempo da
pós-modernidade.
Por estas e por outras é que estou pensando
70 seriamente em voltar às cartas, quem sabe ao
pergaminho. E a primeira medida é reencontrar o papel
carbono.
– Cadê meu papel carbono?
(SANT’ANNA, Affonso Romano de. Tempo de delicadeza. Porto Alegre: L&PM, 2009)
TEXTO II
Ladainha II
Por que o raciocínio,
os músculos, os ossos?
A automação, ócio dourado.
O cérebro eletrônico, o músculo
5 mecânico
mais fáceis que um sorriso.
Por que o coração?
O de metal não tornará o homem
10 mais cordial,
dando-lhe um ritmo extra-corporal?
Por que levantar o braço
para colher o fruto?
15 A máquina o fará por nós.
Por que labutar no campo, na cidade?
A máquina o fará por nós.
Por que pensar, imaginar?
A máquina o fará por nós.
20 Por que fazer um poema?
A máquina o fará por nós.
Por que subir a escada de Jacó?
A máquina o fará por nós.
Ó máquina, orai por nós.
(RICARDO, Cassiano. Jeremias sem-chorar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1964.)
TEXTO III
Quando
Quando você me clica,
quando você me conecta, me liga,
quando entra nos meus programas, nas minhas janelas,
quando você me acende, me printa, me encompassa,
5 me sublinha, me funde e me tria:
meus pensamentos esvoaçam,
meus títulos se põem maiúsculos,
e meu coração troveja!
(CAPPARELLI, Sérgio. 33 ciberpoemas e uma fábula digital. Porto Alegre: L&PM, 2001.)
Sobre os textos I, II e III são feitas as seguintes afirmações:
I. No texto II, valendo-se da personificação, o poeta humaniza a máquina; ela pratica várias ações do homem. A máquina pode fazer tudo, até o poema.
II. No texto III, há uma resistência do autor. As máquinas se impõem, ditam as ações, as palavras, mas o poeta consegue romper esses limites.
III. No texto I, o autor, diante da “encrenca” tecnológica, de algum modo, sente saudade do “papel carbono” e do “mimeógrafo”.
IV. No texto I, o autor se mostra pouco entusiasmado com as máquinas: elas criam problemas, porque não conseguem fazer as coisas mais banais.
Estão corretas as alternativasResolução comentada
Análise das alternativas
![]()
Depois das comemorações dos 70 anos da EPCAR, foi feita uma pesquisa de opinião com os seus alunos sobre as atividades que ocorreram durante as comemorações.
Essas atividades foram avaliadas conforme critérios estabelecidos no seguinte quadro:
![]()
Os resultados obtidos estão registrados no gráfico abaixo:
![]()
Se, nessa pesquisa, cada aluno opinou apenas uma vez, então, é INCORRETO afirmar que
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Analise cada proposição abaixo quanto a ser (V) Verdadeira ou (F) Falsa.
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Sobre as proposições, tem-se que
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A expressão √(Q√P) é representada por
Se em 30 das x caixas ela guardar 4 livros em cada caixa e, nas demais, guardar 5 livros em cada caixa, então, sobrarão alguns livros para serem guardados.
Entretanto, se em 20 das x caixas ela guardar 4 livros em cada caixa e 5 livros em cada uma das demais, então, não haverá livros suficientes para ocupar todas as caixas.
Assim, a soma dos algarismos do número x é igual aResolução comentada
Análise das alternativas
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Considere os números reais representados na reta real abaixo.
Considere as expressões P e Q, com os números a, b e c reais positivos e distintos entre si.
Dona Lourdes trabalha em uma livraria, precisa guardar 200 livros em x caixas e vai utilizar todas elas.