← Voltar para a lista de provas Exército Brasileiro — Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército — Área: Magistério de Português 70 questões nesta prova · página 4 de 4 · 70 com gabarito Gabarito disponível Aspas em citação atribuída aos jornais, sem que o autor a endosse. As aspas marcam a transcrição da justificativa dada pelos jornais ('ter tocado com Miles Davis'). O autor a apresenta de forma crítica, com o 'não por... mas por', e por isso ela não condiz necessariamente com seu ponto de vista. A) O autor não referenda; ele critica essa visão. B) Não se trata de ideia retomada no texto como opinião do jornal. D) A opinião do autor não é a marcada pelas aspas, e não há contraposição ao próprio Lee. E) A expressão é dos jornais, não de Konitz. Referência: Emprego das aspas para citação de discurso alheio. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Coordenação entre orações (assindética/sindética) x coordenação entre termos da oração. Em 'Levantei sua discografia e, de 1949 a 2018, contei 95 álbuns', a conjunção 'e' liga duas orações independentes (coordenação entre orações). Em '...o sax-barítono Gerry Mulligan e o arranjador Gil Evans', o 'e' liga dois termos com a mesma função de sujeito (coordenação entre termos). A) O 1º trecho tem 'e' coordenando orações, mas o 2º não traz coordenação entre termos: 'que não tentaram copiar' é oração subordinada adjetiva. C) O 1º trecho tem 'e' ligando termos (pianista e guitarrista), e o 2º inicia com 'E' ligando orações, ou seja, ordem invertida. D) O 1º trecho coordena termos ('ou com um trio... ou com uma orquestra'); o 2º é período com subordinação. E) O 1º trecho coordena orações por 'mas' (certo), mas o 2º não traz coordenação entre termos. Referência: Sintaxe do período composto: coordenação e subordinação (gramática normativa). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Alternativa A: concordância nominal e verbal correta. Em A, o verbo "havia" (impessoal) fica no singular e a regência com "a acompanhá-lo" está correta. O restante da frase não tem desvios. B) O correto seria "eram comuns frases". C) Seria "foram vítimas". D) O correto seria "fossem" (plural) ou "havia". E) "Quem... tentavam" deveria ficar no singular, "tentava". Referência: Concordância verbal e nominal. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O narrador faz conjecturas sobre um futuro em que os motociclistas ganham protagonismo. Os verbos no presente descrevem um futuro imaginado ("Não sei quando será, mas não deve demorar"). O narrador conjectura uma nova ordem social em que o trabalho dos motociclistas ganha protagonismo. A) Não se trata de vivências subjetivas, e o tom é crítico, não uma melhoria. C) Não são casos ouvidos de amigos. D) A ameaça constante aos moradores não é o foco, e não são fantasias alheias. E) Não são cenas de noticiários. Referência: Luis Fernando Veríssimo, Entrega em domicílio. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Concordância nominal correta: "a própria vida e também a alheia". Em C, "imprudentes" concorda com os dois sujeitos, e "própria" e "alheia" concordam com "vida". É a única frase sem erro. A) "bastante" deveria ir ao plural ("bastantes"). B) "certos risco" deveria ser "certos riscos", e "entrega... é boa" fica estranho. D) "azuis-marinhos" é invariável ("azul-marinho"). E) O correto seria "foi proibida a circulação", com particípio concordando com o substantivo, e "ruas... por ela" também falha. Referência: Concordância nominal. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A próclise é obrigatória depois de "quando" e antes de "com os quais"; a frase A está correta. Em "Quando se deseja", a conjunção atrai a próclise. "Pode-se optar" tem ênclise aceitável, e "se conversará" fica correto depois de "com os quais". B) "Se cruzam" abre a frase com pronome átono e "colidem-se" é errado com "fatalmente". C) "que movimentam-se" erra, pois "que" atrai próclise. D) "Tendo transformado-se" erra, o certo é "Tendo-se transformado". E) "decidir-se" depois de "Quem" e "encontrará-o" violam a regra. Referência: Colocação pronominal. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Crase: à Travessa / a esplêndida / a semana / à carteira / a V.Ex.ª / às mãos. "Vivia à Travessa" tem crase (preposição mais artigo). "A esplêndida" é artigo, sem preposição. "Toda a semana" tem só artigo. "À carteira" é locução adverbial feminina. "A V.Ex.ª" não leva artigo. "Às mãos" tem preposição mais artigo plural. A, C, D e E erram em pelo menos uma lacuna, usando crase antes de pronome de tratamento ou sem preposição, ou omitindo crase onde há preposição mais artigo. Referência: Regras de crase. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponívelEsFCEx — Concurso de Admissão 2020 — Oficial do Quadro Complementar do Exército — Área: Magistério de Português — 016. Prova Objetiva — Versão A
Leia o texto para responder às questões de números 59 a 64.
Tudo, menos uma estrela
O velho jazz está sendo ceifado pela Covid-19. Depois do pianista Ellis Marsalis e do guitarrista Bucky Pizzarelli, foi a vez, na semana passada, do saxofonista Lee Konitz, ainda na ativa aos 92 anos. Os jornais deram a sua morte não por ter sido um grande músico, mas por “ter tocado com Miles Davis”, nos discos de um revolucionário noneto¹ que, em 1949-50, lançou o cool jazz². Era um estilo com raízes na big band³ de Claude Thornhill, de onde tinham saído, além de Lee, o sax-barítono Gerry Mulligan e o arranjador Gil Evans, todos no noneto. Mas só Miles levou a fama.
Lee foi dos poucos sax-altos nascidos no bebop⁴ que não tentaram copiar Charlie Parker. Suas frases longas e sem vibrato eram a antítese de Parker. E, desde então, sempre esteve na contramão do jazz, gravando discos em que tocava sozinho, ou com um trio sem piano ou com uma orquestra de 90 figuras.
Ele era tudo, menos uma estrela do jazz. Nunca teve agente ou assessor de imprensa e, ao morrer, devia ser o único músico do mundo sem email. O incrível é que, avesso a qualquer carreira comercial, tenha gravado tanto. Levantei sua discografia e, de 1949 a 2018, contei 95 álbuns como líder. Somando-se os de que só participou, são mais setenta.
(Ruy Castro, “Tudo, menos uma estrela”. Folha de S.Paulo, 27.04.2020. Adaptado)
¹ Conjunto formado por nove músicos.
² Estilo que se caracteriza por ser, na maioria das vezes, uma música mais lenta e mais melancólica. Há mais espaços na música, ela é mais estendida, e menos notas são tocadas.
³ Indica um grande grupo instrumental associado ao jazz. Constitui-se, basicamente, de 12 a 25 músicos e contém primordialmente 4 tipos de instrumentos.
⁴ Representa uma das correntes mais influentes do jazz. Seu nome provém da onomatopeia feita ao imitar o som de martelos que batiam no metal na construção das ferrovias americanas, gerando uma “melodia” cheia de pequenas notas.
No trecho do primeiro parágrafo – Os jornais deram a sua morte não por ter sido um grande músico, mas por “ter tocado com Miles Davis”… –, as aspas são empregadas paraResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto para responder às questões de números 59 a 64.
Tudo, menos uma estrela
O velho jazz está sendo ceifado pela Covid-19. Depois do pianista Ellis Marsalis e do guitarrista Bucky Pizzarelli, foi a vez, na semana passada, do saxofonista Lee Konitz, ainda na ativa aos 92 anos. Os jornais deram a sua morte não por ter sido um grande músico, mas por “ter tocado com Miles Davis”, nos discos de um revolucionário noneto¹ que, em 1949-50, lançou o cool jazz². Era um estilo com raízes na big band³ de Claude Thornhill, de onde tinham saído, além de Lee, o sax-barítono Gerry Mulligan e o arranjador Gil Evans, todos no noneto. Mas só Miles levou a fama.
Lee foi dos poucos sax-altos nascidos no bebop⁴ que não tentaram copiar Charlie Parker. Suas frases longas e sem vibrato eram a antítese de Parker. E, desde então, sempre esteve na contramão do jazz, gravando discos em que tocava sozinho, ou com um trio sem piano ou com uma orquestra de 90 figuras.
Ele era tudo, menos uma estrela do jazz. Nunca teve agente ou assessor de imprensa e, ao morrer, devia ser o único músico do mundo sem email. O incrível é que, avesso a qualquer carreira comercial, tenha gravado tanto. Levantei sua discografia e, de 1949 a 2018, contei 95 álbuns como líder. Somando-se os de que só participou, são mais setenta.
(Ruy Castro, “Tudo, menos uma estrela”. Folha de S.Paulo, 27.04.2020. Adaptado)
¹ Conjunto formado por nove músicos.
² Estilo que se caracteriza por ser, na maioria das vezes, uma música mais lenta e mais melancólica. Há mais espaços na música, ela é mais estendida, e menos notas são tocadas.
³ Indica um grande grupo instrumental associado ao jazz. Constitui-se, basicamente, de 12 a 25 músicos e contém primordialmente 4 tipos de instrumentos.
⁴ Representa uma das correntes mais influentes do jazz. Seu nome provém da onomatopeia feita ao imitar o som de martelos que batiam no metal na construção das ferrovias americanas, gerando uma “melodia” cheia de pequenas notas.
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Leia o texto para responder às questões de números 59 a 64.
Tudo, menos uma estrela
O velho jazz está sendo ceifado pela Covid-19. Depois do pianista Ellis Marsalis e do guitarrista Bucky Pizzarelli, foi a vez, na semana passada, do saxofonista Lee Konitz, ainda na ativa aos 92 anos. Os jornais deram a sua morte não por ter sido um grande músico, mas por “ter tocado com Miles Davis”, nos discos de um revolucionário noneto¹ que, em 1949-50, lançou o cool jazz². Era um estilo com raízes na big band³ de Claude Thornhill, de onde tinham saído, além de Lee, o sax-barítono Gerry Mulligan e o arranjador Gil Evans, todos no noneto. Mas só Miles levou a fama.
Lee foi dos poucos sax-altos nascidos no bebop⁴ que não tentaram copiar Charlie Parker. Suas frases longas e sem vibrato eram a antítese de Parker. E, desde então, sempre esteve na contramão do jazz, gravando discos em que tocava sozinho, ou com um trio sem piano ou com uma orquestra de 90 figuras.
Ele era tudo, menos uma estrela do jazz. Nunca teve agente ou assessor de imprensa e, ao morrer, devia ser o único músico do mundo sem email. O incrível é que, avesso a qualquer carreira comercial, tenha gravado tanto. Levantei sua discografia e, de 1949 a 2018, contei 95 álbuns como líder. Somando-se os de que só participou, são mais setenta.
(Ruy Castro, “Tudo, menos uma estrela”. Folha de S.Paulo, 27.04.2020. Adaptado)
¹ Conjunto formado por nove músicos.
² Estilo que se caracteriza por ser, na maioria das vezes, uma música mais lenta e mais melancólica. Há mais espaços na música, ela é mais estendida, e menos notas são tocadas.
³ Indica um grande grupo instrumental associado ao jazz. Constitui-se, basicamente, de 12 a 25 músicos e contém primordialmente 4 tipos de instrumentos.
⁴ Representa uma das correntes mais influentes do jazz. Seu nome provém da onomatopeia feita ao imitar o som de martelos que batiam no metal na construção das ferrovias americanas, gerando uma “melodia” cheia de pequenas notas.
Assinale a alternativa em que os trechos exemplificam, correta e respectivamente, relação de coordenação entre orações e relação de coordenação entre termos da oração.Resolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto para responder às questões de números 59 a 64.
Tudo, menos uma estrela
O velho jazz está sendo ceifado pela Covid-19. Depois do pianista Ellis Marsalis e do guitarrista Bucky Pizzarelli, foi a vez, na semana passada, do saxofonista Lee Konitz, ainda na ativa aos 92 anos. Os jornais deram a sua morte não por ter sido um grande músico, mas por “ter tocado com Miles Davis”, nos discos de um revolucionário noneto¹ que, em 1949-50, lançou o cool jazz². Era um estilo com raízes na big band³ de Claude Thornhill, de onde tinham saído, além de Lee, o sax-barítono Gerry Mulligan e o arranjador Gil Evans, todos no noneto. Mas só Miles levou a fama.
Lee foi dos poucos sax-altos nascidos no bebop⁴ que não tentaram copiar Charlie Parker. Suas frases longas e sem vibrato eram a antítese de Parker. E, desde então, sempre esteve na contramão do jazz, gravando discos em que tocava sozinho, ou com um trio sem piano ou com uma orquestra de 90 figuras.
Ele era tudo, menos uma estrela do jazz. Nunca teve agente ou assessor de imprensa e, ao morrer, devia ser o único músico do mundo sem email. O incrível é que, avesso a qualquer carreira comercial, tenha gravado tanto. Levantei sua discografia e, de 1949 a 2018, contei 95 álbuns como líder. Somando-se os de que só participou, são mais setenta.
(Ruy Castro, “Tudo, menos uma estrela”. Folha de S.Paulo, 27.04.2020. Adaptado)
¹ Conjunto formado por nove músicos.
² Estilo que se caracteriza por ser, na maioria das vezes, uma música mais lenta e mais melancólica. Há mais espaços na música, ela é mais estendida, e menos notas são tocadas.
³ Indica um grande grupo instrumental associado ao jazz. Constitui-se, basicamente, de 12 a 25 músicos e contém primordialmente 4 tipos de instrumentos.
⁴ Representa uma das correntes mais influentes do jazz. Seu nome provém da onomatopeia feita ao imitar o som de martelos que batiam no metal na construção das ferrovias americanas, gerando uma “melodia” cheia de pequenas notas.
Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de concordância nominal e verbal.Resolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto para responder às questões de números 65 a 68.
Entrega em domicílio
Não sei quando será, mas não deve demorar. O lugar? Qualquer grande cidade brasileira. Noite. É cedo, mas não se veem carros nas ruas nem gente nas calçadas. Só o que se vê são motociclistas. Suas motocicletas têm caixas atrás, para carregar os pedidos. São entregadores. Motoboys. Teleboys. Eles se cruzam nas ruas vazias, em disparada. Como os carros não saem mais à noite, e os motociclistas não os respeitam mesmo, os faróis semafóricos não funcionam. O amarelo fica piscando a noite inteira, e nos cruzamentos a preferência é dos entregadores mais corajosos. Há várias batidas e pelo menos um morto por noite. Mas o número de motociclistas nas ruas não para de crescer.
A população não sai mais de casa. Tudo é pedido pelo telefone. Os restaurantes despediram seus garçons e trocaram por motoboys. Telegarçons. Se você quiser um jantar fino à luz de velas, com vários pratos, sobremesa e vinho, existem serviços de entrega para tudo. Um entrega os pratos finos. Outro a sobremesa. Outro os vinhos. Outro a toalha de linho, os talheres e as flores. E já há um de televelas.
Como as pessoas não saem à noite e ninguém mais vai jantar na casa de ninguém, há uma cooperativa que se prontifica a mandar os próprios teleboys como convidados a jantares finos. A Telenós. Você especifica o tipo de conversa que quer à mesa – mais ou menos intelectual, divertida, política, variada etc. – e na hora marcada chegam os telecomensais, no número e com o traje que você quiser. Eles comem, conversam, elogiam os anfitriões e vão embora ou, por um adicional, limpam a cozinha.
Os motoboys dominam a noite e desenvolveram uma cultura própria. Têm seu folclore, seus mitos, seus heróis.
Não sei quando será, mas não deve demorar.
(Luis Fernando Veríssimo [org. Adriana Falcão e Isabel Falcão], “Entrega em domicílio”. Ironias do tempo, 2018. Adaptado)
Na crônica, o narrador relata os fatos por meio deResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto para responder às questões de números 65 a 68.
Entrega em domicílio
Não sei quando será, mas não deve demorar. O lugar? Qualquer grande cidade brasileira. Noite. É cedo, mas não se veem carros nas ruas nem gente nas calçadas. Só o que se vê são motociclistas. Suas motocicletas têm caixas atrás, para carregar os pedidos. São entregadores. Motoboys. Teleboys. Eles se cruzam nas ruas vazias, em disparada. Como os carros não saem mais à noite, e os motociclistas não os respeitam mesmo, os faróis semafóricos não funcionam. O amarelo fica piscando a noite inteira, e nos cruzamentos a preferência é dos entregadores mais corajosos. Há várias batidas e pelo menos um morto por noite. Mas o número de motociclistas nas ruas não para de crescer.
A população não sai mais de casa. Tudo é pedido pelo telefone. Os restaurantes despediram seus garçons e trocaram por motoboys. Telegarçons. Se você quiser um jantar fino à luz de velas, com vários pratos, sobremesa e vinho, existem serviços de entrega para tudo. Um entrega os pratos finos. Outro a sobremesa. Outro os vinhos. Outro a toalha de linho, os talheres e as flores. E já há um de televelas.
Como as pessoas não saem à noite e ninguém mais vai jantar na casa de ninguém, há uma cooperativa que se prontifica a mandar os próprios teleboys como convidados a jantares finos. A Telenós. Você especifica o tipo de conversa que quer à mesa – mais ou menos intelectual, divertida, política, variada etc. – e na hora marcada chegam os telecomensais, no número e com o traje que você quiser. Eles comem, conversam, elogiam os anfitriões e vão embora ou, por um adicional, limpam a cozinha.
Os motoboys dominam a noite e desenvolveram uma cultura própria. Têm seu folclore, seus mitos, seus heróis.
Não sei quando será, mas não deve demorar.
(Luis Fernando Veríssimo [org. Adriana Falcão e Isabel Falcão], “Entrega em domicílio”. Ironias do tempo, 2018. Adaptado)
Considere os trechos do texto:
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As orações destacadas nos trechos estabelecem relações de subordinação cujos sentidos são, correta e respectivamente, de
Leia o texto para responder às questões de números 65 a 68.
Entrega em domicílio
Não sei quando será, mas não deve demorar. O lugar? Qualquer grande cidade brasileira. Noite. É cedo, mas não se veem carros nas ruas nem gente nas calçadas. Só o que se vê são motociclistas. Suas motocicletas têm caixas atrás, para carregar os pedidos. São entregadores. Motoboys. Teleboys. Eles se cruzam nas ruas vazias, em disparada. Como os carros não saem mais à noite, e os motociclistas não os respeitam mesmo, os faróis semafóricos não funcionam. O amarelo fica piscando a noite inteira, e nos cruzamentos a preferência é dos entregadores mais corajosos. Há várias batidas e pelo menos um morto por noite. Mas o número de motociclistas nas ruas não para de crescer.
A população não sai mais de casa. Tudo é pedido pelo telefone. Os restaurantes despediram seus garçons e trocaram por motoboys. Telegarçons. Se você quiser um jantar fino à luz de velas, com vários pratos, sobremesa e vinho, existem serviços de entrega para tudo. Um entrega os pratos finos. Outro a sobremesa. Outro os vinhos. Outro a toalha de linho, os talheres e as flores. E já há um de televelas.
Como as pessoas não saem à noite e ninguém mais vai jantar na casa de ninguém, há uma cooperativa que se prontifica a mandar os próprios teleboys como convidados a jantares finos. A Telenós. Você especifica o tipo de conversa que quer à mesa – mais ou menos intelectual, divertida, política, variada etc. – e na hora marcada chegam os telecomensais, no número e com o traje que você quiser. Eles comem, conversam, elogiam os anfitriões e vão embora ou, por um adicional, limpam a cozinha.
Os motoboys dominam a noite e desenvolveram uma cultura própria. Têm seu folclore, seus mitos, seus heróis.
Não sei quando será, mas não deve demorar.
(Luis Fernando Veríssimo [org. Adriana Falcão e Isabel Falcão], “Entrega em domicílio”. Ironias do tempo, 2018. Adaptado)
Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de concordância nominal.Resolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto para responder às questões de números 65 a 68.
Entrega em domicílio
Não sei quando será, mas não deve demorar. O lugar? Qualquer grande cidade brasileira. Noite. É cedo, mas não se veem carros nas ruas nem gente nas calçadas. Só o que se vê são motociclistas. Suas motocicletas têm caixas atrás, para carregar os pedidos. São entregadores. Motoboys. Teleboys. Eles se cruzam nas ruas vazias, em disparada. Como os carros não saem mais à noite, e os motociclistas não os respeitam mesmo, os faróis semafóricos não funcionam. O amarelo fica piscando a noite inteira, e nos cruzamentos a preferência é dos entregadores mais corajosos. Há várias batidas e pelo menos um morto por noite. Mas o número de motociclistas nas ruas não para de crescer.
A população não sai mais de casa. Tudo é pedido pelo telefone. Os restaurantes despediram seus garçons e trocaram por motoboys. Telegarçons. Se você quiser um jantar fino à luz de velas, com vários pratos, sobremesa e vinho, existem serviços de entrega para tudo. Um entrega os pratos finos. Outro a sobremesa. Outro os vinhos. Outro a toalha de linho, os talheres e as flores. E já há um de televelas.
Como as pessoas não saem à noite e ninguém mais vai jantar na casa de ninguém, há uma cooperativa que se prontifica a mandar os próprios teleboys como convidados a jantares finos. A Telenós. Você especifica o tipo de conversa que quer à mesa – mais ou menos intelectual, divertida, política, variada etc. – e na hora marcada chegam os telecomensais, no número e com o traje que você quiser. Eles comem, conversam, elogiam os anfitriões e vão embora ou, por um adicional, limpam a cozinha.
Os motoboys dominam a noite e desenvolveram uma cultura própria. Têm seu folclore, seus mitos, seus heróis.
Não sei quando será, mas não deve demorar.
(Luis Fernando Veríssimo [org. Adriana Falcão e Isabel Falcão], “Entrega em domicílio”. Ironias do tempo, 2018. Adaptado)
Atende à norma-padrão de colocação pronominal o seguinte enunciado:Resolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto para responder às questões de números 69 e 70.
Eu chamo-me Teodoro – e fui amanuense do Ministério do Reino.
Nesse tempo vivia eu __________ Travessa da Conceição, nº 106, na casa de hóspedes da D. Augusta, __________ esplêndida D. Augusta, viúva do major Marques. Tinha dois companheiros: o Cabrita, empregado na Administração do Bairro Central, esguio e amarelo como uma tocha de enterro; e o possante, o exuberante tenente Couceiro, grande tocador de viola francesa.
A minha existência era bem equilibrada e suave. Toda __________ semana, de manga de lustrina¹ __________ carteira da minha repartição, ia lançando, numa formosa letra cursiva, sobre o papel Tojal do Estado, estas frases fáceis: “Ilmo. e Exmo. Sr. – Tenho a honra de comunicar __________ V.Ex.ª… Tenho a honra de passar __________ mãos de V.Ex.ª, Ilmo. e Exmo. Sr…”
(Eça de Queirós. O mandarim)
¹ Tecido de algodão, seda ou lã, tratado para ter uma aparência lustrosa e inflexível.
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:Resolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto para responder às questões de números 69 e 70.
Eu chamo-me Teodoro – e fui amanuense do Ministério do Reino.
Nesse tempo vivia eu __________ Travessa da Conceição, nº 106, na casa de hóspedes da D. Augusta, __________ esplêndida D. Augusta, viúva do major Marques. Tinha dois companheiros: o Cabrita, empregado na Administração do Bairro Central, esguio e amarelo como uma tocha de enterro; e o possante, o exuberante tenente Couceiro, grande tocador de viola francesa.
A minha existência era bem equilibrada e suave. Toda __________ semana, de manga de lustrina¹ __________ carteira da minha repartição, ia lançando, numa formosa letra cursiva, sobre o papel Tojal do Estado, estas frases fáceis: “Ilmo. e Exmo. Sr. – Tenho a honra de comunicar __________ V.Ex.ª… Tenho a honra de passar __________ mãos de V.Ex.ª, Ilmo. e Exmo. Sr…”
(Eça de Queirós. O mandarim)
¹ Tecido de algodão, seda ou lã, tratado para ter uma aparência lustrosa e inflexível.
Observe as passagens:
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Emprega-se a vírgula para separar as passagens destacadas, que funcionam no período, respectivamente, como:
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