← Voltar para a lista de provas Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 1º ano do Ensino Médio 25 questões nesta prova · página 1 de 2 · 23 com gabarito Gabarito disponível Descobrir o total a partir de 75%. Se 75% da capacidade correspondem a 67.500 pessoas, a capacidade total é 67.500 ÷ 0,75 = 90.000. 85.000, 87.000, 92.000 e 95.000 não satisfazem 75% = 67.500: por exemplo, 75% de 95.000 é 71.250 e 75% de 85.000 é 63.750. Referência: Porcentagem – cálculo da parte e do todo Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Questão anulada Gabarito disponível Gabarito disponível Bônus equivalente em AE ou em AP na média ponderada 6 e 4. NT = (6·AE + 4·AP)/10 = 0,6·AE + 0,4·AP. Para somar 0,5 em NT usando só AE: 0,6x = 0,5, então x = 5/6. Usando só AP: 0,4y = 0,5, então y = 5/4. Logo x + y = 10/12 + 15/12 = 25/12. As demais somas resultam de usar os pesos invertidos ou de erros de operação com as frações. Só 25/12 corresponde a 5/6 + 5/4. Referência: Média aritmética ponderada Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Resolver ∛(8 + x) + x = 2. Isolando, ∛(8 + x) = 2 − x. Elevando ao cubo, 8 + x = 8 − 12x + 6x² − x³, que dá x³ − 6x² + 13x = 0, ou x(x² − 6x + 13) = 0. O trinômio tem Δ = 36 − 52 < 0, então a única raiz real é x = 0.
A está errada: x = 0 é solução (∛8 + 0 = 2). C, D e E supõem mais de uma raiz real, mas as outras duas raízes são complexas. Referência: Equações irracionais Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Lei dos senos no triângulo ABC. Pela lei dos senos, AB/sen C = AC/sen B, ou seja, 6/sen 60° = AC/sen 45°. Então AC = 6 · (√2/2)/(√3/2) = 6√2/√3 = 2√6 km. A, B, C e D resultam de trocar os ângulos opostos ou de erros na racionalização. Só 2√6 satisfaz a proporção. Referência: Lei dos senos Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Raízes de 2x² − 11x + 12 = 0. Δ = 121 − 96 = 25, então x = (11 ± 5)/4, ou seja, 4 e 3/2. A diferença entre as raízes, tomada na ordem 3/2 − 4, é −5/2, o que torna A verdadeira. B: 16 + 9/4 = 73/4, diferente de 25/4. C: 4 não é o dobro de 3/2. D: há duas raízes reais. E: o produto é 6 e a raiz é √6, não √3. Referência: Equação do 2º grau – fórmula de Bhaskara Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Regra de três composta com mudança de horas por dia e prazo restante. Em 10 meses, 50 homens trabalhando 8 h/dia fizeram 1/3 da obra. Restam 2/3 em 8 meses (18 − 10), com 10 h/dia. Montando a proporção: se n = nº de homens, n × 10 × 8 / (50 × 8 × 10) = (2/3)/(1/3) = 2, então n = 100. Logo é preciso aumentar 50 homens. A, B, C e D ignoram que falta o dobro do trabalho feito, em menos tempo (8 meses contra 10). 100 homens é o necessário, então aumentar 20 ou 40 não basta e manter ou reduzir é impossível. Referência: Regra de três composta Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Função com parte ímpar mais constante 3 e simetria em torno da origem. Seja g(x) = ax³ + b∛x, que é ímpar. Como 1/(1+√2) = √2 − 1 = −(1 − √2), g(√2−1) = −g(1−√2). De f(1−√2) = 1,44 vem g(1−√2) = −1,56, então g(√2−1) = 1,56 e f = 1,56 + 3 = 4,56. As demais opções vêm de erros de sinal ou de não perceber que os dois pontos são opostos. 1,96, 3,15, 5,02 e 6,17 não resultam do cálculo. Referência: Funções ímpares: g(−x) = −g(x) Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Identificar o período composto (mais de uma oração). Em 'Tarefas tecnológicas complicadas são fáceis para os que nasceram na geração Z' há duas orações: 'Tarefas... são fáceis para os' e a subordinada adjetiva 'que nasceram na geração Z'. Dois verbos ou locuções verbais independentes caracterizam o período composto. B tem uma só oração (locução 'têm vivenciado'). C tem um só verbo ('menosprezam'). D tem um só verbo ('Há'). E tem um só verbo ('levam'). Todas são períodos simples. Referência: Período simples e composto Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Qual alternativa não é alerta do autor no Texto II. O autor não faz defesa veemente da interação globalizada: ele reconhece que a globalização foi ótima por um lado, mas a trata como desnorteadora por outro e alerta contra seus riscos. Por isso D não é um alerta. A corresponde ao item 5 (globalização aproxima o longínquo, com efeitos negativos). B corresponde ao item 1 (interatividade e discurso vazio). C corresponde ao item 4 (obedecer à ordem de transgredir). E corresponde ao item 7 (sociedade matrix, mistura do falso com o verdadeiro). Referência: Affonso Romano de Sant'Anna, 'Conversa com jovens' Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Tema central da crônica 'Ser brotinho'. A crônica lista atitudes espontâneas, despreocupadas e até contraditórias do brotinho, que vive à sua maneira sem se importar com o julgamento alheio. Por isso o tema central é a liberdade de ser feliz sem se importar com o que os outros dizem, segundo o gabarito oficial. A, C, D e E citam detalhes isolados do texto (inglês, rosa vermelha, adorar o impossível, compaixão), que não resumem o conjunto da crônica. Referência: Paulo Mendes Campos, 'Ser brotinho' Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Efeito da mudança de 'Ser brotinho é...' para 'Sou brotinho e posso...'. O infinitivo com o verbo 'ser' generaliza, apresentando características de qualquer brotinho. Na primeira pessoa, o texto passaria a falar de um único personagem e perderia o caráter universalizante. A está errada: a mudança restringe, não padroniza. B está errada: nada sugere retratar a época moderna. D está errada: a 1ª pessoa é pessoal, não neutra nem impessoal. E está errada: o sentido muda de geral para particular. Referência: Texto III – generalização e pessoa do discurso Resolução comentada do VaiConcursos.CMBH — Concurso de Admissão 2021/2022 — 1º ano do Ensino Médio — Matemática, Língua Portuguesa e Produção Textual (Redação)
Resolução comentada
Análise das alternativas
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Para mostrar isso, suponha que a razão d/a seja um número racional, com d ∈ ℤ, a ∈ ℤ* e mdc(a, d) = 1. O Teorema de Pitágoras nos dá que d² = 2a², donde d² é um número _______________, e consequentemente d é _______________. Assim, (2k)² = 2a², donde a² = 2k². Isso mostra que a² é _______________, e, consequentemente, a é _______________. Mas isso seria um absurdo, pois a e d são _______________. Logo, a razão d/a não é um número racional. Atualmente, essa razão é conhecida como _______________.
A alternativa que preenche corretamente e respectivamente as lacunas é:
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Para medir o comprimento do arco A͡B, frente do terreno, ele consultou seu amigo que lhe deu as seguintes orientações:
I. Obtenha o comprimento x do segmento A̅B̅;
II. Trace a reta r, mediatriz do segmento A̅B̅;
III. Considere os pontos M e N as interseções de r com A̅B̅ e A͡B, respectivamente;
IV. Obtenha o comprimento y do segmento M̅N̅.
Com essas informações, o empresário obteve o comprimento C da frente do terreno, através da fórmula:
• lançar x pontos de bônus na AE e zero ponto de bônus na AP; ou
• lançar zero ponto de bônus na AE e y pontos de bônus na AP.
Assim, é correto concluirmos que a soma x + y vale:Resolução comentada
Análise das alternativas
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Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto-base:
Texto I
Grupos de família no WhatsApp levam conflito de gerações para a internet
Os papos (e as brigas) daqueles almoços de domingo em família agora continuam nas redes sociais ou no aplicativo WhatsApp.
O químico João Henrique Nunes, 25 anos de idade, pediu para sair de um grupo do WhatsApp com mais de 30 familiares. “Eu recebia mensagens incessantes de bom-dia, fotos de bebês, correntes e vídeos motivacionais com mais de cinco minutos, que acabavam com a minha internet 3G.”
Apesar de dar um basta no grupo familiar, João coleciona diálogos engraçados com a mãe, Maria, e os publica no Facebook. [...]
Os mal-entendidos que fazem sucesso na internet são causados por um choque de gerações, segundo Regina de Assis, consultora em educação. “Há diferenças no jeito de se relacionar. Os mais velhos ainda entendem que a relação olho no olho é insubstituível”, afirma ela.
Isso leva a inevitáveis conflitos, afirma a terapeuta Juliana Potter. “Cada um pensa que seu jeito de usar a internet é o certo. Os adolescentes acham ridícula a forma como as mães usam as redes sociais, e os adultos não entendem como estar conectado é realmente importante para os jovens”.
Um exemplo é o caso de Diogo, 10 anos de idade, filho da economista Mariana Villar, 42 anos de idade. “Ele inferniza a minha vida pedindo um aparelho com acesso ao WhatsApp cinquenta vezes por dia”, diz ela. “Eu digo que ele não precisa, que não tem maturidade para isso, mas não adianta. Ele acha um absurdo ser o único da turma que não tem o aplicativo.”
Recentemente, ela deixou o menino acessar o aplicativo do celular dela. “Ele me colocou no grupo dos amigos, e eles não gostaram, reclamaram, porque eu ficava vendo as conversas. O papo é assim: um diz “Oi”, e todos respondem. Por que precisa de um telefone para conversar isso?”
No outro lado, os jovens riem com as dificuldades tecnológicas dos mais velhos.
“Quando minha mãe tem uma dúvida no WhatsApp, eu tento ajudar. Ela se atrapalha com os comandos mais simples. Às vezes até discutimos, porque o que parece muito simples para mim é, para ela, muito difícil de aprender, então acabo não tendo muita paciência.”, afirma a estudante Taís Bronca, 23 anos de idade.
Taís, porém, enxerga um ponto positivo no uso da internet por outras gerações.
“A minha geração tem o costume de achar que tudo que mãe e pai fazem é brega. Às vezes é implicância, às vezes eles dão motivo — como quando chamam o WhatsApp de ZapZap. Mas é vantajoso que a gente se comunique e que eles treinem a mente para aprender algo novo.”
Segundo especialistas em Psicologia Social, os jovens não podem viver em um mundo em que não haja a contribuição dos mais velhos. Por outro lado, não há como impedir os mais novos de usar as redes sociais. O que precisa ser feito é não deixar os jovens se fecharem na realidade virtual.
VINES, Joana. Grupos de família no WhatsApp levam conflito de gerações para a internet. Folha de S. Paulo, 19 abr. 2021. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2015/04/1613570-grupos-de-familia--no-whatsapp-levam-conflito-de-geracoes-para-ainternet.shtml>. Acesso em: 8 abr. 2015. Adaptado.
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Se substituirmos as conjunções em destaque respectivamente pelas incógnitas matemáticas X, Y e Z, qual das opções a seguir apresenta um esquema em que se mantenha o sentido original do fragmento transcrito?
Texto-base:
Texto I
Grupos de família no WhatsApp levam conflito de gerações para a internet
Os papos (e as brigas) daqueles almoços de domingo em família agora continuam nas redes sociais ou no aplicativo WhatsApp.
O químico João Henrique Nunes, 25 anos de idade, pediu para sair de um grupo do WhatsApp com mais de 30 familiares. “Eu recebia mensagens incessantes de bom-dia, fotos de bebês, correntes e vídeos motivacionais com mais de cinco minutos, que acabavam com a minha internet 3G.”
Apesar de dar um basta no grupo familiar, João coleciona diálogos engraçados com a mãe, Maria, e os publica no Facebook. [...]
Os mal-entendidos que fazem sucesso na internet são causados por um choque de gerações, segundo Regina de Assis, consultora em educação. “Há diferenças no jeito de se relacionar. Os mais velhos ainda entendem que a relação olho no olho é insubstituível”, afirma ela.
Isso leva a inevitáveis conflitos, afirma a terapeuta Juliana Potter. “Cada um pensa que seu jeito de usar a internet é o certo. Os adolescentes acham ridícula a forma como as mães usam as redes sociais, e os adultos não entendem como estar conectado é realmente importante para os jovens”.
Um exemplo é o caso de Diogo, 10 anos de idade, filho da economista Mariana Villar, 42 anos de idade. “Ele inferniza a minha vida pedindo um aparelho com acesso ao WhatsApp cinquenta vezes por dia”, diz ela. “Eu digo que ele não precisa, que não tem maturidade para isso, mas não adianta. Ele acha um absurdo ser o único da turma que não tem o aplicativo.”
Recentemente, ela deixou o menino acessar o aplicativo do celular dela. “Ele me colocou no grupo dos amigos, e eles não gostaram, reclamaram, porque eu ficava vendo as conversas. O papo é assim: um diz “Oi”, e todos respondem. Por que precisa de um telefone para conversar isso?”
No outro lado, os jovens riem com as dificuldades tecnológicas dos mais velhos.
“Quando minha mãe tem uma dúvida no WhatsApp, eu tento ajudar. Ela se atrapalha com os comandos mais simples. Às vezes até discutimos, porque o que parece muito simples para mim é, para ela, muito difícil de aprender, então acabo não tendo muita paciência.”, afirma a estudante Taís Bronca, 23 anos de idade.
Taís, porém, enxerga um ponto positivo no uso da internet por outras gerações.
“A minha geração tem o costume de achar que tudo que mãe e pai fazem é brega. Às vezes é implicância, às vezes eles dão motivo — como quando chamam o WhatsApp de ZapZap. Mas é vantajoso que a gente se comunique e que eles treinem a mente para aprender algo novo.”
Segundo especialistas em Psicologia Social, os jovens não podem viver em um mundo em que não haja a contribuição dos mais velhos. Por outro lado, não há como impedir os mais novos de usar as redes sociais. O que precisa ser feito é não deixar os jovens se fecharem na realidade virtual.
VINES, Joana. Grupos de família no WhatsApp levam conflito de gerações para a internet. Folha de S. Paulo, 19 abr. 2021. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2015/04/1613570-grupos-de-familia--no-whatsapp-levam-conflito-de-geracoes-para-ainternet.shtml>. Acesso em: 8 abr. 2015. Adaptado.
Segundo a descrição gramatical, período “É a frase formada por oração(ões). Pode ser simples [...] ou composto [...]” (FERREIRA, 2015, p. 471). Tendo por base essa definição, assinale a única alternativa em que o enunciado constitui um período composto.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto-base:
Texto I
Grupos de família no WhatsApp levam conflito de gerações para a internet
Os papos (e as brigas) daqueles almoços de domingo em família agora continuam nas redes sociais ou no aplicativo WhatsApp.
O químico João Henrique Nunes, 25 anos de idade, pediu para sair de um grupo do WhatsApp com mais de 30 familiares. “Eu recebia mensagens incessantes de bom-dia, fotos de bebês, correntes e vídeos motivacionais com mais de cinco minutos, que acabavam com a minha internet 3G.”
Apesar de dar um basta no grupo familiar, João coleciona diálogos engraçados com a mãe, Maria, e os publica no Facebook. [...]
Os mal-entendidos que fazem sucesso na internet são causados por um choque de gerações, segundo Regina de Assis, consultora em educação. “Há diferenças no jeito de se relacionar. Os mais velhos ainda entendem que a relação olho no olho é insubstituível”, afirma ela.
Isso leva a inevitáveis conflitos, afirma a terapeuta Juliana Potter. “Cada um pensa que seu jeito de usar a internet é o certo. Os adolescentes acham ridícula a forma como as mães usam as redes sociais, e os adultos não entendem como estar conectado é realmente importante para os jovens”.
Um exemplo é o caso de Diogo, 10 anos de idade, filho da economista Mariana Villar, 42 anos de idade. “Ele inferniza a minha vida pedindo um aparelho com acesso ao WhatsApp cinquenta vezes por dia”, diz ela. “Eu digo que ele não precisa, que não tem maturidade para isso, mas não adianta. Ele acha um absurdo ser o único da turma que não tem o aplicativo.”
Recentemente, ela deixou o menino acessar o aplicativo do celular dela. “Ele me colocou no grupo dos amigos, e eles não gostaram, reclamaram, porque eu ficava vendo as conversas. O papo é assim: um diz “Oi”, e todos respondem. Por que precisa de um telefone para conversar isso?”
No outro lado, os jovens riem com as dificuldades tecnológicas dos mais velhos.
“Quando minha mãe tem uma dúvida no WhatsApp, eu tento ajudar. Ela se atrapalha com os comandos mais simples. Às vezes até discutimos, porque o que parece muito simples para mim é, para ela, muito difícil de aprender, então acabo não tendo muita paciência.”, afirma a estudante Taís Bronca, 23 anos de idade.
Taís, porém, enxerga um ponto positivo no uso da internet por outras gerações.
“A minha geração tem o costume de achar que tudo que mãe e pai fazem é brega. Às vezes é implicância, às vezes eles dão motivo — como quando chamam o WhatsApp de ZapZap. Mas é vantajoso que a gente se comunique e que eles treinem a mente para aprender algo novo.”
Segundo especialistas em Psicologia Social, os jovens não podem viver em um mundo em que não haja a contribuição dos mais velhos. Por outro lado, não há como impedir os mais novos de usar as redes sociais. O que precisa ser feito é não deixar os jovens se fecharem na realidade virtual.
VINES, Joana. Grupos de família no WhatsApp levam conflito de gerações para a internet. Folha de S. Paulo, 19 abr. 2021. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2015/04/1613570-grupos-de-familia--no-whatsapp-levam-conflito-de-geracoes-para-ainternet.shtml>. Acesso em: 8 abr. 2015. Adaptado.
Dos fragmentos a seguir, uma das palavras em destaque pertence a uma classe gramatical distinta das demais. Assinale-a.
Texto-base:
Texto II
Conversa com jovens
Que conselhos dar aos jovens? Ou melhor, se lhe convidassem para fazer uma palestra para a meninada entre doze e dezessete anos a respeito da vida e do nosso tempo, o que você diria? Nelson Rodrigues, que gostava de fazer frases de efeito, dizia que devemos aconselhar ao jovem: “envelheça!” — como se isso fosse uma fórmula salvadora. Não é verdade. Muita gente envelhece e não cresce, cria casca e não amadurece.
Digo isto porque nesses dias fui falar para jovens em São Paulo e Minas. Primeiro, lembrei-me da célebre “Oração aos moços”, proferida por Ruy Barbosa em 1920 aos formandos de Direito. Fui ler o texto do “Águia de Haia”. Quase ilegível hoje. Se espremer sai pouca coisa, além da velha retórica. Lembrei-me também de peças de teatro e romances em que um velho dá conselhos a um jovem que parte para a guerra ou para a vida.
Esses textos não me socorrem. O mundo é outro. Venho do paleolítico, ou seja, do século XX, um período assaz estranho, tanto na história do homo sapiens quanto na do homem ignorante. E constato que o século XXI, em que essas moças e esses moços estão, é bem diferente. No meu tempo pensava-se que a história seguia um rumo determinado. Havia a “guerra fria”, não havia internet nem celular. Como dizia Rubem Braga, sou do tempo em que telefone era preto, e geladeira era branca.
Olho o mundo dos jovens, essa sociedade a que chamam pós-moderna, sociedade pós-industrial, aldeia global. [...] Se pudesse fazer alguns alertas ou deixar algumas sinalizações na estrada, eu diria aos jovens: cuidado com algumas palavras como interatividade, transgressão, relativismo...
Por exemplo:
1. A interatividade é formidável, possibilita intercâmbios, mas há o risco do discurso vazio, troca apenas de ruídos, um blá-blá-blá que bloqueia os fones da consciência.
2. A ideologia dominante abomina a hierarquia. Mas hierarquias podem ser perversas ou construtivas. Não existe sistema sem leis, normas, regras. A pregação da quebra de normas é simplesmente outra norma.
3. Cuidado com o pensamento relativista. As coisas não se equivalem. O carbono tem certas propriedades que não são a do fósforo, todo ser humano tem algo pessoal. O relativismo tenta convencer de que os sujeitos são objetos que podem ser trocados uns pelos outros.
4. Nossa cultura apaixonou-se pela transgressão. Já se transgrediu tanto, que se poderia fazer um “museu da transgressão” Hoje perversamente se diz: “Transgrida.”; desse modo, quem obedece à ordem de transgredir não está transgredindo, mas obedecendo a ordens.
5. Nos globalizaram. Foi ótimo por um lado. Por outro lado, desnorteador. Ganhamos em aproximação com o “outro”, o longínquo ficou próximo. Mas o “outro” virou um invasor de nosso espaço econômico, social e subjetivo. Indivíduos e culturas estão se sentindo, de certo modo, desenraizados, uma universalidade aérea, vazia.
6. A natureza está cobrando dívidas. Gerações anteriores assinaram cheques em branco sobre o futuro, as riquezas pareciam inesgotáveis. A “mãe natureza” não cobrava nada. Não era verdade: vulcões, tsunâmis, secas, degelos e fome nos espreitam.
7. A sociedade atual é uma sociedade “matrix”. Mistura o falso e o verdadeiro, o real e o virtual. Cultiva o “fake”. Pior: toma o lixo por luxo. Com isso, narciso vive num jogo confuso diante do próprio espelho.
Ser jovem nunca foi fácil. E, desde que nos anos 1960 instituiu-se o “poder jovem”, tornou-se mais complexo. Estar no poder exige muita responsabilidade. Rimbaud dizia: “não se é sério aos dezessete anos”. Será?
Cabe a vocês demonstrar se ele tinha ou não razão.
18 de maio de 2010.
SANT’ANNA, Affonso Romano de. Conversa com jovens. In: _____. Como andar no labirinto. Porto Alegre: LP&M, 2012. Coleção LP&M Pocket, v. 1073. p. 75-8. Adaptado.
Glossário:
Nelson Rodrigues: (1912-1980) escritor e jornalista brasileiro.
Ruy Barbosa: (1849-1923) jurista, escritor e orador brasileiro, conhecido como “Águia de Haia”.
assaz: muito, demais.
Rubem Braga: (1913-1990), escritor brasileiro.
transgredir: agir de forma a desrespeitar padrões, leis, regras preestabelecidos.
espreitar: espionar.
“matrix”: referência ao filme de ficção científica “Matrix” (1999), no qual um sistema artificial inteligente manipula a mente das pessoas, criando a ilusão de um mundo real.
“fake”: [Inglês] falso.
Narciso: personagem da mitologia grega que se apaixona pela própria imagem.
Rimbaud: Arthur Rimbaud (1854-1891), poeta francês.
No Texto II, Affonso Romano de Sant’Anna, poeta e escritor mineiro nascido em 1937, traz alguns alertas aos jovens. De acordo com o Texto II, qual das alternativas abaixo NÃO apresenta um alerta do autor?Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto-base:
Texto II
Conversa com jovens
Que conselhos dar aos jovens? Ou melhor, se lhe convidassem para fazer uma palestra para a meninada entre doze e dezessete anos a respeito da vida e do nosso tempo, o que você diria? Nelson Rodrigues, que gostava de fazer frases de efeito, dizia que devemos aconselhar ao jovem: “envelheça!” — como se isso fosse uma fórmula salvadora. Não é verdade. Muita gente envelhece e não cresce, cria casca e não amadurece.
Digo isto porque nesses dias fui falar para jovens em São Paulo e Minas. Primeiro, lembrei-me da célebre “Oração aos moços”, proferida por Ruy Barbosa em 1920 aos formandos de Direito. Fui ler o texto do “Águia de Haia”. Quase ilegível hoje. Se espremer sai pouca coisa, além da velha retórica. Lembrei-me também de peças de teatro e romances em que um velho dá conselhos a um jovem que parte para a guerra ou para a vida.
Esses textos não me socorrem. O mundo é outro. Venho do paleolítico, ou seja, do século XX, um período assaz estranho, tanto na história do homo sapiens quanto na do homem ignorante. E constato que o século XXI, em que essas moças e esses moços estão, é bem diferente. No meu tempo pensava-se que a história seguia um rumo determinado. Havia a “guerra fria”, não havia internet nem celular. Como dizia Rubem Braga, sou do tempo em que telefone era preto, e geladeira era branca.
Olho o mundo dos jovens, essa sociedade a que chamam pós-moderna, sociedade pós-industrial, aldeia global. [...] Se pudesse fazer alguns alertas ou deixar algumas sinalizações na estrada, eu diria aos jovens: cuidado com algumas palavras como interatividade, transgressão, relativismo...
Por exemplo:
1. A interatividade é formidável, possibilita intercâmbios, mas há o risco do discurso vazio, troca apenas de ruídos, um blá-blá-blá que bloqueia os fones da consciência.
2. A ideologia dominante abomina a hierarquia. Mas hierarquias podem ser perversas ou construtivas. Não existe sistema sem leis, normas, regras. A pregação da quebra de normas é simplesmente outra norma.
3. Cuidado com o pensamento relativista. As coisas não se equivalem. O carbono tem certas propriedades que não são a do fósforo, todo ser humano tem algo pessoal. O relativismo tenta convencer de que os sujeitos são objetos que podem ser trocados uns pelos outros.
4. Nossa cultura apaixonou-se pela transgressão. Já se transgrediu tanto, que se poderia fazer um “museu da transgressão” Hoje perversamente se diz: “Transgrida.”; desse modo, quem obedece à ordem de transgredir não está transgredindo, mas obedecendo a ordens.
5. Nos globalizaram. Foi ótimo por um lado. Por outro lado, desnorteador. Ganhamos em aproximação com o “outro”, o longínquo ficou próximo. Mas o “outro” virou um invasor de nosso espaço econômico, social e subjetivo. Indivíduos e culturas estão se sentindo, de certo modo, desenraizados, uma universalidade aérea, vazia.
6. A natureza está cobrando dívidas. Gerações anteriores assinaram cheques em branco sobre o futuro, as riquezas pareciam inesgotáveis. A “mãe natureza” não cobrava nada. Não era verdade: vulcões, tsunâmis, secas, degelos e fome nos espreitam.
7. A sociedade atual é uma sociedade “matrix”. Mistura o falso e o verdadeiro, o real e o virtual. Cultiva o “fake”. Pior: toma o lixo por luxo. Com isso, narciso vive num jogo confuso diante do próprio espelho.
Ser jovem nunca foi fácil. E, desde que nos anos 1960 instituiu-se o “poder jovem”, tornou-se mais complexo. Estar no poder exige muita responsabilidade. Rimbaud dizia: “não se é sério aos dezessete anos”. Será?
Cabe a vocês demonstrar se ele tinha ou não razão.
18 de maio de 2010.
SANT’ANNA, Affonso Romano de. Conversa com jovens. In: _____. Como andar no labirinto. Porto Alegre: LP&M, 2012. Coleção LP&M Pocket, v. 1073. p. 75-8. Adaptado.
Glossário:
Nelson Rodrigues: (1912-1980) escritor e jornalista brasileiro.
Ruy Barbosa: (1849-1923) jurista, escritor e orador brasileiro, conhecido como “Águia de Haia”.
assaz: muito, demais.
Rubem Braga: (1913-1990), escritor brasileiro.
transgredir: agir de forma a desrespeitar padrões, leis, regras preestabelecidos.
espreitar: espionar.
“matrix”: referência ao filme de ficção científica “Matrix” (1999), no qual um sistema artificial inteligente manipula a mente das pessoas, criando a ilusão de um mundo real.
“fake”: [Inglês] falso.
Narciso: personagem da mitologia grega que se apaixona pela própria imagem.
Rimbaud: Arthur Rimbaud (1854-1891), poeta francês.
Numa das “sinalizações” aos jovens, o autor desrespeita a norma-padrão da língua no que se refere à colocação pronominal. Assinale a alternativa em que o pronome sublinhado é um exemplo dessa infração.
Texto-base:
Texto III
Ser brotinho
Ser brotinho não é viver num píncaro azulado: é muito mais! Ser brotinho é sorrir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o ridículo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível.
Ser brotinho é não usar pintura alguma, às vezes, e ficar de cara lambida, os cabelos desarrumados como se ventasse forte, o corpo todo apagado dentro de um vestido tão de propósito sem graça, mas lançando fogo pelos olhos. Ser brotinho é lançar fogo pelos olhos.
É viver a tarde inteira, em uma atitude esquemática, a contemplar o teto, só para poder contar depois que ficou a tarde inteira olhando para cima, sem pensar em nada. É passar o dia todo descalça no apartamento da amiga comendo comida de lata e cortar o dedo. [...] É também falar legal e bárbaro com um timbre tão por cima das vãs agitações humanas, uma inflexão tão certa de que tudo neste mundo passa depressa e não tem a menor importância.
Ser brotinho é poder usar óculos como se fosse enfeite, como um adjetivo para o rosto e para o espírito. É esvaziar o sentido das coisas que transbordam de sentido, mas é também dar sentido de repente ao vácuo absoluto. É aguardar com paciência e frieza o momento certo de vingar-se da má amiga. É ter a bolsa cheia de pedacinhos de papel, recados que os anacolutos tornam misteriosos, anotações criptográficas sobre o tributo da natureza feminina, uma cédula de dois reais com uma sentença hermética escrita a batom, toda uma biografia esparsa que pode ser atirada de súbito ao vento que passa. Ser brotinho é a inclinação do momento.
É telefonar muito, estendida no chão. [...] Achar muito bonito um homem muito feio; achar tão simpática uma senhora tão antipática. [...]
Ser brotinho é comparar o amigo do pai a um pincel de barba, e a gente vai ver está certo: o amigo do pai parece um pincel de barba. É sentir uma vontade doida de tomar banho de mar de noite [...]. É ficar eufórica à vista de uma cascata. Falar inglês sem saber verbos irregulares. É ter comprado na feira um vestidinho engraçado e bacanérrimo.
É ainda ser brotinho chegar em casa ensopada de chuva, úmida camélia, e dizer para a mãe que veio andando devagar para molhar-se mais. É ter saído um dia com uma rosa vermelha na mão, e todo mundo pensou com piedade que ela era uma louca varrida. É ir sempre ao cinema, mas com um jeito de quem não espera mais nada desta vida. [...] É o dom de falar sobre futebol e política como se o presente fosse passado, e vice-versa.
Ser brotinho é atravessar de ponta a ponta o salão de festa com uma indiferença mortal pelas mulheres presentes e ausentes. Ter estudado balé e desistido, apesar de tantos telefonemas de Madame Saint-Quentin. Ter trazido para casa um gato que miava de fome e ter aberto uma lata de salmão para o coitado. Mas o bichinho comeu o salmão e morreu. É ficar pasmada no escuro da varanda sem contar para ninguém a miserável traição. Amanhecer chorando, anoitecer dançando. É manter o ritmo na melodia dissonante. Usar o mais caro perfume de blusa grossa e blue jeans. Ter horror de gente morta, [...] fantasmas e baratas. Ter compaixão de um só mendigo entre todos os outros mendigos da Terra. Permanecer apaixonada a eternidade de um mês por um violinista estrangeiro de quinta ordem. [...] Tomar uma pose, ora de soneto moderno, ora de minueto, sem que se dissipe a unidade essencial. [...]
Ser brotinho é adorar. Adorar o impossível. Ser brotinho é detestar. Detestar o possível. É acordar ao meio-dia com uma cara horrível, comer somente e lentamente uma fruta meio verde, e ficar de pijama telefonando até a hora do jantar, e não jantar, e ir devorar um sanduíche americano na esquina, tão estranha é a vida sobre a Terra.
CAMPOS, Paulo Mendes. Ser brotinho. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos (Org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007, p. 91-3.
Glossário:
brotinho: jovem, especialmente do sexo feminino, no início da adolescência.
píncaro: o grau mais elevado, auge.
timbre: característica acústica de um som da fala.
vã: vazia, sem fundamento.
inflexão: determinada entonação na pronúncia de uma frase.
anacoluto: frase quebrada, sem sequência.
criptográfico: cifrado; oculto.
hermético: difícil de entender e/ou interpretar.
esparso: espalhado, solto.
dissonante: que destoa; desarmônico, discordante.
soneto: pequena composição poética composta de 14 versos.
minueto: dança da aristocracia francesa, leve, graciosa e solene.
O Texto III (“Ser brotinho”) é uma crônica escrita pelo escritor, poeta e jornalista mineiro Paulo Mendes Campos (1922-1991). O tema central da crônica é:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto-base:
Texto III
Ser brotinho
Ser brotinho não é viver num píncaro azulado: é muito mais! Ser brotinho é sorrir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o ridículo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível.
Ser brotinho é não usar pintura alguma, às vezes, e ficar de cara lambida, os cabelos desarrumados como se ventasse forte, o corpo todo apagado dentro de um vestido tão de propósito sem graça, mas lançando fogo pelos olhos. Ser brotinho é lançar fogo pelos olhos.
É viver a tarde inteira, em uma atitude esquemática, a contemplar o teto, só para poder contar depois que ficou a tarde inteira olhando para cima, sem pensar em nada. É passar o dia todo descalça no apartamento da amiga comendo comida de lata e cortar o dedo. [...] É também falar legal e bárbaro com um timbre tão por cima das vãs agitações humanas, uma inflexão tão certa de que tudo neste mundo passa depressa e não tem a menor importância.
Ser brotinho é poder usar óculos como se fosse enfeite, como um adjetivo para o rosto e para o espírito. É esvaziar o sentido das coisas que transbordam de sentido, mas é também dar sentido de repente ao vácuo absoluto. É aguardar com paciência e frieza o momento certo de vingar-se da má amiga. É ter a bolsa cheia de pedacinhos de papel, recados que os anacolutos tornam misteriosos, anotações criptográficas sobre o tributo da natureza feminina, uma cédula de dois reais com uma sentença hermética escrita a batom, toda uma biografia esparsa que pode ser atirada de súbito ao vento que passa. Ser brotinho é a inclinação do momento.
É telefonar muito, estendida no chão. [...] Achar muito bonito um homem muito feio; achar tão simpática uma senhora tão antipática. [...]
Ser brotinho é comparar o amigo do pai a um pincel de barba, e a gente vai ver está certo: o amigo do pai parece um pincel de barba. É sentir uma vontade doida de tomar banho de mar de noite [...]. É ficar eufórica à vista de uma cascata. Falar inglês sem saber verbos irregulares. É ter comprado na feira um vestidinho engraçado e bacanérrimo.
É ainda ser brotinho chegar em casa ensopada de chuva, úmida camélia, e dizer para a mãe que veio andando devagar para molhar-se mais. É ter saído um dia com uma rosa vermelha na mão, e todo mundo pensou com piedade que ela era uma louca varrida. É ir sempre ao cinema, mas com um jeito de quem não espera mais nada desta vida. [...] É o dom de falar sobre futebol e política como se o presente fosse passado, e vice-versa.
Ser brotinho é atravessar de ponta a ponta o salão de festa com uma indiferença mortal pelas mulheres presentes e ausentes. Ter estudado balé e desistido, apesar de tantos telefonemas de Madame Saint-Quentin. Ter trazido para casa um gato que miava de fome e ter aberto uma lata de salmão para o coitado. Mas o bichinho comeu o salmão e morreu. É ficar pasmada no escuro da varanda sem contar para ninguém a miserável traição. Amanhecer chorando, anoitecer dançando. É manter o ritmo na melodia dissonante. Usar o mais caro perfume de blusa grossa e blue jeans. Ter horror de gente morta, [...] fantasmas e baratas. Ter compaixão de um só mendigo entre todos os outros mendigos da Terra. Permanecer apaixonada a eternidade de um mês por um violinista estrangeiro de quinta ordem. [...] Tomar uma pose, ora de soneto moderno, ora de minueto, sem que se dissipe a unidade essencial. [...]
Ser brotinho é adorar. Adorar o impossível. Ser brotinho é detestar. Detestar o possível. É acordar ao meio-dia com uma cara horrível, comer somente e lentamente uma fruta meio verde, e ficar de pijama telefonando até a hora do jantar, e não jantar, e ir devorar um sanduíche americano na esquina, tão estranha é a vida sobre a Terra.
CAMPOS, Paulo Mendes. Ser brotinho. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos (Org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007, p. 91-3.
Glossário:
brotinho: jovem, especialmente do sexo feminino, no início da adolescência.
píncaro: o grau mais elevado, auge.
timbre: característica acústica de um som da fala.
vã: vazia, sem fundamento.
inflexão: determinada entonação na pronúncia de uma frase.
anacoluto: frase quebrada, sem sequência.
criptográfico: cifrado; oculto.
hermético: difícil de entender e/ou interpretar.
esparso: espalhado, solto.
dissonante: que destoa; desarmônico, discordante.
soneto: pequena composição poética composta de 14 versos.
minueto: dança da aristocracia francesa, leve, graciosa e solene.
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No trecho acima, a palavra em destaque possui o mesmo sentido de:
Texto-base:
Texto III
Ser brotinho
Ser brotinho não é viver num píncaro azulado: é muito mais! Ser brotinho é sorrir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o ridículo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível.
Ser brotinho é não usar pintura alguma, às vezes, e ficar de cara lambida, os cabelos desarrumados como se ventasse forte, o corpo todo apagado dentro de um vestido tão de propósito sem graça, mas lançando fogo pelos olhos. Ser brotinho é lançar fogo pelos olhos.
É viver a tarde inteira, em uma atitude esquemática, a contemplar o teto, só para poder contar depois que ficou a tarde inteira olhando para cima, sem pensar em nada. É passar o dia todo descalça no apartamento da amiga comendo comida de lata e cortar o dedo. [...] É também falar legal e bárbaro com um timbre tão por cima das vãs agitações humanas, uma inflexão tão certa de que tudo neste mundo passa depressa e não tem a menor importância.
Ser brotinho é poder usar óculos como se fosse enfeite, como um adjetivo para o rosto e para o espírito. É esvaziar o sentido das coisas que transbordam de sentido, mas é também dar sentido de repente ao vácuo absoluto. É aguardar com paciência e frieza o momento certo de vingar-se da má amiga. É ter a bolsa cheia de pedacinhos de papel, recados que os anacolutos tornam misteriosos, anotações criptográficas sobre o tributo da natureza feminina, uma cédula de dois reais com uma sentença hermética escrita a batom, toda uma biografia esparsa que pode ser atirada de súbito ao vento que passa. Ser brotinho é a inclinação do momento.
É telefonar muito, estendida no chão. [...] Achar muito bonito um homem muito feio; achar tão simpática uma senhora tão antipática. [...]
Ser brotinho é comparar o amigo do pai a um pincel de barba, e a gente vai ver está certo: o amigo do pai parece um pincel de barba. É sentir uma vontade doida de tomar banho de mar de noite [...]. É ficar eufórica à vista de uma cascata. Falar inglês sem saber verbos irregulares. É ter comprado na feira um vestidinho engraçado e bacanérrimo.
É ainda ser brotinho chegar em casa ensopada de chuva, úmida camélia, e dizer para a mãe que veio andando devagar para molhar-se mais. É ter saído um dia com uma rosa vermelha na mão, e todo mundo pensou com piedade que ela era uma louca varrida. É ir sempre ao cinema, mas com um jeito de quem não espera mais nada desta vida. [...] É o dom de falar sobre futebol e política como se o presente fosse passado, e vice-versa.
Ser brotinho é atravessar de ponta a ponta o salão de festa com uma indiferença mortal pelas mulheres presentes e ausentes. Ter estudado balé e desistido, apesar de tantos telefonemas de Madame Saint-Quentin. Ter trazido para casa um gato que miava de fome e ter aberto uma lata de salmão para o coitado. Mas o bichinho comeu o salmão e morreu. É ficar pasmada no escuro da varanda sem contar para ninguém a miserável traição. Amanhecer chorando, anoitecer dançando. É manter o ritmo na melodia dissonante. Usar o mais caro perfume de blusa grossa e blue jeans. Ter horror de gente morta, [...] fantasmas e baratas. Ter compaixão de um só mendigo entre todos os outros mendigos da Terra. Permanecer apaixonada a eternidade de um mês por um violinista estrangeiro de quinta ordem. [...] Tomar uma pose, ora de soneto moderno, ora de minueto, sem que se dissipe a unidade essencial. [...]
Ser brotinho é adorar. Adorar o impossível. Ser brotinho é detestar. Detestar o possível. É acordar ao meio-dia com uma cara horrível, comer somente e lentamente uma fruta meio verde, e ficar de pijama telefonando até a hora do jantar, e não jantar, e ir devorar um sanduíche americano na esquina, tão estranha é a vida sobre a Terra.
CAMPOS, Paulo Mendes. Ser brotinho. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos (Org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007, p. 91-3.
Glossário:
brotinho: jovem, especialmente do sexo feminino, no início da adolescência.
píncaro: o grau mais elevado, auge.
timbre: característica acústica de um som da fala.
vã: vazia, sem fundamento.
inflexão: determinada entonação na pronúncia de uma frase.
anacoluto: frase quebrada, sem sequência.
criptográfico: cifrado; oculto.
hermético: difícil de entender e/ou interpretar.
esparso: espalhado, solto.
dissonante: que destoa; desarmônico, discordante.
soneto: pequena composição poética composta de 14 versos.
minueto: dança da aristocracia francesa, leve, graciosa e solene.
Releia o trecho: “Ser brotinho é poder usar óculos como se fosse enfeite, como um adjetivo para o rosto e para o espírito.” (4º parágrafo, linhas 12-13).
Se o autor houvesse escrito: “[...] Sou brotinho e posso usar óculos como se fosse enfeite, como um adjetivo para o rosto e para o espírito”, o texto:Resolução comentada
Análise das alternativas
O Estádio de Wembley foi palco da final de EUROCOPA 2021, entre Itália e Inglaterra. O público presente nessa partida foi de, aproximadamente, 67.500 pessoas, o que corresponde a 75% da capacidade do estádio. Considerando essas informações, o número de espectadores presentes no estádio, se ele estivesse lotado, seria de:
Há muito tempo acreditava-se que a razão entre as medidas de quaisquer dois segmentos sempre era representada por um número racional. Entretanto, essa afirmação não é verdadeira quando consideramos a razão entre a medida da diagonal (d) e do lado (a) do quadrado abaixo.
Com a descoberta dos números irracionais, foi necessário verificar as propriedades dos números incluindo essa nova classe. Das alternativas abaixo, a única verdadeira é:
Um empresário comprou um terreno cuja frente é um arco de circunferência de medida θ graus, conforme figura abaixo.
No CMBH, a nota trimestral (NT) é calculada por meio da média aritmética ponderada da Avaliação de Estudo (AE) e da Avaliação Parcial (AP), cujos pesos são, respectivamente, 6 e 4. Para prestigiar os alunos que participaram das diversas atividades do Colégio, o Comandante decidiu dar um bônus de 0,5 ponto na nota trimestral, referente ao segundo trimestre de 2021. Entretanto, o sistema eletrônico de registro de notas não aceita que o bônus seja somado diretamente à nota trimestral. Para resolver esse problema, os professores têm duas possibilidades:
Na figura abaixo, estão representados o hexágono regular ABCDEF e o triângulo ACE, inscrito no hexágono. O perímetro desse hexágono em função da área S do triângulo ACE é igual a:
Na figura abaixo, temos uma circunferência de centro O e raio 4√2cm. O arco A͡B dessa circunferência mede 90º, e o diâmetro C̅D̅ encontra a corda A̅B̅ no ponto E, de tal forma que med(C̅E̅) = √2cm e B̅E̅ < A̅E̅. A medida de B̅E̅ é igual a:
Sobre as raízes reais da equação ∛(8 + x) + x = 2, é correto afirmar que a equação:
Três batalhões do Exército Brasileiro estacionaram em três localidades diferentes, A, B e C, a fim de realizar um exercício de adestramento. Essas 3 localidades são vértices de um triângulo, tal que o ângulo AĈB = 60º e o ângulo AB̂C = 45º. Sabe-se que a distância entre as localidades A e B é igual a 6km. Nessas condições, a distância entre as localidades A e C mede:
A equação 2x² − 11x + 12 = 0, cujo conjunto solução está contido no conjunto dos números reais, é tal que:
Uma obra foi contratada para ser concluída em 1,5 anos. Para tanto, inicialmente, foram contratados 50 homens para trabalharem 8h por dia. Passados 10 meses, apenas 1/3 da obra foi concluída. Para cumprir o prazo estabelecido para a conclusão da obra, a quantidade de horas trabalhadas por dia passou de 8h para 10h. Assim, admitindo que todos os homens têm o mesmo rendimento, com relação ao efetivo de homens necessários para a conclusão da obra no prazo estipulado, é correto afirmar que:
Considere a função f: ℝ → ℝ definida por f(x) = ax³ + b∛x + 3, com a e b constantes reais. Sabendo-se que f(1 − √2) = 1,44, o valor de f(1/(1 + √2)) é:
Leia o Texto I e responda às questões de números 13 a 15.
Leia o Texto I e responda às questões de números 13 a 15.
Leia o Texto I e responda às questões de números 13 a 15.
Leia o Texto II e responda às questões de números 16, 17 e 23.
Leia o Texto II e responda às questões de números 16, 17 e 23.
Leia o Texto III e responda às questões de números 18 a 24.
Leia o Texto III e responda às questões de números 18 a 24.
Leia o Texto III e responda às questões de números 18 a 24.