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Colégio Militar de Manaus — Concurso de Admissão 2021/2022 — 6º Ano do Ensino Fundamental — Matemática, Língua Portuguesa e Redação

Colégio Militar de Manaus (CMM) — Exército Brasileiro, DECEx/DEPA · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Colégio Militar de Manaus (CMM)2021Fundamental

25 questões nesta prova · página 1 de 2 · 23 com gabarito

Matemática Tratamento da Informação — Leitura e Interpretação de Tabelas

Colégio Militar de Manaus (CMM) 2021 Fundamental

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Uma nova modalidade esportiva foi disputada na edição de 2021 dos Jogos Internos do CMM, trata-se do Polo Aquático, um esporte coletivo que acontece dentro da água. O objetivo de cada time é marcar mais gols que a equipe adversária. Os gols marcados são contados um a um, assim como no futebol. Cada uma das 6 turmas do sexto ano formou uma equipe de sete jogadores para representá-las. Durante as competições, cada equipe disputou uma partida com as outras. A tabela abaixo mostra os resultados dessas competições, porém, alguns valores foram ocultados.
Tabela com colunas Equipe, Quantidade de Vitórias, Quantidade de Empates, Quantidade de Derrotas, Quantidade de Gols Feitos e Quantidade de Gols Sofridos. Equipe 601: 4 vitórias, 1 empate, derrotas ocultadas por uma bola, 10 gols feitos, 3 sofridos. Equipe 602: 0, 1, 4, 1, 5. Equipe 603: 1, 1, 3, 3 gols feitos, gols sofridos ocultados por uma bola. Equipe 604: 0 vitórias, empates ocultados por uma bola, 2 derrotas, 2 gols feitos, 6 sofridos. Equipe 605: vitórias ocultadas por uma bola, 1 empate, 2 derrotas, 6 gols feitos, 6 sofridos. Equipe 606: 4, 1, 0, 6, 2.
Leia o que dizem as sentenças a seguir, sobre as informações contidas na tabela.
I. Ao todo, aconteceram 30 partidas de Polo Aquático nessa competição.
II. A Equipe 605 ganhou 2 partidas.
III. Cada equipe empatou apenas uma vez.
IV. A Equipe 601 ganhou todas as partidas que disputou.
V. A quantidade de gols sofridos pela Equipe 603 é o triplo da quantidade de gols sofridos pela Equipe 606.
É correto afirmar que:
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Matemática Probabilidade e Porcentagem — Problemas

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A professora de Língua Portuguesa organizou um quiz entre os alunos do 6º ano. Voluntariaram-se 40 alunos para responder às perguntas, e foram divididos em 5 equipes com quantidades aleatórias de participantes. Cada equipe escolheu uma cor de blusa para usar no dia do quiz, conforme mostra a tabela a seguir. Alguns dados, porém, foram ocultados na tabela.
Tabela com a linha “Cor da Blusa da Equipe” (vermelho, azul, amarelo, verde e laranja) e a linha “Quantidade de Alunos”: vermelho “?”, azul 9, amarelo e verde ocultados por figuras de um bonequinho, laranja 4.
Para iniciar a atividade, a professora sorteou aleatoriamente um dos alunos participantes, para responder à primeira pergunta do quiz. A probabilidade de a professora ter sorteado um aluno que usou blusa amarela durante o quiz foi de 35%. A quantidade de alunos que usou camisa vermelha é o dobro da quantidade de alunos que usou camisa verde mais um. Sendo assim, quantos alunos usaram blusa vermelha durante a atividade de Língua Portuguesa?
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Matemática Frações — Problemas de Vazão (Torneiras)

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Em um aquário, há uma torneira capaz de enchê-lo em 20 minutos e outra torneira que pode enchê-lo em meia hora. Caso as duas torneiras fiquem abertas simultaneamente, em quanto tempo o aquário estará cheio?
Ilustração de um aquário com peixes e plantas, com duas torneiras abertas despejando água.
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Matemática Expressões Numéricas — Frações

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Determine o valor numérico da expressão a seguir e assinale a alternativa que apresenta corretamente o seu valor.
Expressão numérica: chave aberta, colchete aberto, parêntese aberto, 3 mais 2/3, parêntese fechado, vezes 3/11, mais 3 dividido por 1/2, colchete fechado, vezes 3/21, mais 5, chave fechada, mais a fração cujo numerador é 2/3 mais 1/5 dividido por 3 e cujo denominador é 1 menos 1 sobre (4 menos 3/2), menos 14/63.
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Matemática Operações com Números Decimais — Sistema Monetário

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Raul foi ao mercado com uma nota de R$ 50,00. Ele deve comprar um pacote de leite, dois copos de requeijão e, com o restante do dinheiro, deve comprar a maior quantidade de café possível. Sabendo os valores de cada item, informados abaixo, e que Raul comprou tudo o que precisava, podemos afirmar que:
Cartaz de preços ao lado de uma porta com placa “OPEN”: Café Manauara R$ 6,49; Leite Pureza R$ 11,55; Requeijão R$ 5,37.
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Matemática Tratamento da Informação — Gráfico de Barras

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Uma escolinha de futebol promoveu uma rifa para custear a produção dos uniformes dos seus 20 atletas. Cada uniforme custou R$ 105,00 e cada bilhete vendido na rifa custou R$ 5,00. O gráfico abaixo mostra quantas pessoas compraram o mesmo número de bilhetes: por exemplo, 60 pessoas compraram exatamente 2 bilhetes cada uma.
Gráfico de barras “Compradores” (eixo vertical de 0 a 70) por quantidade de bilhetes (1 a 5): 1 bilhete, 30 compradores; 2 bilhetes, 60; 3 bilhetes, 50; 4 bilhetes, 30; 5 bilhetes, 10. Legenda: Bilhetes.
Observando o gráfico, qual das alternativas a seguir é verdadeira?
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Matemática Expressões Numéricas — Operações Fundamentais

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Bruna usou algumas cartas de baralho para montar uma expressão numérica, e para manter o enigma da expressão, a menina deixou uma operação (+, −, × ou ÷) e um número oculto. Qual foi o valor ocultado?
Sequência de cartas de baralho vermelhas formando a expressão: 57, +, 30, carta de curinga, 5, −, carta de curinga, X, 7, =, 0.
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Matemática Área de Figuras Planas — Unidades de Área

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Quatro quadrados verdes foram colados sobre um quadrado azul. A área de cada quadrado menor é igual a quinta parte da área do quadrado maior. A área que continua sendo vista em azul, após a colagem, é de 1,6 dm². Qual a área do quadrado maior?
Três figuras: “Figuras antes da colagem” (um quadrado azul grande e quatro quadrados verdes menores), “Figura após a colagem” (quadrado azul com os quatro quadrados verdes colados, um em cada canto, sem se sobrepor) e “Área procurada (Quadrado maior)” (o quadrado azul sozinho).
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Matemática Divisibilidade — Restos da Divisão

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Josué coleciona carrinhos e ganhou uma prateleira expositiva com capacidade para 100 exemplares. Por enquanto, ele tem menos de uma centena de carrinhos. No intuito de organizá-los na prateleira, o menino tentou arrumá-los em fileiras de 5 em 5, mas sobraram 2. Então tentou de 7 em 7, mas sobrou 1. Por fim, tentou fileiras de 6 em 6, mas sobraram 3. Quantos carrinhos faltam para ocupar completamente os espaços disponíveis na prateleira de Josué?
Prateleira expositiva de carrinhos em formato de caminhão, com vários nichos vazios.
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Matemática Unidades de Medida de Massa

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A massa (peso) do açúcar contida em cinco potes é igual a 16450 cg. Dois potes estão cheios e três potes estão pela metade. Sabendo que a soma das massas (pesos) dos potes cheios é igual à soma das massas (pesos) dos potes que estão pela metade, qual a massa de um pote vazio?
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Matemática Perímetro de Polígonos — Unidades de Comprimento

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Na aula de Artes, Poliana produziu uma tela diferente para a sua pintura. A garota colou duas lajotas lado a lado. As lajotas têm formato de hexágonos regulares e possuem as mesmas dimensões. Sabendo que o perímetro de cada lajota é de 336 mm, qual será o perímetro total da tela que Poliana produziu para sua obra de arte?
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Resolução comentada

Perímetro total = 10 lados de 56 mm = 56 cm.

Cada hexágono regular tem 6 lados: 336 ÷ 6 = 56 mm. Ao colar duas lajotas lado a lado, elas compartilham um lado, e o contorno externo passa a ter 12 − 2 = 10 lados. Perímetro = 10 × 56 = 560 mm = 56 cm.

Análise das alternativas

A) Errada: 67,2 cm é 12 lados de 56 mm. B) Errada: 5,60 cm é erro de conversão de unidade. D) Errada: 61,6 cm corresponde a 11 lados. E) Errada: 560 cm é erro de conversão de unidade.

Referência: Perímetro de polígonos e conversão mm → cm.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Matemática Probabilidade — Combinações Simples

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João e Maria foram a uma pizzaria que oferecia os seguintes sabores de pizza: Frango, Portuguesa, Mussarela, Marguerita, Calabresa e Presunto. Cada um pretende comer uma pizza brotinho com dois sabores. Enquanto Maria escolhia os sabores no balcão, João procurava um lugar para eles se sentarem. Mas João se esqueceu de dizer à amiga quais eram os sabores da pizza que ele queria: Marguerita e Portuguesa. Qual a probabilidade de Maria acertar a combinação de sabores da pizza do amigo?
Foto de uma pizza de dois sabores: metade com tomate e manjericão, metade com queijo.
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Língua Portuguesa Interpretação de Texto

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Texto-base:
TEXTO I (Adaptado)

O HOMEM QUE ESPALHOU O DESERTO

Quando menino, costumava apanhar a tesoura da mãe e ia para o quintal, cortando folhas das árvores. Havia mangueiras, abacateiros, ameixeiras, pessegueiros e até mesmo jabuticabeiras. Um quintal enorme, que parecia uma chácara e onde o menino passava o dia cortando folhas. A mãe gostava, assim ele não ia para a rua, não andava em más companhias. E sempre que o menino apanhava o seu caminhão de madeira (naquele tempo, ainda não havia os caminhões de plástico, felizmente) e cruzava o portão, a mãe corria com a tesoura: tome filhinho, venha brincar com as suas folhas. Ele voltava e cortava. As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno. O seu trabalho rendia pouco, apesar do dia a dia constante, de manhã à noite.

Mas o menino cresceu, ganhou tesouras maiores. Parecia determinado, à medida que o tempo passava, a acabar com as folhas todas. Dominado por uma estranha impulsão, ele não queria ir à escola, não queria ir ao cinema, não tinha namoradas ou amigos. Apenas tesouras, das mais diversas qualidades e tipos. Dormia com elas no quarto. À noite, com uma pedra de amolar, afiava bem os cortes, preparando-as para as tarefas do dia seguinte. Às vezes, deixava aberta a janela, para que o luar brilhasse nas tesouras polidas.

A mãe, muito contente, apesar do filho detestar a escola e ir mal nas letras. Todavia, era um menino comportado, não saía de casa, não andava em más companhias, não se embriagava aos sábados como os outros meninos do quarteirão, não frequentava ruas suspeitas onde mulheres pintadas exageradamente se postavam às janelas, chamando os incautos. Seu único prazer eram as tesouras e o corte das folhas.

Só que, agora, ele era maior e as árvores começaram a perder. Ele demorou apenas uma semana para limpar a jabuticabeira. Quinze dias para a mangueira menor e vinte e cinco para a maior. Quarenta dias para o abacateiro que era imenso, tinha mais de cinquenta anos. E seis meses depois, quando concluiu, já a jabuticabeira tinha novas folhas e ele precisou recomeçar.

Certa noite, regressando do quintal agora silencioso, porque o desbastamento das árvores tinha afugentado pássaros e destruído ninhos, ele concluiu que de nada adiantaria podar as folhas. Elas se recomporiam sempre. É uma capacidade da natureza, morrer e reviver. Como o seu cérebro era diminuto, ele demorou meses para encontrar a solução: um machado.

Numa terça-feira, bem cedo, que não era de perder tempo, começou a derrubada do abacateiro. Levou dez dias, porque não estava habituado a manejar machados, as mãos calejaram, sangraram. Adquirida a prática, limpou o quintal e descansou aliviado.

Mas insatisfeito, porque agora passava os dias a olhar aquela desolação, ele saiu de machado em punho, para os arredores da cidade. Onde encontrava árvore, capões, matos, atacava, limpava, deixava os montes de lenha arrumadinhos para quem quisesse se servir. Os donos dos terrenos não se importavam, estavam em via de vendê-los para fábricas ou imobiliárias e precisavam de tudo limpo mesmo. E o homem do machado descobriu que podia ganhar a vida com o seu instrumento. Onde quer que precisassem derrubar árvores, ele era chamado. Não parava. Contratou uma secretária para organizar uma agenda. Depois, auxiliares. Montou uma companhia, construiu edifícios para guardar machados, abrigar seus operários devastadores. Importou tratores e máquinas especializadas do estrangeiro. Mandou assistentes fazerem cursos nos Estados Unidos e Europa. Eles voltaram peritos de primeira linha. E trabalhavam, derrubavam. Foram do sul ao norte, não deixando nada em pé. Onde quer que houvesse uma folha verde, lá estava uma tesoura, um machado, um aparelho eletrônico para arrasar.

E enquanto ele ficava milionário, o país se transformava num deserto, terra calcinada. E então, o governo, para remediar, mandou buscar em Israel técnicos especializados em tornar férteis as terras do deserto. E os homens mandaram plantar árvores. E enquanto as árvores eram plantadas, o homem do machado ensinava ao filho sua profissão.

BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras proibidas. Rio de Janeiro. Editora Codecri, 1979.

Sobre a mensagem transmitida pelo texto O homem que espalhou o deserto, é correto o que se afirma em:
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Resolução comentada

A mensagem é que maus hábitos da infância, não corrigidos, seguem na vida adulta.

O menino cortava folhas e a mãe, em vez de corrigi-lo, o incentivava. Esse hábito cresceu até virar devastação em escala nacional. A mensagem é que o que não é corrigido na infância se agrava na vida adulta.

Análise das alternativas

B) Errada: o desmatamento resulta de ação humana, não do tempo. C) Errada: é visão ingênua da mãe que o texto critica. D) Errada: generaliza de forma indevida. E) Errada: o texto sugere responsabilidade pelos atos.

Referência: Interpretação: mensagem do texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Elementos da Narrativa — Foco Narrativo

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Texto-base:
TEXTO I (Adaptado)

O HOMEM QUE ESPALHOU O DESERTO

Quando menino, costumava apanhar a tesoura da mãe e ia para o quintal, cortando folhas das árvores. Havia mangueiras, abacateiros, ameixeiras, pessegueiros e até mesmo jabuticabeiras. Um quintal enorme, que parecia uma chácara e onde o menino passava o dia cortando folhas. A mãe gostava, assim ele não ia para a rua, não andava em más companhias. E sempre que o menino apanhava o seu caminhão de madeira (naquele tempo, ainda não havia os caminhões de plástico, felizmente) e cruzava o portão, a mãe corria com a tesoura: tome filhinho, venha brincar com as suas folhas. Ele voltava e cortava. As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno. O seu trabalho rendia pouco, apesar do dia a dia constante, de manhã à noite.

Mas o menino cresceu, ganhou tesouras maiores. Parecia determinado, à medida que o tempo passava, a acabar com as folhas todas. Dominado por uma estranha impulsão, ele não queria ir à escola, não queria ir ao cinema, não tinha namoradas ou amigos. Apenas tesouras, das mais diversas qualidades e tipos. Dormia com elas no quarto. À noite, com uma pedra de amolar, afiava bem os cortes, preparando-as para as tarefas do dia seguinte. Às vezes, deixava aberta a janela, para que o luar brilhasse nas tesouras polidas.

A mãe, muito contente, apesar do filho detestar a escola e ir mal nas letras. Todavia, era um menino comportado, não saía de casa, não andava em más companhias, não se embriagava aos sábados como os outros meninos do quarteirão, não frequentava ruas suspeitas onde mulheres pintadas exageradamente se postavam às janelas, chamando os incautos. Seu único prazer eram as tesouras e o corte das folhas.

Só que, agora, ele era maior e as árvores começaram a perder. Ele demorou apenas uma semana para limpar a jabuticabeira. Quinze dias para a mangueira menor e vinte e cinco para a maior. Quarenta dias para o abacateiro que era imenso, tinha mais de cinquenta anos. E seis meses depois, quando concluiu, já a jabuticabeira tinha novas folhas e ele precisou recomeçar.

Certa noite, regressando do quintal agora silencioso, porque o desbastamento das árvores tinha afugentado pássaros e destruído ninhos, ele concluiu que de nada adiantaria podar as folhas. Elas se recomporiam sempre. É uma capacidade da natureza, morrer e reviver. Como o seu cérebro era diminuto, ele demorou meses para encontrar a solução: um machado.

Numa terça-feira, bem cedo, que não era de perder tempo, começou a derrubada do abacateiro. Levou dez dias, porque não estava habituado a manejar machados, as mãos calejaram, sangraram. Adquirida a prática, limpou o quintal e descansou aliviado.

Mas insatisfeito, porque agora passava os dias a olhar aquela desolação, ele saiu de machado em punho, para os arredores da cidade. Onde encontrava árvore, capões, matos, atacava, limpava, deixava os montes de lenha arrumadinhos para quem quisesse se servir. Os donos dos terrenos não se importavam, estavam em via de vendê-los para fábricas ou imobiliárias e precisavam de tudo limpo mesmo. E o homem do machado descobriu que podia ganhar a vida com o seu instrumento. Onde quer que precisassem derrubar árvores, ele era chamado. Não parava. Contratou uma secretária para organizar uma agenda. Depois, auxiliares. Montou uma companhia, construiu edifícios para guardar machados, abrigar seus operários devastadores. Importou tratores e máquinas especializadas do estrangeiro. Mandou assistentes fazerem cursos nos Estados Unidos e Europa. Eles voltaram peritos de primeira linha. E trabalhavam, derrubavam. Foram do sul ao norte, não deixando nada em pé. Onde quer que houvesse uma folha verde, lá estava uma tesoura, um machado, um aparelho eletrônico para arrasar.

E enquanto ele ficava milionário, o país se transformava num deserto, terra calcinada. E então, o governo, para remediar, mandou buscar em Israel técnicos especializados em tornar férteis as terras do deserto. E os homens mandaram plantar árvores. E enquanto as árvores eram plantadas, o homem do machado ensinava ao filho sua profissão.

BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras proibidas. Rio de Janeiro. Editora Codecri, 1979.

Em relação à estrutura narrativa do texto O homem que espalhou o deserto, pode-se dizer que:
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Resolução comentada

O narrador é onisciente e não participa da história.

O texto está em 3ª pessoa: o narrador conhece os pensamentos do menino ('ele concluiu que...'), mas não é personagem. É um narrador observador onisciente.

Análise das alternativas

A) Errada: o foco é de 3ª pessoa, e a onisciência não indica 1ª pessoa. B) Errada: é um texto ficcional, e o narrador não é testemunha. D) Errada: o menino não narra a própria história. E) Errada: o foco narrativo não se mistura.

Referência: Foco narrativo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

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Texto-base:
TEXTO I (Adaptado)

O HOMEM QUE ESPALHOU O DESERTO

Quando menino, costumava apanhar a tesoura da mãe e ia para o quintal, cortando folhas das árvores. Havia mangueiras, abacateiros, ameixeiras, pessegueiros e até mesmo jabuticabeiras. Um quintal enorme, que parecia uma chácara e onde o menino passava o dia cortando folhas. A mãe gostava, assim ele não ia para a rua, não andava em más companhias. E sempre que o menino apanhava o seu caminhão de madeira (naquele tempo, ainda não havia os caminhões de plástico, felizmente) e cruzava o portão, a mãe corria com a tesoura: tome filhinho, venha brincar com as suas folhas. Ele voltava e cortava. As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno. O seu trabalho rendia pouco, apesar do dia a dia constante, de manhã à noite.

Mas o menino cresceu, ganhou tesouras maiores. Parecia determinado, à medida que o tempo passava, a acabar com as folhas todas. Dominado por uma estranha impulsão, ele não queria ir à escola, não queria ir ao cinema, não tinha namoradas ou amigos. Apenas tesouras, das mais diversas qualidades e tipos. Dormia com elas no quarto. À noite, com uma pedra de amolar, afiava bem os cortes, preparando-as para as tarefas do dia seguinte. Às vezes, deixava aberta a janela, para que o luar brilhasse nas tesouras polidas.

A mãe, muito contente, apesar do filho detestar a escola e ir mal nas letras. Todavia, era um menino comportado, não saía de casa, não andava em más companhias, não se embriagava aos sábados como os outros meninos do quarteirão, não frequentava ruas suspeitas onde mulheres pintadas exageradamente se postavam às janelas, chamando os incautos. Seu único prazer eram as tesouras e o corte das folhas.

Só que, agora, ele era maior e as árvores começaram a perder. Ele demorou apenas uma semana para limpar a jabuticabeira. Quinze dias para a mangueira menor e vinte e cinco para a maior. Quarenta dias para o abacateiro que era imenso, tinha mais de cinquenta anos. E seis meses depois, quando concluiu, já a jabuticabeira tinha novas folhas e ele precisou recomeçar.

Certa noite, regressando do quintal agora silencioso, porque o desbastamento das árvores tinha afugentado pássaros e destruído ninhos, ele concluiu que de nada adiantaria podar as folhas. Elas se recomporiam sempre. É uma capacidade da natureza, morrer e reviver. Como o seu cérebro era diminuto, ele demorou meses para encontrar a solução: um machado.

Numa terça-feira, bem cedo, que não era de perder tempo, começou a derrubada do abacateiro. Levou dez dias, porque não estava habituado a manejar machados, as mãos calejaram, sangraram. Adquirida a prática, limpou o quintal e descansou aliviado.

Mas insatisfeito, porque agora passava os dias a olhar aquela desolação, ele saiu de machado em punho, para os arredores da cidade. Onde encontrava árvore, capões, matos, atacava, limpava, deixava os montes de lenha arrumadinhos para quem quisesse se servir. Os donos dos terrenos não se importavam, estavam em via de vendê-los para fábricas ou imobiliárias e precisavam de tudo limpo mesmo. E o homem do machado descobriu que podia ganhar a vida com o seu instrumento. Onde quer que precisassem derrubar árvores, ele era chamado. Não parava. Contratou uma secretária para organizar uma agenda. Depois, auxiliares. Montou uma companhia, construiu edifícios para guardar machados, abrigar seus operários devastadores. Importou tratores e máquinas especializadas do estrangeiro. Mandou assistentes fazerem cursos nos Estados Unidos e Europa. Eles voltaram peritos de primeira linha. E trabalhavam, derrubavam. Foram do sul ao norte, não deixando nada em pé. Onde quer que houvesse uma folha verde, lá estava uma tesoura, um machado, um aparelho eletrônico para arrasar.

E enquanto ele ficava milionário, o país se transformava num deserto, terra calcinada. E então, o governo, para remediar, mandou buscar em Israel técnicos especializados em tornar férteis as terras do deserto. E os homens mandaram plantar árvores. E enquanto as árvores eram plantadas, o homem do machado ensinava ao filho sua profissão.

BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras proibidas. Rio de Janeiro. Editora Codecri, 1979.

Indique a única alternativa que ratifique a ideia de que o menino “parecia determinado, à medida que o tempo passava, a acabar com as folhas todas”.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A demanda crescente por seus serviços confirma que ele estava determinado a acabar com as folhas.

O trecho de B mostra que o hábito do menino virou profissão: ele era chamado onde houvesse árvore. Isso confirma o avanço de sua determinação em acabar com a vegetação toda.

Análise das alternativas

A) Errada: descreve o comportamento exemplar do menino, sem relação com a determinação destruidora. C) Errada: trata dos assistentes, não da determinação do protagonista. D) Errada: descreve o isolamento dele, sem mostrar a determinação em destruir. E) Errada: é a reação do governo, que vem depois e é oposta à ideia.

Referência: Interpretação de texto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Semântica — Significado de Palavras no Contexto

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Texto-base:
TEXTO I (Adaptado)

O HOMEM QUE ESPALHOU O DESERTO

Quando menino, costumava apanhar a tesoura da mãe e ia para o quintal, cortando folhas das árvores. Havia mangueiras, abacateiros, ameixeiras, pessegueiros e até mesmo jabuticabeiras. Um quintal enorme, que parecia uma chácara e onde o menino passava o dia cortando folhas. A mãe gostava, assim ele não ia para a rua, não andava em más companhias. E sempre que o menino apanhava o seu caminhão de madeira (naquele tempo, ainda não havia os caminhões de plástico, felizmente) e cruzava o portão, a mãe corria com a tesoura: tome filhinho, venha brincar com as suas folhas. Ele voltava e cortava. As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno. O seu trabalho rendia pouco, apesar do dia a dia constante, de manhã à noite.

Mas o menino cresceu, ganhou tesouras maiores. Parecia determinado, à medida que o tempo passava, a acabar com as folhas todas. Dominado por uma estranha impulsão, ele não queria ir à escola, não queria ir ao cinema, não tinha namoradas ou amigos. Apenas tesouras, das mais diversas qualidades e tipos. Dormia com elas no quarto. À noite, com uma pedra de amolar, afiava bem os cortes, preparando-as para as tarefas do dia seguinte. Às vezes, deixava aberta a janela, para que o luar brilhasse nas tesouras polidas.

A mãe, muito contente, apesar do filho detestar a escola e ir mal nas letras. Todavia, era um menino comportado, não saía de casa, não andava em más companhias, não se embriagava aos sábados como os outros meninos do quarteirão, não frequentava ruas suspeitas onde mulheres pintadas exageradamente se postavam às janelas, chamando os incautos. Seu único prazer eram as tesouras e o corte das folhas.

Só que, agora, ele era maior e as árvores começaram a perder. Ele demorou apenas uma semana para limpar a jabuticabeira. Quinze dias para a mangueira menor e vinte e cinco para a maior. Quarenta dias para o abacateiro que era imenso, tinha mais de cinquenta anos. E seis meses depois, quando concluiu, já a jabuticabeira tinha novas folhas e ele precisou recomeçar.

Certa noite, regressando do quintal agora silencioso, porque o desbastamento das árvores tinha afugentado pássaros e destruído ninhos, ele concluiu que de nada adiantaria podar as folhas. Elas se recomporiam sempre. É uma capacidade da natureza, morrer e reviver. Como o seu cérebro era diminuto, ele demorou meses para encontrar a solução: um machado.

Numa terça-feira, bem cedo, que não era de perder tempo, começou a derrubada do abacateiro. Levou dez dias, porque não estava habituado a manejar machados, as mãos calejaram, sangraram. Adquirida a prática, limpou o quintal e descansou aliviado.

Mas insatisfeito, porque agora passava os dias a olhar aquela desolação, ele saiu de machado em punho, para os arredores da cidade. Onde encontrava árvore, capões, matos, atacava, limpava, deixava os montes de lenha arrumadinhos para quem quisesse se servir. Os donos dos terrenos não se importavam, estavam em via de vendê-los para fábricas ou imobiliárias e precisavam de tudo limpo mesmo. E o homem do machado descobriu que podia ganhar a vida com o seu instrumento. Onde quer que precisassem derrubar árvores, ele era chamado. Não parava. Contratou uma secretária para organizar uma agenda. Depois, auxiliares. Montou uma companhia, construiu edifícios para guardar machados, abrigar seus operários devastadores. Importou tratores e máquinas especializadas do estrangeiro. Mandou assistentes fazerem cursos nos Estados Unidos e Europa. Eles voltaram peritos de primeira linha. E trabalhavam, derrubavam. Foram do sul ao norte, não deixando nada em pé. Onde quer que houvesse uma folha verde, lá estava uma tesoura, um machado, um aparelho eletrônico para arrasar.

E enquanto ele ficava milionário, o país se transformava num deserto, terra calcinada. E então, o governo, para remediar, mandou buscar em Israel técnicos especializados em tornar férteis as terras do deserto. E os homens mandaram plantar árvores. E enquanto as árvores eram plantadas, o homem do machado ensinava ao filho sua profissão.

BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras proibidas. Rio de Janeiro. Editora Codecri, 1979.

Considerando o trecho “É uma capacidade da natureza, morrer e reviver (...)” (5º parágrafo), o termo capacidade diverge, em significado no contexto, da palavra:
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Resolução comentada

'Regalia' (privilégio) diverge de 'capacidade' no contexto.

Em 'capacidade da natureza', o termo significa aptidão ou poder de se regenerar. Habilidade, dom, poder e atributo são sinônimos contextuais. Regalia significa privilégio ou vantagem, sentido que não cabe aí.

Análise das alternativas

A) Errada: habilidade é sinônimo de capacidade. B) Errada: dom também indica aptidão. C) Errada: poder é a capacidade de fazer algo. D) Errada: atributo é característica própria, e a regeneração é uma característica da natureza.

Referência: Semântica: sinonímia contextual.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Fato e Opinião

Colégio Militar de Manaus (CMM) 2021 Fundamental

Colégio Militar de Manaus (CMM) — Exército Brasileiro, DECEx/DEPA · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I (Adaptado)

O HOMEM QUE ESPALHOU O DESERTO

Quando menino, costumava apanhar a tesoura da mãe e ia para o quintal, cortando folhas das árvores. Havia mangueiras, abacateiros, ameixeiras, pessegueiros e até mesmo jabuticabeiras. Um quintal enorme, que parecia uma chácara e onde o menino passava o dia cortando folhas. A mãe gostava, assim ele não ia para a rua, não andava em más companhias. E sempre que o menino apanhava o seu caminhão de madeira (naquele tempo, ainda não havia os caminhões de plástico, felizmente) e cruzava o portão, a mãe corria com a tesoura: tome filhinho, venha brincar com as suas folhas. Ele voltava e cortava. As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno. O seu trabalho rendia pouco, apesar do dia a dia constante, de manhã à noite.

Mas o menino cresceu, ganhou tesouras maiores. Parecia determinado, à medida que o tempo passava, a acabar com as folhas todas. Dominado por uma estranha impulsão, ele não queria ir à escola, não queria ir ao cinema, não tinha namoradas ou amigos. Apenas tesouras, das mais diversas qualidades e tipos. Dormia com elas no quarto. À noite, com uma pedra de amolar, afiava bem os cortes, preparando-as para as tarefas do dia seguinte. Às vezes, deixava aberta a janela, para que o luar brilhasse nas tesouras polidas.

A mãe, muito contente, apesar do filho detestar a escola e ir mal nas letras. Todavia, era um menino comportado, não saía de casa, não andava em más companhias, não se embriagava aos sábados como os outros meninos do quarteirão, não frequentava ruas suspeitas onde mulheres pintadas exageradamente se postavam às janelas, chamando os incautos. Seu único prazer eram as tesouras e o corte das folhas.

Só que, agora, ele era maior e as árvores começaram a perder. Ele demorou apenas uma semana para limpar a jabuticabeira. Quinze dias para a mangueira menor e vinte e cinco para a maior. Quarenta dias para o abacateiro que era imenso, tinha mais de cinquenta anos. E seis meses depois, quando concluiu, já a jabuticabeira tinha novas folhas e ele precisou recomeçar.

Certa noite, regressando do quintal agora silencioso, porque o desbastamento das árvores tinha afugentado pássaros e destruído ninhos, ele concluiu que de nada adiantaria podar as folhas. Elas se recomporiam sempre. É uma capacidade da natureza, morrer e reviver. Como o seu cérebro era diminuto, ele demorou meses para encontrar a solução: um machado.

Numa terça-feira, bem cedo, que não era de perder tempo, começou a derrubada do abacateiro. Levou dez dias, porque não estava habituado a manejar machados, as mãos calejaram, sangraram. Adquirida a prática, limpou o quintal e descansou aliviado.

Mas insatisfeito, porque agora passava os dias a olhar aquela desolação, ele saiu de machado em punho, para os arredores da cidade. Onde encontrava árvore, capões, matos, atacava, limpava, deixava os montes de lenha arrumadinhos para quem quisesse se servir. Os donos dos terrenos não se importavam, estavam em via de vendê-los para fábricas ou imobiliárias e precisavam de tudo limpo mesmo. E o homem do machado descobriu que podia ganhar a vida com o seu instrumento. Onde quer que precisassem derrubar árvores, ele era chamado. Não parava. Contratou uma secretária para organizar uma agenda. Depois, auxiliares. Montou uma companhia, construiu edifícios para guardar machados, abrigar seus operários devastadores. Importou tratores e máquinas especializadas do estrangeiro. Mandou assistentes fazerem cursos nos Estados Unidos e Europa. Eles voltaram peritos de primeira linha. E trabalhavam, derrubavam. Foram do sul ao norte, não deixando nada em pé. Onde quer que houvesse uma folha verde, lá estava uma tesoura, um machado, um aparelho eletrônico para arrasar.

E enquanto ele ficava milionário, o país se transformava num deserto, terra calcinada. E então, o governo, para remediar, mandou buscar em Israel técnicos especializados em tornar férteis as terras do deserto. E os homens mandaram plantar árvores. E enquanto as árvores eram plantadas, o homem do machado ensinava ao filho sua profissão.

BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras proibidas. Rio de Janeiro. Editora Codecri, 1979.

Considerando a progressão da narrativa, o trecho que constitui uma opinião do narrador é:
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Resolução comentada

A opinião do narrador está em 'seu cérebro era diminuto'.

Chamar o cérebro do menino de 'diminuto' é um juízo de valor do narrador, subjetivo e depreciativo. Os demais trechos apenas relatam fatos, ações e comportamentos.

Análise das alternativas

A) Errada: relata ações (fato). B) Errada: descreve o comportamento do menino. C) Errada: descreve uma ação. E) Errada: informa o rendimento do trabalho, um fato da narrativa.

Referência: Fato e opinião.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto — Inferência

Colégio Militar de Manaus (CMM) 2021 Fundamental

Colégio Militar de Manaus (CMM) — Exército Brasileiro, DECEx/DEPA · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Texto-base:
TEXTO I (Adaptado)

O HOMEM QUE ESPALHOU O DESERTO

Quando menino, costumava apanhar a tesoura da mãe e ia para o quintal, cortando folhas das árvores. Havia mangueiras, abacateiros, ameixeiras, pessegueiros e até mesmo jabuticabeiras. Um quintal enorme, que parecia uma chácara e onde o menino passava o dia cortando folhas. A mãe gostava, assim ele não ia para a rua, não andava em más companhias. E sempre que o menino apanhava o seu caminhão de madeira (naquele tempo, ainda não havia os caminhões de plástico, felizmente) e cruzava o portão, a mãe corria com a tesoura: tome filhinho, venha brincar com as suas folhas. Ele voltava e cortava. As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno. O seu trabalho rendia pouco, apesar do dia a dia constante, de manhã à noite.

Mas o menino cresceu, ganhou tesouras maiores. Parecia determinado, à medida que o tempo passava, a acabar com as folhas todas. Dominado por uma estranha impulsão, ele não queria ir à escola, não queria ir ao cinema, não tinha namoradas ou amigos. Apenas tesouras, das mais diversas qualidades e tipos. Dormia com elas no quarto. À noite, com uma pedra de amolar, afiava bem os cortes, preparando-as para as tarefas do dia seguinte. Às vezes, deixava aberta a janela, para que o luar brilhasse nas tesouras polidas.

A mãe, muito contente, apesar do filho detestar a escola e ir mal nas letras. Todavia, era um menino comportado, não saía de casa, não andava em más companhias, não se embriagava aos sábados como os outros meninos do quarteirão, não frequentava ruas suspeitas onde mulheres pintadas exageradamente se postavam às janelas, chamando os incautos. Seu único prazer eram as tesouras e o corte das folhas.

Só que, agora, ele era maior e as árvores começaram a perder. Ele demorou apenas uma semana para limpar a jabuticabeira. Quinze dias para a mangueira menor e vinte e cinco para a maior. Quarenta dias para o abacateiro que era imenso, tinha mais de cinquenta anos. E seis meses depois, quando concluiu, já a jabuticabeira tinha novas folhas e ele precisou recomeçar.

Certa noite, regressando do quintal agora silencioso, porque o desbastamento das árvores tinha afugentado pássaros e destruído ninhos, ele concluiu que de nada adiantaria podar as folhas. Elas se recomporiam sempre. É uma capacidade da natureza, morrer e reviver. Como o seu cérebro era diminuto, ele demorou meses para encontrar a solução: um machado.

Numa terça-feira, bem cedo, que não era de perder tempo, começou a derrubada do abacateiro. Levou dez dias, porque não estava habituado a manejar machados, as mãos calejaram, sangraram. Adquirida a prática, limpou o quintal e descansou aliviado.

Mas insatisfeito, porque agora passava os dias a olhar aquela desolação, ele saiu de machado em punho, para os arredores da cidade. Onde encontrava árvore, capões, matos, atacava, limpava, deixava os montes de lenha arrumadinhos para quem quisesse se servir. Os donos dos terrenos não se importavam, estavam em via de vendê-los para fábricas ou imobiliárias e precisavam de tudo limpo mesmo. E o homem do machado descobriu que podia ganhar a vida com o seu instrumento. Onde quer que precisassem derrubar árvores, ele era chamado. Não parava. Contratou uma secretária para organizar uma agenda. Depois, auxiliares. Montou uma companhia, construiu edifícios para guardar machados, abrigar seus operários devastadores. Importou tratores e máquinas especializadas do estrangeiro. Mandou assistentes fazerem cursos nos Estados Unidos e Europa. Eles voltaram peritos de primeira linha. E trabalhavam, derrubavam. Foram do sul ao norte, não deixando nada em pé. Onde quer que houvesse uma folha verde, lá estava uma tesoura, um machado, um aparelho eletrônico para arrasar.

E enquanto ele ficava milionário, o país se transformava num deserto, terra calcinada. E então, o governo, para remediar, mandou buscar em Israel técnicos especializados em tornar férteis as terras do deserto. E os homens mandaram plantar árvores. E enquanto as árvores eram plantadas, o homem do machado ensinava ao filho sua profissão.

BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras proibidas. Rio de Janeiro. Editora Codecri, 1979.

De acordo com o texto, pode-se inferir que, quando o quintal ficou sem nenhuma árvore, o rapaz se sentiu aliviado mas insatisfeito, porque
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Resolução comentada

Sem árvores no quintal, ele ficou sem ter o que fazer.

O texto diz que o rapaz 'agora passava os dias a olhar aquela desolação'. Com o quintal limpo, ele ficou sem ocupação, e por isso saiu de machado em punho pelos arredores. A insatisfação vem da falta do que fazer.

Análise das alternativas

A) Errada: o próprio texto diz que as folhas voltam a crescer. B) Errada: não há arrependimento, pois ele continua e amplia a devastação. C) Errada: a busca por mais árvores é consequência da insatisfação, não a causa. E) Errada: a mãe aprovava a atividade, e o texto não aponta isso como motivo.

Referência: Inferência textual.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Tipologia Textual — Finalidade do Texto

Colégio Militar de Manaus (CMM) 2021 Fundamental

Colégio Militar de Manaus (CMM) — Exército Brasileiro, DECEx/DEPA · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

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Texto-base:
TEXTO I (Adaptado)

O HOMEM QUE ESPALHOU O DESERTO

Quando menino, costumava apanhar a tesoura da mãe e ia para o quintal, cortando folhas das árvores. Havia mangueiras, abacateiros, ameixeiras, pessegueiros e até mesmo jabuticabeiras. Um quintal enorme, que parecia uma chácara e onde o menino passava o dia cortando folhas. A mãe gostava, assim ele não ia para a rua, não andava em más companhias. E sempre que o menino apanhava o seu caminhão de madeira (naquele tempo, ainda não havia os caminhões de plástico, felizmente) e cruzava o portão, a mãe corria com a tesoura: tome filhinho, venha brincar com as suas folhas. Ele voltava e cortava. As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno. O seu trabalho rendia pouco, apesar do dia a dia constante, de manhã à noite.

Mas o menino cresceu, ganhou tesouras maiores. Parecia determinado, à medida que o tempo passava, a acabar com as folhas todas. Dominado por uma estranha impulsão, ele não queria ir à escola, não queria ir ao cinema, não tinha namoradas ou amigos. Apenas tesouras, das mais diversas qualidades e tipos. Dormia com elas no quarto. À noite, com uma pedra de amolar, afiava bem os cortes, preparando-as para as tarefas do dia seguinte. Às vezes, deixava aberta a janela, para que o luar brilhasse nas tesouras polidas.

A mãe, muito contente, apesar do filho detestar a escola e ir mal nas letras. Todavia, era um menino comportado, não saía de casa, não andava em más companhias, não se embriagava aos sábados como os outros meninos do quarteirão, não frequentava ruas suspeitas onde mulheres pintadas exageradamente se postavam às janelas, chamando os incautos. Seu único prazer eram as tesouras e o corte das folhas.

Só que, agora, ele era maior e as árvores começaram a perder. Ele demorou apenas uma semana para limpar a jabuticabeira. Quinze dias para a mangueira menor e vinte e cinco para a maior. Quarenta dias para o abacateiro que era imenso, tinha mais de cinquenta anos. E seis meses depois, quando concluiu, já a jabuticabeira tinha novas folhas e ele precisou recomeçar.

Certa noite, regressando do quintal agora silencioso, porque o desbastamento das árvores tinha afugentado pássaros e destruído ninhos, ele concluiu que de nada adiantaria podar as folhas. Elas se recomporiam sempre. É uma capacidade da natureza, morrer e reviver. Como o seu cérebro era diminuto, ele demorou meses para encontrar a solução: um machado.

Numa terça-feira, bem cedo, que não era de perder tempo, começou a derrubada do abacateiro. Levou dez dias, porque não estava habituado a manejar machados, as mãos calejaram, sangraram. Adquirida a prática, limpou o quintal e descansou aliviado.

Mas insatisfeito, porque agora passava os dias a olhar aquela desolação, ele saiu de machado em punho, para os arredores da cidade. Onde encontrava árvore, capões, matos, atacava, limpava, deixava os montes de lenha arrumadinhos para quem quisesse se servir. Os donos dos terrenos não se importavam, estavam em via de vendê-los para fábricas ou imobiliárias e precisavam de tudo limpo mesmo. E o homem do machado descobriu que podia ganhar a vida com o seu instrumento. Onde quer que precisassem derrubar árvores, ele era chamado. Não parava. Contratou uma secretária para organizar uma agenda. Depois, auxiliares. Montou uma companhia, construiu edifícios para guardar machados, abrigar seus operários devastadores. Importou tratores e máquinas especializadas do estrangeiro. Mandou assistentes fazerem cursos nos Estados Unidos e Europa. Eles voltaram peritos de primeira linha. E trabalhavam, derrubavam. Foram do sul ao norte, não deixando nada em pé. Onde quer que houvesse uma folha verde, lá estava uma tesoura, um machado, um aparelho eletrônico para arrasar.

E enquanto ele ficava milionário, o país se transformava num deserto, terra calcinada. E então, o governo, para remediar, mandou buscar em Israel técnicos especializados em tornar férteis as terras do deserto. E os homens mandaram plantar árvores. E enquanto as árvores eram plantadas, o homem do machado ensinava ao filho sua profissão.

BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras proibidas. Rio de Janeiro. Editora Codecri, 1979.

Quanto ao texto lido, pode-se afirmar que a sua finalidade é
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Resolução comentada

O texto narra a trajetória de um menino que se torna um destruidor de árvores.

Predomina a sequência narrativa, com personagem, tempo, espaço e fatos encadeados, da infância à vida adulta. A finalidade é contar a trajetória do menino que gostava de destruir árvores e a transformou em negócio. A crítica ao desmatamento está implícita na história.

Análise das alternativas

B) Errada: o texto não tem estrutura argumentativa explícita. C) Errada: a crítica existe, mas é efeito da narrativa e não sua finalidade tipológica. D) Errada: a responsabilidade dos pais é um aspecto secundário. E) Errada: o texto não é predominantemente descritivo.

Referência: Tipologia textual: texto narrativo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Semântica — Significado de Palavras no Contexto

Colégio Militar de Manaus (CMM) 2021 Fundamental

Colégio Militar de Manaus (CMM) — Exército Brasileiro, DECEx/DEPA · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental

Questão anulada

Texto-base:
TEXTO I (Adaptado)

O HOMEM QUE ESPALHOU O DESERTO

Quando menino, costumava apanhar a tesoura da mãe e ia para o quintal, cortando folhas das árvores. Havia mangueiras, abacateiros, ameixeiras, pessegueiros e até mesmo jabuticabeiras. Um quintal enorme, que parecia uma chácara e onde o menino passava o dia cortando folhas. A mãe gostava, assim ele não ia para a rua, não andava em más companhias. E sempre que o menino apanhava o seu caminhão de madeira (naquele tempo, ainda não havia os caminhões de plástico, felizmente) e cruzava o portão, a mãe corria com a tesoura: tome filhinho, venha brincar com as suas folhas. Ele voltava e cortava. As árvores levavam vantagem, porque eram imensas e o menino pequeno. O seu trabalho rendia pouco, apesar do dia a dia constante, de manhã à noite.

Mas o menino cresceu, ganhou tesouras maiores. Parecia determinado, à medida que o tempo passava, a acabar com as folhas todas. Dominado por uma estranha impulsão, ele não queria ir à escola, não queria ir ao cinema, não tinha namoradas ou amigos. Apenas tesouras, das mais diversas qualidades e tipos. Dormia com elas no quarto. À noite, com uma pedra de amolar, afiava bem os cortes, preparando-as para as tarefas do dia seguinte. Às vezes, deixava aberta a janela, para que o luar brilhasse nas tesouras polidas.

A mãe, muito contente, apesar do filho detestar a escola e ir mal nas letras. Todavia, era um menino comportado, não saía de casa, não andava em más companhias, não se embriagava aos sábados como os outros meninos do quarteirão, não frequentava ruas suspeitas onde mulheres pintadas exageradamente se postavam às janelas, chamando os incautos. Seu único prazer eram as tesouras e o corte das folhas.

Só que, agora, ele era maior e as árvores começaram a perder. Ele demorou apenas uma semana para limpar a jabuticabeira. Quinze dias para a mangueira menor e vinte e cinco para a maior. Quarenta dias para o abacateiro que era imenso, tinha mais de cinquenta anos. E seis meses depois, quando concluiu, já a jabuticabeira tinha novas folhas e ele precisou recomeçar.

Certa noite, regressando do quintal agora silencioso, porque o desbastamento das árvores tinha afugentado pássaros e destruído ninhos, ele concluiu que de nada adiantaria podar as folhas. Elas se recomporiam sempre. É uma capacidade da natureza, morrer e reviver. Como o seu cérebro era diminuto, ele demorou meses para encontrar a solução: um machado.

Numa terça-feira, bem cedo, que não era de perder tempo, começou a derrubada do abacateiro. Levou dez dias, porque não estava habituado a manejar machados, as mãos calejaram, sangraram. Adquirida a prática, limpou o quintal e descansou aliviado.

Mas insatisfeito, porque agora passava os dias a olhar aquela desolação, ele saiu de machado em punho, para os arredores da cidade. Onde encontrava árvore, capões, matos, atacava, limpava, deixava os montes de lenha arrumadinhos para quem quisesse se servir. Os donos dos terrenos não se importavam, estavam em via de vendê-los para fábricas ou imobiliárias e precisavam de tudo limpo mesmo. E o homem do machado descobriu que podia ganhar a vida com o seu instrumento. Onde quer que precisassem derrubar árvores, ele era chamado. Não parava. Contratou uma secretária para organizar uma agenda. Depois, auxiliares. Montou uma companhia, construiu edifícios para guardar machados, abrigar seus operários devastadores. Importou tratores e máquinas especializadas do estrangeiro. Mandou assistentes fazerem cursos nos Estados Unidos e Europa. Eles voltaram peritos de primeira linha. E trabalhavam, derrubavam. Foram do sul ao norte, não deixando nada em pé. Onde quer que houvesse uma folha verde, lá estava uma tesoura, um machado, um aparelho eletrônico para arrasar.

E enquanto ele ficava milionário, o país se transformava num deserto, terra calcinada. E então, o governo, para remediar, mandou buscar em Israel técnicos especializados em tornar férteis as terras do deserto. E os homens mandaram plantar árvores. E enquanto as árvores eram plantadas, o homem do machado ensinava ao filho sua profissão.

BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Cadeiras proibidas. Rio de Janeiro. Editora Codecri, 1979.

Comando da questão: Indique a alternativa cuja frase tenha o mesmo sentido que se evidencia na palavra em destaque no trecho “Ele demorou apenas uma semana para limpar a jabuticabeira.” (4° parágrafo). A palavra “limpar” aparece sublinhada (destaque).
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