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Colégio Militar do Rio de Janeiro — Concurso de Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental 2021/2022 — Exame Intelectual (Matemática, Língua Portuguesa e Produçã…

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro — DECEx/DEPA) · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro2021Fundamental

25 questões nesta prova · página 1 de 2 · 24 com gabarito

Matemática Mínimo Múltiplo Comum

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro — DECEx/DEPA) · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Nas olimpíadas internas do Colégio Militar do Rio de Janeiro (CMRJ), os alunos Ana Vilela, Mateus Furtado e Letícia Cardoso participaram de uma corrida de atletismo. Para completarem uma volta na pista, os tempos deles são, respectivamente, 1,5 minuto; 1,8 minuto e 2 minutos. Considerando que eles partem do mesmo local e no mesmo instante, após algum tempo, os três se encontram pela primeira vez no local de partida.
Um segundo após eles terem se encontrado pela terceira vez, Ana Vilela terá dado quantas voltas na pista?
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Terceiro encontro em 3240 s; Ana terá dado 36 voltas completas.

Os tempos são 90 s, 108 s e 120 s, e o MMC é 1080 s, que é o primeiro encontro. O terceiro encontro ocorre em 3 × 1080 = 3240 s. Nesse instante Ana deu 3240/90 = 36 voltas, e um segundo depois ainda tem 36 voltas completas.

Análise das alternativas

18 e 27 correspondem ao primeiro e ao terceiro encontro calculados de modo errado; 28 e 30 não correspondem às contas. Apenas 36 é compatível com 3240 s.

Referência: MMC: problemas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Matemática Frações — Problemas

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

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Gabarito disponível

Um grupo de alunos do Colégio Militar do Rio de Janeiro (CMRJ) participará de uma olimpíada de Matemática, no Colégio Militar de Brasília (CMB). A viagem de ônibus será de 3 dias e, no caminho, os alunos do CMRJ visitarão os Colégios Militares de Juiz de Fora e de Belo Horizonte. No primeiro dia de viagem, chegarão ao Colégio de Juiz de Fora, percorrendo 1/7 do percurso total. No segundo dia, chegarão ao Colégio de Belo Horizonte, quando terão percorrido 1/4 do que faltava para chegar ao CMB. No terceiro dia, completarão a viagem, percorrendo os últimos 810km.

O percurso total, em quilômetros, percorrido pelo ônibus é um número compreendido entre
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Percurso total = 1260 km.

Seja x o percurso. No 1º dia andam x/7 e restam 6x/7. No 2º dia andam 1/4 do que faltava, 3x/14, e restam 6x/7 − 3x/14 = 9x/14. Como isso é igual a 810 km, x = 810 × 14/9 = 1260 km, que está entre 1254 e 1350.

Análise das alternativas

As demais faixas não contêm 1260: A (1085–1180), B (1182–1198), C (1200–1221) e D (1222–1253).

Referência: Frações: problemas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Matemática Expressões Numéricas

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

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Na tabela a seguir, os símbolos são elementos do conjunto dos números Naturais.

Tabela com quatro linhas: triângulo (Δ) = 2021 × 2021 ÷ 2021 − 2021; quadrado preto × flor de quatro pétalas = 36; quadrado preto + flor = 37; quadrado preto − flor = losango preto.

Sabe-se que E = losango/7 + (losango × losango)/5 − Δ/35.

Determine o valor do número consecutivo par de E.
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Matemática Média Aritmética

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

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A tabela mostra todos os professores de matemática do CMRJ, até o início do ano de 2020. No último dia do mesmo ano, o professor Almir se aposentou e foi substituído por outro de 24 anos de idade. Com isso a média das idades dos professores de Matemática diminuiu 2 anos. A idade, em anos, do professor Almir, quando se aposentou era

Professor | Idade
Odorico | 44
Madalena | 40
Mayara | 31
Nicolle | 29
Rafaela | 28
Ignez | 55
Adalberto | 33
Marlene | 28
Almir | ?
Andréa | 42
Mafalda | 28
Lorena | 26
Isabely | 50
Gisele | 44
Alexandre | 43
Bruno | 47
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Resolução comentada

Idade de Almir = 56 anos.

Há 16 professores, e a soma das idades dos outros 15 é 568. A média caiu 2 anos com a troca de Almir por um professor de 24 anos, então a soma caiu 16 × 2 = 32. Logo, A − 24 = 32, e A = 56.

Análise das alternativas

As demais idades (48, 50, 54 e 58) não geram queda de exatamente 2 anos na média, que exige diferença de 32 anos entre Almir e o substituto.

Referência: Média aritmética.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Matemática Volume do Paralelepípedo

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

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Os pódios usados em competições costumam ser formados por três paralelepípedos retângulos justapostos. Sabe-se que as dimensões do pódio utilizado para o futebol, por exemplo, precisam ser maiores do que as dimensões do pódio utilizado em competições individuais.

Figura 1: pódio utilizado em competições individuais — três blocos justapostos (o central mais alto, com o logotipo Tokyo 2020).

Figura 2: pódio utilizado para o futebol olímpico — três blocos justapostos, mais largos e mais baixos que os da Figura 1, com o logotipo Tokyo 2020 no bloco central.

Sobre as dimensões da Figura 1, sabe-seque são três paralelepípedos justapostos de alturas 17,5cm, 28cm e 40cm;sabe-se também que a base é um retângulo, formado por 3 quadrados idênticos, conforme a figura 3:

Figura 3: vista da base do pódio — retângulo formado por três quadrados iguais lado a lado, com comprimento total de 1,5m e largura de 50cm.

Se o volume total da figura 1 equivale a 7% do volume total da figura 2, o volume total da figura 2, em metros cúbicos, é, aproximadamente
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Matemática Porcentagem

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

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Gabarito disponível

Por conta de seus poderes, o Aquaman, famoso super-herói dos mares, não pode ser um dos atletas das olimpíadas de Tóquio. Então, ele decidiu usar o tempo livre para treinar mergulho nas profundezas.
A tabela a seguir mostra a temperatura das águas do Oceano Atlântico, em determinada época do ano (ao nível do Equador), em função da profundidade:

| Profundidade | Temperatura
A | Superfície | 28°C
B | 100m | 22°C
C | 400m | 12°C
D | 1100m | 8°C
E | 3500m | 4,3°C

A temperatura de um ser humano comum costuma variar entre 36,1°C e 37,2°C;mas o corpo do Aquaman possui temperatura 78% menor que a média aritmética entre os extremos da temperatura de um ser humano comum.
Desse modo, a que profundidade ele precisa mergulhar para que a temperatura de seu corpo e a da água tenham valores o mais aproximado possível?
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Resolução comentada

Temperatura do Aquaman ≈ 8,06 °C, mais próxima de 8 °C (1100 m).

A média entre 36,1 e 37,2 é 36,65 °C. Ser 78% menor significa ficar com 22% desse valor: 0,22 × 36,65 ≈ 8,06 °C. O valor mais próximo da tabela é 8 °C, a 1100 m (alternativa D).

Análise das alternativas

A (28 °C), B (22 °C), C (12 °C) e E (4,3 °C) estão mais distantes de 8,06 °C que a temperatura de 8 °C da alternativa D.

Referência: Porcentagem e média aritmética.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Matemática Sólidos Geométricos

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Observe os sólidos geométricos a seguir, aos quais associamos valores numéricos. Sabe-se que:

A é um poliedro com 12 arestas
B não é um poliedro
C é um prisma
D é um poliedro com 4 faces e
E é um poliedro que possui uma face pentagonal

Cinco sólidos, cada um com um número abaixo, da esquerda para a direita: prisma de base triangular (86); pirâmide de base hexagonal (5); pirâmide de base pentagonal (480); pirâmide de base quadrada (12); cone (20).

Com base nas informações acima, determine o valor de A ÷ {B × [C − D × (D − E)]}
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Matemática Volume do Cubo

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

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Na gráfica do CMRJ, existe um galpão retangular que serve de depósito para as caixas de papel. O Sargento De Aguiaré o responsável pelo armazenamento desse material. Ele coordena desde a confecção até o armazenamento das caixas. Para confeccionar cada uma das caixas, utiliza-se uma placa de papelão de 1,92m² de área (Figura1), de onde são destacados 6 quadrados. Com a parte destacada, monta-se um cubo.

Figura 1: placa retangular dividida em quadrados iguais, 3 linhas por 4 colunas na região central; seis quadrados sombreados formam a planificação de um cubo em cruz.

Em um determinado dia, o Sargento conseguiu colocar a quantidade de caixas representada na figura 2 e estabeleceu como desafio armazenar o dobro dessa quantidade no dia seguinte.

Sabendo que De Aguiar cumpriu o desafio, ao final desses dois dias de trabalho, que volume do galpão ainda estará vazio?

Figura 2: galpão em forma de paralelepípedo, em perspectiva, com caixas cúbicas empilhadas junto às paredes do fundo e da esquerda e uma fileira de caixas ao longo da parede do fundo.
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Matemática Porcentagem — Aumentos e Descontos Sucessivos

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

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No mês de janeiro do ano de 2021, o preço do hambúrguer da cantina do CMRJ aumentou 20% sobre o preço cobrado até o último dia do ano anterior. Em março de 2021, porém, percebeu-se que o consumo caiu muito e, então, no primeiro dia de abril, houve um desconto de 20% sobre o preço de março. Em agosto, com a venda de hambúrguer ainda em queda, houve um desconto de 10% sobre o preço do final do mês de abril.

Desse modo, o preço final do hambúrguer, em relação a dezembro de 2020, sofreu um desconto de
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Resolução comentada

Fator acumulado 1,2 × 0,8 × 0,9 = 0,864, ou seja, desconto de 13,6%.

Os fatores sucessivos são 1,20 (aumento de 20%), 0,80 (desconto de 20%) e 0,90 (desconto de 10%). O produto é 0,864, então o preço final é 86,4% do inicial. O desconto total é 100% − 86,4% = 13,6%.

Análise das alternativas

A) 10% somaria os percentuais e ignoraria a incidência sobre bases diferentes. B) 21,2% não corresponde a nenhum cálculo correto. D) 4% é uma soma incorreta (+20 −20 −10 não dá isso). E) 18,2% é incorreto, pois o fator correto é 0,864.

Referência: Porcentagem: aumentos e descontos sucessivos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Matemática Frações — Problemas

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Durante as olimpíadas internas do CMRJ, o responsável pela cozinha da delegação dos atletas de judô fez duas perguntas ao grupo:

1) Você come carne?
2) Você come legumes?

Todos os atletas responderam às duas perguntas. A partir das respostas, sabe-se que todos os atletas que comem legumes também comem carne, e que 22 atletas comem carne, mas não comem legumes. O questionário permitiu também que se chegasse às seguintes frações:

Quadro com duas frações: (número de atletas que comem carne) / (total de atletas) = 13/18; (número de atletas que comem legumes) / (total de atletas) = 5/12.

Com base nessas informações, determine quantos atletas não comem legumes.
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Matemática Interpretação de Gráficos

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

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O gráfico a seguir mostra o total de medalhas (ouro+prata+bronze) conquistadas por 4 países participantes das edições dos anos de 2016 e de 2020 dos jogos olímpicos internacionais.

Gráfico de barras do total de medalhas, 2016 (preto) e 2020 (cinza): Estados Unidos 121 e 113; China 70 e 88; Grã-Bretanha 67 e 65; Brasil 19 e 21. Eixo vertical de 0 a 140.

Sobre esses dados pode-se dizer que
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Matemática Sistema Monetário

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

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No CMRJ, todas as sextas-feiras, acontece o desfile dos alunos. Para dar mais conforto ao corpo de alunos, decidiu-se pavimentar o trecho principal da alameda usada como passarela. Pelos cálculos do pelotão de obras, precisa-se de um total de 46 metros cúbicos de concreto para o novo pavimento.
Depois de um rigoroso estudo de preços, contratou-se uma empresa de betoneiras (veículos que transportam concreto), a “Cimentão”.

Por questões técnicas, cada betoneira precisa sempre estar com sua capacidade total de concreto. O quadro a seguir nos traz os 3 modelos disponíveis de betoneiras, a capacidade máxima de cada uma, o preço cobrado pela empresa por cada metro cúbico e o preço de cada viagem (frete).

Quadro da empresa Cimentão Betoneiras com colunas Modelo de betoneira, Ilustração, Capacidade total em metros cúbicos, Cada metro cúbico de concreto (R$) e Cada viagem (R$). Modelo A: 6; 70,00; 40,00. Modelo B: 8; 62,50; 55,00. Modelo C: 10; 72,60; 68,00. Cada linha traz a foto de um caminhão betoneira. Imagens: planarequipamentos.com.br.

O pelotão de obras optou pelo modelo B e só vai adquirir os 46 metros cúbicos necessários para a obra. A “Cimentão” informou que cobra uma multa de R$ 16,55 por cada metro cúbico de concreto que sobrar na betoneira. Desse modo, o preço total pago estará entre
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Língua Portuguesa Interpretação de Texto

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Texto-base:
TEXTO I
NO RETIRO DA FIGUEIRA
(Moacyr Scliar)

01 Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso.
Bem como dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranquilo, um dos últimos locais – dizia o
anúncio – onde você pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá,
ouvimos o bem-te-vi. E também constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como
05 o prospecto as descrevia: estilo moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os
pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao
condomínio: Retiro da Figueira.

Mas o que mais agradou à minha mulher foi a segurança. Durante todo o trajeto de volta à
cidade – e eram uns bons cinquenta minutos – ela falou, entusiasmada, da cerca eletrificada, das
10 torres de vigia, dos holofotes, do sistema de alarmes – e sobretudo dos guardas. Oito guardas,
homens fortes, decididos – mas amáveis, educados. Aliás, quem nos recebeu naquela visita, e na
seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão inteligente e culto que logo pensei: “ah, mas ele deve ser
formado em alguma universidade”. De fato: no decorrer da conversa ele mencionou – mas de
maneira casual – que era formado em Direito. O que só fez aumentar o entusiasmo de minha mulher.

15 Ela andava muito assustada ultimamente. Os assaltos violentos se sucediam na vizinhança;
trancas e porteiros eletrônicos já não detinham os criminosos. Todos os dias sabíamos de alguém
roubado e espancado; (...) minha mulher decidiu – tínhamos de mudar de bairro. Tínhamos de
procurar um lugar seguro.

Foi então que enfiaram o prospecto colorido sob nossa porta. Às vezes penso que se
20 morássemos num edifício mais seguro, o portador daquela mensagem publicitária nunca teria
chegado a nós, e, talvez... Mas isto agora são apenas suposições. De qualquer modo, minha mulher
ficou encantada com o Retiro da Figueira. Meus filhos estavam vidrados nos pôneis. E eu acabava de
ser promovido na firma. As coisas todas se encadearam, e o que começou com um prospecto sendo
enfiado sob a porta transformou-se – como dizia o texto – num novo estilo de vida.

25 Não fomos o primeiro a comprar casa no Retiro da Figueira. Pelo contrário, entre nossa
primeira visita e a segunda – uma semana após – a maior parte das trinta residências já tinha sido
vendida. O chefe dos guardas me apresentou a alguns dos compradores. Gostei deles: gente como
eu, diretores de empresa, profissionais liberais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto.
E quase todos tinham se decidido pelo lugar por causa da segurança. Naquela semana descobri que
30 o prospecto tinha sido enviado a uma quantidade limitada de pessoas. Na minha firma, por exemplo,
só eu o tinha recebido. Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção cuidadosa de futuros moradores
– e viu mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando tudo muito bom. Bom demais.

Mudamo-nos. A vida lá era realmente um encanto. Os bem-te-vis eram pontuais: às sete da
manhã, começavam seu concerto. Os pôneis eram mansos, as aleias ensaibradas estavam sempre
35 limpas. A brisa agitava as árvores do parque – cento e doze, bem como dizia o prospecto. Por outro
lado, o sistema de alarmes era impecável. Os guardas compareciam periodicamente à nossa casa
para ver se estava tudo bem – sempre gentis, sempre sorridentes. O chefe deles era uma pessoa
particularmente interessada: organizava festas e torneios, preocupava-se com nosso bem-estar. Fez
uma lista dos parentes e amigos dos moradores – para qualquer emergência, explicou, com um
40 sorriso tranquilizador. O primeiro mês decorreu – tal como prometido no prospecto – num clima de
sonho. De sonho, mesmo.

Uma manhã de domingo, muito cedo – lembro-me que os bem-te-vis ainda não tinham
começado a cantar – soou a sirene de alarmes. Nunca tinha tocado antes, de modo que ficamos um
pouco assustados – um pouco, não muito. Mas sabíamos o que fazer: nos dirigimos, em ordem, ao
45 salão e festas, perto do lago. Quase todos ainda de roupão ou pijama.

O chefe dos guardas estava lá, ladeado por seus homens, todos armados de fuzis. Fez-nos
sentar, ofereceu café. Depois, sempre pedindo desculpas pelo transtorno, explicou o motivo da
reunião: é que havia marginais nos matos ao redor do Retiro e ele, avisado pela polícia, decidira pedir
que não saíssemos naquele domingo.

50 - Afinal – disse, em tom de gracejo – está um belo domingo, os pôneis estão aí mesmo, as
quadras de tênis...

Era mesmo um homem muito simpático. Ninguém chegou a ficar verdadeiramente
contrariado.

Contrariados ficaram alguns no dia seguinte, quando a sirene tornou a soar de madrugada.
55 Reunimo-nos de novo no salão de festas, uns resmungando que era segunda-feira, dia de trabalho.
Sempre sorrindo, o chefe dos guardas pediu desculpas novamente e disse que infelizmente não
poderíamos sair – os marginais continuavam nos matos, soltos. Gente perigosa; entre eles, dois
assassinos foragidos. À pergunta de um irado cirurgião, o chefe dos guardas respondeu que, mesmo
de carro, não poderíamos sair; os bandidos poderiam bloquear a estreita estrada do Retiro.

60 — E vocês, por que não nos acompanham? — perguntou o cirurgião.

— E quem vai cuidar da família de vocês? – disse o chefe dos guardas, sempre sorrindo.

Ficamos retidos naquele dia e no seguinte. Foi aí que a polícia cercou o local: dezenas de
viaturas com homens armados, alguns com máscaras contra gases. De nossas janelas, nós os víamos
e reconhecíamos: o chefe dos guardas estava com a razão.

65 Passávamos o tempo jogando cartas, passeando ou simplesmente não fazendo nada. Alguns
estavam até gostando. Eu não. Pode parecer presunção dizer isto agora, mas eu não estava gostando
nada daquilo.

Foi no quarto dia que o avião desceu no campo de pouso. Um jatinho. Corremos para lá.

Um homem desceu e entregou uma maleta ao chefe dos guardas. Depois olhou para nós —
70 amedrontado, pareceu-me — e saiu pelo portão da entrada, quase correndo.

O chefe dos guardas fez sinal para que não nos aproximássemos. Entrou no avião. Deixou a
porta aberta, e assim pudemos ver que examinava o conteúdo da maleta. Fechou-a, chegou à porta e
fez um sinal. Os guardas vieram correndo, entraram todos no jatinho. A porta se fechou, o avião
decolou e sumiu.

75 Nunca mais vimos o chefe e seus homens. Mas estou certo de que estão aproveitando o
dinheiro pago por nosso resgate. Uma quantia suficiente para construir dez condomínios iguais ao
nosso – que eu, diga-se de passagem, sempre achei que era bom demais.

(Adaptado de SCLIAR, Moacyr. No Retiro da Figueira. – Contos contemporâneos. São Paulo: Moderna, 2005. p. 76.)

Para organizar e executar todos os protocolos de segurança do condomínio, o chefe dos guardas se comportou de forma educada e impecável, o que lhe rendeu elogios que, nos parágrafos 2 e 6 do TEXTO I, dão a ele a imagem de
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O chefe dos guardas aparece como solícito, atencioso com os moradores.

Nos parágrafos 2 e 6, ele é descrito como amável, educado, interessado, preocupado com o bem-estar dos moradores, e organiza festas e torneios. Isso o mostra como solícito e atencioso.

Análise das alternativas

A) 'Lúgubre' (sombrio) não combina com quem organiza festas. B) 'Apático' contraria o interesse que ele demonstra. D) A 'hipocrisia' só é percebida depois, e o enunciado pede a imagem que os elogios dão a ele. E) 'Enigmático' não é a imagem dada pelos elogios do trecho.

Referência: Interpretação de texto: caracterização de personagem.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

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Texto-base:
TEXTO I
NO RETIRO DA FIGUEIRA
(Moacyr Scliar)

01 Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso.
Bem como dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranquilo, um dos últimos locais – dizia o
anúncio – onde você pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá,
ouvimos o bem-te-vi. E também constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como
05 o prospecto as descrevia: estilo moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os
pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao
condomínio: Retiro da Figueira.

Mas o que mais agradou à minha mulher foi a segurança. Durante todo o trajeto de volta à
cidade – e eram uns bons cinquenta minutos – ela falou, entusiasmada, da cerca eletrificada, das
10 torres de vigia, dos holofotes, do sistema de alarmes – e sobretudo dos guardas. Oito guardas,
homens fortes, decididos – mas amáveis, educados. Aliás, quem nos recebeu naquela visita, e na
seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão inteligente e culto que logo pensei: “ah, mas ele deve ser
formado em alguma universidade”. De fato: no decorrer da conversa ele mencionou – mas de
maneira casual – que era formado em Direito. O que só fez aumentar o entusiasmo de minha mulher.

15 Ela andava muito assustada ultimamente. Os assaltos violentos se sucediam na vizinhança;
trancas e porteiros eletrônicos já não detinham os criminosos. Todos os dias sabíamos de alguém
roubado e espancado; (...) minha mulher decidiu – tínhamos de mudar de bairro. Tínhamos de
procurar um lugar seguro.

Foi então que enfiaram o prospecto colorido sob nossa porta. Às vezes penso que se
20 morássemos num edifício mais seguro, o portador daquela mensagem publicitária nunca teria
chegado a nós, e, talvez... Mas isto agora são apenas suposições. De qualquer modo, minha mulher
ficou encantada com o Retiro da Figueira. Meus filhos estavam vidrados nos pôneis. E eu acabava de
ser promovido na firma. As coisas todas se encadearam, e o que começou com um prospecto sendo
enfiado sob a porta transformou-se – como dizia o texto – num novo estilo de vida.

25 Não fomos o primeiro a comprar casa no Retiro da Figueira. Pelo contrário, entre nossa
primeira visita e a segunda – uma semana após – a maior parte das trinta residências já tinha sido
vendida. O chefe dos guardas me apresentou a alguns dos compradores. Gostei deles: gente como
eu, diretores de empresa, profissionais liberais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto.
E quase todos tinham se decidido pelo lugar por causa da segurança. Naquela semana descobri que
30 o prospecto tinha sido enviado a uma quantidade limitada de pessoas. Na minha firma, por exemplo,
só eu o tinha recebido. Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção cuidadosa de futuros moradores
– e viu mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando tudo muito bom. Bom demais.

Mudamo-nos. A vida lá era realmente um encanto. Os bem-te-vis eram pontuais: às sete da
manhã, começavam seu concerto. Os pôneis eram mansos, as aleias ensaibradas estavam sempre
35 limpas. A brisa agitava as árvores do parque – cento e doze, bem como dizia o prospecto. Por outro
lado, o sistema de alarmes era impecável. Os guardas compareciam periodicamente à nossa casa
para ver se estava tudo bem – sempre gentis, sempre sorridentes. O chefe deles era uma pessoa
particularmente interessada: organizava festas e torneios, preocupava-se com nosso bem-estar. Fez
uma lista dos parentes e amigos dos moradores – para qualquer emergência, explicou, com um
40 sorriso tranquilizador. O primeiro mês decorreu – tal como prometido no prospecto – num clima de
sonho. De sonho, mesmo.

Uma manhã de domingo, muito cedo – lembro-me que os bem-te-vis ainda não tinham
começado a cantar – soou a sirene de alarmes. Nunca tinha tocado antes, de modo que ficamos um
pouco assustados – um pouco, não muito. Mas sabíamos o que fazer: nos dirigimos, em ordem, ao
45 salão e festas, perto do lago. Quase todos ainda de roupão ou pijama.

O chefe dos guardas estava lá, ladeado por seus homens, todos armados de fuzis. Fez-nos
sentar, ofereceu café. Depois, sempre pedindo desculpas pelo transtorno, explicou o motivo da
reunião: é que havia marginais nos matos ao redor do Retiro e ele, avisado pela polícia, decidira pedir
que não saíssemos naquele domingo.

50 - Afinal – disse, em tom de gracejo – está um belo domingo, os pôneis estão aí mesmo, as
quadras de tênis...

Era mesmo um homem muito simpático. Ninguém chegou a ficar verdadeiramente
contrariado.

Contrariados ficaram alguns no dia seguinte, quando a sirene tornou a soar de madrugada.
55 Reunimo-nos de novo no salão de festas, uns resmungando que era segunda-feira, dia de trabalho.
Sempre sorrindo, o chefe dos guardas pediu desculpas novamente e disse que infelizmente não
poderíamos sair – os marginais continuavam nos matos, soltos. Gente perigosa; entre eles, dois
assassinos foragidos. À pergunta de um irado cirurgião, o chefe dos guardas respondeu que, mesmo
de carro, não poderíamos sair; os bandidos poderiam bloquear a estreita estrada do Retiro.

60 — E vocês, por que não nos acompanham? — perguntou o cirurgião.

— E quem vai cuidar da família de vocês? – disse o chefe dos guardas, sempre sorrindo.

Ficamos retidos naquele dia e no seguinte. Foi aí que a polícia cercou o local: dezenas de
viaturas com homens armados, alguns com máscaras contra gases. De nossas janelas, nós os víamos
e reconhecíamos: o chefe dos guardas estava com a razão.

65 Passávamos o tempo jogando cartas, passeando ou simplesmente não fazendo nada. Alguns
estavam até gostando. Eu não. Pode parecer presunção dizer isto agora, mas eu não estava gostando
nada daquilo.

Foi no quarto dia que o avião desceu no campo de pouso. Um jatinho. Corremos para lá.

Um homem desceu e entregou uma maleta ao chefe dos guardas. Depois olhou para nós —
70 amedrontado, pareceu-me — e saiu pelo portão da entrada, quase correndo.

O chefe dos guardas fez sinal para que não nos aproximássemos. Entrou no avião. Deixou a
porta aberta, e assim pudemos ver que examinava o conteúdo da maleta. Fechou-a, chegou à porta e
fez um sinal. Os guardas vieram correndo, entraram todos no jatinho. A porta se fechou, o avião
decolou e sumiu.

75 Nunca mais vimos o chefe e seus homens. Mas estou certo de que estão aproveitando o
dinheiro pago por nosso resgate. Uma quantia suficiente para construir dez condomínios iguais ao
nosso – que eu, diga-se de passagem, sempre achei que era bom demais.

(Adaptado de SCLIAR, Moacyr. No Retiro da Figueira. – Contos contemporâneos. São Paulo: Moderna, 2005. p. 76.)

Assinale a alternativa que apresenta um trecho do TEXTO I que serve para explicitar a desconfiança prévia do narrador com relação à segurança no Retiro da Figueira.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A desconfiança prévia aparece em 'estava achando tudo muito bom. Bom demais'.

A expressão 'bom demais' indica que o narrador já suspeitava de algo errado antes dos acontecimentos. A repetição dela no início e no fim do conto reforça essa desconfiança.

Análise das alternativas

A) Apenas informa que só ele recebeu o prospecto. B) Apenas informa que outros já haviam comprado. D) Expressa certeza posterior ao fato (o resgate), não desconfiança prévia. E) Descreve o tempo de retenção, já durante o sequestro.

Referência: Interpretação de texto (linha 32 do texto original).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro — DECEx/DEPA) · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I
NO RETIRO DA FIGUEIRA
(Moacyr Scliar)

01 Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso.
Bem como dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranquilo, um dos últimos locais – dizia o
anúncio – onde você pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá,
ouvimos o bem-te-vi. E também constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como
05 o prospecto as descrevia: estilo moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os
pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao
condomínio: Retiro da Figueira.

Mas o que mais agradou à minha mulher foi a segurança. Durante todo o trajeto de volta à
cidade – e eram uns bons cinquenta minutos – ela falou, entusiasmada, da cerca eletrificada, das
10 torres de vigia, dos holofotes, do sistema de alarmes – e sobretudo dos guardas. Oito guardas,
homens fortes, decididos – mas amáveis, educados. Aliás, quem nos recebeu naquela visita, e na
seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão inteligente e culto que logo pensei: “ah, mas ele deve ser
formado em alguma universidade”. De fato: no decorrer da conversa ele mencionou – mas de
maneira casual – que era formado em Direito. O que só fez aumentar o entusiasmo de minha mulher.

15 Ela andava muito assustada ultimamente. Os assaltos violentos se sucediam na vizinhança;
trancas e porteiros eletrônicos já não detinham os criminosos. Todos os dias sabíamos de alguém
roubado e espancado; (...) minha mulher decidiu – tínhamos de mudar de bairro. Tínhamos de
procurar um lugar seguro.

Foi então que enfiaram o prospecto colorido sob nossa porta. Às vezes penso que se
20 morássemos num edifício mais seguro, o portador daquela mensagem publicitária nunca teria
chegado a nós, e, talvez... Mas isto agora são apenas suposições. De qualquer modo, minha mulher
ficou encantada com o Retiro da Figueira. Meus filhos estavam vidrados nos pôneis. E eu acabava de
ser promovido na firma. As coisas todas se encadearam, e o que começou com um prospecto sendo
enfiado sob a porta transformou-se – como dizia o texto – num novo estilo de vida.

25 Não fomos o primeiro a comprar casa no Retiro da Figueira. Pelo contrário, entre nossa
primeira visita e a segunda – uma semana após – a maior parte das trinta residências já tinha sido
vendida. O chefe dos guardas me apresentou a alguns dos compradores. Gostei deles: gente como
eu, diretores de empresa, profissionais liberais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto.
E quase todos tinham se decidido pelo lugar por causa da segurança. Naquela semana descobri que
30 o prospecto tinha sido enviado a uma quantidade limitada de pessoas. Na minha firma, por exemplo,
só eu o tinha recebido. Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção cuidadosa de futuros moradores
– e viu mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando tudo muito bom. Bom demais.

Mudamo-nos. A vida lá era realmente um encanto. Os bem-te-vis eram pontuais: às sete da
manhã, começavam seu concerto. Os pôneis eram mansos, as aleias ensaibradas estavam sempre
35 limpas. A brisa agitava as árvores do parque – cento e doze, bem como dizia o prospecto. Por outro
lado, o sistema de alarmes era impecável. Os guardas compareciam periodicamente à nossa casa
para ver se estava tudo bem – sempre gentis, sempre sorridentes. O chefe deles era uma pessoa
particularmente interessada: organizava festas e torneios, preocupava-se com nosso bem-estar. Fez
uma lista dos parentes e amigos dos moradores – para qualquer emergência, explicou, com um
40 sorriso tranquilizador. O primeiro mês decorreu – tal como prometido no prospecto – num clima de
sonho. De sonho, mesmo.

Uma manhã de domingo, muito cedo – lembro-me que os bem-te-vis ainda não tinham
começado a cantar – soou a sirene de alarmes. Nunca tinha tocado antes, de modo que ficamos um
pouco assustados – um pouco, não muito. Mas sabíamos o que fazer: nos dirigimos, em ordem, ao
45 salão e festas, perto do lago. Quase todos ainda de roupão ou pijama.

O chefe dos guardas estava lá, ladeado por seus homens, todos armados de fuzis. Fez-nos
sentar, ofereceu café. Depois, sempre pedindo desculpas pelo transtorno, explicou o motivo da
reunião: é que havia marginais nos matos ao redor do Retiro e ele, avisado pela polícia, decidira pedir
que não saíssemos naquele domingo.

50 - Afinal – disse, em tom de gracejo – está um belo domingo, os pôneis estão aí mesmo, as
quadras de tênis...

Era mesmo um homem muito simpático. Ninguém chegou a ficar verdadeiramente
contrariado.

Contrariados ficaram alguns no dia seguinte, quando a sirene tornou a soar de madrugada.
55 Reunimo-nos de novo no salão de festas, uns resmungando que era segunda-feira, dia de trabalho.
Sempre sorrindo, o chefe dos guardas pediu desculpas novamente e disse que infelizmente não
poderíamos sair – os marginais continuavam nos matos, soltos. Gente perigosa; entre eles, dois
assassinos foragidos. À pergunta de um irado cirurgião, o chefe dos guardas respondeu que, mesmo
de carro, não poderíamos sair; os bandidos poderiam bloquear a estreita estrada do Retiro.

60 — E vocês, por que não nos acompanham? — perguntou o cirurgião.

— E quem vai cuidar da família de vocês? – disse o chefe dos guardas, sempre sorrindo.

Ficamos retidos naquele dia e no seguinte. Foi aí que a polícia cercou o local: dezenas de
viaturas com homens armados, alguns com máscaras contra gases. De nossas janelas, nós os víamos
e reconhecíamos: o chefe dos guardas estava com a razão.

65 Passávamos o tempo jogando cartas, passeando ou simplesmente não fazendo nada. Alguns
estavam até gostando. Eu não. Pode parecer presunção dizer isto agora, mas eu não estava gostando
nada daquilo.

Foi no quarto dia que o avião desceu no campo de pouso. Um jatinho. Corremos para lá.

Um homem desceu e entregou uma maleta ao chefe dos guardas. Depois olhou para nós —
70 amedrontado, pareceu-me — e saiu pelo portão da entrada, quase correndo.

O chefe dos guardas fez sinal para que não nos aproximássemos. Entrou no avião. Deixou a
porta aberta, e assim pudemos ver que examinava o conteúdo da maleta. Fechou-a, chegou à porta e
fez um sinal. Os guardas vieram correndo, entraram todos no jatinho. A porta se fechou, o avião
decolou e sumiu.

75 Nunca mais vimos o chefe e seus homens. Mas estou certo de que estão aproveitando o
dinheiro pago por nosso resgate. Uma quantia suficiente para construir dez condomínios iguais ao
nosso – que eu, diga-se de passagem, sempre achei que era bom demais.

(Adaptado de SCLIAR, Moacyr. No Retiro da Figueira. – Contos contemporâneos. São Paulo: Moderna, 2005. p. 76.)

Da leitura global do TEXTO I, só é correto afirmar que:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O condomínio ficava fora da cidade, o que o trajeto de cinquenta minutos indica.

O texto diz que o trajeto de volta à cidade levava uns bons cinquenta minutos. Isso comprova que o Retiro ficava distante, fora dos limites urbanos. É a única afirmação correta.

Análise das alternativas

A) O chefe impediu a aproximação para esconder o resgate, não por preocupação com a segurança. B) Ele era sempre gentil e sorridente, não truculento. C) O critério não foi escolaridade, e o narrador atribuía o envio a uma seleção cuidadosa de moradores. D) O texto destaca a segurança como o que mais agradou à esposa, sem compará-la à localização.

Referência: Interpretação de texto (linhas 8-9).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro — DECEx/DEPA) · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO I
NO RETIRO DA FIGUEIRA
(Moacyr Scliar)

01 Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era maravilhoso.
Bem como dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranquilo, um dos últimos locais – dizia o
anúncio – onde você pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verdade: na primeira vez que fomos lá,
ouvimos o bem-te-vi. E também constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como
05 o prospecto as descrevia: estilo moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os
pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de aviação. Vimos a majestosa figueira que dava nome ao
condomínio: Retiro da Figueira.

Mas o que mais agradou à minha mulher foi a segurança. Durante todo o trajeto de volta à
cidade – e eram uns bons cinquenta minutos – ela falou, entusiasmada, da cerca eletrificada, das
10 torres de vigia, dos holofotes, do sistema de alarmes – e sobretudo dos guardas. Oito guardas,
homens fortes, decididos – mas amáveis, educados. Aliás, quem nos recebeu naquela visita, e na
seguinte, foi o chefe deles, um senhor tão inteligente e culto que logo pensei: “ah, mas ele deve ser
formado em alguma universidade”. De fato: no decorrer da conversa ele mencionou – mas de
maneira casual – que era formado em Direito. O que só fez aumentar o entusiasmo de minha mulher.

15 Ela andava muito assustada ultimamente. Os assaltos violentos se sucediam na vizinhança;
trancas e porteiros eletrônicos já não detinham os criminosos. Todos os dias sabíamos de alguém
roubado e espancado; (...) minha mulher decidiu – tínhamos de mudar de bairro. Tínhamos de
procurar um lugar seguro.

Foi então que enfiaram o prospecto colorido sob nossa porta. Às vezes penso que se
20 morássemos num edifício mais seguro, o portador daquela mensagem publicitária nunca teria
chegado a nós, e, talvez... Mas isto agora são apenas suposições. De qualquer modo, minha mulher
ficou encantada com o Retiro da Figueira. Meus filhos estavam vidrados nos pôneis. E eu acabava de
ser promovido na firma. As coisas todas se encadearam, e o que começou com um prospecto sendo
enfiado sob a porta transformou-se – como dizia o texto – num novo estilo de vida.

25 Não fomos o primeiro a comprar casa no Retiro da Figueira. Pelo contrário, entre nossa
primeira visita e a segunda – uma semana após – a maior parte das trinta residências já tinha sido
vendida. O chefe dos guardas me apresentou a alguns dos compradores. Gostei deles: gente como
eu, diretores de empresa, profissionais liberais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto.
E quase todos tinham se decidido pelo lugar por causa da segurança. Naquela semana descobri que
30 o prospecto tinha sido enviado a uma quantidade limitada de pessoas. Na minha firma, por exemplo,
só eu o tinha recebido. Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção cuidadosa de futuros moradores
– e viu mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando tudo muito bom. Bom demais.

Mudamo-nos. A vida lá era realmente um encanto. Os bem-te-vis eram pontuais: às sete da
manhã, começavam seu concerto. Os pôneis eram mansos, as aleias ensaibradas estavam sempre
35 limpas. A brisa agitava as árvores do parque – cento e doze, bem como dizia o prospecto. Por outro
lado, o sistema de alarmes era impecável. Os guardas compareciam periodicamente à nossa casa
para ver se estava tudo bem – sempre gentis, sempre sorridentes. O chefe deles era uma pessoa
particularmente interessada: organizava festas e torneios, preocupava-se com nosso bem-estar. Fez
uma lista dos parentes e amigos dos moradores – para qualquer emergência, explicou, com um
40 sorriso tranquilizador. O primeiro mês decorreu – tal como prometido no prospecto – num clima de
sonho. De sonho, mesmo.

Uma manhã de domingo, muito cedo – lembro-me que os bem-te-vis ainda não tinham
começado a cantar – soou a sirene de alarmes. Nunca tinha tocado antes, de modo que ficamos um
pouco assustados – um pouco, não muito. Mas sabíamos o que fazer: nos dirigimos, em ordem, ao
45 salão e festas, perto do lago. Quase todos ainda de roupão ou pijama.

O chefe dos guardas estava lá, ladeado por seus homens, todos armados de fuzis. Fez-nos
sentar, ofereceu café. Depois, sempre pedindo desculpas pelo transtorno, explicou o motivo da
reunião: é que havia marginais nos matos ao redor do Retiro e ele, avisado pela polícia, decidira pedir
que não saíssemos naquele domingo.

50 - Afinal – disse, em tom de gracejo – está um belo domingo, os pôneis estão aí mesmo, as
quadras de tênis...

Era mesmo um homem muito simpático. Ninguém chegou a ficar verdadeiramente
contrariado.

Contrariados ficaram alguns no dia seguinte, quando a sirene tornou a soar de madrugada.
55 Reunimo-nos de novo no salão de festas, uns resmungando que era segunda-feira, dia de trabalho.
Sempre sorrindo, o chefe dos guardas pediu desculpas novamente e disse que infelizmente não
poderíamos sair – os marginais continuavam nos matos, soltos. Gente perigosa; entre eles, dois
assassinos foragidos. À pergunta de um irado cirurgião, o chefe dos guardas respondeu que, mesmo
de carro, não poderíamos sair; os bandidos poderiam bloquear a estreita estrada do Retiro.

60 — E vocês, por que não nos acompanham? — perguntou o cirurgião.

— E quem vai cuidar da família de vocês? – disse o chefe dos guardas, sempre sorrindo.

Ficamos retidos naquele dia e no seguinte. Foi aí que a polícia cercou o local: dezenas de
viaturas com homens armados, alguns com máscaras contra gases. De nossas janelas, nós os víamos
e reconhecíamos: o chefe dos guardas estava com a razão.

65 Passávamos o tempo jogando cartas, passeando ou simplesmente não fazendo nada. Alguns
estavam até gostando. Eu não. Pode parecer presunção dizer isto agora, mas eu não estava gostando
nada daquilo.

Foi no quarto dia que o avião desceu no campo de pouso. Um jatinho. Corremos para lá.

Um homem desceu e entregou uma maleta ao chefe dos guardas. Depois olhou para nós —
70 amedrontado, pareceu-me — e saiu pelo portão da entrada, quase correndo.

O chefe dos guardas fez sinal para que não nos aproximássemos. Entrou no avião. Deixou a
porta aberta, e assim pudemos ver que examinava o conteúdo da maleta. Fechou-a, chegou à porta e
fez um sinal. Os guardas vieram correndo, entraram todos no jatinho. A porta se fechou, o avião
decolou e sumiu.

75 Nunca mais vimos o chefe e seus homens. Mas estou certo de que estão aproveitando o
dinheiro pago por nosso resgate. Uma quantia suficiente para construir dez condomínios iguais ao
nosso – que eu, diga-se de passagem, sempre achei que era bom demais.

(Adaptado de SCLIAR, Moacyr. No Retiro da Figueira. – Contos contemporâneos. São Paulo: Moderna, 2005. p. 76.)

Com base na leitura do TEXTO I, marque a opção que melhor explica a razão determinante para a escolha do prospecto como meio de divulgação do Retiro da Figueira.
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O prospecto foi usado para atingir um grupo específico de pessoas.

O narrador descobre que o prospecto foi enviado a uma quantidade limitada de pessoas, e os compradores são diretores, profissionais liberais e fazendeiros. Isso indica que o meio foi escolhido para atingir um público seleto, de perfil e poder aquisitivo definidos.

Análise das alternativas

A) Não há menção a economia de custos. C) O envio foi restrito, não em massa. D) Não há foco em donas de casa e filhos. E) Poluição visual não é abordada.

Referência: Interpretação de texto (linhas 29-32).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Significação das Palavras — Antonímia

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro — DECEx/DEPA) · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

Gabarito disponível

Texto-base:
TEXTO II
Era uma vez – Sandy

Era uma vez
Um lugarzinho no meio do nada
Com sabor de chocolate
E cheiro de terra molhada
Era uma vez
A riqueza contra a simplicidade
Uma mostrando pra outra
Quem dava mais felicidade
Pra gente ser feliz
Tem que cultivar as nossas amizades
Os amigos de verdade

Pra gente ser feliz
Tem que mergulhar na própria fantasia
Na nossa liberdade
Uma história de amor
De aventura e de magia
Só tem a ver
Quem já foi criança um dia
Uma história de amor
De aventura e de magia
Só tem a ver
Quem já criança um dia
[...]

(Adaptado de https://www.vagalume.com.br/sandy-junior/era-uma-vez.html)

Nos versos do TEXTO II, “A riqueza contra a simplicidade/ Uma mostrando pra outra/ Quem dava mais felicidade”, percebe-se um par de palavras que estabelecem uma relação de contraste. Esse tipo de relação é também encontrado na alternativa:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Riqueza/simplicidade são opostas, assim como abundância/escassez.

Nos versos, 'riqueza' e 'simplicidade' se contrapõem. Abundância e escassez também são antônimos, o que mantém a relação de contraste.

Análise das alternativas

A) Ambição e sovinice não são opostas (avareza e apego ao dinheiro têm afinidade). B) Opulência e riqueza são sinônimos. D) Abnegação e frustração não são antônimos. E) Resignação e ostracismo não se opõem.

Referência: Semântica: antonímia.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Grau do Substantivo — Valor Semântico do Diminutivo

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro — DECEx/DEPA) · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

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Texto-base:
TEXTO II
Era uma vez – Sandy

Era uma vez
Um lugarzinho no meio do nada
Com sabor de chocolate
E cheiro de terra molhada
Era uma vez
A riqueza contra a simplicidade
Uma mostrando pra outra
Quem dava mais felicidade
Pra gente ser feliz
Tem que cultivar as nossas amizades
Os amigos de verdade

Pra gente ser feliz
Tem que mergulhar na própria fantasia
Na nossa liberdade
Uma história de amor
De aventura e de magia
Só tem a ver
Quem já foi criança um dia
Uma história de amor
De aventura e de magia
Só tem a ver
Quem já criança um dia
[...]

(Adaptado de https://www.vagalume.com.br/sandy-junior/era-uma-vez.html)

Comando da questão: No trecho “um lugarzinho no meio do nada” (TEXTO II), a palavra em destaque sugere, principalmente, um lugar. A palavra “lugarzinho” está em negrito e sublinhada.
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro — DECEx/DEPA) · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

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Texto-base:
TEXTO II
Era uma vez – Sandy

Era uma vez
Um lugarzinho no meio do nada
Com sabor de chocolate
E cheiro de terra molhada
Era uma vez
A riqueza contra a simplicidade
Uma mostrando pra outra
Quem dava mais felicidade
Pra gente ser feliz
Tem que cultivar as nossas amizades
Os amigos de verdade

Pra gente ser feliz
Tem que mergulhar na própria fantasia
Na nossa liberdade
Uma história de amor
De aventura e de magia
Só tem a ver
Quem já foi criança um dia
Uma história de amor
De aventura e de magia
Só tem a ver
Quem já criança um dia
[...]

(Adaptado de https://www.vagalume.com.br/sandy-junior/era-uma-vez.html)

A partir da leitura do TEXTO II, pode-se afirmar que o eu lírico
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

O eu lírico tem afeto pela infância e a valoriza.

A letra evoca a infância com imagens positivas: sabor de chocolate, cheiro de terra molhada, amizades verdadeiras, fantasia, liberdade, amor e magia. Isso mostra predisposição afetiva e imagem positiva da infância.

Análise das alternativas

A) A simplicidade é valorizada, e não há preferência pela cidade. B) Não há ironia, o tom é de ternura. C) Não se opõe a infância à vida adulta. E) Não há sátira, e o 'lugarzinho no meio do nada' é descrito com afeto.

Referência: Interpretação de texto poético.

Resolução comentada do VaiConcursos.

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Colégio Militar do Rio de Janeiro 2021 Fundamental

Colégio Militar do Rio de Janeiro (Exército Brasileiro — DECEx/DEPA) · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental

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Texto-base:
TEXTO III
A fuga da classe A para o interior
Famílias mais abastadas deixam as metrópoles brasileiras em busca de uma vida mais tranquila — e aquecem a economia das cidades menores
Henrique Gomes Batista e Sérgio Matsuura

01 Nos primeiros dez dias de 2021, Eduardo Xambre Henrique Filho, de 10 anos, não tocou em
seu videogame ou tablet. Preferiu andar de bicicleta e curtir o bosque da nova residência da família,
que trocou um confortável apartamento no Brooklin, bairro nobre da Zona Sul paulistana, por uma
casa em um condomínio fechado na região de Valinhos, a 90 quilômetros da capital paulista. A
05 mudança de comportamento do filho foi um dos elementos que fizeram seu pai, o diretor comercial
Eduardo Xambre Henrique, de 41 anos, aproveitar as vantagens do home office para buscar qualidade
de vida longe da metrópole, movimento que tem se intensificado — sobretudo quando se trata da
população com maior poder aquisitivo. Após um 2020 de “test drive” no campo ou na praia, durante
a quarentena, a mudança definitiva de CEP já provoca transformações no mercado imobiliário e na
10 dinâmica das cidades menores.

As razões para a mudança são variadas. Além da qualidade de vida, há a busca por mais
segurança, mais espaço e conforto diante da possibilidade de novos períodos de confinamento e até
mesmo a economia de gastos em razão do menor custo de vida no interior. O movimento, mais
pronunciado em São Paulo e no Rio de Janeiro, também ocorre em capitais menores, como Porto
15 Alegre, Natal e Fortaleza. Todos os motivos da retirada, no entanto, só puderam ser viabilizados
devido a uma mudança maior: a do mercado de trabalho, que agora deve adotar, na maioria dos
setores, o padrão híbrido, aliando os modelos presencial e remoto. “Eu tinha essa vontade de morar
no interior há alguns anos, mas a questão de home office ajudou a impulsionar a decisão”, afirmou
Henrique, que trabalha em uma multinacional europeia e adquiriu uma casa que tem mais que o
20 dobro da área útil de seu apartamento, além de uma vasta área verde. “São Paulo agora é para fazer
turismo, visitar amigos e familiares.”

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
(CNC), Fabio Bentes, avalia que, embora o movimento esteja concentrado nas faixas de renda mais
altas, já é possível notar uma desconcentração e uma pulverização populacional dos grandes centros.
25 “E um dos primeiros sinais está no mercado imobiliário”, ponderou. Em Petrópolis, cidade da Região
Serrana do Rio de Janeiro, os reflexos da chegada de novos moradores já são percebidos no
aumento das vendas de imóveis. Dados da prefeitura mostram que até outubro do ano passado, o
último balanço disponível, num período de crise econômica, o recolhimento do Imposto sobre
Transmissão de Bens Imóveis — pago após a compra de um imóvel — havia chegado a R$ 17,3
30 milhões no ano, acima da meta do município para 2020, de R$ 16 milhões. Imobiliárias e corretores
de imóveis da cidade confirmam o bom momento e relatam uma mudança no perfil dos
compradores após a pandemia. Se antes a busca era por uma casa de veraneio, agora eles procuram
um novo endereço para morar.

Marcos Labanca, empresário do ramo imobiliário petropolitano, contou que os resultados de
35 2020 estão entre os melhores de sua empresa, com mais de 70 vendas, o dobro de um ano normal. E
a expectativa é que o mercado continue aquecido em 2021, com mais famílias se mudando para a
cidade em busca de qualidade de vida. “Acho que as pessoas concluíram que ficar em isolamento
dentro de um apartamento é complicado, é monótono. Então, passaram a procurar lugares para
morar com um gramado, onde dá para ver o céu, com menos gente”, disse Labanca. “E, claro, os
40 juros baixos ajudaram muito. Já está difícil encontrar uma casa boa para comprar aqui.” Segundo
Fabrício Junqueira, delegado do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio de Janeiro para
a região, entre maio e agosto a procura em sites de imobiliárias por imóveis no município aumentou,
em média, 300% em relação ao mesmo período de 2019. “Quando começou a pandemia, nós
ficamos muito preocupados, mas em abril houve uma explosão na locação por temporada, e logo
45 depois a conversão em vendas de imóveis”, lembrou o corretor.

O movimento migratório, apesar de não ser ainda de “massa”, já provoca efeitos nos dados
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Os últimos levantamentos mostram
uma recuperação mais rápida do mercado de trabalho em cidades do interior, em comparação com
as capitais. No caso específico do Rio de Janeiro, dos 92 municípios do estado, o Rio está na 61ª
posição no ranking de geração de empregos formais ente agosto e novembro de 2020, com variação
positiva de 1,2%. Petrópolis está em 16º, com taxa de 3,5%.

Marden Campos, professor [...] da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ressaltou
50 que as cidades que começaram a receber o novo fluxo de moradores geralmente já têm
infraestrutura em decorrência do turismo, como é o caso [...] de Petrópolis. Por isso, conseguem
atender às necessidades de serviços de pessoas de fora. “Mas elas acabam ganhando um dinamismo
econômico. E isso está acontecendo, principalmente na área de construção.” Especialista em fluxos
migratórios, Campos afirmou, porém, que, apesar de ainda não ser possível mensurar a dimensão do
55 fenômeno, será improvável que ele adquira escala nacional, em razão da limitação de renda [...]. Além
disso, nem todas as áreas podem oferecer sistemas híbridos a seus funcionários, sobretudo as
categorias de base do setor de serviços, em que impera, muitas vezes, o trabalho presencial. Mas, nas
cidades onde o movimento já ocorre, a tendência é aumentar.

(Adaptado de https://oglobo.globo.com/epoca/sociedade/a-fuga-da-classe-a-para-o-interior-1-24889132?versao=amp)

Segundo o TEXTO III, a migração para cidades do interior foi consequência direta
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A migração decorre da mudança nas relações de trabalho, com o trabalho a distância.

O texto diz que todos os motivos da retirada só puderam ser viabilizados por uma mudança maior, a do mercado de trabalho, que adota o padrão híbrido e o home office. Assim, a consequência direta é a alteração nas relações de trabalho com sistemas a distância.

Análise das alternativas

B) O texto diz que as cidades já têm infraestrutura, por causa do turismo. C) Não se fala em produção rural lucrativa. D) O dinamismo econômico é efeito da chegada dos moradores, não a causa. E) A migração não foi motivada por oferta de vagas nas cidades menores.

Referência: Interpretação de texto (linhas 15-17).

Resolução comentada do VaiConcursos.