← Voltar para a lista de provas Colégio Militar de Belém (Colégio General Hilário Maximiano Antunes Gurjão) — Exército Brasileiro · Admissão ao 6º ano do Ensino Fundamental 20 questões nesta prova · 20 com gabarito Gabarito disponível Ideia principal explícita no mito do rei Midas. Ao final, Dionísio diz que há coisas mais importantes do que ouro e riquezas. A lição do texto é, portanto, não priorizar bens materiais. A: o ouro trouxe desespero a Midas, não felicidade. B: o texto não defende adquirir bens para ser admirado. D: a recompensa veio como consequência, não como motivo da amizade. E: o texto não apresenta a ajuda ao próximo como meio de ganhar recompensas. Referência: Interpretação de texto: ideia central e moral. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Classificação e referência dos pronomes "este" e "-lo". "Este" é pronome demonstrativo e retoma "Dionísio", o termo mais próximo. "-lo" é pronome oblíquo átono, forma de "o" depois de infinitivo ("recompensá-lo"), e retoma o rei Midas, objeto de "recompensar". A e B: "este" não é pronome pessoal do caso reto, e "-lo" não é possessivo. C: o referente de "este" é Dionísio, não o amigo. E: "este" não é possessivo, e o referente de "-lo" é Midas, não "deus". Referência: Morfologia: pronomes demonstrativos e oblíquos; coesão referencial. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Inferência sobre o estranhamento do deus. Midas pede que tudo o que tocar vire ouro sem pensar nas consequências, como não poder comer nem abraçar ninguém. Por isso o deus pergunta se é isso mesmo que ele deseja, pois percebe que o rei não avaliou os efeitos do pedido. A: o deus realiza o pedido sem dificuldade. B: Midas quer ouro e poder. D: não há falta de gentileza na resposta. E: o rei quer ficar "o homem mais rico do mundo", mas o texto não diz que já fosse rico. Referência: Interpretação de texto: inferência. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Foco narrativo do conto "Um peixe". O texto é narrado em 3ª pessoa ("Virou a capanga", "Ele ficou olhando") por um narrador onisciente, que conhece os pensamentos do garoto e não participa da história. A, C e D falam de 1ª pessoa, o que não ocorre no texto. B mistura 3ª pessoa com narrador-personagem, o que é contraditório. Referência: Teoria literária: foco narrativo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Valor afetivo do diminutivo "trairinha". Ao chamar o peixe de "sua trairinha", o garoto usa o diminutivo com valor afetivo, mostrando carinho por ela, já que decidira criá-la e se alegrava com isso. B, D e E dão ao diminutivo valor pejorativo (desdém, ironia, desapreço), o que contradiz o carinho do menino. C: o diminutivo não se refere ao tamanho relativo entre os peixes. Referência: Morfologia: grau do substantivo; valor expressivo do diminutivo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Origem do crescente interesse do garoto pela traíra. O interesse cresce quando ele vê que a traíra continua viva e passa a fazer planos para criá-la: deixá-la numa lata d'água até o dia seguinte e depois arrumar o tanquinho. O trecho citado na alternativa B comprova isso. A: o tamanho do peixe não é o motivo do interesse. C: a alimentação é uma ideia que surge depois e não é o ponto que faz o interesse crescer. D: o peixe não retribui cuidado algum, apenas parou num canto. E: a fala da empregada ocorre no fim e não explica o interesse inicial. Referência: Interpretação de texto: construção da narrativa. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Sentido de "toda folgada". No contexto, "folgada" significa à vontade, sem aperto, aproveitando a água do tanque. O menino diz que a traíra estava nadando tranquilamente, o que mostra que se sentia bem no tanque. B: ela estava nadando, não parada. C: o texto não fala do tamanho do tanque. D: "folgada" não tem o sentido de espaçosa nem de atrevida aqui. E: a empregada esqueceu a água no tanque, mas a ideia de "folgada" é de conforto, não de liberdade concedida. Referência: Semântica: sentido contextual e linguagem coloquial. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Sinonímia contextual de "escapole". "Escapole" (de escapolir) significa fugir ou soltar-se. Salta, foge, pula e escapa mantêm essa ideia, mas "morre" traz um sentido diferente, pois o peixe quase se soltou do anzol, não quase morreu. A, B, C e D são sinônimos contextuais de escapole, de modo que a substituição preserva o sentido. Só E altera o sentido da frase. Referência: Semântica: sinonímia e sentido contextual. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Inferência sobre o comportamento do cliente. O homem sabe exatamente o que quer ("sei exatamente o que eu quero") e descreve forma, material e função do objeto, mas não consegue lembrar o nome dele. A: ao final ele fica satisfeito, não frustrado. B: o vendedor demorou a entender. C: ele sabe o que deseja, só esqueceu o nome. D: ele afirma não saber desenhar. Referência: Interpretação de texto: inferência. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Assunto principal do texto "Comunicação". O cliente esquece o nome do objeto e tenta descrevê-lo de formas confusas, o que dificulta a comunicação com o vendedor até que ele descubra que se trata de um alfinete de segurança. A: o vendedor não demonstra expertise, apenas tenta entender. B: não há negociação de preços. D: o texto não trata de história ou origem do objeto. E: o vendedor é paciente e educado, não impaciente. Referência: Interpretação de texto: ideia central. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Vírgula isolando o vocativo. Em "Posso ajudá-lo, cavalheiro?", "cavalheiro" é um vocativo, termo usado para chamar ou interpelar o interlocutor, e vem separado por vírgula. Assim, a vírgula indica que a personagem chama a pessoa a quem oferece ajuda. A: não há explicação de termo anterior (aposto). C: a pergunta oferece ajuda, não a solicita. D: quem faz a pergunta é o ponto de interrogação, não a vírgula. E: a vírgula não expressa emoção. Referência: Pontuação: vírgula e vocativo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Função das aspas no trecho citado. No enunciado, a frase aparece entre aspas para marcar que é a fala da personagem, transcrita do texto. Nesse uso, as aspas indicam discurso direto. A e C: não há ironia nem sentido oposto na frase, que é uma pergunta cortês. B: as aspas não destacam palavras ou expressões específicas. E: as palavras da frase são comuns, não estrangeirismos nem termos incomuns. Referência: Pontuação: uso das aspas. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponívelColégio Militar de Belém — Concurso de Admissão 2023/2024 — 6º ano do Ensino Fundamental — Língua Portuguesa
TEXTO I
O REI QUE SÓ QUERIA OURO
1 Certa vez, um rei chamado Midas cuidou muito bem de um amigo do deus Dionísio e este,
2 querendo recompensá-lo, apareceu diante dele e disse:
3 – Você pode me pedir o que quiser como recompensa.
4 – O que eu quiser?! Oh, preciso pensar um pouco...
5 Imagine, pedir o que eu quiser a um deus que pode fazer qualquer coisa... Ah! Já sei: quero que
6 tudo que eu tocar se transforme imediatamente em ouro! Assim serei o homem mais rico do mundo e
7 terei muito poder!
8 – É isso mesmo que você deseja? – perguntou o rei, estranhando o pedido.
9 – Sim, claro, é isso mesmo!
10 – Está bem. Assim será – respondeu Dionísio e desapareceu.
11 O rei não entendeu bem a resposta do deus, nem sentiu nada de especial dentro de si, mas,
12 assim que tocou na ponta da mesa, ela se transformou em uma mesa de ouro. Os olhos de Midas
13 brilharam de espanto e alegria. Logo em seguida, começou a tocar em tudo o que estava à sua volta:
14 cadeiras, bancos, vasos – tudo foi se transformando em objetos de ouro.
15 Ele correu para o jardim. Pegou uma flor: ela virou ouro. Dentre muitas no cesto, pegou
16 somente uma maçã e ela se tornou uma maçã de ouro. Louco de alegria, ordenou aos criados que
17 preparassem uma festa com muita comida e bebida. Queria festejar seu poder!
18 Na hora da festa, com o salão cheio de convidados, o rei Midas tinha uma deliciosa mesa
19 armada à sua frente, com as comidas mais especiais.
20 Mas, assim que pegou um pedaço de pão, ele se tornou... um pedaço de ouro! Quis mastigá-lo
21 e quase quebrou os dentes! Quis comer uvas – elas viraram uvas de ouro! Midas percebeu que não
22 poderia comer mais nada, pois os alimentos se transformariam em ouro se ele os tocasse. E agora, como
23 iria viver?
24 Ele ficou alucinado, começou a gritar de desespero. Sua filha correu para saber o que estava
25 acontecendo e, antes que o rei pudesse impedir, ela o abraçou e se transformou numa estátua de ouro!
26 – Minha filha querida! Perdi minha filha! – começou a gritar o rei, chorando e abraçando a
27 estátua de ouro.
28 Desesperado, não sabia o que fazer, todos os convidados se afastaram depressa do rei, com
29 medo do toque de suas mãos.
30 Midas entendeu que só o deus Dionísio poderia tirar aquele poder terrível de suas mãos.
31 Ajoelhou-se e chamou pelo deus, que ouviu suas súplicas e apareceu à sua frente.
32 – O que você quer? Já não lhe dei o poder de transformar em ouro tudo o que tocar?
33 – Sim, mas agora percebi que isso é uma maldição! Não quero saber mais de ouro, quero voltar
34 a ser um homem comum, que pode comer o que quiser e abraçar as pessoas que ama sem matá-las. Por
35 favor, tire de mim esse poder!
36 – Está bem, vejo que você está realmente arrependido. Vá até o rio e lave-se em suas águas. Elas
37 farão de você um homem como os outros.
38 – E minha filha, voltará a ser como antes?
39 – Sim. E tudo que você transformou em ouro voltará a ser como era.
40 Midas correu até o rio, fez o que o deus tinha mandado e voltou depressa para o palácio, queria
41 ver sua filha o quanto antes. Assim que passou pelo jardim, reparou que as flores, as folhas, as árvores já
42 não eram de ouro. Tinham voltado ao normal!
43 Ao entrar no palácio, seu coração encheu-se de alegria, ouviu a voz de sua filha! Ela era um ser
44 humano novamente!
45 Abraçaram-se.
46 No meio da noite, quando estava deitado, o rei viu um clarão no quarto e assustou-se. O deus
47 Dionísio apareceu à sua frente.
48 – Ouça bem, Midas – disse ele. Na vida, há coisas mais importantes do que ouro e riquezas!
49 Nunca se esqueça disso!
50 E desapareceu.
Tufano, Douglas. Navegando pela Mitologia Grega. São Paulo: Moderna, 2014. Pp. 41-43.
O texto I apresenta a história de um rei que foi recompensado por um deus. A ideia principal explícita no referido texto é queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
O REI QUE SÓ QUERIA OURO
1 Certa vez, um rei chamado Midas cuidou muito bem de um amigo do deus Dionísio e este,
2 querendo recompensá-lo, apareceu diante dele e disse:
3 – Você pode me pedir o que quiser como recompensa.
4 – O que eu quiser?! Oh, preciso pensar um pouco...
5 Imagine, pedir o que eu quiser a um deus que pode fazer qualquer coisa... Ah! Já sei: quero que
6 tudo que eu tocar se transforme imediatamente em ouro! Assim serei o homem mais rico do mundo e
7 terei muito poder!
8 – É isso mesmo que você deseja? – perguntou o rei, estranhando o pedido.
9 – Sim, claro, é isso mesmo!
10 – Está bem. Assim será – respondeu Dionísio e desapareceu.
11 O rei não entendeu bem a resposta do deus, nem sentiu nada de especial dentro de si, mas,
12 assim que tocou na ponta da mesa, ela se transformou em uma mesa de ouro. Os olhos de Midas
13 brilharam de espanto e alegria. Logo em seguida, começou a tocar em tudo o que estava à sua volta:
14 cadeiras, bancos, vasos – tudo foi se transformando em objetos de ouro.
15 Ele correu para o jardim. Pegou uma flor: ela virou ouro. Dentre muitas no cesto, pegou
16 somente uma maçã e ela se tornou uma maçã de ouro. Louco de alegria, ordenou aos criados que
17 preparassem uma festa com muita comida e bebida. Queria festejar seu poder!
18 Na hora da festa, com o salão cheio de convidados, o rei Midas tinha uma deliciosa mesa
19 armada à sua frente, com as comidas mais especiais.
20 Mas, assim que pegou um pedaço de pão, ele se tornou... um pedaço de ouro! Quis mastigá-lo
21 e quase quebrou os dentes! Quis comer uvas – elas viraram uvas de ouro! Midas percebeu que não
22 poderia comer mais nada, pois os alimentos se transformariam em ouro se ele os tocasse. E agora, como
23 iria viver?
24 Ele ficou alucinado, começou a gritar de desespero. Sua filha correu para saber o que estava
25 acontecendo e, antes que o rei pudesse impedir, ela o abraçou e se transformou numa estátua de ouro!
26 – Minha filha querida! Perdi minha filha! – começou a gritar o rei, chorando e abraçando a
27 estátua de ouro.
28 Desesperado, não sabia o que fazer, todos os convidados se afastaram depressa do rei, com
29 medo do toque de suas mãos.
30 Midas entendeu que só o deus Dionísio poderia tirar aquele poder terrível de suas mãos.
31 Ajoelhou-se e chamou pelo deus, que ouviu suas súplicas e apareceu à sua frente.
32 – O que você quer? Já não lhe dei o poder de transformar em ouro tudo o que tocar?
33 – Sim, mas agora percebi que isso é uma maldição! Não quero saber mais de ouro, quero voltar
34 a ser um homem comum, que pode comer o que quiser e abraçar as pessoas que ama sem matá-las. Por
35 favor, tire de mim esse poder!
36 – Está bem, vejo que você está realmente arrependido. Vá até o rio e lave-se em suas águas. Elas
37 farão de você um homem como os outros.
38 – E minha filha, voltará a ser como antes?
39 – Sim. E tudo que você transformou em ouro voltará a ser como era.
40 Midas correu até o rio, fez o que o deus tinha mandado e voltou depressa para o palácio, queria
41 ver sua filha o quanto antes. Assim que passou pelo jardim, reparou que as flores, as folhas, as árvores já
42 não eram de ouro. Tinham voltado ao normal!
43 Ao entrar no palácio, seu coração encheu-se de alegria, ouviu a voz de sua filha! Ela era um ser
44 humano novamente!
45 Abraçaram-se.
46 No meio da noite, quando estava deitado, o rei viu um clarão no quarto e assustou-se. O deus
47 Dionísio apareceu à sua frente.
48 – Ouça bem, Midas – disse ele. Na vida, há coisas mais importantes do que ouro e riquezas!
49 Nunca se esqueça disso!
50 E desapareceu.
Tufano, Douglas. Navegando pela Mitologia Grega. São Paulo: Moderna, 2014. Pp. 41-43.
No trecho “certa vez, um rei chamado Midas cuidou muito bem de um amigo do deus Dionísio e este, querendo recompensá-lo, apareceu diante dele e disse [...]” (l. 1 e 2), como as palavras em destaque podem ser classificadas e quais os seus referentes?Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
O REI QUE SÓ QUERIA OURO
1 Certa vez, um rei chamado Midas cuidou muito bem de um amigo do deus Dionísio e este,
2 querendo recompensá-lo, apareceu diante dele e disse:
3 – Você pode me pedir o que quiser como recompensa.
4 – O que eu quiser?! Oh, preciso pensar um pouco...
5 Imagine, pedir o que eu quiser a um deus que pode fazer qualquer coisa... Ah! Já sei: quero que
6 tudo que eu tocar se transforme imediatamente em ouro! Assim serei o homem mais rico do mundo e
7 terei muito poder!
8 – É isso mesmo que você deseja? – perguntou o rei, estranhando o pedido.
9 – Sim, claro, é isso mesmo!
10 – Está bem. Assim será – respondeu Dionísio e desapareceu.
11 O rei não entendeu bem a resposta do deus, nem sentiu nada de especial dentro de si, mas,
12 assim que tocou na ponta da mesa, ela se transformou em uma mesa de ouro. Os olhos de Midas
13 brilharam de espanto e alegria. Logo em seguida, começou a tocar em tudo o que estava à sua volta:
14 cadeiras, bancos, vasos – tudo foi se transformando em objetos de ouro.
15 Ele correu para o jardim. Pegou uma flor: ela virou ouro. Dentre muitas no cesto, pegou
16 somente uma maçã e ela se tornou uma maçã de ouro. Louco de alegria, ordenou aos criados que
17 preparassem uma festa com muita comida e bebida. Queria festejar seu poder!
18 Na hora da festa, com o salão cheio de convidados, o rei Midas tinha uma deliciosa mesa
19 armada à sua frente, com as comidas mais especiais.
20 Mas, assim que pegou um pedaço de pão, ele se tornou... um pedaço de ouro! Quis mastigá-lo
21 e quase quebrou os dentes! Quis comer uvas – elas viraram uvas de ouro! Midas percebeu que não
22 poderia comer mais nada, pois os alimentos se transformariam em ouro se ele os tocasse. E agora, como
23 iria viver?
24 Ele ficou alucinado, começou a gritar de desespero. Sua filha correu para saber o que estava
25 acontecendo e, antes que o rei pudesse impedir, ela o abraçou e se transformou numa estátua de ouro!
26 – Minha filha querida! Perdi minha filha! – começou a gritar o rei, chorando e abraçando a
27 estátua de ouro.
28 Desesperado, não sabia o que fazer, todos os convidados se afastaram depressa do rei, com
29 medo do toque de suas mãos.
30 Midas entendeu que só o deus Dionísio poderia tirar aquele poder terrível de suas mãos.
31 Ajoelhou-se e chamou pelo deus, que ouviu suas súplicas e apareceu à sua frente.
32 – O que você quer? Já não lhe dei o poder de transformar em ouro tudo o que tocar?
33 – Sim, mas agora percebi que isso é uma maldição! Não quero saber mais de ouro, quero voltar
34 a ser um homem comum, que pode comer o que quiser e abraçar as pessoas que ama sem matá-las. Por
35 favor, tire de mim esse poder!
36 – Está bem, vejo que você está realmente arrependido. Vá até o rio e lave-se em suas águas. Elas
37 farão de você um homem como os outros.
38 – E minha filha, voltará a ser como antes?
39 – Sim. E tudo que você transformou em ouro voltará a ser como era.
40 Midas correu até o rio, fez o que o deus tinha mandado e voltou depressa para o palácio, queria
41 ver sua filha o quanto antes. Assim que passou pelo jardim, reparou que as flores, as folhas, as árvores já
42 não eram de ouro. Tinham voltado ao normal!
43 Ao entrar no palácio, seu coração encheu-se de alegria, ouviu a voz de sua filha! Ela era um ser
44 humano novamente!
45 Abraçaram-se.
46 No meio da noite, quando estava deitado, o rei viu um clarão no quarto e assustou-se. O deus
47 Dionísio apareceu à sua frente.
48 – Ouça bem, Midas – disse ele. Na vida, há coisas mais importantes do que ouro e riquezas!
49 Nunca se esqueça disso!
50 E desapareceu.
Tufano, Douglas. Navegando pela Mitologia Grega. São Paulo: Moderna, 2014. Pp. 41-43.
![]()
TEXTO I
O REI QUE SÓ QUERIA OURO
1 Certa vez, um rei chamado Midas cuidou muito bem de um amigo do deus Dionísio e este,
2 querendo recompensá-lo, apareceu diante dele e disse:
3 – Você pode me pedir o que quiser como recompensa.
4 – O que eu quiser?! Oh, preciso pensar um pouco...
5 Imagine, pedir o que eu quiser a um deus que pode fazer qualquer coisa... Ah! Já sei: quero que
6 tudo que eu tocar se transforme imediatamente em ouro! Assim serei o homem mais rico do mundo e
7 terei muito poder!
8 – É isso mesmo que você deseja? – perguntou o rei, estranhando o pedido.
9 – Sim, claro, é isso mesmo!
10 – Está bem. Assim será – respondeu Dionísio e desapareceu.
11 O rei não entendeu bem a resposta do deus, nem sentiu nada de especial dentro de si, mas,
12 assim que tocou na ponta da mesa, ela se transformou em uma mesa de ouro. Os olhos de Midas
13 brilharam de espanto e alegria. Logo em seguida, começou a tocar em tudo o que estava à sua volta:
14 cadeiras, bancos, vasos – tudo foi se transformando em objetos de ouro.
15 Ele correu para o jardim. Pegou uma flor: ela virou ouro. Dentre muitas no cesto, pegou
16 somente uma maçã e ela se tornou uma maçã de ouro. Louco de alegria, ordenou aos criados que
17 preparassem uma festa com muita comida e bebida. Queria festejar seu poder!
18 Na hora da festa, com o salão cheio de convidados, o rei Midas tinha uma deliciosa mesa
19 armada à sua frente, com as comidas mais especiais.
20 Mas, assim que pegou um pedaço de pão, ele se tornou... um pedaço de ouro! Quis mastigá-lo
21 e quase quebrou os dentes! Quis comer uvas – elas viraram uvas de ouro! Midas percebeu que não
22 poderia comer mais nada, pois os alimentos se transformariam em ouro se ele os tocasse. E agora, como
23 iria viver?
24 Ele ficou alucinado, começou a gritar de desespero. Sua filha correu para saber o que estava
25 acontecendo e, antes que o rei pudesse impedir, ela o abraçou e se transformou numa estátua de ouro!
26 – Minha filha querida! Perdi minha filha! – começou a gritar o rei, chorando e abraçando a
27 estátua de ouro.
28 Desesperado, não sabia o que fazer, todos os convidados se afastaram depressa do rei, com
29 medo do toque de suas mãos.
30 Midas entendeu que só o deus Dionísio poderia tirar aquele poder terrível de suas mãos.
31 Ajoelhou-se e chamou pelo deus, que ouviu suas súplicas e apareceu à sua frente.
32 – O que você quer? Já não lhe dei o poder de transformar em ouro tudo o que tocar?
33 – Sim, mas agora percebi que isso é uma maldição! Não quero saber mais de ouro, quero voltar
34 a ser um homem comum, que pode comer o que quiser e abraçar as pessoas que ama sem matá-las. Por
35 favor, tire de mim esse poder!
36 – Está bem, vejo que você está realmente arrependido. Vá até o rio e lave-se em suas águas. Elas
37 farão de você um homem como os outros.
38 – E minha filha, voltará a ser como antes?
39 – Sim. E tudo que você transformou em ouro voltará a ser como era.
40 Midas correu até o rio, fez o que o deus tinha mandado e voltou depressa para o palácio, queria
41 ver sua filha o quanto antes. Assim que passou pelo jardim, reparou que as flores, as folhas, as árvores já
42 não eram de ouro. Tinham voltado ao normal!
43 Ao entrar no palácio, seu coração encheu-se de alegria, ouviu a voz de sua filha! Ela era um ser
44 humano novamente!
45 Abraçaram-se.
46 No meio da noite, quando estava deitado, o rei viu um clarão no quarto e assustou-se. O deus
47 Dionísio apareceu à sua frente.
48 – Ouça bem, Midas – disse ele. Na vida, há coisas mais importantes do que ouro e riquezas!
49 Nunca se esqueça disso!
50 E desapareceu.
Tufano, Douglas. Navegando pela Mitologia Grega. São Paulo: Moderna, 2014. Pp. 41-43.
A partir da leitura do texto I, considerando o trecho "- É isso mesmo que você deseja? - Perguntou o deus, estranhando o pedido" (l. 8), é possível inferir que o estranhamento do deus, em relação ao que havia sido pedido, foi causado porque o deus percebeu que o reiResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
O REI QUE SÓ QUERIA OURO
1 Certa vez, um rei chamado Midas cuidou muito bem de um amigo do deus Dionísio e este,
2 querendo recompensá-lo, apareceu diante dele e disse:
3 – Você pode me pedir o que quiser como recompensa.
4 – O que eu quiser?! Oh, preciso pensar um pouco...
5 Imagine, pedir o que eu quiser a um deus que pode fazer qualquer coisa... Ah! Já sei: quero que
6 tudo que eu tocar se transforme imediatamente em ouro! Assim serei o homem mais rico do mundo e
7 terei muito poder!
8 – É isso mesmo que você deseja? – perguntou o rei, estranhando o pedido.
9 – Sim, claro, é isso mesmo!
10 – Está bem. Assim será – respondeu Dionísio e desapareceu.
11 O rei não entendeu bem a resposta do deus, nem sentiu nada de especial dentro de si, mas,
12 assim que tocou na ponta da mesa, ela se transformou em uma mesa de ouro. Os olhos de Midas
13 brilharam de espanto e alegria. Logo em seguida, começou a tocar em tudo o que estava à sua volta:
14 cadeiras, bancos, vasos – tudo foi se transformando em objetos de ouro.
15 Ele correu para o jardim. Pegou uma flor: ela virou ouro. Dentre muitas no cesto, pegou
16 somente uma maçã e ela se tornou uma maçã de ouro. Louco de alegria, ordenou aos criados que
17 preparassem uma festa com muita comida e bebida. Queria festejar seu poder!
18 Na hora da festa, com o salão cheio de convidados, o rei Midas tinha uma deliciosa mesa
19 armada à sua frente, com as comidas mais especiais.
20 Mas, assim que pegou um pedaço de pão, ele se tornou... um pedaço de ouro! Quis mastigá-lo
21 e quase quebrou os dentes! Quis comer uvas – elas viraram uvas de ouro! Midas percebeu que não
22 poderia comer mais nada, pois os alimentos se transformariam em ouro se ele os tocasse. E agora, como
23 iria viver?
24 Ele ficou alucinado, começou a gritar de desespero. Sua filha correu para saber o que estava
25 acontecendo e, antes que o rei pudesse impedir, ela o abraçou e se transformou numa estátua de ouro!
26 – Minha filha querida! Perdi minha filha! – começou a gritar o rei, chorando e abraçando a
27 estátua de ouro.
28 Desesperado, não sabia o que fazer, todos os convidados se afastaram depressa do rei, com
29 medo do toque de suas mãos.
30 Midas entendeu que só o deus Dionísio poderia tirar aquele poder terrível de suas mãos.
31 Ajoelhou-se e chamou pelo deus, que ouviu suas súplicas e apareceu à sua frente.
32 – O que você quer? Já não lhe dei o poder de transformar em ouro tudo o que tocar?
33 – Sim, mas agora percebi que isso é uma maldição! Não quero saber mais de ouro, quero voltar
34 a ser um homem comum, que pode comer o que quiser e abraçar as pessoas que ama sem matá-las. Por
35 favor, tire de mim esse poder!
36 – Está bem, vejo que você está realmente arrependido. Vá até o rio e lave-se em suas águas. Elas
37 farão de você um homem como os outros.
38 – E minha filha, voltará a ser como antes?
39 – Sim. E tudo que você transformou em ouro voltará a ser como era.
40 Midas correu até o rio, fez o que o deus tinha mandado e voltou depressa para o palácio, queria
41 ver sua filha o quanto antes. Assim que passou pelo jardim, reparou que as flores, as folhas, as árvores já
42 não eram de ouro. Tinham voltado ao normal!
43 Ao entrar no palácio, seu coração encheu-se de alegria, ouviu a voz de sua filha! Ela era um ser
44 humano novamente!
45 Abraçaram-se.
46 No meio da noite, quando estava deitado, o rei viu um clarão no quarto e assustou-se. O deus
47 Dionísio apareceu à sua frente.
48 – Ouça bem, Midas – disse ele. Na vida, há coisas mais importantes do que ouro e riquezas!
49 Nunca se esqueça disso!
50 E desapareceu.
Tufano, Douglas. Navegando pela Mitologia Grega. São Paulo: Moderna, 2014. Pp. 41-43.
Leia este fragmento do texto I.
![]()
Analise o trecho em destaque e assinale a afirmativa correta:
TEXTO II
![]()
Disponível em: <https://diogoprofessor.blogspot.com.>. Acesso em: 11 de setembro de 2023.
Analisando os elementos verbais e não verbais, presentes na tirinha, constata-se que o efeito de humor
TEXTO I
O REI QUE SÓ QUERIA OURO
1 Certa vez, um rei chamado Midas cuidou muito bem de um amigo do deus Dionísio e este,
2 querendo recompensá-lo, apareceu diante dele e disse:
3 – Você pode me pedir o que quiser como recompensa.
4 – O que eu quiser?! Oh, preciso pensar um pouco...
5 Imagine, pedir o que eu quiser a um deus que pode fazer qualquer coisa... Ah! Já sei: quero que
6 tudo que eu tocar se transforme imediatamente em ouro! Assim serei o homem mais rico do mundo e
7 terei muito poder!
8 – É isso mesmo que você deseja? – perguntou o rei, estranhando o pedido.
9 – Sim, claro, é isso mesmo!
10 – Está bem. Assim será – respondeu Dionísio e desapareceu.
11 O rei não entendeu bem a resposta do deus, nem sentiu nada de especial dentro de si, mas,
12 assim que tocou na ponta da mesa, ela se transformou em uma mesa de ouro. Os olhos de Midas
13 brilharam de espanto e alegria. Logo em seguida, começou a tocar em tudo o que estava à sua volta:
14 cadeiras, bancos, vasos – tudo foi se transformando em objetos de ouro.
15 Ele correu para o jardim. Pegou uma flor: ela virou ouro. Dentre muitas no cesto, pegou
16 somente uma maçã e ela se tornou uma maçã de ouro. Louco de alegria, ordenou aos criados que
17 preparassem uma festa com muita comida e bebida. Queria festejar seu poder!
18 Na hora da festa, com o salão cheio de convidados, o rei Midas tinha uma deliciosa mesa
19 armada à sua frente, com as comidas mais especiais.
20 Mas, assim que pegou um pedaço de pão, ele se tornou... um pedaço de ouro! Quis mastigá-lo
21 e quase quebrou os dentes! Quis comer uvas – elas viraram uvas de ouro! Midas percebeu que não
22 poderia comer mais nada, pois os alimentos se transformariam em ouro se ele os tocasse. E agora, como
23 iria viver?
24 Ele ficou alucinado, começou a gritar de desespero. Sua filha correu para saber o que estava
25 acontecendo e, antes que o rei pudesse impedir, ela o abraçou e se transformou numa estátua de ouro!
26 – Minha filha querida! Perdi minha filha! – começou a gritar o rei, chorando e abraçando a
27 estátua de ouro.
28 Desesperado, não sabia o que fazer, todos os convidados se afastaram depressa do rei, com
29 medo do toque de suas mãos.
30 Midas entendeu que só o deus Dionísio poderia tirar aquele poder terrível de suas mãos.
31 Ajoelhou-se e chamou pelo deus, que ouviu suas súplicas e apareceu à sua frente.
32 – O que você quer? Já não lhe dei o poder de transformar em ouro tudo o que tocar?
33 – Sim, mas agora percebi que isso é uma maldição! Não quero saber mais de ouro, quero voltar
34 a ser um homem comum, que pode comer o que quiser e abraçar as pessoas que ama sem matá-las. Por
35 favor, tire de mim esse poder!
36 – Está bem, vejo que você está realmente arrependido. Vá até o rio e lave-se em suas águas. Elas
37 farão de você um homem como os outros.
38 – E minha filha, voltará a ser como antes?
39 – Sim. E tudo que você transformou em ouro voltará a ser como era.
40 Midas correu até o rio, fez o que o deus tinha mandado e voltou depressa para o palácio, queria
41 ver sua filha o quanto antes. Assim que passou pelo jardim, reparou que as flores, as folhas, as árvores já
42 não eram de ouro. Tinham voltado ao normal!
43 Ao entrar no palácio, seu coração encheu-se de alegria, ouviu a voz de sua filha! Ela era um ser
44 humano novamente!
45 Abraçaram-se.
46 No meio da noite, quando estava deitado, o rei viu um clarão no quarto e assustou-se. O deus
47 Dionísio apareceu à sua frente.
48 – Ouça bem, Midas – disse ele. Na vida, há coisas mais importantes do que ouro e riquezas!
49 Nunca se esqueça disso!
50 E desapareceu.
Tufano, Douglas. Navegando pela Mitologia Grega. São Paulo: Moderna, 2014. Pp. 41-43.
Texto-base:
TEXTO II
![]()
Disponível em: <https://diogoprofessor.blogspot.com.>. Acesso em: 11 de setembro de 2023.
Ao comparar os textos I e II, pode-se afirmar que ambos
TEXTO III
![]()
Disponível em:<HTTPS//ww.google.com.br/search?q=Hagar.>. Acesso em 10 de setembro de 2023.
Observe a conduta de Dirk ao responder ao questionamento de Hagar. A partir disso, verifica-se que o efeito de humor ou ironia no texto é observado porque
TEXTO III
![]()
Disponível em:<HTTPS//ww.google.com.br/search?q=Hagar.>. Acesso em 10 de setembro de 2023.
Considerando o desfecho do texto III, o nome “Dirk sujo” poderia ser substituído sem alteração no significado por Dirk
TEXTO IV
Um peixe
1 Virou a capanga de cabeça para baixo e os peixes espalharam-se pela pia. Ele ficou
2 olhando e foi então que notou que a traíra ainda estava viva. Era o maior peixe de todos ali, mas
3 não chegava a ser grande: pouco mais de um palmo. Ela estava mexendo, suas guelras mexiam-
4 se devagar, quando todos os outros peixes já estavam mortos. Como que ela podia durar tanto
5 tempo assim fora d'água?
6 Teve então uma ideia: abrir a torneira, para ver o que acontecia. Tirou para fora os outros
7 peixes: lambaris, chorões, piaus; dentro do tanque deixou só a traíra. E então abriu a torneira: a
8 água espalhou-se e, quando cobriu a traíra, ela deu uma rabanada e disparou, ele levou um
9 susto – ela estava muito mais viva do que ele pensara, muito mais viva. Ele riu, ficou alegre e
10 divertido, olhando a traíra, que agora tinha parado num canto, o rabo oscilando de leve, a água
11 continuando a jorrar da torneira. Quando o tanque se encheu, ele fechou-a.
12 – E agora? – disse para o peixe. – Quê que eu faço com você?...
13 Enfiou o dedo na água: a traíra deu uma corrida, assustada, e ele tirou o dedo depressa.
14 – Você tá com fome?... E as minhocas que você me roubou no rio? Eu sei que era você;
15 devagarzinho, sem a gente sentir... Agora está aí, né? ... Tá vendo o resultado? ...
16 O peixe, quieto num canto, parecia escutar. Podia dar alguma coisa para ele comer. Talvez
17 pão. Foi olhar na lata: havia acabado. Que mais? Se a mãe estivesse em casa, ela teria dado uma
18 ideia – a mãe era boa para dar ideias. Mas ele estava sozinho. Não conseguia lembrar de outra
19 coisa. O jeito era ir comprar um pão na padaria. Mas sujo assim de barro, a roupa molhada,
20 imunda.
21 – Dane-se – disse, e foi.
22 Era domingo à noite, o quarteirão movimentado, rapazes no footing, bares cheios.
23 Enquanto ele andava, foi pensando no que acontecera. No começo, fora só curiosidade; mas
24 depois foi bacana, ficou alegre quando viu a traíra bem viva de novo, correndo pela água,
25 esperta. Mas o que faria com ela agora? Matá-la, não ia; não, não faria isso. Se ela já estivesse
26 morta, seria diferente; mas ela estava viva, e ele não queria matá-la. Mas o que faria com ela?
27 Poderia criá-la; por que não? Havia o tanquinho do quintal, tanquinho que a mãe uma vez
28 mandara fazer para criar patos. Estava entupido de terra, mas ele poderia desentupi-lo, arranjar
29 tudo; ficaria cem por cento. É, é isso o que faria. Deixaria a traíra numa lata d'água até o dia
30 seguinte e, de manhã, logo que se levantasse, iria mexer com isso.
31 Enquanto era atendido na padaria, ficou olhando para o movimento, os ruídos, o vozerio
32 do bar em frente. E então pensou na traíra, sua trairinha, deslizando silenciosamente no tanque
33 da pia, na casa escura. Era até meio besta como ele estava alegre com aquilo. E logo um peixe
34 feio como a traíra, isso é que era o mais engraçado.
35 Toda manhã – ia pensando, de volta para casa – ele desceria ao quintal, levando
36 pedacinhos de pão para ela. Além disso, arrancaria minhocas, e de vez em quando pegaria
37 alguns insetos. Uma coisa que podia fazer também era pescar depois outra traíra e trazer para
38 fazer companhia a ela; um peixe sozinho num tanque era algo muito solitário.
39 A empregada já havia chegado e estava no portão, olhando o movimento.
40 – Que peixada bonita você pegou...
41 – Você viu?
42 – Uma beleza... Tem até uma trairinha.
43 – Ela foi difícil de pegar, quase que ela escapole; ela não estava bem fisgada.
44 – Traíra é duro de morrer, hein?
45 – Duro de morrer? ...
46 Ele parou.
47 – Uai, essa que você pegou estava vivinha na hora que eu cheguei, e você ainda
48 esqueceu o tanque cheio d'água... Quando eu cheguei, ela estava toda folgada, nadando. Você
49 não está acreditando? Juro. Ela estava toda folgada, nadando.
50 – E aí?
51 – Aí? Uai, aí eu escorri a água para ela morrer; mas você pensa que ela morreu? Morreu
52 nada! Traíra é duro de morrer, nunca vi um peixe assim. Eu a coloquei para fora do tanque a
53 deixei lá, sabe? Pois acredita que ela ainda ficou mexendo? Aí eu peguei o cabo da colher e
54 taquei nele, e foi aí que ele morreu. Mas custou, ô peixinho duro de morrer! Quê que você está
55 me olhando?
56 – Por nada.
57 – Você não está acreditando? Juro; pode ir lá na cozinha ver: ela está lá do jeitinho que eu
58 deixei.
59 Ele foi caminhando para dentro.
60 – Vou ficar aqui mais um pouco – disse a empregada. – depois vou arrumar os peixes, viu?
61 – Sei.
62 Acendeu a luz da sala. Deixou o pão em cima da mesa e sentou-se. Só então notou como
63 estava cansado.
Adaptado. Luiz Vilela. O violino e outros contos. 7. ed. São Paulo: Ática, 2007. p. 36-38.
Glossário
Capanga: bolsa pequena, de tecido, couro ou plástico, usada a tiracolo.
Footing: passeio a pé, com o objetivo de arrumar namorado(a).
Guelra: estrutura do órgão respiratório da maioria dos animais aquáticos.
Rabanada: movimento brusco com o rabo.
Vozerio: som de muitas vozes juntas.
Qual o foco narrativo presente no texto “Um peixe”?Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO IV
Um peixe
1 Virou a capanga de cabeça para baixo e os peixes espalharam-se pela pia. Ele ficou
2 olhando e foi então que notou que a traíra ainda estava viva. Era o maior peixe de todos ali, mas
3 não chegava a ser grande: pouco mais de um palmo. Ela estava mexendo, suas guelras mexiam-
4 se devagar, quando todos os outros peixes já estavam mortos. Como que ela podia durar tanto
5 tempo assim fora d'água?
6 Teve então uma ideia: abrir a torneira, para ver o que acontecia. Tirou para fora os outros
7 peixes: lambaris, chorões, piaus; dentro do tanque deixou só a traíra. E então abriu a torneira: a
8 água espalhou-se e, quando cobriu a traíra, ela deu uma rabanada e disparou, ele levou um
9 susto – ela estava muito mais viva do que ele pensara, muito mais viva. Ele riu, ficou alegre e
10 divertido, olhando a traíra, que agora tinha parado num canto, o rabo oscilando de leve, a água
11 continuando a jorrar da torneira. Quando o tanque se encheu, ele fechou-a.
12 – E agora? – disse para o peixe. – Quê que eu faço com você?...
13 Enfiou o dedo na água: a traíra deu uma corrida, assustada, e ele tirou o dedo depressa.
14 – Você tá com fome?... E as minhocas que você me roubou no rio? Eu sei que era você;
15 devagarzinho, sem a gente sentir... Agora está aí, né? ... Tá vendo o resultado? ...
16 O peixe, quieto num canto, parecia escutar. Podia dar alguma coisa para ele comer. Talvez
17 pão. Foi olhar na lata: havia acabado. Que mais? Se a mãe estivesse em casa, ela teria dado uma
18 ideia – a mãe era boa para dar ideias. Mas ele estava sozinho. Não conseguia lembrar de outra
19 coisa. O jeito era ir comprar um pão na padaria. Mas sujo assim de barro, a roupa molhada,
20 imunda.
21 – Dane-se – disse, e foi.
22 Era domingo à noite, o quarteirão movimentado, rapazes no footing, bares cheios.
23 Enquanto ele andava, foi pensando no que acontecera. No começo, fora só curiosidade; mas
24 depois foi bacana, ficou alegre quando viu a traíra bem viva de novo, correndo pela água,
25 esperta. Mas o que faria com ela agora? Matá-la, não ia; não, não faria isso. Se ela já estivesse
26 morta, seria diferente; mas ela estava viva, e ele não queria matá-la. Mas o que faria com ela?
27 Poderia criá-la; por que não? Havia o tanquinho do quintal, tanquinho que a mãe uma vez
28 mandara fazer para criar patos. Estava entupido de terra, mas ele poderia desentupi-lo, arranjar
29 tudo; ficaria cem por cento. É, é isso o que faria. Deixaria a traíra numa lata d'água até o dia
30 seguinte e, de manhã, logo que se levantasse, iria mexer com isso.
31 Enquanto era atendido na padaria, ficou olhando para o movimento, os ruídos, o vozerio
32 do bar em frente. E então pensou na traíra, sua trairinha, deslizando silenciosamente no tanque
33 da pia, na casa escura. Era até meio besta como ele estava alegre com aquilo. E logo um peixe
34 feio como a traíra, isso é que era o mais engraçado.
35 Toda manhã – ia pensando, de volta para casa – ele desceria ao quintal, levando
36 pedacinhos de pão para ela. Além disso, arrancaria minhocas, e de vez em quando pegaria
37 alguns insetos. Uma coisa que podia fazer também era pescar depois outra traíra e trazer para
38 fazer companhia a ela; um peixe sozinho num tanque era algo muito solitário.
39 A empregada já havia chegado e estava no portão, olhando o movimento.
40 – Que peixada bonita você pegou...
41 – Você viu?
42 – Uma beleza... Tem até uma trairinha.
43 – Ela foi difícil de pegar, quase que ela escapole; ela não estava bem fisgada.
44 – Traíra é duro de morrer, hein?
45 – Duro de morrer? ...
46 Ele parou.
47 – Uai, essa que você pegou estava vivinha na hora que eu cheguei, e você ainda
48 esqueceu o tanque cheio d'água... Quando eu cheguei, ela estava toda folgada, nadando. Você
49 não está acreditando? Juro. Ela estava toda folgada, nadando.
50 – E aí?
51 – Aí? Uai, aí eu escorri a água para ela morrer; mas você pensa que ela morreu? Morreu
52 nada! Traíra é duro de morrer, nunca vi um peixe assim. Eu a coloquei para fora do tanque a
53 deixei lá, sabe? Pois acredita que ela ainda ficou mexendo? Aí eu peguei o cabo da colher e
54 taquei nele, e foi aí que ele morreu. Mas custou, ô peixinho duro de morrer! Quê que você está
55 me olhando?
56 – Por nada.
57 – Você não está acreditando? Juro; pode ir lá na cozinha ver: ela está lá do jeitinho que eu
58 deixei.
59 Ele foi caminhando para dentro.
60 – Vou ficar aqui mais um pouco – disse a empregada. – depois vou arrumar os peixes, viu?
61 – Sei.
62 Acendeu a luz da sala. Deixou o pão em cima da mesa e sentou-se. Só então notou como
63 estava cansado.
Adaptado. Luiz Vilela. O violino e outros contos. 7. ed. São Paulo: Ática, 2007. p. 36-38.
Glossário
Capanga: bolsa pequena, de tecido, couro ou plástico, usada a tiracolo.
Footing: passeio a pé, com o objetivo de arrumar namorado(a).
Guelra: estrutura do órgão respiratório da maioria dos animais aquáticos.
Rabanada: movimento brusco com o rabo.
Vozerio: som de muitas vozes juntas.
Releia o trecho “E então pensou na traíra, sua trairinha, deslizando silenciosamente no tanque da pia, na casa escura.” (l. 32). Ao empregar o diminutivo “trairinha”, pode-se inferir que a personagemResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO IV
Um peixe
1 Virou a capanga de cabeça para baixo e os peixes espalharam-se pela pia. Ele ficou
2 olhando e foi então que notou que a traíra ainda estava viva. Era o maior peixe de todos ali, mas
3 não chegava a ser grande: pouco mais de um palmo. Ela estava mexendo, suas guelras mexiam-
4 se devagar, quando todos os outros peixes já estavam mortos. Como que ela podia durar tanto
5 tempo assim fora d'água?
6 Teve então uma ideia: abrir a torneira, para ver o que acontecia. Tirou para fora os outros
7 peixes: lambaris, chorões, piaus; dentro do tanque deixou só a traíra. E então abriu a torneira: a
8 água espalhou-se e, quando cobriu a traíra, ela deu uma rabanada e disparou, ele levou um
9 susto – ela estava muito mais viva do que ele pensara, muito mais viva. Ele riu, ficou alegre e
10 divertido, olhando a traíra, que agora tinha parado num canto, o rabo oscilando de leve, a água
11 continuando a jorrar da torneira. Quando o tanque se encheu, ele fechou-a.
12 – E agora? – disse para o peixe. – Quê que eu faço com você?...
13 Enfiou o dedo na água: a traíra deu uma corrida, assustada, e ele tirou o dedo depressa.
14 – Você tá com fome?... E as minhocas que você me roubou no rio? Eu sei que era você;
15 devagarzinho, sem a gente sentir... Agora está aí, né? ... Tá vendo o resultado? ...
16 O peixe, quieto num canto, parecia escutar. Podia dar alguma coisa para ele comer. Talvez
17 pão. Foi olhar na lata: havia acabado. Que mais? Se a mãe estivesse em casa, ela teria dado uma
18 ideia – a mãe era boa para dar ideias. Mas ele estava sozinho. Não conseguia lembrar de outra
19 coisa. O jeito era ir comprar um pão na padaria. Mas sujo assim de barro, a roupa molhada,
20 imunda.
21 – Dane-se – disse, e foi.
22 Era domingo à noite, o quarteirão movimentado, rapazes no footing, bares cheios.
23 Enquanto ele andava, foi pensando no que acontecera. No começo, fora só curiosidade; mas
24 depois foi bacana, ficou alegre quando viu a traíra bem viva de novo, correndo pela água,
25 esperta. Mas o que faria com ela agora? Matá-la, não ia; não, não faria isso. Se ela já estivesse
26 morta, seria diferente; mas ela estava viva, e ele não queria matá-la. Mas o que faria com ela?
27 Poderia criá-la; por que não? Havia o tanquinho do quintal, tanquinho que a mãe uma vez
28 mandara fazer para criar patos. Estava entupido de terra, mas ele poderia desentupi-lo, arranjar
29 tudo; ficaria cem por cento. É, é isso o que faria. Deixaria a traíra numa lata d'água até o dia
30 seguinte e, de manhã, logo que se levantasse, iria mexer com isso.
31 Enquanto era atendido na padaria, ficou olhando para o movimento, os ruídos, o vozerio
32 do bar em frente. E então pensou na traíra, sua trairinha, deslizando silenciosamente no tanque
33 da pia, na casa escura. Era até meio besta como ele estava alegre com aquilo. E logo um peixe
34 feio como a traíra, isso é que era o mais engraçado.
35 Toda manhã – ia pensando, de volta para casa – ele desceria ao quintal, levando
36 pedacinhos de pão para ela. Além disso, arrancaria minhocas, e de vez em quando pegaria
37 alguns insetos. Uma coisa que podia fazer também era pescar depois outra traíra e trazer para
38 fazer companhia a ela; um peixe sozinho num tanque era algo muito solitário.
39 A empregada já havia chegado e estava no portão, olhando o movimento.
40 – Que peixada bonita você pegou...
41 – Você viu?
42 – Uma beleza... Tem até uma trairinha.
43 – Ela foi difícil de pegar, quase que ela escapole; ela não estava bem fisgada.
44 – Traíra é duro de morrer, hein?
45 – Duro de morrer? ...
46 Ele parou.
47 – Uai, essa que você pegou estava vivinha na hora que eu cheguei, e você ainda
48 esqueceu o tanque cheio d'água... Quando eu cheguei, ela estava toda folgada, nadando. Você
49 não está acreditando? Juro. Ela estava toda folgada, nadando.
50 – E aí?
51 – Aí? Uai, aí eu escorri a água para ela morrer; mas você pensa que ela morreu? Morreu
52 nada! Traíra é duro de morrer, nunca vi um peixe assim. Eu a coloquei para fora do tanque a
53 deixei lá, sabe? Pois acredita que ela ainda ficou mexendo? Aí eu peguei o cabo da colher e
54 taquei nele, e foi aí que ele morreu. Mas custou, ô peixinho duro de morrer! Quê que você está
55 me olhando?
56 – Por nada.
57 – Você não está acreditando? Juro; pode ir lá na cozinha ver: ela está lá do jeitinho que eu
58 deixei.
59 Ele foi caminhando para dentro.
60 – Vou ficar aqui mais um pouco – disse a empregada. – depois vou arrumar os peixes, viu?
61 – Sei.
62 Acendeu a luz da sala. Deixou o pão em cima da mesa e sentou-se. Só então notou como
63 estava cansado.
Adaptado. Luiz Vilela. O violino e outros contos. 7. ed. São Paulo: Ática, 2007. p. 36-38.
Glossário
Capanga: bolsa pequena, de tecido, couro ou plástico, usada a tiracolo.
Footing: passeio a pé, com o objetivo de arrumar namorado(a).
Guelra: estrutura do órgão respiratório da maioria dos animais aquáticos.
Rabanada: movimento brusco com o rabo.
Vozerio: som de muitas vozes juntas.
O narrador, nos primeiros parágrafos, detalha a cena em que a personagem principal volta da pescaria. O interesse do garoto pela traíra cresce, na medida em queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO IV
Um peixe
1 Virou a capanga de cabeça para baixo e os peixes espalharam-se pela pia. Ele ficou
2 olhando e foi então que notou que a traíra ainda estava viva. Era o maior peixe de todos ali, mas
3 não chegava a ser grande: pouco mais de um palmo. Ela estava mexendo, suas guelras mexiam-
4 se devagar, quando todos os outros peixes já estavam mortos. Como que ela podia durar tanto
5 tempo assim fora d'água?
6 Teve então uma ideia: abrir a torneira, para ver o que acontecia. Tirou para fora os outros
7 peixes: lambaris, chorões, piaus; dentro do tanque deixou só a traíra. E então abriu a torneira: a
8 água espalhou-se e, quando cobriu a traíra, ela deu uma rabanada e disparou, ele levou um
9 susto – ela estava muito mais viva do que ele pensara, muito mais viva. Ele riu, ficou alegre e
10 divertido, olhando a traíra, que agora tinha parado num canto, o rabo oscilando de leve, a água
11 continuando a jorrar da torneira. Quando o tanque se encheu, ele fechou-a.
12 – E agora? – disse para o peixe. – Quê que eu faço com você?...
13 Enfiou o dedo na água: a traíra deu uma corrida, assustada, e ele tirou o dedo depressa.
14 – Você tá com fome?... E as minhocas que você me roubou no rio? Eu sei que era você;
15 devagarzinho, sem a gente sentir... Agora está aí, né? ... Tá vendo o resultado? ...
16 O peixe, quieto num canto, parecia escutar. Podia dar alguma coisa para ele comer. Talvez
17 pão. Foi olhar na lata: havia acabado. Que mais? Se a mãe estivesse em casa, ela teria dado uma
18 ideia – a mãe era boa para dar ideias. Mas ele estava sozinho. Não conseguia lembrar de outra
19 coisa. O jeito era ir comprar um pão na padaria. Mas sujo assim de barro, a roupa molhada,
20 imunda.
21 – Dane-se – disse, e foi.
22 Era domingo à noite, o quarteirão movimentado, rapazes no footing, bares cheios.
23 Enquanto ele andava, foi pensando no que acontecera. No começo, fora só curiosidade; mas
24 depois foi bacana, ficou alegre quando viu a traíra bem viva de novo, correndo pela água,
25 esperta. Mas o que faria com ela agora? Matá-la, não ia; não, não faria isso. Se ela já estivesse
26 morta, seria diferente; mas ela estava viva, e ele não queria matá-la. Mas o que faria com ela?
27 Poderia criá-la; por que não? Havia o tanquinho do quintal, tanquinho que a mãe uma vez
28 mandara fazer para criar patos. Estava entupido de terra, mas ele poderia desentupi-lo, arranjar
29 tudo; ficaria cem por cento. É, é isso o que faria. Deixaria a traíra numa lata d'água até o dia
30 seguinte e, de manhã, logo que se levantasse, iria mexer com isso.
31 Enquanto era atendido na padaria, ficou olhando para o movimento, os ruídos, o vozerio
32 do bar em frente. E então pensou na traíra, sua trairinha, deslizando silenciosamente no tanque
33 da pia, na casa escura. Era até meio besta como ele estava alegre com aquilo. E logo um peixe
34 feio como a traíra, isso é que era o mais engraçado.
35 Toda manhã – ia pensando, de volta para casa – ele desceria ao quintal, levando
36 pedacinhos de pão para ela. Além disso, arrancaria minhocas, e de vez em quando pegaria
37 alguns insetos. Uma coisa que podia fazer também era pescar depois outra traíra e trazer para
38 fazer companhia a ela; um peixe sozinho num tanque era algo muito solitário.
39 A empregada já havia chegado e estava no portão, olhando o movimento.
40 – Que peixada bonita você pegou...
41 – Você viu?
42 – Uma beleza... Tem até uma trairinha.
43 – Ela foi difícil de pegar, quase que ela escapole; ela não estava bem fisgada.
44 – Traíra é duro de morrer, hein?
45 – Duro de morrer? ...
46 Ele parou.
47 – Uai, essa que você pegou estava vivinha na hora que eu cheguei, e você ainda
48 esqueceu o tanque cheio d'água... Quando eu cheguei, ela estava toda folgada, nadando. Você
49 não está acreditando? Juro. Ela estava toda folgada, nadando.
50 – E aí?
51 – Aí? Uai, aí eu escorri a água para ela morrer; mas você pensa que ela morreu? Morreu
52 nada! Traíra é duro de morrer, nunca vi um peixe assim. Eu a coloquei para fora do tanque a
53 deixei lá, sabe? Pois acredita que ela ainda ficou mexendo? Aí eu peguei o cabo da colher e
54 taquei nele, e foi aí que ele morreu. Mas custou, ô peixinho duro de morrer! Quê que você está
55 me olhando?
56 – Por nada.
57 – Você não está acreditando? Juro; pode ir lá na cozinha ver: ela está lá do jeitinho que eu
58 deixei.
59 Ele foi caminhando para dentro.
60 – Vou ficar aqui mais um pouco – disse a empregada. – depois vou arrumar os peixes, viu?
61 – Sei.
62 Acendeu a luz da sala. Deixou o pão em cima da mesa e sentou-se. Só então notou como
63 estava cansado.
Adaptado. Luiz Vilela. O violino e outros contos. 7. ed. São Paulo: Ática, 2007. p. 36-38.
Glossário
Capanga: bolsa pequena, de tecido, couro ou plástico, usada a tiracolo.
Footing: passeio a pé, com o objetivo de arrumar namorado(a).
Guelra: estrutura do órgão respiratório da maioria dos animais aquáticos.
Rabanada: movimento brusco com o rabo.
Vozerio: som de muitas vozes juntas.
No texto IV, a expressão “toda folgada” (l. 48) remete-se ao fato de queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO IV
Um peixe
1 Virou a capanga de cabeça para baixo e os peixes espalharam-se pela pia. Ele ficou
2 olhando e foi então que notou que a traíra ainda estava viva. Era o maior peixe de todos ali, mas
3 não chegava a ser grande: pouco mais de um palmo. Ela estava mexendo, suas guelras mexiam-
4 se devagar, quando todos os outros peixes já estavam mortos. Como que ela podia durar tanto
5 tempo assim fora d'água?
6 Teve então uma ideia: abrir a torneira, para ver o que acontecia. Tirou para fora os outros
7 peixes: lambaris, chorões, piaus; dentro do tanque deixou só a traíra. E então abriu a torneira: a
8 água espalhou-se e, quando cobriu a traíra, ela deu uma rabanada e disparou, ele levou um
9 susto – ela estava muito mais viva do que ele pensara, muito mais viva. Ele riu, ficou alegre e
10 divertido, olhando a traíra, que agora tinha parado num canto, o rabo oscilando de leve, a água
11 continuando a jorrar da torneira. Quando o tanque se encheu, ele fechou-a.
12 – E agora? – disse para o peixe. – Quê que eu faço com você?...
13 Enfiou o dedo na água: a traíra deu uma corrida, assustada, e ele tirou o dedo depressa.
14 – Você tá com fome?... E as minhocas que você me roubou no rio? Eu sei que era você;
15 devagarzinho, sem a gente sentir... Agora está aí, né? ... Tá vendo o resultado? ...
16 O peixe, quieto num canto, parecia escutar. Podia dar alguma coisa para ele comer. Talvez
17 pão. Foi olhar na lata: havia acabado. Que mais? Se a mãe estivesse em casa, ela teria dado uma
18 ideia – a mãe era boa para dar ideias. Mas ele estava sozinho. Não conseguia lembrar de outra
19 coisa. O jeito era ir comprar um pão na padaria. Mas sujo assim de barro, a roupa molhada,
20 imunda.
21 – Dane-se – disse, e foi.
22 Era domingo à noite, o quarteirão movimentado, rapazes no footing, bares cheios.
23 Enquanto ele andava, foi pensando no que acontecera. No começo, fora só curiosidade; mas
24 depois foi bacana, ficou alegre quando viu a traíra bem viva de novo, correndo pela água,
25 esperta. Mas o que faria com ela agora? Matá-la, não ia; não, não faria isso. Se ela já estivesse
26 morta, seria diferente; mas ela estava viva, e ele não queria matá-la. Mas o que faria com ela?
27 Poderia criá-la; por que não? Havia o tanquinho do quintal, tanquinho que a mãe uma vez
28 mandara fazer para criar patos. Estava entupido de terra, mas ele poderia desentupi-lo, arranjar
29 tudo; ficaria cem por cento. É, é isso o que faria. Deixaria a traíra numa lata d'água até o dia
30 seguinte e, de manhã, logo que se levantasse, iria mexer com isso.
31 Enquanto era atendido na padaria, ficou olhando para o movimento, os ruídos, o vozerio
32 do bar em frente. E então pensou na traíra, sua trairinha, deslizando silenciosamente no tanque
33 da pia, na casa escura. Era até meio besta como ele estava alegre com aquilo. E logo um peixe
34 feio como a traíra, isso é que era o mais engraçado.
35 Toda manhã – ia pensando, de volta para casa – ele desceria ao quintal, levando
36 pedacinhos de pão para ela. Além disso, arrancaria minhocas, e de vez em quando pegaria
37 alguns insetos. Uma coisa que podia fazer também era pescar depois outra traíra e trazer para
38 fazer companhia a ela; um peixe sozinho num tanque era algo muito solitário.
39 A empregada já havia chegado e estava no portão, olhando o movimento.
40 – Que peixada bonita você pegou...
41 – Você viu?
42 – Uma beleza... Tem até uma trairinha.
43 – Ela foi difícil de pegar, quase que ela escapole; ela não estava bem fisgada.
44 – Traíra é duro de morrer, hein?
45 – Duro de morrer? ...
46 Ele parou.
47 – Uai, essa que você pegou estava vivinha na hora que eu cheguei, e você ainda
48 esqueceu o tanque cheio d'água... Quando eu cheguei, ela estava toda folgada, nadando. Você
49 não está acreditando? Juro. Ela estava toda folgada, nadando.
50 – E aí?
51 – Aí? Uai, aí eu escorri a água para ela morrer; mas você pensa que ela morreu? Morreu
52 nada! Traíra é duro de morrer, nunca vi um peixe assim. Eu a coloquei para fora do tanque a
53 deixei lá, sabe? Pois acredita que ela ainda ficou mexendo? Aí eu peguei o cabo da colher e
54 taquei nele, e foi aí que ele morreu. Mas custou, ô peixinho duro de morrer! Quê que você está
55 me olhando?
56 – Por nada.
57 – Você não está acreditando? Juro; pode ir lá na cozinha ver: ela está lá do jeitinho que eu
58 deixei.
59 Ele foi caminhando para dentro.
60 – Vou ficar aqui mais um pouco – disse a empregada. – depois vou arrumar os peixes, viu?
61 – Sei.
62 Acendeu a luz da sala. Deixou o pão em cima da mesa e sentou-se. Só então notou como
63 estava cansado.
Adaptado. Luiz Vilela. O violino e outros contos. 7. ed. São Paulo: Ática, 2007. p. 36-38.
Glossário
Capanga: bolsa pequena, de tecido, couro ou plástico, usada a tiracolo.
Footing: passeio a pé, com o objetivo de arrumar namorado(a).
Guelra: estrutura do órgão respiratório da maioria dos animais aquáticos.
Rabanada: movimento brusco com o rabo.
Vozerio: som de muitas vozes juntas.
No texto IV, há algumas perguntas que não estão indicadas pelo uso do travessão. Observe:
![]()
Essas perguntas referem-se, literalmente, a qual voz?
TEXTO IV
Um peixe
1 Virou a capanga de cabeça para baixo e os peixes espalharam-se pela pia. Ele ficou
2 olhando e foi então que notou que a traíra ainda estava viva. Era o maior peixe de todos ali, mas
3 não chegava a ser grande: pouco mais de um palmo. Ela estava mexendo, suas guelras mexiam-
4 se devagar, quando todos os outros peixes já estavam mortos. Como que ela podia durar tanto
5 tempo assim fora d'água?
6 Teve então uma ideia: abrir a torneira, para ver o que acontecia. Tirou para fora os outros
7 peixes: lambaris, chorões, piaus; dentro do tanque deixou só a traíra. E então abriu a torneira: a
8 água espalhou-se e, quando cobriu a traíra, ela deu uma rabanada e disparou, ele levou um
9 susto – ela estava muito mais viva do que ele pensara, muito mais viva. Ele riu, ficou alegre e
10 divertido, olhando a traíra, que agora tinha parado num canto, o rabo oscilando de leve, a água
11 continuando a jorrar da torneira. Quando o tanque se encheu, ele fechou-a.
12 – E agora? – disse para o peixe. – Quê que eu faço com você?...
13 Enfiou o dedo na água: a traíra deu uma corrida, assustada, e ele tirou o dedo depressa.
14 – Você tá com fome?... E as minhocas que você me roubou no rio? Eu sei que era você;
15 devagarzinho, sem a gente sentir... Agora está aí, né? ... Tá vendo o resultado? ...
16 O peixe, quieto num canto, parecia escutar. Podia dar alguma coisa para ele comer. Talvez
17 pão. Foi olhar na lata: havia acabado. Que mais? Se a mãe estivesse em casa, ela teria dado uma
18 ideia – a mãe era boa para dar ideias. Mas ele estava sozinho. Não conseguia lembrar de outra
19 coisa. O jeito era ir comprar um pão na padaria. Mas sujo assim de barro, a roupa molhada,
20 imunda.
21 – Dane-se – disse, e foi.
22 Era domingo à noite, o quarteirão movimentado, rapazes no footing, bares cheios.
23 Enquanto ele andava, foi pensando no que acontecera. No começo, fora só curiosidade; mas
24 depois foi bacana, ficou alegre quando viu a traíra bem viva de novo, correndo pela água,
25 esperta. Mas o que faria com ela agora? Matá-la, não ia; não, não faria isso. Se ela já estivesse
26 morta, seria diferente; mas ela estava viva, e ele não queria matá-la. Mas o que faria com ela?
27 Poderia criá-la; por que não? Havia o tanquinho do quintal, tanquinho que a mãe uma vez
28 mandara fazer para criar patos. Estava entupido de terra, mas ele poderia desentupi-lo, arranjar
29 tudo; ficaria cem por cento. É, é isso o que faria. Deixaria a traíra numa lata d'água até o dia
30 seguinte e, de manhã, logo que se levantasse, iria mexer com isso.
31 Enquanto era atendido na padaria, ficou olhando para o movimento, os ruídos, o vozerio
32 do bar em frente. E então pensou na traíra, sua trairinha, deslizando silenciosamente no tanque
33 da pia, na casa escura. Era até meio besta como ele estava alegre com aquilo. E logo um peixe
34 feio como a traíra, isso é que era o mais engraçado.
35 Toda manhã – ia pensando, de volta para casa – ele desceria ao quintal, levando
36 pedacinhos de pão para ela. Além disso, arrancaria minhocas, e de vez em quando pegaria
37 alguns insetos. Uma coisa que podia fazer também era pescar depois outra traíra e trazer para
38 fazer companhia a ela; um peixe sozinho num tanque era algo muito solitário.
39 A empregada já havia chegado e estava no portão, olhando o movimento.
40 – Que peixada bonita você pegou...
41 – Você viu?
42 – Uma beleza... Tem até uma trairinha.
43 – Ela foi difícil de pegar, quase que ela escapole; ela não estava bem fisgada.
44 – Traíra é duro de morrer, hein?
45 – Duro de morrer? ...
46 Ele parou.
47 – Uai, essa que você pegou estava vivinha na hora que eu cheguei, e você ainda
48 esqueceu o tanque cheio d'água... Quando eu cheguei, ela estava toda folgada, nadando. Você
49 não está acreditando? Juro. Ela estava toda folgada, nadando.
50 – E aí?
51 – Aí? Uai, aí eu escorri a água para ela morrer; mas você pensa que ela morreu? Morreu
52 nada! Traíra é duro de morrer, nunca vi um peixe assim. Eu a coloquei para fora do tanque a
53 deixei lá, sabe? Pois acredita que ela ainda ficou mexendo? Aí eu peguei o cabo da colher e
54 taquei nele, e foi aí que ele morreu. Mas custou, ô peixinho duro de morrer! Quê que você está
55 me olhando?
56 – Por nada.
57 – Você não está acreditando? Juro; pode ir lá na cozinha ver: ela está lá do jeitinho que eu
58 deixei.
59 Ele foi caminhando para dentro.
60 – Vou ficar aqui mais um pouco – disse a empregada. – depois vou arrumar os peixes, viu?
61 – Sei.
62 Acendeu a luz da sala. Deixou o pão em cima da mesa e sentou-se. Só então notou como
63 estava cansado.
Adaptado. Luiz Vilela. O violino e outros contos. 7. ed. São Paulo: Ática, 2007. p. 36-38.
Glossário
Capanga: bolsa pequena, de tecido, couro ou plástico, usada a tiracolo.
Footing: passeio a pé, com o objetivo de arrumar namorado(a).
Guelra: estrutura do órgão respiratório da maioria dos animais aquáticos.
Rabanada: movimento brusco com o rabo.
Vozerio: som de muitas vozes juntas.
Na frase “– Ela foi difícil de pegar, quase que ela escapole” (l. 43), haverá alteração de sentido se a palavra escapole for substituída porResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO V
COMUNICAÇÃO
1 — Posso ajudá-lo, cavalheiro?
2 — Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...
3 — Pois não?
4 — Um... como é mesmo o nome?
5 — Sim?
7 — Poxa! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples,
8 conhecidíssima.
9 — Sim, senhor.
10 — O senhor vai dar risada quando souber.
11 — Sim, senhor.
12 — Olha, é pontuda, certo?
13 — O quê, cavalheiro?
14 — Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem
15 reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que
16 esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde
17 encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa
18 pontuda que fecha. Entende?
19 — Infelizmente, cavalheiro...
20 — Ora, você sabe do que eu estou falando.
21 — Estou me esforçando, mas...
22 — Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?
23 — Se o senhor diz, cavalheiro.
24 — Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome
25 da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.
26 — Sim, senhor. Pontudo numa ponta.
27 — Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?
28 — Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor
29 desenha para nós?
30 — Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma negação em
31 desenho.
32 — Sinto muito.
33 — Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não sou um débil
34 mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do nome desse raio. Mas fora isso,
35 tudo bem. O desenho não me faz falta. Lido com números. Tenho algum problema com os números
36 mais complicados, claro. O oito, por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um
37 débil mental, como você está pensando.
38 — Eu não estou pensando nada, cavalheiro.
39 — Chame o gerente.
40 — Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o
41 senhor quer, é feito do quê?
42 — É de, sei lá. De metal.
43 — Muito bem. De metal. Ela se move?
44 — Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa
45 na ponta, assim.
46 — Tem mais de uma peça? Já vem montado?
47 — É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço.
48 — Francamente...
49 — Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra
50 volta e clique, encaixa.
51 — Ah, tem clique. É elétrico.
52 — Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar.
53 — Já sei!
54 — Ótimo!
55 — O senhor quer uma antena externa de televisão.
56 — Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo...
57 — Tentemos por outro lado. Para o que serve?
58 — Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda por
59 aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa.
60 — Certo. Esse instrumento que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco alfinete
61 de segurança e...
62 — Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!
63 — Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!
64 — É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como é mesmo o nome?
Luis Fernando Veríssimo. In: Carlos Eduardo Novaes et AL. Para gostar de ler: crônicas. São Paulo: Ática, 1981. v. 7. p. 35.
Sobre o texto V, é possível afirmar que o homemResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO V
COMUNICAÇÃO
1 — Posso ajudá-lo, cavalheiro?
2 — Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...
3 — Pois não?
4 — Um... como é mesmo o nome?
5 — Sim?
7 — Poxa! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples,
8 conhecidíssima.
9 — Sim, senhor.
10 — O senhor vai dar risada quando souber.
11 — Sim, senhor.
12 — Olha, é pontuda, certo?
13 — O quê, cavalheiro?
14 — Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem
15 reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que
16 esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde
17 encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa
18 pontuda que fecha. Entende?
19 — Infelizmente, cavalheiro...
20 — Ora, você sabe do que eu estou falando.
21 — Estou me esforçando, mas...
22 — Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?
23 — Se o senhor diz, cavalheiro.
24 — Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome
25 da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.
26 — Sim, senhor. Pontudo numa ponta.
27 — Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?
28 — Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor
29 desenha para nós?
30 — Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma negação em
31 desenho.
32 — Sinto muito.
33 — Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não sou um débil
34 mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do nome desse raio. Mas fora isso,
35 tudo bem. O desenho não me faz falta. Lido com números. Tenho algum problema com os números
36 mais complicados, claro. O oito, por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um
37 débil mental, como você está pensando.
38 — Eu não estou pensando nada, cavalheiro.
39 — Chame o gerente.
40 — Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o
41 senhor quer, é feito do quê?
42 — É de, sei lá. De metal.
43 — Muito bem. De metal. Ela se move?
44 — Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa
45 na ponta, assim.
46 — Tem mais de uma peça? Já vem montado?
47 — É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço.
48 — Francamente...
49 — Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra
50 volta e clique, encaixa.
51 — Ah, tem clique. É elétrico.
52 — Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar.
53 — Já sei!
54 — Ótimo!
55 — O senhor quer uma antena externa de televisão.
56 — Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo...
57 — Tentemos por outro lado. Para o que serve?
58 — Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda por
59 aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa.
60 — Certo. Esse instrumento que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco alfinete
61 de segurança e...
62 — Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!
63 — Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!
64 — É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como é mesmo o nome?
Luis Fernando Veríssimo. In: Carlos Eduardo Novaes et AL. Para gostar de ler: crônicas. São Paulo: Ática, 1981. v. 7. p. 35.
Com base na leitura, indique qual das assertivas explicita o assunto principal do Texto V.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO V
COMUNICAÇÃO
1 — Posso ajudá-lo, cavalheiro?
2 — Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...
3 — Pois não?
4 — Um... como é mesmo o nome?
5 — Sim?
7 — Poxa! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples,
8 conhecidíssima.
9 — Sim, senhor.
10 — O senhor vai dar risada quando souber.
11 — Sim, senhor.
12 — Olha, é pontuda, certo?
13 — O quê, cavalheiro?
14 — Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem
15 reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que
16 esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde
17 encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa
18 pontuda que fecha. Entende?
19 — Infelizmente, cavalheiro...
20 — Ora, você sabe do que eu estou falando.
21 — Estou me esforçando, mas...
22 — Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?
23 — Se o senhor diz, cavalheiro.
24 — Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome
25 da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.
26 — Sim, senhor. Pontudo numa ponta.
27 — Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?
28 — Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor
29 desenha para nós?
30 — Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma negação em
31 desenho.
32 — Sinto muito.
33 — Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não sou um débil
34 mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do nome desse raio. Mas fora isso,
35 tudo bem. O desenho não me faz falta. Lido com números. Tenho algum problema com os números
36 mais complicados, claro. O oito, por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um
37 débil mental, como você está pensando.
38 — Eu não estou pensando nada, cavalheiro.
39 — Chame o gerente.
40 — Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o
41 senhor quer, é feito do quê?
42 — É de, sei lá. De metal.
43 — Muito bem. De metal. Ela se move?
44 — Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa
45 na ponta, assim.
46 — Tem mais de uma peça? Já vem montado?
47 — É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço.
48 — Francamente...
49 — Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra
50 volta e clique, encaixa.
51 — Ah, tem clique. É elétrico.
52 — Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar.
53 — Já sei!
54 — Ótimo!
55 — O senhor quer uma antena externa de televisão.
56 — Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo...
57 — Tentemos por outro lado. Para o que serve?
58 — Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda por
59 aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa.
60 — Certo. Esse instrumento que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco alfinete
61 de segurança e...
62 — Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!
63 — Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!
64 — É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como é mesmo o nome?
Luis Fernando Veríssimo. In: Carlos Eduardo Novaes et AL. Para gostar de ler: crônicas. São Paulo: Ática, 1981. v. 7. p. 35.
O texto fala da importância de saber comunicar o que se quer. No trecho “Posso ajudá-lo, cavalheiro?”, a vírgula indica que a personagemResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO V
COMUNICAÇÃO
1 — Posso ajudá-lo, cavalheiro?
2 — Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...
3 — Pois não?
4 — Um... como é mesmo o nome?
5 — Sim?
7 — Poxa! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples,
8 conhecidíssima.
9 — Sim, senhor.
10 — O senhor vai dar risada quando souber.
11 — Sim, senhor.
12 — Olha, é pontuda, certo?
13 — O quê, cavalheiro?
14 — Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem
15 reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que
16 esta é mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde
17 encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa
18 pontuda que fecha. Entende?
19 — Infelizmente, cavalheiro...
20 — Ora, você sabe do que eu estou falando.
21 — Estou me esforçando, mas...
22 — Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?
23 — Se o senhor diz, cavalheiro.
24 — Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome
25 da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.
26 — Sim, senhor. Pontudo numa ponta.
27 — Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?
28 — Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor
29 desenha para nós?
30 — Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma negação em
31 desenho.
32 — Sinto muito.
33 — Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não sou um débil
34 mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do nome desse raio. Mas fora isso,
35 tudo bem. O desenho não me faz falta. Lido com números. Tenho algum problema com os números
36 mais complicados, claro. O oito, por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um
37 débil mental, como você está pensando.
38 — Eu não estou pensando nada, cavalheiro.
39 — Chame o gerente.
40 — Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o
41 senhor quer, é feito do quê?
42 — É de, sei lá. De metal.
43 — Muito bem. De metal. Ela se move?
44 — Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa
45 na ponta, assim.
46 — Tem mais de uma peça? Já vem montado?
47 — É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço.
48 — Francamente...
49 — Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra
50 volta e clique, encaixa.
51 — Ah, tem clique. É elétrico.
52 — Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar.
53 — Já sei!
54 — Ótimo!
55 — O senhor quer uma antena externa de televisão.
56 — Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo...
57 — Tentemos por outro lado. Para o que serve?
58 — Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda por
59 aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa.
60 — Certo. Esse instrumento que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco alfinete
61 de segurança e...
62 — Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!
63 — Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!
64 — É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como é mesmo o nome?
Luis Fernando Veríssimo. In: Carlos Eduardo Novaes et AL. Para gostar de ler: crônicas. São Paulo: Ática, 1981. v. 7. p. 35.
Ainda sobre o fragmento, a seguir, extraído do texto V, as aspas foram empregadas para
“Posso ajudá-lo, cavalheiro?”Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO VI
![]()
Disponível em:<HTTPS://www.google.com/search?e+papel>. Acesso em: 04 de agosto de 2023.
Considerando o contexto dessa mensagem, a palavra “papelão”, figurativamente, pode ser associada
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base:
Texto-base: