← Voltar para a lista de provas Colégio Militar de Manaus (CMM) — Exército Brasileiro, DECEx/DEPA · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental 40 questões nesta prova · página 2 de 2 · 40 com gabarito Gabarito disponível Foco narrativo de "Os Teixeiras moravam em frente". O narrador participa da história e usa "nós", "lá de casa" e "eu me lembro". É um narrador-personagem em primeira pessoa. B) Não é terceira pessoa. C) Não existe narrativa em segunda pessoa no texto. D) O narrador não é onisciente nem observador externo. E) Ele participa da ação, então não é testemunha. Referência: Foco narrativo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Opiniões sobre a troca das pedras por paralelepípedos. O narrador achou os paralelepípedos feios e o nome horroroso. Já o prefeito dizia a palavra com importância, como se fosse a glória de Cachoeiro e o progresso supremo da humanidade. Havia, portanto, opiniões divergentes. A) O texto não diz que o capim tinha medo. B) Não há registro da opinião das Teixeiras. C) A comparação com estádios não ocorre depois da troca. D) Quem vê progresso supremo é o prefeito, e o narrador discorda. Referência: Interpretação de texto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Sentido de "vaca-brava maior" no texto. No trecho, "a gente punha dois menores para equilibrar um vaca-brava maior". A expressão designa um garoto maior e mais forte, que valia por dois menores no equilíbrio das equipes. A) Fala em substituir um jogador agressivo, mas o texto trata de equilibrar os times. C) Confunde a expressão com o número de jogadores. D) Inventa um movimento de drible. E) Não se fala em animais no campo. Referência: Semântica contextual. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Função dos dois-pontos nos dois trechos. Em ambos os trechos, o que vem depois dos dois-pontos explica ou esclarece o que veio antes. "Não tínhamos nada contra eles: o velho..." explica a afirmação, e "um pecado fundamental: elas não compreendiam..." esclarece qual era o pecado. A) Não há enumeração. B) Os dois-pontos não indicam pronome pessoal. D) Não há citação. E) Não é exemplo; é esclarecimento. Referência: Emprego dos dois-pontos. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Análise do emprego das vírgulas no trecho. Somente a afirmativa III está correta, de acordo com o gabarito: a segunda vírgula separa e organiza os termos do enunciado, evitando repetição. A afirmativa I é falsa porque travessões mudariam a função da pontuação. A afirmativa II é falsa porque a vírgula é necessária para separar os termos e a oração. A, B, D e E incluem a afirmativa I ou a II, que são incorretas por tratarem as vírgulas como substituíveis por travessão ou como dispensáveis. Referência: Pontuação: vírgula. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Ordem das descrições no texto. O texto apresenta primeiro os homens da família (2º parágrafo), depois as Teixeiras (3º), em seguida o campo de futebol (rua e paralelepípedos, 5º e 6º) e, por último, a falta de entusiasmo das Teixeiras (parágrafo final). B, C, D e E invertem a ordem real dos elementos no texto. Referência: Organização das ideias do texto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Sequência textual predominante no trecho. O trecho detalha as características de dois homens da família Teixeira: o velho, sério e cordial, e o outro, de voz grossa, valentão e ausente. Predomina, portanto, a sequência descritiva. A) A descrição não mostra consequências. B) Não há discurso direto. C) Não é argumentação, e os homens não eram inimigos. D) A visão dos Teixeiras não é apresentada, e a relação conturbada é com as irmãs, tratadas depois. Referência: Tipologia textual: descrição. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Valor da conjunção "mas" no início do 3º parágrafo. O parágrafo anterior mostra que os homens da família não incomodavam os meninos. O "Mas havia as Teixeiras" introduz uma oposição, pois as mulheres, ao contrário dos homens, eram "inimigas" dos meninos que jogavam na rua. A) O "mas" não nega, e as Teixeiras se incomodavam. C) Não é comparação. D) Não há condição imposta. E) Não indica tempo. Referência: Conjunções adversativas. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Compreensão do texto informativo sobre brinquedos modernos. O texto afirma que os brinquedos modernos "não sejam os vilões que muitos educadores costumavam pintar". Logo, os educadores os interpretaram mal e os tratavam como vilões. B) O fato é real e baseado em pesquisas. C) Não há memórias afetivas do autor. D) O texto não contesta a tecnologia; ao contrário, mostra seus benefícios. E) O texto é informativo, não injuntivo. Referência: Gêneros textuais e interpretação. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Recurso de elipse para evitar repetição de termos. Em "As crianças também" omite-se o verbo ("mudaram"), o que é uma elipse. Em "diferentes das do passado" omite-se o substantivo "crianças" ("das crianças do passado"), que também é elipse e evita repetir o termo. A) "Também" só adiciona uma ideia, e não há termo omitido. B) "Saber dosar" é verbo sem complemento explícito, mas não é o mesmo recurso. D) e E) Não há omissão de termo repetido, são frases completas. Referência: Coesão textual: elipse. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Sentido figurado do jogador que flutua no ar. Os versos dizem que o jogador flutua, "gravado no ar", e que seu corpo é triunfante sobre a "triste lei da gravidade". Isso significa que, por um instante, ele vence a gravidade e flutua. A) Contradiz o poema, que fala em triunfo sobre a gravidade. B) "Lúdicos" é confundido com "lúcidos". C) "Gravado" é lido como "gravar o nome", leitura incorreta. E) O texto não diz que só jogadores de futebol dominam o corpo no ar. Referência: Linguagem figurada. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Sentido de "feéricos" no contexto. "Feérico" significa relativo a fadas, mágico ou deslumbrante. O adjetivo qualifica os "desenhos" feitos pelos jogadores, isto é, as jogadas, e dá a elas um caráter encantado e belo. A) Fala em jogadas feias, o oposto do sentido. C) Confunde com ferro. D) Descreve alegria, que não é o sentido da palavra. E) Fala em intensidade, que também não é o sentido. Referência: Semântica contextual. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Interpretação do poema sobre onde se joga futebol. O poema abre com a pergunta "Futebol se joga no estádio?" e depois lista outros lugares (praia, rua, alma). Isso mostra que o estádio é só mais um local possível, e a "copa-mundo" e o morro são tratados como equivalentes na volúpia de chutar. B) O texto não diz que basta uma bola para virar craque. C) Não há comparação em que campeonatos sejam mais prazerosos que o morro. D) O poeta não é contra os estádios. E) O "apenas" é indevido, pois o estádio também é citado como possibilidade. Referência: Interpretação de texto poético. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Função do travessão no último verso do poema. O trecho "— afinal, o corpo triunfante" funciona como um aposto ou comentário intercalado: "o jogador, gravado no ar, afinal o corpo triunfante da triste lei da gravidade". O travessão pode ser trocado por vírgula sem que o sentido do verso mude. A) Não há interrupção de pensamento, porque a frase segue normalmente. B) O travessão não marca admiração; quem faz isso é a escolha das palavras. C) Não há diálogo no poema. D) Não há citação. E) Correta. Referência: Emprego do travessão e da vírgula. Resolução comentada do VaiConcursos.Colégio Militar de Manaus — Concurso de Admissão 2023/2024 — 6º Ano do Ensino Fundamental — Matemática e Língua Portuguesa
TEXTO I
Os Teixeiras moravam em frente
Para não dar nome certo digamos assim: os Teixeiras moravam quase defronte lá de casa.
Não tínhamos nada contra eles: o velho, de bigodes brancos, era sério e cordial e às vezes até nos cumprimentava com deferência. O outro homem da casa tinha uma voz grossa e alta, mas nunca interferiu em nossa vida, e passava a maior parte do tempo em uma fazenda fora da cidade; além disso, seu jeito de valentão nos agradava, porque ele torcia para o mesmo time que nós.
Mas havia as Teixeiras. Quantas eram, oito ou 20, as irmãs Teixeiras? Sei que era uma casa térrea muito, muito longa, cheia de janelas que davam para a rua, e em cada janela havia uma Teixeira espiando. Havia umas que eram boazinhas, mas em conjunto as irmãs Teixeiras eram nossas inimigas, acho que principalmente as mais velhas e mais magras.
As Teixeiras tinham um pecado fundamental: elas não compreendiam que em uma cidade estrangulada entre morros, nós, a infância, teríamos de andar muito para arranjar um campo de futebol; e, portanto, o nosso campo natural para chutar uma bola de borracha ou de meia era a rua mesmo.
Jogávamos descalços, a rua era calçada de pedras irregulares (só muitos anos depois vieram os paralelepípedos, e eu me lembro que os achei feios, com sua cor de granito, sem a doçura das pedras polidas entre as quais medrava capim; e achei o nome também horroroso, insuportável, paralelepípedos, nome que o prefeito dizia com muita importância, parece que a grande glória de Cachoeiro e o progresso supremo da humanidade residia nessa palavra imensa e antipática - paralelepípedos); mas, como eu ia dizendo, a gente dava tanta topada que todos tínhamos os pés escalavrados: as plantas dos pés eram de couro grosso, e as unhas eram curtas, grossas e tortas, principalmente do dedão e do vizinho dele. Até ainda me lembro de um pedaço do “campo” que era melhor, era do lado da extrema direita de quem jogava de baixo para cima, tinha uma pedra grande, lisa, e depois um meio metro só de terra com capim, lugar esplêndido para chutar em gol ou centrar.
Tenho horror de contar vantagem, muita gente acha que quero desmerecer o Rio de Janeiro contando coisas de Cachoeiro, isto é uma injustiça; a prova aqui está: eu reconheço que o Estádio do Maracanã é maior que o nosso campo, até mesmo o Pacaembu é bem maior. Só que nenhum dos dois pode ser tão emocionante, nem jamais foi disputado tão palmo a palmo ou pé a pé, topada a topada, canelada a canelada, às vezes tapa a tapa.
Não consigo me lembrar se a marcação naquele tempo era em diagonal ou por zona; em todo caso a técnica do futebol era diferente, o jogo era ao mesmo tempo mais cavado e mais livre, por exemplo: não era preciso ter 11 jogadores de cada lado, podia ser qualquer número, e mesmo às vezes jogavam cinco contra seis, pois a gente punha dois menores para equilibrar um vaca-brava maior.
Eu disse que as partidas eram emocionantes; até hoje não compreendo como as Teixeiras jamais se entusiasmaram pelos nossos prélios. (BRAGA, Rubem. Casa dos Braga: memória de infância. 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 45-9 Adaptado.)
Vocabulário:
• Deferência: demonstração de consideração, respeito.
Sobre o foco narrativo do texto “Os Teixeiras moravam em frente”, é correto o que se afirma em:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Os Teixeiras moravam em frente
Para não dar nome certo digamos assim: os Teixeiras moravam quase defronte lá de casa.
Não tínhamos nada contra eles: o velho, de bigodes brancos, era sério e cordial e às vezes até nos cumprimentava com deferência. O outro homem da casa tinha uma voz grossa e alta, mas nunca interferiu em nossa vida, e passava a maior parte do tempo em uma fazenda fora da cidade; além disso, seu jeito de valentão nos agradava, porque ele torcia para o mesmo time que nós.
Mas havia as Teixeiras. Quantas eram, oito ou 20, as irmãs Teixeiras? Sei que era uma casa térrea muito, muito longa, cheia de janelas que davam para a rua, e em cada janela havia uma Teixeira espiando. Havia umas que eram boazinhas, mas em conjunto as irmãs Teixeiras eram nossas inimigas, acho que principalmente as mais velhas e mais magras.
As Teixeiras tinham um pecado fundamental: elas não compreendiam que em uma cidade estrangulada entre morros, nós, a infância, teríamos de andar muito para arranjar um campo de futebol; e, portanto, o nosso campo natural para chutar uma bola de borracha ou de meia era a rua mesmo.
Jogávamos descalços, a rua era calçada de pedras irregulares (só muitos anos depois vieram os paralelepípedos, e eu me lembro que os achei feios, com sua cor de granito, sem a doçura das pedras polidas entre as quais medrava capim; e achei o nome também horroroso, insuportável, paralelepípedos, nome que o prefeito dizia com muita importância, parece que a grande glória de Cachoeiro e o progresso supremo da humanidade residia nessa palavra imensa e antipática - paralelepípedos); mas, como eu ia dizendo, a gente dava tanta topada que todos tínhamos os pés escalavrados: as plantas dos pés eram de couro grosso, e as unhas eram curtas, grossas e tortas, principalmente do dedão e do vizinho dele. Até ainda me lembro de um pedaço do “campo” que era melhor, era do lado da extrema direita de quem jogava de baixo para cima, tinha uma pedra grande, lisa, e depois um meio metro só de terra com capim, lugar esplêndido para chutar em gol ou centrar.
Tenho horror de contar vantagem, muita gente acha que quero desmerecer o Rio de Janeiro contando coisas de Cachoeiro, isto é uma injustiça; a prova aqui está: eu reconheço que o Estádio do Maracanã é maior que o nosso campo, até mesmo o Pacaembu é bem maior. Só que nenhum dos dois pode ser tão emocionante, nem jamais foi disputado tão palmo a palmo ou pé a pé, topada a topada, canelada a canelada, às vezes tapa a tapa.
Não consigo me lembrar se a marcação naquele tempo era em diagonal ou por zona; em todo caso a técnica do futebol era diferente, o jogo era ao mesmo tempo mais cavado e mais livre, por exemplo: não era preciso ter 11 jogadores de cada lado, podia ser qualquer número, e mesmo às vezes jogavam cinco contra seis, pois a gente punha dois menores para equilibrar um vaca-brava maior.
Eu disse que as partidas eram emocionantes; até hoje não compreendo como as Teixeiras jamais se entusiasmaram pelos nossos prélios. (BRAGA, Rubem. Casa dos Braga: memória de infância. 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 45-9 Adaptado.)
Vocabulário:
• Deferência: demonstração de consideração, respeito.
A troca das pedras irregulares por paralelepípedos na rua em que as crianças brincavam dividiu opiniões sobre essa mudança. Assinale a alternativa correta sobre essa afirmação:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Os Teixeiras moravam em frente
Para não dar nome certo digamos assim: os Teixeiras moravam quase defronte lá de casa.
Não tínhamos nada contra eles: o velho, de bigodes brancos, era sério e cordial e às vezes até nos cumprimentava com deferência. O outro homem da casa tinha uma voz grossa e alta, mas nunca interferiu em nossa vida, e passava a maior parte do tempo em uma fazenda fora da cidade; além disso, seu jeito de valentão nos agradava, porque ele torcia para o mesmo time que nós.
Mas havia as Teixeiras. Quantas eram, oito ou 20, as irmãs Teixeiras? Sei que era uma casa térrea muito, muito longa, cheia de janelas que davam para a rua, e em cada janela havia uma Teixeira espiando. Havia umas que eram boazinhas, mas em conjunto as irmãs Teixeiras eram nossas inimigas, acho que principalmente as mais velhas e mais magras.
As Teixeiras tinham um pecado fundamental: elas não compreendiam que em uma cidade estrangulada entre morros, nós, a infância, teríamos de andar muito para arranjar um campo de futebol; e, portanto, o nosso campo natural para chutar uma bola de borracha ou de meia era a rua mesmo.
Jogávamos descalços, a rua era calçada de pedras irregulares (só muitos anos depois vieram os paralelepípedos, e eu me lembro que os achei feios, com sua cor de granito, sem a doçura das pedras polidas entre as quais medrava capim; e achei o nome também horroroso, insuportável, paralelepípedos, nome que o prefeito dizia com muita importância, parece que a grande glória de Cachoeiro e o progresso supremo da humanidade residia nessa palavra imensa e antipática - paralelepípedos); mas, como eu ia dizendo, a gente dava tanta topada que todos tínhamos os pés escalavrados: as plantas dos pés eram de couro grosso, e as unhas eram curtas, grossas e tortas, principalmente do dedão e do vizinho dele. Até ainda me lembro de um pedaço do “campo” que era melhor, era do lado da extrema direita de quem jogava de baixo para cima, tinha uma pedra grande, lisa, e depois um meio metro só de terra com capim, lugar esplêndido para chutar em gol ou centrar.
Tenho horror de contar vantagem, muita gente acha que quero desmerecer o Rio de Janeiro contando coisas de Cachoeiro, isto é uma injustiça; a prova aqui está: eu reconheço que o Estádio do Maracanã é maior que o nosso campo, até mesmo o Pacaembu é bem maior. Só que nenhum dos dois pode ser tão emocionante, nem jamais foi disputado tão palmo a palmo ou pé a pé, topada a topada, canelada a canelada, às vezes tapa a tapa.
Não consigo me lembrar se a marcação naquele tempo era em diagonal ou por zona; em todo caso a técnica do futebol era diferente, o jogo era ao mesmo tempo mais cavado e mais livre, por exemplo: não era preciso ter 11 jogadores de cada lado, podia ser qualquer número, e mesmo às vezes jogavam cinco contra seis, pois a gente punha dois menores para equilibrar um vaca-brava maior.
Eu disse que as partidas eram emocionantes; até hoje não compreendo como as Teixeiras jamais se entusiasmaram pelos nossos prélios. (BRAGA, Rubem. Casa dos Braga: memória de infância. 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 45-9 Adaptado.)
Vocabulário:
• Deferência: demonstração de consideração, respeito.
A expressão “vaca-brava maior”, presente no último parágrafo, indica que:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Os Teixeiras moravam em frente
Para não dar nome certo digamos assim: os Teixeiras moravam quase defronte lá de casa.
Não tínhamos nada contra eles: o velho, de bigodes brancos, era sério e cordial e às vezes até nos cumprimentava com deferência. O outro homem da casa tinha uma voz grossa e alta, mas nunca interferiu em nossa vida, e passava a maior parte do tempo em uma fazenda fora da cidade; além disso, seu jeito de valentão nos agradava, porque ele torcia para o mesmo time que nós.
Mas havia as Teixeiras. Quantas eram, oito ou 20, as irmãs Teixeiras? Sei que era uma casa térrea muito, muito longa, cheia de janelas que davam para a rua, e em cada janela havia uma Teixeira espiando. Havia umas que eram boazinhas, mas em conjunto as irmãs Teixeiras eram nossas inimigas, acho que principalmente as mais velhas e mais magras.
As Teixeiras tinham um pecado fundamental: elas não compreendiam que em uma cidade estrangulada entre morros, nós, a infância, teríamos de andar muito para arranjar um campo de futebol; e, portanto, o nosso campo natural para chutar uma bola de borracha ou de meia era a rua mesmo.
Jogávamos descalços, a rua era calçada de pedras irregulares (só muitos anos depois vieram os paralelepípedos, e eu me lembro que os achei feios, com sua cor de granito, sem a doçura das pedras polidas entre as quais medrava capim; e achei o nome também horroroso, insuportável, paralelepípedos, nome que o prefeito dizia com muita importância, parece que a grande glória de Cachoeiro e o progresso supremo da humanidade residia nessa palavra imensa e antipática - paralelepípedos); mas, como eu ia dizendo, a gente dava tanta topada que todos tínhamos os pés escalavrados: as plantas dos pés eram de couro grosso, e as unhas eram curtas, grossas e tortas, principalmente do dedão e do vizinho dele. Até ainda me lembro de um pedaço do “campo” que era melhor, era do lado da extrema direita de quem jogava de baixo para cima, tinha uma pedra grande, lisa, e depois um meio metro só de terra com capim, lugar esplêndido para chutar em gol ou centrar.
Tenho horror de contar vantagem, muita gente acha que quero desmerecer o Rio de Janeiro contando coisas de Cachoeiro, isto é uma injustiça; a prova aqui está: eu reconheço que o Estádio do Maracanã é maior que o nosso campo, até mesmo o Pacaembu é bem maior. Só que nenhum dos dois pode ser tão emocionante, nem jamais foi disputado tão palmo a palmo ou pé a pé, topada a topada, canelada a canelada, às vezes tapa a tapa.
Não consigo me lembrar se a marcação naquele tempo era em diagonal ou por zona; em todo caso a técnica do futebol era diferente, o jogo era ao mesmo tempo mais cavado e mais livre, por exemplo: não era preciso ter 11 jogadores de cada lado, podia ser qualquer número, e mesmo às vezes jogavam cinco contra seis, pois a gente punha dois menores para equilibrar um vaca-brava maior.
Eu disse que as partidas eram emocionantes; até hoje não compreendo como as Teixeiras jamais se entusiasmaram pelos nossos prélios. (BRAGA, Rubem. Casa dos Braga: memória de infância. 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 45-9 Adaptado.)
Vocabulário:
• Deferência: demonstração de consideração, respeito.
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TEXTO I
Os Teixeiras moravam em frente
Para não dar nome certo digamos assim: os Teixeiras moravam quase defronte lá de casa.
Não tínhamos nada contra eles: o velho, de bigodes brancos, era sério e cordial e às vezes até nos cumprimentava com deferência. O outro homem da casa tinha uma voz grossa e alta, mas nunca interferiu em nossa vida, e passava a maior parte do tempo em uma fazenda fora da cidade; além disso, seu jeito de valentão nos agradava, porque ele torcia para o mesmo time que nós.
Mas havia as Teixeiras. Quantas eram, oito ou 20, as irmãs Teixeiras? Sei que era uma casa térrea muito, muito longa, cheia de janelas que davam para a rua, e em cada janela havia uma Teixeira espiando. Havia umas que eram boazinhas, mas em conjunto as irmãs Teixeiras eram nossas inimigas, acho que principalmente as mais velhas e mais magras.
As Teixeiras tinham um pecado fundamental: elas não compreendiam que em uma cidade estrangulada entre morros, nós, a infância, teríamos de andar muito para arranjar um campo de futebol; e, portanto, o nosso campo natural para chutar uma bola de borracha ou de meia era a rua mesmo.
Jogávamos descalços, a rua era calçada de pedras irregulares (só muitos anos depois vieram os paralelepípedos, e eu me lembro que os achei feios, com sua cor de granito, sem a doçura das pedras polidas entre as quais medrava capim; e achei o nome também horroroso, insuportável, paralelepípedos, nome que o prefeito dizia com muita importância, parece que a grande glória de Cachoeiro e o progresso supremo da humanidade residia nessa palavra imensa e antipática - paralelepípedos); mas, como eu ia dizendo, a gente dava tanta topada que todos tínhamos os pés escalavrados: as plantas dos pés eram de couro grosso, e as unhas eram curtas, grossas e tortas, principalmente do dedão e do vizinho dele. Até ainda me lembro de um pedaço do “campo” que era melhor, era do lado da extrema direita de quem jogava de baixo para cima, tinha uma pedra grande, lisa, e depois um meio metro só de terra com capim, lugar esplêndido para chutar em gol ou centrar.
Tenho horror de contar vantagem, muita gente acha que quero desmerecer o Rio de Janeiro contando coisas de Cachoeiro, isto é uma injustiça; a prova aqui está: eu reconheço que o Estádio do Maracanã é maior que o nosso campo, até mesmo o Pacaembu é bem maior. Só que nenhum dos dois pode ser tão emocionante, nem jamais foi disputado tão palmo a palmo ou pé a pé, topada a topada, canelada a canelada, às vezes tapa a tapa.
Não consigo me lembrar se a marcação naquele tempo era em diagonal ou por zona; em todo caso a técnica do futebol era diferente, o jogo era ao mesmo tempo mais cavado e mais livre, por exemplo: não era preciso ter 11 jogadores de cada lado, podia ser qualquer número, e mesmo às vezes jogavam cinco contra seis, pois a gente punha dois menores para equilibrar um vaca-brava maior.
Eu disse que as partidas eram emocionantes; até hoje não compreendo como as Teixeiras jamais se entusiasmaram pelos nossos prélios. (BRAGA, Rubem. Casa dos Braga: memória de infância. 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 45-9 Adaptado.)
Vocabulário:
• Deferência: demonstração de consideração, respeito.
Observe os trechos a seguir:
I) “Não tínhamos nada contra eles: o velho...” (2° parágrafo)
II) “As Teixeiras tinham um pecado fundamental: elas não compreendiam...” (4° parágrafo)
Marque a alternativa que justifique a utilização dos dois-pontos em ambos os trechos em análise:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Os Teixeiras moravam em frente
Para não dar nome certo digamos assim: os Teixeiras moravam quase defronte lá de casa.
Não tínhamos nada contra eles: o velho, de bigodes brancos, era sério e cordial e às vezes até nos cumprimentava com deferência. O outro homem da casa tinha uma voz grossa e alta, mas nunca interferiu em nossa vida, e passava a maior parte do tempo em uma fazenda fora da cidade; além disso, seu jeito de valentão nos agradava, porque ele torcia para o mesmo time que nós.
Mas havia as Teixeiras. Quantas eram, oito ou 20, as irmãs Teixeiras? Sei que era uma casa térrea muito, muito longa, cheia de janelas que davam para a rua, e em cada janela havia uma Teixeira espiando. Havia umas que eram boazinhas, mas em conjunto as irmãs Teixeiras eram nossas inimigas, acho que principalmente as mais velhas e mais magras.
As Teixeiras tinham um pecado fundamental: elas não compreendiam que em uma cidade estrangulada entre morros, nós, a infância, teríamos de andar muito para arranjar um campo de futebol; e, portanto, o nosso campo natural para chutar uma bola de borracha ou de meia era a rua mesmo.
Jogávamos descalços, a rua era calçada de pedras irregulares (só muitos anos depois vieram os paralelepípedos, e eu me lembro que os achei feios, com sua cor de granito, sem a doçura das pedras polidas entre as quais medrava capim; e achei o nome também horroroso, insuportável, paralelepípedos, nome que o prefeito dizia com muita importância, parece que a grande glória de Cachoeiro e o progresso supremo da humanidade residia nessa palavra imensa e antipática - paralelepípedos); mas, como eu ia dizendo, a gente dava tanta topada que todos tínhamos os pés escalavrados: as plantas dos pés eram de couro grosso, e as unhas eram curtas, grossas e tortas, principalmente do dedão e do vizinho dele. Até ainda me lembro de um pedaço do “campo” que era melhor, era do lado da extrema direita de quem jogava de baixo para cima, tinha uma pedra grande, lisa, e depois um meio metro só de terra com capim, lugar esplêndido para chutar em gol ou centrar.
Tenho horror de contar vantagem, muita gente acha que quero desmerecer o Rio de Janeiro contando coisas de Cachoeiro, isto é uma injustiça; a prova aqui está: eu reconheço que o Estádio do Maracanã é maior que o nosso campo, até mesmo o Pacaembu é bem maior. Só que nenhum dos dois pode ser tão emocionante, nem jamais foi disputado tão palmo a palmo ou pé a pé, topada a topada, canelada a canelada, às vezes tapa a tapa.
Não consigo me lembrar se a marcação naquele tempo era em diagonal ou por zona; em todo caso a técnica do futebol era diferente, o jogo era ao mesmo tempo mais cavado e mais livre, por exemplo: não era preciso ter 11 jogadores de cada lado, podia ser qualquer número, e mesmo às vezes jogavam cinco contra seis, pois a gente punha dois menores para equilibrar um vaca-brava maior.
Eu disse que as partidas eram emocionantes; até hoje não compreendo como as Teixeiras jamais se entusiasmaram pelos nossos prélios. (BRAGA, Rubem. Casa dos Braga: memória de infância. 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 45-9 Adaptado.)
Vocabulário:
• Deferência: demonstração de consideração, respeito.
Considerando-se a norma culta, quanto ao emprego das vírgulas no trecho: “... as plantas dos pés eram de couro grosso, e as unhas eram curtas, grossas e tortas, principalmente do dedão e do vizinho dele.” (5° parágrafo), julgue as afirmativas a seguir:
I – Podem ser substituídas por travessões sem prejuízo de sentido ao enunciado.
II – Por não serem obrigatórias, podem ser retiradas da frase sem comprometer o sentido.
III – A segunda vírgula faz a separação de termos no enunciado, organizando-os e evitando repetição.
Está correto o que se afirma em:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Os Teixeiras moravam em frente
Para não dar nome certo digamos assim: os Teixeiras moravam quase defronte lá de casa.
Não tínhamos nada contra eles: o velho, de bigodes brancos, era sério e cordial e às vezes até nos cumprimentava com deferência. O outro homem da casa tinha uma voz grossa e alta, mas nunca interferiu em nossa vida, e passava a maior parte do tempo em uma fazenda fora da cidade; além disso, seu jeito de valentão nos agradava, porque ele torcia para o mesmo time que nós.
Mas havia as Teixeiras. Quantas eram, oito ou 20, as irmãs Teixeiras? Sei que era uma casa térrea muito, muito longa, cheia de janelas que davam para a rua, e em cada janela havia uma Teixeira espiando. Havia umas que eram boazinhas, mas em conjunto as irmãs Teixeiras eram nossas inimigas, acho que principalmente as mais velhas e mais magras.
As Teixeiras tinham um pecado fundamental: elas não compreendiam que em uma cidade estrangulada entre morros, nós, a infância, teríamos de andar muito para arranjar um campo de futebol; e, portanto, o nosso campo natural para chutar uma bola de borracha ou de meia era a rua mesmo.
Jogávamos descalços, a rua era calçada de pedras irregulares (só muitos anos depois vieram os paralelepípedos, e eu me lembro que os achei feios, com sua cor de granito, sem a doçura das pedras polidas entre as quais medrava capim; e achei o nome também horroroso, insuportável, paralelepípedos, nome que o prefeito dizia com muita importância, parece que a grande glória de Cachoeiro e o progresso supremo da humanidade residia nessa palavra imensa e antipática - paralelepípedos); mas, como eu ia dizendo, a gente dava tanta topada que todos tínhamos os pés escalavrados: as plantas dos pés eram de couro grosso, e as unhas eram curtas, grossas e tortas, principalmente do dedão e do vizinho dele. Até ainda me lembro de um pedaço do “campo” que era melhor, era do lado da extrema direita de quem jogava de baixo para cima, tinha uma pedra grande, lisa, e depois um meio metro só de terra com capim, lugar esplêndido para chutar em gol ou centrar.
Tenho horror de contar vantagem, muita gente acha que quero desmerecer o Rio de Janeiro contando coisas de Cachoeiro, isto é uma injustiça; a prova aqui está: eu reconheço que o Estádio do Maracanã é maior que o nosso campo, até mesmo o Pacaembu é bem maior. Só que nenhum dos dois pode ser tão emocionante, nem jamais foi disputado tão palmo a palmo ou pé a pé, topada a topada, canelada a canelada, às vezes tapa a tapa.
Não consigo me lembrar se a marcação naquele tempo era em diagonal ou por zona; em todo caso a técnica do futebol era diferente, o jogo era ao mesmo tempo mais cavado e mais livre, por exemplo: não era preciso ter 11 jogadores de cada lado, podia ser qualquer número, e mesmo às vezes jogavam cinco contra seis, pois a gente punha dois menores para equilibrar um vaca-brava maior.
Eu disse que as partidas eram emocionantes; até hoje não compreendo como as Teixeiras jamais se entusiasmaram pelos nossos prélios. (BRAGA, Rubem. Casa dos Braga: memória de infância. 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 45-9 Adaptado.)
Vocabulário:
• Deferência: demonstração de consideração, respeito.
Pode-se afirmar que o texto de Rubem Braga segue uma sequência lógica de descrição de lugares, pessoas e acontecimentos do cotidiano. Marque abaixo a única opção que resume corretamente algumas descrições na ordem em que elas aparecem na história:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Os Teixeiras moravam em frente
Para não dar nome certo digamos assim: os Teixeiras moravam quase defronte lá de casa.
Não tínhamos nada contra eles: o velho, de bigodes brancos, era sério e cordial e às vezes até nos cumprimentava com deferência. O outro homem da casa tinha uma voz grossa e alta, mas nunca interferiu em nossa vida, e passava a maior parte do tempo em uma fazenda fora da cidade; além disso, seu jeito de valentão nos agradava, porque ele torcia para o mesmo time que nós.
Mas havia as Teixeiras. Quantas eram, oito ou 20, as irmãs Teixeiras? Sei que era uma casa térrea muito, muito longa, cheia de janelas que davam para a rua, e em cada janela havia uma Teixeira espiando. Havia umas que eram boazinhas, mas em conjunto as irmãs Teixeiras eram nossas inimigas, acho que principalmente as mais velhas e mais magras.
As Teixeiras tinham um pecado fundamental: elas não compreendiam que em uma cidade estrangulada entre morros, nós, a infância, teríamos de andar muito para arranjar um campo de futebol; e, portanto, o nosso campo natural para chutar uma bola de borracha ou de meia era a rua mesmo.
Jogávamos descalços, a rua era calçada de pedras irregulares (só muitos anos depois vieram os paralelepípedos, e eu me lembro que os achei feios, com sua cor de granito, sem a doçura das pedras polidas entre as quais medrava capim; e achei o nome também horroroso, insuportável, paralelepípedos, nome que o prefeito dizia com muita importância, parece que a grande glória de Cachoeiro e o progresso supremo da humanidade residia nessa palavra imensa e antipática - paralelepípedos); mas, como eu ia dizendo, a gente dava tanta topada que todos tínhamos os pés escalavrados: as plantas dos pés eram de couro grosso, e as unhas eram curtas, grossas e tortas, principalmente do dedão e do vizinho dele. Até ainda me lembro de um pedaço do “campo” que era melhor, era do lado da extrema direita de quem jogava de baixo para cima, tinha uma pedra grande, lisa, e depois um meio metro só de terra com capim, lugar esplêndido para chutar em gol ou centrar.
Tenho horror de contar vantagem, muita gente acha que quero desmerecer o Rio de Janeiro contando coisas de Cachoeiro, isto é uma injustiça; a prova aqui está: eu reconheço que o Estádio do Maracanã é maior que o nosso campo, até mesmo o Pacaembu é bem maior. Só que nenhum dos dois pode ser tão emocionante, nem jamais foi disputado tão palmo a palmo ou pé a pé, topada a topada, canelada a canelada, às vezes tapa a tapa.
Não consigo me lembrar se a marcação naquele tempo era em diagonal ou por zona; em todo caso a técnica do futebol era diferente, o jogo era ao mesmo tempo mais cavado e mais livre, por exemplo: não era preciso ter 11 jogadores de cada lado, podia ser qualquer número, e mesmo às vezes jogavam cinco contra seis, pois a gente punha dois menores para equilibrar um vaca-brava maior.
Eu disse que as partidas eram emocionantes; até hoje não compreendo como as Teixeiras jamais se entusiasmaram pelos nossos prélios. (BRAGA, Rubem. Casa dos Braga: memória de infância. 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 45-9 Adaptado.)
Vocabulário:
• Deferência: demonstração de consideração, respeito.
“Não tínhamos nada contra eles: o velho, de bigodes brancos, era sério e cordial e às vezes até nos cumprimentava com deferência. O outro homem da casa tinha uma voz grossa e alta, mas nunca interferiu em nossa vida, e passava a maior parte do tempo em uma fazenda fora da cidade;”
Uma crônica pode ser estruturada como narrativa, descritiva ou argumentativa. No trecho lido anteriormente, é correto dizer que:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
Os Teixeiras moravam em frente
Para não dar nome certo digamos assim: os Teixeiras moravam quase defronte lá de casa.
Não tínhamos nada contra eles: o velho, de bigodes brancos, era sério e cordial e às vezes até nos cumprimentava com deferência. O outro homem da casa tinha uma voz grossa e alta, mas nunca interferiu em nossa vida, e passava a maior parte do tempo em uma fazenda fora da cidade; além disso, seu jeito de valentão nos agradava, porque ele torcia para o mesmo time que nós.
Mas havia as Teixeiras. Quantas eram, oito ou 20, as irmãs Teixeiras? Sei que era uma casa térrea muito, muito longa, cheia de janelas que davam para a rua, e em cada janela havia uma Teixeira espiando. Havia umas que eram boazinhas, mas em conjunto as irmãs Teixeiras eram nossas inimigas, acho que principalmente as mais velhas e mais magras.
As Teixeiras tinham um pecado fundamental: elas não compreendiam que em uma cidade estrangulada entre morros, nós, a infância, teríamos de andar muito para arranjar um campo de futebol; e, portanto, o nosso campo natural para chutar uma bola de borracha ou de meia era a rua mesmo.
Jogávamos descalços, a rua era calçada de pedras irregulares (só muitos anos depois vieram os paralelepípedos, e eu me lembro que os achei feios, com sua cor de granito, sem a doçura das pedras polidas entre as quais medrava capim; e achei o nome também horroroso, insuportável, paralelepípedos, nome que o prefeito dizia com muita importância, parece que a grande glória de Cachoeiro e o progresso supremo da humanidade residia nessa palavra imensa e antipática - paralelepípedos); mas, como eu ia dizendo, a gente dava tanta topada que todos tínhamos os pés escalavrados: as plantas dos pés eram de couro grosso, e as unhas eram curtas, grossas e tortas, principalmente do dedão e do vizinho dele. Até ainda me lembro de um pedaço do “campo” que era melhor, era do lado da extrema direita de quem jogava de baixo para cima, tinha uma pedra grande, lisa, e depois um meio metro só de terra com capim, lugar esplêndido para chutar em gol ou centrar.
Tenho horror de contar vantagem, muita gente acha que quero desmerecer o Rio de Janeiro contando coisas de Cachoeiro, isto é uma injustiça; a prova aqui está: eu reconheço que o Estádio do Maracanã é maior que o nosso campo, até mesmo o Pacaembu é bem maior. Só que nenhum dos dois pode ser tão emocionante, nem jamais foi disputado tão palmo a palmo ou pé a pé, topada a topada, canelada a canelada, às vezes tapa a tapa.
Não consigo me lembrar se a marcação naquele tempo era em diagonal ou por zona; em todo caso a técnica do futebol era diferente, o jogo era ao mesmo tempo mais cavado e mais livre, por exemplo: não era preciso ter 11 jogadores de cada lado, podia ser qualquer número, e mesmo às vezes jogavam cinco contra seis, pois a gente punha dois menores para equilibrar um vaca-brava maior.
Eu disse que as partidas eram emocionantes; até hoje não compreendo como as Teixeiras jamais se entusiasmaram pelos nossos prélios. (BRAGA, Rubem. Casa dos Braga: memória de infância. 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 1997. p. 45-9 Adaptado.)
Vocabulário:
• Deferência: demonstração de consideração, respeito.
No segundo parágrafo do texto, o narrador fala sobre os homens da família Teixeira, e no terceiro, apresenta as mulheres. Por que ele usou a palavra “mas” para começar o terceiro parágrafo?Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO II
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Disponível em: https://pt-static.z-dn.net/files/da9/baaa79fd109989605333e470bfa77032.jpg
No primeiro quadrinho, a linguagem verbal e não verbal demonstram que o personagem Hagar está com um sentimento de:
TEXTO II
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Disponível em: https://pt-static.z-dn.net/files/da9/baaa79fd109989605333e470bfa77032.jpg
Ainda no primeiro quadrinho, o uso das reticências na escrita da fala de Hagar representa:
TEXTO II
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Ao considerar a fala de Hagar no primeiro quadro e, na segunda imagem, ele estar sozinho em uma gangorra indicam que ele:
TEXTO III
A revolução dos brinquedos
As brincadeiras modernas estão afetando a infância. Mas isso não é necessariamente ruim
Camila Artoni
As crianças de hoje são diferentes das do passado e a causa pode estar no armário de brinquedos. O taco, o peão e as bolinhas de gude vêm cedendo espaço para os brinquedos de alta tecnologia, entre eles os videogames. Muitos computadores domésticos já rodam software educativo específico para os pequenos, como programas para bebês a partir de seis meses de idade e conteúdo de internet exclusivo para quem ainda não sabe ler. Os bonecos modernos também são dotados de inteligência artificial, o que lhes dá capacidades incríveis: eles andam sozinhos, sabem contar histórias e até sugerem atividades.
A boa notícia é que, talvez, esses brinquedos modernos não sejam os vilões que muitos educadores costumavam pintar. Pesquisas recentes mostram que, de fato, jogos eletrônicos e computadores estão afetando as crianças, mas, muitas vezes, para melhor. Especialistas afirmam que as máquinas podem até virar aliadas de pais e professores. O segredo é saber dosar.
Quem olha os produtos à venda em uma loja de brinquedos dificilmente reconhece algo da própria infância. Com o avanço da tecnologia, a maioria desses artigos se transformou e substituiu os jogos tradicionais. Mas não foram apenas os brinquedos que mudaram. As crianças também. “O desenvolvimento infantil nos dias atuais é melhor e mais rápido do que no passado”, afirma o neuropediatra Luiz Celso Vilanova, chefe do Setor de Neurologia Infantil da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Um dos aspectos responsáveis pela mudança, aponta, é a intensa estimulação intelectual gerada, inclusive, pelos brinquedos. “Os meios eletrônicos em geral ajudam no acesso à informação”, acredita o especialista. Vilanova ressalta que os brinquedos não devem ser analisados sozinhos, já que diversos fatores influenciam o aprendizado, mas afirma que videogames e outras máquinas, como computadores, estimulam o aprendizado se adotados da maneira correta.
Ao contrário do que supõem algumas correntes, que criticam a presença de aparatos tecnológicos na infância (a Pedagogia Waldorf, desenvolvida pelo austríaco Rudolf Steiner [1861-1925] é uma delas), grande parte dos estudiosos do assunto não se opõe à revolução que os brinquedos vêm sofrendo nas últimas décadas. Para muitos educadores, filósofos, médicos e psicólogos, a tecnologia não é uma ameaça. “Não existe, até o momento, nenhum respaldo científico para os supostos danos que os brinquedos modernos seriam capazes de provocar”, explica o neurologista. O fundamental, frisa, é que seja garantido às crianças o direito ao lazer sadio.
(CASALS, Camila Artoni Pepe. A revolução dos brinquedos. Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT5788351719,00.html. Acesso em: 30 ago. 2023. Adaptado.)
A partir das informações e características do texto, marque a alternativa correta:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO III
A revolução dos brinquedos
As brincadeiras modernas estão afetando a infância. Mas isso não é necessariamente ruim
Camila Artoni
As crianças de hoje são diferentes das do passado e a causa pode estar no armário de brinquedos. O taco, o peão e as bolinhas de gude vêm cedendo espaço para os brinquedos de alta tecnologia, entre eles os videogames. Muitos computadores domésticos já rodam software educativo específico para os pequenos, como programas para bebês a partir de seis meses de idade e conteúdo de internet exclusivo para quem ainda não sabe ler. Os bonecos modernos também são dotados de inteligência artificial, o que lhes dá capacidades incríveis: eles andam sozinhos, sabem contar histórias e até sugerem atividades.
A boa notícia é que, talvez, esses brinquedos modernos não sejam os vilões que muitos educadores costumavam pintar. Pesquisas recentes mostram que, de fato, jogos eletrônicos e computadores estão afetando as crianças, mas, muitas vezes, para melhor. Especialistas afirmam que as máquinas podem até virar aliadas de pais e professores. O segredo é saber dosar.
Quem olha os produtos à venda em uma loja de brinquedos dificilmente reconhece algo da própria infância. Com o avanço da tecnologia, a maioria desses artigos se transformou e substituiu os jogos tradicionais. Mas não foram apenas os brinquedos que mudaram. As crianças também. “O desenvolvimento infantil nos dias atuais é melhor e mais rápido do que no passado”, afirma o neuropediatra Luiz Celso Vilanova, chefe do Setor de Neurologia Infantil da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Um dos aspectos responsáveis pela mudança, aponta, é a intensa estimulação intelectual gerada, inclusive, pelos brinquedos. “Os meios eletrônicos em geral ajudam no acesso à informação”, acredita o especialista. Vilanova ressalta que os brinquedos não devem ser analisados sozinhos, já que diversos fatores influenciam o aprendizado, mas afirma que videogames e outras máquinas, como computadores, estimulam o aprendizado se adotados da maneira correta.
Ao contrário do que supõem algumas correntes, que criticam a presença de aparatos tecnológicos na infância (a Pedagogia Waldorf, desenvolvida pelo austríaco Rudolf Steiner [1861-1925] é uma delas), grande parte dos estudiosos do assunto não se opõe à revolução que os brinquedos vêm sofrendo nas últimas décadas. Para muitos educadores, filósofos, médicos e psicólogos, a tecnologia não é uma ameaça. “Não existe, até o momento, nenhum respaldo científico para os supostos danos que os brinquedos modernos seriam capazes de provocar”, explica o neurologista. O fundamental, frisa, é que seja garantido às crianças o direito ao lazer sadio.
(CASALS, Camila Artoni Pepe. A revolução dos brinquedos. Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT5788351719,00.html. Acesso em: 30 ago. 2023. Adaptado.)
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TEXTO III
A revolução dos brinquedos
As brincadeiras modernas estão afetando a infância. Mas isso não é necessariamente ruim
Camila Artoni
As crianças de hoje são diferentes das do passado e a causa pode estar no armário de brinquedos. O taco, o peão e as bolinhas de gude vêm cedendo espaço para os brinquedos de alta tecnologia, entre eles os videogames. Muitos computadores domésticos já rodam software educativo específico para os pequenos, como programas para bebês a partir de seis meses de idade e conteúdo de internet exclusivo para quem ainda não sabe ler. Os bonecos modernos também são dotados de inteligência artificial, o que lhes dá capacidades incríveis: eles andam sozinhos, sabem contar histórias e até sugerem atividades.
A boa notícia é que, talvez, esses brinquedos modernos não sejam os vilões que muitos educadores costumavam pintar. Pesquisas recentes mostram que, de fato, jogos eletrônicos e computadores estão afetando as crianças, mas, muitas vezes, para melhor. Especialistas afirmam que as máquinas podem até virar aliadas de pais e professores. O segredo é saber dosar.
Quem olha os produtos à venda em uma loja de brinquedos dificilmente reconhece algo da própria infância. Com o avanço da tecnologia, a maioria desses artigos se transformou e substituiu os jogos tradicionais. Mas não foram apenas os brinquedos que mudaram. As crianças também. “O desenvolvimento infantil nos dias atuais é melhor e mais rápido do que no passado”, afirma o neuropediatra Luiz Celso Vilanova, chefe do Setor de Neurologia Infantil da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Um dos aspectos responsáveis pela mudança, aponta, é a intensa estimulação intelectual gerada, inclusive, pelos brinquedos. “Os meios eletrônicos em geral ajudam no acesso à informação”, acredita o especialista. Vilanova ressalta que os brinquedos não devem ser analisados sozinhos, já que diversos fatores influenciam o aprendizado, mas afirma que videogames e outras máquinas, como computadores, estimulam o aprendizado se adotados da maneira correta.
Ao contrário do que supõem algumas correntes, que criticam a presença de aparatos tecnológicos na infância (a Pedagogia Waldorf, desenvolvida pelo austríaco Rudolf Steiner [1861-1925] é uma delas), grande parte dos estudiosos do assunto não se opõe à revolução que os brinquedos vêm sofrendo nas últimas décadas. Para muitos educadores, filósofos, médicos e psicólogos, a tecnologia não é uma ameaça. “Não existe, até o momento, nenhum respaldo científico para os supostos danos que os brinquedos modernos seriam capazes de provocar”, explica o neurologista. O fundamental, frisa, é que seja garantido às crianças o direito ao lazer sadio.
(CASALS, Camila Artoni Pepe. A revolução dos brinquedos. Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT5788351719,00.html. Acesso em: 30 ago. 2023. Adaptado.)
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TEXTO III
A revolução dos brinquedos
As brincadeiras modernas estão afetando a infância. Mas isso não é necessariamente ruim
Camila Artoni
As crianças de hoje são diferentes das do passado e a causa pode estar no armário de brinquedos. O taco, o peão e as bolinhas de gude vêm cedendo espaço para os brinquedos de alta tecnologia, entre eles os videogames. Muitos computadores domésticos já rodam software educativo específico para os pequenos, como programas para bebês a partir de seis meses de idade e conteúdo de internet exclusivo para quem ainda não sabe ler. Os bonecos modernos também são dotados de inteligência artificial, o que lhes dá capacidades incríveis: eles andam sozinhos, sabem contar histórias e até sugerem atividades.
A boa notícia é que, talvez, esses brinquedos modernos não sejam os vilões que muitos educadores costumavam pintar. Pesquisas recentes mostram que, de fato, jogos eletrônicos e computadores estão afetando as crianças, mas, muitas vezes, para melhor. Especialistas afirmam que as máquinas podem até virar aliadas de pais e professores. O segredo é saber dosar.
Quem olha os produtos à venda em uma loja de brinquedos dificilmente reconhece algo da própria infância. Com o avanço da tecnologia, a maioria desses artigos se transformou e substituiu os jogos tradicionais. Mas não foram apenas os brinquedos que mudaram. As crianças também. “O desenvolvimento infantil nos dias atuais é melhor e mais rápido do que no passado”, afirma o neuropediatra Luiz Celso Vilanova, chefe do Setor de Neurologia Infantil da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Um dos aspectos responsáveis pela mudança, aponta, é a intensa estimulação intelectual gerada, inclusive, pelos brinquedos. “Os meios eletrônicos em geral ajudam no acesso à informação”, acredita o especialista. Vilanova ressalta que os brinquedos não devem ser analisados sozinhos, já que diversos fatores influenciam o aprendizado, mas afirma que videogames e outras máquinas, como computadores, estimulam o aprendizado se adotados da maneira correta.
Ao contrário do que supõem algumas correntes, que criticam a presença de aparatos tecnológicos na infância (a Pedagogia Waldorf, desenvolvida pelo austríaco Rudolf Steiner [1861-1925] é uma delas), grande parte dos estudiosos do assunto não se opõe à revolução que os brinquedos vêm sofrendo nas últimas décadas. Para muitos educadores, filósofos, médicos e psicólogos, a tecnologia não é uma ameaça. “Não existe, até o momento, nenhum respaldo científico para os supostos danos que os brinquedos modernos seriam capazes de provocar”, explica o neurologista. O fundamental, frisa, é que seja garantido às crianças o direito ao lazer sadio.
(CASALS, Camila Artoni Pepe. A revolução dos brinquedos. Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT5788351719,00.html. Acesso em: 30 ago. 2023. Adaptado.)
“Mas não foram apenas os brinquedos que mudaram. As crianças também.” Marque a opção em que o mesmo tipo de recurso, para evitar repetições de termos no enunciado, foi empregado:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO IV
FUTEBOL
Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas de pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São voos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
— afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.
Carlos Drummond de Andrade. Quando é dia de futebol. Companhia das Letras. 2014.
Nos versos “Instantes lúdicos: flutua / o jogador, gravado no ar / — afinal, o corpo triunfante / da triste lei da gravidade.”, o eu lírico, ou seja, a voz do poema, quer dizer que:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO IV
FUTEBOL
Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas de pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São voos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
— afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.
Carlos Drummond de Andrade. Quando é dia de futebol. Companhia das Letras. 2014.
A palavra “feéricos”, presente no 11º verso, dá uma qualidade ao termo “desenhos”. Como palavra que caracteriza os jogos de futebol, ela indica:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO IV
FUTEBOL
Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas de pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São voos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
— afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.
Carlos Drummond de Andrade. Quando é dia de futebol. Companhia das Letras. 2014.
De acordo com a leitura do poema, sobre o ato de jogar futebol, é correto o que se afirma em:Resolução comentada
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TEXTO IV
FUTEBOL
Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas de pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São voos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
— afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.
Carlos Drummond de Andrade. Quando é dia de futebol. Companhia das Letras. 2014.
Sobre o uso do travessão no verso “— afinal, o corpo triunfante”, avalie as afirmações abaixo e marque a opção correta:Resolução comentada
Análise das alternativas
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