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EsFCEx — Concurso de Admissão 2023 — Curso de Formação de Oficiais do Quadro Complementar — Área: Magistério em Português — 014. Prova Objetiva — Versão A

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército

Fundação VUNESP2023

60 questões nesta prova · página 2 de 3 · 60 com gabarito

Pedagogia Alfabetização e Letramento

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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As últimas três décadas assistiram a mudanças de paradigmas teóricos no campo da alfabetização que podem ser assim resumidas: um paradigma __________, dominante nos anos de 1960 e 1970, é substituído, nos anos de 1980, por um paradigma __________, que avança, nos anos de 1990, para um paradigma __________. Se a transição da teoria I para a teoria II representou realmente uma radical mudança de paradigma, a transição da teoria II para a perspectiva III pode ser interpretada antes como um aprimoramento do paradigma II do que propriamente como uma mudança paradigmática.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, os termos do excerto adaptado de Soares (2004).
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Resolução comentada

Soares: behaviorista (anos 60-70), cognitivista (80), sociocultural (90).

Segundo Soares, o paradigma behaviorista dominou os anos 1960-70 e foi substituído nos anos 1980 pelo cognitivista (construtivismo). Nos anos 1990 avançou para o sociocultural, visto como aprimoramento do paradigma cognitivista, e não ruptura radical.

Análise das alternativas

A) Fonético e social-interacionista não correspondem à periodização da autora. C) Conservador, libertário e crítico-social não são os paradigmas citados. D) Teórico, prático e práxis não o são. E) Funcional, crítico e pós-crítico também não.

Referência: Soares (2004), Letramento e alfabetização: as muitas facetas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Pedagogia Indisciplina Escolar

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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Aquino (1996) apresenta o olhar sócio-histórico sobre a indisciplina, destacando alterações geracionais trazidas pela democratização política do Brasil na década de 1980. Nesse contexto, um novo sujeito histórico, ou um novo aluno, emergiu. Dentro dessa perspectiva, a indisciplina
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Resolução comentada

Indisciplina como sintoma de escola pensada para um tipo de sujeito e ocupada por outros.

Na leitura sócio-histórica de Aquino, a democratização trouxe à escola novos alunos, diferentes do aluno idealizado. A indisciplina aparece como sintoma desse descompasso entre a escola concebida para um sujeito e ocupada por outros.

Análise das alternativas

A) Trata como fenômeno pontual, causado por família ou distúrbios, o que o enfoque sócio-histórico rejeita. B) Afirma que a exclusão foi eliminada e a cultura reestruturada, o que não procede. C) Associa a indisciplina à harmonia e cooperação, o oposto do sentido. E) Põe a gênese só no aluno, enquanto a perspectiva é relacional e institucional.

Referência: Aquino (1996), indisciplina escolar.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Pedagogia Cultura Escolar e Socialização

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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“O discurso veiculado [pelas revistas pedagógicas] proclama a existência de hierarquias e degraus, com pessoas superiores e outras inferiores no tabuleiro social – cada uma devendo ser tratada de acordo com sua posição na hierarquia previamente estabelecida. Evidentemente, a distância entre adultos e crianças é uma das fronteiras que estabelece relações de subordinação e dependência. Essa vem explícita, ao passo que as demais – fronteiras de classe, de raça, de etnia, de gênero, de condição social – não são exatamente mencionadas. E a criança – acreditando na existência de natural subordinação entre homens, mulheres e crianças, entre poderosos e fracos, entre ricos e pobres – será preparada para a sociedade que a espera”.
A partir do que discute Boto (2014) a respeito da liturgia na escola, identifique correta e respectivamente o princípio estrutural do processo de socialização escolar e a marca que nele aparece no contexto brasileiro e português.
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Resolução comentada

Princípio da civilidade, com marca de fidalguia/distinção aristocrática no Brasil e em Portugal.

Boto trata a liturgia escolar como parte do processo civilizador, em que a civilidade estrutura a socialização. No contexto luso-brasileiro, essa civilidade traz a marca da fidalguia, isto é, da distinção aristocrática e das hierarquias sociais, como mostra o excerto sobre pessoas superiores e inferiores.

Análise das alternativas

A) Cidadania passiva não é o princípio estrutural apontado. B) Heterogeneidade e miscigenação não correspondem à ideia de hierarquias naturalizadas. D) Cultura personalista e igualdade político-legal não descrevem o texto. E) Colonialismo e homem cordial não são as categorias usadas pela autora nesse ponto.

Referência: Boto (2014), liturgia escolar e civilidade.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Pedagogia Tecnologias na Educação — Alfabetização Digital

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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Dentre as dimensões da alfabetização digital, uma delas é descrita, na obra organizada por Coll e Monero (2010), como “a competência de examinar as consequências sociais dos meios de comunicação do ponto de vista da segurança, da privacidade e outros”. Essa competência é a alfabetização
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Resolução comentada

Examinar consequências sociais das mídias (segurança, privacidade) é a alfabetização responsável.

Na obra de Coll e Monereo, a dimensão que envolve avaliar as consequências sociais dos meios de comunicação, como segurança e privacidade, é a alfabetização responsável, ligada ao uso ético e consciente das tecnologias.

Análise das alternativas

B) Midiática: relaciona-se à compreensão e análise crítica das mensagens dos meios. C) Tecnológica: refere-se ao domínio técnico das ferramentas. D) Global: refere-se à compreensão do contexto mundial da informação. E) Informacional: trata de buscar, avaliar e usar informação.

Referência: Coll e Monereo (orgs.), 2010, dimensões da alfabetização digital.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Pedagogia Cultura Escolar — Permanências e Mudanças

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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Para Alcântara (2022), “mais do que um rígido antagonismo entre as propostas de inovação e as acusações de resistência da escola à mudança, é fértil refletir, na perspectiva da cultura escolar, sobre como se operam as permanências e mudanças na escola”. A autora entende que a escola caminha em ambos os sentidos, sendo importante desnaturalizar processos históricos e sociais. No contexto da escola pós-pandemia, essa compreensão ajuda a
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Resolução comentada

Perspectiva da cultura escolar evita simplesmente transpor o modelo presencial para o remoto.

Ao tratar permanências e mudanças como processos que coexistem, a autora ajuda a ir além da tentação de apenas transferir o modelo presencial para a distância. É preciso repensar a cultura escolar e desnaturalizar seus processos, sem rejeitar nem adotar acriticamente a tecnologia.

Análise das alternativas

A) Defende a cultura tradicional, o que contraria a perspectiva não antagônica. B) Afirma a presença obrigatória em qualquer cenário, posição que o texto não sustenta. D) Rotula escolas e professores como avessos à mudança, justamente o antagonismo que a autora rejeita. E) Priorizar o síncrono em detrimento do assíncrono não decorre do texto.

Referência: Alcântara (2022), cultura escolar; permanências e mudanças.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Pedagogia Pedagogia de Projetos

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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Analise a tabela a seguir.
Tabela com três colunas: “1 – Elementos”, “2” e “3”. Linhas (elemento; coluna 2; coluna 3): Modelo de aprendizagem; Por descoberta; Significativa. Temas trabalhados; As ciências naturais e sociais; Qualquer tema. Decisão sobre quais temas; Por votação majoritária; Por argumentação. Função do professorado; Especialista; Estudante, intérprete. Sentido da globalização; Somatório de matérias; Relacional. Modelo curricular; Disciplinas; Temas. Papel dos alunos; Executor; Copartícipe. Tratamento da informação; Apresentada pelo professorado; Busca-se com o professorado. Técnicas de trabalho; Resumo, destaque, questionários, conferências; Índice, síntese, conferências. Procedimentos; Recompilação de fontes diversas; Relação entre fontes. Avaliação; Centrada nos conteúdos; Centrada nas relações e nos procedimentos.
Considere a tabela para assinalar a alternativa que identifica correta e respectivamente a que se referem as colunas 2 e 3, de acordo com Hernández e Ventura (2017).
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Pedagogia Projeto Político-Pedagógico e Educação Inclusiva

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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Ao discutir a construção do projeto político-pedagógico (PPP), Ropoli (2010) observa que as “mudanças não ocorrem pela mera adoção de práticas diferentes de ensinar. Elas dependem da elaboração dos professores sobre o que lhes acontece no decorrer da experiência educacional inclusiva que eles se propuseram a viver”. A autora se refere ao
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Resolução comentada

Mudança docente depende do saber da experiência, subjetivo e dotado de sentido.

A autora afirma que a mudança depende da elaboração que os professores fazem do que lhes acontece na experiência inclusiva vivida. Isso corresponde ao saber da experiência (Larrosa): subjetivo, pessoal, relativo, adquirido ao se atribuir sentido ao que se passa.

Análise das alternativas

A) Foca no estudo de livros e autores, não na elaboração da vivência. B) O empirismo e a observação científica não são o foco do trecho. C) Tempo de magistério e repetição não geram, por si, experiência no sentido da elaboração. D) Processo utilitário e instrumental contraria a ideia de experiência como atribuição de sentido.

Referência: Ropoli (2010); conceito de experiência em Larrosa.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Psicologia da Educação Vygotsky — Pensamento e Linguagem (Discurso Interior)

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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É fragmentado, abreviado, contém quase só núcleos de significação, compreensível apenas pelo próprio sujeito. Nele, predomina o sentido sobre o significado das palavras: no plano intrapsicológico o indivíduo lida com a dimensão do significado que relaciona as palavras às vivências afetivas e contextuais muito mais que ao seu aspecto objetivo e compartilhado. Os sentidos de diferentes palavras fluem um dentro do outro e cada palavra está tão saturada de sentido que seriam necessárias muitas palavras para explicá-la.
A que conceito de Vygotsky se refere o excerto, adaptado de Oliveira (in: La Taille, Oliveira e Dantas, 1992)?
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Resolução comentada

Discurso interior: linguagem internalizada, abreviada, com predomínio do sentido sobre o significado.

Para Vygotsky, o discurso interior (fala interna) é a linguagem internalizada, fragmentada e abreviada, compreensível só ao próprio sujeito. Nele predomina o sentido (dimensão afetiva e contextual) sobre o significado (dimensão compartilhada), exatamente como descreve o excerto.

Análise das alternativas

A) Estado de consciência objetivo não corresponde à descrição, que é de natureza subjetiva. C) Balbucio é manifestação pré-intelectual da fala do bebê, não discurso abreviado e saturado de sentido. D) Pensamento artístico não é o conceito descrito. E) 'Enunciado egocêntrico' não define a descrição; a fala egocêntrica é etapa que precede e origina o discurso interior, mas o excerto trata do discurso interior em si.

Referência: Vygotsky, Pensamento e Linguagem; Oliveira (in La Taille, Oliveira e Dantas, 1992).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Legislação Educacional LDB — Gestão Democrática do Ensino Público

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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Sobre a gestão democrática preconizada pelo artigo 14 da Lei nº 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), é correto afirmar que ela tem como um de seus princípios a
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Resolução comentada

A gestão democrática prevê participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.

O art. 14 da LDB estabelece como princípios da gestão democrática a participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico e a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.

Análise das alternativas

B) A LDB não prevê votação entre pais e mestres para composição de direção. C) Define participação na elaboração do projeto pedagógico, não nas políticas públicas. D) Prevê gestão financeira descentralizada, não centralizada. E) A LDB prevê normas dos sistemas de ensino segundo suas peculiaridades, não centralização nacional.

Referência: Lei nº 9.394/96 (LDB), art. 14.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Legislação Educacional Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica — Sistema Nacional de Educação

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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A Resolução CNE/CEB nº 04/2010 trata do Sistema Nacional de Educação, em seu Título III. De acordo com o § 2º do artigo 7º, o que caracteriza um sistema é
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Resolução comentada

Segundo a Resolução CNE/CEB 4/2010, o que caracteriza um sistema é a atividade intencional e organicamente concebida, voltada às mesmas finalidades.

O § 2º do art. 7º define que o que caracteriza um sistema é a atividade intencional e organicamente concebida, que se justifica pela realização de atividades voltadas para as mesmas finalidades ou para a concretização dos mesmos objetivos.

Análise das alternativas

A) Descreve a educação como direito, e não o sistema. B) Descreve a escola como espaço de cultura. D) Trata de padrões mínimos de qualidade e avaliação. E) Trata da inseparabilidade de educar e cuidar.

Referência: Resolução CNE/CEB nº 4/2010, art. 7º, § 2º.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto — Poema (Título e Sentido)

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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Texto-base:
Leia o poema a seguir para responder às questões de números 31 a 33.

Neurolinguística

Quando ele me disse
ô linda
pareces uma rainha,
fui ao cúmice do ápice
mas segurei meu desmaio.
Aos sessenta anos de idade,
vinte de casta viuvez,
quero estar bem acordada,
caso ele fale outra vez.
(Adélia Prado, Reunião de poesia)

É correta a afirmação de que a relação entre os versos e o título do poema sugere
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Resolução comentada

O título é redimensionado pela intensidade da reação do eu lírico, expressa no neologismo 'cúmice'.

O título 'Neurolinguística' ganha novo sentido ao ser associado ao efeito físico e emocional que a fala provoca. A criação de 'cúmice' (cume + ápice) expressa a intensidade da reação do eu lírico, o que redimensiona o sentido do título.

Análise das alternativas

A) Não há contraste de temática com o título. B) 'Ápice' é figurado, não literal. C) 'Casta viuvez' não resgata sentido figurado dos versos. E) Os versos têm vínculo com o título, pois tratam do efeito da fala.

Referência: Interpretação de poema: relação título e texto; neologismo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto — Poema

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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Texto-base:
Leia o poema a seguir para responder às questões de números 31 a 33.

Neurolinguística

Quando ele me disse
ô linda
pareces uma rainha,
fui ao cúmice do ápice
mas segurei meu desmaio.
Aos sessenta anos de idade,
vinte de casta viuvez,
quero estar bem acordada,
caso ele fale outra vez.
(Adélia Prado, Reunião de poesia)

É correto afirmar que, diante da fala – ô linda / pareces uma rainha – o eu lírico expressa
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Resolução comentada

O eu lírico recebe o galanteio com alento e espera que se repita.

Ao dizer que 'segurou o desmaio' e quer estar 'bem acordada, caso ele fale outra vez', o eu lírico mostra que o elogio a renovou e que deseja que se repita.

Análise das alternativas

A) Não há susto com consequências. C) Não há constrangimento. D) Não há determinação de reagir negativamente; a viuvez é só um dado. E) Não se trata de espanto nem de fuga da situação.

Referência: Interpretação de poema (Adélia Prado).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Formação de Palavras — Neologismo

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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Texto-base:
Leia o poema a seguir para responder às questões de números 31 a 33.

Neurolinguística

Quando ele me disse
ô linda
pareces uma rainha,
fui ao cúmice do ápice
mas segurei meu desmaio.
Aos sessenta anos de idade,
vinte de casta viuvez,
quero estar bem acordada,
caso ele fale outra vez.
(Adélia Prado, Reunião de poesia)

Comando da questão, com “cúmice” em negrito: “No verso – fui ao cúmice do ápice – a palavra destacada é uma criação da autora, para produzir um efeito de sentido, enfatizando a força expressiva do verso. Com base na estilística da palavra e nos elementos fornecidos pelo verso, é correto afirmar que “cúmice” se caracteriza pelo processo de”
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Língua Portuguesa Ensino de Língua Portuguesa — Gêneros Textuais (Schneuwly e Dolz)

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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Texto-base:
Leia o texto, para responder às questões de números 34 a 42.

Em um piano distante alguém estuda uma lição lenta, em notas graves. De muito longe, de outra esquina, vem também o som de um realejo. Conheço o velho que o toca, ele anda sempre pelo meu bairro; já fez o periquito tirar para mim um papelucho em que me são garantidos 93 anos de vida, muita riqueza, poder e felicidade.
Ora, não preciso de tanto. Nem de tanta vida nem de tanta coisa mais. Dinheiro apenas para não ter as aflições da pobreza; poder somente para mandar um pouco, pelo menos, em meu nariz; e da felicidade um salário mínimo: tristezas que possa aguentar, remorsos que não doam mais, renúncias que não façam de mim um velho amargo.
Joguei uma prata da janela, e o periquito do realejo me fez um ancião poderoso, feliz e rico. De rebarba me concedeu 14 filhos, tarefa e honra que me assustam um pouco. Mas os periquitos são muito exagerados, e o costume de ouvir o dia inteiro trechos de ópera não deve lhes fazer bem à cabeça. Os papagaios são mais objetivos e prudentes, e só se animam a afirmar uma coisa depois que a ouvem repetidas vezes.
Agora não se ouve mais o realejo; o piano recomeça a tocar. Esses sons soltos, e indecisos, teimosos e tristes, de uma lição elementar qualquer, têm uma grave monotonia. Deus sabe por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro; mas agora me ocorre que a vida de muita gente parece um pouco essa lição de piano. Nunca chega a formar a linha de uma certa melodia. Começa a esboçar, com os pontos soltos de alguns sons, a curva de uma frase musical; mas logo se detém, e volta, e se perde numa incoerência monótona. Não tem ritmo nem cadência sensíveis. Para quem a vive, essa vida deve ser penosa e triste como o esforço dessa jovem pianista de bairro, que talvez preferisse ir à praia, mas tem de ficar no piano.
(Rubem Braga, O vassoureiro, em O homem rouco. Adaptado)

À vista do quadro apresentado por Schenewly e Dolz para o tratamento do ensino de gêneros, é correto afirmar que esse texto se identifica com a capacidade de linguagem consistente em
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Resolução comentada

Segundo Schneuwly e Dolz, o texto é do agrupamento do relatar e corresponde ao gênero crônica.

No quadro dos agrupamentos de gêneros, 'relatar' envolve a representação pelo discurso de experiências vividas, situadas no tempo, e a crônica se insere nesse grupo. O texto de Rubem Braga é narrativa de experiência cotidiana do narrador.

Análise das alternativas

B) Não há tese argumentativa. C) Não se trata de expor saberes. D) O texto não descreve ações para orientar procedimentos. E) O texto não é narrativa de ficção com intriga; 'testemunho' não é o gênero correspondente.

Referência: Schneuwly e Dolz: agrupamentos de gêneros (relatar, narrar, argumentar, expor, descrever ações).

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto — Crônica

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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Texto-base:
Leia o texto, para responder às questões de números 34 a 42.

Em um piano distante alguém estuda uma lição lenta, em notas graves. De muito longe, de outra esquina, vem também o som de um realejo. Conheço o velho que o toca, ele anda sempre pelo meu bairro; já fez o periquito tirar para mim um papelucho em que me são garantidos 93 anos de vida, muita riqueza, poder e felicidade.
Ora, não preciso de tanto. Nem de tanta vida nem de tanta coisa mais. Dinheiro apenas para não ter as aflições da pobreza; poder somente para mandar um pouco, pelo menos, em meu nariz; e da felicidade um salário mínimo: tristezas que possa aguentar, remorsos que não doam mais, renúncias que não façam de mim um velho amargo.
Joguei uma prata da janela, e o periquito do realejo me fez um ancião poderoso, feliz e rico. De rebarba me concedeu 14 filhos, tarefa e honra que me assustam um pouco. Mas os periquitos são muito exagerados, e o costume de ouvir o dia inteiro trechos de ópera não deve lhes fazer bem à cabeça. Os papagaios são mais objetivos e prudentes, e só se animam a afirmar uma coisa depois que a ouvem repetidas vezes.
Agora não se ouve mais o realejo; o piano recomeça a tocar. Esses sons soltos, e indecisos, teimosos e tristes, de uma lição elementar qualquer, têm uma grave monotonia. Deus sabe por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro; mas agora me ocorre que a vida de muita gente parece um pouco essa lição de piano. Nunca chega a formar a linha de uma certa melodia. Começa a esboçar, com os pontos soltos de alguns sons, a curva de uma frase musical; mas logo se detém, e volta, e se perde numa incoerência monótona. Não tem ritmo nem cadência sensíveis. Para quem a vive, essa vida deve ser penosa e triste como o esforço dessa jovem pianista de bairro, que talvez preferisse ir à praia, mas tem de ficar no piano.
(Rubem Braga, O vassoureiro, em O homem rouco. Adaptado)

É correto afirmar que o narrador enfatiza
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Resolução comentada

O narrador associa sons a sua reflexão sobre vidas desarmônicas e dolorosas.

A partir dos sons do piano e do realejo, o narrador conclui que muitas vidas se parecem com uma lição de piano que nunca forma melodia, ou seja, marcadas por monotonia, falta de ritmo e tristeza. A associação leva à conclusão de pungência e desarmonia.

Análise das alternativas

A) Não há memórias longínquas nem comportamento lúgubre. B) O velho do realejo não inspira por longevidade e vigor. C) O narrador pede pouco de felicidade e riqueza, não defende plenitude. D) Não há resgate de vidas de desconhecidos marcadas por experiências musicais.

Referência: Interpretação de texto: crônica.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Análise Sintática — Orações Coordenadas e Subordinadas

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

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Texto-base:
Leia o texto, para responder às questões de números 34 a 42.

Em um piano distante alguém estuda uma lição lenta, em notas graves. De muito longe, de outra esquina, vem também o som de um realejo. Conheço o velho que o toca, ele anda sempre pelo meu bairro; já fez o periquito tirar para mim um papelucho em que me são garantidos 93 anos de vida, muita riqueza, poder e felicidade.
Ora, não preciso de tanto. Nem de tanta vida nem de tanta coisa mais. Dinheiro apenas para não ter as aflições da pobreza; poder somente para mandar um pouco, pelo menos, em meu nariz; e da felicidade um salário mínimo: tristezas que possa aguentar, remorsos que não doam mais, renúncias que não façam de mim um velho amargo.
Joguei uma prata da janela, e o periquito do realejo me fez um ancião poderoso, feliz e rico. De rebarba me concedeu 14 filhos, tarefa e honra que me assustam um pouco. Mas os periquitos são muito exagerados, e o costume de ouvir o dia inteiro trechos de ópera não deve lhes fazer bem à cabeça. Os papagaios são mais objetivos e prudentes, e só se animam a afirmar uma coisa depois que a ouvem repetidas vezes.
Agora não se ouve mais o realejo; o piano recomeça a tocar. Esses sons soltos, e indecisos, teimosos e tristes, de uma lição elementar qualquer, têm uma grave monotonia. Deus sabe por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro; mas agora me ocorre que a vida de muita gente parece um pouco essa lição de piano. Nunca chega a formar a linha de uma certa melodia. Começa a esboçar, com os pontos soltos de alguns sons, a curva de uma frase musical; mas logo se detém, e volta, e se perde numa incoerência monótona. Não tem ritmo nem cadência sensíveis. Para quem a vive, essa vida deve ser penosa e triste como o esforço dessa jovem pianista de bairro, que talvez preferisse ir à praia, mas tem de ficar no piano.
(Rubem Braga, O vassoureiro, em O homem rouco. Adaptado)

Observe as orações destacadas nos períodos:
Dois períodos com orações em negrito: “• Joguei uma prata da janela, (I) e o periquito do realejo me fez um ancião poderoso, feliz e rico. (terceiro parágrafo)” — em negrito: “e o periquito do realejo me fez um ancião poderoso, feliz e rico”; “• Deus sabe (II) por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro... (quarto parágrafo)” — em negrito: “por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro”.
A percepção das relações de subordinação que caracterizam os dois períodos leva à conclusão de que
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Língua Portuguesa Preposições — Valor Semântico

Fundação VUNESP 2023

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Texto-base:
Leia o texto, para responder às questões de números 34 a 42.

Em um piano distante alguém estuda uma lição lenta, em notas graves. De muito longe, de outra esquina, vem também o som de um realejo. Conheço o velho que o toca, ele anda sempre pelo meu bairro; já fez o periquito tirar para mim um papelucho em que me são garantidos 93 anos de vida, muita riqueza, poder e felicidade.
Ora, não preciso de tanto. Nem de tanta vida nem de tanta coisa mais. Dinheiro apenas para não ter as aflições da pobreza; poder somente para mandar um pouco, pelo menos, em meu nariz; e da felicidade um salário mínimo: tristezas que possa aguentar, remorsos que não doam mais, renúncias que não façam de mim um velho amargo.
Joguei uma prata da janela, e o periquito do realejo me fez um ancião poderoso, feliz e rico. De rebarba me concedeu 14 filhos, tarefa e honra que me assustam um pouco. Mas os periquitos são muito exagerados, e o costume de ouvir o dia inteiro trechos de ópera não deve lhes fazer bem à cabeça. Os papagaios são mais objetivos e prudentes, e só se animam a afirmar uma coisa depois que a ouvem repetidas vezes.
Agora não se ouve mais o realejo; o piano recomeça a tocar. Esses sons soltos, e indecisos, teimosos e tristes, de uma lição elementar qualquer, têm uma grave monotonia. Deus sabe por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro; mas agora me ocorre que a vida de muita gente parece um pouco essa lição de piano. Nunca chega a formar a linha de uma certa melodia. Começa a esboçar, com os pontos soltos de alguns sons, a curva de uma frase musical; mas logo se detém, e volta, e se perde numa incoerência monótona. Não tem ritmo nem cadência sensíveis. Para quem a vive, essa vida deve ser penosa e triste como o esforço dessa jovem pianista de bairro, que talvez preferisse ir à praia, mas tem de ficar no piano.
(Rubem Braga, O vassoureiro, em O homem rouco. Adaptado)

Observe os trechos destacados nas passagens:
Três passagens com trechos em negrito: “• ... vem também o som de um realejo” (negrito: “o som de um realejo”); “• ... dinheiro apenas para não ter as aflições da pobreza” (negrito: “as aflições da pobreza”); “• ... com tendência a filosofia de bairro” (negrito: “filosofia de bairro”).
Na atividade de leitura, a observação de estruturas morfossintáticas dos enunciados pode ser produtiva para ressaltar aspectos semânticos relacionados a termos gramaticais, caso, por exemplo, das preposições. À vista disso, será correto concluir que, nos contextos selecionados, a preposição “de” relaciona as palavras introduzindo as noções, respectivamente, de:
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Língua Portuguesa Coesão Textual — Anáfora e Progressão Referencial

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

Gabarito disponível

Texto-base:
Leia o texto, para responder às questões de números 34 a 42.

Em um piano distante alguém estuda uma lição lenta, em notas graves. De muito longe, de outra esquina, vem também o som de um realejo. Conheço o velho que o toca, ele anda sempre pelo meu bairro; já fez o periquito tirar para mim um papelucho em que me são garantidos 93 anos de vida, muita riqueza, poder e felicidade.
Ora, não preciso de tanto. Nem de tanta vida nem de tanta coisa mais. Dinheiro apenas para não ter as aflições da pobreza; poder somente para mandar um pouco, pelo menos, em meu nariz; e da felicidade um salário mínimo: tristezas que possa aguentar, remorsos que não doam mais, renúncias que não façam de mim um velho amargo.
Joguei uma prata da janela, e o periquito do realejo me fez um ancião poderoso, feliz e rico. De rebarba me concedeu 14 filhos, tarefa e honra que me assustam um pouco. Mas os periquitos são muito exagerados, e o costume de ouvir o dia inteiro trechos de ópera não deve lhes fazer bem à cabeça. Os papagaios são mais objetivos e prudentes, e só se animam a afirmar uma coisa depois que a ouvem repetidas vezes.
Agora não se ouve mais o realejo; o piano recomeça a tocar. Esses sons soltos, e indecisos, teimosos e tristes, de uma lição elementar qualquer, têm uma grave monotonia. Deus sabe por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro; mas agora me ocorre que a vida de muita gente parece um pouco essa lição de piano. Nunca chega a formar a linha de uma certa melodia. Começa a esboçar, com os pontos soltos de alguns sons, a curva de uma frase musical; mas logo se detém, e volta, e se perde numa incoerência monótona. Não tem ritmo nem cadência sensíveis. Para quem a vive, essa vida deve ser penosa e triste como o esforço dessa jovem pianista de bairro, que talvez preferisse ir à praia, mas tem de ficar no piano.
(Rubem Braga, O vassoureiro, em O homem rouco. Adaptado)

Assinale a alternativa em que se identifica a progressão referencial por anáforas ancoradas em relações semânticas.
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Resolução comentada

Anáfora ancorada em relações semânticas: 'anos de vida, riqueza, poder' e 'ancião poderoso, feliz e rico'.

Os termos 'ancião, poderoso, feliz, rico' retomam semanticamente, sem repetição literal, o que fora garantido no papelucho (idade, riqueza, poder e felicidade). Trata-se de anáfora ancorada em relações semânticas entre os elementos.

Análise das alternativas

B) Há retomada pronominal ('ele') e relação aleatória com 'pobreza'. C) Não há retomada referencial entre os trechos. D) 'Esses sons' retoma parcialmente, mas sem a relação semântica de ancoragem, e o trecho é de outro contexto. E) Os trechos não se relacionam por anáfora.

Referência: Coesão textual: progressão referencial e anáfora associativa.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Pontuação — Ponto e Vírgula e Vírgula

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

Gabarito disponível

Texto-base:
Leia o texto, para responder às questões de números 34 a 42.

Em um piano distante alguém estuda uma lição lenta, em notas graves. De muito longe, de outra esquina, vem também o som de um realejo. Conheço o velho que o toca, ele anda sempre pelo meu bairro; já fez o periquito tirar para mim um papelucho em que me são garantidos 93 anos de vida, muita riqueza, poder e felicidade.
Ora, não preciso de tanto. Nem de tanta vida nem de tanta coisa mais. Dinheiro apenas para não ter as aflições da pobreza; poder somente para mandar um pouco, pelo menos, em meu nariz; e da felicidade um salário mínimo: tristezas que possa aguentar, remorsos que não doam mais, renúncias que não façam de mim um velho amargo.
Joguei uma prata da janela, e o periquito do realejo me fez um ancião poderoso, feliz e rico. De rebarba me concedeu 14 filhos, tarefa e honra que me assustam um pouco. Mas os periquitos são muito exagerados, e o costume de ouvir o dia inteiro trechos de ópera não deve lhes fazer bem à cabeça. Os papagaios são mais objetivos e prudentes, e só se animam a afirmar uma coisa depois que a ouvem repetidas vezes.
Agora não se ouve mais o realejo; o piano recomeça a tocar. Esses sons soltos, e indecisos, teimosos e tristes, de uma lição elementar qualquer, têm uma grave monotonia. Deus sabe por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro; mas agora me ocorre que a vida de muita gente parece um pouco essa lição de piano. Nunca chega a formar a linha de uma certa melodia. Começa a esboçar, com os pontos soltos de alguns sons, a curva de uma frase musical; mas logo se detém, e volta, e se perde numa incoerência monótona. Não tem ritmo nem cadência sensíveis. Para quem a vive, essa vida deve ser penosa e triste como o esforço dessa jovem pianista de bairro, que talvez preferisse ir à praia, mas tem de ficar no piano.
(Rubem Braga, O vassoureiro, em O homem rouco. Adaptado)

Observe o trecho da passagem do último parágrafo.
Começa a esboçar [...] a curva de uma frase musical; mas logo se detém, e volta, e se perde numa incoerência monótona.
É correto afirmar que, nele, o ponto e vírgula e a vírgula são empregados, respectivamente, para:
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Resolução comentada

O ponto e vírgula destaca o contraste da oração adversativa; as vírgulas separam orações coordenadas com 'e' repetido.

O ponto e vírgula antecede 'mas', conjunção adversativa, ressaltando o contraste. As vírgulas separam 'se detém', 'volta', 'se perde', orações coordenadas com 'e' reiterado (polissíndeto).

Análise das alternativas

A) Os sujeitos são os mesmos, e não há apenas enumeração. B) Não há elipse de verbo nem aposto. D) Não há oração conclusiva nem sentido consecutivo. E) As orações não são subordinadas explicativas.

Referência: Pontuação: ponto e vírgula e vírgula em orações coordenadas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Colocação Pronominal

Fundação VUNESP 2023

Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército · Caderno 014. Prova Objetiva — Modelo de prova (Versão) A

Gabarito disponível

Texto-base:
Leia o texto, para responder às questões de números 34 a 42.

Em um piano distante alguém estuda uma lição lenta, em notas graves. De muito longe, de outra esquina, vem também o som de um realejo. Conheço o velho que o toca, ele anda sempre pelo meu bairro; já fez o periquito tirar para mim um papelucho em que me são garantidos 93 anos de vida, muita riqueza, poder e felicidade.
Ora, não preciso de tanto. Nem de tanta vida nem de tanta coisa mais. Dinheiro apenas para não ter as aflições da pobreza; poder somente para mandar um pouco, pelo menos, em meu nariz; e da felicidade um salário mínimo: tristezas que possa aguentar, remorsos que não doam mais, renúncias que não façam de mim um velho amargo.
Joguei uma prata da janela, e o periquito do realejo me fez um ancião poderoso, feliz e rico. De rebarba me concedeu 14 filhos, tarefa e honra que me assustam um pouco. Mas os periquitos são muito exagerados, e o costume de ouvir o dia inteiro trechos de ópera não deve lhes fazer bem à cabeça. Os papagaios são mais objetivos e prudentes, e só se animam a afirmar uma coisa depois que a ouvem repetidas vezes.
Agora não se ouve mais o realejo; o piano recomeça a tocar. Esses sons soltos, e indecisos, teimosos e tristes, de uma lição elementar qualquer, têm uma grave monotonia. Deus sabe por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro; mas agora me ocorre que a vida de muita gente parece um pouco essa lição de piano. Nunca chega a formar a linha de uma certa melodia. Começa a esboçar, com os pontos soltos de alguns sons, a curva de uma frase musical; mas logo se detém, e volta, e se perde numa incoerência monótona. Não tem ritmo nem cadência sensíveis. Para quem a vive, essa vida deve ser penosa e triste como o esforço dessa jovem pianista de bairro, que talvez preferisse ir à praia, mas tem de ficar no piano.
(Rubem Braga, O vassoureiro, em O homem rouco. Adaptado)

No processo de produção de texto escrito, o professor poderá abordar com os alunos a colocação dos pronomes átonos segundo a perspectiva fonético-sintática, caracterizando as estruturas do padrão culto do português do Brasil.
Nessa abordagem, será apontada como adequada a nova redação dada ao enunciado na alternativa:
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Resolução comentada

A colocação pronominal adequada é a de E, com ênclise ao verbo no início da oração.

Em E, 'aterrorizam-me' tem ênclise correta, pois a oração começa pelo verbo e não há palavra atrativa. Isso está de acordo com o padrão culto.

Análise das alternativas

A) 'nunca harmoniza-se' é inadequado: 'nunca' atrai o pronome (nunca se harmoniza). B) 'tendo ouvido-a' deveria ser 'tendo-a ouvido'. C) 'silenciaria-o' deveria ser 'o silenciaria' ou 'silenciá-lo-ia': futuro do pretérito não admite ênclise. D) 'mal ouço-o' deveria ser 'mal o ouço': 'mal' atrai o pronome.

Referência: Colocação pronominal: próclise, ênclise e mesóclise.

Resolução comentada do VaiConcursos.