← Voltar para a lista de provas Exército Brasileiro — Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (ESFCEx) · Oficial do Quadro Complementar do Exército 60 questões nesta prova · página 3 de 3 · 60 com gabarito Gabarito disponível A expressão sugere, por informação implícita, uma felicidade restrita e precária. Ao pedir 'da felicidade um salário mínimo', o narrador usa a ideia de salário mínimo para expressar a quantidade mínima de felicidade, com a informação implícita de precariedade, de algo básico e modesto. O sentido é produzido pela relação contextual. A) Não se trata de clichê que dependa de dicionário. B) O texto não visa a informações objetivas. C) Não há incoerência, pois a metáfora é compreensível no contexto. D) Não há retomada de termos de assistência. Referência: Interpretação de texto: sentido contextual e implícitos. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A crase está correta em D. Em D, 'tendência àquele tipo' (a + aquele) e 'semelhantes à lição' (semelhantes exige 'a' + artigo 'a' diante de feminino) estão corretos. A) 'à transformar-me' é inadequado: crase não ocorre diante de verbo. B) 'à notas' é inadequado: o substantivo plural 'notas' não admite crase sem artigo. C) 'à tanta vida' é inadequado: 'tanta' sem artigo não admite crase. E) 'à quem' e 'à ela' são inadequados: crase não ocorre diante de pronomes que não admitem artigo. Referência: Crase: casos de uso e proibição. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível A alternativa D repontua corretamente, preservando o sentido e as regras de pontuação. Em D, o ponto e vírgula separa as três orações paralelas, e as vírgulas isolam 'das suas moléstias', 'da vizinhança, ou de José Dias' marcando a elipse do verbo 'falou' após o sujeito. O travessão marca a oração adverbial final de modo aceitável. A) A vírgula antes de 'e suas belezas' separa indevidamente o complemento e as reticências alteram o sentido. B) Os dois-pontos após 'falou' e a vírgula em 'casamento, e suas belezas' são indevidos. C) Os dois-pontos separam o sujeito do complemento de modo inadequado. E) Vírgula antes de 'e' e a vírgula em 'ele, saía' separam sujeito do verbo, o que é incorreto. Referência: Pontuação: vírgula, ponto e vírgula, travessão; elipse verbal. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível O efeito vem da relação contrastiva entre os termos das expressões nominais, gerando imagens afetivas. 'Mocidade quinquagenária' e 'ancianidade viçosa' aproximam termos semanticamente opostos (mocidade/cinquenta anos; velhice/viço). Esse contraste produz imagens afetivas sobre a sogra, e é isso que gera o efeito de sentido na perspectiva da estilística da frase. A) Não se trata de similaridades estruturais que exijam reformulação. B) Não há ambiguidade na formação das frases. C) Generaliza de modo indevido sobre baixo potencial comunicativo. D) Os termos não são compatíveis; o contraste está entre eles, não com um contexto implícito. Referência: Estilística da frase: frases nominais e contraste semântico. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível A única alternativa sem erro ortográfico é a B. Em B, 'afã', 'ascensão' e 'despende' (despender, gastar) estão corretos e adequados ao contexto. A) O correto é 'meritíssimo'. C) O correto é 'pichação' (e 'penaliza-se a pichação'). D) O correto é 'figadais' com 'g', e essa forma é válida, mas 'degladiam-se' está correto; o erro relevante aqui não está em D conforme o gabarito, porém a banca considera B a única inteiramente correta. E) O correto é 'pretensão', e 'experto' é aceito, mas 'pretenção' é erro. Referência: Ortografia oficial da língua portuguesa. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Reluzências' e 'canoão' são formados por derivação sufixal com valor afetivo/enfático. 'Reluzências' vem de 'reluzir' + sufixo '-ência', e 'canoão' de 'canoa' + sufixo '-ão' (aumentativo). Ambas são derivações sufixais que conferem ênfase e tonalidade afetiva, típicas da linguagem roseana. A) Não há parassíntese (prefixo e sufixo simultâneos). B) Não há mudança de classe gramatical sem afixo, que caracterizaria a derivação imprópria. D) Não há derivação regressiva (redução da palavra para formar substantivo). E) Não há prefixo nas palavras. Referência: Formação de palavras: derivação sufixal e neologismo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A silepse de número ocorre em 'o povo caçava jeito de ficarem'. O sujeito 'o povo' é coletivo e está no singular, mas o verbo 'ficarem' vai ao plural, concordando com a ideia de pessoas, e não com a forma gramatical. Isso caracteriza silepse de número. B) 'A gente olhava' tem concordância gramatical no singular. C) e E) têm concordância regular. D) 'parecia que ele estava torto' também segue a concordância regular. Referência: Concordância ideológica (silepse) de número. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O comentário é um texto de opinião que destaca o estoicismo na poesia de Kipling. O autor emite juízo pessoal sobre o poema 'If', ressaltando a noção de estoicismo, a serenidade interior e a imperturbabilidade valorizadas pela elite britânica. Trata-se, portanto, de texto de opinião, e não de crítica literária técnica nem de análise descritiva. A) e B) afirmam que se trata de crítica literária e atribuem ao poema ligação com movimentos libertários ou crítica ao conformismo, o que o texto não diz. C) fala em paralelo entre obras e modernidade do autor, ausentes no texto. E) menciona 'expansionismo liberal na Índia', afirmação inexistente no texto. Referência: Gêneros textuais: texto de opinião; interpretação de texto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Apenas E emprega corretamente os verbos derivados de vir, ver, pôr e ter conforme a estrutura 'se + futuro do subjuntivo'. O poema usa 'Se' + subjuntivo + futuro do presente. Em E, 'intervierem' (intervir, futuro do subjuntivo) e 'antevirem' (antever) estão corretos, e 'poder-se-á' fecha o período. A) 'interveio' e 'vir' estão errados: o correto seria 'se ninguém intervier' e 'se ninguém vier'. B) 'verem' deveria ser 'virem' (ver), e 'proverá' deveria ser 'prover-se-á' no sentido proposto, além de a estrutura destoar. C) 'interpunha' deveria ser 'interpusesse' e 'matavam' não segue a correlação adequada. D) 'se interpõe' não mantém a estrutura de futuro do presente; o esperado seria 'interporá'. Referência: Verbos irregulares derivados de vir, ver, pôr; correlação de tempos e modos. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Alternativa C respeita a concordância verbal e nominal da norma-padrão. Em C, 'Atribuem-se' concorda com o sujeito plural 'pendores colonialistas'; 'o mais possível rigorosas' é expressão em que 'o mais possível' fica invariável, e 'cabe' concorda com o sujeito oracional 'questionar' (pouco cabe questionar). Tudo está de acordo com a norma-padrão. A) 'um e outro crítico recusaram' é aceitável, mas 'que custam crer que coubesse' é inadequado: o verbo 'custar' com sujeito oracional fica no singular ('que custa crer'). B) 'Em que pese as críticas' é construção tradicionalmente tida como inadequada, pois 'pese' deveria concordar com 'as críticas' ('em que pesem'). D) 'Cada um dos comentários... destacam' exige singular ('destaca'), e 'se tratam de' deveria ser 'se trata de'. E) 'mais de um leitor apreciaram' exige singular ('apreciou') na norma-padrão. Referência: Concordância verbal e nominal: sujeito oracional, expressão 'o mais possível', 'cada um', 'mais de um'. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Expressões depreciativas implícitas à poesia de Kipling: 'sabedoria pedestre' e a pergunta retórica final. 'Sabedoria pedestre' (citada como crítica de Neruda) significa sabedoria banal, rasteira, e a pergunta retórica 'alguém aqui ainda lê Kipling?' insinua que o poeta caiu no esquecimento, o que desvaloriza sua obra de modo implícito. Ambas carregam, portanto, expressividade depreciativa sem declarar o juízo abertamente. A) 'ideia recorrente' e 'estoicismo' são descrições, não depreciações. C) 'missão pessoal' é neutra; 'culturalismo colonial' é crítica explícita ao poema 'O Fardo do Homem Branco', não implícita. D) 'súdito fleumático' descreve o modelo britânico; 'muito aclamado' é elogio. E) 'profeta do imperialismo' é caracterização, e 'moral hipócrita' é depreciação explícita, não implícita. Referência: Interpretação de texto: implícitos e valor expressivo de palavras e construções. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A alternativa E segue o Manual de Redação (pronomes de tratamento e ortografia). Em E, 'preexistentes' está correto e 'Sua Senhoria' é adequado como pronome de tratamento na 3ª pessoa. A concordância com 'ficou insatisfeito' (masculino, referente ao Diretor-Geral) está correta. A) 'anti-furto' deveria ser 'antifurto', e 'Vossa Senhoria' exige 'sua ciência'. B) 'vosso' é incorreto com 'Vossa Excelência', e 'co-obrigação' deveria ser 'coobrigação'. C) 'retro-citado' deveria ser 'retrocitado'. D) 'pluri-anual' deveria ser 'plurianual', 'eletro-eletrônicos' deveria ser 'eletroeletrônicos', e 'Sua Excelência estava ocupada' destoa do 'Senhor Secretário' masculino. Referência: Manual de Redação da Presidência da República (pronomes de tratamento e concordância). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O ensino de gramática hoje adota enfoque enunciativo, com a língua em uso nas práticas sociais. As propostas atuais (PCN, BNCC) tratam a gramática a serviço da leitura, produção e análise linguística, com a língua em contexto social e em diferentes gêneros. Isso corresponde ao enfoque linguístico-enunciativo. B) Vê a língua como produto acabado, contrariando as propostas. C) Foca em 'desvios', visão normativa tradicional. D) Parte da gramática tradicional como centro dos conteúdos. E) Prioriza as propriedades formais em detrimento do contexto, o oposto do que se defende. Referência: BNCC de Língua Portuguesa; PCN de Língua Portuguesa. Resolução comentada do VaiConcursos.EsFCEx — Concurso de Admissão 2023 — Curso de Formação de Oficiais do Quadro Complementar — Área: Magistério em Português — 014. Prova Objetiva — Versão A
Leia o texto, para responder às questões de números 34 a 42.
Em um piano distante alguém estuda uma lição lenta, em notas graves. De muito longe, de outra esquina, vem também o som de um realejo. Conheço o velho que o toca, ele anda sempre pelo meu bairro; já fez o periquito tirar para mim um papelucho em que me são garantidos 93 anos de vida, muita riqueza, poder e felicidade.
Ora, não preciso de tanto. Nem de tanta vida nem de tanta coisa mais. Dinheiro apenas para não ter as aflições da pobreza; poder somente para mandar um pouco, pelo menos, em meu nariz; e da felicidade um salário mínimo: tristezas que possa aguentar, remorsos que não doam mais, renúncias que não façam de mim um velho amargo.
Joguei uma prata da janela, e o periquito do realejo me fez um ancião poderoso, feliz e rico. De rebarba me concedeu 14 filhos, tarefa e honra que me assustam um pouco. Mas os periquitos são muito exagerados, e o costume de ouvir o dia inteiro trechos de ópera não deve lhes fazer bem à cabeça. Os papagaios são mais objetivos e prudentes, e só se animam a afirmar uma coisa depois que a ouvem repetidas vezes.
Agora não se ouve mais o realejo; o piano recomeça a tocar. Esses sons soltos, e indecisos, teimosos e tristes, de uma lição elementar qualquer, têm uma grave monotonia. Deus sabe por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro; mas agora me ocorre que a vida de muita gente parece um pouco essa lição de piano. Nunca chega a formar a linha de uma certa melodia. Começa a esboçar, com os pontos soltos de alguns sons, a curva de uma frase musical; mas logo se detém, e volta, e se perde numa incoerência monótona. Não tem ritmo nem cadência sensíveis. Para quem a vive, essa vida deve ser penosa e triste como o esforço dessa jovem pianista de bairro, que talvez preferisse ir à praia, mas tem de ficar no piano.
(Rubem Braga, O vassoureiro, em O homem rouco. Adaptado)
Na atividade de leitura, a expressão “da felicidade de um salário mínimo” pode propiciar a percepçãoResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto, para responder às questões de números 34 a 42.
Em um piano distante alguém estuda uma lição lenta, em notas graves. De muito longe, de outra esquina, vem também o som de um realejo. Conheço o velho que o toca, ele anda sempre pelo meu bairro; já fez o periquito tirar para mim um papelucho em que me são garantidos 93 anos de vida, muita riqueza, poder e felicidade.
Ora, não preciso de tanto. Nem de tanta vida nem de tanta coisa mais. Dinheiro apenas para não ter as aflições da pobreza; poder somente para mandar um pouco, pelo menos, em meu nariz; e da felicidade um salário mínimo: tristezas que possa aguentar, remorsos que não doam mais, renúncias que não façam de mim um velho amargo.
Joguei uma prata da janela, e o periquito do realejo me fez um ancião poderoso, feliz e rico. De rebarba me concedeu 14 filhos, tarefa e honra que me assustam um pouco. Mas os periquitos são muito exagerados, e o costume de ouvir o dia inteiro trechos de ópera não deve lhes fazer bem à cabeça. Os papagaios são mais objetivos e prudentes, e só se animam a afirmar uma coisa depois que a ouvem repetidas vezes.
Agora não se ouve mais o realejo; o piano recomeça a tocar. Esses sons soltos, e indecisos, teimosos e tristes, de uma lição elementar qualquer, têm uma grave monotonia. Deus sabe por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro; mas agora me ocorre que a vida de muita gente parece um pouco essa lição de piano. Nunca chega a formar a linha de uma certa melodia. Começa a esboçar, com os pontos soltos de alguns sons, a curva de uma frase musical; mas logo se detém, e volta, e se perde numa incoerência monótona. Não tem ritmo nem cadência sensíveis. Para quem a vive, essa vida deve ser penosa e triste como o esforço dessa jovem pianista de bairro, que talvez preferisse ir à praia, mas tem de ficar no piano.
(Rubem Braga, O vassoureiro, em O homem rouco. Adaptado)
O emprego do sinal indicativo de crase está de acordo com a norma-padrão em:Resolução comentada
Análise das alternativas
Leia a tira, para responder às questões de números 43 e 44.
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Tendo por referência as considerações de Koch e Elias em Ler e compreender – os sentidos do texto, conclui-se que, na tira, os elementos do conteúdo temático e os do estilo se configuram, correta e respectivamente, como
Leia a tira, para responder às questões de números 43 e 44.
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A leitura da tira em sua materialidade linguística permite afirmar, com correção, que seus enunciados sinalizam uma relação
Leia o texto, para responder às questões de números 45 a 50.
Fomos jantar com a minha velha. Já lhe podia chamar assim, posto que os seus cabelos brancos não o fossem todos nem totalmente, e o rosto estivesse comparativamente fresco; era uma espécie de mocidade quinquagenária ou de ancianidade viçosa, à escolha... Mas nada de melancolias: não me compraz falar dos olhos molhados, à entrada e à saída. Pouco entrou na conversação. Também não era diferente da costumada. José Dias falou do casamento e suas belezas, da política, da Europa e da homeopatia, tio Cosme das suas moléstias, prima Justina da vizinhança, ou de José Dias, quando ele saía da sala.
Quando voltamos, à noite, viemos por ali a pé, falando das minhas dúvidas. Capitu novamente me aconselhou que esperássemos. Sogras eram todas assim; lá vinha um dia e mudavam. Ao passo que me falava, recrudescia de ternura. Dali em diante foi cada vez mais doce comigo; não me ia esperar à janela, para não espertar-me os ciúmes, mas quando eu subia, via no alto da escada, entre as grades da cancela, a cara deliciosa da minha amiga e esposa, risonha como toda a nossa infância. Ezequiel às vezes estava com ela; nós o havíamos acostumado a ver o ósculo da chegada e da saída, e ele enchia-me a cara de beijos.
(Machado de Assis, Dom Casmurro. Adaptado)
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Leia o texto, para responder às questões de números 45 a 50.
Fomos jantar com a minha velha. Já lhe podia chamar assim, posto que os seus cabelos brancos não o fossem todos nem totalmente, e o rosto estivesse comparativamente fresco; era uma espécie de mocidade quinquagenária ou de ancianidade viçosa, à escolha... Mas nada de melancolias: não me compraz falar dos olhos molhados, à entrada e à saída. Pouco entrou na conversação. Também não era diferente da costumada. José Dias falou do casamento e suas belezas, da política, da Europa e da homeopatia, tio Cosme das suas moléstias, prima Justina da vizinhança, ou de José Dias, quando ele saía da sala.
Quando voltamos, à noite, viemos por ali a pé, falando das minhas dúvidas. Capitu novamente me aconselhou que esperássemos. Sogras eram todas assim; lá vinha um dia e mudavam. Ao passo que me falava, recrudescia de ternura. Dali em diante foi cada vez mais doce comigo; não me ia esperar à janela, para não espertar-me os ciúmes, mas quando eu subia, via no alto da escada, entre as grades da cancela, a cara deliciosa da minha amiga e esposa, risonha como toda a nossa infância. Ezequiel às vezes estava com ela; nós o havíamos acostumado a ver o ósculo da chegada e da saída, e ele enchia-me a cara de beijos.
(Machado de Assis, Dom Casmurro. Adaptado)
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Leia o texto, para responder às questões de números 45 a 50.
Fomos jantar com a minha velha. Já lhe podia chamar assim, posto que os seus cabelos brancos não o fossem todos nem totalmente, e o rosto estivesse comparativamente fresco; era uma espécie de mocidade quinquagenária ou de ancianidade viçosa, à escolha... Mas nada de melancolias: não me compraz falar dos olhos molhados, à entrada e à saída. Pouco entrou na conversação. Também não era diferente da costumada. José Dias falou do casamento e suas belezas, da política, da Europa e da homeopatia, tio Cosme das suas moléstias, prima Justina da vizinhança, ou de José Dias, quando ele saía da sala.
Quando voltamos, à noite, viemos por ali a pé, falando das minhas dúvidas. Capitu novamente me aconselhou que esperássemos. Sogras eram todas assim; lá vinha um dia e mudavam. Ao passo que me falava, recrudescia de ternura. Dali em diante foi cada vez mais doce comigo; não me ia esperar à janela, para não espertar-me os ciúmes, mas quando eu subia, via no alto da escada, entre as grades da cancela, a cara deliciosa da minha amiga e esposa, risonha como toda a nossa infância. Ezequiel às vezes estava com ela; nós o havíamos acostumado a ver o ósculo da chegada e da saída, e ele enchia-me a cara de beijos.
(Machado de Assis, Dom Casmurro. Adaptado)
A alternativa em que se adota nova pontuação, de acordo com a norma-padrão, para a passagem – José Dias falou do casamento e suas belezas, da política, da Europa e da homeopatia, tio Cosme das suas moléstias, prima Justina da vizinhança, ou de José Dias, quando ele saía da sala. – é:Resolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto, para responder às questões de números 45 a 50.
Fomos jantar com a minha velha. Já lhe podia chamar assim, posto que os seus cabelos brancos não o fossem todos nem totalmente, e o rosto estivesse comparativamente fresco; era uma espécie de mocidade quinquagenária ou de ancianidade viçosa, à escolha... Mas nada de melancolias: não me compraz falar dos olhos molhados, à entrada e à saída. Pouco entrou na conversação. Também não era diferente da costumada. José Dias falou do casamento e suas belezas, da política, da Europa e da homeopatia, tio Cosme das suas moléstias, prima Justina da vizinhança, ou de José Dias, quando ele saía da sala.
Quando voltamos, à noite, viemos por ali a pé, falando das minhas dúvidas. Capitu novamente me aconselhou que esperássemos. Sogras eram todas assim; lá vinha um dia e mudavam. Ao passo que me falava, recrudescia de ternura. Dali em diante foi cada vez mais doce comigo; não me ia esperar à janela, para não espertar-me os ciúmes, mas quando eu subia, via no alto da escada, entre as grades da cancela, a cara deliciosa da minha amiga e esposa, risonha como toda a nossa infância. Ezequiel às vezes estava com ela; nós o havíamos acostumado a ver o ósculo da chegada e da saída, e ele enchia-me a cara de beijos.
(Machado de Assis, Dom Casmurro. Adaptado)
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Leia o texto, para responder às questões de números 45 a 50.
Fomos jantar com a minha velha. Já lhe podia chamar assim, posto que os seus cabelos brancos não o fossem todos nem totalmente, e o rosto estivesse comparativamente fresco; era uma espécie de mocidade quinquagenária ou de ancianidade viçosa, à escolha... Mas nada de melancolias: não me compraz falar dos olhos molhados, à entrada e à saída. Pouco entrou na conversação. Também não era diferente da costumada. José Dias falou do casamento e suas belezas, da política, da Europa e da homeopatia, tio Cosme das suas moléstias, prima Justina da vizinhança, ou de José Dias, quando ele saía da sala.
Quando voltamos, à noite, viemos por ali a pé, falando das minhas dúvidas. Capitu novamente me aconselhou que esperássemos. Sogras eram todas assim; lá vinha um dia e mudavam. Ao passo que me falava, recrudescia de ternura. Dali em diante foi cada vez mais doce comigo; não me ia esperar à janela, para não espertar-me os ciúmes, mas quando eu subia, via no alto da escada, entre as grades da cancela, a cara deliciosa da minha amiga e esposa, risonha como toda a nossa infância. Ezequiel às vezes estava com ela; nós o havíamos acostumado a ver o ósculo da chegada e da saída, e ele enchia-me a cara de beijos.
(Machado de Assis, Dom Casmurro. Adaptado)
Vista da perspectiva da estilística da frase, a passagem – ... era uma espécie de mocidade quinquagenária ou de ancianidade viçosa ... – tem seu efeito de sentido produzidoResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto, para responder às questões de números 45 a 50.
Fomos jantar com a minha velha. Já lhe podia chamar assim, posto que os seus cabelos brancos não o fossem todos nem totalmente, e o rosto estivesse comparativamente fresco; era uma espécie de mocidade quinquagenária ou de ancianidade viçosa, à escolha... Mas nada de melancolias: não me compraz falar dos olhos molhados, à entrada e à saída. Pouco entrou na conversação. Também não era diferente da costumada. José Dias falou do casamento e suas belezas, da política, da Europa e da homeopatia, tio Cosme das suas moléstias, prima Justina da vizinhança, ou de José Dias, quando ele saía da sala.
Quando voltamos, à noite, viemos por ali a pé, falando das minhas dúvidas. Capitu novamente me aconselhou que esperássemos. Sogras eram todas assim; lá vinha um dia e mudavam. Ao passo que me falava, recrudescia de ternura. Dali em diante foi cada vez mais doce comigo; não me ia esperar à janela, para não espertar-me os ciúmes, mas quando eu subia, via no alto da escada, entre as grades da cancela, a cara deliciosa da minha amiga e esposa, risonha como toda a nossa infância. Ezequiel às vezes estava com ela; nós o havíamos acostumado a ver o ósculo da chegada e da saída, e ele enchia-me a cara de beijos.
(Machado de Assis, Dom Casmurro. Adaptado)
Considere os períodos.
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As orações destacadas mantêm com as que as precedem relações de
Para responder à questão de número 51, leia a charge.
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(Bob Thaves. Disponível em <estadão.com.br>. Acesso em: 02.07.23.)
É correto afirmar que a materialidade linguística da charge responde pelo efeito de sentido de humor com base emResolução comentada
Análise das alternativas
Para responder às questões de números 53 e 54, leia o fragmento a seguir.
A hora era de muito sol – o povo caçava jeito de ficarem debaixo da sombra das árvores de cedro. O carro lembrava um canoão no seco, navio. A gente olhava: nas reluzências do ar, parecia que ele estava torto, que nas pontas se empinava.
(João Guimarães Rosa, “Soroco, sua mãe, sua filha”, em Primeiras estórias.)
A criação neológica é uma característica da prosa de Guimarães Rosa. No texto, as palavras “reluzências” e “canoão” suscitamResolução comentada
Análise das alternativas
Para responder às questões de números 53 e 54, leia o fragmento a seguir.
A hora era de muito sol – o povo caçava jeito de ficarem debaixo da sombra das árvores de cedro. O carro lembrava um canoão no seco, navio. A gente olhava: nas reluzências do ar, parecia que ele estava torto, que nas pontas se empinava.
(João Guimarães Rosa, “Soroco, sua mãe, sua filha”, em Primeiras estórias.)
É possível identificar, na sintaxe do fragmento, ocorrência de concordância estilística, por silepse, na passagemResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto, para responder às questões de números 55 a 58.
If
Houve um autor chamado Rudyard Kipling. Menos conhecido hoje, foi muito aclamado no seu tempo. Nascido na Índia dominada pelos ingleses, foi uma espécie de “profeta do imperialismo”. Seu poema O Fardo do Homem Branco é sempre citado como exemplo de racismo e de culturalismo colonial. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura – o primeiro dado a um escritor de língua inglesa.
Meu contato inicial com Kipling foi o poema If (Se). O poema estabelece uma ideia recorrente condicional: “Se consegues manter a calma, se consegues esperar sem desesperar, se és capaz de sonhar sem fazer do sonho seu mestre, se consegues continuar mesmo quando todos estiverem exaustos, etc., etc... tu herdarás toda a Terra e serás um homem de verdade”.
Como quase tudo de Kipling, traduz certa noção do estoicismo desejado pela elite britânica. O súdito fleumático era um modelo. Alguns poetas o amaram (como Guilherme de Almeida). Houve detratores, como Pablo Neruda, que destacou a sabedoria pedestre e a moral hipócrita de Kipling.
Estoico, sem dúvida, especialmente pela ideia de serenidade interior indiferente ao mundo. Poderia também ser uma maneira inglesa de traduzir o Bhagavad Gita, que trata sobre a aceitação de uma missão pessoal. Kipling fez um curto manual vitoriano de sabedoria de bolso.
Ter lido Kipling parece ser um sinal de idade. Os versos finais ecoam na minha memória: “Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes / E, entre reis, não perder a naturalidade / E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes / Se a todos podes ser de alguma utilidade / E se és capaz de dar, segundo por segundo / Ao minuto fatal todo o valor e brilho / Tua é a terra com tudo o que existe no mundo / E o que mais – tu serás um homem, ó meu filho!” Pergunta esperançosa: alguém aqui ainda lê Kipling?
(Leandro Karnal. Disponível em:<estadão.com.br>. Acesso em: 02.07.2023. Adaptado)
O comentário do autor sobre a poesia de Rudyard Kipling se caracteriza comoResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto, para responder às questões de números 55 a 58.
If
Houve um autor chamado Rudyard Kipling. Menos conhecido hoje, foi muito aclamado no seu tempo. Nascido na Índia dominada pelos ingleses, foi uma espécie de “profeta do imperialismo”. Seu poema O Fardo do Homem Branco é sempre citado como exemplo de racismo e de culturalismo colonial. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura – o primeiro dado a um escritor de língua inglesa.
Meu contato inicial com Kipling foi o poema If (Se). O poema estabelece uma ideia recorrente condicional: “Se consegues manter a calma, se consegues esperar sem desesperar, se és capaz de sonhar sem fazer do sonho seu mestre, se consegues continuar mesmo quando todos estiverem exaustos, etc., etc... tu herdarás toda a Terra e serás um homem de verdade”.
Como quase tudo de Kipling, traduz certa noção do estoicismo desejado pela elite britânica. O súdito fleumático era um modelo. Alguns poetas o amaram (como Guilherme de Almeida). Houve detratores, como Pablo Neruda, que destacou a sabedoria pedestre e a moral hipócrita de Kipling.
Estoico, sem dúvida, especialmente pela ideia de serenidade interior indiferente ao mundo. Poderia também ser uma maneira inglesa de traduzir o Bhagavad Gita, que trata sobre a aceitação de uma missão pessoal. Kipling fez um curto manual vitoriano de sabedoria de bolso.
Ter lido Kipling parece ser um sinal de idade. Os versos finais ecoam na minha memória: “Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes / E, entre reis, não perder a naturalidade / E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes / Se a todos podes ser de alguma utilidade / E se és capaz de dar, segundo por segundo / Ao minuto fatal todo o valor e brilho / Tua é a terra com tudo o que existe no mundo / E o que mais – tu serás um homem, ó meu filho!” Pergunta esperançosa: alguém aqui ainda lê Kipling?
(Leandro Karnal. Disponível em:<estadão.com.br>. Acesso em: 02.07.2023. Adaptado)
Seguindo a estrutura do poema “If”, assinale a alternativa que emprega os verbos de acordo com a norma-padrão.Resolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto, para responder às questões de números 55 a 58.
If
Houve um autor chamado Rudyard Kipling. Menos conhecido hoje, foi muito aclamado no seu tempo. Nascido na Índia dominada pelos ingleses, foi uma espécie de “profeta do imperialismo”. Seu poema O Fardo do Homem Branco é sempre citado como exemplo de racismo e de culturalismo colonial. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura – o primeiro dado a um escritor de língua inglesa.
Meu contato inicial com Kipling foi o poema If (Se). O poema estabelece uma ideia recorrente condicional: “Se consegues manter a calma, se consegues esperar sem desesperar, se és capaz de sonhar sem fazer do sonho seu mestre, se consegues continuar mesmo quando todos estiverem exaustos, etc., etc... tu herdarás toda a Terra e serás um homem de verdade”.
Como quase tudo de Kipling, traduz certa noção do estoicismo desejado pela elite britânica. O súdito fleumático era um modelo. Alguns poetas o amaram (como Guilherme de Almeida). Houve detratores, como Pablo Neruda, que destacou a sabedoria pedestre e a moral hipócrita de Kipling.
Estoico, sem dúvida, especialmente pela ideia de serenidade interior indiferente ao mundo. Poderia também ser uma maneira inglesa de traduzir o Bhagavad Gita, que trata sobre a aceitação de uma missão pessoal. Kipling fez um curto manual vitoriano de sabedoria de bolso.
Ter lido Kipling parece ser um sinal de idade. Os versos finais ecoam na minha memória: “Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes / E, entre reis, não perder a naturalidade / E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes / Se a todos podes ser de alguma utilidade / E se és capaz de dar, segundo por segundo / Ao minuto fatal todo o valor e brilho / Tua é a terra com tudo o que existe no mundo / E o que mais – tu serás um homem, ó meu filho!” Pergunta esperançosa: alguém aqui ainda lê Kipling?
(Leandro Karnal. Disponível em:<estadão.com.br>. Acesso em: 02.07.2023. Adaptado)
Assinale a alternativa redigida de acordo com a norma-padrão de concordância verbal e nominal.Resolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto, para responder às questões de números 55 a 58.
If
Houve um autor chamado Rudyard Kipling. Menos conhecido hoje, foi muito aclamado no seu tempo. Nascido na Índia dominada pelos ingleses, foi uma espécie de “profeta do imperialismo”. Seu poema O Fardo do Homem Branco é sempre citado como exemplo de racismo e de culturalismo colonial. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura – o primeiro dado a um escritor de língua inglesa.
Meu contato inicial com Kipling foi o poema If (Se). O poema estabelece uma ideia recorrente condicional: “Se consegues manter a calma, se consegues esperar sem desesperar, se és capaz de sonhar sem fazer do sonho seu mestre, se consegues continuar mesmo quando todos estiverem exaustos, etc., etc... tu herdarás toda a Terra e serás um homem de verdade”.
Como quase tudo de Kipling, traduz certa noção do estoicismo desejado pela elite britânica. O súdito fleumático era um modelo. Alguns poetas o amaram (como Guilherme de Almeida). Houve detratores, como Pablo Neruda, que destacou a sabedoria pedestre e a moral hipócrita de Kipling.
Estoico, sem dúvida, especialmente pela ideia de serenidade interior indiferente ao mundo. Poderia também ser uma maneira inglesa de traduzir o Bhagavad Gita, que trata sobre a aceitação de uma missão pessoal. Kipling fez um curto manual vitoriano de sabedoria de bolso.
Ter lido Kipling parece ser um sinal de idade. Os versos finais ecoam na minha memória: “Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes / E, entre reis, não perder a naturalidade / E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes / Se a todos podes ser de alguma utilidade / E se és capaz de dar, segundo por segundo / Ao minuto fatal todo o valor e brilho / Tua é a terra com tudo o que existe no mundo / E o que mais – tu serás um homem, ó meu filho!” Pergunta esperançosa: alguém aqui ainda lê Kipling?
(Leandro Karnal. Disponível em:<estadão.com.br>. Acesso em: 02.07.2023. Adaptado)
Em passagens do texto, são identificadas referências com expressividade depreciativa implícita à poesia de Kipling. São referências dessa natureza:Resolução comentada
Análise das alternativas
Resolução comentada
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Resolução comentada
Análise das alternativas
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Assinale a alternativa em que as frases estão redigidas de acordo com a ortografia oficial.
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Assinale a alternativa cujo enunciado está redigido em conformidade com os princípios de ortografia e concordância indicados no Manual de Redação da Presidência da República.
As propostas atuais asseveram que o ensino de gramática na escola