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EsPCEx — Concurso de Admissão 2024 — Provas de Português, Física, Química e Redação (1º dia) — Modelo A

Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) — Exército Brasileiro · Concurso de Admissão à EsPCEx

EsPCEx2024

45 questões nesta prova · página 1 de 3 · 44 com gabarito

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

EsPCEx 2024

Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) — Exército Brasileiro · Concurso de Admissão à EsPCEx · Caderno Modelo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda às questões propostas.

No princípio eram as árvores

Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

GLOSSÁRIO:
Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

De acordo com o texto, assinale a alternativa com a interpretação mais adequada para a frase “A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios.”, localizada no primeiro parágrafo:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A etimologia de 'liber' revela a ligação do livro com a casca da árvore.

A frase refere-se à etimologia da palavra 'livro': o latim liber designava a casca da árvore, o que conta o relato antigo sobre a origem da escrita nas árvores. Por isso conhecer o sentido original de liber ajuda a desvendar a relação entre a escrita e as cascas.

Análise das alternativas

B) Errada: extrapola ao falar da origem do conhecimento civilizatório. C) Errada: papiro e junco estão ligados ao biblíon, não a liber. D) Errada: a etimologia em questão é a de 'livro', não de 'receptáculo'. E) Errada: a frase é específica, não genérica.

Referência: Interpretação de texto — sentido de trecho.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

EsPCEx 2024

Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) — Exército Brasileiro · Concurso de Admissão à EsPCEx · Caderno Modelo A

Gabarito disponível

Texto-base:
Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda às questões propostas.

No princípio eram as árvores

Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

GLOSSÁRIO:
Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

No título: “No princípio eram as árvores”, Irene Vallejo coloca o leitor imediatamente a par da sua tese de que a escrita nas árvores é a forma mais antiga de escrita na Europa. Ao longo do texto, traz argumentos que contribuem para essa conclusão:

I – A etimologia da palavra latina liber.
II – A afirmação de Plínio, o Velho.
III – A etimologia da palavra biblíon.
IV – O poema de Antonio Machado.
V – O registro de Calímaco, bibliotecário de Alexandria.
VI – Um personagem de Virgílio.

Das afirmativas feitas acima, marque apenas as que apresentam os argumentos favoráveis à tese da autora:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Argumentos favoráveis: I, II, IV, V e VI.

Liber (casca de árvore), Plínio (romanos escreviam em cascas), o poema de Machado (iniciais gravadas nas cascas), Calímaco (mensagem amorosa em árvore) e o personagem de Virgílio (gravar amores nas árvores) sustentam a tese. Já 'biblíon' remete à cidade de Biblos e ao papiro, sem relação com árvores, e por isso não serve de argumento.

Análise das alternativas

A), B) e C) Errada: omitem argumentos válidos ou incluem III. E) Errada: inclui III, que é contrário à tese.

Referência: Interpretação de texto — argumentação.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

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Texto-base:
Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda às questões propostas.

No princípio eram as árvores

Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

GLOSSÁRIO:
Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

Ao final do texto, a autora cria algumas hipóteses. Uma delas, a partir de uma fabulação especulativa, pode ser assim descrita:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

A hipótese especulativa é a que usa 'talvez' e 'sabe-se lá'.

As hipóteses finais aparecem com 'Talvez...tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor' e 'Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros'. A alternativa C reúne essa fabulação: primeiros pensamentos escritos em árvores que talvez tenham virado livros.

Análise das alternativas

A) Errada: é a imaginação de um personagem de Virgílio, não a hipótese final da autora. B) Errada: é afirmação factual (Calímaco). D) Errada: afirma como fato, sem a hipótese. E) Errada: o texto fala de tatuar letras na pele de uma árvore, não de árvores 'na beira dos rios', e a hipótese central é outra.

Referência: Interpretação de texto — hipótese e modalização.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Interpretação de Texto

EsPCEx 2024

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Texto-base:
Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda às questões propostas.

No princípio eram as árvores

Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

GLOSSÁRIO:
Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

Segundo o texto, é correto afirmar que:

I – as duas paixões dos iluministas de todas as épocas são os jogos de palavras e a semelhança fonética entre as palavras.
II – as “antigas páginas de madeira” são as cascas das árvores.
III – a etimologia da palavra “livro” é grega.
IV – conotativamente, a origem da folha de papel é mais remota que a do papiro.

Dentre as afirmativas feitas acima, estão corretas apenas:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Apenas II e IV estão corretas.

A afirmativa II está correta: 'antigas páginas de madeira' remetem às cascas de árvore que serviram de suporte da escrita. A IV também, pois o papel vem da árvore, e a origem arbórea do livro é mais antiga que o papiro, na leitura conotativa. A I está errada: as duas paixões são leitura e liberdade. A III está errada: a etimologia de 'livro' é latina (liber), e 'biblíon' é o termo grego.

Análise das alternativas

A), B), C) e E) Errada: todas incluem I ou III, que são falsas. Só a alternativa D reúne exatamente as corretas.

Referência: Interpretação de texto — compreensão e inferência.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Classes de Palavras — Valores do “Que”

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Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda às questões propostas.

No princípio eram as árvores

Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

GLOSSÁRIO:
Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

Trecho citado: “[...] o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”[...]”., com as três ocorrências de “que” sublinhadas.
Assinale a alternativa em que as classes gramaticais dos termos sublinhados, respectivamente, estão corretas:
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Pronome Relativo — Emprego de “Onde”

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Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda às questões propostas.

No princípio eram as árvores

Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

GLOSSÁRIO:
Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

Trecho citado: “[...] o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever [...]”., com “onde” sublinhado.
Assinale a alternativa em que o uso do vocábulo “onde” está empregado corretamente como no trecho transcrito acima:
Selecione uma alternativa

Língua Portuguesa Período Composto — Orações Coordenadas

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Texto-base:
Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda às questões propostas.

No princípio eram as árvores

Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

GLOSSÁRIO:
Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

“[...] à beira de um rio que corre e passa e sonha [...]”. O exemplo de polissíndeto reforça a coordenação entre as orações, portanto as duas últimas orações do trecho acima são classificadas, respectivamente, como:
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Resolução comentada

Polissíndeto com 'e': orações coordenadas sindéticas aditivas.

Em 'um rio que corre e passa e sonha', a repetição da conjunção 'e' é o polissíndeto. As duas últimas orações ('passa' e 'sonha') são introduzidas por 'e', que dá ideia de adição, portanto são coordenadas sindéticas aditivas.

Análise das alternativas

A) e E) Errada: não há ideia de alternância ('ou') nem de conclusão. B) Errada: não há oposição, pois 'e' não é adversativo aqui. D) Errada: as duas são introduzidas por 'e', logo são sindéticas, e não há ideia de explicação.

Referência: Orações coordenadas sindéticas aditivas; figura de linguagem polissíndeto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Crase

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No princípio eram as árvores

Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

GLOSSÁRIO:
Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

No trecho Trecho citado: “Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco.”, com as duas ocorrências de “à” sublinhadas. os usos do acento grave indicativo de crase ocorrem por motivo idêntico ao da seguinte sentença:
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Língua Portuguesa Fonologia — Encontros Consonantais e Dígrafos

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No princípio eram as árvores

Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

GLOSSÁRIO:
Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

O terceiro parágrafo aborda a questão da semelhança fonética entre as palavras “livro” e “livre”. Ambas apresentam uma sequência de duas consoantes. Assinale a alternativa correta quanto à classificação e à exemplificação da gramática normativa para o fenômeno fonético que ocorre nas palavras destacadas acima:
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Resolução comentada

'Livro' e 'livre' têm encontro consonantal (br/vr), não dígrafo.

Em 'livro' e 'livre' aparece a sequência 'vr', duas consoantes pronunciadas juntas na mesma sílaba: é encontro consonantal. Dígrafo seria duas letras representando um único som. Em 'sublingual', 'bl' é um encontro consonantal, o que ilustra corretamente o fenômeno.

Análise das alternativas

A) Errada: 'nh' em banho é dígrafo. C) Errada: 'gu' em guerra é dígrafo, e o fenômeno em 'livro' não é dígrafo. D) Errada: em 'descer' o 'sc' é um dígrafo, e não um encontro consonantal. E) Errada: 'xc' em exceção é dígrafo, e o fenômeno em questão é encontro consonantal.

Referência: Fonologia — encontros consonantais e dígrafos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Período Composto — Classificação das Orações

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No princípio eram as árvores

Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

GLOSSÁRIO:
Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

Em “Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa.”, temos um período composto pelas seguintes orações, respectivamente, na ordem em que aparecem os verbos:
Selecione uma alternativa

Resolução comentada

Classificação das orações do período sobre o costume de tatuar letras na árvore.

Pela ordem dos verbos: 'de tatuar letras...' é completiva nominal reduzida de infinitivo (completa 'costume'); 'para conservar a lembrança' é adverbial final reduzida de infinitivo; 'que viveu' é adjetiva restritiva (de 'alguém'); 'e amou' é adjetiva restritiva coordenada à anterior; 'tenha sido' é a oração principal. Isso corresponde à alternativa E.

Análise das alternativas

A) Errada: chama de explicativa a oração 'que viveu', mas ela restringe 'alguém'. B), C) e D) Errada: tratam 'tenha sido' como substantiva predicativa e abrem o período com a principal, quando a primeira oração é a completiva nominal ('de tatuar...') e 'tenha sido' é a principal.

Referência: Sintaxe do período composto — orações subordinadas substantivas, adverbiais e adjetivas.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Formação de Palavras — Radicais Latinos

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No princípio eram as árvores

Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

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Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

Em Trecho citado: “Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.”, com “arbórea” sublinhada. a palavra sublinhada é um adjetivo que se refere ao substantivo “árvore”. Assinale a alternativa que explica a formação dessa palavra no lugar de “arvórea”, que seria uma escrita mais lógica, mas nem aparece dicionarizada:
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Língua Portuguesa Verbos — Infinitivo Flexionado e Não Flexionado

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Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

GLOSSÁRIO:
Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

“Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios”.

A forma do verbo “conhecer” no trecho acima está corretamente explicada em:
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Resolução comentada

'Conhecer' em 'antes de conhecer' é infinitivo não flexionado.

A forma 'conhecer' está após a locução prepositiva 'antes de' e tem o mesmo sujeito da oração principal ('os romanos'). Não há flexão em pessoa/número, pois o infinitivo é impessoal e não vem flexionado como 'conhecerem'. Logo, trata-se de infinitivo não flexionado, com a flexão sendo facultativa nesse caso.

Análise das alternativas

B) Errada: a forma flexionada seria 'conhecerem'. C) e D) Errada: infinitivo não é verbo que concorda como forma finita; não há concordância a explicar. E) Errada: não há silepse de número no trecho.

Referência: Gramática normativa — emprego do infinitivo flexionado e não flexionado.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Termos da Oração — Objeto Direto

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No princípio eram as árvores

Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

GLOSSÁRIO:
Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

No trecho “Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade.”, qual é o núcleo do objeto direto:
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Resolução comentada

Núcleo do objeto direto em 'redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade'.

O verbo 'redigir' é transitivo direto, e seu objeto direto é 'um disperso inventário amoroso da humanidade'. O núcleo desse sintagma nominal é o substantivo 'inventário'; 'disperso' e 'amoroso' são adjuntos adnominais, e 'da humanidade' é complemento nominal/adjunto.

Análise das alternativas

A) 'cascas' pertence ao adjunto adverbial 'Em suas cascas'. B e D) 'disperso' e 'amoroso' são adjetivos que modificam o núcleo. E) 'humanidade' é o termo regido da preposição 'de'. C) está correta.

Referência: Sintaxe – termos da oração; objeto direto.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Pontuação e Recursos Gráficos

EsPCEx 2024

Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) — Exército Brasileiro · Concurso de Admissão à EsPCEx · Caderno Modelo A

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Texto-base:
Após a leitura atenta do texto apresentado a seguir, responda às questões propostas.

No princípio eram as árvores

Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

GLOSSÁRIO:
Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

Assinale a alternativa correta quanto ao uso dos sinais diacríticos e sinais de pontuação presentes no texto:
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Resolução comentada

Uso de sinais de pontuação e diacríticos no texto.

Em 'Plínio, o Velho, afirma que...', 'o Velho' é aposto explicativo intercalado entre o sujeito e o verbo. Por isso, as vírgulas que o isolam são obrigatórias.

Análise das alternativas

B) o itálico destaca palavra estrangeira, enquanto as aspas em 'livro' indicam o significado, então a equivalência não procede. C) as aspas em 'livro' e 'livre' marcam as palavras como objeto de análise, e não ironia. D) os travessões isolam um aposto enumerativo e os dois pontos introduzem uma citação, sem troca de interlocutor. E) as vírgulas isolam apenas o adjunto adverbial, e não aposto e sujeito. A) está correta.

Referência: Pontuação – aposto e uso de vírgulas; recursos gráficos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Versificação

EsPCEx 2024

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No princípio eram as árvores

Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

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Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

Sobre o poema apresentado no texto, é correto afirmar que:
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Resolução comentada

Versificação do poema de Antonio Machado no texto.

Os versos do poema têm medidas variadas (por exemplo, 'têm em suas cascas' é bem mais curto que 'atrás das muralhas velhas de Soria'). Além disso, não há esquema regular de rimas nem estrofação. Trata-se, portanto, de versos livres.

Análise das alternativas

A) os versos não têm todos 12 sílabas. B) o oitavo verso não tem coincidência garantida entre sílabas métricas e gramaticais. C) não há rima esdrúxula entre o nono e o décimo versos. E) há encadeamento (enjambement) em vários trechos. D) está correta.

Referência: Versificação – versos livres, métrica e rima.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Língua Portuguesa Período Composto — Relações Lógico-Semânticas

EsPCEx 2024

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No princípio eram as árvores

Os livros são filhos das árvores, que foram o primeiro lar da nossa espécie e, talvez, o mais antigo receptáculo das palavras escritas. A etimologia da palavra contém um velho relato sobre os primórdios. Em latim, liber, que significa “livro”, originariamente dava nome à casca da árvore ou, mais exatamente, à película fibrosa que separa a casca da madeira do tronco. Plínio, o Velho, afirma que os romanos escreviam em cascas de árvore antes de conhecer os rolos egípcios. Durante muitos séculos, diversos materiais – o papiro, o pergaminho – ocuparam o lugar daquelas antigas páginas de madeira, mas, numa viagem de ida e volta, com adoção do papel, os livros voltaram a nascer das árvores.

Como eu já expliquei, os gregos chamavam o livro de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro. Atualmente o emprego dessa palavra, em sua evolução, ficou reduzido ao título de uma única obra, a Bíblia. Para os romanos, liber não evocava cidades nem rotas comerciais, mas o mistério do bosque onde seus antepassados começaram a escrever, em meio aos sussurros do vento nas folhas. Os nomes germânicos – book, Buch, boek – também descendem de uma palavra arbórea: a faia de tronco esbranquiçado.

Em latim, o termo que significa “livro” tem quase o mesmo som que o adjetivo que significa “livre”, embora as raízes indo-europeias de ambos os vocábulos tenham origens diferentes. Muitas línguas neolatinas, como o espanhol, o francês, o italiano e o português, herdaram a coincidência dessa semelhança fonética, que convida ao jogo de palavras, identificando leitura e liberdade. Para os iluministas de todas as épocas, são duas paixões que sempre acabam confluindo.

Hoje aprendemos a escrever com luz sobre telas de cristal líquido ou de plasma, mas ainda ouvimos o chamado originário das árvores. Em suas cascas redigimos um disperso inventário amoroso da humanidade. Antonio Machado, em seus passeios pelos Campos de Castela, costumava parar junto ao rio para ler algumas linhas desse livro dos amantes:
Voltei a ver os álamos dourados,
álamos do caminho na ribeira
do Douro, entre San Polo e San Saturio,
atrás das muralhas velhas de Soria […].
Estes choupos do rio, que acompanham
com o som de suas folhas secas
o som da água, quando o vento sopra,
têm em suas cascas
gravadas iniciais que são nomes
de apaixonados, números que são datas.
Quando um adolescente risca duas iniciais com a ponta do canivete na casca prateada de um álamo, reproduz, sem saber, um gesto muito antigo. Calímaco, o bibliotecário de Alexandria, já menciona no século III a.C. uma mensagem amorosa numa árvore. Não é o único. Um personagem de Virgílio imagina como a casca, com o passar dos anos, irá se alargar e corroer seu nome e o dela: “E gravar meus amores nas jovens árvores; crescerão as árvores e com elas crescerão vocês, amores meus.” Talvez o costume, ainda vivo, de tatuar letras na pele de uma árvore para conservar a lembrança de alguém que viveu e amou tenha sido um dos episódios mais antigos de escrita na Europa. Talvez, à beira de um rio que corre e passa e sonha, como dizia Machado, os antigos gregos e romanos tenham escrito os primeiros pensamentos e as primeiras palavras de amor. Sabe-se lá quantas dessas árvores acabaram se transformando em livros.

Fonte: VALLEJO, Irene. O Infinito em um Junco: A Invenção dos Livros no Mundo Antigo. Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2022.

GLOSSÁRIO:
Álamo – árvore ornamental de flores pequenas e casca rugosa, o mesmo que choupo;
Papiro – folha para escrever feita das hastes dos juncos provenientes das margens do rio Nilo;
Pergaminho – pele de cabra ou de ovelha preparada para a escrita ou encadernação;
Choupos – o mesmo que álamo;
Junco – nome comum a várias plantas herbáceas;
Faia – espécie de árvore; e
Indo-europeu – origem comum das línguas europeias.

Considerando o seguinte trecho do texto: Trecho citado: “Como eu já expliquei, os gregos chamavam os livros de biblíon, rememorando a cidade fenícia de Biblos, famosa pela exportação de papiro.”, com “Como eu já expliquei”, “rememorando a cidade fenícia de Biblos” e “famosa pela exportação de papiro” sublinhados. assinale a alternativa que indica, respectivamente, as relações lógico-sintáticas expressas nas frases em destaque:
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Literatura Modernismo — Características

EsPCEx 2024

Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) — Exército Brasileiro · Concurso de Admissão à EsPCEx · Caderno Modelo A

Gabarito disponível

O poeta espanhol Antonio Machado, citado pela autora no texto que abre a prova, fez parte do movimento literário chamado Modernismo.

Assinale a única alternativa correta sobre esse estilo de época:
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Resolução comentada

Característica do Modernismo, em sua fase inicial.

Em sua fase inicial, o Modernismo incorpora o prosaico e o cotidiano, de modo que a vida simples ganha dimensão poética, rompendo com a linguagem elevada e as formas tradicionais.

Análise das alternativas

A) descreve o Classicismo/Renascimento. B e D) remetem ao Realismo/Naturalismo. C) descreve o Romantismo. E) está correta.

Referência: Estilos de época – Modernismo.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Literatura Pré-Modernismo — Augusto dos Anjos

EsPCEx 2024

Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) — Exército Brasileiro · Concurso de Admissão à EsPCEx · Caderno Modelo A

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A árvore da serra

– As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice mais calma!

– Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh’alma...

– Disse – e ajoelhou-se, numa rogativa:
“Não mate a árvore, pai, para que eu viva!”
Enquanto a árvore, olhando a pátria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco.
E nunca mais se levantou da terra.

(Augusto dos Anjos)

Assinale a única alternativa que caracteriza a poesia de Augusto dos Anjos:
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Resolução comentada

Característica da poesia de Augusto dos Anjos no soneto 'A árvore da serra'.

O soneto dramatiza um diálogo entre pai e filho. Ele reflete o conflito típico do poeta entre a visão científica e racionalista (a árvore 'não tem alma') e a religiosidade e o espiritualismo (o filho que atribui alma à árvore).

Análise das alternativas

B) não há busca de um lugar ameno nem idealização da natureza. C) o poema não tem ornamentação neoclássica nem fé no progresso. D) não predominam sinestesias, e o poeta não é simbolista no sentido descrito. E) não há antropocentrismo clássico nem equilíbrio. A) está correta.

Referência: Pré-Modernismo – Augusto dos Anjos.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Literatura Realismo — Contos de Machado de Assis

EsPCEx 2024

Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) — Exército Brasileiro · Concurso de Admissão à EsPCEx · Caderno Modelo A

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Leia o seguinte excerto do conto “A causa secreta”, de Machado de Assis:

“Fortunato saiu, foi deitar-se no sofá da saleta contígua, e adormeceu logo. Vinte minutos depois acordou, quis dormir outra vez, cochilou alguns minutos, até que se levantou e voltou à sala. Caminhava nas pontas dos pés para não acordar a parenta, que dormia perto. Chegando à porta, estacou assombrado.

Garcia tinha-se chegado ao cadáver, levantara o lenço e contemplara por alguns instantes as feições defuntas. Depois, como se a morte espiritualizasse tudo, inclinou-se e beijou-o na testa. Foi nesse momento que Fortunato chegou à porta. Estacou assombrado; não podia ser o beijo da amizade, podia ser o epílogo de um livro adúltero. Não tinha ciúmes, note-se; a natureza compô-lo de maneira que lhe não deu ciúmes nem inveja, mas dera-lhe vaidade, que não é menos cativa ao ressentimento. Olhou assombrado, mordendo os beiços.

Entretanto, Garcia inclinou-se ainda para beijar outra vez o cadáver; mas então não pôde mais. O beijo rebentou em soluços, e os olhos não puderam conter as lágrimas, que vieram em borbotões, lágrimas de amor calado, e irremediável desespero. Fortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranquilo essa explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa.”

(50 contos de Machado de Assis. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. p. 368-76.)

Pode-se afirmar que está presente a seguinte característica, típica da literatura realista de Machado de Assis:
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Resolução comentada

Característica realista em 'A causa secreta', de Machado de Assis.

O trecho mostra introspecção psicológica: Fortunato interpreta o beijo de Garcia como possível traição e sente vaidade ferida, enquanto Garcia revela um amor calado. O tema da falsidade do casamento e da traição aparece nas entrelinhas.

Análise das alternativas

A) a ascensão social por interesse não é o foco do trecho. C) não há retrato de arrogância de elite no excerto. D) o narrador está em terceira pessoa. E) o determinismo científico é característica naturalista, e não machadiana. B) está correta.

Referência: Machado de Assis – Realismo e análise psicológica.

Resolução comentada do VaiConcursos.

Literatura Romantismo — Características

EsPCEx 2024

Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) — Exército Brasileiro · Concurso de Admissão à EsPCEx · Caderno Modelo A

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Em relação ao Romantismo, pode-se afirmar:

I – A expressão das emoções, combinada ao subjetivismo e à originalidade, define os princípios desse movimento.
II – O autor romântico explora as figuras de linguagem e os jogos de palavras, a fim de dar à literatura a riqueza visual da pintura e da escultura.
III – A segunda geração desse movimento literário é marcada pela incorporação da imagem de um herói romântico que defende valores incorruptíveis como a honestidade, o amor e o direito à liberdade.
IV – O desejo de dar um caráter científico à obra literária define as condições de produção dos romances românticos.
V – Poetas como Castro Alves e Sousândrade, inspirados pelos princípios libertários defendidos por Victor Hugo, escreveram sobre o horror da escravidão e outros temas sociais.

Pela análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas:
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Resolução comentada

Características do Romantismo.

I está correta: emoção, subjetivismo e originalidade definem o Romantismo. III, conforme o gabarito, aponta o herói romântico que defende valores como honestidade, amor e liberdade. V está correta: Castro Alves e Sousândrade, inspirados em Victor Hugo, abordaram a escravidão e temas sociais.

Análise das alternativas

II é falsa: o jogo de palavras e a riqueza plástica remetem ao Parnasianismo e ao Barroco. IV é falsa: o caráter científico é próprio do Realismo-Naturalismo. Portanto, só I, III e V estão corretas (A).

Referência: Literatura brasileira – Romantismo.

Resolução comentada do VaiConcursos.