← Voltar para a lista de provas Colégio Militar de Belo Horizonte · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental 41 questões nesta prova · página 2 de 3 · 40 com gabarito Gabarito disponível Principal sentimento da narradora em relação à casa do sonho. Ela fica melancólica e saudosa, diz que morrerá de paixão se não comprar a casa e acredita que a casa e a sala existem de verdade em algum lugar. Isso revela um desejo intenso de encontrar e possuir aquela casa específica. A) Errada: o desejo não é passageiro nem se trata de turismo. B) Errada: ela sente desejo, e não medo. C) Errada: a casa é o foco do desejo, e a conversa só a incomoda. E) Errada: o texto diz que o preço lhe pareceu muito barato. Referência: Interpretação de texto. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Foco narrativo, espaço e tempo no Texto I. O texto é narrado em 1ª pessoa. Há dois espaços e tempos: o Portugal imaginário do sonho e o mundo real da narradora, ao acordar e escrever no presente. Os sentimentos dela (saudade, desejo, melancolia) ligam essas duas situações. A) Errada: o narrador é personagem e não há compra da casa. B) Errada: ela não inventa o sonho para viajar. D) Errada: o espaço e o tempo vão além da casa e dos minutos de conversa, e ela é a protagonista. E) Errada: o foco permanece em 1ª pessoa, sem mudança. Referência: Elementos da narrativa: foco narrativo, tempo e espaço. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gênero textual do Texto I: crônica. O texto parte de um fato cotidiano (contar um sonho), usa tom pessoal e coloquial e traz reflexões da autora dirigidas diretamente ao leitor. Essas características são típicas da crônica, que no caso circulou em jornal. A) Errada: não há clímax nem conflito de conto. C) Errada: não há moral e a autora diz que não pretende apresentar um apólogo. D) Errada: não explica a origem de um fenômeno nem é uma lenda. E) Errada: o texto não defende uma tese com argumentos nem tem a estrutura de blog. Referência: Gêneros textuais: crônica. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Sentido de “empalhado” no contexto. No parágrafo, a narradora diz que o gato não miava, não se movia e podia estar “morto ou empalhado”. Empalhado é o animal morto cujo corpo é preenchido com palha para conservar a forma, isto é, taxidermizado. A) e D) tratam de medo ou frio, o que o contexto não sugere. B) Errada: não é ser enrolado em palha. E) Errada: dormir é diferente de estar empalhado, e o texto contrapõe “morto ou empalhado”. Referência: Semântica: sentido contextual de palavras. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Sentido figurado de “pedaço de pão” e “galinha gorda dos outros”. As expressões são figuradas: “pedaço de pão” representa o pouco que se tem e “galinha gorda dos outros” representa os bens alheios. A narradora diz que sempre se contentou com o que tinha e nunca cobiçou o que era dos outros. A) Errada: lê literalmente e fala de criar animais. B) Errada: restringe o sentido à comida. D) Errada: o trecho trata de modo de vida, não de respeito pela casa do sonho. E) Errada: não trata de evitar problemas alheios. Referência: Linguagem figurada: sentido conotativo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Vírgula usada para separar elementos de uma enumeração. No trecho do enunciado, as vírgulas separam termos de mesma função, em enumeração (a casa velha, as senhoras idosas, o gato branco). Em “descobrir aquela casa, aquele rio, aquelas velhas”, as vírgulas também separam objetos diretos enumerados. A) Aí a vírgula isola adjetivo e oração reduzida, e não enumera substantivos de mesma função. C) Isola oração intercalada ou deslocada. D) Isola termos e orações explicativas. E) Isola oração explicativa e separa orações coordenadas. Referência: Pontuação: vírgula em enumerações. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Relação de posse estabelecida pelo pronome relativo “cujo”. Em “jasmim-estrela miúdo e de cheiro, cuja massa verde...”, “cuja” retoma “jasmim-estrela” (o possuidor) e se liga a “massa verde” (a coisa possuída). Ou seja, é a massa verde do jasmim-estrela. B) “Coisas” é parte do predicado, não o possuidor. C) “Amontava” é verbo, não é coisa possuída. D) “Cheiro” fica antes do pronome e não é o possuidor. E) Massa verde não possui o cheiro. Referência: Pronomes relativos: “cujo” indica posse. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Sílaba tônica e classificação quanto à tonicidade. “Subconsciente” (sub-cons-ci-EN-te) tem tônica em “en” e é paroxítona. “Portugal” (Por-tu-GAL) tem tônica em “gal” e é oxítona. Só a alternativa D acerta as duas palavras. A) “Inofensivo” é paroxítona (fen), não proparoxítona; “tábuas” é paroxítona, o que está certo, mas a primeira parte falha. B) “Confundir” é oxítona (dir). C) “Mãos” é monossílabo tônico. E) “Entender” é oxítona e “história” é paroxítona. Referência: Fonologia: tonicidade das palavras. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Função das estrelas distantes no poema “Das Utopias”. O eu lírico diz que os caminhos seriam tristes se não houvesse a presença distante das estrelas. As estrelas, mesmo inatingíveis, orientam e inspiram, dando sentido e beleza à jornada da vida. A) Errada: a leitura literal da iluminação não corresponde ao sentido simbólico. B) Errada: o poema afirma que o inatingível vale a pena mesmo sem ser alcançado. D) Errada: a tristeza ocorreria sem as estrelas, e não por causa delas. E) Errada: reduz a imagem a mero enfeite e ignora seu valor simbólico. Referência: Interpretação de poema; Mário Quintana, Espelho Mágico. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Efeitos de sentido da pontuação no poema de Quintana. As reticências marcam pausa reflexiva e continuidade do pensamento (V). O “ora!” exclamativo traz indignação ou impaciência diante da ideia anterior (V). O último verso é uma exclamação legítima, e não um erro (F). Reticências e exclamações juntas reforçam o tom emotivo e reflexivo (V). A vírgula do terceiro verso isola a oração condicional e não separa sujeito de verbo (F). B, C, D e E contradizem ao menos uma dessas conclusões: marcam a 1 como falsa, a 3 como verdadeira ou a 5 como verdadeira. Referência: Pontuação e efeitos de sentido. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Formação de “inatingíveis”: prefixo de negação e flexão de plural. “Inatingíveis” é formada por derivação: o prefixo “in-” dá ideia de negação, e o sufixo “-vel” forma adjetivo. A terminação “-is” é flexão de plural, que concorda com “coisas”. A) Errada: é adjetivo derivado, não forma verbal flexionada. B) Errada: aqui “in-” é negação, não movimento para dentro. C) Errada: não há flexão de grau superlativo. D) Errada: o sufixo forma adjetivo, não substantivo. Referência: Morfologia: derivação prefixal e sufixal, flexão nominal. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Valor semântico de “como” (comparação). Em “Ela é como a matemática”, “como” compara a lanterna à matemática e tem valor comparativo. Em “Funciona como se fosse uma bússola”, “como” também estabelece uma comparação (“como se”), que é o sentido mais próximo. B) “E como haveria de ser?” é advérbio interrogativo de modo. C) “Como gratificação” tem sentido de “na condição de”. D) “Como você já sabe” expressa conformidade. E) “E como isso vai ser bom!” é advérbio de intensidade, em frase exclamativa. Referência: Gramática: valores semânticos de “como”. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Identificar o fato sobre Jerônimo, em oposição às opiniões. “Não gostava de escola” é uma informação objetiva sobre o personagem, apresentada pelo narrador como um dado da história. As demais frases expressam julgamentos ou opiniões. A) Opinião do menino sobre o discurso da professora (“papo esquisito”). C) Autoavaliação subjetiva (“cabra ajuizado”). D) Opinião sobre a vida de estudante. E) Julgamento da mãe (“malcriado”). Referência: Interpretação de texto: distinção entre fato e opinião. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Atitude de Jerônimo ao pedir que a professora continue. Nas linhas 71 a 73, Jerônimo reflete sobre o que ouviu e pede que a professora prossiga. Isso mostra que ele passou a se interessar pelas explicações sobre a importância da escola e dos estudos. A) Errada: ele não quer adiar as atividades, quer ouvir mais. C) Errada: a professora não conta histórias, ela explica a utilidade das matérias. D) Errada: não há indício de sono. E) Errada: o pedido mostra o contrário, ou seja, que ele começou a entender o valor da escola. Referência: Interpretação de texto: caracterização de personagem. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Classes de palavras: julgamento de V ou F sobre cinco trechos. “Seu” é pronome possessivo (adjetivo), não pronome substantivo, e não substitui o nome. “Ligeiro” modifica o verbo “ajeitar”, então é advérbio. “Bom” qualifica “comportamento”, logo é adjetivo. “Meio” modifica o adjetivo “preguiçoso” e é advérbio de intensidade, não numeral. “Vida” é substantivo e núcleo do sujeito. A sequência é F, F, V, F, V. A, B, D e E trazem sequências que marcam como verdadeira ao menos uma das afirmativas 1, 2 e 4 (todas falsas) ou marcam como falsa a 3 ou a 5 (ambas verdadeiras). Referência: Gramática: classes de palavras (pronome possessivo, advérbio, adjetivo, substantivo, numeral). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Tema central do poema: a importância da educação. Ao longo do poema a professora mostra que a escola funciona como um kit de sobrevivência: ler e escrever, matemática, geografia e ciência. No fim, Jerônimo reconhece que estudar e se dedicar o ajudará a crescer, se formar e melhorar de vida. O tema central é, portanto, a educação como preparação para alcançar objetivos e viver bem. A) Errada: o texto não diz que se aprende apenas em casa; valoriza a escola. C) Errada: brincar e ver desenho o tempo todo é o desejo inicial do menino, que ele abandona. D) Errada: a ideia de que estudar é perda de tempo é refutada pelo poema. E) Errada: o texto afirma que o difícil não é impossível e defende a dedicação aos estudos. Referência: Interpretação de texto: identificação do tema central. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponívelCMBH — Processo Seletivo de Admissão 2025/2026 — 6º ano do Ensino Fundamental — Prova de Matemática, Língua Portuguesa e Produção Textual
Texto I
História de sonho
Esta noite sonhei com Portugal. Queria saber contar sonhos, porque foi um sonho bonito. O medo
que a gente tem (embora na aparência se trate apenas de um sonho inocente e até lírico), o medo são os
amigos interpretadores, capazes de tirar uma história de sete cabeças do sonho mais inofensivo. [...]
Pois como dizia, sonhei com Portugal. Não via mapa, nem letreiro, nem explicação formal, mas que
5 era Portugal, não tinha dúvida. A gente ia num barco por um rio tranquilo, muito largo e com pedras à
margem. E aos poucos se avistava uma cidade ou aldeia com casas antigas, abarracadas, subindo um morro;
e eram tantos os pomares que de repente o rio se afundava entre as árvores e se virava num riachinho à toa;
depois já não tinha riachinho, nem barco, nem nada, a gente estava dentro de uma das casas do lugar, na sala
grande com móveis pesados de talha, e umas cortinas vermelhas de veludo. E na sala estavam duas velhas e
10 um velho, sendo que uma das velhas se sentava numa cadeira de balanço e tinha um gato branco no colo. Os
três falaram comigo, e eu sei que me sentia mal por haver penetrado ali naquela sala particular e tão tranquila
sem pedir licença, mas a velha de pé me tranquilizou — talvez dissesse que era costume receberem turistas;
a velha sentada não dizia nada, continuava se embalando e sorrindo. Depois os três iniciaram uma história,
mas era muito aflitivo porque eu não conseguia entender quase nada do que eles diziam; só me dava a
15 impressão de que era fala das fitas de cinema português, cujo diálogo a gente nunca sabe se o compreende
tão mal, porque é mesmo difícil de entender a língua deles ou se é porque o aparelho de som está ruim. Aliás,
lembrando bem, eles falavam mesmo com voz de cinema, tinha até uma música de fundo. E aí eu perguntava
à senhora da cadeira de balanço quanto é que custava uma casa naquela aldeia — assim bonita e antiga como
aquela. E ela respondeu um preço que não recordo, mas que achei muito barato. [...] Fiz então umas contas
20 de cabeça, calculei que vendendo isto e aquilo aqui no Brasil dava para comprar aquela casa. Sim, aquela.
Com a intensidade maior da minha vida, embora eu não tivesse coragem de o dizer às velhas, assaltara-me a
cobiça de ser dona da casa delas, daquela e nenhuma outra — com aqueles móveis, e a pequena escada
sumida na sombra da sala grande, e os três velhos e a cadeira de embalo com o gato branco.
Nesse ponto o sonho entrou a escurecer e a confundir, [...] e não sei se acordei logo, ou se caí num
25 sono pesado e sem consciência de nada. Só sei que me levantei de manhã com o mesmo desejo no coração,
e por mais que as horas se passem ainda tenho presente na lembrança as mãos claras da velhinha, e a vista
que se enxergava da janela e o soalho da casa de tábuas areadas e bem largas.
Conto este sonho à toa. Mesmo porque diz que é tolice contar sonho. Mas diz também o povo que a
gente não contando ele não acontece. E a verdade é que eu queria satisfazer este sonho, descobrir aquela
30 casa, aquele rio, aquelas velhas. E conversar outra vez com elas, prestando bem atenção, para consertar esta
angústia de não ter entendido as palavras que elas me disseram com o aparelho do som funcionando tão mal.
Porque parece que era coisa importante, coisa essencial que eu ouvisse e entendesse. Depois o desejo de ver
Portugal. Embora, como já foi dito acima, ninguém me dissesse que era Portugal — não tinha placa
explicando, nem vinhedos, nem trigais, nem cachopas. Só sabia que aquilo era Portugal, uma espécie de
35 Pasárgada de identificação absoluta no meu coração. [...]
Também ninguém pense que estou inventando um apólogo, que no fim haverá uma moral ou uma
explicação. É um sonho e nada mais, naturalmente anárquico e sem sentido. Já falei que o conto à toa —
fazendo um papel que nunca fiz, imagine contar sonho, tanta tolice sem sentido. Mas me deixou melancólica
e cheia de saudades, incapaz de escrever coisas sensatas, como seria da minha obrigação. E o fato é que não
40 consigo tirar da cabeça, nem a casa velha, nem as senhoras idosas, nem o gato branco e a cadeira. Sempre
fui pessoa de poucos sonhos, acordados ou dormidos. Sempre me satisfiz com o meu pedaço de pão e jamais
cobicei a galinha gorda dos outros. Mas me parece que hei de morrer de paixão se não comprar um dia aquela
casa. Pois tanto a casa como a sala hão de existir em algum lugar, não acredito que o meu sonho as inventasse
assim, erguesse-lhes as paredes caiadas, e compusesse os florões dos móveis de talha, e até as franjas de
45 borlas das cortinas vermelhas. E as velhas, então, as velhas. Ah, esqueci de dizer que o velho sumiu, no
próprio momento em que falavam a conversa que não consegui entender: de repente só se viam as duas
senhoras, não havia mais o velho debruçado à janela que cheirava a jasmim. Também esqueci de contar este
detalhe da janela com o jasmim. Era uma das coisas mais agradáveis dali aquele jasmim-estrela miúdo e de
cheiro, cuja massa verde se amontava contra a parede do oitão, desprendendo galhos finos janela adentro. O
50 gato não miava nem se movia; nem sequer ronronava, agora recordo bem. Quem sabe se estava morto ou
empalhado? E, meu Deus, será azar sonhar com gato empalhado? O que vale é que embora empalhado ou
morto, era branco e não preto. Azar de gato preto não precisa ninguém dizer, é coisa sabida e antiga. Branco,
não; branco, sendo o contrário do preto, naturalmente dá sorte, vivo ou morto, que isso da vida e da morte
não faz grande diferença em matéria de azar.
55 E pode ser muito bem que, sendo caso de intuição, ou segunda vista, ou lembrança subconsciente —
sei lá, há muitos nomes para essas coisas — talvez alguém conheça o lugar ou as pessoas e queira me contar
onde fica. Alguém que tenha paciência de ler isto tudo até o fim. Quem não tiver paciência de ler, o que é
justo, mude a vista; há muita coisa no jornal, tanta colaboração de primeira; passe adiante que ninguém
repara, [...] pessoa nenhuma é obrigada a ler o que não gosta, graças a Deus.
QUEIROZ, Rachel. Um alpendre, uma rede, um açude. 8 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006. Adaptado.
Glossário:
cachopas – colmeia de abelhas ou casa de marimbondos.
apólogo – narrativa que ilustra lições de sabedoria ou ética, com personagens imaginários ou reais.
caiadas – pintadas com mistura de cal e água.
florões – ornamento em forma de flor.
talha – obra de arte que se faz esculpindo a madeira
borlas – bola de tecido ou pano.
oitão – cada parede lateral de uma casa.
A narradora descreve seu sonho com grande riqueza de detalhes e, ao acordar, continua a pensar nele durante todo o dia. Analisando o texto completo, qual das alternativas abaixo melhor explica o principal sentimento da narradora em relação à casa que ela viu no sonho?Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto I
História de sonho
Esta noite sonhei com Portugal. Queria saber contar sonhos, porque foi um sonho bonito. O medo
que a gente tem (embora na aparência se trate apenas de um sonho inocente e até lírico), o medo são os
amigos interpretadores, capazes de tirar uma história de sete cabeças do sonho mais inofensivo. [...]
Pois como dizia, sonhei com Portugal. Não via mapa, nem letreiro, nem explicação formal, mas que
5 era Portugal, não tinha dúvida. A gente ia num barco por um rio tranquilo, muito largo e com pedras à
margem. E aos poucos se avistava uma cidade ou aldeia com casas antigas, abarracadas, subindo um morro;
e eram tantos os pomares que de repente o rio se afundava entre as árvores e se virava num riachinho à toa;
depois já não tinha riachinho, nem barco, nem nada, a gente estava dentro de uma das casas do lugar, na sala
grande com móveis pesados de talha, e umas cortinas vermelhas de veludo. E na sala estavam duas velhas e
10 um velho, sendo que uma das velhas se sentava numa cadeira de balanço e tinha um gato branco no colo. Os
três falaram comigo, e eu sei que me sentia mal por haver penetrado ali naquela sala particular e tão tranquila
sem pedir licença, mas a velha de pé me tranquilizou — talvez dissesse que era costume receberem turistas;
a velha sentada não dizia nada, continuava se embalando e sorrindo. Depois os três iniciaram uma história,
mas era muito aflitivo porque eu não conseguia entender quase nada do que eles diziam; só me dava a
15 impressão de que era fala das fitas de cinema português, cujo diálogo a gente nunca sabe se o compreende
tão mal, porque é mesmo difícil de entender a língua deles ou se é porque o aparelho de som está ruim. Aliás,
lembrando bem, eles falavam mesmo com voz de cinema, tinha até uma música de fundo. E aí eu perguntava
à senhora da cadeira de balanço quanto é que custava uma casa naquela aldeia — assim bonita e antiga como
aquela. E ela respondeu um preço que não recordo, mas que achei muito barato. [...] Fiz então umas contas
20 de cabeça, calculei que vendendo isto e aquilo aqui no Brasil dava para comprar aquela casa. Sim, aquela.
Com a intensidade maior da minha vida, embora eu não tivesse coragem de o dizer às velhas, assaltara-me a
cobiça de ser dona da casa delas, daquela e nenhuma outra — com aqueles móveis, e a pequena escada
sumida na sombra da sala grande, e os três velhos e a cadeira de embalo com o gato branco.
Nesse ponto o sonho entrou a escurecer e a confundir, [...] e não sei se acordei logo, ou se caí num
25 sono pesado e sem consciência de nada. Só sei que me levantei de manhã com o mesmo desejo no coração,
e por mais que as horas se passem ainda tenho presente na lembrança as mãos claras da velhinha, e a vista
que se enxergava da janela e o soalho da casa de tábuas areadas e bem largas.
Conto este sonho à toa. Mesmo porque diz que é tolice contar sonho. Mas diz também o povo que a
gente não contando ele não acontece. E a verdade é que eu queria satisfazer este sonho, descobrir aquela
30 casa, aquele rio, aquelas velhas. E conversar outra vez com elas, prestando bem atenção, para consertar esta
angústia de não ter entendido as palavras que elas me disseram com o aparelho do som funcionando tão mal.
Porque parece que era coisa importante, coisa essencial que eu ouvisse e entendesse. Depois o desejo de ver
Portugal. Embora, como já foi dito acima, ninguém me dissesse que era Portugal — não tinha placa
explicando, nem vinhedos, nem trigais, nem cachopas. Só sabia que aquilo era Portugal, uma espécie de
35 Pasárgada de identificação absoluta no meu coração. [...]
Também ninguém pense que estou inventando um apólogo, que no fim haverá uma moral ou uma
explicação. É um sonho e nada mais, naturalmente anárquico e sem sentido. Já falei que o conto à toa —
fazendo um papel que nunca fiz, imagine contar sonho, tanta tolice sem sentido. Mas me deixou melancólica
e cheia de saudades, incapaz de escrever coisas sensatas, como seria da minha obrigação. E o fato é que não
40 consigo tirar da cabeça, nem a casa velha, nem as senhoras idosas, nem o gato branco e a cadeira. Sempre
fui pessoa de poucos sonhos, acordados ou dormidos. Sempre me satisfiz com o meu pedaço de pão e jamais
cobicei a galinha gorda dos outros. Mas me parece que hei de morrer de paixão se não comprar um dia aquela
casa. Pois tanto a casa como a sala hão de existir em algum lugar, não acredito que o meu sonho as inventasse
assim, erguesse-lhes as paredes caiadas, e compusesse os florões dos móveis de talha, e até as franjas de
45 borlas das cortinas vermelhas. E as velhas, então, as velhas. Ah, esqueci de dizer que o velho sumiu, no
próprio momento em que falavam a conversa que não consegui entender: de repente só se viam as duas
senhoras, não havia mais o velho debruçado à janela que cheirava a jasmim. Também esqueci de contar este
detalhe da janela com o jasmim. Era uma das coisas mais agradáveis dali aquele jasmim-estrela miúdo e de
cheiro, cuja massa verde se amontava contra a parede do oitão, desprendendo galhos finos janela adentro. O
50 gato não miava nem se movia; nem sequer ronronava, agora recordo bem. Quem sabe se estava morto ou
empalhado? E, meu Deus, será azar sonhar com gato empalhado? O que vale é que embora empalhado ou
morto, era branco e não preto. Azar de gato preto não precisa ninguém dizer, é coisa sabida e antiga. Branco,
não; branco, sendo o contrário do preto, naturalmente dá sorte, vivo ou morto, que isso da vida e da morte
não faz grande diferença em matéria de azar.
55 E pode ser muito bem que, sendo caso de intuição, ou segunda vista, ou lembrança subconsciente —
sei lá, há muitos nomes para essas coisas — talvez alguém conheça o lugar ou as pessoas e queira me contar
onde fica. Alguém que tenha paciência de ler isto tudo até o fim. Quem não tiver paciência de ler, o que é
justo, mude a vista; há muita coisa no jornal, tanta colaboração de primeira; passe adiante que ninguém
repara, [...] pessoa nenhuma é obrigada a ler o que não gosta, graças a Deus.
QUEIROZ, Rachel. Um alpendre, uma rede, um açude. 8 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006. Adaptado.
Glossário:
cachopas – colmeia de abelhas ou casa de marimbondos.
apólogo – narrativa que ilustra lições de sabedoria ou ética, com personagens imaginários ou reais.
caiadas – pintadas com mistura de cal e água.
florões – ornamento em forma de flor.
talha – obra de arte que se faz esculpindo a madeira
borlas – bola de tecido ou pano.
oitão – cada parede lateral de uma casa.
No Texto I, os elementos que compõem um texto narrativo são organizados de uma maneira especial. Qual alternativa descreve corretamente a relação entre o foco narrativo, o espaço e o tempo no texto?Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto I
História de sonho
Esta noite sonhei com Portugal. Queria saber contar sonhos, porque foi um sonho bonito. O medo
que a gente tem (embora na aparência se trate apenas de um sonho inocente e até lírico), o medo são os
amigos interpretadores, capazes de tirar uma história de sete cabeças do sonho mais inofensivo. [...]
Pois como dizia, sonhei com Portugal. Não via mapa, nem letreiro, nem explicação formal, mas que
5 era Portugal, não tinha dúvida. A gente ia num barco por um rio tranquilo, muito largo e com pedras à
margem. E aos poucos se avistava uma cidade ou aldeia com casas antigas, abarracadas, subindo um morro;
e eram tantos os pomares que de repente o rio se afundava entre as árvores e se virava num riachinho à toa;
depois já não tinha riachinho, nem barco, nem nada, a gente estava dentro de uma das casas do lugar, na sala
grande com móveis pesados de talha, e umas cortinas vermelhas de veludo. E na sala estavam duas velhas e
10 um velho, sendo que uma das velhas se sentava numa cadeira de balanço e tinha um gato branco no colo. Os
três falaram comigo, e eu sei que me sentia mal por haver penetrado ali naquela sala particular e tão tranquila
sem pedir licença, mas a velha de pé me tranquilizou — talvez dissesse que era costume receberem turistas;
a velha sentada não dizia nada, continuava se embalando e sorrindo. Depois os três iniciaram uma história,
mas era muito aflitivo porque eu não conseguia entender quase nada do que eles diziam; só me dava a
15 impressão de que era fala das fitas de cinema português, cujo diálogo a gente nunca sabe se o compreende
tão mal, porque é mesmo difícil de entender a língua deles ou se é porque o aparelho de som está ruim. Aliás,
lembrando bem, eles falavam mesmo com voz de cinema, tinha até uma música de fundo. E aí eu perguntava
à senhora da cadeira de balanço quanto é que custava uma casa naquela aldeia — assim bonita e antiga como
aquela. E ela respondeu um preço que não recordo, mas que achei muito barato. [...] Fiz então umas contas
20 de cabeça, calculei que vendendo isto e aquilo aqui no Brasil dava para comprar aquela casa. Sim, aquela.
Com a intensidade maior da minha vida, embora eu não tivesse coragem de o dizer às velhas, assaltara-me a
cobiça de ser dona da casa delas, daquela e nenhuma outra — com aqueles móveis, e a pequena escada
sumida na sombra da sala grande, e os três velhos e a cadeira de embalo com o gato branco.
Nesse ponto o sonho entrou a escurecer e a confundir, [...] e não sei se acordei logo, ou se caí num
25 sono pesado e sem consciência de nada. Só sei que me levantei de manhã com o mesmo desejo no coração,
e por mais que as horas se passem ainda tenho presente na lembrança as mãos claras da velhinha, e a vista
que se enxergava da janela e o soalho da casa de tábuas areadas e bem largas.
Conto este sonho à toa. Mesmo porque diz que é tolice contar sonho. Mas diz também o povo que a
gente não contando ele não acontece. E a verdade é que eu queria satisfazer este sonho, descobrir aquela
30 casa, aquele rio, aquelas velhas. E conversar outra vez com elas, prestando bem atenção, para consertar esta
angústia de não ter entendido as palavras que elas me disseram com o aparelho do som funcionando tão mal.
Porque parece que era coisa importante, coisa essencial que eu ouvisse e entendesse. Depois o desejo de ver
Portugal. Embora, como já foi dito acima, ninguém me dissesse que era Portugal — não tinha placa
explicando, nem vinhedos, nem trigais, nem cachopas. Só sabia que aquilo era Portugal, uma espécie de
35 Pasárgada de identificação absoluta no meu coração. [...]
Também ninguém pense que estou inventando um apólogo, que no fim haverá uma moral ou uma
explicação. É um sonho e nada mais, naturalmente anárquico e sem sentido. Já falei que o conto à toa —
fazendo um papel que nunca fiz, imagine contar sonho, tanta tolice sem sentido. Mas me deixou melancólica
e cheia de saudades, incapaz de escrever coisas sensatas, como seria da minha obrigação. E o fato é que não
40 consigo tirar da cabeça, nem a casa velha, nem as senhoras idosas, nem o gato branco e a cadeira. Sempre
fui pessoa de poucos sonhos, acordados ou dormidos. Sempre me satisfiz com o meu pedaço de pão e jamais
cobicei a galinha gorda dos outros. Mas me parece que hei de morrer de paixão se não comprar um dia aquela
casa. Pois tanto a casa como a sala hão de existir em algum lugar, não acredito que o meu sonho as inventasse
assim, erguesse-lhes as paredes caiadas, e compusesse os florões dos móveis de talha, e até as franjas de
45 borlas das cortinas vermelhas. E as velhas, então, as velhas. Ah, esqueci de dizer que o velho sumiu, no
próprio momento em que falavam a conversa que não consegui entender: de repente só se viam as duas
senhoras, não havia mais o velho debruçado à janela que cheirava a jasmim. Também esqueci de contar este
detalhe da janela com o jasmim. Era uma das coisas mais agradáveis dali aquele jasmim-estrela miúdo e de
cheiro, cuja massa verde se amontava contra a parede do oitão, desprendendo galhos finos janela adentro. O
50 gato não miava nem se movia; nem sequer ronronava, agora recordo bem. Quem sabe se estava morto ou
empalhado? E, meu Deus, será azar sonhar com gato empalhado? O que vale é que embora empalhado ou
morto, era branco e não preto. Azar de gato preto não precisa ninguém dizer, é coisa sabida e antiga. Branco,
não; branco, sendo o contrário do preto, naturalmente dá sorte, vivo ou morto, que isso da vida e da morte
não faz grande diferença em matéria de azar.
55 E pode ser muito bem que, sendo caso de intuição, ou segunda vista, ou lembrança subconsciente —
sei lá, há muitos nomes para essas coisas — talvez alguém conheça o lugar ou as pessoas e queira me contar
onde fica. Alguém que tenha paciência de ler isto tudo até o fim. Quem não tiver paciência de ler, o que é
justo, mude a vista; há muita coisa no jornal, tanta colaboração de primeira; passe adiante que ninguém
repara, [...] pessoa nenhuma é obrigada a ler o que não gosta, graças a Deus.
QUEIROZ, Rachel. Um alpendre, uma rede, um açude. 8 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006. Adaptado.
Glossário:
cachopas – colmeia de abelhas ou casa de marimbondos.
apólogo – narrativa que ilustra lições de sabedoria ou ética, com personagens imaginários ou reais.
caiadas – pintadas com mistura de cal e água.
florões – ornamento em forma de flor.
talha – obra de arte que se faz esculpindo a madeira
borlas – bola de tecido ou pano.
oitão – cada parede lateral de uma casa.
Com base no Texto I e nas suas principais características, assinale a alternativa que identifica corretamente o gênero textual ao qual ele pertence e os elementos que o justificam.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto I
História de sonho
Esta noite sonhei com Portugal. Queria saber contar sonhos, porque foi um sonho bonito. O medo
que a gente tem (embora na aparência se trate apenas de um sonho inocente e até lírico), o medo são os
amigos interpretadores, capazes de tirar uma história de sete cabeças do sonho mais inofensivo. [...]
Pois como dizia, sonhei com Portugal. Não via mapa, nem letreiro, nem explicação formal, mas que
5 era Portugal, não tinha dúvida. A gente ia num barco por um rio tranquilo, muito largo e com pedras à
margem. E aos poucos se avistava uma cidade ou aldeia com casas antigas, abarracadas, subindo um morro;
e eram tantos os pomares que de repente o rio se afundava entre as árvores e se virava num riachinho à toa;
depois já não tinha riachinho, nem barco, nem nada, a gente estava dentro de uma das casas do lugar, na sala
grande com móveis pesados de talha, e umas cortinas vermelhas de veludo. E na sala estavam duas velhas e
10 um velho, sendo que uma das velhas se sentava numa cadeira de balanço e tinha um gato branco no colo. Os
três falaram comigo, e eu sei que me sentia mal por haver penetrado ali naquela sala particular e tão tranquila
sem pedir licença, mas a velha de pé me tranquilizou — talvez dissesse que era costume receberem turistas;
a velha sentada não dizia nada, continuava se embalando e sorrindo. Depois os três iniciaram uma história,
mas era muito aflitivo porque eu não conseguia entender quase nada do que eles diziam; só me dava a
15 impressão de que era fala das fitas de cinema português, cujo diálogo a gente nunca sabe se o compreende
tão mal, porque é mesmo difícil de entender a língua deles ou se é porque o aparelho de som está ruim. Aliás,
lembrando bem, eles falavam mesmo com voz de cinema, tinha até uma música de fundo. E aí eu perguntava
à senhora da cadeira de balanço quanto é que custava uma casa naquela aldeia — assim bonita e antiga como
aquela. E ela respondeu um preço que não recordo, mas que achei muito barato. [...] Fiz então umas contas
20 de cabeça, calculei que vendendo isto e aquilo aqui no Brasil dava para comprar aquela casa. Sim, aquela.
Com a intensidade maior da minha vida, embora eu não tivesse coragem de o dizer às velhas, assaltara-me a
cobiça de ser dona da casa delas, daquela e nenhuma outra — com aqueles móveis, e a pequena escada
sumida na sombra da sala grande, e os três velhos e a cadeira de embalo com o gato branco.
Nesse ponto o sonho entrou a escurecer e a confundir, [...] e não sei se acordei logo, ou se caí num
25 sono pesado e sem consciência de nada. Só sei que me levantei de manhã com o mesmo desejo no coração,
e por mais que as horas se passem ainda tenho presente na lembrança as mãos claras da velhinha, e a vista
que se enxergava da janela e o soalho da casa de tábuas areadas e bem largas.
Conto este sonho à toa. Mesmo porque diz que é tolice contar sonho. Mas diz também o povo que a
gente não contando ele não acontece. E a verdade é que eu queria satisfazer este sonho, descobrir aquela
30 casa, aquele rio, aquelas velhas. E conversar outra vez com elas, prestando bem atenção, para consertar esta
angústia de não ter entendido as palavras que elas me disseram com o aparelho do som funcionando tão mal.
Porque parece que era coisa importante, coisa essencial que eu ouvisse e entendesse. Depois o desejo de ver
Portugal. Embora, como já foi dito acima, ninguém me dissesse que era Portugal — não tinha placa
explicando, nem vinhedos, nem trigais, nem cachopas. Só sabia que aquilo era Portugal, uma espécie de
35 Pasárgada de identificação absoluta no meu coração. [...]
Também ninguém pense que estou inventando um apólogo, que no fim haverá uma moral ou uma
explicação. É um sonho e nada mais, naturalmente anárquico e sem sentido. Já falei que o conto à toa —
fazendo um papel que nunca fiz, imagine contar sonho, tanta tolice sem sentido. Mas me deixou melancólica
e cheia de saudades, incapaz de escrever coisas sensatas, como seria da minha obrigação. E o fato é que não
40 consigo tirar da cabeça, nem a casa velha, nem as senhoras idosas, nem o gato branco e a cadeira. Sempre
fui pessoa de poucos sonhos, acordados ou dormidos. Sempre me satisfiz com o meu pedaço de pão e jamais
cobicei a galinha gorda dos outros. Mas me parece que hei de morrer de paixão se não comprar um dia aquela
casa. Pois tanto a casa como a sala hão de existir em algum lugar, não acredito que o meu sonho as inventasse
assim, erguesse-lhes as paredes caiadas, e compusesse os florões dos móveis de talha, e até as franjas de
45 borlas das cortinas vermelhas. E as velhas, então, as velhas. Ah, esqueci de dizer que o velho sumiu, no
próprio momento em que falavam a conversa que não consegui entender: de repente só se viam as duas
senhoras, não havia mais o velho debruçado à janela que cheirava a jasmim. Também esqueci de contar este
detalhe da janela com o jasmim. Era uma das coisas mais agradáveis dali aquele jasmim-estrela miúdo e de
cheiro, cuja massa verde se amontava contra a parede do oitão, desprendendo galhos finos janela adentro. O
50 gato não miava nem se movia; nem sequer ronronava, agora recordo bem. Quem sabe se estava morto ou
empalhado? E, meu Deus, será azar sonhar com gato empalhado? O que vale é que embora empalhado ou
morto, era branco e não preto. Azar de gato preto não precisa ninguém dizer, é coisa sabida e antiga. Branco,
não; branco, sendo o contrário do preto, naturalmente dá sorte, vivo ou morto, que isso da vida e da morte
não faz grande diferença em matéria de azar.
55 E pode ser muito bem que, sendo caso de intuição, ou segunda vista, ou lembrança subconsciente —
sei lá, há muitos nomes para essas coisas — talvez alguém conheça o lugar ou as pessoas e queira me contar
onde fica. Alguém que tenha paciência de ler isto tudo até o fim. Quem não tiver paciência de ler, o que é
justo, mude a vista; há muita coisa no jornal, tanta colaboração de primeira; passe adiante que ninguém
repara, [...] pessoa nenhuma é obrigada a ler o que não gosta, graças a Deus.
QUEIROZ, Rachel. Um alpendre, uma rede, um açude. 8 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006. Adaptado.
Glossário:
cachopas – colmeia de abelhas ou casa de marimbondos.
apólogo – narrativa que ilustra lições de sabedoria ou ética, com personagens imaginários ou reais.
caiadas – pintadas com mistura de cal e água.
florões – ornamento em forma de flor.
talha – obra de arte que se faz esculpindo a madeira
borlas – bola de tecido ou pano.
oitão – cada parede lateral de uma casa.
O trecho a seguir foi retirado do Texto I. Leia-o para responder à questão de número 24,
“O gato não miava nem se movia; nem sequer ronronava, agora recordo bem. Quem sabe se estava morto ou empalhado? E, meu Deus, será azar sonhar com gato empalhado? O que vale é que embora empalhado ou morto, era branco e não preto.” (linhas 49 a 52)
Considerando o parágrafo em que se insere, assinale a alternativa que apresenta o sentido mais adequado para a palavra “empalhado”.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto I
História de sonho
Esta noite sonhei com Portugal. Queria saber contar sonhos, porque foi um sonho bonito. O medo
que a gente tem (embora na aparência se trate apenas de um sonho inocente e até lírico), o medo são os
amigos interpretadores, capazes de tirar uma história de sete cabeças do sonho mais inofensivo. [...]
Pois como dizia, sonhei com Portugal. Não via mapa, nem letreiro, nem explicação formal, mas que
5 era Portugal, não tinha dúvida. A gente ia num barco por um rio tranquilo, muito largo e com pedras à
margem. E aos poucos se avistava uma cidade ou aldeia com casas antigas, abarracadas, subindo um morro;
e eram tantos os pomares que de repente o rio se afundava entre as árvores e se virava num riachinho à toa;
depois já não tinha riachinho, nem barco, nem nada, a gente estava dentro de uma das casas do lugar, na sala
grande com móveis pesados de talha, e umas cortinas vermelhas de veludo. E na sala estavam duas velhas e
10 um velho, sendo que uma das velhas se sentava numa cadeira de balanço e tinha um gato branco no colo. Os
três falaram comigo, e eu sei que me sentia mal por haver penetrado ali naquela sala particular e tão tranquila
sem pedir licença, mas a velha de pé me tranquilizou — talvez dissesse que era costume receberem turistas;
a velha sentada não dizia nada, continuava se embalando e sorrindo. Depois os três iniciaram uma história,
mas era muito aflitivo porque eu não conseguia entender quase nada do que eles diziam; só me dava a
15 impressão de que era fala das fitas de cinema português, cujo diálogo a gente nunca sabe se o compreende
tão mal, porque é mesmo difícil de entender a língua deles ou se é porque o aparelho de som está ruim. Aliás,
lembrando bem, eles falavam mesmo com voz de cinema, tinha até uma música de fundo. E aí eu perguntava
à senhora da cadeira de balanço quanto é que custava uma casa naquela aldeia — assim bonita e antiga como
aquela. E ela respondeu um preço que não recordo, mas que achei muito barato. [...] Fiz então umas contas
20 de cabeça, calculei que vendendo isto e aquilo aqui no Brasil dava para comprar aquela casa. Sim, aquela.
Com a intensidade maior da minha vida, embora eu não tivesse coragem de o dizer às velhas, assaltara-me a
cobiça de ser dona da casa delas, daquela e nenhuma outra — com aqueles móveis, e a pequena escada
sumida na sombra da sala grande, e os três velhos e a cadeira de embalo com o gato branco.
Nesse ponto o sonho entrou a escurecer e a confundir, [...] e não sei se acordei logo, ou se caí num
25 sono pesado e sem consciência de nada. Só sei que me levantei de manhã com o mesmo desejo no coração,
e por mais que as horas se passem ainda tenho presente na lembrança as mãos claras da velhinha, e a vista
que se enxergava da janela e o soalho da casa de tábuas areadas e bem largas.
Conto este sonho à toa. Mesmo porque diz que é tolice contar sonho. Mas diz também o povo que a
gente não contando ele não acontece. E a verdade é que eu queria satisfazer este sonho, descobrir aquela
30 casa, aquele rio, aquelas velhas. E conversar outra vez com elas, prestando bem atenção, para consertar esta
angústia de não ter entendido as palavras que elas me disseram com o aparelho do som funcionando tão mal.
Porque parece que era coisa importante, coisa essencial que eu ouvisse e entendesse. Depois o desejo de ver
Portugal. Embora, como já foi dito acima, ninguém me dissesse que era Portugal — não tinha placa
explicando, nem vinhedos, nem trigais, nem cachopas. Só sabia que aquilo era Portugal, uma espécie de
35 Pasárgada de identificação absoluta no meu coração. [...]
Também ninguém pense que estou inventando um apólogo, que no fim haverá uma moral ou uma
explicação. É um sonho e nada mais, naturalmente anárquico e sem sentido. Já falei que o conto à toa —
fazendo um papel que nunca fiz, imagine contar sonho, tanta tolice sem sentido. Mas me deixou melancólica
e cheia de saudades, incapaz de escrever coisas sensatas, como seria da minha obrigação. E o fato é que não
40 consigo tirar da cabeça, nem a casa velha, nem as senhoras idosas, nem o gato branco e a cadeira. Sempre
fui pessoa de poucos sonhos, acordados ou dormidos. Sempre me satisfiz com o meu pedaço de pão e jamais
cobicei a galinha gorda dos outros. Mas me parece que hei de morrer de paixão se não comprar um dia aquela
casa. Pois tanto a casa como a sala hão de existir em algum lugar, não acredito que o meu sonho as inventasse
assim, erguesse-lhes as paredes caiadas, e compusesse os florões dos móveis de talha, e até as franjas de
45 borlas das cortinas vermelhas. E as velhas, então, as velhas. Ah, esqueci de dizer que o velho sumiu, no
próprio momento em que falavam a conversa que não consegui entender: de repente só se viam as duas
senhoras, não havia mais o velho debruçado à janela que cheirava a jasmim. Também esqueci de contar este
detalhe da janela com o jasmim. Era uma das coisas mais agradáveis dali aquele jasmim-estrela miúdo e de
cheiro, cuja massa verde se amontava contra a parede do oitão, desprendendo galhos finos janela adentro. O
50 gato não miava nem se movia; nem sequer ronronava, agora recordo bem. Quem sabe se estava morto ou
empalhado? E, meu Deus, será azar sonhar com gato empalhado? O que vale é que embora empalhado ou
morto, era branco e não preto. Azar de gato preto não precisa ninguém dizer, é coisa sabida e antiga. Branco,
não; branco, sendo o contrário do preto, naturalmente dá sorte, vivo ou morto, que isso da vida e da morte
não faz grande diferença em matéria de azar.
55 E pode ser muito bem que, sendo caso de intuição, ou segunda vista, ou lembrança subconsciente —
sei lá, há muitos nomes para essas coisas — talvez alguém conheça o lugar ou as pessoas e queira me contar
onde fica. Alguém que tenha paciência de ler isto tudo até o fim. Quem não tiver paciência de ler, o que é
justo, mude a vista; há muita coisa no jornal, tanta colaboração de primeira; passe adiante que ninguém
repara, [...] pessoa nenhuma é obrigada a ler o que não gosta, graças a Deus.
QUEIROZ, Rachel. Um alpendre, uma rede, um açude. 8 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006. Adaptado.
Glossário:
cachopas – colmeia de abelhas ou casa de marimbondos.
apólogo – narrativa que ilustra lições de sabedoria ou ética, com personagens imaginários ou reais.
caiadas – pintadas com mistura de cal e água.
florões – ornamento em forma de flor.
talha – obra de arte que se faz esculpindo a madeira
borlas – bola de tecido ou pano.
oitão – cada parede lateral de uma casa.
Releia o trecho, retirado do Texto I, em que a narradora reflete sobre sua própria personalidade antes de ser dominada pelo desejo de ter a casa do sonho:
“Sempre me satisfiz com o meu pedaço de pão e jamais cobicei a galinha gorda dos outros.” (linhas 41 e 42)
O trecho é usado pela narradora para descrever uma característica dela. Considerando o contexto, sobre a maneira como a narradora costumava ver a vida, esse fragmento revela que elaResolução comentada
Análise das alternativas
Texto I
História de sonho
Esta noite sonhei com Portugal. Queria saber contar sonhos, porque foi um sonho bonito. O medo
que a gente tem (embora na aparência se trate apenas de um sonho inocente e até lírico), o medo são os
amigos interpretadores, capazes de tirar uma história de sete cabeças do sonho mais inofensivo. [...]
Pois como dizia, sonhei com Portugal. Não via mapa, nem letreiro, nem explicação formal, mas que
5 era Portugal, não tinha dúvida. A gente ia num barco por um rio tranquilo, muito largo e com pedras à
margem. E aos poucos se avistava uma cidade ou aldeia com casas antigas, abarracadas, subindo um morro;
e eram tantos os pomares que de repente o rio se afundava entre as árvores e se virava num riachinho à toa;
depois já não tinha riachinho, nem barco, nem nada, a gente estava dentro de uma das casas do lugar, na sala
grande com móveis pesados de talha, e umas cortinas vermelhas de veludo. E na sala estavam duas velhas e
10 um velho, sendo que uma das velhas se sentava numa cadeira de balanço e tinha um gato branco no colo. Os
três falaram comigo, e eu sei que me sentia mal por haver penetrado ali naquela sala particular e tão tranquila
sem pedir licença, mas a velha de pé me tranquilizou — talvez dissesse que era costume receberem turistas;
a velha sentada não dizia nada, continuava se embalando e sorrindo. Depois os três iniciaram uma história,
mas era muito aflitivo porque eu não conseguia entender quase nada do que eles diziam; só me dava a
15 impressão de que era fala das fitas de cinema português, cujo diálogo a gente nunca sabe se o compreende
tão mal, porque é mesmo difícil de entender a língua deles ou se é porque o aparelho de som está ruim. Aliás,
lembrando bem, eles falavam mesmo com voz de cinema, tinha até uma música de fundo. E aí eu perguntava
à senhora da cadeira de balanço quanto é que custava uma casa naquela aldeia — assim bonita e antiga como
aquela. E ela respondeu um preço que não recordo, mas que achei muito barato. [...] Fiz então umas contas
20 de cabeça, calculei que vendendo isto e aquilo aqui no Brasil dava para comprar aquela casa. Sim, aquela.
Com a intensidade maior da minha vida, embora eu não tivesse coragem de o dizer às velhas, assaltara-me a
cobiça de ser dona da casa delas, daquela e nenhuma outra — com aqueles móveis, e a pequena escada
sumida na sombra da sala grande, e os três velhos e a cadeira de embalo com o gato branco.
Nesse ponto o sonho entrou a escurecer e a confundir, [...] e não sei se acordei logo, ou se caí num
25 sono pesado e sem consciência de nada. Só sei que me levantei de manhã com o mesmo desejo no coração,
e por mais que as horas se passem ainda tenho presente na lembrança as mãos claras da velhinha, e a vista
que se enxergava da janela e o soalho da casa de tábuas areadas e bem largas.
Conto este sonho à toa. Mesmo porque diz que é tolice contar sonho. Mas diz também o povo que a
gente não contando ele não acontece. E a verdade é que eu queria satisfazer este sonho, descobrir aquela
30 casa, aquele rio, aquelas velhas. E conversar outra vez com elas, prestando bem atenção, para consertar esta
angústia de não ter entendido as palavras que elas me disseram com o aparelho do som funcionando tão mal.
Porque parece que era coisa importante, coisa essencial que eu ouvisse e entendesse. Depois o desejo de ver
Portugal. Embora, como já foi dito acima, ninguém me dissesse que era Portugal — não tinha placa
explicando, nem vinhedos, nem trigais, nem cachopas. Só sabia que aquilo era Portugal, uma espécie de
35 Pasárgada de identificação absoluta no meu coração. [...]
Também ninguém pense que estou inventando um apólogo, que no fim haverá uma moral ou uma
explicação. É um sonho e nada mais, naturalmente anárquico e sem sentido. Já falei que o conto à toa —
fazendo um papel que nunca fiz, imagine contar sonho, tanta tolice sem sentido. Mas me deixou melancólica
e cheia de saudades, incapaz de escrever coisas sensatas, como seria da minha obrigação. E o fato é que não
40 consigo tirar da cabeça, nem a casa velha, nem as senhoras idosas, nem o gato branco e a cadeira. Sempre
fui pessoa de poucos sonhos, acordados ou dormidos. Sempre me satisfiz com o meu pedaço de pão e jamais
cobicei a galinha gorda dos outros. Mas me parece que hei de morrer de paixão se não comprar um dia aquela
casa. Pois tanto a casa como a sala hão de existir em algum lugar, não acredito que o meu sonho as inventasse
assim, erguesse-lhes as paredes caiadas, e compusesse os florões dos móveis de talha, e até as franjas de
45 borlas das cortinas vermelhas. E as velhas, então, as velhas. Ah, esqueci de dizer que o velho sumiu, no
próprio momento em que falavam a conversa que não consegui entender: de repente só se viam as duas
senhoras, não havia mais o velho debruçado à janela que cheirava a jasmim. Também esqueci de contar este
detalhe da janela com o jasmim. Era uma das coisas mais agradáveis dali aquele jasmim-estrela miúdo e de
cheiro, cuja massa verde se amontava contra a parede do oitão, desprendendo galhos finos janela adentro. O
50 gato não miava nem se movia; nem sequer ronronava, agora recordo bem. Quem sabe se estava morto ou
empalhado? E, meu Deus, será azar sonhar com gato empalhado? O que vale é que embora empalhado ou
morto, era branco e não preto. Azar de gato preto não precisa ninguém dizer, é coisa sabida e antiga. Branco,
não; branco, sendo o contrário do preto, naturalmente dá sorte, vivo ou morto, que isso da vida e da morte
não faz grande diferença em matéria de azar.
55 E pode ser muito bem que, sendo caso de intuição, ou segunda vista, ou lembrança subconsciente —
sei lá, há muitos nomes para essas coisas — talvez alguém conheça o lugar ou as pessoas e queira me contar
onde fica. Alguém que tenha paciência de ler isto tudo até o fim. Quem não tiver paciência de ler, o que é
justo, mude a vista; há muita coisa no jornal, tanta colaboração de primeira; passe adiante que ninguém
repara, [...] pessoa nenhuma é obrigada a ler o que não gosta, graças a Deus.
QUEIROZ, Rachel. Um alpendre, uma rede, um açude. 8 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006. Adaptado.
Glossário:
cachopas – colmeia de abelhas ou casa de marimbondos.
apólogo – narrativa que ilustra lições de sabedoria ou ética, com personagens imaginários ou reais.
caiadas – pintadas com mistura de cal e água.
florões – ornamento em forma de flor.
talha – obra de arte que se faz esculpindo a madeira
borlas – bola de tecido ou pano.
oitão – cada parede lateral de uma casa.
Releia o trecho a seguir, retirado do Texto I, para responder à questão de número 26.
“E o fato é que não consigo tirar da cabeça, nem a casa velha, nem as senhoras idosas, nem o gato branco e a cadeira.” (linhas 39 e 40)
Assinale a alternativa em que a vírgula está empregada pelo mesmo motivo que as vírgulas do trecho transcrito:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto I
História de sonho
Esta noite sonhei com Portugal. Queria saber contar sonhos, porque foi um sonho bonito. O medo
que a gente tem (embora na aparência se trate apenas de um sonho inocente e até lírico), o medo são os
amigos interpretadores, capazes de tirar uma história de sete cabeças do sonho mais inofensivo. [...]
Pois como dizia, sonhei com Portugal. Não via mapa, nem letreiro, nem explicação formal, mas que
5 era Portugal, não tinha dúvida. A gente ia num barco por um rio tranquilo, muito largo e com pedras à
margem. E aos poucos se avistava uma cidade ou aldeia com casas antigas, abarracadas, subindo um morro;
e eram tantos os pomares que de repente o rio se afundava entre as árvores e se virava num riachinho à toa;
depois já não tinha riachinho, nem barco, nem nada, a gente estava dentro de uma das casas do lugar, na sala
grande com móveis pesados de talha, e umas cortinas vermelhas de veludo. E na sala estavam duas velhas e
10 um velho, sendo que uma das velhas se sentava numa cadeira de balanço e tinha um gato branco no colo. Os
três falaram comigo, e eu sei que me sentia mal por haver penetrado ali naquela sala particular e tão tranquila
sem pedir licença, mas a velha de pé me tranquilizou — talvez dissesse que era costume receberem turistas;
a velha sentada não dizia nada, continuava se embalando e sorrindo. Depois os três iniciaram uma história,
mas era muito aflitivo porque eu não conseguia entender quase nada do que eles diziam; só me dava a
15 impressão de que era fala das fitas de cinema português, cujo diálogo a gente nunca sabe se o compreende
tão mal, porque é mesmo difícil de entender a língua deles ou se é porque o aparelho de som está ruim. Aliás,
lembrando bem, eles falavam mesmo com voz de cinema, tinha até uma música de fundo. E aí eu perguntava
à senhora da cadeira de balanço quanto é que custava uma casa naquela aldeia — assim bonita e antiga como
aquela. E ela respondeu um preço que não recordo, mas que achei muito barato. [...] Fiz então umas contas
20 de cabeça, calculei que vendendo isto e aquilo aqui no Brasil dava para comprar aquela casa. Sim, aquela.
Com a intensidade maior da minha vida, embora eu não tivesse coragem de o dizer às velhas, assaltara-me a
cobiça de ser dona da casa delas, daquela e nenhuma outra — com aqueles móveis, e a pequena escada
sumida na sombra da sala grande, e os três velhos e a cadeira de embalo com o gato branco.
Nesse ponto o sonho entrou a escurecer e a confundir, [...] e não sei se acordei logo, ou se caí num
25 sono pesado e sem consciência de nada. Só sei que me levantei de manhã com o mesmo desejo no coração,
e por mais que as horas se passem ainda tenho presente na lembrança as mãos claras da velhinha, e a vista
que se enxergava da janela e o soalho da casa de tábuas areadas e bem largas.
Conto este sonho à toa. Mesmo porque diz que é tolice contar sonho. Mas diz também o povo que a
gente não contando ele não acontece. E a verdade é que eu queria satisfazer este sonho, descobrir aquela
30 casa, aquele rio, aquelas velhas. E conversar outra vez com elas, prestando bem atenção, para consertar esta
angústia de não ter entendido as palavras que elas me disseram com o aparelho do som funcionando tão mal.
Porque parece que era coisa importante, coisa essencial que eu ouvisse e entendesse. Depois o desejo de ver
Portugal. Embora, como já foi dito acima, ninguém me dissesse que era Portugal — não tinha placa
explicando, nem vinhedos, nem trigais, nem cachopas. Só sabia que aquilo era Portugal, uma espécie de
35 Pasárgada de identificação absoluta no meu coração. [...]
Também ninguém pense que estou inventando um apólogo, que no fim haverá uma moral ou uma
explicação. É um sonho e nada mais, naturalmente anárquico e sem sentido. Já falei que o conto à toa —
fazendo um papel que nunca fiz, imagine contar sonho, tanta tolice sem sentido. Mas me deixou melancólica
e cheia de saudades, incapaz de escrever coisas sensatas, como seria da minha obrigação. E o fato é que não
40 consigo tirar da cabeça, nem a casa velha, nem as senhoras idosas, nem o gato branco e a cadeira. Sempre
fui pessoa de poucos sonhos, acordados ou dormidos. Sempre me satisfiz com o meu pedaço de pão e jamais
cobicei a galinha gorda dos outros. Mas me parece que hei de morrer de paixão se não comprar um dia aquela
casa. Pois tanto a casa como a sala hão de existir em algum lugar, não acredito que o meu sonho as inventasse
assim, erguesse-lhes as paredes caiadas, e compusesse os florões dos móveis de talha, e até as franjas de
45 borlas das cortinas vermelhas. E as velhas, então, as velhas. Ah, esqueci de dizer que o velho sumiu, no
próprio momento em que falavam a conversa que não consegui entender: de repente só se viam as duas
senhoras, não havia mais o velho debruçado à janela que cheirava a jasmim. Também esqueci de contar este
detalhe da janela com o jasmim. Era uma das coisas mais agradáveis dali aquele jasmim-estrela miúdo e de
cheiro, cuja massa verde se amontava contra a parede do oitão, desprendendo galhos finos janela adentro. O
50 gato não miava nem se movia; nem sequer ronronava, agora recordo bem. Quem sabe se estava morto ou
empalhado? E, meu Deus, será azar sonhar com gato empalhado? O que vale é que embora empalhado ou
morto, era branco e não preto. Azar de gato preto não precisa ninguém dizer, é coisa sabida e antiga. Branco,
não; branco, sendo o contrário do preto, naturalmente dá sorte, vivo ou morto, que isso da vida e da morte
não faz grande diferença em matéria de azar.
55 E pode ser muito bem que, sendo caso de intuição, ou segunda vista, ou lembrança subconsciente —
sei lá, há muitos nomes para essas coisas — talvez alguém conheça o lugar ou as pessoas e queira me contar
onde fica. Alguém que tenha paciência de ler isto tudo até o fim. Quem não tiver paciência de ler, o que é
justo, mude a vista; há muita coisa no jornal, tanta colaboração de primeira; passe adiante que ninguém
repara, [...] pessoa nenhuma é obrigada a ler o que não gosta, graças a Deus.
QUEIROZ, Rachel. Um alpendre, uma rede, um açude. 8 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006. Adaptado.
Glossário:
cachopas – colmeia de abelhas ou casa de marimbondos.
apólogo – narrativa que ilustra lições de sabedoria ou ética, com personagens imaginários ou reais.
caiadas – pintadas com mistura de cal e água.
florões – ornamento em forma de flor.
talha – obra de arte que se faz esculpindo a madeira
borlas – bola de tecido ou pano.
oitão – cada parede lateral de uma casa.
Analise o trecho a seguir retirado do Texto I:
“Era uma das coisas mais agradáveis dali aquele jasmim-estrela miúdo e de cheiro, cuja massa verde se amontava contra a parede do oitão, desprendendo galhos finos janela adentro.” (linhas 48 e 49)
Considerando o contexto, é correto afirmar que a palavra “cuja” estabelece uma relação de posse entreResolução comentada
Análise das alternativas
Texto I
História de sonho
Esta noite sonhei com Portugal. Queria saber contar sonhos, porque foi um sonho bonito. O medo
que a gente tem (embora na aparência se trate apenas de um sonho inocente e até lírico), o medo são os
amigos interpretadores, capazes de tirar uma história de sete cabeças do sonho mais inofensivo. [...]
Pois como dizia, sonhei com Portugal. Não via mapa, nem letreiro, nem explicação formal, mas que
5 era Portugal, não tinha dúvida. A gente ia num barco por um rio tranquilo, muito largo e com pedras à
margem. E aos poucos se avistava uma cidade ou aldeia com casas antigas, abarracadas, subindo um morro;
e eram tantos os pomares que de repente o rio se afundava entre as árvores e se virava num riachinho à toa;
depois já não tinha riachinho, nem barco, nem nada, a gente estava dentro de uma das casas do lugar, na sala
grande com móveis pesados de talha, e umas cortinas vermelhas de veludo. E na sala estavam duas velhas e
10 um velho, sendo que uma das velhas se sentava numa cadeira de balanço e tinha um gato branco no colo. Os
três falaram comigo, e eu sei que me sentia mal por haver penetrado ali naquela sala particular e tão tranquila
sem pedir licença, mas a velha de pé me tranquilizou — talvez dissesse que era costume receberem turistas;
a velha sentada não dizia nada, continuava se embalando e sorrindo. Depois os três iniciaram uma história,
mas era muito aflitivo porque eu não conseguia entender quase nada do que eles diziam; só me dava a
15 impressão de que era fala das fitas de cinema português, cujo diálogo a gente nunca sabe se o compreende
tão mal, porque é mesmo difícil de entender a língua deles ou se é porque o aparelho de som está ruim. Aliás,
lembrando bem, eles falavam mesmo com voz de cinema, tinha até uma música de fundo. E aí eu perguntava
à senhora da cadeira de balanço quanto é que custava uma casa naquela aldeia — assim bonita e antiga como
aquela. E ela respondeu um preço que não recordo, mas que achei muito barato. [...] Fiz então umas contas
20 de cabeça, calculei que vendendo isto e aquilo aqui no Brasil dava para comprar aquela casa. Sim, aquela.
Com a intensidade maior da minha vida, embora eu não tivesse coragem de o dizer às velhas, assaltara-me a
cobiça de ser dona da casa delas, daquela e nenhuma outra — com aqueles móveis, e a pequena escada
sumida na sombra da sala grande, e os três velhos e a cadeira de embalo com o gato branco.
Nesse ponto o sonho entrou a escurecer e a confundir, [...] e não sei se acordei logo, ou se caí num
25 sono pesado e sem consciência de nada. Só sei que me levantei de manhã com o mesmo desejo no coração,
e por mais que as horas se passem ainda tenho presente na lembrança as mãos claras da velhinha, e a vista
que se enxergava da janela e o soalho da casa de tábuas areadas e bem largas.
Conto este sonho à toa. Mesmo porque diz que é tolice contar sonho. Mas diz também o povo que a
gente não contando ele não acontece. E a verdade é que eu queria satisfazer este sonho, descobrir aquela
30 casa, aquele rio, aquelas velhas. E conversar outra vez com elas, prestando bem atenção, para consertar esta
angústia de não ter entendido as palavras que elas me disseram com o aparelho do som funcionando tão mal.
Porque parece que era coisa importante, coisa essencial que eu ouvisse e entendesse. Depois o desejo de ver
Portugal. Embora, como já foi dito acima, ninguém me dissesse que era Portugal — não tinha placa
explicando, nem vinhedos, nem trigais, nem cachopas. Só sabia que aquilo era Portugal, uma espécie de
35 Pasárgada de identificação absoluta no meu coração. [...]
Também ninguém pense que estou inventando um apólogo, que no fim haverá uma moral ou uma
explicação. É um sonho e nada mais, naturalmente anárquico e sem sentido. Já falei que o conto à toa —
fazendo um papel que nunca fiz, imagine contar sonho, tanta tolice sem sentido. Mas me deixou melancólica
e cheia de saudades, incapaz de escrever coisas sensatas, como seria da minha obrigação. E o fato é que não
40 consigo tirar da cabeça, nem a casa velha, nem as senhoras idosas, nem o gato branco e a cadeira. Sempre
fui pessoa de poucos sonhos, acordados ou dormidos. Sempre me satisfiz com o meu pedaço de pão e jamais
cobicei a galinha gorda dos outros. Mas me parece que hei de morrer de paixão se não comprar um dia aquela
casa. Pois tanto a casa como a sala hão de existir em algum lugar, não acredito que o meu sonho as inventasse
assim, erguesse-lhes as paredes caiadas, e compusesse os florões dos móveis de talha, e até as franjas de
45 borlas das cortinas vermelhas. E as velhas, então, as velhas. Ah, esqueci de dizer que o velho sumiu, no
próprio momento em que falavam a conversa que não consegui entender: de repente só se viam as duas
senhoras, não havia mais o velho debruçado à janela que cheirava a jasmim. Também esqueci de contar este
detalhe da janela com o jasmim. Era uma das coisas mais agradáveis dali aquele jasmim-estrela miúdo e de
cheiro, cuja massa verde se amontava contra a parede do oitão, desprendendo galhos finos janela adentro. O
50 gato não miava nem se movia; nem sequer ronronava, agora recordo bem. Quem sabe se estava morto ou
empalhado? E, meu Deus, será azar sonhar com gato empalhado? O que vale é que embora empalhado ou
morto, era branco e não preto. Azar de gato preto não precisa ninguém dizer, é coisa sabida e antiga. Branco,
não; branco, sendo o contrário do preto, naturalmente dá sorte, vivo ou morto, que isso da vida e da morte
não faz grande diferença em matéria de azar.
55 E pode ser muito bem que, sendo caso de intuição, ou segunda vista, ou lembrança subconsciente —
sei lá, há muitos nomes para essas coisas — talvez alguém conheça o lugar ou as pessoas e queira me contar
onde fica. Alguém que tenha paciência de ler isto tudo até o fim. Quem não tiver paciência de ler, o que é
justo, mude a vista; há muita coisa no jornal, tanta colaboração de primeira; passe adiante que ninguém
repara, [...] pessoa nenhuma é obrigada a ler o que não gosta, graças a Deus.
QUEIROZ, Rachel. Um alpendre, uma rede, um açude. 8 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006. Adaptado.
Glossário:
cachopas – colmeia de abelhas ou casa de marimbondos.
apólogo – narrativa que ilustra lições de sabedoria ou ética, com personagens imaginários ou reais.
caiadas – pintadas com mistura de cal e água.
florões – ornamento em forma de flor.
talha – obra de arte que se faz esculpindo a madeira
borlas – bola de tecido ou pano.
oitão – cada parede lateral de uma casa.
Em qual das alternativas a seguir todas as palavras, retiradas do Texto I, têm a sílaba tônica identificada corretamente e estão classificadas conforme sua tonicidade?Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto I
História de sonho
Esta noite sonhei com Portugal. Queria saber contar sonhos, porque foi um sonho bonito. O medo
que a gente tem (embora na aparência se trate apenas de um sonho inocente e até lírico), o medo são os
amigos interpretadores, capazes de tirar uma história de sete cabeças do sonho mais inofensivo. [...]
Pois como dizia, sonhei com Portugal. Não via mapa, nem letreiro, nem explicação formal, mas que
5 era Portugal, não tinha dúvida. A gente ia num barco por um rio tranquilo, muito largo e com pedras à
margem. E aos poucos se avistava uma cidade ou aldeia com casas antigas, abarracadas, subindo um morro;
e eram tantos os pomares que de repente o rio se afundava entre as árvores e se virava num riachinho à toa;
depois já não tinha riachinho, nem barco, nem nada, a gente estava dentro de uma das casas do lugar, na sala
grande com móveis pesados de talha, e umas cortinas vermelhas de veludo. E na sala estavam duas velhas e
10 um velho, sendo que uma das velhas se sentava numa cadeira de balanço e tinha um gato branco no colo. Os
três falaram comigo, e eu sei que me sentia mal por haver penetrado ali naquela sala particular e tão tranquila
sem pedir licença, mas a velha de pé me tranquilizou — talvez dissesse que era costume receberem turistas;
a velha sentada não dizia nada, continuava se embalando e sorrindo. Depois os três iniciaram uma história,
mas era muito aflitivo porque eu não conseguia entender quase nada do que eles diziam; só me dava a
15 impressão de que era fala das fitas de cinema português, cujo diálogo a gente nunca sabe se o compreende
tão mal, porque é mesmo difícil de entender a língua deles ou se é porque o aparelho de som está ruim. Aliás,
lembrando bem, eles falavam mesmo com voz de cinema, tinha até uma música de fundo. E aí eu perguntava
à senhora da cadeira de balanço quanto é que custava uma casa naquela aldeia — assim bonita e antiga como
aquela. E ela respondeu um preço que não recordo, mas que achei muito barato. [...] Fiz então umas contas
20 de cabeça, calculei que vendendo isto e aquilo aqui no Brasil dava para comprar aquela casa. Sim, aquela.
Com a intensidade maior da minha vida, embora eu não tivesse coragem de o dizer às velhas, assaltara-me a
cobiça de ser dona da casa delas, daquela e nenhuma outra — com aqueles móveis, e a pequena escada
sumida na sombra da sala grande, e os três velhos e a cadeira de embalo com o gato branco.
Nesse ponto o sonho entrou a escurecer e a confundir, [...] e não sei se acordei logo, ou se caí num
25 sono pesado e sem consciência de nada. Só sei que me levantei de manhã com o mesmo desejo no coração,
e por mais que as horas se passem ainda tenho presente na lembrança as mãos claras da velhinha, e a vista
que se enxergava da janela e o soalho da casa de tábuas areadas e bem largas.
Conto este sonho à toa. Mesmo porque diz que é tolice contar sonho. Mas diz também o povo que a
gente não contando ele não acontece. E a verdade é que eu queria satisfazer este sonho, descobrir aquela
30 casa, aquele rio, aquelas velhas. E conversar outra vez com elas, prestando bem atenção, para consertar esta
angústia de não ter entendido as palavras que elas me disseram com o aparelho do som funcionando tão mal.
Porque parece que era coisa importante, coisa essencial que eu ouvisse e entendesse. Depois o desejo de ver
Portugal. Embora, como já foi dito acima, ninguém me dissesse que era Portugal — não tinha placa
explicando, nem vinhedos, nem trigais, nem cachopas. Só sabia que aquilo era Portugal, uma espécie de
35 Pasárgada de identificação absoluta no meu coração. [...]
Também ninguém pense que estou inventando um apólogo, que no fim haverá uma moral ou uma
explicação. É um sonho e nada mais, naturalmente anárquico e sem sentido. Já falei que o conto à toa —
fazendo um papel que nunca fiz, imagine contar sonho, tanta tolice sem sentido. Mas me deixou melancólica
e cheia de saudades, incapaz de escrever coisas sensatas, como seria da minha obrigação. E o fato é que não
40 consigo tirar da cabeça, nem a casa velha, nem as senhoras idosas, nem o gato branco e a cadeira. Sempre
fui pessoa de poucos sonhos, acordados ou dormidos. Sempre me satisfiz com o meu pedaço de pão e jamais
cobicei a galinha gorda dos outros. Mas me parece que hei de morrer de paixão se não comprar um dia aquela
casa. Pois tanto a casa como a sala hão de existir em algum lugar, não acredito que o meu sonho as inventasse
assim, erguesse-lhes as paredes caiadas, e compusesse os florões dos móveis de talha, e até as franjas de
45 borlas das cortinas vermelhas. E as velhas, então, as velhas. Ah, esqueci de dizer que o velho sumiu, no
próprio momento em que falavam a conversa que não consegui entender: de repente só se viam as duas
senhoras, não havia mais o velho debruçado à janela que cheirava a jasmim. Também esqueci de contar este
detalhe da janela com o jasmim. Era uma das coisas mais agradáveis dali aquele jasmim-estrela miúdo e de
cheiro, cuja massa verde se amontava contra a parede do oitão, desprendendo galhos finos janela adentro. O
50 gato não miava nem se movia; nem sequer ronronava, agora recordo bem. Quem sabe se estava morto ou
empalhado? E, meu Deus, será azar sonhar com gato empalhado? O que vale é que embora empalhado ou
morto, era branco e não preto. Azar de gato preto não precisa ninguém dizer, é coisa sabida e antiga. Branco,
não; branco, sendo o contrário do preto, naturalmente dá sorte, vivo ou morto, que isso da vida e da morte
não faz grande diferença em matéria de azar.
55 E pode ser muito bem que, sendo caso de intuição, ou segunda vista, ou lembrança subconsciente —
sei lá, há muitos nomes para essas coisas — talvez alguém conheça o lugar ou as pessoas e queira me contar
onde fica. Alguém que tenha paciência de ler isto tudo até o fim. Quem não tiver paciência de ler, o que é
justo, mude a vista; há muita coisa no jornal, tanta colaboração de primeira; passe adiante que ninguém
repara, [...] pessoa nenhuma é obrigada a ler o que não gosta, graças a Deus.
QUEIROZ, Rachel. Um alpendre, uma rede, um açude. 8 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2006. Adaptado.
Glossário:
cachopas – colmeia de abelhas ou casa de marimbondos.
apólogo – narrativa que ilustra lições de sabedoria ou ética, com personagens imaginários ou reais.
caiadas – pintadas com mistura de cal e água.
florões – ornamento em forma de flor.
talha – obra de arte que se faz esculpindo a madeira
borlas – bola de tecido ou pano.
oitão – cada parede lateral de uma casa.
Considerando os trechos a seguir, retirados do Texto I, assinale a alternativa que apresenta a correta identificação do tempo verbal e do modo verbal da forma destacada.
Texto II
![]()
BECK, Alexandre. Armandinho. Disponível em: https://shorturl.at/bQ5wi. Acesso em 17 set. 2025.
O efeito de humor da tirinha não é construído por uma piada direta. Assinale a alternativa que melhor descreve a criação do humor na tirinha.
Texto III
Das Utopias
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!
QUINTANA, Mário. Espelho Mágico. São Paulo: Globo, 2005.
No poema "Das Utopias", o eu lírico usa a imagem das "estrelas" para falar sobre coisas "inatingíveis". De acordo com a lógica do poema, qual é a principal função ou o principal valor dessas "estrelas distantes"?Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto III
Das Utopias
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!
QUINTANA, Mário. Espelho Mágico. São Paulo: Globo, 2005.
Leia as afirmativas a seguir sobre a pontuação do Texto III. Na sequência, julgue as afirmativas como verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) O uso das reticências no primeiro verso indica uma pausa para meditação e traz uma ideia de continuidade, reforçando o tom reflexivo.
( ) O ponto de exclamação no primeiro verso mostra surpresa ou indignação diante da constatação anterior.
( ) O ponto de exclamação no último verso indica que a frase tem um sentido exclamativo, mas está incorreto, pois o ponto deveria ser uma interrogação.
( ) O uso das reticências e dos pontos de exclamação ajudam a marcar o tom emotivo e reflexivo do poema.
( ) A vírgula no terceiro verso é usada para separar o sujeito do verbo, uma regra gramatical essencial.
Assinale a alternativa correta:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto III
Das Utopias
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!
QUINTANA, Mário. Espelho Mágico. São Paulo: Globo, 2005.
Releia o seguinte verso transcrito do Texto III:
“Se as coisas são inatingíveis... ora!”
Observe a formação da palavra destacada “inatingíveis”. Qual das alternativas a seguir descreve corretamente o efeito de sentido causado pela formação dessa palavra, considerando a flexão e a derivação?Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV
O menino que não gostava de ir à escola
Vou contar para vocês
A história de um garoto
O seu nome era Jerônimo
Ele era meio preguiçoso
5 Não gostava de escola
Queria era jogar bola
E ver desenho o tempo todo
Sua mãe dizia:
10 Mas ora,
Que história de garoto malcriado
Ele retrucava:
Mas o Conrado meu amigo aqui do lado
Também não vai à aula
15
Conrado está doente
E você nem pense em resmungar
Vá ligeiro se ajeitar
Pois o ônibus logo aqui em frente
20 Vai passar.
Jerônimo tristonho,
Fez aquilo que sua mãe estava a falar,
E na escola ao chegar
25 A professora já o mandou sentar
Ele disse ao chorar:
Quero é pra minha casa voltar
Por que devo ficar aqui?
30 Deixe-me ir professora
Eu moro logo ali.
Ela com doçura o explicou:
Mas você nem estudou,
35 Não podes ainda voltar
A escola é importante
Como se fosse um kit
Cheio de itens de sobrevivência.
40 Ele disse descontente:
Eu tenho uma dessas bolsas,
Uso quando vou acampar
Conheço esses itens,
Não venha querer me enrolar
45 Essa escola nada tem a ver
Com os itens que gosto de usar
Pois posso lhe afirmar
Que a escola é que vai te ajudar
50 A esse mundo dominar
E como haveria de ser?
Se tu não aprendesse a ler?
E se nada pudesse escrever?
55 Esse ensinamento
Funciona como uma bússola
É o que vai te direcionar
Em todo canto que andar.
60 Sabes a lanterna que usa ao acampar
Para a mata clarear?
Ela é como a matemática
Que não deixa nada de graça
E te diz o que pode gastar,
65
É uma matéria exata
E o que seria da nossa raça
Sem essa tal matemática
Que veio nos iluminar?
70
A esse ponto Jerônimo já estava pensando
Em tudo o que ela estava falando
E pediu para continuar...
75 Temos a geografia
Que nosso planeta irá te apresentar
É tão encantadora
E poderá se aprofundar,
80 Onde mora,
Onde fica a nossa escola
Para onde quer viajar?
Essas são apenas algumas questões
Que essa matéria te explicará.
85
E a ciência...
Ah professora,
Sobre animais gosto de falar
Ótimo Jerônimo, então eles iremos usar
90 Para todas as matérias estudar.
Talvez minha mãe tenha razão em dizer
Que o estudo é o que vai me fazer ser
É um papo muito esquisito
95 Não sei o que quer dizer com isso
Mas sei que quero ser um cientista,
Ou talvez um artista,
Melhor, viverei na mata dia e noite
Essa será minha vida
100
Tinha era que ter um atalho,
Para conquistar tudo
Sem ter que passar por isso
Vida de estudante é difícil.
105
Difícil não quer dizer impossível
Tudo pode ser tranquilo
Depende de sua dedicação
Basta ter controle entre
110 O estudo e a diversão
Mas se tiro nota vermelha
Minha mãe grita:
Não acredito!
115 Ficará sem videogame
Para consertar tudo isso
Mas se boa nota consigo
Apenas me tira do castigo
120 E é isso que não entendo
Eu queria era um nintendo
Como gratificação
De um bom comportamento
125 Mas acredite menino
Poderá ser o que quiser
Basta acreditar na vida
Estudar e ter muita fé
130 Fique em paz minha professora
Sou um cabra ajuizado
Vê se pode nessa vida
Deixar o estudo de lado
Vou crescer e me formar
135 E quem sabe melhorar
Meu sertão abençoado
SILVA, C. N.; OLIVEIRA, E. L.; SANTOS, J.; GOMES, L. A.; RODRIGUES, P. L. O menino que não gostava da escola.
Disponível em: https://shorturl.at/Es5SE. Acesso em: 10 set 2025.
Releia o trecho do Texto IV transcrito a seguir para responder à questão de número 34:
“Ela é como a matemática
Que não deixa nada de graça”
(linhas 62 e 63)
Em qual alternativa a seguir, a palavra destacada “como” é empregada no mesmo sentido desse trecho?Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV
O menino que não gostava de ir à escola
Vou contar para vocês
A história de um garoto
O seu nome era Jerônimo
Ele era meio preguiçoso
5 Não gostava de escola
Queria era jogar bola
E ver desenho o tempo todo
Sua mãe dizia:
10 Mas ora,
Que história de garoto malcriado
Ele retrucava:
Mas o Conrado meu amigo aqui do lado
Também não vai à aula
15
Conrado está doente
E você nem pense em resmungar
Vá ligeiro se ajeitar
Pois o ônibus logo aqui em frente
20 Vai passar.
Jerônimo tristonho,
Fez aquilo que sua mãe estava a falar,
E na escola ao chegar
25 A professora já o mandou sentar
Ele disse ao chorar:
Quero é pra minha casa voltar
Por que devo ficar aqui?
30 Deixe-me ir professora
Eu moro logo ali.
Ela com doçura o explicou:
Mas você nem estudou,
35 Não podes ainda voltar
A escola é importante
Como se fosse um kit
Cheio de itens de sobrevivência.
40 Ele disse descontente:
Eu tenho uma dessas bolsas,
Uso quando vou acampar
Conheço esses itens,
Não venha querer me enrolar
45 Essa escola nada tem a ver
Com os itens que gosto de usar
Pois posso lhe afirmar
Que a escola é que vai te ajudar
50 A esse mundo dominar
E como haveria de ser?
Se tu não aprendesse a ler?
E se nada pudesse escrever?
55 Esse ensinamento
Funciona como uma bússola
É o que vai te direcionar
Em todo canto que andar.
60 Sabes a lanterna que usa ao acampar
Para a mata clarear?
Ela é como a matemática
Que não deixa nada de graça
E te diz o que pode gastar,
65
É uma matéria exata
E o que seria da nossa raça
Sem essa tal matemática
Que veio nos iluminar?
70
A esse ponto Jerônimo já estava pensando
Em tudo o que ela estava falando
E pediu para continuar...
75 Temos a geografia
Que nosso planeta irá te apresentar
É tão encantadora
E poderá se aprofundar,
80 Onde mora,
Onde fica a nossa escola
Para onde quer viajar?
Essas são apenas algumas questões
Que essa matéria te explicará.
85
E a ciência...
Ah professora,
Sobre animais gosto de falar
Ótimo Jerônimo, então eles iremos usar
90 Para todas as matérias estudar.
Talvez minha mãe tenha razão em dizer
Que o estudo é o que vai me fazer ser
É um papo muito esquisito
95 Não sei o que quer dizer com isso
Mas sei que quero ser um cientista,
Ou talvez um artista,
Melhor, viverei na mata dia e noite
Essa será minha vida
100
Tinha era que ter um atalho,
Para conquistar tudo
Sem ter que passar por isso
Vida de estudante é difícil.
105
Difícil não quer dizer impossível
Tudo pode ser tranquilo
Depende de sua dedicação
Basta ter controle entre
110 O estudo e a diversão
Mas se tiro nota vermelha
Minha mãe grita:
Não acredito!
115 Ficará sem videogame
Para consertar tudo isso
Mas se boa nota consigo
Apenas me tira do castigo
120 E é isso que não entendo
Eu queria era um nintendo
Como gratificação
De um bom comportamento
125 Mas acredite menino
Poderá ser o que quiser
Basta acreditar na vida
Estudar e ter muita fé
130 Fique em paz minha professora
Sou um cabra ajuizado
Vê se pode nessa vida
Deixar o estudo de lado
Vou crescer e me formar
135 E quem sabe melhorar
Meu sertão abençoado
SILVA, C. N.; OLIVEIRA, E. L.; SANTOS, J.; GOMES, L. A.; RODRIGUES, P. L. O menino que não gostava da escola.
Disponível em: https://shorturl.at/Es5SE. Acesso em: 10 set 2025.
Considerando o Texto IV, qual alternativa a seguir apresenta um fato relacionado ao personagem Jerônimo?Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV
O menino que não gostava de ir à escola
Vou contar para vocês
A história de um garoto
O seu nome era Jerônimo
Ele era meio preguiçoso
5 Não gostava de escola
Queria era jogar bola
E ver desenho o tempo todo
Sua mãe dizia:
10 Mas ora,
Que história de garoto malcriado
Ele retrucava:
Mas o Conrado meu amigo aqui do lado
Também não vai à aula
15
Conrado está doente
E você nem pense em resmungar
Vá ligeiro se ajeitar
Pois o ônibus logo aqui em frente
20 Vai passar.
Jerônimo tristonho,
Fez aquilo que sua mãe estava a falar,
E na escola ao chegar
25 A professora já o mandou sentar
Ele disse ao chorar:
Quero é pra minha casa voltar
Por que devo ficar aqui?
30 Deixe-me ir professora
Eu moro logo ali.
Ela com doçura o explicou:
Mas você nem estudou,
35 Não podes ainda voltar
A escola é importante
Como se fosse um kit
Cheio de itens de sobrevivência.
40 Ele disse descontente:
Eu tenho uma dessas bolsas,
Uso quando vou acampar
Conheço esses itens,
Não venha querer me enrolar
45 Essa escola nada tem a ver
Com os itens que gosto de usar
Pois posso lhe afirmar
Que a escola é que vai te ajudar
50 A esse mundo dominar
E como haveria de ser?
Se tu não aprendesse a ler?
E se nada pudesse escrever?
55 Esse ensinamento
Funciona como uma bússola
É o que vai te direcionar
Em todo canto que andar.
60 Sabes a lanterna que usa ao acampar
Para a mata clarear?
Ela é como a matemática
Que não deixa nada de graça
E te diz o que pode gastar,
65
É uma matéria exata
E o que seria da nossa raça
Sem essa tal matemática
Que veio nos iluminar?
70
A esse ponto Jerônimo já estava pensando
Em tudo o que ela estava falando
E pediu para continuar...
75 Temos a geografia
Que nosso planeta irá te apresentar
É tão encantadora
E poderá se aprofundar,
80 Onde mora,
Onde fica a nossa escola
Para onde quer viajar?
Essas são apenas algumas questões
Que essa matéria te explicará.
85
E a ciência...
Ah professora,
Sobre animais gosto de falar
Ótimo Jerônimo, então eles iremos usar
90 Para todas as matérias estudar.
Talvez minha mãe tenha razão em dizer
Que o estudo é o que vai me fazer ser
É um papo muito esquisito
95 Não sei o que quer dizer com isso
Mas sei que quero ser um cientista,
Ou talvez um artista,
Melhor, viverei na mata dia e noite
Essa será minha vida
100
Tinha era que ter um atalho,
Para conquistar tudo
Sem ter que passar por isso
Vida de estudante é difícil.
105
Difícil não quer dizer impossível
Tudo pode ser tranquilo
Depende de sua dedicação
Basta ter controle entre
110 O estudo e a diversão
Mas se tiro nota vermelha
Minha mãe grita:
Não acredito!
115 Ficará sem videogame
Para consertar tudo isso
Mas se boa nota consigo
Apenas me tira do castigo
120 E é isso que não entendo
Eu queria era um nintendo
Como gratificação
De um bom comportamento
125 Mas acredite menino
Poderá ser o que quiser
Basta acreditar na vida
Estudar e ter muita fé
130 Fique em paz minha professora
Sou um cabra ajuizado
Vê se pode nessa vida
Deixar o estudo de lado
Vou crescer e me formar
135 E quem sabe melhorar
Meu sertão abençoado
SILVA, C. N.; OLIVEIRA, E. L.; SANTOS, J.; GOMES, L. A.; RODRIGUES, P. L. O menino que não gostava da escola.
Disponível em: https://shorturl.at/Es5SE. Acesso em: 10 set 2025.
Considerando o Texto IV, enquanto Jerônimo ouve as explicações da professora, ele pensava em tudo o que ela já tinha falado e pediu para ela continuar (linhas 71 a 73). O que essa atitude revela sobre esse personagem?Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV
O menino que não gostava de ir à escola
Vou contar para vocês
A história de um garoto
O seu nome era Jerônimo
Ele era meio preguiçoso
5 Não gostava de escola
Queria era jogar bola
E ver desenho o tempo todo
Sua mãe dizia:
10 Mas ora,
Que história de garoto malcriado
Ele retrucava:
Mas o Conrado meu amigo aqui do lado
Também não vai à aula
15
Conrado está doente
E você nem pense em resmungar
Vá ligeiro se ajeitar
Pois o ônibus logo aqui em frente
20 Vai passar.
Jerônimo tristonho,
Fez aquilo que sua mãe estava a falar,
E na escola ao chegar
25 A professora já o mandou sentar
Ele disse ao chorar:
Quero é pra minha casa voltar
Por que devo ficar aqui?
30 Deixe-me ir professora
Eu moro logo ali.
Ela com doçura o explicou:
Mas você nem estudou,
35 Não podes ainda voltar
A escola é importante
Como se fosse um kit
Cheio de itens de sobrevivência.
40 Ele disse descontente:
Eu tenho uma dessas bolsas,
Uso quando vou acampar
Conheço esses itens,
Não venha querer me enrolar
45 Essa escola nada tem a ver
Com os itens que gosto de usar
Pois posso lhe afirmar
Que a escola é que vai te ajudar
50 A esse mundo dominar
E como haveria de ser?
Se tu não aprendesse a ler?
E se nada pudesse escrever?
55 Esse ensinamento
Funciona como uma bússola
É o que vai te direcionar
Em todo canto que andar.
60 Sabes a lanterna que usa ao acampar
Para a mata clarear?
Ela é como a matemática
Que não deixa nada de graça
E te diz o que pode gastar,
65
É uma matéria exata
E o que seria da nossa raça
Sem essa tal matemática
Que veio nos iluminar?
70
A esse ponto Jerônimo já estava pensando
Em tudo o que ela estava falando
E pediu para continuar...
75 Temos a geografia
Que nosso planeta irá te apresentar
É tão encantadora
E poderá se aprofundar,
80 Onde mora,
Onde fica a nossa escola
Para onde quer viajar?
Essas são apenas algumas questões
Que essa matéria te explicará.
85
E a ciência...
Ah professora,
Sobre animais gosto de falar
Ótimo Jerônimo, então eles iremos usar
90 Para todas as matérias estudar.
Talvez minha mãe tenha razão em dizer
Que o estudo é o que vai me fazer ser
É um papo muito esquisito
95 Não sei o que quer dizer com isso
Mas sei que quero ser um cientista,
Ou talvez um artista,
Melhor, viverei na mata dia e noite
Essa será minha vida
100
Tinha era que ter um atalho,
Para conquistar tudo
Sem ter que passar por isso
Vida de estudante é difícil.
105
Difícil não quer dizer impossível
Tudo pode ser tranquilo
Depende de sua dedicação
Basta ter controle entre
110 O estudo e a diversão
Mas se tiro nota vermelha
Minha mãe grita:
Não acredito!
115 Ficará sem videogame
Para consertar tudo isso
Mas se boa nota consigo
Apenas me tira do castigo
120 E é isso que não entendo
Eu queria era um nintendo
Como gratificação
De um bom comportamento
125 Mas acredite menino
Poderá ser o que quiser
Basta acreditar na vida
Estudar e ter muita fé
130 Fique em paz minha professora
Sou um cabra ajuizado
Vê se pode nessa vida
Deixar o estudo de lado
Vou crescer e me formar
135 E quem sabe melhorar
Meu sertão abençoado
SILVA, C. N.; OLIVEIRA, E. L.; SANTOS, J.; GOMES, L. A.; RODRIGUES, P. L. O menino que não gostava da escola.
Disponível em: https://shorturl.at/Es5SE. Acesso em: 10 set 2025.
Considerando os trechos do Texto IV a seguir, julgue as afirmativas sobre o papel das classes de palavras como verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) No trecho “O seu nome era Jerônimo” (linha 3), a palavra “seu” atua como um pronome substantivo, pois substitui o nome do garoto.
( ) No trecho “Vá ligeiro se ajeitar” (linha 18), a palavra “ligeiro” funciona como um adjetivo, concordando com a pessoa que se ajeita.
( ) No trecho “De um bom comportamento” (linha 123), a palavra “bom” atua como um adjetivo, qualificando o substantivo “comportamento”.
( ) No trecho “Ele era meio preguiçoso” (linha 4), a palavra “meio” é um numeral que indica a quantidade exata de preguiça de Jerônimo.
( ) No trecho “Vida de estudante é difícil.” (linha 104), a palavra “Vida” é um substantivo que atua como o termo principal sobre o qual se faz uma afirmação.
Assinale a alternativa correta:Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV
O menino que não gostava de ir à escola
Vou contar para vocês
A história de um garoto
O seu nome era Jerônimo
Ele era meio preguiçoso
5 Não gostava de escola
Queria era jogar bola
E ver desenho o tempo todo
Sua mãe dizia:
10 Mas ora,
Que história de garoto malcriado
Ele retrucava:
Mas o Conrado meu amigo aqui do lado
Também não vai à aula
15
Conrado está doente
E você nem pense em resmungar
Vá ligeiro se ajeitar
Pois o ônibus logo aqui em frente
20 Vai passar.
Jerônimo tristonho,
Fez aquilo que sua mãe estava a falar,
E na escola ao chegar
25 A professora já o mandou sentar
Ele disse ao chorar:
Quero é pra minha casa voltar
Por que devo ficar aqui?
30 Deixe-me ir professora
Eu moro logo ali.
Ela com doçura o explicou:
Mas você nem estudou,
35 Não podes ainda voltar
A escola é importante
Como se fosse um kit
Cheio de itens de sobrevivência.
40 Ele disse descontente:
Eu tenho uma dessas bolsas,
Uso quando vou acampar
Conheço esses itens,
Não venha querer me enrolar
45 Essa escola nada tem a ver
Com os itens que gosto de usar
Pois posso lhe afirmar
Que a escola é que vai te ajudar
50 A esse mundo dominar
E como haveria de ser?
Se tu não aprendesse a ler?
E se nada pudesse escrever?
55 Esse ensinamento
Funciona como uma bússola
É o que vai te direcionar
Em todo canto que andar.
60 Sabes a lanterna que usa ao acampar
Para a mata clarear?
Ela é como a matemática
Que não deixa nada de graça
E te diz o que pode gastar,
65
É uma matéria exata
E o que seria da nossa raça
Sem essa tal matemática
Que veio nos iluminar?
70
A esse ponto Jerônimo já estava pensando
Em tudo o que ela estava falando
E pediu para continuar...
75 Temos a geografia
Que nosso planeta irá te apresentar
É tão encantadora
E poderá se aprofundar,
80 Onde mora,
Onde fica a nossa escola
Para onde quer viajar?
Essas são apenas algumas questões
Que essa matéria te explicará.
85
E a ciência...
Ah professora,
Sobre animais gosto de falar
Ótimo Jerônimo, então eles iremos usar
90 Para todas as matérias estudar.
Talvez minha mãe tenha razão em dizer
Que o estudo é o que vai me fazer ser
É um papo muito esquisito
95 Não sei o que quer dizer com isso
Mas sei que quero ser um cientista,
Ou talvez um artista,
Melhor, viverei na mata dia e noite
Essa será minha vida
100
Tinha era que ter um atalho,
Para conquistar tudo
Sem ter que passar por isso
Vida de estudante é difícil.
105
Difícil não quer dizer impossível
Tudo pode ser tranquilo
Depende de sua dedicação
Basta ter controle entre
110 O estudo e a diversão
Mas se tiro nota vermelha
Minha mãe grita:
Não acredito!
115 Ficará sem videogame
Para consertar tudo isso
Mas se boa nota consigo
Apenas me tira do castigo
120 E é isso que não entendo
Eu queria era um nintendo
Como gratificação
De um bom comportamento
125 Mas acredite menino
Poderá ser o que quiser
Basta acreditar na vida
Estudar e ter muita fé
130 Fique em paz minha professora
Sou um cabra ajuizado
Vê se pode nessa vida
Deixar o estudo de lado
Vou crescer e me formar
135 E quem sabe melhorar
Meu sertão abençoado
SILVA, C. N.; OLIVEIRA, E. L.; SANTOS, J.; GOMES, L. A.; RODRIGUES, P. L. O menino que não gostava da escola.
Disponível em: https://shorturl.at/Es5SE. Acesso em: 10 set 2025.
Considerando o Texto IV, qual das seguintes alternativas apresenta o tema principal da história sobre Jerônimo contada em formato de poema?Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto IV
O menino que não gostava de ir à escola
Vou contar para vocês
A história de um garoto
O seu nome era Jerônimo
Ele era meio preguiçoso
5 Não gostava de escola
Queria era jogar bola
E ver desenho o tempo todo
Sua mãe dizia:
10 Mas ora,
Que história de garoto malcriado
Ele retrucava:
Mas o Conrado meu amigo aqui do lado
Também não vai à aula
15
Conrado está doente
E você nem pense em resmungar
Vá ligeiro se ajeitar
Pois o ônibus logo aqui em frente
20 Vai passar.
Jerônimo tristonho,
Fez aquilo que sua mãe estava a falar,
E na escola ao chegar
25 A professora já o mandou sentar
Ele disse ao chorar:
Quero é pra minha casa voltar
Por que devo ficar aqui?
30 Deixe-me ir professora
Eu moro logo ali.
Ela com doçura o explicou:
Mas você nem estudou,
35 Não podes ainda voltar
A escola é importante
Como se fosse um kit
Cheio de itens de sobrevivência.
40 Ele disse descontente:
Eu tenho uma dessas bolsas,
Uso quando vou acampar
Conheço esses itens,
Não venha querer me enrolar
45 Essa escola nada tem a ver
Com os itens que gosto de usar
Pois posso lhe afirmar
Que a escola é que vai te ajudar
50 A esse mundo dominar
E como haveria de ser?
Se tu não aprendesse a ler?
E se nada pudesse escrever?
55 Esse ensinamento
Funciona como uma bússola
É o que vai te direcionar
Em todo canto que andar.
60 Sabes a lanterna que usa ao acampar
Para a mata clarear?
Ela é como a matemática
Que não deixa nada de graça
E te diz o que pode gastar,
65
É uma matéria exata
E o que seria da nossa raça
Sem essa tal matemática
Que veio nos iluminar?
70
A esse ponto Jerônimo já estava pensando
Em tudo o que ela estava falando
E pediu para continuar...
75 Temos a geografia
Que nosso planeta irá te apresentar
É tão encantadora
E poderá se aprofundar,
80 Onde mora,
Onde fica a nossa escola
Para onde quer viajar?
Essas são apenas algumas questões
Que essa matéria te explicará.
85
E a ciência...
Ah professora,
Sobre animais gosto de falar
Ótimo Jerônimo, então eles iremos usar
90 Para todas as matérias estudar.
Talvez minha mãe tenha razão em dizer
Que o estudo é o que vai me fazer ser
É um papo muito esquisito
95 Não sei o que quer dizer com isso
Mas sei que quero ser um cientista,
Ou talvez um artista,
Melhor, viverei na mata dia e noite
Essa será minha vida
100
Tinha era que ter um atalho,
Para conquistar tudo
Sem ter que passar por isso
Vida de estudante é difícil.
105
Difícil não quer dizer impossível
Tudo pode ser tranquilo
Depende de sua dedicação
Basta ter controle entre
110 O estudo e a diversão
Mas se tiro nota vermelha
Minha mãe grita:
Não acredito!
115 Ficará sem videogame
Para consertar tudo isso
Mas se boa nota consigo
Apenas me tira do castigo
120 E é isso que não entendo
Eu queria era um nintendo
Como gratificação
De um bom comportamento
125 Mas acredite menino
Poderá ser o que quiser
Basta acreditar na vida
Estudar e ter muita fé
130 Fique em paz minha professora
Sou um cabra ajuizado
Vê se pode nessa vida
Deixar o estudo de lado
Vou crescer e me formar
135 E quem sabe melhorar
Meu sertão abençoado
SILVA, C. N.; OLIVEIRA, E. L.; SANTOS, J.; GOMES, L. A.; RODRIGUES, P. L. O menino que não gostava da escola.
Disponível em: https://shorturl.at/Es5SE. Acesso em: 10 set 2025.
Considerando os seguintes trechos do Texto IV, em qual das alternativas o pronome sublinhado foi classificado corretamente?
Texto IV
O menino que não gostava de ir à escola
Vou contar para vocês
A história de um garoto
O seu nome era Jerônimo
Ele era meio preguiçoso
5 Não gostava de escola
Queria era jogar bola
E ver desenho o tempo todo
Sua mãe dizia:
10 Mas ora,
Que história de garoto malcriado
Ele retrucava:
Mas o Conrado meu amigo aqui do lado
Também não vai à aula
15
Conrado está doente
E você nem pense em resmungar
Vá ligeiro se ajeitar
Pois o ônibus logo aqui em frente
20 Vai passar.
Jerônimo tristonho,
Fez aquilo que sua mãe estava a falar,
E na escola ao chegar
25 A professora já o mandou sentar
Ele disse ao chorar:
Quero é pra minha casa voltar
Por que devo ficar aqui?
30 Deixe-me ir professora
Eu moro logo ali.
Ela com doçura o explicou:
Mas você nem estudou,
35 Não podes ainda voltar
A escola é importante
Como se fosse um kit
Cheio de itens de sobrevivência.
40 Ele disse descontente:
Eu tenho uma dessas bolsas,
Uso quando vou acampar
Conheço esses itens,
Não venha querer me enrolar
45 Essa escola nada tem a ver
Com os itens que gosto de usar
Pois posso lhe afirmar
Que a escola é que vai te ajudar
50 A esse mundo dominar
E como haveria de ser?
Se tu não aprendesse a ler?
E se nada pudesse escrever?
55 Esse ensinamento
Funciona como uma bússola
É o que vai te direcionar
Em todo canto que andar.
60 Sabes a lanterna que usa ao acampar
Para a mata clarear?
Ela é como a matemática
Que não deixa nada de graça
E te diz o que pode gastar,
65
É uma matéria exata
E o que seria da nossa raça
Sem essa tal matemática
Que veio nos iluminar?
70
A esse ponto Jerônimo já estava pensando
Em tudo o que ela estava falando
E pediu para continuar...
75 Temos a geografia
Que nosso planeta irá te apresentar
É tão encantadora
E poderá se aprofundar,
80 Onde mora,
Onde fica a nossa escola
Para onde quer viajar?
Essas são apenas algumas questões
Que essa matéria te explicará.
85
E a ciência...
Ah professora,
Sobre animais gosto de falar
Ótimo Jerônimo, então eles iremos usar
90 Para todas as matérias estudar.
Talvez minha mãe tenha razão em dizer
Que o estudo é o que vai me fazer ser
É um papo muito esquisito
95 Não sei o que quer dizer com isso
Mas sei que quero ser um cientista,
Ou talvez um artista,
Melhor, viverei na mata dia e noite
Essa será minha vida
100
Tinha era que ter um atalho,
Para conquistar tudo
Sem ter que passar por isso
Vida de estudante é difícil.
105
Difícil não quer dizer impossível
Tudo pode ser tranquilo
Depende de sua dedicação
Basta ter controle entre
110 O estudo e a diversão
Mas se tiro nota vermelha
Minha mãe grita:
Não acredito!
115 Ficará sem videogame
Para consertar tudo isso
Mas se boa nota consigo
Apenas me tira do castigo
120 E é isso que não entendo
Eu queria era um nintendo
Como gratificação
De um bom comportamento
125 Mas acredite menino
Poderá ser o que quiser
Basta acreditar na vida
Estudar e ter muita fé
130 Fique em paz minha professora
Sou um cabra ajuizado
Vê se pode nessa vida
Deixar o estudo de lado
Vou crescer e me formar
135 E quem sabe melhorar
Meu sertão abençoado
SILVA, C. N.; OLIVEIRA, E. L.; SANTOS, J.; GOMES, L. A.; RODRIGUES, P. L. O menino que não gostava da escola.
Disponível em: https://shorturl.at/Es5SE. Acesso em: 10 set 2025.
Releia e analise o trecho do Texto IV a seguir:
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Considerando o contexto da fala, qual das alternativas a seguir apresenta a interpretação mais completa e precisa do que Jerônimo quis dizer com a expressão destacada?
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