← Voltar para a lista de provas Colégio Militar de Curitiba · Aluno — 1º ano do Ensino Médio 41 questões nesta prova · página 2 de 3 · 39 com gabarito Gabarito disponível Características do romance policial. O romance policial costuma partir de um crime (conflito) cuja solução conduz o enredo (I). Na investigação, personagens e espaços são apresentados, o que cria ambientação e tensão (II). III) Errada: crimes cibernéticos, ambientação futurista e IA são características de ficção científica ou de subgêneros específicos, não do romance policial clássico. IV) Errada: espaço sideral, futuro distópico e impacto da ciência são marcas da ficção científica. Referência: Gêneros textuais: romance policial. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Interpretação do texto sobre o conhecimento seletivo de Holmes. O narrador, personagem, se espanta com a ignorância de Holmes em literatura, filosofia, política e astronomia, o que mostra que ele julga que um homem civilizado deveria dominar esses assuntos (I correta). Sua admiração se mistura a surpresas inesperadas, o que gera um quadro contraditório (IV correta). II) Errada: Holmes não estudava medicina, não tinha título acadêmico e ignorava astronomia. III) Errada: Holmes defende o conhecimento restrito ao que é útil ("sótão"), enquanto o narrador se espanta com isso. Não há a mesma opinião. Referência: Interpretação de texto narrativo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Narrador em 1ª pessoa (Watson), que descreve Holmes em 3ª pessoa. O narrador-personagem ("transportei", "minha curiosidade") convive com Holmes e dá suas impressões sobre ele (I correta). Holmes é descrito em 3ª pessoa, com muitos adjetivos ("magro", "aguçado", "adunco") (II correta). III) Errada: o narrador é personagem e convive diretamente com Holmes, não é observador externo. IV) Errada: além da admiração, ele mostra estranheza e surpresa (a ignorância de Holmes, a suspeita de narcótico). Por isso "somente admiração e idealização" é incorreto. Referência: Foco narrativo: narrador-personagem em 1ª pessoa. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível "Conviver com Holmes" é oração subjetiva reduzida; "difícil" é predicativo. Em "Não era difícil conviver com Holmes", o sujeito é a oração reduzida de infinitivo "conviver com Holmes", e "difícil" é o predicativo atribuído a ela. Por isso só a II está correta. I) Errada: "com Holmes" completa o verbo "conviver" e não é adjunto adnominal. III) Errada: "conviver com Holmes" é sujeito (oração subjetiva), não complemento nominal. IV) Errada: "Não" é adjunto adverbial de negação, mas "com Holmes" indica companhia, não lugar. Referência: Termos da oração; orações subordinadas substantivas subjetivas reduzidas. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Análise do período: oração adjetiva reduzida de particípio, pronome relativo e conjunção "mas". O trecho tem a adjetiva restritiva "de que necessita" (relativo "que") e a conjunção adversativa "mas" (IV correta). Em "mantido na mais perfeita ordem" há uma oração adjetiva reduzida de particípio, equivalente a "que seja mantido" (II correta). I) Errada: as orações são ligadas por "mas", logo são coordenadas sindéticas adversativas, não assindéticas aditivas. III) Errada: só há adjetiva restritiva ("de que necessita"); não há adjetiva explicativa, pois não há oração entre vírgulas com valor de explicação. Gabarito: apenas II e IV (D). Referência: Período composto: coordenação e subordinação adjetiva (desenvolvida e reduzida). Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível Pronome relativo "que" com função de sujeito da subordinada adjetiva. Em "amigos que pudessem me visitar", o "que" retoma "amigos" e é sujeito de "pudessem visitar" (quem visita são os amigos). Por isso a alternativa E atende ao enunciado. A) "que" é conjunção integrante, introduz oração subordinada substantiva e não é pronome relativo. B) "que" também é relativo e retoma "curso"; seu papel sintático também é de sujeito de "tivesse dado". Como o gabarito oficial é E, trata-se de uma fragilidade da questão e não muda a resposta. C) "que" é conjunção integrante. D) "de que" é preposição + relativo, e a função é de complemento ("sabia de algo"), não de sujeito. Referência: Pronome relativo e funções sintáticas; orações subordinadas adjetivas. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Estão corretas apenas as afirmativas III e IV. III é correta: "já tinha tomado café" (pretérito mais-que-perfeito) indica ação concluída antes de outra ação passada. IV é correta: "quando" é conjunção adverbial temporal e "já" é advérbio de tempo. I) Errada: "levantava" é intransitivo e "tinha tomado" é transitivo direto, então a transitividade é diferente. II) Errada: a oração adverbial com "quando" é temporal, não indica possibilidade ou hipótese. Assim, apenas III e IV estão corretas. Referência: Orações subordinadas adverbiais; transitividade verbal; tempos verbais. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível "Que" é pronome relativo com função de objeto indireto. Em "aos que já me referi", o verbo referir-se exige a preposição "a" (referir-se a algo). O pronome "que" retoma "períodos de torpor" e é complemento preposicionado do verbo, ou seja, objeto indireto na oração adjetiva. A) Errada: não é conjunção integrante, pois retoma um termo antecedente. B) Errada: o sujeito da oração é "eu". D) Errada: "que" não é conjunção explicativa. E) Errada: "que" completa o verbo, não indica circunstância, logo não é adjunto adverbial. Referência: Pronome relativo e regência verbal. Resolução comentada do VaiConcursos. Questão anulada Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponível O narrador é onisciente, em 3ª pessoa, com acesso à subjetividade da mãe. A narração é em 3ª pessoa e revela pensamentos, crenças e imaginação da mãe ("Julgava ela...", "Ela também achava..."). Alterna descrição de ações com a interioridade da personagem, o que caracteriza o narrador onisciente. A) Errada: não é a mãe quem narra; é 3ª pessoa. B), D) e E) Erradas: o narrador conhece os sentimentos da mãe, logo não é apenas observador, testemunha externa nem objetivo. Referência: Foco narrativo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A água é metáfora do corpo do filho ausente. O texto afirma que "a água era agora o seu menino" e que "o corpo do mar era o corpo do filho, sem distinção". A mãe se funde com a água e, assim, com a ausência e o luto. B) Errada: o conto fala de lembrança, não de esquecimento. C) Errada: a água não é apresentada como cruel. D) Errada: a água é acolhida e afetiva, não só perigo ou obstáculo. E) Errada: não há superação da perda; a mãe continua esperando. Referência: Linguagem figurada: metáfora e símbolo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A construção simbólica da água transforma a ausência em presença: sublimação criativa do luto. A mãe faz do mar, do jarro e da casa cheia de vidros um lugar do filho, e imagina que as ondas e o brilho são formas de comunicação. Ela ressignifica a perda por meio de símbolos, e assim a ausência passa a ser presença contínua. Isso caracteriza uma sublimação criativa do luto. A) Errada: o conto não trata a atitude como delírio patológico. B) Errada: as atitudes são afetivas e simbólicas, não racionais. C) Errada: ela não substitui o filho, ela o reencontra simbolicamente. D) Errada: há proximidade emocional intensa, não distanciamento. Referência: Interpretação de conto; simbolismo e luto. Resolução comentada do VaiConcursos.CMC — Processo Seletivo 2025/2026 — Exame Intelectual — 1º ano do Ensino Médio — Matemática, Língua Portuguesa e Redação
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Sobre as características recorrentes do romance policial, analise as afirmativas a seguir:
I. O enredo frequentemente se inicia com a apresentação de um conflito, geralmente um crime, cuja solução será o fio condutor da narrativa.
II. Durante a investigação, há a apresentação de personagens e espaços, o que contribui para a ambientação e aumenta a tensão narrativa.
III. É comum a presença de crimes cibernéticos, com ambientações futuristas e uso de inteligência artificial.
IV. O gênero costuma explorar o espaço sideral, tecnologias avançadas e os impactos da ciência na sociedade, sendo ambientado em um futuro distópico.
Assinale a alternativa correta:Resolução comentada
Análise das alternativas
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Leia atentamente o texto I e analise as afirmativas abaixo:
I. Um dos personagens demonstra acreditar que um homem civilizado deveria ter domínio sobre assuntos como literatura, filosofia e política contemporâneas.
II. Sherlock Holmes é descrito como um indivíduo acadêmico e versado em várias áreas do conhecimento, inclusive com formação em medicina e astronomia.
III. Os personagens compartilham a mesma opinião quanto à importância de acumular conhecimento em diversas áreas, sem restrição.
IV. Em certos momentos, a admiração de um personagem por Holmes se mostra contraditória, pois ele se surpreende ao perceber aspectos que antes não esperava.
Assinale a alternativa correta:Resolução comentada
Análise das alternativas
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Sobre o modo de narrar empregado no fragmento de Arthur Conan Doyle, analise as afirmativas:
I. O texto é narrado em primeira pessoa por um personagem que convive diretamente com Sherlock Holmes e expressa suas impressões pessoais sobre ele.
II. A descrição de Holmes é feita predominantemente por meio da terceira pessoa, com uso de adjetivos.
III. O narrador atua como um observador externo, limitando-se à descrição do protagonista sem envolvimento direto com ele.
IV. O narrador manifesta entusiasmo e curiosidade pela convivência com Holmes, demonstrando somente admiração e idealização ao longo do tempo.
Assinale a alternativa correta:Resolução comentada
Análise das alternativas
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Leia o período retirado do texto:
“A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento.”
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Com base na análise morfossintática dos termos em destaque, analise as assertivas:
I. “de Holmes” é uma locução adjetiva que exerce a função sintática de complemento nominal, pois completa o sentido do substantivo “ignorância”.
II. “notável” é um adjetivo que exerce a função sintática de predicativo do sujeito, atribuindo uma qualidade à “ignorância de Holmes”.
III. “ignorância” é um substantivo abstrato e atua como núcleo do sujeito da oração.
IV. “A” (artigo definido) e “seu” (pronome possessivo) pertencem a classes gramaticais diferentes, mas exercem a mesma função sintática.
Assinale a alternativa correta:
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Analise o período a seguir:
“Não era difícil conviver com Holmes.”
I. “com Holmes” exerce a função sintática de adjunto adnominal.
II. “difícil” é um adjetivo que atua como predicativo do sujeito, atribuindo uma característica à oração reduzida “conviver com Holmes”.
III. “conviver com Holmes” está exercendo a função sintática de complemento nominal de “difícil”.
IV. “Não” e “com Holmes” exercem função sintática de adjuntos adverbiais de negação e lugar, respectivamente.
Assinale a alternativa correta:Resolução comentada
Análise das alternativas
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Analise, nos trechos retirados do texto I, a função sintática dos termos destacados:
I. Em “Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos”, o termo destacado está exercendo a função sintática de complemento nominal.
II. Em “(...) havia ocasiões em que dava longas caminhadas (…)” o termo destacado é um substantivo abstrato que está exercendo a função sintática de sujeito.
III. Em “(…) dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade” o termo em destaque está exercendo a função de adjunto adverbial de lugar.
IV. Em “Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção (...)” os termos destacados são pronomes que estão exercendo a função sintática de adjunto adnominais.
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Assinale a alternativa correta:
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Leia o trecho:
“Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem.”
Sobre os elementos gramaticais presentes, analise as assertivas:
I. Há duas orações coordenadas assindéticas que exprimem ideia de adição.
II. Há uma oração subordinada com valor de adjetivo que se encontra reduzida.
III. Há orações subordinadas adjetivas (explicativas e restritivas) com valor modificador de um termo antecedente.
IV. O trecho contém um pronome relativo e uma conjunção adversativa.
Assinale a alternativa correta:Resolução comentada
Análise das alternativas
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Leia o período:
“O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral.”
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Com base na análise morfossintática, analise as assertivas:
I. O termo “aquilo” é um pronome demonstrativo e exerce a função de objeto indireto da oração principal.
II. Os termos “O” e “cerebral” estão exercendo a mesma função sintática, apesar de pertencerem a classes gramaticais distintas.
III. O termo “que” é um pronome relativo que está exercendo a função sintática de objeto direto da oração subordinada.
IV. O verbo “coloca” está no modo indicativo e atribui ao sujeito da oração principal uma característica.
Assinale a alternativa correta:
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Leia o fragmento a seguir:
“Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite”
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Com base nos termos destacados, analise as assertivas:
I. O termo “depois” é uma preposição que está exercendo a função sintática de adjunto adverbial de tempo.
II. Os termos “lhe” e “ele” pertencem a mesma classe gramatical, apresentam o mesmo referente, porém exercem funções sintáticas distintas.
III. Os termos “uma reação” e “uma palavra” estão constituídos, ambos, por um artigo e um substantivo, e estão exercendo a função sintática de objeto direto do verbo que os antecede.
IV. O verbo “passar” está sendo usado no exemplo acima como um verbo transitivo direto.
Assinale a alternativa correta:
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Analise o termo em destaque no trecho a seguir:
“(…) estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira.”
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Assinale a alternativa em que o termo destacado exerce função sintática equivalente:
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Assinale a alternativa em que há a presença de um pronome relativo destacado exercendo a função sintática de sujeito da oração subordinada.Resolução comentada
Análise das alternativas
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Analise o trecho:
“Quando eu levantava pela manhã, Holmes já tinha tomado café.”
Assinale a alternativa correta sobre as afirmativas a seguir:
I. Há a ocorrência de duas formas verbais, que apresentam a mesma transitividade verbal.
II. A oração subordinada adverbial indica possibilidade ou um evento hipotético.
III. A oração principal descreve uma ação já concluída quando uma outra ação no passado aconteceu.
IV. O período contém uma conjunção adverbial e um advérbio, ambos com valor temporal.Resolução comentada
Análise das alternativas
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Analise o trecho a seguir:
“Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual.”
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Assinale a alternativa que apresenta sublinhada uma expressão com a mesma função sintática do termo destacado acima:
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Analise o trecho:
“(...) a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi.”
Assinale a alternativa que apresenta uma análise correta sobre o termo em destaque acima:Resolução comentada
Análise das alternativas
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
No trecho: “(…) a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi.”
Substituindo “naqueles períodos de torpor” por “naquelas noites de torpor”, assinale a alternativa que apresenta a alteração gramaticalmente correta:
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Leia o trecho:
“Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas.”
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Assinale a alternativa que indica, respectivamente, a classe gramatical dos vocábulos destacados.
Língua Portuguesa – questões 21 a 40
Texto I
(…) Na mesma tarde, transportei meus pertences do hotel e, na manhã seguinte, Sherlock Holmes trouxe várias caixas e malas. Durante um ou dois dias, estivemos ocupados em desempacotar nossas coisas e dispô-las da melhor maneira. Feito isso, gradualmente fomos nos acomodando ao novo ambiente. Não era difícil conviver com Holmes. Era um sujeito sossegado e com hábitos muito regulares. Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite e, invariavelmente, quando eu levantava pela manhã, já tinha tomado café e saído. Às vezes, passava o dia no laboratório químico; outras, na sala de dissecação, e havia ocasiões em que dava longas caminhadas às partes mais baixas da cidade. A energia de Holmes, quando mergulhava no trabalho, era insuperável. Mas, depois, sobrevinha-lhe uma reação e ele passava os dias estirado sobre o sofá da sala, sem articular uma palavra e sem mover um músculo da manhã à noite. Nesses períodos, percebia uma expressão tão vaga e onírica em seus olhos, que teria suspeitado do uso de algum narcótico, se a sobriedade e a correção de sua vida não me impedissem de pensar tal coisa. À medida que as semanas passavam, meu interesse por ele e a curiosidade pelos objetivos de sua vida cresciam cada vez mais. Ele próprio, com sua aparência, chamava a atenção do observador mais casual. Media em torno de um e oitenta de altura, mas era tão magro que dava impressão de ser ainda mais alto. Seu olhar era aguçado e penetrante, a não ser naqueles períodos de torpor aos que já me referi. O nariz, fino e adunco como o de um falcão, dava ao semblante um ar de vivacidade e decisão. Também o queixo, quadrado e proeminente, caracterizava-o como homem de determinação. Suas mãos estavam sempre manchadas com tinta e produtos químicos, mas seu toque era muito delicado, conforme pude observar inúmeras vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista. Talvez o leitor esteja me julgando um bisbilhoteiro incurável, porque confesso o quanto aquele homem espicaçava minha curiosidade e quantas vezes procurei romper todas as reticências presentes em tudo que dizia respeito a Sherlock Holmes. Antes de me julgar assim, porém, tenha presente o quanto minha vida carecia de objetivos e quão poucas coisas havia para despertar minha atenção.
Minha saúde impedia que eu me aventurasse fora de casa, a menos que o tempo estivesse excepcionalmente bom. Não tinha amigos que pudessem me visitar, quebrando a monotonia de meus dias. Sob tais circunstâncias, desfrutava com ansiedade o pequeno mistério que cercava meu companheiro e passava a maior parte do tempo tentando decifrá-lo. Holmes não estudava medicina. Ele próprio, em resposta a uma pergunta, confirmara a opinião de Stamford a esse respeito. Tampouco parecia ter frequentado qualquer curso que lhe tivesse dado um título em ciência ou qualquer outro crédito que garantisse sua entrada no mundo acadêmico. No entanto sua dedicação a certos estudos era notável e, embora limitado a temas excêntricos, seu conhecimento era de extensão e minúcias extraordinárias. Suas observações me deixavam impressionado. Sem dúvida, ninguém trabalharia de forma tão devotada nem acumularia informações tão precisas sem ter algum objetivo em vista. Leitores fortuitos dificilmente se destacam pela exatidão de seus conhecimentos. Homem nenhum sobrecarregaria a mente com minúcias, sem ter uma boa razão para isso. A ignorância de Holmes era tão notável quanto seu conhecimento. O que sabia de literatura, filosofia e política contemporâneas era praticamente nada. Quando citei Thomas Carlyle, ele me perguntou, da forma mais ingênua, de quem se tratava e o que havia feito. Minha surpresa maior, porém, foi descobrir, incidentalmente, que ele desconhecia a Teoria de Copérnico e a composição do sistema solar. Encontrar um homem civilizado, em pleno século XIX, ignorando que a Terra gira em torno do Sol, era algo difícil de acreditar, de tão extraordinário.
– Você parece espantado – disse ele, rindo da minha surpresa. – Agora que sei, farei o possível para esquecer.
– Esquecer?
– Veja bem – explicou. – Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. Um tolo vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal forma que o conhecimento que poderia lhe ser útil ficará soterrado ou, na melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá encontrá-lo quando necessitar dele. O especialista, ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande sortimento mantido na mais perfeita ordem. É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo de que já sabia. É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o lugar daquelas que têm utilidade. (…)
DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Edição Completa do maior detetive de todos os tempos! Disponível em https://diegodelpasso.com/wp-content/uploads/2016/05/arthur-conan-doyle-sherlock-holmes-edic 3a7c 3a3o-completa.pdf. Acesso em 03 set. 25, adaptado.
Analise o trecho a seguir:
“Era raro encontrá-lo em pé depois das dez da noite (...)”
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Assinale a alternativa correta a respeito da função sintática da expressão destacada:
Texto II
O menino de água
O menino nadou para depois de uma onda grande e não voltou. A mãe estendeu as mãos na água buscando o seu corpo diluído. Julgava ela que o filho se diluíra como um cubo de açúcar incapaz de adocicar o mar. Jurou que o buscaria sempre. Haveria de o reconhecer nem que ele se tornasse ínfimo. Saberia dele escondido na mais insignificante gota de água. Jurava. Se o seu menino estivesse por perto, ela nunca o ignoraria. Nadou ao fim do mar, à boca dos tubarões, dentro do vazio das baleias, sob as barrigas cegas dos barcos, no pensamento dos peixes e nas suas costas, entre as areias, atrás das pedras e debaixo. Buscou na cintilação quando a luz entrava água adentro fazendo de tudo um cristal gigante, podia ser que o filho fosse agora uma estrela e só soubesse brilhar. A mãe olhava o brilho como se o brilho a estivesse também a observar. Esperava e, de todo o modo, ficaria para sempre a esperar.
Nunca secava o corpo porque a água era agora o seu menino. Molhava-se, estendia as mãos em redor como radares aflitos por um abraço e imaginava que a criança fazia as ondas. Talvez as ondas fossem um modo de falar. E ela ondulava. Sentia as marés como a respiração do mundo a caminho. Sentia que o tempo todo era deslocação e viagem. Era como sabia que a demora lhe criava uma distância insuportável, como se o planeta inteiro fosse constantemente para outro lugar. Como se o planeta inteiro estivesse a ir embora e ela precisasse de agir com urgência.
Ela também achava que o seu corpo a secar era uma partida contínua do filho. Quando sentia a roupa e a pele seca, dizia: partiu. Como se o filho levantasse do colo. De dormir no seu peito, como era costume. O menino evaporava talvez para observar as coisas desde as nuvens. A mãe ficava sozinha. Fechava-se em casa a recordar. Pensava que o corpo do mar era o corpo do filho, sem distinção. O amargo do sal nunca a enganaria perante a falta dos beijos, a nostalgia dos beijos e a delicadeza da sua criança. Ela nadava dentro do filho. Era por causa disso que se estendia e só então acalmava.
Uma vez, a mãe encheu de água um enorme jarro que levou para casa sem entornar. Fitou-o perplexa. Resplandecia na luz da tarde igual a uma lâmpada líquida ou a uma estrela guardada. Cuidadosamente, abraçou o jarro e longamente o acarinhou. Era então um lugar do seu filho. Depois, a mãe afundou um soldadinho para que a água pudesse brincar. Ela disse: brinca, filho. A água aquietou-se. Talvez o menino apenas brilhasse para brincar.
A cada dia, assim repetiu até que a casa inteira fosse o mar. Um mar em vidros puros, transparentes, através dos quais ela o vigiava e expunha ao sol. Afundava lobos e carrinhos de corrida, super-heróis e dinossauros. Flutuava neles barquinhos de papel e afundava mais soldadinhos. Um exército de brinquedos que, na transparência dos vidros, também esperava. E a mãe perscrutava o bulício das águas ou a maior cintilação para saber se o seu menino estava a comunicar.
SILVEIRA, Ingrid Teixeira da. O MENINO DE ÁGUA. In: MÃE, Valter Hugo. Contos de cães e maus lobos. Ed.: Porto Editora, 2015.
Sobre o narrador do conto "O menino de água", assinale a alternativa que melhor caracteriza sua voz narrativa e seu papel na construção do enredo.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto II
O menino de água
O menino nadou para depois de uma onda grande e não voltou. A mãe estendeu as mãos na água buscando o seu corpo diluído. Julgava ela que o filho se diluíra como um cubo de açúcar incapaz de adocicar o mar. Jurou que o buscaria sempre. Haveria de o reconhecer nem que ele se tornasse ínfimo. Saberia dele escondido na mais insignificante gota de água. Jurava. Se o seu menino estivesse por perto, ela nunca o ignoraria. Nadou ao fim do mar, à boca dos tubarões, dentro do vazio das baleias, sob as barrigas cegas dos barcos, no pensamento dos peixes e nas suas costas, entre as areias, atrás das pedras e debaixo. Buscou na cintilação quando a luz entrava água adentro fazendo de tudo um cristal gigante, podia ser que o filho fosse agora uma estrela e só soubesse brilhar. A mãe olhava o brilho como se o brilho a estivesse também a observar. Esperava e, de todo o modo, ficaria para sempre a esperar.
Nunca secava o corpo porque a água era agora o seu menino. Molhava-se, estendia as mãos em redor como radares aflitos por um abraço e imaginava que a criança fazia as ondas. Talvez as ondas fossem um modo de falar. E ela ondulava. Sentia as marés como a respiração do mundo a caminho. Sentia que o tempo todo era deslocação e viagem. Era como sabia que a demora lhe criava uma distância insuportável, como se o planeta inteiro fosse constantemente para outro lugar. Como se o planeta inteiro estivesse a ir embora e ela precisasse de agir com urgência.
Ela também achava que o seu corpo a secar era uma partida contínua do filho. Quando sentia a roupa e a pele seca, dizia: partiu. Como se o filho levantasse do colo. De dormir no seu peito, como era costume. O menino evaporava talvez para observar as coisas desde as nuvens. A mãe ficava sozinha. Fechava-se em casa a recordar. Pensava que o corpo do mar era o corpo do filho, sem distinção. O amargo do sal nunca a enganaria perante a falta dos beijos, a nostalgia dos beijos e a delicadeza da sua criança. Ela nadava dentro do filho. Era por causa disso que se estendia e só então acalmava.
Uma vez, a mãe encheu de água um enorme jarro que levou para casa sem entornar. Fitou-o perplexa. Resplandecia na luz da tarde igual a uma lâmpada líquida ou a uma estrela guardada. Cuidadosamente, abraçou o jarro e longamente o acarinhou. Era então um lugar do seu filho. Depois, a mãe afundou um soldadinho para que a água pudesse brincar. Ela disse: brinca, filho. A água aquietou-se. Talvez o menino apenas brilhasse para brincar.
A cada dia, assim repetiu até que a casa inteira fosse o mar. Um mar em vidros puros, transparentes, através dos quais ela o vigiava e expunha ao sol. Afundava lobos e carrinhos de corrida, super-heróis e dinossauros. Flutuava neles barquinhos de papel e afundava mais soldadinhos. Um exército de brinquedos que, na transparência dos vidros, também esperava. E a mãe perscrutava o bulício das águas ou a maior cintilação para saber se o seu menino estava a comunicar.
SILVEIRA, Ingrid Teixeira da. O MENINO DE ÁGUA. In: MÃE, Valter Hugo. Contos de cães e maus lobos. Ed.: Porto Editora, 2015.
No conto, a água assume papel simbólico essencial na narrativa, representando a relação da mãe com a ausência do filho. Assinale a alternativa que melhor interpreta o significado simbólico da água no texto.Resolução comentada
Análise das alternativas
Texto II
O menino de água
O menino nadou para depois de uma onda grande e não voltou. A mãe estendeu as mãos na água buscando o seu corpo diluído. Julgava ela que o filho se diluíra como um cubo de açúcar incapaz de adocicar o mar. Jurou que o buscaria sempre. Haveria de o reconhecer nem que ele se tornasse ínfimo. Saberia dele escondido na mais insignificante gota de água. Jurava. Se o seu menino estivesse por perto, ela nunca o ignoraria. Nadou ao fim do mar, à boca dos tubarões, dentro do vazio das baleias, sob as barrigas cegas dos barcos, no pensamento dos peixes e nas suas costas, entre as areias, atrás das pedras e debaixo. Buscou na cintilação quando a luz entrava água adentro fazendo de tudo um cristal gigante, podia ser que o filho fosse agora uma estrela e só soubesse brilhar. A mãe olhava o brilho como se o brilho a estivesse também a observar. Esperava e, de todo o modo, ficaria para sempre a esperar.
Nunca secava o corpo porque a água era agora o seu menino. Molhava-se, estendia as mãos em redor como radares aflitos por um abraço e imaginava que a criança fazia as ondas. Talvez as ondas fossem um modo de falar. E ela ondulava. Sentia as marés como a respiração do mundo a caminho. Sentia que o tempo todo era deslocação e viagem. Era como sabia que a demora lhe criava uma distância insuportável, como se o planeta inteiro fosse constantemente para outro lugar. Como se o planeta inteiro estivesse a ir embora e ela precisasse de agir com urgência.
Ela também achava que o seu corpo a secar era uma partida contínua do filho. Quando sentia a roupa e a pele seca, dizia: partiu. Como se o filho levantasse do colo. De dormir no seu peito, como era costume. O menino evaporava talvez para observar as coisas desde as nuvens. A mãe ficava sozinha. Fechava-se em casa a recordar. Pensava que o corpo do mar era o corpo do filho, sem distinção. O amargo do sal nunca a enganaria perante a falta dos beijos, a nostalgia dos beijos e a delicadeza da sua criança. Ela nadava dentro do filho. Era por causa disso que se estendia e só então acalmava.
Uma vez, a mãe encheu de água um enorme jarro que levou para casa sem entornar. Fitou-o perplexa. Resplandecia na luz da tarde igual a uma lâmpada líquida ou a uma estrela guardada. Cuidadosamente, abraçou o jarro e longamente o acarinhou. Era então um lugar do seu filho. Depois, a mãe afundou um soldadinho para que a água pudesse brincar. Ela disse: brinca, filho. A água aquietou-se. Talvez o menino apenas brilhasse para brincar.
A cada dia, assim repetiu até que a casa inteira fosse o mar. Um mar em vidros puros, transparentes, através dos quais ela o vigiava e expunha ao sol. Afundava lobos e carrinhos de corrida, super-heróis e dinossauros. Flutuava neles barquinhos de papel e afundava mais soldadinhos. Um exército de brinquedos que, na transparência dos vidros, também esperava. E a mãe perscrutava o bulício das águas ou a maior cintilação para saber se o seu menino estava a comunicar.
SILVEIRA, Ingrid Teixeira da. O MENINO DE ÁGUA. In: MÃE, Valter Hugo. Contos de cães e maus lobos. Ed.: Porto Editora, 2015.
A relação da mãe com a ausência do filho é marcada por atitudes simbólicas e sensoriais no conto. Qual alternativa expressa com maior precisão o papel dessas atitudes na narrativa?Resolução comentada
Análise das alternativas
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