← Voltar para a lista de provas Colégio Militar de Porto Alegre · Admissão ao 6º Ano do Ensino Fundamental 41 questões nesta prova · página 2 de 3 · 40 com gabarito Gabarito disponível Verdadeiro/falso sobre o conteúdo dos parágrafos do conto. 1º item V: o parágrafo 1 narra o parto dos gêmeos, e o 2º os apresenta. 2º item V: o parágrafo 3 conta o desaparecimento da menina e o encontro dela intacta ao lado da onça. 3º item F: o pai só teme e acusa. Não determina o futuro da filha, e o avô vê o encontro como uma dádiva. 4º item V: o parágrafo 5 mostra a menina seguindo a vida, às vezes sem se lembrar da cisma do pai. 5º item F: ela foi escolhida na festa de Yurupari, e o poder de ver o invisível é consequência de se tornar curadora, não o motivo da escolha. As demais sequências trocam o valor de algum desses itens. Em especial, marcam como verdadeiro o 3º ou o 5º item, ou como falso o 2º. Referência: Interpretação de texto narrativo. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Análise de recursos linguísticos do 1º parágrafo: determinação, comparação, advérbio e finalidade. II está certa: "como" liga duas coisas por semelhança (ossos do quadril e pedras), o que é comparação. IV está certa: "para a passagem dos rios" indica finalidade. V está certa: "primeiro" e "depois" ordenam o nascimento do menino e da menina. Portanto, II, IV e V. I é falsa: o artigo "A" só determina a personagem no contexto da cena. Não a identifica como a primeira mulher do povo. III é falsa: "totalmente" é advérbio de intensidade e modifica o verbo "dilata", não o substantivo "canal". Isso elimina A, B, C e E. Referência: Classes de palavras (advérbio, preposição); relações semânticas. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A vírgula depois de 'a barriga dela' indica a omissão do verbo 'é'. Em 'e a barriga dela, o centro do mundo', o verbo ('é') foi omitido por já ter sido mencionado antes ('a maloca é o ventre do universo'). A vírgula marca esse apagamento do verbo, chamado de elipse ou zeugma. B é errada porque não há enumeração. C e D são erradas porque 'o centro do mundo' não é explicação nem aposto: é o predicativo da oração com verbo oculto. E é errada porque a vírgula não está sendo usada para destacar uma ideia. Referência: Pontuação: vírgula para indicar omissão de verbo Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O prefixo RE- em 'rebrilha' dá ideia de intensidade. 'Rebrilhar' é brilhar muito, intensamente. O prefixo RE- funciona como reforço, e não como repetição. O céu aparece intensamente cheio de estrelas. A (anterioridade) seria como em 'prever', e não há esse sentido. C (movimento) e E (reciprocidade) não se aplicam ao brilho. D (negação) é errada porque rebrilhar não é 'não brilhar'. Referência: Formação de palavras: prefixos Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Desgarrar-se' tem o sentido de separar-se. 'Se desgarrou das mulheres' significa afastou-se do grupo, separou-se delas. O sinônimo adequado é 'separar-se'. Abrigar-se, proteger-se e defender-se indicam proteção, o contrário do que aconteceu, já que a menina ficou desaparecida. Afugentar-se é fugir por medo, algo que o texto não diz. Referência: Semântica: sinonímia Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Somente a encontraram no fim da tarde' equivale a 'foi encontrada apenas no fim da tarde'. 'Somente' restringe o momento: foi só no fim da tarde que a encontraram, e não antes. A única reescrita que mantém esse foco no tempo é 'Iñe-e foi encontrada apenas no fim da tarde'. Em A, B e E, 'apenas', 'somente' e 'só' passam a restringir quem foi encontrado (só Iñe-e), mudando o sentido. Em C, 'sozinha' indica que ela estava sem companhia, também diferente do original. Referência: Reescrita de frases: posição do advérbio de exclusão Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Só 'como quem vela' mostra a onça cuidando da menina, o oposto do esperado de um inimigo. 'Velar' é cuidar, guardar. A onça, esperada como ameaça, protege a criança, e o texto confirma que a deixou 'intacta e segura' até a chegada do povo. A e B descrevem a menina, e não o comportamento da onça. C e D apresentam a cauda batendo ritmadamente e a espera, que são ações neutras e não provam por si sós proteção ou comportamento contrário ao esperado. Referência: Interpretação de texto: inferência Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Agora' tem valor de tempo, equivalente a 'a partir de agora', no sentido de passar a ser considerada inimiga. No trecho, 'agora' é advérbio de tempo. Marca que, depois do encontro com a onça, a filha passou a ser vista como inimiga, ideia de 'a partir de agora'. A, B e C classificam 'agora' como dúvida, mas ele não expressa incerteza e as paráfrases dadas não preservam o sentido. E é errada porque 'até agora' indicaria um tempo que se estende até o presente, quando o pai começa a considerá-la inimiga naquele momento. Referência: Advérbios: valor semântico Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Onça esturra' é uma imagem de audição. O verbo 'esturrar' refere-se ao som, o rugido da onça, que enche a mata. Logo, a passagem se relaciona ao sentido da audição. A é errada porque 'alvos faiscando' remete à visão, e não ao tato. B é errada porque 'cintilava' é visual, e não olfativo. C é errada porque 'grito, como que de trovão' é som (audição). D é errada porque 'fluindo, como a água' é a sensação de fluxo, e não paladar. Referência: Recursos expressivos: imagens sensoriais Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Zzzzzuuu' representa o voo de um avião. Logo antes, Lili diz 'Faz de conta que isto é um avião. Zzzzzuuu...'. O som alongado imita o avião no ar, e só depois ele aterrissa e vira trem. O trem em movimento é 'Tuc tuc tuc tuc'. Os disparos são 'Pum! Pum! Pum!'. O descarrilamento e a falha mecânica não têm onomatopeia correspondente. Referência: Onomatopeia Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível As exclamações em 'Pum! Pum! Pum!' marcam a pausa sonora entre um disparo e outro. 'Pum' imita tiros. O ponto de exclamação depois de cada um separa os estampidos, deixando pausas entre os disparos. Já 'Tuc tuc tuc tuc' flui sem pontuação, imitando o ritmo contínuo do trem. A, B e C atribuem a 'Tuc tuc tuc tuc' sentidos errados. Esse trecho é o trem em movimento, e a ausência de pontuação não marca disparos, apito nem desaceleração. E é errada porque o descarrilamento é narrado na frase seguinte, não pela onomatopeia. Referência: Pontuação e onomatopeia Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A personificação aparece em 'o trem ficou tristemente derribado', em que o trem tem sentimento humano. Personificação (prosopopeia) atribui traços humanos a seres não humanos. 'Tristemente' atribui ao trem, um objeto, o sentimento de tristeza. A usa 'chispando' para o movimento do trem, sem traço humano. B é só uma cena de bandidos. C trata de ações de pessoas. E é uma comparação ou metáfora de objeto, sem característica humana. Referência: Figuras de linguagem: personificação Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A repetição da pergunta mostra o desespero de Lili por não achar o mocinho da brincadeira. A repetição de 'Onde é que está o mocinho?', junto com 'Meu Deus!' e a interrogação seguida de exclamação, dá um tom de aflição. Isso expressa o desespero de Lili, absorvida no faz de conta, ao não encontrar o mocinho. A é errada porque a repetição não indica falta de atenção nem que alguém precisou perguntar várias vezes. C é errada porque não há amigo no texto. D é errada porque a repetição é recurso expressivo, e não defeito. E é errada porque o narrador não é Lili. Referência: Efeitos de sentido da repetição Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O eu lírico reflete sobre a passagem do tempo, que desbota as coisas e cansa a luz. A luz 'cansada' e os cartazes que 'o tempo descolora' mostram o tempo como força que desgasta tudo. A reflexão central é a passagem do tempo, e a imagem do circo que já foi embora reforça essa ideia. B é errada porque o foco não é a indecisão das pessoas. C é errada porque o poema não fala de infância. D e E tomam um detalhe (cartazes velhos, promessas vazias) como tema central, mas o tema maior é o tempo. Referência: Interpretação de poema Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível O contraste entre o passado vivo e o presente desbotado revela um eu lírico saudoso. O poema opõe o passado, com ruas sossegadas, canções e pregões 'lindos', ao presente de luz cansada e cartazes descoloridos. Os cartazes que anunciam alegria depois que o circo foi embora sugerem perda, o que revela saudade do que passou. B é errada porque o eu lírico não culpa ninguém. C é errada porque ele distingue claramente passado e presente. D é errada porque o presente aparece como decadente, e não promissor. E é errada porque há melancolia e frustração ('Mas para quê?...'). Referência: Interpretação de poema (Mario Quintana) Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Os travessões introduzem as palavras escritas nos cartazes. No verso 'Que inda anunciam: — ALEGRIA — RISOS', as palavras em maiúsculas, separadas por travessões, são o que os cartazes anunciam. A grafia em caixa-alta reforça que se trata do texto impresso nos cartazes. Nenhuma das outras opções tem apoio no poema. Não há reação de espectadores (A), sons de espetáculo (C), ideias das pessoas sobre o circo (D) nem gritos de apresentadores (E). O verbo 'anunciam' tem os cartazes como sujeito. Referência: Pontuação: travessão Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Gabarito disponível Gabarito disponívelCMPA — Concurso de Admissão 2025/2026 — 6º Ano do Ensino Fundamental — Matemática, Língua Portuguesa e Produção Textual
Leia o texto 1 para responder às questões 21 a 30.
Texto 1
O som do rugido da onça
01 A mulher se reclina. Seus olhos e seus ouvidos se colocam a postos. Sua boca aberta
02 recebe o hálito que atravessa as folhas das árvores, os animais, que tocara a pele de todas
03 as mulheres antes dela. Ela está no centro da maloca, e a maloca é o ventre do universo, e
04 a barriga dela, o centro do mundo. Sobre o telhado, o céu rebrilha de estrelas, crânios muito
05 alvos faiscando eternamente. Então ela começa a gritar seu suor de seiva e sangue. O
06 trabalho dos ossos do quadril se afastando como pedras que há muito assentadas não
07 resistem à imposição violenta das águas. Ela sente as dores em ondas que vão e vêm em
08 fluxo e refluxo, e enfim seu canal se dilata totalmente para a passagem dos rios, primeiro o
09 rio que traz um menino, depois o rio que traz uma menina.
10 Ela, uma criança mirrada, mas de olhos bem abertos e com uma pequenina boca
11 vermelha como o fruto do buritizeiro e, por esse motivo, é chamada de Iñe-e pelo velho
12 avô, o xamã. Está destinada a crescer e a aprender os ritos das comidas, os usos da
13 açacurana, o preparo do curare. O irmão, em tudo igual e diverso dela, nasce destinado à
14 guerra e, por seu grito, como que de trovão, Tsittsi é chamado. E recebe, do velho avô, um
15 dente de onça do seu colar. A onça, sim, inimiga do seu povo, mas a quem devem temor e
16 respeito por ser a Dona da Caça, aquela que lhes permite viver em seus domínios.
17 Iñe-e cresce escutando a história do seu nascimento e do nascimento do irmão
18 fluindo, como a água de onde veio, da boca de sua mãe. É uma das histórias que mais lhe
19 agrada ouvir, mais do que a de Juziñamui, o devorador de gente, mais do que as histórias
20 do quebradão das antas, mais do que o episódio da tartaruga, que [...] arrancava risadas de
21 todos os ouvintes, moços e velhos. Escuta também como surgiu a desconfiança que o pai
22 passou a ter dela quando, ainda muito pequena, se desgarrou das mulheres que
23 preparavam a yuca e ficou horas desaparecida. Somente a encontraram no fim da tarde.
24 Quando as esperanças de vê-la viva novamente se esvaíam, os parentes a avistaram à
25 margem do rio, em companhia de uma enorme onça; Iñe-e de cócoras, Tipai uu, a onça, a
26 seu lado, a cauda batendo ritmadamente de um lado para o outro, como quem espera,
27 como quem vela, tendo deixado a criança intacta e segura até a chegada do seu povo,
28 quando então foi embora. Naquele dia, o entendimento do pai dizia que a filha, por haver
29 se ajuntado em pacto com a inimiga, mesmo sem ter ciência do que havia de fato
30 acontecido, era agora inimiga como a onça. Muito embora o velho avô a tenha benzido em
31 proteção dos donos dos animais no instante em que nascera, o pai acreditava que o evento
32 era um sinal de maldição.
33 Ela um dia se transforma e nos devora a todos, como Nonueteima se transformou
34 em jaguar, acusou o pai certa vez, deixando a mãe entre irritada e amedrontada pelo
35 destino que via se desenhar para a filha. Para o avô, aquele ódio não estava certo, o
36 encontro da menina com a onça cintilava como uma dádiva quando ele consultou a
37 sabedoria da coca a respeito. Mas mesmo isso não conseguia retirar a cisma do coração do
38 filho, cujas fibras embranqueciam a cada contato com os estrangeiros, o que era, de fato,
39 e o velho sabia, uma verdadeira desgraça.
40 Alheia a esses embates, a menina ia seguindo a vontade de crescer e, ademais, a
41 cisma ou a raiva do pai eram inconstantes. Ora recrudescendo com uma nova implicância,
42 ora adormecendo como se nunca tivesse existido. Ela não sabia se gostava ou não de ter
43 sido onçada por Tipai uu, mas em seu coração sabia que, por outro lado, não desgostava.
44 Onça voa de um grande salto, onça engana os melhores caçadores, onça esturra enchendo
45 a mata de reverência e temor, onça enterra os dentes no cangote do inimigo. Ela pensava,
46 em pensamento desarrumado de criança pequena, pensamento que ia guardando muito
47 bem guardado, que talvez algum dia haveria de ter alguma serventia ter feito pacto com a
48 onça.
49 Quando a menina completou sete anos, o avô decidiu levá-la às festas de Yurupari, o
50 Dono das Frutas, quando meninos e meninas eram colocados diante do Esawámina, para
51 talvez serem escolhidos em uma missão de grande responsabilidade. Entre o povo dela,
52 meninas e meninos tinham a mesma honra de ser escolhidos. Assim, ao som das trompas
53 e flautas, Iñe-e foi uma das crianças eleitas, e por isso deveria mirar Yurupari por sete vezes
54 para que, quando completasse doze anos, se convertesse em curadora do corpo e do
55 espírito, vendo aquilo que ninguém mais poderia enxergar.
VERUNSCHK, Micheliny. O som do rugido da onça. São Paulo: Companhia das Letras, 2021, p 17-19 (fragmento adaptado).
Glossário
açacurana - uma árvore da família das leguminosas.
curare - veneno usado em lanças e flechas.
De acordo com o texto, julgue as afirmações verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) No primeiro parágrafo do texto, narra-se o parto e o nascimento de duas crianças, que são apresentadas e descritas no segundo parágrafo.
( ) No terceiro parágrafo, narra-se o episódio em que a menina desapareceu e foi encontrada sem ferimentos junto a uma onça.
( ) No quarto parágrafo do texto, a menina tem seu futuro determinado pelo pai: “Ela um dia se transforma e nos devora a todos”. (l. 33)
( ) No quinto parágrafo, vê-se que a menina segue sua vida depois de ter sido onçada.
( ) Apesar da maldição que o pai acreditava ter recaído sobre a filha, Iñe-e foi escolhida, conforme o sexto parágrafo, para uma missão de muita importância porque tinha o poder de ver o que os demais não conseguiam enxergar.
A alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo, é:Resolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 1 para responder às questões 21 a 30.
Texto 1
O som do rugido da onça
01 A mulher se reclina. Seus olhos e seus ouvidos se colocam a postos. Sua boca aberta
02 recebe o hálito que atravessa as folhas das árvores, os animais, que tocara a pele de todas
03 as mulheres antes dela. Ela está no centro da maloca, e a maloca é o ventre do universo, e
04 a barriga dela, o centro do mundo. Sobre o telhado, o céu rebrilha de estrelas, crânios muito
05 alvos faiscando eternamente. Então ela começa a gritar seu suor de seiva e sangue. O
06 trabalho dos ossos do quadril se afastando como pedras que há muito assentadas não
07 resistem à imposição violenta das águas. Ela sente as dores em ondas que vão e vêm em
08 fluxo e refluxo, e enfim seu canal se dilata totalmente para a passagem dos rios, primeiro o
09 rio que traz um menino, depois o rio que traz uma menina.
10 Ela, uma criança mirrada, mas de olhos bem abertos e com uma pequenina boca
11 vermelha como o fruto do buritizeiro e, por esse motivo, é chamada de Iñe-e pelo velho
12 avô, o xamã. Está destinada a crescer e a aprender os ritos das comidas, os usos da
13 açacurana, o preparo do curare. O irmão, em tudo igual e diverso dela, nasce destinado à
14 guerra e, por seu grito, como que de trovão, Tsittsi é chamado. E recebe, do velho avô, um
15 dente de onça do seu colar. A onça, sim, inimiga do seu povo, mas a quem devem temor e
16 respeito por ser a Dona da Caça, aquela que lhes permite viver em seus domínios.
17 Iñe-e cresce escutando a história do seu nascimento e do nascimento do irmão
18 fluindo, como a água de onde veio, da boca de sua mãe. É uma das histórias que mais lhe
19 agrada ouvir, mais do que a de Juziñamui, o devorador de gente, mais do que as histórias
20 do quebradão das antas, mais do que o episódio da tartaruga, que [...] arrancava risadas de
21 todos os ouvintes, moços e velhos. Escuta também como surgiu a desconfiança que o pai
22 passou a ter dela quando, ainda muito pequena, se desgarrou das mulheres que
23 preparavam a yuca e ficou horas desaparecida. Somente a encontraram no fim da tarde.
24 Quando as esperanças de vê-la viva novamente se esvaíam, os parentes a avistaram à
25 margem do rio, em companhia de uma enorme onça; Iñe-e de cócoras, Tipai uu, a onça, a
26 seu lado, a cauda batendo ritmadamente de um lado para o outro, como quem espera,
27 como quem vela, tendo deixado a criança intacta e segura até a chegada do seu povo,
28 quando então foi embora. Naquele dia, o entendimento do pai dizia que a filha, por haver
29 se ajuntado em pacto com a inimiga, mesmo sem ter ciência do que havia de fato
30 acontecido, era agora inimiga como a onça. Muito embora o velho avô a tenha benzido em
31 proteção dos donos dos animais no instante em que nascera, o pai acreditava que o evento
32 era um sinal de maldição.
33 Ela um dia se transforma e nos devora a todos, como Nonueteima se transformou
34 em jaguar, acusou o pai certa vez, deixando a mãe entre irritada e amedrontada pelo
35 destino que via se desenhar para a filha. Para o avô, aquele ódio não estava certo, o
36 encontro da menina com a onça cintilava como uma dádiva quando ele consultou a
37 sabedoria da coca a respeito. Mas mesmo isso não conseguia retirar a cisma do coração do
38 filho, cujas fibras embranqueciam a cada contato com os estrangeiros, o que era, de fato,
39 e o velho sabia, uma verdadeira desgraça.
40 Alheia a esses embates, a menina ia seguindo a vontade de crescer e, ademais, a
41 cisma ou a raiva do pai eram inconstantes. Ora recrudescendo com uma nova implicância,
42 ora adormecendo como se nunca tivesse existido. Ela não sabia se gostava ou não de ter
43 sido onçada por Tipai uu, mas em seu coração sabia que, por outro lado, não desgostava.
44 Onça voa de um grande salto, onça engana os melhores caçadores, onça esturra enchendo
45 a mata de reverência e temor, onça enterra os dentes no cangote do inimigo. Ela pensava,
46 em pensamento desarrumado de criança pequena, pensamento que ia guardando muito
47 bem guardado, que talvez algum dia haveria de ter alguma serventia ter feito pacto com a
48 onça.
49 Quando a menina completou sete anos, o avô decidiu levá-la às festas de Yurupari, o
50 Dono das Frutas, quando meninos e meninas eram colocados diante do Esawámina, para
51 talvez serem escolhidos em uma missão de grande responsabilidade. Entre o povo dela,
52 meninas e meninos tinham a mesma honra de ser escolhidos. Assim, ao som das trompas
53 e flautas, Iñe-e foi uma das crianças eleitas, e por isso deveria mirar Yurupari por sete vezes
54 para que, quando completasse doze anos, se convertesse em curadora do corpo e do
55 espírito, vendo aquilo que ninguém mais poderia enxergar.
VERUNSCHK, Micheliny. O som do rugido da onça. São Paulo: Companhia das Letras, 2021, p 17-19 (fragmento adaptado).
Glossário
açacurana - uma árvore da família das leguminosas.
curare - veneno usado em lanças e flechas.
Leia as seguintes afirmações sobre passagens do primeiro parágrafo do texto:
I – Em “A mulher se reclina” (l. 01), há uma determinação que permite afirmar que a personagem representa a primeira mulher de seu povo.
II – A palavra como em “O trabalho dos ossos do quadril se afastando como pedras que há muito assentadas não resistem à imposição violenta das águas” (ls. 06 e 07) indica uma comparação.
III – A palavra totalmente, em “e enfim seu canal se dilata totalmente para a passagem dos rios” (l. 08) indica uma qualidade de “canal”.
IV – A palavra para, em “e enfim seu canal se dilata totalmente para a passagem dos rios” (l. 08) tem sentido de finalidade.
V – Em “primeiro o rio que traz um menino, depois o rio que traz uma menina” (ls. 08 e 09), as palavras primeiro e depois indicam a ordem de nascimento dos irmãos.
É correto o que se afirma emResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 1 para responder às questões 21 a 30.
Texto 1
O som do rugido da onça
01 A mulher se reclina. Seus olhos e seus ouvidos se colocam a postos. Sua boca aberta
02 recebe o hálito que atravessa as folhas das árvores, os animais, que tocara a pele de todas
03 as mulheres antes dela. Ela está no centro da maloca, e a maloca é o ventre do universo, e
04 a barriga dela, o centro do mundo. Sobre o telhado, o céu rebrilha de estrelas, crânios muito
05 alvos faiscando eternamente. Então ela começa a gritar seu suor de seiva e sangue. O
06 trabalho dos ossos do quadril se afastando como pedras que há muito assentadas não
07 resistem à imposição violenta das águas. Ela sente as dores em ondas que vão e vêm em
08 fluxo e refluxo, e enfim seu canal se dilata totalmente para a passagem dos rios, primeiro o
09 rio que traz um menino, depois o rio que traz uma menina.
10 Ela, uma criança mirrada, mas de olhos bem abertos e com uma pequenina boca
11 vermelha como o fruto do buritizeiro e, por esse motivo, é chamada de Iñe-e pelo velho
12 avô, o xamã. Está destinada a crescer e a aprender os ritos das comidas, os usos da
13 açacurana, o preparo do curare. O irmão, em tudo igual e diverso dela, nasce destinado à
14 guerra e, por seu grito, como que de trovão, Tsittsi é chamado. E recebe, do velho avô, um
15 dente de onça do seu colar. A onça, sim, inimiga do seu povo, mas a quem devem temor e
16 respeito por ser a Dona da Caça, aquela que lhes permite viver em seus domínios.
17 Iñe-e cresce escutando a história do seu nascimento e do nascimento do irmão
18 fluindo, como a água de onde veio, da boca de sua mãe. É uma das histórias que mais lhe
19 agrada ouvir, mais do que a de Juziñamui, o devorador de gente, mais do que as histórias
20 do quebradão das antas, mais do que o episódio da tartaruga, que [...] arrancava risadas de
21 todos os ouvintes, moços e velhos. Escuta também como surgiu a desconfiança que o pai
22 passou a ter dela quando, ainda muito pequena, se desgarrou das mulheres que
23 preparavam a yuca e ficou horas desaparecida. Somente a encontraram no fim da tarde.
24 Quando as esperanças de vê-la viva novamente se esvaíam, os parentes a avistaram à
25 margem do rio, em companhia de uma enorme onça; Iñe-e de cócoras, Tipai uu, a onça, a
26 seu lado, a cauda batendo ritmadamente de um lado para o outro, como quem espera,
27 como quem vela, tendo deixado a criança intacta e segura até a chegada do seu povo,
28 quando então foi embora. Naquele dia, o entendimento do pai dizia que a filha, por haver
29 se ajuntado em pacto com a inimiga, mesmo sem ter ciência do que havia de fato
30 acontecido, era agora inimiga como a onça. Muito embora o velho avô a tenha benzido em
31 proteção dos donos dos animais no instante em que nascera, o pai acreditava que o evento
32 era um sinal de maldição.
33 Ela um dia se transforma e nos devora a todos, como Nonueteima se transformou
34 em jaguar, acusou o pai certa vez, deixando a mãe entre irritada e amedrontada pelo
35 destino que via se desenhar para a filha. Para o avô, aquele ódio não estava certo, o
36 encontro da menina com a onça cintilava como uma dádiva quando ele consultou a
37 sabedoria da coca a respeito. Mas mesmo isso não conseguia retirar a cisma do coração do
38 filho, cujas fibras embranqueciam a cada contato com os estrangeiros, o que era, de fato,
39 e o velho sabia, uma verdadeira desgraça.
40 Alheia a esses embates, a menina ia seguindo a vontade de crescer e, ademais, a
41 cisma ou a raiva do pai eram inconstantes. Ora recrudescendo com uma nova implicância,
42 ora adormecendo como se nunca tivesse existido. Ela não sabia se gostava ou não de ter
43 sido onçada por Tipai uu, mas em seu coração sabia que, por outro lado, não desgostava.
44 Onça voa de um grande salto, onça engana os melhores caçadores, onça esturra enchendo
45 a mata de reverência e temor, onça enterra os dentes no cangote do inimigo. Ela pensava,
46 em pensamento desarrumado de criança pequena, pensamento que ia guardando muito
47 bem guardado, que talvez algum dia haveria de ter alguma serventia ter feito pacto com a
48 onça.
49 Quando a menina completou sete anos, o avô decidiu levá-la às festas de Yurupari, o
50 Dono das Frutas, quando meninos e meninas eram colocados diante do Esawámina, para
51 talvez serem escolhidos em uma missão de grande responsabilidade. Entre o povo dela,
52 meninas e meninos tinham a mesma honra de ser escolhidos. Assim, ao som das trompas
53 e flautas, Iñe-e foi uma das crianças eleitas, e por isso deveria mirar Yurupari por sete vezes
54 para que, quando completasse doze anos, se convertesse em curadora do corpo e do
55 espírito, vendo aquilo que ninguém mais poderia enxergar.
VERUNSCHK, Micheliny. O som do rugido da onça. São Paulo: Companhia das Letras, 2021, p 17-19 (fragmento adaptado).
Glossário
açacurana - uma árvore da família das leguminosas.
curare - veneno usado em lanças e flechas.
O emprego da última vírgula no trecho: “Ela está no centro da maloca, e a maloca é o ventre do universo, e a barriga dela, o centro do mundo.” (ls. 03 e 04), indica, no contexto em análise, que houve o/aResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 1 para responder às questões 21 a 30.
Texto 1
O som do rugido da onça
01 A mulher se reclina. Seus olhos e seus ouvidos se colocam a postos. Sua boca aberta
02 recebe o hálito que atravessa as folhas das árvores, os animais, que tocara a pele de todas
03 as mulheres antes dela. Ela está no centro da maloca, e a maloca é o ventre do universo, e
04 a barriga dela, o centro do mundo. Sobre o telhado, o céu rebrilha de estrelas, crânios muito
05 alvos faiscando eternamente. Então ela começa a gritar seu suor de seiva e sangue. O
06 trabalho dos ossos do quadril se afastando como pedras que há muito assentadas não
07 resistem à imposição violenta das águas. Ela sente as dores em ondas que vão e vêm em
08 fluxo e refluxo, e enfim seu canal se dilata totalmente para a passagem dos rios, primeiro o
09 rio que traz um menino, depois o rio que traz uma menina.
10 Ela, uma criança mirrada, mas de olhos bem abertos e com uma pequenina boca
11 vermelha como o fruto do buritizeiro e, por esse motivo, é chamada de Iñe-e pelo velho
12 avô, o xamã. Está destinada a crescer e a aprender os ritos das comidas, os usos da
13 açacurana, o preparo do curare. O irmão, em tudo igual e diverso dela, nasce destinado à
14 guerra e, por seu grito, como que de trovão, Tsittsi é chamado. E recebe, do velho avô, um
15 dente de onça do seu colar. A onça, sim, inimiga do seu povo, mas a quem devem temor e
16 respeito por ser a Dona da Caça, aquela que lhes permite viver em seus domínios.
17 Iñe-e cresce escutando a história do seu nascimento e do nascimento do irmão
18 fluindo, como a água de onde veio, da boca de sua mãe. É uma das histórias que mais lhe
19 agrada ouvir, mais do que a de Juziñamui, o devorador de gente, mais do que as histórias
20 do quebradão das antas, mais do que o episódio da tartaruga, que [...] arrancava risadas de
21 todos os ouvintes, moços e velhos. Escuta também como surgiu a desconfiança que o pai
22 passou a ter dela quando, ainda muito pequena, se desgarrou das mulheres que
23 preparavam a yuca e ficou horas desaparecida. Somente a encontraram no fim da tarde.
24 Quando as esperanças de vê-la viva novamente se esvaíam, os parentes a avistaram à
25 margem do rio, em companhia de uma enorme onça; Iñe-e de cócoras, Tipai uu, a onça, a
26 seu lado, a cauda batendo ritmadamente de um lado para o outro, como quem espera,
27 como quem vela, tendo deixado a criança intacta e segura até a chegada do seu povo,
28 quando então foi embora. Naquele dia, o entendimento do pai dizia que a filha, por haver
29 se ajuntado em pacto com a inimiga, mesmo sem ter ciência do que havia de fato
30 acontecido, era agora inimiga como a onça. Muito embora o velho avô a tenha benzido em
31 proteção dos donos dos animais no instante em que nascera, o pai acreditava que o evento
32 era um sinal de maldição.
33 Ela um dia se transforma e nos devora a todos, como Nonueteima se transformou
34 em jaguar, acusou o pai certa vez, deixando a mãe entre irritada e amedrontada pelo
35 destino que via se desenhar para a filha. Para o avô, aquele ódio não estava certo, o
36 encontro da menina com a onça cintilava como uma dádiva quando ele consultou a
37 sabedoria da coca a respeito. Mas mesmo isso não conseguia retirar a cisma do coração do
38 filho, cujas fibras embranqueciam a cada contato com os estrangeiros, o que era, de fato,
39 e o velho sabia, uma verdadeira desgraça.
40 Alheia a esses embates, a menina ia seguindo a vontade de crescer e, ademais, a
41 cisma ou a raiva do pai eram inconstantes. Ora recrudescendo com uma nova implicância,
42 ora adormecendo como se nunca tivesse existido. Ela não sabia se gostava ou não de ter
43 sido onçada por Tipai uu, mas em seu coração sabia que, por outro lado, não desgostava.
44 Onça voa de um grande salto, onça engana os melhores caçadores, onça esturra enchendo
45 a mata de reverência e temor, onça enterra os dentes no cangote do inimigo. Ela pensava,
46 em pensamento desarrumado de criança pequena, pensamento que ia guardando muito
47 bem guardado, que talvez algum dia haveria de ter alguma serventia ter feito pacto com a
48 onça.
49 Quando a menina completou sete anos, o avô decidiu levá-la às festas de Yurupari, o
50 Dono das Frutas, quando meninos e meninas eram colocados diante do Esawámina, para
51 talvez serem escolhidos em uma missão de grande responsabilidade. Entre o povo dela,
52 meninas e meninos tinham a mesma honra de ser escolhidos. Assim, ao som das trompas
53 e flautas, Iñe-e foi uma das crianças eleitas, e por isso deveria mirar Yurupari por sete vezes
54 para que, quando completasse doze anos, se convertesse em curadora do corpo e do
55 espírito, vendo aquilo que ninguém mais poderia enxergar.
VERUNSCHK, Micheliny. O som do rugido da onça. São Paulo: Companhia das Letras, 2021, p 17-19 (fragmento adaptado).
Glossário
açacurana - uma árvore da família das leguminosas.
curare - veneno usado em lanças e flechas.
Ao descrever o céu, empregou-se a palavra rebrilha: “Sobre o telhado, o céu rebrilha de estrelas (...)” (l. 04). Para formar essa palavra, acrescenta-se RE- ao verbo BRILHAR. Assim, qual foi o sentido conferido por RE- ao brilho do céu?Resolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 1 para responder às questões 21 a 30.
Texto 1
O som do rugido da onça
01 A mulher se reclina. Seus olhos e seus ouvidos se colocam a postos. Sua boca aberta
02 recebe o hálito que atravessa as folhas das árvores, os animais, que tocara a pele de todas
03 as mulheres antes dela. Ela está no centro da maloca, e a maloca é o ventre do universo, e
04 a barriga dela, o centro do mundo. Sobre o telhado, o céu rebrilha de estrelas, crânios muito
05 alvos faiscando eternamente. Então ela começa a gritar seu suor de seiva e sangue. O
06 trabalho dos ossos do quadril se afastando como pedras que há muito assentadas não
07 resistem à imposição violenta das águas. Ela sente as dores em ondas que vão e vêm em
08 fluxo e refluxo, e enfim seu canal se dilata totalmente para a passagem dos rios, primeiro o
09 rio que traz um menino, depois o rio que traz uma menina.
10 Ela, uma criança mirrada, mas de olhos bem abertos e com uma pequenina boca
11 vermelha como o fruto do buritizeiro e, por esse motivo, é chamada de Iñe-e pelo velho
12 avô, o xamã. Está destinada a crescer e a aprender os ritos das comidas, os usos da
13 açacurana, o preparo do curare. O irmão, em tudo igual e diverso dela, nasce destinado à
14 guerra e, por seu grito, como que de trovão, Tsittsi é chamado. E recebe, do velho avô, um
15 dente de onça do seu colar. A onça, sim, inimiga do seu povo, mas a quem devem temor e
16 respeito por ser a Dona da Caça, aquela que lhes permite viver em seus domínios.
17 Iñe-e cresce escutando a história do seu nascimento e do nascimento do irmão
18 fluindo, como a água de onde veio, da boca de sua mãe. É uma das histórias que mais lhe
19 agrada ouvir, mais do que a de Juziñamui, o devorador de gente, mais do que as histórias
20 do quebradão das antas, mais do que o episódio da tartaruga, que [...] arrancava risadas de
21 todos os ouvintes, moços e velhos. Escuta também como surgiu a desconfiança que o pai
22 passou a ter dela quando, ainda muito pequena, se desgarrou das mulheres que
23 preparavam a yuca e ficou horas desaparecida. Somente a encontraram no fim da tarde.
24 Quando as esperanças de vê-la viva novamente se esvaíam, os parentes a avistaram à
25 margem do rio, em companhia de uma enorme onça; Iñe-e de cócoras, Tipai uu, a onça, a
26 seu lado, a cauda batendo ritmadamente de um lado para o outro, como quem espera,
27 como quem vela, tendo deixado a criança intacta e segura até a chegada do seu povo,
28 quando então foi embora. Naquele dia, o entendimento do pai dizia que a filha, por haver
29 se ajuntado em pacto com a inimiga, mesmo sem ter ciência do que havia de fato
30 acontecido, era agora inimiga como a onça. Muito embora o velho avô a tenha benzido em
31 proteção dos donos dos animais no instante em que nascera, o pai acreditava que o evento
32 era um sinal de maldição.
33 Ela um dia se transforma e nos devora a todos, como Nonueteima se transformou
34 em jaguar, acusou o pai certa vez, deixando a mãe entre irritada e amedrontada pelo
35 destino que via se desenhar para a filha. Para o avô, aquele ódio não estava certo, o
36 encontro da menina com a onça cintilava como uma dádiva quando ele consultou a
37 sabedoria da coca a respeito. Mas mesmo isso não conseguia retirar a cisma do coração do
38 filho, cujas fibras embranqueciam a cada contato com os estrangeiros, o que era, de fato,
39 e o velho sabia, uma verdadeira desgraça.
40 Alheia a esses embates, a menina ia seguindo a vontade de crescer e, ademais, a
41 cisma ou a raiva do pai eram inconstantes. Ora recrudescendo com uma nova implicância,
42 ora adormecendo como se nunca tivesse existido. Ela não sabia se gostava ou não de ter
43 sido onçada por Tipai uu, mas em seu coração sabia que, por outro lado, não desgostava.
44 Onça voa de um grande salto, onça engana os melhores caçadores, onça esturra enchendo
45 a mata de reverência e temor, onça enterra os dentes no cangote do inimigo. Ela pensava,
46 em pensamento desarrumado de criança pequena, pensamento que ia guardando muito
47 bem guardado, que talvez algum dia haveria de ter alguma serventia ter feito pacto com a
48 onça.
49 Quando a menina completou sete anos, o avô decidiu levá-la às festas de Yurupari, o
50 Dono das Frutas, quando meninos e meninas eram colocados diante do Esawámina, para
51 talvez serem escolhidos em uma missão de grande responsabilidade. Entre o povo dela,
52 meninas e meninos tinham a mesma honra de ser escolhidos. Assim, ao som das trompas
53 e flautas, Iñe-e foi uma das crianças eleitas, e por isso deveria mirar Yurupari por sete vezes
54 para que, quando completasse doze anos, se convertesse em curadora do corpo e do
55 espírito, vendo aquilo que ninguém mais poderia enxergar.
VERUNSCHK, Micheliny. O som do rugido da onça. São Paulo: Companhia das Letras, 2021, p 17-19 (fragmento adaptado).
Glossário
açacurana - uma árvore da família das leguminosas.
curare - veneno usado em lanças e flechas.
Em trecho retirado do terceiro parágrafo, observe o emprego da palavra desgarrar-se: “Escuta também como surgiu a desconfiança que o pai passou a ter dela quando, ainda muito pequena, se desgarrou das mulheres que preparavam a yuca e ficou horas desaparecida“. (ls. 21 a 23).
Nesse contexto, “desgarrar-se” é empregado com o mesmo sentido deResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 1 para responder às questões 21 a 30.
Texto 1
O som do rugido da onça
01 A mulher se reclina. Seus olhos e seus ouvidos se colocam a postos. Sua boca aberta
02 recebe o hálito que atravessa as folhas das árvores, os animais, que tocara a pele de todas
03 as mulheres antes dela. Ela está no centro da maloca, e a maloca é o ventre do universo, e
04 a barriga dela, o centro do mundo. Sobre o telhado, o céu rebrilha de estrelas, crânios muito
05 alvos faiscando eternamente. Então ela começa a gritar seu suor de seiva e sangue. O
06 trabalho dos ossos do quadril se afastando como pedras que há muito assentadas não
07 resistem à imposição violenta das águas. Ela sente as dores em ondas que vão e vêm em
08 fluxo e refluxo, e enfim seu canal se dilata totalmente para a passagem dos rios, primeiro o
09 rio que traz um menino, depois o rio que traz uma menina.
10 Ela, uma criança mirrada, mas de olhos bem abertos e com uma pequenina boca
11 vermelha como o fruto do buritizeiro e, por esse motivo, é chamada de Iñe-e pelo velho
12 avô, o xamã. Está destinada a crescer e a aprender os ritos das comidas, os usos da
13 açacurana, o preparo do curare. O irmão, em tudo igual e diverso dela, nasce destinado à
14 guerra e, por seu grito, como que de trovão, Tsittsi é chamado. E recebe, do velho avô, um
15 dente de onça do seu colar. A onça, sim, inimiga do seu povo, mas a quem devem temor e
16 respeito por ser a Dona da Caça, aquela que lhes permite viver em seus domínios.
17 Iñe-e cresce escutando a história do seu nascimento e do nascimento do irmão
18 fluindo, como a água de onde veio, da boca de sua mãe. É uma das histórias que mais lhe
19 agrada ouvir, mais do que a de Juziñamui, o devorador de gente, mais do que as histórias
20 do quebradão das antas, mais do que o episódio da tartaruga, que [...] arrancava risadas de
21 todos os ouvintes, moços e velhos. Escuta também como surgiu a desconfiança que o pai
22 passou a ter dela quando, ainda muito pequena, se desgarrou das mulheres que
23 preparavam a yuca e ficou horas desaparecida. Somente a encontraram no fim da tarde.
24 Quando as esperanças de vê-la viva novamente se esvaíam, os parentes a avistaram à
25 margem do rio, em companhia de uma enorme onça; Iñe-e de cócoras, Tipai uu, a onça, a
26 seu lado, a cauda batendo ritmadamente de um lado para o outro, como quem espera,
27 como quem vela, tendo deixado a criança intacta e segura até a chegada do seu povo,
28 quando então foi embora. Naquele dia, o entendimento do pai dizia que a filha, por haver
29 se ajuntado em pacto com a inimiga, mesmo sem ter ciência do que havia de fato
30 acontecido, era agora inimiga como a onça. Muito embora o velho avô a tenha benzido em
31 proteção dos donos dos animais no instante em que nascera, o pai acreditava que o evento
32 era um sinal de maldição.
33 Ela um dia se transforma e nos devora a todos, como Nonueteima se transformou
34 em jaguar, acusou o pai certa vez, deixando a mãe entre irritada e amedrontada pelo
35 destino que via se desenhar para a filha. Para o avô, aquele ódio não estava certo, o
36 encontro da menina com a onça cintilava como uma dádiva quando ele consultou a
37 sabedoria da coca a respeito. Mas mesmo isso não conseguia retirar a cisma do coração do
38 filho, cujas fibras embranqueciam a cada contato com os estrangeiros, o que era, de fato,
39 e o velho sabia, uma verdadeira desgraça.
40 Alheia a esses embates, a menina ia seguindo a vontade de crescer e, ademais, a
41 cisma ou a raiva do pai eram inconstantes. Ora recrudescendo com uma nova implicância,
42 ora adormecendo como se nunca tivesse existido. Ela não sabia se gostava ou não de ter
43 sido onçada por Tipai uu, mas em seu coração sabia que, por outro lado, não desgostava.
44 Onça voa de um grande salto, onça engana os melhores caçadores, onça esturra enchendo
45 a mata de reverência e temor, onça enterra os dentes no cangote do inimigo. Ela pensava,
46 em pensamento desarrumado de criança pequena, pensamento que ia guardando muito
47 bem guardado, que talvez algum dia haveria de ter alguma serventia ter feito pacto com a
48 onça.
49 Quando a menina completou sete anos, o avô decidiu levá-la às festas de Yurupari, o
50 Dono das Frutas, quando meninos e meninas eram colocados diante do Esawámina, para
51 talvez serem escolhidos em uma missão de grande responsabilidade. Entre o povo dela,
52 meninas e meninos tinham a mesma honra de ser escolhidos. Assim, ao som das trompas
53 e flautas, Iñe-e foi uma das crianças eleitas, e por isso deveria mirar Yurupari por sete vezes
54 para que, quando completasse doze anos, se convertesse em curadora do corpo e do
55 espírito, vendo aquilo que ninguém mais poderia enxergar.
VERUNSCHK, Micheliny. O som do rugido da onça. São Paulo: Companhia das Letras, 2021, p 17-19 (fragmento adaptado).
Glossário
açacurana - uma árvore da família das leguminosas.
curare - veneno usado em lanças e flechas.
No terceiro parágrafo do texto, ao falar sobre quando Iñe-e foi encontrada por seu povo, é dito que: “Somente a encontraram no fim da tarde”, (l. 23). Qual das reescritas abaixo mantém o sentido dessa frase?Resolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 1 para responder às questões 21 a 30.
Texto 1
O som do rugido da onça
01 A mulher se reclina. Seus olhos e seus ouvidos se colocam a postos. Sua boca aberta
02 recebe o hálito que atravessa as folhas das árvores, os animais, que tocara a pele de todas
03 as mulheres antes dela. Ela está no centro da maloca, e a maloca é o ventre do universo, e
04 a barriga dela, o centro do mundo. Sobre o telhado, o céu rebrilha de estrelas, crânios muito
05 alvos faiscando eternamente. Então ela começa a gritar seu suor de seiva e sangue. O
06 trabalho dos ossos do quadril se afastando como pedras que há muito assentadas não
07 resistem à imposição violenta das águas. Ela sente as dores em ondas que vão e vêm em
08 fluxo e refluxo, e enfim seu canal se dilata totalmente para a passagem dos rios, primeiro o
09 rio que traz um menino, depois o rio que traz uma menina.
10 Ela, uma criança mirrada, mas de olhos bem abertos e com uma pequenina boca
11 vermelha como o fruto do buritizeiro e, por esse motivo, é chamada de Iñe-e pelo velho
12 avô, o xamã. Está destinada a crescer e a aprender os ritos das comidas, os usos da
13 açacurana, o preparo do curare. O irmão, em tudo igual e diverso dela, nasce destinado à
14 guerra e, por seu grito, como que de trovão, Tsittsi é chamado. E recebe, do velho avô, um
15 dente de onça do seu colar. A onça, sim, inimiga do seu povo, mas a quem devem temor e
16 respeito por ser a Dona da Caça, aquela que lhes permite viver em seus domínios.
17 Iñe-e cresce escutando a história do seu nascimento e do nascimento do irmão
18 fluindo, como a água de onde veio, da boca de sua mãe. É uma das histórias que mais lhe
19 agrada ouvir, mais do que a de Juziñamui, o devorador de gente, mais do que as histórias
20 do quebradão das antas, mais do que o episódio da tartaruga, que [...] arrancava risadas de
21 todos os ouvintes, moços e velhos. Escuta também como surgiu a desconfiança que o pai
22 passou a ter dela quando, ainda muito pequena, se desgarrou das mulheres que
23 preparavam a yuca e ficou horas desaparecida. Somente a encontraram no fim da tarde.
24 Quando as esperanças de vê-la viva novamente se esvaíam, os parentes a avistaram à
25 margem do rio, em companhia de uma enorme onça; Iñe-e de cócoras, Tipai uu, a onça, a
26 seu lado, a cauda batendo ritmadamente de um lado para o outro, como quem espera,
27 como quem vela, tendo deixado a criança intacta e segura até a chegada do seu povo,
28 quando então foi embora. Naquele dia, o entendimento do pai dizia que a filha, por haver
29 se ajuntado em pacto com a inimiga, mesmo sem ter ciência do que havia de fato
30 acontecido, era agora inimiga como a onça. Muito embora o velho avô a tenha benzido em
31 proteção dos donos dos animais no instante em que nascera, o pai acreditava que o evento
32 era um sinal de maldição.
33 Ela um dia se transforma e nos devora a todos, como Nonueteima se transformou
34 em jaguar, acusou o pai certa vez, deixando a mãe entre irritada e amedrontada pelo
35 destino que via se desenhar para a filha. Para o avô, aquele ódio não estava certo, o
36 encontro da menina com a onça cintilava como uma dádiva quando ele consultou a
37 sabedoria da coca a respeito. Mas mesmo isso não conseguia retirar a cisma do coração do
38 filho, cujas fibras embranqueciam a cada contato com os estrangeiros, o que era, de fato,
39 e o velho sabia, uma verdadeira desgraça.
40 Alheia a esses embates, a menina ia seguindo a vontade de crescer e, ademais, a
41 cisma ou a raiva do pai eram inconstantes. Ora recrudescendo com uma nova implicância,
42 ora adormecendo como se nunca tivesse existido. Ela não sabia se gostava ou não de ter
43 sido onçada por Tipai uu, mas em seu coração sabia que, por outro lado, não desgostava.
44 Onça voa de um grande salto, onça engana os melhores caçadores, onça esturra enchendo
45 a mata de reverência e temor, onça enterra os dentes no cangote do inimigo. Ela pensava,
46 em pensamento desarrumado de criança pequena, pensamento que ia guardando muito
47 bem guardado, que talvez algum dia haveria de ter alguma serventia ter feito pacto com a
48 onça.
49 Quando a menina completou sete anos, o avô decidiu levá-la às festas de Yurupari, o
50 Dono das Frutas, quando meninos e meninas eram colocados diante do Esawámina, para
51 talvez serem escolhidos em uma missão de grande responsabilidade. Entre o povo dela,
52 meninas e meninos tinham a mesma honra de ser escolhidos. Assim, ao som das trompas
53 e flautas, Iñe-e foi uma das crianças eleitas, e por isso deveria mirar Yurupari por sete vezes
54 para que, quando completasse doze anos, se convertesse em curadora do corpo e do
55 espírito, vendo aquilo que ninguém mais poderia enxergar.
VERUNSCHK, Micheliny. O som do rugido da onça. São Paulo: Companhia das Letras, 2021, p 17-19 (fragmento adaptado).
Glossário
açacurana - uma árvore da família das leguminosas.
curare - veneno usado em lanças e flechas.
Observe os destaques no trecho do terceiro parágrafo, das linhas 24 e 25:
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As duas palavras destacadas no trecho referem-se, no contexto, à/às
Leia o texto 1 para responder às questões 21 a 30.
Texto 1
O som do rugido da onça
01 A mulher se reclina. Seus olhos e seus ouvidos se colocam a postos. Sua boca aberta
02 recebe o hálito que atravessa as folhas das árvores, os animais, que tocara a pele de todas
03 as mulheres antes dela. Ela está no centro da maloca, e a maloca é o ventre do universo, e
04 a barriga dela, o centro do mundo. Sobre o telhado, o céu rebrilha de estrelas, crânios muito
05 alvos faiscando eternamente. Então ela começa a gritar seu suor de seiva e sangue. O
06 trabalho dos ossos do quadril se afastando como pedras que há muito assentadas não
07 resistem à imposição violenta das águas. Ela sente as dores em ondas que vão e vêm em
08 fluxo e refluxo, e enfim seu canal se dilata totalmente para a passagem dos rios, primeiro o
09 rio que traz um menino, depois o rio que traz uma menina.
10 Ela, uma criança mirrada, mas de olhos bem abertos e com uma pequenina boca
11 vermelha como o fruto do buritizeiro e, por esse motivo, é chamada de Iñe-e pelo velho
12 avô, o xamã. Está destinada a crescer e a aprender os ritos das comidas, os usos da
13 açacurana, o preparo do curare. O irmão, em tudo igual e diverso dela, nasce destinado à
14 guerra e, por seu grito, como que de trovão, Tsittsi é chamado. E recebe, do velho avô, um
15 dente de onça do seu colar. A onça, sim, inimiga do seu povo, mas a quem devem temor e
16 respeito por ser a Dona da Caça, aquela que lhes permite viver em seus domínios.
17 Iñe-e cresce escutando a história do seu nascimento e do nascimento do irmão
18 fluindo, como a água de onde veio, da boca de sua mãe. É uma das histórias que mais lhe
19 agrada ouvir, mais do que a de Juziñamui, o devorador de gente, mais do que as histórias
20 do quebradão das antas, mais do que o episódio da tartaruga, que [...] arrancava risadas de
21 todos os ouvintes, moços e velhos. Escuta também como surgiu a desconfiança que o pai
22 passou a ter dela quando, ainda muito pequena, se desgarrou das mulheres que
23 preparavam a yuca e ficou horas desaparecida. Somente a encontraram no fim da tarde.
24 Quando as esperanças de vê-la viva novamente se esvaíam, os parentes a avistaram à
25 margem do rio, em companhia de uma enorme onça; Iñe-e de cócoras, Tipai uu, a onça, a
26 seu lado, a cauda batendo ritmadamente de um lado para o outro, como quem espera,
27 como quem vela, tendo deixado a criança intacta e segura até a chegada do seu povo,
28 quando então foi embora. Naquele dia, o entendimento do pai dizia que a filha, por haver
29 se ajuntado em pacto com a inimiga, mesmo sem ter ciência do que havia de fato
30 acontecido, era agora inimiga como a onça. Muito embora o velho avô a tenha benzido em
31 proteção dos donos dos animais no instante em que nascera, o pai acreditava que o evento
32 era um sinal de maldição.
33 Ela um dia se transforma e nos devora a todos, como Nonueteima se transformou
34 em jaguar, acusou o pai certa vez, deixando a mãe entre irritada e amedrontada pelo
35 destino que via se desenhar para a filha. Para o avô, aquele ódio não estava certo, o
36 encontro da menina com a onça cintilava como uma dádiva quando ele consultou a
37 sabedoria da coca a respeito. Mas mesmo isso não conseguia retirar a cisma do coração do
38 filho, cujas fibras embranqueciam a cada contato com os estrangeiros, o que era, de fato,
39 e o velho sabia, uma verdadeira desgraça.
40 Alheia a esses embates, a menina ia seguindo a vontade de crescer e, ademais, a
41 cisma ou a raiva do pai eram inconstantes. Ora recrudescendo com uma nova implicância,
42 ora adormecendo como se nunca tivesse existido. Ela não sabia se gostava ou não de ter
43 sido onçada por Tipai uu, mas em seu coração sabia que, por outro lado, não desgostava.
44 Onça voa de um grande salto, onça engana os melhores caçadores, onça esturra enchendo
45 a mata de reverência e temor, onça enterra os dentes no cangote do inimigo. Ela pensava,
46 em pensamento desarrumado de criança pequena, pensamento que ia guardando muito
47 bem guardado, que talvez algum dia haveria de ter alguma serventia ter feito pacto com a
48 onça.
49 Quando a menina completou sete anos, o avô decidiu levá-la às festas de Yurupari, o
50 Dono das Frutas, quando meninos e meninas eram colocados diante do Esawámina, para
51 talvez serem escolhidos em uma missão de grande responsabilidade. Entre o povo dela,
52 meninas e meninos tinham a mesma honra de ser escolhidos. Assim, ao som das trompas
53 e flautas, Iñe-e foi uma das crianças eleitas, e por isso deveria mirar Yurupari por sete vezes
54 para que, quando completasse doze anos, se convertesse em curadora do corpo e do
55 espírito, vendo aquilo que ninguém mais poderia enxergar.
VERUNSCHK, Micheliny. O som do rugido da onça. São Paulo: Companhia das Letras, 2021, p 17-19 (fragmento adaptado).
Glossário
açacurana - uma árvore da família das leguminosas.
curare - veneno usado em lanças e flechas.
Em “Onça voa de um grande salto, onça engana os melhores caçadores, onça esturra enchendo a mata de reverência e temor, onça enterra os dentes no cangote do inimigo.”, (ls. 44 e 45), o narrador apresenta o pensamento de Iñe-e a respeito das onças – um pensamento que é comumente partilhado pelas pessoas.
Pode-se afirmar que, ao encontrar-se com a menina, a onça tem um comportamento oposto ao que se esperaria desse animal, considerado inimigo de seu povo. Qual passagem abaixo comprova que a onça agiu de maneira contrária à esperada de um inimigo?Resolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 1 para responder às questões 21 a 30.
Texto 1
O som do rugido da onça
01 A mulher se reclina. Seus olhos e seus ouvidos se colocam a postos. Sua boca aberta
02 recebe o hálito que atravessa as folhas das árvores, os animais, que tocara a pele de todas
03 as mulheres antes dela. Ela está no centro da maloca, e a maloca é o ventre do universo, e
04 a barriga dela, o centro do mundo. Sobre o telhado, o céu rebrilha de estrelas, crânios muito
05 alvos faiscando eternamente. Então ela começa a gritar seu suor de seiva e sangue. O
06 trabalho dos ossos do quadril se afastando como pedras que há muito assentadas não
07 resistem à imposição violenta das águas. Ela sente as dores em ondas que vão e vêm em
08 fluxo e refluxo, e enfim seu canal se dilata totalmente para a passagem dos rios, primeiro o
09 rio que traz um menino, depois o rio que traz uma menina.
10 Ela, uma criança mirrada, mas de olhos bem abertos e com uma pequenina boca
11 vermelha como o fruto do buritizeiro e, por esse motivo, é chamada de Iñe-e pelo velho
12 avô, o xamã. Está destinada a crescer e a aprender os ritos das comidas, os usos da
13 açacurana, o preparo do curare. O irmão, em tudo igual e diverso dela, nasce destinado à
14 guerra e, por seu grito, como que de trovão, Tsittsi é chamado. E recebe, do velho avô, um
15 dente de onça do seu colar. A onça, sim, inimiga do seu povo, mas a quem devem temor e
16 respeito por ser a Dona da Caça, aquela que lhes permite viver em seus domínios.
17 Iñe-e cresce escutando a história do seu nascimento e do nascimento do irmão
18 fluindo, como a água de onde veio, da boca de sua mãe. É uma das histórias que mais lhe
19 agrada ouvir, mais do que a de Juziñamui, o devorador de gente, mais do que as histórias
20 do quebradão das antas, mais do que o episódio da tartaruga, que [...] arrancava risadas de
21 todos os ouvintes, moços e velhos. Escuta também como surgiu a desconfiança que o pai
22 passou a ter dela quando, ainda muito pequena, se desgarrou das mulheres que
23 preparavam a yuca e ficou horas desaparecida. Somente a encontraram no fim da tarde.
24 Quando as esperanças de vê-la viva novamente se esvaíam, os parentes a avistaram à
25 margem do rio, em companhia de uma enorme onça; Iñe-e de cócoras, Tipai uu, a onça, a
26 seu lado, a cauda batendo ritmadamente de um lado para o outro, como quem espera,
27 como quem vela, tendo deixado a criança intacta e segura até a chegada do seu povo,
28 quando então foi embora. Naquele dia, o entendimento do pai dizia que a filha, por haver
29 se ajuntado em pacto com a inimiga, mesmo sem ter ciência do que havia de fato
30 acontecido, era agora inimiga como a onça. Muito embora o velho avô a tenha benzido em
31 proteção dos donos dos animais no instante em que nascera, o pai acreditava que o evento
32 era um sinal de maldição.
33 Ela um dia se transforma e nos devora a todos, como Nonueteima se transformou
34 em jaguar, acusou o pai certa vez, deixando a mãe entre irritada e amedrontada pelo
35 destino que via se desenhar para a filha. Para o avô, aquele ódio não estava certo, o
36 encontro da menina com a onça cintilava como uma dádiva quando ele consultou a
37 sabedoria da coca a respeito. Mas mesmo isso não conseguia retirar a cisma do coração do
38 filho, cujas fibras embranqueciam a cada contato com os estrangeiros, o que era, de fato,
39 e o velho sabia, uma verdadeira desgraça.
40 Alheia a esses embates, a menina ia seguindo a vontade de crescer e, ademais, a
41 cisma ou a raiva do pai eram inconstantes. Ora recrudescendo com uma nova implicância,
42 ora adormecendo como se nunca tivesse existido. Ela não sabia se gostava ou não de ter
43 sido onçada por Tipai uu, mas em seu coração sabia que, por outro lado, não desgostava.
44 Onça voa de um grande salto, onça engana os melhores caçadores, onça esturra enchendo
45 a mata de reverência e temor, onça enterra os dentes no cangote do inimigo. Ela pensava,
46 em pensamento desarrumado de criança pequena, pensamento que ia guardando muito
47 bem guardado, que talvez algum dia haveria de ter alguma serventia ter feito pacto com a
48 onça.
49 Quando a menina completou sete anos, o avô decidiu levá-la às festas de Yurupari, o
50 Dono das Frutas, quando meninos e meninas eram colocados diante do Esawámina, para
51 talvez serem escolhidos em uma missão de grande responsabilidade. Entre o povo dela,
52 meninas e meninos tinham a mesma honra de ser escolhidos. Assim, ao som das trompas
53 e flautas, Iñe-e foi uma das crianças eleitas, e por isso deveria mirar Yurupari por sete vezes
54 para que, quando completasse doze anos, se convertesse em curadora do corpo e do
55 espírito, vendo aquilo que ninguém mais poderia enxergar.
VERUNSCHK, Micheliny. O som do rugido da onça. São Paulo: Companhia das Letras, 2021, p 17-19 (fragmento adaptado).
Glossário
açacurana - uma árvore da família das leguminosas.
curare - veneno usado em lanças e flechas.
“Naquele dia, o entendimento do pai dizia que a filha, por haver se ajuntado em pacto com a inimiga, mesmo sem ter ciência do que havia de fato acontecido, era agora inimiga como a onça.” (ls. 28 a 30)
A palavra agora tem um sentido que, no trecho do terceiro parágrafo, expressa uma ideia específica sobre o julgamento do pai sobre a filha. O sentido é deResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 1 para responder às questões 21 a 30.
Texto 1
O som do rugido da onça
01 A mulher se reclina. Seus olhos e seus ouvidos se colocam a postos. Sua boca aberta
02 recebe o hálito que atravessa as folhas das árvores, os animais, que tocara a pele de todas
03 as mulheres antes dela. Ela está no centro da maloca, e a maloca é o ventre do universo, e
04 a barriga dela, o centro do mundo. Sobre o telhado, o céu rebrilha de estrelas, crânios muito
05 alvos faiscando eternamente. Então ela começa a gritar seu suor de seiva e sangue. O
06 trabalho dos ossos do quadril se afastando como pedras que há muito assentadas não
07 resistem à imposição violenta das águas. Ela sente as dores em ondas que vão e vêm em
08 fluxo e refluxo, e enfim seu canal se dilata totalmente para a passagem dos rios, primeiro o
09 rio que traz um menino, depois o rio que traz uma menina.
10 Ela, uma criança mirrada, mas de olhos bem abertos e com uma pequenina boca
11 vermelha como o fruto do buritizeiro e, por esse motivo, é chamada de Iñe-e pelo velho
12 avô, o xamã. Está destinada a crescer e a aprender os ritos das comidas, os usos da
13 açacurana, o preparo do curare. O irmão, em tudo igual e diverso dela, nasce destinado à
14 guerra e, por seu grito, como que de trovão, Tsittsi é chamado. E recebe, do velho avô, um
15 dente de onça do seu colar. A onça, sim, inimiga do seu povo, mas a quem devem temor e
16 respeito por ser a Dona da Caça, aquela que lhes permite viver em seus domínios.
17 Iñe-e cresce escutando a história do seu nascimento e do nascimento do irmão
18 fluindo, como a água de onde veio, da boca de sua mãe. É uma das histórias que mais lhe
19 agrada ouvir, mais do que a de Juziñamui, o devorador de gente, mais do que as histórias
20 do quebradão das antas, mais do que o episódio da tartaruga, que [...] arrancava risadas de
21 todos os ouvintes, moços e velhos. Escuta também como surgiu a desconfiança que o pai
22 passou a ter dela quando, ainda muito pequena, se desgarrou das mulheres que
23 preparavam a yuca e ficou horas desaparecida. Somente a encontraram no fim da tarde.
24 Quando as esperanças de vê-la viva novamente se esvaíam, os parentes a avistaram à
25 margem do rio, em companhia de uma enorme onça; Iñe-e de cócoras, Tipai uu, a onça, a
26 seu lado, a cauda batendo ritmadamente de um lado para o outro, como quem espera,
27 como quem vela, tendo deixado a criança intacta e segura até a chegada do seu povo,
28 quando então foi embora. Naquele dia, o entendimento do pai dizia que a filha, por haver
29 se ajuntado em pacto com a inimiga, mesmo sem ter ciência do que havia de fato
30 acontecido, era agora inimiga como a onça. Muito embora o velho avô a tenha benzido em
31 proteção dos donos dos animais no instante em que nascera, o pai acreditava que o evento
32 era um sinal de maldição.
33 Ela um dia se transforma e nos devora a todos, como Nonueteima se transformou
34 em jaguar, acusou o pai certa vez, deixando a mãe entre irritada e amedrontada pelo
35 destino que via se desenhar para a filha. Para o avô, aquele ódio não estava certo, o
36 encontro da menina com a onça cintilava como uma dádiva quando ele consultou a
37 sabedoria da coca a respeito. Mas mesmo isso não conseguia retirar a cisma do coração do
38 filho, cujas fibras embranqueciam a cada contato com os estrangeiros, o que era, de fato,
39 e o velho sabia, uma verdadeira desgraça.
40 Alheia a esses embates, a menina ia seguindo a vontade de crescer e, ademais, a
41 cisma ou a raiva do pai eram inconstantes. Ora recrudescendo com uma nova implicância,
42 ora adormecendo como se nunca tivesse existido. Ela não sabia se gostava ou não de ter
43 sido onçada por Tipai uu, mas em seu coração sabia que, por outro lado, não desgostava.
44 Onça voa de um grande salto, onça engana os melhores caçadores, onça esturra enchendo
45 a mata de reverência e temor, onça enterra os dentes no cangote do inimigo. Ela pensava,
46 em pensamento desarrumado de criança pequena, pensamento que ia guardando muito
47 bem guardado, que talvez algum dia haveria de ter alguma serventia ter feito pacto com a
48 onça.
49 Quando a menina completou sete anos, o avô decidiu levá-la às festas de Yurupari, o
50 Dono das Frutas, quando meninos e meninas eram colocados diante do Esawámina, para
51 talvez serem escolhidos em uma missão de grande responsabilidade. Entre o povo dela,
52 meninas e meninos tinham a mesma honra de ser escolhidos. Assim, ao som das trompas
53 e flautas, Iñe-e foi uma das crianças eleitas, e por isso deveria mirar Yurupari por sete vezes
54 para que, quando completasse doze anos, se convertesse em curadora do corpo e do
55 espírito, vendo aquilo que ninguém mais poderia enxergar.
VERUNSCHK, Micheliny. O som do rugido da onça. São Paulo: Companhia das Letras, 2021, p 17-19 (fragmento adaptado).
Glossário
açacurana - uma árvore da família das leguminosas.
curare - veneno usado em lanças e flechas.
Ao longo do texto, observa-se o emprego de recursos que ajudam a conferir-lhe lirismo. O lirismo está ligado a uma visão poética dos acontecimentos narrados e daquilo que se descreve.
Um dos recursos que ajudam a conferir lirismo a um texto literário é o uso de palavras associadas aos sentidos humanos, que falam de texturas (tato), cheiros (olfato), imagens (visão), sabores (paladar) e sons (audição). Isso ajuda a criar uma atmosfera para o enredo e a transmitir uma visão de mundo, além de marcar um estilo de escrita e ajudar a envolver o leitor.
Marque a alternativa que apresenta a relação correta entre a passagem do texto e o sentido ao qual se relaciona, dentro do contexto.Resolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 2 para responder às questões 31 a 34.
Texto 2
Mentiras
01 Lili vive no mundo do Faz de conta... Faz de conta que isto é um avião. Zzzzzuuu... Depois
02 aterrissou em piquê e virou trem. Tuc tuc tuc tuc... Entrou pelo túnel, chispando. Mas debaixo
03 da mesa havia bandidos. Pum! Pum! Pum! O trem descarrilou. E o mocinho? Onde é que está
04 o mocinho? Meu Deus! onde é que está o mocinho?! No auge da confusão, levaram Lili para
05 cama, à força. E o trem ficou tristemente derribado no chão, fazendo de conta que era mesmo
06 uma lata de sardinha.
QUINTANA, Mario. Assombros cotidianos: Antologia. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2024, p. 29.
Há palavras que imitam sons. São as chamadas onomatopeias. No texto 2, a onomatopeia “Zzzzzuuu” (l. 01) representa, no contexto, o som deResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 2 para responder às questões 31 a 34.
Texto 2
Mentiras
01 Lili vive no mundo do Faz de conta... Faz de conta que isto é um avião. Zzzzzuuu... Depois
02 aterrissou em piquê e virou trem. Tuc tuc tuc tuc... Entrou pelo túnel, chispando. Mas debaixo
03 da mesa havia bandidos. Pum! Pum! Pum! O trem descarrilou. E o mocinho? Onde é que está
04 o mocinho? Meu Deus! onde é que está o mocinho?! No auge da confusão, levaram Lili para
05 cama, à força. E o trem ficou tristemente derribado no chão, fazendo de conta que era mesmo
06 uma lata de sardinha.
QUINTANA, Mario. Assombros cotidianos: Antologia. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2024, p. 29.
Enquanto em “Tuc tuc tuc tuc” (l. 02) não é utilizada qualquer pontuação entre as palavras, em “Pum! Pum! Pum!” (l. 03) são utilizadas exclamações. Isso acontece para marcarResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 2 para responder às questões 31 a 34.
Texto 2
Mentiras
01 Lili vive no mundo do Faz de conta... Faz de conta que isto é um avião. Zzzzzuuu... Depois
02 aterrissou em piquê e virou trem. Tuc tuc tuc tuc... Entrou pelo túnel, chispando. Mas debaixo
03 da mesa havia bandidos. Pum! Pum! Pum! O trem descarrilou. E o mocinho? Onde é que está
04 o mocinho? Meu Deus! onde é que está o mocinho?! No auge da confusão, levaram Lili para
05 cama, à força. E o trem ficou tristemente derribado no chão, fazendo de conta que era mesmo
06 uma lata de sardinha.
QUINTANA, Mario. Assombros cotidianos: Antologia. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2024, p. 29.
Um recurso da língua frequente nas narrativas é a atribuição de características ou traços humanos a animais ou objetos. Qual passagem do texto exemplifica esse recurso?Resolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 2 para responder às questões 31 a 34.
Texto 2
Mentiras
01 Lili vive no mundo do Faz de conta... Faz de conta que isto é um avião. Zzzzzuuu... Depois
02 aterrissou em piquê e virou trem. Tuc tuc tuc tuc... Entrou pelo túnel, chispando. Mas debaixo
03 da mesa havia bandidos. Pum! Pum! Pum! O trem descarrilou. E o mocinho? Onde é que está
04 o mocinho? Meu Deus! onde é que está o mocinho?! No auge da confusão, levaram Lili para
05 cama, à força. E o trem ficou tristemente derribado no chão, fazendo de conta que era mesmo
06 uma lata de sardinha.
QUINTANA, Mario. Assombros cotidianos: Antologia. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2024, p. 29.
Em “E o mocinho? Onde é que está o mocinho? Meu Deus! onde é que está o mocinho?!” (ls. 03 e 04), a repetição do questionamento mostraResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 3 para responder às questões 35 a 37.
Texto 3
Para Emilio Kemp
É a mesma ruazinha sossegada,
Com as velhas rondas e as canções de outrora…
E os meus lindos pregões da madrugada
Passam cantando ruazinha em fora!
Mas parece que a luz está cansada…
E, não sei como, tudo tem, agora,
Essa tonalidade amarelada
Dos cartazes que o tempo descolora…
Sim, desses cartazes ante os quais
Nós às vezes paramos, indecisos…
Mas para quê?… Se não adiantam mais!…
Pobres cartazes por aí a fora
Que inda anunciam: — ALEGRIA — RISOS
Depois do Circo já ter ido embora!…
QUINTANA, Mario. Assombros cotidianos: Antologia. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2024, p. 20.
Nesse poema, o eu lírico se vê diante de uma rua e a observa. Percebe-se que o eu lírico reflete sobreResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 3 para responder às questões 35 a 37.
Texto 3
Para Emilio Kemp
É a mesma ruazinha sossegada,
Com as velhas rondas e as canções de outrora…
E os meus lindos pregões da madrugada
Passam cantando ruazinha em fora!
Mas parece que a luz está cansada…
E, não sei como, tudo tem, agora,
Essa tonalidade amarelada
Dos cartazes que o tempo descolora…
Sim, desses cartazes ante os quais
Nós às vezes paramos, indecisos…
Mas para quê?… Se não adiantam mais!…
Pobres cartazes por aí a fora
Que inda anunciam: — ALEGRIA — RISOS
Depois do Circo já ter ido embora!…
QUINTANA, Mario. Assombros cotidianos: Antologia. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2024, p. 20.
No texto 3, pelo contraste entre o passado e o presente e pelas imagens construídas pelo eu lírico, é possível concluir que esse eu líricoResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 3 para responder às questões 35 a 37.
Texto 3
Para Emilio Kemp
É a mesma ruazinha sossegada,
Com as velhas rondas e as canções de outrora…
E os meus lindos pregões da madrugada
Passam cantando ruazinha em fora!
Mas parece que a luz está cansada…
E, não sei como, tudo tem, agora,
Essa tonalidade amarelada
Dos cartazes que o tempo descolora…
Sim, desses cartazes ante os quais
Nós às vezes paramos, indecisos…
Mas para quê?… Se não adiantam mais!…
Pobres cartazes por aí a fora
Que inda anunciam: — ALEGRIA — RISOS
Depois do Circo já ter ido embora!…
QUINTANA, Mario. Assombros cotidianos: Antologia. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2024, p. 20.
Os travessões do penúltimo verso, “Que inda anunciam: — ALEGRIA — RISOS”, foram empregados, no contexto do poema, para introduzirResolução comentada
Análise das alternativas
Leia o texto 4 para responder às questões 38 a 40.
Texto 4
O cartaz abaixo foi divulgado após a aprovação da Lei 15.100/25, que trata da proibição do uso de celulares nas escolas:
![]()
SOBRE A LEI 15.100/2025
A Lei nº 15.100/2025 estabelece restrições ao uso de celulares e outros dispositivos eletrônicos por estudantes em escolas públicas e privadas durante o horário das aulas e intervalos. O uso desses recursos será permitido apenas quando os professores os incorporarem como ferramentas pedagógicas. O objetivo da medida é reduzir distrações, promover interações sociais e assegurar que a tecnologia seja utilizada de forma intencional para o desenvolvimento educacional e socioemocional dos alunos, buscando um ambiente escolar mais equilibrado e um uso consciente desses recursos.
Disponível em: https://mecred.mec.gov.br/recurso/366428?collectionId=16247. Acesso em: 09 ago. 2025.
Em certo trecho da linguagem verbal do cartaz (texto 4), lê-se: “A escola é para viver e conviver”. Caso esse trecho fosse reescrito sob a forma “A escola é para que você ________ e ________”, as lacunas, respectivamente, seriam preenchidas de maneira adequada, conforme a variedade padrão da Língua Portuguesa, pelos vocábulos
Leia o texto 4 para responder às questões 38 a 40.
Texto 4
O cartaz abaixo foi divulgado após a aprovação da Lei 15.100/25, que trata da proibição do uso de celulares nas escolas:
![]()
SOBRE A LEI 15.100/2025
A Lei nº 15.100/2025 estabelece restrições ao uso de celulares e outros dispositivos eletrônicos por estudantes em escolas públicas e privadas durante o horário das aulas e intervalos. O uso desses recursos será permitido apenas quando os professores os incorporarem como ferramentas pedagógicas. O objetivo da medida é reduzir distrações, promover interações sociais e assegurar que a tecnologia seja utilizada de forma intencional para o desenvolvimento educacional e socioemocional dos alunos, buscando um ambiente escolar mais equilibrado e um uso consciente desses recursos.
Disponível em: https://mecred.mec.gov.br/recurso/366428?collectionId=16247. Acesso em: 09 ago. 2025.
No texto 4, a fim de se produzir o efeito comunicativo desejado, as linguagens verbal e não verbal se relacionam, complementando-se. Nesse sentido, a imagem dos pássaros, do disco em vinil e das notas musicais complementam a ideia contida no vocábulo
Leia o texto 4 para responder às questões 38 a 40.
Texto 4
O cartaz abaixo foi divulgado após a aprovação da Lei 15.100/25, que trata da proibição do uso de celulares nas escolas:
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SOBRE A LEI 15.100/2025
A Lei nº 15.100/2025 estabelece restrições ao uso de celulares e outros dispositivos eletrônicos por estudantes em escolas públicas e privadas durante o horário das aulas e intervalos. O uso desses recursos será permitido apenas quando os professores os incorporarem como ferramentas pedagógicas. O objetivo da medida é reduzir distrações, promover interações sociais e assegurar que a tecnologia seja utilizada de forma intencional para o desenvolvimento educacional e socioemocional dos alunos, buscando um ambiente escolar mais equilibrado e um uso consciente desses recursos.
Disponível em: https://mecred.mec.gov.br/recurso/366428?collectionId=16247. Acesso em: 09 ago. 2025.
O texto 4, entre outras, tem a finalidade de
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