← Voltar para a lista de provas Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) — Comando da Aeronáutica · Exame de Admissão ao CPCAR 2025 (Curso Preparatório de Cadetes do Ar) 49 questões nesta prova · página 3 de 3 · 47 com gabarito Gabarito disponível O texto traz variação diastrática e diatópica, que evidenciam aspectos culturais da identidade nacional. A variação diatópica é a regional (Mato Grosso, regionalismos como 'cuitelinho'). A diastrática é a social (grau de escolaridade, fala popular: 'zóio', 'navaia'). Elas valorizam a cultura na construção da identidade nacional. A) A intenção não é restringir a cultura. C) Não se trata de variação diacrônica (no tempo), e a ideia de 'português mortificado' é inadequada. D) A canção não 'compartilha desvios' que prejudiquem as relações sociais. Referência: Variação linguística: diatópica, diastrática, diafásica e diacrônica. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível No texto aparecem elipse, personificação, silepse e comparação. Há elipse em 'Bate uma, a outra faia' (verbo omitido). Há personificação em 'o cuitelinho não gosta' e nas garças que sentam e dão volta. Há comparação explícita em 'Como aço de navaia'. A silepse é indicada pelo gabarito pela concordância ideológica de construções como 'Os zóio se enche'. B) Não há ironia nem eufemismo. C) Não há antítese nem anáfora relevantes. D) Não há apóstrofe nem sinestesia evidentes no texto. Referência: Figuras de linguagem. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível 'Cheguei na beira' traz erro de regência: 'chegar' pede preposição 'a'. Pela norma culta, o verbo 'chegar' rege a preposição 'a' ('cheguei à beira'), e não 'em'. Portanto há erro de regência verbal no primeiro verso. B) Além da concordância ('as garça dá'), há desvio de concordância nominal ('as garça') e de regência. C) 'Se' em 'as ondas se espalham' é pronome reflexivo/parte do verbo, e não índice de indeterminação (o sujeito é 'as ondas'). D) 'Meia' é adjetivo de 'volta', concordando com ela. Referência: Regência verbal (verbo chegar); concordância. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A alternativa D é a única que não pode ser afirmada sobre o texto III. Na linguagem poética há valorização da forma da mensagem, e não da informação em si. Além disso, os traços linguísticos do texto remetem a um grupo regional específico (rural, Centro-Oeste), e não a vários grupos sociais. Por isso D não se sustenta. A) O sotaque reproduzido marca identidade de um grupo. B) A sociolinguística entende as variedades como modos legítimos de falar. C) 'Cuitelinho' é regionalismo e há desvios em relação à norma-padrão. Referência: Variação linguística e linguagem poética. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível A identidade nacional é construída pela valorização da cultura, da língua e dos valores de um povo. A canção exalta traços culturais do Brasil (samba, pandeiro, lugares, figuras históricas), construindo a ideia de identidade nacional a partir da variedade cultural, dos traços linguísticos e dos valores da comunidade. A) O texto resgata o passado e fala da coletividade, e não só de um sujeito. C) Em texto poético prevalece a função poética (ênfase na forma da mensagem), e não no canal. D) O texto não afirma que a identidade seja preestabelecida. Referência: Interpretação de texto; identidade cultural. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Apenas o segundo item é verdadeiro (F-V-F-F). 1) Falso: com locução verbal 'vou + infinitivo', 'vou-te cantar' é aceitável, e não se exige ênclise no infinitivo. 2) Verdadeiro: 'onde' pode ser trocado por 'em que' (locativo), sem erro sintático. 3) Falso: o demonstrativo 'esse' é usado de forma dêitica/anafórica retomando 'Brasil', e não para introduzir informações novas. 4) Falso: a ausência da crase não afeta a sintaxe da expressão 'à luz', cuja preposição continua sendo exigida. As alternativas A, B e C marcam como verdadeiro algum dos itens 1, 3 ou 4, que são falsos. Referência: Colocação pronominal, pronomes relativos, demonstrativos e crase. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Em 'coqueiro que dá coco', 'que' é pronome relativo, como em 'história que estabeleça'. No verso, 'que' retoma 'coqueiro' e funciona como sujeito de 'dá', logo é pronome relativo. Na alternativa A, 'que' retoma 'história' e é sujeito de 'estabeleça', também pronome relativo. B) 'Define que existe...' traz conjunção integrante. C) 'Que me importa?' traz pronome interrogativo (ou interjeição, conforme o uso). D) 'Que o botão de rosa caia' traz conjunção integrante, introduzindo oração subordinada substantiva. Referência: Classes de palavras: o vocábulo 'que'. Resolução comentada do VaiConcursos. Gabarito disponível Sem padrão de resposta — pratique a escrita Instruções:EPCAR — Exame de Admissão ao CPCAR 2025 — Língua Inglesa, Matemática, Língua Portuguesa e Redação — Versão A
TEXTO III
O cuitelinho*
Cheguei na beira do porto
Onde as ondas se espáia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
5 E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia, iá
Aí quando eu vim da minha terra
Despedi da parentaia
10 Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei forte bataia, iá
15 A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os zóio se enche d'água
20 Que até a vista se atrapaia, iá
*cuitelinho - Regionalismo para beija-flor (cuitelo) beija-flor pequeno.
(VANZOLINI, Paulo; XANDÓ, Antônio. Folclore recolhido. In: BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004. p. 59).
Levando em consideração o texto III, é possível classificar as variações linguísticas comoResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO III
O cuitelinho*
Cheguei na beira do porto
Onde as ondas se espáia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
5 E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia, iá
Aí quando eu vim da minha terra
Despedi da parentaia
10 Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei forte bataia, iá
15 A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os zóio se enche d'água
20 Que até a vista se atrapaia, iá
*cuitelinho - Regionalismo para beija-flor (cuitelo) beija-flor pequeno.
(VANZOLINI, Paulo; XANDÓ, Antônio. Folclore recolhido. In: BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004. p. 59).
Considerando os recursos de linguagem figurada, qual das alternativas abaixo apresenta aqueles que estão presentes no texto III?Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO III
O cuitelinho*
Cheguei na beira do porto
Onde as ondas se espáia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
5 E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia, iá
Aí quando eu vim da minha terra
Despedi da parentaia
10 Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei forte bataia, iá
15 A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os zóio se enche d'água
20 Que até a vista se atrapaia, iá
*cuitelinho - Regionalismo para beija-flor (cuitelo) beija-flor pequeno.
(VANZOLINI, Paulo; XANDÓ, Antônio. Folclore recolhido. In: BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004. p. 59).
Leia o trecho retirado do texto III.
“Cheguei na beira do porto
Onde as ondas se espáia
As garça dá meia volta [...]”
Assinale a alternativa correta em relação à norma culta da língua.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO III
O cuitelinho*
Cheguei na beira do porto
Onde as ondas se espáia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
5 E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia, iá
Aí quando eu vim da minha terra
Despedi da parentaia
10 Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei forte bataia, iá
15 A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os zóio se enche d'água
20 Que até a vista se atrapaia, iá
*cuitelinho - Regionalismo para beija-flor (cuitelo) beija-flor pequeno.
(VANZOLINI, Paulo; XANDÓ, Antônio. Folclore recolhido. In: BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004. p. 59).
Considerando que a linguagem poética é caracterizada pela subjetividade, no texto III, NÃO se pode afirmar queResolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO IV
Aquarela do Brasil
João Gilberto
Brasil!
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
5 Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de nosso Senhor
Abre a cortina do passado
10 Tira a mãe preta do cerrado
Bota o Rei Congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória* à luz da Lua
Toda canção do seu amor
15 Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Esse coqueiro que dá coco
Oi! Onde amarro a minha rede
20 Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a Lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
25 É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil!
*merencória – melancólica.
(Ary Barroso. Aquarela do Brasil. Odeon: 1939). Adaptado.
Sobre o texto IV, é correto afirmar que:Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO IV
Aquarela do Brasil
João Gilberto
Brasil!
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
5 Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de nosso Senhor
Abre a cortina do passado
10 Tira a mãe preta do cerrado
Bota o Rei Congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória* à luz da Lua
Toda canção do seu amor
15 Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Esse coqueiro que dá coco
Oi! Onde amarro a minha rede
20 Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a Lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
25 É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil!
*merencória – melancólica.
(Ary Barroso. Aquarela do Brasil. Odeon: 1939). Adaptado.
Analise os excertos abaixo, verificando a relação com os comentários apresentados e, em seguida, marque verdadeiro (V) ou falso (F) para cada um deles.
( ) “Vou cantar-te nos meus versos” – a alteração da posição do pronome oblíquo por “vou-te cantar nos meus versos” estaria incorreta, pois deve-se colocar o pronome enclítico em verbos no infinitivo.
( ) No trecho “Por essas fontes murmurantes / O̲n̲d̲e̲ eu mato a minha sede / O̲n̲d̲e̲ a Lua vem brincar”, a substituição dos termos sublinhados por “em que” não causaria erro sintático.
( ) No trecho “Esse Brasil lindo e trigueiro”, o pronome demonstrativo foi utilizado anaforicamente para introduzir informações novas.
( ) No trecho “A merencória à luz da Lua”, a retirada do acento grave indicativo de crase não gera prejuízo semântico, porém acarreta prejuízo sintático.
Assinale a alternativa correta.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO IV
Aquarela do Brasil
João Gilberto
Brasil!
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
5 Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de nosso Senhor
Abre a cortina do passado
10 Tira a mãe preta do cerrado
Bota o Rei Congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória* à luz da Lua
Toda canção do seu amor
15 Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Esse coqueiro que dá coco
Oi! Onde amarro a minha rede
20 Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a Lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
25 É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil!
*merencória – melancólica.
(Ary Barroso. Aquarela do Brasil. Odeon: 1939). Adaptado.
Observando o uso do vocábulo “que” no fragmento “Esse coqueiro que dá coco” (texto IV), assinale a alternativa na qual o vocábulo “que” apresenta a mesma classificação morfológica do fragmento transcrito nas alternativas abaixo.Resolução comentada
Análise das alternativas
TEXTO I
O TEXTO I, considerado nesta prova, é composto por DOIS FRAGMENTOS de artigos científicos que apresentam definições importantes sobre os conceitos de identidade, coletividade e identidade coletiva.
Fragmento I
Identidade Nacional e Memória Coletiva: aproximações possíveis
Caroline Gonzaga
Douglas Gasparin Arruda
O linguista José Luiz Fiorin (2009, p. 116-117) retratou
que a identidade nacional é uma criação moderna: ela
começou a ser construída no século XVIII e se desenvolveu
plenamente no século XIX, já que antes dessa época não se
5 pode falar em nações propriamente ditas. Podemos
compreender que uma nação é feita por um legado de
lembranças que é aceito por todos. Sendo assim, a nação é
uma herança, tanto simbólica quanto material e pertencer a
uma nação é ser herdeiro de um patrimônio comum. Dessa
10 forma, a nacionalidade é também uma identidade.
Entretanto, para criar um mundo de nações não bastava
fazer um inventário de heranças, era preciso construí-las.
Era necessário buscar um fato que pudesse testemunhar
um passado prestigioso que representasse uma coesão
15 nacional e esta é uma tarefa longa e coletiva. Assim sendo,
a nação nasce de uma invenção e é condensada numa alma
nacional que deve ser elaborada. É necessária uma história
que estabeleça continuidade com ancestrais, que elenque
heróis e modelos de virtude nacionais, que se organize sob
20 uma única língua e que tenha monumentos culturais,
paisagem típica, hino, bandeira, especificidades culinárias,
etc. Tudo isso leva a pensar que a identidade nacional é um
discurso, e, como todo discurso, é constituída
dialogicamente.
(GONZAGA, Caroline; ARRUDA, Douglas Gasparin. Identidade Nacional e Memória Coletiva: aproximações possíveis. Revista Vernáculo, n° 50 – segundo semestre/2022. p. 9-33.).
Fragmento II
Autoestima, autoimagem e constituição da identidade: um estudo com graduandos de psicologia
Helena Serafim Vasconcelos
A Teoria dos Estudos Culturais permite discutir a
formação da identidade a partir de duas perspectivas
distintas e concorrentes: a essencialista e a não
essencialista. A primeira define que existe um conjunto
5 cristalino e autêntico de características que todos aqueles
que pertençam a determinado grupo partilham e que não se
modificam ao longo da história. Já a segunda, foca nas
diferenças e nas semelhanças entre os indivíduos que
componham certo grupo e deste para com outros grupos,
10 pressupõe formas mutáveis de definição do que seja ser
parte deste grupo com o passar do tempo. Nota-se,
portanto, que esta última concebe que o ser humano seja
capaz de assumir diversas posições identitárias tanto ao
longo da própria vida como a partir do contexto social e
15 cultural em que se encontre, afirmando a identidade a partir
de um conceito relacional (WOODWARD, 2014).
[...].
A perspectiva não essencialista, proposta pelos
Estudos Culturais (Woodward, 2014; Hall, 2011)
20 circunscreve o campo teórico desse estudo, permitindo
perceber os conceitos de autoestima a partir da
contextualização deste aspecto subjetivo na história dos
sujeitos.
[...].
25 As concepções aqui apresentadas sobre a
autoimagem, também se organizam a partir dessa
perspectiva dinâmica, de múltiplas identidades. Configura-
se como uma organização interna de si mesmo, composta
por dados de realidade e dados subjetivos de
30 autopercepção (MOSQUERA & STOBÄUS, 2006). Assim,
compreende-se a autoestima e a autoimagem como
características da subjetividade humana que apresentam
um papel importante na forma como uma pessoa se
relaciona com outras e consigo mesma, na constituição
35 identitária propriamente dita, que vão, simultaneamente,
organizar-se em torno do conceito de identidade aqui
trabalhado, como apresentado no diagrama da figura a
seguir.
![]()
(VASCONCELOS, Helena Serafim. Autoestima, autoimagem e constituição da identidade: um estudo com graduandos de psicologia. Revista Psicologia, Diversidade e Saúde. 2017. Agosto; 6(3):195-206). Adaptado.
TEXTO II
![]()
(QUINO. Toda Mafalda. São Paulo: Martins Fontes. 2000).
TEXTO III
O cuitelinho*
Cheguei na beira do porto
Onde as ondas se espáia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
5 E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia, iá
Aí quando eu vim da minha terra
Despedi da parentaia
10 Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei forte bataia, iá
15 A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os zóio se enche d'água
20 Que até a vista se atrapaia, iá
*cuitelinho - Regionalismo para beija-flor (cuitelo) beija-flor pequeno.
(VANZOLINI, Paulo; XANDÓ, Antônio. Folclore recolhido. In: BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004. p. 59).
TEXTO IV
Aquarela do Brasil
João Gilberto
Brasil!
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
5 Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de nosso Senhor
Abre a cortina do passado
10 Tira a mãe preta do cerrado
Bota o Rei Congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória* à luz da Lua
Toda canção do seu amor
15 Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Esse coqueiro que dá coco
Oi! Onde amarro a minha rede
20 Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a Lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
25 É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil!
*merencória – melancólica.
(Ary Barroso. Aquarela do Brasil. Odeon: 1939). Adaptado.
Considerando todos os textos presentes nesta prova, analise as assertivas a seguir.
I - Os textos enfatizam a construção coletiva da identidade nacional.
II - No texto II, não é possível perceber a ideia de coletividade, visto que o posicionamento apresentado é o da própria personagem.
III - Os textos II, III e IV reforçam que a identidade é uma construção pessoal.
IV - A imagem do texto I informa que nossas experiências e vivências individuais são essenciais para a construção da nossa identidade.
Segundo o que se afirma, conclui-se que:
TEXTO I
O TEXTO I, considerado nesta prova, é composto por DOIS FRAGMENTOS de artigos científicos que apresentam definições importantes sobre os conceitos de identidade, coletividade e identidade coletiva.
Fragmento I
Identidade Nacional e Memória Coletiva: aproximações possíveis
Caroline Gonzaga
Douglas Gasparin Arruda
O linguista José Luiz Fiorin (2009, p. 116-117) retratou
que a identidade nacional é uma criação moderna: ela
começou a ser construída no século XVIII e se desenvolveu
plenamente no século XIX, já que antes dessa época não se
5 pode falar em nações propriamente ditas. Podemos
compreender que uma nação é feita por um legado de
lembranças que é aceito por todos. Sendo assim, a nação é
uma herança, tanto simbólica quanto material e pertencer a
uma nação é ser herdeiro de um patrimônio comum. Dessa
10 forma, a nacionalidade é também uma identidade.
Entretanto, para criar um mundo de nações não bastava
fazer um inventário de heranças, era preciso construí-las.
Era necessário buscar um fato que pudesse testemunhar
um passado prestigioso que representasse uma coesão
15 nacional e esta é uma tarefa longa e coletiva. Assim sendo,
a nação nasce de uma invenção e é condensada numa alma
nacional que deve ser elaborada. É necessária uma história
que estabeleça continuidade com ancestrais, que elenque
heróis e modelos de virtude nacionais, que se organize sob
20 uma única língua e que tenha monumentos culturais,
paisagem típica, hino, bandeira, especificidades culinárias,
etc. Tudo isso leva a pensar que a identidade nacional é um
discurso, e, como todo discurso, é constituída
dialogicamente.
(GONZAGA, Caroline; ARRUDA, Douglas Gasparin. Identidade Nacional e Memória Coletiva: aproximações possíveis. Revista Vernáculo, n° 50 – segundo semestre/2022. p. 9-33.).
Fragmento II
Autoestima, autoimagem e constituição da identidade: um estudo com graduandos de psicologia
Helena Serafim Vasconcelos
A Teoria dos Estudos Culturais permite discutir a
formação da identidade a partir de duas perspectivas
distintas e concorrentes: a essencialista e a não
essencialista. A primeira define que existe um conjunto
5 cristalino e autêntico de características que todos aqueles
que pertençam a determinado grupo partilham e que não se
modificam ao longo da história. Já a segunda, foca nas
diferenças e nas semelhanças entre os indivíduos que
componham certo grupo e deste para com outros grupos,
10 pressupõe formas mutáveis de definição do que seja ser
parte deste grupo com o passar do tempo. Nota-se,
portanto, que esta última concebe que o ser humano seja
capaz de assumir diversas posições identitárias tanto ao
longo da própria vida como a partir do contexto social e
15 cultural em que se encontre, afirmando a identidade a partir
de um conceito relacional (WOODWARD, 2014).
[...].
A perspectiva não essencialista, proposta pelos
Estudos Culturais (Woodward, 2014; Hall, 2011)
20 circunscreve o campo teórico desse estudo, permitindo
perceber os conceitos de autoestima a partir da
contextualização deste aspecto subjetivo na história dos
sujeitos.
[...].
25 As concepções aqui apresentadas sobre a
autoimagem, também se organizam a partir dessa
perspectiva dinâmica, de múltiplas identidades. Configura-
se como uma organização interna de si mesmo, composta
por dados de realidade e dados subjetivos de
30 autopercepção (MOSQUERA & STOBÄUS, 2006). Assim,
compreende-se a autoestima e a autoimagem como
características da subjetividade humana que apresentam
um papel importante na forma como uma pessoa se
relaciona com outras e consigo mesma, na constituição
35 identitária propriamente dita, que vão, simultaneamente,
organizar-se em torno do conceito de identidade aqui
trabalhado, como apresentado no diagrama da figura a
seguir.
![]()
(VASCONCELOS, Helena Serafim. Autoestima, autoimagem e constituição da identidade: um estudo com graduandos de psicologia. Revista Psicologia, Diversidade e Saúde. 2017. Agosto; 6(3):195-206). Adaptado.
TEXTO II
![]()
(QUINO. Toda Mafalda. São Paulo: Martins Fontes. 2000).
TEXTO III
O cuitelinho*
Cheguei na beira do porto
Onde as ondas se espáia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
5 E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia, iá
Aí quando eu vim da minha terra
Despedi da parentaia
10 Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei forte bataia, iá
15 A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os zóio se enche d'água
20 Que até a vista se atrapaia, iá
*cuitelinho - Regionalismo para beija-flor (cuitelo) beija-flor pequeno.
(VANZOLINI, Paulo; XANDÓ, Antônio. Folclore recolhido. In: BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna. São Paulo: Parábola, 2004. p. 59).
TEXTO IV
Aquarela do Brasil
João Gilberto
Brasil!
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
5 Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de nosso Senhor
Abre a cortina do passado
10 Tira a mãe preta do cerrado
Bota o Rei Congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória* à luz da Lua
Toda canção do seu amor
15 Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Esse coqueiro que dá coco
Oi! Onde amarro a minha rede
20 Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a Lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
25 É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil!
*merencória – melancólica.
(Ary Barroso. Aquarela do Brasil. Odeon: 1939). Adaptado.
PROVA DE REDAÇÃO
Com base nos textos desta prova e no seu conhecimento de mundo, escreva um texto expositivo ou argumentativo, em prosa, refletindo sobre a seguinte questão:
“A importância da memória histórica e influência da diversidade cultural na formação da identidade nacional brasileira”.
• Considere os textos desta prova como motivadores e fonte de dados. Não os copie, sob pena de ter a redação zerada.
• A redação deverá conter no mínimo 100 (cem) palavras, considerando-se palavras todas aquelas pertencentes às classes gramaticais da Língua Portuguesa.
• Recomenda-se que a redação seja escrita em letra cursiva legível. Caso seja utilizada letra de forma (caixa alta), as letras maiúsculas deverão receber o devido realce.
• Utilize caneta de tinta preta ou azul.
• Dê um título à redação.
• Não assine no VERSO do CARTÃO DE RESPOSTA (local destinado à elaboração da redação proposta).
Texto-base:
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