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Queremos sempre chegar ao coração das coisas. Nunca chegamos e é melhor que seja assim. No coração das coisas estão os loucos, que fitam uma realidade limpa e iluminada, sem nuances e sem consolo. Os loucos não suportam a ideia de que viver é rondar as coisas, é dançar em torno delas. Às vezes lhes roçamos a face, por outras lhes roubamos pequenos nacos. Nunca realmente as possuímos.
Uma excelente metáfora para esta prudente distância é o véu de Ísis, aquele que, dizia a deusa egípcia, nenhum mortal ousou levantar. Nunca encaramos o rosto da realidade, ficamos sempre à distância, na periferia. É estranho o mundo em que vivemos: um mundo sem centro, como um rio que não tivesse águas, mas apenas margens. Em consequência, todo esforço de conhecimento, de leitura do mundo, não passa de uma lenta e interminável ronda em torno de um enigma.
Resta-nos uma "leitura cerrada" da realidade. Uma leitura que se agarra às coisas como um leão que finca suas garras no pescoço da vítima, ou em seu lombo, sem, no entanto, lhe devorar as vísceras, sem chegar a seu coração.[...].
(CASTELO, José. O Globo, Prosa e verso, 12 jun., 2010. p.4.)
A qual enigma o texto faz alusão no segundo parágrafo?
Resolução comentada
O enigma aludido é o rosto da realidade.
O parágrafo diz que nunca encaramos o rosto da realidade e que todo esforço de conhecimento é uma ronda em torno de um enigma. O enigma, portanto, é a própria realidade, simbolizada por seu rosto sob o véu de Ísis.
Análise das alternativas
A) Errada: o coração das coisas aparece no primeiro parágrafo. C) Errada: a leitura de mundo é a ronda, não o enigma. D) Errada: o esforço de conhecimento é o que gira em torno do enigma. E) Errada: o mundo é descrito como sem centro, mas o enigma é o rosto da realidade.
Referência: Interpretação de texto; referenciação.
Resolução comentada do VaiConcursos.